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RESISTÊNCIA DE ATERRAMENTO

1 – FUNDAMENTOS

Aterrar um equipamento elétrico, ou um componente de determinado sistema elétrico, consiste em ligá-lo


eletricamente à terra por meio de dispositivos apropriados.

As finalidades de um sistema de aterramento são:

a) Proporcionar uma baixa resistência de aterramento;

b) Manter valores de tensão carcaça-terra e estrutura-terra dentro do nível de segurança para as pessoas,
no caso de as partes metálicas da carcaça (ou estrutura) serem acidentalmente energizadas;

c) Proporcionar um caminho de escoamento para terra das descargas atmosféricas ou sobretensões


devidas a manobras de equipamentos;

d) Permitir que os equipamentos de proteção isolem rapidamente as falhas à terra;

e) Diminuir os valores de tensão fase-terra do sistema, fixando a tensão de isolação a valores


determinados;

f) Proporcionar o escoamento para a terra da eletricidade estática gerada por equipamentos ou por
indução, evitando faiscamento.

Na prática os sistemas de aterramento são classificados em dois tipos:

a) Aterramento de segurança; e
b) Aterramento de serviço (ou aterramento funcional).

Os aterramentos de segurança objetivam evitar acidentes com as pessoas, no caso de as partes aterradas
serem energizadas acidentalmente. É o caso do aterramento da carcaça dos motores elétricos, do
aterramento das partes metálicas não-energizadas das instalações elétricas, etc.

Os aterramentos de serviço têm por objetivo a melhoria dos serviços elétricos. É o caso do aterramento do
ponto neutro dos transformadores trifásicos ligados em estrela, do aterramento do fio neutro das redes de
distribuição de energia elétrica, etc.

2 – ELETRODO DE ATERRAMENTO

Para se efetivar o necessário aterramento elétrico, toda edificação deve dispor de uma infra-estrutura de
aterramento, denominada “eletrodo de aterramento”, sendo admitidas as seguintes opções:

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a) Preferencialmente, uso das próprias ferragens das fundações da edificação.
Neste caso, as ferragens são consideradas eletrodos naturais de aterramento.

b) Uso de fitas, barras ou cabos metálicos, especialmente previstos, imersos no concreto das fundações.
Neste caso, a fita, barra ou cabo deve ser envolvido por uma camada de concreto de no mínimo 5 cm
de espessura, a uma profundidade de no mínimo 0,5 m, formando um anel em todo o perímetro da
edificação.

c) Uso de malhas metálicas enterradas, no nível das fundações, cobrindo a área da edificação e
complementadas, quando necessário, por hastes verticais e/ou cabos dispostos radialmente (“pés-de-
galinha”).

d) No mínimo, uso de anel metálico enterrado, circundando o perímetro da edificação e complementado,


quando necessário, por hastes verticais e/ou cabos dispostos radialmente (“pés-de-galinha”).

Basicamente, um aterramento é constituído pelos elementos mostrados na Figura 1.

Figura 1 – Elementos de um aterramento.

O eletrodo de aterramento, portanto, é o conjunto de hastes de aterramento e os condutores enterrados que


interligam essas hastes.

Os materiais dos eletrodos de aterramento e as dimensões desses materiais devem ser selecionados de
modo a resistir à corrosão e apresentar resistência mecânica adequada. Sob o ponto de vista desses
requisitos, a Tabela 1 indica alguns desses materiais, juntamente com suas dimensões mínimas
estabelecidas em normas técnicas.

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Tabela 1 – Materiais comumente utilizados em eletrodos de aterramento.
Dimensões mínimas
Espessura
Espessura
Diâmetro Seção média do
Material Superfície Forma do material
(mm) (mm2) revestimento
(mm)
(µm)
Fita - 100 3 70
Haste de seção
Zincada a 15 - - 70
circular
quente ou
Cabo de seção
Aço inoxidável - 95 - 50
circular
Cantoneira - 120 3 70
Revestida de Haste de seção
15 - - 254
cobre circular
Fita - 50 2 -
Cabo de seção
- 50 - -
Cobre Nu circular
Cordoalha 1,8 cada veia 50 - -
Tubo 20 - 2 -

As hastes de aço são normalmente fornecidas nos comprimentos de 2,40 m e 3,0 m.

Não se admite o uso de canalizações metálicas de água nem de outras utilidades como eletrodo de
aterramento.

3 – RESISTÊNCIA DE ATERRAMENTO

A fim de desempenhar satisfatoriamente a sua finalidade, o eletrodo de aterramento deve apresentar baixa
resistência, possibilitando que uma corrente elétrica que a ele chegue possa facilmente se escoar para a
terra circunvizinha. Assim, a resistência de aterramento é a oposição oferecida à passagem da corrente
elétrica, do eletrodo de aterramento para a terra circunvizinha. Essa resistência tem três componentes
fundamentais:

a) A resistência elétrica do próprio eletrodo de aterramento;


b) A resistência de contato entre o eletrodo de aterramento e a terra que o envolve; e
c) A resistência da terra circunvizinha, a qual depende da natureza, da temperatura e do estado do solo.

Tanto mais eficiente será o aterramento quanto menor for sua resistência.

Em instalações de grande porte, centrais elétricas, subestações etc., é desejável que o sistema de
aterramento tenha resistência abaixo de 5Ω. Em redes de distribuição de energia elétrica é recomendável o
valor de 10Ω para resistência de aterramento, sendo aceitável o limite máximo de 25Ω.

A determinação do valor da resistência de aterramento é feita por medição. A primeira medição deve ser feita
logo após a execução do aterramento. Outras medições devem ser feitas periodicamente, para
acompanhamento do desempenho do aterramento ao longo do tempo.

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4 – MELHORIA DA RESISTÊNCIA DE ATERRAMENTO

Quando a medição indicar valor elevado da resistência de aterramento, pode-se modificar o aterramento
para reduzir esse valor. Para isso, adota-se um ou vários dos seguintes métodos:

a) Aprofundamento das hastes de aterramento – consiste em emendar as hastes de aterramento, à


medida que vão sendo cravadas. É bastante usual o emprego de haste do tipo copperweld, providas de
roscas nas extremidades e emendadas por luvas apropriadas;

b) Aumento da quantidade de hastes em paralelo – as hastes são cravadas no solo e interligadas por meio
de cabo de cobre nu, dispostos cerca de 50 a 60 cm abaixo do nível do solo. Esse conjunto está
mostrado na Figura 2, em planta e em corte. O afastamento entre duas hastes deve ser, no mínimo,
igual ao comprimento da haste.

Figura 2 – Aumento da quantidade de hastes.

c) Tratamento químico do solo: O tratamento químico do solo pode ser efetuado com bentonita ou
gel. Em ambos os casos, a aplicação deve seguir os procedimentos recomendados pelo
fabricante.

d) Método misto
Uma combinação dos métodos anteriores pode ser adotada para se obter a melhoria da resistência de
aterramento pretendida.

Observações:
 Embora o aumento do diâmetro da haste possa conduzir a uma redução da resistência de aterramento,
esse método normalmente não é empregado por ser considerado desvantajoso economicamente.
 Não devem ser utilizados sal (cloreto de sódio) e carvão no eletrodo de aterramento.

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5 – CURVA DE DISTRIBUIÇÃO DOS POTENCIAIS ENTRE DOIS ELETRODOS

Considera-se, na Figura 3, dois eletrodos de aterramento, X e B, separados entre si cerca de 20 m. A haste


C é um eletrodo auxiliar, que pode ser deslocado a partir de X ao longo da reta XB, de metro em metro. Em
cada ponto que a haste C é fincada à distância d de X, faz-se a correspondente leitura do voltímetro.

Figura 3 – Disposição dos eletrodos para obtenção da resistência de aterramento.

A variação dos potenciais entre dois eletrodos X e B é mostrada pela curva da Figura 4, obtida tomando-se
as distâncias d no eixo horizontal e as correspondentes leituras do voltímetro no eixo vertical. A reta D’F’,
paralela ao eixo horizontal, corresponde à região DF, de potencial constante. Nesta região, as leituras de V
não variam. A reta de D’F’ é chamada de patamar e se situa em torno do ponto médio entre os eletrodos X e
B.

Figura 4 – Comportamento da tensão em função da distância do eletrodo C em relação ao eletrodo X.

Para fazer passar a corrente I do eletrodo de aterramento X para a terra circunvizinha, foi necessário aplicar
a ddp (diferença de potencial) VXH. Conclui-se, pois, que a resistência de terra RX do aterramento X será:

VXH
RX 
I

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VGM VBM
Observe-se que: RB  . Portanto: R X  RB 
I I

Em um terreno homogêneo ter-se-ia VXH igual a VGM e, em consequência, a curva da Figura 4 seria simétrica
em relação à horizontal que contém D’F’. Na realidade, o solo é um elemento totalmente heterogêneo e sua
resistência varia conforme o material de que é composto, a profundidade de suas camadas e a idade de sua
formação geológica.

6 – MEDIÇÃO DA RESISTÊNCIA DE ATERAMENTO

A medida de resistência de aterramento, RX, fundamenta-se na curva de distribuição de potenciais entre dois
eletrodos de aterramento, conforme foi abordado no item anterior. Temos, basicamente, um ponto na terra
onde se “injeta” corrente (terra que se deseja medir) e um ponto do qual se “retira” a corrente injetada
(eletrodo auxiliar). A corrente injetada circulará pelas camadas da terra e provocará, na superfície da terra, o
aparecimento de tensões que são resultantes do produto da resistência de terra até o ponto de medição,
vezes a corrente injetada (lei de Ohm).

A medição da resistência de aterramento é realizada normalmente com um aparelho portátil denominado


terrômetro, que funciona à bateria.

A corrente injetada no solo para se efetuar a medição é uma corrente alternada, gerada internamente no
aparelho. O uso de corrente alternada evita a polarização, a corrosão dos eletrodos e o surgimento de
tensões residuais. Corrente contínua, quando aplicada a solos de características capacitivas (solos rochosos
com fendas, solos com cavernas etc.), carrega eletricamente o solo e a tensão residual resultante irá
interferir nas medidas subsequentes.

7 – RECOMENDAÇÕES IMPORTANTES

a) As medições devem ser efetuadas em dia no qual o solo se apresente seco, situação esta que é a mais
desfavorável para o aterramento.

b) As instalações devem estar sempre desenergizadas por ocasião da medição do seu aterramento, tanto
para evitar interferências nas medições como para segurança do operador. As interferências podem
provir eventuais correntes de fuga circulantes pelo solo. O risco para o operador pode ocorrer no
instante da medição, caso ocorra falha na instalação protegida pelo sistema de aterramento e uma
corrente intensa circule deste sistema para a terra circunvizinha. Uma parte desta corrente poderá
circular pelo condutor que interliga o medidor de terra ao aterramento, com perigo para o operador e /ou
instrumento.

c) Os eletrodos de medição deverão estar firmemente cravados no solo, proporcionando bom contato com
a terra.

d) Condutores, conectores e extremidades externas dos eletrodos devem estar em bom estado de
conservação e de limpeza. O uso de lixa de madeira é recomendado para retirar toda a sujeira, graxa e
/ou oxidação do s eletrodos.