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24/09/2015 Crônicas Simples

Crônicas Simples

Beleza

agosto 6, 2015 |  brunoalencarf | 2 Comentários


A beleza está nos olhos da dona Maria Francisca. Há alguns dias ela não estava tão bela.
Deitada na maca, com suplemento de oxigênio em suas narinas, sua fala ainda cansada e
intercortada, buscava me deixar feliz dizendo que estava melhorando. Mesmo no seu pior dia,
olhava‑me com seus marejados e dizia: só um pouco de falta de ar. Em por preceitos que
ultrapassam qualquer lógica natural da vida, ela melhorou. Respirava agora por conta própria.
Enchia o peito e agora dizia com fôlego: estou ótima, graças ao senhor e a Deus! Mais belas que
sua face agora corada estavam naquele momento as lágrimas que desciam de seus olhos.  Mais
belas estavam sua fé e força de vontade. Minha função foi cumprida mas meu esforço foi
recompensado. Não há beleza maior que a gratidão mais sincera.

Solidão

julho 15, 2015julho 15, 2015 |  brunoalencarf | 8 Comentários


Interessante pois precisei de uma sugestão de uma amiga para escolher esse tema. Solidão. Uns
a evitam, outros a desejam. Não a vejo com menosprezo. Se pensar no sol como exemplo maior
de sua expressão, é a sua distância que me mantém vivo. Tem momentos que necessito ficar só.
Busco energia para só depois atrair os outros para perto de mim. Se bem que  assim diferencio‑
me da estrela maior porque, no final, quero todos comigo; no final, não quero ficar só.

Poema e pintura

março 25, 2014março 9, 2015 |  brunoalencarf | Adelia Prado, pintura, poema, silencio | 13


Comentários
Acabo de ver Adelia Prado no Programa Roda Viva da Cultura. Além de deleitar‑me com a
entrevista, gostei de algo dito por ela: a pintura é o que mais se assemelha à poesia. E de fato
traz a mim exato sentimento. Deve ser porque são nascidas de total silêncio e pessoalidade.

Nada pode ser tão seu. A música pode até ser a vontade colocar esse silêncio em movimento. E1/4
https://cronicassimples.wordpress.com/
24/09/2015 Crônicas Simples

Nada pode ser tão seu. A música pode até ser a vontade colocar esse silêncio em movimento. E
o cinema pode até ser a música em sua idade mais madura. Mas realmente é o poema, junto
com a pintura, a maior expressão de que o seu pode ser de todos.

O sentido da felicidade

novembro 11, 2011abril 6, 2015 |  brunoalencarf | 40 Comentários


Só assim mesmo para retornar de tanto tempo; necessitei forçar‑me a compor essas palavras e,
ainda por cima, em um tema mais que difícil. Pra mim felicidade não é apenas a ausência da
tristeza, vale mais que isso. Aquela criança abre um sorriso quando vê a folha cair na cabeça do
velhinho; que bom que o velhinho ri por contribuir com aquele sorriso. O rapaz fica feliz com a
promoção em seu emprego, a garota fica feliz quando ele nota seus três mínimos centimentros
de  corte  de  cabelo.  Há  quem  me  disse  que  a  felicidade  não  existe;  nunca  estamos  satisfeitos,
queremos  sempre  algo  que  nunca  temos,  admiramos  algo  que  nunca  teremos;  esse  prazer
estampado  nesse  sorriso  é  muitas  vezes  resultado  de  benfeitoria  em  nós  mesmos,  nunca  nos
outros.  Talvez  fazer  algo  de  coração,  por  mais  mínimo  que  seja,  seja  um  bom  caminho  pra
começar o dia. De preferência em que quem saia mais ganhando, na verdade, seja o outro. Se
for  um  desconhecido  então…  parabéns!  Talvez  você  tenha  encontrado  uma  felicidade
diferenciada.  Uma  felicidade  que,  por  mais  diferente  de  qualquer  sentimento  humano
moderno,  está  muito  mais  ligado  à  aquela  criança  e  àquele  velhinho  do  que  você  possa
imaginar. Pense nisso.

Ah… a praia!

setembro 2, 2010setembro 10, 2012 |  brunoalencarf | amor, férias, praia | 23 Comentários


Minha fascinação por ela é uma imensidão, é imensurável. E pensar que é formada na mais
tranquila e paciente espera. Foram necessários milhões de anos para podermos desfrutar de
algumas horas do dia; no meu caso, de um bom feriado. Largo meus afazeres e presto somente
atenção nela. O vento que vem de lá traz‑me uma felicidade que não encontro nesse lado de cá.
Mesmo que seja por pouco tempo, faço tudo para que esse tempo seja necessário, não para que
desfrute de tudo que ela ofereça, e sim para que eu sempre sinta vontade de visitá‑la. Sua voz é
tão linda que tem concha que teima a imitá‑la. Repare como ela é completa. Sinto o quente da
areia, o frio da maré que chega. Oferece‑me comida. Nunca me canso de falar dos
ensinamentos da natureza. Tudo que vale a pena deve ser cultivado na medida certa do tempo.
O perfeito é criado sem muita pressa, tornando‑se duradouro. Que assim seja meu amor por
ela. Quente quando está perto, frio quando a saudade aperta. Alimentado por tudo que está
dentro dela. E que surja no tempo certo, para que possamos desfrutar na medida certa por um
tempo indefinido. Para que no final eu possa prestar somente atenção nela.

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24/09/2015 Crônicas Simples

Impossível

agosto 30, 2010agosto 29, 2013 |  brunoalencarf | impossível, realização, sonhos | 11


Comentários
Será possível falar do impossível? É um desafio para qualquer um que ouse tentar. E veja como
nos surpreende a cada momento que acontece! Porém se acontece, nem é tão impossível assim,
não é mesmo? Um filósofo já disse que nossos sonhos devem ser irreais, pois à medida que os
conquistamos, os deixamos de lado e partimos para outro. Verdade. Mas o bom é quando ele
acontece quando menos se espera. O nosso querer deveria estar contido no subconsciente, pois
tudo  que  é  bom  deveria  ser  exposto  na  minha  singela  surpresa.  Buscar  algo  é  muito  bom,
conquistá‑lo, melhor ainda; caso ele aconteça quando menos se espera e ainda de forma mais
prazerosa…  perfeito!  Deixo  o  prazer  da  busca  somente  para  os  filósofos.  Quero  atingir  cada
sonho.  Uma  vida  sem  meta  é  uma  vida  sem  propósito.  Por  mais  imprevisível  que  um
indivíduo possa ser, nada mais importante no viver do que colocar sentido à vida. Mas não me
deixe ser um homem de um prazer só. Meu prazer é ter prazer de todos prazeres da vida. E
não existe o impossível. Não pelo menos sonhos. Se hoje é impossível, é porque você ainda não
sonhou com sua realização.

Silêncio

agosto 13, 2010setembro 8, 2013 |  brunoalencarf | amor, declaração, intuição, palavras,


silencio | 4 Comentários
Está bem. Confesso que as vezes sou um frouxo. Deixo de falar certas coisas e me arrependo
por não ter tido a coragem de tentar. Talvez queria que ela tivesse a qualidade sobrenatural de
entender  o  que  digo  por  trás  de  cada  gesto  meu.  Talvez  explorar  ainda  mais  essa  qualidade
intuitiva que as mulheres possuem. Como diz Fernando Sabino: “Todo mundo tem dois olhos
para ver, que coisa estranha. É preciso ver a realidade que se esconde além, onde a vista não
alcança”. Rubem Alves também já tinha dito: “O essencial se encontra fora das palavras”.  No
entanto,  esqueço  que  ela  deseja  não  só  ser  entendida,  mas  também  deseja  ser  acariciada  com
palavras  sinceras.  Nada  de  rodeios,  meu  caro  amigo,  desde  que  seja  uma  conquista  com
propósito  claro!  Exigir  tamanha  qualidade  dela  é  um  forma  egoísta  minha  de  não  buscar
perseveramente  o  que  realmente  toca  meu  coração.  No  final  de  tudo,  não  se  deve  confundir
silêncio  com  omissão.  Pois,  para  John  Powell,  “Para  compreender  as  pessoas  devo  tentar
escutar o que elas não estão dizendo, o que elas talvez nunca venham a dizer”. Eu vou dizer,
querida. Talvez já até disse antes, em outras palavras. Quer que eu repita?

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