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A - INTRODUÇÃO À DEONTOLOGIA

1. A Deontologia Profissional: Noção e análise da


Deontologia Profissional como elemento comum a
outras profissões.
2. A Essencialidade da Deontologia na formação
dos Advogados como condição da dignificação e
defesa da Advocacia.
3. A Deontologia e o valor da confiança; a função
social da Advocacia.
4. A Advocacia como profissão tutelada; o
exercício privado de uma função pública com
dignidade constitucional.
Deontologia Profissional: A ÉTICA E O DIREITO

• O ser humano reclama por mais ética - A


deontologia pressupõe o valor da confiança.
• Assistimos, de uma certa forma, ao renascimento da
ética como ciência dos valores e o código de conduta
dos seres humanos. Porquê?
• Uma boa resposta foi dada por FRANCO
MONTORO, no texto “Retorno à Ética na Virada do
Milênio”, nestas letras:
“Quiseram construir um mundo sem ética. E a ilusão se
transformou em desespero”.
Deontologia Profissional: A ÉTICA E O DIREITO
• A deontologia e a ética profissional servem de
um lado, para controlar a ação dos
membros de um grupo profissional e, de
outro lado, para orientar sua conduta,
colaborando para a formação de um grupo
que se identifica e é identificado por um modo
de agir.
• Assim a sustentação de uma profissão
depende do conjunto de seus membros,
dado, a conduta de cada um.
O VALOR DA CONFIANÇA
• O valor da confiança na profissão de
Advogado resulta, antes de mais, da
autoridade profissional ou do facto de a
preparação fornecer ao profissional um tipo
de conhecimento inacessível ao não
profissional; e depois, do acesso condicionado e
do exercício regulamentado em função do seu
interesse público ou da sua função social.
Advocacia surgiu como Função
(não como uma profissão) Vocação

• Levada a cabo por pessoas isentas, justas e idóneas que


punham o seu conhecimento ao serviço dos mais fracos e
ignorantes, assegurando-lhes

Igualdade Dignidade
• Contra o abuso dos julgadores
• Advocacia era uma função Solidária e Gratuita
• Direito tornou-se ciência – Advocacia passou a requerer
estudo, competência e tempo – passou a ser Profissão que
exige um Código Deontológico = Direito Profissional do
Advogado
Deontologia Profissional: A ÉTICA E O DIREITO

• ANTÓNIO ARNAUT: “Conjunto das regras


ético-jurídicas pelas quais o advogado deve pautar o
seu comportamento profissional e cívico”.
Formação do advogado
Essencial para
Dignificação da classe
Etimologia: Deon (ou deontos) + logos
O que se deve fazer Conhecimento; ciência
Deontologia Profissional: A ÉTICA E O DIREITO

• Conceito: ética é a ciência do


comportamento moral.
• Ética profissional: conjunto de regras
morais que o indivíduo deve observar em
sua atividade profissional;
• Finalidade: a justiça no exercício da
profissão;
• Justiça: fazer o bem e evitar o mal e dar
a cada um o que lhe é devido.
NOÇÃO DE DEONTOLOGIA PROFISSIONAL

• Nem todas as actividades humanas constituem profissões e a nem


todas as profissões se aplicará o seguinte conceito, nomeadamente a
profissão de Advogado:
 Profissão é uma actividade exercida com base em conhecimentos
teóricos;
 adquiridos através de um método cientifico;
 e geradora de confiança proporcionada por quem tem autoridade
para a exercer;
 Com acesso e exercício regulamentado em função do seu interesse
publico ou utilidade social;
 E com subordinação a um código deontológico;
 Imposto por uma associação que promove a cultura própria da
actividade considerada.
PRINCÍPIOS DA ADVOCACIA
1. Da pessoalidade: contacto pessoal e reservado com o cliente para
conservar o sigilo profissional;
2. Da confiabilidade: A confiança é o que mantém a relação
cliente/advogado, pelo exercício da defesa do interesse jurídico
tutelado;
3. Do Sigilo Profissional: trata de poder-dever do advogado diante
do acesso às informações privilegiadas obtidas dos clientes;
4. Da não mercantilização: o exercício da advocacia não é
compatível com os actos de comércio, logo não pode apresentar
características mercantis, para não haver captação de clientela;
5. Da exclusividade: a advocacia deve ser exercida de maneira
exclusiva (local físico) para não levar o cliente a erro.
Deontologia Profissional: A ÉTICA E O DIREITO

• A Ética do Advogado é o conjunto de


princípios que regem a sua conduta
funcional, ou seja, das regras de
comportamento no exercício de suas atividades
profissionais, tanto no seu ministério privado
quanto na sua atuação pública.
• A ética se divide em:
• a) Deontologia – ciência dos deveres profissionais;
• b) Diceologia – ciência dos direitos profissionais.
Deontologia Profissional: A ÉTICA E O DIREITO

• O conceito de deontologia é, etimologicamente, o


conhecimento dos deveres, e DEONTOLOGIA
PROFISSIONAL é o conjunto das normas
jurídicas, em que a maioria tem conteúdo ético no
exercício de uma profissão.
• É da deontologia que resulta o valor da confiança,
que não provém apenas da autoridade
profissional, mas também do acesso condicionado e do
exercício regulamentado por um Código Deontológico.
Deontologia Profissional: A ÉTICA E O DIREITO

• Deontologia é o conhecimento das


normas que regem o exercício da
profissão de Advogado, pode-se
dizer que o estudo da
Deontologia começa por ser a
aprendizagem do que é e
significa ser Advogado.
LEGISLAÇÃO BÁSICA
1. Constituição da República, art. 229º nº 1 e 5:
“O Advogado no exercício da sua função é um servidor da
Justiça e do Direito e um colaborador indispensável da
administração da Justiça”.
“O exercício da função de advogado sujeita-se a regras
deontológicas, implica responsabilidade profissional e
submete-se à regulação e disciplina da Ordem dos
Advogados de Cabo Verde, nos termos da lei”.
2. Estatuto da OACV – Lei n° 91/VI/2006 de 9 de Janeiro;
3. Outras Leis (CPC, Código Penal em que temos Exercício
Ilegal de Profissão).
LEGISLAÇÃO BÁSICA
• O ADVOGADO é a única profissão liberal prevista
expressamente na Constituição da República de Cabo
Verde e regulamentada em lei.
• Para garantir a efetividade do cumprimento de suas
obrigações a Lei confere ao advogado todas as prerrogativas
necessárias ao exercício de sua profissão, tais como:
• a) imunidade de seus actos e manifestações – art. 9º g);
• b) liberdade – art. 155º;
• c) autonomia e independência, inclusive em relação ao Juiz,
MP, eventual empregador ou autoridade pública – art. 173º.
FUNÇÃO DO ADVOGADO
• Função do advogado: “Esclarecer os
juízes em ordem a alcançar a decisão que
lhes afigura justa” – MAURIÇE
GARÇON.
• Proteger quem vê os seus direitos
ameaçados;
• Servidor da Justiça;
• Defensor do interesse da parte;
ESSENCIALIDADE DA DEONTOLOGIA

• Numa sociedade baseada no respeito pela


justiça, o Advogado desempenha um papel
predominante, não se limitando à simples
execução de um mandato.
• Não está vinculado apenas aos interesses
do seu cliente, sendo num Estado de Direito
indispensável à administração da justiça e dos
cidadãos de quem é conselheiro e defensor.
ESSENCIALIDADE DA DEONTOLOGIA

• As transformações sociais e políticas


do último quarto do séc. XX e, mais
recentemente, a viragem do século
trouxe consigo um maior
mercantilismo da profissão, levando
os Advogados ao ponto limite do
confronto ético permanente e a
alguma perda de independência.
• As transformações sociais e éticas que referi acima
reflectem-se, de modo extremamente negativo, no
exercício da Advocacia.
• De igual modo, o crescimento exponencial do
número de Advogados, veio criar um desequilíbrio
socioprofissional para o qual a maioria dos
advogados Cabo-Verdianos não estava preparado.
• Estes factores conjugados são susceptíveis de
conduzir a um aumento da litigiosidade disciplinar.
• Cada vez mais os Advogados mostram um maior
desprezo ou desconhecimento das regras de conduta
a que estão vinculados. Caso para se dizer, «em
casa de ferreiro espeto de pau».
ESSENCIALIDADE DA DEONTOLOGIA

• O advogado é considerado como um fiscal


do processo, devendo estar sempre atento ao
estrito cumprimento da ordem processual,
observando os prazos, requerendo provas, e
recorrendo sempre quando houver alguma
inobservância, não se esquecendo de verificar
as provas, apurando estas em debates
processuais e sempre se preocupando com a
regularidade formal do processo.
ADVOCACIA COMO PROFISSÃO TUTELADA

• Independência  A multiplicidade dos


deveres a que o advogado está sujeito
impõem-lhe uma independência absoluta,
isenta de qualquer pressão, especialmente a
resultante dos seus próprios interesses ou de
influências exteriores.
• O advogado não pode negligenciar a
deontologia para agradar aos seus clientes,
ao juiz, ou a terceiros.
ADVOCACIA COMO PROFISSÃO TUTELADA

• Confiança  dispõe que as relações


de confiança não podem existir se
houver dúvidas sobre a honestidade,
a probidade, a rectidão ou a
sinceridade do Advogado, para
quem estas virtudes tradicionais são
deveres profissionais.
ADVOCACIA COMO PROFISSÃO TUTELADA

• As regras deontológicas estabelecem que


é da natureza da missão do Advogado
que este seja depositário dos segredos
dos seus clientes e destinatário de
comunicações confidenciais, por isso não
pode haver confiança, sem que haja
garantia de confidencialidade –
SEGREDO PROFISSIONAL
PRINCÍPIOS DEONTOLÓGICOS

INTEGRIDADE

INDEPENDÊNCIA

SEGREDO PROFISSIONAL

DEVERES PARA COM A OACV

DEVERES PARA COM A COMUNIDADE


DEVERES DEONTOLÓGICOS GERAIS

• Integridade (art. 128º)


• INDEPENDÊNCIA (no sentido de elevada
consciência moral) – (art. 129º)
• Urbanidade – este elenco é meramente
exemplificativo (art. 134º)
• O advogado deve abster-se de actuar se no
caso concreto vir que a sua actuação pode
conduzir a um resultado injusto.
PRINCÍPIOS GERAIS
• Art. 128º EOA - Fontes da deontologia

Principal Fonte: Estatuto da O.A.C.V.

E ainda: a LEI – Art. 146º nº 3 CPC


Art. 128º CPP

Usos, costumes, tradições profissionais


ADVOCACIA COMO PROFISSÃO TUTELADA

• O Título V do EOA (Exercício da Advocacia),


desde o art. 153º até ao art. 187º, trata das garantias
no exercício da advocacia e de alguns pressupostos
daquele exercício, designadamente das
incompatibilidades e impedimentos, matérias que
extravasam o código deontológico em sentido
estrito e que se integram no seu estatuto
profissional do Advogado em sentido amplo, o qual
se contém em outros diplomas legais, além do
EOA.
ADVOCACIA COMO PROFISSÃO TUTELADA

• O Título IV do EOA (Deontologia


Profissional) tem predominantemente princípios
do Código Deontológico em sentido estrito.
• Desde o art. 128º até ao art. 152º, inclusive,
reúnem o estatuto deontológico.
• Não está obviamente, compreendido naquele
capítulo todo o direito deontológico do
Advogado, que se reparte pelo EOA e por outros
diplomas legais.
ADVOCACIA COMO PROFISSÃO TUTELADA

• O DIREITO PROFISSIONAL DO
ADVOGADO pode definir-se como o conjunto de
normas jurídicas que regulam o acesso e o exercício
da profissão de Advogado.
• Trata-se de um conjunto de normas autónomas que
proíbem ou impõem condutas quanto ao acesso e
ao exercício de uma profissão com interesse
público, tendo em vista a protecção de valores
jurídicos que são impostos aos Advogados.
O Estatuto da Ordem dos Advogados
1. Princípios Gerais de deontologia Juízes
Árbitros
2. As relações com os clientes Testemunhas
Outros intervenientes
processuais
3. As relações com o tribunal

4. As relações entre advogados


Princípios Gerais

Princípio da Independência Princípio da Confiança Dever de Urbanidade

* Três grandes Pilares da Deontologia *

Agir livre de qualquer


Dever de ser correcto
pressão – interesses
Segredo profissional Com todos
próprios ou de terceiros
Art. 133º Art. 134º
Independência
Art. 129º

Dever de não usar


Incompatibilidades e
expressões
Impedimentos
menos correctas ou
Arts. 173º a 178º
ofensivas
Outros Deveres

Princípio de Solidariedade Dever de lealdade


profissional Art. 128º nº 2, 13º b), 151º
Art. 151º nº 1 a)

Relações cordiais e
Relações entre colegas e
fraternas; de confiança e
nos tribunais
cooperação entre colegas

Ainda que litiguem em


campos opostos, os fins
que prosseguem são os
mesmos: o Direito, a
Verdade e a Justiça
ADVOCACIA COMO PROFISSÃO TUTELADA

• Também podemos considerar que a profissão de Advogado


pelo seu especial interesse público, que está na sua base,
como uma profissão que exige uma certa disciplina para o
seu perfeito desenvolvimento, e a violação dessas regras
constituirá então um ilícito disciplinar que admitirá
responsabilidade.
• Nesse ilícito disciplinar abrange-se não só a violação dos
deveres profissionais dos advogados, mas também as
condutas da vida privada que constituam um
comportamento público, sempre que estas sejam de
natureza a repercutir-se na profissão  artigo 128º do
EOA
ADVOCACIA COMO PROFISSÃO TUTELADA

• A independência e o interesse público da


profissão são dois princípios basilares da
advocacia.
• O interesse público da profissão e a
independência do Advogado são a razão de ser
das especificidades do mandato judicial em
relação ao mandato típico.
• Todas as especificidades deste mandato são
explicadas por esses dois princípios.
ADVOCACIA COMO PROFISSÃO TUTELADA
• A advocacia pode ser considerada em si mesma,
tendo em conta o seu interesse publico, com uma
profissão que exige uma certa disciplina para o
seu perfeito desenvolvimento e a violação
dessa disciplina constituirá um ilícito
disciplinar, nele se abrangendo não só a violação
de deveres profissionais dos Advogados, mas
também as condutas da vida privada (estatuto
negativo) que constituam comportamento publico
sempre que estas ultimas sejam de natureza a
repercutir-se na profissão.
ADVOCACIA COMO PROFISSÃO TUTELADA

• A posição da O.A.P. a este respeito foi


definida pelo Acórdão do Conselho Superior de
15/11/62, na ROA, ano 23, pag. 182: “ Os
actos da vida privada do advogado só
podem provocar reacção do poder disciplinar
quando forem escandalosos, impliquem
consideração pública, enodoem o carácter
de quem os pratique e sejam susceptíveis de
lesar o bom nome da O.A. de Portugal.
ADVOCACIA COMO PROFISSÃO TUTELADA
 Normas que existem por causa do principio da
independência:
• Art. 131º – O advogado não pode anunciar os seus serviços
como um café por causa do interesse público e da
independência da profissão.
• Art. 132º – proibição da discussão pública de questões
pendentes perante órgãos do Estado.
• Art. 130º j) – proibição de angariação de clientela do Advogado.
• Art. 130º i), 180º nº 2, do EOA – é a razão de ser do princípio
da livre escolha do mandatário pelo mandante.
• O interesse público da profissão explica a proibição de recusa
do patrocínio ou defesa oficiosa sem motivo justificado (art.
130º e), 139º nº 2 do EOA).
ADVOCACIA COMO PROFISSÃO TUTELADA

• Por causa da independência do


Advogado, mesmo em relação aos seus
clientes, além da proibição da quota litis
(art. 146º e 140º), o Advogado deve
evitar que ele exerça quaisquer represálias
com o adversário, e seja menos correcto
com os Juízes ou com os Advogados da
parte contrária.
ADVOCACIA COMO PROFISSÃO TUTELADA

• A proibição da quota-litis é
estabelecida no interesse da lisura,
probidade, e independência
profissional do Advogado, visando
evitar que tente ganhar a todo o
custo e que use meios eticamente
censuráveis, incompatíveis com o
seu estatuto de servidor da justiça.
Conflitos de Interesses
• O Advogado não pode constituir-se
mandatário num processo em que já
tenha intervido a qualquer título;
• Relação entre os conflitos de
interesses e as incompatibilidades e
impedimentos (arts. 173º a 178º do
EOA).
Conflitos de Interesses
“O advogado nunca é um
observador distante e
desapaixonado, pois participa dos
segredos, das dores e alegrias dos
seus representados.
E, além da sua ciência, deve dar-
lhes a sua compreensão, por
vezes, mesmo, o seu afecto.”
Conflitos de Interesses
• Art. 20º, 139º EOA
1. O advogado deve recusar o patrocínio de uma questão em que já tenha intervindo em
qualquer outra qualidade ou que seja conexa com outra em que represente, ou tenha
representado, a parte contrária.
2. O Advogado deve recusar o patrocínio contra quem, noutra causa pendente, seja
patrocinado por si ou por outro advogado que faça parte do mesmo escritório ou sociedade.
3. O advogado não pode aconselhar, representar ou agir por conta de dois ou mais clientes,
no mesmo assunto ou em assunto conexo, se existir conflito entre os interesses desses
clientes.
4. Se um conflito de interesses surgir entre dois ou mais clientes, bem como se ocorrer risco
de violação do segredo profissional ou de diminuição da sua independência, o advogado deve
cessar de agir por conta de todos os clientes, no âmbito desse conflito.
5. O advogado deve abster-se de aceitar um novo cliente se tal puser em risco o cumprimento
do dever de guardar sigilo profissional relativamente aos assuntos de um anterior cliente, ou
se do conhecimento destes assuntos resultarem vantagens ilegítimas ou injustificadas para o
novo cliente.
6. Sempre que o advogado exerça a sua actividade em associação, sob a forma de sociedade
ou não, o disposto nos números anteriores aplica-se quer à associação quer a cada um dos seus
membros.
Honorários
• Art. 145º nº 1: «Os honorários do advogado devem
corresponder a uma compensação económica adequada
pelos serviços efectivamente prestados, que deve ser
saldada em dinheiro e que pode assumir a forma de
retribuição fixa.»
• «um advogado pode receber letras aceites pelo seu constituinte em
pagamento de honorários por serviços da sua profissão» (Acórdão
do S.T.J. de Portugal)
• «não é infracção o saque de letras para o pagamento de honorários,
embora não seja uma prática aconselhável» (Acórdão do
Conselho Superior de 2/5/1950, e 16/5/1957).
• Art. 145º
2 - Na falta de convenção prévia reduzida a escrito, o advogado
apresenta ao cliente a respectiva conta de honorários com
discriminação dos serviços prestados.

3 - Na fixação dos honorários deve o advogado atender à


importância dos serviços prestados, à
dificuldade e urgência do assunto, ao grau de
criatividade intelectual da sua prestação, ao
resultado obtido, ao tempo despendido, às
responsabilidades por ele assumidas e aos
demais usos profissionais.»
Tempo despendido

• Custos fixos de • A remuneração justo do


manutenção e trabalho directamente
funcionamento da investido pelo advogado
empresa no assunto que lhe está
confiado
Importância dos serviços prestados
• Não abrange «só matérias de jurisdicionalidade
incontroversa como todas as matérias com aquelas
conexas que, embora de diferente natureza, sejam
complementares das primeiras ou indispensáveis para o
respectivo bom êxito», pois «todas as actividades ou
serviços prestados por um advogado, em complemento de
outros tipicamente jurídicos, devem, em princípio , ser
remunerados e são, em principio, cobráveis» (Acórdão
do Conselho Superior da OAP 14/4/1981).
Proibição do pacto de quota litis
• Art.146º «Proibição da quota litis e da divisão de honorários.
1. É proibido ao advogado exigir ao cliente ou com ele acordar que:
a) Os honorários são pagos através de parte do resultado obtido,
quer este consista numa quantia em dinheiro, quer em qualquer
outro bem ou valor;
b) O direito a honorários fique exclusivamente dependente do
resultado obtido na questão.
2. Não é proibido, não constituindo pacto de quota litis, o acordo
que consista na fixação prévia do montante dos honorários, ainda
que em percentagem, em função do valor do assunto confiado ao
advogado ou pelo qual, além de honorários calculados em função
de outros critérios, se acorde numa majoração em função do
resultado obtido.»
Ajuste prévio
• Não constitui pacto de quota litis o acordo que
consista na fixação prévia do montante
dos honorários, ainda que em
percentagem, em função do valor do
assunto confiado ao advogado …
• …ou pelo qual, além de honorários calculados em
função de outros critérios, se acorde numa
majoração em função do resultado
obtido.»
Proibição da repartição de honorários
• É proibido ao advogado repartir
honorários, ainda que a título de
comissão ou outra forma de
compensação, excepto com
advogados, advogados estagiários
e solicitadores com quem
colabore ou que lhe tenham
prestado colaboração.
• Esta proibição «tem a ver também com os
deveres do advogado de não solicitar nem
angariar clientes, por si ou por interposta
pessoa, de não aceitar mandato ou prestação de
serviços profissionais que, em qualquer
circunstância, não resulte de escolha directa e
livre pelo mandante ou interessado e de não
assinar pareceres, peças processuais ou outros
escritos profissionais que não tenha feito ou em
que não tenha colaborado, deveres cuja “ratio
legis” é obstar formas de exercício ilegal da
profissão do Advogado».
• Orlando Guedes da Costa
Direito de retenção
• Art. 141º nº 4 «O advogado, apresentada a nota de
honorários e despesas, goza do direito de retenção sobre
os documentos, valores e objectos referidos nos números
anteriores, para garantia do pagamento dos honorários e
reembolso de despesas que lhe sejam devidos pelo cliente,
salvo se os referidos documentos e objectos forem
necessários para prova do direito do cliente ou se a sua
retenção causar a este prejuízos irreparáveis.»
• «Constitui infracção disciplinar deixar o advogado de entregar o
dinheiro em seu poder, mesmo que se trate de dinheiro recebido da
parte contrária em virtude de transacção, para se pagar de honorários
cuja conta não tenha sido aprovada pelo constituinte nem aprovada
judicialmente». (Acórdão do Conselho Superior de 4/10/1974)
RESPONSABILIDADE DISCIPLINAR DO ADVOGADO

Decorrência sistemática do EOA – era necessário garantir e


assegurar o cumprimento dos deveres a que os advogados estavam
adstritos. Função garantística

É justamente na necessidade de garantir a coesão, a dignidade e


a eficiência desta classe que encontramos os fundamentos da
acção disciplinar.

Atente-se no facto da responsabilidade disciplinar ser


autónoma da civil ou criminal – art. 190º.

Tal significa que os advogados estão sujeitos à jurisdição


exclusiva dos órgãos da OA. Anteriormente essa função era
confiada aos tribunais judiciais .
Comete infracção disciplinar o Comportamentos merecedores de censura
advogado ou advogado ético-jurídica, do ponto de vista da
estagiário que, por acção ou dignidade da advocacia e do prestígio
omissão, violar dolosa ou institucional da ordem.
culposamente algum dos
deveres consagrados no
presente Estatuto, nos O advogado tem obrigação de cumprir
respectivos regulamentos e nas pontual e escrupulosamente os deveres
demais disposições legais deontológicos consagrados na lei ou
aplicáveis – art. 189º. decorrentes da praxe forense.

Repare-se que o EOA impõe esta


cartilha não só a nível profissional,
mas também no dia-a-dia.
Direito Comparado:
O sistema Deontológico
Americano
Introdução:
• Os termos deontologia Jurídica,
responsabilidade profissional e ética são
frequentemente utilizados como padrões e
regras reguladoras da conduta dos advogados,
quando confrontados com conflitos de ordem
moral e responsabilidades jurídicas.
• A elaboração de códigos deontológicos, que
incorporam essas mesmas regras, fornecem a
linha de rumo a seguir pelos advogados como
também ajudam a reforçar a credibilidade em
geral na profissão deste.
Regulação complexa e não
hierarquizada:
• A regulação da profissão do advogado nos Estados
Unidos, é uma regulação complexa e encontra-se
não hierarquizada.

• Isto é o resultado directo da sua organização


federal, onde cada estado é o responsável pela
regulamentação dos seus próprios profissionais.
Fontes de regulamentação:
• A principal fonte de regulamentação deontológica nos
Estados Unidos é o código de conduta adoptado por
cada autoridade licenciada para tal na jurisdição em
que o advogado se encontra inscrito.
• Em cada um dos 50 estados, a autoridade licenciada é
um ramo judicial do Estado governamental.
• A Associação Americana de Advogados (A.B.A. -
American Bar Association) desempenha um papel
fundamental na elaboração dos códigos
deontológicos.
Fontes de regulamentação:
• Aproximadamente 43 estados adoptaram as regras
de conduta. No entanto, a maioria destes Estados
ao adoptarem este código ,elaborado pelo A.B.A,
no seu ordenamento jurídico, fizeram algumas
alterações no que diz respeito ás matérias relativas
ao segredo profissional, ao conflito de interesses e
á publicidade.

• Conclusão: Existe uma significativa variação das


regras deontológicas de Estado para Estado.
Comparação do códigos Deontológicos
Europeu e Americano:
Linhas
LinhasGerais:
Gerais:

•Os códigos deontológicos Europeu e


Americano demonstram uma semelhança em
certos valores e uma preocupação por
problemas como: os honorários; conflito de
Interesses e competência e independência dos
Advogados.
•Contudo existem muitas diferenças
de base, visto que estamos perante
sistemas jurídicos de raiz distinta.
•Esta diversidade reflecte uma
percepção oposta no que diz respeito
ao papel do advogado e aos valores
morais associados á profissão.
Honorários:
• Na determinação dos honorários muitos são os factores a ter
em conta ( Rule 1.5):
1. O tempo e o trabalho exigidos, assim como a dificuldade das
questões e a perícia envolvida;
2. A certeza por parte do cliente que ao aceitar aquele caso o
advogado terá abdicado de outros;
3. Os honorários normalmente praticados naquela localidade e
em casos semelhantes;
4. A quantia envolvida e os resultados obtidos;
5. As limitações impostas pelo cliente ou pelas circunstâncias do
caso;
6. A natureza e a duração da relação profissional com o cliente;
7. A experiência e reputação do Advogado;
8. Saber se o honorário será “fixed” ou “contingent”.
Tipos de honorários:
1. “Hourly Fee” – Honorários por hora
2. “Fixed Fee” – Honorários fixos
3. “Contingent Fee” – Quota Litis

Na maior parte dos países europeus está proibida a


utilização da contingent fee, mais conhecida por
Quota Litis. Para estes a autonomia e a
independência do advogado ficaria gravemente
exposta, visto que este teria um interesse pessoal no
resultado obtido.
•Apesar de ser permitida, esta é objecto
de uma regulamentação muito mais
apertada por parte do código
deontológico Americano.
•Está por exemplo proibida a sua
utilização nos casos de divórcio.
•Deverão constar de documento escrito.
Conflito de Interesses:
• A principal diferença nesta regra é que nos países
de Common Law a decisão de prosseguir com o
processo, apesar da existência do conflito de
interesses, é deixada ao cliente.
• Este pode dar o seu consentimento para que o
advogado o continue a representar.
• Contudo, esta opção deverá ser antecedida de uma
explicação pormenorizada por parte do advogado,
explicando os riscos de prosseguir com o conflito.
Tipos de Conflitos:
1. Entre advogado e cliente: por exemplo quando os
interesses do advogado possam entrar em conflito com os do
cliente;
2. Entre clientes: quando o advogado protegendo os
interesses de um cliente possa vir a afectar os interesses de
outro cliente;
3. Entre o actual cliente e um cliente antigo: quando o
advogado representa o cliente numa questão, relacionada
com a representação já feita pelo mesmo a um outro.
Estando os interesses do actual cliente em divergência com
os interesses do cliente antigo;
4. Devido a obrigações do advogado para com uma
terceira pessoa: esta terceira pessoa não é um cliente. Este
tipo de conflitos surge nomeadamente quando o advogado é
pago por outra pessoa que não o cliente.
Publicidade:
• Nos países europeus a publicidade encontra-se
estritamente regulada.
• Nos Estados Unidos os advogados têm acesso a um
maior leque de oportunidades no que diz respeito à
angariação de clientes.
• Recentes pesquisas confirmaram que as proibições á
publicidade limitavam o acesso do público em geral á
informação relativamente aos serviços jurídicos
proporcionados pelos advogados.
• Contudo, associada a esta ideia de liberdade, está a
ideia, muitas vezes não respeitada, que a propanda não
deverá ser feita de forma enganosa.
Decálogo de António Arnaut
1. Procede sempre, na vida profissional, pública e privada, por
forma a justificares a honra e a dignidade de seres advogado: que
este título te baste, porque não há outro mais nobre.

2. Serve a Justiça mais do que o Direito, e o Direito mais do que a


Lei: ser advogado é pugnar por uma sociedade mais justa e
convivente. A advocacia é um humanismo.

3. Sê livre, independente e insubmisso perante todas as injustiças e


arbitrariedades: que nenhuma voz alheia à tua consciência te
condicione a palavra.

4. Sê diligente, estuda e cultiva-te: o trabalho, a ciência e a cultura é


que dão força à tua voz.

5. Não advogues contra a razão, a verdade e a justiça: se tiveres


dúvidas consulta a tua consciência individual e histórica, que ela
te iluminará o caminho.
6. Sê leal com os colegas, sincero com os clientes, colaborante com os
magistrados, compreensivo com o adversário, urbano com todos: a
advocacia é um magistério cívico.

7. Sê moderado nos honorários e patrocina gratuitamente os que têm


razão mas não podem pagar: a verdadeira retribuição do advogado é
o sentimento do dever cumprido.

8. Lembra-te que a toga não é um privilégio, é uma responsabilidade,


porque te impõe o rigoroso cumprimento dos deveres
deontológicos: despe-a se não te sentires advogado.

9. Antes de recorrer a tribunal tenta dirimir conciliatoriamente os


litígios, e está sempre aberto a uma justa composição das partes:
vale mais um mau acordo do que uma boa demanda, como diz o
povo.

10. Não te deixes seduzir pela popularidade: é preferível que te


respeitem do que te adulem.
SER BOM ADVOGADO

• Para ser bom Advogado:


Estude; Pense; Trabalhe; Lute; Seja
leal; Tolere; Tenha paciência; Tenha fé;
Esqueça; Ame a sua profissão.