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Arte e Política

A aproximação entre Arte e Política é um tema recorrente na filosofia. No mais


das vezes, a Arte é apresentada como aquele campo de possiblidades que força
os limites do real e dá novo, ou autêntico, sentido à existência. Arte e experiência
estética revelam assim uma dimensão do humano que, se afirmando como
liberdade, vêm opor-se à necessidade e determinações de um mundo hostil.
Partindo desse quadro mais geral, o objetivo da disciplina está em
aproximar juízo político e juízo estético. Tal aproximação foi feita de modo
explicito pela primeira vez por Hannah Arendt, em seu livro sobre Kant. Ela,
contudo, foca a sua análise no problema da comunicabilidade do juízo de gosto,
ou juízo estético. A aproximação que se fará aqui será mais ampla e mais radical.
Mais ampla porque não se limita ao problema da comunicabilidade entre sujeitos
distintos, mas coloca no centro da política a formação de uma subjetividade.
Assim, coloca-se sob forte crítica o racionalismo político, uma vez que se põe em
questão uma realidade objetiva ao qual o juízo deve corresponder.
Esse ponto abre nossa discussão para a dimensão representativa da
política. Assim como a arte, política é representação, e também como na arte, a
representação que não se dirige a um referente externo ao próprio jogo do
representar. Um jogo, porém, como travamento é contingente e está em
constante disputa. Daí que a política seja conflito e conflito quanto a limites. O
que distingue uma obra de arte de um mero objeto? O que distingue uma ação
desestabilizadora da oposição de um golpe de estado? O que é democracia? Quais
os contornos do conceito de democracia?
Ao perguntar pelo contorno do conceito, por fim, se pretende evidenciar
que conceitos políticos, os conceitos por meio dos quais pensamos a política, são
conceitos em disputa, o que acaba por apontar para uma relação muito particular
entre teoria e prática, de modo que os limites da política se dão a partir dos
limites do pensar, mas um pensar que passa pelo movimento da imaginação, de
modo a aproximar, mas sempre de modo tenso e precário, provisório, universal e
singular.

Programação:

A dimensão Estética como dimensão política:


18. 04 Marcuse, H. The Aesthetical Dimension, Boston, Beacon Press, 1977. (Bruno
Araújo)

25. 04 Defesa (não haverá aula)

02.05 Schiller, F. A educação estética do homem, Trad. Marcio Suzuki. São Paulo,
Iluminuras, 1989. (Cartas I a VI) – (Maria de Lourdes)

09.05 Heidegger, M. “A origem da obra de arte”, in ___________, Caminhos da Floresta,


Lisboa, Calouste Gulbenkian, 2014 (Bruna e Lúcia)

Arte e Política: O juízo como comunicação, como algo comum, como algo
compartilhado
16.05 Arendt, H. Lições sobre a filosofia política de Kant. Trad. André Duarte. Rio
de Janeiro, Relume Dumará, 1993. (Reinaldo)

23.05 Kant, I. Crítica da faculdade do julgar. Trad. Fernando Mattos, Petrópolis,


Vozes, 2016. (Luciene)

Arte e Política: Representação. Recolocando o problema

30.05 Gombrich. E. H. Meditações sobre um cavalinho de pau. Trad. Geraldo de


Gerson de Souza. São Paulo, Edusp, 1999. (Gilson)

06.06 Ankersmit. F. R. Aesthetic Politics – political philosophy beyond Fact and


Value. Stanford, Stanford University Press, 1996. Tatiana

Juízo, Imaginação, Ideia

13.06 Kant, I Crítica da Faculdade do Julgar, Petrópolis, Vozes, 2016 (Marcos


Gabriel)

20.06 Sarte, O Imaginário.

Unidade, Pluralidade – Acordo, Conflito.

27.06 Rancière, J. Lá Mésentente – politique et philosophie, Paris, Galilée, 1995


(Germano) Há tradução

04.07 Mouffe, C. On the political, London, Verso. (Celeste) Há tradução

Desacordo ou Conflito?

11. 07. Rousseau, J-J. Carta a D’Alembert – sobre os espetáculos. (Vanessa)

18. 07 Dunn, J. The cunning of unreason – making sense of politics, Londres,


HarperCollins, 2001 Alexsandro