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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE TUCURUÍ


FACULDADE DE ENGENHARIA MECÂNICA

Charles Baia

Joanyson Andrei O. Pereira

Romário de Souza Santos

Thefeson Vilhena Oliveira

Wigor da Paz

ALUMÍNIO E SUAS LIGAS

TUCURUÍ

2013
Charles Baia

Joanyson Andrei O. Pereira

Romário de Souza Santos

Thefeson Vilhena Oliveira

Wigor da Paz

ALUMÍNIO E SUAS LIGAS

Dissertação apresentada
como requisito para
obtenção de nota da
disciplina MCM – Materiais
de Construção Mecânica,
ministrada pelo Msc.
Douglas Garcia
(Universidade Federal do
Pará – UFPA).

Tucuruí

2013
RESUMO

Atualmente é impossível imaginar o mundo sem o alumínio e suas ligas, pois ao


olhar a nossa volta percebemos que uma infinidade de produtos dependem dele,
seja em nossas casas, nas indústrias (automobilística, aeronáutica, naval, bélica),
na transmissão de energia elétrica ou até mesmo em tecnologias aeroespaciais.
Além da sua alta condutividade elétrica e térmica, baixa densidade, ductilidade,
dentre outras, pode-se obter outras propriedades extraordinárias ao combiná-lo
com elementos ligantes. Partindo desse ponto de vista foi elaborado esta
presente dissertação, onde está descrita de forma clara e sucinta as formas no
qual pode se conseguir ligas de alta resistência a partir do alumínio que é uma
material de baixa dureza e de baixa resistência mecânica. Vai mostrar também
como se dá o(s) processo(s) que podem deixa-las mais resistentes ainda, seja por
tratamentos térmicos e/ou outros mecanismos de aumento da resistência
mecânica.

Palavras chaves: Alumínio, Ligas de Alumínio, Tratamentos térmicos.


ABSTRACT

Currently it is impossible to imagine the world without the aluminum and its alloys,
as to look around us we see a plethora of products that depend on it, whether in
our homes, industries (automotive, aeronautics, naval warfare), the transmission
of electricity or even in aerospace technologies. In addition to its high electrical
and thermal conductivity, low density, ductility, among others, can get other
extraordinary properties to combine it with alloying elements. From this point of
view was elaborated this present work, which is described clearly and briefly the
ways in which to achieve high strength alloys from aluminum is a material of low
hardness and low mechanical strength. It will also show how the two (s) process
(es) which can leave them even more resistant, either by thermal treatment and /
or other mechanisms to increase the mechanical strength.

Keywords: Aluminium, Aluminium alloys, heat treatments.


LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Bauxita na forma de minério ........................................................................................ 9


Figura 2 - Fluxograma básico de uma refinaria ........................................................................ 10
Figura 3 - Efeito da homogeneização ........................................................................................ 14
Figura 4 - Tratamento térmico de solubilização seguido de precipitação ............................ 16
Figura 5 - Efeito do recozimento na microestrutura de uma liga de alumínio encruada .... 17
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Propriedades do Alumínio ......................................................................................... 11


Tabela 2 – Grupos de liga ............................................................................................................ 12
Tabela 3 - Sistema de classificação das ligas de alumínio .................................................... 18
SUMÁRIO
1 OBJETIVOS.................................................................................................................................. 7
2 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................. 7
3 HISTÓRICO ................................................................................................................................. 7
4 PROCESSO DE OBTENÇÃO DO ALUMÍNIO................................................................................. 8
4.1 Mineração .......................................................................................................................... 9
4.2 Processo Bayer ................................................................................................................. 10
5 PROPRIEDADES DO ALUMÍNIO ............................................................................................... 11
6 LIGAS DE ALUMÍNIO ................................................................................................................ 11
6.1 Elementos de liga ............................................................................................................. 12
6.2 Grupos de liga .................................................................................................................. 12
7 TRATAMENTOS TÉRMICOS EM LIGAS DE ALUMÍNIO ............................................................. 14
7.1 Homogeneização .............................................................................................................. 14
7.2 Solubilização / Envelhecimento ....................................................................................... 15
7.3 Precipitação ...................................................................................................................... 16
7.4 Recozimento..................................................................................................................... 16
8 CLASSIFICAÇÃO DAS LIGAS DE ALUMÍNIO .............................................................................. 17
9 PRINCIPAIS PROCESSOS INDUSTRIAIS DO ALUMÍNIO ............................................................ 20
10 A RECICLAGEM DO ALUMÍNIO ................................................................................................ 20
11 CONCLUSÃO ............................................................................................................................. 21
7

1 OBJETIVOS
Esse trabalho tem como principal objetivo proporcionar um maior
conhecimento sobre o alumínio e suas ligas ao leitor, dando o entendimento
necessário para compreender os métodos e/ou processos que transformam esse
material de baixa resistência em ligas de média ou alta resistência.

2 INTRODUÇÃO
O Alumínio, apesar de ser o terceiro elemento mais abundante na crosta
terrestre, é o metal mais jovem usado em escala industrial. Mesmo utilizado
milênios antes de Cristo, o alumínio começou a ser produzido comercialmente há
cerca de 150 anos. Sua produção atual supera a soma de todos os outros metais
não ferrosos. Esses dados já mostram a importância do alumínio para a nossa
sociedade. Antes de ser descoberto como metal isolado, o alumínio acompanhou
a evolução das civilizações. Sua cronologia mostra que, mesmo nas civilizações
mais antigas, o metal dava um tom de modernidade e sofisticação aos mais
diferentes artefatos tudo isso graças as suas características, como: leveza e
ductilidade.
Entretanto, a imensa curiosidade do homem aliada as exigências do
mercado continuam levando a um aperfeiçoamento tecnológico sempre crescente
na produção dos materiais para a indústria. E o alumínio não poderia ficar de fora
disso.
Assim, para melhorar ainda mais a característica deste material já tão
versátil, desenvolveram-se novas ligas e empregaram-se processos de
beneficiamento. Eles são usados com a finalidade de dar ao metal características
especiais para usos especiais.

3 HISTÓRICO
Há mais de sete mil anos, os ceramistas da Pérsia fabricavam vasos de
barro com óxido de alumínio (conhecido atualmente como alumina) e, trinta
séculos mais tarde, os egípcios e babilônicos utilizavam outro composto similar
em seus cosméticos e produtos medicinais. No entanto, a real existência e
funcionalidade do alumínio ainda eram desconhecidas. Os rumores eram de que
o alumínio fosse proveniente de colisões de átomos de hidrogênio durante a
formação do sistema solar.
8

A história do alumínio, porém, é recente. Em 1808, o químico inglês


Humphrey Davy finalmente conseguiu provar a existência do alumínio e, pouco
tempo depois, Hans Oersted, físico alemão, conseguiu produzir pequenas
quantidades do metal. Em 1869, um grande avanço na produção permitiu que o
custo baixasse de US$ 545 para US$ 17 o grama, quase o mesmo valor da prata.
Nesta época, o alumínio decorou até a mesa da corte francesa, a coroa do rei da
Dinamarca e a capa do Monumento de Washington.
Começou, então, a existir a necessidade de ter uma grande quantidade
de produção a um preço muito baixo para que o alumínio pudesse ser um metal
de primeira categoria. Em 1880, ele era considerado semiprecioso, mais raro que
a prata. Então, o professor americano Frank Jewett mostrou aos seus alunos do
Oberlin College, de Ohio, um pequeno pedaço de alumínio e afirmou diante de
todos que quem conseguisse, de alguma forma, explorar o metal ficaria rico. Um
de seus estudantes, Charles Martin Hall, que vinha realizando experiências em
um laboratório improvisado desde os 12 anos de idade, continuou suas pesquisas
depois de formado e aprendeu a fazer óxido de alumínio: a alumina. Em 1886,
Hall colocou em um recipiente certa quantidade de criolita com alumina e passou
uma corrente elétrica. O resultado foi uma massa congelada, que ele trabalhou
com um martelo. Várias partículas de alumínio se formaram, dando origem a um
dos metais mais utilizados na história.

4 PROCESSO DE OBTENÇÃO DO ALUMÍNIO


Da bauxita é retirada a alumina que, por meio do processo de redução, é
transformada em alumínio. A produção é constituída por uma série de reações
químicas. Até mesmo a bauxita é formada por um processo químico natural,
proveniente da infiltração de água em rochas alcalinas em decomposição. Este
minério pode ser encontrado próximo à superfície com uma espessura média de
4,5 metros. Sua extração é geralmente realizada a céu aberto com o auxílio de
retroescavadeiras.
Antes de iniciar a mineração da bauxita, é necessário ter o cuidado de
remover a terra fértil sobre as jazidas juntamente com a vegetação e reservá-la
para o futuro trabalho a recomposição do terreno. Este trabalho, que acontece
após a extração, é muito importante para a preservação do meio ambiente.
9

Depois de minerada, a bauxita é transportada para a fábrica, onde chega


ainda em seu estado natural. Lá, é iniciada a primeira de muitas reações
químicas.
A bauxita é moída e acrescida de uma solução de soda cáustica, que a
transforma em pasta. Aquecida sob pressão e recebendo novas quantidades de
soda cáustica, esta massa se dissolve e forma uma solução que passa por
processos de sedimentação e filtragem. Nesta etapa, são eliminadas todas as
impurezas e a solução restante fica pronta para que dela seja extraída a alumina.
Em equipamentos chamados de precipitadores, a alumina contida na
solução é precipitada pelo processo de "cristalização por semente". O material
resultante precisa ser lavado e seco por aquecimento. Assim, é obtido o primeiro
estágio da produção de alumínio: a alumina, que se apresenta sob a forma de pó
branco e refinado, de aspecto semelhante ao açúcar.
Nesta fase, o processo químico denominado Bayer é o mais utilizado.
Nele, a bauxita é dissolvida em soda cáustica e, posteriormente, filtrada para
separar todo o material sólido, concentrando-se o filtrado para a cristalização da
alumina. Estes cristais são secos e calcinados a fim de eliminar a água. Então, a
alumina é finalmente transformada em alumínio por meio de um processo de
eletrólise.

4.1 Mineração
O alumínio, metal tão amplamente usado nos dias de hoje devido a
características como leveza, resistência, aparência, entre outras, tem como
principal fonte a bauxita (Figura 1), mineral terroso e opaco, encontrado mais
comumente em regiões de clima tropical e subtropical.

Figura 1 - Bauxita na forma de minério

Fonte: http://www.albras.net/materiaprima
10

4.2 Processo Bayer


O processo químico utilizado Bayer é o mais utilizado na indústria do
alumínio. Neste processo, a alumina é dissolvida em soda caustica e,
posteriormente, filtrada, para separar todo material solido. Concentrando-se o
filtrado para a cristalização da alumina os cristais são secados e calcinados para
eliminar a água, sendo o pó branco da alumina pura enviada a redução para a
obtenção do alumínio através de eletrolise, processo conhecido como Hall-Herolt.

As principais fases do processo de obtenção de alumina, desde a entrada


do minério até a saída do produto, são: moagem, digestão, filtração/evaporação,
precipitação e calcinação. As operações de alumina têm um fluxograma de certa
complexidade, que pode ser resumido em um circuito básico simples.

Figura 2 - Fluxograma básico de uma refinaria

Fonte: Associação Brasileira de Alumínio

No processo de eletrólise, para obtenção do alumínio, a alumina é


carregada de forma controlada, em um eletrólito fundido, formado por sais de
criolita e fluoreto de alumínio. A passagem de corrente elétrica na célula
eletrolítica promove a redução da alumina, decantando o alumínio metálico no
fundo da célula e o oxigênio liberado reage com o ânodo de carbono, formando
dióxido de carbono. A Figura 2 mostra o diagrama de uma célula de redução e a
11

Figura 3, uma instalação típica de sala de cubas de redução. Em números


redondos, são necessários 5 kg de bauxita para produzir 2 kg de alumina e 1 kg
de alumínio primário.

5 PROPRIEDADES DO ALUMÍNIO
O alumínio tem como principais características a leveza, ductilidade,
resistência a corrosão, alta condutividade elétrica e térmica dentre outros. sofre
pouca corrosão quando exposto ao ar, devido ao óxido (Al 2O3) que se forma
espontaneamente na superfície.

Tabela 1 - Propriedades do Alumínio

Ponto de fusão 660°C


Densidade 2,70 g/cm³
Limite de escoamento 90 MPa
Coeficiente de dilatação térmica linear 0,0000238 mm/ºC
Resistividade 0,00000263 ohm/cm³
Refletividade Acima de 80%
Estrutura cristalina CFC

Fonte: REMY, A.; GAY, M.; GONTHIER, R.

6 LIGAS DE ALUMÍNIO
O alumínio é um elemento que se liga facilmente com vários metais
formando assim diversas ligas. Tais ligas tem o objetivo de melhorar certas
propriedades mecânicas do alumínio. Naturalmente uma só liga não pode
combinar todas as propriedades necessárias para cada aplicação, sendo assim
necessário conhecer as vantagens e limitações de cada uma delas para que se
possa fazer a melhor seleção para cada aplicação.

Em geral, podemos dividir os elementos entre aqueles que conferem a


liga a sua característica principal como resistência mecânica, resistência a
corrosão, fluidez no preenchimento de moldes, etc., e os que têm função
acessórias, como o controle de microestrutura e das impurezas e traços que
prejudicam a fabricação.
12

6.1 Elementos de liga


Sabe-se que existem infinitas combinações de elementos e composições
para formar uma liga. Assim as Ligas de Alumínio de uso comercial tem na sua
composição química:
Elementos Principais: responsáveis pelas propriedades mecânicas como Cobre,
Silício, Magnésio, Manganês, Zinco;
Elementos Secundários: cujos percentuais são menores e tem como objetivo
uma ação específica para se obter determinada propriedade de uso ou
característica de fundição como: Níquel, Ferro, Berílio;
Elementos modificadores, refinadores ou neutralizadores: usados em
pequenos percentuais com a finalidade de alterar a microestrutura, obtendo-se
melhores propriedades ou características de processo como Titânio, Sódio,
Estrôncio, Boro;
Elementos tidos como impurezas: os quais devem ser controlados ou
balanceados de maneira mais rigorosa como: Chumbo, Cromo, Cálcio, entre
outros, que em geral exercem influência perniciosa sobre certas propriedades ou
características de fundição.

6.2 Grupos de liga


Cada liga de alumínio é agrupada de acordo com o elemento principal
adicionado a mesma:

Tabela 2 – Grupos de liga


Algarismo Grupo
1 Al puro
2 AlCu
3 AlMn
4 Alsi
5 AlMg
6 AlMgSi
7 AlZn
8 Outros

Fonte: Manual de tecnologia metal mecânica – pág. 165

1xxx: É uma liga de alumínio puro (99,9%). Ela é muito resistente a alta corrosão,
possui altas condutividades térmica e elétrica. Porém, apresenta baixa resistência
mecânica.
13

2xxx: Essa liga apresenta o cobre como principal elemento de liga. Ela é muito
aplicada na industria aeronáutica, devido a alta resistência mecânica.

3xxx: O manganês é o principal elemento de liga. Tendo como principal aplicação


os produtos estampados.

4xxx: Essa liga apresenta o silício como elemento de liga. Elas são muito
utilizadas como materiais de adição para solda.

5xxx: Nessa liga o magnésio é o elemento de liga. Suas aplicações e a mesma


da serie 3xxx.

6xxx: É uma liga que apresenta o Al-Mg-Si, tendo como resultado a fase Mg2Si.
Não são tão resistentes, porém são utilizadas na fabricação de bicicletas, pois
podem ser soldadas.

7xxx: É uma liga de Al-Zn. Ela apresenta uma alta resistência mecânica e
tenacidade. Muito utilizado na industria aeronáutica.

8xxx: Seu principal elemento de liga é o lítio. Apresentam alta resistência


mecânica especifica.

9xxx: Outras ligas que não foram especificadas anteriormente.

7 MECANISMOS DE AUMENTO DE RESISTÊNCIA POR DEFORMAÇÃO A


FRIO
Para ligas que não são tratáveis termicamente só são modificadas pelo
estiramento provocado por uma deformação a frio (REMY, A.; GAY, M.;
GONTHIER, R. - pág. 209). Nesse caso há a perturbação da rede cristalina,
provocando um aumento de carga de ruptura e do limite elástico.

Esses mecanismos podem ser associados a vários processos industriais,


por exemplo, laminação e trefilação, não sendo necessário na maioria dos casos
14

tratamentos especiais, ou seja, aumenta-se a resistência ao mesmo tempo em


que se fabrica o produto.

8 TRATAMENTOS TÉRMICOS EM LIGAS DE ALUMÍNIO


Os tratamentos térmicos visam modificar as propriedades dos materiais
adequando-os aos meios nos quais serão utilizados. Tal processo consiste em
aquecer um determinado material e resfria-lo controladamente, de acordo com a
(s) propriedade (s) que se deseja obter.

Ao submeter um material a um tratamento térmico pode ocorrer


mudanças como variação de microconstituintes presentes, mudança na
concentração e redistribuição dos defeitos cristalinos como também alterações
das fases presentes dentre outras.

No entanto nem todas ligas são suscetíveis a tratamentos térmicos, e isso


também vale para as ligas de alumínio. As ligas de alumínio podem ser divididas
entre tratáveis termicamente e as não tratáveis termicamente.

As ligas não tratáveis termicamente consistem em apenas uma fase e o


aumento da resistência é obtido através de solução sólida. Já as ligas tratáveis
termicamente são capazes de serem endurecidas por precipitação, sendo que em
alguma delas há a precipitação de dois elementos para formação de um
composto intermetálico.

Pode se aumentar a resistência do alumínio com trabalho a frio como


para a maioria dos outros metais ou apenas pela formação de liga, porém vale
apena ressaltar que ambos os processos tendem a diminuir sua resistência a
corrosão.

8.1 Homogeneização
Tem por objetivo reduzir as segregações além de controlar certas
características metalúrgicas. É um tratamento térmico realizado a cerca de 500°C.

Figura 3 - Efeito da homogeneização


15

Fonte: http//:www.ebah.com.br

8.2 Solubilização / Envelhecimento


As maiores resistências mecânicas são obtidas com ligas que respondem
a esse tratamento. Primeiramente aquece-se a liga a cerca de 500°C, podendo
essa temperatura variar conforme a liga. Isso provoca a dissolução dos elementos
de liga na solução sólida. Em seguida provoca-se o resfriamento rápido com água
para que não haja a precipitação de nenhum microconstituinte.

Pelo fato dessa condição ser instável, gradualmente os microconstituintes


precipitam-se de maneira extremamente fina, havendo o máximo de
envelhecimento (tornando-se mais dura).

Na liga Al-Cu (Figura 4) pode se observar uma grande região de


solubilidade, sendo o limite máximo de 5,65% de Cu em Al, tornando possível o
tratamento de solubilização.

Em uma liga com 4% Cu resfriada em condições de equilíbrio apresenta


uma microestrutura com formação de precipitados Al2Cu e uma matriz de solução
sólida a. Os tamanhos de grão desses precipitados variam de acordo com a taxa
de resfriamento.

Submete-se essa liga a um ciclo de aquecimento dentro da região sólida


até que não haja nenhum precipitado presente no material, isso é provocado
pelos mecanismos de difusão que farão com que o cobre entre no reticulado
cristalino do alumínio.

O resultado é uma região monofásica a. Em seguida resfria-se


rapidamente para manter essa condição, obtendo uma condição metaestável.
Submete-se esse material a longos ciclos de aquecimento em baixar
16

temperaturas, isso faz com que haja a precipitação de Al2Cu extremamente finos
dentro da matriz.

8.3 Precipitação
Esse tratamento térmico visa obter combinações desejadas de
propriedades mecânicas, elétricas ou da resistência a corrosão, e pode ser
utilizado tanto em ligas trabalhadas como em ligas fundidas (item 4). Esse
tratamento é realizado depois que é formada uma solução sólida supersaturada
que é conseguida através da solubilização.

Figura 4 - Tratamento térmico de solubilização seguido de precipitação

Fonte: http//:www.aluinfo.com.br

8.4 Recozimento
Consiste em elevar a temperatura do material a cerca de 280 a 500°C de
30 minutos a 6 horas para ligas de laminação, e a temperaturas de 510 a 560°C
de 3 a 8 horas para ligas de fundição. A velocidade de resfriamento varia de 20 a
17

25°C por hora. Esse tratamento tem como objetivo provocar o desaparecimento
dos efeitos do trabalho a frio, deixando-o mais dúctil.

Um recozimento bem sucedido deve apresentar apenas recristalização


primária, já que uma recristalização secundária causada por superaquecimento
provoca o crescimento exagerado de grãos, prejudicando os posteriores trabalhos
com o material. Tais grãos de tamanhos exagerados consistem na chamada
“casca de laranja”, e para sanar esse problema é necessário um processo
adicional, como o polimento.

Figura 5 - Efeito do recozimento na microestrutura de uma liga de alumínio encruada

Fonte: http//www.ebah.com.br

9 CLASSIFICAÇÃO DAS LIGAS DE ALUMÍNIO


As ligas de alumínio podem ser classificadas em ligas trabalhadas e ligas
de fundição, sendo que estas apresentam composição e microestrutura
diferentes, e cada um desses grupos ainda podem ser divididas em tratáveis e
não tratáveis termicamente.

As composições para essas ligas são designadas por um número com 4


dígitos, que indica as principais impurezas presentes (Tabela 1). Após esses
dígitos existe um hífen seguido de uma letra, a qual indica o tratamento mecânico
e/ou térmico que a liga foi submetida.
18

Tabela 3 - Sistema de classificação das ligas de alumínio


Ligas
trabalhadas
1xxxa Al (99%) Não-endurecível por precipitação
2xxx Al-Cu e Al-Cu-Li Endurecível por envelhecimento
3xxx Al-Mn Não-endurecível por envelhecimento
4xxx Al-Si e Al-Si-Mg Endurecível por envelhecimento nas ligas que
contém magnésio
5xxx Al-Mg Não-endurecível por envelhecimento
6xxx Al-Mg-Si Endurecível por envelhecimento
7xxx Al-Mg-Zn Endurecível por envelhecimento
8xxx Al-Ni, Sn, Zr ou B Endurecível por envelhecimento
9xxx Não utilizadas
atualmente
Ligas de
fundição
1xx.xb Al comercialmente puro Não-endurecível por envelhecimento
2xx.x Al-Cu Endurecível por envelhecimento
3xx.x Al-Si-Cu ou Al-Si-Mg Algumas são endurecível por envelhecimento
4xx.x Al-Si Não-endurecível por envelhecimento
5xx.x Al-Mg Não-endurecível por envelhecimento
7xx.x Al-Mg-Zn Endurecível por envelhecimento
8xx.x Al-Sn Endurecível por envelhecimento
9xx.x Não utilizadas
atualmente
a
O primeiro dígito indica o elemento de liga principal, o segundo indica a modificação, e os
dois últimos, o decimal da concentração de Al. Exemplo: 1060 indica uma liga com 99,6% de Al.
b
O último dígito indica a forma do produto solidificado. Os dígitos 1 e 2 indicam um lingote
(dependendo do grau de pureza), e 0, uma peça fundida.
Fonte: Askeland, Donald R. – pág. 424.

As designações das ligas de alumínio são classificadas de acordo com a


ABNT NBR 6835 e de acordo com o processo na qual são submetidas:

a) “F” – como fabricada: é designada aos produtos que foram fabricados


com processos de conformação sem qualquer controle térmico ou de
encruamento;
b) “O” – recozidos: aplica-se aos produtos acabados no estado que
apresenta o menor valor de resistência mecânica;
c) “H” – encruada: é designada aos produtos em que aumentou a
resistência mecânica por trabalho a frio, sendo que estes podem ainda
passar por um tratamento de recozimento ou estabilização;
19

H1x – apenas trabalhada a frio (x quantifica a intensidade do trabalho


a frio e o endurecimento)

 H12 – trabalho a frio que produz limite de resistência a tração


entre as condições O e H14;
 H14 – trabalho a frio que produz limite de resistência a tração
entre as condições O e H18;
 H16 - trabalho a frio que produz limite de resistência a tração
entre as condições H14 e H18;
 H18 - trabalho a frio que produz uma redução de cerca de 75%;
 H19 – trabalho a frio que produz um limite de resistência à
tração superior a 2000 psi em relação à obtida pelo tratamento
H18;

H2x – trabalhada a frio e parcialmente recozida

H3x – trabalhada a frio e estabilizada à baixa temperatura para evitar


o endurecimento por envelhecimento durante a utilização normal do componente.

d) “W” – solubilizada: é aplicada a apenas algumas ligas que envelhecem


naturalmente a temperatura ambiente após o tratamento de
solubilização.
e) “T” – tratadas termicamente: aplica-se aos produtos que sofreram
tratamentos térmicos como ou sem conformação plástica.
 T1 – resfriada a partir da temperatura de fabricação e
envelhecida naturalmente;
 T2 – resfriada a partir da temperatura de fabricação, trabalhada
a frio e envelhecida naturalmente;
 T3 – solubilizada, trabalhada a frio e envelhecida naturalmente;
 T4 – solubilizada e envelhecida naturalmente;
 T5 – resfriada a partir da temperatura de fabricação e
envelhecida artificialmente;
 T6 – solubilizada e envelhecida artificialmente;
 T7 – solubilizada e estabilizada por superenvelhecimento;
 T8 – solubilizada, trabalhada a frio e envelhecida artificialmente;
20

 T9 – solubilizada, envelhecida artificialmente e trabalhada a frio;


 T10 – resfriada a partir da temperatura de fabricação, trabalhada a
frio e envelhecida artificialmente.

10 PRINCIPAIS PROCESSOS INDUSTRIAIS DO ALUMÍNIO


A utilização do alumínio é viável em quase todos os processos metalúrgicos
usuais que está disponível para indústria em uma ampla variedade de formas
comparadas a outros materiais. Ele possui uma grande vantagem sobre os outros
metais, pois suas operações que envolvem a transformação podem ser
convenientemente agrupadas sobre várias condições, onde o metal se torna um
dos mais importantes produtos usual em processos industriais.
Uma das grandes facilidades em processos industriais do alumínio é que
ele pode ser processado de formas, chegando a ser depois do Ferro um dos
metais mais utilizados na produção industrial. Seus principais processos
industriais são:

Laminação: chapas planas ou bobinadas, folhas e discos;


Soldagem: pontes, construções, transportes, etc.
Forjamento: indústria aeronáutica, bélica, transportes, máquinas/equipamentos.
Fundição: peças que exigem maiores precisões nas dimensões e que são
dificilmente ou impossivelmente de serem usinadas, por exemplo: Bloco de motor.
Extrusão: perfis sólidos, tubulares e semi-tubulares.
Estampagem: chapas e discos, que são amplamente utilizados para
estampagem profunda e repuxação.

11 A RECICLAGEM DO ALUMÍNIO
Alumínio é o primeiro nome lembrado quando o assunto é reciclagem. A
reciclabilidade é um dos principais atributos do alumínio e reforça a vocação de
sua indústria para a sustentabilidade em termos econômicos, sociais e
ambientais. O alumínio pode ser reciclado infinitas vezes, sem perder suas
características no processo de reaproveitamento, ao contrário de outros materiais.
A reciclagem do alumínio representa uma combinação única de vantagens.
21

Economiza recursos naturais, energia elétrica - no processo, consome-se apenas


5% da energia necessária para produção do alumínio primário, além de oferecer
ganhos sociais e econômicos. Esta característica possibilita uma combinação
única de vantagens para o alumínio, destacando-se além da proteção ambiental e
economia de energia, o papel multiplicador na cadeia econômica.

12 CONCLUSÃO
O alumínio é um dos metais mais metais mais utilizados na indústria,
devido a sua grande versatilidade e seletividade em processos industriais. Ele é
utilizado em quase todos os processos metalúrgicos. Suas ligas possuem as mais
diversas propriedades mecânicas desejadas nos mais diversos processos
industriais, por esse fato, o alumínio apresenta uma grande aplicação em quase
todos os ramos de produção, desde a indústria automobilística, aeronáutica,
naval, bélica, na transmissão de energia elétrica ou até mesmo em tecnologias
aeroespacial. Por ele é um dos mais versáteis metais utilizados, ocorreu um
grande desenvolvimento novas ligas e empregaram-se processos de
beneficiamento. Atualmente, o Alumínio vem ganhando um grande destaque tno
cenário mundial desde projetos visando o desenvolvimento de novos materiais até
em ações envolvidas com o meio ambiente.

REFERÊNCIAS

ASKELAND, D. R.; Ciência e engenharia dos materiais, Editora Cengage


Learning, São Paulo – SP, 2011.

CALLISTER, W. D. Ciência e engenharia de materiais uma introdução. 2ª ed.


Editora LTC. 2006.

REMY, A.; GAY, M.; GONTHIER, R.; Materiais, 2ª Edição, Ed. Hemus.