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PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO E AS CONQUISTAS DOS

TRABALHADORES AO LONGO DOS ANOS

Fabiana de Cássia Gomes Lima1


Orientadora: Prof.ª. Esp. Karla Knihs2

RESUMO

Os princípios apresentados neste artigo serão mostrados de forma simples e prática


para entendimento de todos. O artigo nos mostra um pouco da teoria ou conceitos
de como as leis trabalhistas, no Brasil, nos são apresentadas, apesar de muitos não
terem acesso ou nem conhecimento desta ferramenta que auxilia o dia a dia do
trabalhador. Esta ciência é de grande importância para a proteção do empregado. A
legislação, dos tempos atuais, está mais flexível e mais favorável a parte mais fraca
desta relação. O Direito do Trabalho é um amparo indispensável para os
procedimentos e processos trabalhistas e um avanço as nossas leis pois em um
passado não tem distante não existia nenhum recurso que resguardasse os
trabalhadores. Temos vários suportes para a proteção do trabalhador como a
Constituição Federal, a Consolidação das Leis Trabalhistas ou CLT, as Convenções
Coletivas e os Acordos Coletivos, Dissídios Coletivos, Medicina Ocupacional,
Segurança e Saúde do Trabalho. Do Recursos Humanos até o Judiciário e até para
a plataforma chamada E-Social, que unificará a Receita Federal, O Ministério do
Trabalho, O INSS e a Caixa Econômica Federal que tem como premissa a
unificação de várias obrigações na área trabalhista em uma única entrega, tornando
mais eficiente a fiscalização. Por fim faremos um breve comentário sobre a OIT –
Organização Internacional do Trabalho e quando o Brasil se integrou a ela.

Palavras-chave: Direito do Trabalho. Princípios dos Direitos do Trabalho.


Empregado. Empregador.

1 Graduada em Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos pelo Centro Universitário UNINTER.


Pós-Graduando em Direito do Trabalho e Processos Trabalhistas pelo Centro Universitário UNINTER.
2 Mestranda em Direito do Trabalho pelo Centro Universitário Internacional UNINTER. Especialista em

Direito do Trabalho pelo Centro Universitário Internacional UNINTER. Graduada em Direito pelo
Faculdade Internacional de Curitiba- FACINTER. Advogada atualmente nas áreas trabalhista,
previdenciárias e cível. Professora Orientadora de TCC no Centro Universitário Internacional
UNINTER.
0
1 INTRODUÇÃO

Os princípios são a origem de qualquer evento e não seria diferente no direto


do trabalhado, pois é através deles é que a justiça criou leis e normas para aqueles
que conduzirão cada caso, em busca da melhor solução. Na busca da escolha certa,
sem prejuízo para ambas as partes. De acordo com Rodriguez (200, p.11) “Os
princípios de Direito do Trabalho, por definição, aplicam-se a um ramo - o direito
trabalhista - e não se aplicam a outros ramos. Não são necessariamente exclusivos
de uma especialidade, mas não podem servir para todos os ramos, em outras
palavras, serem gerais, pois deixariam de ser específicas e caracterizadores”.
O Direito do Trabalho Brasileiro teve várias nomenclaturas. Algumas são:
Legislação Social, Direito Corporativo, Direito Social, Direito Industrial, Direito
Operário, entre outros.
A escolha deste tema é de fato uma busca de melhor compreensão do
assunto abordado, pois algumas vezes achamos injustas certas atitude de alguns
empregadores, que burlam os direitos da parte mais fraca desta relação, mais no fim
está na legislação e nem sabemos quais são nossos direitos e deveres. Não
sabemos nem ao certo onde começam nossa proteção.
A pesquisa foi feita de modo bibliográfico, de fragmentos de vários livros de
grandes autores, como Alcântara (2014), Almeida (2014), Branchier (2012), entre
outros, procurando mostrar a importância de seguir o caminho correto. O Brasil está
sofrendo uma das maiores crises que tenhamos conhecimento. Os brasileiros sem
esperança de um futuro melhor e é ai que entra o direito do trabalhador que está
protegido por lei
Este artigo foi criado com a intenção de auxiliar os estudantes de Direito, de
Contábeis, Comércio Exterior, aos bacharelados em Administração, aos Tecnólogos
em Administração e os Técnicos e os Tecnólogos Gestores em Recursos Humanos,
e para o Trabalhador que merece saber um pouco dos seus direitos trabalhistas.

2 PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO: CONCEITOS E IMPORTÂNCIA

Princípio: Palavra de origem do latim principium e que significa começo, início.

1
O princípio é à base de uma jornada. O início. José Cretella Jr., citado por
MARTINS, (2000 p.73), afirma que “princípios de uma ciência são as proposições
básicas fundamentais, típicas, que condicionam todas as estruturações
subsequentes. Princípios, nesse sentido, são os alicerces desta ciência humanas”
(Os cânones do direito administrativo. Revista de Informação Legislativa. Brasília,
ano 25, n.º 97, p. 7). Outra definição seria o sentido de “causa primeira, raiz, razão”
e, nesta medida, a ideia de aquilo “que serve de base a alguma coisa” (GODINHO,
2011, p. 184).
Os princípios são processos que devem ser seguidos à risca e não podem ser
burlados caso contrário não fará jus ao que foram criados, pois violar um princípio é
grave pelo fato de estar violando uma regra. Segundo Delgado, citado pelo Almeida
(2014, p.32) os princípios são proporções gerais inferidas na cultura e ordenamento
jurídicos que conformam a criação, revelação, interpretação e aplicação do direito. O
direito do trabalho se une aos direitos humanos. Almeida, (2014, p.31) conceitua, de
forma simples e objetiva, que o Direito do Trabalho é um conjunto de princípios e
regras jurídicas aplicáveis às relações individuais e coletivas de trabalho
subordinado, de caráter eminentemente social, destinados à melhoria das condições
de emprego.
Segundo Almeida (2014, p.29) ele relata que “No Brasil, o Direito do trabalho
só surgiria, efetivamente, no governo Vargas, na década de trinta”. Foi nesta época
ele criou o Ministério do Trabalho e vários direitos trabalhistas como o 13º salário, o
salário-mínimo, a CLT, que criou a carteira de trabalho, férias remuneradas, salário-
maternidade, entre outros.
Um breve destaque para três funções do princípio: informadora, normativa e
interpretativa.
 Função informadora – serve de fonte de inspiração ao legislador e de
fundamento para as normas jurídicas.
 Função normativa – serve como fonte supletiva, nas lacunas ou nas omissões
da lei.
 Função interpretativa – serve como critério orientador para os intérpretes e
aplicadores da lei.
De acordo com a Lei de introdução às Normas do Direito Brasileiro:

2
Art. 4º., LINDB (Lei de Introdução ás Normas do Direito Brasileiro, antigo
LICC (Lei de Introdução ao Código Civil) 04 de setembro de 1942. “Quando
a lei for omissa, juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes
e os princípios gerais de direito. (BRASIL, 30 de dezembro de 2010)

Segundo o Novo Código de Processo Civil:


Art. 140. NCPC (Novo Código Processo Civil) O Juiz não se exime de
decidir sob a alegação de lacuna ou obscuridade do ordenamento jurídico.
(BRASIL, 16 de março de 2015)

Art. 375. NCPC (Novo Código Processo Civil) “O Juiz aplicará as regras de
experiência comum subministrada pela observação do que ordinariamente
acontece e, ainda, as regras de experiência técnica, ressalvando, quanto a
estas, o exame pericial”. (BRASIL, 16 de março de 2015)

Conforme a CLT:
Art. 8º., CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) “As autoridades
administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou
contratuais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia,
por equidade e outros princípios e normas gerais de direito, principalmente
do direito do trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o direito
comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou
particular prevaleça sobre o interesse público”. (BRASIL, 01 de maio de
1943)

O trabalhador está amparado a diversas legislações e as mesmas ajudam


também as entidades municipais, estaduais e federias, pois, tanto o empregado
quanto o empregador são obrigados com suas contribuições em dia.

3 PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO E A PROTEÇÃO AO


TRABALHADOR

Os princípios em geral são a segurança que o trabalhador tem de proteção


dos seus direitos e se estes forem violados a regra é a punição. Conforme os
ensinamentos de Melo, (2019, p. 959):

Violar um princípio é muito mais grave do que transgredir uma norma. A


desatenção ao principio implica ofensa não apenas a um específico
mandamento obrigatório, mas a todo o sistema de comandos. É a mais
grave forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade, conforme o escalão do
principio atingido, porque representa insurgência contra todo o sistema,
subversão de seus valores fundamentais, contumélia irremissível a seu
arcabouço lógico e corrosão de sua estrutura mestra.

Melo retratou como é do Direito Administrativo, porém não é e nem será


diferente no Direito do Trabalho, onde constitucionalmente estará infligindo o poder

3
maior e será punido. O direito do trabalhador veio do Direito Civil e fica protegido até
pelo Direito Penal e Previdenciário.
Os princípios que veremos em seguida são os mais estudados e utilizados.

3.1 Princípio da Proteção Commented [KK1]: Numerei os subtítulos

Em verdade todos os princípios visam a parte mais fraca da relação, que é o


empregado, o trabalhador. Cabe o legislado saber qual será a melhor opção para
todos, empregado e empregador. A partir desse princípio, surgem outros três
princípios: o da aplicação da norma mais favorável ao trabalhador, o da condição
mais benéfica ao trabalhador e o “in dubio pro operário” ou “in dubio pro misero”, que
veremos no decorrer do artigo. (BRANCHIER/TESOLIN,2012, p.158)

3.2 Princípio da Norma Mais Favorável

De acordo com esse princípio, em caso de conflito de normas, na dúvida real


o benefício será para o emprego, o trabalhador. Como consequência desse princípio
tem também a superioridade hierárquica das normas mais benéficas ao trabalhador
em relação àquelas que lhes são mais prejudiciais. (BRANCHIER/TESOLIN, 2012,
p.158)
De acordo com a CLT:

Art. 620 CLT – As condições estabelecidas em Convenção, quando mais


favoráveis, prevalecerão sobre as estipuladas em Acordo (BRASIL, 01 de
maio de 1943).

O trabalhador corre o risco de não ter este subprincípio em casos onde não
tem a provas do ônus, teoria, sedimentada pelo Direito Processual do Trabalho.

3.3 Princípio da Condição Mais Benéfica

O que for benefício para o empregado tem que ter e permanecer no contrato,
pois é um direito adquirido. Esse princípio é semelhante ao da norma mais favorável,
com a diferença que o presente princípio é aplicado às cláusulas contratuais,
enquanto o anterior dirige-se às leis. (BRANCHIER/TESOLIN, 2012, p.159)

4
As normas de contrato que têm como objetivo a proteção do trabalhador,
devem ser entendidas como direito adquirido, ou seja, caso tais normas venham a
sofrer alterações em prejuízo ao trabalhador, uma vez revogadas ou alteradas, só
alcançarão os trabalhadores admitidos após a revogação ou alteração.
(ALCANTARA, 2014. p38)
Conforme a Súmula do TST:

“Súmula nº 51 do TST, incorporada no Art. 468”. CLT de 20, 22 e 25 de abril


de 2005.

“As cláusulas regulamentares, que revoguem ou alterem vantagens


deferidas anteriormente, só atingirão os trabalhadores admitidos após a
revogação ou alteração do regulamento.” (BRASIL, 14 de junho de 1973). Commented [KK2]: Não termine capítulo em citação

3.4 Princípio “In dubio pro operário” ou “In dubio pro misero”

O princípio do “in dubio pro operário” foi abarcado pelo princípio da norma
mais favorável e significa que, havendo dúvida, o aplicador da lei deverá aplicá-la da
maneira mais benéfica ao trabalhador. (Alcântara, 2014, p.36).
Segundo Delgado, citado por Alcântara (2014, p.36) pode ter algumas
controvérsias:
Havendo dúvida o juiz em face do conjunto probatório existente e das
presunções aplicáveis, ele deverá decidir em desfavor da parte que tenha o
ônus da prova naquele tópico duvidoso, e não segundo a diretriz genérica
deste princípio.

Deu a entender o empregado corre o risco de não ter esse subprincípio. Pois
se não tem prova não há como comprovar os fatos expostos no momento.

3.5 Princípio da Imperatividade das Normas Trabalhistas

As normas trabalhistas devem prevalecer nas relações de emprego, sendo


vedada, em regra, a declaração bilateral de vontade, por parte do empregado e
empregador, que tenha objetivo de afastar as partes das normas trabalhistas.
Previsto na CLT, pelos artigos 9º, 444º e 468º.

3.6 Princípio da Indisponibilidade dos Direitos Trabalhistas

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Também conhecido com o Princípio da Irrenunciabilidade dos direitos, o
mesmo prega a impossibilidade de o empregado querer abrir mão de seus direitos
trabalhistas. Essa impossibilidade protege o trabalhador contra possíveis pressões
que os empregadores possam vir a exercer, através de ameaças, como a rescisão
do contrato, por exemplo.
De acordo com a CLT:

Art. 468 - (CLT).” Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração


das respectivas condições por mútuo consentimento, e ainda assim desde
que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob
pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia.” (BRASIL, 01 de
maio de 1943)

Os tempos de crise muitos optam por deixar de lado certos direitos para não
perderam a vaga ou mesmo não perder o emprego e isso é fraude. Ficará nulo este
contrato, caso a justiça do trabalho tome ciência da situação.

3.7 Princípio da Inalterabilidade Contratual Lesiva

O presente princípio tem o objetivo de proteger os trabalhadores contra


alterações no contrato de trabalho, feitas pelo empregador, que possam suprimir ou
reduzir os direitos e vantagens do empregador. De acordo com Alcântara (2014,
p.24) este também é conhecido por Princípio da Irredutibilidade Salarial.
Hoje, verificamos que as cláusulas dos contratos de trabalho são cada vez
mais objeto de negociação entre empregadores e empregados. Tal fato é marcado
principalmente pelo fortalecimento das entidades representativas dos empregados.
Agora temos que ver que este princípio pode ser modificado ou alterado por
convenção coletiva e por acordos coletivos.
Segundo a CLT, conforme os artigos 444 e 468:

Art. 444 CLT- As relações contratuais de trabalho podem ser objeto de livre
estipulação das partes interessadas em tudo quanto não contravenha às
disposições de proteção ao trabalho, aos contratos coletivos que lhes sejam
aplicáveis e às decisões das autoridades competentes. (BRASIL, 01 de
maio de 1943)

Art. 468 CLT - Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração


das respectivas condições por mútuo consentimento, e ainda assim desde
que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob
pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia.
6
Parágrafo único - Não se considera alteração unilateral a determinação do
empregador para que o respectivo empregado reverta ao cargo efetivo,
anteriormente ocupado, deixando o exercício de função de confiança.
(BRASIL, 01 de maio de 1943)

O contrato de trabalho deve ser acordado em consentimento de ambas as


partes, pois se uma das partes não estiver de acordo com ele não poderá ser valido.
Não acontecerá o vínculo por um não concordar com o outro. Devem estão cientes e
em comum acordo.

3.8 Princípio da Intangibilidade Salarial

Como consequência do princípio da inalterabilidade contratual lesiva, o


presente princípio visa a proteger o salário do trabalhador, é intangível, não pode ser
tocado pelo empregador, pois o mesmo é protegido judicialmente. Outro fator que
justifica a existência desse princípio é a dependência que a maioria dos
trabalhadores tem do seu salário para sobreviver. Para muitos trabalhadores, o não
recebimento do salário, ou recebimento de um valor menor que o usual, causaria
grandes problemas, inclusive para sua sobrevivência em alguns casos. (Alcântara,
2014.p.26)
Conforme o artigo 7º da CF:

Art. 7º Constituição Federal de 1988 - São direitos dos trabalhadores


urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição
social:
VI - Irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo
coletivo;
X - Proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção
dolosa; (EDITIORA SARAIVA, 2016, págs. 13 e 14)

Importante ressaltar que a irredutibilidade do salário não é absoluta, podendo


ocorrer à redução apenas pela convenção coletiva ou acordo coletivo. Somente para
estes casos é que o salário poderá ser reduzido. Muitos operários aceitam este tipo
de prática e é ilegal para não perder a oportunidade de emprego ou mesmo porque
precisa se manter nele.

3.9 Princípio da Primazia da Realidade

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Neste caso não pode ocorrer o desvio de função, o que algumas empresas
ainda fazem. Alcântara (2014, p.32) relata que este princípio é parecido com o
princípio da irrenunciabilidade de direitos e acredita ser um reforço deste. Esse
princípio tem grande importância para o Direito do Trabalho, uma vez que é possível
a existência de contrato de trabalho tácito, ou seja, que só pode ser verificado com a
prática do trabalho, sem uma documentação formal. Porém como citado por
BRANCHIER/TESOLIN (2012, p.160), “No direito do trabalho, vale o que ocorre no
mundo real, e não no formal.” Um exemplo clássico: você ganha mais função ou
mesmo um cargo de chefia, porém não recebe um salário compatível com a tal
responsabilidade.

3.10 Princípio da Continuidade da Relação de Emprego

Esse princípio determina que, em regra, os contratos de trabalho são válidos


por tempo indeterminado. Contrato é indeterminado e conforme Alcântara
(2014.p.29) diz, o empregado que conseguiu um bom emprego em uma boa
empresa, com um ambiente tranquilo a maioria quer se aposentar nela.
Tal disposição é mais uma garantia que o trabalhador tem em relação a seu
emprego, e encontra amparo tanto constitucional quanto do TST.
De acordo com a CF e o TST:

Art. 7º Constituição Federal de 1988 - São direitos dos trabalhadores


urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição
social:
I - Relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa
causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização
compensatória, dentre outros direitos; (BRASIL, 05 de outubro de 1988)

Súmula nº 212 do TST - Ônus da Prova - Término do Contrato de Trabalho


- Princípio da Continuidade - O ônus de provar o término do contrato de
trabalho, quando negados a prestação de serviço e o despedimento, é do
empregador, pois o princípio da continuidade da relação de emprego
constitui presunção favorável ao empregado. (BRASIL, 19, 20 e 21 de
novembro de 2003)

No que diz respeito ao empregador deve dar um auxílio para o empregado,


pois se a continuidade do emprego foi extinta a parte mais fraca precisa pagar suas
contas até conseguir um novo emprego. O empregador, ainda mesmo que parece
estar em desvantagem, terá os outros funcionários cobrindo esta falta.

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4 ARTIGOS DA CARTA MAGMA

A Carta Magma ou a Grande Carta ou mesmo a Grande Carta das


Liberdades, que contribuiu para fazer a primeira constituição política do império do
Brasil, em 1824. Com ela criou condições de liberdade e direitos civis. Foi assinada
pelo britânico Rei João Sem Terra 3, de 1215, e a mesma o restringia de reger sem
devidas leis aos monarcas ingleses, inclusive ao próprio rei da época. O mesmo não
teria o poder absoluto. Em verdade ele respeitaria alguns direitos impostos pela ela.
A Carta Magna foi redigida toda em Latim.

4 Marta Magna de João Sem Terra

Existe uma cópia dela no TST em Brasília. A atual Carta Magna é a nossa
Constituição Federal de 1988. Um pouco antes da atual tínhamos o Regime Militar
que duraram 21 anos, de 1964 a 1985, onde foram deixados de lado vários diretos
humanos. Na verdade houve um genocídio sem precedente e desnecessário, fora os
exilados para outros países.
Os artigos 7º e 8º da Carta Magna, alusivos aos direitos fundamentais do
trabalhador, referem alguns princípios de relevo:

4.1 Princípio Da Não Discriminação

3 Rei da Inglaterra em 1199 a 1216. Conhecido pelo temperamento violento e cruel.


4http://magnacarta800th.com/wp-content/uploads/2014/09/Faversham-Magna-Carta-1300-jpeg-
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Proíbe diferenças de critério de admissão, de exercício de funções e salário
por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil (art. 7º, XXX), ou critério de admissão
e de salário em razão de deficiência física (art. 7º, XXXI) e, bem assim que se
distinga, na aplicação das normas gerais, entre os respectivos profissionais (art. 7º,
XXXII).

4.2 O Princípio Da Continuidade Da Relação De Emprego

Embora não seja, inflexível, posto que a Constituição de 1988, não consagrou
a estabilidade absoluta do trabalhador no emprego, emana, inquestionavelmente,
das normas sobre a indenização devida nas despedidas arbitrárias,
independentemente do levantamento do FGTS (art. 7º, I) e do aviso prévio para
denúncia do contrato de trabalho proporcional à antiguidade do empregado (art. 7º,
XXI).

4.3 O Princípio Da Unicidade Sindical

Entretanto, referida liberdade é relativa, pois os próprios incisos do art. 8º


impõem a unicidade de representação sindical por categoria profissional ou
econômica (II) e a tributação compulsória dos integrantes das correspondentes
categorias. Temos liberdade de associar a qualquer um sindicado de sair a qualquer
momento. Este princípio diz que deve ter apenas um sindicato como base territorial

5 OIT (ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO)

Sem deixar passar despercebido, os trabalhadores contam com mais um


avanço a seu favor: a OIT. Criada em 1919 como parte do Tratado de Versalhes
após o fim da Primeira Guerra Mundial, ela é voltada as questões trabalhistas. A OIT
teve e tem um grande papel na definição das leis do trabalho e na política
socioeconômica desde o séc. XX.
Conforme Nascimento (2011, p.136):

“Convenções internacionais são normas jurídicas emanadas da Conferência


Internacional da OIT, destinadas a constituir regras gerais e obrigatórias

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para os Estados deliberantes, que as incluem no seu ordenamento interno,
observadas as respectivas prescrições constitucionais”.

Em 1944 o Tratado de Versalhes foi substituído pela Declaração da Filadélfia


e assim reconhecido como uma organização, pelas Nações Unidas, que hoje
contam com 185 países. A ramificação do nosso país deu-se na década de 50 e
contamos com 96 convenções, delas 13 foram denunciadas e 2 não entraram em
vigor. Podemos ver todas elas com maiores detalhes pelo site:
http://www.oit.org.br/convention ou www.oitbrasil.org.br/convention, O primeiro
diretor da OIT no Brasil foi o Péricles Monteiro, que ficou a frente da organização
entre 1953 a 1980. Atualmente quem exerce esta função é a Laís W. Abramo, desde
2005. A estrutura da OIT é constituída por três órgãos: o conselho de administração,
a conferência internacional do trabalho e a repartição internacional do trabalho.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Vimos, mesmo que parcialmente devido à sua complexidade, os princípios e


observamos que são ideias padrões a serem adotadas pelo Direito do Trabalho,
tanto nas leis, quanto na atividade interpretativa e integradora. Em verdade é o
começo de uma longa jornada em nosso benefício, pois ainda muitas empresas não
seguem as leis por benefício próprio, devido à pouca fiscalização no país. É uma
demanda muito grande para poucos profissionais da área. As leis estão ai para ser
respeitadas e caso contrário é crime. Grande destaque para Getúlio Vargas que
para muitos ele é o pai dos trabalhadores, pois conquistou vários de nossos direitos,
que hoje multiplicou os direitos criados após a década dos de 30.
A maior parte da população não tem acesso às leis trabalhistas ficando à
mercê de seus empregadores. Desconhecem que o assédio moral, o assédio
sexual, maus tratos, jornadas de trabalho além do permitido, as ameaças, salários e
horas de trabalhos mascaradas (bate o ponto e continua trabalhando, o intervalo de
almoço não é cumprido corretamente gerando horas extras escondidas, muitas
funções pra um empregado só e poucas pra outros, tem um cargo porém exerce
outro, etc.). Isso precisa acabar.
O país carece de salário mínimo mais justo, que dê condições ao empregado
de ter uma boa qualidade de vida socioeconômica. Não tem como um pai de família
viajar no fim do ano com sua família com um salário tão pequeno. Não tem como um
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pai de família sair no fim de semana com sua esposa e ficar com a consciência
pesada de que está gastando um dinheiro que poderia ter dado ao filho um alimento
diferente no fim do dia.
Num contexto geral, estamos vivendo com altos índices de desemprego,
desequilíbrio socioeconômico e um crescimento da economia informal, porem o
Direito do Trabalho tem como fundamento principal a proteção do trabalhador. O
problema é que poucos trabalhadores sabem de seus direitos e que são protegidos
pela lei e muitos empregadores não divulgam as mesmas somente pelo benefício
próprio e não pelo desconhecimento delas.
Com estas novas mudanças e reformas, trabalhistas e previdenciárias, que o
país está vivenciando e esperamos que estas conquistas não sejam atropeladas
pela ganância de governantes sempre imaturos e cheios de pretensões descabidas.
Precisamos sim de uma reforma e pra já, mais sem prejudicar mais o trabalhador,
pois são deles que o governo arrecadam exorbitantes impostos.
Um país melhor se começa pela honestidade, pela justiça. E esta honestidade
começa em cada um de nós, pois não adianta culpar o mau político se o eleitor não
fez a sua parte. Não adianta apontar o dedo pra o péssimo governante se você
aceitou “um agrado” antes das eleições. Os seus direitos corrompidos já começarão
por ai, então sejamos mais honestados com nós mesmos para podermos ser com o
próximo.
E justiça para todos...

REFERÊNCIAS

ALCANTARA, Silvano Alves. Legislação Trabalhista e Rotinas Trabalhistas.


Curitiba: InterSaberes, 2014.

ALMEIDA, André Luiz Paes de. Direito do Trabalho – Material Processual e


Legislação Especial. 15. ed. São Paulo: Rideel, 2014.

BRANCHIER, Alex Sander. / TESOLIN, Juliana Daber Delfino. Direito e legislação


aplicada. Curitiba: nterSaberes, 2012.

12
EDITORA SARAIVA, com a colaboração de Luiz Roberto Curia, Lívia Céspedes e
Fabiana Dias Rocha. Código 4 em 1 Saraiva: CLT, CPC, Legislação
Previdenciária e Constituição Federal. 11. ed. Sâo Paulo: Saraiva: 2016.

FONSECA, Maria Hemília. Departamento Pessoal: Relações Trabalhistas e


Sindicais. RIO DE JANEIRO: Editora Ciência Moderna Ltda., 2009.

MELO, Celso Antônio Bandeira. de. Curso de direito Administrativo. 28ºed. SÃO
PAULO: Malheiros, 2010.

NASCIMENTO, Amauri Mascaro, Curso de Direito do Trabalho - história e teoria


geral do direito do trabalho: relações individuais e coletivas do trabalho. 26ª
ed. São Paulo- Editora Saraiva, 2011

MARTINS, Sergio Pinto Direito do trabalho. 10ª ed. São Paulo- Editora Atlas, 2000.

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