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XXXIV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO

Engenharia de Produção, Infraestrutura e Desenvolvimento Sustentável: a Agenda Brasil+10

Curitiba, PR, Brasil, 07 a 10 de outubro de 2014.

SÍNDROME DE BURNOUT: UM ESTUDO


INTERPRETATIVO DAS DIMENSÕES DE
MASLACH COM OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE
DO SISTEMA PENITENCIÁRIO PARAIBANO

Eufrasio Vieira dos Anjos Junior (UFPB/PPGEP )


eufrasiovieira@hotmail.com
JOSEILMA DANTAS AGEU (UFPB/PPGA )
ilma.ageu@bol.com.br
Marcos Aurelio Gomes de Aquino (UFPB/PPGA )
adm.marcos@bol.com.br
Ricardo Moreira da Silva (UFPB/PPGEP )
ricardomoreira0203@hotmail.com
Carlos Eduardo Cavalcante (UFPB/PPGA )
cavalcanteeduardo@gmail.com

As constantes modificações do mercado de trabalho exigem mudanças no


perfil do profissional, assim, o submetendo a ambientes com bastante
pressão, podendo adquirir vários problemas psicossociais, como a Síndrome
de Burnout. A síndrome de Burnout pode ser desencadeada principalmente
pelas condições do trabalho e pelo desgaste emocional do profissional. O
presente trabalho constitui-se de um estudo, no qual buscou-se identificar os
índices das 03 dimensões apontadas por Maslach que estão associadas à
síndrome de Burnout. Para tanto o público alvo selecionado foram os
profissionais do Programa Saúde Penitenciária-PSP, atuantes em Unidades
Prisionais do Estado da Paraíba. Para pesquisa foi utilizado o MBI (Maslach
Burnout Inventory) que aborda as três dimensões da síndrome: Exaustão
Emocional, Despersonalização do Trabalho e Realização Profissional e que
possuía 27 questões. Foram aplicados 22 formulários eletrônicos às equipes
do Programa de Saúde na Penitenciária. Com os resultados pode-se perceber
que por mais que os profissionais estejam em um ambiente com altos níveis
de insalubridade e periculosidade, a frequência das ocorrências pesquisadas
sobre a exaustão e a despersonalização estão fora de uma zona de
preocupação. No tocante a realização profissional merece atenção as
frequências do descontentamento com o trabalho em si, o que seria
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justificado em função da modalidade de vínculo com o Estado (contratos).


Entretanto, de modo geral os profissionais apresentaram um nível mediano
em ambas às dimensões do MBI. Como forma de contribuição aos
profissionais, aconselha-se que busquem um equilíbrio maior no
desenvolvimento das atividades diárias, evitando assim, que entrem em
processo de exaustão emocional, principal fator desencadeante da Síndrome
de Burnout.

Palavras-chaves: Síndrome de Burnout, Profissionais de Saúde, Sistema


Penitenciário

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1. Introdução

O mercado de trabalho atual passou por grandes modificações, decorrentes principalmente do


processo de abertura das economias e a expansão tecnológica, tendo como consequências as
mudanças significativas no perfil dos profissionais, que passaram a conviver
profissionalmente com as mais fortes tensões. Isso se dá pela falta do emprego ou pela
precarização nas relações de trabalho. Todos esses aspectos que pressionam o profissional
(concorrência acirrada, busca pela excelência, necessidade de estabilidade profissional e
busca por melhores condições de trabalho) desaguam no seu psicológico e assim, tendem a
desenvolver algum tipo de estress ou até mesmo adquirir uma síndrome como a de Burnout.

De acordo com Ferenhof e Ferenhof (2002), a Síndrome de Burnout apresenta-se, hoje, como
um dos grandes problemas psicossociais que estão a afetar profissionais de diversas áreas.
Esta realidade tem gerado grande interesse e preocupação não só da comunidade científica
internacional, mas também de entidades governamentais, empresariais, educacionais e
sindicais no Brasil. Essa atenção e dedicação é devido à severidade das consequências, tanto
individuais quanto organizacionais apresentadas pela Síndrome, especialmente como fator de
interferência nas relações interpessoais.

Partindo deste entendimento, o presente trabalho constitui-se de um estudo, no qual buscou


identificar a associação da síndrome de Burnout com os profissionais de saúde atuantes em
Unidades Prisionais no Estado da Paraíba.

A metodologia utilizada neste trabalho foi de natureza descritiva de caráter quantitativo, visto
que segundo conceituação dada por Gil (2008), as pesquisas descritivas possuem como
objetivo a descrição das características de uma população, fenômeno ou de uma experiência.

Foi selecionado para tanto, uma amostra do tipo intencional de acordo com a acessibilidade e
não probabilística de profissionais pertencentes ao quadro de servidores do Programa Saúde
Penitenciária, atuantes nas Unidades Prisionais do Estado da Paraíba, não caracterizando com
isso, portanto, a intenção de generalizar os resultados apontados. Para análise dos dados,
utilizou-se de estatística simples (frequência) através do software Microsoft Excel.

Com o apoio da Secretaria de Segurança do Estado da Paraíba foram pesquisadas as equipes

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de saúde das unidades prisionais da Paraíba: Cadeia Pública, Colônia Penal Agrícola, Instituto
de Psiquiatria, Penitenciária Padrão, Penitenciária de Segurança Média e Penitenciária de
Segurança Máxima.

Utilizou-se de um formulário padrão formulado por Cristina Maslach e Susan Jackson em


1978, o MBI – Maslach Burnout Inventory, (CARLOTTO; CAMARA, 2004) que pode
apontar e qualificar o Burnout avaliando a forma como o trabalhador vivencia suas atribuições
com base em três dimensões: Exaustão Emocional, Despersonalização do Trabalho e
Realização Profissional.

Para captação dos dados foi utilizado um formulário eletrônico que continha 27 questões
divididas em 4 etapas. No primeiro momento era constituído de 5 questões sobre o perfil do
respondente. Da questão 6 a 14 as questões tratavam-se da exaustão emocional, da questão 15
a 19 tratava sobre a despersonalização do trabalho e da questão 20 a 27 tratava sobre a
realização profissional. Na escala qualitativa foi utilizada a escala de 7 gradações que
determinavam a frequência das ocorrências como nunca, algumas vezes ao ano, uma vez ao
mês ou menos, algumas vezes durante o mês, uma vez por semana, algumas vezes durante a
semana e todo dia.

Os 22 formulários foram respondidos entre o período do dia 13 de janeiro de 2014 a 28 de


janeiro de 2014 e a identidade dos profissionais mantida em sigilo. Além disso, os formulários
foram enviados eletronicamente pela Coordenadora Geral do Programa mantendo assim, a
descrição dos entrevistados.

2. Conceituação

Na concepção de Codo e Vasques-Menezes (1999), Burnout, trata-se de uma expressão


inglesa que significa “queimar-se” ou “consumir-se pelo fogo”. Foi utilizada pela fácil
semelhança metafórica com o estado de exaustão emocional, o “estar consumido”, que é o
fenômeno vivenciado com mais frequência e de forma intensa por algumas categorias
profissionais.

O termo Burnout, no sentido de desgaste emocional desencadeado principalmente pelas


condições do trabalho, foi empregado na década de 70 pelo psicólogo clínico Herbert J.
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Freudenberger. Há, entretanto, alguns autores que consideram a hipótese de que ele apenas
nomeou um sentimento que já existia e havia sido experimentado por muitos (Codo e
Vasques-Menezes, 1999).

Freudenberger percebeu em si os sintomas desta síndrome e passou a observá-la com maior


propriedade, e assim, buscou defini-la como tal. Para Codo e Vasques-Menezes (1999),
Burnout consiste em uma síndrome da desistência, pois o indivíduo, nessa situação, deixa de
investir em seu trabalho e nas relações afetivas que dele decorrem e, aparentemente, torna-se
incapaz de se envolver-se emocionalmente com o mesmo.

O fato é que, aqueles que nao estão acometidos por tal, mesmo diante de uma situação de
extremo estresse, não desistem daquilo que pretendem executar profissionalmente, enquanto
que o os indivíduos que estão com Burnout já perderam toda a vitalidade necessária para o
cumprimento de tais tarefas.

2.1 Grupos de maior ocorrência

O fenômeno afeta uma ampla gama de profissionais – em especial aqueles há uma interação
constante com outras pessoas no seu dia-a-dia de trabalho. De modo geral, os profissionais
mais afetados são: médicos, enfermeiros, psicólogos, professores, assistentes sociais, agentes
penitenciários, policiais, bombeiros, cuidadores de pessoas com doenças degenerativas, entre
outros. Cada grupo possue características distintas que o os coloca em situação de grande
possibilidade da incidência da síndrome.

Os profissionais da educação, por exemplo, têm como elementos propulsores a intensa


sobrecarga de trabalho, o progressivo declínio da autonomia profissional, a diminuição do
status social da profissão, e aumento das pressões sofridas em função da precarização do
trabalho, além de falta de lazer, do convívio familiar e social.

Já aqueles da área de saúde vivem constantemente sob forte pressão no ambiente de trabalho
por envolver no dia a dia das suas atividades situações de forte risco de vida dos pacientes sob
suas responsabilidades. A incidência, portanto, de Burnout nestes profissionais é bastante
comum, visto que como defesa psicológica dos casos e situações encontradas, desenvolvem
certas defesas, principalmente de cunho emocional.
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Reforçando essa ideia, Remen (1993), define esse profissional de saúde como sendo uma
pessoa que sofreu profundas modificações como resultado de treinamento especializado, do
conhecimento e da experiência. Esses profissionais estão diariamente expostos à dor, à doença
e à morte, tornando essas experiências não mais como conceitos abstratos, mas sim,
realidades comuns.

No caso selecionado para o estudo, a predisposição à Síndrome de Burnout está tanto


relacionada à profissão quanto ao ambiente onde é desempenhada a atividade, visto que
profissionais de saúde que atuam em Unidades Prisionais estão sujeitos ao risco de rebeliões e
motins. Vale ressaltar que lidar com pessoas que estão privadas de liberdade em função do
cometimento de crimes de todo o tipo requer do profissional de saúde uma maior
sensibilidade e atenção no desempenho de suas atividades, visto que qualquer detalhe pode
desencadear revolta e até mesmo sentimento de vingança nestes pacientes.

Isto também pode ser considerado um fator desencadeante de estresse e, portanto, pode vir a
influenciar no grau de realização pessoal destes profissionais, aumentando assim a
possibilidade de adquirir o Burnout, já que alguns ambientes laborais, dependendo da
complexidade e área de atuação, exercem forte pressão nos indivíduos.

Outro fator importante a ser destacado é que o próprio ambiente físico e as normas
operacionais das Unidades Prisionais requerem e impõem àqueles que ali atuam um maior
zelo e maiores cuidados específicos, inclusive com os equipamentos manuseados durante os
atendimentos realizados.

Diante de todo o exposto, considera-se que o estado emocional e motivacional destes


profissionais oscila enormemente no dia a dia do desempenho de suas atividades laborais,
pelo iminente risco ao qual estão sujeitos cotidianamente.

2.2 Regulamentação da Síndrome no Brasil

Vários estudos apontam que a incidência de Burnout tem sido uma das maiores causas do
afasatamento temporário do trabalhador. De acordo com Brasil (2001), as leis brasileiras de
auxílio ao trabalhador já contemplam o Burnout. No Anexo II do Decreto nº 3048/99 ao se
referir aos transtornos mentais e do comportamento relacionado com o trabalho (Grupo V da
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CID-10), o inciso XII aponta a sensação de estar acabado (síndrome de burn-out, síndrome do
esgotamento profissional) (Z73.0) (BRASIL, 2001).

Moreira et al (2009) cita que Burnout foi listado no Manual de Doenças Relacionadas ao
Trabalho 9, do Ministério da Saúde, no qual indica que, quando o diagnóstico da síndrome é
confirmado, este deve ser abordado como evento sentinela e servir de indicador para uma
investigação mais criteriosa da situação do trabalho (Classificação Internacional de Doenças,
10a revisão - CID-10: Z56.3, Z56.6).

2.3 Maslach Burnout Inventory - MBI

Em 1978 foi criado o Maslach Burnout Inventory – MBI, como forma de avaliar a incidência
de Burnout, por Christina Maslach e Susan Jackson. Este instrumento passou por algumas
modificações e ate os dias atuais é o instrumento mais utilizado.

Segundo Maslach (1993), sua construção partiu de duas dimensões, exaustão emocional e
despersonalização, sendo que a terceira dimensão, realização profissional, surgiu após estudo
desenvolvido com centenas de pessoas de uma ampla gama de profissionais.

2.4 Exaustão emocional

A exaustão emocional é percebida através da sensação muito forte de tensão emocional, que
na maioria das vezes se traduz pelo sentimento de esgotamento, de falta de energia e de
insuficiente estrutura emocional capaz de lidar com as rotinas laborais, representando assim, a
dimensão individual da síndrome.

Conforme Lima et al (2007), a exaustão emocional é a primeira reação ao estresse gerado


pelas exigências do trabalho. Uma vez exaustas, as pessoas sentem cansaço físico e
emocional, com dificuldade de relaxar. A exaustão é a característica central do Burnout, a
manifestação mais óbvia, sendo a principal queixa dos indivíduos que sofrem dessa síndrome.

Nos estudos desenvolvidos por Maslach, na análise dessa dimensão, quanto maior a
frequência dos itens no desenvolvimento das atividades laborais, maior a tendência de que a
síndrome esteja iniciada naquele profissional.

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2.5 Despersonalização

A despersonalização é o processo pelo qual o profissional tende a adotar comportamento de


distanciamento e passa a ter sentimentos e atitudes negativas, em torno daquelas pessoas que
estão diretamente relacionadas às suas atividades profissionais, por exemplo, os pacientes,
clientes, fornecedores, colegas de trabalho entre outros.

2.6 Realização Profissional

No trabalho é uma dimensão na qual existe um sentimento de inadequação pessoal e


profissional. Há uma tendência de o trabalhador se autoavaliar de forma negativa, com
apresentação de baixa autoestima, o que acaba afetando a habilidade para a realização do
trabalho e o atendimento, o contato com as pessoas usuárias do trabalho, bem como com a
organização.

Nesse item em especial o profissional não consegue visualizar os pontos positivos de sua
carreira, passando a adotar uma postura de insatisfação com a sua posição atual.

3 Programa de Saúde Penitenciária – PSP

Percebe-se que na realidade prisional do Brasil, o número de detentos é superior ao


quantitativo de vagas disponíveis em todo o sistema prisional, ocasionando a superlotação e
vários outros problemas. Essa superlotação submete os detentos a situações de insalubridade,
condições precárias de higiene, transformando as penitenciárias em ambientes propícios a
contaminação e proliferação de doenças.

Com as condições de encarceramento, os detentos estão vulneráveis as doenças. Várias causas


são inerentes à carceragem, como o sedentarismo, as drogas, as condições de higiene, entre
outros. Ao longo do tempo percebem-se os esforços por parte dos governos federal, estaduais

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e municipais, para incluir as pessoas privadas de liberdade, ao ponto de fomentar essas e


outras normativas no sentido de assegurar o direito à saúde.

A política penitenciária da Paraíba está em concordância com a política penitenciária do


Brasil, assim como estão correlacionados os fatores contributivos para coerência com que
rege a Lei de Execuções Penais n° 7.210/84, principalmente no tocante ao direito de
assistência. A LEP, n° 7.210, nos artigos 10 e 11, estão relacionadas à assistência ao preso: “a
assistência ao preso e ao internado é dever do Estado, objetivando prevenir o crime e orientar
o retorno à convivência em sociedade. A assistência estende-se ao egresso. A assistência será:
material, à saúde, jurídica, educacional, social e religiosa”.

Corroborando com os princípios e diretrizes do SUS, o Ministério da Saúde e o Ministério da


Justiça aprovaram o Plano Nacional de Saúde Penitenciária, destinado a dispor a atenção
integral à saúde às pessoas mantidas em cárceres bem como assistência psiquiátrica e
odontológica.

O impacto qualitativo e/ou positivo de uma equipe de saúde implantada em uma unidade
prisional é evidente, não só em benefícios para os cidadãos privados de liberdade, mas torna
menos árdua a tarefa de realizar uma contenção qualificada daqueles que cumprem sentenças.

Esse plano tem como objetivo geral prover o acesso da população privada de liberdade à
prestação de serviços ofertados pelo SUS, assim, garantindo incentivo financeiro às unidades
federativas qualificadas e a implantação de unidades de saúde com o objetivo de atender às
demandas da atenção primária, compostas por uma equipe mínima dos seguintes
profissionais: médico(a), enfermeiro(a), odontólogo(a), psicólogo(a), assistente social,
auxiliar ou técnico de enfermagem e auxiliar de saúde bucal.

O objetivo principal do projeto é de promover a saúde, contribuir para o controle e/ou redução
dos agravos mais frequentes que os apenados são acometidos, o favorecimento do perfil
epidemiológico e sanitário dos ambientes das unidades, entre outras ações que venham
beneficiar a saúde dos apenados. A Paraíba vem executando o projeto “Saúde do Sistema
Penitenciário”, desde dezembro de 2008.

Com o número de presos bem acima da capacidade, o Estado da Paraíba ocupa a quarta
colocação no número de pessoas presas, perdendo para os Estados do Pernambuco, Bahia e

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Ceará. Segundo o portal do Governo da Paraíba, a população carcerária no mês de Dezembro


totalizou 9233 pessoas, sendo que 81% está em regime fechado e 19% em regime semiaberto.

O Programa de Saúde nos Presídios (PSP) é constituído por 11(onze) equipes de saúde
prisional que são constituídas por profissionais de saúde, em sua maioria servidores públicos
da SEAP e da SES, com uma equipe mínima composta por médicos, enfermeiros, cirurgiões
dentistas, técnicos em enfermagem, assistentes sociais, psicólogos e auxiliares em saúde
bucal.

Com a aplicação do PSP, as ações de saúde passaram a ocorrer com caráter diagnóstico para,
após traçado o perfil epidemiológico desta população, direcionar as ações em função dos
agravos de maior incidência nas unidades prisionais.

Com o objetivo de melhorar a atenção à saúde da população prisional, controlar as doenças


que possuem grande propensão de acontecimento como a tuberculose, busca-se a implantação
do tratamento diretamente supervisionado, como também outros meios de tratamento e
estratégias voltadas às características do local. Busca-se, ainda, encontrar casos novos, como
também abordagem direta aos familiares dos portadores de tuberculose em tratamento;
monitorar os portadores de hipertensão arterial, viabilizando o tratamento medicamentoso e o
aconselhamento para dieta hipossódica.

4. Discussão Dos Resultados

Foi adotado como critério de análise dos resultados apontados neste estudo inicialmente a
verificação do perfil dos profissionais, e em seguida a verificação individualizada por
dimensão do MBI, tentando entender qual seria a atual realidade vivenciada no desempenho
diário de profissionais que lidam numa atividade já de natureza bastante exaustiva, além
disso, tendo como agravante o ambiente que as prisões representam de um modo geral.

Importante que seja destacado que os resultados e discussões aqui apresentados nao têm a
intenção nem o caráter de criar generalizações, sendo apenas definido como um estudo que
dentro de suas limitações e possibilidades traz a tona, de modo bastante elementar, uma
interpretação dos sentimentos e sensações sentidas por aqueles profissionais das equipes do
PSP-PB, que ora estão atuando.
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No que se refere as características dos profissionais entrevistados, segue a Tabela


01.

Analisando o gênero dos pesquisados, contata-se a similaridade entre os gênero feminino


(57%) e o gênero masculino com (43%). Nesse sentido, Lima, et all (2007) menciona os
resultados da pesquisa Taking the Stress out of Work, realizada pela International Stress
Management Association (ISMA-BR), na qual constata que as mulheres, embora mais
estressadas, possuem meios que as auxiliam para ter uma vida melhor, como por exemplo a
verbalização de suas emoções; maior conscientização de suas condições físicas e emocionais;
procuram ajuda ao apresentar os primeiros sinais e sintomas de possíveis docenças; possuem
disciplina e práticas de relaxamento; possuem crença religiosa.

Em relação ao tempo de atuação percebe-se que o tempo de atuação na organização em que


cerca de 57% estão a menos de três anos na instituição. Carlotto e Palazzo (2006)
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consideram a síndrome de Burnout como sendo algo que resulta de suscessivos e duradouros
estresses, como também da pressão emocional constante ligada ao grande envolvimento das
pessoas para com o trabalho. Trata-se de uma população madura em que 64% dos
entrevistados estão entre 31 a 40 anos.

Quanto a escolaridade há um empate entre os graduados (43%) e os especialistas (43%), fato


que é comprovado pelas exigências dos cargos desenvolvidos, que precisa-se de maior
qualificação para sua prática, como os cargos de medico, odontológo, psicológo, entre outros.

Outro dado relevante para o estudo no Burnout é a unidade presional de atuação em que 29%
dos entrevistados atuam em Penitenciárias de Segurança Máxima, 29% em Penitenciárias de
Segurança Média, 19% em Penitenciária Padrão, 14% em Cadeias Públicas e nenhum
respondente em Colônia Penal Agrícola.

Na sequência são apresentados os resultados referente a utilização do Inventário de Burnout


de Maslach (MBI) com os profissionais do programa de saúde prisional.

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Partindo da ideia de que a Exaustão Emocional envolve o consumo da energia dos recursos
emocionais como também o desgaste emocional do funcionário que fica abalado pela
consequência do contato diário com as pessoas e principalmente com o trabalho (RITTER, et
al., 2012), pode-se perceber que em vários momentos do MBI é notado a variabilidade na
frequência das ocorrências.

Levando em consideração a escala utilizada, as ocorrências que prevaleceram variam entre


algumas vezes ao mês e ao ano. Assim, deixando os respondentes fora da zona de
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preocupação, supondo que quando mais frequente a incidência das ocorrências, maior chance
de adquirir a síndrome.

Um dado que chama a atenção é as sucessivas vezes durante a semana em que os


respondentes se sentem cansados ao final do dia de trabalho, fato que pode ser entendido
como relfexo das superlotações nos presídios do Estado da Paraíba. Assim, a equipe do
programa tem que atender a um o grande número de pacientes que não condizem com a
quantidade de integrantes da equipe.

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A despersonalização do trabalho analisa as atitudes insensíveis e impessoais para com as


pacientes e companheiros de trabalho (RITTER, et al., 2012). Ou seja, quando o profissional
não demonstra mais nenhuma sentimento positivo a respeito das pessoas que utilizam das suas
atribuições.

A partir da Tabela 03 percebe-se que as respostas contrariam o conceito da despersonalização,


visto que em todos os casos, a maioria dos respondentes apresentaram respostas que nunca
despertam sentimentos negativos para com os pacientes. Esse fato pode ser justificado ao
fazer alusão a questão do tempo de atuação na organização, em que a maioria dos
respondentes possuem menos de três anos, ou seja, provavelmente não se teve tempo
suficiente para que o relacionamento Profisional X Paciente entrasse em um estágio de
endurecimento.

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Grande parte dos profissionais de saúde ingressa na profissão com o intuito de prover
condições e acesso aos serviços primários de saúde, por esse motivo, quando percebem que
não estão contribuindo nesse aspecto, os profissionais ficam vulneráveis a sentimentos de
desapontamento podendo desencadear em depressões.

Em relação ao alcance dos objetivos pessoais, os resultados apresentados demonstram o


descontentamento com a expectativa que a função oferece. Ao serem perguntados sobre a
vitalidade prevaleceu a frequência de algumas vezes ao ano. Subtende-se que os profissionais
perdem a vitalidade por causa do clima do ambiente organizacional, como também os níveis
de insalubridade e periculosidade que são fatores influenciadores.

Ao questionar sobre o contato com os pacientes, os respondentes se sentem motivados por


trabalharem em contato com eles. Essa questão reforça as respostas da dimensão da
despersonalização em que os profissionais não despertam sentimentos negativos com os
pacientes e ainda se sentem inspirados por esse contato cotidiano.

Outro ponto notório entre os questionamentos foi sobre a forma adequada de agir com os

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problemas emocionais em que os respondentes dividiram suas respostas em pontos extremos


com frequência de algumas vezes ao mês até o a frequência diária.

As divergências nas respostas dessa dimensão podem ser justificadas ao se levar em conta os
cargos e as atribuições exercidas pelos profissionais, visto que há atribuições que exige um
tato maior com as questões psicológicas, como por exemplo, os psicólogos e assistentes
sociais, em contra partida tem-se os técnicos que sempre estão em contato mais direto com os
pacientes.

5. Considerações Finais

Como resultado o presente estudo, mesmo compreendendo que há algumas limitações de


profundidade na discussão, foram evidenciadas importantes constatações sobre como os
profissionais do Programa Saúde Penitenciária, atuantes no Estado da Paraíba, percebem e
sentem o ambiente laboral onde atuam.

Foi observado através dos índices apresentados no estudo, que as médias para cada um dos
aspectos de: exaustão emocional, despersonalização e realização profissional, estão situados
próximos à linha média da escala que variou de 1 a 5, que na escala aplicada ao modelo de
Maslach, corresponde ao item - algumas vezes durante o mês.

Esses valores indicam que os participantes do estudo consideram que possuem mediano
controle sobre o trabalho, a carga de trabalho, e as relações continuam sendo motivadas, assim
como sentem que há reconhecimento do trabalho desenvolvido.

Como forma de contribuição aos profissionais, aconselha-se que busquem um equilíbrio


maior no desenvolvimento das atividades diárias, evitando assim, que entrem em processo de
exaustão emocional, o que poderia comprometer muito a saúde psicossocial dos mesmos,
visto que a exaustão é sempre a dimensão mais preocupante e indicativa de que aqueles
indivíduos estão acometidos da síndrome de Burnout.

A realização de atividades físicas e a busca por um ambiente de trabalho mais ameno, é


sempre uma excelente opção de energização daqueles indivíduos que estão ou possam vir a
estarem passando por momentos de estresse e desmotivação e/ou esgotamento profissional.

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REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Saúde/Organização Pan-Americana da Saúde. Doenças relacionadas ao trabalho:


manual de procedimentos para os serviços de saúde. Brasília: Ministério da Saúde; 2001. (Série A. Normas e
Manuais Técnicos).

CODO, W., VASQUES-MENEZES, I. O que é Burnout? In Codo, W. (Org.), Educação: Carinho e trabalho
(pp. 237-255). Rio de Janeiro: Vozes.

CARLOTTO, Mary Sandra; CAMARA, Sheila Gonçalves. Análise fatorial do Maslach Burnout Inventory
(MBI) em uma amostra de professores de instituições particulares. Psicol. estud. [online]. 2004, vol.9, n.3, pp.
499-505. ISSN 1413-7372. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-73722004000300018.

CARLOTTO M. S; PALAZZO L. S.. Síndrome de Burnout e fatores associados: um estudo epidemiológico


com professores. Caderno de Saúde Pública [online]. 2006, vol.22, n.5, pp. 1017-1026. ISSN 0102-311X.
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