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Disciplina: Contribuições da Psicologia da Educação para o trabalho docente

Aluno: Laio Henrique de Oliveira


Professor: Rogério Baptista
As contribuições da psicologia ao cotidiano escolar
INTRODUÇÃO

A busca por conceitos e métodos advindos da área da psicologia sempre foi


galgada na tentativa de resolver os problemas que surgiam na esfera educacional.
Conforme Carvalho (2002), a relação entre ambas as áreas estreitou-se nas
primeiras décadas do século XX, em que era atribuída a psicologia “o papel de
disciplina coadjuvante na construção de um novo homem, especialmente por sua
contribuição aos aspectos metodológicos do ensino, ou seja, o como ensinar.”
(p.51).
Dentre vários resultados do entrelaçamento entre educação e psicologia, um
deles é o perfil de um novo profissional, o psicólogo escolar. O termo psicologia
escolar ainda é muitas vezes confundido com a psicologia educacional ou da
educação, devido à dicotomia que se estabelece entre teoria e prática, esta última
atribuída de forma equívoca ao psicólogo escolar. Para as autoras do texto
“psicologia escolar: cenários atuais”, Oliveira e Marinho-Araújo (2009), “a psicologia
escolar é entendida como um campo de atuação do psicólogo e, também, de
produção científica [...]”(p.651).
Atualmente, como explica Biasoli-Alves (1997), existe uma premência pelo
conselho de especialistas para a ação dos educadores. Isso decorre, conforme o
autor das, “grandes e profundas alterações sociais, cujos reflexos nos objetivos e
meios da socialização das gerações mais novas levam a duvidar da adequação de
práticas válidas ao longo de décadas.” (p.77).
O objetivo do texto que hora se apresenta é abordar as discussões sobre as
contribuições da psicologia para o trabalho docente. Mais especificamente, como os
trabalhos da psicologia escolar podem fornecer uma nova visão para o cotidiano da
escola.
DESENVOLVIMENTO

Martinez, no texto O que pode fazer o psicólogo na escola? (2010), explica


que as possibilidades de atuação do psicólogo nas escolas ainda é um tema que
deve ser debatido. Biasoli-Alves (1997) também questiona o serviço prestado pela
psicologia feito sem questionamentos, podendo acentuar o que se conhece como
“Psicologização do cotidiano escolar”.
As contribuições da psicologia no campo educacional, como mostra Martinez
(ibdem), não se reduzem ao trabalho em instituições escolares, visto que os
processos educativos não acontecem somente na escola. A escola é, na sociedade
atual, o lócus privilegiado da educação como prática social. Nesse sentido, a
psicologia escolar

utiliza os conhecimentos produzidos sobre o funcionamento


psicológico humano para colaborar com os processos de
aprendizagem e desenvolvimento que têm lugar no contexto escolar,
tendo em conta a complexa teia de elementos e dimensões que nos
caracterizam e que, de alguma forma, nos determinam. (MARTINEZ,
2010, p. 42).

Tal pensamento sobre a psicologia escolar nem sempre ocorreu dessa forma.
Durante muito tempo, como afirmam Martinez (2010) “a atuação do psicólogo esteve
essencialmente focalizada no diagnóstico, atendimento, orientação e intervenção em
relação aos problemas emocionais, de aprendizagem e de comportamento.” (p.42).
Biazoli-Alves (1997), vai além e explica que não é fazendo do psicólogo um
“orientador na correção de desacertos da educação, que se chegará a bom termo na
forma de lidar com a criança na Escola.” (p. 78-79). Para Biazoli-Alves, as
instituições devem procurar maneiras de prestar serviço à infância e à adolescência
primando pelo básico de sua socialização, de forma a compreender seu
desenvolvimento.
A partir do momento em que se concebe a escola como instituição, formada
por sujeitos que se constituem e simultaneamente são constituídos nesse contexto,
surgem aspectos relevantes quanto a subjetividades individuais e subjetividade
social. Tais aspectos, conforme Martinez (2010), ajudam a “compreendermos os
processos relacionais que ocorrem na escola e que participam dos modos pelos
quais os profissionais e os alunos sentem, pensam e atuam nesse espaço.” (p.47).
Ainda segundo o autor deve-se

Enxergar a escola não apenas como um lugar onde uns ensinam e outros
aprendem, mas também como um espaço social sui generis no qual as
pessoas convivem e atuam, implica reconhecer a importância da sua
dimensão psicossocial, assim como o papel do trabalho do psicólogo escolar
nessa importante dimensão. (MARTINEZ, 2010, p.48).

Assim, uma das formas de atuação do psicólogo escolar envolve a


participação na construção e na avaliação da proposta pedagógica da escola. Dessa
forma, o trabalho desse profissional pode contribuir para o trabalho coletivo, a
reflexão conjunta, os processos de comunicação e resolução de conflitos. Martinez
(2010) explica que, como toda instituição, existe a necessidade de trabalho em
equipe e com isso o trabalho do psicólogo escolar pode ser muito útil na utilização
de estratégias e técnicas para o desenvolvimento de equipes de trabalho.
Além do trabalho com as equipes de direção e com professores, Martinez
comenta que atualmente muitas escolas tem oferecido disciplinas em forma de
projetos, que podem ser coordenadas por psicólogos na condição de “professor”.
Isso possibilita conhecer o aluno e compreender seus processos e condições de
aprendizagem e desenvolvimento, visando delimitar ações educativas.
As formas de atuação acima citadas, como compreender os processos de
aprendizagem e desenvolvimento, não são exclusivas do psicólogo escolar. Isso
demonstra o caráter de complementaridade desse profissional na escola. Por outro
lado, a orientação e intervenção institucional colocam-no como o centro do trabalho.
Assim, a especificidade do trabalho do psicólogo na escola está fundamentada na
formação que lhe permite “um olhar específico e diferenciado sobre os processos
subjetivos, sociais e individuais que se expressão no contexto escolar.” (MARTINEZ,
2010, p.54).
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Deve-se considerar inicialmente, conforme Oliveira e Marinho-Araújo, que o


professor é considerado o principal agente do processo educacional. Em virtude
desse importante papel, cabe ao psicólogo escolar responsabilizar-se pela
promoção da saúde mental dos docentes. As autoras comentam que todo trabalho
envolve uma relação afetiva e no caso dos professores é um elemento obrigatório.
Porém, quando o vínculo afetivo não se concretiza de forma satisfatória, instala-se
uma contradição junto ao trabalhador. Em decorrência disso, iniciam-se os conflitos
de sentimentos na vida profissional.
O trabalho de Mariano e Muniz (2006) Trabalho docente e saúde: o caso dos
professores da segunda fase do ensino fundamental demonstra que a dinâmica
escolar tem afetado diretamente a execução da atividade docente, resultando num
movimento de tensões. Dentre essas dificuldades e tensões, as autoras chamam a
atenção para a sobrecarga de trabalho, ausência de material e recursos didáticos,
indisciplina dos alunos e desvalorização o magistério. Nesse sentido, o trabalho do
psicólogo escolar poderia auxiliar o professor a enfrentar e negociar os conflitos
vividos.
Outra questão que deve ser pontuada é que o trabalho do psicólogo escolar
deve ter como meta o desenvolvimento da criança e a realização de cada etapa de
sua vida, assim como de suas potencialidades. Do contrário, somente se estará
favorecendo o aumento de crianças encaminhadas para atendimento psicológico,
quando na verdade apresentam comportamentos situacionais e característicos de
determinadas fases do desenvolvimento.
CONTRIBUIÇÕES DA DISCIPLINA

O início da disciplina sobre as contribuições da psicologia ao trabalho docente


foi permeado por duas questões. A primeira era qual a função do trabalho na
sociedade? E a segunda Em que consistia o trabalho docente? Durante as
discussões pode perceber que entendia trabalho como sinônimo de emprego, e
após as discussões consegui perceber com mais clareza a distinção entre esses
dois conceitos. Também discutimos que o trabalho docente não se restringe a
professores, orientadores, supervisores. Segundo a definição usada pelo professor,
o trabalho docente envolve toda prática que visa a transformação dos sujeitos, ou
seja, não é um processo restrito à sala de aula.
Por meio da definição de trabalho docente, que vai além da sala de aula, foi
proposto um trabalho que envolvesse a comunidade, buscando identificar essas
outras formas de trabalho. Pudemos perceber nos vídeos que os entrevistados
consideram trabalho docente como o trabalho do professor. Ainda que em suas falas
eles dissessem que tinham uma profissão porque foram ensinados por alguém e que
já ensinaram essa profissão a outros, os sujeitos entrevistados não consideravam
isso como uma forma de trabalho docente.
Discutimos durante os seminários sobre as relações de trabalho docente,
muitas vezes marcadas pela sobrecarga de serviço. Tratamos da formação desses
profissionais, que muitas vezes não são preparados pela universidade. Foi abordada
a questão da mercantilização, que atualmente tem afetado os docentes de
universidades, como pôde ser percebido no vídeo sobre trabalho docente com os
depoimentos de professores da UNESP.
A disciplina contribuiu em minha formação a partir do momento em que
propiciou a reflexão e a discussão sobre temas que fazem parte da minha vivência
como professor. Pude mudar de opinião quanto a questões que achava que eram de
outro modo, assim como pude também reafirmar alguns posicionamentos. Por fim, e
de fundamental importância foi o contato com todas as pessoas do curso, com as
quais aprendi muito, com suas vivências e experiências.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BIAZOLI-ALVES, Z. M. M. Contribuições da psicologia ao cotidiano da escola:


necessárias e adequadas?. Paidéia FFCLRP-USP, Rib. Preto, fev/agp. 1997.

CARVALHO, D. C. A psicologia frente a educação e o trabalho docente.


Psicologia em estudo, Maringá. v.7, n.1, p. 51-60, jan./jun. 2002.

MARIANO, M. S. S., MUNIZ, H. P. Trabalho docente e saúde: o caso dos


professores da segunda fase do ensino fundamental. Estudos e pesquisa em
psicologia, UERJ, Rio de Janeiro, ano 6, n.1, jan./jun. 2006.

MARTINEZ, A. M. O que pode fazer o psicólogo na escola?. Em Aberto, Brasília,


v.23, n.83, p. 39-56, mar. 2010.

OLIVEIRA, C. B. E. , MARINHO-ARAÚJO, C. M. Psicologia escolar: cenários


atuais. Estudos e pesquisa em psicologia, UERJ, Rio de Janeiro, ano 9, n.3, jul./dez.
2009.