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Introdução à Lógica Matemática

Margarida Dias (Dep. Matemática) 1


As expressões da linguagem matemática

Designação
Chama-se termo, ou designação, a uma expressão cujo papel é designar ou
nomear alguma coisa.

Exemplos:
4
2+9
Lisboa

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As expressões da linguagem matemática

Proposição
Chama-se proposição a uma expressão da qual faz sentido dizer que é
verdadeira ou que é falsa.

Exemplos:
4+2=6
2+9=8
Lisboa é uma cidade portuguesa.

Cada proposição tem um e um só valor lógico, entre dois possı́veis, V


(verdadeiro) ou F(falso).

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Lógica e operações-bit:

Os computadores representam informação por meio de bits. Um bit tem


dois valores possı́veis, 0 e 1. Um bit pode ser usado para representar os
valores de verdade F e V , 0 representa F e 1 representa V .
Há assim uma relação evidente entre a lógica o sistema de funcionamento
dos computadores.

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Princı́pios

Princı́pio da não contradição


Uma proposição não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo.

Princı́pio do terceiro excluı́do


Uma proposição é verdadeira ou falsa.

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Conectivos lógicos

Negação
A negação de uma proposição é uma nova proposição que é falsa se a
primeira é verdadeira e é verdadeira se a primeira for falsa.

Negação ¬p (não p)

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Conectivos lógicos

Conjunção
A conjunção de duas proposições é uma nova proposição que é verdadeira
se as duas primeiras o forem e que é falsa, quer no caso em que as duas
primeiras são falsas, quer no caso em que uma delas é verdadeira e a outra
é falsa.

Conjunção p∧q (p e q)

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Conectivos lógicos

Disjunção
A disjunção de duas proposições é uma nova proposição que é falsa no
caso em que as duas primeiras são ambas falsas e é verdadeira, quer no
caso em que uma das primeiras é verdadeira e a outra é falsa, quer no caso
em que as duas primeiras são ambas verdadeiras.

Disjunção p∨q (p ou q)

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Conectivos lógicos
Implicação
A implicação entre duas proposições, uma primeira o antecedente e uma
segunda o consequente, é uma nova proposição que é verdadeira nos casos
em
o antecedente e o consequente são ambos verdadeiros
o antecedente e o consequente são ambos verdadeiros
o antecedente é falso e o consequente é verdadeiro
e é falso no caso em que
o antecedente é verdadeiro e o consequente é falso

Implicação p→q (se p então q;


p é condição suficiente para que q;
q é condição necessária para que p)

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Conectivos lógicos

Equivalência (formal)
A equivalência(formal) entre duas proposições é uma nova proposição que
é verdadeira quer no caso em que as primeiras são ambas verdadeiras, quer
no caso em que são ambas falsas, e que é falsa no caso em que uma das
primeiras é falsa e a outra é verdadeira.

Equivalência p↔q (p equivalente a q)

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Conectivos lógicos

Disjunção exclusiva
A disjunção exclusiva de duas proposições é uma nova proposição que é
falsa quer no caso em que as primeiras são ambas verdadeiras, quer no
caso em que são ambas falsas, e que é verdadeira no caso em que uma das
primeiras é falsa e a outra é verdadeira.

Disjunção ˙
p ∨q (ou p ou q)
exclusiva

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Fórmulas bem formadas

As proposições são representadas por fórmulas chamadas fórmulas bem


formadas que são construı́das a partir de um alfabeto constituı́do por:
Sı́mbolos de verdade: V e F .
Variáveis proposicionais: letras do alfabeto p,q,r,...a
Conectivos (operadores)
Sı́mbolos de parênteses.

Fórmula bem formada (fbf)


V e F são fbf’s. Toda a variável proposicional é fbf.
Se A e B são fbf’s, as seguintes também são:
¬A, A ∧ B, A ∨ B, A → B, A ↔ B, (A).
Toda a fbf é formada por estas regras.

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Fórmulas bem formadas

Convenção
As operações lógicas são consideradas pela seguinte ordem de prioridade:

¬, ∧, ∨, →, ↔
Convenciona-se ainda que na presença de uma só das quatro últimas
operações, na ausência de parênteses as operações são realizadas da
esquerda para a direita.

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Interpretação de fbf’s

Uma fbf diz-se uma:


tautologia
se for verdadeira para todos os possı́veis valores lógicos.

contradição
se for falsa para todos os possı́veis valores lógicos

contingência
se não for nem tautologia nem contradição.

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Equivalência Lógica

fbf’s equivalentes
Duas fbf’s dizem-se (logicamente) equivalentes se tiverem o mesmo
significado.

A ≡ B, A ⇔ B(A ↔ B é uma tautologia.)

Algumas equivalências básicas


p ∨ ¬p ≡ V Lei do terceiro excluı́do
p ∧ ¬p ≡ F Lei da contradição
p∧V ≡p
p ∨ F ≡ p Leis da identidade
p∨V ≡V
p ∧ F ≡ F Leis do elemento dominante

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Equivalência Lógica

Outras equivalências
p ∨ p ≡ p; p ∧ p ≡ p Leis da idempotência
¬(¬p) ≡ p Lei da dupla negação
p ∨ q ≡ q ∨ p; p ∧ q ≡ q ∧ p Leis da comutatividade
(p ∨ q) ∨ r ≡ p ∨ (q ∨ r )
(p ∧ q) ∧ r ≡ p ∧ (q ∧ r ) Leis da associatividade
p ∨ (q ∧ r ) ≡ (p ∨ q) ∧ (p ∨ r )
p ∧ (q ∨ r ) ≡ (p ∧ q) ∨ (p ∧ r ) Leis da distributividade
¬(p ∧ q) ≡ ¬p ∨ ¬q
¬(p ∨ q) ≡ ¬p ∧ ¬q Leis de De Morgan
p → q ≡ ¬p ∨ q

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Raciocı́nio matemático

O raciocı́nio lógico,
ou raciocı́nio matemático é um conjunto de métodos que podemos utilizar
para assegurar a validade de certas afirmações, desde que acreditemos na
validade de outras que consideramos como conhecidas.

Argumento
Um argumento é constituı́do por um conjunto de proposições chamadas
premissas e por uma outra proposição chamada conclusão.

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Argumentos correctos

Argumento válido
Um argumento da forma ”De A1 , A2 , ... e An deduz-se B”

A1
A2
..
.
An
——
B

diz-se um argumento correcto se A1 ∧ A2 ∧ · · · ∧ An → B for uma


tautologia.

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Argumentos correctos

Neste caso escreve-se


A1 , A2 , · · · , An |= B

Para indicar que A |= B também se usa A ⇒ B, nomenclatura que faz


parte do dia a dia da escrita matemática.

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Regras de Inferência

Regras de inferência
Conjunto finito de ”regras de dedução”que permitem deduzir uma fbf
como consequência directa de um conjunto finito de fbf’s.

Uma regra de inferência aplica uma ou mais fbf’s, chamadas premissas,


hipóteses ou antecedentes, numa só fórmula, chamada conclusão ou
consequente.

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Algumas Regras de Inferência
A∧B
∴ A S (Lei da Simplificação)
A
∴ A∨B Ad (adição)
A, B
∴ A∧B Conj (conjunção ou combinação)
A→B, ¬A→B
∴ B Casos (lei dos casos)
A, A→B
∴ B MP (modus ponens)
A→B, ¬B
∴ ¬A MT (modus tollens)
A→B, B→C
∴ A→C SH (silogismo hipotético
A∨B, ¬A
∴ B SD (silogismo disjuntivo)

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Dedução

Uma dedução de uma certa conclusão - S - a partir de premissas


P1 , P2 , ..., Pn é feita passo a passo.

Consiste numa sucessão de afirmações que são premissas ou conclusões


intermédias, e que termina, ao fim de um número finito de passos, quando
se obtém a conclusão S.

Cada passo da dedução é correcto, em consequência da validade das


premissas e das conclusões intermédias anteriores.

Uma dedução de uma afirmação S a partir de premissas P1 , P2 , ..., Pn é


uma demonstração passo a passo que permite verificar que S tem de ser
verdadeira em todas as circunstâncias em que as premissas sejam
verdadeiras.

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Dedução

Uma dedução formal tem uma apresentação rı́gida.

Seja C uma conjunto de fbf’s e seja P uma fbf. Diz-se que P é dedutı́vel a
partir de C e escreve-se
C `P
se existir uma sequência finita de fbf’s P1 , P2 , ..., Pn tais que
Pn = P
Pi , para cada i ∈ {1, 2, ..., n} é um axioma ou uma consequência dos
Pi ’s anteriores através da aplicação das regras de inferência.

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Expressões proposicionais

Expressão proposicional
Uma expressão proposicional, ou condição, é uma expressão com variáveis
que se transforma numa proposição quando se substituem essas variáveis
por termos convenientes.

Condição universal
Uma condição universal é uma expressão proposicional que se transforma
numa proposição verdadeira, qualquer que seja o modo como substituı́mos
as suas variáveis por termos.

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Quantificadores

Quantificador universal
O quantificador universal é um instrumento lógico que transforma uma
expressão proposicional com uma variável numa proposição, a qual é
verdadeira se a expressão proposicional for universal e é falsa se a
expressão proposicional não for universal, ou seja, se houver pelo menos
uma substituição que conduza a uma proposição falsa.

∀xB(x)
( para todos; para todo o x; todo o x; para qualquer x; etc.)

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Quantificadores

Quantificador Existencial
O quantificador existencial é um instrumento lógico que transforma uma
expressão proposicional com uma variável numa proposição, que é
verdadeira se houver pelo menos uma substituição da variável que conduza
a uma proposição verdadeira e que é falsa caso contrário, isto ´+e, se
qualquer substituição conduzir a uma proposição falsa.

∃xB(x)
(existe um x; existe algum x; existe pelo menos um x; para algum x; etc.)

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Quantificadores

Algumas equivalências básicas:


¬(∀A(x)) ≡ ∃x(¬A(x))

¬(∃xA(x)) ≡ ∀x(¬A(x))

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Regras de Inferência para Quantificadores

Especificação do universal:
se ∀xF (x) é verdade, então F (a) é verdade para qualquer a.

Generalização do universal:
se F (a) é verdade para qualquer a, então ∀xF (x) é verdade.

Especificação do existencial:
se ∃xF (x) é verdade, então existe um elemento a tal que F (a) é
verdade.

Generalização do existencial:
se existe pelo menos um elemento a tal que F (a) é verdade, então
∃xF (x) é verdade.

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