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núcleo de
l
recursos
didáticos centro editorial e didático

:
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a carlos costa
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O PROBLEMA
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DA SOCIOLOGIA
/^.
À
o coMo clENclA
universidade federal da bahia
I 1973
)
-1

o
Ur LO
O PROBLEMA DA SOCIOLOGIA
u€4,*
COMO CIÊNCIA
E OUTROS ESTUDOS

2. edição revista, atualizada


e aumentada
)
CARLOS COSTA
departamento II - sociologia
(faculdade de filosofia e í:
ciências hunanas)' t
ürr-.

NÚcLEo DE RECURSOS DIDÁTTCOS I


CENTRO EDITORTAL E DIDÁT]CO
UNIVERSTDADE FEDERÂL DA BAHIA

Salvador Bahia 1973

4 tri
;l
rICEA CÀTALOGRÁTICA

Cost a, Carlog
0 probleoa da sociologia couo ciôacia.
2, ed, rev., atualiz. e euú. Salvâdor,
Universidsde Pederal da Bahia, 19 13.
- 69 p.
1).
(Núcleo dê recuraoB didãtÍcoe,

1. Socio logi a. I.r.

CDU 30r
CDD 301

(Prep arada por Thereza M?


de Sá Carvalho )
ÍND r cE

l. A socI0L0GIÂ, cIÊNCIA DE CRISE


2, O TBMA EPISTE!4OLOGICO EM SOCIOLOGIÂ t3
3. O PROBLE}ÍA DÂ HISTORICIDADE 18
4, Á CAUSALIDADB SOC IAL 22
5. O PROBLEMÀ DA IDEOLOGIA .. 26

ANEXOS
NOçÃO DE 0BJETO SUAS ESPÉCIES E pROpRIEDÀDES 37
-
O PRINCÍPIO DA NEUTRALIDADE AXIOLÚGICA _ DISCUSSÃO DE U}T
TEUA 49
FILOSOFIA E SOCIOLOGIA DO CONEECII.IBNTO .. 57
1. À FÍlosofia Eoderna coEo teoria do conhecimento: e de6
cobe rta do eu 57
2. As duas diuensões do eur s. 1ógica e a existeucial .... 59
3, O conhecioeEto couo objeto de cooaideração sociológi-
ca: da polÍtica à cieucr.a ...,.. 60
4. O caráter exieteucial ds teoria sociol6gica do conheci
nent o 62
5, OB liroiteÊ entre Fílosofia e Sociologia Es considera
ção do conhecioento. 66
Prefácio to the 2nd Edition

dP64.
Cot
!)ú cotttteçõ et de f,onaa., a tt+ú*c*Aacffiz--
üa-IL-hi.a necd,i.ta eôae *#ar,,o enáaio, oniginalÂente publi
codo púo ?tto gta.aa de Tettot Oidlatícot, wn I j70. T end,o atin-
gldo, t4ffi+, ÁuaL fut {inalida.d.et de attet
ôol|,ojt tnabalho ô dc oulaL e tenínã.nío t en Cunut de Soc/;olo-
gb, e não tõ so ônbi.t o da Univettidade frdéte*, Lai ele, ago
,LL, de oulrlo ô trlêa eÁtudo L d,a. aetsa na.Ítieza e co,.
'u'ccdi.do
ô ererha.ite paopíti.to d.i.d.'atlco. A ,Lígo,L, o tzr.lo o,Liginc.L da
prlitei,Ld. cdiçAo 6oL coneebido Wna terl una. ex.tentão naíon , de
aodo a co bttii tl;Áa 60 t1.;na. de apttetcnÍaçã.0 do pno bluno. eplttemo-
Lígico d,a Sociologi.a. de acoad,o con noLEtL nanei^a de ven aquet
tão. Rcnunci.otoô, depois, a.o plano algo aabiclots s,ls tls5
to, telv ez inüil -
d,e teügil uú manual inttodutõttio, tan-
-
ttt c divettat tim tid,o at rr.rblicaçõel, de relho,L niveL., uLtL
rarenae acnelcidaô à biblio g,Laóir nacional no patlLlculdn, in-
cluôivc nuitot dor tltulo t que integnan erta eoleção da ll*.i- lrF 64
vaaffficM*t 0 texto do pninebto en6aío 6icou,
pon ítto, aL 6o,úa e extentão dc tua. pnineitta edLção, abondan
do ot tenat aalt polêaieoô de uÃa inÍtoduçõ.o ã. Socüologi-a e.
que nã.o co atul,an apo,iecei noô ll,anuaif nait vulganizadot da
díteiplina. 0t ú.t eltudot ou entaiot que aq,Lecar ago,La, eú
ancxo, ôã0, de alguna 6onte, ptto Lo ngan cnÍo a de an'a,Ltlet de
ponÍot iaplieíto t no pniÃeino o que Ee tô.n contÍi-tuido en na-
tôtia dz ,<éÉrt,Labatho d.Ld,'atieo con at tunnaa de SoeLologia
lv lT eo,Lio. Soeíolígical e I ntro rluçã.o ã Soeíol-o gi-0., en nív el
de gnaduação, e nat d,írcuttõet de t eainânio eon oà eátuda.ntet
2
do Cu,Lôo de LleaÍtta.d.o en Ciônciat Humd.no.Á da. F acuLdo.de de F ito
áo6ia. 0 p,Line.ino delea, to btte a. teo,Lid, dot objúot, cun,p,Le a
prlone|óa. que 6az'Lano a q+-*b-4a píz'egzcíe *do texto de 197 O,
ana.Lita.ndo a. conptle.e.nLão no,t cid.ncia."t huna-naô, depoit de ten-
ta.rL a. d.ído.tizagão do en6a.ío óenone.noLígico e que W.
Canlot Cottio ottgo.niza. d.Á Luo.6 Liçõet d.e ontol,ogi_0, aegio na.L,
de *Íya+ld'ireâtaítt (ecundido.de paza d.itcíplina.tt d. teo,Lid, da
ciêncía. 0 tegundo pnopõe a ditcuttão d,o ptto blcna. da. neuÍ.nat i
dade ettina.tivd do co nheein enÍo citnti[íco e conttitul, bati-
canente, un texÍ.o-gui-a pana tenlniatio. 0 ALilto d.ot Íta.balhot
-e un entaio o,Lig i,naln ente pubLicodo pela, RevLtta Bnaait-e,Ltta

^ d9 FiLotolia-Sã.0 Pa.ul.o, (S(l: 185, 1972-,no qual ã1-


P**r.", u ta co,tlactel.iza.çã.o di[enencídl entrLe a.t vírõet uclotô -
gica e 6i2ot6 [Lca da Lndagaçã.0 ubae o eonhecínenÍo, f,nuÍo
dat nottat ctpztiô.ncía.ô didAtíca.ô no entino d.e SoeioLogía. d.o
Cqnhecinento noL CurLá06 de Filoto[ia e de iõ.ncíat So cíl.ít en
C
ú iicbi*rr**,**.. Todot oô tno.bdlho^, o bvíanentz, dertínan-
Ee ao eôtlda.nte uLivcnái-tãtio, ao qua.2 tão d,ed.ieadot, 0 etpe-
ci-a,Litta ogenal noa ho nl"aaía con d áLd Lci-tutto., que nada Lhe
actlerceuta.nA, talvo a. gnatid,ão d,o auÍo tt c e 6ua er,culo, pelo
nÍl ú algo úe-tenÍatt d.at pnopotíçõet.
Sa8.vad,o n, naio d,e 1973.

ra

\.
 SOCIOLOGIA, GIEIICIA
DE CRISE

Nenhumesforço humano acontece ao acasoi ao contrà


nio, nesponde semPre a uma necessidade hist6rica. Quer se
tr:ate de tácnica, de arte ou de ciência, todà obra do espÍr:!
to encontra a condicioná-Ia uma cincunstância concÍ'eta que
se resume, podemos dizê-Io, nun desafio venificado ern certo
instante e situado em deterrninado lugar: ' Bem o sabem os fil
l6sofos de hoje, que, há algum ternPo ' aPontam o conceito de
hietor'iei.dade como o elemento essencial' constitutivo da vi
da humana.
A esta contingência não podenia escaPalr ulna ciên
cia como a Sociologia, dê receÍIte aparição, e hoje.constituÍ
da corro vendadeina e avassaladota moda inteLeotual*' 0 fenô
meno atual da sua extrema vulgarização não pasaaná desaperce
bido a quem perco'rlra o panorama das ocupações p:redominantes
da inteligência. O fato merêce sêlr Iêvado em conta e inter
pretado em suas causasr atê porque dele decorrem implicações

*o problena da noda íntelêotudl, da vigâucia ou douioagão


de uu ãstilo eepiritual ile sonporteneoto' cooatitui ur têD3
fêcundo dos eecritoree rooderloã. ortega y Gaseet; -FraocLeco
Àva1a e muitos outros tên feito delê inteligeDtíssiÍnss aoali
B"tt" o6s, pode-se consultar a rêcettê obrs ilo Prof '- Mg
"á". rl.io, a,.í" oa oígància intelectual. são Paulo, Grijal-
"tráao
bo, 1.96E.
7
te6r'icas e dificuldades temáticas de que deve o soci6logo to
mar cons ciência.
Houve tempo em que a Sociologia não existiu, e ou-
tros em que a reflexão do seu objeto quase atingiu o nÍve1
de abs tr.ação atualmente desenvolvido. Certamente algum faton,
extrateórico, terá ocasionado esta oscilação, e ele tem que
ser exaustivamente denunciado, a fim de seren surpreendidas
todas as conseqüências do fenômeno.
A necessidade de semelhante consider.ação não ptrÔ-
vém do desejo de se entregar ao estudioso de Sociologia um
tema lateral do seu ânbito de estudos. Sucede, ao contráz'io,
que 6 mesmo t:m tema da Sociologia a consider:ação dessa pecu-
liar aventura que às idéias acontece de estarem vincula-
das aos episódios concretos da vida e- de se apresentaÍ,em co-
mo funçães da vida. Precisamente uma especialização sociol6-
gica bem nova, a SocioLogía do Saber, do Conhecinento or das
Idâías, vem se destacando hoje como um departamento dos estu
dos sociais voltado para a investigação das relações entre
as obras do espÍrito e os fatores reais da vida em sociedaê.
Desta marLeira, desde que assim visto o estudo do saber
não considera a sua evolução como pnesidida por uma lógica-quei
manente, mas ligado às condições reais da existência te-
-, relí-
rÍamos urna Socíologia do eabey filosíf,ico, d.a atte, da
gião, da ciêneia e, nesta, una Sociología da cíância eoeíal
ou, numa palavra uma Socíología da SocioLogia.
-
Considerado so ci ologi camente , o problema da atuali
dade da Sociologia mostra-nos a sua razão de ser.
A Sociologia constitui, hoje, exercÍcio prionitá-
nio do homem de pensamento, devido à crise total em que se
encontra a vida social . Como eíâneia de c?íse, ocupação espi-
ritual das ápocas de intranqüilidade e de profundas altera-
ções institucionais como a nossa, ela tem sido intenpnetada
por soció1ogos como Hans Freyer, Enancisco Ayala e Guemeiro
Ramos, entre outros. As crises corrstituem o caldo de cultura
de que se alimenta o interesse sociol6gico. As razões disso
são mais que evidentes: nos instantes críticos da hist6ria,

t
\i.-
quando as tnadições e as crrênças se fragmentam e desor"gani-
zam o esquemasocial da coexistência, a sociedade, mais do
que nunca, se faz ptobl.ema, e a segut?ança institucional anea
ça naufÍ'agar. Entram err ocaso os valores em que antes as
crenças se apoiavam i o êsquema da don:inação vigente se vô a-
rneaçado, ouando não en prscesso de nápida substituição;novos
gnupos ou novas classes intentam o primado de suas ideolo-
gias sobne credos antigos já em estado de contestação; as Ii
deranças se renovam, e um sopro de dúvida e de perplexidade
pêrcorre o sistema das vigências até então preser:vador da
consciência coletiva. A meditação sociológica, neste ambien-
te, e agora quando se constituiu a idade da ciência, pôde
aparecêr: cono unê espécie de pnovidência tenapêutica. A so-
ciedade, ênferúa, exibe o 6eu ploblema, que a inteligência
recolhe, so ciolo gi camente intenpreta e talvez solucione.
-
Um inpenativo vital, porltanto, como se vê, jamais
un luxo gratuito do espínito, conduz ã vocação sociológica.
E, se esta emergência de um episódio de vida é condicionante,
por? outro lado, de qualquer atividade intelêctua1 , com dupli
cadas ::azões se verifica no âmbito das ciências humanas.
0s princípios do sáculo XIX, ocasião que se tem
corno a da constituição fo::maI da Sociologia como ciência,fo-
Í'érm un dessee instantes de cnise cujas caracterÍsticas se de
Iineanan acima.
Este foi o episódio de fundamentação social e
institucional do mundo bunguês, produzido a lm tempo pelo ca
lor de duas explosões nevolucionárias : a Industnial e a Fran
cesa. 06 r.e6tos da sociedade de estilo medieval , anistocnáti
ca e feudal, encontravan o seu instante de colapso. De um
Iado, os efeitos da Revolução Industrial promoviam a crise
conaistente na acetenação tecnológica que levêva à urbaniza-
gão, ao êxodo rural, ao aurento da rnobilidade entre as clas-
aes, ã deeigualdade das concentrações dencgnáficas, ã secula
nização e z'acionalização da vida; de outro' o triunfo da
clasae bu.rguesa, deede a Revolução de 1789, compunha a crise
na ôiroeneão polÍtica, coo a fragnentação da esttrutura auto-
crãtica do eatado r cou o libenaLieno constitucional e parla-
9
mênta:r, con a tranBfornação do quadro sociêI da doninação
Neste a.rnbiente, certos homens meditam os fatos do
aeu tenpo a partir das exigências histór.icas: Saint-Simonrno
apelar ã ciência para a reconstrução da sociedade num estilo
maia Lumano; Condorcet, no esforço po:: descobnir as leis da
periodizagão hietónica e, assin, r'acionalizar a visão do têm
po; Augusto Cornte, finalnente, sistematizando o quadnc ge:'aI
das ciências teSnicas êapazes de, como polítíea poeitioa, re
consttruin o equilÍbrio pe::dido da sociedade, com a restaura-
gão da conseiência coletiva.
Na obna de Conte, a Sociologia finalmente amadu:re-
ce para a colheita científica. Preocupado com a desondem a
gue fora levada a eociedade, cujo mecanismo naufnagava em
coneeqüência do que entendeu têlr sido o excessivo individua
lierno do ideal r:evolucionário , e1e se prognamou a reconsti-
tuição de un sistêna de crenças habilitado a substituir o i-
deal netigioso perdido após a Idade Mádia. Para o filósofo
do positivieno, a necessidade de um novo eorrsenaa parecia
indispensável à neonganização social. Semelhante consenso
ele pnocurou estruturaÍ' atnavás da visão eientífíca do rnun-
do, rinica que the panecia adequada ao eetado poeitioo em qlue
se vivia, ap6s os momentos teolígieo e netafíeico que teniam
sido oa instantes anteriores do pnocesso da histónia, no es-
quena célebre de eua l,ei doe ttôe eetailoe.
A confiança na ciência, a c"eflçd. no valor da ciên-
cia, é o que inpele Comte ã classificação das disciplinas ci
entíficas pêIo pr:ocesso da complexidade crescente e generali
dade decreecente dê cada urná delas, cuja ordem tanbám á mar-
cada pelo cnitário cnonol6gico do seu aparecinento: natenã.ti
aa, aettononía, fíeicà, quínica, bíología e fíeica social,,
eeta depois chamada de Socíología. Tais ciências, encadeadas
nuna orden de necíprrcca complenentaridade, por força da qual
a que 6e õegue eofltd com a anterior Dara a expLoração do seu
r€spectivo objeto, visaniam elaborar a nova consciência conu
nitária, o novo consenso positivo a cuja perda Comte atri-
buía a penplexidade dominante em seu meio social.

10
A Sociologia, assim nominalmente constituÍda ê con
sidenada a mais complexa e recênte das ciências, vinia cono
ar um projeto utilitário de salvação da sociedade frente à
desondem do individualismo dêsenfreado que o nestre do pos!
tivismo interpretava como o naior dos males da Revolugão
frances a.
0 pnojeto sociológico de Conte, cotrD se vê, está,
dessa forna, contarlinado por um pnop6sito que não é exclusiva
mente te6nico. Trata-sê da ciência dê um contr:a-nevolucioná-
nio, como seus imediatoE antecêssores De Maistnê e De BonáE;
uma ciência que deveria pnese)?va:r a otilen dentro do p?ogle!
ao, desde quê dividida êntre uma eetãtíca e :uur.a tlinâ.ni cd. so-
ciais, confonme delinitava seus âmbitos de ê6tudo.
Nesta visão eocíolígíaa das o:rigens da Sociologia.,
o quê se necolhe de fundamental é a descobenta dos motivos
extnateónicos que insuflam as atividades do pensanento. E
a fr:ndamentalidade de semelhante procedi.mento reside no tor
nan possíveI desnasca::ar as intenções meranente ideológicae
quê, ã naneira de pneconceitos, pcdem de forma:r a objetividg
*
de do trabalho cientÍfico .
Uma ciência que encontra nos episódios de crise a
oca8ião plopÍcia a se desenvolver, nais que qualquer outra
conre o nisco de se tonnar infiel a um trabalho neut:io de
verificação e anáIise dos fatos. A canga emocional das prg
fenências, a subjetividade das valonações e o ideal normati
vo de um imediato socorro ã r:ealidade êm crise tnouxenam ã
Sociologia do sácul,o XIX um elenco de cornpnomis sos que o
estudioso deve saber deslindar, a fim dê depuran a verdade
cientÍfica do que nela, nanginalmente, pode haveri de pura in
tenção polÍtica ou de mera cincunstância hist6r:ica. É eviden
te que esta se tonna uma das tarefas mais penosas do tnaba
Iho te6rico nas ciências hunanas. De taI naneir:a que certos
soci6logos renunciam 1evá-Ia a cabo, alguns deles, como Hans

*_ id,eoLogia e cíâncía, produtora de uma


A corre 1açao entre
e cie de erro muito freqüente naa cíêacias huuanas, 6era
spá
teua de que se ocupará a parte final de ste trab elho
1I
Fneyen, chegando mesmo ao êxtremo de assumir aqueles comp"o-
nissos ext::ate6ricos e os pnognamando cono motivações da
análise ciêntífica, É o que assegura quand.o afirrna que só
aquele que queti afgo socialnente enxelrga algo sociologica-
nentei onde esse que?er, t::aduzindo um inte:resse, uma inten-
ção pnãtica, roovimentanj.a o nr:mo da teor:ização. pênsando de6
ta naneira, Ereyen estrêita, perigosamente, o6 linites entre
ciência e poIítica, ou técnica científica, do que podená pro
vin a irnpurificação ideológica do seu plroglrãLma sociol6gico.
Sua colocação, implicando na ternática da nêutralidade como
postulado da ciência, fêrê de perto o pnoblema da ideologia,
de que nos ocuparenos adiante.'

Ver Freyer, Hans. La eocioíogía, ciencía de La tea|id.ad,.


Buenos Ai re s, Lo sada, L9 44
12
2 O TEI,IA EPISTE}.IOLÚGICO
E!4 SOCTOLOGIA

0 inÍcio de uma atividade cientÍfica qualque:: deve


ter a pnecedê-lo a fixação Ce cêt:'tos instrumentos concei
tuais báeicos, indispensáveis ao con:eto desenvolvinento da
ciência. fsto sucede atá po:?que a ciência sinplesmentê práa
eupõe trt.a série de dados, de cujo pnoblera não se ocupa e
dos quaie parte para a explonação do seu objeto.
Questões tais como a da possibilidade do conhêci
Dento, dos nétodos e pnincípios que o negem, das leis que
fornula, etc., constituen indagações que a ciàcia simplês
rnente necolhe corao certêzas fixadas a priotí, ante as ocupa
gõee nais ,nodestas a que se candidata.
Nesta orden de idéias á que se pode asseveran que
o Êaber: cientÍfico ê vm eabet con p?essupoatoei tais pressu
poetos não havenão de constituir problema pa:ra a ciência.
Um exemplo esclarecerá este ponto:

Irnaginemos que, iniciando um estudo de astrononia,


pretendaftos una infonnação prévia acerca do que ela seja. A1
gum infozmante nos poderia adiantar que á a eiância que estu
d,a oe aeütoe, e nos faria deparar, assim, com uma definição
da aEtlononia. Indagueno-nos, agona, se, informados do o_ue
seja a astronomia, temos c.ndições, por isso, de considerar
rc-noe asttiônomos . Tenía;,r('s que responder negat i vanente , por
ce:rto, pois a pn6pnia definição do que seja a ,ritronomia re
lll
nete- nos ao estudo dos astros, que folam apontados como seu
objeto; unicamente quando nosso objêto de estudo for esta
coisa que chanamos aet"oe e nos encontrar:mos tratando deles,
então, sim, estarenos sendo astnônomos.
A definição que propusernos para uma ciência, en
tão, vê-se que não á una queetão científica. At6 ponque, aÍ,
tondmoê a ciânaia cono nosao objeto, coisa de que não se in
cumbem quaisquen das eiências, que antes se ocupam de determi
nados entes, ::eais ou ideais, e nunca d.e ciâneia ,""^o .o
Dê mesma natuneza não cientÍfica e pelas mês
- -
rnas nazões, parti.cipaniam questões outras, tais a do nátodo
das ciênclas, dae Leia que por acaso formulem, da manei::a
como aa dioiden ou do sistema que compõem em suas nútuae
"q
Laçõee.
Se tais questões, prêssupostas pela ciência rg
pita-se fo::a dos seus limites, teremos
-
que
situam-se i
-, o canpo do saber êm que se encontr:am. Xste não é
dentificar
outno senão a filoeofía, ou, mais particularmente , o setor
da filosofia rotulado coÍÍr epíêtenología d,e epiebene (ci
ência) nais Logoe (esttdo, teonia), -
A episterologia será compneendida, então, como a
parte da filosofia encannegada de teo::izan os pressupostos
do conheciroento cientÍfico, as questões pnelirnina::es que são
def:rontadas previámente ã investigação do objeto d.e uma dada
.**
cr_encl_a.

Tomando a seu encango a solução de problenas bas-


tante nadicais que se refenem à ciência, a teo::ia epistemo
l6gica funciona no sentido de instnumentar" o investigadon da

Sobre êBte pooto e todo o aesunto d e que se ocupa o prg


sêDtê perãgrefo, ver !íscEado Nêto, À.L . Íntrodução à eocío
Logía ta6tica. Salvador, Liv. Progreaso , 1959. cap. 1.
UtilizaEos aqui, restritivaEeEtere de acordo com a t radi
ção hispânica e francesa, a ooção ile episteuoiogia eooo tso
ria do coohecineoto cÍeatífico, não a cocfundindo cou a gno
eíol.ogia, que cogita do couhecioento de u! uoito geral .
14
queles rêcursos l6gicos e metodol6gicos que emprestam rigor
e coerência ao trabalho cientÍfico.
Sucede, por outro 1ado, que a temática epistemoló
gica sê Doatra tanto mais indispensáveI e urgênte, quanto
nais se trate de uma ciência cuja base te6::ica não se encon
trê suf icientêroênte sedinentada, seja pela conplexidade do
objeto de que tl?ata, seja devido à falta de nratunidade histó
rica decorrente do Beu r.ecente aparêcimento no quadno do sa
ber. Precisanente isto é o que ocorre no caso da Sociologia:
conc a nads cotrp|eaa e út tina das ciências é que aparece, se
gundo vinos, na classificação de Conte. No mundo cultural do
eécu1o XIX, doninado pela suposição de que s6 a investigação
da natureza se poderia consunar ci enti fi camente , a Sociolo
gia ensaia seus pniureizog passos, esmagada, ainda, pelo pres
tÍgio de veteranoa e reepeitados sabenes, a exernplo da físi
ca e da biologia. Não pon acaso 6 que 6ua primeina designa
ção foi a de fíeíoa eooial,, neveladona de uma tutela natura
lista que não poucos prej uÍzos vinia acarretar ao avanço de
una autônona investigação da vida social. l)na fíeica eoaial,
vma bio-eool,ologia , vma geo -e oeioTo grla, uma eocionetpia mg
tematizante ou una p eíoo-eocíolo gia constituíran urna tnaje
tónia pon que teve que passar a jovem ciência da sociedade
até o anadunecinento epistenológico de sua autonomia de méto
doa e natur:.€za teóz.ica, processo que não se encontra ainda
perfeitaDênte consumado e que se iniciou corn o colapso do
conceito naturialista de ciência, iniciado nos fins do sécu
10, con Dilthey e Rickent, entne outros.
A queetão ile nâtodo, de postulados e de princioios
continua, assim, una área de fnanca atuação nos vestíbu
toe da Sociologia, o que teria .Levado Poincaré, não sem cel
to sarcasno, a canicaturá-Ia como a "ciância con mais méto
dos e nenos nesultados"*, Por certo que a po1êmica metodot6gi
ca e a disputa de escolas e doutrinas dominam extensaÍnente a
litêratura sociol6gica ãs vezes com exagerô at6 os nos
- -

*cia.do., Bottonore, T. 8.. fntro duç ão à soeiologia. P.ío


de Jaaeiro, Zalrat, L967. P. 46
15
sos dias.o fenôrneno, contudo, não é tão dêsaIêntador ' quando
se obse::va que a pnofunda revotução conceitual a que hoje em
dia se encontram sujeitas as ciências não tern poupado sequen
a mais p::estigiada de todas a física cujos pr:incí-
- -,
pios, até recentemente tidos pon intangÍveis r entran en faae
de ::evisão crítica total '
No caso da Sociologia, dae ciências sociaisr otlr
mais la:rgamente, nas ciências humanas como um todo r a PeriPle
xidade epistemol6gica' quelr dizen, a demona na neflexão de
supostos teóricos, decon:e de motivos muito especiais e Pro-
fundos. Eles se ::efenem ao que exiete mesrno de Peculiar nuna
gnosiologia do humano.
A pn6pnia cincunstância cr'ítica do apanecimento da
Socrologia, já o vinos, contribui pa::a ampliar o quadr€ de
sua complexidade te6nica. Confl.ontada com as ciências da na-
tureza e, ainda nais, com a fárnea exatidão dae matemáticas,
a Sociologia apanece lleÊitantê' per:dida nun mundo de hipóte-
ses e de especulações, privada daquêIes nétodos , como o exPe
rimental ,capazes de fornecer o grau de certeza nais deeejã-
vel , contaminada, aqui e ali, por tarefas mais polÍticae do
que científicas, 36 numa fase ultenion do seu deeenvolvimen-
to, quando a indução e a peequisa enpÍnica apôxiroaram nais
a Sociologia àos faboe mêsnoa q\e pnetendia estudarr e venci
do o excesso de abstnação teori zante peculian âe suae origens
ainda pnesas ã filosofia da história e ã filosofia Bocialt
pôde a Sociologia desvencilhar-se de muitos bloqueios te6ri-
cos que lhe entonpeciam o des ênvo Iv imento.
Isto não chega a significar, entÍ'etanto rque a epis
temologia sociol6gica seja um ternit6::io pacificado, con to-
das as dúvidas solucionadas ê os c::itérios de análise penfei
tamênte estabelecidos. A contnadiçáo das eecolae e oe rumos
diversos que os estudos neste campo ainda hoje nos desconti-
nam Drovam à saciedade que prosseguimos necessitando de ulua
rigorosa meditação de seus a priori conceituais.
Daí se verificar que a temática epistenológica
prossegue sendo uma quesf,ão aberta no terreno da Sociologia.
O fato 6 ilustrado pela demora com que bons livros e bons au
16
tores alargam a discussão dos tema6 desaa natu::eza, muito ao
contná::io do que sucede em outras ciências.
Talvez se tonne possíveI tentar uma sucinta esque-
mati zação das causas nucleanes de semelh.ante estado de coi-
sas em Sociologia, todas elas p:rovenientes da natureza mes-
ma do 6êu cbjet6 o homem ou a vida hunana em sociedade.
-
Estas causas, tomadas como prob lemas, obstáculos ou
dificuldades te6r.icas, poderiam sen neduzidas ãs tnês pnopo
sições seguintes:
a) o pnoblema da lristoricidade do hunano i
á) o problena dês leis ou da causalidade social;
o) o problema da ideologia.
Considena:remos cada un delês em separado, nos tnês
p::óximos par:ágÍ'afos deste traballro.

17
3.0 PROBLET.IA DA HISTORICIDADE

Não á necente a atitude de descrença eobr.e a possi


bilidade do conhecimento, quando se ten algo hist6rico por ob
jeto. Desde a Gnécia Antiga que a doutrina filos6fica a1i
representada pela Eacola Eleátíea de Pa::mênides procurou mos
tran a inconpatibi Ii dade entre o pensamento 16gico, abs-
trato, conceitual e, por isso, in;oel e -a realidade em
fluxo pernanente, no pe:rpétuo ileoenít da- hist6ria. A eoncep-
ção eleâtiea ila eer, que, para torná-Io inteligíve1 : procu
rou reduzi-Io ã unidade, etennidade e imobilidade, outro re-
cur:so não teve senão o de tomar pon ilusónio, enganoso equÍ
voêo dos sentidos, o espetáculo da divdnsidade e da mutabiti
dade do real. Sacnificava-se a histónia, assim, em nome da
razão, da verdade; o penaa? (im6ve1) e o set náo se distin-
guiniam; e, desde que não se podia pen6a" o aet! em mudança,
em lpvinento o que vale dizer, em hist6::ia o recurso
eleático, con- todo henoísmo filos6fico, foi rejeitar
-, tais a-
tnibutos do ser, por ilusónios.*
Muito embora, na pr6pria Grácia Antiga, um pensador
cono Her:áclito s us tentasse uma doutrina oposta a essa visão

*.t-
questão fílos6fica da identificação entre ser e pen-
aar, uui.to pr6pria de uE_ estilo g."gó d" pens aflento, e um
probleroa úetafísico que não cabe ser iratado- aqu i. ? ara uaí o
reB detalhes, ver GarcÍa Morênte, 14. Leccíones pz.eLínínaz'es
de f,íLoeofía. Buenos Aires, Losada, 1952.
18
imobilista da nealidade, com sua idéia Oo vin-a-ser, do de
vir corno essência de todo o univensoré só mais recentemente
que o conceito de historicidade anadurêcê par?a mais perfeita
colheita cientÍfica. 0 pnecurson desta rnaneina de pensar
foi, de certa fonrna, Santo Agostinho, con sua filosofia da
histó:ria. Mas é sobnetudo a pantin do século XVIII, com o
italiano ciaÍüatista Vico, depois, atnavés do pensamento de
Hegel, Manx, Comte, e, mais necentemente, com o historicisno
e a filosofia da existência e o pz'ópnio amadunecimento da Ió
gíca das ciências hrrnanas, que sê papte para uma correta e
sistemática conceituação da histor:icidade. A Sociologia rg
colhê êssa tor:rente de cogitações novas sobrê a noção do tem
po histór'ico e existencial. Muito enbora, cono oiãnala ile
1,eie, náo voltê sua atenção pana a singulanidade do históni.
co, não pode deixar de enfrentar o pr:oblena da história, pos
to que p:rópnio da índole do objeto de quê trata a socieda
de -
que se constitui como nealidade tenpo-espacial,
-,
Confonme escreve Ortega y Gasset, o homem não têm
natureza, e sim histónia. Fnênte a uma atitude quê acredita
possÍvel o conhecimento apênas na medida en que t:rate do
a-hist6rico ou neta-histórico, a Sociologia ter?ia de rrecuar
ante a p:retensão de se:: ciência. Nêsta maneira de ver, s6 as
ideatidades, as grandezas abstratas das natemáticas, ou as
coisas da natureza, devido ã sua regula:ridade e permanência,
podeniam mer?êcer o trato te6rico da ciência. 0s fenômenos da
convivência humana, sujeitos ao drama vaniável do tenpo, in
plicando pnojetos de vida coletiva divensamente condicionê
dos, fluiniam, caprichosos, às nalhas do sistema pnetendido
pela ciência. Sua pretensão de vendade, :rigorosa e univen-
sa1 , viria a fatir ante un objeto que se desloca no têmpo e
no espaço, tendo aqui um penfil, aeolá outno, panecendo não
se identificar em ponto algurn, rebelando-se contra toda gene
ralização ou previsibilidade caus a1 .
É necessário, contudo' aprofundar a análise da
questão, a fin de apontar os caminhos que a solucionam.
Dificultando, é certo, a possibilidade do cientÍti
co, a historicidade, todavia, não the fecha absolutamente as
19
chances de sucesso, na nedida en que pode haver uma especial
ciência do humano.
0 problema exibido pela hist6nia frente ã ciência
s6 implica::ia numa opção êxcludentê de uma ou outra, na pro-
por:ção em que não se levasse em conta a medida en que a his-
tória se pode conside::ar conro objeto de ciência. No caso par
ticular da Sociologia, a supenação do pneconceito anti-hist6
nico se fundania em duas razões êssenciais:
Pr:irneiz"o, porque a hietotiaidadp 6,, e].,a mesma, un
sisterna, w síetena uiúaZ* constituÍdo pela pnôpría Lôgi.ca
da vida; o tempo existencial se articula cono sistema, na mg
dida en que nele o passado não rno::re para dar su::gimento ao
presentei o passado sobnevive no presente como toda a estru-
tura do herdado e em virtude do milagne da mem6nia; neste
sentido, uma vida, atá o agora, é o nesultado da sua biogta-
fia, do r:eper"t6nio do que foi atá esse instante em que conti
nua sendo; e, ainultanêamente , o futuro o futuro existen-
cial , já se vê - como ptojeto,pre
neflui ã atualidade vital
sentificando-sê- nêIa como di::eção e sentido. Ao cont::ár'io do
tempo fÍsico ou cronológico, que se compõe de sucessões des-
conectadas, o tempo existencial á uma total,idaile euceeei.oa,
uma absoluta conexão de sentido espinitual um sisterna,
enfirnt*. Nesta or,dem de idéias, a nazão capaz ale pensan o hu
mano senã unicamente aquela a quem seja possÍvet conta? uma
hdetôv"ía a razão nattatiia ou a nazão vital.
-
Assim vista a histo::icidade, pode-se concl-uin pos-
s ÍveI url trato nacional de sua fisiouoraia; desde que não se

*
Sobre este poEto, ver Ortege y Gaaaet. "Hiat6ria como
eÍeteoa". In:-. 1brae aonpletae. lÍaitrid, Rêv, de Occiden
re, 1950. v. 6.
**
-.''UtilizanoB aqui, en râpida
aluaão, aa preciosas auãlises
do tê@po- existencial desenvolvidas por Roug6s, Albêrto. Lae
je-tarquíaa del eet g La etermidail. Tucuoãa, Univ. dê Tucu-
uãn, 1.943. p. 15 ss. A meane aaáliee 6 retomada e aoroÍunda-
da por Carlos Coseio, -oa coneideração do teupo jurÍâico, eou
forne La teotía egolõgiea deX derecho. Bueaos Aires, Abelã
do-PeÍrot, L964. p.317 es.
20
recorna, confornê 1enbna O::tega, a una razáo
fotaoteita,
Mas, em segundo lugar, 6 preciso
quê ê sociologia procura encarar o seu objeto
llue se observe
de maneila a
dispensan-se do enfoque historiográfico. pon isso rnesmo,
co_
Do sêrá visto adiante, e1a não se confunde com a ciência
da
Itist6z'ia. Dentno da variação hist6nica do social, a Sociolo_
gia procu.r.a as iilentidaitee, as semelhanças e as connelações
que the perDitam definin e compneenden os ,ipos êstnutuÍ,ais
e esquenáticos a teoolução, o capítaliamo, a faníLía, a
iloninagão -
deeligados das rnevoluçõesrr, dos ,,capitalismos rr
da6 -
rfáhí1ia6[ ou das ndorninaçõesr que, difenente e histoni_
,

ca.Eente, hajam exietido aqui ou aIi, agora ou no passado.


Neste sentido, a Sociologia fornalmente atenpo::aIi
za o seu objeto e se desocupa do hist6nico; é ciência nonotâ
tica., para utilizan a expressão de !,lindelband: eatabelecl
Leia, e náo narta d,contecinentoa; e pode, inclusive, po:r isso
heano, estabelecer as leis genais da mudança social, sem que
ainda assin vá identificar-se com a Hist6nia. Estarao contná
r:io do canãten genetalizador da Sociologia, á ciência do in_
ilíolilual, do singular e inrepetÍvel ,idíognãf,ica, para vol_
tan a Windelband.'

t
findelbend, ttilheln. ,,Eiato"ia y ciencia Ce l,a naturaLe
za" . PteZud,ioe f,iloaõficos.- BueÍ.os air.", S. RueI
-Il:
da, 1949.-. p. 3ll as.

2t
4. A CAUSALIDADE SOCIAL

Relacionada ã questão das flutuações hist6nicas,


mas dizendo r"espeito a um Pnoblema ôe especial tecnicismo, a
discussão quanto às Leíe descottína outro elenco de dificul
dades epistemol6gicas nas ciências humanas ' A possibiJ-ida-
d,e de leía constitui' a1iás, ao tado da pnopniedade de obig
úo e especificidade de nábodo, os temas centnais da ocupação
episteno16gica.
Una tei cientÍfica significal neste Ponto, o enun
ciado de w juízo de aar fundado no ptíneípio ile muaalídade -
A lei pnopõe a unive::salidade de ulna convicção
cientÍfica, no suposto de que' em iguais circunstânciaa, as
mesmas caza4o p:roduzinão o§ mesmos afeítoe, Sená, assim, no
conceito céLebre de l'Íontesquieu, "a nelação constante e inva
niável denivada da natureza das coisas"' Diversamente da
significação nonmati»a, jurídica ou monal ' na qual é um pnin
cÍpio de imputação 1 ün,a ?eg?a Para a conduta' pois J-he Preg
creve trrll deoen een, a lei cientÍfica pnetende traduzinr cog
ceitualrnente, uma estrutura-do nealr de maneir:a a the desven
dan um pÍDcedimento causal. '

*Ap.oa" cebe refêrir' Íreata oota, a diecussão que se trg


ve, na filosofia noderna, sobre a validade oatolõgica do prio
cípio ile causalidadei isto ã' díscuce-se se ele ã apenas uE
"coat.une ueatalrr ou oesrDo uu procediuento da nâturêze. De rês
to, estê já era un problena filoe6fico desde o cetieisoo dã
22
Desde que r:ma ciência pretênda eer eaplLoatíoa, ê
não apenas empir.icamente deacnttioa, como a geografia ou a
alatomia, a estrutura causal denonstna a sua indispenealili_
dadê. Por outro lado, á eur vintude das leis que a ciência
ap:risiona, conceitualurente , o real e se sentê, po:r isso, ca_
paz de efêtuat aB p?êltioãea que a torÍta.n um valioso instru_
mento de doninação, para repetir Max Sctrelen.
Ona, não é difÍci1 concluir, dada a natureza tDesma
do conceito de lei, que, nas ciências do homem, a sua fre-
qüência não pode ser nuito tr:anqüila, As leis enuncian uma
causalidade r"egular e invaniávet, uma uni forrnidade fenornêni-
ca da realidade; um exemplo singelo: a conbinação H2 + O, co
mo cauea, jamais pnoduziná senão água, como ef,eltoi aí temos
uma vendade científica, r:ma relação aonst@rtê e dnoatíáoel,,
que a todo nomento os expenimentos confinnarn.
É evidente que, se saÍnos do mrmdo físico par:a o
social, defrontaxoos urn ::eino de objetos cujo p:roceden não
dispõe da mesma Í€guLanidade da natureza.
Isto deconr€ de uma sér:ie de fatorea que peculiari
zan a vida humana, todos eles nedutÍveis, sen dúvida, à no-
ção de anbítnio ou libendade. A vida huana, aalvo no que
tem de biológico o que a torna, então, u.n elenento da natg
r:eza -
a vida hunana cono espÍnito criado! da cultuna e da
-,
sociedade, não constitui urna entidade que se dê predeternina
da; antes, o sêu se::6 um constituin-se dramáti co de cada eu

Hune, A queEtão se toroou EoneD,toae prineipalnentê a partir


da chaueda "crise da fÍsica", con a ãicrotielca e a ieoria
quãntica dê Mâ:( P1ank, o indeteroinismo de Eeirenberg e a
pr6pria teoria da relatividade de EineteiD. pere o ieitor
urais curioeo,os verbetes cauealidade e detetniníeno d,o Dicdo
nanio filoe6fieo de Ferrâter Mora, Buenos Aires, Sudauerical
na,-1958,- são.elucidativos-e contêm indicação Uibtiogrãfica.
Na aree dea crencraa soctats, particulârmeate pare distitr-
guir as notnatíoas e as caugaíe, ver o elsaio dà KelseD, Hes.
"La aparici6n de La ley de causalidad e partir <tel priaiipio
de retribuci6n". Io:-. La idea de|. dezàeho natutai. sweioe
Àires, Losada, ].952, e Kelsea, Hans & Cossio, Carlos, p?o-
blenas eecogidoa de La teotía puta del denecho. BuêEos Ai-
res, Kraft, 1952. p. 1l ss.
23
dentno de Eua cineunstância, atnavês do uso de sua liberdade '
Conforme coatuma ensinar Ortega y Gassetr a vida ã dnama,
quefazet, aventura e nisco, Processada sob o comando do im-
pnevisto e do inPondenável.
Cono depanar, nessa fluida realidade que é a vida
hunêna, capnichosa e policnônica, o férreo sistema de :reguI1
nidades de que se alimentam as leis científicas?
Cono, enfin, conciliar Liberdade e Leíe aociológi-
cae?
Nestes termos, pnecisamente' o Problena é analisa-
I
do por Recasêns Siches'' 0 soci6logo e fil6sofo espanhol pno
cuna indicar os caninhos que abrem a possibilidade de }eis
en Sociologiar sem que tal conquista se faça ao PÍ'êço de sa-
cnifican a libendade. A conciliação é possíve1 graças a um
conjunto de :nazões, dentre as quais o referido auton aponta
as seguintes:
e) priueiraueute, a sociologia náo investiga as
leie da coEduta de un indivÍduo, ao qual poden ser
uuito grandes aa variações nea & conalute social
genérica de uu grande nímero ' de indivÍduos que in
iegrao os ,ãrioã grupos en que as variaçães dã
coDportaDeEto são sensivelmente Ileaoa auplas;
b) eu segundo lugar, há necaoisoos psíquicoe guer
aob a influância da pressão social, fuociooen de
aaneira regular, servindo, assiorde base para ea-
tabêlecer regularidades e predições de possibilida
des;
c) hã, taobán, regularidades que derivau do acata
Detrto a certas nornas sociaisj
d) ainda que o honen seja conetitutivanente alve-
drio, lib erdade, quando conteuplanos un grande nú-
Dero de indivÍduos huuanos coD caracteres conuns,
podeuos obsêrvar que hã una forna de decisão que
6e apresenta oa rnaioria dos casos idãuticos, Sobre
tal base, ã possÍvel estabelecer, indutivenente, a
coroprovação de que há tal forna najoritáría de com
POrtaDentoi
e) por f iu, hã condutas sociais que respondeD a
eaquetlas racionais para a realização de decerDi-

*No
Tratad.o general d.e sociología. Háxico, Ed PoErua,
1958. p. 130 ss (hã tradução brasileira).

2q
-!

Bados fias,.o que, coo reletíva fecilidade,reaulta


previ s íve l. *
Estas ressa1vaa podêr:iai.ul preser?var o carátêr cau-
sal-explicativo da Soeiologia, na medida, 6 certo, em que
seu objeto pudesse tole:rar semelhênte procediuento. Recas áne
sintetiza, afinal; em dois pontos, o caráten das leis sociol6
gícas I p?inei"o, que sáo Leig ile maeeo, iato á, refenidas à
conduta de aglonerados hunanos, de coletividadeB ou grupoq e
não voltadas para o comportanento individua[ por iBBo, obtên
um canáten de nai on unifonridade, dado que a acão coletiva,
mais esquenatizada e subondinada a padrões, encontra-se ne-
nos sujeita à liberdade, que é eobnetudo uroa pr?erirogativa da
vida subjetiva, do eu na sua autenticidade i en eeguado Lu-
ga.?, as leis sociol6gicas têra canáten bendetaíal, quer di-
zer, sem pretendenem a exatidão das leie dae ciênciae fÍei-
cas, meranente enuncia-m ptobabi|id,adea , Itregulalidadee ou ge
nenalizações com êrnpIa ma:igêm de exceçõesntÍ. De ta1 sorte
que a causalidade sociológica, de natuneza probabilÍetica,
não deve pretender a mesna eatrutura das ciências do Bundo
físico o que senia uma preteneão naruraliata eD ciências
-
humanas. E, ainda nais, aeeinale-se que a ercplicação cauaal
não constitui o ponto dennadeino netl centlel no conJrecimento
cientÍfico do humano: o nais específico, neste c..po, á a ig
tenpretação d,oe eentidoe, das significaçõeB, a que se chega,
conforrne tratarenoa, pelo ptroces eo d.a aompteeneão,

*
A enuEeraçao e do Prof . À. L. l,íaqhado Neto, conentaado a
1i ção de Re cag áns eu gua "Introdução", citada, p. 12 7- 8.
**R".""ãr," siches. op. cit. p. 130.

25
r
5.0 PROBLE}IA DA TDEOLOGIA

A questão da ideologJ-a constitui, sêgr:rtdo a nela-


ção antenior.mênte proposta, o tenceiz"o dos gnandes impasees
à prognessão cientÍfica no conhecimento do hunano.
A onigen da consciência ideol6gica não entendi-
da iileologia aquí, certatnente, cono sinples - ciânaiae dae
ddéiae, à maneira doe fil6sofos dos séculos XVII e XVIII
deconne da maneina cono se encontr?.ul euleito e obieto do
conhecimento no ptano das ciências huJ:oanas. Efetivamente, nes
ta ánea, o que aê conhece á um objeto com o qual o honen ae
acha cornpr:ornetido , razão por quê e1e é, ao nesno tenpo, querl
eoereita o conhecinento e o obieto a que o mesrno se dini.ge.
Resulta, então, que o conhecLrnento, neste eeto:r, é
um conhecimento de ulr objeto de que se tem oioâtoila,lvivência
que é anterion ao pnápnio saben.
Enquanto, na ciência natutal, o conheeimento 9e
dinige pa::a un objeto estranho ao homen e quê sê depar:a dial
te dele, na ciência social, o encontro do objeto é o de un
setor da vida hrrnana ou de uma parte do humano. Decorr?e,dê6se
comprorretinento do sujêito com o objeto de aná1i6e., que pog
Ba ocorrer un desvio da claridade e da objetividade do conhe
cimento, em nazão da vivência pnévla do objeto em que nêces-
sanianente tenos Lntenegse, dado que o expenimentanos cono
un conteúdo de npssas vidas. Oisto á que p:novém runa esp6cLe

26
\

de erro: o erro de natureza ideol6gica.


A ideologia, pon conseguinte, sená toda mênifesta-
gão de consciência comp::ornetida pon algun intenesse extnate6
:rico, seja potítico, econômico, racial ou, de algurn modo, pars
tidãrio. A consciência ideológica seria, assim, solidánia de
algr:rn pneconceito que, ã maneina de máscara, êncob!:ê ou de
fo:'ma os atnibutos da realidade, fazendo-a serr considenada
náo como á, mas como se desejania qlie deüesse se?, a par?tir
da pêrspectiva subjetiva ou enocional que constituiria a va-
Ior.ação ou estimativa pnópria do investigador. Por isso, a
questão pnesente se nelaciona de perto com utrI essencial pos-
tulado do conhecirento cientÍfico: o pnincÍpio da zeutra|,íila
de asíolõgic4. Esta negra pretende nanifestar', tão s6, que ã
ciência conpete dízer' como ae coí.eae aâo, e nunca oono ileoen
se? o que se torna tanto mais difÍciI quanto mais se tra-
-
te da investigação de una r:ealidade ligada ao plano conêreto
de nossas vidas. Ce:rtamente, nessa hip6tese, sucede que pode
mos carregar, para o plano do tr:atamento teónieo, todo utr
conjunto de crenças, de pnefenências e de esti-mativas p:?ove-
nientes dessa sucessão de valonações de que é feita a vida.
Por:que o ato de o'íüe", de quener e de esti-ma:r , an-
tecede o ato antificial , fnio e 16gico, ô,o conhecet, não é
f::eqüente conseguin o investigador neutnalizar o P1ano eno-
cÍona1 de sua per:sonalidade, a fim de retnata:r, obj etivamen-
te, o real. PÍDblenas tais o do eatailo, da faníLia, da Prg
príedade, suscitanrquando tratados teonicannente, o nisco da
contaminação das atitudes pr6 ou contta que induzern ao equÍ-
voco ideof6gico.
De nesto' a onigem da ideologia pnoeede da inevi-
táve1 connelação existente entre as obnas da inteligência e
a vida social, coisa que, à altura dos temPos Prêsentes, nin
guém se a:rnisca::ia a contestar.
Essa co'tir^elação entne a vida espinitual o eabe*
-
de um rnodo genénico e a existência concrêta e histór:ica
-
da vida hurnana constitui mesmo o tema, eonforme vimos, de
uma nova e fecunda especialização sociológica: a Sociologia
do Conhecimento, ou do Saber, consagrada ã pesquisa das inte4
2?
fenências da nealidade social sobr.e o plano do tr.ab aLtro inte
lectual. É nesta perspectiva que a questão há muito veio
sendo tr:atada, aqui e a1i, com mais acuidade, cono em Ibn
Khaldun e F::ancis Baconrate os nomes mais necentes que amadu
receram a Sociologia do Conhecinento como disciplina cientÍ-
fica, a partir de Marx e da escola dur:kheimiana aos contempo
nâneos Max Schelenl Mannheim, Sorokin, Gunvitch, Merton ê De
brun, entre outros.
Pnecisamente em vi::tude da validade teór:ica da So-
ciologia do Saber é que o conhecimento do mundo humano logra
escapa:r do es corinêgadio nelativismo em que a fnagmentação i-
deol6gica ameaçava sufocá-lo. Pol: celito, pois, se se dispõe
de un m6todo científico pana desnudar o grau de cond.iciona-
mento social <ias idéias, quem o utiliza se acha instrumenta-
do para distingui:r entre o científico e o ideológico na ati-
vidade intelectual, desprezêrdo este e ficaado com o primei-
:to .

A Sociologia do Conhecinento, desta sorte, muito


ao contná::io de fo:rnecer alimento a uma atitude agnóstica,
conconre pana robustecer: a possibilidade da visão cientÍfica
do univer:so his tónico-social. fsto pnecisanente quando não
manejada cono simples instrunento de d.esnas catanenúa a ser,-
viço de pnopósitos polÍticos divensos, nem sempre os mais
confessáveis, nas sobnetudo quando encanada como fecunda des
c€berta da histonicidade humana, que denuncia a multiplici-
dadê de pe:rspectivas a pantir das quais se desenvol-ve o sa-
ber.
0 que fazern os soci6logos do conhecimento é pnocu-
trar o ponto dê vista adequado, a partin do qual a inte::fenên
cia dos intenesses e preconceitos possa sez. menos danosa à
objetividade do conhecimento. fsto se acha implÍcito em toda
Soeiologia do Saber, dado que, descobrindo o condicionamento
social das idéias e denunciando, portanto, a sua maior ou me
non validade cientÍfica, fatalmente pretende, con isso,estai
fonnulando uma oetdade que considera universal , e nunca de-

28
\

fomada por algum condi cionanento* . É o plano da verdade que


sai lucr:a:rdo, nunca uma atitude ceti.ca, corno 6e pode conclu_
ir.
VisuaLizando as dive::sas soluções dadas ao proble_
ma do condiciona-Bento social das idáias pelas gnandes figu_
nas da moder.na Sociologia do Conhecinento, conside::emos
ôe
pontos dê vista de Marx, Ijannhein e Michel Dêbrun.
O pensamento marxista é dos pninei:ros a fazer
fnen
te ao pnoblêna de naneina nais detarhada, êm deconrência d;
p::ópnia intengão nevolucioná::ia de que vem aninada
a sua dou
trina. Propondo o ideal da rêforma violenta da sociedade em
nomê da onganização de tlrn sistema conunista de produção,
Manx acusava de ideôLogoe todos quantos se opr.hh am
ao sêu
pÍsgriana político, pana ele incapazes de enxengan a validade
do narxisno, posto quê interessados, como bungueses, na
manu
tenção do sistema capitalista de pnodução. A ídeologia bur
gueea, desta maneina, encontnania sua o:rigem no intenesse
pon inobilizan uma deterrninada estrutu::a social na qual
se
alienania a capacidade hunana d.. p"rr""o. **
Vista desta maneina, a penspectiva marxis ta vincu_
Ia a ideologia à divisão da sociedad,e em classes, cujos di_
versos interesses condicionariam a visão da z.ealidade.

*
Por ieso, não acornpanbanos a crÍtica de Schelti!.g contra
!ÍaBnheiE, acêrca de falta de f uEdameuto de verdade dê sua So
cio logi a do Coahecineato. Cf. Barnes y Becker. Eieto"ia deT
peneamíanto eocdal. Mãxi co, F . Cult. Econ., 1945. v. Z. p.
130- 1.
t*
O cosceito rlarxista dê aLíenação, fundanento maior de
sua valioga contribuíção à Socíoloiia-<lo cont nãã
pode sêr aguí ilesêavolvido en toda extensão, dadas""i.""io,-
as
EaçoEB_didsticaa deste trabâlho. troEtes bibliográficas limi_ oais
accessíveis, oode o aaÊuato pode ser encontrado, seriam:
curvitch. _A eooiologia de Kaz,L -Ma:,x. Sào pau1o,Ânhembí, 1960.
q. EIi Lefiylrê, Henry. Sociologia de Maz,a. Rio de Janeiro,
I91."":U.1966. p. _42 Sarnpaio, Nelsor. rd.eología e oiàn!
cLa -es3 Liv.
poLLtíoct. Salvêdor, progresBo, 1953. p. g6 ss; üa_
chado Neto, A.L. Mata e Matnhein. Selvedor, Cadernos de Ba
!i., fgSZi ttarx,Karl. rr ideologia eu. gerali. iiri""ii a-c.i
do8o. Aonen e aooied,ade. São iaulo, Íaciooal,1966. p. 30Ài
29
í

Ora' por isso rnesmo, a visão narxista da ideologia


se põe em causa' dado que sua doutninao aparecida nuna socie
dade fragnentada em classes, teria de ser, por força' tanbém
ideol6gica. Ainda rnais Ponque o próprio marxismo confessada-
mente se aPnesenta como o ideal da ação ::evolucionária de
uma classe, o Proleta.riado, cujos intez'esses e cuja vocação
hist6::ica pretende rePlrêsentar.
A acusação marxista feita ã ideologia bungueea po-
dênia, desta sorte, voltar-se contra o acusador, ele igual-
mente ideol6gico, ern ::azão dos seus comPromissos sociais'
Todavia o Pensanento marxista prêtende r':na saída
pana o impasse: aquilo quer Palla as outras classes, consti-
tui o fundamento do erro a or:igem social das idãias é
- -
que precisamente êbsolve o marxismo da rnesma fatalidade' Su-
cede que o Proletariado como classe 6 a única cuja as-
- - de todas as classes
censão hist6nica intenciona a suPllêssão
e a edificação de uma sociedade igualitánia - urn comunísmo
eooluítlo. Ora, se a defonnação ideol6gica procede da divisão
social do trabalho que aliena do homem os fi:utos da sua pro-
dução e fragmenta a sociedade em explorados e explonadores '
uma classe que pr:etenda a supnessão das desigualdades t gêra-
dora da alienação ideol6gica, necessariamente estaLia com o
privilégio dê desfrutal: de u.ma vísáo cíentífíca da histónia'
Assim como todas as outras classês quer no momento eID que
ascendiam ::evolucionaniamentq desfnutavarn de uroa visão pnivi
tegiada da hist6r"ia (que logo pendiam ao restaunarem um sis-
tema de op::essão sob o conando de seus particulares interes-
ses), o pnoletaniado, como classe atualnente nevolucionária,
tem o seu inetante de tsetdad'er ao qual se soma uma ci::cuns-
tância especial , que é a de Pretêndel: suprimin o sistema de
classes e devolven o homem a si p::õprio pela elininação de
todas as tor:mas de sujeição'
A revolução do proletariado se faria em nome da
humanídade como um todo, e não par:a o domínio de una facção
ou grupo. Daí sua posição favorecida PaI:a en:xergan a verda-
de, privilégio este deconlentê de sen o Proletaniado a clas-
se mais de perto ligada ã p::odução, infra-estrutura da socie
30

L.
.'.!

dade, sendo, tarnbem, aquela em que a condição hurnana estaria


mais degradada e, por isso, apta a negan, violentamente , tal
estado de coisas.
0 esquena mar.xista, assim visto, solucionaria, no
te?Íeno átíco (da suposta justiça da nevolução p::oletánia),
o problena Lõgieo e epíetenolígíco da verdade científica. Es
te á o ponto que pode nerecer contestação, salvo se se acei-
ta a premissa filos6fica marxista da ptatíe como o cnité-
nio da verdade. -
Por seu turno, Karl Malnheim enfrenta o Pnoblena
em sua grande obra Ídeologia e utopia, onde intnoduz a Pno-
blemática da Sociologia d.o Conhecimento.
Pa::a o pnofesson alemão, as maneinas como o conhe-
cimento pode se vincular ao real se desdobram nas forrnas da
consciência ideol6gica e da consciência ut6pica. Ideologia e
utopia repllesentariam os tipos de in serça o do pensamento na
nealidade hist6nico-socía! ; a ideo1,o gLa e a mentalidade con-
servadona, irnobilista, estática e defensiva, comPrometida
com o atatu quo; a utopía, ao contránio, a bandeira dos nefor
madores, dos nevolucionários , dos que intentam impulsionar a
sociedade para novos rumos. Mannheim faz, aindara distinção
entr:e as f orTÍ.as total e pareíal de ideologia: a forma Parci-
al, ou psicológica, origina-se das atitudes valonativas ou
emocionais dos indivíduos enquanto a totat provérn da i-
'
nagem da nealidade de um glfuPo ou classe cono un todor com
os quais se relaciona uma detenrninada concepção do universo.
Enquanto a ideologia é s ent imentalis ta , ronântica e tradicio
nalista, a utoPia é principalmente Iógica e racionalista,
firmada na crença de que o mundo his t6rico- social , negido
por princÍpios definidos ' Pode ser transformado PeIa ação
planejada do homem.
Tanto a ideologia quanto a utoPiar assim considera

I deologia e utopía; iutroduçáo ã sociologia do coahe ci-


men t o. 2. ed. Porto AIegÍe ' Globo ' L952.
3I
das formas de pensarento rrligadas ao rea1", pana r:epetir a
expressão de Ra5rmond Aron, podem se conter no conceito mais
lato de ideologia propriamente dito,.de quê estamos cogitan-
do. funbas seriam maneinas relativistas de tratar a realidade
e, portanto, diversas do enfoque rigorosamente científico.
A visão objetiva das coisas, que é a buscada pela
ciência, teria que superar aqueles dois estilos de condicio-
namento. Mannheim pretende fugin ao ::el,ativismo em que a sua
duatidade de tipos de consciência implica, apontando uma clas
se de pessoas que tenia condições de desvinculamento social ,
de têI maneira que logrania enxez,gar, objetivamente, os fatos
da hist6::ia. Para ele, tal canada sel:ia composta pelos inte-
lectuais a íntellígenbEia uma elite de pensado::es e
- -,
sábio6 cuja destneza intelectual , neles possibilitada pelo
uso diutunno da capacidade de pensar', 06 faria inunes ao pe-
rigo da defo::mação ideol6gica; algo assi-lo como se ao intelec
tual fosse possÍvel eait da hietôría e, descomprometido dela,
contemplá-Ia com uma nais langa visão coropneensiva.
Torna-se possível , assim, u:n cunioso confronto en-
tne a solução narxista e a de Martnheim; pana a pr:imeir:a, é
pnecisanente o engaj amento e a participação hist6nica de una
c1as6e, o prolêtariado, que the dá a possibilidade da verda-
de; engaj amento que, sendo, par:a as demais classes, a causa
determinante do enno, para aquela, ao contnánio, possibilita
o pnivilégio da verdade. Mannhein, por seu turno (dir-se-ia,
então, sen idealista a sua proposição?), entênde necessánia
a deavinculação e o desconpronisso, vintude dos intelectuais,
cono a condição da vendade.
A modenna Sociologia do Conhecimento demora-sê nu-
na con6ideração cnítica dessa tese de Mannheim. Se, por un
Iado, á indiscutível que a ciência tem sido obra dos intelec
tuais de uma espécie deles, os cientistas puuos ê hojê os
-
donos da pesquisa pôr outno, a histánia nos oferece exem
plos eloqüentes do-requívoco dos intelectuais e os epis6dios
subaltennos do desserviço que, de boa ou rná fé, têm pnestado
ãs obnas do espírito. As grandes estrutur.as ideol6gicas do
pensanento e as inconfessáveis teonias que costumam veicular
32
não são obna senão dos intelectuais, nas manchas e contra-
marchês do pnocesso histó::ico que podemos têstemunhar. Ha,
sem dúvida,algo de ingênuo na suposição de que a condição de
intelectual promova a des incompatibil ização dos escolhos que
entor?ecem a marcha do espínito. pode-se acneditan, por isso,
que o esquêma nanntreiniano padece do equÍvoco de não proce-
den dentro de una visão esíetencial do pnoblema.
Urra visão existencial do pr:oblema, repitamos, é
donde parte a solução pnoposta pon Michel Debz,un*. Analisan-
do, exaustivamente, a questão e tomando posição frente ãs
p::incipais colocações da modenna Sociologia do Conhecimento,
o professon francês desenvolve urn naciocínio de canáten he-
geliano, segundo o quaL as ideologias repres entam o processo
constitutivo da realidade hist6nica em fonmação. Pana ele, a
inserção na hist6ria é uma contingência inanredável do homem
e do pensamento; t'se o homem á vendadeinamente hist6nico
escl:eye é pneciso qqe o seja comp letarnente,t . * * -
-,
As ideologias seriamrnessa maneina de ven, a tra-
dução intelectual dos roodos diver:sos de constituil:-se o pre
sente enqu.rnto ele é p?oceaeue, devenin, constitutivo vir-a-

Não se torna possível, do presente, outra visão se


não a ideológica; isto porque, não se achando conatituído,
mas em conetítuição, o presente hist6nico não se possibilita
uma visão ciettíf,ica, dado que aequer se confonmou já como
objeto. A ideologia, com toda sua insuficiência conceitual ,
é, todavia, a perspectiva possível do presentê, porque com
ê1e comprometida e destinada mesmo a confonmã-Io na varieda-
de das direções, projetos e opções vitais de que é feita a
vida que se vive, enquanto se vive.
O tempo hist6nico, enquanto existência e experiên-

*
Deb run , Mi chel. Ideologia e tealidade. Rio de Jaue iro,
rsBB, 19 59.
**
op. cit. p.98.
33
r-

cia e fetiva, não se deixa apreender nas nalhas fén::eas da con


ceituação científica. Rêstaria, assim, pana. que surgisse o
tromento da cientificidade, que um epis6dio hist6rico atingis
6e un plano de maturidadê, como que se fechando sobrê si rnes
mo e se encetrando cohro t::ajetória do espÍnito, quando, en-
tão, a pnõpnia história nos pennitinia um conhecimento de si
nêsma.

Isto ta1 como se o trabalho da inteligência exigis


6ê cer:ta crepus cula::i dade , vintude outonal das idades que se
encêrran. ttChegando a certo grau de matur:idade, a hist6nia
eScrneve Debrun e somente ela, tem o pode:: dê levar a
-u.n conhecirnento de-,si mesmatt . Antes disso, inacabada como
processo, a história vida social só se nos ent?ega
-
nia através da consciência ideológica participante, fragmen-
tada nas ideologias que 11.e disputan o comando; pon isso, em
todas elas, há que se reconhecer certo grau de oetdade, cuj o
testê definitivo só se dania a poateríotí.**
parecer, desta maneina, uma solução pouco
Podendo
satisfat6r:ia, desde que firnada num ceticisno quanto ao co-
nhecimento do que nais nos inponta a vida presente, que á
a nosêa yjd6 -
a tesê de Debnun, contudo, tem a seu favor
-, de fi::man-se sobre uma correta
a cincunstância analÍtica do
tenpo existencial. Esse que é tanto o tenpo da vida indivi-
dual biográfica quanto o tênpo da vida coletiva.

*
Ibid., p. 99.
*t-
E o que claraEente Michel Debrun conctui: ,'Talvez aconte
çe que a verdede objetive sõEeBtê sobressaia, ou uelhor, sà=
Deote ae crie, couo porvír, coEo reaultado do porvir, ao tôr
uo, por exerplo, de cada época histãrica, que àe.,e.oi consil
derar cono totElidade relativamente fechadá no interior da
hist6ria unÍversal. Nesse caso, enquanto . r,ist6.i"-5.r-i"ã--
cabada, a iupossibilidade, de di.reito como de fato, de deci-
dir entrê as ideologias deverá levar-nos a reconhecer nelas
ceEta verdader- fÍcando beD entendido que essa vâli
da en relação à his16ria ,que se fazt talvez 'verdade' .à;i:
ficada pela história ,feitá','. "ã" ""t;-
IdeoLogia e xe ali d.ad.á. p,96.
3r+

I
i!\
-

Ar{Ex0s
t-
il00Ã0 DE oB,,ETo suAs
ESPECIES E -
PRO?RIIDâ.DES

1. Ura das ocupações pnimei-nas da teoria da ciência


ou epistenologia terá que ser, certamente, a fixação de un
conceito dê objeto e a sistenatização de 6uae dif,efêntee eepé
cies, com vistas à onganização do trabalho coflceitual dae ope
naçôes científicas .
' 0 que vem a sen obieto, suae vaniadae pnopriedadee
ontol6gicas, o deslinde das operaçõee l6gicae de8tinadas ao
seu nespectivo conhecirnento tais aa tarêfae deeae capítulo
inicial da têoria da ciência.-
Seguirenos, nêate texto, as lições que Bobrre o ae-
sunto foram dadas pelo Pnofeeeon Carlo6 Coe8io, inepi-nado Da
fenomenôlogi.a de Huse er,l.*
hi.ueiramente deveremos fixar uroa noção do que ve-
nha a ser obieto, noção de tal nodo envolvente, que oB coEp?e
enda a todos e, por certo, exc eda a opinião vulgan que supo-
nha constituir objeto tudo aquilo que PodeDoE peacebef, Benao
rialmente, ao noaso :redori. Dentro deata aignifi caçao, o bj eto
não seria nais do gue o mundo ô.a teall.ila'tte cincundante, o uni
verso daquelea entês contidos nos limites da percepgão enpÍ:{
ca as coíeee, enfím.
-

PrincípelDeBtê êú Lat eotía egol,ígica dal iletecho y eL


eoncepto iutídíco de Libett ad. Buê[os Al.Ees, Abolcdo Psrrotr
L964. p. 54 se.
37
Esta noção, .sen ser de todo inconreta, é, todavia,
insuficiente. Basta considelar quê existe rna sánie de êntes
que j anais foran vistoE pon alguérn ê quê, no entanto,
con6ti_
tuêm objetos, visto que a Bêu rêspeito estamos a toda
hora a
fornulat:' opiniõee, juÍzos e atá teonias científicas pol:.exem
i
pIo, DeuE, o centau:io, a alna inortal, as g::andezae natemáti_
caa, aa abetrações conceituais da Iógica, etc.
Não bastando, desta solrtê, o conceito de objeto
que
o aEeiuila à noção vuLgar dê coisa enpínica, podenÍanos dize:r
que objeto á tudo de ue odeEos red
u opriedadê
I no i uízo , ou, de igual naneina, tudo quanto posea
f uncr-onal:
, como sutarto de .,o" proposição, acenea do quat
afirmanos ou
neganoê alguma canactenÍstica. Nos juízos que afirma.m r,Deus
é
eternort, r0 hoaren é un ser. socialrr, rrDois á nênor do que
qua_
r€nta e quat:norr nDeu8Í, Í0 honent, e rrDois,,
- êonstituem aDjl,
úaa, po6to que culeltoe das r€spectivae proposições.
PodenÍanoe, tarnbén rdize:r que objeto ê o tetno ou
o
fln da conEciência i1.t-elgig5l. se toda êonBêLencr.a,como
díz
HUBBêriI, é oonaoiãnada de, aquilo p ana que
ela aponta, na fo:r
na àe meta. de 6ua estrutura cogniti va, constitui
obj eto.

2. Fixado êste ponto, ainda en obediência ã fonte


citada, tentenos una classificagão das difeFentes
esp6cies de
objêto. EIes Ee poden agrupar em quat:no aneas
ontol ogaca6 : os
objetos ídeaie, os netutaie , os oultulaía eos,1
0b
BervcDoB, de imediato, qu e nao nos
inenos ocupan desta última
eepácie, posto que os obj etos netafÍsicos
não podem se con6ti
tui! eD conteúdo de inves tigagão cientÍfica,
e é dentro des ta
deetinação que e labonanos o pz€sênte
texto.
os obletoe iileaie, êqueles de que tratam
ciências
@no a geoDetria e a t[atêmática, apresentàm
as p!§ptiiedades
de não eeten eepaaíaie não ocuparem lugar no espaço, pois
-
não constituen naterielid6dss _., a. béi, n-ão eenen tenpo_
r.aia, quen dizen, não terem tido vrn eoneço e
vJaa duzação no
tenpo; o que vare dizer que os objetos ideais
nen aão eatea
fíel,ooa, nen hietíriaoa. pensemos na citeunfenância,
no tniãn
38
gulo, to núnero doíe, no conceíto de igualilade, e venifica:re-
mos como as neferidas pnopriedades se thes aplicam tr:anqüiIa-
mente. São objetos que não venos com os olhos, não captamos
con o tato, não ouvi-mos com a audição, nesl deles se pode afi-n
nnrt que hajan oomeçado nuna certa data. por íssorddeaie, quet
diza:, abstnações fornoa is (valendo que se faça notar que a
palavra ídeal, aí, não possui qualquêr significação êtica,co-
mo aquilo pelo qual sê luta, o objetivo de alguna açâo ou a
finalidade quenida de algum pnoj eto de vida).

3. Já os obietos o mundo da natureza, par


"dtu?*,
ticipam daquilo que compreende a neatidadê, onde, igua l-mênt e,
se s+tua a terceira espêcie, a dos objetos culturais. Natu.re-
za, como a define Fnancisco RomeÍ'o, ttê o conjunto dos objetoe
existentes por êIes mesmos, não cniados nem modificados pêto
hometr"*, tudo que existe rrem si e pon sirr, indepêndentemente
da vontade humana, para aludi:: a uma nefenência de Rickent.
0s carnpos, ag nontanhas, os r:ios e mal?ês, os astros, os dias
e as noites, os seres vivos, tudo quanto na realidade esteja
aÍ, se:n que haja decornido da presença hu.mana, constitui o âÍr
bito da natureza. Ciências como a fÍsica, a química ou a bio-
logia é que tnatam desta espêcie dê entes.
iIá se vê, pon conseguinte, que tais objetosrdiferen
temente dos ideais, são peaia na mais ampla acepção da pala- \t
vr:a, isto ê, eetão ocupando Lugat no eapaço, constitu€m corpo
neidades; ao mêsrc t eÍnpo en que são temporaís, valê dizer, a-
conteeen no tempo, t ênr pnincipio e firn, dzrarn, nurna palavÍ'a.
De cer:ta espécie de objetos rg6is os peíquicoe s6 esta
pnop::iedade (a da tenpor:aLidade) ê- aplicável .
-
Da pnopriedade neal dos objetos natunais decorl:e'
por outro lado, que eIês possam ser: vistos, ou tocadosr ou ou
vidos percêbido s, enfim pelos sentidos.
- -

*Ror"ro, Franci sco,


"Los problemas de la filogofía de la
cultura". to,t PíLosof,ía contemporãnea. Bueuoa Âires, Losada'
1953. p.114.
39
t+. Finalnente, a terceil'a esPécie de objetos ros cul
turaíe, senão aqueles nesultantês da atividade hurnana, cniados
ou nodificados por ela. A cu-LbuÍa, nesta acepção, á tudo quan
to o homen acrescenta ã natureza, o mundo que é o contorno da
ambiência sob a qual vive o homem, espécie de segunda nealidg
de, proverriente dos atos humanos de criação ou dç nodificação
do universo natural. Entidades cultu::ais se::iam, desta sortet
rÍr livro,um jardim, um quadr:o,uma peça nusical , a sociedadet
a t6cnica, a ciência, as neligiões, os utensíliosrêtc. Resul-
ta ser cultunal toda a r.eatidade que o homen cnia atuando se-
gundo fins valiosos 116is ou rnenos valioaos, acrescente-se.
E esta pnopniedade
- a inevitáveI ::efenência a valones é
da índo1e da cultura, - não se podendo atribuÍ-Ia nem aos -obje-
tos ideais nem aos objetos natu::ais, anbos neutros ao va1o".A
beleza, a utilidade, a justiça, pon êxemplo, não conêtituem
qualidade que possamos descobnir no quadnado geomátnico rno ti
gne das selvas asiáticas ou na vit6ria-nágia da flonesta ama-
zônica. E, no entanto, tem pleno sentido falar da beleza de
uma sinfonia de Beethoven, da utilidade de uma cadeirarda jue
tíça da nonma penal que qualifica o crime como \rm ato puní-
vel. Observemos, a esta altura, contestando uma possÍvel obje
ção, que o ato de dizer que é bela uma paisagem o pôtr do
soI, por exemplo -
ou que são úteis ce::tos aninais e inú-
-,
teis outros, constitui una forma de referência que, ou inserê
a sensibilidade humana oa::a a qual o pôr: do so1 é belo (sen
que ta1 beleza constitua um ingnediente deste fenômeno) rou ::e
fere a utilídade de certos animais em nazão de cono o homem
possa faze! uso deles ê que já os converte, assim. referi-
-
dos ao plano das finalidades hu.nanas, em entidades culturais.
Integra, 1315i1 e muito êspecialmente o mun-
- de objeto. Dissenos, acima,
do da cultura, t]rn outro tipo -, que
a cultura resulta de um ato de criação da atividade hurnana itg
do o que o honem acrescenta ã natu:reza, agindo cniativanente
sobre e1a, segundo seus pnop6sitos valorativog. Devenemos a-
crescentar que é tanbém parte da cultura o prôprio agir huna-
no, i-sto é, a conduta humana, a atividade mesrna dos seres hu-
manos, exeluÍdas de1a, certamente, as funções nerannente bioló
gicas que, como se passam em todos os seres vivos, tambám se

40

lh
processam no organismo do homem, DaÍ nesulta que há duas es-
pácies de objeto culturaf: aqueLes cuja naterialidade é um pe
daço da natureza, um fr:agmento do rmrndo fÍsico, como a nadei-
:ra de uma mesa ou o mãnnoya de uma estátua, e aqueles em que
um pr6prio az hu.nano constitui tal ingnediente. Ao prinei::o
deste tipo Cossio denomina objeto culturaL nund,anaT,; ao segun
do, objeto cultural ego7,6gieo. Vê-se, desta maneira, quê todo
objeto cultulal ten dupla composição: un eubattato, que ê a-
quilo de que el,e é feito, e vm eentido, que é a sua significa
ção valiosa. O su.bstrato constitui a eapreasão do objeto cul-
tunal; o sentido é o espreeaado naquela expnessão. Se o subs-
tnato á urn pedaço da natureza objeto nunilanal.l por exem-
-
plo, a estátua do caboclo no canpo Gnande. Se é um az hru[ano
obieto egoTõgico; por exemplo, a minha conduta enquarto es
-cr€vo eatas notas.
0s objetos cultul?ais não são, assim, j amais uma Pu-
ra conporeidade um pêso, uma supe::fÍcie r u.m volumê como
- -
sinples coisas físicas; antes, eatas materialidades exPress.rm
sentidos e valones trumanos que se havenão de entendêli para o
seu adequado conhecimento.

5. Fixadas estas t:rês regiões ontol6gicas nas quais


se situan os objetos de que se tonna possÍveI fazen ciência,
passêmos a u.m ponto seguinte, neferente ao problema de cono
toma.nos ura notÍcia imeêiata, pela consciência, de cada una
dessas espécies. Isto é, indaguenos de que maneina nos aPossa
nos desses objêtos r como os aPres anos na consciência, Pana co
nhecê-Ios e teonizar:, depois, a seu respeito. A estê ato de g
possanrento imediato do objeto denominanos de íntuição: ír.tui-
rtir pa-
ção no seu pr6prio significado etimol6gico: a ação de
ra dentro derr aIgo, ou, noutros termos r a percepção de algo
quando se presêntifica ante a consciência do sujeito.
Assim' de refenência aos objetos ideais, a intuição
corrêspondênte é do tipo intelectuaX) os objetos ideais n6s
os oemoa con a inteligência, não com os ofhos da face. Isto é,
n6s os pe::cebêmos pols Pensá-Ios; aPenas desta maneina nos a-
possamos de 6ua natureza aDstrata e formal n pois aE grande-
.41
zas, as figuras geonêtnicas, os conceitos, não os encontnamos
aí, corno deparamos urna árvone, um nio, um edificio;constituem
objetos sin, tais como estes, nas sua objetividade ê de cará-
to: ide-a1, inap::eensÍvel pelos sentidos.
Quanto aos objetos naturais, sen dificuldade vq:ifi
canos que sua perc epção demanda vma intuição eensíoel, rm ato
de ver, de tocar, de ouvin, de chêiuan, etc,, que ê possibili
tado pela conporeidade e mater:ialidade de que são dotados.
Una intuição anpír'ica, urna expo:iãncia dos sentidosré que nos
pnoponciona o acesso ao mundo da natureza.
Por longos anos, a teonia cIássica do conhecimento,
sob a influência das filosofias eartesianas e racionalistas,
implÍcita ou explicitanente se limitou a reconhecen apênas es
tas duas fonma s de intuição: a intelectual e a empÍrica, ou
sensivel. FoÍ necessário o apaneci:nento das atuais filosofias
da vida, da existência e da cultura, ou, enfi:n, o arnaduneci-
nento filos6fico de uma analitica da vida humana, com Dilthey,
Heideggêr, Ortega, Max Scheler, Cossio sobretudo os dois
úItimos -
a fim de que se rompesse o bloqueio de uma episte
mologia -,ümitada à teo::ia das ciências matqúticas e natu-
nais. Isto acarretou, na ár:ea do problema de que nos estamos
ocupando, o neconhecimento de que o mundo da cultulra, cal?l:ega
do de fins hunanos encharcados de signifieação valiosa (dado
que ê segundo valores que o honem age), s6 pode set, conhecido
mediante vm ato emocíonal d,e apneensão. Schelen pnincipiou,en
tão, a escnever sobü?e os atos de conhecimento que i-nptican em
sentimento a simpatia, a arnizade ou o amor s ern
os quais -
a nossa consciência não senia levada -rveiculos
a perceber a es
sência das coisas hu-manas. Disto resultou o enniquecirnento
das forrna s da intuição, acresc entando -se a irrtuição enocionaL
à intelectual e à sensível.
Não ê dificil penceber que, se o eubet?ato dos objê
tos culturais nós o apreendemos com intuição sensÍvel do
mesmo modo como ocoÍIne com as coisas fisicas da natuneza - _ro
sentíd,o deles, todavia, a sua significação valiosa que os re-
vêla artefatos hrrnanos, denanda que possamos t elt rrna oitãneia
emocional do seu rêspectivo valor. O valoli ê algo diante de

42
-

que rÃo nos poElos com indiJ erênça; o valor d enanda uma estima
tiva, uma preferência, e n6s s6 estirano 6 ou pneferimos nedi-
ante a caPacidade de sentir. Pon isso, um cãozinho donêstico
ee conportar:ia diante da Vênus de Milo con a mesrna indifs'en-
gastam en
ça que diante de um pedaço de Pedra i e os honens
viagenE ao louvrer Para contenPlan a famosa estátua"'
De6ta sorte' o sentido dos objetos culturais n6s o
captanos roediante una vivência que encarta o seu s el? no
plano
enocioÍral da nossa sensibilidade ' Não é, por isso' com a
mes-

ma otpeniência gnosiol6gica que conhecemos a ánea do quad:ra -


junídica'Da
do, a fieiologia do estônago e o Plano da conduta
do que eão penfeitarnentê distintos tais óbjetos' difêrêntes
tênqueeeroemecani§ttrosqueacionanosPara§uape::eepção.É
a esta Peculiaridade, especialroente a peculianidade 16gico-ioe
de una
todol6gica das ci-enciaE da cultura ' que vimos clra'Eando
groeiologia diJ es'encial do hunano '

6. Do Ponto de vista Particular do nétodo ' É que


tâ-
dizer-se que o das ciãncias de obj etos ideais ã o nêtodo
forrnalizações abs-
oíonalúeilttí,o. Racional Porque, enquanto
trataB r drea ootfel ant con a nazão, não Podendo ser
de outÍ'a
foroa aenão daquela que o Pens'rmento lógico estatui' Que
1+I
Itverdade de razão", univensal e invariávef iq
iguale 2 ê una
enPírica ' De
dêpendente de quarquer teste de verificabilidade
que ap'reende as idealidades vai do
u,ri rro *rnr" o racioõínio
se
gcaa] para o Particulaa i pôe o princípio genat
'
donêe Podê

inferir r.oa eêrie de conclueões Pdnticulares '


Êua vêz' va-
O conheciúento científico natulial ' Por
Ie-ae do têtodo attpír,ioo..inilutíoo ' Parte de una
expeniência
nele
sensível que conetata o caao concreto et das seneltÉnças
a lei que a to-
cncontrada§ foruula o p:rinc íp io geral - -
' A indução genenalizado:ra de6ta'maneira' diven
doE se aglica. '
aa[ente da dedução, vai do pant iculaÍ' ao
geral' o geÍ'al que
de casos aná1o-
conforua a lei explicativa de una plunalidade
goa. Aeei.u, tror exemPlo t a verdade física de que os
metais
mediante in-
,ão aif"tá.,"is pelo calon significa o Í'esultado '
cada espécie de metal es
iarçao, a" o Ds eÍryação enpínica de que
43
tá sujeita a esta neaçâo, sob a ação do calor.
Na hipótese dos objetos cultr:r,ais, o mêtodo do seu
nespectivo conhecirnento ê o anpítíco_diaLético f6rnula
, encon
tnada pelo professor: Cossio pana apne'êntar a t6cnica
atr:avêI
da quar chega-Eos à apneensão da curtura. se todo objeto
curtu
ra1 consistê no dualismo subet?oto e sentid,o, conhecê_Ios
de]
manda, de imediato, a apneensão sensivel do
substnato _ daí
o car'áten enpínieo do método _, substrato este que n6s
o ne_
ferimos a sêu sentido, mediante a vivência d.o valo?
a eIe in-
conponado, nealizando, assim, o espÍnito esta
viag@ de ida e
volta do substrato ao sentido, cono que estabelecêndo
urn diá_
Iogo espinitual entne eles, atê a plenitude da neatização
de
una vivência plenamente cognitiva, que nos aloje
no âmbito da
vecldade cultural procunada. 0 car:áten
d,ialâtíco deste mêtodo
está ern que ele procesaa o nanejo 16gico da alualidade
nepne_
sentada pelo substrato e sentido do objeto
cultural. Desta- na
nei:na é que Cossio define a dialêtica _
o manejo lôgi.; ;;
duaridade a articulação entne una teee e wna out?a teae,
-' de
sen que tenha ser, cono no plano da diatêtica hegeliana, a
oposição nec es sania-ment e feita êntne uma
teae e Ma antíteae.
Para ilustraflnos como é enpÍnico_dial êt ica
a forna
cono pencebemos un objêto cultural, imagine depanan, à sua
f:rente, o estudante quê nos 1ê, digamos, u-ma
cadeira. Se fon_
mos decompon analiticanent e oa inetdntee
desse seu ato de pêr
cepção, ver:remo I que o pencebido de imediat6 r,m:
! ioo-
na fisica, vma coíea matenial, cqtr tal con, "i^pr""
ta1 ,.".r';;; ;_
lung aspectos que nos são neretidos à consciência por
- ne-
nas intuições sensíveis; o que vai faz er? deste
objeto _ o"_
dsira ._ urna coisa cultural s*â a intetptetação
que efetuan_
mos do aêu significado. O que só
se conseguê mediânte una ê6_
pécie de pencepção interior: que nos d""r"I"
o aspecto humano
daquele objeto, enquanto vivenciamos, com
a nossa sênsibilidê
de, o sentido valioso _ no caso, de utilidade _
d"qr.l.-;;:
ve1 onde podenos nos sentar com maior ou
menor conodidade.S6
depois dessa openagão do substnato penceptíver ao sentido
inteniorrnente vivenciado -
chegaJnos â apreensão do objeto
cultural. E, neste ato, nosao -
espínito o iliãtogo
entÍ'e urn dado naterial, fÍsico, e o seu"mp".endeu
significado pana o âm
4l+
bÍto da vida hunana

7. Estes três métodos, aplicáveis às tnês distintae


fo?mas dê objeto, produzem, natural.mente, diversas espêcies
de atos de conhecimento, A íntelecção ê o ato dê conhecimento
que encênra a tarefa de perceben as idealidades e consiste nu
rna expe::iência da inteligência, que pensa o ser ídeal na sua
nacionalidade como que imanente â estrutura da razão. É a nea
lização, ênf in, do oe? com a intetigência.
No que nespeita aos objetos naturais, o nêtodo elpí
nico-indutivo pr:oduz o ato de conhecimênto, que ê a eapliaa-
ção. ExpLícar, neste contexto, significa conhecen algo peh
pencepçâo de suas causas: o conhecer causalmente. Quando eo-
pliea, o espí::ito se dêsloca do fenômeno que intenciona conhe
ce::, atê um outro, anterior, que funciona como seu priecedente
ou sua causa. 0 enlace entre antecedente e conseqüênte en-
tre una caltaa e vn efeito -
perfaz a cadeia cauaal p:lodutora
-
do conhecimento explicativo. Ê desta maneirna que etplieanoe a
água, encontnando-a c omo composta pon hidnogênio e oxigênio,
ou a dilatação dos netais, quando sutmêtidos à ação do calo:F.
Note o leitor e isto ê i.mportante que o conhê
- -
cimento pon explicaçâo, neste caso, não implica na panticipa
ção do suj eito, na nedida em que não solicita uma vivência de-
Iera fim de integran o ato da apneensão gnosiol6gica. E:<p1i-
can ê tona:r notÍcia de algo que nos ê dado ext enio:rnent e eque
contenplamos como se fôssemos eapectdilotee. O dado que
^e?os
se apneende explicativament e não está integ?ado por um conteú-
do das nossas vidas, dispensando, pon isso, a nossa pantic ipa
ção cniadora ou vivencial. DaÍ que se trate do conheci-Eento
possível dos objetos naturais, que, não sendo Parte de n6s
mesrnos enquanto especificamente hrrnanos, deixan-nos na condi-
ção de contempladores de uma cena externa.
Diferente ê o ato de conhecirento reLativo aos obje
tos culturais, o que Dilthey denominou, Para comPolt o dualis-
no ao lado da explicaçâo, de comP"eensão. Esplíoanaa a nature
za e compteenilemos a cultura ê o lema deste filósofo ale-
-
lts
mão. Sucede quê, de refenência aos objetos cultulrais, o seu
ser é sen um sentido, isto á, um val-or incorponado a uma rea-
lidade por fonga da atividade hurnana. A cultura á, assim, o
contorno nais imediato do hornem, o nosso mundo mais próximo e
cáIido, ca:rr:egado de significações que podemos devassan atá o
mais secneto, poryue, de algr::na forma, constitui obra nossa
ou êour a qual podemos manter alguma solidaniedade. A cultura,
eE suna, port ser: obra humaÍra, Toaz eentído pana mim, ênquanto
homem, De alguma naneira eu posso và-ta pon.dentto, senti-la
vivencialnentê con intinidade, conhecê-Ia pon panticipação in
teÍ?retativa ê a tudo isso é que denorrinanos de compteen-
- assin, em tese,á perceber
6ãa. Compreender, em algo o seu sen-
tidorpor vivê-lo no plano da ninha existência.A pn6pria estru
tura da vida hu.nana possibilita ninha intêLigibilidade do que
o honem faz, ou tem feito. Assirn, atnavás daquilo que Dilthey
dramou de teoioância, eu posso Í conpneendenrr una nevolução,
uma gneve, uraa po1Ítica eeonôrn_ica, mesmo quê tais coisas não
Be hajan paasado no ârbito pessoal da minha vida biognáfica.
É o que tinha em nentê }íax Weben, que utilizou extensanente
e6te método en Sociologia, quando declanava não sen preciso
ten Eido César pana comp:neenden a Cása:r. De tudo ieso nesul-
ta, já se vê, que, enqu.rnto o conhecimento por: explicação é
un conhecimento ile eopeotado" o sujeito fica de fora daqui
1o que o juízo enuneia -
no conhecimento poln compneensão,
ao cont:nálio, o sujeito -rê ptotagonieta, dado que vê, a pantili
de dentno, a intinidade do objeto e dado que têE que ser leva
do a oi»er o sentido. Sem a execução desta expeniência, pols
cêrto que o nosao conheci-nento da cultura não lhe desvendania
a dinensão hunana, e n6s apenaa a verÍarnos cono forluas mensu_
:ráveis, cono volunes pondenáveis Iinitados, assim, â mena
pencepção de substratos - natu:rais,
coisas
-, tão s6.
0bserve-6e, neste ponto, que o dizer-se da conpreen
são que á o ato específico do conhecimento cultural não signi
fica excluin a possibilidad.ê da explicação _ s do naciocÍnio
causal dela conseqüente do campo das ciências humanas. É
evidente quê eu eaplico,- tarüám, os fenômenos da história, da
sociêdade, da economia, etc. Todavia, quardo atinjo a for:mula
ção de uraa lei causal nas ciências humanas, não me po""o pri:
46
var dê rrcompreenderrr
o sêu sentido, e sei muito bem quê o mo-
do como H2+o cd,usa a água 6 um pnocesso bem diferente de
como una cnise financeina cauaa uma r:evoIução. Em ambos os
casos, pode haver: explicação, na medida em que se procêssa
aquela viagem do espírito de uur conseqüente a um anteceden-
te de vm efeito a lma cauaa. Mas é penfeitamente claro
-
que, no primei::o dos nossos exempLos, nelacionamos um fenô-
meno fÍsico a outro fenôneno físico, duas coisas mensu::á-
veis, concnetas, quantificáveis, enlaçadas nurn esquema de de-
tenminismo invaniáveI. Já no segundo exêmPlo, um fenômeno da
expe::iência hunana, encontramos o enlace de dois fatos da
vida social, ligados um ao outno pelo mecanismo teleol6gico
do agi:: humano, com urna significação inte:rion que eu Posso
perceber no plano estrutural da rninha vida. E tanto as coi-
sas são diferentes 9üê: enquanto H2+o será se^pte âgua, uma
crise financeira pode zão pnovocar a nevolução. Trata-se,
pontanto, dê urna causaçào ín»aniãue1. num casor e uma causação
meramente poesíoel em outllo ponque aqui se tida com a liber-
'
dade humana, diferente do detêr'minisno c6smico da natur:eza. A
erplicação da cultura á sempne, assirnrde algum modo' um ato
de compreeneão. Fica semp::e subjacente a especificidade ina-
novÍveI da vida humana.
Façamos uma obse::vação conclusiva: o modo como
elaloralnos o presente trabalho é inspinado nwna concepção
onto|,ógíca da ciência. fsto significa que iniciamos a PalF
tir da descr:ição do obieto,Pa?a' em função de suas catego-
nias ou propriedades, selecionarrnos o método adequado ao
seu conhecimento. Esta á uma posição realiata, no que res
peita à concepção da ciência' Recusanos, assim, a opção i-
dealista e o seu conceíto Lígico da ciência' segundo a qual
o privilégio cabe ao nátodo,e é a parti:: dele que se cong
tr6i o objêto do contrecimênto. A concepção ontol6gica nos Pa
rece a fonna mais segu::a de pisar o chão sóIido da vendg
de.
0 conteúdo do pnesente texto Pode sêr sumarianênte
esquematizado da forma que se segue:

l+7
Espácie de Intuiçao Mãtodo Ato do
obj e to correspoEdeDte coohecimento
Ideais itltelectual racional-dedu io te 1e cç ão
tivo
Naturai6 sensÍve1 enpÍrico-indu expLicação
tivo
Culturaie eoo cÍ oaal eopÍrico-dia- coop re ens ão
1Étíco

48
--l

O PRINCÍPIO DA NEUTRALIDADE AX IO
LOGICA _ DISCUSSÃO DE UM T EMA

I. Todo esforço de investigação científica exige


disciplina e renúncia: disciplina na medida em que nequer: mé-
todos e procedimentos rigorosos; renúncia enquanto aqueLe es-
forço obriga quem o leva a cabo a abrir" rnão de certas cornodi-
dades, a superar lugares-comuns e a questionar o que a opi-
nião do vulgo chancela como verdades incontestes. Há, assim,
certos "votos" a serem cunpridos pelo profissional da ciên-
cia, não menos nigonosos que os exigidos ao que se candidata
à vida santa, muito embora de natureza bastante divensa.
Dentre essas promessas de rrpurezarr, destaca-se a de
o cientista, enquanto tal, ter que ser neutro, do que decor:ne
o princípio da neutnalidade aaíolígica, condição indispensá-
ve1 ã objetividade de qualquer ciância tenha o homem ou a
natureza pon obj eto , -
Torna-se necessário, contudo, expl-icitar o que pre-
eisamente significa ta1 princÍpio não poucos são os desa-
certos sobre seu significado a- fim de situar com clareza
o seu alcance e natureza. Isto-, porque a ciência consj.derada
neutra poô.e suscitar a intenpretação que conclua por sua inuti
lidade,espócie de pensamento tor?e de nanfín, desencarnada da
história e do plano concreto da existência humana, o que, efe
tivamente, não 6 o que se deve inferir daquele requisito,

2, Inicialmente, é preclso deixar claro que a neu-


tral-idade da ciencia nao se refere à neutralidade do homen de
r+9
caencaa por inteÍro, como se o cientista fosse tat em todos
os instantes em que vive e se inebriasse de ciência por todo
o tnanscurso de sua concreticidade existencial . A neutrali_
dade, ao contrário, é condição do juízo cientÍfico, do d.íscut_
ao científico como um componente da sua linguagen, na medida
em que ela fale acerca das coisas cono são e como se apresen_
tam fatualrnente, divonciadas de uma preferêneia oriunda d.o qua
dro estimativo pessoaf do investigador.
A neutralidade como um dado da ciência t::aduz sin_
plesmente a sua vocação de destinar-se às coieas, elaa nesnas,
da maneira como são intuÍdas mediante pereepção dinêta e ja_
mais filtradas pelo véu quem sabe, irracionsl _ do querer
- arbitrário
e do preferir mais ou menos de cada pessoa.
É de se notar, por outno lado, que o problema em dis
cussão não se soluciona pelo reconhecimento da suposta facili_
dade ou dificuldade da obtenção desta atitude neutral nas di_
vensas ciências pelo menos nas quê tenham o humano por obje
-
to, ela á aificítina o que se questiona é sua indispenl
-rmasconstituir-se
sabiLidade para a ciência cono taI , por essên_
cia. Ponque, então, poden-se-ia indagan em que sentido uma for
na do saben se poderia constituin como ciência, na rnedida em
que não fosse neutra, quer dizen, objetiva. Cíêneia, então,
em
que nedida? Por que lisonjeia os valores do capitalismo?
Ou os
do pnoletaniado? Ou os do cristão? O que, assim, acametaria
uIla sociologia, por exemplo, capitatista, outra pnoletária,
ou
tra clistã? Como, nesta forma de ver, intercambiar os concei_
tos da ciência, condição da sua universalidade, se os haveria
tão disparatados e conflitantes quanto pudesseÍn ser os var.ia_
dos painéis es timativos ?
Sustentar que o conhecimento cientÍfico possa subsis
tir na inconsistênci-a desse tenrit6rio fluido das valorações á
o que não se pode compneender, nuito embora haja os que apres_
sadamentê concordem com uma sociologia'r capitalista,
por opo_
sição a outra, socialista, sem que, corn a mesma facilidade,cos
trmem entender possíve1 una fÍsica do primeiro tipo
em contras
te con outra do segundo. Há que dizer_se que, pelo menos nestã
ponto, o conceito ideal de ciência faz idênticas tanto
as da
50
natureza quanto as da cultura: ambas intencionam o nivel da
maior objetividade, o divórcio quanto a toda ideologiarsem em
bargo de que as da natur:eza o façam a nenor preço, enquanto
as da cultura e histórico-sociais purguem um esfonço mais
penoso nesta direção. Precisamente a Sociologia do Conhecinen
to é que entra neste ponto, principalmente desde suas origens
marxistas, quando se linLitou a utn deanae caranento de ídeolo'
giae, ao debitar ao territ6rio mais subaltenno dos interesses
e dos preconceitos uma sénie de pseudoverdades que a not6nia
má-consciência de certos intelectuais pretendia amalgamar ao
plano da verdade cientÍfica.

3. outro repúdio freqüente de que é vÍtima o postu-


Iado neut::aIista, na medida em que indevidamente interPreta-
do, é o proveniente da eircunstância de que, no âmbito do co-
nhecimento hist6rico-social , o obieto mesmo a que se atém cons
titui urna valoração, uma cá1ida estimativa, ingrediente essen
cial da vida humana, cujo een, como se sabe, é um Permanente
detset set no qual consiste o optar de cada projeto existen-
cial , seja individual ou coletivo.
A objeção consistiria, então, no seguinte: como ser
neutÍo na experiência de apreender nealidades que não são,
Porque hrmanas ?

Aqui há pontos a destacar, no sentido da correta co


Iocação do probtema:
A neutralidade á, não esqueçamos, ptínoípío fonnal
da atitudê científica' e nunca procedimento materia-Lnente co'ío
tdtutiúo de objetos. O que e1a Pretende é o siLenciar dos Pre
conceitos , o deaoeupat da mente que a deixe na atitude recep-
tiva de docilmente entregan-se aos dados que se intuem' Deso-
cupada de toda sua esquiva e nebulosa população de cnedos e
interesses,com. tabuld "asa, Para lembrar a linguagem dos fi-
lósofos, a consciência se potencializa como oontinentê onde
se vão adequar os conteúdoa dos dados, caPtados con ordem e
conformados em sisterÂa. São os fatos que,assim,podem vi:: atá
eIa mas os fator todol, acentve-se e, po:: isso, também
- -
51
os fatoa de ualor que eatão aá, no::eino da cultura, corno vi_
da e como hist6nia, suscetÍveis de apneensão cientifica.
A atitude neutl:alista não ã neutnarna mêdida em quê
ptietenda ext i-npan o cont eúdo axiol6gico da reâlidade, que
rÉo
seria tal sem semel.hante conteúdorcomo sucede coltr o mundo da
cultura, segundo virnos*. EIa não pretende despir o objeto das
qualidades ontol6gicas que o constituem, daí que d.epana
os va
lores naqueles fatos que se definem por serem
f,atoe de oalot,
como sucede con os da vida humana.
É claro que o veiculo de apneensão desses fatos
tem
que varian de acordo corn a índole de que sejan
constituídos,
por isso, não se apreendem os puros fatos da Íres,a forma que
os fatos de oalot. Diante destes úItimos, a intuição
é de ca_
náter aoc ior:,al, já que inporta )rllâ. úiúêneia do eentido
rpoie
os valores falan ao sentimento e só se deixa.m apneencler
atra_
vês dele. Mas ainda aÍ não se estaná valonando,
no sentido
em que a neutralidade axiol6gica supnine
a valonagão, porque
o que faz a intuigão emocional é ileitat_ee possui? po?
oaLo_
res, tomá-los de onde se encontram, e nâo colocá_los onde
rÉo
existem.

4. Ên seqüência, una palavra sobre a eficâcia do


princÍpio neutralista: a ciência tem sido encarada,desd.e
a !e
novação mod €Í'na de sua visão sociológica
rrsabe, de dominaçãor',
a pant i-r de Baconrun-
una ocupaçâo que cada vez ruais 9e curti
va,tanto mais se tstr provada a sua vantag€!tr utif
itár:i-a. O ug;-
que se faz da ciência _ para que não
se confunda a ciência
eideticamente considerada com a utilização nais
ou menos
veitosa que se possa fazen dgJ.6 _ !, pq, certo, guiado IEro
estimativas. Não é outra coisa o que c hamarn os de ion
tácniea _ a
têcnica como instrumento de manipulação da realidade
ern qual
desemboca, funcionaLmente, a avaliação do pa"a
que ou da fína

*
Ver o easaio aaterior, sobre e ooçâo de obj eto e 8ua8 di-
versas espãcies.

52
Li dade socíaL da ciência. Neste ponto, está-se no mais pleno
te::nit6rio das valonações como guias de uma ação po1Ítica pre
sidida por determinadas intenções. Com um mesno juÍzo cientÍ-
fico ou com una mesma oetdade científica que desc::itivamen
-
te nos penrÉta uma previsão do real podel:enos f azer isto
-,
ou aquilo com maion ou nenor eficáciarquanto melhon seja a
nossa ciência ou o perrnita a nossa ci::cunstância. Uma tácnica
cientificarnente fundada, desta sorte, será tanto rnais eficaz
quanto mais saiba do campo sobre que êxerce a sua ação; quer
dizen: quaato nais esteja objetivamente informada, pela ciên-
ciê de que deriva, de qual seja o modo de existin e de pr:oce-
den dos objetos sobre que pretende atuar. Ona, corno o pnincí
pio da neutralidade o que pretende á desocutta:: o rea1, desfa
zendo a teia de pr:econceitos que nossa subjetividade, mais ou
menos arbitrar:iamente, põe entÍ'e a consciência e os fatos, a
sua função sená, por conseqüência, a de efetuari aquele enca-
ninhamento objetivo, no rumo dos objêtos, que pe::mita o ope-
ná-Ios vitoriosamente. O neutÍ,alismo condiciona, assimra pnag
naticidade do uso da ciência, e janais a tese cont::ária, corno
se poderia aligeiradamente concluir.

5. Neste sentido, torna-se possível venifican que a


totatização da exper:iência científica envolve instantes essen
ciais e acidentais, ern alguns deles insenido o princÍpio neu-
trali6ta mais que ên outros. Assin, pon exemplo, supomos que
é possÍvel distribuir os màmentos da expe::iência científica
ên tÍ'ês fases distintas:
\
a) a escolha lÍà - tema a ser tratado;,
b) o desenvolvimento do discurso lógico como concei
tuação;
c) a utilização pnática dos resultados do conheci-
nento .

0 momento essencial da ciência se situa em b; aÍ é


que ee aloja o poEtulado neutralista.Isto significa que tanto
a faae a quanto a fase c demandam uma valor:agão, e não se tor
nam possíveis sem ela.Quer dizer que há toda uma ooçãorguiada
por estirnativas as rnais diversas, no instante em que o candi-

dato ã ciência escolhê o seu tema: se vai fazen 6ptica ou a-
custrca, trslotogr-a ou anatonia, geornet::ia ou matenática; se,
no ânbito das ciências sociais, vai teonizan o equilíbnio e a
nobilidade, ou a 'diacronia e a nudança, o controle ou a tÍ'ans
formação social. As valo::ações entria.m, aí, de una naneina de-
cisiva, e até se podem converter en objeto de apneciação de
ciência:a ciência que analisa os inpulsos e pnopósitos que Ig
van o intelectv,aL a faza" ciânoia de tal ou qual objetorna me
dida en que seus inte:resses lhê selecionam a prioridade dos
tênas de que se vai ocupar. Assim, pon exemplo, conforrae Guen
r.eiro Ramos mais de uma vez observou, há una razáo, eocíolígi
ca, po? força da qual os soci6logos no::te-anericanos desenvol
venrtão acentuadamênte, a teonia do conttola e do eíetena eo-
cial, enquatto os bnasileiros, dinÍamos n6s, passa.n hoje a se
ocupar tanto da teo::ia d,a nudança e das tlansformações soci-
ais. As dineções tenáticas destês tipos de conhecimento podeÍl
sen tratadas ci enti fi carnentê; pon exemplo, pela Sociologia do
Conhecirnento, que thes desvenda as motivações originá:rias.
Escolhido o tema, nediante a opção tal ou qual ,cuja
legitimidade é cientificamente inavaliável (precisanente por
sêr valonativa), o investigado:: passa a desenvolver o traba-
tho propniamentê científico (momento b), e é aí que e1e ten
que ee? Âeut?o, isto, pon suposto, sê o seu intuito fon,verda
deinamente, oonheoer, e não iludir-se ou iludir (de boa ou má
fé). O oUjeto foi escolhido; por. ta1 ou qual nazão (r:m inte-
nesse ideológico consenvador, ou, quem sabe, nevolucionánio);
,nas, de agora em diante, e até mesmo como condição da eficá-
cia da ação posterion para conservar ou mud.an a realidade, o
discunso tem que se ater aos fatos, dizer o que eão, sem o en
galoso véu do pneconceito ou do interesse, pois estes não Ie-
vam ao claro diagnáatico que pennita - desejáveI eficácia úa-
tapêutíca. A ciência está aqui, toda eIa; antês se tratou de
êscolher: opcionalmente o temai depois se t::atará da naniputa-
ção pnagmática (ou po1ítica), dos resultados da investigação.
Ago:la, no entanto, o discu:rso se atán ao real, como condigão
de se poder aginbem sobre ete. Se o conhecimento cientÍfico
é un assalto à :realidade, o neutr:alismo vai exatamente inpe-
dir que ele seja fantasia e se desencaminhe desse objetivorco
54
mo se fosse urra. imaginosa cniação da mente, divorciada do ârn-
bito da realidadê que intenciona apreenden.
0 tencei::o momento, assim, cono se viu, é o da téc-
nica, o da ação prática que utiliza o raciocÍnio científico
como instnunento para desenvolver a ação mais eficaz. DaÍ que
trouvéssernos dito, acima, pa::ág:rafo 4, que uma mesma verdade
cientÍfica pode servir a vaniados p::op6sitos pnagnáticos, es-
tes sim, tanbérr guiados por clalas intenções valorativas (a
nesna enengia nucleatl das boÍrbas atômicas se:rve à fab::icação
dos is6topos radiativos, con apli-cação na rnedicina ou na ag::i-
cultuna). Neste sentido, a ciência, te leologicanente , fun ciona
segundo o neconhecido lena do 'rsaber de donrinação", que tan-
tos the tên :reconhecido (Bacon, Comte ou Schelen).

6. Una dernadeira ::eflexão pode se enlaçar ao nosso


tena e enniquecer o significado do conceito da neutnafidade a
xiol6gica.
To:rna-se necessário reconhecer que a eiência s êfr-
qudrto obieto' dado que á pnoduto da inteligência humana, in-
tegra a cultuna e, cono todo objeto cultural , tem que ser va-
liosa, positiva ou negativanente. A neutralidade axiológica
á, err si mesma, assim, um valor' ou a sustentação de un va-
1o::, qual seja o da objetividade do conhecimento. 0 neutÍ'alis
oo é o valon que essencialmente constitui a ciência como seu
elenento epistenol6gico inevitáveI. Dentno deste raciocinio'a
ciência apênas não seria neutra na nedida em que, considerada
ela mesma cono objeto, consuna o valolt que lhe é pnópnio:o va
Lor oerd,ad,e;que á o seu sentido eidético. lsto é inevitávcI ,
na medida em que a neutralidade tem r.rnl sentido valioso, e os
valores aigníf,ican para a vida hrrnana, valem de neferência u-
nicanente a êIa, pois a objetividade á objetividade relativa
ao quadÍo hunano de refenência, e demanda, assim' a consciên-
cia cognitiva do ser humano. Neste sentido, também, a verdade
científica solicita o ato criador da consciência cognoscente,
a eatrutura lõgica do sujeito Para o qual ela faz sentido' A-
penas, 6 claror êste sujeito a que aqui se alude á o euieíto
t"anaaerlilental , a tazáo como "Iogia" impessoal' enquanto rePre
-r
sentada pela univelsalidade das categorias fo::nais do entendi
mento humaro em ge:raL; nunca o sujeito ênquanto encarnação e-
xistencial, com a suê peculia:: idiossincnasia, pois ao pJ-ano
dessa subjeiividade pessoal é que plecisamênte se opõe o in-
tuito pncfilático da neutralidade axiológica. A objetividade
da ver"dade cientÍfica, desta maneira, é uma univensalieade in
duzida do neconhecimento de uma eot?ubu"a Lõgica ô,a nazão, en
quanto aÍ,madura formal de que todos pa::ticipam em certa nedi-
da. Una objetividade, enfim, que é a intersubj etivi dade t:rans
cendental a que faz neferância a fecunda doutnina fenonenol6-
gr-ca.

Nota bibliogrãfica:
O tera ebordado trêate estudo, que ã, eu graade proporgão,
de Sociologia do Coohecirnento, pode ser aprõfundado- en- leítui
raa que ercedau a forma puraneute esquenãtica aqui apreecuta-
principaluente, t{achado Neio, A. t. eiobleínae -3f,ílo-
!1,-."oro,,das
sof,icoe eienciae hunanae. BrasÍ1ia, UNB, 1966. cap. e5,
coro abundaute referência bibliográfica. f uais: do neluo âu-
tor, Eotnação e tenâ,tica da eoeiologia d.o conhecinenro.
dor, URBe., 1970; Weber, líax. "Eaeai sur 1e eeae de 1a Selva ,neoj
tralit6 axiologiquer daos les scieoces aociologiquee
oiques". Ín.-,Eslai eut La thêotie de La eaienaá. 'raría,"t rloi]
""oio
1965. p._399; para a vieão narxista do problena,KossteEtisov;
F, êt alii, Sociologia- e _ideol.ogia. Lisboa, preseaça, LgTO;
Rauos, cuertêíto. A tedução eooiôLõgica. Rio de .lsoãiio,rSff,
1968; iíyrdal , CuDEar. 0 'oaTot en teâtia eooíal. sãà p""ío.iiá
neíra, 1965; Saupaio, Neleon de Souze. fdeologí.a e ct ânài.â jõ
Lltí-ca. Salvedor, Lív. progrêsBo, I953 (reedilado cono ptíLbj
go a teo"ia d.o Eetado. Rio de Jetreíro,Forense,1960);Goldnana,
Lucien. Ciâncíae hunanae e fil,oaofia. SÁo paulo, Dif. Eur.
Liv. , 1970, e[tre outroÊ.

*
Sobre a8 difereogae ectre tujeíto traaaceÊdeEtal c auJ aí-
to existenciel, e e8 eepãciee de objetividade de1ê3 de co rrea-
têa, reüeteDoa o leitor ã parte fi[al dê8te voluDe, o artlSo
PíLoeofia e aooíología do ootTheoinento.
56
FILOSOFIA E SOCIOLOGIA
DO CONHECIi,IENTO

l. A Filosofia moderna como


teori a do conheci mento:
a des coberta do ea
Constitui modo de inte::pretação da filosofia moder-
na, hoje dorninante, o assinalar-se que o seu objeto, numa tra
jet6r.ia que vêm de Descartes até, pelo menos, Kant e o idea-
lismo transcendental , á essencialmentê uma neflexão sobre o
conhêcimento.
Contemporâneo do idealism.o corno proposição gnosiol6
gica e metafisica, o problema do conhecimento amadureceu para
a meditação do homem rnodenno este cujo inÍcio de pnojeto e
-
xistencial 6 sinultâneo do Renascinento vintude de uma
crise globa1 da concepção do mundo, até -,em
aÍ representada peto
realismo metafísico do sistema aristotálico-tomista.
Essa crise, como 6 sabido, gravita, na ánea intelec
tual , com as retificaçôes processadas pela ciência mod.erna so
bre a imagem física do mundo, que se fundara, tambán, no fas-
tÍgio do aristotelismo clássico, no âmbito religioso, com as
disputas suscitadas pela Reforma Protestante e, na á:rea polÍ-
tico-econômica, com os primeiros sintomas de constituigão dos
Estados Nacionais e sua empresa, de estilo burguês, de dila-
tação do horizonte comercial do mundo mediante a ptioeza das
navegações tran s continentai s.

0 univer:so medievo-feudal , ecurnênico e cristão, aba

57
-

lado en seus alicerces,provoca a necêssidade do sungimento de


um novo estilo de pensarrtal como aê nepetinia com o ::aciona-
lismo desenfreado dos phíLoeophee fnanceses do il,uetnado sê,cu
10 XVÍIr.
A filosofia que surge, todavia e, por isso, irre
cusavelmente nooa -
opera num vazio intetectuali ao con-
tr.ánio, é herdeir:a-,náo
de uma tradição filos6fica que se mostlou
falida e pÍ€tende, por esta nazão, elirninar toda possibilida-
de de rur novo insucesso. Pon isso, cautelos ãJtrente, procura ele
gê!'um s6lido ponto de partida, uma inediaticidade cuja evi-
dência se convertesse, para o pensÉrmento, em ganantia do acer
to, pelo menos de urn novo ponto inicial de reflexão. Ora, sem
dúvida que imediato ao peneanento e desenganadamente dêdo a
ele é o pr6pnio ato de pensan. A eleição cartesiana da dúvida
como método tropeça nesse dado, energente do seio meemo da dú
vida, o da indis cutibi Ii dade do pensamento (que duvida) como
evidência primeira e innecusável. Hussenl diná, nais talide,
po:r isso nesmo, que o pnocedinento cartesiano há que eleger-
se como o ponto de partida ideal de um rigor:oso filosofar.
Neste instante solene e g:ra ve da tnajetónia do pen
samento, o ét] desponta cono personagem centnal do univer:so da
filosofia; porque ele é a prirneira existência necessánia, apo
dítica pois, aa ae penaa, conseqüenteme nte eaíste a coisa
- o êu.
pensante:
Descartes é o descobnidor do az, de r:roa espécie de
intinidade que poderÍarnos chaman de categortaliihite l6gioa. A
este ez, inicialnente posto no idealismo cartesiano em veÍ,ti_
ginosa solitude, esta::ia reservada una peripécia das nais aci
dentadas: o ernpirisno inglês o di-solvenia nas vivências psil
col6gicas da vida anÍmicai Benkeley, dilatando-Ihe a amplitu-
de, fá-lo-ia absorver e negar a matériai Fichte saca:ria de1e,
já então absolutizado desde o panlogismo hegeliano, a totali-
dade do mrmdo; pouco antes, e sem falar na sua decomposição
pelo ácido ceticismo de Hume, Kant o contivena, como tazão pu
,.d, como o manancial donde provinia a muttiplicidade das for_
zraa do sujeito tnanscendental , destinadas a dat olhoa à ce_
gueira da mena experiência e construir seus conteúdos como ob

58
i etoe'pard o conhecimento .
O dualismo eu-nundo o sua dicotomia e divensidade ig
sanáveis, s6 se :resolvenia mais
bemta:lde, ntna linha que vai
de Br.entano a Husserl' após a descoberta da :radical intcnoio-
nalítlad,e de da consciência e de seus atos' Todavia, aquionos
so pnoblema é out::o. . .

2. As duas dimensões do eu:


aIõgicaeaexistênclal
A filosofia moderna, a PaÍ'tir de Descartes' é ura
neftexão acerca do rnétodo do conhecimento, uma gnosiologia ou
teoria do conhecimento. Sua di::eção inquisitiva retroage das
coisas pana o eu que as Pensa - sentido contránio ao do llea-
lismo e da atitude natural do homemt que se reconhêcê mergu-
thadoentneascoisasesesenteentlieêIas'conomaisr:nade
suas espécies, embora muito especial ' PoÍ'que capaz de :refleti-
las com o conhecer. tlas o rêalismo não advente essa peculia:n!
dade-ê,ta1vez'airrevitabilidade-doaa:neleasuaPas
sividade é pe:rmanente, numa trajet6ria que vai de Pa::mênides
e chega a Anist6teles ' Pontos de partida e de chêgada da metg
física realista c1ás sica.
Daí que, nêste sistema, uma netafÍsica ou uqa onto-
Iogia não deixem lugar a dllfia taonía do oonhecinenáo no 6enti-
do rÍroderno. Nesta teonia, a tealídade do sujeito 6 predorninal
te até o idealisno transcendental e sua recolocação do proble
ma sujeito-objêto do conhecinento ' o au se eleva'
então' à cg
tegonia de objeto pr:imeiro da meditação filos6fica'
Está visto, naturalmente ' e ta1 é o Problêma que
pretêndemos abordar r que este êü se deve inte]iPÍ'etar
não cono
a subjetividade concÍ"eta da vida individual ' hist6nica e pes-
soal. Ao contnánio, tt'ata-sê da subjetividade do euleito t?@te
e d::e
aentlental, elin-inada dela, po:: isso, a atmosfel'a cá1ida
se põe
rrática da vida como expeniência pessoal, em cujo luga:r
Esta subjeti-
o âmbito vazio e gelado da fonnalização 16gica'
vidade não pessoalr interPretada couo razão ou coÍp
l'ogoe
'p:Í'9.
' áa
cogito cartesiano ã-
posta riadicalmente PêIa t6cnica do
59
f

raeaexplorada co:n diversos enfoques pela filosofia, através


dos seus departamentos como a Lágiea, a gnoaiología e a epde-
tenologia, 0 conhecimento, tratado filosoficamente a partin
desses endeneços te6ricos, interpreta-se como a expeniência
de um sujeito que não é uma realidade viva e, portanto, não
consider:adas a sua constituição e êstrutura como dependentes
de uma concr.eção hi s to'rico-so ciaI.

3. 0 conhêcimento cono obJeto


de consi deração soci ol6gi -
ca: dâ pol íti ca ã ci ônci a
Este derradeiro ponto é necessário ter
te, para que se estabeleça a relação de frrcntei:ras entre uma
teoría fíloeáfiea do conhecimento e uma socioLogia do conheci
nento,
Se o problema do conhecimento constitui, pnimária e
radicalmente, uma questão filos6fica dada a prionidade des
se problema a toda ulterior tarefa da- inteligância _ra Socio
logia, contudo, se permite um enfoquê da questão, embo::a des_
locando-a pana área inteiramente distinta; porque,evidentemen
te, a Sociologia do Conhecimento não 6 uma nova gnosiologia e
nem deve cultivar, por impossÍve1 , esta pretensão,
A Sociotogia como ciência representou, dentro da mo
dernidade, o impulso de nossa histór:ia intelectual no senti_
do de maion descoberta cientÍfica do humano. permitida e pos_
sibilitada num instante de profunda transição do destino do
homem, contemporânea mesmo, podemos dizê-1o, das onigens da
sociedade de massas, desde que atualizada no ambiente da revo
1ução industrial , a ciância positiva da sociedade foi um pas_
so significativo, num elenco de outros, destinado a surpreen
den o homem como concneção existencial , como fato dado na his
t6ria e nela essencialmente dimensionado. A aceleração do rif
mo da história, e, polâ isso, a naior oieibi|idade das mudan_
ças, permitiu a amptiação de uma visão secula::izada do homem,
A f::agmentação do tradicionalismo e do imobilismo sociais,ain
da sustentadores de uma visão ísag::adaf da hist6ria e de uma

60
metafísica religiosa da existência, pe:.mitiu a nova interpre-
tação do homem como um e?l em diálogo com a circunstàrcia, um
"s e:: em situação" .
A Sociologia terá sido, provavelmente r o mais ex-
pressivo fnuto científico dessa nova antropologia. Nada mais
confo::rne a expectativa, portanto' que seus quadros temáticos
se ampliassem num imperialismo teórico nem sempne promissor,
guer num pa:rticulan, todavia, pôde se:: pnoveitoso: a So-
ciologia estendeu seu alcance ã esfera da ação mental; socio-
togizando o homem por inteirornão se funtou, inclusive, de so
ciologizan a sua mente, O univenso das crenças humanas,das vi
gências, do consenso, da consciência agora pensada ern dimen-
são coletiva tudo isso passou a ser tratado do ponto de
-
vista do método conc:reto e enpÍnico da análise sociológica.
A pnincípio, como se sabe, esse emPreendinento mo-
vimentou-se com intenções menos científicas: pnetendia-se, com
a descobenta da inten-re1ação entne Pensamento e sociedade,
tnarlsfenin ãquete a t::ans i toni edade do pnocesso hist6nico deg
ta e, assin rvulnera.li a pnetensão de oerdad.e abnigada PeIo pen
6amento. Êle se f,uncíonalizatia como atributo ditado pela in-
serção do homen ern 6eu griuPo e na sua época, pois, afinal de
conta6, para lembnan Debrun r se o homem é vendadeinanente his
t6nico, é pneciso que o seja por inteino.
Num pnimeiro nomento o modo sociol6gico de tratar
'
o plano das idéias-ê vislumbrar nelasr como um seu comPonen-
te ou cotrro um seu pnop6sitor certos elementos extnateónicos
visou uma intenção polÍtica de " de smas canamentorr ' 0 meu Pon
-to de üieta, a nlnha poeigão doutrínãti a comodamente se sen-
tia privilegiada por descontinar, na douttina alheia, a insi-
nuante p:nesença do intereeae, do condicíonamento político-so-
cial, da iileología, enfim,que a levava a esPosar "idáias" co-
mo ner:a oobe?tula r:acional, ocultadora de privilégios os mais
variados. Na polêmica suscitada pelo pensamento marxistar o
pionei:rismo da deecobenta da c:rÍtica social das idéias vinha
nancado pelo objetivo de denuncian o mecanisno "alienador"das
rrideologiasr'. os intenesses r ou os ttresíduos" r Para lembrar a
linguagen de Panetor descobertos como determinantes dos produ
61
{

tos mentais, passaram a ser indicados como fatores Í'esponsà-


veis pelo desvio do pensamentb no seu roteiro rumo à ve::dade.
Todavia, a partil desse passo inicial , outr?os pode-
r.i am ser dados com o prop6sito de credenciar a Sociologia do
conheciÍnento na dir.eção de uma pnoveitosa gnosiologia do huma
no. SaÍda do calor de uma disputa político-ideoJr6gi ca , a aná-
lise do condicionamento social das idéias e da vida intelec-
tual encanrinhou-se no sentido de considerar a historicidadê
do homem e de sêus produtos intelectuais, já agora consciente
da fecundidade te6rica de semelhante ponto de vista.Assim, nu
ma trajet6ria que vem de Schele:r e Mannheim até os estudos a-
tuais de Gunvitch, Mêrton, Sorokin e Michel Debnrn, o que se
pretendê corn a Sociologia do Saben é introduzir, no ânbito dos
produtos da inteligência, a visão histórica pnópria de uma
teoria do homem ao nível da moderna antropologia filosófica.
Isto que! significar, muito pnecisamente, que o seu propo-sito
é rnenos uma intenção política de " desmas caramentorr da inteli-
gência do que uma abordagem deIa, no núcleo de uma discipli-
na cientificamente acadêmica, como r.m componênte da vida huma
na conside::ada um sen em situação, uma ::ealidade concreta in-
se::ida numa peculiar circunstância tenpo-espacial.

4. 0 caráter exi s tenci al da


teori a sociol69i ca do c0
nheci men to
Este novo e especial enfoque da nealidade hurnana
tonnou-se possível a partir do amadurecimento do que se pode-
r:ia chamar a Lígiea da hietotiaidada, e sêmelhantê fenômeno
se equaciona como efeito de duas grandes ocornências: uma na
área da vida intelectual, e outlla produzida por fatores re-
ais .
No pnimeiro caso, terÍarnos de levar em conta a cri-
se interna, processada no seio do nacionalismo intelectualis-
ta p::óprio dos sistemas idealistas da fil,osofia moderna.As re
novações do idealismo tnanscendental de Kant, verificadas a
partir das úItirnas dácadas do sécu1o XIX, acarnetar:am a fi:ag-

62
mentação do nodelo naturalista da conceituação cientÍfica en-
tão dominante. o neokantismo axiológico e culturalista da Es-
cola dà Baden, com t,lindelband, Rickert e Lask, associado ao
esforço de Dilthey no sentido de o:rganizar uma "cnÍtica da ra
zão hist6rica", exibiram a insuficiância do conceito kantia-
no-idealista da ciência que se continha nos limites da edifi-
cação das bases a priorí do conhecimento da natureza; a iaáia
do conhecimento "avaloradoÍ"' de Rickcrt, da conceituação"idio
gráfica" de Windelband e da captação do sentido interno do a-
contecer mediante o Procedimento da "compreensão",segundo Di1
they, ampliaram o quadro da lógica das ciâncias para o reino
das coisas humanas a história, a cultura, a sociedade a
- objetos- de
té então duvidosamente acreditadas como possÍveis
ciência. Uma tradição r"acionalista de Pensamento geometrizan-
úa e a-hist6rico que vinha desde Descartes como posição doni-
nante, aqui e ali apenas levemente contestada como em Vico
(]-725), sofre a grande crise que foi' tambémr o rna:rco de superg
ção da concepção positivista da nealidade'
Este ePisódio Preparou o domínio teó::ico das filoso
fias historicistas e existenciais do século XX' No domÍnio es
trito da teoria da ciência, ele foi servido pon cont:.ibuições
tão or^iginais como a idéia scheleriana e fenomenológica da in
tuição emociona!, a Lõgica da razão vital de Ortega y Gasset
e o n6todo empÍri co- di alético de Ca::Ios Cossio'
Por outro lado, os fatores reais suficientes a impe
1ir o pensamento moderno nessas dineções vêrn todos ligados ao
sistema de mudanças sofrido pela sociedade ocidental a Partir
do Renascinento e, mais propriamente ' da Revolução Industr:ia1
dos sácuIos XVIII e XIX' Os abalos então sofridos
peta socie-
dade, devido ao cunho de globalidades de que vinham marcados
'
impuseram à meditação o ProbleÍna da vida humana
como objeto
p::ionitário. E'Porque esses abalos,pela sua intensidadet frag
mentaram a ordem social, o conflito de intel:essês
então surgi
cr'í-
do acarretou aquela atitude de desconfiança ê de ::eserva
t'honestidade"
tica quanto à veracidade e, mesmo, quanto à
das

atitudesdainteligência;éoqueMertonpôdeexpressarcom
prop::iedade:

63
J
A sociedade oade a desconfiauça nútua sê traaluz por
erpressães populares tais couorquanto ê1e ganha Eis
eo-?' ; onde i charlatanice' e 'taiiroba' hã uais de un-
sécu1o são considerada6 vernãcu1o, e rdesbaocarr o
veu sendo hã jã uns dezessete anosl onde a publiei-
dade e a propagaoda origÍnarau uua ativa resistên-
cia a se aceiter os argumentos aperas pelo que são;
onde o cooportaEento pseudo-couunítãrio, utilizado
como disposÍtivo para se aecender nas escalas polÍ-
tica e ecoaôuica, coupãe uu livro de ampla tiragen:
couo fazer -'auigos' que possau ser inf-luenciados;oE
de as relações socíais cada vez naÍs são instruneo-
Ealizadas de forma que o indivÍduo passâ a ver o ou
tro procuraEdo, aotea de mais nada, uaaipulã-1o ã
erplorã-1o; oode o crescente cinismo afasta o iBdi-
víduo das relações grupais sigoificativas,e at6 cer
to ponto o torua estraBho a si mesmo; oode a incerl
teza eE relação a seus pr6prioa motivos aê expressa
na frase indecisa rlsto talvez seja racionalizagão
ninha, mas... ti onde as defesas contra o trauna pro
vocado por desilusães podem levar a uu estado de dã
silusão pernanente, que coÍrsiste eu reduzir as exl
pectati\,as baseadas aa integridade doa outros,menos
prezando a p"io"i seus notivos e capaciilades;ero taf
sociedade, â aÍrálise ideol6gica s is teuãti ca e uura
Sociologia do Coahecinerto . derivada dessa aná1ise
en'coDtran s6lidas bases socrar-s ;

e, ass1m,
a sociologia do couhecioento t.orna-se pertinente ouo
deteruinado conplexo ile condições sociais e cultu-
rais. Devido à intensificação dos couflitos Eoci-
aÍs, as diferenças entre as atitudes, valores e uo-
dos de pensar dos grupos vão-se acentuaDdo, a poEto
de a orientação comum que os reunia anteriorEeD.te
ser obscurecida por difereDças inconpatÍveis.Não se
trata apeoas da fornagão de vários universos de pen
6amento, uas de que a siuples eristôncia de cada uí
deles desafia a validade e a legitinidade dos de-
rnais. Â coexistência de tais perspectivas e inter-
pretações conflituosas Da nesua sôciedade coBaluz a
uma ativa e recíproca desconfignçg eutre os grupos.
Num arobiente de desconfiança,já náo se vai iodagar
do conteúdo das cren.ças e áas afirnaçães com provas
relevanEes; introiluz-se uEa pergunta inteíraoeEte
nova: cortro se explica a peruauôocia de tai6 pontos
de vista? O peEsaEe!'to sê tollla funciouall passa a.
ser iÍtterpretado eE ternos ale suas raÍzes e fuuçõee

Merton, Robert K. "Sociología do conhecimeato',. In: I'{aEn-


hein, Karl; UêÍton, RobêrL K. & Mi11s, C. flright. S oci oL ogí a
do conhecínento. Río de JaE.eiro, Zahar, 1967. p. 85

64
p6ico16gica6, econômicâs, sociais ou raciais. Eu
geral, ta1 resurso se aplica a caeos erD que aa de-
claraçães se apresenten cotlo pouco dignaC de crãdi-
to, ostensivauente ioprovãveis, abeurdas, teaileacio
sas, de tal forua que já oão irteressa Dais exanil
nar as provas coÀtrE ou a favor dos argu[euto8, bas
taodo descobrir as razães que as Eotivararo.EsEae dã
clarações adulteradas são rerplicadas por'ou tinpí
Eadas ar intereases particulares, uotlvos iacoaaci-
eD.tea, perapectivas distorcidas, poeição eoci,al,
etc. CoEseqüenteÍoeEte, ao níve1 do 6eD'ao conuu isto
leva â ataques recíprocos à integridade ilos oposito
..", .oq,raáto os ,ais eístenãticãs proceilem a núI
tuas ranãlises ideol6gicas r. Os ataques e aoálisee
aliEentam essá atnosfera de irsegurança coletiva, e
são por ela aLinentados.*
Este arúiente, que,por u.m lado,explica sociologica-
mente as condições sob as quais for:am motivadas as origens da
Sociologia do Conhecinento, por outro, põe a des cobeÍ'to as di
ficuldades quê teria de enfrentar: pana constituir-se como ci-
ênci.a, devido ao agudo clima de inquietagão sob o qual 6e Prg
cessou o seu apa::ecirnento. Não Par:ecerá estrarho, Pot: issornea
sa lr,nna oe racr-ocLnr-o, que o seu des loc.rmento do ternit6nio
da ação po1ítica para o da teoria acadêrúca haja provocado da
queles que só a haviam irnaginado como instrumento de luta
os denunciadores da consciência ideológica a acusação -de
-
que não seria outna coisa que mera rrciência bunguesarr.Isto pa
ra não falar dos que the pnêtendem impugnar a validade te6ri-
ca, sob a alegação de que se trata de uma esPúIria e grosseil?a
invasão da Sociologia ao tenrit6rio rar€feito e sofisticado
dos problêmas da filosofia, com o agravarnte de pnopon, aí rr:ma
dissolução cÍ'Ítica da confiança filos6fica de a1çar a tazáo
ãs altitudes da vendade universal.
Assin, de um 1ado, a Sociologia do Conhecimento so-
fria o irnpacto da cnítica política; de outro, a possÍvel acu-
sação da impureza de suas indagações e do des astÍ€ gnosiológi
co de suas conseqüências.

*rbíd., p. 83-4.

65
J
5 0s limites entre Filosofia e
Sociologi a na consi deração
do conhecinento
' A questão se eonpõe, todavia, dentno de outlias di Í€
tivae: Sociologia do Conhecimento e Filosofia corto ctítíaa do
uesno conhecimento sinplesmente têm prop6sitos divêrsos.
É preciso consi dena:: que, por nais de uma vezrna mo
deznidade, Sociologia e Filosofia têm inte:rca-nbiado fecunda-
Dênte auas peltBpectivals de abordagên. Isto se dá, eentaroente,
não porque a Sociologia, por inatuta, ainda seja ur tanto ;Êi -
Loe6fica, mas em função de que a des coberta atual do humano o
encontra ontologicanente ei tuado, numa experiência coexis ten-
cial que pnivilegia o ponto de vista sociol6gico. e eeisten-
aíal,ienot o híetotiaieno, o cul,turaliamo, o pe?epêctíúieno,
etc., aão, todas, filosofias da concr=ção, da vida como opção
e projeto, e de onde arranca rura rnetafísica da existênciarque
não s6 incorpona a visão sociol6gica, como a tem, igualnentê,
condi ci on ado no seu evolven. DaÍ que muitos especialistas do
conhecinento hist6nico e sociol6gico sejam tambán, pon outro
1ado, íntinos da neditação filos6fica, ou desta se dinijam pa
ra o carpo daquelas ciências, a exemplo de Ortega y Gasset,
Hane Fneyen, Arnold Toynbee, Max tleben rHenbêrt Ma:]cuse, piti-
rrin Sorokin, nuna seniação, assim, ao acaso, sem esquecer o e
xeup Io de un soci6logo caractenisti ca:nente profissional do ní
veI de Enile Durkheim, err cuja Soci.ologia e filoeofía se cogi
ta de una questão nuclearuente filosófica como o problema dos
valores. De resto, este enlace recua atá as onigens nesmas da
Sociologia, que por nuito tenpo se considerou, con pnejuÍzo
para ela pn6prria, um sinples frr.to da doutrina positivista da
filoeofia francesa do século XfX.
Ta1 pnoxinidade reque!., pon isso mesmo, certas cau-
tê1as na deJ-imitação de fr:onteinas, como as que aqui se ten-
tam no que respeita à questão do conhecimento,
A gnosiologia, como ocupação filos6fica, trata de
lua invêstigação das bases a ptiotí, isto á, formais, da capg
cidade de conhecen. Não leva necessariamente em conta que es-
aea a ptiorí possajIl vi:: a ser a encarnação existencial do ho_

66
mem efetivo, como os elementos de uma mente concreta e hist6-
rica. A pergunta da gnosiologia, por isso, é endereçada,ern ni
vel de extrema abstração, à univers alidade de uma razão cons r
denada como o Logol da subjetividade tralls cendental es te
que se considera o suieíto do conhecimento, desprovido- de car
cunstancialidade.
A Sociologia, por seu turno, ciência de objetos ne-
ais'opera a questão do conhecimento como uJn componente do uni
verso da cultura e, por isso, o vê como elemento histónico,ge
rado por algun epis6dio de vida. Neste sentido, se eIa cogita
do saben para r€Iacioná-lo com a sociedade, em função das con
dições ::eais de vida do pensador, o suieito do conhecimento'
desta forma considerado, não será nais um Zogos desencarnado,
vtta razão pura ov transcendental' mas, divelsamente, o homen
existêncial com toda a carga da sua concreticidade. DaÍ que a
Sociologia do Conhecimento deixe intocado o arsenal das cate-
gonias 1ógicas, entendidas como eI_ementos a P?iori, for^maliza
dores da operação do conhecimento. ^
Considenadas estas diferenciações, não édifícit con
clúr que a maior repercussão dos estudos sociol6gicos do co-
nhecimento no quadro da ocupação filosófica não se verifica,
stpicto aenau, no quadrante da gnosiologia ou teor:ia do conhe
cimento. É, antes, e isto se pode considerar pal?ti cularmente
a propósito do pensamento de Max Schelel:, no tellreno da meta-
física compneêndida cono concePção do mundor ou, especialnen-
te, como mundividência existencial' A Sociologia do Conheci-
mento pode, aqui, ao descortinar a indispensável faceta coe-
xistencial da vida humana, acrescentar muita coisa à conside-
ração dos sistenas filos6ficos como vivências concretãs de de

*-
^A exceção que a esta liuitação se poderia opor' ou seja'
os trâba1ho8 de DurkhêiE ou oa estudoa de Levy BrhuI sobre a
Eertalidade priuitiva "prá-16gica" os quais, de algun no-
-
do, tentarau uua explicação sociol6gica ilaE cateSorias do en-
t"odír"oto uão tâE roaior valia, seja Porque, no fundo, não
-
atingeo a dioeneão 16gica, quer dizer, fornal' do conhecinen-
to. ieja porque seua forouladores forau tão abuüdantes nas
correções de euas pr6prias idáias,que siDPlesnente thes rou
barao coerência significativa.
67
teruinadê-s expe:riências hist6ri co- culturais . Em pensadores
que não fona-m nigoros anente soci6logos, a exenplo de Dilthey
e Or'tega, pana não falan êm ce?tos pontos da fenonenologia
huseenliana, o empenho com que trêbalharan a iaáia da vida e
as catego:rias da historicidade os conduziu a uma inplícita so
ciologia da filosofia. Pon isso, supomos que ultra anttopología
f,iLoeôfica, ante6 que a teo?ia d.o conhecinento, á que ::ecebe
o inpacto mais substancial da Sociologia do Saber:.
Un reforço desse modo de ver se::ia encontrado na
cincrmstância de que o p:roblena fundamental da gnosiologia _
o p:nob lema da ve:rdade não constitui, pelos menos à altura
atual da SocioJ-ogia do- Conhecinento, a sua questão p::imondial.
Exp1i quenos êste ponto: o probLema noético da venda
de, openado no âubito da polaridade sujeito-objeto, pode ser
solucionado em definitivo, do ponto de vista categorial, por
una fenomenologia do conhêcimento, independentemente da consi
der:ação dê como cada homern, em cada cultura, desenvolve a sua
experiência intelectual inpelido por inter:esses ou ÍnesÍduos,,
que, de una forzaa ou de outra, lhe empalidecem a visão da rea
lidade. Nêstê últino terreno, o que se discute já não á mais
a rrcapacidade'r humana (nacional) de conhecêri diversamente, o
que se leva eE conta á o quadno concreto da vi-d.a sociat em
que o homem se acha inserido e em virtude do qual- o seu enten
dinento não aciona todos os instrumentos previa:uente reconhe_
cidos coDo aptos ã colheita da verdade e que constituem o pa_
tr:inônio do sujeito trans cendental.
Desta maneina, o conceito de subjetividade se pode
deadobrar em dois sentidos: a subjetividade que se poderia
qualificar de etietencíaZ e na q:al entra o componente soci.al
conatitutivo da vida hr:mana, e a subjetividade ttanscenden_
úaZ, à roaneina do eogito cartesiano, constituÍda pelo con j r.ur_
to dos pnedicados formais e impessoais da mente apreensola. A
expror:'ação da pnineina á coberta pera temática da sociologia;
a aegunda, pelo ânbito gnosiol6gico da Filosofia.
De igual manêina, e explonando um marco te6::ico do
Hussenl das Meditaçães cattesianas. há uma intersubjetividade
quê á a da coexistência social, sustentadora
das vigêneías e
68
dos valores dos sistemas cultu!"ais, e uma inte::subj etividade
formal e categorial, apoiada na comr:nidade dos p:redicad.os na-
cionais da mente, Resulta, por isso, que se possa falan em
dois níveis de objetividade, conectados com as neferidas espé
cies de intens ubj eti vi dade : a obieti»idade eocial das üi-
gênciaa em amp 1o sentido -
como o faúo efetivo
-,considerada
de uma crença, porque sustentada e vivida coletivamente com
independência de sua validade 16gica, e a objetioídade ttane-
eendental, tambén intersubjetiva, poryue apoiada na univens a-
lidade formal da razão, que, assim, não á una solitude, e da
quaL r€su1ta a decisão do fato da vendade en termos lógicos.
0 perigo do mais insanável relativisrno gnosiol6gico
reside em não se estabelecer a delimitação devida entre es-
tes dois tipos de intersubjetividade e em se supolr, entãorque
a Sociologia poderia empalma:: a solução de um problema filos6
fi co.
Poryue, se a objetividade como intens ub j et ividade
inter?neta a esta últirna como a solidariedade social de uma
vigência, a medida do conhecimento vendadeizo vaniania ao sa-
bor da fl-utuação dos estilos cuLturais, e não se chegariarpo::
isso, ao níveL da verdade, sequer como descnição essencialrco
mo pretênde a fenomenologi a.

69
UNIVERSIDÀDE FEDERAL DA BAHIA
PROCRAMA DE TEXTOS DIDÃTlCOS
Pub 1i caçãea de 1970

ÀBRAUo, Peraeu. Peequiaa en cosTA, carloe' 0 'Ptoblema


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para eatudatrtea. Salva- cia. Salvador, DePârta-
ão., Mestrado erl Ciên- ."i." a" socioiogia' [Fa-
ci as HuroPnas,1970. 78 P' culdade de Filo.eof ia e
(U.F.Ba., P.T.D. ' 8) Ciâncias HuEaEaa I 1970.
33 p. (u.F.Bâ., P.t.D', 1)
BRÀNDÃo, Maria ile Àzevâdo , fUJIMORI, Shigueoi & FERRE I-
cono. leotia da ínoeeti- RA, Yeda de Andrade. In-
goção e ciânciae do ho- trodução ao uso do nictos
àem; textos de Eetodolo- c6pio petrogrãfieo, sal-
gia dae ciências soci ai s . vador, DePartaEento 03 '
§alvador, DePertanento de cêologia IInstituto de
Sociolo cia IFaculdade ile GeociânciasJ 1970. 2O2 P.
-ciênciae Buua
Filoeofla e il. (U.E.Ba. ' P.T.D., 10)
117 p' (u.F.Ba.i
"."]iezo.
P.T.D., r3) cALINDO, valduEiro N a e cioen-
TEo, eonp. Tedtog de eco-
nonia bpa,silei?a. Salva-
comp. 0 Racíocínio ec- dor - DeDarcaEenEo de Eco-
-, perinental. deSalvador, De
Sociologia
oorír IFacul<tade'l- de C iên
iartaueoto cias EconôuícasJ 1970.
IFaculdade ile Filqeofia e 96 p' (U.F.Ba., P'T.D.,15)
ôiêocias Huaaaas] 1970.
225 p. (U.r'8a., P.T.D. ' JANCSõ, István & CA_SAEI , Re-
r4) gina R. Int?od.uçao ao
eatudo da hietôniat hi s-
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preaaibiltdade e adenea- Par t. especiat de Kunio
mento dos I olo s. SaIva- Suzuki. Salvador ' De ar-
dor, Departanento de C iân tanento de ltiscária t Fa-
cia e Tecnologia do I l{a- culdade de FiIo ofia e
teriais IE6co1a Pol i t 6c- C iânci as Hunana a I 1970.
nical 1970, 28 P' ir' 125 p, (U.r. Ba.,P.T.D.,11)
(U.F.Ba., P.T.D. 4) & TEYSSEIRE, Daniel. rz
'
- tt,oducão do estudo da hiã
' Diatríbuição das Pnee- tõria\ híet6ría da hi sl
eões nos qo Zos. salvador, tor iogr af ia (rooEentos).
Depar taoent o de Ciêocia e Part. especial de Kunio
Tecnoloeia dos Matêriais suzuki. salvador ' DePar-
IEscota Politãcnica] 1910. tamento de uist6ria I Fa-
13 p. i1. (U.F.Ba.,P.T.D., culdade de Filosofia e
5) ciências Humanas] 1970.
120 p. (U,F.Ba.' P.T.D.,
' No_ções sobre c -eac.oanen 12)
to de agua at?aúea doa so MAC HADO NETO, A . L. FO"NA-
'Loa. Salvador, DeParta-
çrio r, tenáLica da sociolo
Dento de Ciência e Tecno- ,,1,i.a,lrt r:onhccinento. q.I
logia dos Materiai I lEs- v:rrt,r r , Mt st rado ên C i ôn-
cola PoIitãcnical l97o' l i rr:; llrrtrt;trr;t s ,197 O. 246 P.
7 p. i1. (U.F.Ba., P.T.lr., ( l,. l, . lljr. , l'.1.1).' 9)
6)
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fotogeoLágica. Salvador, toe báeieos pana ' eeminá-
De par EaEe nt o 03, Geolo- rioe de lógica. Salvador,
gi1 lln.etituto de ceo- gepar t aBento de Filosof ia
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(U.F.Ba., P. T,D. , 18) ôiênciaa Huúanas ] rszO.
55 p. (U . F . Ba , , P. T. D . , 16)
UÂTTOS,M.A., conp, Seleção S0UZÀ, Judith Endraos de,
d.e testos deetinados aa comp, A Atiüidade eeper, í
eu" so de ,Lídá tíca. Sal- nental no ensino de biol
vador, Depart anento de
Teoria e Prát ica de En- 7.ogia. Salvador, DeparEa
sino das ciâ ncias Huoa- Dento de Teoria e Prãticã
nas e Letras [Faculdade de Ensino de l.ÍateEãtica e
de EducaçaoJ 1970. 89 p. Ciâncias Experirnentai s IFa
(U.F.Ba., P.T.D., 3) culdade de Educaçao11970.
2 par tee (U.F.Ba.,P.T.D.,
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TÀVARES, LuÍs Henrique Dias,
Iracetoa À, & SAM
NASCII.IENTO, conp, Seteção de testos
PÀIO, Har ia da Gl6rial destinadoe ao cuÍso de
Rotei"os de ptáti.ea de fi Eístõria do Brasil. sal-
siologia aninal. S a 1va- vador,DepartaBento de Hi s
dor, Departenento de Zoo- tória IFaculdade de Iilo]
logia- [Instituto de Bio- eofia à Ciânc i a s Huuanasl
1ogÍaJ 1970. 112 p, i1. 19 70. L47 p. (u.r.sa.',
(U.F.Ba., P.T.D,, 2) P.T.D., 7)
No prelo
UNIYERSIDADE FEDERÂL DA BAHIÀ
PROGRAMA DE TEXTOS DIDÃTICOS
Publicaçãea ile 1971

ÀRA0Jo. Josã DúaÊte de. cotap. Proprietlailee doe eolo e


Rediiddd.e nádico-aanitã- e fertil.idade. Tratl . Cã-
ria do Brasi L; seleção 1ia Peixoto Iíotti e Paa-
dc textos. Salvador, De caI Mott i. Salvador, De-
partanento ile Iledicinã partsúeuto I, In sti tuto
Prevent iva, E acul il ad e ile de Geociênciaa, 1977.
Medicina, 19 71. r06 p. (U.F.Be., P. T.D. , 40)*
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Medicina Preveutiva,Facul soc iologi a. Salvador, De
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19 p. (U.F.8a.,P,T.D.,29) Facul dade dc Fitosof ia ê
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de texto s, Salvador, De- 19 )
partaDerto de Filosof ia, F0NSECÀ, Carlos Àlberto dâ.
F aculdade de Filosofia e Conttíbuiç õe e fannae ognô a
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1iâ Peixoto iíotri t. I'a§- taúento de Ciâacia e fecl
cal Motti. Salvarl.'r , De- nologia doe -Materiais , Es
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r

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dor, DeparteDerto v, Eco- re, conp, Da Ciância à
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RÊcO,Feruando. Eíenentoe d,a 197r. 273 p, (U.F.Ba.,
Lógica cLã,a ei.ca. satva- P.T.D., 25)
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loeofia, Faculdade de Fi- uorfo lõgi cae na região de
loeofia e Ciênciae EuEa- Mar âgog ipe lpor I laelaiae
nas,1971. 39 p. (u.F.Ba., M. SaBto6 e outroa. Sal-
P.1.D., 32) vedor, DepartarDetrto I ,Ina
ti tuto de Geocíênciasl
ROBATTO FILII O, AIeraEdre . 19 71. 15 p. i1. (U.F.Ba.,
leenica ile angulação para P.T.D., 21)
radiograf,ias pe"iapícais. VICTAL, Carlos centil M. Do
Salvâdor, DepartaEento I, Ponto, da ?eta e do pta-
l,Íedi ciaa Oral e ClÍnica, no, Salvador, Departaoen
Faculdade de odontolo8ia, to I, Faculdade de Arqui:
19 71. 17 p. ir.(U.F.Ba.,
P.T.D., 38) tetura. 19 71. 152 p. iI.
(U,F.Ba,, P.T.D., 33)
*No prelo
UNIYERSIDÀDE TEDERAL DA BÂHIA
NÚcLEo DE REcURsos DIDÃT Icos
Pub li caçõe s de L9?2

BRÂGA, Cãlia Maria Leal, GAGLIÀNo,ÀEa CriBtina Ruerti


comp. A fnoeetigação en marrn & CARVÀLHO, Ivaaã
sociologiai se 1e ção de tex Lúcia Botgea, eomp, AL-
' tos. SalvadorrDepartaoe; guna tertoe bãeieoe de
to II, Sociologia, Pacul= pei,eologia da ap"êidiza-
dade de FiLosofia e Ciân- gen. Salvador, Departa-
ciae Huuanas, l9 72 , Par- nento daa Ciêocias da Edu
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totogia. Salvador, Del LE I TE , líoacir Ub iraj ara Pe-
partaEeato III, Cirurgis, reire. Ldgagõee tubuLa-
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da atte btaetleita eonten ' A Natu"eza eetatíeticd
ponãnea; seleção de E exl doe carneganentoe dciden-
toa. Salvador,Departaroen taía naa lajee de êdifí-
to I, Itist6ria da Arte,Bã eio. SElvedor,Departelletr
co 1a de BeIas 4rte8,1972; to Iv, Faculdaàe àe arquE
(U.F.Ba., N.R,D., 44) tetura, 1972. 13 p. i1.
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nio CarIos Motta e Geral- dáiae políticaa. sarva-
do da Silva Vilas Boas. dor, Departanento ile C iên
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i1. (U,F.Ba., N.R.D., 4s) N.R.D., 53)r.
f

MoTTÀ,4lb ãr ico Jos6 Liua da, ROCHA, Zãlia Maria M. da &


conp. Anto'l.ogia do pensa SILVA, Carlinda Pereira
nento político. Sa lvad o rl da. Manual de fisiologia
Depar tanênt o de Ciâacia 'üegetal. Salvador, Depar
PolÍtica, Faculdade de Fi taoento II, Botânica, Iuã
lo sofia e Ciências Humal ri tu ro de Biologia, l9 72.
nas ,19 7 2. (U.F.Ba,,N.R.D., (U. F. Ba. , N.R.D., 54)Ír
60)*
MOTTr,Cé1ia Peixo to. As GLa
ciações quatetnárias A
suaa ?epe"euesoes nos Lí- SANT0S, JayEe Bandeira. Ma-
tot,ais dae regíões intet- nual de fisiologia ne"oo-
tropicaie (en particular. Bct. Salvador, DepartaEeD
do oceano Atlãntieo ). Sal to de Fisiologia, Insriri
vador,Departanento. I, Iuã to de Ciãncias da Saúde;
tituto de Geociênciasl 1972, v.1 i1. (U.F,Ba.,
1972. 30 p. Í1. (U.F,Ba., N.R.D., 56)
N. R. D. r 51)
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geocronologia nucl eaÍ. Sal raea, comp. Soeiologia tu
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Instituro de FÍsiqa.1972. Salvador,DepartaI0ento II r
(U:F.Ba., N.R.D., 59)rt Sociologia, Faculdade de
RÊco, Fernando Antônio Lo- Filoeof ia e Ciênci as Huna
pee. Ciâneia e filosofía. tas,1972, 229 p. (U.F.Ba.l
Salvador, Depart aEento de N.R.D., 43)
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Pilosofia e Ciâncias Hu-
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N.R.D., 6l)í. VÀSCO DA GAMA, Nilron, pedre
na bibli-osrafia de 1iLàLã
R0BATTO F ILHO I Alexand;re. gia tonaniea. Co1ab. Te rã
llonenelatura en tadiilo- sa Leal Gouça1ves pereil
gia odontopediãtrica. saL ra, Celia Mârquês Te11eB
vador, Depar t auento I; e Vera Lúcia Britto co-
Medicioa Oral e CIínica, Ees. Salvador,DepartaDento
Faculilade de Odontologia, de Letra6 Rooânicas, Ins-
7972. 19 p. i1.(U,F.Ba., tatuto de Letras, 1972.
N.R.D., 58) 158 p. (U.F.Ba.,N.R.D.,46)

*No !rrelo

I
t
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I

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