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05/04/2018 NEUROPLASTICIDADE E NEUROGÊNESE NA PRÁTICA DO YOGA-por Dênisson Maycon Borges da Silva, Fabiano Serafim do…

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NEUROPLASTICIDADE E NEUROGÊNESE NA PRÁTICA DO YOGA-por Dênisson Maycon Borges da Silva,


Fabiano Serafim dos Santos, Luyddy Pires
22/12/2013

(http://cienciasecognicao.org/neuroemdebate/wp-

content/uploads/2013/12/IOGA-26.jpg) INTRODUÇÃO

O yoga vem crescendo em sua aplicabilidade em atividades que visam o bem-estar em grandes partes do mundo e,
recentemente, também foi introduzido como terapia em saúde. [1]

Trata-se de um sistema filosófico-prático que conta com metodologias para a unificação dos diferentes elementos do psiquismo
humano. Em todas as técnicas desse sistema o praticante busca eliminar sua agitação e ter um domínio harmônico de si mesmo. Há
inúmeras escolas de yoga, entretanto, todas possuem certos elementos-chave, dentre eles: exercícios de respiração (prânâyâmas),
posturas (âsanas) e yoga meditacional. O yoga terapêutico deriva do clássico yoga Kundalini, com origens no norte da Índia e do
Tibete. [1]

O yoga em si, é basicamente caracterizado como um meio para alcançar efeitos mentais, emocionais e físicos. Já o yoga
terapêutico foi projetado para atender as pessoas que estão acometidas por enfermidades, mas que podem praticá-lo sem o risco de
agravamento do seu estado. A aula de yoga consiste em um número de posições, movimentos, técnicas de respiração, mantras (Para
os budistas, sílaba ou frase sagrada à qual se atribui um poder espiritual) e meditação. Os movimentos do yoga como técnica medicinal
são geralmente mais lentos do que nas formas tradicionais. [1,2]

A reputação de Yoga para redução do estresse e benefícios de saúde mental reforçou sua popularidade nos últimos anos, e os
dados de ensaios clínicos randomizados sugerem que a ioga reduz os sintomas de ansiedade e depressão. [11-13]

Nessa revisão, serão destacados os achados neurogênicos e neuroplásticos na prática do yoga, e sua relação, principalmente,
no que diz respeito ao stress e os sintomas psiquiátricos a ele atribuídos (ansiedade, depressão) e sobre a cognição.

EFEITOS DO YOGA SOBRE O STRESS, ANSIEDADE E DEPRESSÃO

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O stress é uma patologia difícil de definir e o termo abrange sintomas como problemas cognitivos, sono, fadiga, dentre outros. O
stress é tido hoje como um problema de saúde pública e pode levar à redução da qualidade de vida, baixa eficiência de trabalho,
aumento do consumo de medicamentos, enfim. [1]

Um ambiente de trabalho não harmônico pode ser considerado como principal fator para o surgimento do stress. Por vezes o
indivíduo é submetido a uma alta carga psicológica em seu emprego, que vão desde pilhas de documento até problemas de
relacionamento com superiores e colegas de trabalho. Além disso, alia-se o fato do não reconhecimento de sua eficácia, visto que por
vezes não há um estímulo financeiro viável para o profissional. Como por vezes pela falta de emprego não há opção, o trabalhador
submete-se a longas jornadas de trabalho sem um tempo viável para descanso e recuperação.

Outros problemas relacionados ao stress incluem dor crônica e sintomas psiquiátricos, como ansiedade e depressão. Pessoas
que passam por eventos negativos de vida, como morte de parentes, sequelas advindas de acidentes, e que possuem o quadro clínico
de stress, são mais propensas a desenvolver o quadro de depressão em comparação àqueles com níveis baixos de stress. [1]

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Bastille & Gill-Body partiram da análise do eletroencefalograma (EEG) como base para estudo dos efeitos do yoga sobre o stress
e seus sintomas. É uma analise neurológica realizada em indivíduos controle e meditadores de Yoga em situação de excitação não
emocional (olhos fechados e períodos de olhos aberto assistindo clipes de filme de fundo não emocional) e sob influência de emoções
negativas experimentais (clipes de video aversivos)[3]. O EEG de 62 canais foi gravado em 25 pacientes SYM (Sahaja Yoga Meditators)
e 25 pacientes-controle. Achados do continuum não emocional revelam, no menor nível de excitação (com olhos fechados), que
pacientes SYM manifestaram valores de maior potência nas bandas de freqüência teta-1 (4-6 Hz), teta-2 (6-8 Hz) e alfa-1 (8-10 Hz).
Embora houvesse aumento da atividade em ambos os grupos, a potência em teta-2 e alfa-1 no período de olhos abertos e potência em
alfa-1 enquanto era passo o clipe emocionalmente neutro mantiveram-se mais elevadas nos SYM.

No geral, o relatório apresentado enfatiza que as mudanças observadas na atividade elétrica cerebral, associadas com
meditação feita regularmente são naturalmente dinâmicas e dependem do nível de excitação. O achado das potências do EEG também
provê uma primeira prova de que praticantes da meditação no Yoga têm capacidade elevada de gerenciar a excitação emocional,
portanto, consequentemente, diminuir os efeitos do stress.

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(http://cienciasecognicao.org/neuroemdebate/wp-content/uploads/2013/12/IOGA-12.jpg)Köhn (2013) [1], em seu estudo, também


analisou diversos fatores ligados ao stress e o uso da yoga em seu tratamento. Trata-se de um estudo randomizado incluindo 37
pacientes (34 do sexo feminino e 3 do sexo masculino), com duração de 12 semanas. Os pacientes foram divididos em dois grupos, o
grupo controle e o grupo que faria a prática do yoga terapêutico.

Ao final do estudo, foi percebida uma baixa significativa dos sinais clínicos de ansiedade e depressão entre os grupos, com
favorecimento do grupo praticante de yoga terapêutico. Foram utilizadas também algumas subescalas, separando
ansiedade/depressão, demonstrando que a melhora no fator ansiedade foi pronunciado, mas sem muita diferença na subescala de
depressão (Tabela 1), possivelmente, de acordo com o estudo, pelo tempo de 12 semanas talvez não ser suficiente para ter efeitos
consistentes sobre a depressão.

Entretanto, mesmo com tais resultados, o yoga é uma opção atraente para o tratamento de transtornos depressivos, pois não é
uma terapia farmacológica; possui visivelmente efeitos adversos mínimos, se feita a prática correta e com acompanhamento além de
ter aceitação internacional.

EFEITOS SOBRE A COGNIÇÃO – ACHADOS NEUROGÊNICOS E NEUROPLÁSTICOS

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Partindo do princípio de que o sangue flui para todas as áreas do corpo, é válido propor de que seu fluxo determina, em grande
parte, o grau de funcionamento e atribuição de algum alvo de estudo. Neste caso, propor-se-á um caso no qual se analisou o fluxo
sanguíneo cerebral, pela primeira vez [4], durante a prática de yoga em quatro pacientes distintos. Tem-se na literatura, algumas

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comprovações de mudanças cerebrais significativas em praticantes desta técnica, principalmente nos lobos frontais, mas também no
tálamo, lobo parietal superior e gânglios basais [5]. Os pacientes em análise terão mudanças semelhantes, mas somente após um

período de 12 semanas de treinamento.

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Para inicio, deve-se ter em mente que estes sujeitos em questão nunca tiveram contato prévio significativo com o yoga ou
meditação antes deste estudo, privando-os, assim de qualquer outra influencia física neste aspecto. Foram tomados dois homens e
duas mulheres com idade variando de 41 a 51 anos de idade, com uma média de 45 anos. Foram estudados antes do início dos
estudos e após as 12 semanas previstas. Após consentimento de todos, foram levados para o ambiente onde a prática seria feita e, 20
minutos antes do exame de base ter início, foi introduzida uma cânula intravenosa a fim de que as injeções fossem feitas sem tocar ou
perturbar os pacientes. Após cinco minutos de sessão, foram injetados com 7–10 mCi de 99mTc-bicisato, e continuaram as atividades
por mais cinco minutos até que o rastreador atingisse o cérebro. Após quinze minutos da injeção, os pacientes foram monitorados por
cerca de 50 minutos por um Picker-Prism 3000XP, de alta resolução. Após o rastreio inicial, os participantes tiveram atividade por
aproximadamente uma hora e, após este período, um intervalo de cerca de mais quinze minutos de meditação, dentro dos quais foram
novamente injetados com 25 mCi de 99mTc-bicisato. Após quinze minutos do término do treinamento, os indivíduos foram analisados
por 30 minutos.

Nas primeiras 12 semanas, foram duas aulas semanalmente, progredindo para uma por semana nas semanas subsequentes,
além de receberem um guia para fazerem atividades em suas residências. Após completar o processo, voltaram para o ambiente de
estudo para uma análise cerebral idêntica à primeira.

Os resultados foram diminuição significativa do fluxo sanguíneo sobre a amígdala direita (regular os sentimentos, agressividade e
dar conteúdo emocional às memórias), no córtex dorsal medial direito (medeia motivação) e área sensitivo-motora direita. Houve
também significativa variação percentual nas seguintes estruturas: lobos frontais mediais dorsais direito e esquerdo (planejamento e
análise das conseqüências de ações futuras, estando relacionado com comportamento), córtex pré-frontal direito (planejamento de
comportamentos e pensamentos complexos, expressão da personalidade, tomadas de decisões e modulação de comportamento
social), córtex sensitivo-motor direito, lobo frontal inferior direito e lobo frontal superior direito (planejamento de ações e movimento,
bem como o pensamento abstrato). Portanto, estas áreas foram ativadas mais substancialmente após o treino de meditação. O índice
de lateralidade também foi alterado consideravelmente no cíngulo anterior (conexão entre diversas partes importantes, sendo
importante no aprendizado por reforço e punição, ou seja, condicionamento), córtex frontal dorso medial e lobo temporal superior,
levando a crer que o lado direito destas estruturas teve atividade basal aumentada em relação ao esquerdo depois do programa de
treinamento comparado com antes dele. Logo, o lado esquerdo se tornou mais ativo durante o estado de meditação se comparado com
análises prévias.

Portanto, notou-se que houve alterações moderadas, mas significantes, na função cerebral basal. Também foi percebida a
capacidade dos pacientes de ativar seu cérebro mais amplamente durante a meditação após o treinamento. Estes estudos foram ao
encontro de outros prévios realizados [7,8]. Estes estudos observaram aumento da atividade do lobo frontal durante a meditação, visto
que este tem sua função voltada ao foco e atenção, logo, possui efeito direto na cognição [9].

Outro importante estudo sobre os efeitos da yoga na cognição, e base para a discussão que se segue é o de Froeliger (2012) [2].
Em seu estudo foram utilizadas 14 pessoas, divididas em dois grupos iguais, sendo um, o grupo controle.

Sete pessoas vinham de um histórico ativo na prática de yoga (mais de 45 minutos por dia, 3-4 vezes por semana e a mais de 3
anos) e também da técnica de meditação “Mindfulness” por cerca de 5 ou 6 anos, a qual é definida basicamente como “uma forma
específica de atenção plena – concentração no momento atual, intencional, e sem julgamento. Significa estar plenamente em contato
com a vivência do momento, sem estar absorvido por ela”.

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Depois de uma bateria de exames tanto físicos como psíquicos, como ressonâncias magnéticas e respostas a questionários
relacionados às atividades diárias, foram identificadas diferenças significativas no volume de massa cinzenta e auto-relato de falhas
cognitivas entre os praticantes de Yoga e o grupo controle, assim como também exibiram estruturas cerebrais volumetricamente
maiores e lapsos de memória menos frequentes em funções do dia-a-dia. Além disso, a experiência de meditação no yoga foi
significativamente preditiva de volume de substância cinzenta em muitas dessas mesmas regiões neuroanatômicas. Tomados em
conjunto, os resultados do estudo sugerem que a prática de yoga e Mindfulness Meditation está associada com a melhora da função
cognitiva juntamente com o alargamento de estruturas cerebrais responsáveis pelo controle executivo.

Tais análises identificaram as regiões corticais pré-frontais como uma das áreas do cérebro com aumento de volume nos
praticantes de yoga. Dados experimentais demonstram ser essa área responsável pelo controle cognitivo. Os questionários de auto-
relato relacionados a falhas cognitivas, indicam que o volume maior de massa cinzenta nessas regiões foi associado com menor déficit
de atenção, melhoria na memória e função motora nas tarefas diárias. Outro fato interessante foi o aumento de massa cinzenta no
cerebelo, estrutura responsável pela coordenação motora e temporização dos movimentos do corpo, mas que recentemente também
foi relacionada a funções executivas.

De tal maneira, a prática prolongada de yoga pode estimular a conectividade fronto-cerebelar e a neuroplasticidade, em virtude
da intensa habilidade motora de aprendizagem que tal prática envolve. A dificuldade dos exercícios e das posições vai aumentando
com o passar do tempo, logo, a capacidade motora e de concentração também crescem, pois o indivíduo precisa utilizar o cérebro para
manutenção da posição, respiração, além de ter de “limpar a mente” de quaisquer pensamentos aleatórios e do desconforto corporal
de algumas posições. Com tais características, percebe-se que o yoga pode promover plasticidade cognitiva através do treinamento
intensivo mental que esta prática acarreta.

Uma patologia associada à cognição, a esquizofrenia, também está tendo o yoga como alvo de estudos. Como o yoga traz
benefícios na cognição para pacientes normais, partiu-se desse princípio, ou seja, de que se fosse feita a prática do yoga como
tratamento adjuvante aos antipsicóticos, poderia haver melhora na cognição nos pacientes com esquizofrenia.

Em um estudo randomizado, dois grupos de pacientes em doses estabilizadas de antipsicóticos participaram do processo. Um
dos grupos fez a prática do yoga terapêutico e outro fez qualquer outro exercício físico. Houve melhora visível da cognição e nos
sintomas de disfunção social, para ambos os grupos, entretanto, no grupo praticante do yoga, houve melhora ainda mais significativa.
[12-14]

Portanto, é visível a eficácia do yoga sobre a cognição, uma vez que tanto pacientes normais quanto patológicos, podem obter
melhora com sua prática.

CONCLUSÃO

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Na medicina ouve-se muito falar em medicamentos e remédios. Mesmo sendo usados como sinônimos, remédio é algo além de um
princípio ativo ou uma série de estudos laboratoriais. A fé, o “chazinho da vovó”, massagens, enfim, todas elas podem ser
consideradas remédios, pois além de possuírem efeitos sistêmicos diversos, também possuem a psique como alvo, com a ativação de
diferentes áreas cerebrais.

O yoga, não é diferente. Sua prática e constante aperfeiçoamento dos movimentos, como visto anteriormente, levam à ativação e
desenvolvimento de áreas cerebrais de importância tanto físicas quanto psicológicas.

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No mundo moderno, rápido, incessante, cansativo, o stress desponta como uma das principais patologias dessa época, de tal
maneira, acompanha-se o aumento do uso de antidepressivos, calmantes, enfim. Ter o yoga como uma prática viável para alívio do
stress e seus sintomas é um ganho significativo para a ciência, pois diminuição de efeitos colaterais, quer dizer menor incidência de
outras doenças também.

Além disso, sua importância nas funções cognitivas, tanto na melhora em si, quanto na resposta às disfunções patológicas
cognitivas (esquizofrenia), faz com que sua prática seja ainda mais importante alvo de estudos.

Portanto, é visível que o yoga pode ser uma das atividades físicas mais importantes para essa época, e também, que são
necessários mais estudos sobre sua prática para que os conceitos de neuroplasticidade e neurogênese atribuídos a ele possam ser
efetivamente desvendados e ter uma melhor aplicabilidade.

Dênisson Maycon Borges da Silva, Fabiano Serafim dos Santos,


Luyddy Pires_graduandos do Curso de Medicina-UFGD-XIIIa turma

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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00523199;

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