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Análise Transacional

Para o desenvolvimento
interpessoal

Por Antonio de Andrade

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C 2016 by Antonio de Andrade
Em Registro na Fundação Biblioteca Nacional - Ministério da
Cultura
Escritório de Direitos Autorais
Todos os direitos reservados (Lei Nº 9.610 de 19/02/1998)

Capa: Gregory Anthony Gallo, Red Man Studio, N.York, USA


Direitos da capa adquiridos por Antonio de Andrade

Catalogação na Fonte do Departamento Nacional do Livro


da Fundação Biblioteca Nacional

Andrade, Antonio de, 1944-


Análise Transacional para o desenvolvimento interpessoal,/ Antonio de
Andrade; (capa: Gregory Anthony Gallo, Red Man Studio, N.York, USA).
188 p. ;.
Inclui bibliografia.
1. Psicologia Geral 2. Análise Transacional 3. Educação de adultos.
I. Título

Este texto foi estruturado a partir de pesquisas e análises feitas em


muitos livros de Análise Transacional, estruturado em uma seqüência lógica
e de fácil compreensão, de modo que a teoria da Análise Transacional
possa ser compreendida em suas partes e no seu todo.

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ANÁLISE TRANSACIONAL PARA O
DESENVOLVIMENTO
INTERPESSOAL

1. O texto deste livro está estruturado em formato de curso auto-aplicável,


com a teoria, exercícios práticos, avaliação e diagnósticos que facilitarão
conhecer os principais aspectos da Análise Transacional, dando as
condições para utilizar a ferramenta prática e moderna da Teoria Análise
Transacional, condições para analisar e compreender o comportamento
humano, desenvolvendo a qualidade do seu relacionamento interpessoal,
otimizando os modos como se relaciona, ampliando seu modo de pensar e
atuar.
2. Os exercícios práticos permitirão vivenciar os conhecimentos.
3. Com a leitura você aprenderá a melhor vivenciar os seus papéis como
pessoa humana e a ter atitudes mais saudáveis consigo mesmo (melhorando
a auto-estima e motivação) e com as outras pessoas, evitando conflitos,
obtendo melhores resultados nos modos como se relaciona com os outros.

Histórico: Eric Berne e Dr. Wilder Pensfield


E Análise da estrutura da teoria e seu funcionamento
Quando você conhece a teoria da Análise Transacional você fica
impressionado como consegue perceber os tipos de relacionamentos que as
pessoas apresentam, vendo os comportamentos à sua frente se modificando.
Você percebe as posturas, o tom de voz, as Expressões faciais, os gestos. A
Análise Transacional, dentre várias teorias comportamentais, é uma
ferramenta das mais fáceis de ser utilizada na compreensão das mudanças
comportamentais. Em 1956, surgiu uma nova teoria, um novo método de
análise das comunicações (“transações”) que ocorrem no “Aqui e Agora”,
no momento presente das pessoas. Essa nova teoria chama-se Análise

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Transacional, A.T.
A Análise Transacional foi criada pelo Psiquiatra canadense Eric Berne.
Ele tinha como objetivos:
1. Tornar mais acessíveis os conceitos da Psicologia;
2. E facilitar as soluções de conflitos de relacionamento com as pessoas. A
Análise Transacional não se limita ao campo clínico e terapêutico, pode ser
aplicada em quaisquer setores da vida, em especial na educação, na
Pedagogia, na Administração de Empresas, na vida de casal, etc.
O vocábulo transação é empregado no sentido de troca de comunicações
entre duas pessoas ou mais. E análise significa exame das comunicações.
Como teoria da Personalidade, a Análise Transacional teve sua inspiração
em Sigmund Freud, considerado o Pai da Psicanálise. Ele descreveu a
personalidade, subdividindo-a em três instâncias: Id, Ego e Superego. O ID
correspondia à parte instintiva, sempre inconsciente. O SUPEREGO à
censura moral, barreira que se opõe aos instintos e o EGO seria a parte
encarregada de resolver o eterno conflito entre o Id e o Superego, tomando
por base os Princípios da Realidade. Estas três instâncias existem
presumivelmente, mas não podem ser observadas de modo concreto. Não
se pode “ver” o Id, o Ego ou o Superego estampados no rosto de uma
pessoa. Por este motivo, Eric Berne, ao criar sua teoria resolveu lidar
somente com o que havia de concreto e visível nas pessoas.
Ao elaborar a sua teoria, Eric Berne baseou-se nas experiências
neurológicas do Dr. Wilder Penfield, neurocirurgião canadense e professor
da Escola de Medicina de McGill. Penfield trabalhava, na década de 1950,
no estudo da Epilepsia. Em suas experiências usava uma corrente elétrica
fraca para estimular áreas selecionadas do cérebro de um paciente
epilético, a quem aplicava anestesia local. A corrente elétrica era
transmitida por uma sonda (eletrodo). Em todos os casos, o paciente estava
totalmente consciente, lúcido e capaz de falar.
Uma das descobertas inesperadas do Dr. Penfield foi que a sonda elétrica
fazia o paciente lembrar-se de coisas que já tinha esquecido há muito
tempo. E cada vez que Penfield tocava uma parte diferente do cérebro, o
paciente tinha uma lembrança diferente. Penfield repetiu várias vezes suas
experiências.[1] Alguns dos pontos importantes das experiências de Penfield
são:
1. O contato do eletrodo, mais de uma vez, com a mesma região cortical,
produzia a mesma lembrança, o que demonstrou que a memória
armazena dados específicos, em localizações específicas.

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2. As lembranças não eram gerais ou difusas. O paciente revivia situações
específicas, fatos ocorridos no passado, com grande riqueza de detalhes.
Isso mostrou a Penfield que a memória retém praticamente tudo o que se
passa na vida da pessoa.
3. Ao ser tocado pelo eletrodo, o paciente não apenas recordava fatos ou
situações. Mais do que isso, essa recordação era acompanhada das
mesmas emoções experimentadas no passado, quando se dera tal fato ou
situação.
Penfield comparou a memória humana a uma espécie de gravador de fita de
alta fidelidade, capaz de registrar todas as experiências passadas da
pessoa. Quando estimulado num “ponto” específico da gravação, é capaz
de reproduzi-la nitidamente, com a mesma riqueza de detalhes com que
ocorrera.
Estas conclusões de Penfield somaram-se a outras, extraídas por Eric Berne
no seu trabalho como Terapeuta. Ele próprio relata que a idéia da
estruturação da personalidade em três Estados do Ego distintos lhe veio do
trabalho com determinado paciente, um advogado respeitado e bem
sucedido profissionalmente em sua cidade. Embora austero e incisivo nas
suas atividades profissionais, este advogado às vezes se comportava
durante as sessões de terapia, como se fosse uma criança. Esta mudança de
comportamento era tão clara que o próprio paciente tinha perfeita
consciência dela, a ponto de às vezes dirigir-se ao terapeuta perguntando
com quem ele estava falando naquele momento, com a “Criança” ou com o
“Adulto”?
Mais tarde, Eric Berne identificou comportamentos típicos que mostraram a
presença de uma terceira “pessoa” no paciente. Essas três entidades, o
Adulto, o Pai e a Criança, Eric Berne verificou que se aplicavam, na
realidade, a todos os seus pacientes, e os chamou de Estados do Ego,
concluindo que era uma representação muito aceitável da estrutura de
personalidade de uma pessoa.

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As três partes da Personalidade
Análise Estrutural da 1ª Ordem
A teoria da Análise Transacional mostra que a personalidade humana pode
ser examinada como tendo três partes, chamadas por Eric Berne de Estados
do Ego: Pai*, Adulto, Criança, conhecidas pelas abreviaturas P-A-C.
(* O termo Pai, em inglês, Parent, que determina tanto o pai (father) quanto
a mãe (mother), indiferentemente. Não havendo em português um termo
correspondente, é usado Pai, com inicial maiúscula, ou PAI, escrito todo
em maiúsculas.
Em Análise Transacional os três Estados do Ego são representados
em círculos, com as letras indicativas de (P) Pai, (A)Adulto e (C) Criança.

Estados do Ego
Qual é “voz” que você escuta dentro de sua cabeça?

1 – PAI:
No PAI estão os registros do que o filho viu seus pais (ou seus substitutos)
dizendo ou fazendo, entre os primeiros 6-8 anos de vida. No Pai está
registrado o conceito ensinado de vida. São os dados da cultura, da
tradição, as ordens, as críticas, as normas, as tradições, a educação, os
preconceitos, as orientações de bem/mal, as disciplinas, orientações
morais, etc., que cada pessoa aprendeu dos pais e dos educadores. A ação
do PAI é Avaliação.

. Atitudes PAI:
. “Sempre atrasado, você devia ter chegado na hora!”
. “Quem foi que pediu a sua opinião?”
. “Por que você não olha por onde pisa?”
. “O que você tem com isso?”
. “Você nunca faz as coisas direito?”
. “Jamais diga uma mentira!”
. “Nunca confie em uma mulher/em um homem."
. “Não chore!”

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. Frases Típicas do PAI (geralmente com mais adjetivos):
. Deve, não deve; Nunca se esqueça; Se eu fosse você; Pode, Não pode;
. Guri implicante; Preciso; Nunca, Sempre;Você está errado

Comportamentos PAI:
. Cenho franzido, Lábios contraídos, Dedo em riste.
. Bater com o pé, impaciente; Mãos nos quadris; Braços cruzados.
. Punho batendo; Tapinha nas costas; Sorriso bondoso.
. Voz: contundente, rude ou protetora, afável.
. Rígido; Autoritário; Castigador; Moralizador; Crítico; Irritado; Incute
medo.
. Com preconceitos; Controlador das pessoas; Superprotetor; Protetor;
Educativo

O PAI corresponderia ao Superego, já que representa a censura, um Estado


do Ego que leva a pessoa a reproduzir os mandamentos que ela recebeu do
pai ou mãe (ou outros adultos) quando era criança. Quando uma pessoa age
como PAI, ela se relaciona com os outros como observou e lembra seus
pais (ou outros adultos) fazerem na época que era criança.
Quando criança, o ser humano aprende a imitar o que os pais faziam ou
diziam. A criança não tem outros modelos e aprende a ser como os seus
modelos parentais. Pessoas do modelo parental: pais, avós, professores. A
criança se identifica com quem a disciplina e passa a imitá-la. Todas as
admoestações, regras, leis que a criança ouviu de seus pais e viu através
deles viverem, são registrados na criança como Mandatos (mensagens que
recebeu de seus pais e aceitou em sua cabeça). E serão registros
reproduzidos por toda a vida, muitas vezes inconscientemente, quando a
pessoa age como PAI.
Quando uma pessoa age no Estado do Ego PAI significa que ela está agora,
no momento presente, no mesmo estado de espírito que a imagem que ela
tem de um de seus pais (ou seus substitutos) costumavam estar a seus olhos,
e reage como o pai estaria reagindo, com a mesma postura, gestos,
vocabulários, sentimentos, etc. Quando você age no Estado do Ego PAI,
transfere para o presente uma série de experiências e eventos ocorridos em
relação com os seus pais, durante os primeiros 6 ou 8 anos da sua vida.

Uma das maneiras mais poderosas pelas quais o PAI atua na vida das
pessoas, no momento presente, é através do Diálogo Interno, no qual a

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pessoa “ouve” em sua mente os mesmos aplausos, as mesmas acusações ou
repreensões, os mesmos avisos, os mesmos castigos, etc. que ela ouvia
quando era uma criança pequena (6-8 anos). O PAI é a autoridade que
cada pessoa tem dentro de sua mente. Quando a pessoa está agindo no
Estado PAI, ela pensa no que “Tem de Fazer”.

2 – ADULTO:
O ADULTO é a parte racional da personalidade. É o nível “pensante”,
parecido com um computador, pois recebe, analisa e informa dados. O
ADULTO raciocina, pensa, prevê e calcula como fazer as coisas, usando
a razão, o pensamento puro, observa e percebe os fatos. Uma pessoa
agindo no Estado ADULTO, adapta-se ao Aqui e Agora de cada situação,
de modo lógico, prático e ponderado. Sua ação é Ficar Alerta. Quando a
pessoa está agindo com seu Estado ADULTO, ela pensa no que “Convém
Fazer”.

Ao conceito freudiano de Ego corresponderia, em Análise Transacional, o


Estado do Ego ADULTO. Nesse estado, a pessoa usa a razão, o pensamento
puro, a lógica, percebe a realidade, observa e percebe os fatos, reúne e
processa os dados, analisa e sintetiza, faz previsões, dá informações. O
ADULTO não tem sentimentos ou emoções, é só pensamento, é racional, é
como se fosse um computador que reúne e processa dados. Assim, uma
pessoa está no Estado do Ego ADULTO quando enfrenta a realidade sem
emoções, colhe fatos ou dados, faz uma avaliação objetiva da situação e
exprime suas conclusões.
. Atitudes ADULTO:
. “Aqui temos a proposta do novo sistema...”
. “Estou interessado no que você produz e não no aspecto de sua mesa”.
. “Laranja é boa porque tem vitamina C”.
. “Por que será que nosso chefe está tão irritado hoje?”
. “Querida, quando terminar, passe-me o prato com os bifes”.

. Frases Típicas ADULTO, geralmente com mais substantivos e verbos):


. Por que? O que? Onde? Quando? De que modo? Qual? Eu penso que.
. Eu entendo; Em minha opinião; Quais são os fatos? O que você acha
disso?
. Quais são as possibilidades? Qual a melhor decisão? Comparando-se...
. Como resolver este problema?

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. Comportamentos ADULTO:
. Rosto expressivo; Postura serena, segura e aberta. Olhos atentos, olha nos
olhos.
. Silêncio ou voz tranqüila, pausada. Faz perguntas. Pede e dá informações.
. Não julga, lida só com os fatos. Ausência de emoções.

O Estado do Ego ADULTO cresce durante a infância a partir da curiosidade


da criança, no relacionamento com o mundo exterior a ela.
Aproximadamente aos 10 meses da idade, uma coisa notável começa a
acontecer com a criança. Até então sua vida consistiu principalmente de
desamparo ou de reações não pensadas às exigências e estímulos daqueles
à sua volta. Ela tem um PAI e uma CRIANÇA. O que ela não tem é a
capacidade de escolher suas reações ou de manipular o que a cerca. Não
pode se dirigir, não tem capacidade para se mover ao encontro da vida. Ela
simplesmente aceita o que lhe acontece. Aos 10 meses, no entanto, a
criança começa a experimentar o prazer da locomoção. Pode manejar
objetos e começa a se mover, libertando-se da prisão da imobilidade. É
verdade que antes, aos 8 meses, o bebê freqüentemente podia chorar e
precisava de ajuda para sair de uma posição incômoda. Mas aos 8 meses
era incapaz de se locomover sozinho. Aos 10 meses começa a inspecionar e
explorar os brinquedos. Começa a descobrir que é capaz de fazer algo que
cresce dentro de sua própria consciência e do seu pensamento original.
Esta auto-atualização é o surgimento do ADULTO.

No Estado ADULTO está o conceito “processado de vida”, conceito


“pensado de vida”, baseado em dados acumulados e processados. A
criança descobre por si algo diferente do “conceito ensinado de vida”.

A mobilidade que dá nascimento ao ADULTO, transforma-se em algo que


acalma a pessoa mais tarde. “Ela vai dar uma caminhada para clarear as
idéias” ou “Ela vai caminhar para relaxar”. O movimento é algo bom que
ajuda a ver mais claramente.

Uma das funções do ADULTO é examinar os dados do PAI para ver se são
verdadeiras e ainda válidas, hoje em dia, e depois aceitá-las ou rejeitá-las.
É examinar a sua CRIANÇA para ver se os sentimentos são ou não
apropriados ao presente ou se já estão arcaicos. O objetivo do ADULTO
não é acabar com o PAI ou a CRIANÇA, mas ser livre para examinar

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esses dados e agir ou reagir como achar melhor para a situação.

3 – CRIANÇA:
No Estado do Ego Criança da personalidade está a base psico-biológica
das pessoas. Nesse Estado está a sede das emoções, da sexualidade, da
espontaneidade, da criatividade, da alegria e do amor. A Criança consiste
nas reações ao que os pais disseram e fizeram.

A Criança é uma gravação permanente de fatos internos (reações)


provocados por outros, nos primeiros 6-8 anos de idade (alguns autores
situam somente até os 5 anos da idade). Os fatos internos mais importantes
e potentes foram os sentimentos. Esses sentimentos, muitas vezes
ressurgem no presente, quando a pessoa é colocada em situações
semelhantes àquelas experimentadas pela criança, quando a pessoa é
acuada, quando se sente dependente, desajeitada, injustamente acusada, com
medo, com raiva, etc. É como Berne dizia: “Velhas fitas estão sempre
prontas a rolar no gravador...”

O Estado do Ego Criança é um conceito “sentido de vida”: sentimentos,


emoções, medos, alegrias, frustrações, desejos, impulsos. Sua ação é
como usufruir e aproveitar. O Estado do Ego CRIANÇA é a melhor parte
da pessoa, pois é a única que consegue ter prazer consigo mesma. O Estado
Criança tende a ser transitório, conduzido a Estados considerados
“crescidos”, por causa de uma generalizada imposição social contra o
“comportamento criança, infantil”. Entretanto, o Estado Criança pode ser
observado nos adultos, em situações sociais estruturadas, como
comemorações de futebol, em festas, no carnaval, etc, situações que a
cultura “permite” que os adultos se comportem no Estado Criança, com
alegria, com espontaneidade de emoções. Um bom lugar para se observar o
Estado do Ego CRIANÇA é em um estádio de futebol. Podem ser
observadas as expressões infantis de alegria, de raiva, de decepção e
prazer. É fácil perceber como, esquecendo-se do tamanho, um homem
pulando de alegria quando o seu time marca um gol, é indiferenciável de um
menino de 6 anos de idade. A semelhança vai ainda mais longe do que o
comportamento observável, uma vez que o homem não está apenas agindo
como um menino de 6 anos, mas sentindo, vendo e pensando como um
garoto nessa idade faz.

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. Atitudes CRIANÇA:
. “Eu falo alto sempre que me der vontade.”
. “Oba!”
. “Nossa! É apavorante saber que ele está com câncer, tão jovem.”
. “Fico furioso quando...”
. “Sinto muito, chefe, por não ter entendido o que me mandou fazer.”
. “Puxa, ela é um espetáculo de mulher!”
. “Tomara que ele...”
. “Não me amole.”
. “Você é um cara de sorte...”
. “Puxa! Eu adoraria...”
. “É gol!”

. Frases Típicas da CRIANÇA:


. Ah, legal! Oba! Puxa vida! Sei lá! É o máximo! Genial! Eu faço, Não
faço.
. Sim, senhor. Às ordens. Lindo de morrer. Adoro. Melhor. Ótimo. Maior.
. Quero, Não quero. Gosto, Não gosto. Eu não sei. Eu vou, Não vou. Não
me importo.
. Quando eu crescer. Juro.

. Comportamentos CRIANÇA:
. Riso franco e feliz . Alegria, Descontração, Saltar, bater palmas, rir, Voz
chorosa.
. Olhar ansioso, curioso, triste, rebelde. Choro, Raiva, Gritos, Medo.

Ao conceito freudiano ID corresponde os impulsos, as emoções e desejos


que aparecem naturalmente em uma criança. Todos os acontecimentos foram
registrados na mente da pessoa, e conforme comprovou o Dr. Penfield,
foram registradas também as emoções, os sentimentos associados aos
acontecimentos. Foram gravados: o espanto, a alegria, a surpresa, o medo,
o terror, a agonia. Todo o corpo de recordações emotivas gravadas na
infância no cérebro das pessoas é chamado de CRIANÇA. Quando uma
pessoa atua nesse Estado do Ego CRIANÇA, comporta-se como fazia
quando era criança. Essa conduta é acompanhada de percepções, de
pensamentos e sentimentos correspondentes a uma criança.

As dificuldades de relacionamento das pessoas começam quando elas


agem em suas vidas pelo Estado Pai (“tem de fazer”), em vez de
agirem pelo Estado Adulto (“convém fazer”) ou pelo Estado Criança

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(“quer fazer”).

A seguir o exercício Estados do Ego para vivenciar na prática esses


conceitos. O gabarito
é a segunda parte do exercício.

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EXERCÍCIO ESTADOS DO EGO

Instruções:
Analise as frases abaixo e identifique o Estado do Ego P A C
correspondente a P = PAI, A = ADULTO e C =
CRIANÇA

01 Faça conforme eu mando. Não quero


discussão!

02 O chefe está nervoso porque não dormiu


direito à noite...

03 Eu não posso sair do meu canto, senão levo


bronca...

04 Não quero fazer isso/esse trabalho...

05 Vamos planejar o que teremos de fazer nesse


caso...

06 João, o seu trabalho ficou uma porcaria!

07 Veja só como ficou lindo o que eu fiz...

08 Examinando esses fatos, acho que poderemos


concluir...

15
09 Você ficou horrível com essa roupa!

10 Por que isso está acontecendo com você?

11 Aquela pessoa me assusta e me dá medo...

12 Estou tão triste por não ter conseguido...

12 Trouxe-lhe um pedaço de bolo para animá-


lo...

14 Vamos analisar os prós e contras desta


proposta e encontraremos uma decisão
adequada à nossa situação.
15 Homem não deve lidar com fraldas. É um
assunto para mulheres...
16 Vamos botar as cartas na mesa. Afinal, não
devemos aceitar essa injustiça de bico
calado!

EXERCÍCIO ESTADOS DO EGO


- GABARITO
Instruções:
Analise as frases abaixo e identifique o Estado do Ego P A C
correspondente a P = PAI, A = ADULTO e C =
CRIANÇA

01

16
Faça conforme eu mando. Não quero X
discussão!

02 Ele está nervoso porque não dormiu direito à


noite... X

03 Eu não posso sair do meu canto, senão levo


X
bronca...

04 Não quero fazer isso/esse trabalho...


X

05 Vamos planejar o que teremos de fazer...


X
06 João, o seu trabalho ficou uma porcaria!
X
07 Veja só como ficou lindo o que eu fiz...
X
08 Examinando esses fatos, acho que
poderemos concluir... X

09 Você ficou horrível com essa roupa!


X
10 Por que isso está acontecendo com você?
X
11 Aquela pessoa me assusta e me dá medo...
X
12 Estou tão triste por não ter conseguido...
X

12 Trouxe-lhe um pedaço de bolo para animá-


lo... X

14

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Vamos analisar os prós e contras desta X
proposta e encontraremos uma decisão
adequada à nossa situação

15 Homem não deve lidar com fraldas. É um


assunto para mulheres... X

16 Vamos botar as cartas na mesa. Afinal, não


devemos aceitar essa injustiça de bico X
calado!

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ANÁLISE ESTRUTURAL DE 2ª ORDEM
Após ter entendido e identificado as três formas observáveis das Posições
do Ego, PAI, ADULTO e CRIANÇA, segundo a Análise Transacional, é
importante aprofundar com a Análise Estrutural de 2ª Ordem da
Personalidade. Nesta 2ª Ordem, cada um dos três Estados do Ego se
subdivide em outros três que mostram características mais afinadas da
personalidade, segundo o seguinte esquema:

PAI CRÍTICO
P PAI PROTETOR

PAI BRUXO

A ETHOS

TECHNOS

PATHOS

REBELDE

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C CRIANÇA
ADAPTADA OPOSITORA

SUBMISSA
PEQUENO
PROFESSOR

CRIANÇA NATURAL

ESTADOS DO EGO
ESTADO DO EGO: PAI
O Estado do Ego PAI tem três partes, uma sadia (OK) e duas não-sadias
(Não-OK)

PAI CRÍTICO (PC):


É a parte não-sadia do Pai. É quando o PAI usa observações autoritárias,
tirânicas, bravas, arrogantes, intimidadoras (impondo dependência),
impositivas, dominadoras, perseguidoras, controladoras, punitivas,
moralistas, preconceituosas, julgadoras, dogmáticas, desqualificadoras
(fazendo o outro sentir incapacidade, medo, insegurança), não
reconhecendo méritos nos outros (só “ele” tem valor e capacidade, só
sua opinião deve ser considerada), fazendo chantagens, procurando
adesão cega. O PAI CRÍTICO cria dependência e manipula os outros
pela culpa. Utiliza a severidade como método e a imposição como
sistema, objetivando que seja aceito o seu modo de encarar as
tradições, a moralidade, a autoridade. Alguns autores o chamam de PAI
TIRA.

O Pai Crítico (PC) transmite idéias e mensagens (geralmente utilizando


mais os adjetivos) de “Não Deve”, “Não Pode”, “Você é burro”, “Você
não é capaz”, “Você é um imbecil”, “Você não presta”, “Você tem
que...”, “Você deve”, etc. Os comportamentos típicos do Pai Crítico são:
dedo em riste, lábios contraídos, cenho franzido, queixo levantado,

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bater com os pés, braços cruzados, etc. Sua ação é uma demonstração de
Poder. O poder é que torna o PAI CRÍTICO perigoso, opressor e
destrutivo.

O PAI CRÍTICO é uma espécie de Pai “Perseguidor”, autoritário, cheio de


preconceitos, tirânico. Às vezes ele se disfarça de “Salvador”, mas na
realidade ele não salva nada, ele mantém a pessoa “na lama”, leva a
outra pessoa a ficar dependente, submissa, insegura, pois a desqualifica
mostrando que ela não é capaz, já que “ele o Salvador”, é o único capaz.

Quando uma pessoa age como Pai Crítico, é sinal de que dentro dela há
rebeldia, mas não a enfrenta, agindo com submissão, preferindo criticar
os outros. Nas várias situações da vida, se você estiver conversando e a
outra pessoa (seu chefe, seu amigo, seu cônjuge, etc) agir como Pai Crítico,
não adianta tentar dialogar ou justificar com ela. O melhor que você tem a
fazer é compreender que a outra pessoa está com algum medo. Por isso,
a melhor técnica é escutar a outra pessoa falar, olhando para ela, com
seu Estado Adulto, sem demonstrar emoção. Desse modo você está
dando chance para a outra pessoa extravasar suas emoções e com isso
romper a barreira do negativismo e crítica, e se recompor.

Uma pessoa no Estado do Ego Pai Crítico, assume freqüentemente a


postura de “Herói”. Ele se acha o tal, os outros não têm nenhum valor. É
como se subisse em um pedestal e jogasse a escada fora, olhando as outras
pessoas lá de cima. Ele coloca-se como superior, mas lá no seu íntimo quer
esconder um profundo sentimento de inferioridade. Ele sente-se o tal, o
todo poderoso, o imbatível, o sabe-tudo, o que sempre tem razão, o melhor
(100% para ele ainda é pouco!). Na postura de “Herói” a pessoa perdeu a
simplicidade de estar no mundo. Sente-se como o “Padrão” dos outros e
aceita os outros “se” elas coincidirem com o seu modo de pensar, de sentir
e agir. Uma pessoa agindo como Pai crítico tenta enquadrar as pessoas no
seu moralismo, aos seus dogmas, às suas “verdades”. Em síntese: O Pai
Crítico é desvalorizador, desqualificador, diminuidor dos outros.

Num ambiente de trabalho, a pessoa que age como PAI CRÍTICO, se


exercer função de chefia, pode parecer um chefão sabe-tudo cujo
comportamento intimida a CRIANÇA nos subordinados. Agindo sempre
assim no ambiente de trabalho, poderá acabar sozinho, isolado pelos
outros, sem informações. Seus subordinados acabarão dando informações a

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ele, mas só aquelas que poderão agradá-lo. Terão medo e insegurança, de
dar informações “negativas” que poderão provocar nele a sua raiva, os seus
“estouros” emocionais...

. Atitudes de PAI CRÍTICO:


. “Você devia ter chegado mais cedo ao trabalho!”
. “Que pergunta idiota a sua, é claro que o relatório está pronto!”
. “Você acha que sou uma esposa incompetente? O almoço ficará pronto no
horário”.
. “Que coisa horrível é essa música”.
. “Você devia saber disso”.
. “Se você fosse mais organizado saberia onde está...”
. “Você não tem mesmo jeito”.
. “Você devia fazer o que eu mando”.
. “Gostaria que você não usasse esse vestido. Não gosto dele”.
. “O que você quer dizer com isso?”
. “Por que você não cuida de sua vida?”

PAI PROTETOR (PP):


É a parte sadia do Estado do Ego Pai. É fundamentalmente amoroso,
valorizador. Protege, cuida, acolhe, orienta sem impor, educa, dá apoio,
encoraja as pessoas, transmite entusiasmo, é acalentador, solícito,
disponível, reforçador positivo, inspira confiança, estabelece limites
protetores, sabe delegar, faz observações agradáveis, é compreensivo,
gentil e amigo, é permissivo. Os excessos prejudicam, como é o caso da
superproteção.

Decálogo do Pai Protetor:


1. Confio em você.
2. Estou orgulhoso de você.
3. Você esteve muito bem. Parabéns!
4. Você pode contar comigo em qualquer ocasião.
5. O que você necessita? (O que posso fazer para você se sentir melhor?)
6. Você tem direito a desfrutar a vida e ser feliz.
7. Você cometeu um erro: acontece a qualquer um.
8. Estou muito contente por ser seu pai/mãe, amigo, chefe, etc.
9. Você poderá conseguir o que quer. Você é capaz.

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10. Gosto de você e você merece que gostem de você.

. Atitudes do Pai Protetor:


. “Ora, não chore”.
. “Tire uma soneca, amor, enquanto arrumo a louça do almoço para você”.
. “Lamento que tenha...”
. “Sente-se enquanto espera...”

Os comportamentos típicos do Pai Protetor: tapinha nas costas, sorriso


bondoso, voz afável, olhar nos olhos, etc.

PAI BRUXO (PB):


O Pai Bruxo é uma parte não-sadia do Pai. Este Estado do Ego é
diferente do Pai Crítico pois além de criticar, ele cria medo, fobia,
temor, fracasso, dúvida, culpa os outros, desvalorizando as pessoas.
Suas mensagens negativas são: “Você é preguiçoso”, “Você não presta
para nada”, “Você é tão ruim que não deveria ter nascido”. A pessoa
como Pai Bruxo age recordando seus pais, se eles atuaram como “Ogro” e
“Bruxa”.

. Atitudes de PAI BRUXO:


. “Você é sempre relaxado no serviço?”
. “Você não tem capacidade para aprender isso”.
. “Se você fizer isso errado outra vez vai se ver comigo!”
. “Você não é capaz”.
. “Você é preguiçoso, não presta para nada!”
. “Você é tão burro que...”
. “Você é mais mole que...”
. “Que burrada que você fez, hein?!”

ESTADO DO EGO: ADULTO

23
O Estado do Ego Adulto é o aspecto objetivo da personalidade. Ele coleta
e processa dados e informações e faz perguntas objetivas, adaptando-se
ao Aqui e Agora de cada situação, de modo lógico e prático. Abrange
qualidades morais, como responsabilidade, lealdade, coragem,
segurança, etc. O Estado do Ego Adulto transmite idéias e mensagens
(usando mais os substantivos), utilizando termos como “Entendo que”,
“Parece que”, “Em minha opinião acho que”, etc. Os comportamentos
típicos do Adulto: rosto expressivo, postura serena, olhar atento.
O Estado do Ego ADULTO vê a realidade interna e externa e reage:
Consciente do próprio Eu, não se deixa levar por condicionamentos
(comportamentos que o Eu não pensou); espontâneo, livre para escolher o
Estado do Ego que lhe convém utilizar na situação, pergunta ao PAI:
Posso? Devo? E pergunta à sua CRIANÇA: Gosto?

O Estado do Ego Adulto tem três partes:

ETHOS (E):
É o PAI do ADULTO. Surge das influências positivas que os pais
exerceram sobre a pessoa. Só que esta influência passa por um filtro da
reflexão sobre a realidade objetiva. Ele filtra e põe em revisão os estímulos
internos e externos. Julga o que é conveniente ou não fazer. Analisa e
avalia, determinando o que é conveniente para si e para os outros.

TECHNOS (T):
É o ADULTO do ADULTO. É o nível medular, central, do ADULTO.
Funciona como um computador mental, de modo frio e direto, recebe e dá
informações através dos órgãos dos sentidos, processa-as e compila-as na
memória formando um arquivo/banco de dados e dá respostas adequadas à
realidade, toma as decisões de acordo com as informações.

PATHOS (P):
É a CRIANÇA do ADULTO. Esta parte “sente” o problema, mas não se
envolve com os mesmos, reage de modo objetivo. Enfrenta a realidade com
um agir lógico, olhando os sentimentos existentes, mas sem deixá-los
influenciar (exemplo, o Psicólogo que analisa as emoções do paciente, sem
se envolver). Através desta parte a pessoa é atrativa e simpática, mas com
ações e reações mais frias, sem muita emoção.

24
ESTADO DO EGO: CRIANÇA
O Estado do Ego Criança tem três partes, duas sadias e uma não-sadia.

CRIANÇA ADAPTADA (CA):


A parte não-sadia da Criança é chamada de Criança Adaptada, onde
estão as emoções sentidas na primeira infância (6-8 anos) ao se adaptar
ao meio ambiente, especialmente à autoridade, e que agora se repetem.
Logo depois do nascimento o bebê começa a adaptação às exigências da
autoridade exterior. Ele o faz pela necessidade de sobreviver e pela
necessidade de aprovação e/ou ansiedade do medo. Reações sorridentes e
agradáveis vindas dos pais proporcionam ao bebê a idéia de aprovação por
estar fazendo o que está certo. Reações paternas frias e zangadas
proporcionam a idéia de punição e sofrimento, pelo mal feito. As crianças
geralmente aprendem como devem agir em função do prêmio ou castigo.
Descobrem como evitar a dor e como ser aprovado. Adaptam-se de alguma
forma, às conveniências. As adaptações da criança resultam no que Eric
Berne chama de CRIANÇA ADAPTADA. É a parte do Ego da criança que
é influenciada a fazer o que seus pais desejam, racional ou irracionalmente.

Os modos de adaptação são: Rebeldia aberta, Oposição (Rebeldia


encoberta) e Submissão.

CRIANÇA REBELDE (CR):


Neste Estado do Ego de Criança Rebelde, a pessoa age com rebeldia
aberta, escancarada, com teimosia e defensividade. A pessoa está
sempre pronta para receber estímulos negativos. Apresenta uma rebeldia
aberta, dizendo “Não quero” na cara. Comportamentos típicos: grito,
olhar rebelde. Atitudes: “Não sou obrigada a fazer isso!”; “Estou tão
furioso...”; “Não me perturbe!”; “Tomara que você não ache o que está
procurando”, “Não faço e pronto!”.

CRIANÇA OPOSITORA (CO):


Neste Estado do Ego de Criança Opositora a pessoa apresenta uma
rebeldia encoberta, dizendo “Quero” na frente e “Não quero” por trás. É o
típico “sabotador”, fofoqueiro, irônico, que na frente “bajula o chefe” e por
trás o critica. Os comportamentos típicos: riso “amarelo”, evita olhar nos

25
olhos. Atitudes: “Sim, mas”; “Grande idéia” (na verdade é uma porcaria!).

CRIANÇA SUBMISSA (CS):


Neste Estado do Ego de Criança Submissa, a pessoa submete-se à
autoridade, faz o que mandam fazer, obedece sem protestos. É o típico
“puxa-saco”. Atitudes: “Quer alguém para ajudá-lo?”; “Desculpe...”; “Não
consigo convencer...”; “Pobre de mim”; “O Sr. tinha razão, chefinho...”;
“Minha mulher simplesmente não me entende...” Uma pessoa neste Estado
do Ego é manipulada pela culpa e temor. Apresenta atitudes de
concordar, retrair ou fugir e adiar. Comportamentos típicos: voz chorosa,
lábios contraídos ao falar, olhar triste (“sem entusiasmo”), ombros caídos,
andar “arrastado”.

É comum a pessoa, nesse Estado do Ego, assumir a postura de Vítima:


sente-se inferior aos outros, sente-se “uma coitada”, digna de pena (é como
se carregasse um cartaz pendurado ao pescoço com os dizeres: Tenha pena
de mim). Olha sempre o lado negativo e está sempre reclamando. Costuma
jogar o “Jogo da Infelicidade” e o jogo “Olha como sofri no passado”.
Procura estímulos de lástima (“Coitado ninguém a compreende...”), sofre
e faz os outros sofrerem com o sofrimento dela, numa co-dependência
de sofrimento, estabelecendo relações neuróticas baseadas em problemas,
com foco na doença, mas que na realidade é um modo de exercer poder e
controle sobre os outros, chefe, subordinados, pais e filhos, marido e
mulher, etc. Procura um “Pai Salvador” nos outros, que não vai salvá-la
porque é ela mesma que se coloca em posição inferior (através da
desqualificação interna que realiza por seu Diálogo Interno: ”Ninguém
me ama, ninguém me quer, sou uma coitada, sem nenhum valor ou
capacidade...”).

PEQUENO PROFESSOR (P. Pr.):


O Pequeno Professor á uma parte sadia do Estado do Ego Criança. Também
conhecido como Pequeno Mestre, uma pessoa neste Estado do Ego é
intuitiva, criativa, manipuladora. Capta intuitivamente o que é bom para
ela, experimenta, cria, é curiosa, espontânea, tem empatia (coloca-se no
lugar dos outros). E manipula (este é o seu lado negativo). Pode acertar
ou errar por interferência da imaginação ou fantasia.

Intuição: Quando a pessoa é criança tem muita intuição do que acontece.

26
Olha o rosto da mãe e percebe que é melhor parar o que está fazendo. Capta
a mensagem não verbal que a mãe lhe enviou com um olhar reprovador e
reage a ela. O Pequeno Professor nem sempre está bem informado. Não
viveu o suficiente, nem teve a experiência necessária para isso.
Freqüentemente toma a decisão errada e é levado à conclusão falsa.
Exemplo: “Vovó, cuidado com os ladrões quando for abrir a porta. E como
é que se reconhece os ladrões, pergunta a avó. Ora, vovó, é fácil, os
ladrões só usam chapéu preto". Quando a criança cresce, seu Pequeno
Professor continua ativo. É possível, por exemplo, perceber a significação
do queixo apertado do chefe, assim como a piscada de uma amiga.
Entretanto, o Pequeno Professor às vezes erra: pode ser que o chefe esteja
com uma dor de dente e a amiga dando curso a alguma fantasia.
Criatividade: O pequeno Professor é criativo, usa muito a fantasia. Quando
está junto com o ADULTO, consegue desenhar um edifício, escrever um
livro, compor uma música.

Manipulação: Toda criança, mesmo sem lições práticas descobre muito


cedo a maneira de manipular os outros, como trazer as pessoas para seu
lado. Pelo método das tentativas percebe que se fingir que está doente, sua
mãe virá correndo até o seu berço. Com um Pequeno Professor ativo na
vida adulta, a pessoa pode manipular o cônjuge, o professor, os pais, o
patrão, os amigos. Dentro da família, o marido tenta manipular a esposa
com um buquê de rosas e palavras doces quando chega tarde em casa. Ela
pode aproveitar a oportunidade para conseguir que ele a leve para jantar
fora no fim de semana ou que lhe dê de presente um vestido que ela viu
numa loja. O filho pode conseguir que lhe emprestem o carro para ir à
biblioteca; na realidade vai namorar. Ou em uma loja, o vendedor diz a um
cliente: “Este carro parece ter sido feito para o Sr".Cada um poderá usar os
velhos truques bem sucedidos na época da 1ª infância.

CRIANÇA NATURAL (CN), também chamada de


CRIANÇA LIVRE (CL):
Uma pessoa neste Estado do Ego expressa, de modo natural e
espontâneo, as emoções autênticas: alegria, afeto, amor, medo, raiva,
tristeza, pranto. Nas pessoas saudáveis essas emoções da Criança
Natural/Livre são proporcionais a um acontecimento. A CRIANÇA
NATURAL/LIVRE é o que um bebê seria naturalmente se nada o
influenciasse para ser diferente. É a expressão da parte instintiva sem
passar pelo filtro da reflexão. É tudo o que tem relação com o corpo. A

27
pessoa, nesse Estado do Ego, vive as emoções integralmente, totalmente
espontânea, sendo afetiva, amorosa, carinhosa, sensual, impulsiva,
cativante, curiosa, livre. É, também, medrosa, indulgente, egocêntrica.
Atitudes: “Oba, que legal!”; “Puxa, que bárbaro”; “Que delícia de bolo”;
“Isso me dá vontade de chorar”; “E que tal, ela é bonita?”
Só agindo com seu Estado Criança Natural/Livre é que a pessoa
consegue ter prazer sexual, ter um bom relacionamento com intimidade,
afetivo e sexual. A Criança Natural/Livre é o primeiro nível da
personalidade a se formar no ser humano, com seu nascimento, e o último a
desaparecer, se a personalidade fosse se desintegrando por motivo de
álcool, drogas, demência, etc. As restrições da sociedade são muito fortes á
expressão da Criança Natural/Livre, porém permite que este Estado se
manifeste em situações estruturadas, como esportes, festas e comemorações.

28
PATOLOGIAS (DISFUNÇÕES) DOS
ESTADOS DO EGO
1. Predomínio somente do Estado do Ego Pai, desqualificando o
Adulto e a Criança. Nesta situação a pessoa é altamente crítica,
moralizadora e preconceituosa.

2. Predomínio somente do Adulto, desqualificando o Pai e a


Criança.
Nesta situação a pessoa é altamente fria, calculista, sem
humanidade.

3. Predomina o uso somente da Criança, desqualificando o Pai


e o Adulto. Pessoa manipulativa, não age pela racionalidade, mas
somente emocionalmente. Em casos graves é tipo esquizofrênico.
Nos casos leves, é pessoa que fica rindo à toa, de tudo. É a típica
“vítima”.

4. Predomina o uso do Pai e do Adulto, sem utilizar a


Criança. É
típico líder, tem moralidade boa, é profissional de sucesso,
mas
tem o grave defeito/problema de não saber se divertir, saber
rir
e alegrar-se. É o típico profissional que só vive para
trabalhar,
deixando a família em segundo plano.

5. Predomina o uso do Adulto e da Criança, sem o uso


do Pai. Pessoa que não tem limites, nem moralidade (ética).

29
É o típico “político corrupto” (acha que pode roubar sem
nenhuma conseqüência, o dinheiro público, pois acha que as
leis não são para ele), e é o típico psicopata que “acha que
cometeu o crime perfeito”.

6. Predomina o uso do Pai e da Criança, sem o uso


do Adulto (racionalidade). Usa muito a emoção e a crí_
tica. Estilo Paranóico, projetará nos outros (com muita
emoção) suas dificuldades, sentindo-se perseguido.

30
ESQUEMA FUNCIONAL MAIS USADO EM ANÁLISE
TRANSACIONAL
Há teóricos e profissionais que utilizam a Análise Transacional que
consideram muito difíceis para serem utilizados, os vários Estados do Ego
da Análise Estrutural de 2ª Ordem. Muitos desses profissionais preferem
utilizar um esquema funcional no qual os Estados do Ego são mais
simplificados. Esse esquema é o seguinte:

PAI CRÍTICO (Engloba o Pai Crítico e Pai


Bruxo)

PAI PROTETOR

ADULTO (Engloba os 3 tipos de Adulto)

CRIANÇA SUBMISSA
CRIANÇA
REBELDE(Engloba Cr. Rebelde e Opositora)
31
CRIANÇA LIVRE (Engloba CR. Natural
e Peq.Professor)

32
EXERCÍCIO ESTADOS DO EGO
INSTRUÇÕES: Neste exercício irá identificar, entre cada uma das frases desta
folha e os desenhos da folha seguinte, características de um dos Estados do Ego
(Pai, Adulto, Criança) procurando especificar se é: PC = PAI CRÍTICO; PP =
PAI PROTETOR; A = ADULTO; CL = CRIANÇA LIVRE; CR =
CRIANÇA REBELDE; CS = CRIANÇA SUBMISSA. Serão escolhas um
tanto quanto subjetivas, visto que não se pode observar os gestos ou ouvir a
entonação da voz.
FRASES PC PP A CL CR CS
1. Não admito você errar por falta de
atenção!
2. Você sabe onde deixei as chaves do
carro?
3. Minha filha, nunca confie nos homens...
4. Estou muito chateado porque isso
aconteceu ,,,
5. Você já deveria ter terminado esse
trabalho, não é?
6. A reunião será às 14 horas em minha
sala.
7. Essa alternativa resolverá o nosso
problema.
8. Estou com uma raiva “daquelas” ...
9. Vê se não me amola, estou exausta...
10. Estou muito alegre por você ter
conseguido ...
11. Como você demora para fazer as
coisas, hein?!
12. Estou revoltada com a atitude dela ...
13. Legal! Que notícia boa você trouxe...
14. Deixe-me ver se entendi corretamente
sua opinião...
15. Você é sempre desorganizado assim?
16. Até que enfim você chegou ...
17. Eu não vou conseguir fazer isso.
18. Que tal um programinha esta noite?

33
19. Esta é a maneira que você deve fazer.
20. Vamos organizar nossa reunião para
podermos trabalhar melhor? O que vocês
acham se...
21. Tenho receio que você fique zangado
comigo ...
22. Você pode recolher sugestões de seu
pessoal?
23. O senhor tem razão... (mas não
concordo)
24. Vamos olhar para as causas desse
problema...
25. Você não imagina como eu adoro esse
tipo de bolo...

26. Estou muito alegre em encontrá-la...

F
I
G
U
R
A
S

34
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10
11.
12.
13.
14.
15.
16.

35
36
37
38
EXERCÍCIO ESTADOS DO EGO -
GABARITO
INSTRUÇÕES: Neste exercício irá identificar, entre cada uma das frases desta
folha e os desenhos da folha seguinte, características de um dos Estados do Ego
(Pai, Adulto, Criança) procurando especificar se é: PC = PAI CRÍTICO; PP =
PAI PROTETOR; A = ADULTO; CL = CRIANÇA LIVRE; CR =
CRIANÇA REBELDE; CS = CRIANÇA SUBMISSA. Serão escolhas um
tanto quanto subjetivas, visto que não se pode observar os gestos ou ouvir a
entonação da voz.
FRASES PC PP A CL CR CS
1. Não admito você errar por falta de X
atenção!
2. Você sabe onde deixei as chaves do X
carro?
3. Minha filha, nunca confie nos homens... X
4. Estou muito chateado porque isso X
aconteceu ,,,
5. Você já deveria ter terminado esse X
trabalho, não é?
6. A reunião será às 14 horas em minha X
sala.
7. Essa alternativa resolverá o nosso X
problema.
8. Estou com uma raiva “daquelas” do meu X
chefe
9. Vê se não me amola, estou atarefado X
com este relatório
10. Estou muito alegre por você ter X
conseguido terminar...
11. Como você demora para fazer as X
coisas, hein?!
12. Estou revoltado com a atitude daquele X
colega ...
13. Legal! Que notícia boa você me X
trouxe...
14. Deixe-me ver se entendi corretamente X

39
sua opinião...
15. Você é sempre desorganizado assim? X
16. Até que enfim você chegou para iniciar X
o trabalho
17. Eu não vou conseguir fazer isso. X
18. Que tal um programinha esta noite? X
Podemos ir...
19. Esta é a maneira que você deve fazer. X
20. Vamos organizar nossa reunião. O que X
vocês acham ...
21. Tenho receio que você fique zangada X
comigo ...
22. Você pode recolher sugestões com o seu X
pessoal?
23. O senhor tem razão, chefe... (mas não X
concordo)
24. Vamos olhar para as causas desse X
problema...
25. Você não imagina como eu adoro esse X
tipo de bolo...
X

26. Estou muito contente em encontrá-la...


X

F
I

40
G
U
R
A
S

1. agressão verbal, briga


2. agressão verbal, briga X
3. dúvida, medo X
4. amor X
5.amor X
6. pensando, refletindo X
7. raiva X
8. criatividade X
9. medo, insegurança X
10 impaciência X
11. anjo protetor X
12. pensando X
13. Impondo (dedo em riste) X
14. ouvidos tampados X
15. ela quer que ele fique calado, X
submisso
16. ela quer agir com autoridade, X
impondo

41
EXERCÍCIO ESTADOS DO EGO
EM CASO PRÁTICO DE EMPRESA

Instruções: Baseado na história a seguir, retirada de um filme, procure


especificar os Estados do Ego: PC= PAI CRÍTICO; PP = PAI PROTETOR;
= ADULTO; CL = CRIANÇA LIVRE; CR= CRIANÇA REBELDE; CS=
CRIANÇA SUBMISSA.
ESTADOS
PERSONAGENS DIÁLOGOS DO FILME DO EGO
Dorothy Bom dia! Sala do Sr. Whitehead. Srta Bayle falando.
Waldo Aqui é o Waldo, Dorothy
Dorothy (alegre)Como vão as coisas na Região Sul?
Waldo (voz chorosa) Problemas sérios. Eu posso falar com o
chefe?
Dorothy (com pena) Sinto muito, Sr. Waldo. Ele está em
reunião. Ele tem um prazo até o meio dia para entregar
um relatório ao presidente. O Sr. quer que eu chame à
tarde?
Waldo (voz chorosa) Oh! O que você diz é um sinal claro de
perigo. Trata-se da conta da Alight Machiney e esta
não pode esperar...
Dorothy (voz chorosa) Oh! Está bem! Verei se ele pode
atender...
Whitehead Como você estão vendo, o relatório já foi feito e com
certeza será examinado pelo Presidente...
Dorothy Senhor Whitehead
Whitehead (autoritário) Sim, Dorothy!
Dorothy (com ombros encurvados) O Sr. Waldo está no ramal
5. Eu disse que o Sr. está ocupado, mas ele insiste que
é urgente.
Whitehead (autoritário) E se não for... Alo Waldo! O que há? Seja
rápido!
Waldo (voz chorosa) Don, eu sei que você está ocupado, mas
isso é urgente. A Alight Machiney tem um problema e

42
se não pudermos ajudá-los, eles nos trocarão por
outro.
Whitehead (irritado) É uma de nossas contas mais antigas...
Waldo A Alight Machiney fez um pedido de peças especiais e
precisam delas já! Se elas forem embarcadas em
caminhão, levarão cerca de 4 dias para chegar aqui.
Podemos levar por via aérea?
Whitehead Bem, por que você não pediu ao Doug Oliver, na
Expedição?
Waldo (voz chorosa) Don, só você pode resolver este
problema! Da outra vez pedi uma remessa aérea ao
Oliver e ele disse que as remessas estavam limitadas.
Ele reclama que estamos sempre pedindo favores
especiais.
Whitehead OK, eu autorizo! Não queremos perder um cliente
como a Alight Machiney. Agüente firme, as peças
estarão aí amanhã.
Waldo Obrigado, Don. Eu não teria pedido sua ajuda, mas há
uma nova companhia aqui que pode fornecer as peças,
e eles estão de olho na conta da Alight Machiney há
tempos...
Whitehead A Alight Machinery receberá as peças, fique tranqüilo!
Dorothy!
Dorothy Sim, Senhor Whitehead
Whitehead Não posso interromper e Waldo tem problemas. Eu
quero que chame Oliver e peça para despachar o
pedido da Alight Machinery por via aérea. Diga que a
Alight Machinery tem que recebê-lo urgente ou então
vamos perder essa conta, OK?
Dorothy Sim, Senhor.
Whitehead Bem, onde é que nós estávamos?

2ª PARTE DA HISTÓRIA

43
ESTADOS
PERSONAGENS DIÁLOGOS DO FILME DO
EGO
Dorothy Jane, aqui é a Srta Bayle. O Sr. Waldo
chamou e disse que precisa de um embarque
especial. Deixe-me falar com o Sr. Oliver.
Jane (lixando as unhas) O Sr. Oliver não está na
sala, mas voltará logo. Posso anotar o
recado?
Dorothy Bem, se você acha que pode...
Jane Claro que posso! Eu tomo conta de todos os
embarques especiais.
Dorothy Muito bem!. Diga ao Sr. Oliver que a Alight
Machinery, uma de nossas contas mais
antigas precisa receber ainda hoje uma
remessa de peças especiais. Por favor, tome
nota porque isto é urgente!
Jane (irritada)Tudo aqui é vendas, não é?
Dorothy O que?
Jane (lixando as unhas) Nada! Estou tomando nota.
Continue.
Dorothy Queremos que o pedido seja remetido via
aérea hoje! Você está certa que entendeu,
porque isto é muito importante?!
Jane (irritada) Mas é claro que entendi!
Dorothy Muito bem, Jane!
Jane A Srta Bayle é a nova Vice-Presidente de
vendas, parece! Hã!
Oliver O que está acontecendo, Jane?
Jane (voz\ chorosa) A Secretária do Sr. Whitehead
chamou. Ela quer que o pedido da Alight
Machinery seja embarcado imediatamente.
Oliver O pedido da Alight, não é? Está na lista dos
pedidos atendidos na produção desta manhã.
Avise por telegrama que será remetido
amanhã.
Jane A Srta Bayle está se fazendo de autoridade
novamente. Ela quer que a remessa saia

44
voando! Oh! Ela devia empinar pipas!
Oliver Chateou você, não é? Não se incomode com
isso, o pessoal de Vendas acha que a
companhia terá um colapso se apenas um
embarque atrasar. Não envie o telegrama,
chamarei o embarcador e farei Joe voar com
a remessa.
Joe (com ombros encurvados) Ah! Sim, Sr.
Oliver. Sim, está no armazém. Temos que
voar? OK, sim estou entendendo. O Sr. quer
que embarque hoje, embarcará voando...
(com dúvida) O que ele quer dizer com voar?
Não podemos enviar via aérea. Acho que ele
quer um caminhão especial. É mais caro do
que avião, mas normas são normas...

EXERCÍCIO ESTADOS DO EGO -


GABARITO

EM CASO PRÁTICO DE EMPRESA


Aqui estão as identificações dos Estados do Ego nessa história.
ESTADOS
PERSONAGENS DIÁLOGOS DO FILME DO EGO
Dorothy Bom dia! Sala do Sr. Whitehead. Srta Bayle falando.
Waldo Aqui é o Waldo, Dorothy
Dorothy Como vão as coisas na Região Sul?
Waldo Problemas sérios. Eu posso falar com o chefe?
Dorothy Sinto muito, Sr. Waldo. Ele está em reunião. Ele tem parece A,
um prazo até o meio dia para entregar um relatório ao

45
presidente. O Sr. quer que eu chame à tarde? como CS
Waldo Oh! O que você diz é um sinal claro de perigo. Trata-
se da conta da Alight Machiney e esta não pode
esperar...
Dorothy Oh! Está bem! Verei se ele pode atender...
Whitehead Como você estão vendo, o relatório já foi feito e com
certeza será examinado pelo Presidente...
Dorothy Senhor Whitehead
Whitehead Sim, Dorothy!
Dorothy O Sr. Waldo está no ramal 5. Eu disse que o Sr. está
ocupado, mas ele insiste que é urgente.
Whitehead E se não for... Alo Waldo! O que há? Seja rápido!
Waldo Don, eu sei que você está ocupado, mas isso é urgente.
A Alight Machiney tem um problema e se não
pudermos ajudá-los, eles nos trocarão por outro.
como CS
Whitehead É uma de nossas contas mais antigas...
Waldo A Alight Machiney fez um pedido de peças especiais e Parece A
precisam delas já! Se elas forem embarcadas em mas é CS
caminhão, levarão cerca de 4 dias para chegar aqui.
Podemos levar por via aérea?
Whitehead Bem, por que você não pediu ao Doug Oliver, na
Expedição?
Waldo Don, só você pode resolver este problema! Da outra
vez pedi uma remessa aérea ao Oliver e ele disse que
as remessas estavam limitadas. Ele reclama que
estamos sempre pedindo favores especiais.
Whitehead OK, eu autorizo! Não queremos perder um cliente
como a Alight Machiney. Agüente firme, as peças
estarão aí amanhã.
Waldo Obrigado, Don. Eu não teria pedido sua ajuda, mas há
uma nova companhia aqui que pode fornecer as peças,
e eles estão de olho na conta da Alight Machiney há
tempos...
Whitehead A Alight Machinery receberá as peças, fique tranqüilo!
Dorothy!
Dorothy Sim, Senhor Whitehead
Whitehead Não posso interromper e Waldo tem problemas. Eu

46
quero que chame Oliver e peça para despachar o
pedido da Alight Machinery por via aérea. Diga que a
Alight Machinery tem que recebê-lo urgente ou então
vamos perder essa conta, OK?
Dorothy Sim, Senhor.
Whitehead Bem, onde é que nós estávamos?

2ª PARTE DA HISTÓRIA - GABARITO

ESTADOS
PERSONAGENS DIÁLOGOS DO FILME DO
EGO
Dorothy Jane, aqui é a Srta Bayle. O Sr. Waldo PC
chamou e disse que precisa de um embarque
especial. Deixe-me falar com o Sr. Oliver.
Jane O Sr. Oliver não está na sala, mas voltará CR
logo. Posso anotar o recado?
Dorothy Bem, se você acha que pode... PC
Jane Claro que posso! Eu tomo conta de todos os CR
embarques especiais.
Dorothy Muito bem!. Diga ao Sr. Oliver que a Alight PC
Machinery, uma de nossas contas mais
antigas precisa receber ainda hoje uma
remessa de peças especiais. Por favor, tome
nota porque isto é urgente!
Jane Tudo aqui é vendas, não é? CR
Dorothy O que? PC
Jane Nada! Estou tomando nota. Continue. CR(CO)
Dorothy Queremos que o pedido seja remetido via PC
aérea hoje! Você está certa que entendeu,
porque isto é muito importante?!
Jane Mas é claro que entendi! CR
Dorothy Muito bem, Jane! PC
Jane A Srta Bayle é a nova Vice-Presidente de CR
vendas, parece! Hã!

47
Oliver O que está acontecendo, Jane? PP
Jane A Secretária do Sr. Whitehead chamou. Ela CR
quer que o pedido da Alight Machinery seja
embarcado imediatamente.
Oliver O pedido da Alight, não é? Está na lista dos PP (A)
pedidos atendidos na produção desta manhã.
Avise por telegrama que será remetido
amanhã.
Jane A Srta Bayle está se fazendo de autoridade CR
novamente. Ela quer que a remessa saia
voando! Oh! Ela devia empinar pipas!
Oliver Chateou você, não é? Não se incomode com PP
isso, o pessoal de Vendas acha que a
companhia terá um colapso se apenas um
embarque atrasar. Não envie o telegrama,
chamarei o embarcador e farei Joe voar com
a remessa.
Joe Ah! Sim, Sr. Oliver. Sim, está no armazém. CS
Temos que voar? OK, sim estou entendendo.
O Sr. quer que embarque hoje, embarcará
voando... CS
O que ele quer dizer com voar? Não
podemos enviar via aérea. Acho que ele quer
um caminhão especial. É mais caro do que
avião, mas normas são normas...

48
EXERCÍCIO EGOGRAMA
COMO ME VEJO : REALIDADE
INTERNA
INSTRUÇÕES: Considere que você fica acordado, todo dia, por 16 horas.
No quadro da esquerda, a seguir, coloque quantas horas por dia você usa
atitudes de PC= PAI CRÍTICO; PP= PAI PROTETOR; A= ADULTO; CL=
CRIANÇA LIVRE; CA= CRIANÇA ADAPTADA(REBELDE OU
SUBMISSA). O total deverá somar 16 horas. Use os outros quadrinhos
(colunas) para corrigir suas avaliações.
PC = PAI CRÍTICO: quando está criticando, controlando os outros, agredindo.
PP = PAI PROTETOR: quando protege ou orienta os outros, incentivando-os.
A = ADULTO: quando está em atividade, sem emoção, quando pede ou dá
informações, planeja, estuda, trabalha.
CL = CRIANÇA LIVRE: quando está em atividade em que sente prazer e
alegria, quando age espontaneamente, naturalmente.
CA = CRIANÇA ADAPTADA: quando sente raiva, rebeldia, submissão, medo.
N
PC 2 = Sua
PP 3 avaliação --- Pers. Normal (os nº de
N)
A 6
CL 3
CA 2
- 16 16 16 16 16
NÚMERO DE HORAS

Depois faça os Egogramas no lar e Egograma no Trabalho.

49
INSTRUÇÕES:
Nos dois Egogramas, na parte de cima do gráfico: Numa Escala de 0 a 5,
como você age no lar e no trabalho? Quanto é PC, PP, A, CL ou CA?
Parte de baixo dos dois gráficos: Escolha uma pessoa do seu lar (cônjuge,
filho/a, pai/mãe, etc) e outra no trabalho, e registre os graus em que você
acha que elas agem, como PC, PP, A, CL ou CA.

EGOGRAMA NO ESCALA EGOGRAMA NO


LAR TRABALHO
5
4
3
2
1
0
PC PP A CL CA - PC PP A CL CA
0
1
2
3
4
5

EXERCÍCIO DECISÕES PARA


MUDANÇA
1 – PAI CRÍTICO: Baseado em seu Egograma feito no Exercício
anterior, caso você esteja com mais de 2 horas, é sinal de que tem sido
muito crítico e agressivo com algumas pessoas. Anote 3 nomes de pessoas
com as quais irá realizar uma mudança, diminuindo seus comportamentos
como Pai Crítico.
1-
2-
3-
Ao diminuir seu Pai Crítico irá observar que as pessoas diminuirão as

50
reações de Criança Adaptada (Rebelde e/ou Submissa). Inicie a mudança
agindo como Pai Protetor, dando mais estímulos positivos (sem exigir
nada em troca).

2 – PAI PROTETOR: Se estiver com menos de 3 horas, indica


necessidade de aumentar a ação do seu Pai Protetor, dando mais estímulos
positivos às pessoas. Anote 3 nomes com quem pretende aumentar seu Pai
Protetor. Caso esteja com mais do que 3 horas, talvez esteja agindo como
“Super-Protetor”, “abafando” as pessoas. Indique, neste caso, 3 pessoas
com quem procurará diminuir o excesso de Pai Protetor.
MAIS AÇÃO DO PAI MENOS AÇÃO DO PAI
PROTETOR COM: PROTETOR COM:
1- 1-
2- 2-
3- 3-

3 – ADULTO: Se estiver com menos de 6 horas (especialmente no


ambiente de trabalho), é sinal de que precisa aumentar a ação do seu
Adulto. Anote 3 nomes com quem irá usar mais seu Adulto. Caso, porém,
seu Adulto esteja com mais de 6 horas (especialmente no ambiente do
lar), é sinal de que precisa diminuí-lo um pouco. Anote 3 nomes com
quem irá diminuir seu Adulto.
MAIS AÇÃO DO ADULTO MENOS AÇÃO DO ADULTO
COM: COM:
1- 1-
2- 2-
3- 3-

4 – CRIANÇA LIVRE: Se sua Criança Livre tem menos de 3 horas,


é sinal de que tem se alegrado pouco com as pessoas. Anote 3 nomes com
quem procurará alegrar-se mais, usando sua Criança Livre. Caso, porém,
sua Criança Livre esteja com mais do que 3 horas, há necessidade de
diminuí-la um pouco. Anote 3 nomes com quem procurará diminuir sua
Criança Livre.
MAIS AÇÃO DA CRIANÇA MENOS AÇÃO DA CRIANÇA
LIVRE: LIVRE:
1- 1-
2- 2-

51
3- 3-

5 – CRIANÇA ADAPTADA: Tendo mais de 2 horas de Criança


Rebelde e/ou Criança Submissa, é sinal de que necessita diminuí-las.
Anote 3 nomes com quem procurará diminuir sua Rebeldia e/ou
Submissão. Caso, porém, tenha menos de 2 horas, não há necessidade de
mudança.
MENOS AÇÃO DAS CRIANÇAS REBELDE E/OU SUBMISSA
COM:
1-
2-
3-

52
ANÁLISE DAS TRANSAÇÕES
Viver significa essencialmente “viver com outras pessoas”. Em qualquer
atividade que desempenhe, o ser humano é um ser social.

E viver com os outros implica em um intrincado mundo de relações,


chamadas em Análise Transacional de Transações. O termo transação
provém de duas palavras latinas: Trans = ir além e Actio = ação.
Etimologicamente o termo transação significa que uma ação passa de uma
pessoa para a outra. Segundo o criador da A.T., Eric Berne, a transação é
a unidade básica do relacionamento social. É um fenômeno com
estímulos e respostas entre Estados do Ego específicos. Ex.: Adulto –
Adulto: Que horas são?
Adulto – Adulto: São 15 horas.
Em cada Transação há, pelo menos, duas pessoas: uma diz ou faz algo e a
outra responde. Uma diz/faz usando um Estado do Ego e a outra responde
usando um Estado do Ego, igual ou diferente. O relacionamento é um
encadeamento de transações.

Quando duas ou mais pessoas se encontram mais cedo ou mais tarde uma
delas dirá ou fará algo indicando que percebe a presença da(s) outra(s).
Essa manifestação (verbal ou não) é chamada de Estímulo Transacional e
dá início à transação. A manifestação da outra pessoa, obtida em resposta é
uma Resposta Transacional. E assim prossegue a transação. Um Estímulo
Transacional pode facilmente ser percebido como ao entrar em uma sala e
dizer Bom dia ou quando se passa por uma rua e encontra-se um conhecido
e se abana a mão um para o outro. Em certos casos o estímulo é sutil,
camuflado, às vezes quase imperceptível. Por exemplo, um homem sentado
ao lado de uma moça, em um ônibus, mexe-se na poltrona, pigarreia,
suspira, abre o jornal com ruído, etc. em tentativas para atrair a atenção da
moça e iniciar uma conversa. É muito importante conhecer as transações
para se evitar os conflitos.

TÉCNICA PARA EVITAR CONFLITOS

1. Ver que Estado do Ego o outro utiliza.


2. Qual o Estado do Ego que ele quer “fisgar” em você?
3. Com o seu Adulto, escolher o Estado do Ego que for mais conveniente

53
usar na situação.

A maior parte das pessoas utiliza o passado como causa dos problemas do
seu presente. Uma pessoa é infeliz agora porque agora há motivo para ser
infeliz e não porque em seu passado foi infeliz. “Sempre fui assim”, as
pessoas utilizam o passado para justificar os seus problemas. Outras
pessoas colocam no futuro a solução de seus problemas. O passado deve
ser olhado como experiência e não como causa. O futuro deve ser visto
como planejamento e não como solução. O aqui e agora é importante nas
transações.

TIPOS DE TRANSAÇÕES

1 – TRANSAÇÕES COMPLEMENTARES:
A transação é Complementar quando se recebe a resposta esperada
Adulto – Adulto: Querido, a que horas chegaremos lá?
Adulto – Adulto: Daqui a duas horas.

Enquanto as Transações forem Complementares a


transação/comunicação se manterá, continuará indefinidamente, sem
conflito. A capacidade de manter Transações Complementares é vital
para evitar conflitos com as pessoas, para a realização pessoal e para o
sucesso profissional.

1A – COMPLEMENTAR DOS MESMOS ESTADOS DO


EGO:

Pai – O João nunca faz nada direito no serviço.

Pai – Você tem razão, ele sempre está fazendo o


serviço de modo errado.

54
Criança – Querida, estou tão desanimado para consertar
isso.

Criança – E eu então? Estou pior que você, os filhos me


cansaram hoje.

1B – COMPLEMENTAR DE DIFERENTES ESTADOS DO


EGO:

Pai – Pelo menos veja as horas para mim!


Adulto – São 17 horas e 35 minutos.

2 – TRANSAÇÕES CRUZADAS:
A transação é cruzada quando a pessoa recebe uma resposta não
esperada (Reativa ou Crítica-Agressiva). A outra pessoa responde com
um Estado do Ego diferente do que se esperava. Isso acaba com as
comunicações e provoca conflito.

Adulto – Adulto : Quando desocupar, querida, passe-me


o prato de

batatas fritas.
Criança – Pai : Lá vem você insinuando que estou gorda!

2A - RESPOSTAS REATIVAS:

Quando a pessoa responde com o Estado Criança.


Adulto – Adulto : Poderia digitar isto para mim?
Criança – Pai : Com tudo o que tenho para fazer
e o Sr. me dá mais trabalho?!

55
Adulto – Adulto : Onde foi que você comprou estes
bifes?
Criança – Pai : O que eles têm de ruim?

2B – RESPOSTAS CRÍTICAS-AGRESSIVAS:

Quando a pessoa responde com o Estado Pai.


Adulto – Adulto: Sabe onde estão minhas chaves?
Pai – Criança : Por que você não cuida melhor de suas
coisas? Como você é desleixado!

Adulto – Adulto : Chefe posso faltar amanhã, tenho que


resolver

umas coisas pessoais?


Pai – Criança : Você está a cada dia um pior
empregado! Como quer
manter seu emprego faltando desse
jeito?

Toda comunicação é interrompida quando ocorre Transação Cruzada.


Todo problema de relacionamento e comunicação é causado por
Transação Cruzada. As Transações Cruzadas sempre causaram a
maioria das dificuldades no mundo, seja:
. no trabalho e na amizade,
. no casamento e no amor,
. na política nacional e
. no relacionamento entre as nações.

2C – TRANSFERENCIAL:
A pessoa começa a se justificar (após realizar Diálogo Interno).

56
Adulto – Adulto : Perdemos a concorrência...

Criança – Pai : Eu não fiz nada de errado, viu?


Neste caso, o correto seria a pessoa reagir com seu Adulto
para o Adulto do
outro (em vez de reagir com sua Criança para o Pai do outro):
Adulto – Adulto: Por que? Vamos examinar a situação e ver o
que deu errado.

2D – CONTRA-TRANSFERENCIAL:

Adulto – Adulto: Perdemos a concorrência...


Pai - Criança: Coitado, você deve estar arrazado e
sentindo-se mal...
A pessoa reage “protegendo” e consolando a Criança do
outro com seu Pai
Protetor. Na realidade, está agindo mais como “Pai
Salvador” que não salva
o outro, mas o deixa na “lama”.

2E – QUEIXA-MÚTUA:

Criança – Pai: Hoje tive um dia horrível no


serviço.
Criança – Pai: E você precisava ver o trabalho que
nossos filhos deram...
O marido chega em casa e quer um consolo/estímulo da
esposa (Sua
Criança Submissa procurou o Pai protetor dela). Porém,
ela também está
querendo consolo/estímulo do marido (Sua Criança
Submissa procurou o
Pai Protetor dele).

2F – EXASPERANTE:

57
Pai – Criança: Puxa vida, pára de ler esse jornal e me
escuta!

Adulto – Adulto: Estou vendo que você está nervosa e


irritada, quer que eu

pegue um calmante?

A pessoa reage com o Adulto “frio”, contaminado


pelo Pai Crítico. Foge do
assunto e não atende ao pedido feito.

2G – TRANSAÇÃO DO INFINITO:

Pai – Criança: Você não presta!

Pai – Criança: Você é que não presta


nada!
Um tenta assustar (com seu Pai Crítico) a Criança
Submissa do ou_
tro. Porém, este outro reage com seu Pai Crítico
tentando assustar
a Criança Submissa do primeiro, e assim continua
indefinidamente.

2H – DESUMANIZADA:

Criança – Pai: Mamãe, passei no exame.

Adulto – Adulto: Toda criança estudiosa passa em


exame.
A mãe, em vez de dar Estímulo Positivo com seu Pai

58
Protetor (elogiar o

filhoi, abraçá-lo, ficar alegre com ele, etc), agiu como


Adulto “frio”
contaminado pelo seu Pai Crítico.

3 – TRANSAÇÕES OCULTAS (ULTERIORES)


Neste tipo de transação existe sempre uma mensagem escondida, atrás da
mensagem dada. É a famosa “2ª intenção”. Neste tipo de transação
existem dois níveis de comunicação: 1 – Nível social: a pessoa diz uma
coisa, envia uma mensagem “social”.
2 – Nível Psicológico (Oculto): a pessoa diz outra coisa,
envia outra mensagem embutida na primeira.

3A - OCULTA ANGULAR: Há 3 Estados do Ego presentes.


Adulto-Adulto: Este é o melhor carro, mas é
muito caro.
Nível Social (Adulto-Criança/Oculto: Acho que não está ao
alcance do seu bolso)
Adulto-Adulto: Pois é este
mesmo que vou comprar.

(Criança-Adulto/Oculto:
Vou provar a você que tenho dinheiro para
comprar este carro).
Nível Psicológico

3B – OCULTA DUPLA: Há 4 Estados do Ego presentes.


Adulto-Adulto: Vamos ao meu apartamento ouvir
música?
(Criança-Criança/Oculta: Quero ficar a sós com você)

Adulto-Adulto: Vamos, eu adoro ouvir música.


(Criança-Criança/Oculta: Eu também quero ficar a sós
com você)

REGRAS PARA SABER SE EXISTE MENSAGEM

59
OCULTA:
1. Veja se a mensagem recebida é fria ou se “mexe” com você. Se mexer
com você, é porque existe uma mensagem oculta.
2. Nunca “imagine” o que a outra pessoa quis dizer com... O melhor a fazer
nesses casos é procurar esclarecer: usando o seu Adulto, dizer à pessoa:
Parece-me que você quer dizer ...

TRANSAÇÕES ESPECIAIS
DIÁLOGO INTERNO:
É uma transação interna, um diálogo consigo mesmo. É constituído das
gravações de milhares de trocas entre a pessoa e seus pais, verbais e
não-verbais, confortadoras e punitivas, auto-justificadoras e auto-
anuladoras. É um diálogo onde a pessoa, na maioria das vezes, diminui a si
próprio. Ela fica dizendo: Eu não sou capaz de..., Como sou estúpida...,
Que burrada eu fiz de novo..., etc. Ás vezes no Diálogo Interno a pessoa
dá aplusos a si mesma: Bom rapaz, fez direitinho..., Boa moça, agiu
correto...
O Diálogo Interno ocorre no nível pré-consciente, logo abaixo da
consciência. Quando uma pessoa entra em Diálogo Interno, ela sai do Aqui
e Agora, da situação presente e mergulha numa realidade passada ou
imaginária.

SIMBIOSE:
É um tipo de transação onde, por exemplo, a mulher com sua parte
Criança procurou a parte Pai e Adulto no homem com quem se casou.

E este homem, que não sabia se alegrar e se divertir (não tinha sua

Criança desenvolvida) procurou na mulher a sua parte


Criança. Há,
neste caso, um complemento entre os dois, um complementa o outro.

60
E podem viver felizes a vida inteira assim. Porém, se um dia o marido
aprender a se alegrar, usando sua Criança (que antes não usava), isso
quebrará a Simbiose. Neste caso a esposa levará um susto pois não conhece
essa parte (alegre) do marido. A Simbiose pode também ser quebrada, se a
mulher, por exemplo, que antes era submissa, com o tempo desenvolve mais
o seu Adulto e começa a dar opiniões, a tomar atitudes mais firmes e
decididas. O marido, que antes estava acostumado a uma mulher tipo
Criança Submissa, estranhará sua nova mulher, mais firme e decidida
(agindo mais com seu Adulto).

CIRCUITO NÃO – OK DA RAIVA:


É o que pode acontecer quando uma pessoa usa muito o Pai Crítico e obriga
a outra a se adaptar como Criança Adaptada Submissa, desenvolvendo o
sentimento da Raiva.

Para Sair : Como


Adulto:convém
mostrar raiva? R

Dar
Estí_ A

mulos + I

61
A
Interna: doenças, nervos, etc.
Externa: agressões, greves, acidentes,
etc

Quando a pessoa se relaciona usando o Pai Crítico a outra pessoa poderá


assumir a Criança Submissa que o Pai crítico está querendo “engatar”. Se a
pessoa assumir a Criança Submissa irá desenvolver junto o sentimento da
Raiva e passa a agir como criança Opositora e em seguida, Criança
Rebelde. Após isso, a pessoa tem dois caminhos: 1. Ou assume uma
posição de Adulto (positivo) ou 2. Ou fica violento (negativo)
Ficando violento pode ter dois tipos de violência: a. Violento consigo
mesmo (interno), desenvolvendo doenças psicossomáticas, como dores de
cabeça, enxaqueca, reações nervosas, etc. b. Ou fica violento externo,
reagindo com violência contra os outros: agride, faz greves, provoca
acidentes, etc. Após a violência passa por uma atitude de Culpa, depois
Depressão e, finalmente, volta à Criança Submissa.
Não é conveniente em nenhum ambiente, “fabricar” pessoas submissas. Um
empregado submisso poderá vir a ser um líder negativo no futuro, um
agitador. Os grandes líderes foram, na infância, crianças submissas, depois
criaram “raiva” e se tornaram líderes negativos. Para sair do Circuíto da
Raiva, a pessoa precisará assumir a posição de Adulto e parar para pensar:
Convém manifestar raiva? Se for sim, decidir: onde, quando, como? Depois
manifestar afeto pela pessoa: “Você é muito competente, sentí raiva por
você ter cometido aquele erro. O que poderemos fazer?”

62
63
64
EXERCÍCIO IDENTIFICAÇÃO DAS
TRANSAÇÕES
Instruções: Coloque nos modelos gráficos as Transações
especificadas nos textos.

1- E R

E - Você não sabe onde foi parar essa droga de chave?

R - Já perdí um tempão atrás dessa porcaria. É para


enlouquecer
mesmo.

2- E R

E – Errei Novamente! (Veja como sou um imbecil)

R – Sim, estou vendo que você errou. (É, você é


mesmo um imbecil)

3- E R

E – Por fav or, você sabe onde está o dicionário?

R – (Reclamando)Por que justo eu vou saber? Nunco


uso esse negócio.

4- E R

E – O relatório já está pronto?

R –Que pergunta idiota! Claro que está!

5- E R

65
E – Quando é a reunião?

R - Não me pergunte. Ninguém jamais me diz


qualquer coisa nesta
empresa.

6- E R

E – Que tal um programinha esta noite?

R – (Desabotoando o 1º botão da blusa) E a que horas


vai ser o
grande acontecimento?

7- E R

E – Que tal um programinha esta noite?

R – (Acompanhado de uma bofetada) Atrevido!

8- E R

E – Que tal um programinha esta noite?

R – Sinto muito, Sr. Carlos, mas não entendí bem o


que deseja.

9- E R

E – Bem, creio que encerramos esse assunto. (Já estou


cheio de você)

66
R – Não, ainda gostaria de discutir alguns detalhes.
(Não, espere um
pouquinho, não me deixe ainda).

10 - E R

E – Esse cargo é de muita responsabilidade para o


senhor. (Duvido que
tenha coragem ou competência para assumí-lo).

R – Pois eu quero esse cargo de qualquer jeito..

11 - E R

E – Você sabe onde está o relatório?

R – (Criticando) Está exatamente o deixou. Será que


esquece tudo?

12 - E R

E – Me ajuda a encontrar as chaves do carro, que eu


já estou cansada
de procurar.

R – Mas eu também estou cansado, poxa! Não dormi


direito essa noite.

67
GABARITO
EXERCÍCIO IDENTIFICAÇÃO DAS
TRANSAÇÕES
Aqui estão as respostas do exercício.
1- E R

E - Você não sabe onde foi parar essa droga de chave?

R - Já perdí um tempão atrás dessa porcaria. É


para enlouquecer
mesmo.
Complementar
2- E R

E – Errei Novamente! (Veja como sou um


imbecil)

R – Sim, estou vendo que você errou. (É, você é


mesmo um imbecil)

Oculta dupla (ulterior duplex)


3- E R

E – Por fav or, você sabe onde está o dicionário?

R – (Reclamando)Por que justo eu vou saber? Nunco


uso esse negócio.

68
Cruzada
4- E R

E – O relatório já está pronto?

R –Que pergunta idiota! Claro que está!

Cruzada
5- E R

E – Quando é a reunião?

R - Não me pergunte. Ninguém jamais me diz


qualquer coisa nesta
empresa.
Cruzada
6- E R

E – Que tal um programinha esta noite?

R – (Desabotoando o 1º botão da blusa) E a que horas


vai ser o
grande acontecimento?
Complementar
7- E R

E – Que tal um programinha esta noite?

R – (Acompanhado de uma bofetada) Atrevido!


Cruzada

69
GABARITO

8- E R

E – Que tal um programinha esta noite?

R – Sinto muito, chefe, mas não entendí bem o que


deseja.

Complementar

9- E R

E – Bem, creio que encerramos esse assunto. (Já


estou cheio de você)

R – Não, ainda gostaria de discutir alguns


detalhes. (Não, espere um
pouquinho, não me deixe ainda).
Oculta Dupla

10 - E R

E – Esse cargo é de muita responsabilidade para


você. (Duvido que
tenha coragem ou competência para
assumí-lo).

R – Eu vou assumir esse cargo assim mesmo. (Vou


mostrar-lhe que
Oculta tenho coragem e competência para assumir esse
cargo)

70
11 - E R

E – Você sabe onde está o relatório da produção desta


semana?

R – (Criticando) Está exatamente o deixou. Será que


esquece tudo?

Cruzada

12 - E R

E – Me ajuda a encontrar as chaves do


carro, que eu já estou cansada
de procurar.

R – Mas eu também estou cansado, poxa! Não dormi


direito essa noite.

Cruzada

71
MANDATOS
A personalidade é formada por Herança + Educação, segundo a teoria de
Carl Yaspers. Herança é uma predisposição, aquilo que a pessoa recebeu
de seus pais, de herança genética. Educação é impulsora, é uma série de
idéias que cada pessoa tem em sua mente e que leva cada uma a agir
conforme o que aprendeu. Todas as pessoas são impulsionadas pela
cultura. Segundo a cultura que cada pessoa teve, assim cada um será.

Cada pessoa é impulsionada pela educação através das Mensagens dadas


pelos educadores e aceitas, interpretadas na cabeça da pessoa. Quando
essas mensagens foram aceitas, elas são os medos básicos. Mandatos são
as mensagens que os pais e educadores deram e que a pessoa “aceitou”,
especialmente as mensagens gravadas até os 3 anos da idade (outros
consideram até 6-8 anos). Entre essas mensagens estão as Proibições
Básicas: Não pense, Não compartilhe, Não seja alegre, Não confie nas
pessoas, Não viva, Não desfrute, Não seja capaz, Não te afirme, Não
pertença, etc.
Pela Análise Transacional, há 4 MANDATOS BÁSICOS:
1. VIVA (Seja uma pessoa feliz e capaz)
2. NÃO SINTA (Seja uma pessoa rejeitada e inferiorizada)
3. NÃO PENSE (Seja uma pessoa incapaz e insegura)
4. NÃO VIVA (Seja uma pessoa infeliz).

1º Mandato Básico: VIVA, SEJA UMA PESSOA FELIZ E


CAPAZ
Este é um Mandato positivo, o mais saudável e realista de todos. É como se
a pessoa seguisse a mensagem: “Seja feliz e alegre como um príncipe”. A
pessoa tem esse Mandato quando recebeu em sua infância três estímulos
básicos: Amor, Aceitação e Confiança, representados em mensagens de
felicidade, de alegria, de entusiasmo, de confiança, de saúde, enfim
mensagens de vida feliz, como por exemplo:
- Eu amo você, como fico feliz de você ter nascido meu filho/a.
- Como você está bonita! Você me deixa muito feliz e alegre.
- Parabéns, está muito bom isso que você fez.
- Filho, você errou nesta conta de somar. Faça de novo. Tenho certeza de
que você irá acertar e fazer correto.

72
- Pode ir brincar com ele, é bom fazer novos amiguinhos.
- Você é uma criança inteligente.
- Gosto do jeito que você sorri. O sorriso faz o seu rosto ficar ainda mais
bonito.

Recebendo mensagens e estímulos de qualidade e em quantidade suficiente,


a criança desenvolverá uma vida em que refletirá tudo isso, chegando a ser
um adulto feliz e saudável. Assim, a pessoa tende a ser feliz e alegre, a
aceitar os outros e a si próprio, a confiar em si e nos outros, a expressar
sentimentos. É pessoa que tem uma auto-imagem positiva. Certamente ela
conseguirá desenvolver muitos traços saudáveis como ser humano, como
por exemplo: amor fraterno, aceitação da realidade, alegria, altruísmo,
autenticidade, bondade, caridade, cavalheirismo, civilidade, coerência,
colaboração, compaixão, compreensão, compostura, confiança,
consciência, consideração, constância, convicção, cooperação, coragem,
cordialidade, dedicação, desprendimento, disciplina, eficiência, empatia,
entusiasmo, eqüidade, equilíbrio, esperança, estima, espontaneidade,
fidelidade, firmeza, fortaleza moral, generosidade, harmonia, heroísmo,
honestidade, humildade, idealismo, independência, integridade, intimidade,
justiça, lealdade, liberdade, moderação, motivação, naturalidade, otimismo,
paciência, parcimônia, paz, perdão, perseverança, probidade,
responsabilidade, sabedoria, sensibilidade, sentido na vida, simpatia,
sinceridade, simplicidade, tolerância, tranqüilidade.

Além de desenvolver traços saudáveis, será uma pessoa que saberá aceitar
suas qualidades e seus defeitos, aceitando também, as outras como elas são,
com suas qualidades e defeitos, sem necessidade de tentar mudar as outras
pessoas quando elas têm defeitos, e sem sentir ciúme ou inveja quando elas
apresentarem qualidades e virtudes. Será uma pessoa que não se sentirá
eufórica com suas qualidades e virtudes, utilizando-as com humildade e
simplicidade em sua realização pessoal e nem se sentirá derrotada por ter
alguns defeitos, esforçando-se sempre para corrigi-los, seguindo o que diz
aquele ditado popular:
Ninguém pode prejudicar você, a não ser você mesmo,
assim como ninguém pode mudar você, a não ser você mesmo.

Uma pessoa com este Mandato VIVA quando perceber algum defeito nas
outras pessoas lembrará sempre daquela história na qual dois amigos foram
a uma joalheria. Enquanto examinavam pedras de grande valor, um dos
amigos notou uma pedra no meio delas, sem nenhum brilho ou beleza.

73
Curioso, perguntou ao vendedor:
- O que faz no meio de tantas pedras lindas, esta pedra sem beleza? O
vendedor nada respondeu, mas pegou a pedra em sua mão e após alguns
instantes abriu-a mostrando uma pedra linda que brilhava esplendidamente,
tão linda que parecia irradiar todas as cores do arco-íris. E explicou:
- Esta pedra é opala, chamada de simpática porque o calor da mão irradia
para ela toda a beleza da vida.

Lembrando dessa história, uma pessoa com esta auto-imagem VIVA, saberá
olhar os defeitos das pessoas como se eles fossem aquela pedra sem beleza,
mas procurando com sua amizade e calor humano ajudar as outras pessoas a
terem “brilhos radiantes” como seres humanos saudáveis. Será pessoa
consciente de que só ela será a responsável pelos resultados que obtiver na
vida, assumindo com responsabilidade o destino de sua vida. Terá presente
aquele ditado popular que diz:
Ninguém pode viver a sua vida por você.
Ninguém pode conseguir o sucesso por você.
Você é quem faz a história de sua vida.

Por isso agirá não como unicamente passageiro neste planeta Terra, mas
especialmente agirá como “tripulante”, dando a sua parcela de
responsabilidade para que haja evolução e resultados positivos. Terá
consciência de que é pessoa única no Universo em características genéticas
e com alegria e entusiasmo escolherá viver integralmente e de modo
saudável a sua vida, seguindo os ensinamentos da Bíblia: Escolhe, pois, a
vida (Deuteronômio 30:19). Saberá que desde o primeiro instante de sua
existência, recebeu um grande privilégio: o de ter nascido. Em seus
momentos de reflexão e meditação, transportar-se-á mentalmente para
aquele momento todo especial em que foi gerada, em que o óvulo de sua
mãe na curva das Trompas de Falópio/Tubas Uterinas, aguardava um
visitante todo especial, estabelecido que iria chegar pela vida divina. E
ficará alegre com o ato de amor que ocorreu entre o seu pai e sua mãe, no
qual milhões de espermatozóides foram ejaculados no fundo vaginal, no
colo do útero, e subiram velozes na corrida pela vida, em direção ao óvulo.
E terá consciência do momento todo especial em que um espermatozóide
vencedor daquela corrida pela vida, teve o privilégio de fecundar o óvulo,
gerando assim, uma nova vida: ela própria, uma pessoa única e especial no
Universo, com características genéticas que nenhum outro ser humano terá,
dentre os bilhões de seres humanos existentes no planeta Terra. Lembrando
do início de sua vida como pessoa, terá consciência do grande privilégio

74
que teve em ter sido ela a escolhida para receber o sopro divino da vida, e
não milhões de outros possíveis seres humanos, seus possíveis irmãos.
Além de ser consciente desse privilégio de ter nascido, valorizará os
momentos da vida que recebeu, criando neles as oportunidades para ser
feliz e realizada. Assim, irradiará energias positivas para todo o seu
ambiente para que o mundo possa ser povoado por pessoas felizes,
sorridentes, alegres, todas radiantemente saudáveis, com as necessidades
supridas e vivendo em um clima de amor e harmonia.

Viverá com sentimentos como se a realidade fosse de felicidade, sentindo-


se uma pessoa cheia de vida e energia, com um corpo saudável, forte e
vibrante, vendo-se cercada de abundância e usufruindo dessa prosperidade.
Vibrará de alegria, de paz, de felicidade e sentirá todo o seu ser encher-se
de luz, expandindo essa energia para as outras pessoas, para todos os outros
seres humanos deste planeta.

Uma pessoa, com o Mandato VIVA certamente será uma pessoa que aceita
naturalmente as coisas ou situações, sem reações emocionais negativas,
especialmente de raiva, quando as situações negativas a desagradarem. Terá
consciência de suas emoções, saberá senti-las e expressá-las naturalmente,
mantendo sempre abertos os canais de comunicação emocional com as
outras pessoas, não gastando energias emocionais para discordar ou
divergir delas. Suas reações emocionais serão adequadas à realidade ou à
situação, depois de analisar as informações e decidir qual será a melhor
ação a ter (estilo de ação Proativo). Aplicará em sua vida aquele
pensamento do filósofo Sêneca: Não há vento favorável para aquele que
não sabe para onde vai, mas o aplicará em sua forma positiva: O vento é
favorável para aquele que sabe para onde vai. Assim, enfrentará as
dificuldades com objetividade, por exemplo, falando em tom normal de
voz:
- Filho abaixe um pouco esse som. Não consigo pensar quando a música
está tão alta. Ou: - Benzinho sabe onde deixei as chaves do carro?

Uma criança, com este tipo de Mandato VIVA será uma pessoa alegre, pois
sentirá naturalmente a alegria de viver, a alegria de ter nascido naquela
família, a alegria de saborear cada momento de sua vida, pois sentirá que
vale a pena viver. Espontânea, sentir-se-á livre para escolher as emoções
que desejar, tanto de amor, de tristeza ou outra que julgar conveniente
expressar naquele momento. Será uma pessoa que, a cada dia de sua vida,

75
procurará evoluir um pouco, como se estivesse subindo um degrau de
escada de sua evolução, aprendendo o que pode aprender, sempre com a
mente aberta e receptiva, para modificar-se no que achar necessário. Será
pessoa congruente e coerente em tudo o que fizer e sentir.

Com as mensagens e estímulos dos adultos que levem a criança a ter este
Mandato VIVA, ela sentirá que seu desenvolvimento está em evolução para
o alto, como sobe um balão de ar quente: usando todo o seu potencial, suas
habilidades e suas experiências. É como afirmou James Allen: Quando uma
pessoa decide que quer melhorar suas condições de vida, e disciplina a
sua mente com vontade inabalável em direção aos seus objetivos, tudo de
bom e oportuno virá ao seu encontro: bons livros, bons amigos e outros
meios que lhe ajudarão a realizar os seus justos desejos. Saberá que tem
dentro de si, como ser humano, uma das mais poderosas forças do mundo: a
vontade, aliada à fé e à autoconfiança. Assim, terá consciente um outro
ditado popular: A única coisa que fica entre um homem e o que ele quer na
vida é, muitas vezes, apenas a vontade de tentar e a fé em acreditar que é
possível.

Com o Mandato VIVA, a pessoa terá certeza de que, como afirmou Goethe,
o Universo conspirará a seu favor. Saberá agir também com humildade,
tendo disposição para aprender com as outras pessoas e com as situações,
pois aplicará em sua vida a sabedoria oriental: mestre não é aquele que
ensina, é o que aprende; e que o maior ensino é ensinar a si mesmo. Terá
sempre presente em sua vida, o grande exemplo do mar, que é
suficientemente humilde para se colocar abaixo de todos os rios do mundo e
assim, sabendo receber as águas dos rios, torna-se forte. Vivenciará essa
humildade em um estilo de viver, chamado de Simplicidade Voluntária, na
qual procurará satisfazer-se com o que tem, equilibrando o seu querer (os
seus desejos e expectativas) às suas posses (à sua realidade de vida),
atingindo um equilíbrio e harmonia em sua vida. Saberá separar o essencial
do supérfluo, equilibrando e ajustando as suas necessidades às suas reais
posses, aprendendo a ser feliz com o que tem, em vez de preocupar-se com
o que não tem. Um estilo de vida bem diferente de outro no qual o ter mais
é o principal valor de vida, com desejos além das necessidades, no qual as
pessoas entram em um círculo estafante e frustrante de correr atrás das
coisas, querendo cada vez mais, num ritmo frenético de consumismo
desenfreado (na maioria das vezes comprando coisas de que não precisam
realmente...), endividando-se por meses, com prestações intermináveis para
pagarem, vivendo atribuladas e estressadas em uma vida de corre-corre

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para sempre ganharem mais para poderem comprar o que desejam. E essas
pessoas nesse estilo de vida de terem cada vez mais, deixam de apreciar as
coisas que já possuem usando bem os seus salários, deixando de
compartilhar a presença das pessoas, deixando de alegrar-se com elas e
vivendo realmente os momentos da vida. Deixam de viver uma vida mais
simples e mais calma, com maior convivência familiar, mais presente na
vida dos filhos, do cônjuge, dos familiares e dos amigos.

Uma pessoa, com o Mandato VIVA certamente optará voluntariamente por


esse estilo de vida mais simples, mudando os seus valores de vida, de ter
para ser mais, e assim, realizará mudanças em sua vida: trabalhará menos,
ganhará menos, mas certamente viverá mais feliz e realizada, convivendo
mais com as pessoas e familiares, realizando os seus sonhos. E nessa
mudança muito significativa de valores de vida, terá sempre na lembrança
aquela história de um homem muito rico que um dia resolveu viajar. Pegou
o seu iate e saiu pelo mundo...

Certo dia chegou a uma ilha deslumbrante, com uma paisagem de encher
os olhos e o coração de satisfação, com riachos cristalinos, com árvores
frutíferas, e muito peixe no mar à sua volta. O homem rico aportou o seu
iate em uma linda praia e nela encontrou um caboclo, deitado em uma
rede. Chegou e puxou conversa.
- Como é bonita esta ilha, não?
- É muito bonita - disse o caboclo, continuando a balançar a sua rede,
apreciando a brisa marítima e o mar azul.
- Tem muito peixe nesse mar em volta da ilha?
- É só jogar a rede e pegar quantos peixes quiser...
- Por que você não pesca bastante peixe?
- Prá quê? respondeu o caboclo.
- Ora, - falou o homem rico, do alto de sua grande experiência de
empresário - você pesca um montão de peixe e vende, ganhando um monte
de dinheiro.
- Prá quê? - respondeu o caboclo, em sua calma, balançando na rede.
- Com o monte de dinheiro você compra um barco pesqueiro moderno,
pega muito mais montes de peixe.
- Prá quê?
- Você vai juntando cada vez mais montes de dinheiro, compra mais e
mais barcos de pesca, e com uma frota de pesqueiros você monta uma
indústria de pesca, industrializando os peixes que pesca e vendendo cada
vez mais, chegando até a exportar peixe...

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- Prá quê? - disse o caboclo, sem perder a calma e continuando o balanço
de sua rede enquanto apreciava o mar azul e se refrescava com a brisa...
- Ora, meu bom homem, - concluiu o homem rico - com uma indústria de
pesca você será um homem muito poderoso, um homem muito rico, poderá
ter tudo o que quiser, realizando os seus sonhos, poderá comprar um iate
como o meu, poderá viver em uma ilha maravilhosa como esta e ficar o
resto da vida sem trabalhar, apreciando a beleza da vida, do mar,
descansando sem preocupações...
E o caboclo encerrou a conversa:
- E o que é que eu estou fazendo agora?

Quando a pessoa adotar, voluntariamente, o estilo de vida mais simples,


certamente viverá feliz e satisfeita com o que tem, como o caboclo habitante
daquela ilha na história, e não ficará angustiada e infeliz com o que não tem,
querendo cada vez mais, como o outro personagem, o homem rico da
história...
E nesse aprendizado de novos valores de vida que esse estilo mais simples
de viver proporcionará, a pessoa perceberá que as mudanças constantes
estão em tudo o que existe, de tal modo que tudo passa, nada permanece
imutável. E assim, aceitará com naturalidade tudo o que acontecer em sua
vida, não se perturbará com nada, não se espantará com nada: o que vier, o
que lhe acontecer, ela enfrentará com naturalidade. E agindo assim
aprenderá a valorizar cada momento de sua vida, pois saberá que ela não
durará para sempre, pois o ser humano não é imortal, um dia a vida
recebida ao nascer chegará ao seu fim...

Com essa consciência de uma vida finita, será pessoa que viverá
integralmente cada momento de sua vida, pois saberá que cada momento é
um grande presente de valor inestimável porque é a única realidade que
existe. Viverá integralmente o seu aqui e agora, o seu momento presente,
desfrutando de sua vida de modo responsável, possuindo uma diversidade
de fontes de satisfação, encontrando prazer em uma variedade de coisas, em
tudo o que fizer e se envolver. Olhará o seu passado com tranqüilidade, não
deixando as coisas que lhe aconteceram na história de sua vida
determinarem a sua vida presente, mas olhará o seu passado apenas como
referência. E olhará o seu futuro com o sentimento de esperança,
acreditando que o melhor virá para a sua vida, planejando de modo
realístico e estabelecendo metas, eliminando o medo do futuro.

Será pessoa responsável pelas suas escolhas, respondendo com liberdade

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de escolha, dizendo Não ou Sim, quando julgar necessário. Com a
consciência do valor do momento presente de sua vida, freqüentemente lerá
para si mesma, para lembrá-la dessa importância, as palavras do argentino
Jorge Luiz Borges, falecido na Suíça em 1987 e considerado um dos
maiores escritores do século XX:
Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido,
na verdade bem poucas coisas levaria a sério.
Correria mais riscos, viajaria mais,
contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvete e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu
sensata e produtivamente cada minuto da sua vida;
claro que tive momentos de alegria.
Mas, se eu pudesse voltar a viver,
trataria de ter somente bons momentos.
Porque, se não sabem, disso é feito a vida,
só de momentos, não percas o agora.
Eu era um desses que nunca ia a parte alguma
sem um termômetro, uma bolsa de água quente,
um guarda-chuva e um pára-quedas;
se eu voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver,
começaria a andar descalço no começo da primavera
e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres
e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos
e sei que estou morrendo.

Com um Mandato VIVA, tendo recebido mensagens e estímulos para a vida


durante a sua evolução, será pessoa que também dará mensagens de vida e
estímulos positivos às outras pessoas, procurando ajudá-las a terem também
uma auto-estima positiva. Mensagens e estímulos, como por exemplo:
- Como você é uma criança querida! Venha aqui, quero dar um abraço

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bem gostoso para mostrar como eu gosto de você...
- Você é uma criança inteligente! Gostei da sua criatividade neste
desenho.
- Você está crescendo e ficando uma menina bonita.
- Sei que você é capaz de fazer isso. Tente fazer de novo.
- Você quer saber a diferença? Vou explicar a você...
- Quando você nasceu eu e o seu pai ficamos muito contentes e a cada dia
estamos mais felizes com você.
- Eu adoro quando você chega e me dá esse abraço gostoso, matando a
saudade que eu estava sentindo de você.
- Para você entender porque eu e o seu pai não queremos que você faça
isso, vou lhe explicar. Sei que você entenderá porque estamos agindo
assim...
- Gostei muito de você ter feito seu trabalho escolar com tanto capricho e
dentro do prazo. Parabéns!
- É bom falar dos seus sentimentos. Assim as pessoas podem se entender
melhor...

No relacionamento com os outros, a pessoa com o Mandato VIVA terá


predominante a vontade de estar com, tendo presente em sua vida as
palavras de Montesquieu: Para fazer grandes coisas não é preciso estar
acima dos homens; é necessário estar com eles. Será, assim, pessoa que
gostará de estar com as outras pessoas, abrindo-se naturalmente e sendo
educada e compreensiva para com elas. Saberá dar-lhes mensagens e
estímulos positivos, estimulando-as a um desenvolvimento de suas
habilidades e capacidades como seres humanos. Encorajará as outras
pessoas a acreditarem em si mesmas, a irem para frente e para o alto em
seus desenvolvimentos. Será pessoa que gostará das pessoas e confiará
nelas, e acreditará também que elas gostam dela e confiam nela. Dará e
receberá amor, naturalmente. Assim, será pessoa que saberá dizer à pessoa
amada as três palavrinhas mágicas e essenciais para a felicidade a dois: -
Eu te amo... e sempre encontrará tempo para o amor.

Com o Mandato VIVA a pessoa em suas atividades profissionais trabalhará


bem em equipe e em cooperação, com participação e envolvimento,
ajudando em sinergia, com comunicação aberta e confiança recíproca para
serem atingidos resultados otimizados, e com qualidade, para o sucesso do
grupo de trabalho. No campo organizacional será o típico empregado com
estilo 9,9 da Escala de Robert Blake e Jane Mouton, descrito no livro O
Novo Grid Gerencial.[2] Esses especialistas indicam os caminhos para que

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uma criança possa desenvolver-se de modo sadio e equilibrado, chegando a
ser um adulto nesse estilo: “A educação infantil que conduz a uma
orientação 9,9 na idade adulta é os pais possuírem um modelo explícito e
sistemático do tipo de pessoa para o qual tencionam orientar o
desenvolvimento da criança. Esse modelo contém dois componentes. Um é
a capacidade de autonomia. Significa promover a capacidade da criança
para a espontaneidade e para a liberdade de agir conforme a própria
escolha. Significa orientar o crescimento e o desenvolvimento da criança
nesse sentido da autodireção independente fundamentada no próprio
senso de responsabilidade social. (...) A autonomia se enraíza nas reações
dos pais às atividades espontâneas da criança. Um ambiente em que se
realizam atividades estimulantes permite a criança aprender as
conseqüências naturais das próprias ações. (...) A auto-estima está
estreitamente relacionada com a autonomia. É necessário criar situações
nas quais ela possa ter êxito e apoio dos pais; este apoio, por sua vez
promove confiança interior e relacionamento altruísta com os outros.
Esses dois sentimentos constituem o núcleo de uma motivação, que na
vida adulta, orientará a pessoa no sentido de contribuir para a eficácia
dos demais. (...) O outro componente é a capacidade de cooperação e de
respeito mútuo que permite interações sadias com as outras pessoas. (...)
Os pais promovem a cooperação engajando-se em atividades de dar e
receber nas quais tanto eles quanto a criança têm oportunidade de
influenciar os resultados. Desse modo, as outras pessoas se tornam uma
fonte de interesse, desafio e prazer. Os pais e a criança dão ênfase à
cooperação como fonte de prazer.(...) Esse tipo de educação infantil de
nenhuma forma exclui o conflito do ambiente humano da infância, nem
afasta as experiências de raiva, medo e ansiedade. O que esse tipo de
educação faz é reduzir enormemente os conflitos de vontade entre pais e
crianças e entre as próprias crianças, criando uma base de respeito
mútuo para resolver esses conflitos de vontades”. [3]

A criança que recebeu mensagens e estímulos adequados durante a sua


infância, estímulos que levaram-na a ter o Mandato VIVA, saberá viver em
paz consigo mesma e com as outras pessoas, porque saberá perdoar a si
mesma e as outras que fizeram alguma coisa que a desagradasse. Quando
errar, será pessoa que não perderá tempo em lamentações, mas examinará o
que precisará fazer para consertar o erro e não errar de novo, aprendendo
com as falhas. Viverá, com alma jovem, de modo responsável assumindo os
acertos e erros de sua vida. Gostará do que realizar como trabalho e terá
objetivos a alcançar. Agirá com iniciativa (iniciará o que tem a fazer...) e

81
também com acabativa (realizará as atividades até o seu término,
terminando-as).

Tendo o Mandato VIVA será pessoa com esperança, autenticidade,


naturalidade, espontaneidade e sinceridade. Será pessoa alegre, saberá
brincar e cantar nas horas certas, tendo senso de humor. Saberá ouvir,
cheirar, escutar, sentir, experimentar, vivenciar e falar. Respirará com
profundidade e certamente terá boa expressão corporal, desfrutando de seu
corpo, de sua saúde e da natureza. Saberá viver naturalmente a energia que
tiver, de alegria, de entusiasmo, de amor. Será pessoa que não terá medo de
acreditar, de ser feliz, de sonhar, de vencer, de querer, de errar, de sofrer,
de sorrir. Não terá medo de chorar, de acertar, de amar, de poder, de
conseguir, de ser tudo, de ser nada, especialmente, será pessoa que não terá
medo de ser ela mesma. Será, assim, uma pessoa com características
amadurecidas, expressas de modo poético por Rudyard Kipling, no poema:
SE...
Se és capaz de conservar o teu bom senso e a calma,
Quando os outros os perderam e te acusam disso,
Se és capaz de confiar em ti, quando de ti duvidam
e, no entanto, perdoares que duvidem,
Se és capaz de esperar, sem perderes a esperança
e não caluniares os que te caluniam,
Se és capaz de, sendo odiado, dar ternura,
Tudo sem pensar que és sábio ou um modelo dos bons,
Se és capaz de sonhar, sem que o sonho te domine,
E pensar, sem reduzir o pensamento a vício,
Se és capaz de enfrentar o Triunfo e o Desastre,
Sem fazer distinção entre estes dois impostores,
Se és capaz de ouvir a verdade que disseste,
Transformada por canalhas em armadilhas aos tolos,
Se és capaz de ver destruído o ideal da vida inteira
E construí-lo outra vez com ferramentas gastas,
Se és capaz de arriscar todos os teus haveres
Num lance corajoso, alheio ao resultado,
E perder e começar de novo teu caminho,
Sem que ouça um suspiro quem seguir ao teu lado,
Se és capaz de forçar teus músculos e nervos
E fazê-los servir se já quase não servem,
Sustentando-te a ti, quando nada em ti resta,
A não ser a vontade que diz: Enfrenta!

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Se és capaz de falar ao povo e ficar digno
Ou de passear com reis conservando-te o mesmo,
Se não pode abalar-te amigo ou inimigo
E não sofrem decepção os que contam contigo,
Se podes preencher todo minuto que passa
Com sessenta segundos de tarefa acertada,
Se assim fores, meu filho, a Terra será tua,
Será teu tudo o que nela existe,
Mas (ainda melhor que tudo isto),
Se assim fores, será um HOMEM.

Do mesmo modo que esse poema revela uma pessoa com características do
Mandato VIVA, os dois poemas a seguir também revelam, de um modo
diferente, essas características. Os dois poemas, de autores desconhecidos,
chamam-se Precisa-se de um homem e Precisa-se de uma mulher:
PRECISA-SE DE UM HOMEM
Que encare a vida de frente
e sem querer ser super-herói
voe com serenidade nas asas de seu destino.
Precisa-se deste homem especial e comum
que nunca simule afeição, nem trapaceie
com os meus sentimentos,
que saiba orientar-se com inteligência,
mas que aceite com humildade
os desígnios do meu ser.
Ele deve ser alto - da altura da sua dignidade
e belo - como a beleza do seu caráter.
Sua ambição deverá ter a medida exata
do alcance de seus dedos - e dos seus sonhos.
Precisa-se urgentemente desse deus-menino
para por festa no meu coração,
atear fogo no meu corpo,
afogar-se nos meus braços
e salvar por fim do aniquilamento,
resgatando nossas vidas,
com tributo de um amor total.

PRECISA-SE DE UMA MULHER


Que além de mulher seja gente,
que antes de ser adulta seja criança,

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que tendo vontade de chorar, chore e ria,
que traga alegria e fé para o meu desânimo
e lutando ao meu lado, seja um leão,
mas seja vibração e loucura me amando.
Precisa-se urgente de um sorriso acolhedor,
de olhos úmidos de emoção,
de lábios amorosos e quentes,
que nunca simulem afeição, mas que sejam
firmes na defesa das suas vontades e verdades.
É imprescindível que saiba dançar e goste do mar,
que seja feiticeira e ame o luar,
que dance na chuva e cante mansinho
e coce minhas costas com muito carinho.
Precisa-se muito dessa mulher especial e única
porque será minha,
e será sempre bela porque a verei
com os olhos do meu espírito,
que será sempre livre para podermos voar juntos,
que será sempre rica
porque dela serão os tesouros do meu amor.

Enfim, com todas essas características apresentadas no Mandato VIVA, será


pessoa que gostará de viver, dizendo sempre Sim, para a vida.

O QUE FAZER DE PRÁTICO PARA DESENVOLVER O


MANDATO VIVA?

Depois de conhecer as características desse Mandato VIVA que revelam um


ser humano completo, maduro, equilibrado, em harmonia consigo mesmo e
com o Universo, fica-se com a pergunta: - O que os adultos, pais e
professores, podem fazer, de prático, para as crianças desenvolverem
essas características do Mandato VIVA?

Desenvolvendo o Mandato VIVA - O que fazer de prático:


1. ENCORAJAMENTO

O primeiro passo é o adulto ter para com a criança, atitudes positivas de


encorajamento, [4] dando a ela os três estímulos básicos, de Amor, de
Aceitação e de Confiança.
- Eu sei que você é capaz de fazer isso. Você pode fazer, você é capaz.

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- Está certo tentar, não se sinta culpada por tentar fazer esse trabalho.
- Você tentou fazer o seu trabalho escolar, mas errou. Não fique
chateada. Errar em um trabalho escolar não é crime. Vou dar as
orientações para você fazer correto o seu trabalho.
- Estou contente por ter feito esse serviço. Não ficou muito bom, como eu
queria, mas estou contente que você fez. Venha, vou mostrar como se pode
fazer bem feito esse serviço. É importante você aprender o correto. Você
vai gostar muito.
- Eu gosto de você do jeito que você é...
- Você é capaz de fazer isso. Você pode fazer..
- Está certo tentar, não se sinta culpada por tentar fazer esse trabalho.
- Pule de novo. Sei que você é capaz de pular essa altura. (em outras
palavras, dê mais oportunidades para o êxito).
- Eu acredito que você tem a capacidade para fazer. Vou tirar as suas
dúvidas que você ainda tem, e depois acredito que você conseguirá êxito
com as suas capacidades.
- O importante é você aprender a gostar de você mesmo. Quando a gente
gosta da gente ficamos mais alegres e felizes e poderemos viver também
melhor com as pessoas, pois você gostará mais dos outros. O que você
acha disso?

Os adultos podem prestar um grande auxílio para que a criança venha a


desenvolver o Mandato VIVA, mostrando confiança na capacidade da
criança em tornar-se competente, aceitando a criança como ela é, levando-a
a ter fé em si mesma, levando-a a gostar de si mesma, fazendo-a sentir que é
capaz, que é uma triunfadora na vida, que ela é uma criança querida, que é
bonita, que é adorável, que é inteligente, que é forte. De acordo com Erik
Erikson, psicanalista da Universidade de Harvard, ”as primeiras
interações da mãe com o seu bebê estabelecem os alicerces para o
desenvolvimento infantil de um sentido de confiança ou desconfiança,
perante o mundo. As experiências recompensadoras e gratificadoras com
a mãe levam uma criança a confiar nela e, por generalização, a confiar
em outros. Em contraste, se não puder contar com a mãe ou esta não
suprir satisfatoriamente as necessidades do bebê, produz-se um
sentimento de desconfiança que ele, por generalização, amplia ao mundo.
As experiências relacionadas com a alimentação constituem uma fonte
primária para o desenvolvimento da confiança. Por volta dos quatro
meses de idade, um bebê com fome mostra-se crescentemente mais
tranqüilo e com evidentes sintomas de prazer ao ouvir o som de passos
que se aproximam, prevendo (acreditando) que será pego ao colo e

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alimentado. Essa experiência repetida de ter fome, ver alimento, receber
alimento, sentir-se aliviado e confortado assegura ao bebê que o mundo
é um lugar digno de confiança”.[5]

No encorajamento está a estimulação à autonomia, à autoconfiança. “A


auto-estima está estreitamente relacionada com a autonomia, que
depende da competência para atuar de tal ou tal forma.(...) É necessário
criar situações nas quais a criança possa ter êxito e, portanto, sentir-se
confiante. Sua auto-estima é reforçada pela aceitação e apoio dos pais;
este apoio, por sua vez promove confiança interior e relacionamento
altruísta com os outros”. [6]

Desenvolvendo o Mandato VIVA - O que fazer de prático:


2. FALAR À SITUAÇÃO E NÃO AGREDIR

Um segundo aspecto da ajuda que o adulto pode dar à criança para que ela
desenvolva o Mandato VIVA é falar com a situação e não atacar a sua
personalidade. Por exemplo, uma criança está brincando de pintar e deixou
cair tinta em sua mesinha. Um adulto que fala à situação dirá: - Caiu tinta
na mesa? Tome este pano e limpe onde caiu a tinta. Quando o adulto fala
à situação não irá culpar a criança pelo que está acontecendo ou pelo que
aconteceu, mas a situação é enfrentada objetivamente, com emoções
controladas, levando a criança a entender a situação e consertá-la, se
for possível, como no exemplo. Agindo assim, o adulto estará fazendo a
criança enfrentar a situação, desenvolvendo nela as responsabilidades
pelos seus atos, fazendo-a assumir o seu erro, evitando que ela fique na
situação inferiorizada de ficar se justificando que não foi bem assim, que
ela não teve culpa... Ajudando a criança a assumir os seus atos ela
aprende a enfrentar com segurança as situações, mesmo quando erra.
Ela saberá, assim, que está em desenvolvimento, que está aprendendo e que
os adultos a estão ajudando nesse processo de evolução.

Já um adulto que ataca a personalidade da criança, terá outra atitude, mais


agressiva, culpando a criança e incutindo medo: - Não é possível! Você
não é capaz de brincar com tinta de pintar sem fazer um chiqueiro na sua
mesa?! Como você é irresponsável e incompetente! Toda vez que pinta,
derruba tinta. Não consigo entender como você é tão porca... Neste
segundo caso, o adulto fez um sermão desnecessário, aterrorizando a
criança em um verdadeiro espancamento verbal, fazendo-a sentir-se por

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baixo, inferiorizada, culpada, que ela é uma criança sem valor, que só faz
as coisas erradas, levando-a a tentar se explicar e justificar. Essa situação é
comum de ser encontrada nos lares e nas escolas.

Para que o adulto descarregar na criança tanta emoção negativa, com tantas
mensagens negativas? E com quais conseqüências negativas para a
formação da personalidade daquela criança? Espancamentos verbais com
palavras e estímulos negativos não irão melhorar o desempenho da
criança, apenas acenderá sentimentos de raiva, de ódio e reforçará
nela aspectos negativos. Mas o adulto pode ter um outro tipo de atitude,
enfrentando a situação sem usar emoções negativas, mas utilizando
atitudes adequadas à situação, atitudes mais amadurecidas para com a
criança, realmente ajudando-a a crescer de modo saudável e
equilibrado, levando-a a ter um Mandato VIVA.

Desenvolvendo o Mandato VIVA - O que fazer de prático:

3. DAR ESTÍMULOS AOS COMPORTAMENTOS ADEQUADOS

Um adulto pode realmente ajudar a criança em seu desenvolvimento desde a


infância, levando-a a aprender os comportamentos adequados, um dos
aspectos para que desenvolva o Mandato VIVA. De que modo? O adulto
dar estímulos à criança, estímulos de atenção, interesse, amor,
reforçando o seu comportamento adequado e não dar estímulos para
comportamentos inadequados. A Psicologia já comprovou [7] que é
importante dar estímulos positivos (reforçar), fortalecendo os
comportamentos adequados, e não dar estímulos (mesmo que sejam
estímulos negativos, como uma punição), para os comportamentos
inadequados. Isso porque quando são dados estímulos aos comportamentos
inadequados ou errados, eles são reforçados.

Ao mesmo tempo as pesquisas da Psicologia comprovaram [8] que se um


comportamento adequado nunca receber estímulos (nunca for
reforçado), ele se enfraquecerá. Por exemplo, quando uma criança está
brincando tranqüila, calma, alegre, com a irmãzinha, geralmente os adultos
que estão presentes nada fazem, não dão estímulos para ela, estímulos que a
incentivem e mostrem à criança que aquele comportamento é adequado,
dando um abraço, dizendo que fica muito feliz e contente quando ela está
brincando com a irmã, sem brigar; e não dão, também, estímulos à outra

87
criança. Nesse exemplo, se a criança nunca receber estímulo positivo, não
aprenderá que aquele comportamento é adequado.

A Psicologia também recomenda que quando uma criança apresenta um


comportamento inadequado e indesejável, não se deve dar estímulos,
mesmo que sejam negativos, pois assim o comportamento inadequado se
enfraquecerá ou desaparecerá. Por exemplo, a criança está brigando com
a irmãzinha; em vez de os adultos darem estímulos negativos a ela (ficar
xingando, por exemplo), o ideal seria retirar a criança da situação, sem
ficar dando muitos estímulos verbais, colocando-a por um tempo em outro
ambiente; após a criança se acalmar, voltar a dar estímulos positivos e
recolocando-a para brincar com a irmãzinha(e dar estímulos positivos
também à irmãzinha). Desse modo, o comportamento inadequado não foi
reforçado e sim o comportamento adequado. Nessa situação a criança
começará a diferenciar os comportamentos ditos aceitáveis dos não
aceitáveis, ou em outras palavras, os comportamentos corretos e os errados.
Ela precisa aprender essas diferenças, precisa aprender que existem
limites aceitáveis e outros não aceitáveis. Mas a realidade mostra que os
pais condicionam os bebês, erradamente, desde os primeiros dias de vida.
Por exemplo, quando o bebê está acordado no berço, quieto, alegre, natural,
os adultos geralmente nada fazem com ele. Raramente dão algum estímulo.
Porém se o bebê chorar, o que os adultos fazem? Cobrem-no de atenção, de
estímulos, de carinho. Assim, o bebê aprende e é reforçado, que se quiser
receber atenção terá que chorar...

Às vezes, porém, os pais dão estímulos que acham que é positivo, mas não
percebem que estão reforçando comportamentos inadequados na criança.
Por exemplo, a criança já é suficientemente grande para se vestir sozinha,
quer se vestir sozinha, mas o adulto insiste em vesti-la, ajudando e dando
atenção, atitude que reforça um comportamento inadequado, indesejável, de
dependência. Um outro exemplo, a criança pequena está aprendendo a
comer sozinha, e lambuza o rosto com purê de batata. A mãe começa a rir,
mostrando alegria e entusiasmo. A criança acaba aprendendo errado,
achando que aquele comportamento (lambuzar o rosto com purê) agrada à
mãe. Ela, na realidade, aprendeu errado com o comportamento da mãe.

Esses aspectos indicam a grande importância da aprendizagem social, a


aprendizagem com as outras pessoas, os adultos que convivem com a
criança. As crianças aprendem a andar, a falar, a escrever, a brincar, a
brigar, a ter manha, a ter medo, a ser agressiva, a reagir de certos modos

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como falar com amor, dar carinho, beijar, elogiar, agradecer, etc., tudo
aprendido com os adultos com os quais as crianças convivem.

Então, se uma criança aprendeu a ter comportamentos inadequados


poderá também aprender os adequados, através dos estímulos, das
mensagens corretas, chamados pela Psicologia, de recompensas e
reforços positivos. Ganhar alguma coisa, como por exemplo, dinheiro, é
uma recompensa que desde pequeno a criança aprende, recompensa que lhe
agrada. Mas, certamente, na história do desenvolvimento dos seres
humanos, as recompensas ou reforços que mais lhes agradaram foram
estímulos e mensagens de amor, de aceitação e de confiança. Receber
um abraço, um beijo, um afago na cabeça, um sorriso, um bom dia afetuoso,
ouvir ativo a criança falar, olhar para ela quando ela fala, mostrar que ela é
alguém, que o adulto a valoriza dando-lhe atenção, são certamente
recompensas e estímulos que fazem bem à criança e podem ajudá-la a
aprender a ter comportamentos adequados e a desenvolver um Mandato
VIVA.

Desenvolvendo o Mandato VIVA - O que fazer de prático:


4. NÃO CULPAR O PASSADO

Ao ajudar a criança a evoluir de modo sadio, desenvolvendo o Mandato


VIVA, o adulto poderá ensiná-la a olhar o seu passado como uma
referência e não como um determinante de sua vida atual. O que passou,
passou, é apenas uma referência na vida do ser humano. Quando, porém,
uma pessoa usa o seu passado como determinante de sua vida atual, ela está
colocando os acontecimentos do passado como causadores de suas
dificuldades no seu presente. É como se ficasse dizendo: - Ah! Por que
aconteceu aquilo comigo? Por que eu não estudei direito? Por que eu agi
daquele modo... Por que... Intermináveis por que, que levam a pessoa à
tirania do deveria: - Deveria ter agido de outro modo... Deveria ter tido
coragem... Deveria ter suportado... Deveria ter amado mais... Deveria ter
sido melhor pessoa, melhor filho/a, melhor namorado/a, melhor pai/mãe,
melhor avô/avó, melhor isso, melhor aquilo... Deveria ter sido mais
coerente... muitos deveria que fazem a pessoa sentir-se culpada por ter
feito ou não ter feito, sentido ou não sentido alguma coisa. Quando a pessoa
fica nesse constante rodamoinho mental dos deveria, ela está deixando as
projeções do seu passado, dos acontecimentos que já não existem mais (só
na lembrança...) tirarem a alegria de ela viver o seu presente.

89
As pessoas costumam dar força ao seu passado através do sentimento
de culpa. Elas ficam dizendo a si mesmas ou aos outros que deveriam ter
agido de outro modo, e não do modo como agiram. Quando as pessoas
ficam dizendo que deveriam ser de tal modo, elas estão fazendo julgamento
delas mesmas ou dos outros, dizendo que não foram perfeitas, criando culpa
por não terem ainda atingido esse ideal de perfeição, e assim sentindo-se
inferiorizadas, frustradas, tristes. A culpa é, na realidade, a frustração de
constatarem uma distância entre o que elas são e aquela imagem perfeita do
que deveriam ser, é uma comparação entre a realidade e uma situação ideal.

Quando a criança é deixada na situação de ficar culpando o seu passado,


não está aprendendo a assumir a responsabilidade pelos acontecimentos
de seu presente. É importante o adulto mostrar à criança que o que já foi, o
que já passou, não tem conserto, que a única alternativa é entender o
passado e aceitá-lo e não ficar sofrendo com as coisas do passado. Quando
as pessoas param de dar força aos seus passados, elas param de sentir
culpa, porque aceitam naturalmente os acontecimentos de seu passado,
como mostra a história Zen, a seguir:

A RUA LAMACENTA..

Certa vez dois monges, ao atravessarem uma rua lamacenta, em uma vila
perto do mosteiro onde os dois viviam, ao chegarem perto da calçada do
outro lado, encontraram uma jovem que queria atravessar a rua, mas não
queria sujar de lama as suas roupas e sapatos. Um dos monges pegou-a
no colo e carregou-a através da rua lamacenta, enquanto o outro monge
ficou em silêncio do outro lado da rua. Mais tarde, já no mosteiro,
enquanto jantavam, o monge que havia ficado em silêncio não conseguiu
mais segurar seus sentimentos e censurou o colega dizendo:
- Você não acha que as pessoas da vila estranharam o fato de um monge
carregar uma moça no colo por uma rua lamacenta? Você não deveria ter
carregado a moça...
O monge que havia carregado a moça, depois de um momento de reflexão,
falou:
- Eu a coloquei do outro lado da rua hoje à tarde e já tinha até me
esquecido desse fato. Por que você ainda a está carregando em seus
sentimentos, afetando o seu espírito?

Desenvolvendo o Mandato VIVA - O que fazer de prático:


5. USAR A COMPARAÇÃO A SEU FAVOR

90
A cultura da sociedade atual incute nas pessoas em todo momento, a
comparação entre uma pessoa boa, ideal, e outra má, aquela que erra,
levando as pessoas a um sentimento de inferioridade. Isso acontece não só
nos ensinamentos religiosos, mas em todos os aspectos culturais da
sociedade. O ser humano além de um ser racional é um ser que compara.

E a comparação é incutida desde a infância nas pessoas, em especial


através da propaganda da TV, rádio, jornais e revistas: se a pessoa usar o
produto anunciado, será um machão ou terá belos carros, sempre
acompanhado de belas mulheres. Nas propagandas para as mulheres, se
elas usarem tal produto de beleza, a pele, ou os cabelos, ficarão
maravilhosos, mas se elas não usarem, nunca serão belas e formosas como
as modelos apresentadas... Na maior parte das propagandas está implícito,
de modo subliminar, disfarçado, que se a pessoa não usar o tal produto
anunciado, coitado dele/a, será um/a infeliz, um/a inferiorizado/a... A
propaganda mostra sempre seres humanos com excelente apresentação
pessoal, com poder e magnetismo, com riqueza, com belas casas, carros
modernos ou barcos e iates, e mulheres deslumbrantes ou homens de
excelente aparência e porte físico, em locais de trabalho ou de diversão
fora do comum, tudo para levar as pessoas a sentirem inferioridade e
diminuição, despertando nelas o sentimento de inveja de tudo aquilo,
levando-as a comprarem os produtos anunciados.

A Psicologia ensina que os especialistas em propaganda e publicidade têm


que despertar nas pessoas os sentimentos de inveja e de inferioridade para
venderem os produtos, chamados por eles de identificação: “A
identificação é uma atitude psicológica que tem grande alcance na
publicidade. É um processo que leva a pessoa a procurar tornar-se tão
parecida quanto possível, com alguém (real ou suposto) a quem admira.
(...) Dentro da linha de apelo à identificação merece destaque o tipo de
publicidade em que as pessoas de invejável beleza, fotografadas de
maneira vantajosa, realçam a eficiência de cosméticos, de roupas, de
métodos e remédios para emagrecer, etc. (...) Em um anúncio de soutien
uma jovem com belo seio faz as mulheres fisicamente menos favorecidas
experimentarem, pelo menos muitas delas, certa esperança de virem a ter
aspecto algo parecido com a modelo, ao usarem o produto anunciado”. [9]

Desde a infância o ser humano é condicionado culturalmente a comparar


e a sentir inveja, aprende a viver comparando na escola, no lar, na rua, na

91
igreja. É tanto condicionamento cultural de comparação que chega um
momento em que a pessoa só conseguirá entender as coisas se usar o
sistema comparativo. Na escola, por exemplo, a criança aprende a
comparar suas notas com as dos outros alunos, aprende que existem os
alunos fortes e os fracos, os que estão nos primeiros lugares e os que estão
nos últimos lugares, as classes mais adiantadas e as atrasadas, e assim por
diante. Na evolução da criança para a vida adulta, com esse aprendizado
de comparação, ela vai internalizando certos modelos ideais, certos
padrões, trazendo os riscos de passar a vida inteira frustrada por não ser
como aquele modelo ideal ou escolher um modelo pior do que ela.

“As pessoas geralmente gostam de comparar para perder! - Não sou tão
bonita quanto ela. - Eu bem que desejava ser tão forte quanto ele. - Céus,
quem me dera ser tão inteligente assim. Pode haver vinte mulheres no
salão. Dezenove são consideradas como não sendo tão bonitas e são
ignoradas. É a vigésima, a beleza, que é importante e você perde. A
comparação é ainda mais devastadora quando são comparadas
experiências ou emoções. Um parceiro sexual pergunta a outro: - Fui tão
bom quanto outro? Ou - Foi tão bom agora quanto da última vez? - Não,
você não é tão bom quanto fulano e, não, não foi tão bom quanto da
última vez. Devastação! - Sim, você é tão bom quanto fulano e, sim, foi
tão bom quanto da última vez. - Que é que você quer dizer com "tão
bom"? Está dizendo que o outro é "tão bom" quanto eu? Ainda uma vez,
devastação!” [10]

A comparação na vida do ser humano exerce uma influência tão forte que o
filósofo Bertrand Russel chegou a afirmar: Napoleão invejou César, que
invejou Alexandre, que invejou Hércules, que nunca existiu. Você não
pode pautar a sua vida invejando o sucesso dos outros porque sempre vai
existir alguém maior do que você.

Quando uma pessoa se compara com outra, está se sentindo inferiorizada,


frustrada, triste, humilhada por ser inferior a essa outra pessoa, por ser
menor em alguma coisa, por não ser ou não ter o que a outra pessoa é ou
tem. Na realidade está invejando a outra pessoa em alguma coisa: inveja
das posses, da situação social, do dinheiro, do carro, da casa, das roupas,
da beleza física, da inteligência, ou de qualquer outro aspecto daquela
pessoa. Só existe inveja se existir comparação.

As pessoas costumam dizer que não tem inveja quando se comparam com

92
outras pessoas, isso porque o ser humano aprende desde cedo que a inveja
não é um bom sentimento, aprendendo a esconder esse sentimento e na
maioria das vezes as pessoas não percebem esse sentimento de inveja. A
inveja não é tão clara na vida das pessoas. Será que alguém diria, por
exemplo: - Eu me comparei com fulano e senti-me inferiorizado e com
inveja de tal aspecto que ele tem... Não, as pessoas não revelam isso
claramente, mas costumam utilizar o mecanismo de compensação para
saírem da inferioridade e do mal-estar. Por esse mecanismo uma pessoa
compensa a inferioridade que está sentindo, e aumenta o seu próprio valor,
realçando os seus pontos fortes, ou diminuindo o valor da outra pessoa com
a qual se comparou. Quando uma pessoa se põe superior a alguém é porque,
lá no fundo, está se sentindo inferiorizada. “Sustenta a sua imagem de
perfeição dizendo inconscientemente para si própria: - Esqueça-se da
criatura desgraçada que você é realmente; é isto que você deveria ser; e
conseguir ser essa imagem é tudo o que importa. Você tem que ser capaz
de agüentar tudo, de entender tudo”.[11] E diminui o valor da outra pessoa
utilizando críticas e desqualificações, como por exemplo: - Ela é rica, mas
tem um marido que lhe causa muita infelicidade porque ele é uma pessoa
cheia de defeitos e vícios...

O adulto pode ajudar muito a criança a aprender de modo sadio, ajudando-a


a aceitar as próprias qualidades e virtudes e a aceitar, naturalmente,
que as outras pessoas também tenham suas virtudes ou defeitos, que
tenham posses, beleza ou outras características fazendo-a entender o
mecanismo da comparação e da inveja. Fazendo-a entender que as outras
pessoas são diferentes, mas que não existe ninguém exatamente igual,
que cada um é único neste Universo, cada um tem o direito de ter a sua
própria luz, brilhando como se fosse uma estrela, com luz própria.
Assim, estará ajudando a criança a valorizar a sua própria vida, parando de
viver como um planeta, que não tem luz própria, mas usa a luz das estrelas,
parando de invejar ou criticar os outros.

O adulto pode ajudar a criança a sair do sentimento de inveja, usando a


força da comparação existente na cultura, a seu favor e não contra ela,
usando a força da autocomparação e não a comparação com os outros.
Levando a criança a fazer comparações com ela mesma, procurando ser
cada vez mais e melhor, fazendo-a ser o único ponto de referência para
ela mesma, usando a referência de como ela estava no passado para ela
ver como evoluiu no presente. Ajudando-a a examinar como ela está hoje

93
em relação a ontem, percebendo como ela está sempre evoluindo, está
melhorando em algum aspecto. Desse modo a criança entende que é mais
importante ela desenvolver esforços para ultrapassar a si mesma, tendo a
satisfação por crescer a cada dia, sentindo-se mais valorizada a seus
próprios olhos. É como se a sua evolução fosse o galgar constante de
degraus de uma escada e a cada degrau ela sentisse alegria pela conquista
de mais um patamar em sua vida.

Isso se chama estimular a emulação, já que incitar a pessoa a ser melhor, é


mostrar a ela que ela possui forças potenciais capazes de serem
desenvolvidas. Nesse processo, a criança supera a etapa de imitar as outras
pessoas, de se comparar com elas, passando a ter o desejo de obter
melhores resultados do que ela mesma obteve no passado, a ter o desejo de
fazer melhor. A emulação tem sua importância reconhecida nos meios
profissionais, manifestando-se através de congressos, exposições, prêmios,
etc. A aplicação da emulação na educação escolar deve ser feita
acentuando-se o resultado da classe em geral e não dos alunos
individualmente, porque a competição individual pode levar a um nocivo
espírito de rivalidade, vendo no outro apenas um concorrente e não um
colaborador.

Quando o adulto ensina a criança a fazer comparação com ela própria, a


criança aprende que ela está no mundo para ser ela mesma e não para
ser mais do que as outras pessoas. “Sua individualidade torna-se
aparente e o caráter único de seu estilo faz com que suas contribuições
sejam identificadas como procedendo unicamente dela. Sua existência
tem significado. Pelo fato de ser valiosa, reconhece como valioso aquilo
que faz, aquilo que diz, aquilo que pensa e aquilo que sente”.[12]

E quando se comparar com ela mesma, ela terá a abertura e tranqüilidade


para aprender com as outras pessoas, sem sentir inveja, sem sentir a tristeza
de não ser o que a outra é, mas ficando contente pelo que ela é. É como
conta outra história Zen.

“Certo mestre estava em idade avançada e esperava o momento de sua


morte. Seus discípulos que o admiravam e o honravam pela sua
sabedoria, perguntaram-lhe:
- Mestre, você está com medo de encontrar a morte?
- Estou com medo de encontrar o Criador.
- Mas como? - disse um dos discípulos. - Você teve uma vida exemplar,

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assim como Buda tirou-nos das trevas da ignorância.
- Você fez julgamentos justos como Salomão - disse outro discípulo.
- E o mestre, com sua sabedoria oriental, respondeu aos seus discípulos: -
Quando eu me encontrar com o Criador, Ele não vai me perguntar se eu
fui como Buda ou se fui como Salomão. Ele vai apenas me perguntar se
eu fui eu mesmo”.

Desenvolvendo o Mandato VIVA - O que fazer de prático:


6. USAR O PERDÃO

Um outro aspecto que o adulto pode ajudar a criança em sua evolução para
ter um Mandato VIVA é ensiná-la a perdoar. Perdoar ela mesma por tudo o
que fez no seu passado e que lhe trouxe tristeza e perdoar as outras, todas as
outras pessoas, pelas tristezas que trouxeram a ela durante a sua vida.
Mostrar à criança que o perdão é algo que só ela mesma pode fazer, pois é
algo pessoal, que os outros não podem fazer por ela.

Quando uma pessoa está nas suas últimas horas de vida, ela costuma fazer
um retrospecto mental de seu passado e lamenta-se muito pelo que passou,
sente frustração e tristeza pelos erros cometidos, por não ter feito certas
coisas que gostaria de ter feito e por tudo o que fez e não gostaria de ter
feito. Sente-se mal por não ter sido um bom filho, um bom irmão, um bom
pai ou mãe, um bom amigo, um bom profissional. Em situações como essa,
a pessoa mostra que quer morrer em paz, tirando essas frustrações, essas
mágoas e tristezas de seu passado, e com o espírito renovado ir para a
outra vida em paz e tranqüila. Para isso ela só tem um caminho: ela mesma
perdoar a si própria.

O perdão é algo pessoal, intransferível, ninguém pode fazer isso por ela.
Quando uma pessoa perdoa, ela está aceitando integralmente o que já
passou, o que não tem mais jeito de consertar, a não ser pelo perdão.
Perdoar é uma grande vitória pessoal, como disse o dramaturgo, poeta e
escritor alemão Friedrich von Schiller (1759-1805): “A mais divina das
vitórias é o perdão”. Por isso, é importante os pais e educadores ensinarem
à criança esse exercício do perdão. Às vezes, não é necessário palavras,
um simples abraço pode ter esse significado de perdão. Quando expresso
em palavras, o perdão poderia ser dito assim:
- Eu me perdôo pelos erros cometidos em minha vida. Eu me perdôo por
tudo o que deixei de fazer, por todas as tristezas que fiz as pessoas
sentirem. Eu me perdôo pelos meus erros e meus defeitos como pessoa, eu

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me perdôo por...

O adulto poderá levar a criança, nesse exercício de autoperdão, a


verbalizar ou escrever o que ela gostaria de perdoar nela mesma, como por
exemplo:
- Eu perdôo meus professores pelas mensagens negativas que algum dia
me deram, fazendo-me sentir inferiorizado, com medo, incapaz,
incompetente... Eu perdôo meus professores por... (O que a criança
gostaria de completar?).
- Eu perdôo meus irmãos pelas brigas que nós tivemos quando éramos
crianças, pelas mentiras e desavenças que aconteceram. Eu perdôo meus
irmãos por... (o que a criança gostaria de completar?).
- Eu perdôo meu pai (ou a minha mãe) por não ter me dado carinho, amor,
atenção, companhia, estímulos adequados, ou por não ter me dado tanto
carinho quanto demonstrou para com os outros irmãos... Eu perdôo meu
pai (ou minha mãe) por ter me batido, repreendido, por ter me posto de
castigo, por não ter atendido as minhas necessidades quando eu queria.
Eu perdôo meu pai/mãe por tudo de negativo que me fez... (o que a criança
gostaria de completar?).

E se o adulto perceber, nesse exercício do perdão, que a criança tem


mágoas e ressentimentos em relação aos seus pais, poderá incentivá-la após
o exercício escrito ou verbal do perdão, a aproximar-se deles, dizendo aos
seus pais de viva voz o seu perdão, e dando a eles um abraço, um carinho.
Muitas vezes um simples abraço carinhoso quebra barreiras existentes há
muito tempo entre filhos e pais. Essa oportunidade de reaproximar
emocionalmente a criança com seus pais, talvez seja única, já que durante o
seu amadurecimento como pessoa ela vai protelando fazer isso. É comum
ouvir-se em velórios, filhos dizerem que se arrependem de não terem se
reconciliado com seus pais, emocionalmente, enquanto eles ainda estavam
vivos. E que agora que eles se foram, não terão mais a oportunidade...
O aprendizado do perdão é importante para a vida futura da criança, pois
no aprendizado do amor é necessário haver o aprendizado do perdão.
Afinal, diz-se que quem ama perdoa sempre, ou setenta vezes sete, como
ensinou o Mestre Jesus. Contam os escritores bíblicos que um dia o
apóstolo Pedro perguntou ao Mestre:
- “Senhor, quando o meu próximo pecar contra mim, quantas vezes
deverei perdoá-lo? Sete vezes? E o mestre, respondeu-lhe: - Sete vezes,
não; setenta vezes sete”.

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A vivência do perdão de si própria e dos outros é um aspecto importante no
desenvolvimento de um Mandato VIVA saudável, porque a pessoa não terá
emoções negativas guardadas em seu íntimo, a influenciá-la. O perdão é um
sacudir de poeira do seu passado, retirando as barreiras que poderiam
estar impedindo que ela, como pessoa, evolua normalmente, permitindo
uma vida plena de harmonia, de paz, de felicidade, enfim, um
desenvolvimento sadio como ser humano.

Quando se aprende a exercitar o perdão, consegue-se dar adeus a tudo o


que já passou e não é mais do que simples referência na vida... Quando se
aprende a perdoar também se aprende a apreciar os momentos em que se
vive com as pessoas, como mostram as lições de perdão apresentadas nas
duas cartas a seguir. Uma carta é de um pai a um filho, do autor W.L.Larned,
e a outra é uma carta de um filho a um pai, do autor Luiz Taddeo. Um
exercício interessante é, ao ler as duas cartas, a pessoa procurar trocar de
lugar de pai para filho e de filho para pai, vivenciando assim, essas grandes
experiências de perdão...

“CARTA DE UM PAI A UM FILHO


(W.L. Larned)
Ouça, filho.
Falo-lhe enquanto você dorme, a mãozinha encolhida debaixo do rosto e
um cacho louro, úmido, caído sobre a testa. Penetrei no seu quarto às
escondidas e inteiramente só. Há poucos minutos quando lia o jornal,
uma onde de remorso tomou conta de mim.
Vou dizer-lhe, filho, sobre o que estive pensando. Tenho sido exigente
demais com você. Repreendo-o quando você está se vestindo para a
escola, porque passou no rosto apenas uma toalha úmida. Censuro-o
porque os seus sapatos não estão limpos. Ao café, encontro outras faltas.
Você desperdiça coisas. Come apressadamente. Passa manteiga demais
no pão. E quando você sai para brincar e eu vou para o trabalho, levanta
a mão, num gesto amigo e diz - Até logo, papai! E eu, na ânsia de
censurá-lo, franzo a testa e digo: - Endireite os ombros!
Quando regresso, à tardinha, recomeço as minhas exigências. Descubro
buracos nas suas meias. Humilhei-o diante de seus companheiros, dando-
lhe ordem para que seguisse à minha frente para casa.
- Se você tivesse que pagar pelas meias, seria mais cuidadoso com elas!
Imagine só, tudo isso dito de um pai para um filho! Mais tarde, quando eu
estava no gabinete lendo, você veio timidamente, com uma espécie de
mágoa brilhando nos olhos, lembra? Olhei para o jornal, aborrecido com

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a interrupção e disse bruscamente: - O que você quer?
Você hesitou, depois correu para mim, passou os braços pelo meu pescoço
e me apertou com o amor que Deus fez florescer no seu coração e que
nem a minha negligência conseguia reprimir. E então você foi, aos pulos,
escada acima para o quarto de dormir. Bem filho, pouco depois o jornal
caiu das minhas mãos e um receio me sacudiu inteiro.
Que vantagens vinha obtendo o meu modo de tratá-lo? Descobrir suas
faltas, repreendê-lo por nada - era isso que eu lhe oferecia por você ser
apenas uma criança? Não era porque eu não o amasse: era porque eu
queria exigir demais da sua infância. Eu estava medindo você com o
metro dos meus próprios janeiros. E no seu caráter há tanto de bom, de
fino, de verdadeiro!
Nada mais importa hoje à noite. Vim para o seu lado, no escuro, e
ajoelhei-me envergonhado. De nada adiantaria dizer-lhe estas coisas
quando você estivesse acordado.
Mas amanhã eu serei um verdadeiro pai para você. Serei companheiro
seu, sofrerei quando você sofrer, sorrirei quando você sorrir. Morderei a
minha língua quando vierem à minha boca palavras impacientes.
Repetirei como num ritual:
- O meu filho nada mais é do que uma criança - uma pequena criança.
Ainda ontem você era um bebê, encolhido nos braços da sua mãe, a
cabeça recostada no seu ombro.
Eu estava exigindo muito de você. Muito mesmo! Por isso, perdoe-me,
meu filho”...

“CARTA DE UM FILHO A UM PAI


(Luiz Taddeo)
Querido Pai,
Hoje eu saí batendo a porta com força. Não era a primeira vez que eu
reagia dessa maneira depois de uma discussão com você. Mas algo no seu
olhar cansado, um apelo mudo atirado em minha direção, pouco antes de
eu sair tão afoitamente, me fez raciocinar melhor.
Descobri, nesse momento, o quanto sou intolerante com os seus pontos de
vista. Eu, que poderia me orientar pelo seu exemplo, de homem
ponderado, bondoso, às vezes até tímido, que nunca ergueu a mão para
mim, nem abusou da sua posição de pai. Eu o estava submetendo a muitas
humilhações.
Quero confessar o quanto fui injusto com você. Quantas vezes eu o
chamei de quadrado perante os meus amigos. E você, com sua paciência
infinita, mal tentava se justificar, submetendo-se aos risos de outros

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rapazes que também poderiam ser seus filhos. Lembra-se de quando eu
insisti em comprar uma moto? Bati o pé, ameacei largar os estudos que
você estava pagando, disse que ia embora de casa e quando a coisa
chegou a esse ponto - que remorso a recordação disso me causa neste
momento - você cedeu. E para quê? Para me ter a seu lado, para
satisfazer um capricho meu, uma teimosia injustificada. Eu devia estar
louco para querer uma máquina que manteria você e mamãe acordados
todas as noites, enquanto eu não voltasse vivo para casa. Quando eu
entrasse, encontraria você dormindo no sofá, diante da televisão fora do
ar. E você, com receio de despertar em mim um riso irônico ou uma
palavra de recriminação, jamais confessaria estar à minha espera: - Eu
estava assistindo a um filme e adormeci - diria você, um pouco
envergonhado por demonstrar a fraqueza de me amar.
Fico pensando, agora, que você não teve vez. Quando moço, quando
criança, que é o melhor tempo da nossa vida, você sofreu a tirania de um
pai rude, homem de poucas palavras e de muitas palmadas, como você
mesmo me contou muitas vezes. Quando chegou o seu momento de ser pai,
nasci eu. A quem você nunca tratou como foi tratado, talvez por se
lembrar de como é humilhante ter um pai mandão e teimoso.
Eu sei que pedir desculpas ou perdão não ajuda muito. Mas, talvez seja
um começo. Pensando bem, eu me orgulho de você, meu pai. Então,
porque não dizer isso? Por que não agir de acordo com esse sentimento?
Alguma coisa está errada entre nós e receio muito que seja eu. Penso que
não vai ser fácil para eu mudar de repente. Mas prometo fazer tudo para
agir como um filho que tem um pai bom, honesto, maravilhoso como você
é”.

Essas duas cartas revelam o sentimento de compreensão e de perdão, e a


paz que isso traz após o exercício do perdão. Essa compreensão em relação
ao pai (e o implícito ato de perdão), está também apresentado no texto a
seguir, de autor desconhecido.
“O QUE UM FILHO PENSA DO PAI
Aos 7 anos: - Papai é grande. Sabe tudo!
Aos 14 anos: - Parece que papai se engana em certas coisas que diz...
Aos 20 anos: - Papai está um pouco atrasado em suas teorias; não são desta
época...
Aos 25 anos: - O coroa não sabe de nada... Acho que está caducando.
Aos 35 anos: - Com a minha experiência, meu pai seria, hoje, milionário...
Aos 45 anos: - Não sei se consulto o velho; talvez me pudesse aconselhar...
Aos 55 anos: - Que pena papai ter morrido; a verdade é que ele tinha idéias

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notáveis!
Aos 60 anos: - Pobre papai! Era um sábio! Como lastimo tê-lo
compreendido tão tarde”...

Desenvolvendo o Mandato VIVA - O que fazer de prático:


7. SIGNIFICADO PARA A VIDA

Um outro aspecto para ajudar a criança a desenvolver o Mandato VIVA, é


ajudá-la a desenvolver um significado para a sua vida. A criança, a partir
de certa idade, começa a se perguntar: - Por que nasci? E refletindo sobre
as possíveis respostas pode descobrir, na maioria dos casos com ajuda dos
adultos, que teve o privilégio de ter nascido, que é um ser único neste
Universo nas características genéticas únicas. E descobre muito mais
respostas...

“Coisa alguma é mais importante para a sobrevivência da pessoa e


estabilidade emocional do que ter um senso de finalidade. (...) Esse senso
é algo de muito pessoal. Algumas pessoas podem sentir um senso de
significado ou missão, trabalhando a terra, outros escrevendo e ainda
outros em estar na companhia dos membros da sua família. Outros se
sentem realizados no trabalho de criar os filhos... Outros ainda
consideram-se excitadamente vivos quando dirigem um trem, passam
receitas como médicos ou treinam pilotos de caça. O senso de finalidade
nada tem a ver com ajustar-se bem a qualquer ocupação específica.
Trata-se, muito mais, de algo interior.(...) O senso de finalidade é obtido
quando tomamos a decisão de nos tornarmos as pessoas que nós
queremos ser. Tudo se resolverá por si mesmo caso você se conceda
permissão para ter um senso de finalidade na vida.(...) Ter senso de
finalidade é parte integral de uma vida onde assume riscos, busca sua
realização pessoal a partir de dentro e de confiança em seus sinais
interiores. As regras de vida são internas e dizem respeito ao seu senso
de auto-estima.(...) Você experimenta seu ser interior, sentindo-se bem a
respeito de si mesmo e do que está fazendo.(...) Com freqüência, pessoas
que escaparam da morte por um triz, emergem dessa experiência com
uma filosofia de vida inteiramente nova, reformulam totalmente a vida,
abandonam a antiga vida de agitação e azáfama, procuram um meio de
ganharem o sustento que implique menos estresse e começam a passar
mais tempo, de boa qualidade, com as pessoas a quem amam.
Freqüentemente passam a dedicar a vida a coisas que lhes trarão
realização e resolvem relaxar mais, reservar mais tempo para curtir a

100
beleza real de estarem vivos. Você não precisa ter quase perdido a vida
para começar a agir e a desenvolver o senso de finalidade na vida. Pode
tomar a decisão de viver significativamente todos os dias pela simples
razão de que isto o tornará mais feliz, mais eficiente e, mais importante
que tudo, um ser humano contente”.[13]

Quando um adulto ensina uma criança a ter senso de finalidade, ela começa
a valorizar mais a sua vida, em especial a valorizar ela mesma como ser
humano e também, todas as outras pessoas. Começa a realizar suas ações o
melhor possível, e tudo ela realiza com mais confiança nela mesma, com
uma atitude mental confiante mantendo, em qualquer situação, a boa opinião
que tem de si mesma, tendo uma auto-imagem positiva e reforçando o
Mandato VIVA em sua personalidade..

Depois de examinar essas sugestões do que um adulto poderá fazer para


ajudar uma criança a evoluir de modo sadio, o que os pais ou educadores,
podem fazer de prático para ajudá-las a desenvolver seu Mandato
VIVA? Que tipo de mensagens e estímulos eles poderiam dar à criança?
Que tipo de mudanças eles podem fazer para que as crianças com as quais
convivem, cresçam de modo mais sadio e possam chegar à vida adulta
como seres humanos mais realizados e autoconfiantes? É importante cada
adulto fazer a sua parte, colaborando para que as novas gerações possam
realmente vir a ser melhores seres humanos, ajudando este planeta Terra a
vibrar melhor, com melhores seres humanos. Se cada adulto fizer um
esforço pessoal para ajudar bem as crianças e os jovens das novas
gerações a evoluírem com mais equilíbrio e qualidade como seres
humanos, certamente, formar-se-á uma corrente humana positiva que
poderá trazer melhores resultados para a humanidade. E se mais e mais
pessoas adultas começarem agir positivamente com as crianças e os jovens,
essa nova atitude poderá afetar beneficamente todas as novas gerações que
surgirem neste planeta.

É possível haver esse desenvolvimento de uma nova consciência social


para influenciar positivamente as novas gerações para que cheguem a
desenvolver uma grande parte das características apresentadas no Mandato
VIVA. Essa possibilidade foi bem apresentada em 1982, na publicação da
pesquisa intitulada O Centésimo Macaco, de Ken Keyes Jr. O fato
marcante da pesquisa é que, se um número suficientemente grande de
pessoas passar a ter consciência de algo, todas as outras pessoas

101
passarão a conscientizar, a intuir, desse algo. É um campo de força em
expansão, pois quando uma quantidade de indivíduos que adquiriram
determinado conhecimento atinge certo número crítico de pessoas, esse
novo saber pode ser transmitido de uma mente para a outra, será
conscientemente conhecido pelas outras.

O número exato de pessoas pode variar, mas existe um ponto, a partir do


qual basta que apenas mais uma pessoa sintonize essa nova consciência,
para que seja fortalecido um campo de força mental e espiritual, capaz de
expandir essa consciência, atingindo quase todas as pessoas. A força
dessa comunicação extrasensorial pode ampliar-se até um nível
potencialmente eficaz, quando ocorrer o acréscimo da consciência de uma
nova pessoa, uma "centésima" pessoa. Por isso, é necessário que cada um
faça um esforço pessoal como adulto, faça a sua parte, acreditando que é
possível melhorar a vida das crianças e dos jovens, ajudando-os a
evoluírem de modo sadio e com uma auto-imagem positiva. Faça a sua
parte para isso... e as novas gerações terão melhores condições de
chegarem a ser adultos equilibrados, sadios, com harmonia consigo mesmos
e com o mundo, enfim, adultos felizes.

Mas, o que afinal a pesquisa chamada de O Centésimo Macaco consistiu e


descobriu? Devido à importância da descoberta, o autor solicita que seja
divulgada por todos os meios, para o bem da humanidade. A seguir é
apresentado um resumo do livro.[14]

Durante mais de 30 anos, um tipo de macaco (em latim: Macaca Fuscata)


foi analisado em estado selvagem, em várias ilhas japonesas. Em 1952,
pesquisadores japoneses deram batatas-doces aos macacos da Ilha
Koshima, quando uma seca diminuiu o alimento natural deles, existente na
ilha. As batatas caíam na areia, jogadas pelos pesquisadores. Os macacos
demonstraram gostar do sabor do novo alimento, mas não da areia. Um
certo dia, uma fêmea de dezoito meses, chamada de Imo pelos
pesquisadores, descobriu que poderia resolver o problema da areia
lavando a batata num riacho próximo. Ela ensinou sua esperteza à própria
mãe. As amigas dessa macaca, também aprenderam esta nova maneira de
proceder e a transmitiram para as respectivas mães. Diante dos olhares dos
pesquisadores esta novidade cultural foi gradativamente sendo aprendida
por vários outros macacos. Entre 1952 e 1958, todos os jovens macacos
aprenderam a lavar as batatas sujas de areia, antes de comê-las. Somente os
adultos que imitaram seus filhotes aprenderam este tipo de evolução social.

102
Outros macacos adultos permaneceram comendo batatas sujas de areia. No
outono de 1958, um certo número de macacos (o número exato é
desconhecido), da Ilha Koshima, lavava batatas, tirando a areia, antes de
comê-las.

Mas, eis que aconteceu algo de sensacional e que surpreendeu os


pesquisadores. Supondo que ao alvorecer daquele dia havia 99 macacos
que já tinham aprendido a lavar as suas batatas. Supondo que, em seguida
naquele mesmo dia, um centésimo macaco aprendeu a lavar batatas antes de
comê-las, naquele exato momento algo importante aconteceu: naquela tarde,
quase todos os membros do grupo de macacos começaram a lavar as suas
batas, antes de comê-las. A energia acrescentada pela adesão do
centésimo macaco, de alguma forma, provocou uma eclosão cultural e
mental e esse novo conhecimento cruzou espontaneamente os mares,
afetando todos os outros macacos de outras ilhas, como por exemplo, as
colônias de macacos do Monte Takasaki, da Ilha Kiusho.

É realmente impressionante essa pesquisa. Ela comprova que os adultos


têm o poder de mudar para melhor, se assim o desejarem, as crianças e os
jovens das novas gerações. Ou seja, se os adultos realizarem ações para
que as crianças e os jovens possam desenvolver uma personalidade com o
Mandato VIVA, certamente poderão ocorrer mudanças positivas na raça
humana.

Examinou-se, até o momento, as informações para desenvolver na


personalidade das pessoas o Mandato VIVA – SEJA UMA PESSOA FELIZ
E CAPAZ. A seguir serão examinados os Mandatos negativos. Este exame é
importante para que os adultos, pais e educadores, possam conhecer mais
detalhes dos Mandatos negativos, evitando, assim, desenvolvê-los nas
crianças e nos jovens.

2º Mandato Básico: NÃO SINTA (Seja uma pessoa


rejeitada e inferiorizada)

Uma pessoa com este Mandato NÃO SINTA, recebeu estímulos de Amor
e de Confiança em sua infância, mas não recebeu mensagens e estímulos
de ACEITAÇÃO. Sentiu-se REJEITADA, através de mensagens, como
por exemplo:
- Nossa! Que criança feia! Dá susto só de olhar!

103
- Você não presta!
- Detesto você!
- Você é uma criança horrível!
- Por que você nasceu? Por que eu fui ter você?
- Você não devia ter nascido! Só atrapalha a minha vida!
- Não pedi a sua opinião! Cala a boca, peste!
- Saia daqui, não quero ver você, não gosto de você!
- Você não presta para nada, está sempre cansada!
- Deixe-me em paz, por que você não some daqui?
- Você é tão ruim que quando crescer vai ser bandido!
- Você inferniza a minha vida e me deixa louca!
- Por que você nasceu tão feio e burro?
- Você é canalha como o seu pai!
- Por que não some da minha vida? Quero ter paz!
- Você é surda, sua idiota?

A criança que durante a sua infância sentiu-se rejeitada, isto é, sentiu-se


não aceita pelos adultos com as quais conviveu (seus pais, familiares e
educadores), se continuou a sentir-se rejeitada durante o seu
desenvolvimento, ao chegar à vida adulta buscará situações nas quais as
outras pessoas não a aceitem, continuando a sentir-se rejeitada.
Predomina, sempre, um medo inconsciente de ser rejeitada, fato que
dificultará a expressão de suas emoções.

“Logo que uma criança chega a entender as palavras e mesmo as


expressões faciais, as frases "você não vale nada", "você é um palerma",
você está estorvando", etc., ficam gravadas em sua mente se repetidas
constantemente. Aliás, nem se necessita repetir-se muito para que seu
efeito seja duradouro. Uma criança se impressiona facilmente por
qualquer afirmação relativa ao lugar que ocupa no esquema das coisas.
Deprimir o eu de uma criança com afirmações repetidas dessa natureza é
condená-la a seguir pela vida sem confiança em si mesma.(...) Se uma
criança pensa aos seis anos que não tem nenhum valor, que nada vale, é
muito provável que continue pensando o mesmo pelo resto da vida”.[15]

A rejeição sentida durante a infância e nas outras fases da vida, faz a pessoa
sentir-se por baixo, inferiorizada, com o orgulho abalado, olhando as outras
pessoas como superiores a ela. Para mostrar que tem algum valor, a criança
rejeitada na infância procurará se esforçar para ser melhor do que as
outras, compensando o sentimento de inferioridade, buscando por todos

104
os meios mostrar que ela tem algum valor e que é superior às outras
pessoas. Com o tempo irá desenvolver um mecanismo de compensação. É
como se dissesse: - Fui agredida e rejeitada na infância por vocês, agora
vão ver o que farei...

E assim desenvolve um mecanismo de defesa para a sua inferioridade, a


arrogância, colocando-se mentalmente acima das outras pessoas, com
sentimentos de superioridade, de raiva, de falso triunfo, falsa alegria e
de inveja. “Quanto mais o homem se sente inferior, mais tem necessidade
de realizações extraordinárias para se fazer valer aos seus próprios
olhos. É o processo de supercompensação,(...) no qual por todos os
modos, a pessoa que se sente "inferior" procura compensar esse
sentimento”.[16]

Quando assume a arrogância quer mostrar, em todas as ocasiões, que é uma


pessoa superior às outras. Por exemplo, ela nunca perguntará, pois quer
mostrar que já sabe tudo ou agirá julgando e criticando as outras pessoas,
mostrando-lhes que estão erradas e somente ela é quem sempre está certa.
Uma ação típica de Pai Crítico, na postura de Pai Bruxo. “Na verdade, não
tolera que ninguém saiba mais ou consiga mais do que ela, que tenha
mais força ou que ameace a sua superioridade. É absolutamente
necessário rebaixar e vencer o seu rival”.[17]

Quando assume uma atitude de arrogância a pessoa olha as outras pessoas


de modo superior: - Eu não aceito você porque você não presta, não tem
nenhum valor, não vale nada...(está com isso dizendo que só ela tem
valor...). As outras não têm alternativas: ou se submetem ou entram em
choque com ela. Esse sentimento de superioridade em relação às outras
pessoas leva-a a fazer questão de mostrá-la, em todos os momentos e por
todos os meios, no comportamento geralmente prepotente, autoritário,
dominador, controlador e intolerante, no falar, no modo de andar, de se
vestir, de empinar o nariz (como diz aquele ditado, tão empinado que se
estiver chovendo, correrá o risco de morrer afogada). Sente-se assim,
uma pessoa superior, uma super-heroína, a toda poderosa, a imbatível, a
onipotente, a mais forte, a mais inteligente, a "dona" do ambiente e das
pessoas. Julga-se o centro do Universo em torno de quem tudo deve girar e
acontecer, refletindo egoísmo e egocentrismo. George Eliot comparou o
arrogante e vaidoso a um galo que “pensava que o sol se erguia para ouvi-
lo cantar”.

105
A postura do arrogante é uma postura de tudo ou nada: acha-se uma pessoa
no topo do Universo (tudo) e o resto do mundo é sempre considerado resto
sem valor (nada). Assim, adota a máxima do imperador romano: - “Não
importa que eles me odeiem, desde que me temam”.[18] Com este Mandato
NÃO SINTA a pessoa cria uma visão perfeccionista, deturpando o seu
crescimento como pessoa, estabelecendo um padrão e modelo (em sua
mente), com seus dogmas e verdades estabelecidas e procurará fazer todos
seguirem seus critérios.

As pessoas deverão ser do jeito que ela quer, caso contrário não as
aceitará, as rejeitará, do mesmo modo que ela mesma foi rejeitada na
infância. Desse modo será intolerante com as imperfeições das outras
pessoas, já que nada que elas façam será aceito. Como as outras pessoas
são vistas como imperfeitas, tentará ensiná-las: - Deveria fazer do jeito
que eu falo... Assim, estará tentando enquadrar as pessoas no seu padrão,
no seu modelo mental, como acontecia na lenda chamada O leito de
Procrustes:

“Naquele reino ele era o rei (o superior, o melhor...) e todos os seus


súditos (os outros) tinham que ser do tamanho que ele idealizara para a
sua cama. Colocava todas as pessoas na tal cama: se fossem menores
seriam "esticados", se fossem maiores, teriam as pernas cortadas”...
Assim como nessa lenda, a pessoa que vive em um mundo perfeccionista,
idealizado em sua mente, não conseguirá viver na realidade como ela
realmente é, mas se refugiará em sonhos: - Como seria bom se eu mudasse
de cidade... Como seria melhor se eu mudasse de emprego... mudasse de
cônjuge... mudasse de país... mudasse a cara, fazendo uma plástica...
Como seria bom se eu mudasse...

Esse Mandato NÃO SINTA, é perigoso porque a pessoa julga-se a dona do


mundo, um sentimento típico dos paranóicos. A História da humanidade
está cheia de personagens que agiram com essas características, trazendo
catástrofes e destruição. Pessoa com esse Mandato NÃO SINTA age como
se tivesse, mentalmente, subido em um pedestal e jogado a escada fora,
para nunca mais precisar descer lá de cima... Para poder sentir-se acima
das outras pessoas, terá que diminuí-las, terá que rejeitá-las, terá que
desprezá-las, desqualificando-as, mostrando que elas são meros objetos,
não têm valor, não valem nada, ou seja, só ela é que tem valor, só ela é
melhor, só ela sabe das coisas, só ela... A história do Holocausto da 2ª

106
Guerra Mundial, com a perseguição aos judeus, em especial, e também a
outros povos, realizada pelos nazistas, revela bem esse aspecto, mas num
sentido maior, de uma raça (a ariana) colocando-se superior em relação à
outra.[19] Em certas sociedades onde o racismo é predominante, também
ocorre isso, a raça branca achar que é superior à negra, à amarela, aos
índios, etc.[20]

Um outro modo de uma pessoa com as características deste Mandato NÃO


SINTA mostrar-se superior em relação às outras, é através do poder, do
prestígio ou das posses. “A insegurança interior pode estar encoberta por
necessidades compensadoras de auto-engrandecimento, por uma
propensão compulsiva para o exibicionismo, procurando impressionar a
si mesmo e aos demais com toda sorte de atributos que concedem
prestigio em nossa cultura, como dinheiro, posse de quadros ou móveis
antigos, mulheres, contatos sociais com pessoas eminentes, viagens ou
conhecimentos elevados”.[21] “Numa pessoa normal, o sentimento de
poder, por exemplo, pode nascer da consciência de sua própria
superioridade, seja em vigor ou destreza físicos, capacidade intelectual,
maturidade ou sabedoria. Ou então poderá estar ligado a uma
determinada causa particular: família, grupo profissional ou político,
terra natal, idéias religiosas ou científicas. Pelo contrário, a sede de
poder do neurótico brota da ansiedade, do ódio e de sentimentos de
inferioridade. Há, ainda, um fator cultural subentendido, pois o poder, o
prestígio e as posses pessoais não são, igualmente, valiosos em todas as
culturas. Entre os índios Pueblo, para citar um caso, são
terminantemente reprovados os esforços para alcançar poder e é mínima
a diferença de posses individuais. Nessa cultura, seria fútil qualquer
tentativa de mandar nos outros como maneira de reafirmar-se. O fato de
os neuróticos, em nossa cultura, escolherem tal maneira, decorre de
nossa estrutura social, pois o poder, o prestígio e as posses podem dar
impressão de maior segurança.(...) O desejo de poder serve como defesa
contra a impressão de desvalia, um dos elementos básicos da ansiedade.
Essa fome de poder serve como proteção contra o perigo de sentir-se ou
ser considerado insignificante”.[22]

Independente do modo como a pessoa escolheu para mostrar-se superior,


na realidade, ela estará escondendo no fundo do seu íntimo, um
profundo sentimento de inferioridade. “A desilusão, o fracasso, a
derrota, a enfermidade, são as sementes da inferioridade. Ninguém gosta
de ser relegado a um segundo plano, a um plano inferior, nem que se lhe

107
faça pouco caso e muito menos que se lhe considere um fracasso na vida.
A pessoa tem que se desfazer do sentimento de inferioridade ou ele a
destruirá, estragará a sua vida. E a compensação (sentir-se superior) é o
caminho. A atitude de superioridade é quase sempre uma compensação
superficial de uma inferioridade escondida. A confiança é toda
superficial e debaixo da casca esconde-se a incapacidade e a
inferioridade”.[23]

Além do sentimento de inferioridade, a pessoa tem atrás da superioridade,


um sentimento de rejeição. “A mudança duma hora de encontro, o fato de
ter de esperar, a demora de uma resposta, o desacordo com suas opiniões,
qualquer não atendimento de seus desejos, em suma, qualquer omissão
em satisfazer suas exigências à sua moda, é considerada como uma
repulsa (uma rejeição). E uma repulsa não só os atira de volta à sua
ansiedade básica, mas é igualmente tomada como equivalente a uma
humilhação. Pelo fato de uma repulsa ter esse conteúdo de humilhação,
desperta uma raiva tremenda que pode vir à tona; por exemplo, uma
moça cujo gato não correspondia a seus carinhos ficou enfurecida e
jogou o gato de encontro à parede. Se as fazem esperar, essas pessoas
julgam que são consideradas tão insignificantes que não é necessário ser
pontual com elas, isso pode estimular explosões de hostilidade ou
resultar em um alheamento completo, mostrando-se frias e insensíveis.
(...) O medo à repulsa pode conduzir a uma série de inibições graves. É
como se a pessoa dissesse: - As pessoas não gostam mesmo de mim, de
modo que é melhor eu ficar num canto e assim proteger-me contra
qualquer possibilidade de rejeição”.[24]

A rejeição pode ter sido sentida pela criança através das atitudes dos
adultos com as quais ela conviveu, em várias situações ocorridas em seu
desenvolvimento. “A atitude parental de rejeição, infelizmente, está se
tornando muito comum nas famílias de nossos dias. A rejeição pode ser
física ou emocional. A rejeição física pode ocorrer mediante situações
tais como a de mandar a criança para a companhia de parentes ou
amigos, ou a de pô-la em educandários, interná-la em colégios, ou
simplesmente abandoná-la. A rejeição física pode verificar-se, também,
na circunstância em que um ou ambos os pais deixam a criança para
viajar por imperativo de trabalho; ou ficam trabalhando até tarde ou
durante os fins de semana; por motivo de separação ou divórcio; por
permanecer doente durante um longo período e - rejeição final - por
morrer. A rejeição emocional é geralmente mais sutil, mas tem a mesma

108
eficácia. O genitor pode estar fisicamente presente, mas emocionalmente
afastado. O filho pode ser o resultado de uma gravidez não desejada: - Se
não fosse por esta criança, eu teria deixado você há muito tempo. - Teria
completado os meus estudos. - Teria feito carreira como modelo. A
rejeição pode provir, também, do fato de a criança ser do sexo errado:-
Eu estava esperando que desta vez fosse uma menina. Ou de tamanho
errado: -Ele é mesmo um anãozinho insignificante, não é? Ou,
simplesmente, de uma errada manifestação de gosto: - Que espécie de
menino é esse que não gosta de beisebol? Seja ou não a rejeição física ou
emocional, real ou apenas imaginada pela criança, a atitude paterna em
geral persiste durante todos os anos no desenvolvimento do filho e a
maior parte dos reforços girará em torno da manutenção dessa atitude.
Como resultado, a personalidade da criança, incluirá, via de regra, uma
auto-imagem desvalorizada.(...) Se aceitação e amor estiverem
completamente ausentes no decorrer do primeiro ano de vida do filho,
quase sempre o desenvolvimento emocional e o amadurecimento normal
serão severamente retardados. Em certos casos esse retardo é tão grande
que a criança deixará de desenvolver o desejo de viver e morrerá daquilo
que é chamado de "marasmo": os efeitos da rejeição”.[25]

A inferioridade é, na realidade da maioria das pessoas, a falta de


confiança em si mesmas. Confiança, vem do latim confidere (confiar), de
cum, indicando reciprocidade + fido (de fides, fé, ter fé em). Confiança é o
sentimento de segurança inspirado por pessoas, situações ou objetos. A
confiança tem raízes na firmeza de ação. É como disse Prentice
Mulford:
“Fraco é aquele que fraco se imagina,
olha ao alto o que ao alto se destina.
A confiança em si mesmo é a trajetória
que leva aos altos cimos da vitória.
Nem sempre o que mais corre a meta alcança,
nem mais longe o mais forte o disco lança.
Mas o que, certo em si, vai firme e em frente,
com a decisão firmada em sua mente”.

“Professores de uma universidade solicitaram a rapazes e moças dos


diversos cursos que especificassem sua maior dificuldade pessoal. A
grande maioria respondeu "falta de confiança".(...) De modo geral, o
homem não avança mais por falta de confiança. Milhares de pessoas se
elevariam sobre a vida medíocre que levam, se tivessem a necessária

109
confiança. Não é falta de conhecimento ou de autocrítica que detém as
pessoas. O mundo avançaria muito mais em pouco tempo se as pessoas
tivessem a confiança necessária para avançar. A falta de confiança é a
falta de fé em nós mesmos”.[26]

A rejeição que a criança sente, pode estar, também, em “atitudes


perfeccionistas dos pais, gerando na criança, além de rejeição, sentimentos
de culpa: culpa por ter falhado, culpa por ter desapontado o pai, culpa
por não ter correspondido ao amor que os pais lhe dedicam. Pode
também, sentir-se culpada por causa das dúvidas interiores que tem sobre
se poderia mesmo ter tentado esforçar-se mais um pouco”.[27] A rejeição
e culpa na infância são reforçadas pelas críticas e humilhações feitas pelos
pais. – “Menino perverso! - Menina levada! - Essas meias, não! - Cale a
boca, endireite-se na cadeira, incline-se para comer! - Sua cara está
imunda! (...) As humilhações e censuras que recebemos na infância são
muito piores do que qualquer crítica com que possam nos alvejar no
presente”.[28]

Uma pessoa com as características do Mandato NÃO SINTA, sente-se


rejeitada e inferiorizada, por isso o adulto pode ajudá-la demonstrando
sentimentos de aceitação, de amor, mostrando que a aceita, que gosta dela.
“A criança necessita de auxílio externo para desenvolver a confiança em
si: necessita de um ambiente terno, da sensação de ser desejada, de
cuidados, de proteção, de uma atmosfera de confiança, de um
encorajamento das suas atividades, de uma disciplina construtiva. A
presença desses fatores todos permite que ela desenvolva uma confiança
básica, a confiança em si próprio e nos outros”.[29]

Os sentimentos positivos dos pais podem ser exteriorizados de muitos


modos: por meio de palavras carinhosas, um sorriso, um abraço, uma
conversa fraterna. O adulto pode ouvir quando a criança fala, olhando para
ela (aceitação), dando atenção, procurando enxergar os sentimentos que a
pessoa está exteriorizando atrás de suas palavras. Poderá, por exemplo,
perguntar: - Como você está se sentindo? Agindo assim, estará se
certificando de estar percebendo os sentimentos reais da pessoa. E poderá
mostrar como é fácil falar com franqueza, demonstrando os seus
sentimentos, levando-a a também falar com franqueza dos sentimentos dela.
Estará ensinando que os sentimentos não podem ser camuflados, que é
melhor expressar o que realmente se sente, fazendo os outros saberem o que
se está sentindo. Se ela estiver satisfeita, que fale por que; se estiver

110
insatisfeita ou com medo, diga os motivos. Assim, aprenderá a ter maior
abertura emocional com as pessoas com quem se relaciona, havendo maior
compreensão, saindo de seus sentimentos negativos de dependência, de
rejeição e de inferioridade.

Outro modo de o adulto ajudar a pessoa com as características do Mandato


NÃO SINTA, é levá-la a superar a dependência que sente dos outros.
Quando criança, o ser humano é realmente dependente, pois o recém-
nascido depende da mãe, em especial, para receber o alimento e cuidados,
sem os quais não poderia sobreviver. É uma dependência de fato, real.
Quando ainda não atingiu a maioridade, o ser humano ainda vive em uma
dependência jurídica dos pais ou tutores, como por exemplo, para assinar
contratos. Atualmente, com a globalização do mundo todos os povos são
interdependentes uns dos outros, já que a maioria das nações depende das
outras para progredir. O importante é entender a dependência não como uma
opressão, mas algo que melhora a solidariedade entre as pessoas e
colabora para o crescimento delas. A dependência do filho em relação aos
seus pais é transitória, pois visa preparar o filho para uma independência
natural, com o assumir progressivo de responsabilidades por parte do filho.

Mas, a sociedade de hoje está espichando a dependência dos filhos em


relação a seus pais, fazendo os filhos ficarem morando na casa dos pais
inclusive na fase adulta, como mostrou uma reportagem intitulada "Os
eternos adolescentes: Com a dificuldade de entrar no mercado de
trabalho ou simplesmente pelo conforto de morar com os pais, muitos
jovens que já passaram a muito tempo da fase das espinhas e crises de
rebeldia, optam por adiar os compromissos da vida adulta.(...) Ficar na
casa dos pais é uma opção”.[30]

Uma pessoa que tem este tipo de Mandato NÃO SINTA pode ser ajudada a
trabalhar dentro dela aquele sentimento de inferioridade que está escondido
atrás da superioridade e da arrogância, utilizando-se a seguinte técnica,
desenvolvida pelo autor nos anos em que, como psicólogo, realizava
terapia com adolescentes e adultos. É a técnica denominada Viagem
Mental à Lua...
“Vamos fazer uma viagem imaginária à Lua? Está pronto? Feche os
olhos, respire fundo e lá vamos nós. Pronto, mentalmente já chegamos na
Lua e estamos sentados em uma pedra no alto de uma das montanhas
lunares. Sinta o ambiente de imensidão que se descortina de onde
estamos. Escute o silêncio existente. Nenhum ruído. Impressionante, não

111
é? Agora, mentalmente, olhe à sua volta. Veja a curvatura do horizonte
lunar e em todas as direções que olhamos, vemos um céu estrelado, com
milhões de estrelas. Que imensidão é o Universo...

Agora, mentalmente, olhe para aquela bola azulada que está no céu, toda
iluminada à nossa frente. Reconheceu a Terra? Que linda e enorme é o
nosso planeta, visto daqui da Lua! Imagine agora que temos uma visão
telescópica e podemos enxergar o nosso país, a cidade onde vivemos e o
lugar onde você está agora. Ah! Você está, mentalmente, vendo você
agora, e tendo a consciência da grandeza do Universo e em especial,
sentindo a pequenez dos seres humanos dentro desse grande Universo...
Agora, vamos voltar mentalmente à pedra onde estávamos sentados na
Lua. Sinta de novo a imensidão desse Universo estrelado à nossa volta,
em todas as direções. Sinta-se como parte deste Universo... O sol atrás de
nós está iluminando e dando vida ao nosso planeta; ele nasce a cada
novo dia na Terra para todos os seres humanos, sem diferença. Todos são
iguais perante o criador do Universo. Ninguém é um ser inferior ou
superior a nada ou a ninguém... Cada pessoa faz parte deste Universo de
modo igual. Cada pessoa não é nem superior às outras, nem inferior...

Quando a pessoa pára de colocar-se de modo superior como centro do


Universo ou como inferior a tudo, ela pára de agir com as outras pessoas
numa relação de dominadora e dominada, ela percebe que não há
necessidade de dominar as outras pessoas para ela sentir-se bem, e
percebe também que não precisa sentir-se inferior a elas. Nessa
experiência mental, sentado em uma pedra na Lua, olhando essa
imensidão do Universo estrelado, perceba que os seres humanos podem
ser mais felizes consigo mesmos e com os outros, quando mudam as
atitudes de superioridade ou de inferioridade. Quando uma pessoa pára
de tentar dominar os outros e se impor como superior aos outros, ou pára
de colocar-se como inferior, ela começa a olhar para as pessoas como
quem merece respeito, aceitando-as como elas são realmente, com
qualidades e com defeitos. E sente que as pessoas são boas companheiras
e amigas, que vale a pena viver com elas de igual para igual, não
precisando sentir-se superior ou inferior a elas.

Agindo sem se mostrar superior ou inferior às outras pessoas, ela


aprende a andar com o tamanho de suas próprias pernas, aprende a
enfrentar os seus próprios sentimentos, em especial aqueles que a faziam
sentir-se superior ou inferior... Descobre como era desgastante e

112
frustrante colocar-se naquelas situações de superioridade ou
inferioridade. O ritmo cardíaco da pessoa melhora, com uma respiração
mais harmoniosa, sem sentir que o coração quer sair pela boca... O andar
começa a ser mais calmo e tranqüilo...

Olhe e sinta a imensidão desse Universo que vemos daqui da Lua.


Estamos sentados em uma pedra no topo de uma montanha lunar. Quando
uma pessoa se coloca como superior às pessoas, ela está se olhando como
a primeira em tudo, como se estivesse no topo da situação, no topo de
uma montanha. Quando a pessoa já está ou se coloca no topo, ela sentirá
que não há nada mais para galgar, não sentirá necessidade de realizar
mais nenhum esforço porque ela já está no topo. Quando ela pára de se
colocar no topo, saindo da desgastante posição de ser a primeira em
tudo, ela se sentirá em alguma parte do caminho, subindo para os seus
objetivos, sentindo que está em evolução, sentindo que vale a pena o
esforço para aprender e para evoluir mais um pouco. E com uma
humildade natural, começará a encarar os aprendizados de sua vida.
Uma das coisas que aprenderá é que não há necessidade de ficar
ofendida por qualquer coisa ou pessoa, pois não terá mais frustradas
suas tentativas (que antes fazia) de tentar dominar a todos. E assim,
nesse aprendizado de uma nova maneira de viver, terá sempre presente a
oração do teólogo Reinhold Niebuhr: - “Deus, dê a graça de aceitar com
serenidade as coisas que não podem ser mudadas, coragem para mudar o
que deve ser mudado e sabedoria para distinguir uma coisa da outra”.

Vamos agora voltar a Terra, ao nosso momento presente, e conversarmos


sobre essa experiência? Abra os olhos e sinta-se relaxada”...

Além da arrogância, uma pessoa com o Mandato NÃO SINTA, pode


desenvolver um outro mecanismo para compensar a rejeição e inferioridade
que sentiu em sua evolução como ser humano: a indiferença, a perda de
interesse por pessoas ou situações que a fizeram sentir-se rejeitada ou
inferiorizada. Assim, procurará afastar-se das pessoas ou situações, como
um modo de não mais deixar ferir os seus sentimentos. “É mais seguro
renunciar, afastar-se ou abandonar algo do que correr o risco de ter o
orgulho ferido”.[31] Na realidade, a pessoa só se sente segura
emocionalmente quando sente nos outros que é aceita.

No campo organizacional, uma pessoa com as características do Mandato


NÃO SINTA, assemelha-se na Escala de Blake e Mouton, ao estilo 1,9 ou

113
seja, valoriza muito o relacionamento com as pessoas, com baixo interesse
por resultados de trabalho. “A pessoa de orientação 1,9 pode trabalhar
duro, mas o faz para merecer a aprovação dos outros e não por interesse
no trabalho. (...) A criança desenvolve este tipo obedecendo aos pais e
recebendo em recompensa, amor e afeto. Os pais exercem controle total
sobre a criança dizendo-lhe o que fazer, como pensar e como sentir.
Torna-se fácil para a criança seguir os mínimos pormenores de
orientação e direção. Os pais envolvem a criança com calor humano e
afeto em aprovação por sua dependência da direção deles. A solicitude
constante dos pais transmite inconscientemente à criança o sentimento de
que a autoconfiança é perigosa, e de que é importante depender da
orientação e apoio dos pais a fim de garantir sua contínua ajuda, seu
afeto e sua aprovação. Se a criança pensa e atua com independência e
espontaneidade, os pais se sentem ameaçados. Transmitem tal sensação à
criança, dizendo algo assim: - Se você gostasse de mim não faria isso. Tal
colocação estimula o receio de rejeição que a criança sente e inibe
qualquer desejo de se desenvolver e agir com autonomia. (...) Pais
paternalistas exercem forte direção e controle no sentido de minar a
confiança e a autonomia da criança. O que eles provavelmente dirão à
criança serão coisas deste tipo:
- Deixe-me fazer isto por você.
- Papai sabe mais.
- Você é tão linda!
- Você sempre faz o que é certo ("certo" é o que eu quero que você faça).
A criança criada assim será amável, delicada, cortês e respeitosa para
com os pais e as pessoas. Criada em tais condições a criança aprende a
se tornar atenciosa e obediente a todos os adultos no afã de conquistar a
sua simpatia e aprovação. A criança aprende a se perguntar:
- Que devo fazer para conquistar a aceitação e aprovação dos adultos?
- Como posso tornar-me agradável e evitar a rejeição?
- A criança faz, assim, tudo o que merece aprovação, não o que promove a
autoconfiança e a autonomia”.[32]

O adulto pode ajudar a pessoa a enfrentar as características deste tipo de


Mandato NÃO SINTA mostrando a ela que pode ser feliz convivendo com
as outras pessoas, sem necessidade de sentir-se rejeitada ou inferiorizada.
Pode, por exemplo, ajudá-la a refletir sobre os caminhos que ela gostaria
de trilhar para felicidade com as outras pessoas, levando-a a experimentar,
a praticar, por uns dias, os caminhos escritos por São Francisco de Assis:

114
“CAMINHOS PARA A FELICIDADE
Conserve o seu coração livre de ódio e a mente livre de ansiedade.
Viva simplesmente, sem resistência às pessoas e aos fatos,
aceitando-os tais quais são.
Não tente mudar ninguém.
Encha a sua vida de amor, espalhando luz por seus caminhos a cada
passo.
Morra um pouco para o seu Ego
e pense nos outros que estão a seu lado.
Faça o que gostaria que lhe fizessem.
Não fale mal de ninguém. Critique os seus próprios atos,
fazendo um exame apurado de suas ações diárias.
Procure olhar só o lado positivo das pessoas,
coisas e fatos,
e nunca os seus lados negativos”.

Ou pode incentivar a pessoa com este tipo de Mandato NÃO SINTA a


praticar os caminhos para ser feliz, apresentados a seguir, fazendo-a sair da
situação de sentir-se rejeitada e inferiorizada:
SER FELIZ...
(autoria desconhecida)
“Ser feliz é tirar a necessidade compulsiva de aprovação e do
aplauso dos outros.
É aceitar e apreciar, naturalmente, o aplauso, quando aplaudido em
algum momento.
É procurar não viver a vida buscando, a todo momento, aplauso e
aprovação dos outros.
Ser feliz é ser você mesmo, tendo coragem de por a cabeça acima
da multidão,
fazendo sua própria escolha, mesmo que não seja a escolha da
maioria.
Ser feliz é aceitar tranqüilamente os acontecimentos, as idéias,
as pessoas.
É, sem queixa, vivê-los naturalmente: se está chovendo, aceitando a
chuva;
se faz sol, aceitando o sol; se está preso em um engarrafamento
de trânsito,
aceitando a situação, sem raiva ou revolta, saboreando o momento do
agora,

115
em toda a sua plenitude, qualquer que seja ele, é aprender com cada
acontecimento...
Ser feliz é não se lamentar nem se sentir culpado por fatos
passados
que não podem ser alterados, pois já estão no passado, mas, unicamente
compreendê-los
e usá-los como referência, como um aprendizado de vida...
Ser feliz é ter prazer pelas felicidades e vitórias dos outros, além de pelas
suas.
Ser feliz é enfrentar os erros e falhas, quando os comete,
aprendendo com eles
para não repeti-los mais. É não gastar tempo em lamentações
porque cometeu um erro, e não ter medo, se necessário, de dar alguma
explicação.
Ser feliz é ter prazer na realidade que vive, lidando com o mundo
como ele é
e não como gostaria que ele fosse. Ser feliz é não se aborrecer com
ninguém.
Quando a situação é desagradável, em vez de se zangar,
é mudar de lugar ou de assunto.
Ser feliz é não discutir e não se exaltar,
mas apenas expor o seu ponto de vista e depois ouvir o ponto de vista dos
outros,
calmamente, mesmo que sejam contrários ao seu,
sem sentir necessidade de "vencer os outros",
obrigando-os a aceitarem o "seu" ponto de vista.
É esforçar-se para mudar alguma situação, que precise ser mudada,
sem agressões ou imposições verbais.
Ser feliz é gastar tempo em viver a sua própria vida,
em vez de gastar tempo em tramas ou conluios mesquinhos em relação às
vidas dos outros.
Ser feliz é gastar tempo falando com pessoas e não sobre as pessoas ou
sobre si mesmo.
É rir com as pessoas e não das pessoas. É aprender com as pessoas...
Ser feliz é dizer o que pensa, sem ferir os sentimentos alheios.
É considerar o que os outros lhe falam, sem barreiras, avaliando e
utilizando
o que julgar conveniente, para o seu próprio crescimento.
Ser feliz é apreciar o mundo, vivendo em paz e em harmonia com o
Universo.

116
Ser feliz é se portar naturalmente com as pessoas,
sem sentimentos de superioridade, rejeição ou inferioridade em
relação a elas,
sem necessidade de impressioná-las, seja no seu falar ou no seu vestir.
Ser feliz é alegrar-se com as experiências novas, ambíguas ou
desconhecidas
sabendo que todas contribuem para o seu amadurecimento
como pessoa.
Ser feliz é gostar de ser íntimo com outra pessoa,
alegrando-se com os momentos a dois no amor,
no sexo, na ternura, na convivência harmoniosa.
Ser feliz é gostar, às vezes de ficar sozinho, num encontro consigo
mesmo.
Ser feliz é sentir-se autoconfiante e estimular nos outros a
autoconfiança,
levando-os à independência, a fazerem as suas próprias escolhas na
vida”...

3º Mandato Básico: NÃO PENSE (Seja uma pessoa


incapaz e insegura)
Uma pessoa com este Mandato NÃO PENSE recebeu, durante a sua
infância, mensagens e estímulos de Amor, de Aceitação, mas não recebeu
estímulos de CONFIANÇA e de respeito por si mesma, como por
exemplo:
- Não adianta tentar, você não é capaz de fazer isso!
- Você é muito burra para aprender a fazer essa conta!
- Como você é fraco, não consegue levantar esse pacote!
- Desça já daí! Você não tem capacidade para subir aí!
- Vou falar para o seu pai como você é burro!
- Vou falar para a sua mãe como você é incompetente!
- Não é possível haver alguém tão lerda assim...
- Você é incapaz de fazer certo qualquer coisa!
- Você só sabe se justificar, mas não explica nada !
- Só sabe dar desculpas, mas não se esforça para fazer certo!
- Você nunca tem sorte mesmo! Vai ser sem sorte na vida...
- Não adianta competir, você nunca conseguirá ganhar!
- Coitadinha! Não consegue mesmo terminar nada...

117
- Você nunca faz nada direito? Não foi por sua culpa, é?
- Sempre é com você que acontece as desgraças, não é?
- Você não é capaz de fazer certo a tarefa da escola?
- Como é incapaz! Não consegue fazer nada correto?!
- Por que não pode ser mais inteligente e esperta?
- Não é possível existir uma criança tão lerda para aprender como você!
- Por que você está sempre apressada?
- Você está brincando, já esqueceu o que ensinei?
- Menino não pode ser tão medroso e chorão!

Desde os primeiros momentos de vida de uma criança, ela se sente


naturalmente inferiorizada, fraca, desamparada, uma inútil, uma incapaz,
uma coitada, dependente dos outros, porque ela está sempre dependendo
dos adultos para banhá-la, vesti-la, alimentá-la, colocá-la para dormir, etc.
É como se o bebê dissesse: - Eu sou fraco e você me protege, me alimenta,
cuida de mim. “Acreditamos que todas as crianças chegam a essa
conclusão pré-verbal no primeiro ou segundo ano de vida no ambiente de
um mundo de gigantes onde os mais importantes são os pais, dos quais
dependem para tudo: alimento, cuidados, criação, a própria vida.(...) O
fato decisivo da primeira infância é a dependência. O que a criança
supõe pode ser incorreto, mas para ela essa é a realidade”.[33]

Essa realidade que a criança sente, é uma desqualificação interna, uma


comparação com as outras pessoas, colocando-se inferior a elas, como
uma pessoa fraca, desamparada, insegura. A criança, não recebendo
estímulos que lhe dêem confiança, começará a desenvolver medos de tudo e
sentindo-se sem capacidade, uma infeliz, uma coitada, uma sofredora, uma
desamparada, infeliz. E irá colocar-se-á como pessoa inferior aos outros,
inferior à realidade, inferior às situações.

Inferiorizada e insegura, não tendo confiança em si mesma, aprenderá a


reagir com timidez, tendo dificuldades de relacionamento. Sentindo-se
assim, ficará confusa, tendo mal rendimento escolar e medo de fazer as
coisas. Por exemplo, durante os seus primeiros aprendizados, ela sabe
quanto é a soma de um mais um, mas como em sua cabeça estão registradas
mensagens e estímulos de adultos que dizem que ela é burra e incapaz, ela
fica confusa e insegura, e em vez de escrever que a soma de um mais um é
dois, ela escreve três. As repreensões e críticas aumentam: - Está vendo
como você é burra e incapaz? Não sabe direito quanto é a soma de um mais
um! Já ensinei isso a você! O que você conseguirá ser quando crescer se

118
não consegue acertar uma continha fácil como essa?

Recebendo uma carga negativa dessas, a criança irá fechar-se


emocionalmente, igual a um caramujo, para se proteger. Assim, fechada em
seu mundo ficará arredia e desconfiada das outras pessoas, mantendo delas
uma prudente distância, desenvolvendo dificuldade de raciocínio e inibição
para aproximar-se das pessoas e em especial, dificuldade em realizar
alguma coisa. É como se tivesse na vida o princípio: “É mais seguro não
tentar do que tentar e fracassar”.[34]

Essas situações de inferioridade e insegurança vividas na infância


permanecem influenciando a vida de muitas pessoas, já que muita gente
leva até a vida adulta essas mensagens mentais. “Quando gravações
negativas são ativadas podemos sentir-nos hoje tão mal como naquele
tempo (da infância), e ouvimos as vozes internas, incessantes, do
arrependimento ou da acusação, por que você fez isso, por que você não
fez aquilo...(...) Esses sentimentos muitas vezes ressurgem no presente,
quando somos postos em situações semelhantes àquela experimentada
pela criança, quando somos acuados, sentimo-nos dependentes,
injustamente acusados, desajeitados, desinformados. Velhas fitas (fatos
da infância e os sentimentos por eles gerados) estão sempre prontas para
rolar no gravador (mental)”.[35]

A inferioridade e insegurança sentidas quando bebês, permanece, por


muitos anos, na maioria dos seres humanos, muitos não as superaram na
vida adulta. “Por que, às vezes, persistem na idade adulta as atitudes
infantis? O comum é as pessoas, já adultas, libertarem-se das suas
atitudes infantis, de modo que quando isso acontece, devemos procurar as
razões dessa persistência. (...) Há casos em que as razões não estão em
uma compulsão para a repetição de experiências passadas, mas na
estrutura atual da personalidade da pessoa, isto é, nos fatores dinâmicos
interiores que provocam a reação atual. Estudar esses fatores é o mais
importante trabalho terapêutico”.[36]

Como a criança aprendeu a sempre ver o lado negativo da vida, a pessoa


com este estilo de Mandato NÃO PENSE, estará constantemente sofrendo
por qualquer coisa, mostrando aos outros como ela é uma coitada, uma
sofredora, que ninguém a entende. Essa situação foi uma das conclusões de
uma pesquisa feita com 1.495 crianças e adolescentes de 12 a 20 anos de
seis metrópoles brasileiras: 42% dos entrevistados escolheram, dentre

119
outras frases, a frase: Ninguém me entende (isto é, eu sou uma coitada...).
[37]

Agindo assim com as pessoas, como uma coitada e inferiorizada, a pessoa


com este tipo de Mandato NÃO PENSE está, na realidade, tentando levar
as outras a sofrerem junto com ela, numa co-dependência de sofrimento. Se
ela chorar ou ficar triste irá forçar outras pessoas a também chorarem ou
ficarem tristes, fazendo-as sentirem culpa. Desse modo, estará controlando
as pessoas através do sentimento de culpa.

No campo organizacional este tipo de Mandato NÃO PENSE é comparado


ao tipo 9,1 na Escala de Blake e Mouton. As principais características
apresentadas por esses especialistas são, em resumo, as seguintes: “Pessoa
que usa o poder coercitivo, controlando e dominando as outras, com a
meta de vencê-las, modo de provar a si mesma que é capaz. Usa frases
dogmáticas do tipo: Sempre, Nunca, Você não pode, Você deve, Você
deveria, com o objetivo de golpear as pessoas, vistas sempre como
adversárias; por isso usa tom de voz elevado, apela à autoridade, ao
exagero, à ironia. Seu jogo preferido é o ganha-perde, no qual quer
sempre subjugar as outras pessoas, gostando de ficar de tocaia para
pegar qualquer pessoa com a boca na botija. É pessoa que não se satisfaz
com nenhum sucesso, sempre está irritada e hostilizando as pessoas.
Estressada constantemente devido a esforços competitivos para cumprir
prazos, é séria candidata a ter ataque cardíaco. Sempre está competindo
ou desafiando as pessoas, seja numa atividade de disputa esportiva, seja
num jogo de baralho ou numa simples discussão. Seu maior medo é ser
derrotada, fracassar, falhar, perder o controle. Se fracassa, culpa as
outras pessoas. Os sucessos são só dela, os fracassos se devem às falhas
das outras. Quando frustrada a sua vontade, reage com raiva tentando
restabelecer o seu domínio sobre a situação ou sobre as pessoas. Toma
uma posição e se fixa nela, o que a faz ser rotulada de teimosa. Para ela
"o homem é o lobo para o homem", por isso desconfia sempre das outras
pessoas. Uma criança pode aprender com seus pais a agir conforme as
características desse tipo:
a) quando está sendo estimulada por eles a competir com as outras
crianças, empenhando-se cada vez mais para sobressair sobre as outras,
e só assim os pais mostram-se satisfeitos com a criança.
b) Através da submissão, um modo de se fazer aceita pelos pais. A
concessão de afeto e aprovação em troca de submissão pode reforçar
intensamente os desejos da criança de satisfazer as ânsias de seus pais

120
por um alto desempenho.
c) Através do controle detalhado que os pais fazem sobre a criança. O
ressentimento, a raiva e o ódio não manifestos pela criança que se
originam de um excessivo controle dos pais, permanece na vida adulta e,
com freqüência, irrompe em forma de irritação excessiva e ódio.
d) Através de mimo pródigo à criança. Quando um pai (ou mãe) é
permissivo com a criança o relacionamento entre a criança e os pais vira
de cabeça para baixo, a criança passa a ser o "rei" e os pais "os
escravos" dela. A criança se torna cada vez mais exigente e insistente,
controlando os pais com suas manhas e exigências”.[38]

Este tipo de Mandato NÃO PENSE prevalece na maioria da população por


muito tempo de suas vidas, por isso faz-se necessário apresentar aspectos
que as auxiliem a realizar as mudanças para saírem desse tipo de Mandato,
além dos já apresentados anteriormente. Essas mudanças poderão ocorrer
quando as pessoas não ficarem presas aos seus sentimentos negativos e
partirem para o enfrentamento das situações. É como disse Thomas
Edson: “Gênio é 1% de inspiração e 99% de transpiração”. Isso mostra
que cada pessoa precisa fazer o seu esforço pessoal, precisa suar a camisa
para realizar as mudanças, enfrentando as dificuldades que foram causadas
pelas mensagens negativas que cada uma recebeu durante a infância. Cada
uma precisará assumir o próprio passo, como disse aquele ditado: “Ter
sucesso significa que você, provavelmente, terá que sair da fila e
marchar ao som do seu próprio tambor”.

Quando a pessoa não se deixa ficar presa aos seus sentimentos negativos e
parte para ação, acreditando nela e em suas capacidades, ela está
alçando o vôo para a sua liberdade das mensagens negativas que até
então a prendiam. É a mesma situação acontecida naquela Fábula da
Águia, aqui adaptada:

“Um certo caçador, caminhando por uma floresta, encontrou uma pequena
águia. Levou-a para a sua casa e colocou-a no galinheiro. A pequena águia
logo aprendeu a se alimentar como as galinhas e a se comportar como elas.
Um dia, um naturalista que passava pelo local, perguntou-lhe por que uma
águia, a rainha de todos os pássaros, estava vivendo no galinheiro com as
galinhas. O caçador lhe respondeu: - Eu a tratei como se fosse galinha, dei-
lhe comida de galinha, eduquei-a para ser uma galinha. Por isso ela nunca
agiu como águia, nunca tentou alçar vôo e mergulhar na imensidão do céu.
Se ela se comporta como uma galinha, não é mais uma águia.

121
- Mas - insistiu o naturalista - ela tem coração de águia e certamente poderá
agir como uma águia, poderá aprender a voar. Depois de conversarem
bastante sobre o assunto, os dois concordaram em descobrir se isso seria
possível. Cuidadosamente o naturalista pegou a águia nos braços e disse:
- Você é uma águia, uma ave que vive nas alturas dos céus. Você pertence
aos céus e não à terra. Acredite em você mesma, em suas capacidades. Bata
suas asas e voe!
A águia, entretanto, estava confusa: sentia-se incapaz, medrosa, insegura,
não sabia direito quem era. Vendo as galinhas ciscando no terreiro e
comendo, pulou e foi juntar-se a elas. Inconformado, o naturalista levou a
águia, no dia seguinte para o alto do telhado da casa e insistiu novamente,
dizendo:
- Você é uma águia. Você pertence às alturas do céu. É lá que é o seu lugar.
É lá que você usa todas as suas capacidades. Você pode sair da situação em
que estava, inferiorizada com as galinhas, ciscando o chão. Você pode viver
nas alturas, com suas grandes capacidades de voar. Bata as asas e voe!
Mas, a águia tinha medo do seu "eu" desconhecido, ela continuava a
acreditar nas mensagens que recebeu do caçador, quando era pequena, ela
acreditava que era um ser inferior, uma galinha. Preferiu continuar na vida
acomodada como galinha, fugindo da luta, conformando-se com o seu
destino de viver ciscando a terra. Logo que o naturalista a desceu do
telhado, voltou para junto das galinhas e foi ciscar no chão em busca de
comida.
No terceiro dia, o naturalista levantou-se bem cedo, tirou a águia do
galinheiro e levou-a para uma alta montanha. No topo da montanha, segurou
a rainha das aves voadoras, erguendo-a bem alto e encorajou-a de novo
dizendo:
- Você tem dentro de si uma grande capacidade de voar nessas alturas do
céu, você tem uma visão excelente capaz de enxergar lá longe na terra, você
tem capacidade de voar a grande velocidade e ir caçar pequenos animais
num vôo rasante, pertinho do chão e voltar com sua presa ao alto da
montanha, para se alimentar. Você é capaz de voar muito alto, em grandes
altitudes, durante horas seguidas. Bata bem as asas e voe!
A águia olhou em torno, lembrou do galinheiro seguro lá na terra e olhou
para o alto do céu. Ainda não teve coragem de sair da inferioridade de agir
como uma galinha.
Então o naturalista levantou a águia na direção do sol e ela começou a
tremer, sentindo a energia cósmica que a impulsionava a assumir a sua
vida a partir daquele momento. Ela sentiu-se encorajada e resolveu
reformular o que pensava a respeito de si própria, resolveu explorar o

122
potencial que agora sentia que tinha, resolveu aproveitar a grande
oportunidade de descobrir o seu potencial e realizar-se como águia, que
agora sentia que era. Ela sentiu-se encorajada, pela energia cósmica do
sol, a assumir de vez a sua vida e suas potencialidades. Por isso abriu
bem as suas grandes asas e com um enorme grito que veio da profundeza do
seu ser, bateu as asas e levantou vôo. Levantou o vôo em busca da sua
felicidade, daquilo que ela sempre desejou, lá no seu íntimo, realizar,
mas antes não tinha coragem.
A partir daquele momento, a águia acreditou nela, nas suas capacidades.
Deixou de lado as mensagens negativas que tinha recebido em sua infância,
de que ela era uma galinha, inferiorizada e insegura. Assim, mudou a sua
auto-imagem negativa, o seu Mandato NÃO PENSE e assumiu a
grandeza de suas capacidades como águia majestosa que ela era desde o
início.

Pessoas com Mandato NÃO PENSE costumam agir como essa águia agia
antes, não realizam o que sonham, não levantam o vôo em busca de sua
realização e felicidade. Mas os adultos podem ajudá-las a descobrir as suas
capacidades, a saírem dessa situação de se acharem incapazes e inseguras.
O que os pais e educadores podem fazer para ajudar uma criança ou
jovem, ou mesmo um outro adulto que esteja com esse tipo de Mandato
NÃO PENSE?

Os pais e os educadores poderão ajudá-la a sair da acomodação que talvez


se encontre, insuflando nela o espírito da mudança, o entusiasmo em
realizar alguma coisa, sendo participante em sua família, na sua
comunidade, no bairro, na escola, no clube ou na sua cidade. Podem
incentivar a pessoa a utilizar todo o seu potencial como ser humano,
realizando o que ela sempre sonhou realizar, mas nunca teve coragem,
fazendo-a assumir a sua vida. Podem incentivá-la a sair da acomodação,
como a águia estava no início da história, fazendo a pessoa acreditar que
ela pode alçar o infinito das potencialidades que tem, que ela é capaz para
realizar mudanças na sua vida. E assim, quando a pessoa fizer realmente
algum esforço para mudar, mudanças significativas poderão acontecer na
sua vida.

Os pais e educadores poderão, também, dar mensagens e estímulos que


mostrem que ela tem capacidade, que é capaz de pensar e resolver os
problemas de sua vida, que conseguirá vencer os obstáculos, como

123
aconteceu com um piloto.

Conta-se que logo após a primeira guerra mundial, um jovem piloto


inglês experimentava o seu frágil avião monomotor numa arrojada
aventura ao redor do mundo. Pouco depois de levantar vôo de um
pequeno e improvisado campo de pouso na Índia, ouviu um estranho
ruído que vinha de trás de seu assento. Logo percebeu que havia um rato
a bordo e que ele poderia, roendo a cobertura de lona, destruir o seu
frágil avião. O piloto poderia voltar ao aeroporto para se livrar do
incômodo, perigoso e inesperado companheiro de viagem. Lembrando-se,
porém, de que os ratos não resistem a grandes alturas, começou a voar
cada vez mais alto. Logo percebeu que cessaram os ruídos, com a morte
do rato.

Mostre à pessoa insegura que quando o "rato" do sentimento de insegurança


e inferioridade ameaçá-la, ela poderá fazer como o piloto: voar mais alto
em sua vida, acreditando em suas capacidades. Se sentir que foi
diminuída, voe mais alto... Se foi criticada, voe mais alto... Se foi ofendida,
voe mais alto... É como diz aquele ditado: “O segredo da vida bem
sucedida está em ser superior ao fracasso e em mostrar-se à altura dos
momentos e das situações”. Ou como diz outro ditado: “Há duas
maneiras de encararmos as situações da vida: com otimismo ou com
pessimismo. Qual é a mais vantajosa?”

Orientações boas aos pais e educadores estão em um folheto com mais de


30 anos, mas muito atual no que diz, feito pelo Ministério da Saúde
Nacional e do Bem-Estar de Otawa, Canadá.[39] O folheto, em resumo:

“O que falta à criança é, em poucas palavras, uma boa opinião de si


mesma. Ela foi, de algum modo, privada de uma das seguranças
essenciais à formação de uma personalidade forte. A primeira dessas
seguranças é tão importante que a sua falta se acha na origem de quase
todos os problemas de comportamento infantil. Pode ser expressa assim:
É preciso que a criança esteja certa de que, aconteça o que acontecer,
você a amará sempre. A criança precisa ter a certeza de que não está
sozinha, de que pode contar com você em qualquer circunstância. Quando
era nenê, você lhe despertou ternura e proteção a todo instante. Agora
que já está crescida, essa proteção e essa ternura continuam necessárias;
elas a orientarão na vida quanto às decisões que se forem impondo,
quanto às responsabilidades que for preciso assumir, quanto as

124
atividades novas que se apresentarem. A certeza de que você a
acompanha com compreensão e interesse dar-lhe-á esse sentimento de
segurança, constituirá a base sólida em que seu filho se firmará para
fazer face às situações novas, ao desconhecido.
Há certos perigos que mesmo os pais bem intencionados não evitam,
privando assim, o filho querido desse sentimento de segurança. Os "Eu
não gosto mais de você" e os "menino mau" gritados com raiva podem ter
conseqüências que você desejaria evitar a todo custo. Por outro lado,
porém, pode também ter más conseqüências o fato de não se ajudar a
criança a aprender a se dominar, a subjugar seus impulsos somente por
não querer contrariá-la. Certos pais, firmemente decididos a fazer do
filho "a criança perfeita", não cessam de saturar o pobre pequeno com os
"não, não", "não faça isso". O resultado é que quase sempre ele cresce
hesitante, pouco a vontade em qualquer situação, fugindo de toda ocasião
de agir e de decidir.
Quanto à indulgência extrema, alternada com severidade, tão pouco
consegue dar à criança sentimento de segurança. No caso de seu filho,
dirija-o e controle-o suavemente nas coisas importantes até o momento
em que tenha aprendido a se governar sozinho. Você pode fazer isso sem
que jamais ele duvide de sua afeição e sem que tenha a sensação de estar
sempre errado, quando você o impede de agir como ele desejaria.
A segurança essencial que falta à criança é a certeza de que pode
realizar o que deseja, de que pode vir a ser a pessoa que quer ser. Falta-
lhe a confiança em si própria. A criança tem necessidade de se sentir
mais capaz, mais hábil, mais importante. Muitos pais destroem no filho,
quase que desde o seu nascimento, a fé em si mesmo e a certeza de que
pode ser como os outros. Eis oito atitudes que os pais devem EVITAR:
1. Limitar o campo de experiência da criança. Assim, não lhe dar bem
cedo ocasião de se sentar, de engatinhar, de se lavar; não lhe oferecer
brinquedos apropriados; não deixar que coma, tome banho ou se vista
sozinha, antes de poder fazê-lo com perfeição.
2. Prendê-la tanto, vigiá-la de tal modo que não lhe seja possível
aprender o que quer que seja por si mesma.
3. Tomar por ela todas as decisões.
4. Abusar dos "Não mexa!", "Não faça tanto barulho!", "Você não faz
nada que preste!", cada vez que a criança tenta fazer alguma coisa por si
mesma e a seu modo.
5. Exigir que seja perfeita em tudo - nas maneiras, no modo de comer,
quanto à higiene, etc.
6. Comentar suas ações a torto e a direito, rir de suas tentativas

125
frustradas ou, ainda, deixar de elogiá-la e de encorajá-la quando se sai
bem em alguma coisa.
7. Cultivar demais um talento artístico que ela possua, a ponto de não lhe
ensinar as coisas simples da vida, tornando-a, assim, a seus próprios
olhos, inferior a seus companheiros.
8. Humilhá-la e repreendê-la se, por exemplo, à mesa ela entorna um
copo d' água ou um prato; isso pode torná-la, mais tarde, uma pessoa
pouco à vontade em qualquer reunião social.
Risos intempestivos podem fazer ficar quase muda a criança brilhante
que gostava de empregar palavras pouco usadas e difíceis. Comentários
sobre o físico de uma criança — Como é gorda! ou — É de se admirar que
seja tão pequena! — podem fazê-la pensar que é anormal.
Como ajudar: Você pode ajudar o seu filho a dominar o seu desconforto e
seu embaraço, mas nunca por meio de rogos e ralhos. É preciso recorrer
a meios positivos. Procure meios de tornar a situação tão agradável e
interessante quanto possível. Introduza-o aos poucos na conversa,
encoraje-o discretamente e nunca esqueça de felicitá-lo se tudo tiver
corrido bem. Não faça comentários meio velados quando o apresentar a
estranhos. Dê-lhe tempo para ir progredindo aos poucos, no abandono
de seus hábitos de dependência e na aquisição do domínio de si mesmo.
Há um limite para o talento de cada criança; ajude seu filho a esquecer
seus insucessos atraindo-lhe a atenção para as coisas que consegue
fazer bem e persuadindo-o da importância dessas coisas. Dá resultado,
muitas vezes, atribuir à criança uma tarefa (receber visitas, levar os
cinzeiros), oferecer-lhe oportunidade de realizar um trabalho qualquer,
manual ou artístico, ou deixá-la encarregada de um serviço (tomar conta
do bebê, dar um recado, etc.)”.

O adulto poderá ajudar a pessoa que estiver neste tipo de Mandato NÃO
PENSE, a enfrentar as situações, aprendendo com elas a ter mais segurança
na vida, fazendo-a sair de uma vida tristonha, frustrada, ansiosa, na qual se
acha uma coitada, uma vítima ou uma pessoa perdedora. É a aplicação
daquele ditado milenar chinês: “Dê um peixe a um homem e o estará
alimentando por um dia. Ensine um homem a pescar e o estará
alimentando o resto de sua vida”.

Ajudando a pessoa a sair desse Mandato NÃO PENSE, o adulto estará


ajudando-a a sair do conformismo, a sonhar com uma melhora, a ousar, a
mobilizar energias para o próprio crescimento, levando-a a lutar por
alguma mudança na vida, levando-a a acreditar na vida, que ela pode ... É

126
como revela certo poema, de autor desconhecido:
Se você acha que está derrotado, você está.
Se acha que não se atreve, não o fará.
Se gosta de ganhar, mas acha que não pode,
é quase certo que não poderá.
Se acha que vai perder, já está perdido,
pois neste mundo descobrimos que o sucesso
começa com a vontade da pessoa.
É tudo um estado de espírito.
Se você acha que é inferior, você é.
Você tem que pensar alto para subir.
Tem que ter certeza de si mesmo, antes que
você possa atingir o topo de sucesso.
As batalhas da vida nem sempre cabem
à pessoa mais forte ou a mais rápida.
Pois, mais cedo ou mais tarde, quem vence
é a pessoa que acha que pode!”

O adulto ajudando a pessoa com esse tipo de Mandato NÃO PENSE, estará
ajudando-a a enfrentar a própria realidade, criando nela as oportunidades
para realizar-se e ser feliz, consigo mesma e com os outros com as quais
convive, vivendo em maior harmonia e equilíbrio com o ambiente onde
vive e com a vida. Estará ajudando a pessoa a descobrir as suas qualidades
e as possibilidades de ser feliz no seu ambiente. É como ensinava um sábio
capitão:

“Conta-se que um capitão de barca de transporte fluvial que operava


numa travessia entre duas cidades que ficavam, cada uma, de um lado das
margens do rio, era um homem muito sábio. De vez em quando um
morador de uma das cidades lhe perguntava:
- Como são as pessoas da outra cidade? Estou pensando em mudar-me
para a outra cidade... O capitão da barca, com os anos de sabedoria que
tinha, sempre perguntava:
- O que você acha das pessoas da cidade onde vive agora?
Se a pessoa respondesse que os moradores de sua cidade eram alegres,
amigas, boas pessoas, solidárias, o capitão dizia à pessoa que os
habitantes da outra margem do rio era boas pessoas, calorosas, alegres,
amigas e solidárias. Mas, se a pessoa respondesse que os moradores de
sua cidade não eram boas pessoas, eram tristes, carrancudas, egoístas,
frias, agressivas, então o capitão descrevia as pessoas da outra cidade do

127
mesmo modo”

O adulto pode agir como esse sábio capitão da história, ajudando as


pessoas a assumirem a própria vida, saindo desse tipo de Mandato NÃO
PENSE, mostrando a elas a importância de enfrentarem e de viverem a
própria realidade, criando nela as oportunidades para se realizarem
como seres humanos felizes. Agindo assim, o adulto estará fazendo a
pessoa sair da situação cômoda de ficar esperando algum milagre acontecer
na vida dela. Estará, na realidade, fazendo-a realizar uma mudança de
dentro para fora, mudando no seu interior as atitudes que ela tem,
fazendo-a ter novas atitudes frente à vida, abrindo caminhos através das
barreiras que ela própria construiu à sua volta. Assim, o adulto estará
mostrando a ela a aplicação prática do ditado popular: “Ninguém pode
prejudicar você, a não ser você mesmo, assim como ninguém pode mudar
você a não ser você mesmo”.

Com relação a esse aspecto de ajudar a criança a mudar as atitudes através


de mensagens que os adultos podem dar à criança, Jacqui Schiff, pioneira
no tratamento de esquizofrenia de adolescentes, frisa a importância de três
mensagens que os pais devem transmitir aos filhos: 1- Você pode resolver
problemas. 2- Você pode pensar. 3- Você pode fazer coisas. Diz ela: “- Os
pais cometem um erro quando não transmitem aos filhos mensagens
freqüentes sobre "o que fazer". Quase inevitavelmente, as crianças
incorporam mensagens do tipo "Não faça isso"... Uma boa regra é: toda
vez que disser a uma criança o que não fazer, deve-se dizer também o que
fazer. Isto lhe fortalecerá a confiança no próprio valor e a capacidade de
solucionar problemas, criando uma estrutura para testar limites e a
ensinará a pensar.[40]

Os adultos podem ajudar a criança a sair desse estilo de Mandato NÃO


PENSE, levando-a a dar alguns passos.
“1 - O primeiro passo é uma reavaliação do seu próprio eu. A pessoa
precisa compreender que ela vale mais do que pensa, que ela é melhor do
que imagina, cultivando uma capacidade maior, um talento maior, uma
habilidade maior, maior iniciativa e espírito de luta. Com falta de
confiança ela nunca pensou nem agiu até onde alcança realmente a sua
capacidade e age apenas com uma parte de sua força, uma parte muito
pequena, aliás. Está simplesmente enfrentando-se com superficialidade,
fazendo pobres exibições de si mesma e mantendo oculta a maior e
melhor parte de sua mente. Para mudar, precisará conhecer a si mesma,

128
sem nenhuma parcialidade, olhando para si mesma como se fosse outra
pessoa, olhando-se de modo impessoal. Assim, descobrirá que é boa
pessoa como qualquer outra, embora antes não o acreditasse; descobrirá
ainda que tem tanta educação, tanto espírito de direção, tanta energia,
tanta ambição, tão elevados ideais e tantas outras boas qualidades como
qualquer outra. Tais descobertas surpreendem e vêm carregadas de
possibilidades.
2 - O segundo passo é fazer a pessoa colocar no centro de sua mente a
nova idéia do próprio valor, afastando qualquer pensamento que a faça
sentir-se incapaz ou insegura. Será necessária muita luta para que a
nova idéia do eu predomine. É preciso deixar que a nova idéia governe o
centro da consciência. Automaticamente, então, as energias
subconscientes entrarão em ação e a pessoa, de maneira segura, agirá ou
passará a agir com confiança.
3 - O terceiro passo para corrigir a insegurança é dar oportunidades
para o êxito, levando a pessoa a começar qualquer coisa nova que não
exija muito esforço para ser vencida. A primeira luta em direção ao êxito
deve ser simples. Se existirem obstáculos, estes devem ser fáceis de serem
vencidos. Um objetivo conquistado facilitará à pessoa a conquista da
confiança em si mesma.
4 -E o quarto e último passo para a confiança em si mesma é ajudar a
pessoa a adotar uma conduta ousada, no sentido de fazer as coisas que
nunca havia tentado fazer por falta de confiança no próprio valor. Uma
atividade audaciosa é uma maneira de se começar realmente o
desenvolvimento do sentimento de confiança. A pessoa só adquirirá a
confiança atirando-se à luta, fazendo aquilo que teme Essa conduta
ousada reagirá sobre a mente, fortalecendo-a com uma nova idéia do eu”.
[41]

4º Mandato Básico: NÃO VIVA (Seja uma pessoa infeliz)

Este é o Mandato mais negativo de todos. O adulto que tiver este Mandato
NÃO VIVA, certamente não recebeu, em sua infância e em sua evolução,
nenhum dos três estímulos básicos: Amor, Aceitação e Confiança.
Recebeu em sua infância, com certeza, uma carga muito maior de
estímulos negativos, depreciativos e desqualificadores, como por
exemplo:
- Você é uma criança horrível, não presta prá nada!
- Por que você nasceu, se é assim tão burra?

129
- Por que eu fui ter você?
- Não pedi a sua opinião! Cala a boca, peste!
- Por que você é tão teimoso e incompetente?
- Como você é uma pessoa egoísta e preguiçosa!
- Você é uma porca, olha o que fez na sua mesa!
- Saia da minha frente, não quero ver você, detesto você!
- Vou falar para o seu pai como você é mal educado!
- Não é possível haver alguém tão burro assim...
- Você é incapaz de fazer certo qualquer coisa!
- Você não serve para nada, está sempre cansada!
- Você só sabe se justificar, mas não explica nada!
- Você não cumpre nunca o que promete!
- Você não tem palavra?!
- Deixe-me em paz, por que você não some daqui?
- Você é tão ruim que quando crescer vai ser criminoso!
- Detesto você! Você inferniza a minha vida.
- Você me deixa louca!
- Como você é mentiroso e fingido!
- Além de ser um peste, mentiroso, é um canalha!
- Não é capaz de se esforçar para fazer certo?!
- Você nunca tem sorte mesmo! Vai ser assim na vida...
- Não adianta, você nunca irá ganhar nada na vida!
- Pare de ser chorão! Você é um menino ou menina?
- Não sinta nenhuma emoção, porque você não presta!
- Coitado de você! Não consegue terminar nada...
- Você nunca faz nada direito?!
- Não foi por sua culpa, é?!
- Sempre é com você que acontece as desgraças, não é?!
- Não adianta tentar, você não é capaz de fazer.
- Você não devia ter nascido! Você não serve para nada!
- Você não consegue fazer nada direito, é um incapaz!

A criança recebendo, em sua infância, uma carga muito grande de


mensagens e estímulos negativos como esses e muitos outros verbais ou não
verbais que a levem aceitar, em sua mente, a idéia que ela não vale nada e
que não tem nenhum valor, terá muitas probabilidades de desenvolver
algumas características negativas como ser humano, tais como: afetação,
agressividade, alcoolismo, antipatia, arrogância, cinismo, cobiça, covardia,
culpa, crueldade, derrotismo, dependência, depressão, desprezo,
desonestidade, desmotivação, desobediência, discórdia, egoísmo,

130
fingimento, frustração, gula, hipocrisia, hostilidade, incapacidade,
incoerência, indecisão, indiferença, indisciplina, infelicidade,
inferioridade, infidelidade, irritabilidade, insegurança, inveja, inibição, ira,
irresponsabilidade, insensibilidade, insubordinação, intolerância, mágoa,
maledicência, medo, mentira, maus hábitos (cigarro, álcool, drogas, etc.),
obsessão, ódio, opressão, orgulho, pedantismo, pessimismo, preconceito,
preguiça, sarcasmo, soberba, submissão, superioridade, tristeza,
vandalismo, etc.

A criança, ao receber estímulos depreciativos e de desproteção, com baixa


opinião sobre si própria e baixa opinião sobre as outras pessoas, irá
formando uma imagem interna de que ela não presta, não serve para nada,
não tem nenhuma qualidade e nem valor como ser humano. Isso a faz ficar
dependente dos pais e das pessoas, para tudo. E desenvolve a idéia de que
as outras pessoas devem ser iguais a ela, também não têm nenhum valor.
Achará, por isso, que todos, ela e as outras pessoas, são um zero à
esquerda, sem valor, por isso não terá respeito por si própria nem pelas
outras. Mostrará que não tem nenhum valor, nem para cuidar de si mesma,
apresentando uma aparência geral desleixada, com pouca higiene pessoal,
deixando as roupas sujas, cabelos grandes e despenteados, sapatos sujos e
mal cuidados. E poderá mostrar que não vê valor em nada, com
intermináveis queixas, reclamando de tudo e de todos.

Sentindo-se sem nenhum valor terá dificuldades para encontrar um


significado para a sua vida, vivendo, então, uma vida vazia percebendo o
mundo como frio e sem sentido, desistindo, na maioria dos casos, de viver,
deteriorando sua saúde com vícios (drogas, álcool, etc.), com grandes
possibilidades de ter morte prematura. Sua vida será como aqueles três
macaquinhos: não quer ver nada, não quer ouvir nada, não quer falar
nada, em outras palavras não quer nada, nem viver. Desanimada,
desinteressada, alienada, passiva, indiferente, ausente da realidade, não irá
se comprometer com nada, não irá querer ligação com nada, não desejará
fazer nada, deixará sua vida à deriva, sem nenhum rumo, somente vendo a
sua vida passar em branco. Estará, assim, mostrando a todos que ela é um
peso morto na sociedade, não sabe para que existe, é como se fosse um
anônimo no Universo.

Com falta de estímulos adequados e positivos, em especial de amor, de


aceitação e de confiança, não desenvolverá no seu cérebro a área das
emoções, e por isso, a única mensagem emocional será de que ela é uma

131
coitada e uma vítima e não tem permissão para viver. Assim,
desenvolverá o Mandato NÃO VIVA e será compreensível se enveredar por
caminhos de destruição, de si mesma (drogas, suicídio, etc.) e destruição
dos outros (delinqüência, crimes, estupros, terrorismo suicida, etc.) que,
para ela, não têm também nenhum valor. É a típica pessoa, chamada pelos
sociólogos, de anomia.[42]

Uma pessoa que desenvolver esse tipo de Mandato NÃO VIVA, da situação
de coitada e vítima, poderá transformar-se em perseguidora dos outros,
com sentimentos vingativos, desenvolvendo ações no sentido de livrar-se
dos outros, destruir os outros, através de ações de homicídios,
assassinatos, violências cruéis e outros atos de violência contra pessoas. É
como se dissesse: - Vocês me maltrataram na infância, agora vocês vão
ver só o que eu vou aprontar... De vítima passará a perseguidora porque
tem dentro de si o sentimento de raiva que desenvolveu das pessoas, raiva
reprimida, ressentimentos e mágoas, uma revolta não consciente contra as
pessoas (e outras que colocará no lugar delas) que em sua infância a
diminuíram, a desqualificaram, a agrediram, a massacraram, a
inferiorizaram, a fizeram acreditar que não tinha nenhum valor como
pessoa. “É bem sabido que um golpe no nosso orgulho é capaz de
provocar hostilidade vingativa, que pode variar desde a indiferença até a
raiva e desde a irritabilidade até um cego ódio assassino. (...) O impulso
de vingança é contra o que é sentido como uma humilhação... Envolve a
crença de que revidar ao ofensor restabelece o orgulho: triunfará se
vencer o ofensor”.[43]

Ou poderá desenvolver idéias delirantes de perseguição, desenvolvendo


uma paranóia: -Ele olhou-me de um modo estranho, acho que me odeia.
Ou, ao ver duas pessoas conversando na esquina: - Será que estão falando
mal de mim? Será pessoa com muito medo de tudo, a maioria medos
imaginários, com medos constantes de alguma catástrofe, e insegurança,
levando-a a agir com dependência, passividade, desamparo, depressão,
insegurança, isolamento, preocupada em excesso. Terá respiração irregular,
inquieta, devido às ansiedades e medos. Tenderá a comer exageradamente,
empanturrando-se.

Terá dificuldades para viver no presente, não vivendo em paz consigo


mesma e não deixando as outras (quaisquer pessoas) viverem em paz,
atrapalhando, irritando-as intencionalmente, infernizando a vida delas. No

132
passado, na infância, quando era maltratada, diminuída, desqualificada aos
seus próprios olhos, aprendeu a sonhar com uma solução mágica no futuro
(- Tudo irá mudar para melhor quando...), por isso continua em um mundo
irreal, no futuro, procurando essa solução mágica. Ou poderá estar presa a
alguma fase de seu passado, a alguma recordação de algo que a fez feliz, a
algo de bom que tenha acontecido em sua vida. Assim, viverá em um mundo
de sonhos e ilusão (- Como era bom naquele velho tempo quando...).

Como desejará sentir algum valor como pessoa, apegar-se-á às desgraças,


infortúnios e tristezas que sofreu no seu passado, e ficará lembrando delas
para as pessoas, como se quisesse dizer: - Estão vendo? Eu fui forte,
consegui passar por tudo... Ou procurará culpar as outras pessoas por
tudo o que lhe acontecer, especialmente pelos seus erros: - Estão vendo o
que vocês fizeram eu fazer de errado?! Ou ficará se desculpando ou
justificando porque errou. Ou então usará de mentiras. Buscará erros nas
pessoas ou situações, criticando tudo, diminuindo o valor das pessoas e das
situações, exatamente como fizeram com ela quando era criança.

Desenvolvendo esse tipo de Mandato NÃO VIVA estará voltada para si


mesma, sentindo-se a pior das pessoas, incompetente, indesejada, fraca e
assim, desenvolverá atitudes egocêntricas, importando só com ela mesma e
não com as outras, isolando-se das demais, não confiando nelas, tendo em
conseqüência, sérias dificuldades para relacionar-se afetivamente com as
pessoas, dificuldades em dar e receber afeto. Como tenderá a se isolar, terá
dificuldades para se divertir ou se alegrar com as pessoas, de modo natural,
mas será agitada e na maioria das vezes, violenta.

Com essas características terá dificuldades em fixar-se em alguma


atividade. Pela Escala de Blake e Mouton “é comparada ao estilo 1,1 no
qual a pessoa tem baixo interesse por pessoas e por resultados: faz o
mínimo possível para se manter na função, para preservar o seu emprego,
ocupando o seu cargo de forma superficial, fugindo de qualquer
participação ativa.(...) Apática, entediada, alienada do trabalho, é vista,
mas não é ouvida, ou não dizendo nada de significativo quando tem que
dar sua opinião. Mantém a neutralidade dizendo: - Não estou bem a par...
Não ouvi nada a respeito... Não sei... Não estava lá... Como você achar
melhor... E costuma ficar em cima do muro: - A alternativa A parece
melhor, mas por outro lado a alternativa B tem argumentos fortes...(...) O
comportamento 1,1 não é natural, geralmente decorre de uma situação de
derrota pessoal. Durante a sua vida aceitou a derrota e se retraiu. (...)

133
Essa atitude pode ser provocada pelos pais que exercem uma supervisão
muito cerrada ou criam uma situação demasiadamente coercitiva,
envolvendo constantes críticas e repreensões, deixando à criança pouca
ou nenhuma liberdade para desenvolver sua iniciativa e seu livre
arbítrio. A punição é imediata sempre que a criança teima, se rebela,
recalcitra, empaca ou resiste de qualquer maneira. Sua vontade é
dobrada e ela deixa de lutar e resistir, tendo como única opção a
retirada. Assume a atitude de não ser vista e não ser ouvida, como
proteção, e assim constrói um muro de proteção ao seu redor, adotando
comportamentos de fuga, retraimento, indiferença, não envolvimento,
vazio interior”.[44]

A dependência e o sentimento de inferioridade, de que ela não tem


nenhum valor, características deste tipo de Mandato NÃO VIVA, podem
estar sendo incentivados pelos pais, durante a evolução da criança.
Incentivada por pais muito protetores ou muito controladores das ações
das crianças. Pais superprotetores podem estar incentivando os seus
filhos a crescerem com dependência. “Uma atitude de superproteção
geralmente ocorre junto com outra de domínio, porque, para proteger o
filho, o pai precisa, quase que necessariamente, dominá-lo. O propósito
da atitude superprotetora é uma tentativa de impedir que o filho fique
exposto aos aspectos "negativos" da vida, a seus sofrimentos, suas
decepções e outras situações indesejáveis. Para conseguir isso, o pai/mãe
tem que dominar cada uma das facetas da conduta da criança, de onde
virá o reforço em torno do estabelecimento da dependência, sufocando a
independência. O resultado desse reforço é, em geral, encher-se a criança
de um sentimento de falta de confiança em si.(...) Freqüentemente se
empenham os pais em provar que seus filhos ainda precisam deles, não
importa quão velhos, cronologicamente, sejam os filhos. O resultado: o
filho torna-se cada vez mais dependente dos pais e das pessoas. (...) Uma
atitude de excessiva indulgência assemelha-se à de superproteção, pelo
fato de que também tende a desenvolver na criança a falta de
responsabilidade pessoal”.[45]

Por outro lado, pais muito severos e coercitivos podem, também, estar
criando crianças dependentes e inseguras. “Os pais que restringem
severamente a liberdade de movimentos de seus filhos podem suprimir-
lhes a tendência para explorar e investigar, inibindo, assim, o
desenvolvimento de motivações no sentido de autonomia e independência.

134
Certas mães encontram dificuldades em lidar com crianças ativas e
irrequietas, que correm, saltam, galgam e parecem estar em toda parte;
por isso tratam de desencorajar a ânsia de exploração e as tentativas de
experiência dos filhos. Outras mães são exageradamente protetoras,
inclinadas a tratar os filhos como se fossem sempre bebês,
desencorajando a independência e tentando mantê-los "agarrados às
saias" — talvez porque encarem a independência como uma ameaça para
o seu próprio domínio, controle e posse dos filhos. Muitas crianças
excessivamente protegidas tornam-se submissas e complacentes;
incapazes ou receosas de reações espontâneas; inibidas na investigação,
na exploração e experimentação; tímidas e retraídas em situações
sociais. A essas crianças falta a persistência; renunciam facilmente
quando têm de enfrentar tarefas ou problemas difíceis”.[46]

A submissão e dependência características deste tipo de Mandato NÃO


VIVA podem estar sendo, na realidade, estimuladas pelas atitudes dos
pais. “Pais levam ao psicólogo seu jovem adolescente, do qual deploram
a passividade completa, a falta de energia, de iniciativa, de vontade. No
exame verifica-se, geralmente, que esses educadores tiveram, a respeito
da criança, desde a primeira infância, atitude de domínio absoluto,
proibindo-lhe praticamente todo ato autônomo, nunca lhe permitindo a
mínima decisão pessoal, interferindo em todos os seus comportamentos
espontâneos impondo-lhe controle integral e permanente, tanto nos
brinquedos como nos trabalhos escolares. Semelhante atitude educativa
tem conseqüências diferentes segundo o temperamento do indivíduo; pode
levar à revolta e à dissimulação, mas o mais comumente, segundo nossa
experiência, provoca na criança submissão que se exprime pelo abandono
de qualquer autodeterminação e de qualquer iniciativa: o indivíduo fica
definitivamente dependente da autoridade exterior. Por falta de
estímulos, por falta de ocasiões, certos setores do comportamento, certos
mecanismos nunca se puderam construir e, por conseqüência, acabam
ausentes”.[47]

Nos casos mais graves, uma pessoa com este Mandato NÃO VIVA terá a
possibilidade de perder a racionalidade, afastando-se cada vez mais da
realidade, podendo chegar à loucura e destruir a si mesma e aos outros,
como ocorre nos casos de suicídios ou homicídios, precisando de ajuda
psiquiátrica: “O desespero... é um aspecto fundamental da composição
emocional da pessoa, um sentimento que conviveu com ela durante toda a
sua vida. Corroborando essa observação, muitos pacientes afirmaram

135
explicitamente que durante anos, sentiam não ter nenhuma porta a não
ser mesmo a morte”.[48]

Uma pessoa poderá ajudar uma criança, jovem ou até mesmo um adulto com
este tipo negativo de Mandato NÃO VIVA, se der a cada um mensagens e
estímulos que os levem a sentir que vale a pena viver. Podem ser
aplicadas as mesmas orientações apresentadas anteriormente para o
Mandato positivo VIVA (Seja uma pessoa feliz e capaz). Os pais e
educadores não são responsáveis pelos Mandatos (proibições ou
medos). Cada pessoa é que é responsável pelo que faz hoje. É importante
reformular os IMPULSORES da educação através dos PERMISSORES.

OS IMPULSORES E PERMISSORES
Anteriormente foram examinados os tipos de Mandatos positivos e
negativos e suas mensagens causadoras. Além do Mandato positivo VIVA,
foram examinados os três Mandatos negativos, NÃO SINTA (Seja uma
pessoa rejeitada e inferiorizada), NÃO PENSE (Seja uma pessoa incapaz e
insegura) e NÃO VIVA (Seja uma pessoa infeliz). Agora serão examinadas,
com mais detalhes, aquelas mensagens negativas que a criança
ACEITOU em sua infância e que continua a seguí-las em sua vida
adulta, como mensagens verdadeiras, determinando as suas ações no
presente, fazendo a pessoa ter comportamentos característicos.

Anteriormente foi visto um fato importante: as crianças, em especial durante


os seus primeiros anos de infância, recebem grande influência das
mensagens que os adultos lhes dão, especialmente os pais e educadores que
com elas convivem nesse período. Mensagens (e as emoções a ela
relacionadas) gravadas na memória da criança, fato comprovado pelas
experiências do Dr. Penfield. Essas mensagens aceitas como verdadeiras,
estão disponíveis para serem de novo apresentadas à consciência da
criança, em qualquer momento de sua vida e durante o seu crescimento
influenciaram na formação da sua auto-imagem, aquilo que ela pensa
dela mesma em relação a si própria e em relação às outras pessoas.
“Não há dúvida a respeito da influência que os acontecimentos infantis
exercem sobre o desenvolvimento do indivíduo.(...)[49] “A pesquisa nos
últimos anos deu informações que nos permitem dizer com confiança que
a experiência infantil tem profunda influência no comportamento

136
posterior”.[50]

As mensagens aceitas pela criança em sua infância formam um plano de


vida, um roteiro mental ou “script” que a pessoa segue durante toda a
sua vida. “O plano de vida dirige o comportamento da pessoa desde o fim
da infância, pela vida a fora. O conceito de decisões de vida tomadas na
infância dificilmente surpreende qualquer pessoa que tenha escutado
falar de planos de vida feitos por crianças novas que mais tarde se
tornam engenheiros, advogados ou médicos.(...) O estudo das decisões
tomadas pelas pessoas no início da vida, baseadas em injunções (Nota:
proibições ou inibições do comportamento livre da criança) e atribuições
de seus pais, requer compreensão da forma pela qual os pais transmitem
aos filhos a informação de que desejam ou não desejam que as crianças
façam. Raramente se descobre que um dos pais disse ao filho: - Eu quero
que você morra ou - Não quero que você pense ou - Você não vale
absolutamente nada. Em vez disso se descobre que esses tipos de
afirmações são dadas às crianças na forma de comunicação velada, que
às vezes é muito grosseira, mas extremamente útil. E em todo caso,
qualquer que seja a sutileza de tais injunções e atribuições, são
conhecidas como mensagens de bruxa, mensagens que afetam essas
crianças para o resto de suas vidas com poderes mágicos, sinistros”.
[51]

Para que uma criança evolua com condições de ser um adulto feliz e
realizado, com características do Mandato VIVA (Seja uma pessoa feliz e
capaz) é preciso que as mensagens negativas recebidas na infância,
sejam enfrentadas. Em especial as injunções, aquelas mensagens que
significam proibições, inibições e medos. Essas injunções ou mensagens
negativas são mensagens que impulsionam a pessoa a agir de certos
modos característicos, por isso chamadas de IMPULSORES. Esses
modos, em sua maioria, são modos de agir obsessivos compulsivos. Sentir-
se obrigado a fazer alguma coisa de certo modo, ou não fazer, é uma
obsessão. A compulsão é o fazer. Em outras palavras, obsessão é pensar e
sentir, e compulsão é o fazer, é o ato em si.

Agir de modo obsessivo compulsivo, é a pessoa agir como se fosse


obrigada. Por exemplo, há pessoas que sempre iniciam o seu falar com a
palavra desculpe, mostrando-se inferior às outras. Outras pessoas sentem
um impulso para lavar as mãos depois que seguram dinheiro (lavar uma vez

137
é um ato normal de higiene, mas lavar várias vezes seguidas já indica uma
compulsão). Já outras pessoas, obcecadas por limpeza e higiene, limpam o
sofá da sala, logo após uma visita sair, e podem chegar ao extremo de
limpá-lo logo após a visita levantar-se do sofá.

Esses comportamentos mostram uma vontade de dominar o ambiente e são


modos de lidar com os medos e inseguranças que a pessoa tem. A
diferença entre uma pessoa chamada de normal com outra obsessiva
compulsiva, é que esta age de modo extremado, superlativo, absoluto: tem
que ser 100% limpa, 100% perfeita, 100% penteada, 100% segura, com as
suas coisas arrumadas perfeitamente em ordem, etc. Já a pessoa normal tem
flexibilidade, espontaneidade e naturalidade de agir...

As injunções, as mensagens negativas, ou em uma palavra mais clara e


compreensível, os IMPULSORES, levam a pessoa a agir de modo não
natural, pouco espontâneo, de modo forçado, de modo distorcido,
inflexível, usando disfarces, com certos tipos de palavras, tom de voz,
gestos, expressões faciais e posturas do corpo. Os impulsores negativos
levam a pessoa a não ser natural, a não ter comportamentos reais,
autônomos e flexíveis. E isso afeta diretamente a sua auto-imagem, já que
esta está relacionada diretamente com a capacidade da criança em
desenvolver a sua autonomia, o sentir-se capaz para realizar alguma coisa.

Quanto mais a pessoa segue os seus impulsores negativos, mais sentirá a


incapacidade de reagir de modo natural. É por isso que em uma
psicoterapia é enfocada a auto-imagem da pessoa, levando-a, no trabalho
terapêutico, a buscar a sua autonomia como pessoa, a sua autenticidade, a
sua naturalidade. “A psicoterapia de nossos dias está particularmente
empenhada em levar o paciente a examinar, corrigir ou expandir a auto-
imagem.(...) Existe uma grande parte do crescimento que só se realiza
com o auxílio e por causa da auto-imagem. Felizmente, a importância
dinâmica da auto-imagem é mais amplamente reconhecida hoje na
Psicologia do que o foi no passado”.[52]

Quando a pessoa age de modo não natural, na realidade está exteriorizando


às outras que ela pensa e sente uma desqualificação interna, uma
diminuição aos seus próprios olhos e aos olhos das outras pessoas. Essa
diminuição interna foi reforçada durante a infância, por mensagens dos
adultos, pais e educadores, mensagens negativas que impulsionam a
pessoa a pensar e sentir como alguém inferiorizada e incapaz. Essas

138
mensagens negativas estão sempre relacionadas com as palavras Você
deve... ou em frases começadas por Não... ou por Nunca... Por exemplo:
- Você deve ser corajoso e não ter medo.
- Você deve ser firme e nunca chorar frente aos outros.
- Não seja fracote, mostre-se forte, nunca peça ajuda.
- Você deve amar os seus pais e nunca discordar deles.
- Nunca se afeiçoe a alguém, é perigoso.
- Você deve agir para levar vantagem sobre as pessoas.
- Nunca chore, chorar é mostrar fraqueza.
- Você deve gostar de todo mundo.
- Nunca fique cansado, para não se mostrar fraco.
- Você deve ser uma criança boazinha.
- Nunca sinta, nunca expresse seus sentimentos.
- Você deve se sacrificar sempre pelos outros.
- Nunca se ofenda com nada, você deve aceitar tudo.
- Você deve fazer sempre o que os seus pais mandam.
- Nunca se divirta. Em 1º lugar, o dever e a disciplina.
- Nunca cresça, você não é capaz de ser adulto.
- Nunca me desaponte.
- Você deve ser capaz de fazer tudo o que quero.
- Não pense, pensar é perigoso.
- Você deve sempre se vingar dos outros.
- Nunca olhe para outras pessoas, se você ama uma.
- Nunca receba reconhecimento e elogios.
- Nunca seja você mesma.
- Você deve fazer de tudo para ser sempre atraente.
- Você deve ser uma pessoa perfeita.
- Nunca tenha êxito na vida, você não merece.
- Nunca seja sensual, é perigoso sentir.
- Nunca seja você mesma, seja minha fantasia de você.
- Você deve suportar tudo.
- Não seja feliz e realizada na vida.
- Você deve ser capaz de fazer tudo bem rápido.

“Essas normas íntimas referem-se a tudo o que a pessoa deveria poder


fazer, ser, sentir, saber, assim como a tudo o que não deve ser ou fazer”.
[53]
Na realidade essas compulsões comportamentais da pessoa irão
predominar quando ela sentir ansiedade, porque irão trazer alívio. Quando
a pessoa era criança, ela desenvolveu alguns modos de chamar a
atenção de seus pais ou educadores, modos de aliviar as suas ansiedades

139
e medos e esses modos aprendidos são utilizados novamente na vida
adulta, agora como compulsões comportamentais (IMPULSORES). O
importante é o adulto examinar os impulsores negativos, apresentados a
seguir, e imaginar os seus correspondentes gestos, tons de voz, posturas e
expressões faciais, e ver se não os está incutindo na criança com quem
convive, como pai/mãe, outros parentes ou como educador.

A criança de hoje será o adulto de amanhã, e será o que ela aprendeu


nas suas experiências da infância. Se ela teve impulsores negativos,
poderá, no entanto, mudar essa situação, deixando de ter as reações
negativas, deixando de praticar essas mensagens negativas e passando a ter
reações positivas. Ela poderá reformular os Impulsores, os medos e
proibições, substituindo por outras mensagens positivas, os
PERMISSORES, colocando no cérebro, mensagens de êxito e
capacidade como ser humano. Essa mudança é feita no momento presente,
no agora da pessoa, sempre perguntando: - Estou com medo do que? Essa
mudança de reações, praticando as mensagens positivas, os Permissores, é
na prática o que disse Goethe: “Tratando um homem como ele é, nós o
tornamos pior do que realmente é. Tratando-o como se ele já fosse o que
potencialmente poderá ser, fazemos dele aquilo que ele deve ser”.

As compulsões comportamentais ou IMPULSORES têm sido estudadas


por muitos pesquisadores, dentre eles Taibi Khaler.[54] Baseado nos seus
conceitos são apresentados os cinco tipos principais de Impulsores: 1. Seja
Perfeito 2. Seja Forte, 3. Seja Apressado (Faça Depressa), 4. Seja
Esforçado e 5. Agrade Sempre (Agrade a todos).

É normal as pessoas experimentarem esses impulsores, em uma ou outra


ocasião em suas vidas, já que eles são aceitáveis, culturalmente, e ajudam
as pessoas a obterem o êxito em suas atividades. Nos tempos atuais, um
bom profissional normalmente tem características que englobam esses cinco
impulsores: ele deve saber relacionar-se bem, com todos os níveis de
pessoas (Agrade Sempre/Agrade a todos), ter interesse e dedicação ao seu
trabalho, obtendo resultados (Seja Esforçado), e quando uma emergência o
requer, fazer algo com rapidez (Seja Apressado/Faça Depressa), deve
saber controlar suas emoções em uma tragédia familiar ou profissional
(Seja Forte) e realizar um serviço com qualidade (Seja Perfeito).

140
As pessoas se forem classificar esses cinco impulsores em importância
para elas, certamente irão descobrir que seguem um ou outro tipo, de
modo inflexível, como uma compulsão comportamental. O que diferencia
usar esses impulsores de modo normal e natural na vida para o uso
compulsivo é a incapacidade da pessoa de ser flexível, isto é, quando a
pessoa atua com compulsão ela faz como se sentisse obrigada a fazer,
sempre, daquele modo, com perfeição, ou com rapidez, esforçando-se
sempre em tudo, sendo forte sempre e nunca demonstrando sentimentos
como medo, insegurança. Assim, quando a pessoa segue um impulsor
Agrade Sempre, é percebido em seu comportamento, que sua solicitude é
exagerada, tendo como objetivo único e sempre o agradar às pessoas. E
quando o comportamento é compulsivo, é comum acontecer de a pessoa
sempre justificar o porque ela age daquela maneira. Nesse exemplo da
pessoa que usa impulsor Agrade Sempre, ela se justifica que na função dela
tem que estar bem e se relacionar bem com todo mundo.

Já nos comportamentos de uma pessoa não compulsiva, chamada de


normal, ela tem opções de agir, com flexibilidade, diante das situações e
concede a si mesma permissão interna para escolher a opção mais
adequada à situação.

1º IMPULSOR: SEJA PERFEITO:


As mensagens do Impulsor SEJA PERFEITO são incutidas na mente da
criança, durante a sua infância, quando os pais ou educadores
freqüentemente criticam os erros ou os insucessos dela, ou obrigam a
criança a fazer algo até que eles fiquem satisfeitos. Agindo assim com a
criança, os adultos desenvolvem nela, além da rigidez e detalhismo,
sentimentos de inadequação, de mal-estar, de medo, de insatisfação e culpa
porque ela não consegue fazer como os adultos querem. É uma constante
frustração por não conseguir atingir o que os adultos querem, recebendo
deles somente mensagens negativas que reforçam os erros e as imperfeições
e nunca os aspectos positivos. Por exemplo, se a criança traz uma nota 9,5
em vez de receber um elogio, recebe uma pergunta, em tom de reprimenda e
como estímulo negativo: - O que você errou para não ter tirado 10? Ou,
ante a um resultado escolar com quatro letras A (Excelente) e uma letra C
(Regular): - Por que você não fez o melhor para tirar melhores notas?

141
Fatos como esses podem trazer grande decepção à criança e levá-la a
formar uma imagem mental: - Por mais que eu me esforce, ainda não será
suficiente. E assim, ela pode crescer e passar a vida inteira usando uma
camiseta mental com os dizeres: 100% ainda é pouco! “O prejuízo que
esses deveres tirânicos (de perfeição) infligem aos nossos sentimentos são
menos percebidos do que os outros males que acarretam. No entanto, esse
é o preço mais caro que pagamos pela nossa tentativa de obter a
perfeição. Os sentimentos são o que possuímos de mais vivo, de modo
que, se forem submetidos a um regime ditatorial, cria-se na essência do
nosso ser uma profunda incerteza, capaz de afetar prejudicialmente todas
as nossas relações, conosco mesmo e com tudo o que nos rodeia”.[55]

Ou, o que é pior, a decepção continuada na tentativa de obter a perfeição


que os adultos desejam, pode levar a criança a desistir de se esforçar para
fazer perfeito alguma coisa, ou até desistir de fazer qualquer coisa, de
qualquer modo, de tanto medo que desenvolve, em especial medo de ser
rejeitada pelos adultos porque não conseguiu fazer perfeito. É como se
tomasse uma decisão mental de não fazer: - Se não posso ser perfeita
como meus pais (ou meus professores) querem, é melhor não tentar, pois
nunca conseguirei me sair bem”.

Com este Impulsor SEJA PERFEITA, a pessoa nunca está satisfeita com o
que realizou, pois tem mentalmente um padrão exagerado de perfeição em
tudo. Mesmo se fizer um círculo perfeito, não se satisfaz, achando que não
está perfeito, não dando a si própria reconhecimento pelo que realizou,
achando que deveria ter feito melhor. E pensando assim, a pessoa também
não aceitará os trabalhos feitos pelos outros, não reconhecerá o que os
outros realizaram, sempre achará algum defeito, alguma falha, isso porque
os outros não são ou não fazem tão perfeito quanto ela. Este tipo de
impulsor leva a pessoa a ter obsessão pela perfeição, a ter intolerância pela
imperfeição das outras pessoas. Por melhor que elas façam, nunca estará
suficientemente bom: - Deveriam ter feito melhor... E quando as pessoas
não fazem como ela deseja, quando ela sente que não consegue controlar as
pessoas como deseja, sente-se frustrada, ofendida, humilhada. Nunca fica
satisfeita consigo mesma e com as outras pessoas porque seu Mandato é
NÃO SINTA (Seja uma pessoa Rejeitada e Inferiorizada).

Com este Impulsor a pessoa tende a ser rígida, sem espontaneidade. É muito
detalhista. Nunca está satisfeita consigo mesma, com seu trabalho ou com as
outras pessoas. Quando não consegue perfeição, se desqualifica

142
internamente pelo Diálogo Interno ou externamente para os outros, se
diminui, sente culpa e se deprime. Quando fica ansiosa por não conseguir as
coisas de modo perfeito, a pessoa começa a “arrumar as coisas”. Usa muito
a palavra “exatamente”. Se usasse uma camiseta com dizeres, eles seriam
“100% ainda é pouco”. Sua Posição Existencial é OK - NÃO-OK (+ - ):
sente-se bem, mas os outros estão mal, os outros não são tão perfeitos
quanto ele. É Pai Crítico e Pai “Salvador”. Tem o Mandato “Não Sinta”.

Este tipo de impulsor é predominante em países, organizações, sociedades,


igrejas, famílias ou grupos com culturas rígidas, inflexíveis, em especial
naqueles que incutem nas pessoas a busca da perfeição em todos os
aspectos. Em empresas, por exemplo, esse impulsor se reflete na busca pela
qualidade 100%. Nessas culturas predomina a obsessão pelo 100%
perfeito; 99,9 não é aceitável nunca, tem que ser sempre 100%. Isso faz
muitas organizações perderem dinheiro, pois esse rigorismo de perfeição
pode afetar o desempenho, chegando a ponto de deixarem de ser rentáveis.
E a obsessão pela perfeição, em tudo, faz muitas pessoas infelizes,
deixando-as insatisfeitas, frustradas com essa maneira de viver.

Quando não consegue perfeição, desqualifica (pelo Diálogo Interno) e


diminui a si própria, sentindo culpa, ficando deprimida porque não
conseguiu, porque fez alguma coisa errada, não perfeita. A culpa que ela
sente é a frustração de não ter atingido o que idealizou, aquilo que deveria
ter sido de outro modo. E muitas vezes, essas imposições internas de
deveria, são aquelas lembranças das mensagens que os pais e educadores
deram a ela quando criança são aquelas recriminações emocionais que
recebeu deles.

Essa obsessão pela perfeição aparecerá também no modo da pessoa


realizar suas atividades, agindo de modo muito metódico e organizado. Ou
fica ansiosa e começa a arrumar as coisas, na busca da perfeição. Usa
muito as palavras “exatamente” e “deveria”. Age mais como uma pessoa
rígida e sem espontaneidade. Detalhista, pode levar muito tempo para
realizar suas atividades, em tentativas seguidas para fazer perfeito, com
grande desgaste de energia.

Os IMPULSORES mais comuns do SEJA PERFEITO, são:


1. 100% perfeito, ainda não está bem feito. Faça mais perfeito!
2. Nunca se satisfaça consigo mesma, nem com as pessoas, nem com o seu
trabalho. Busque em tudo a perfeição!

143
3. Sinta-se uma pessoa perfeita. Você sabe que as outras não são tão
perfeitas quanto você e não fazem as coisas com perfeição como você faz.
Por isso, seja sempre crítica, e procure corrigir as outras pessoas,
destacando nelas os erros que cometem e o lado negativo. Você sabe que se
elas fizerem o melhor possível, para você ainda não estará bom.
4. Nunca elogie as pessoas, porque nunca elas fazem nada perfeito ou
correto que mereçam algum elogio. É preferível criticá-las ou perseguí-las
para que elas tentem ser perfeitas como você.
5. Expresse-se de tal modo que todos saibam que o seu modo de falar é
perfeito, sem nenhum erro gramatical ou de concordância. Corrija nos
outros os erros de expressão.
6. Diga a todo mundo: — Faça assim, porque é a melhor maneira.
7. Nas comunicações com os outros, comece sempre as suas frases com a
palavra Exatamente ou Deveria.
8. Quando der alguma informação às pessoas, fale com bastantes detalhes,
com muito mais informações do que elas lhe pediram. Assim, você estará
mostrando a elas que você é perfeito na informação. E seja detalhista em
tudo o que você fizer.
9. Quando não conseguir fazer algo com perfeição, fique irritada, triste,
sinta-se culpada, inferiorizada e deprimida.
10. Trabalhe o mais árduo que puder, fique sempre até tarde no seu local de
trabalho. Você tem que mostrar aos outros que está fazendo tudo perfeito.
11. Aja sempre de modo rígido, não demonstre espontaneidade.
12. Quando ficar ansiosa por não conseguir as coisas de modo perfeito,
envolva-se em arrumar as coisas.
13. Mostre que você é uma pessoa perfeita em tudo, mantendo perfeita
ordem em seu trabalho, tudo arrumado de modo perfeito. Não suporte as
pessoas que ficam com coisas em desordem.
14. Nunca sinta os seus sentimentos e nunca se envolva emocionalmente,
nunca esteja com as pessoas. Se você mostrar os seus sentimentos estará
revelando que não é perfeito.
15. Se você deixar tudo certo e arrumado pelo caminho, tudo sairá perfeito.
Por isso exagere as suas exigências para que tudo seja feito de modo
perfeito, como você quer.
16. Não mude nunca, faça sempre do mesmo modo, de modo rotineiro,
como está acostumado.
17. Para sentir-se bem procure somente pessoas como você, muito
metódicas e organizadas.
18. Quando seus filhos trouxerem as notas escolares nunca elogie as boas
notas, mas apegue-se naquela que significa que ele não se esforçou o

144
suficiente para a perfeição. Critique sempre as notas baixas e nunca elogie
as boas notas, mesmo que tenha bastante notas elevadas e excelentes. Os
filhos têm que aprender a ser perfeito, por isso exija o máximo deles. Se as
notas são todas elevadas, critique o por que existe uma nota 9,9.
19. Mostre em todos os papéis sociais que vive que você é o melhor e mais
perfeito: a melhor pessoa, o melhor namorado/a, o melhor filho/a, o melhor
pai/mãe, o melhor marido/esposa, o melhor vizinho/a, o melhor amigo/a, o
melhor patrão ou empregado.
Quando se vive com impulsores, com injunções mentais negativas como
essas do SEJA PERFEITA, é como se a pessoa estivesse com um delírio de
onipotência: em tudo ser perfeita, colocando-se nos ombros esse desejo
irrealista e impossível de em tudo, em toda e qualquer circunstância, tentar
realizar sempre de modo perfeito. Em vez de realizar esforços para
desenvolver-se como ser humano, para ser uma pessoa cada vez melhor,
gasta muita energia tentando realizar um desejo irreal e desgastante,
tentando provar às outras pessoas, através de seus atos, seu falar, sua vida,
que ela é perfeita, caindo facilmente em um estresse ou fadiga.

Quando, porém, a pessoa muda as mensagens mentais que trouxe da infância


(Impulsores) para mensagens positivas (os Permissores), começa aprender
a viver mais adequadamente os seus papéis como pessoa humana.
Começa a perceber que este mundo é imperfeito, que errar é humano e que
cada pessoa está neste mundo em transformação e evolução, tentando
encontrar o seu caminho de crescimento individual, está em um aprendizado
de vida. Assim, ela sai de uma paralisação de seu crescimento como pessoa
e começa a mobilizar suas energias mentais positivas para o seu
autodesenvolvimento, descobrindo que isso é uma tarefa individual, que ela
é que tem que fazer. É como diz aquele provérbio árabe: A vida é como um
tapete. A cor e o tecido já vêm prontos, mas é você quem vai tecê-lo. Ou,
como afirma um ditado grego: Você tem as tintas e os pincéis, só falta
pintar um quadro de paraíso, entrar nele e ser feliz.

Quando a pessoa começa a mudar para melhor, modificando aquelas


mensagens negativas que a obrigavam a agir de modo perfeito, ela
começa a acreditar em um modo diferente e melhor de viver a sua vida,
vivendo com mais calma e tranqüilidade uma vida plena, mais harmônica
com ela mesma e com as outras pessoas, criando as oportunidades para
ser feliz, sem a obsessão compulsiva de querer tudo perfeito em si
mesma ou nas outras pessoas. Parando de querer provar às pessoas que
ela é perfeita, parando de competir egoisticamente com elas. Quando a

145
pessoa começa a mudar, cada momento que ela vive passa a ser um novo
desafio para o seu crescimento, em busca de um aperfeiçoamento como ser
humano. Ela estará, assim, sempre dando passos para frente, em direção
ao seu crescimento, mas sem sentir-se culpada, triste ou irritada porque
não atingiu a perfeição.

Nessas mudanças que começa a fazer, descobre que em qualquer fase da


vida, mesmo na fase adulta, o ser humano não chega em seu limite máximo,
sempre está em evolução, sempre está aprendendo alguma coisa útil para
o seu aperfeiçoamento como pessoa, nunca está com sua maturidade
completa, está em amadurecimento em cada momento de sua vida. E
assim, nesses passos firmes em busca de seu destino como ser humano nesta
vida presente, a pessoa começa a transformar a sua vida em algo mais
significativo e realizador, encontrando aquela paz interior, a alegria de
viver e a harmonia com o Universo.

Aqueles IMPULSORES do tipo SEJA PERFEITO podem ser


modificados para PERMISSORES, mensagens positivas que darão
permissão para ser uma pessoa natural, flexível, espontânea, sem a
necessidade obsessiva compulsiva de ser perfeita em tudo, sempre. Afinal,
ser perfeita para que? E para quem? A quem quer impressionar com
perfeição?

OS PERMISSORES do SEJA PERFEITO:

1. É suficiente fazer as coisas bem, sem a obsessão compulsiva de fazer


sempre 100% perfeito.
2. Satisfaça-se com você mesma, com o seu trabalho e com as pessoas com
quem convive. Vale a pena!
3. Permita-se cometer erros (não sinta culpa quando os cometer). O erro é
inerente à natureza humana, por isso, quando cometer algum erro, aprenda
tranqüilamente com eles, aproveite o erro como uma oportunidade de
aprendizagem e de crescimento pessoal. O erro é um modo de se fazer algo
diferente, fora de um padrão ou modelo.
4. Trabalhe o suficiente e ao final do expediente, vá tranqüilo e feliz para o
seu lar. Os seus familiares também desejam a sua presença, também
desejam conviver com você. Afinal, você trabalha para a felicidade sua e
de seus familiares, e o tempo que dedicar a eles também é bem empregado,
encontrando satisfação na convivência familiar.

146
5. Você pode ser flexível, criativa e mudar. Isso em nada a diminuirá aos
olhos das outras pessoas.
6. Procure ver o lado positivo de cada situação, em vez de destacar só o
lado negativo. Você pode elogiar as outras pessoas pelos seus êxitos e
alegrar-se com elas. Um elogio faz as pessoas ficarem muito felizes, além
de trazer também alegria a quem o dá. Quando puder, valorize os aspectos
positivos nas pessoas ou nos seus trabalhos. Reconheça a qualidade de um
trabalho bem feito e sinta-se satisfeito com ele, elogiando quem o fez
7. Você pode ser objetivo, em suas comunicações, respondendo só o que lhe
perguntarem. “Fale moderadamente. Fale converse e responda
adequadamente, não escassamente ou abruptamente, mas nunca
loquazmente. Deixe aos outros a loquacidade. Não empregue mais
palavras do que as realmente necessárias para afirmar com clareza o que
diz”.[56]
8. Mantenha ordem em suas coisas, mas sem exagero.
9. Todos têm defeitos, além de virtudes, como seres humanos, por isso
aceite os erros das outras pessoas. Seja tolerante para com as imperfeições
e erros delas. Não critique,mas procure ajudar as pessoas a também
aprenderem com os erros, num autodesenvolvimento.
10. É gostoso envolver-se emocionalmente com as pessoas. Sinta seus
sentimentos e nunca tenha medo de expressá-los, seja através de ações,
gestos ou palavras.
11. Você pode passar por alto os detalhes sem importância, examinando
com atenção a essência dos dados.
12. Você pode mudar, sem perder o seu valor como ser humano. Em nosso
mundo as transformações estão acontecendo tão rápidas e profundas,
afetando todos os aspectos da vida, a tal ponto que o norte-americano Alvin
Toffler, as chamou de Choque do Futuro. Se tudo à sua volta está mudando,
você também pode mudar, adaptando-se, transformando-se, evoluindo,
amadurecendo, modificando-se, enchendo-se de um profundo sentimento de
esperança em uma vida melhor, mais digna e realizadora como ser humano.
13. Procure estar com as pessoas, falar com elas, em vez de falar das
pessoas, de modo crítico. Quando você está com as pessoas, dedicando a
elas atenção, respeito e interesse genuíno, torna-se amiga delas. A amizade
é muito importante para sua realização emocional como ser humano porque
implica numa igualdade de condições, baseando-se em afinidades, em
lucidez desinteressada, em harmonia e em respeito integral pelas outras
pessoas.
14. Não é necessário que você se mostre superior, no falar, no vestir ou no
comportar. Não é necessário impressionar as outras pessoas, a todo

147
instante.
15. Se não puder falar algo positivo e que faça bem às pessoas e que seja
verdadeiro, fique quieta. Isso foi ensinado por uma mãe a sua filha. Ela
estava trocando a peça interna do filtro de água que havia se quebrado.
Mostrou na peça quebrada, as três camadas de carvão, pelas quais a água
passa, saindo purificada. E mostrou à filha que dentro das pessoas, quando
existem também três camadas de purificação das palavras, o
relacionamento com as outras pessoas ocorre sem problemas, pois
valoriza-se os aspectos positivos. Essas três camadas, disse a mãe, são a
Verdade, a Bondade e a Necessidade. Quando alguém vier lhe contar
alguma coisa sobre as pessoas, passe o assunto sempre por esses filtros: l.
O que contaram é verdade? 2. Vai ser bom se passar a notícia para frente ou
fará algum bem aos personagens da notícia? 3. Há a necessidade de passar
essa notícia para frente?
16. Você pode vestir-se comodamente e do jeito que a faça sentir-se bem. A
roupa serve para ser usada.

2º IMPULSOR: SEJA FORTE:


É pessoa com voz forte, expressão rígida. Tem dificuldade em ter
intimidade, pois age como um “machão”, só pensando nele (se for mulher,
será dominadora e autoritária). Homens “Seja Forte” sempre se casam com
mulheres “Agrade Sempre” (que vivem em submissão, fazendo tudo para
agradá-lo) e vivem em Simbiose. Acha que tem que ser auto-suficiente a tal
ponto que suas atitudes dizem “Não preciso da ajuda de ninguém”. Não se
permite expressar sentimentos e necessidades. Pode aceitar a ajuda em
casos de trabalho e ser inclusive um bom elemento numa equipe (embora
tenda a chegar a decisões e conclusões por conta própria, buscando o
consenso posteriormente). Sua área de bloqueio está relacionada com
carências afetivas. Tem uma desqualificação pelo Pai interno: “Vão ferrar
você se mostrar alguma fraqueza”, “Você é um sem-vergonha agindo
assim”, e aí vem o Impulsor SEJA FORTE. A pessoa tende a representar,
para não sentir medo. Tende a sofrer das coronárias. Sua definição de
“como ser um homem” depende em grande parte da abordagem de “garra”
em relação à vida. Se permitir a expressão de algum sentimento, este será
de Cólera, pois é considerado um sentimento “forte”, em oposição a
sentimentos “fracos” como a ternura, a tristeza, etc. Posição Existencial:
NÃO-OK - OK (- +). Usa Criança Submissa.

O impulsor SEJA FORTE é predominante e encontrado em muitas

148
empresas, em especial na alta cúpula, com pessoas que se sentem
poderosas, frias e calculistas, tomando decisões sem se importarem a quem
irão afetar, tomando as decisões sem considerar se vão ou não afetar vidas
de pessoas que por anos dedicaram-se as suas empresas, sentindo-se
sempre auto suficientes. O poder que acham que possuem, traz a elas um
sentimento de maior segurança, encobrindo a insegurança que lá no fundo
está reprimida. Este impulsor muitas vezes predomina em alguns países,
que agem como um padrão e donos de outros, ou em culturas chamadas de
civilizadas que querem impor seus valores, seus costumes, seus
moralismos e seus dogmas, àquelas culturas consideradas não civilizadas.
[57]
É, também, um impulsor típico das pessoas oriundas de classes
aristocráticas ou reais.

A pessoa que age de modo obsessivo compulsivo pelos impulsores do


SEJA FORTE, sente-se obrigada por suas mensagens mentais a agir de
modo auto-suficiente, emocionalmente fria, não se dando permissão para
expressar o que sente, ou não tendo permissão para perceber os sentimentos
das outras pessoas, ou fugindo de situações nas quais teria que receber
orientação ou ajuda. Seu lema é: - Aja sozinha, sem precisar da ajuda de
ninguém. Pensando assim, acha que o mundo gira porque ela quer, ela é a
única responsável pelas coisas acontecerem, num verdadeiro delírio de
onipotência. Por isso quer controlar tudo à sua volta, assumindo mais do
que conseguirá realizar. E essas atitudes provocarão frustrações e
decepções, em especial com aquelas pessoas que nunca conseguirão
realizar o padrão elevado que ela tem mentalmente. Quando não consegue
fazer as pessoas fazerem o que deseja, sente-se humilhada, magoada e
injustiçada.

Tendo como mensagem mental SEJA FORTE, age de modo mais


individualista, tomando as decisões sozinha, sem procurar a ajuda de
ninguém, mostrando sempre que sabe tudo, que sempre tem razão em suas
opiniões, que é forte em tudo, sempre. Sentindo-se sempre a mais forte e
como padrão das outras pessoas, relacionando-se com elas através de seus
dogmas, suas crenças e imposições, age acreditando que é superior às
outras pessoas, colocando-se acima delas, como um super ser humano,
como se tivesse subido em um pedestal e jogado a escada fora, para não
precisar descer ou receber a ajuda delas. Em situações de trabalho pode se
permitir aceitar ajuda das outras pessoas e até ser um bom membro de
equipe, embora tire suas conclusões sozinha, e somente após buscará o
consenso do grupo.

149
A pessoa com os impulsores SEJA FORTE, na realidade esconde um
profundo sentimento de inferioridade, uma desqualificação interna, uma
carência afetiva, o medo das outras pessoas que ela não quer enfrentar. É
como se tivesse mentalmente mensagens como: - Se mostrar qualquer
fraqueza, vão te ferrar! ou - Você não presta se agir de tal modo... Assim,
para encobrir a insegurança, inferioridade e submissão que sente em seu
íntimo, constrói em sua mente uma imagem idealizada e rígida de como
deve ser, vivendo representando essa imagem idealizada: geralmente
imagina ser uma pessoa forte, poderosa, no físico, na voz, nas atitudes e
personalidade, expressão rígida, dura, calculista, isolada, podendo ter
somente emoções consideradas fortes como a cólera, mas não tendo
permissão para ter sentimentos considerados fracos como amor, ternura,
mágoa, tristeza, depressão.

Prefere viver uma vida independente das outras pessoas, sem precisar
relacionar-se emocionalmente com elas, fechando-se emocionalmente,
tendo dificuldades em dar e receber estímulos emotivos. Aceitará somente
as pessoas que tiverem o mesmo estilo de viver, pensar e sentir que ela,
rejeitando as demais, consideradas fracas. Com essas características, em
especial o egoísmo e individualismo, terá dificuldades em ter intimidades
com outras pessoas. Assim, um homem, com este estilo agirá mais como um
machão, só voltado para si próprio e suas satisfações. Se tal homem casar-
se com uma mulher que seja do tipo Agrade Sempre, sempre submissa,
poderá acontecer um relacionamento que dê certo, vivendo em Simbiose.

Pessoa com o impulsor SEJA FORTE, “desenvolve um ideal rígido e


irracional de força que a faz crer que deve ser capaz de controlar
qualquer situação por mais difícil que seja. Esse ideal associa-se ao
orgulho e a pessoa encara a fraqueza não só como uma ameaça, mas
também como uma desgraça. Ela classifica as pessoas em fortes e fracas
admirando aquelas e desprezando estas.(...) Deseja impor a sua vontade.
Pode ser uma fonte constante de irritação aguda o fato de os outros não
fazerem exatamente o que espera deles e exatamente na hora que conta
com isso.(...) Nunca cede. Concordar com uma opinião é considerado
fraqueza. Tende a ser do contra, adotando opinião antagônica, só de
medo de ceder”.[58]

Pessoa com este impulsor SEJA FORTE tenderá a agir de modo agressivo,
sem consideração para com as outras pessoas, consideradas fracas, além

150
de relacionar-se como se elas fossem hostis. Por isso seu lema preferido é:
- O ataque é a melhor defesa. Um outro lema que acredita é Homo homini
lupus, ou seja, “o homem é o lobo do homem” [59] e reflete a necessidade
de segurança, pois pensando assim acha que “o mundo é uma arena onde,
na acepção darwiniana, somente os mais aptos sobrevivem e os fortes
aniquilam os fracos”.[60]

Às vezes, sua agressividade e hostilidade às pessoas são bastante evidentes


em suas atitudes, mas podem estar encobertas sob uma capa de falsa
polidez, usada apenas para atingir os seus objetivos, satisfazendo os seus
interesses, refletindo uma valorização exagerada do próprio Eu. Um lobo
em pele de cordeiro, já que se mostra uma pessoa polida, mas sob a
superfície dessa aparente polidez, está a agressividade e hostilidade. Essas
atitudes podem refletir um modo e desejo de controlar e explorar as outras
pessoas, aplicando a famosa Lei de Gerson “ ... levando vantagem”, ou em
outras palavras, a pessoa age sempre pensando: - O que posso ganhar ou
ter vantagem sobre as outras pessoas?
Quando se examina estes aspectos, percebe-se que a própria sociedade,
altamente competitiva, incentiva essas atitudes de domínio e exploração dos
outros, levando uma pessoa a colocar-se acima das outras, em toda e
qualquer situação, através de sucesso, prestígio, fortuna, poder ou bens
materiais. Assim, é grande o número de pessoas que entram neste modo de
agir, sem o perceberem e fazem de tudo, buscando avidamente posições
para se sentirem fortes e poderosas. Talvez esta seja uma das explicações
para haver em eleições, tantos candidatos aos cargos políticos, nas várias
esferas de poder civil...

Com esse estilo de vida que o impulsor SEJA FORTE provoca, certamente
a pessoa será candidata a ter problemas cardíacos e morte prematura,
aspecto já descoberto pela ciência médica. O consultor médico da Casa
Branca, o cardiologista norte-americano Dean Ornish, autor de Amor e
Sobrevivência, durante o 13º Congresso Mundial de Cardiologia no Rio de
Janeiro, em abril de 1998, em entrevista afirmou: “As pessoas que se
sentem só e isoladas têm taxas de mortalidade prematura mais alta.(...)
Pessoas competitivas, perfeccionistas, ansiosas, agitadas e
centralizadoras têm chances muito maiores de ter doença coronariana”.
[61]

Pessoas com as características deste impulsor SEJA FORTE provavelmente


terão o Mandato do tipo NÃO SINTA (Seja uma pessoa rejeitada e

151
inferiorizada) e com o mecanismo de compensação desenvolverão a
arrogância para se sentirem fortes e poderosas acima dos outros..

Os impulsores mais comuns do SEJA FORTE, são:


1. Nunca sinta nada, mostre-se sempre fria, uma fortaleza.
2. Você tem que ser sempre forte, em qualquer situação, controlando e
dominando tudo.
3. Você é a melhor pessoa, a sabe-tudo, a toda poderosa, a primeira em
tudo, é sempre melhor do que as outras. As outras pessoas não têm valor,
por isso elas tem que estar sempre em segundo lugar.
4. Agüente firme e com a cabeça erguida, mostrando-se forte, mesmo
quando não esteja sentindo-se a melhor, a mais forte.
5. Demonstrar os seus sentimentos é sinal de fraqueza. Por isso, nunca
expresse seus sentimentos de amor e de ternura, mantenha-se sempre
fechada, fria, carrancuda, com o rosto rígido.
6. Se tiver que expressar algum sentimento seja sempre uma pessoa durona,
dominadora, birrenta, irascível, zangada, brava, mostrando às outras
pessoas quem você é.
7. Nunca permita que as pessoas expressem para você sentimentos de amor
e ternura. Você não precisa de intimidades com ninguém. Você é auto-
suficiente.
8. Não confie em ninguém.
9. Vire-se sozinha na vida, sem precisar da ajuda de ninguém.
10. É preferível quebrar a cara do que dar o braço a torcer para as outras
pessoas.
11. As outras pessoas precisam saber que você domina a situação, por
isso, use voz forte, expressão séria e rígida e fale de nariz empinado.
12. Você sempre tem que mostrar às pessoas que você é um ser mais forte, é
um machão, durão, um ser que domina as pessoas e as situações. Os fortes
dominam, os fracos são dominados.
13. Mostre às pessoas que você é sempre superior a elas, nunca peça ajuda.
14. Nunca demonstre medo ou insegurança. Represente sempre com
expressão fria e séria, mostre que você é forte em qualquer situação.
Represente sempre mantendo na aparência uma fleuma aristocrática.
15. Quando as outras pessoas perderem o controle, mantenha-se firme como
uma rocha, dura, inabalável.
16. Seja sempre superior às suas necessidades. Nunca as revele às outras
pessoas.
17. Decida sempre sozinha, nunca peça a opinião das pessoas.
18. Disciplina e dever vêm sempre em primeiro lugar.

152
19. Nunca seja submissa às outras pessoas.
20. Nunca chore, nem demonstre tristeza. Homem (e também a mulher) não
chora! Mantenha-se sempre firme e inabalável. Seja Homem! (ou, Seja
Mulher!).
21. Mesmo que não goste deles, nunca fale de seu estudo ou do trabalho.
22. Nunca demonstre cansaço ou desânimo, ou que está doente.
23. Nunca se desespere frente aos problemas.
24. Com as pessoas, procure sempre ser dominadora, crítica e
perseguidora, mesmo que aconteçam conflitos.
25. Classifique sempre de modo autoritário, as coisas ou pessoas: as que
gosta e as que não gosta, as amigas ou inimigas, as ajustadas ou
desajustadas, as alegres ou tristes, as bonitas ou feias, boas ou más,
competentes ou incapazes, conservadoras ou liberais, corajosas ou
covardes, egoístas ou altruístas, equilibradas ou baderneiras, esforçadas ou
comodistas, firmes ou inseguras, flexíveis ou inflexíveis, fortes ou fracas,
heróicas ou covardes, homem ou mulher, honestas ou corruptas, infantis ou
maduras, inocentes ou culpadas, jovens ou velhas, otimistas ou depressivas,
seguras ou inseguras, etc.

Esses IMPULSORES do tipo SEJA FORTE podem ser modificados


para PERMISSORES, mensagens positivas que darão à pessoa
permissão para agir de modo mais natural, flexível e espontâneo, sem a
necessidade obsessiva compulsiva de mostrar-se sempre forte, em todas as
situações. Afinal, mostrar-se sempre forte, para que? A quem, na realidade,
a pessoa quer impressionar?

OS PERMISSORES do SEJA FORTE:

1. Não há necessidade de a todo o momento você mostrar que é uma rocha


indestrutível e inabalável, uma pessoa inflexível e rígida. Você não é de
pedra, nem é uma fortaleza. Você é um ser humano e como tal pode mostrar
seus sentimentos, sejam de medo, de angústia, ou outro sentimento. Você
pode ser flexível. Ser flexível é melhor do que ser rígida. Veja o exemplo
de certas árvores durante uma tempestade de ventos fortes, que se vergam
flexíveis frente aos ventos e se mantêm inteiras, enquanto aquelas que
pareciam uma rocha e se mantiveram inflexíveis, foram derrubadas pelo
vento.
2. Você pode demonstrar o que sente, pode expressar seus sentimentos e as
suas necessidades, sem nenhum receio. Não há perigo e nem é sinal de
fraqueza, a expressão de seus sentimentos, mesmo que eles sejam de medo e

153
insegurança, ou de amor e ternura, ou demonstrar gestos de carinho.
3. Todas as pessoas possuem igual valor como seres humanos, tiveram
todas o grande privilégio divino de terem nascido. Ninguém é mais do que
as outras pessoas, nem superior nem inferior, nem em primeiro ou segundo
lugares, nem aristocrata ou plebeu, nem branco ou preto, nem amarelo ou
índio. Todas as pessoas são iguais, todas possuem valor intrínseco como
seres humanos, todas possuem capacidade e merecem consideração, assim
como você. Por isso, não precisa ficar demonstrando a toda hora que você é
a melhor, a sabe-tudo, a mais forte, a primeiro em tudo ou uma pessoa
superior às outras. Dê oportunidade para que as outras pessoas também
ponham a cabeça fora da multidão e mostrem o que elas têm de bom, como
seres humanos. Escute a opinião delas e num diálogo enriquecedor cresça
junto com elas, aprendendo juntos, umas com as outras. Lembre-se de que a
luta obsessiva para estar sempre em 1º lugar é muito desgastante. Sinta-se à
vontade, tranqüila, estando com as outras pessoas, convivendo com elas em
igual situação de aprendizado e crescimento, sabendo receber o que elas
também têm a lhe ensinar. Aproveite e utilize a grande lição que o mar, tão
grande e poderoso, dá a todos os seres humanos: numa atitude de humildade
ele coloca-se abaixo de todos os rios do mundo e, assim, sabendo receber a
água dos rios, torna-se grande e poderoso.
4. Demonstrar os seus sentimentos é sinal de maturidade e equilíbrio como
pessoa. Demonstre o que sente através de palavras, gestos ou expressões
faciais, transmitindo alegria, amor, ternura, carinho e tudo o mais que queira
expressar. E não há nenhum perigo em deixar as outras pessoas expressarem
os seus sentimentos em relação a você e em receber e aceitar esses
sentimentos delas. Permita que as outras pessoas cheguem até você e
expressem os seus sentimentos.
5. Você pode confiar nas pessoas e dar-se bem com todas elas. As pessoas
podem fazer-lhe bem. Não há necessidade de colocar-se, com as outras
pessoas, numa relação de dominadora e dominada, de forte e fraca, de
amiga ou inimiga. As pessoas não são "o lobo do homem", não são
inimigas.
6. Não há necessidade de quebrar a cara, fazendo tudo sozinha, sem a
ajuda das outras pessoas. Se necessitar de ajuda, peça a elas. Elas se
puderem, com certeza, a ajudarão no que for necessário. A cooperação, a
ação de ajuda uns aos outros, manifesta-se até nos animais, com o fenômeno
gregário. Nos seres humanos, desde os tempos mais remotos, a cooperação
começou a se manifestar quando os homens sentiram a necessidade de
convivência com os seus semelhantes e ainda nos tempos atuais, uma maior
cooperação entre as pessoas é um dos anseios permanentes do ambiente

154
humano. Por isso, quando sentir necessidade, solicite a cooperação das
outras pessoas e quando sentir vontade coopere com as pessoas.
7. Você pode ceder às pessoas, dando o braço a torcer, sendo flexível,
aceitando as opiniões delas quando achar que estão certas. Agir com
flexibilidade, de acordo com a situação, é sinal de maturidade humana e
não de fraqueza. Você pode pedir a opinião das outras pessoas e decidir, em
consenso, em comum acordo com elas, se julgar conveniente fazê-lo. Não é
feio ou sinal de fraqueza, pedir opinião das pessoas, quando necessitar.
8. Você pode usar voz normal, para conversar com as pessoas. Se você fala
em tom normal de voz, isso não a diminui perante elas. Não há necessidade
de se impor com voz forte ou gritante. E pode usar de expressão normal,
solta, com o rosto tranqüilo e calmo. Não há necessidade de manter no
rosto uma "máscara" rígida de uma fleuma aristocrática.
9. Você pode sentir suas necessidades e procurar satisfazê-las. Não precisa
escondê-las das pessoas ou reprimi-las. Pode permitir que elas a agradem e
a protejam, se necessário.
10. Você pode ser uma pessoa responsável, sem deixar de ser alegre ou de
divertir-se naturalmente e de modo sadio.
11. Quando tiver problemas, enfrente-os, buscando sempre a solução. Não
há problemas sem solução, por mais que estes façam as outras pessoas
perderem a razão. Enfrente os problemas ou dificuldades, aprendendo com
eles, como se fossem um mestre lhe ensinando alguma coisa. A frustração e
o sofrimento conduzem a uma profunda compreensão de nós mesmos e à
compreensão de que não há jeito de escapar de uma dor senão passando
através e além dela,[62] buscando uma solução, um meio de sair da situação.
É como diz um provérbio oriental: - Quando se busca o cume de uma
montanha, não se dá importância às pedras existentes no caminho.
Quando a pessoa busca uma solução a algum problema ou dificuldade, está
fazendo alguma coisa por ela mesma, sem esperar que as outras pessoas
façam por ela. É como afirma aquela famosa frase dita por John Kennedy,
quando presidente dos Estados Unidos: - Não pergunte o que o seu país
pode fazer por você, mas o que você pode fazer para o seu país.
Ou seja: Não pergunte o que as outras pessoas podem fazer por você, mas
o que você mesma pode fazer por você.
12. Homem pode chorar, pois também é humano e sente suas emoções,
como as mulheres.
13. Você tem a liberdade de procurar realizar algo que goste e onde possa
melhor realizar-se como pessoa. Se não gosta de seu trabalho atual, procure
realizar outra atividade mais realizadora.
14. Se estiver doente, pode dizer às outras pessoas com as quais convive,

155
sem ficar se lamentando, buscando sempre o tratamento para a enfermidade.
15. Frente às situações não há necessidade de zangar-se por qualquer coisa
que a desagrade. Aceite naturalmente as situações. E tente examinar o que
elas lhe trazem de significado para o seu aperfeiçoamento como pessoa.
16. Não há necessidade de entrar em conflito com as outras pessoas e
sentir-se só e abandonada. Resolva os seus conflitos de modo calmo e
amadurecido. Você pode conseguir solução sem entrar em choque com as
pessoas. “Recolha um pouco as suas antenas, isto é, torne a
agressividade interna, não externa. Deixe de lado as antenas dos outros,
não se deixando irritar com a rudeza, descortesia ou falta de
consideração deles. Especialmente, não se deixe arrastar pelos outros à
discussão".[63]
17. Não é fraqueza demonstrar medo, quando adequado a uma situação.
Quando criança, a maioria das pessoas aprendeu a ter medo frente a
estímulos negativos, como ruído forte, luz violenta, escuridão. Quando
adulta esses medos podem surgir, frente a situações que causem ameaça,
dor, raiva ou perigo. Atualmente, o medo de violência ou de perigos reais,
como calamidades fazem parte do dia a dia das pessoas. Desde os
primórdios da humanidade, o medo é uma reação de alarme frente a alguma
situação estranha ou ameaçadora, reação protetora do ser humano, pois
provoca um conjunto de reações fisiológicas preparando a pessoa para a
luta ou para a fuga da situação. Qualquer situação que ameace a pessoa
pode provocar medo e as reações de seu corpo: “A respiração se
aprofunda, o coração bate mais rapidamente, a pressão arterial sobe, o
sangue é deslocado do estômago e intestino para o coração e para o
sistema nervoso central e os músculos, cessam os processos no canal
alimentar, o açúcar é liberado das reservas do fígado, o baço contrai-se e
descarrega seu conteúdo de corpúsculos concentrados e a adrenalina é
secretada pela medula supra-renal. A chave dessas maravilhosas
transformações corporais encontra-se no relacionamento com os
acompanhantes naturais do medo e da raiva - fugir para escapar ao
perigo e atacar para dominá-lo. As reações emocionais descritas podem
ser razoavelmente consideradas como uma preparação ao combate. São
ajustamentos que, na medida do possível, colocam o organismo em
prontidão para enfrentar as exigências que lhe serão feitas”.[64] Pode
acontecer também de sentir medo sem haver um perigo ou ameaça real,
neste caso, esse medo sem uma causa aparente, ou com uma fonte
imaginária, é chamado de angústia. A reação física da angústia, além de
uma sensação desagradável de tensa expectativa e de estreitamento da
consciência, varia de pessoa para pessoa, mas geralmente é um aperto

156
interno, ou opressão torácica, taquicardia, palpitações, sudoração fria,
tremores, palidez. Ou pode ocorrer diarréia, dispnéia (falta de ar), micção
abundante, dores (cada pessoa tem o seu próprio modo de sentir angústia).
Além de entender esses aspectos fisiológicos do medo, é importante que
cada pessoa, ao sentir seus medos ou angústias, procure enfrentá-los e se
necessitar, busque ajuda de familiares, de amigos ou de profissionais, como
os terapeutas.
18. Não há necessidade de você ficar classificando as pessoas, como
bonita ou feia, certa ou errada e outros modos. Aceite a realidade, em
especial as pessoas, como elas são, com suas diferenças. Você pode pensar
livremente, olhando a realidade colorida, em vez de ficar classificando-a
em preta ou branca. Essa necessidade de ficar rotulando ou classificando
tudo, em especial as pessoas, é um modo de pensamento chamado de
dicotômico, onde tudo é dividido em dois opostos. Mas você pode sair
desse estilo, mudando para o pensamento chamado de holístico. Você
começa a usar o pensamento holístico quando começa a olhar o mundo de
uma forma global, sem divisões classificatórias, olhando cada realidade,
em especial as pessoas, aceitando-as como elas são, olhando tudo e a todos
como se fossem parte integrante de um Universo, vivendo todos sob o
mesmo sol que nasce indistintamente para todos, a cada novo dia. Quando
você aceita as situações e as pessoas como elas são, sem a obsessão
compulsiva de querer modificá-las do jeito que você gostaria que elas
fossem, você vive mais em paz consigo mesma e com o mundo.
“Obviamente, não pode ter paz interior enquanto o controle de sua vida
estiver fora de si mesmo (dicotomizando as pessoas). O ponto é que você
prejudicará a missão de sua vida de ser feliz e criativamente vivo caso se
torne um pensamento compulsivamente dicotomizador, mas se aprender a
transcender esse processo, superar a estereotipação branco ou preto que
contamina não só o próprio tecido da sociedade mas também a sua vida,
e se outros lhe seguirem o exemplo, estaremos criando uma sociedade que
poderá, finalmente, fazer com que este mundo realmente funcione de
acordo com seu potencial mais alto. Mas em primeiro lugar, e acima de
tudo, você precisa assumir a responsabilidade para instituir em si
mesmo essa mudança e, em seguida, ajudar outras pessoas a
procederem da mesma maneira. Dentro de pouco tempo, todos podemos
ajuda a criar um mundo de pessoas que pensem livremente, flexivelmente,
que escutem as perguntas e respostas recíprocas pelo que elas são, num
esforço honesto para criar um mundo que seja mais humano para todos
nós. Mas só podemos fazer isto começando conosco mesmos”.[65]

157
3º IMPULSOR: SEJA APRESSADO (Faça Depressa):
Uma pessoa que segue os Impulsores do tipo SEJA APRESSADO (Faça
Depressa) acha que o mundo vai desabar se ele não fizer. Tem dificuldade
em lidar com o tempo, chega sempre antes ou depois dos outros. É inquieto
mexendo sempre com os pés e as mãos balançando. Tende a não deixar os
outros terminarem de falar. Não desfruta de seu tempo, corre demais quando
está dirigindo. Sente-se aliviado quando está em atividade, quanto mais
rápido melhor. Sente a vida como uma luta constante contra o tempo. Sua
expectativa mágica é “Se eu ficar suficientemente ocupado, então nada de
ruim acontecerá”. Tende a fazer duas ou três coisas ao mesmo tempo e tem
duas ou mais coisas atuando em sua cabeça. Sua comunicação é deficiente,
pois tem muita pressa em ouvir e falar, concluindo as frases dos outros se
eles não falarem suficientemente rápidos ou a terminar os trabalhos dos
outros se puder executá-los em menor tempo que eles. Fica angustiado pela
“lentidão” dos outros. Planeja um volume maior do que pode fazer de
serviço por dia. Cólera, hostilidade, ansiedade, frustração, impaciência,
irritação, são os sentimentos desagradáveis preferidos por este tipo de
pessoa. Sua posição existencial é OK – NÃO-OK (+ -). Usa muito o Pai
Crítico e a Criança Submissa.

As características deste tipo de impulsor são mais encontradas na cultura


norte-americana. Quanto mais rápido obter resultados, melhor. É uma
constante luta contra o tempo, refletindo no andar e no falar rápido e no
dirigir veículos com impaciência e alta velocidade. É, também, da cultura
de algumas empresas, a valorização das chefias que realizam depressa as
atividades, mais do que pelos resultados que elas obtêm. É o caso típico de
executivos que são valorizados porque parecem estar realizando muitas
coisas ao mesmo tempo, tendo no geral uma mesa repleta de pastas e
formulários, dois ou três telefones cheio de botões piscando, que são vistos
por vários lugares na empresa, constantemente em reuniões, as mais
variadas.

Uma pessoa com mensagens mentais obsessivas compulsivas deste


Impulsor SEJA APRESSADO (Faça Depressa) nunca tem permissão para
relaxar, diminuir o ritmo e trabalhar normalmente, é pessoa sempre agitada,
correndo contra o relógio, fazendo duas ou mais coisas ao mesmo tempo,
além de estar pensando em mais outras coisas, planejando um volume de
trabalho maior do que conseguirá realizar. Coloca-se, normalmente, em

158
posição superior às pessoas, sentindo-se muito capaz e olhando as outras
como pessoas sem valor ou inferiorizadas, criticando-as geralmente por não
realizarem as atividades tão depressa quanto ela as realiza. Ou pode
colocar-se com submissão, frente às pessoas, mostrando que ela é uma
coitada por ter tanto trabalho para realizar, em tão pouco tempo.
Uma pessoa que segue estes Impulsores tem dificuldades em administrar o
seu tempo, chegando cedo demais ou tarde demais. Sente a vida como uma
constante luta contra o tempo, por isso não tem paciência para conversar
com as pessoas, tendo muita pressa para ouvir ou falar, na maioria das
vezes concluindo as frases das pessoas se elas não falarem bem rápido ou
levando-as aos finalmente do que querem dizer. Angustia-se com a lentidão
das pessoas, no falar e no realizar as atividades. Devido a constantemente
estar agitada, fica com excesso de adrenalina no sangue, agitando suas
emoções e provocando ansiedade, frustração, hostilidade, impaciência,
irritabilidade, cólera, inquietude. As pessoas viciadas em trabalho, aquelas
que só pensam em trabalho, as chamadas Workaholics, são a exteriorização
das características deste Impulsor SEJA APRESSADO (Faça Depressa).

Com tudo isso, certamente será pessoa com as características descritas no


Mandato NÃO PENSE (Seja uma pessoa incapaz e insegura).

Os IMPULSORES, mais comuns do SEJA APRESSADO (Faça Depressa)


são:
1. Fazer tudo o mais rápido possível, ainda é devagar.
2. Faça tudo apressadamente, com a máxima rapidez, terminando logo as
coisas, para que as outras pessoas não a rejeitem ou a critiquem.
3. Nunca se esqueça das mensagens de seus pais e educadores: - Vamos
logo! - Você está muito lerda! - Como é possível ser tão lenta?!
4. A vida é uma luta constante contra o tempo, você tem que fazer tudo com
a máxima rapidez, senão será punida.
5. O tempo é sempre insuficiente.
6. O mundo irá desabar se você não fizer com rapidez.
7. Chegue sempre antes do horário marcado.
8. Nunca fique sem fazer nada, esteja sempre em movimento.
9. Nunca tenha paciência com as outras pessoas, elas não são capazes de
falar rápido como você, interrompa-as sempre. E fale bem rápido porque o
tempo é precioso.
10. Ocupe todo o tempo com atividades para que nada de ruim aconteça.
11. Uma coisa só é pouco, ocupe-se de muitas coisas ao mesmo tempo.
12. As outras pessoas andam muito devagar. Seja sempre rápida, no andar a

159
pé ou de carro.
13. Faça como via o seu pai ou mãe agirem, sempre apressado, tenso e
ansioso.
14. Quando estiver fazendo algo, pense sempre no que terá que fazer em
seguida.
15. Não tenha paciência com o ritmo das outras pessoas, não tenha
paciência de esperar que elas terminem as tarefas, faça as tarefas por elas.
16. Quando pedir ou perguntar algo, exija resposta rápida e com pronto e
imediato atendimento. Não suporte pessoas lentas, irrite-se com elas.
17. Viva com os sentimentos que aprendeu na infância: irritabilidade,
impaciência, cólera, hostilidade, tensão, ansiedade e culpa.
18. Quem faz rápido chega primeiro e leva vantagem sobre as demais
pessoas.

Esses IMPULSORES do tipo SEJA APRESSADO (Faça Depressa)


podem ser modificados para PERMISSORES, mensagens positivas que
darão permissão para ser uma pessoa natural, sem a necessidade obsessiva
compulsiva de fazer sempre com pressa. Para que fazer tudo com pressa?
Quem tem pressa realmente? Quem a apressa? E para que? A quem deseja
impressionar fazendo tudo com pressa?

OS PERMISSORES do SEJA APRESSADO (Faça Depressa):

1. Você pode fazer as coisas no tempo normal, sem pressa. 100% realizado
em tempo normal é aceitável, nada tem de errado.
2. Você tem permissão para relaxar, agir em ritmo normal, sentindo o seu
coração bater normal, fazendo as coisas no seu ritmo, com mais calma e
paz, sem necessidade de sentir culpa porque está relaxada, curtindo um por
do sol, a paz das montanhas, a brisa do mar ou a presença de alguém
querido. Você tem permissão para sentir o seu ser, com calma e paz,
sentindo-se harmonizar com o Universo, soltando as amarras corporais de
uma crônica tensão muscular excessiva (couraça, segundo Wilhelm Reich)
[66]
que impedem a sensitividade e flexibilidade, como queixo duro,
músculos em torno da boca contraídos, músculos tensos do corpo, em
especial dos ombros. Você tem permissão para aquietar o pensar
excessivo, soltar a tensão crônica, aumentar um imediato senso de
realidade no aqui e agora (...) tendo maior sensitividade, maior sentir e
maior perceber, encontrando um verdadeiro Despertar Sensorial.[67] Você
tem permissão para sair do estressante estilo de vida de só correr atrás do
ter cada vez mais.

160
3. Você pode fazer as coisas de modo normal e tranqüilo, terminando-as.
4. Use o tempo necessário para realizar as suas atividades. E evite os
desperdiçadores de tempo: preocupações sem sentido, cuidar de coisas
materiais, conversas intermináveis sem sentido e sem necessidade, reuniões
desnecessárias (poderiam ser evitadas com ações diretas ou realizadas em
menor tempo), TV demais, limpeza demais, etc.
5. O mundo não irá desabar se você não fizer.
6. Você pode chegar no horário normal, sem pressa ou correrias que a
deixam com o coração acelerado.
7. Você pode ficar sentada em calma, relaxada, sem movimento.
8. Aceite o ritmo das outras pessoas falarem com você. Escute-as de modo
calmo, olhando para elas de modo ativo, prestando realmente atenção nelas.
Não as interrompa quando estiverem falando. E fale de modo calmo com as
pessoas, elas irão escutá-la.
9. O tempo é suficiente para se viver, trabalhar e divertir. Você pode usar o
seu tempo como achar melhor. Pare de sofrer "por falta de tempo" e elimine
de sua vida a doença da pressa. Aprenda a melhor viver com o seu
coração: “Durante o ciclo cardíaco de três fases de cada pulsação, o
coração trabalha um terço do tempo e descansa dois. Fielmente, realiza
seu trabalho infalível desde antes do nascimento até nosso último dia.
(...) Seguindo o ritmo de nosso coração, as 24 horas do dia seriam
divididas em três segmentos, trabalhando oito, dormindo oito e usando as
oito restantes em atividades renovadoras da vida. Que mudança
revolucionária não nos aconteceria como indivíduos e como sociedade se
seguíssemos nosso coração!”[68]
10. Viva o tempo que você tem, com paz e tranqüilidade no seu coração.
Lembre-se de que o seu presente é sempre um "presente precioso": “O
valor do presente só provém de si mesmo. O presente não é uma coisa que
alguém lhe dê... É um presente que você dá a si mesmo”.[69]
11. Viva e desfrute o momento presente, o seu Aqui e Agora, com calma,
paz e tranqüilidade. “Viver totalmente o seu momento presente envolve,
apenas, desfazer-se das atitudes e comportamentos autodestrutivos que a
impediram de desfrutar seus momentos presentes, (...) fazendo o que quer
que seja, com uma entrega total, sem pensar em qualquer outra coisa,
sem qualquer hesitação, sem qualquer crítica, dúvidas ou inibições. É
agir de modo puro, total, espontâneo, sem bloqueio de qualquer espécie”.
[70]
“Nada jamais aconteceu no passado, mas aconteceu no seu Agora.
Nada jamais irá acontecer no futuro, acontecerá no Agora. Obviamente o
passado e o futuro não têm realidade própria, só o Agora, seu momento
presente. (...) O principal foco das pessoas iluminadas é sempre o Agora".

161
[71]
12. Faça cada coisa no seu devido tempo. Após terminá-las, inicie outra.
13. Ande no ritmo das pessoas, quando estiver com elas. E ande ou dirija
em um ritmo aceitável à situação.
14. Dê tempo às pessoas, fique com elas um tempo, valorizando-as com a
sua presença e sentindo o calor da amizade.
15. Inicie e termine cada coisa, tranqüilamente. Você pode usar bem o seu
tempo, com calma e paz.
16. Faça as suas tarefas. Depois, se as outras pessoas pedirem, e se você
tiver condições e desejar, poderá ajudá-las.
17. Aceite as respostas e providências das pessoas no ritmo delas, sem
deixar-se irritar se elas não fizeram no seu ritmo.
18. Viva de modo calmo e tranqüilo, harmonizando o seu ritmo de vida, o
seu respirar, os seus pensamentos, o seu andar, o seu falar, o seu dirigir
automóveis, etc.

4º IMPULSOR: SEJA ESFORÇADO:


Aplica energia na procura, na tentativa e não na realização, na execução das
coisas. Sua expectativa mágica parece ser: “É perigoso concluir alguma
coisa”. O término de um trabalho é percebido como um aspecto negativo e a
pessoa tende a evitar a conclusão de qualquer coisa. Talvez o perigo esteja
em ser avaliado e as falhas ficarem evidentes (é difícil avaliar-se um
produto inacabado); de qualquer modo, a pessoa raramente conclui uma
tarefa. Normalmente inicia um trabalho com grande entusiasmo, energia e
criatividade, mas em algum ponto do processo começa a desanimar,
interessando-se por outra coisa e partindo novamente com grande
entusiasmo e energia... Para essa pessoa não existe nada fácil, tudo é difícil,
complicado. A descrição desse tipo de pessoa é “Falta-lhe espírito
prático”. É também identificada por seu estilo de comunicação, pois
raramente conclui um pensamento ou termina uma frase: - Como vai? -
“Não sei... ah... sabe, estava pensando... talvez... bem..., se você acha...”
(Não se fica sabendo o que ele quis dizer). Este tipo de pessoa carrega o
mundo nas costas, tem um andar arrastado, ombros caídos, voz “chorosa” e
ofegante, rugas acentuadas na testa, levanta muito as sobrancelhas. Seu
Mandato básico é NÃO PENSE (Seja uma pessoa incapaz e insegura). Sua
Posição Existencial é NÃO-OK – OK (- +)

Este tipo de impulsor é predominante nas culturas que incentivam as

162
pessoas a fazerem o máximo, com o máximo de esforço, objetivo
estimulado como ideal para o êxito pessoal, como é o caso da cultura
japonesa, onde as pessoas se esquecem, muitas vezes, de viverem a vida,
em detrimento de só se dedicarem ao estudo ou ao trabalho, às atividades
que sejam sinônimo de sucesso. No Brasil é tradição dizer que esse aspecto
é típico dos paulistas que só vivem para trabalhar. Nas empresas este
impulsor costuma aparecer nas Avaliações de Desempenho, além de
implícito no próprio nome desse tipo de avaliação, cujo item de ponto
máximo costuma ser aquele que reflete bem esse impulsor: pontos máximos,
quando o empregado realiza o máximo de esforço e dedicação ao seu
trabalho.

É da natureza humana buscar, com seu esforço pessoal, uma evolução,


procurando realizar suas potencialidades. Se assim não fosse, ainda hoje
estaríamos como nos primórdios da raça humana: saindo das cavernas para
caçar mamute no muque... Mas o aprendizado do ser humano nos seus
esforços são carregados de mensagens negativas já que desde seus
primeiros dias a criança aprende a esforçar-se para evitar desaprovação
e rejeição dos pais ou outros adultos. A criança aprende que se agradar
aos seus pais e educadores, fazendo o que eles querem, sendo esforçada,
ganhará em retribuição estímulos de afeto e aprovação. É o amor
condicional: - Se você fizer bem feito o que eu quero, você ganhará
aprovação e amor. Esse tipo de amor condicional estabelece condições
para receber o amor. Assim, se a criança cumprir essas condições, se ela se
esforçar, poderá receber o prêmio, o amor e aprovação dos pais e dos
educadores.

Com esse tipo de aprendizado, percebe-se que atrás dos esforços da


criança, está o medo de ser rejeitada. E isso perdura mesmo após a
infância. Pode ser que os adultos não tenham consciência desse aspecto,
mas muitos adultos sentem esse medo de ser rejeitado, de não ser aceito, se
não se esforçarem ao máximo.[72]

Novamente, como no Impulsor Seja Apressado, aparece o comportamento


obsessivo compulsivo, com a inflexibilidade da pessoa. Agir com esforço
natural em suas atividades é um modo normal de agir, com flexibilidade e
escolhendo a melhor opção para se realizar com eficácia. Mas, agir sem
flexibilidade, isto é, atuando como se sentisse obrigada a fazer, sempre,
daquele modo, esforçando-se sempre em tudo, e nunca demonstrando
sentimentos como medo e insegurança, nunca dizendo Não, é um modo de

163
agir obsessivo compulsivo. Um exemplo típico deste estilo SEJA
ESFORÇADO são aqueles executivos compulsivos e viciados em trabalho,
os Workaholics, cuja vida é 100% do tempo dedicado ao trabalho, com
jornadas de trabalho de 10 a 14 horas diárias e nunca tirando férias,
deixando a família, esposa e filhos, em segundo plano. É como se
estivessem sempre dizendo às outras pessoas: - Olhem como me esforço!
Muitas empresas, para recompensarem esse tipo de comportamento e
manterem esses executivos motivados nesse estilo, utilizam-se de sistemas
de incentivo, os chamados benefícios extras. Em muitas cúpulas de
empresas esse é o impulsor dominante.

Uma análise dos comportamentos obsessivos compulsivos deste Impulsor


SEJA ESFORÇADO pode indicar uma vontade de dominar o ambiente, não
deixando outros fazerem, porque ela é a única pessoa que sabe fazer, ela é
que é esforçada. Acha que carrega o mundo nas costas, andando encurvada
como se carregasse um peso, com andar arrastado, tom de voz choroso ou
ofegante. Ou pode sentir-se inferiorizada e sem capacidade, achando que as
outras pessoas são melhores e mais capazes, colocando-se sempre submissa
e insegura. Pode ter atrás dessas atitudes, medos e inseguranças. Medo de
ser avaliada e considerada que não fez como se desejava, que fez com
falhas ou erros. Por isso, muitas vezes, uma pessoa com este estilo inicia
suas ações com grande entusiasmo, gasta muita energia tentando fazer, mas
pouco tempo depois começa a desanimar, a encontrar desculpas para não
continuar, a protelar, não terminando, com medo de ser avaliada. Ou pode
interessar-se, com novo entusiasmo, por outra coisa, iniciando de novo a
mesma seqüência de fatos. Como é difícil avaliar um trabalho inacabado, o
medo de ser avaliada e rejeitada, leva a pessoa a ter dificuldades para
acabar o que inicia, ficando só na tentativa e não na realização. Pode ter
alta iniciativa, mas baixa ou nula acabativa, pois raramente conclui uma
atividade.

Além disso, os medos e inseguranças podem levar a pessoa que segue o


Impulsor SEJA ESFORÇADO a evitar um comprometimento, fazendo-a
utilizar-se de uma comunicação com frases dúbias ou incompletas que não
mostrem realmente um compromisso, falando com as sobrancelhas
levantadas e rugas na testa: - Talvez fosse melhor se estudássemos outra
alternativa... Não sei bem se a primeira é uma boa solução... Não sei ao
certo... Bem, se você acha... Podíamos pensar em analisar melhor todos
os fatos desse assunto... Ao final fica-se com dúvida sobre o que ela
realmente disse, qual é realmente a sua opinião.

164
Uma pessoa com este tipo de Impulsor SEJA ESFORÇADA, geralmente irá
apresentar as características do Mandato NÃO PENSE (Seja incapaz e
insegura).

Os IMPULSORES mais comuns do SEJA ESFORÇADO, são:


1. Esforçar-se até à exaustão, até 100%, ainda é pouco, porque por mais
que se esforce as outras pessoas vão achar que ainda é pouco.
2. Esforçar-se traz aceitação das pessoas e evita que a rejeitem. Por isso,
tenha sempre constante na sua cabeça a pergunta: - Como estou indo?
Esforçando-me cada vez mais? Use o seu passado como determinante do
que tem que fazer hoje e tente fazer mais do que fez no passado.
3. Você só será alguém se fizer muito esforço, ao máximo, por isso nunca
perca tempo com qualquer divertimento. Quando estiver em casa, gaste seu
tempo fazendo sempre alguma coisa, qualquer coisa.
4. A vida é uma luta constante e tudo tem que ser feito com esforço.
5. Nada é fácil, tudo é difícil e complicado para ser realizado. Nunca faça
as coisas de modo fácil, para as pessoas não acharem que não está se
esforçando.
6. Não tenha espírito prático para realizar as coisas.
7. Seja confusa, não termine nunca as suas frases ou pensamentos. Para não
se comprometer e mostrar alguma fraqueza, é melhor falar assim: —AH!
Não sei... — Ah! Sabe, estive pensando se não seria melhor ... - Bem, se
você acha que é melhor de outro modo...
8. Não pense, é perigoso.
9. Duvide sempre de suas decisões. Você nunca sabe se decidiu com acerto.
Por isso, é preferível não decidir.
10.Não tenha metas e objetivos claros a atingir.
11. Tente, tente sempre, gaste suas energias na procura de como fazer, mas
não gaste energia na realização.
12. Não termine as coisas que inicia, é perigoso porque você pode ser
avaliada e as falhas e erros ficarem à mostra. Como é difícil avaliar alguma
coisa inacabada, não termine nunca um trabalho.
13. Quando iniciar algo, faça-o com grande entusiasmo, energia e
criatividade, mas logo em seguida diminua o ritmo ou interesse-se por outra
coisa.
14. Não conte com as pessoas, faça tudo sozinha. Só você é capaz de
realizar as coisas com esforço.
15. Nunca confie nas pessoas. Não se apegue a ninguém e não se integre a
nenhum grupo.

165
16. Você é responsável por tudo o que acontece no mundo. Se você não se
esforçar o mundo não evoluirá, as coisas não acontecerão. Carregue o
mundo às suas costas, mesmo que tenha que andar com as costas arqueadas
pelo peso, andar arrastado, com voz ofegante e chorosa.
17. Faça as outras pessoas perceberem sempre que você está se esforçando.
Se for chefe, faça todo mundo se esforçar como você e não aceite as
pessoas que não se esforçam.
18. Espere sempre uma solução mágica, como ganhar na loteria.
19. Seus pais, ou outras pessoas adultas, não lhe deram a atenção que você
desejava quando criança, então agora se esforce o máximo que puder até
conseguir a atenção delas, mesmo que seja negativa.
20. Você não devia ter nascido e foi rejeitada por todo mundo.
21. Você não tem nenhum valor como pessoa, não vale nada.
22. Não seja criança (não brinque, não se divirta).
23. Continue criança, não cresça! Seja sempre o/a menino/a do
papai/mamãe, ganhando aceitação e afeto se fizer o que eles querem.
24. Não seja você mesma, seja sempre uma pessoa com máscara para evitar
que as outras pessoas a rejeitem.
25. Você não merece coisa alguma na vida, não devia existir.
26. Não demonstre os seus sentimentos.
27. Não tenha sensações boas nem prazer na vida.
28. Você nunca conseguirá êxito e sucesso na sua vida.
29. Você vai perder e se arrepender se tentar fazer alguma coisa.
30. Você já teve mais do que merece!
31. Dê valor somente às coisas que consegue com esforço.

Esses IMPULSORES negativos do tipo SEJA ESFORÇADO podem ser


modificados para PERMISSORES, mensagens positivas que darão
permissão para ser uma pessoa natural, sem a necessidade obsessiva
compulsiva de se esforçar, sempre. Ser esforçada ao extremo, para que? A
quem a pessoa quer impressionar?

OS PERMISSORES do SEJA ESFORÇADO:

1. Não há necessidade de exigir demais de você. 100% de esforço é bom. O


esforço não estabelece o valor das suas ações.
2. O que você realiza é suficiente, as pessoas irão aceitá-la e gostar de
você do mesmo modo.
3. Todos se esforçam na vida, para evoluírem como seres humanos. A vida
não é uma luta desgastante e sofrida. A vida vale a pena ser vivida, com

166
alegria, com trabalho, com diversão, não é preciso complicar a vida,
fazendo dela um sofrimento. Há tempo para o trabalho e há tempo para o
divertimento; você tem permissão para viver bem em ambas as situações,
desfrutando de cada momento com alegria.
4. Você é capaz de realizar bem o seu trabalho, terminando-o normalmente,
dentro dos prazos estabelecidos em suas metas. Você pode fazer as coisas
em vez de só ficar se esforçando nas tentativas.
5. Realize suas atividades do modo mais simples e prático possível. Não há
necessidade de complicar, com muitos detalhes. Há sempre um modo fácil
de fazer as coisas. Você pode simplificar a sua vida.
6. Você pode se comprometer com atividades e pessoas. Não tenha medo de
conversar com as pessoas. Expresse o que pensa, dando a sua opinião de
modo objetivo e claro. Faça suas perguntas uma vez, não há necessidade de
repeti-las. E espere, com calma, as respostas.
7. Você pode pensar e decidir. Não tenha medo de pensar e decidir. Você é
capaz de pensar e encontrar as soluções necessárias para algum problema,
decidindo após fazer uma análise das alternativas, optando pela solução
mais adequada à situação.
8. Você pode conseguir êxito, realizando as coisas e não ficando só nas
tentativas.
9. Seja direta e objetiva ao enfrentar alguma situação. Você consegue! Não
se perca em detalhes. Você é capaz!
10. Você pode terminar o que iniciou, sem medo. Se houve alguma falha
involuntária, poderá ser consertada e aprender com a situação.
11. Faça as coisas, pelo prazer de fazer alguma coisa, e não para evitar que
as outras pessoas a rejeitem. Você tem a liberdade e permissão mental para
poder dizer Sim ou Não, quando achar conveniente. Se, por exemplo, não
quer ir a uma festa, diga Não, as pessoas certamente irão compreender os
seus motivos.
12. Faça primeiro suas responsabilidades. Se as outras pessoas lhe pedirem
ajuda e houver condições de ajudá-las, você tem a liberdade de ajudá-las
ou não, sem culpa ou remorso.
13. Você não é responsável pelo que acontece no mundo. Você é
responsável pelo que faz.
14. Você é responsável pelo término de suas atividades. Não espere que as
outras pessoas venham terminar o que você não terminou.
15. Você pode contar com as pessoas quando delas necessitar.
16. É bom se divertir, sem exageros.

167
5º IMPULSOR: AGRADE SEMPRE (Agrade a todos):
É pessoa que sempre tem um sorriso fixo no rosto, um sorriso “de plástico”.
Balança muito a cabeça concordando com tudo, mesmo que não entenda.
Sorri automaticamente quando seus olhos cruzam com os de outros e se
desculpa desnecessariamente quando fala. Só se sente à vontade quando
todos estão satisfeitos com ela. É sempre insistente em agradar e sente-se
culpada quando não consegue agradar. A crença básica desse tipo de pessoa
é a de que, se as pessoas estão irritadas ou descontentes com ela, corre o
risco de ser rejeitada. Por isso, aplica grande soma de energia para agradar
as pessoas e satisfazer suas expectativas. Imagina sempre o que os outros
podem esperar dela e esforça-se em atender estas expectativas fantasiosas.
Acredita que “se puder manter todo mundo feliz tudo dará certo”. É
propenso a ter sentimentos de culpa, mágoa ou ansiedade quando não é bem
sucedido. Acredita que “ela” é responsável pela maneira como as pessoas
se sentem e agem. Se alguém a cumprimenta friamente, sua reação interior
pode ser: “O que eu fiz de errado?” Usa muito sua Criança Submissa. Seu
Mandato é NÃO PENSE (Seja uma pessoa incapaz e insegura). Sua Posição
Existencial é NÃO-Ok – OK (- +). Há pessoas que tem o Impulsor
“Agrada-me”, forçando as outras pessoas a agradá-la e a servi-la.

Na cultura brasileira predomina este tipo de impulsor, a ponto de o


brasileiro ter, no exterior, uma imagem de um povo muito agradável de se
relacionar. No Brasil essa imagem é predominante dos habitantes do Rio de
Janeiro, os cariocas, considerados como pessoas cheias de calor humano,
alegres, expansivas, comunicativas, de fácil relacionamento com as outras.

Diz-se que uma pessoa está agindo pelo Impulsor AGRADE SEMPRE
quando ela sente-se obrigada a agir constantemente agradando às pessoas,
de modo obsessivo compulsivo, isto é, com um impulsor levando-a a agir
sempre atenciosa, sempre prestativa, sempre generosa, sempre
condescendente, sempre humilde, solícita e submissa às outras pessoas,
sempre altruísta, com um modo de pensar, sentir e agir que busca, sempre,
de modo compulsivo e ansioso, a aprovação das pessoas, frustrando-se
quando não a consegue.

A pessoa com este tipo de Impulsor AGRADE SEMPRE desenvolveu


certos modos compulsivos de se aproximar das pessoas, certas atitudes
características de olhar a si mesma e as outras pessoas. Subestima-se em
tudo, sentindo-se inferiorizada em relação às outras pessoas, fraca e

168
insegura, sem capacidades, sem valor, isto é, olha as pessoas sempre como
melhores do que ela, com mais qualidades, mais inteligência, mais
capacidades, mais atraentes, mais prendadas, e mais muitas outras coisas.
Olhando desse modo as pessoas, sempre de baixo para cima, ela
desenvolve uma acentuada e compulsiva necessidade de aprovação e de
receber atenção, ser aceita, amada por alguém, apreciada, querida, sentir
que as outras pessoas precisam dela, que ela é bem vinda, sempre. É como
se dissesse às pessoas: - Por favor, vocês têm que me amar, valorizar,
proteger, cuidar e não me rejeitar, porque sou fraca e incapaz de fazer
qualquer coisa sem vocês.

Agindo assim, sua auto-estima sobe ou desce de acordo com a atenção que
as outras pessoas lhe dispensarem, o que a leva a constantemente se frustrar
porque não recebeu a atenção que queria. E frustra-se mais com as pessoas
quando elas se aproveitam de suas atitudes prestativas, abusando dela e
explorando sua boa vontade, provocando nela mágoas e ressentimentos, e
um sentimento de humilhação e rejeição. Sente-se sem permissão para
manifestar suas necessidades, suas vontades, suas emoções, seus medos,
mágoas e ressentimentos, fortemente reprimidos, já que se expressasse
qualquer hostilidade às pessoas estaria pondo em perigo a sua necessidade
básica de aprovação e aceitação.

De modo geral, a pessoa com este Impulsor AGRADE SEMPRE só se sente


à vontade quando todo mundo está satisfeito com ela. Por isso, insiste
sempre para fazer algo que agrade às pessoas, reprimindo fortemente
qualquer hostilidade ou agressividade que sentir em relação a elas. Tem
medo de ser rejeitada, do mesmo modo que sentiu na infância, o medo de
ser rejeitada pelos seus pais, por isso age sempre como uma pessoa
inferiorizada. Acredita que ela é responsável pelo modo como as outras
pessoas sentem e agem. Por isso, faz tudo para deixá-las de bem com ela,
em especial, faz tudo para colocar as outras pessoas em evidência, em
primeiro plano, colocando as outras pessoas sempre em primeiro lugar,
tratadas com a máxima agradabilidade, enquanto ela própria se coloca em
segundo plano. Buscando sempre agradar aos outros, costuma iniciar suas
frases com um desculpe-me ou durante a conversação desculpa-se
desnecessariamente. Balança sempre a cabeça em concordância, mantendo
no rosto um sorriso fixo. Seu pensamento básico é de que se o mundo ao
seu redor estiver totalmente feliz, ela não correrá nenhum risco de ser
rejeitada, por isso faz tudo para todo mundo, tentando sempre adivinhar as
expectativas das outras pessoas, tentando antecipar-se ao que elas desejam,

169
com o intuito de agradá-las. Quando cruza seu olhar com o das outras
pessoas, sorri automaticamente. Sente-se culpada, ansiosa ou magoada
consigo mesmo quando não atinge o seu principal objetivo, quando não
conseguiu agradar. Sempre está se perguntando: - Fiz algo de errado?
Sofre e culpa-se, como modo de aliviar o medo de rejeição, do mesmo
modo como ocorria em sua infância, quando era castigada por seus pais e
depois era de novo aceita por eles. Seu Mandato predominante é NÃO
PENSE (Seja uma pessoa incapaz e insegura).

Uma pessoa com este Impulsor AGRADE SEMPRE, em especial devido à


hostilidade reprimida contra as outras pessoas, pode também apresentar
outra motivação: o desejo de se sobressair e explorar as pessoas,
colocando-se como superiora, levando e forçando as outras pessoas a uma
situação em que ficam como inferiorizadas e submissas, de modo que
tenham que servi-la e agradá-la constantemente.

Os IMPULSORES mais comuns do AGRADE SEMPRE são:


1. Todos as outras pessoas são mais importantes que você, estão em 1º
lugar.
2. As necessidades das outras pessoas vêm em primeiro lugar, as suas em
último.
3. Mantenha as pessoas felizes. Assim, você será aceita por elas.
4. Agrade sempre. Se as outras pessoas se irritarem com você, irão rejeitá-
la.
5. Não demonstre nunca seus sentimentos de irritação para as pessoas.
Lembre-se que elas a aceitarão só se mostrar, sempre, que é boazinha e
agradável.
6. Com sorriso fixo no rosto, faça tudo para agradar as pessoas.
7. Demonstre por todos os meios, que você gosta das pessoas.
8. Insista sempre, em fazer tudo para agradar e servir às pessoas.
9. Faça de tudo para conseguir a aprovação das outras pessoas.
10. Peça sempre desculpas às pessoas, de modo submisso.
11.Balance a todo instante, a cabeça, concordando com tudo.
12. Nunca diga Não às outras pessoas, se elas lhe pedirem alguma coisa.
13. Pergunte sempre: — O que eu fiz de errado?
14. Você é sempre a responsável pelo modo como as outras pessoas se
sentem.
15. Imagine sempre o que as pessoas estão querendo e tende agradá-las.
16. Nunca permita que pessoas lhe neguem alguma coisa.
17. Tenha sempre cuidado com o que as pessoas podem falar de você.

170
18. Faça todo esforço para que as pessoas a agradem e aceitem.
19 Quando as pessoas não fizerem o que você deseja, rejeite-as.
20. Você não devia ter nascido, sempre foi rejeitada.
21. Não pense.
22. Antes de responder, olhe para um lado e depois para o outro.
23. Seus sentimentos prediletos são: ressentimento, culpa, medo, mágoas,
ansiedade e insegurança.

As mensagens negativas do Impulsor AGRADE SEMPRE, com os


sentimentos de pouco valor, insegurança e medo de ser rejeitada, podem
chegar até a afetar a saúde, como mostram algumas pesquisas:
. Asma: “Uma pessoa pode ter crises de asma brônquica quando ela
enfrenta situações que provoquem o medo de ser rejeitada. Numerosas
pesquisas concluem que a asma brônquica se origina da falta de
autoconfiança, aliada a um forte sentimento de dependência dos outros.
(...) Um ataque pode surgir quando tal pessoa enfrenta uma situação que
lhe provoque receio de rejeição”.[73]
. Hipertensão: estudos relacionam a doença da hipertensão, ou pressão
sangüínea alta, “a uma acentuada necessidade de afeto e de aprovação,
juntamente com um temor de rejeição, evidenciado por sua ânsia de
agradar”.[74] Um outro estudo é relatado por médicos e especialistas
pesquisadores que obtiveram conclusões semelhantes, em condições
controladas, relacionando a hipertensão às pessoas com atitudes
extremamente submissas e agradáveis e que não medem esforços para
agradar aos outros.[75]
. Diabete: principalmente entre os homens diabéticos há uma história de
dominação pela mãe com fortes vínculos de afeto e dependência.[76]

Os Impulsores, mensagens negativas existentes na cabeça da pessoa, podem


ser modificados para Permissores, mensagens positivas que lhe darão
permissão para ser uma pessoa natural, espontânea, sem a necessidade
compulsiva de agradar a todos, sempre. Os PERMISSORES são
mensagens que lhe darão permissão mental para agir de um outro modo,
com uma nova postura frente à vida. Agradar sempre, para que? A quem
se quer impressionar?

OS PERMISSORES do AGRADE SEMPRE (Agrade a todos):

1. Você é importante como pessoa, merece respeito e consideração como

171
todas as outras pessoas. Todos os seres humanos têm valor igual como
pessoa, porque todos receberam a dádiva sagrada da vida, a possibilidade
de terem nascido. Todos têm a mesma dignidade essencial como seres
racionais e livres, independentemente de suas condições social ou
econômica, da sua raça ou país de nascimento, de sua cultura ou religião.
Merecem, por isso, igualmente de respeito em suas dignidades individuais,
em todos os aspectos de suas vidas.
2. Você pode manifestar e atender suas necessidades pessoais e suas
vontades e as das outras pessoas, se desejar. Se alguém desejar algo poderá
pedir, e você atender ou não, livremente.
3. Você pode estar com as pessoas, naturalmente, sem necessidade de
buscar sempre a aprovação e aceitação delas. Você é uma pessoa de valor e
tem luz própria, não precisa que as outras pessoas "acendam" a sua luz de
valor.
4. Viva a sua vida, naturalmente e com flexibilidade. Não é possível
agradar a todas as pessoas, sempre.
5. Você pode pensar e sentir diferente das pessoas, pode ser flexível,
mantendo ou mudando de opinião e até mostrar às outras que não gostou de
alguma coisa.
6. É possível ser você mesma, sem um sorriso frio e artificial no rosto e
sem necessidade de todo instante agradar as pessoas, com medo de ser
rejeitada por elas. Não tenha medo de ser você mesma. É como diz aquele
pensamento, de autor desconhecido: Existe alguém que poderá fazê-la
imensamente feliz. Que tal conhecer esta pessoa mais
intimamente? Para começar, olhe-se no espelho, sorria e
diga olá!
7. Demonstre que gosta, somente para as pessoas que realmente você gosta,
para as pessoas que você sente amor. O amor é o mais nobre dos
sentimentos que um ser humano pode ter e expressar por outra pessoa, de
modo autêntico e puro, pois consiste em querer bem as pessoas. E você
pode expressá-lo quando julgar conveniente, nas suas variadas expressões,
o amor conjugal, o amor paterno e materno, o amor filial, o amor fraterno e
expressá-lo até em formas mais amplas do amor às pessoas, como o amor à
humanidade. Você pode expressar os seus sentimentos de amor, não só em
palavras de carinho, mas por gestos e ações, construindo um verdadeiro
relacionamento humano. Quando expressa amor, você também recebe esse
sentimento que a faz feliz e realizada e assim, afasta aquele sentimento de
rejeição.
8. Você é uma pessoa de valor, não precisa mostrar-se inferior às outras
pessoas e por isso, sentir-se obrigada a servi-las constantemente, de modo

172
submisso. Quando você se sente inferior e age com submissão com as
pessoas, é porque existe uma diminuição de você mesma, em sua mente, em
relação a elas: você se coloca como uma coitada, olhando a realidade nos
seus aspectos negativos, achando que a solução mágica para a sua vida está
nas outras pessoas. Essa postura em relação às pessoas reflete, na
realidade, um medo. Medo de perder a estima que elas lhe dão, medo de
que elas não a aceitem, que as outras pessoas a critiquem, que a
menosprezem, que não a amem, ou seja, medo de não ser dependente das
outras pessoas, medo de perdê-las. A submissão é um modo de evitar que
as pessoas a rejeitem. É como se você dissesse:- Eu ajo com submissão,
para que você (as outras pessoas) não me despreze, não me rejeite. Mas
você pode mudar tudo isso, olhando as outras pessoas de igual para igual,
sem inferioridade e submissão, enfrentando com coragem as situações de
sua vida.
9. Você pode fazer aquilo que gosta e seja conveniente a você, sem
necessidade de fazer alguma coisa para que receba aprovação e aceitação
das pessoas.
10. Você pode olhar nos olhos das outras pessoas de igual para igual, sem
reservas. Como ser humano, você tem o mesmo valor que elas, todos com
valor por serem seres humanos. A vida foi dada a cada ser humano de modo
igual, todos nasceram seres humanos, todos são igualmente habitantes do
mesmo planeta Terra, terráqueos, independentemente da raça, da cor, da
língua ou dialeto falados, do país ou da condição social, cultural ou
financeira. Todos compartilham do mesmo sol, da mesma energia chamada
de vida. Quando você olha nos olhos de uma outra pessoa, ela sente-se
valorizada por você, pois você a percebeu como uma pessoa individual.
Um dos melhores estímulos positivos que uma pessoa pode receber das
outras, é o reconhecimento de que ela existe e isso pode ser feito quando
você olha para as pessoas, naturalmente. E ao olhar, se possível, diga o
nome dela: escutar o próprio nome é a melhor música para os ouvidos de
uma pessoa.
11. Você tem permissão para expressar e manter a sua opinião, quando
achar conveniente. Não é necessário concordar, constantemente, com as
pessoas.
12. Em qualquer situação você não precisa da aprovação constante das
outras pessoas, pode dizer Sim ou Não quando julgar conveniente, sem
sentir-se culpada ou rejeitada.
13. As outras pessoas também têm permissão para lhe dizer Sim ou Não
quando acharem conveniente. Não há necessidade de se irritar com alguém
porque ela não atendeu ao que você queria. Aceite o fato de que as pessoas

173
também podem ter suas opiniões, diferente das suas. Lembre-se do que
disse Voltaire: Não concordo com uma só palavra do que dizeis; mas
defenderei até a morte o vosso direito de fazê-lo.
14. Você pode sentir que faz bem as coisas, sentir-se bem consigo mesma,
sem necessidade de achar que a todo instante está errada, tendo medo de
que as outras pessoas a critiquem ou a rejeitem.
15. Você é responsável pelo que sente e faz, mas você não é responsável
pelo que as outras pessoas fazem ou sentem, por isso não há necessidade de
sentir-se culpada.
16. Cada um vive a sua vida como deseja, você não é responsável pelo que
acontece com as outras pessoas, mas sim com o que acontece com você
mesma. Você faz a vida que deseja para você mesma.
17. Viva a sua vida, sem angustiar-se pelo que as pessoas podem pensar ou
falar de você. Assim, você estará se libertando da necessidade de
aprovação pelas outras pessoas e tirando o medo de ser rejeitada. Lembre-
se do que disse o filósofo Platão: - O homem que faz com que tudo aquilo
que conduz à felicidade dependa de si mesmo e não de outros homens,
adota o melhor plano para viver feliz.
18. Aceite as outras pessoas como elas são, sem necessidade de querer
rejeitá-las porque não fizeram alguma coisa que você queria. Assim, você
evita desenvolver antipatia pelas outras pessoas, que é a aversão ou
repugnância contra alguém, por motivos conhecidos ou não. Como ser
humano, você tem o dever de compreender e aceitar todas as criaturas
humanas, em convívio social pacífico e harmonioso. Essa convivência
pacífica entre as pessoas, e em um sentido maior, entre povos e nações,
supõe que existe relações de aceitação e respeito, além de cooperação,
capazes de promover o maior bem de todos os seres deste planeta Terra. É
uma grande arte saber conviver com as outras pessoas, aceitando-as com
defeitos e virtudes, sem necessidade de rejeitá-las. Cada pessoa é única
neste Universo e tem o direito de viver a vida.
19. Você recebeu o privilégio de ter nascido. Viva alegre e feliz cada
momento, pela dádiva que recebeu. Seus pais e todos seus familiares se
alegraram com o seu nascimento.
20. Você tem a liberdade e a capacidade de pensar, o que quiser, não há
perigo em usar os seus pensamentos. O pensamento é um atributo essencial
de cada ser humano, cada um pode pensar livremente o que desejar e usá-lo
como achar melhor. Ninguém pode obrigar outro a ter os pensamentos que
ele não deseja ter. Como disse há séculos, René Descartes,[77] considerado
o pai da Filosofia moderna: “O pensamento é um atributo que me
pertence; só ele é inseparável da minha natureza. Cogito, ergo sum, isto

174
é, penso, logo existo”. E a sua vida, a sua existência, as suas atitudes, os
seus sentimentos, as suas opiniões, as suas crenças, os seus valores morais
e espirituais, sobre você mesma e sobre as outras pessoas e o modo como
você enfrenta o mundo, tudo você faz pelos seus pensamentos. Você pode
mudar a sua vida, pelo pensamento. Seu pensamento é a chave para a
mudança real em sua vida.
21. Você pode ter sentimentos positivos em sua vida, sem necessidade de
sentir ansiedade, culpa, insegurança, mágoa e medo das pessoas. Estes
sentimentos negativos revelam rejeição de você mesma por não fazer como
acha que as outras pessoas gostariam que fizesse. É uma não aceitação do
jeito que você é, pois acha que "deveria" ser como as outras pensam ou
querem. Você pode ter os seus próprios sentimentos, aceitando você mesma
do jeito que é, com suas qualidades e defeitos. As outras pessoas têm,
também, o mesmo direito de viverem com seus sentimentos, com sua
própria luz. Examine objetivamente as mágoas, as frustrações, as suas
ansiedades, os seus medos e inseguranças. Faça uma faxina interior e
procure eliminar esses sentimentos negativos. É como diz aquele ditado
popular: - Ninguém pode prejudicar você, a não ser você mesma, assim
como ninguém pode mudar você a não ser você mesma.

Boas recomendações para mudança para sentimentos positivos e para sair


da pressa de vida, está em um documento antigo, de 1644, encontrado em
uma igreja na cidade de Boston, nos Estados Unidos, de autoria
desconhecida:
DESIDERATA
“Siga tranqüilamente, entre a inquietude e a pressa,
lembrando-se que há sempre paz no silêncio.
Tanto que possível, sem humilhar-se,
viva em harmonia com todos os que o cercam.
Fale a sua verdade mansa e calmamente,
e ouça a dos outros,
mesmo a dos insensatos e ignorantes
- eles também têm a sua própria história.
Evite pessoas agressivas e transtornadas,
elas afligem o nosso espírito.
Se você se comparar com os outros,
você se tornará presunçoso e magoado,
pois haverá sempre alguém inferior,
ou superior a você.
Viva intensamente o que já pôde realizar,

175
mantenha-se interessado em seu trabalho,
ainda que humilde, pois ele é o que de real existe ao longo de todo
o tempo.
Seja cauteloso nos negócios,
porque o mundo está cheio de astúcia,
mas não caia na descrença a virtude existirá sempre.
"Você é filho do Universo, irmão das estrelas e das árvores.
Você merece estar aqui e mesmo que você não possa perceber
a Terra e o Universo vão cumprindo o seu destino".
Muita gente luta por altos ideais,
e em toda parte a vida está cheia de heroísmos.
Seja você mesmo, principalmente,
não simule afeição nem seja descrente do amor,
porque mesmo diante de tanta aridez e desencanto,
ele é tão perene como a relva.
Aceite com carinho os conselhos dos mais velhos,
mas seja compreensivo com os impulsos inovadores da juventude.
Alimente a força do espírito que o protegerá no infortúnio
inesperado,
mas não se desespere com perigos imaginários,
muitos temores nascem do cansaço e da solidão.
E a despeito de uma disciplina rigorosa,
seja gentil para consigo mesmo.
Portanto, esteja em paz com Deus como quer que você o conceba,
e quaisquer que sejam seus trabalhos e aspirações
na fatigante jornada da vida,
mantenha-se em paz com a sua própria consciência.
Acima da falsidade, dos desencantos e agruras,
o mundo ainda é bonito.
Seja prudente.
Faça tudo para ser feliz”.

Agora um exercício prático de análise dos Impulsores e dos


Permissores desses cinco tipos examinados.

176
177
EXERCÍCIO REFLEXÃO INDIVIDUAL
ANÁLISE DOS IMPULSORES E PERMISSORES
Instruções: Examine se você age conforme os Impulsores da Educação
que teve. Caso seja impulsionado a alguns desses comportamentos, tente
modificá-los com a ajuda dos Permissores.

IMPULSORES PERMISSORES
COMPORTAMENTOS “SEJA PERFEITO”
1. Cada vez que faço algo, me exijo 1. É suficiente fazer bem as coisas.
maior perfeição.
2. Esmero-me em usar 2. Podes passar por alto detalhes
perfeitamente as palavras, sem o sem importância.
mínimo erro.
3. Quando tenho que dar 3. É sufiiciente responder só o que
informações, digo mais do que me te perguntam.
pediram para ter certeza de que me
entenderam.
4. Mesmo quando termino de fazer 4. Todos temos algum defeito, mas
algo bem, penso que deveria tê-lo igualmente valores e virtudes.
feito melhor.
5. Se digo algo positivo, necessito 5. Não é ncessário buscar o lado
completá-lo com algo negativo. negativo ou mau das coisas.
6. Não suporto a menor desordem, 6. Podes vestir-te comodamente. A
nem as rugas na roupa de cama. roupa existe para ser usada.
7. Não tolero erros nos outros, é 7. Podes ser tolerante com os erros
muito difícil que me conformem. alheios.
8. Não posso evitar corrigir as 8. Não corrijas se não te pedem.
pessoas.
9. Devo ter as mais altas 9. Por que precisas impressionar
qualificações no estudo e no tanto as pessoas?
trabalho.
10. Exijo dos outros as máximas 10. Para que? É mais importante
qualificações no estudo e no deixá-los ser felizes.
trabalho.

178
IMPULSORES PERMISSORES
COMPORTAMENTOS “SEJA FORTE”
1. Evito mostrar minhas emoções, 1. Podes sentir e mostrar o que
especial_ mente chorar diante dos sentes.
outros.
2. Agüento em silêncio, 2. Podes compartilhar tuas penas.
estóicamente.
3. Antes de dobrar-me para algo, 3. Ser flexivel é melhor que ser
prefiro “quebrar a cara”. rígido.
4. Não peço ajuda.Tenho que 4. Podes pedir ajuda.
arrumar-me sozinho, por mais
problemas ou trabalhos que tenha.
5. Quando “todos vêm abaixo”, eu 5. Não suportes o peso alheio.
me mantenho firme e lhes dou
apoio.
6. Não suporto que me protejam. 6. Podes permitir que te protejam.
7. Quando alguém se emociona 7. Permita que os outros sintam e
muito, o critico ou gozo dele. expressem o que sentem.
8. Penso que quanto mais agüenta 8. O masoquismo não é admirável.
uma pessoa, mais admirável é.
9. Primeiro o dever e a disciplina.9. Podes ser responsável sem deixar
de ser alegre.
10. Tenho que me mostrar direito e 10. Tu não és de ferro. Podes ser
erguido mesmo estando destroçado humano.
por dentro.

IMPULSORES PERMISSORES
COMPORTAMENTOS “SEJA APRESSADO”
1. Necessito fazer as coisas o mais 1. Viva o tempo. Faça tudo tranquilo,
rápido possível e terminar de uma vez.
sem pressa.
2.Falo tão rapidamente com as pessoas
2. Fale tranqüilo. As pessoas vão te
que custam acompanhar-me. escutar, se serve o que dizes.
3. O tempo não me é suficiente. 3. Há tempo para tudo. Tu és dono do teu
tempo.
4. Espero até o último momento para 4. Podes preparar-te com tempo.

179
fazer as coisas e depois fico muito
ansioso.
5. Quando estou fazendo algo, penso no 5. Viva e goze o “Aquí” e o “Agora”.
que tenho que fazer depois.
6. Fico ansioso se não chego ao trabalho 6. Para quem te apressas?
antes da hora marcada.
7. Faça a tarefa dos outros por não ter 7. Quem tem pressa realmente?
paciência de esperar que as terminem.
8. Enquanto outros dizem e fazem algo, 8. Podes atender tranquilo as pessoas.
me movo continuamente ou movimento
as mãos.
9. Tenho tendência a interromper as 9. É possível ouvir as pessoas, sem
pessoas para completar ou terminar o interrompê-las.
que estão dizendo.
10. Quando peço ou pergunto algo, 10. Podes dar tempo às pessoas.
quero uma resposta imediata. Não
suporto pessoas lentas.

IMPULSORES PERMISSORES
COMPORTAMENTOS “SEJA ESFORÇADO”
1. Custa-me mais fazer as coisas, 1. Podes encontrar a maneira de que
do que para a maioria das pessoas. as coisas não te custem tanto.
2. Dou-me conta de que a vida é 2. A vida é linda e alegre. Não é
uma luta perpétua e que tudo custa uma luta.
um grande esforço.
3. Vou “pelos ares” no que digo e 3. Não fiques “voando”. Podes ser
no que faço. objetivo.
4. Custa-me fazer as coisas de um 4. Podes simplificar tua vida.
modo prático e simples. Complico
a minha vida.
5. Não sei bem o que quero 5. Fixa-te metas certas e um modo
alcançar. Custa-me fixar as metas eficaz de cumprí-las.
claras.
6. Não sei porque tento, tento e as 6. Podes fazer as coisas em vez de
coisas não saem como quero. tentar fazê-las.
7. Só dou valor ao que consigo com 7. O que mede o valor das coisas é

180
grandes esforços. a felicidade que elas te dão.
8. Repito as perguntas que faço, 8. Pergunta uma só vez e espera a
para facilitar que me compreendam. resposta.
9. Esforço-me muito com as 9. Não faças o trabalho dos outros;
pessoas passivas: insisto e insisto. faz a tua parte.
10. Espero que as pessoas se 10. Não esperes que os outros
preocupem e se esforcem muito. façam a tua parte, para ser feliz.

IMPULSORES PERMISSORES
COMPORTAMENTOS “AGRADE SEMPRE”
1. Sinto-me responsável de que os 1. Não és responsável por aquilo
outros se sintam bem. que os outros sentem ou fazem.
2. Custa-me dizer “Não”, se me 2. Pode fazer o que tuo gostas
pedem algo. enquanto também te convenha.
Podes dizer “Não” ou “Sim”.
3. Desde criança os outros estão em 3. Mereces respeito e consideração
primeiro lugar para mim. igual aos demais.
4. Necessito gostar de todos. 4. Ninguém pode confortar todo o
mundo.
5. Preocupa-me “o que dirão” do 5. Podes pensar diferente dos outros
que faço, e de ser aprovado. e manter tua opinião.
6. Espero que se dêm conta do que 6. Pede o que necessitas.
necessito sem ter que pedir-lhes.
7. Gosto que se ocupem muito de 7. És responsável pelo que sentes e
mim. Eles têm que fazer com que fazes.
me sinta bem.
8. Trato de advinhar o que os outros 8. Se alguém quer algo, pode pedir-
necessitam para logo agradar-lhes. te.
9. Antes de responder, olho para os 9. Podes olhar nos olhos de igual
lados. para igual.
10. Não aceito que me neguem o 10. Não podes sempre exigir tudo o
que quero, ainda que seja um que pretendes dos outros.
capricho.

Após ter feito esse exercício, poderá examinar quais Impulsores assinalou.
Esses são os impulsores mais predominantes na sua vida. E poderá

181
refletir um pouco, lendo os Permissores correspondentes às mensagens
negativas que assinalou nos Impulsores, para conscientizar em quais
aspectos seria interessante mudar em sua vida.

Cada pessoa pode mudar para melhor, fazendo uma nova decisão, ou uma
redecisão, em sua vida, fazendo um esforço para diminuir ou eliminar a
influência daquelas mensagens negativas (as injunções, os medos, os
impulsores) que agora cada uma trouxe à sua consciência, com a
realização desta reflexão.

Realizando essas mudanças, certamente encontrará uma maior realização de


suas reais potencialidades como ser humano, em especial nos aspectos
emocionais, agora livres daqueles medos que estavam em sua mente,
desde a sua infância, permitindo uma vida mais feliz.

“Uma das coisas mais importantes que uma pessoa faz quando está
procurando modificar-se é chegar a uma "redecisão", que substitui
então sua "decisão inicial" de adaptar-se às injunções vindas dos pais.
(...) A redecisão vai alterar o caráter do plano de vida e é fundamental
para a substituição de um plano de perdedor por um de vencedor.(...) A
redecisão implica uma compreensão profunda dos elementos mais
significativos que moldaram a vida do indivíduo e um firme propósito
de abandonar os que trazem prejuízos”.[78]

Vamos lá, acredite que é possível realizar essas mudanças em sua vida!
Quando você acredita que é possível mudar, estará enxergando a realidade
como ela é realmente, estará enxergando você mesma com suas reais
potencialidades emocionais para ser uma pessoa feliz nesta vida. É como se
sua vida fosse um espelho. Antes você olhava para a sua vida através do
espelho, um vidro que tem atrás uma camada de prata, como se fosse uma
barreira mental que a impedia de olhar a real situação. Essa camada de
prata significava tudo o que estava impedindo você de atingir um
crescimento como pessoa, como preconceitos, acomodações, medos,
sentimentos negativos, etc. Ou seja, essas barreiras mentais eram aquelas
injunções, aqueles medos, aqueles impulsores que a levavam a agir de
modos inadequados.

Agora com a conscientização feita, é como se você retirasse essa


camada de prata, substituindo aquelas mensagens negativas, aqueles

182
medos que tinha, por mensagens positivas em sua mente. Retirando a
camada de prata, o vidro que você olhará será agora transparente, fazendo-
a enxergar você mesma, as pessoas, a realidade, enfim, o Universo, com
novos olhos, com novas mensagens positivas em sua mente.

E usufrua, então, com muita alegria, dessa descoberta de uma nova


realidade, de uma nova vida, de um novo Eu como pessoa humana. O
Universo está conspirando a seu favor...

183
184
ARGUMENTO DE VIDA (“SCRIPT”)
As mensagens que cada pessoa recebeu dos educadores, além de formar os
Mandatos, formam o Argumento de Vida. É um argumento teatral, um
“script” que as pessoas seguem em suas vidas. Para Eeric Berne, as
pessoas têm um plano pré-consciente, desenvolvido na primeira infância,
reforçado pelos pais e educadores que se mantém na vida toda. Pode ser
reformulado pela terapia, pela auto-análise ou por estímulos adequados.

O Argumento de Vida é a imagem “O Que Fazer”. Através dos


comportamentos não-verbais (gestos, posturas, olhar, etc) os pais e
educadores influenciam a criança. As limitações entristecem a criança
(porque ela recebe poucos estímulos) e ela aceita as proibições (os
Mandatos) e vai desenvolvendo um Argumento de “Perdedora”.

OS TRÊS TIPOS DE ARGUMENTO DE VIDA

1 - TRIUNFADOR:

Uma pessoa que recebeu estímulos positivos em sua infância desenvolve o


Argumento de Triunfador. Foi encorajada a acreditar em si, a ir para a
frente. Tem confiança em si e nos outros. Reage de modo autêntico e
espontâneo, com reações adequadas às situações. Tem boa capacidade de
ser feliz e alegre. Sua posição constante é agir como Adulto ou como
Criança Livre. Gosta de si e dos outros. Aceita a si própria como pessoa
simples, singular, única e aceita os outros. Tem uma auto-imagem positiva.
É feliz aquí e agora. Acredita que o seu presente é precioso, por isso
escolhe ser feliz no momento presente, em saborear cada momento da vida
com alegria. Assume as responsabilidades da vida. Coloca metas e procura
chegar nelas.

A pessoa que age como Triunfador:

. Recebe e dá estímulos naturalmente.


. Diverte-se, ri, compartilha os momentos com os outros, brinca, canta,
dança.
. Tem amigos. Confia nos outros e em si própria. Acredita que os outros

185
acdreditam nela.
. Incentiva as pessoas a acreditarem em si, a irem para a frente.
. Vive integralmente cada momento, considerando o seu presente como
precioso.
. Respira profundamente. Cresce. Tem boa expressão corporal.
. Aprecisa cada momento da vida, é feliz no seu aquí e agora.
. Tem esperança, modifica-se.
. Tem mente aberta. Tem senso de humor.
. Realiza o que inicia (tem iniciativa e acabativa).
. É sincera, autêntica e espontânea. Desfruta sua saúde e da companhia dos
outros.
. Abre-se naturalmente com os outros. Comunica-se sem barreiras. Presta
atenção.
. Não deixa que pequenas coisas interfiram em sua vida.
. Quando tem sorte, é feliz com isso.
. Sente-se merecedora de confiança.
. Desfruta da natureza.
. Sabe dizer “não” quando necessário. Sabe dizer “sim” quando necessário.
. Não olha para trás, não é apegado ao passado, considera-o apenas
referência
. Planeja para o futuro.
. Expressa sentimentos reais. Tem reações adequadas à cada situação.
. Encoraja as pessoas a construírem coisas, a se realizar.
. Trabalha bem, é responsável.
. Tem alma jovem.
. Não rotula os outros, não é preconceituoso.
. Não explora os outros.
. Planeja para vencer.
. É responsável com a própria vida.
. É compreensivo.
. Tem metas, sabe a quantas anda.
. Associa-se com vencedores.
. Tem uma boa reserva de estímulos.
. Tem uma lista de desejos, pelos menos 10.
. Vê coisas boas nos outros e diz isso.
. Recompensa as pessoas.
. Destrói engrenagens que fabricam senmtimentos de inferioridade.
. Faz o prazer render ao máximo.
. Aprecisa nomes.

186
2 - PERDEDOR:
Uma pessoa que recebeu mais estímulos negativos em sua vida
desenvolve o Argumento de Perdedor. Foi desencorajado a acreditar em si
e nos outros. Não tem auto-confiança, nem confia nas pessoas. Isola-se.
Sente-se perseguido, desamparado e dependente. Não sabe ser feliz na
vida. Tem dificuldade em dar e receber afeto. Tem pouca auto-estima. Não
vive no presente, vive mais no passado ou sonhando com o futuro,
esperando “uma salvação mágica”. Passa o tempo representando.

A pessoa que age como Perdedor:

. Perde a parada, perde oportunidades, amor, perde tudo.


. Para tudo pede desculpas.
. Sente-se culpada. Sente pena de si mesma com auto-estima negativa.
. Ama a desgraça, as coisas negativas, pois gosta de sofrer.
. Faz os outros sofrerem, com seu sofrimento, em co-dependência.
. Está sempre preso ao passado, às coisas negativas que ocorreram. Hoje é
infeliz porque...
. Faz Jogos Psicológicos porque gosta de receber estímulos negativos.
. Em geral não termina o que faz, tem pouco “acabativa”.
. Raramente diz “Obrigado”. Sempre pede desculpas.
. Costuma chorar muito.
. Queixa-se constantemente. Sente-se perseguido, desamparado e
inferiorizado.
. Culpa-se ou culpa os outros por quaisquer dificuldades.
. Diz: “Não sou capaz”, “Não posso”.
. Nunca se diverte. Não é feliz no seu Aquí e Agora. Nunca ri.
. Busca erros em sua vida e na dos outros.
. É sarcástico, gosta de fazico, gosta de faz os outros sofrerem com suas
observações.
. Não se importa com os outros. Não é solidário.
. É egocêntrico, seu EU vem sempre em 1º lugar, os outros vêm depois.
. Preocupa-se exageradamente consigo mesmo.
. Isola-se, não confia em ninguém. Prefere desfrutar a solidão, com tristeza
e depressão.
. Sente-se velho.
. Critica freqüentemente os outros, diminui e desqualifica as pessoas.
. Bloqueia a comunicação, sempre levanta barreiras imaginárias.

187
. Não é autêntico e espontâneo.
. Encolhe-se fisicamente.
. Age como “snob”, superior aos outros, para encobrir a inferioridade que
sente.
. Associa-se com perdedores, com pessoas que sentem tristeza, raiva,
preconceitos.
. Não dá nem recebe afeição e estímulos positivos.
. É genioso, tem “repentes”, estouros emocionais.
. Não atende aos compromissos.
. Preocupa-se exageradamente com seu futuro. Espera uma salvação mágica
no futuro.
. Assimila sempre os pontos negativos.
. Trapaceia.
. Encoraja as fraquezas nos outros.
. É muito crítico. Critica demais a si mesma (Não consigo...) e aos outros.
. Mente com freqüência.
. Respira inquietamente.
. Empanturra-se exageradamente e exagera nos vícios (fuma demais, bebe
demais)
. É incediso e inseguro.
. Está sempre carente de alguma coisa.
. Só tenta, não consegue realizar as coisas. Se começa, perde o interesse em
seguida.
. Não tem auto-confiança.

Alguns autores identificam vários tipos de Perdedores:

1. Escalador: É OK – NÃO-OK (+ -).


Tem falsa raiva. Tem Mandato Não Sinta. Age como criança que “escala”,
que explora. Quando fixa metas e não consegue atingí-las, põe a culpa nos
outros. Tem um “câncer emocional” dentro de sí. Tem vivência catastrófica:
acha que tudo dará errado.

2. Empatador: É NÃO-OK – OK (- +) ou OK – NÃO-OK (+ -)


Cumpre as metas pela metade e fica satisfeito. Assume as coisas mas não as
cumpre integralmente. É Criança Submissa. Dá muitos estímulos negativos.
termina sempre frustrado.

3. Perdedor Banal: É NÃO-OK – OK (- +)

188
Não tem e nem assume metas. Vegeta, não vive. Recebe muitos estímulos de
lástima: “Coitado, não conseguiu...”

4. Perdedor Trágico: É NÃO-OK – NÃO-OK ( - - )


Assume riscos violentos, não calculados. É o terrorista isolado ou o jovem
delinqüente que corre de carro de madrugada, na contra-mão. Termina
morrendo cedo. Sua carência básica é que não teve amor, por isso, quando
adulto, faz tudo para não receber amor.

5. Tântalo: Seu Argumento de Vida é “Nunca”. Tem tudo para ser feliz, mas
nunca se deixa ser feliz. É o típico “Tio Patinhas” que tem uma caixa forte
de dinheiro, mas não se diverte, não gasta consigo mesmo. “Até que eu me
forme só estudarei. depois pensarei em viver...”

3 - NÃO TRIUNFADOR: Fica oscilando entre as atitudes de


Triunfador e o Perdedor.

O GANHADOR E O PERDEDOR - Whitt N.


Schultz
O Ganhador diz: “Vamos ver”.
O Perdedor diz: “Ninguém sabe”.

O Ganhador quando faz um erro, diz: “Estou errado, enganei-me”.


O Perdedor quando faz um erro, diz: “Não foi por minha culpa”.

O Ganhador acredita na boa sorte, mesmo que não tenha sido tão boa. É
otimista.

189
O Perdedor lamenta sua má sorte, embora nem sempre tenha sido tão má.

O Ganhador sabe como e quando dizer “Sim” e “Não”.


O Perdedor diz: “Sim, mas...” e “Talvez não”., em tempo e razões
erradas.

O Ganhador trabalha mais do que o perdedor e tem mais tempo.


O Perdedor está sempre “ocupado demais” para fazer aquilo que é
necessário.

O Ganhador enfrenta o problema.


O Perdedor contorna o problema.

O Ganhador assume compromissos.


O Perdedor faz promessas.

O Ganhador fica triste por não poder fazer mais.


O Perdedor pede “desculpas”, mas faz a mesma coisa numa próxima
ocasião.

O Ganhador sabe para que está lutando e quando assumir compromissos.


O Perdedor se compromete quando não devia e luta por aquilo que não
convém.

O Ganhador diz: “Estou bom, mas não tão bom como deveria ser”.
O Perdedor diz: “Não sou tão ruim, como muita gente”.

O Ganhador escuta.
O Perdedor apenas aguarda a sua vez para falar.

O Ganhador prefere ser admirado a ser amado, embora prefira ambos.


O Perdedor prefere ser amado a ser admirado.

O Ganhador sente-se bastante forte para ser gentil.


O Perdedor jamais se mostra gentil, mas é fraco, ou às vezes, um tanto
cansado.

O Ganhador respeita seus superiores e procura aprender algo deles.

190
O Perdedor guarda ressentimentos contra os superiores e até procura
armar-lhes ciladas.

O Ganhador explica.
O Perdedor procura justificar-se.

O Ganhador sente-se responsável por realizar sempre mais.


O Perdedor diz: “Só trabalho aquí”.

O Ganhador sabe controlar-se.


O Perdedor só tem duas velocidades: uma histérica e a outra letárgica.

EXERCÍCIO DIAGNÓSTICO DO
ARGUMENTO DE VIDA
- 1ª PARTE -

Instruções:
Este questionário tem a finalidade de diagnosticar as mensagens (verbais
ou as não verbais) que você recebeu de seus pais e que podem estar ainda
influenciando sua vida atual.
Assinale com um “X”, na Coluna da ESQUERDA, somente se a
mensagem corresponder ao que você sentiu em sua infância.

Após examinar as 25 mensagens, volte à primeira e assinale nas


Colunas À DIREITA, se a mensagem era dada por seu Pai (P), por sua
Mãe (M) ou por Outro parente (S).

191
MENSAGENS NEGATIVAS P M S

1. Não queria ter-me. Dizia-me que não deveria ter


nascido. Abandonou-me muito pequeno.
2. Fazia tudo para mim, superprotegia-me
3. Quase nunca estava em casa, não me prestava atenção.
4. Não saía. Quase sempre estava em casa.
5. Não mostrava afeto. Não dava/não recebia afeto.
6. Os dias em casa eram todos iguais. Toda vida fizeram
o mesmo.
7. Ele/a habitualmente estava triste. Chorava
constantemente.
8. Sempre estava apressado/a, tenso/a, ansioso/a.
9. Um dizia uma coisa, o outro dizia outra. Diziam uma
coisa e faziam o contrário.
10. Era birrento/a, irascível, ficava bravo/a por
qualquer coisa.
11. Tinha conflito com os outros e no fim ficava só.
12. Ante os problemas, desesperava-se, torcia as mãos e
gemia.
13. Desconfiava das pessoas. Falava mal de todo
mundo.
14. Cada vez que eu decidia algo, fazia-me duvidar se
eu tinha decidido certo.
15. Por mais que eu fizesse, sempre lhe parecia pouco.
16. Ele/a sempre estava enfermo/a. O pouco que falava
era sempre de enfermidades.
17. Sempre estava amargurado/ e frustrado/a com seu
trabalho ou estudo. Sempre se queixava de seus chefes
ou professores.
18. Não me elogiava por meus êxitos como eu desejava.
19. Tentava e tentava sem conseguir aquilo que se
propunha.
20. Deixava tudo atirado. Ele/a era desordenado/a.
Nunca encontrava nada.
21. Preocupava-se continuamente para ter as coisas nos

192
lugares. Ficava furioso/a com a menor desordem.
22. Esperava ganhar na Loteria, quebrar a banca, acertar
em grande rifa. Sempre esperava ficar rico com um
grande negócio.
23. Era muito dominante, autoritário/a,
“mandão”/”mandona”.
24. Era submisso/a e dependente.
25. Em casa o sexo era tabu. Não se falava nesse
assunto.

EXERCÍCIO DIAGNÓSTICO DO ARGUMENTO DE


VIDA
- 2ª PARTE -

Instruções:
Se atualmente você cumpre as Mensagens Negativas que asinalou na 1ª Parte
do Exercício, coloque um “X” na Coluna do Lado ESQUERDO.
Se você Não Cumpre as Mensagens Negativas, nada faça.

Após, assinale nas Colunas à DIREITA, em qual área você cumpre atualmente
essas Mensagens (P = Profissional; C = Casal; F = Familiar; S = Social)

TRADUÇÃO DAS MENSAGENS PARENTAIS P C


NEGATIVAS
PARA MANDATOS
1. Não exista. Não viva. Morra
2. Não se arranje só.
3. Não conte com as pessoas.

193
4. Não saia, não se divirta.
5. Não sinta afeto. Não mostre afeto.
6. Não mude, faça de sua vida uma rotina.
7. Seja triste. Viva deprimido/a.
8. Apresse-se. Seja ansioso/a.
9. Seja confuso, não decida.
10. Zangue-se por tudo.
11. Fique só. Faça-se abandonar.
12. Desespere-se.
13. Não confie em ninguém.
14. Não decida.
15. Seja perfeito. Nunca é bastante.
16. Seja enfermo, tema sempre estar doente.
17. Não desfrute do seu trabalho/estudo. Seja uma vítima.
18. Não supere seus educadores.
19. Não obtenha êxito.
20. Não seja ordenado/a.
21. Seja muito ordenado/a. Seja obsessivo/a.
22. Espere o Papai Noel ou a sorte grande.
23. Seja dominante, domine os outros.
24. Seja submisso/a. Não decida. Faça o que lhe mandam.
25. Não seja sexual. Não sinta. Seja frio/a.

EXERCÍCIO DIAGNÓSTICO DO
ARGUMENTO DE VIDA
- 3ª PARTE -
194
Instruções:
Assinale com um “X”, na Coluna da ESQUERDA, somente se a
mensagem corresponder ao que você sentiu em sua infância. Se
alguma parte da frase não corresponde, risque essa parte.

Após examinar as 25 mensagens, volte à primeira e assinale nas


Colunas À DIREITA, se a mensagem era em relação ao seu Pai (P),
sua Mãe (M) ou Outros parentes (S).

MENSAGENS POSITIVAS P M S

1. Espérou meu nascimento com alegria e felicidade.


Dizia-me como se sentiu feliz desde que nasci.
2. Ensinou-me a valorizar-me por mim mesmo.
3. Podia contar com ele/a quando necessitasse.
4. Saía para divertir-se, sem exagerar.
5. Era flexível e criativo/a. Aceitava a troca de idéias.
6. Dava e recebia muito afeto.
7. Estava contente a maior parte do tempo.
8. Fazia as coisas em seu devido tempo, sem pressa.
9. Concordava com _____________ (nome do familiar)
no que nos dizia. Mantinha sua palavra. O que dizia,
fazia.
10. Tinha bom caráter, raramente irritava-se(durava
pouco).
11. Resolvia adultamente seus conflitos com os demais,
separando-se em brigas e obtendo novas relações.
12. Não se deixava vencer pelos problemas. Para tudo
achava uma solução.
13. Confiava em mim e nas pessoas que o mereciam. Em
geral se dava bem com todos.
14. Apoiava-me e respeitava-me em minhas decisões.
15. Não me exigia nada irracional. Ajudou-me a fixar
limites adequados.

195
16. Era são/sã. Não lhe interessava falar em doenças.
17. Desfrutava do seu trabalho e da amizade de seus
colegas. Era valorizado por seus
chefes/empregados/professores/alunos.
18. Elogiava-me e alegrava-se com meus êxitos.
19. Conseguia o que propunha.
20. Era organizado/a. Tinha cada coisa em seu lugar.
21. Era organizado/a sem ser obsessivo/a. Ensinou-me a
ser organizado sem perseguir-me.
22. Confiava em sua própria capacidade, não na sorte.
23. Decidia de comum acordo com os outros.
24. Era firme e independente.
25. Em casa falava-se de sexo sem preconceitos.

EXERCÍCIO DIAGNÓSTICO DO
ARGUMENTO DE VIDA
- 4ª PARTE -

Instruções: Considerando os “X” que assinalou na 3ª Parte, assinale


na Coluna da ESQUERDA, os Mandatos que você NÃO ESTÁ
CUMPRINDO em sua vida atual (aqueles que você NÃO ESTÁ
FAZENDO).

Após, assinale as áreas em que você NÃO ESTÁ cumprindo os


Mandatos: P = Profissional; C = Casal; F = Familiar; S = Social.

TRADUÇÂO DAS MENSAGENS P C F S


POSITIVAS DOS PAIS

196
PARA MANDATOS

1. Viva
2. Seja auto-suficiente.
3. Conte com as pessoas.
4. Divirta-se.
5. Você pode mudar.
6. Dê e receba afeto.
7. Não se deprima.
8. Seja calmo/a. Tranqüilo/a.
9. Pense e atue de acordo. Seja claro.
10. Não seja rancoroso.
11. Sempre terá quem o queira.
12. Você pode conseguir a solução.
13. Confie em quem merece.
14. Tome suas próprias decisões.
15. Seja eficaz, não precisa ser perfeito. Não se
exija demais.
16. Seja sadio.
17. Desfrute do seu trabalho/estudo.
18. progrida.
19. Consiga aquilo que se propuser. Você pode ter
êxito.
20. Seja ordenado.
21. Seja ordenado sem exagerar.
22. Você é capaz.
23. Entenda-se bem com as pessoas. Respeite os
outros.
24. Seja firme e independente.
25. O sexo é natural.

Faça agora uma auto-análise baseada nos resultados das quatro partes
deste exercício, em especial baseada na 2ª e 4ª partes.

197
ESTÍMULOS PSICOLÓGICOS
Em Análise Transacional, os estímulos representam um fator de
reconhecimento da existência de outra pessoa. Em inglês é usada a
palavra “Stroke” que significa pancada, afago. Alguns autores usam a
palavra “Carícia”. Um sorriso, um gesto amoroso, um abraço, um
carinho, palavras simples que saem do coração, etc., são estímulos
psicológicos. Há três características dos Estímulos: 1. Carga afetiva; 2.
Intenção de dar; 3. Espera de uma resposta. Estímulos são ações
dirigidas intencionalmente à outra pessoa e com intenção de obter resposta.
No ambiente de trabalho um chefe líder sabe dar e receber estímulos. Sabe
que tanto ele quanto os seus subordinados precisam certa quantiade de
estímulos para sobreviver no dia-a-dia do trabalho.

A maior parte das necessidades humanas como contato físico,


necessidades afetivas, de aceitação, de reconhecimento, sexual, etc., é
satisfeita pelos estímulos psicológicos. Uma criança criada sem estímulos,
sem aconchegos, sem atenção, sem toques, pode até morrer, como o
comprovou o Dr. Spitz em suas observações no Hospital onde era diretor.
Ele pesquisou por muitos anos sobre a influência dos estímulos físicos na
criança durante o 1º ano de vida. Comprovou que entre as crianças privadas
de estímulos físicos, ainda que estivessem bem alimentadas, entravam em
um estado de prostração que poderia inclusive conduzier à morte.
Os primeiros estímulos são recebidos durante a infância. Inicialmente são
mais físicos, com contato corporal (o bebê é apalpado, acariciado,
banhado, etc). Expressam mensagens de sentimentos positivos ou negativos,
reconhecimento, aceitação ou rejeição, amor, paciência ou impaciência,
amizade ou hostilidade, etc. À medida que a criança cresce aprende a
discernir os estímulos desejáveis, valorizados em sua família, e passa a
agir de modo a obter esses estímulos. O contáto físico é um estímulo
psicológico necessário por toda a vida. Um abraço, um beijo, um aperto de
mão ou uma pancadinha no ombro, podem expressar mais do que palavras.
Pessoas com carência de estímulos físicos podem desenvolver alergia de
pele.
Fatos que comprovam a naturalidade em dar e em receber estímulos:

198
1 - Os estímulos são necessários para todas as pessoas, independente de
idade, de sexo, de cor ou de cultura. Todas as pessoas precisam de
estímulos. A necessidade de estímulos é como qualquer outra necessidade
biológica como comer, beber água e dormir. Quando uma criança (e
também adultos) não recebem estímulos positivos, preferem receber
estímulos negativos a não receber nada. Crianças e adultos com carência
de estímulos esforçam-se para chamar a atenção dos outros, mesmo que
seja para receber censuras e castigos. “Periga-me, mas pelo menos me dê
atenção”.
2 - É legal (OK) pedir estímulos e isso não diminui o valor de quem os
pede. Se você deseja estímulos poisitivos, peça-os. A tendência é as
pessoas não pedirem estímulos quando sentem vontade de recebê-los.
3 – Se você recebe estímulos positivos, aceite-os. É legal (OK) receber
estímulos, isso faz bem a qualquer pessoa.
4 – Dê estímulos positivos àqueles que necessitam. Eles também precisam
de estímulos. Se uma criança pedir estímulos, dê os estímulos na hora em
que forem pedidos, pois a criança está necessitada naquele momento.
5. Se você não tem bastante estímulos positivos em seu meio ambiente,
comece dando estímulos positivos. Você verá como o relacionamento se
modificará para melhor. No ambiente de trabalho, por exemplo, um chefe
poderá mudar para melhor ou pior o ambiente e relacionamento com os
empregados, dependendo dos estímulos que der. Os estímulos no ambiente
de trabalho são tão necessários quanto um salário justo.
6. Estímulos físicos nem sempre são sexuais. São as pessoas que
determinam o caráter sexual ou não dos estímulos físicos.
7. “Quando estão satisfeitas suas necessidades de estímulos, os seres
humanos estarão mais capacitados para conseguir harmonia consigo
mesmos, com os outros e com a natureza”. (Claude Steiner)
8. Permita-se receber estímulos. “Chute” o seu Pai Crítico (que diz em sua
cabeça, pelo Diálogo interno, que você não deve receber) e se permita
receber estímulos, liberando mais sua Criança Livre.

O adulto de hoje, durante a sua infância, recebeu muitas influências


marcantes, através dos pais e outros familiares que cuidaram dele quando
criança e quando foi para a escola, recebeu também a influência dos
educadores. A sua personalidade foi moldada por essas influências e
pelas relações sociais que teve com outras pessoas que com ele
conviveram em sua evolução e formação.

Desde o momento de seu nascimento, a vida de uma criança é um

199
intercâmbio constante com outras pessoas, um intercâmbio de estímulos
de toda espécie, dando e recebendo estímulos, sejam verbais, físicos ou
emocionais. A criança é influenciada pelos estímulos que recebe do meio
ambiente, em especial porque esses estímulos satisfazem as suas
necessidades. E cada atividade que a criança desenvolve, a partir dos
seus primeiros dias, é direcionada para a satisfação de suas
necessidades. “As necessidades e suas satisfações desempenham
importantes papéis na formação da personalidade.(...) Cada necessidade
que surge desperta memórias, conscientes ou inconscientes, de como ela
foi satisfeita antes, em um relacionamento interpessoal, e o indivíduo faz
planos para satisfazê-la de novo. Necessidades e satisfações tecem o
passado, o presente e o futuro em uma peça única.[79] E quando a criança
evolui e chega à vida adulta, continua procurando obter os estímulos de que
necessita como ser humano, do mesmo modo como ela fazia quando era
criança.

AS NECESSIDADES HUMANAS

Os estímulos satisfazem as necessidades e as pessoas agem em busca


de suas satisfações. Mas o que são necessidades? Necessidade é aquilo
que uma pessoa precisa, é uma condição no interior dela, que a dinamiza e
predispõe para certos tipos de comportamentos. Necessidade é um
dinamismo interior da pessoa que a leva a buscar aquilo que ela precisa.
E o que cada pessoa necessita? A seguir, uma lista de prováveis
necessidades. Cada um poderia completar a lista com as necessidades que
acha que tem:

NECESSIDADES:
. de estímulos adequados (amor, aceitação, confiança, etc.)
. de alimento adequado
. de abrigo, de habitação, de vestimenta
. de realização das potencialidades
. de desenvolvimento de suas habilidades
. de fazer alguma coisa, sentindo-se útil como ser humano
. de finalidade/missão pessoal:— Nasci para que?
. de liberdade, de ser livre
. de individualidade
. de ser aceita e reconhecida como pessoa
. de ser autêntica consigo mesma e com as outras pessoas

200
. de dignidade
. de desafios e triunfar na vida através de um trabalho
. de ser e não só ter
. de verdade, beleza, moralidade
. de idéias e ideais
. de espiritualidade
. de cidadania
. de segurança
. de melhores condições de vida
. de satisfação sexual e emocional
. de amar alguém e ser amada
. de informação/conhecimento/educação/cultura
. de justiça
. de honestidade
. de entusiasmo
. de esperança
. de criatividade
. de amizade
. de felicidade
. de paz
. de exercício/recreação e lazer sadios
. de relacionar-se bem com os outros, em harmonia
. de experimentar, sonhar, analisar
. de responsabilidade pessoal, familiar, comunitária
. de integração e respeito ao ambiente e à natureza
. de tomar decisões e realizá-las
. de saneamento básico (água potável, esgoto)
. de desfrutar a vida com responsabilidade
. e a lista das possíveis necessidades que uma pessoa tem, certamente não é
composta só por esses itens, ou alguns deles. Existem muitos outros. Um
exercício que pode ser feito é uma lista das próprias necessidades. Quais
são as três maiores necessidades que a pessoa tem que, se realizadas, a
deixariam muito feliz?

1.
2.
3.

Outra parte do exercício é fazer a mesma lista pensando, agora, no

201
cônjuge, nos filhos, nos familiares (Pai, Mãe, Irmãos, Avós, etc.), no
namorado/a, nos colegas de trabalho e outras pessoas. Os educadores
poderiam fazer este exercício com os seus alunos, levando-os a
interessantes descobertas...

CÔNJUGE FILHO/A PAI/MÃE/IRMÃOS


OUTRAS PESSOAS
1.
2.
3.

É importante cada pessoa, ao fazer essa lista, ter presente a distinção entre
necessidade e desejo, pois é comum confundir esses dois termos.
“Necessidades são as tendências mais profundas da existência.
Significativas, valiosas e não caprichosas como os desejos:
As pessoas desejam simpatias; necessitam de empatia. As pessoas
desejam riquezas; necessitam satisfações. As pessoas desejam grandes
carros e casas dispendiosas; necessitam de transporte e proteção. As
pessoas desejam fama; necessitam de reconhecimento. As pessoas
desejam dominar; necessitam de influência e orientação. As pessoas
desejam prestígio; necessitam de respeito. As pessoas desejam liberdade e
permissão; necessitam de disciplina As pessoas desejam relacionamentos
faz-de-conta; necessitam de honestidade e autenticidade. As pessoas
desejam facilidade e conforto; necessitam de realizações e trabalho. As
pessoas desejam adoração; necessitam de amor.[80]

Muitas das necessidades que as pessoas desenvolvem são estimuladas pela


propaganda nos meios de comunicação. Isso leva as pessoas a sentirem
frustração por não poderem satisfazer essas novas necessidades criadas
pela propaganda, com conseqüências emocionais negativas para elas, em
especial para as crianças, que muitas vezes não têm o discernimento para
entenderem porque os pais não podem atender ao que elas querem e acham
que necessitam.

Por outro lado, ocorrem também situações em que os pais não percebem as
necessidades da criança ou do adolescente. Os pais podem descobrir as
necessidades dos filhos, em especial quando estão chorando, rebeldes ou
estão apavorados, utilizando uma técnica esboçada nos escritos do
psicólogo americano Carl Rogers, chamada de Reflexo dos Tons de

202
Sentimentos: os pais chegam à criança e traduzem em palavras o que o
filho está sentindo. “Por exemplo, o pai, ou a mãe, pode dizer: - Você está
zangado, ou - Você está com medo e perturbado, ou - Você se sente só e
abandonado. Esses reflexos 1. Fazem a criança saber que o seu pai (ou
sua mãe) compreende o que ela sente, e isso cria um vínculo. 2.Torna
claro para a criança seus próprios sentimentos. 3. Os pais adquirem
melhor percepção dos filhos. 4. Abre caminho para a satisfação da
necessidade que lhe está associada. 5. Aumenta a percepção de seus
próprios sentimentos, pela criança, o que pode ajudá-la a compreender-
se e a evoluir emotivamente.(...) Dizer à criança que chora, está rebelde
ou apavorada: - Você está perturbada e triste, ou - Você está muito
zangada, ou - Você está amedrontada - abre a porta a um diálogo
saudável e muitas vezes curativo, entre pais e filhos”.[81]

Especialistas do comportamento humano, como é o caso de Henry A.


Murray procuraram listar as necessidades humanas. Murray organizou uma
lista de vinte necessidades, após intensivos estudos: “1.Realização 2.
Humilhação 3. Afiliação 4. Agressão 5. Autonomia 6. Contra-reação 7.
Defesa 8. Deferência 9. Domínio 10. Exibição 11. Autodefesa física 12.
Autodefesa psíquica 13. Altruísmo 14. Ordem 15. Entretenimento 16.
Rejeição 17. Sensitividade 18. Sexo 19. Apoio 20. Compreensão”.[82]

Outros especialistas classificaram as necessidades em Primárias e


Secundárias. Primárias porque dizem respeito ao organismo físico da
pessoa, às exigências fisiológicas básicas para a manutenção da vida, como
a necessidade de respirar ar, de ingerir água ou alimento, de eliminar fezes
e urina, de sexo, de sono e repouso e de atividade. Secundárias ou
Psicológicas, são as outras não relacionadas com o físico, muitas delas
influenciadas pela aprendizagem, como a necessidade de afeição, de ser
aceito e aprovado, de realização, reconhecimento, exibição, autonomia, de
auto-estima, etc. Quantas necessidades psicológicas não são estimuladas
pela cultura onde a pessoa vive?

Outra classificação fez o psicólogo norte-americano Abraham Maslow, em


sua teoria de motivação humana. Ele considerou que “as necessidades
estão hierarquicamente dispostas, segundo sua urgência e sua força.
Uma vez satisfeitas as necessidades de maior potência e prioridade, as
necessidades seguintes, na hierarquia, emergem e pressionam no sentido
de obter satisfação. A ordem hierárquica da mais forte para a menos

203
forte, segundo ele, é a seguinte: necessidades fisiológicas tais como a
fome e a sede, necessidades de segurança, necessidade de pertencer,
necessidade de amor/afago, necessidade de ser estimado, de auto-
realização, de conhecimento e, finalmente, as necessidades estéticas,
como por exemplo, o amor da beleza.(...) Nessa escala hierárquica, não
há lugar para as necessidades daninhas ou anti-sociais. O homem pode
tornar-se anti-social somente quando a sociedade lhe nega a satisfação
de suas necessidades inatas”.[83]

Quando surge uma necessidade, a pessoa entra em estado de tensão


buscando os estímulos adequados para a satisfação da necessidade,
reduzindo essa tensão. Desde os primeiros dias de vida, o ser humano
aprende a agir em busca da redução de tensão e aprende, também, a
produzir tensão para tornar a reduzi-la. “Não é a ausência de tensão, como
supunha Freud, a condição mais satisfatória para um organismo sadio,
mas sim o processo de redução da tensão”,[84] isto é, a busca dos
estímulos adequados que levem à satisfação da necessidade e
conseqüentemente à redução da tensão. Por isso, é muito importante,
uma análise dos estímulos.

OS ESTÍMULOS
Independente de quais necessidades existem, o fato importante é que os
seres humanos agem em busca dos estímulos que satisfaçam as suas
necessidades, sejam elas primárias, secundárias/psicológicas ou
hierarquizadas e assim, reduzir a tensão. Todo ser humano age em busca
de estímulos para satisfazer as suas necessidades e reduzir a tensão, passa a
maior parte de sua vida procurando estímulos que tragam satisfação, por
isso os estímulos que uma pessoa recebe das outras se torna um fator
de capital importância para a sua vida, para a sua saúde mental e
emocional e em especial, para a sua felicidade. Os estímulos são
necessários aos seres humanos, assim como qualquer outro estímulo que
satisfaçam as necessidades biológicas, como comer e beber.

Um estímulo, vindo dos outros, é um sinal de reconhecimento da pessoa,


sinal de que ela tem valor, existe e está ali presente. Quando uma pessoa
recebe um estímulo ela tem consciência de que ela existe como ser humano,
e isso lhe faz bem. “Acreditamos que todas as pessoas, entrando numa
sala cheia de gente, numa reunião, convenção, numa briga de turma de

204
calçada, numa festa à beira de uma piscina, numa viagem à Lua, vejam
formando-se dentro de si uma questão primária: — Como é que a gente
consegue estímulos por aqui?” [85]

O principal teórico da Análise Transacional, Eric Berne (1910-1970),


definiu estímulo como “qualquer ato que implique no reconhecimento da
presença de outra pessoa. Dessa forma, o estímulo pode ser empregado
como a unidade básica da ação social”.[86] Fundamentado em pesquisas
que indicavam que a estimulação é uma das necessidades primárias dos
organismos superiores, Eric Berne desenvolveu os conceitos de Fome de
Estímulos e Afagos.

Afago, ou carícia é um estímulo especial que uma pessoa dá à outra, com o


grande significado de reconhecimento dessa outra pessoa, e pode estar em
um estímulo físico como um abraço, um olhar amoroso, um tapinha nas
costas, ou num estímulo verbal como um Bom dia alegre dado por amigos,
um elogio, um telefonema alegre de uma amiga, ou ainda em mensagens
como um cartão de cumprimentos pelo aniversário, um e-mail estimulador,
uma carta, ou em qualquer outro estímulo que seja adequado para dar
satisfação à outra pessoa. É um estímulo tão positivo que o psicólogo
americano Abraham Maslow chamou o afago de “estímulo ótimo”.[87] Um
afago pode ser positivo ou negativo, se fazem bem ou não à outra pessoa, se
são agradáveis ou desagradáveis. Normalmente, quando se fala em afago, é
no sentido de um estímulo positivo, que faz bem à outra pessoa, que lhe dá
satisfação. “Os afagos são necessários para a sobrevivência humana, e
quando as pessoas não conseguem obter afagos positivos, contentar-se-
ão com afagos negativos, porque também esses, mesmo que sentidos de
forma ruim, constituem apoio de vida.(...) Os adultos poderão precisar
apenas de afagos ocasionais, simbólicos, tais como elogios, expressões de
apreço, no sentido de se manterem vivos. Todavia, mesmo que seja
possível sobreviver com afagos mínimos, a escassez de afagos não é
saudável, tanto física quanto emocionalmente; a fome de afagos é um
das principais forças motoras nas pessoas.(...) Os afagos são tão
necessários à vida humana quanto as outras necessidades biológicas
primárias, tais como comida, água e abrigo, necessidades que quando
não satisfeitas, podem conduzir à morte”.[88]

A Fome de Estímulos é satisfeita por estímulos, em especial por


afagos/carícias ou reconhecimento. De modo geral, as pessoas vivem em

205
um estado de escassez de estímulos, ou com um déficit de estímulos,
situação que os fazem viver com menos estímulos do que seria ideal para se
realizarem como seres humanos, situação que as levam a estarem sempre
procurando estímulos. Mas, por que isso acontece com as pessoas? Por
que elas não dão livremente às outras os estímulos necessários e que as
farão felizes? Por que fazem economia de estímulos, de afagos, de
carícias, se não lhes custa nada para darem às outras pessoas?

A resposta está novamente na grande influência das mensagens negativas, as


injunções, os medos, que as pessoas carregam mentalmente e que as
impedem ou dificultam a sua livre troca de estímulos, com naturalidade,
com sinceridade, com alegria, como seres humanos saudáveis. As crianças,
desde cedo, são ensinadas que dar estímulos a si mesmas é vergonhoso ou
errado e que só devem dar estímulos às outras pessoas quando houver
algum motivo para isso, quando elas merecerem. As crianças aprendem,
também, que não devem ficar pedindo estímulos às outras pessoas, que isso
é coisa de criança pequena. E a cabeça da criança é enchida com muitas
idéias falsas, ou preconceitos, em relação aos estímulos e à convivência
com as outras pessoas que poderiam lhe dar estímulos, situação que irá
prejudicar muito, quando adulta, a expressão espontânea de suas emoções,
de sua capacidade de amar, de sua sexualidade, de sua intimidade com as
pessoas. Esta, talvez, seja uma das causas de tanta infelicidade no mundo,
de tanta falta de amizade e de alegria com as pessoas, de tanta dificuldade
em expressar um amor genuíno. E é uma das causas que levam muitas
pessoas conscientes aos terapeutas, em busca de um descondicionamento
para poderem realizar-se mais como pessoas, tendo uma vida com mais
qualidade emocional e sexual.

Em certos setores da sociedade, em especial nas camadas dominantes, há


certo medo de que as pessoas não mais trabalharão ou não mais serão
responsáveis quando se libertarem da economia de estímulos/afagos. “A
idéia de que seres humanos satisfeitos não trabalharão e não terão
responsabilidade tem sido a premissa básica da educação de muitas
crianças. Contudo, os fatos poderão ser bem diferentes. A minha premissa
é, e minha experiência confirma, que à medida que os seres humanos
forem se tornando cada vez mais satisfeitos em suas necessidades de
estímulos/afagos, serão mais capazes de buscar e conseguir a harmonia
consigo mesmos, com os outros e com a natureza.(...) Certamente seria um
estado novo, extraordinário e satisfatório. Provavelmente libertaria as
pessoas da procura de afagos, deixando-as livres para outras atividades,

206
e seria acompanhado por um sentimento de calma, devido à posição "eu
estou bem e os outros estão bem". Também é provável que a pessoa
satisfeita com afagos não teria interesse em itens de consumo, tais como
carros, roupas, cosméticos, etc., que estão estreitamente relacionados
com a fome de afagos”.[89]
Na realidade o que acontece na sociedade de seres humanos chamada de
"civilizada" é que “existem regulamentos muito estritos sobre como os
afagos devem ser trocados. As crianças são controladas regulando-se a
sua obtenção de afagos, e os adultos trabalham e respondem às
exigências sociais no sentido de obter afagos. A população em geral está
faminta de afagos e um grande número de empresas... estão ocupadas em
vender afagos aos seus consumidores”.[90] Já nas sociedades "não
civilizadas" o relacionamento entre as pessoas é mais natural e espontâneo,
com troca de estímulos sem economia, podendo deixar os "civilizados"
envergonhados se examinarem o que o "banho de cultura" fez com as suas
emoções e com a expressão natural de seus sentimentos.[91]

Na realidade, o ser humano "civilizado", é culturalmente condicionado


a economizar estímulos, afagos ou carícias, evitando dar estímulos aos
outros, desenvolvendo uma sociedade onde as pessoas vivem
constantemente com um déficit de estimulações, em especial, de
estimulações que as façam sentir-se bem com elas mesmas. “As crianças
vivem num mundo onde seu bem-estar depende de dar e receber carícias,
como acontece com nós todos. Todos vivemos num sistema de carícias que
define as regras para dar e receber carícias. Carícias, às vezes, são
consideradas como um produto de suprimento limitado, que devem ser
trocadas, comercializadas ou monopolizadas. Todos nós perdemos parte
de nossa capacidade de ser espontâneos, receptivos e íntimos, porque
fomos criados em situações em que o fornecimento de carícias era
limitado e o preço exigido, muito alto. Para reconquistar essa
despreocupação e essa liberdade, devemos rejeitar boa parte de nosso
treinamento básico a respeito da troca de carícias. Pelo fato de o sistema
de carícia ser raramente identificado e definido, desconhecemos
freqüentemente as limitações em que vivemos”.[92]

Pais e educadores costumam economizar estímulos, afagos e carícias às


crianças e jovens, mesmo quando eles fazem coisas que mereceriam um
estímulo. “Alguns pais se recusam a dar o afago, valorizando a
recompensa, como incentivo para realizações ainda maiores. A criança

207
passa a vida escalando montanhas que não têm cumes e sentindo o
desespero de buracos sem fundo, porquanto a recompensa esperada
jamais chega. Ela continua tentando, mas a raiva e a frustração
aumentam e acabam por consumi-la, freqüentemente, até o ponto de
hostilidade.(...) E para a criança os afagos paternos são doces,
provavelmente os mais doces de todos, e na falta deles podemos procurá-
los em outros lugares, nos relacionamentos do dia a dia, com nossos
amigos, em nossa convicção de que fizemos um bom trabalho”.[93]

Essa situação de economia de estímulos, de afagos e de carícias que


acontece entre os seres humanos está bem demonstrada em um poema
antigo, de autoria não conhecida, intitulado Agora.
AGORA

Se você pode dar-me uma flor,


faça antes que eu morra.
Se você pode hoje fazer o milagre
de um sorriso num rosto que chora,
não coloque flores sobre tumbas.
Se você pode dar-me uma flor, faça agora.
Se você pode dizer uma frase linda e amorosa,
algo que faça a minha tristeza ir embora,
diga enquanto eu possa agradecer sorrindo.
Se você pode dar-me uma flor, faça agora.
Se você conhece o eterno caminho
que leva ao templo onde a alegria mora,
não guarde egoísta seu segredo.
Se você pode dar-me uma flor, faça agora.
O que farei das flores, das orações
quando do mundo eu já não mais for?!
Aos pés de Deus, eu as terei tão lindas
que não precisarei mais do seu amor.
Não espere o instante da partida.
Se você quer fazer-me feliz, faça agora.
Para que chorar de remorso e saudade?
Custa tão pouco a felicidade!
Você pode dar-me uma flor
antes que eu vá embora.

Crianças podem evoluir de modo infeliz, com prejuízos ao seu

208
desenvolvimento emocional e mental, devido a não receberem estímulos ou
receberem poucos estímulos dos adultos que com elas convivem. “A
negligência, os maus tratos e a extrema privação de afetos, na primeira
infância, podem resultar em desajustamentos temporários ou mesmo
duradouros. Assim, os bebês criados em meios emocionalmente frios e
carentes de estímulos - por exemplo, instituições onde sejam cuidados de
um modo rotineiro e sem atenções individuais - tendem a ser tranqüilos,
passivos, inativos, infelizes e emocionalmente perturbados.(...) Num
estudo, crianças órfãs criadas numa instituição emocionalmente
inadequadas e privadas de carinho foram transferidas para um ambiente
muito mais estimulante, onde recebiam atenções pessoais, onde havia
quem falasse e jogasse com elas, sendo-lhes permitido possuir
brinquedos. As melhorias em vivacidade mental e inteligência foram
impressionantes, sendo de 27 pontos o ganho médio no teste de
inteligência. Um grupo de controle de crianças que se conservaram na
instituição mencionada mostrou um declínio médio de 16 pontos durante
o mesmo período”.[94]

As crianças poderiam evoluir de modo muito mais feliz se recebessem


estímulos, afagos e carícias dos seus pais e educadores, em qualidade e
quantidade suficientes. Em especial, se recebessem dos adultos estímulos
que mostrassem que os recebem porque elas estão ali presentes, pelo
simples fato de elas existirem como seres humanos e não devido à alguma
condição. Feliz da criança que convive com adultos carinhosos e
estimuladores, que tem pais, avós, amigos ou educadores compreensivos
e que numa atmosfera de amor, compreensão e calor humano, não
economizam estímulos, afagos e carícias, dando a ela esses grandes
presentes emocionais, numa atitude saudável de relações humanas.
Estava certo o famoso terapeuta Frederick S. Perls quando afirmou que “o
comportamento sadio é um comportamento de relações”.[95]

Estudos já provaram esses aspectos. Um deles revela que “os impactos de


diversos tipos de atmosfera familiar sobre as características da
personalidade e comportamento de crianças na idade pré-escolar foram
estudados sistemática e longitudinalmente.(...) As crianças de lares
"democráticos"- os quais se caracterizavam pelo tolerância geral,
conversações freqüentes entre pais e filhos, consultas sobre decisões a
adotar - obtiveram altas classificações em liderança, atividade,
expansividade, capacidade de afirmação e gosto pelos divertimentos.

209
Verificou-se também que a maioria dos lares democráticos tinha
classificação elevada em afeto caloroso e fornecia substancial apoio
emocional às crianças. Os filhos oriundos desses lares calorosos e
democráticos revelaram maior soma de capacidade inventiva, de
originalidade, espírito construtivo e curiosidade do que os outros, sendo
também mais inconformistas e desobedientes. Em resumo, eram crianças
bastante enérgicas, socialmente ativas, relativamente desinibidas na
expressão de sentimentos e emoções, incluindo os protestos contra
autoridades, como os professores, por exemplo.(...) Os lares democráticos
encorajam e recompensam a curiosidade, a exploração e a
experimentação, as tentativas para lidar com novos problemas e a
expressão de idéias e sentimentos. (...) Em contraste, as crianças
educadas em lares "controlados" - famílias com muitas regras precisas,
proibições e restrições - tendem a ser calmas, bem comportadas, tímidas,
socialmente hesitantes, inibidas, bastante conformistas e carentes de
espírito curioso e inventivo. As provenientes de lares "indulgentes", onde
eram tratadas e protegidas como eternos bebês, também revelaram essas
mesmas características e, em aditamento, possuíam fraco
desenvolvimento motor e fortes receios da atividade física”.[96]

Outro estudo mostra essa influência negativa de lares muito rígidos e


controladores: “... pais muito atenciosos para com a criança e que lidam
com ela constantemente, são os que muito seriamente enfraquecem o
comportamento da criança. É bem possível que alguns casos de
esquizofrenia infantil se originem de práticas dos pais que especificam
tão cuidadosamente as condições em que as crianças podem se
comportar”.[97]

Muitas pessoas chegam à vida adulta com carências emocionais, algumas


chegam a desenvolver problemas psicológicos de relacionamento, como as
neuroses. Esses aspectos evolutivos negativos poderiam ter sido evitados
se, durante a evolução da infância para a vida adulta, essas pessoas
tivessem recebido alguns estímulos, afagos ou carícias, satisfazendo nelas
as suas necessidades e a fome de estímulos.

“A fome de afeição é tão freqüente nas neuroses, e tão facilmente


identificável pelo observador treinado, que pode ser considerada como
um dos indicadores mais seguros da existência de ansiedade.(...) Ao
examinar as histórias da infância de um grande número de pessoas
neuróticas, verifiquei que o denominador comum a todas elas é um

210
ambiente em que aparecem certas características. O mal fundamental é
sempre a falta de um autêntico calor humano e afeição. Uma criança
pode agüentar um bocado do que é geralmente considerado como
traumático... desde que intimamente se sinta desejada e amada.(...)
Obtendo afeto, ela se sente menos isolada, menos ameaçada pela
hostilidade e menos insegura a respeito de si mesma”.[98]

Quando uma pessoa começa a dar estímulos, afagos e carícias,


abandonando o costume de dar estímulos negativos, ela leva um susto, de
uma surpresa agradável, pois mudanças significativas começam a ocorrer
entre as pessoas com as quais convive. Com os estímulos positivos, ela
muda, para melhor, o seu relacionamento com as pessoas, melhorando
bastante o meio em que vive, obtendo maior alegria e felicidade. Essa
mudança para uma vida mais feliz com as pessoas irá depender da ação
real de cada um. “A capacidade de renunciar, de abandonar respostas
obsoletas e abrir mão de relacionamentos esgotados e, de tarefas além do
próprio potencial, é parte essencial da sabedoria de viver”.[99]

Uma boa sugestão para começar a realizar essas mudanças, dando estímulos
positivos aos outros, está apresentada a seguir, de autor não identificado:

“ALGUMAS MANEIRAS DE FAZER ALGUÉM


FELIZ...

Dê um beijo, um abraço ou um passo em sua direção.


Aproxime-se sem cerimônia.
Dê um pouco de calor, do seu sentimento.
Assente-se bem perto e deixe-se ficar,
algum tempo ou muito tempo.
Não conte o tempo de se dar.
Aprenda a burlar a superficialidade.
Sonhe o seu sonho, sem duvidar.
Deixe o sorriso acontecer e liberte um imenso sorriso.
Rasgue o preconceito.
Olhe nos olhos.Dê as mãos, carinhosamente.
Aponte um defeito, com jeito.
Respeite uma lágrima.
Ouça uma história, ou muitas, com atenção.
Escreva uma carta e mande.
Irradie simplicidade, simpatia e entusiasmo.

211
Num toque de três dedos, observe as "coincidências".
Não espere ser solicitado, preste um favor.
Lembre-se de um caso. Converse sério ou fiado.
Conte uma piada. Ache graça.
Ajude a resolver um problema.
Pergunte: Por que? Como vai? Como tem passado?
Que tem feito de bom? Que há de novo?
E preste atenção...
Sugira um passeio, um bom livro, um bom filme,
ou mesmo um programa de televisão.
Diga, de vez em quando: desculpe,
muito obrigado, não tem importância,
que se há de fazer, dá-se um jeito.
Tente, de alguma maneira. E não se espante,
se a pessoa mais feliz for você!”

Um outro aspecto importante nessa mudança para dar e receber estímulos


positivos, mudando para melhor a vida pessoal e a das outras pessoas é
cada uma pedir estímulos quando desejar recebê-los. Isso não diminui o
valor como pessoa, nem é sinal de fraqueza. Pode ser que a pessoa sinta
uma necessidade enorme de pedir algum estímulo a alguma outra pessoa,
mas tem medo terrível de ser rejeitada. O medo de ser rejeitada pode ser
tão forte que uma pessoa não consegue, por exemplo, dizer ao seu cônjuge
que gostaria de receber mais carinho ou mais sexo, dele.

É saudável uma pessoa pedir estímulo quando dele necessitar. Para isso
ela precisa procurar vencer o medo de se expor, abrindo-se para a outra
pessoa e pedindo diretamente o que quer, dizendo claramente. Assim ela
evita a situação ocorrida com um casal. “O marido queria afagos sexuais
de sua mulher, enquanto ela queria afagos verbais que lhe dissessem que
ela é amada. Conseqüentemente, ele deu a ela afagos sexuais que ela não
queria realmente e ela deu a ele afagos verbais que ele não desejava.
Quanto mais ela dá o que ele não quer, mais insatisfeito ele fica, menos
ele dá a ela afagos verbais, e mais ela se ressente; tudo isso porque ela
não está recebendo de volta o que deseja e porque está dando o que ela
mesma quer (criando um sentimento ainda maior de carência). O mesmo
se dá com ele. Este exemplo demonstra como é importante que as
pessoas aprendam a pedir (e dar) o que querem (e o que lhes é pedido)
em termos de afagos”.[100] Se uma pessoa, porém, não deseja receber
algum estímulo, em certo momento, ela tem a liberdade de dizer à outra

212
pessoa que não deseja o estímulo. Não é falta de educação a pessoa ser
sincera com a outra, dizendo o que está sentindo, e recusar o estímulo.
Agindo assim, ela estará reaprendendo a conviver de modo sadio com as
outras pessoas.

OS TIPOS DE ESTÍMULOS

Receber estímulo é fundamental para a vida de um ser humano, a ponto de


se não receber estímulos, pode chegar à morte. “Se não houver carícia
(estímulo ou afago) satisfazendo a necessidade instintiva, acontece o
mesmo que ocorreria no caso de não haver comida para atender ao
instinto da fome: a morte”.[101]

Quais são os tipos de estímulos? Quais os tipos que são mais benéficos à
saúde mental e emocional do ser humano e, em especial, para o
desenvolvimento emocional sadio das crianças e dos jovens,
colaborando para que eles sejam felizes e mais tarde, adultos felizes?
Quais os preconceitos ou tabus existem sobre esse assunto?

1º TIPO: ESTÍMULOS FÍSICOS

Estímulo físico é todo aquele onde há um contato físico entre a pessoa que
dá o estímulo e a pessoa que o recebe. Uma mãe quando aconchega o filho
recém-nascido, está dando a ele um estímulo físico. Do mesmo modo, são
estímulos físicos: um abraço, um beijo, mãos dadas, um tapinha na cabeça
ou nas costas, qualquer toque físico seja ele forte ou fraco, carinhoso ou
aconchegante, amigável, sensual ou sexual.

A necessidade de contato físico é primária, recebida pela herança


biológica e é muito grande tanto nos animais quanto nos seres humanos.
Observe uma gata, após dar cria, como ela fica lambendo os seus gatinhos,
não só limpando-os, mas dando-lhes o contato físico da mãe gata. O
contato físico nos seres humanos tem também, um tremendo poder da
fazer bem aos outros, trazendo conforto e segurança, acalmando, refreando
angústias, tranqüilizando as fortes emoções e até mesmo influenciando
positivamente na cura de um doente. Na Escola de Medicina de Harvard,
nos Estados Unidos, o Dr. Heidellise comprovou que quando a palma da
mão de um bebê agitado e instável era acariciada, ele relaxava a tensão dos

213
ombros e do pescoço e regularizava o ritmo respiratório reagindo com mais
calma. E na Escola de Medicina da Universidade de Denver, no Estado do
Colorado, o professor de Psiquiatria, Dr. René Spitz [102] comprovou “que
uma criança nova necessita de estímulos físicos para sobreviver, e que
quando as mães dão mais estímulos físicos aos bebês quando eles estão
internados, eles melhoram em menor tempo”. Ele observou, em seus
estudos, que “bebês que recebiam muito pouco estímulo físico, aconchego,
contato e toque, devido ao abandono da mãe, ficavam muito apáticos e
retraídos”, afetando negativamente o equilíbrio emotivo e a saúde,
levando-os a enfraquecerem e provocando até a morte em alguns casos, ou
demoravam muito tempo para recuperarem a saúde. Baseado nesses estudos
muitos hospitais começaram a introduzir um novo modo de tratar os bebês
no serviço pediátrico: estes são embalados pelas enfermeiras ou pelas mães
no mínimo cinco vezes por dia, com grande contato físico. Os resultados
foram surpreendentes, muito positivos para a recuperação dos bebês. Por
isso, muitos hospitais já possuem lugar para as mães ficarem mais presentes
quando seus bebês são internados, para que elas tenham oportunidades de
pegar e dar estímulos físicos a eles, colaborando assim para uma rápida
recuperação.

Já se comprovou que a saúde emocional, a segurança afetiva e até o


desenvolvimento mental de uma criança estão diretamente ligadas ao
volume de estímulo físico que ela recebe. “Se a criança não é tocada,
carregada no colo, acalentada, se ninguém sorri para ela, ninguém ri e
brinca com ela, pode-se prever que surgirá uma atitude não-responsiva,
comparável com a apatia, um "vazio emocional". A criança torna-se
menos capaz de efetuar contatos espontâneos, livres e abertos com as
outras crianças e com os adultos”.[103] “As crianças que não recebem
estimulações físicas suficientes, tornam-se retardadas. Algumas ficam
esquizofrênicas, outras morrem. Jamais poderemos superestimar a
importância das estimulações físicas”.[104]

Todos, de uma criança a um adulto já em idade avançada, têm


necessidade de serem tocados e isso traz benefícios para a saúde física
e emocional. Observe uma criança, como ela fica feliz e alegre quando
recebe um abraço ou um carinho físico. E observe, também, uma velhinha,
como ela fica mais alegre quando os seus familiares a abraçam ou lhe fazem
um carinho na cabeça ou lhe dão um beijo; provavelmente naquele dia ela
não falará (ou falará menos) em doenças (talvez imaginárias, como um meio

214
de chamar a atenção dos outros familiares e ganhar um estímulo físico) e
passará todo o dia alegre e feliz, pois se sentiu reconhecida e valorizada.

Receber amor e em especial, estímulos físicos, através de intimidades


entre as pessoas são fatores de grande importância para a saúde. Isso
foi comprovado em estudos pelo médico americano Dean Ornish, autor de
Amor e Sobrevivência e relatado em entrevista durante o 13º Congresso
Mundial de Cardiologia, ocorrido no Rio de Janeiro em abril de 1998. “As
pessoas que se sentiam mais amadas tinham 50% menos problemas
arteriais. Nenhum outro fator na medicina - dieta, fumo ou exercício -
tem um impacto tão grande quanto o amor e a intimidade.(...) O amor e
a intimidade aumentam não apenas a qualidade de vida, mas dão
longevidade às pessoas. A principal razão para aumentar o grau de
intimidade e amor em nossas vidas é a felicidade que isso traz. O que
realmente importa na vida é quanto amor você pode dar, quanto amor
você recebeu e quanto você ganhou em sabedoria e bom senso nesse
processo”.[105]

O estímulo físico é sentido por uma pessoa, através dos milhões de


terminais nervosos que existem em sua pele, que transmitem, pelos
nervos, esse contato sensorial ao sistema nervoso central do seu cérebro,
onde é registrado, acionando a liberação de uma substância química, a
endorfina, que funciona como um revigorante e analgésico natural do
corpo, que traz bem-estar e relaxamento. Para outros pesquisadores o
toque físico transmite uma energia, uma descarga elétrica, que aumenta
a energia da pessoa tocada, energizando todo o seu organismo.[106] O
estímulo físico pode ser positivo quando é acariciante, agradável, delicado,
como um abraço, um carinho, um afago, um aperto de mão, um beijo. Ou
pode ser negativo quando é forte, rude, agressivo, como um tapa, uma
mordida ou um beliscão.

Quando o ser humano é gerado, ele fica nove meses em íntimo contato
físico com sua mãe, dentro do útero. São nove meses influenciados por
vários contatos, pressão ou movimento do corpo da mãe, no qual o feto
recebe os estímulos de contato em seu corpo, do líquido uterino, morno e
aconchegante, sentindo as vibrações do corpo da mãe, durante o seu andar
ou seu falar, e até chegando a ouvir as setenta e duas batidas por minuto do
coração dela. Quando a mãe acariciava a barriga como se estivesse
acariciando o bebê, esse estímulo físico a acalmava e também ao bebê.

215
Quando, ao nascer, sai desse ambiente no qual sentia-se bem, protegido e
em segurança, o bebê obviamente precisará continuar a receber os
estímulos físicos, através da mãe ou de outros adultos que dele cuidam,
para sentir-se bem. O abraço, o beijo, o acariciar, o embalar, o acalentar da
mãe, o aconchego durante o amamentar, o carinho ao lavar, limpar ou
carregar, todos esses contatos físicos da mãe, ou de outros adultos, são
importantes para o recém-nascido, pois eles são como se fossem aqueles
contatos uterinos que ele tinha, mantendo assim um laço emocional entre a
mãe/adultos e o bebê.

Sobre essa importância dos contatos físicos para o recém-nascido, as


culturas "civilizadas" têm muito que aprender com as culturas primitivas,
"não civilizadas", pois nelas “o bebê está praticamente o tempo todo em
contato com o corpo da mãe nos primeiros meses. Quando a mãe
descansa, o bebê é segurado o tempo todo, ou por ela mesma ou por uma
outra pessoa. Quando ela dorme, ele está na mesma cama. Quando ela
trabalha ou se locomove, ele é carregado firmemente amarrado ao seu
corpo. Dessa maneira ela consegue lhe dar, praticamente sem
interrupção, o contato físico típico dos outros primatas. Porém, as mães
modernas nem sempre podem chegar a tanto. A alternativa é envolver a
criança, quando não carregada, em vários panos. Se a mãe não pode
oferecer ao bebê o aconchegante abraço ou contato íntimo de seu corpo,
dia e noite, hora após hora, pode, pelo menos, dar-lhe o abraço
aconchegante de um invólucro de tecidos macios, como um auxiliar para
substituir o perdido agasalho do útero.(...) Diferentes culturas variam
consideravelmente na sua atitude em relação ao aperto ideal desse útero
de pano pós-natal”. [107]

E o que acontece nas sociedades "civilizadas", chamadas de “modernas”,


é bem diferente pois grande número das mães e pais, na maior parte do
tempo deixam o bebê no berço, em longos períodos sem contato físico. É
provável que muitas das carências emocionais, em especial de contatos
físicos, que um bom número de crianças e adultos infelizes apresentam,
pode ter tido suas origens em situações como essa, em seus primeiros dias
de vida. Quando o ser humano vai crescendo, saindo da fase de bebê, ele
começa a desenvolver maior independência, explorando o ambiente que o
cerca, pegando coisas à sua volta, modificando com isso a necessidade de
receber aqueles estímulos físicos constantes dos primeiros tempos de vida,
começando a sair da dependência dos abraços da mãe. “A comunicação
tátil cede lugar a uma comunicação visual. O bebê substitui a limitadora

216
segurança do abraço e da carícia, pela troca de expressões faciais. O
abraço compartilhado dá lugar ao sorriso compartilhado, à risada
compartilhada e a todas as outras sutis posturas faciais das quais é
capaz o ser humano.(...) O sorriso se torna o abraço simbólico, que opera
à distância. Isso capacita a criança a funcionar com mais liberdade e, no
entanto, a um simples olhar, restabelecer o contato emocional com a mãe.
(...) Quando a criança começa a falar, expressa seus sentimentos em
palavras. À medida que essa fase avança...a crescente necessidade de
exploração pessoal, de independência e identidade individual diminui
consideravelmente o desejo de ser aninhado e acariciado...mas ainda
existe grande necessidade interior do conforto do contato e intimidade
corporal. Ser acariciado passa a ser coisa de neném.(...) O semi-abraço,
o braço em torno do ombro, as batidinhas na cabeça e o aperto de mão
começam a aparecer.(...) A intimidade tátil significa infância e tem que se
relegada ao passado. O conflito dessa situação é resolvido pela
introdução de novas formas de contato que satisfazem a intimidade
corporal sem dar a impressão de serem infantis. Um deles é o uso de
"objetos de transição", na realidade substitutos maternos inanimados: os
mais comuns são a mamadeira favorita, um brinquedo macio e um pedaço
de fazenda também macia. Quando a criança cresce, esses objetos são
importantes como confortadores. Certas mães interpretam mal esse fato e
imaginam que a criança está se sentindo muito insegura. Se a criança
quer a todo custo estar em contato com o seu "ursinho" ou com o "xale"
ou com o "pano"... na realidade está dizendo: - Eu quero contato
corporal com minha mãe, mas isso seria muito infantil. Sou muito
independente para isso agora. Em vez disso, terei o contato desses
objetos que vão fazer com que eu me sinta seguro e não vou que me atirar
de novo nos braços de minha mãe.(...) Em casos raros, esses objetos
confortadores podem persistir até a vida adulta. Conhecemos moças em
idade de casar que só adormecem agarradas a um gigantesco urso de
pelúcia”...[108]

Quando a criança chega às fases adolescente ou adulta, os estímulos físicos


pais-filhos “se formalizam e ficam quase que limitados aos cumprimentos,
aos adeuses, celebrações e desastres. Pais amorosos vencem esse
problema... "ajeitando a roupa". Se não podem executar um gesto de
amor direto, podem fazer contato corporal disfarçando-o no "deixe eu
consertar a sua gravata" ou "deixe eu escovar o seu casaco" “.[109]

O ser humano depois de passar boa parte de sua infância e juventude

217
"educando-se", chega à vida adulta com pouco ou quase nenhum
conhecimento sensorial de seu próprio corpo e com dificuldades para
relacionar-se, para expressar-se fisicamente e viver naturalmente em íntimo
contato com os corpos das outras pessoas. Ainda na atualidade, a
civilização humana dá maior ênfase a ensinar matérias como Geografia,
Matemática, História, etc., com pouca ou nenhum ensino aos jovens seres
humanos de como é o corpo de um homem ou uma mulher, como os seres
humanos podem relacionar-se bem e de modo saudável com os seus corpos
e dos outros, além de relacionar-se emocionalmente. Talvez devido a esse
aspecto tantos adultos vivam infelizes consigo mesmos e com os outros e
haja tantos casamentos desfeitos, já que os seres humanos não foram
preparados para uma vivência natural e espontânea numa vida a dois,
entrando em uma vida conjugal e sexual com muitas concepções errôneas,
muitas dúvidas, muitos medos, muitos tabus e preconceitos em relação ao
seu corpo e ao dos outros. Esses aspectos são, freqüentemente, constatados
por terapeutas de casais.

Há, no entanto, um considerável e crescente número de pessoas mais


conscientes que já despertaram para esses fatos e têm procurado sanar
esses aspectos em suas vidas, buscando conhecer-se melhor e aos outros,
procurando um despertar e um desenvolvimento sensorial, sensitivo e
emocional, seja através de terapias, de cursos ou exercícios individuais, a
dois ou grupais.[110]

Os estímulos físicos, com contato corporal de uma pessoa com outra, são
tão importantes no relacionamento humano, que pesquisadores já
identificaram quatrocentos e cinqüenta e sete tipos de contatos corporais,
mas a maioria é classificada em 14 tipos principais de estímulo físico:
[111]
1. O aperto de mão: é um modo formal de dar estímulo, quando
não existe vínculo pessoal ou emocional, ou quando ele é fraco ou
quando houve uma longa separação.
2. A orientação do corpo: a mais comum é a mão nas costas,
direcionando a outra pessoa, ou um leve aperto no braço ou puxão da
mão.
3. O tapinha: ação com significado mais paterno, é um abraço em
miniatura. Existem os de boas-vindas, de congratulações, de reconforto,
de amor, de amizade.
4. O braço dado: é um sinal de caminhada coordenada, com um
companheiro exprimindo um brando controle sobre o outro, como um

218
"sustentador dominante" e a outra pessoa como uma "sustentada". Na
maioria dos casos é a mulher que segura o braço do homem, como se
buscasse apoio e proteção. No entanto, o apoio e proteção são largamente
simbólicos. O braço dado ocorre em ocasiões sociais, formais, como o
percurso da nave de uma igreja, ou informais, como em um passeio.
5. O abraço de ombro: realizado pelos homens, em relação às
mulheres, por serem, geralmente, mais altos que elas. Sendo de caráter
masculino também é usado livremente entre homens para exprimir um
relacionamento de "camaradagem".
6. O abraço completo: ser abraçado é uma vigorosa experiência
infantil que, entre adultos, é reservada para momentos emocionais
intensos. Apenas jovens namorados executam esse sinal de vínculo
emocional intenso, com grande freqüência. Para os outros adultos, é
geralmente ou uma postura sexual ou um sinal-vínculo de ruptura e
reatamento do laço emocional, ocorrendo nas despedidas e nos
reencontros, em sinal de boas-vindas ou despedidas. Ocorre também, em
comemorações de triunfo dos futebolistas modernos.
7. As mãos dadas: experimentamos pela primeira vez o ato de
caminhar de mãos dadas quando crianças, explorando o excitante mundo
novo da locomoção vertical. Mais tarde adquire significado de proteção,
quando os pais atravessam a rua com a criança, por exemplo. Desaparece
com o crescimento da criança e ressurge entre jovens namorados, com
significado de igualdade de envolvimento, já que nenhuma dos dois está
preocupado com "tomar o controle", não tendo contato com o tronco do
outro, caminhando lado a lado.
8. O abraço de cintura: não há espaço entre os dois, o casal
pressiona a face lateral do corpo um contra o outro, como um sinal-
vínculo emocional muito mais íntimo e mais profundo.
9. O beijo: a forma mais íntima que se vê em público é o beijo na
boca. Em sociedades tribais primitivas era uma prática comum entre mãe
e filho, já que a mãe mastigava o alimento antes de transferi-lo
diretamente boca a boca. Já o beijo nas sociedades civilizadas como
estímulo sexual e devido ao condicionamento de higiene da cultura, se
limita a pares fortemente unidos. O beijo na boca, como estímulo sexual
ocorre em pares tipicamente heterossexuais, mas em alguns países da
Europa e do Oriente é possível observar homens adultos beijando-se
intensamente na boca, sem que haja a presença de qualquer fator sexual.
10. A mão na cabeça: é uma ação íntima, baseada na confiança
que sugere, pois a cabeça é a parte mais sensível e vulnerável do corpo e
a mão a parte potencialmente mais lesiva. Por isso as pessoas só aceitam

219
esse tipo de estímulo físico apenas entre os mais íntimos e velhos amigos,
ou entre namorados, cônjuges ou pais afetuosos.
11. Cabeça com cabeça: este estímulo ocorre mais entre
namorados jovens do que adultos mais velhos. É um sinal que diz que eles
estão excluindo o resto do mundo, mais ainda se estiverem de olhos
fechados.
12. A carícia: Golpes suaves, apertões, esfregadelas e explorações
do corpo do outro com a mão, ou com outra parte do corpo, como o nariz,
a língua ou o pé, são quase sempre sexuais e podem facilmente levar a um
despertar sensorial. Pode significar também um sinal de vínculo
emocional existente entre duas pessoas.
13. A sustentação do corpo: as crianças sentam-se no colo dos
pais ou são carregadas por eles quando pequenas ou quando cansadas.
Ocorre também entre namorados e de modo ritualístico, quando a noiva é
carregada no colo no momento de transpor a soleira da nova casa. Em
outras situações adultas, ocorre em situações de desamparo, desmaio,
doença ou embriaguez.
14. O ataque simulado: entre adultos, há muitos golpes de braço,
desmanchar de cabelos, mordidelas de orelha, empurrões, apertões e
cutucões que, apesar de agressivos, são executados de modo tão brando e
contido, que não ferem. Em vez de estímulos negativos, são positivos, pois
são expressões de amizade e de grande familiaridade. Às vezes
representam o único modo de uma pessoa poder fazer contato físico com
outra - um pai, por exemplo, com o filho adolescente”. (...) “Outra forma
disfarçada de intimidade na criança em crescimento é encontrada nas
brincadeiras de lutar. Se é infantil abraçar e aninhar-se, embora a
necessidade persista, o problema pode ser resolvido abraçando os pais de
tal modo que o contato corporal não pareça um abraço. O abraço se
transforma em uma espécie de luta-livre. Na luta brincadeira com os
pais, a criança mais uma vez pode reviver a intimidade da infância
enquanto se esconde atrás da máscara de adulto agressivo”.[112]

Com o crescimento da criança, os estímulos físicos vão diminuindo e sendo


substituídos pelos estímulos verbais. E chega a ponto de em vez de
trocarem estímulos físicos entre si, as pessoas trocam estímulos verbais, ou
arranjam outros substitutos do estímulo físico, como animais ou objetos
inanimados.[113]

Essa substituição do estímulo físico pelo verbal é muito prejudicial ao ser


humano porque o estímulo físico é necessário por toda a vida, desde a

220
infância até a velhice, a tal ponto que estudos já relacionaram a carência de
estímulos físicos com o desenvolvimento de alergias de pele, e a falta de
estimulações físicas pode até fazer “a medula espinhal encolher-se”,[114]
levando as células nervosas a entrarem em retração.

Os estímulos físicos entre os seres humanos são tão importantes que


executivos em tratamento cardíaco, com certas características pessoais,
como forte liderança e competitividade, entusiastas, agitados, impacientes,
irritadiços, ansiosos e em luta constante contra o relógio conseguiam
acalmar-se e viverem mais em harmonia no trabalho e consigo mesmos,
quando aumentavam a quantidade de contatos físicos, em especial do sexo.
“O sexo restaura a química do corpo, repara os desequilíbrios
hormonais, e acima de tudo reduz os níveis de colesterol no sangue”.[115]
Já se concluiu, também, que o contato físico, uma massagem, por exemplo, é
um poderoso antídoto contra o stress.

Apesar desses fatos que as pesquisas já descobriram, muitos seres


humanos continuam a usar muito pouco o estímulo físico com as outras
pessoas. Alguns se justificam dizendo: - “Eu fui criado assim”. Outros
dizem que: - “Eu não toco nas pessoas por respeito ou pudor”. A maioria,
somente em momentos de grande tristeza, como a perda de um ente querido,
conseguem quebrar os seus preconceitos e tabus e abraçam as pessoas,
dando conforto a elas através do contato físico. Mas muitos não o fazem por
puro preconceito ou tabus e na maioria das vezes confundindo estímulo
físico com estímulo sexual. Homens não dão estímulos físicos, não
encostam em outros homens e o mesmo ocorre com as mulheres, devido a
tabu homossexual. Mas as mulheres conseguem vencer um pouco esse tabu,
pois elas se tocam, o que pode ser observado quando se cumprimentam
socialmente, com dois beijinhos, ou quando andam em uma rua ou jardim de
mãos dadas. Já um tabu heterossexual impede estímulos físicos entre
homens e mulheres “a menos que estejam envolvidos numa relação aceita,
seja estando casados ou num compromisso de casamento; e certos tabus
contra toques físicos impedem estímulos entre adultos e crianças, a
menos que sejam partes do mesmo núcleo familiar, e apenas sob
determinadas circunstâncias”.[116] Do mesmo modo, um pai pára de
abraçar e tocar em sua filha quando ela chega à puberdade, com medo de
que isso possa estimulá-la precocemente.

Nos adultos, os estímulos e contatos físicos são tão importantes quanto o


sexo, e a sua falta pode deixar a pessoa sem entusiasmo, sem alegria e até

221
depressiva. O sexo, nutrido com uma boa dose de carinho, de amor, de
atenção, de romantismo e de intimidade poderá trazer reflexos positivos
não só na vida do casal com uma vida mais realizadora e feliz, mas em
todas as atividades que eles realizem, pois traz satisfação física, equilíbrio
emocional e até influência positiva na parte espiritual.[117]
Pessoas sem muito contato físico buscam de modo obsessivo compulsivo,
atividades sexuais, já que devido aos vários tabus e preconceitos incutidos
pela cultura, a única maneira socialmente aceita para os adultos serem
tocados e tocarem os outros é através da atividade sexual, além dos
contatos rituais (um aperto de mão, um tapinha nas costas, um abraço
formal). É difícil duas pessoas terem uma relação sexual sem se tocarem,
mas duas pessoas podem se tocar sem ter uma relação sexual, podem dar-se
mutuamente estímulos físicos sem haver sexo entre elas. É cada pessoa que
determina o caráter sexual ou não dos estímulos físicos que dá ou
recebe. O escândalo envolvendo um presidente americano e uma ex-
estagiária da Casa Branca, indica bem esse aspecto. Ela havia declarado
que tinha tido encontros sexuais com o presidente, mas este negou que
tivesse feito sexo com ela. Mas, no dia 17 de agosto de 1998, em
declarações à nação americana, pela TV, ele admitiu que teve uma relação
imprópria com ela. Mas quando o Relatório do Promotor foi divulgado,
inclusive pela Internet, descobriu-se que "relação imprópria" tinha alguns
significados, como sexo oral, uso do charuto...

Um casal pode aumentar os seus estímulos físicos, sem necessidade de


sexo, indo dormir, por exemplo, sem pijama ou camisola, simplesmente
sentindo o corpo do outro, ou fazendo cada um uma relaxante massagem no
outro ou até utilizando outros meios que tragam a satisfação aos dois.[118]

2º TIPO: ESTÍMULOS VERBAIS

São os estímulos dados através da comunicação verbal, da fala. – “Oi!


Prazer em ver você!” - “Como vai, tudo bem?” – “Parabéns, está muito
bom isso que você fez”.

Durante a infância, a criança recebe mais estímulos físicos, já que o bebê é


acariciado, apalpado, embalado, banhado, etc. Com o tempo, esses
estímulos físicos vão sendo diminuídos e substituídos por estímulos
verbais, em especial aqueles que indicam reconhecimento da existência e
do valor da pessoa, de suas realizações. Por exemplo, um pai diz à filha: -
“Como você está bonita hoje!” - dá o estímulo verbal em vez de lhe dar

222
um abraço, um estímulo físico. “A mãe fornece estimulações através dos
sons: arrulhando, cantando e ao falar com seu filhinho num tom de voz
agradável, gentil, afetuoso e tranqüilizador. São estimulações positivas.
Quando ela grita, ou quando o tom de voz torna-se estridente e irado, a
estimulação é negativa. Quando a criança cresce e começa a
compreender as palavras, a mãe a estimula verbalmente. - Eu te amo - é
uma estimulação positiva; - Eu não te agüento - é uma estimulação
negativa. (...) As palavras estimulantes só têm valor quando impregnadas
de emoção que elas visam a exprimir. Embora em nossa cultura, grande
parte da estimulação seja verbal, visto existir um tabu generalizado com
referência aos contatos físicos, as palavras só constituem fontes seguras
de estimulação quando o tom da voz, a expressão do rosto e a linguagem
corporal concordam com elas”.[119]

Os estímulos verbais que a criança recebe em sua evolução e socialização


como pessoa estimulam muito o desenvolvimento de certos estereótipos,
certos comportamentos esperados, certas características chamadas de
"masculinas" ou "femininas". As mensagens que a criança recebe estimula
o desenvolvimento de certas partes da personalidade em detrimento de
outras, a ponto de uma criança, em volta dos cinco anos, já ter bem claro
em sua mente o que é um menino e uma menina, já sabe quais são os
"papéis" que cada um desempenha na vida.[120]
A força da cultura ainda leva muitos pais a estimularem em seus filhos os
estereótipos do que a sociedade onde vivem acha o que é "masculino" ou
"feminino". Os meninos são estimulados a serem fortes, não chorarem, não
sentirem tanto as emoções e não demonstrarem tanto amor, serem racionais,
lógicos e pouco (ou nada) emotivos, serem bons em esportes, em
matemática, ciências exatas, serem produtivos em algum trabalho, usarem
cabelos curtos e aparados, serem impulsivos, independentes, terem
habilidade em alguma coisa, serem agressivos, serem ousados e corajosos,
serem um pouco bagunceiros, desleixados, teimosos, grosseiros,
dedicarem-se às ciências exatas ou mecânicas, etc. Já as meninas recebem
estímulos para adotarem papéis "femininos": serem emotivas,
sentimentais, adaptáveis, protetoras, e quando mulheres maduras, serem
maravilhosas como uma "bonequinha" (cabelos e unhas arrumadas, cintura
fina, pernas longas, estômago reto, seios bonitos como o "padrão" vigente
das modelos estampadas nas revistas femininas, etc.), pouco racionais, não
demonstrarem que são fortes, mas aparentarem que são "fracas", usarem
cabelos compridos, brincos ou outros enfeites, serem meigas, delicadas,
dependentes, passivas, gentis, dedicarem-se às ciências humanas, etc.

223
Muitos pais ainda hoje forçam os seus filhos e filhas a se enquadrarem
nesses padrões estereotipados continuando a dar estímulos diferenciados a
meninos e meninas, desde os primeiros dias de suas vida, vestindo, por
exemplo, os bebês masculinos com roupinhas na cor azul e os femininos de
rosa. E continuam, vida a fora das crianças, a darem estímulos
estereotipados como aqueles, delineando claramente os papéis masculinos
e femininos. Além disso, os meninos e as meninas recebem, dentro do lar,
fortes mensagens sobre como o homem e a mulher devem comportar-se, ao
observarem os seus pais: o pai sai para trabalhar e ganhar o sustento do lar;
é ele que toma as decisões importantes, conserta as coisas na casa, etc. A
mãe cuida do lar e dos filhos, organiza a casa, paga as contas e faz as
compras em supermercados, etc. Há algum tempo estão mudando esses
padrões masculino e feminino tradicionais, esses estereótipos mais rígidos,
culturais e familiares. Homens estão, por exemplo, usando brincos nas
orelhas, cabelos compridos e mulheres estão assumindo papéis que antes
eram exclusivos masculinos, por exemplo, dirigindo caminhões ou ônibus,
assumindo funções nas forças armadas, criando até certa confusão na
cabeça das crianças, já que o mundo tem sentido para a criança a partir do
que se espera dela como menino ou menina.[121]

3º TIPO: ESTÍMULOS POSITIVOS

São aqueles que fazem a pessoa que os recebe, ter emoções positivas,
sentindo-se bem, sentindo satisfação e bem-estar. São estímulos honestos,
construtivos, levando a pessoa a sentir-se de bem com a vida, pois esses
estímulos indicam que ela é aceita e reconhecida. Não só as palavras são
positivas e reconfortantes, mas também os gestos de aprovação, como um
sorriso, um carinho, um afago, um abraço carinhoso, um tapinha nas costas,
o "ouvir ativo" prestando atenção realmente na outra pessoa, etc. Alguns
exemplos:
- Você fez um bom trabalho, parabéns!
- Como você está bonita, com esse penteado!
- Filho, você errou nesta conta de somar. Faça de novo. Tenho certeza de
que você irá acertar e fazer correto.
- Pode ir brincar com ele, é bom fazer novos amigos.
- Você é uma criança inteligente. Como eu admiro você!
- Gosto do jeito que você sorri. O sorriso faz o seu rosto ficar ainda mais
bonito.
- Vem aqui, quero lhe dar um abraço.

224
3.1 - ESTÍMULO POSITIVO INCONDICIONAL

O melhor dos estímulos positivos é aquele que é dado à pessoa sem


nenhuma condição, sem nenhuma exigência, sem nenhum julgamento de
valor, fazendo a pessoa sentir que ela os recebe pelo simples fato de
existir. Ela nada precisa fazer, simplesmente ser. Esse é o melhor dos
estímulos que uma criança ou adulto pode receber dos outros para a sua
saúde mental, emocional e para a sua felicidade, já que a pessoa sente o
seu valor como pessoa e alegra-se por isso. Estímulos, como por
exemplo:
- Gosto de você, do jeito que você é.
- Como fico feliz de você ter nascido meu filho/filha.
- Sou muito feliz por viver com você.
- Gosto muito de você!
- Que bom que você está aqui.
- Você quer um abraço? Venha aqui que eu ficarei muito feliz em abraçar
você.
- Como você é uma criança querida! Venha aqui que quero dar um abraço
bem gostoso para mostrar como eu gosto de você...
- Você está crescendo e ficando uma menina muito bonita.
- Você quer saber a diferença? Vou explicar a você...
- Quando você nasceu eu e o seu pai ficamos muito contentes e a cada dia
estamos mais felizes com você.
- Eu adoro quando você chega e me dá esse abraço gostoso, matando a
saudade que eu estava sentindo de você.
- Para você entender porque eu e o seu pai não queremos que você faça
isso, vou lhe explicar. Sei que você entenderá porque estamos agindo
assim...
- É bom falar dos seus sentimentos. Assim as pessoas podem se entender
melhor...

Estímulos como esses mostram uma aceitação da pessoa de modo


incondicional por ela ser uma pessoa humana, respeitando-a como tal,
independentemente de seu comportamento. A pessoa não precisa fazer
nada para receber o estímulo, simplesmente ser, existir. Ela sente, assim,
a sua importância como ser humano e aprende, também, a dar importância
às outras pessoas; aprende a ter confiança e a confiar nelas. Esse aspecto
torna-se mais importante ainda no trato com as crianças. Os adultos, pais ou
educadores, precisam observar a importância de darem esse tipo de

225
estímulo na hora em que a criança pedir o estímulo, pois naquele momento
ela está necessitada de recebê-lo. O adulto não deve deixar passar um
tempo para dar o estímulo pedido, como aconteceu com certo executivo que
chegou ao seu lar, no início da noite e seu filho de 5 anos veio correndo
alegre para receber um abraço. E o pai, severo e frio disse: - Agora não,
filho, porque estou de terno e não quero sujar a minha roupa. E horas depois
foi dar o abraço no filho.

Quando as pessoas começam a dar estímulos positivos incondicionais às


outras pessoas com as quais convivem, elas logo perceberão a mudança,
para melhor, no ambiente e no relacionamento. Como seria benéfico se as
pessoas de vez em quando perguntassem a si mesmas:- Qual foi a última
vez que dei um estímulo positivo e incondicional ao meu cônjuge?
Estímulo como um abraço, um olhar nos olhos acompanhado daquelas
palavras mágicas: - Eu te amo. E perguntassem também: - E aos meus
filhos e parentes, qual foi a última vez que dei algum estímulo positivo
incondicional, sem exigir nada em troca, sem impor nenhuma condição?
Como seria benéfico se as pessoas não deixassem passar muito tempo sem
fazer essas perguntas evitando situações como as ocorridas com um diretor
de empresa.

Certa época ministrei um curso para diretores e gerentes de uma fábrica, no


sul do Brasil, região de marcante influência cultural alemã. As sessões do
curso eram à noite, de segunda a sexta. Recordo-me que no segundo dia
falei da importância dos estímulos positivos no ambiente de trabalho, para
melhoria do relacionamento interpessoal e dos resultados da empresa, e
solicitei que cada participante ali presente, no dia seguinte, procurasse dar
algum estímulo positivo incondicional a alguma pessoa. Na noite seguinte,
iniciei a sessão solicitando que contassem o que aconteceu. Um dos
diretores iniciou contando que tinha o costume de chegar ao seu escritório
na fábrica, passar rápido pela mesa de sua secretária que tinha 25 anos de
trabalho com ele, resmungar um "bom dia" e entrar direto em seu escritório.
E quando ele a chamava para anotar as ordens da manhã, ela permanecia de
pé à sua frente, anotando. E naquela manhã, em vez de passar direto, ele
parou à sua frente, olhou bem para ela, sorriu, deu um "bom dia" cordial,
elogiou o penteado dela, dizendo que lhe ficava muito bem. Ele percebeu
que ela levou um tremendo susto. E um tempo depois quando a chamou para
as ordens da manhã, pediu-lhe que sentasse e conversou com ela alguns
minutos coisas agradáveis, inclusive perguntando a opinião dela. Ele ficou
impressionado como aparecia no rosto dela a satisfação de sentir-se

226
valorizada. E o mais interessante que esse diretor contou e que fez a platéia
cair em uma gostosa gargalhada, foi que na hora do almoço ao ir para casa,
resolveu parar em uma floricultura e levar para sua esposa um buquê de
rosas vermelhas, que sabia que ela adorava, e que fazia um tempo enorme
que ele não dava esse estímulo a ela. Ao chegar em casa com as flores,
entregou-as com um abraço e um longo beijo. Ela, surpresa com tanta
demonstração de amor, olhou bem para ele, e de modo maroto perguntou: -
O que você andou aprontando?!

3.2 - O ELOGIO

Um grande estímulo positivo incondicional é o elogio, pois eleva a pessoa,


destaca suas qualidades e cria um estado emocional positivo. “As
vantagens do elogio foram enumeradas pela Profa. Franziska
Baumgartner, da Universidade de Berna:
1. O elogio proporciona satisfação imediata.
2. O elogio natural é inesperado e tem mais valor porque não é resultado
de trabalho feito.
3. O elogio expresso em palavras tem aspecto elevado, humano, ideal.
4. O elogio é momento culminante nas relações entre duas criaturas
humanas.
5. O elogio não desperta inveja porque é processo dinâmico, continua
como incentivo ao elogiado e aos outros que assistiram ao elogio, mas
sabem que podem merecê-lo a qualquer momento”.[122]

Muitas pessoas têm dificuldade em aceitar estímulos positivos, em especial


os elogios, achando que não os merecem, apesar de, como disse certa vez
William James, “O maior desejo de uma pessoa é obter elogio”.[123] Isso
mostra que se a pessoa receber estímulos positivos como é o caso dos
elogios, ela pode recebê-los, pode aceitá-los, pois isso certamente lhe fará
bem. E ela sabendo que o maior desejo das pessoas é obter elogio, ela pode
dar estímulos positivos, elogios, àquelas pessoas que necessitam. As outras
pessoas também precisam e gostam de estímulos positivos, em especial os
incondicionais, como os elogios. O mundo seria realmente mais feliz se
as pessoas não economizassem elogios...

Vários estudos sobre os elogios chegaram à algumas conclusões


interessantes:
1. A maioria dos elogios diz respeito aos bens da pessoa, de automóvel às
roupas.

227
2. O segundo tipo de elogios mais comuns são os elogios à aparência das
pessoas.
3. O terceiro tipo de elogios mais comuns se utiliza dos êxitos e realizações
das pessoas.
4. “O elogio "bom" e "ótimo" é mais eficaz com crianças de classe
inferior do que com crianças de classe média, ao passo que o elogio
"correto" e "certo" eram mais eficazes com crianças de classe média do
que inferior.(...) E criança responde melhor aos elogios do pai do sexo
oposto”.[124]
5. Existe uma diferença significativa na maneira pela qual os homens e as
mulheres dão elogios:
5.1. Os homens economizam nos elogios, mais do que as mulheres.
5.2. As mulheres tendem a dar uma nota pessoal aos seus estímulos, como
por exemplo: — Gosto do seu novo corte de cabelo. Ou: - Acho excelente
o seu trabalho. Já os homens dão elogios com ênfase ao fato em si, sem
personalismo: - Está bonito o seu cabelo. Ou: - Você fez um grande
trabalho.
5.3. Os elogios das mulheres tendem a ser negados ou menos apreciados. É
mais provável que as mulheres recusem um elogio especialmente se
oferecido por outra mulher, pois os elogios vindos de outra mulher são
considerados uma simples observação e não um elogio. Já os elogios dos
homens parecem ser mais valorizados, devido ao fato de não serem feitos
com tanta freqüência e porque são feitos com maior firmeza.
5.4. As mulheres usam os elogios como uma negociação, um dar e receber
elogio: - Eu gosto do seu colar - é respondido com outro elogio - Você está
muito bonita hoje, querida, com essa roupa!
5.5. As mulheres usam o elogio quando querem expressar solidariedade e
boa vontade.
5.6. Os homens dificilmente dirigem algum elogio para outro homem e
quando o fazem é para enfatizar o desempenho ou bens materiais. É difícil
encontrar, na cultura ocidental, um homem que diga para outro: - Você está
bem hoje - pois isso possui uma forte conotação sexual.
5.7. Os homens tendem a aceitar bem o elogio dos outros homens, porém é
menos provável que aceitem das mulheres.
5.8. De modo geral, os homens aceitam melhor os elogios do que as
mulheres.
5.9. Tanto homens quanto as mulheres que estão de bem consigo mesmos e
com a vida, são capazes de dar e receber elogios.

3.3 - ESTÍMULO POSITIVO CONDICIONAL

228
Este tipo de estímulos são aqueles dados em decorrência de uma condição,
geralmente imposta e se a pessoa atende essa condição. Muitos pais, sem o
perceberem, dão aos filhos estímulos positivos, mas sempre condicionais,
isto é, os filhos têm que satisfazer uma condição para receberem o
estímulo. Há sempre um "se" presente:
- Gosto de você, se você se comportar.
- Eu amo você, se tirar notas altas na escola.
- Ficarei feliz se comer todo o seu lanche.
- Você é um bom filho se...
- Se você fizer direitinho, irá ganhar um beijo.
- Você ganhará um abraço, se...
- Você é uma criança inteligente e esperta! Se você caprichar nesse seu
desenho vou ficar muito feliz.
- Sei que você é capaz de fazer isso. Tente fazer de novo. Sei que achará o
erro. Se consertar o trabalho ganhará um "ótimo".
- Gostei muito de você ter feito seu trabalho escolar com tanto capricho
e dentro do prazo. Parabéns! Se você agir sempre assim, eu vou gostar
muito mais de você!

Geralmente o estímulo condicional é dado por pais ou educadores que


desejam ensinar responsabilidades às crianças, ensinando certos
comportamentos e as conseqüências deles. Os pais apesar dessa boa
intenção, ao agirem assim estão, na realidade, fazendo uma chantagem
emocional com os filhos, além de um julgamento. A criança recebe o
estímulo dependendo do que fizer. Isso acontece, também, nas atitudes dos
educadores. Assim, desde cedo a criança aprende a se esforçar cada vez
mais para poder receber esse tipo de estímulos dos pais ou dos educadores.
“Em algumas famílias, em especial as que prezam muito a realização, as
crianças recebem um grande número de carícias condicionais. Estas
crianças aprendem que, para obter carícias, devem apresentar um bom
desempenho e uma boa produção. Quando adultas, poderão vir a dedicar-
se ao trabalho de maneira obsessiva e só se sentirem acariciadas quando
estão lutando por alguma coisa; de outro lado, não saberão como se
comportar em períodos de lazer”.[125]

4º TIPO: ESTÍMULOS NEGATIVOS

São aqueles estímulos que fazem a pessoa que os recebe, sentir-se mal,
provocando reações emocionais negativas, pois eles são destrutivos,

229
desqualificadores e diminuem a sua auto-estima. Na realidade, são
estímulos agressivos, levando a pessoa a sentir-se "por baixo",
inferiorizada, desprezada, uma perdedora na vida. Esse tipo de estímulo é,
na verdade, a negativa de reconhecimento da pessoa. Grande parte dos
estímulos negativos são agressões verbais, como por exemplo:
- Por que você nasceu, se é assim tão burra?
- Não pedi a sua opinião! Cala a boca, peste!
- Por que você é tão teimosa e incompetente?
- Como você é uma pessoa egoísta e preguiçosa!
- Você é uma porca, olha o que fez na sua mesa!
- Saia da minha frente, não quero ver você!
- Detesto você! Por que eu fui ter você?
- Vou falar para o seu pai como você é mal educado!
- Não é possível haver alguém tão burro assim!
- Você é incapaz de fazer certo qualquer coisa!
- Você não presta para nada, está sempre cansado!
- Você só sabe se justificar, mas não explica nada!
- Você não cumpre nunca o que promete?
- Deixe-me em paz, por que você não some?
- Você é tão ruim que quando crescer vai ser bandido!
- Detesto você! Você me deixa louca!
- Como você é mentirosa e fingida!
- Deus do céu! O que você fez com o seu cabelo?

Muitos pais, preocupados em não dar aos filhos estímulos negativos, caem
em outro extremo, não mostrando à criança que ela errou, e assim a criança
nunca sabe distinguir o que é certo ou errado. E outros se sentem culpados
quando dão um estímulo negativo, como uma palmada, por exemplo, aos
filhos. “Tudo isso não quer dizer que umas boas palmadas (estímulo
negativo) de vez em quando façam algum mal. É o padrão geral de
estímulos proporcionados que interessa. Palmadas raramente
prejudicarão uma criancinha criada numa família onde haja muito
amor”.[126]

Existem estímulos negativos incondicionais, como por exemplo: - Detesto


você! Queria que nunca tivesse nascido! Ou condicionais, como a da mãe
que faz a ameaça: - Vou ficar muito zangada se você não fizer seu
trabalho direito! Os estímulos negativos incondicionais são os mais
prejudiciais à criança porque não dão nenhuma chance a ela, como por

230
exemplo: -Você não devia ter nascido, sua peste, só me atrapalha a vida!

Porém, para a criança o que mais prejudica é o fato de não receber


estímulos, quaisquer que sejam eles, dos pais ou dos educadores que com
ela convivem. Essa situação é intolerável e quando ocorre, as pessoas
muitas vezes criam situações que as exponham a receber estimulações
negativas que lhes parecem preferíveis à ausência total de estimulações.
Isso se observa logo nas primeiras fases da vida, como, por exemplo, com
as crianças que derramam o leite só para atrair a atenção da mãe. Elas
acham melhor ouvir ralhos e receber palmadas que permanecer
ignoradas”.[127]

Essa situação ocorre não só com as crianças, mas também com os adultos,
já que se estão com carência de estímulos, preferem receber estímulos
negativos a não receberem nada. “Alguns pais praticamente não dão
qualquer atenção a seus filhos. Quando isto ocorre, a criança recebe
muitos poucos estímulos positivos, condicionais ou não, e pode ficar
muito ansiosa. Freqüentemente se esforçará ao máximo para obter
qualquer tipo de reconhecimento. Será capaz de se meter em apuros,
fazendo qualquer coisa "má", só para chamar a atenção sobre si. Se
conseguir, receberá uma reprimenda - um estímulo negativo. Ótimo! Com
isto fica provado que há quem se importe com ela, nem que seja para
gritar-lhe ofensas. É melhor do que nada. Na verdade, é infinitamente
melhor que nenhum estímulo, motivo pelo qual alguns garotos vão tão
longe para obter estímulos negativos.(...) Uma vida devotada à obtenção
de estímulos negativos quase certamente produzirá um criminoso”.[128]

“A preferência por carícias negativas desenvolve-se em situações em que


a criança é ignorada, a não ser que algo errado ocorra. Estímulos
negativos são preferíveis à ausência de estímulos. Se crianças são
criadas em famílias que as negligenciam até que comecem a causar
problemas, aprenderão a ser negativistas e indisciplinadas para obterem
os estímulos de que precisam para sobreviver”.[129]

As pessoas parecem ter um certo Quociente de Sobrevivência[130] que as


levam a procurar estímulos negativos quando suas fontes de estímulos
positivos caem abaixo de certo nível. “Os estímulos são necessários para
a sobrevivência humana e quando as pessoas não conseguem obter
estímulos positivos contentar-se-ão com estímulos negativos, porque

231
também esses, mesmo que sentidos de forma ruim, constituem apoio de
vida.(...) Aceitar estímulos negativos é como beber água poluída;
necessidade extrema faz com que desconsideremos as qualidades
prejudiciais daquilo que exigimos para viver.(...) Pelo fato de os
estímulos negativos terem algum valor na satisfação da fome de
estímulos, as pessoas, quando famintas demais, contentar-se-ão em
aceitar estímulos negativos em vez de passar sem eles. Assim, dependendo
do seu Quociente de Sobrevivência, algumas serão capazes e outras
incapazes de rejeitar estímulos negativos... do mesmo modo que não se
pode esperar que uma pessoa esfomeada rejeite comida estragada”.[131]

Qualquer que seja o tipo, os estímulos negativos são muito destrutivos


para quem os recebe, situação bem mostrada naquela história, de autoria
desconhecida, da velhinha que vivia em certa cidade pequena e tinha o
costume de falar mal dos outros. Coitada da pessoa que "caísse na boca"
dela, pois esse costume de falar mal dos outros, já tinha destruído vidas,
acabado com casamentos, prejudicado pessoas e lares. A velhinha, porém,
não percebia o quanto o seu comportamento prejudicava os outros. Um
certo dia ela foi à igreja se confessar. A penitência dada foi pegar duas
galinhas mortas, tirar as suas penas, subir no prédio mais alto e jogar
essas penas espalhando-as pela cidade. A velhinha achou a penitência
fácil de ser cumprida, apesar de ter estranhado um pouco. Após cumpri-
la voltou à igreja. - Para terminar a sua penitência - disse o sacerdote -
você deve recolher todas as penas que espalhou pela cidade. - Mas isso é
impossível! - exclamou a velhinha maledicente. - Nunca vou conseguir
recuperar essas penas. - Do mesmo modo - concluiu o sacerdote -
acontece com as pessoas sobre as quais a Sra. espalha boatos e fala mal
pelos quatro ventos da cidade. Elas nunca conseguirão recuperar as suas
vidas, as suas auto-imagens, os seus casamentos, os seus lares desfeitos,
estragados e destruídos pelos boatos que a Sra. fala deles...

5º TIPO: ESTÍMULOS FALSOS

São aqueles estímulos que apesar de serem dados como positivos,


machucam e diminuem a pessoa que os recebe. Os estímulos falsos podem
ser:
5.1. De Lástima: são estímulos que indicam uma falsa compaixão. Por
exemplo: - Coitadinha de você. Está com 35 anos e ainda não arranjou
um namorado! Quem dá este tipo de estímulo está tentando "salvar" a outra
pessoa (... coitadinha...), mas na realidade não a salva, a mantêm na

232
situação inferiorizada em que ela se encontra.
5.2. De Adulação: São estímulos falsos dados por pessoas que não
acreditam em si mesmas e por isso precisam ser endeusadas.
- Como você está linda, querida!
- Que nada, você é que está linda...
5.3. De Plástico: são estímulos falsos, estereotipados, ritualistas. - Bom
dia! - estímulo dado sem nenhuma emoção, de modo frio. - Meus pêsames!
- Como vai a Sra.? - Bem, obrigada.

6º TIPO: ESTÍMULOS DE TEMPO, DE PRESENÇA, DE AJUDA E


DE DISPONIBILIDADE.

São estímulos positivos que valorizam a pessoa.


- Vim ficar um tempo com você.
- Estou aqui ao seu lado.
- Estou às suas ordens para ajudá-lo.

Quando uma pessoa precisa receber esses tipos de estímulos - de tempo, de


presença, de ajuda e de disponibilidade - e as pessoas negam esses
estímulos a ela, a frustração é muito grande e pode afetar as suas atitudes,
ficando magoada com as pessoas. O não recebimento desse tipo de
estímulos está bem demonstrado na adaptação feita na história A Galinha
Vermelha, de autoria desconhecida:
“A GALINHA VERMELHA
Era uma vez... uma galinha vermelha que, ciscando palha no curral de um
sítio, encontrou alguns grãos de trigo. Empolgada, chamou os outros
animais do curral e convidou-os:
- Se plantarmos estes grãos de trigo, em breve poderemos fazer pão.
Quem me ajuda a plantá-los?
- Eu não! - disse o ganso. Os demais animais "acharam prematuro"
discutir o assunto, uma vez que "precisa reunir a diretoria da Associação
Comunitária do Curral, mas já se sabe que esta não quer tomar nenhum
partido, pois está em fim de mandato".
- Então eu mesma plantarei os grãos de trigo! - disse a galinha vermelha.
E lá se foi ela, sozinha, ao terreno ao lado do curral. Limpou o terreno,
arou a terra e plantou os grãos de trigo. E todo dia molhou o terreno,
fazendo o trigo germinar, crescer e amadurecer.
- Quem vai me ajudar a colher o trigo?
- Eu não posso - falou o pato.
- Isso não é serviço para mim que tenho experiências profissionais mais

233
elevadas - disse o porco.
- Eu já estou aposentada e não quero fazer mais nada - resmungou a
vaca.
- E eu estou esperando alguém me arranjar um emprego - falou o ganso.
- Pois então eu vou sozinha colher o trigo - retrucou a decidida galinha
vermelha. E todos os animais do curral ficaram vendo a galinha
trabalhando, colhendo o trigo e depois moendo os grãos. Por fim, chegou
a hora de fazer a massa e assar o pão e a galinha vermelha reuniu todos e
perguntou:
- Quem me ajuda a fazer a massa e assar o pão?
- Isso faria eu perder a hora da minha novela predileta - afirmou a vaca
aposentada.
- Eu não tenho experiência nisso e não tenho vontade de aprender -
escusou-se o pato.
- Eu nunca aprendi a assar pão - lamentou-se o porco cheio de outras
experiências profissionais.
- Ser ajudante único é uma discriminação! - desculpou-se o ganso que
continuava esperando alguém lhe arranjar um emprego, não um trabalho.
- Então eu farei o serviço sozinha - resolveu a galinha vermelha. E ela fez
a massa e depois assou cinco pães. Quando eles ficaram prontos,
mostrou-os aos outros animais, seus companheiros do curral. Todos
ficaram alegres e encantados com os pães cheirosos e apetitosos. E todos
reclamaram a uma só voz:
- Eu quero a minha parte!
Mas, a galinha vermelha ponderou:
- Não me parece justo, pois fiz tudo sozinha e vocês não levantaram uma
palha para ajudar. E ademais, eu posso comer esses pães sozinha!
- Egoísta! - berrou a vaca, acomodada em sua aposentadoria.
- Gananciosa! - grasnou o pato.
- Eu exijo direitos iguais! - vociferou o ganso que só queria um emprego,
não um trabalho.
E o porco, cheio de experiências profissionais, grunhiu um palavrão,
xingando e com inveja da esforçada galinha vermelha...
Insuflados por agitadores que nessas horas costumam aparecer e que "só
querem ver o circo - o curral - pegar fogo", os animais saíram de seus
comodismos e pintaram faixas de protestos, fizerem piquetes no portão do
curral e marcharam em volta da galinha vermelha, bradando coisas
indecentes e ofensivas. Apareceu um agente que se dizia do governo e
explicou à galinha vermelha:
- Você não deve ser tão gananciosa...

234
- Mas eu mereço os pães e eles não me ajudaram...
- Exato! - disse o tal agente - mas os membros da comunidade também
merecem. E prosseguiu:- Todo mundo do curral pode colher tanto quanto
deseja mas conforme os novos tempos de globalização mundial os
trabalhadores produtivos devem dividir sua produção com os
desocupados que tem preguiça de trabalhar...
E assim, os pães foram divididos entre todos os animais do curral. Depois
disso, todos viveram felizes, inclusive a galinha vermelha, que se isolou a
um canto do curral e vivia piando com humildade e com sentimentos
negativos... Mas os outros animais do curral se admiraram, pois ela,
antes tão esforçada, nunca mais assou um pão... nunca mais tomou a
iniciativa para fazer qualquer coisa”.

7º TIPO: ESTÍMULOS MANCHADOS

São aqueles estímulos que aparentemente são positivos, mas fazem a pessoa
sentir-se mal, diminuem a sua auto-imagem e por isso, a pessoa tenta
rejeitá-los. Por exemplo:
- Você tem os cabelos muito bonitos.
- Eu sei, mas eles já estão ficando brancos.

Assim como os estímulos negativos os estímulos manchados afetam as


emoções da pessoa, pois a diminuem, a desqualificam perante os seus
próprios olhos (a sua auto-imagem), fazendo-a sentir que não tem
capacidade, fazendo-a assumir um papel de vítima, exercendo sobre ela
um efeito de um verdadeiro treinamento para a incapacidade. “Esse tipo
de treinamento é feito interferindo-se em áreas nas quais a criança tenha
poder potencial. São atacadas três áreas importantes de poder: poder de
amar, ou seja, o poder de se relacionar com êxito com outros seres
humanos; poder de pensar, ou seja, capacidade de compreender o mundo;
e poder de ter prazer, ou seja, a capacidade de experienciar e fazer uso
total dos nossos corpos e nossas emoções”.[132] Um exemplo marcante
desse tipo de treinamento para a incapacidade está na história de Helen
Buckley:
“Era uma vez um menino de 5 anos, pequenino no tamanho, em relação
aos seus colegas de sala, mas com uma grande vontade de aprender. Um
dia a sua professora disse:
- Hoje nós vamos fazer um desenho.
O menininho pensou: - Oba! Vou desenhar! Ele gostava muito de
desenhar bichos como vacas, as galinhas, gatos e, também, desenhar

235
navios, aviões e carros. Gostava tanto de desenhar que já estava com a
sua caixa de lápis de cor em cima de sua mesinha. Escolheu um lápis de
cor e começou a desenhar. Mas foi interrompido pela professora que
disse:
- Atenção! Ninguém começa a desenhar ainda! Ela esperou até que todos
estivessem prontos para desenhar e disse:
- Agora nós iremos desenhar flores. O menininho desenhou três bonitas
flores e começou a pintá-las de azul, de amarelo e laranja. Mas, teve que
parar porque a professora disse:
- Vou mostrar como vocês tem que desenhar e pintar. E a professora
desenhou uma flor na cor vermelha com o caule e as folhas verdes.
- Agora - disse a professora, - vocês podem fazer o desenho da flor e
pintá-la como eu fiz. O menininho olhou para a flor vermelha da
professora e depois para as suas três flores. Gostou mais das suas três
flores, mas ficou com medo de fazer diferente da professora. Pegou uma
outra folha de papel e desenhou uma flor vermelha com o caule e folhas
verdes. Uma flor igual à da professora.
Outro dia era aula de trabalhos com barro. A professora disse:
- Tenho certeza de que vocês hoje vão gostar da aula. Nós iremos hoje
fazer alguma coisa com o barro. O menininho ficou contente porque
gostava muito de fazer coisas com o barro. Ele fazia carrinhos,
trenzinhos, moinhos, cobrinhas e muitas outras coisas. Pegou um pouco
de barro e começou a fazer bolinhas de todos os tamanhos. Mas, a
professora o interrompeu, dizendo:
- Esperem! Ainda não é hora de começar a mexer no barro. Ela esperou
até que todos estivessem prontos.
- Agora nós iremos amassar o barro até ele ficar parecido com um prato -
disse a professora. O menininho ficou contente porque gostava de fazer
pratos de todas as formas e tamanhos. Ele já tinha amassado três
bolinhas de barro, fazendo três pratos quando a professora disse:
- Esperem! Não comecem ainda! Vou mostrar primeiro como se faz pratos.
E mostrou como se faz um prato fundo. - Agora vocês podem começar...
O menininho olhou para o prato da professora e depois para os pratos
que tinha feito. Gostou muito mais dos seus pratos, mas ficou com medo
de dizer isso à professora. Por isso desmanchou os seus três pratos,
amassando o barro e fez um prato fundo, igual ao da professora.
O tempo foi passando... e o menininho aprendeu a não fazer nada
enquanto a professora não mandasse e ensinasse. Ficava sempre
esperando; depois que ela mandava, ele olhava e fazia tudo igualzinho ao
da professora.

236
O tempo passou e a família do menininho mudou-se de bairro e ele, de
escola. Ele gostou muito da nova escola, tinha muitas árvores no pátio e
muitos novos amiguinhos. Um dia a nova professora disse:
- Hoje, cada um de vocês vai fazer um desenho...
O menininho ficou contente porque gostava muito de desenho. Ficou
esperando a professora dizer o que eles iam desenhar e de que cor iriam
pintar. Mas, a professora nada disse. Ela ficava andando pela sala,
parava em cada mesinha, olhava o desenho de cada um, sorria e
elogiava... A professora nova chegou até o menininho e disse:
- Você não vai desenhar?
- Vou, mas o que é que vamos desenhar?
- Eu não sei até que você faça o desenho...
- Como eu posso fazer o desenho?
- Do jeito que você quiser e da cor que gostar - disse, sorrindo, a nova
professora.
- Eu não sei...- balbuciou inseguro o menininho, todo encolhido na
cadeirinha. Depois de um tempo olhando para a folha em branco, o
menininho finalmente fez o seu desenho: um flor vermelha, com o caule e
as folhas verdes”.

8º TIPO: ESTÍMULOS DE LEALDADE

São aqueles estímulos dados com a confiança de que a outra pessoa que os
recebe manterá o assunto reservado, mantendo a lealdade. Por exemplo,
duas amigas se encontram e uma delas, a Maria, conta o que aconteceu entre
ela e seu namorado. A amiga que escutou a história, lhe diz: - Maria, fiquei
contente de você ter tido confiança em mim e contado o que aconteceu entre
você e seu namorado. Pode confiar em mim... Porém, logo que a Maria foi
embora, a sua amiga foi logo contar à outra amiga o que soube, não agindo
com lealdade para com a Maria: - Sabe da maior? Você não vai acreditar
no que vou lhe contar. A Maria e o namorado dela ...

Esse exemplo mostra como o estímulo de lealdade está muito difícil de ser
encontrado nos tempos atuais.

COLEÇÃO DE FIGURINHAS DE ESTÍMULOS NEGATIVOS

Quando uma criança, ou mesmo um adulto recebe constantemente uma carga


muito grande de estímulos negativos, condicionais, falsos ou manchados,
esses estímulos desenvolvem, na pessoa, sentimentos de inferioridade. A

237
pessoa sente uma forte diminuição aos seus próprios olhos e frente aos
outros, uma desqualificação que a faz sentir-se constantemente por baixo.
Essa situação leva a pessoa a começar uma coleção de sentimentos
negativos, como se colecionasse figurinhas em um álbum emocional e
mental, figurinhas que significam, além dos sentimentos de
inferioridade, ressentimentos, rancor, cólera e raiva reprimida. Quando
essa pessoa enche o seu álbum, sente-se em condições de receber um
prêmio, de trocar o álbum com alguma recompensa psicológica, sente-se
com o direito de descarregar os seus sentimentos negativos de raiva, rancor
e os seus ressentimentos, sobre a pessoa que os provocou ou sobre outra
pessoa. Sente-se, assim, com o direito justificado de provocar uma
tremenda briga, provocar a separação ou divórcio, ou de tomar uma
bebedeira ou até, em casos extremos, de cometer suicídio ou homicídio.

Essa situação pode ocorrer, muitas vezes, com crianças que foram
agredidas e espancadas durante a infância, que mais tarde, na adolescência
ou na vida adulta, sentem-se justificadas em agredir outras pessoas e até a
matar. “A criança espancada é uma criança programada para o
homicídio. Estamos nos referindo à criança que foi repetidamente
espancada de um modo brutal... registrando sentimentos de terror, medo e
ódio. Ela ferve de raiva por dentro - se eu fosse tão grande quanto você
eu o mataria. É aqui que se dá a mudança para a posição psicopática, eu
estou bem e você não vale nada... permissão para ser cruel, quando não
para matar. Mais tarde, uma pessoa destas, sob pressão suficiente, pode
ceder a esses registros antigos: ela tem o desejo de matar e a permissão”.
[133]

Essa situação foi bem mostrada naquele filme Um dia de fúria(Falling


Down), com Michael Douglas. O personagem recebe uma carga de
estímulos negativos que vão somando-se como se fossem figurinhas que ele
vai colecionando até o momento em que ele, com o seu álbum cheio sente-
se justificado a explodir: o engarrafamento de trânsito em Los Angeles,
com a balbúrdia de sons, em um dia com forte calor, aspectos negativos que
o levam a abandonar o carro no meio da rua, os telefonemas e discussão
com a ex-mulher que não o quer deixar ver a filha no dia do aniversário
dela, o desemprego, o sapato furado, a lanchonete que não quer lhe servir
um café porque já passou do horário, o tamanho do lanche servido
comparado com o apresentado na foto de propaganda da lanchonete, os
jovens agressivos, etc.

238
Outro exemplo é o de adulto que foi inferiorizado em sua vida, em especial
na infância e agora se cerca de pessoas a quem impõe uma dominação,
fazendo com que elas o adulem, forçando nelas uma atitude servil em
relação a ele. E quando essas pessoas se rebelam, não aceitam essa
situação, esse tipo de adulto sente-se novamente com o álbum de figurinhas
cheio e assim, sente-se justificado a descarregar nelas os seus sentimentos
de raiva.

Esses exemplos mostram que a coleção de figurinhas acontece quando as


emoções são desproporcionais ao acontecimento, quando a pessoa reage
com muita emoção, com rebeldia ou agressividade. Quando uma pessoa
está presa em um engarrafamento de trânsito, por exemplo, a emoção
desproporcional que ela sentir é uma figurinha, a emoção predileta que
ela usa em todas as situações em que recebe um estímulo negativo. Se
ela sentir raiva, será que em todas as outras situações em que recebe um
estímulo negativo, também não sentirá raiva?

O ser humano tem cinco emoções básicas, as mesmas que um animal não
domesticado: alegria, afeto, medo, raiva e tristeza. Raiva, medo e
tristeza, em pessoas saudáveis, são proporcionais a um acontecimento.
Por exemplo:
a. O que a pessoa sentiu com a morte de uma pessoa querida?
b. A pessoa imaginar-se no 15º andar de um prédio, onde começou um
incêndio no 3º andar. O que ela sente?
c. A pessoa tinha na geladeira uma comida especial que gosta muito.
Quando chega em casa constata que a empregada comeu tudo. O que ela
sente?
d. Imaginar-se caminhando em silêncio, ao lado de um/a amigo/a. O que
sente?
e. O que a pessoa sentiu ou sentiria no casamento de um/a filho/a?

Todos esses sentimentos são emoções naturais, sentidas naturalmente por


qualquer pessoa nessas situações. Mas as chamadas coleções de figurinhas
não são emoções proporcionais aos acontecimentos, mas sim uma
exacerbação emocional, bastante desproporcional. A maior parte dos
problemas que ocorrem entre as pessoas é devido à expressão exagerada
das emoções, em especial da raiva, expressa em sua maioria por atitudes
agressivas. Por isso, a agressividade está sempre relacionada à Coleção
de Figurinhas.

239
A agressividade é, em seu sentido original, etimológico, uma força positiva,
construtiva, pois significa agregar uma energia que leva uma pessoa a
chegar perto do objetivo desejado. Mas na história do ser humano
constata-se que ele sempre teve dificuldades em usá-la em níveis
adequados, naturalmente, no momento certo e com as pessoas certas.
Constata-se que na maioria dos casos o ser humano reprime a sua energia
agressiva, e quando isso acontece, quando ele não a expressa naturalmente,
ela irá vir à tona em outros modos substitutos. É o caso, por exemplo, do
marido que recebe muitos estímulos negativos da esposa agressiva e
prepotente, vai colecionando as suas figurinhas emocionais, reprimindo a
sua vontade de reagir, mas a sua reação irá aparecer em outro lugar,
ficando, por exemplo, impotente com ela na hora do sexo, ou sofrendo de
ejaculação precoce, não a deixando chegar a um orgasmo satisfatório. Se a
situação fosse ao contrário, a esposa reagiria com um substituto, como seria
o caso de uma frigidez.

A agressividade em uma pessoa diminui na proporção em que ela se


sente aceita e querida pelas outras pessoas. Na realidade, receber e dar
amor é a melhor forma de acabar com a agressividade e, em especial,
com a Coleção de Figurinhas. Como as crianças, os jovens e os adultos
seriam mais felizes se pudessem colecionar figurinhas de emoções
positivas, de alegria, de amor, de afeto, de admiração, de satisfação, de
prazer, de harmonia, de paz, de plenitude... Mas a realidade mostra que,
de modo geral, as pessoas estão constantemente dando às outras estímulos
negativos, levando-as a fazerem coleções de figurinhas, provocando
estouros emocionais, as agressões, as separações de casais, as brigas, as
violências. Veja o exemplo de uma esposa que só recebia estímulos
negativos do marido. Ela cortou o cabelo para ficar mais bonita para ele e
recebeu um estímulo: - Que coisa horrorosa! Deus do céu, o que você fez
com o seu cabelo?! Ela fez a macarronada predileta dele e ele, em vez de
elogiar ou agradecer, reclamou que tinha pouco sal ou pouco molho. E
assim, no desenrolar dos anos de casada, ela foi enchendo o seu álbum de
figurinhas negativas que representavam a sua raiva reprimida, os seus
ressentimentos e mágoas contra o marido que não lhe dava estímulos que a
fizessem sentir-se valorizada. Sentia, por isso, vontade de separar-se e
tentar ser feliz com alguém que a valorizasse, mas ela ainda não tinha
coragem, não se sentia ainda justificada. O tempo foi passando e ela
continuou a colecionar figurinhas negativas até que certo dia ela sentiu-se
justificada, com o seu álbum cheio: criou coragem e separou-se.

240
Ocorre, também, de algumas pessoas colecionarem figurinhas negativas
especiais, representando emoções de depressão, culpa, confusão, vergonha,
fobia, medo, pessimismo, angústia, sensação de incapacidade, falsa alegria,
falso afeto, etc. Outras pessoas colecionam figurinhas de raiva, ciúme,
ironia, rivalidade, inveja, desprezo, vingança, ressentimento, rancor,
desconfiança, indignação, triunfo maligno (- Agora você vai ver, vou
infernizar a sua vida...). Outras colecionam figurinhas douradas,
colecionando “sentimentos de auto-engrandecimento, autovalorização,
megalomania. O prêmio, neste caso, é sentir-se reconhecida como a
maior”.[134] Outras pessoas colecionam figurinhas brancas. “Se a criança
não colecionar sentimentos de raiva, poderá colecionar sentimentos de
pureza (falsa pureza), inocência, intocabilidade, pensando o seguinte: -
Você me bate sem motivo, você é mau, mas eu não reajo; sou puro,
agüento tudo e respondo o mal com o bem. São as chamadas figurinhas
brancas. Quando o álbum está cheio, a pessoa busca alguém que a ataque
de alguma forma, provoca este ataque, mas esconde logo a prova de que
provocou o ataque e proclama: - Por que você me ataca? Eu sou
inocente! Exemplo típico é o da mulher que provoca de todas as maneiras
um homem, mas quando ele lhe faz uma proposta, ela o repele
violentamente dando a entender mais ou menos o seguinte: - Você é um
sem vergonha, eu sou pura”.[135]

ESTIMULOGRAMA

É interessante fazer uma análise para descobrir que tipo de estímulos se dá


e se recebe dos outros. O exercício ESTIMULOGRAMA, a seguir, é uma
boa oportunidade para essa análise.

241
EXERCÍCIO DIAGNÓSTICO DOS
ESTÍMULOS
- ESTIMULOGRAMA -
Instruções: Quadro 1 - Verifique quantos estímulos (em %) de cada
tipo você costuma dar para as pessoas. O total somará 100%. Depois
que estabelecer as % tente anotar nomes de algumas pessoas que recebem
esses seus estímulos.
Quadro 2 – Verifique quantos estímulos (em %) de cada tipo, você
recebe dos outros. O total somará 100%. Depois tente identificar de
quais pessoas recebe esses tipos de estímulos.

1 – OS ESTÍMULOS QUE MAIS DOU ATUALMENTE,


SÃO:
ESTÍMULOS % PARA AS PESSOAS:
POSITIVOS
NEGATIVOS ,
AGRESSIVOS
FÍSICOS
VERBAIS
CONDICIONAIS
INCONDICIONAIS
F
A DE LÁSTIMA
L DE ADULAÇÃO
S
O
DE
PLÁSTICO(Estereotipados)
DE TEMPO
DE DISPONIBILIDADE
DE LEALDADE
100%

242
2 – OS ESTÍMULOS QUE MAIS RECEBO
ATUALMENTE SÃO:
ESTÍMULOS % DAS PESSOAS:
POSITIVOS
NEGATIVOS ,
AGRESSIVOS
FÍSICOS
VERBAIS
CONDICIONAIS
INCONDICIONAIS
F
A DE LÁSTIMA
L DE ADULAÇÃO
S
O
DE
PLÁSTICO(Estereotipados)
DE TEMPO
DE DISPONIBILIDADE
DE LEALDADE
100%

OS ESTÍMULOS DAS MENSAGENS NA CAMISETA

As pessoas, de modo geral, enviam mensagens aos outros através de seus


comportamentos não-verbais (posturas, gestos, expressões). Assim, sem
abrirem a boca, estão dizendo como estão as suas emoções, como estão se
sentindo ou o que estão querendo ou que tipo de figurinhas estão
colecionando. Um bom observador do comportamento das pessoas percebe
as mensagens que elas estão enviando. É como se as pessoas estivessem
usando uma camiseta mental e emocional com alguns dizeres

243
reveladores de como estão. Uma pessoa pode estar, por exemplo, com
uma frase escrita em sua camiseta mental e emocional. Na frente está
escrito: Estou com medo de você. E atrás há outra frase: Chute-me!
Certas mulheres podem estar usando três frases em suas camisetas mentais
e emocionais. Na frente está escrito: Sou boazinha e pura. Na parte de trás
está escrito: Não perturbe, pode ser que não seja tão boazinha e pura!

Um interessante exercício que os pais e educadores podem realizar é olhar


as pessoas com as quais convivem, em especial as crianças e os jovens, ou
as pessoas com as quais cruzam na rua, e imaginar pela postura física, pelos
sinais não verbais que elas estão dando aos outros, que frases estariam
escritas em suas camisetas mentais e emocionais. Para ajudar nesse
exercício, algumas sugestões de frases:
Pode entrar/ Não me incomode
Quero/Não quero a sua companhia
Veja como sou alguém importante/ inteligente
Não me irrite agora
Cuidado: estou agressivo/a hoje!
Socorro: estou carente hoje!
Sou a favor/Sou do contra
Domine-me/ Não me domine
Procuro alguém para ser meu ursinho
Quer receber meus carinhos?
Quer depender de mim?
Sou melhor/mais forte/mais rico/do que você
Todos são melhores, mais fortes e ricos do que eu
Espere por mim
Sou o bom/a boa
Preciso/Não preciso de alguém
Quer saber da última?
Estou em busca de sexo
Não se aproxime, sou frígida!/sou impotente!
Estou cheio de problemas
Carrego o mundo nas costas
Preciso de compreensão e apoio
Estou frustrado/a
Veja como me perseguem/ me pressionam
Sou um coitado/a
Sou submisso/a
Sou autoritário/a

244
Tenho medo de todo mundo
Estou em paz com o Universo
Sou sincero/honesto/mentiroso
Bobeou, passo a perna em você
Tenho/Não tenho confiança em mim
Confio/Não confio em ninguém
Olha como sou organizado/eficiente
Sou o chefe aqui/Aqui quem manda sou eu
Sou decidido/Indeciso/a
Sinto-me livre/preso
Preciso de atenção e de amor
Cuide-se: estou caçando amor e sexo
Tenho autocontrole/Sou impulsivo/a
Sou teimoso/Não sou teimoso/a
Estou calmo/Estou furioso/a
Persistência é comigo
Estou disponível
Sou tímido/extrovertido/a
Estou impaciente
Não perturbe: estou sonhando
Estou exibindo o meu Eu
Agora não: outra hora, ou melhor, nunca!
Pode vir que estou quente
Conte comigo/Não quero saber

Um exercício útil é a pessoa examinar, também, se ela própria costuma usar


algumas dessas mensagens em sua camiseta mental e emocional através de
suas atitudes não verbais (posturas, gestos, expressões). E quais seriam as
mensagens que ela gostaria realmente de estar enviando aos outros com
quem se relaciona? Quais seriam as posturas, os gestos e expressões que
acompanhariam e demonstrariam aos outros as suas reais mensagens?

245
246
EXERCÍCIO AS MENSAGENS NA
CAMISETA
Instruções: Este exercício é para você fazer uma auto-análise sobre o
modo como se relaciona com as outras pessoas através das “Mensagens
da Camiseta”. Assinale as mensagens que costuma usar, especificando
COM QUEM você costuma usá-las. Risque a parte da mesnagem que não
se aplica à você.
MENSAGENS Família Cônjuge Subordi Supe_ Colegas
nados riores
Pode entrar/Não me
incomode
Quero/Não quero sua
companhia
Veja como sou
importante/inteligente
Não me irrite agora
Cuidado, estou agressivo
hoje!
Sou a favor/Sou do contra
Domine-me/ Não me domine
Você está me
perseguindo/pressionando
Dependa de mim/Não
dependa de mim
Sou melhor/mais
forte/rico/do que você
Você é melhor/ mais
forte/rico/do que eu
Espere um pouco...
Agora não dá
Sou o bom
Preciso/Não preciso de você
Quer saber da última?
Estou cheio de problemas

247
apôio

Estou frustrado
Veja como me perseguem
Sou submisso
Sou autoritário
Tenho medo de você
Você não está sendo
sincero/honesto
Sou
sincero/honesto/mentiroso
Tenho/Não tenho/confiança
em mim
Confio/Não confio/ em você
Olha como sou organizado e
eficiente
Sou o chefe aqui/Eu mando e
todos obedecem
Sou decidido/indeciso
Sinto-me livre/preso
Preciso de atenção e amor
Tenho auto-controle/Sou
impulsivo
Sou teimoso/Não sou
teimoso
Persistência é comigo
Sou extrovertido/tímido
Estou calmo/nervoso
Estou impaciente
Não perturbe: estou
sonhando acordado
Estou exibindo o meu Eu
Agora não: outra hora
Não quero saber
Conte comigo
Medite um pouco se essas mensagens são as que deseja realmente enviar às
pessoas. Se não forem, o que poderia fazer de maneira diferente? E que

248
AS FONTES DE SATISFAÇÃO

Um outro exercício relacionado aos estímulos que os adultos, pais e


educadores, podem fazer, é a identificação das Fontes de Satisfação. Uma
pessoa vive realizada, contente, alegre e satisfeita na vida quando
recebe estímulos adequados em qualidade e em quantidade suficientes.
Esses estímulos são as suas Fontes de Satisfação e podem ser
encontrados em muitos aspectos da vida da pessoa: nas atividades e
trabalhos que ela gosta de fazer, nos seus relacionamentos familiares,
conjugais, sexuais, emocionais, financeiros, sociais, profissionais,
comunitários, religiosos, nos passatempos (esportes, livros que gosta de ler
ou escrever, programas de TV ou rádio, cinema, teatro, jardinagem,
passeios, caminhadas, etc.). Tudo isso traz estímulos à pessoa, traz prazer,
traz alegria, dando-lhe a satisfação de estar vivendo, fazendo-a sentir-se
realizada e feliz. A maior parte das pessoas passa a vida sem ter
consciência de quais são, realmente, as Fontes de Satisfação nas suas
vidas.

Um exercício que pode ser feito é identificar quais são as suas reais Fontes
de Satisfação na vida, refletindo sobre a relação dos itens que dão prazer
na vida e que trazem satisfação e realização. Nessa reflexão, em uma
primeira etapa, a pessoa poderia escrever todos os itens que acha que são
importantes para ela estar satisfeita, feliz e realizada como ser humano, sem
se importar nessa etapa, com alguma classificação.

Após ter escrito tudo o que acha que traz satisfação, a pessoa poderia agora
classificar essas fontes, as que dão Mais Satisfação e aquelas que dão
Pouca Satisfação. E o que pode ser feito para aumentar a lista de fontes
que trazem Mais Satisfação?
Nº MAIS SATISFAÇÃO POUCA SATISFAÇÃO
1 ___________________ ___________________
2 ___________________ ___________________
3 ___________________ ___________________
4 ___________________ ___________________
5 ___________________ ___________________
6 ___________________ ___________________
7 ___________________ ___________________
8 ___________________ ___________________

249
9 ___________________ ___________________
10 ___________________ ___________________

Com esse exercício, muitas pessoas descobrem, surpresas que alguns dos
itens listados funcionam como grandes fontes de satisfação em suas vidas,
por exemplo, a convivência com os filhos e com o cônjuge, o sexo conjugal,
as férias com a família, aqueles passeios matinais nos domingos e feriados
e a partir dessa constatação modificam o estilo de vida que levavam,
passando a dedicar mais tempo aos itens que realmente descobriram ser
importante para elas. “Com freqüência, essas pessoas redespertadas
abandonam a antiga vida de agitação e azáfama. Não raro, procuram um
meio de ganhar o sustento que implique menos estresse e começam a
passar mais tempo, de boa qualidade, com as pessoas a quem amam.
Freqüentemente, passam a dedicar a vida a coisas que lhe trarão
realização e resolvem relaxar mais, reservar tempo para "curtir" a beleza
real de estarem vivos”.[136]

Outra surpresa que as pessoas descobrem ao fazerem esse exercício de


Fontes de Satisfação, é que alguns itens que julgavam que lhes traziam
grande satisfação, na realidade são apenas pequenas fontes de satisfação.
E descobrem que dedicavam grande tempo com fontes que não trazem, na
realidade, muita satisfação às suas vidas.
Outra descoberta que realizam é que quando têm uma diversidade de
fontes de satisfação, sentem-se mais felizes e realizadas como pessoas,
mesmo que essas fontes estejam em coisas simples, que não custam nada,
como respirar um ar puro, sentir o cheiro da natureza em uma floresta,
beber água pura e cristalina, andar de mãos dadas sob um por de sol
deslumbrante, ou até mesmo participar, nos fins de semana, do almoço
familiar (... “é o grande momento de reunião da família”.).[137]

Na realidade, todas essas fontes, no seu conjunto, dão à pessoa um Nível de


Satisfação. Tudo isso pode ser examinado visualmente como se fosse uma
caixa d'água, a água aqui significando prazer, estímulos positivos, alegria,
equilíbrio, paz, realização, etc., enfim, satisfação e felicidade. Para a
pessoa estar feliz, essa caixa d'água precisaria estar continuamente enchida
pelas suas Fontes de Satisfação, mantendo a satisfação em níveis
adequados. Essa caixa d'água de uma vida satisfeita e feliz teria então,
três níveis:
. no nível mais alto da caixa, está o nível Muito Satisfeita.
. no meio da caixa, está o nível Um Pouco Satisfeita.

250
. e mais baixo, lá no fundo da caixa, está o nível Insatisfeita.

Se a caixa de uma pessoa tiver somente uma Fonte de Satisfação, é


provável que a vida da pessoa esteja sempre no nível Insatisfeita ou Um
Pouco Satisfeita. Se por exemplo, a pessoa só tem satisfação da fonte
Trabalho e um dia perder o emprego (a fonte seca...) isso pode trazer uma
grande insatisfação e instabilidade emocional em sua vida. O mesmo
aconteceria, por exemplo, se a única fonte de satisfação de um homem fosse
o casamento e este terminasse em separação ou divórcio. Se a pessoa
encontra a sua realização como pessoa em uma diversidade de Fontes de
Satisfação, se ocorrer um problema com alguma das fontes, a pessoa não
sofreria tanto abalo emocional, pois as outras fontes manteriam o seu nível
de satisfação.

Quando a pessoa tem uma única Fonte de Satisfação, ela pode


sobrecarregar essa única fonte, a tal ponto que ela pode se esgotar. Se uma
mulher tem como única fonte de satisfação o seu marido, por exemplo, ela
pode sobrecarregar demais essa fonte, exigindo demais dele para que ela se
mantenha sempre em nível Muito Satisfeita, a tal ponto que ela pode
sufocar o marido com exigências as mais variadas. Um exemplo disso seria
o querer atenção constante, com ela ligando centenas de vezes para o
trabalho dele, para perguntar alguma coisa, para ouvir a voz dele, para
contar alguma coisa, etc. Esse marido, com o tempo poderá ser compelido a
afastar-se dela para poder viver, ocorrendo a separação e divórcio. E o que
aconteceria com essa esposa cuja única fonte de satisfação era o marido?
Um grande transtorno emocional para ela, um grande vazio, pois perdeu a
sua única fonte de satisfação.

Um outro exercício que pode ser feito é examinar as pessoas com as quais
convive, procurando identificar quais seriam as Fontes de Satisfação
dessas pessoas. No caso dos educadores, quais seriam as fontes de
satisfação de seus alunos? Esse exercício poderá trazer uma nova visão das

251
pessoas com as quais convive. Observa-se que os casais considerados
mais felizes são aqueles que possuem algumas Fontes de Satisfação em
comum: ambos gostam, por exemplo, de fazer caminhadas ao entardecer,
gostam de ir à praia, gostam de passar feriados em camping ou de praticar
o mesmo esporte, etc.
O exercício da caixa d'água das Fontes de Satisfação pode ser feito,
também, analisando-se as Fontes de Insatisfação, procurando descobrir
aquelas coisas que não deixam a pessoa feliz e satisfeita, aquelas coisas
que a irritam, que a incomodam, que lhe causam tristeza e aborrecimento ou
medo, confusão, ansiedade, inferioridade, etc. Depois da fazer a lista, outro
exercício a fazer é analisar o que pode ser feito para eliminar ou diminuir
essas Fontes de Insatisfação.

FONTES DE INSATISFAÇÃO - AÇÕES PARA ELIMINÁ-LAS


1. ___________________ ______________​​__​​______
2. ___________________ ______________________
3. ___________________ ______________________
4. ___________________ ______________________
5. ___________________ ______________________
6. ___________________ ______________________
7. ___________________ ______________________
8. ___________________ ______________________
9. ___________________ ______________________
10. ___________________
______________________

Ao fazer essa lista e realizar as ações eliminando da sua vida as Fontes de


Insatisfação, a pessoa certamente encontrará mais realização, mais paz,
mais harmonia, enfim, mais satisfação em sua vida. Ela estará, assim,
escolhendo a alternativa de ser mais feliz, dentre as alternativas propostas
por Hamlet: ser ou não ser.[138]

252
253
TEMPO: A SUA MAIOR RIQUEZA
O Tempo é a maior riqueza que o ser humano tem. Benjamin Franklin já
afirmava: “Tu amas a vida? Então não percas tempo, porque é deste
material que a vida é feita”. E Jeofrastro afirmava: “O tempo é tudo
quanto há de mais valioso que o homem pode gostar”. O tempo é
realmente algo importante para o ser humano, pois um dia ele nasceu e um
dia essa sua vida acabará, pois a vida do ser humano é finita, não é eterna,
pelo menos nesta vida terrena. Se, por exemplo, a vida do ser humano for
de 100 anos, ele teria 36.500 dias para viver. O tempo de vida é tão
importante que um provérbio árabe diz: “A gente não perde tempo na vida,
o que se perde é a vida ao perder-se tempo”.

Se a vida terminará um dia, por que não viver feliz cada um dos dias,
cada momento de modo integral, cheio de alegria e entusiasmo, feliz
consigo mesmo e com os outros? É como afirmou Goethe: - “Nós sempre
temos tempo suficiente, basta apenas saber usá-lo corretamente”. Ou
como disse Eric Berne: - “O eterno problema do ser humano é como
estruturar suas horas de vigília (o seu tempo)”.[139]

Boa parte desse tempo é gasta em transações com o cônjuge, filhos,


familiares, amigos e outras pessoas. A causa da infelicidade para muitas
pessoas, está no fato de não saberem usar, estruturar e organizar o seu
tempo. A programação do tempo é importante para a felicidade porque está
em relação: 1 – ao contato social e 2 – à obtenção de estímulos.

Todas as informações aqui apresentadas objetiva despertar cada pessoa


para a importância de viver feliz e realizada cada dia de sua vida, e
fazer os outros felizes. A maior parte das pessoas, no entanto, não sabe
como utilizar bem a sua maior riqueza, o seu tempo de vida. E isso foi
percebido até por um nativo polinésio, não civilizado, chamado de Tuiávii,
chefe de uma pequena tribo na longínqua ilha de Upolu, que faz parte do
arquipélago de Samoa. Referindo-se ao homem branco, "civilizado", que
ele chama de Papalagui, sobre o uso do tempo ele afirmou: - “O Papalagui
gosta daquilo que não se pode pegar: o tempo. Fala muito no tempo, diz
muita tolice a respeito do tempo. Nunca existe mais tempo do que aquele
que vai do nascer ao por do sol e, no entanto, isto nunca é suficiente para
o Papalagui.(...) Existem máquinas do tempo que se suspendem bem alto
para serem vistas de longe... e produzem muito barulho quando uma parte

254
do tempo passa. Ao escutar este barulho, o Papalagui queixa-se: Que
tristeza que mais uma hora se tenha passado. O Papalagui faz, então,
uma cara feia, como um homem que sofre muito; e no entanto logo depois
vem outra hora novinha. Só consigo entender isso pensando que se trata
de uma doença grave. O tempo voa! O tempo corre feito um corcel. Dêem
um pouco mais de tempo: são as queixas do Papalagui”.[140]
Essa infelicidade, insatisfação e desassossego dos seres humanos
“civilizados” com relação ao uso de seu tempo, segundo Eric Berne, está
relacionado à três desejos: “1. ao desejo de estímulos, 2. ao desejo de
reconhecimento e 3. ao desejo de estruturar o tempo”.[141] Os dois
primeiros já foram analisados anteriormente. Mas estruturar o tempo de
que modos para que cada momento da vida valha a pena ser vivido com
felicidade?
Uma das principais causas da infelicidade dos seres humanos está no fato
de não saberem estruturar o uso dos seus tempos. Uma antiga exortação
inglesa, de autoria desconhecida, já incentivava as pessoas a estruturarem o
seu tempo:

TENHA TEMPO PARA TUDO


Reserve tempo para rir, é esta a música para a alma.
Reserve tempo para ler, é esta a base da sabedoria.
Reserve tempo para pensar, é esta a fonte do poder.
Reserve tempo para trabalhar, é este o preço do êxito.
Reserve tempo para divertir-se, é este o segredo da juventude eterna.
Reserve tempo para ser amigo, é este o caminho da felicidade.
Reserve tempo para sonhar, é este o meio de ligar a uma estrela
o carro em que viaja na Terra.
Reserve tempo para amar e ser amado, é este o privilégio dos deuses.
Reserve tempo para ser útil aos outros,
esta vida é demasiada curta para que sejamos egoístas.

A programação do tempo é importante para a felicidade porque está em


relação ao contato com os outros seres humanos e em especial, à
obtenção dos estímulos que irão satisfazer as necessidades da pessoa.
Um ditado popular diz que “Ninguém é uma ilha, pois cada ser humano
depende dos outros para viver, vive na realidade em interdependência com
os outros seres humanos”. O contato social que cada pessoa tem com as
outras é um modo de obter estímulos que necessita. Porém, pode ser que

255
a pessoa não esteja estruturando adequadamente o seu tempo para obter os
estímulos de que necessita para ser feliz.

Existem vários modos de o ser humano estruturar o uso do seu tempo:


Isolamento, Rituais, Passatempo, Intimidade, Atividade e Jogos.

MANEIRAS DE ESTRUTURAR
DISTÂNCIA PSICOLÓGICA
O TEMPO ENTRE
AS PESSOAS

TEMPO EU OUTRAS
PESSOAS

ISOLAMENTO Y

RITUAL Y X

PASSATEMPO Y X

256
JOGO Y X

ATIVIDADE Y X

INTIMIDADE Y X

257
1 2 3 4 5 6
MENOS MAIS
ESTÍMULOS ESTÍMULOS

1º MODO DE USAR O TEMPO: ISOLAMENTO

Quando uma pessoa está em isolamento ela não dá nem recebe estímulos,
por isso fica, na Escala “Maneiras de estruturar o tempo”, na extremidade

258
da esquerda, sem dar ou receber estímulos. É um modo de evitar estímulos,
uma espécie de fuga da realidade. Socialmente, é um modo de evitar
contatos com os outros, preferindo trabalhos individuais e não em equipe.
Nesse caso se diz que a pessoa está em isolamento físico, pois evita
transações, contatos com as outras pessoas. Mentalmente, é um modo de
uma pessoa desligar-se da realidade. Há pessoas que conseguem realizar
um isolamento mental, de modo relaxante, outras preferem isolar-se
mentalmente, refugiando-se em seu diálogo interno, conversando com ela
mesma ou refugiando-se em suas fantasias (sonhando acordada) ou ainda,
ficando simplesmente atrás de um sorriso, balançando a cabeça como se
estivesse concordando com outra pessoa, mas sem ouvir o que ela diz. Pode
ocorrer de a pessoa estar mentalmente em isolamento (imaginando-se em
uma praia, no meio de uma mata, no alto de uma montanha ou em algum
lugar preferido), mas estando fisicamente no meio de uma multidão ou em
uma reunião. Nessas situações se diz que a pessoa está em isolamento
mental. O isolamento pode indicar um mecanismo de defesa da pessoa,
fechando-se, ficando quieta.

Apesar de não dar ou receber estímulos, o que poderia ser considerado


negativo já que a pessoa está em isolamento, afastada do convívio das
outras pessoas, o Isolamento pode ser visto como positivo para certas
pessoas porque elas ficam sozinhas e em silêncio algum tempo, estimulando
a si próprias, entrando em contato reflexivo com o seu íntimo, organizando
as suas idéias e pensamentos, situação muito utilizada pelas pessoas em
mentalizações, energizando-se interiormente, sentindo-se centradas em si
mesmas, buscando a harmonia interna e com o Universo, utilizando o seu
Adulto. “Isolamento, para mim é um processo ativo de estar sozinho,
cercado de silêncio. Nessas ocasiões, os pinheiros agitados pela brisa
conversam comigo e os movimentos da bétula branca para além de minha
janela, seus compridos, brancos e delgados galhos e ramificações que se
curvam ao vento, se reerguem numa movimentação graciosa, que se
afastam do centro e tornam a voltar a uma quietude equilibrada falam-me
da alegria e da força morosa da natureza. Uma gaivota voa por trás do
rendilhado da bétula, deslizando graciosamente no ar, e eu ouço o
longínquo crocitar dos corvos”.[142]

Porém, de modo geral, o isolamento é visto como negativo, em especial se


a pessoa se isola por medo de relacionar-se com as outras ou porque
durante a infância, aprendeu com seus pais, a se isolar em seu quarto ou em
seu cantinho preferido. Nestes casos, um modo de ajudar a pessoa é dar-

259
lhe estímulos positivos, fazendo-a sentir-se aceita e querida pelas outras
pessoas. Quando lembra dos seus bons tempos, o ser humano geralmente
lembra dos bons relacionamentos que teve com as pessoas, nesses tempos.
Mas, de modo geral o Isolamento é negativo, de modo geral. Usa os Estados
do Ego: Pai Crítico, Criança Rebelde, Criança Submissa. Leva as pessoas
às posições Existenciais NÃO-OK – OK; NÃO-OK - NÃO-OK.

2º MODO DE USAR O TEMPO: RITUAIS

Os rituais são maneiras habituais e estereotipadas de entrar em contato com


os outros, são modos polidos e educados baseados nas tradições culturais e
costumes sociais do local, mas mantendo, sempre, uma distância social.
Através dos rituais as pessoas trocam estímulos, na maioria estímulos
verbais, mas de um modo frio, programado e aceito culturalmente, sem
muito significado emocional. - Oi, como vai? - Bem obrigado e você?

Os Rituais são modos de as pessoas passarem um tempo juntas, mas


mantendo a distância entre elas, dando e recebendo certos tipos de
estímulos estabelecidos pela cultura do grupo. Os rituais são formas
convencionais, estereotipadas, estruturadas socialmente de se relacionar
com os outros, ocorrendo muito em situações como igreja, velório,
solenidade:
- Bom dia, como vai?
- Bem obrigada, e o Sr.?
- Minhas condolências.
- Obrigada.

Os rituais podem ser encontrados, também, até no ambiente familiar, quando


a estrutura familiar é muito rígida. Imagine um ritual entre um casal todo
rígido e nada espontâneo:
- Minha Senhora esposa, hoje é 5º feira, dia de fazermos sexo.
- O Sr. tem razão, meu esposo, vou apagar a luz e levantar o camisolão...

“A programação social é principalmente constituída de rituais, os


principais dos quais são familiarmente chamados de "boas maneiras".
Em todo o mundo os pais ensinam bons modos a seus filhos, o que
significa que estes devem conhecer os rituais adequados para
cumprimentar os outros, comer, ir ao banheiro, namorar, chorar, e que
também saibam como conduzir uma conversação comum fazendo os

260
comentários adequados”...[143]

Há pessoas que gostam dos rituais porque se sentem bem com eles, sentem-
se partes de um grupo, como ocorre com as pessoas que freqüentam igrejas,
ou clubes de serviços, onde acontecem muitas práticas ritualistas, pois
esses rituais possuem significado para elas, dando-lhes estímulos de
proximidade e calor humano. Os rituais são modos positivos de dar
estímulos já que facilitam a aproximação social de pessoas desconhecidas,
mas no geral são modos negativos, pois prejudicam o modo melhor e de
melhor qualidade de relacionamento entre as pessoas que é a intimidade.

3º MODO DE USAR O TEMPO: PASSATEMPO

Em Análise Transacional, o Passatempo significa “Falar de”. O próprio


nome indica maneiras sociáveis, agradáveis e populares de passar o
tempo, de gastar o tempo, em especial em bate-papos informais onde se
fala de assuntos inócuos, com troca de opiniões, sem muita preocupação
sobre a veracidade dos fatos, mas com o único objetivo de passar o tempo.
Passatempo são trocas de estímulos, num nível superficial sobre assuntos
gerais, como futebol ou outros esportes, mulheres, homens, piadas, política,
carros, trabalho, o tempo, família, saúde, comida, restaurantes e outros
assuntos, em situações sociais que ocorrem em clubes, igrejas, clubes de
serviços, em encontros no trabalho, nos supermercados, nas praias, nas
praças, nas ruas ou em viagens, etc. O Passatempo é positivo quando o
enfoque é em situações, falar de viagens, de teoria, etc. Neste caso usa-se
as transações Adulto-Adulto, Criança Livre-Criança Livre. E o Passatempo
é negativo quando o enfoque é em pessoas, de modo crítico, avaliativo,
depressiativo, falando mal das pessoas. Neste caso utiliza-se as transações
Pai Crítico-Pai Crítico. As pessoas, em seus relacionamentos sociais,
gastam horas em passatempos, pois dão e recebem estímulos uns aos outros.

Os passatempos preferidos dos homens são falar de mulheres, de sexo,


futebol, carros e política. E o das mulheres, são o falar de cri-cri (criança
e criada), moda, decoração, homens e sexo. Quando duas ou mais pessoas
estão em passatempos, elas estão dando umas às outras estímulos, como
atenção a quem fala, risadas de alguma piada ou comentários
complementares sobre o assunto em pauta e são modos de as pessoas se
conhecerem e manterem o contato social. Os passatempos são positivos
quando a conversa enfoca situações e são negativos quando o enfoque é

261
falar de pessoas de modo crítico e depreciativo.

Um exercício que pode ser feito é analisar quais os temas que a pessoa
aborda nas conversas quando está em uma roda de amigos ou de
desconhecidos. E quais são os seus temas preferidos, aqueles que mais
utiliza em seus passatempos com as outras pessoas?

Passatempo, em especial “falar de”, é um modo de evitar a intimidade com


as outras pessoas, já que o envolvimento é verbal, superficial. Por exemplo,
uma moça e um rapaz sentem enorme atração um pelo outro, mas em vez de
terem intimidade ficam socialmente falando de vários assuntos, passando o
tempo. No ambiente de trabalho quando há muito passatempo, há pouca
eficácia, poucos resultados produtivos e muitos erros e acidentes, situação
típica de uma segunda-feira quando no dia anterior houve algum importante
jogo de futebol e as pessoas gastam muito tempo falando desse assunto.

Na vida estruturada da sociedade moderna os passatempos que ocorrem nos


contatos sociais informais são boas oportunidades para as pessoas
descobrirem outras pessoas com os mesmos interesses, gostos, idéias, que
as atraiam, levando-as a iniciarem amizades e relacionamentos mais
profundos. E isso ocorre quando cada uma dá à outra estímulos cheio de
emoções naturais, espontâneas, livres, sem barreiras, estímulos de
aceitação e confiança, estímulos incondicionais (não exigindo nada em
troca). Nessas situações pode até nascer um grande amor entre as duas
pessoas que percebem uma a outra como alguém especial, valorizando e
aceitando a outra sem a imposição de quaisquer condições.

“Quando entregues a qualquer de nossos passatempos, nós nos


deparamos por vezes com um estranho que sentimos capaz de vir a se
tornar um amigo. Ficamos atentos, à espera de alguma indicação. Tange-
se uma corda comum. Gostamos da aparência dessa pessoa, de seu estilo,
de sua maneira de ser. Investigamos mais a fundo, descobrindo
passatempos comuns e interesses e valores semelhantes... ou talvez algum
ponto de vista diferente que desperta nossa curiosidade e nos provoca. De
qualquer forma, há uma sensação de harmonia, um pressentimento de que
existe nesse estranho a possibilidade de uma comunhão. Desejamos
voltar a encontrar esse estranho. E assim, enquanto vamos passando o
tempo, abre-se uma porta pela qual podemos nos aventurar em busca de
uma experiência mais profunda. Isso nos levará a um dos
relacionamentos mais raros e mais belos: a intimidade”.[144]

262
As pessoas que conseguem engajar-se em passatempos são mais felizes,
pela quantidade de estímulos agradáveis que os passatempos trazem. “Eric
Berne deu nomes a certos passatempos que podem ser reconhecidos em
coquetéis, almoços de mulheres, reuniões de famílias e reuniões de clube
de serviços, tais como: variações de Bate-Papo, como General Motors
(comparação de carros) e Quem Ganhou (ambas conversas de homens);
Armazém, Cozinha e Guarda-Roupa(todos assuntos para mulheres); Como
é que (se faz alguma coisa); Quanto (custa?); Já esteve(em algum lugar
nostálgico?); Você conhece(o fulano); O que foi feito(do velho João?);
Manhã Seguinte (que ressaca!) e Martini (conheço um meio melhor)”.[145]

4º MODO DE USAR O TEMPO: INTIMIDADE

Intimidade é a forma mais sadia de uma pessoa relacionar-se com outra, de


modo autêntico, sincero, consciente, com empatia e segurança. Intimidade é
uma situação na qual as pessoas conseguem ser elas mesmas, sem
máscaras, sem defesas, sem medos, sem preconceitos, dando e
recebendo estímulos incondicionais, em especial aqueles que estão
acompanhados de afeto. “A intimidade ocorre naqueles raros momentos
de contato humano que envolvem sentimentos de ternura, empatia e
afeição.(...) Um marido e sua mulher, trabalhando na limpeza do jardim,
experimentam uma sensação de proximidade que espontaneamente os
leva ao contato físico, revigorando assim a afeição. Um pai repara na
face molhada de lágrimas do filho que acaba de enterrar o seu cachorro.
Ele põe o braço em torno do menino e diz: - É duro enterrar um bom
amigo. O menino cai nos braços do pai, aliviando a sua dor. Naquele
momento ele estão em intimidade”.[146]

Intimidade é uma relação sincera entre duas pessoas, é um verdadeiro


encontro pessoal e pode ocorrer em um breve momento ou durar todo o
relacionamento ou a vida do casal. Através das intimidades, as pessoas
obtêm muitos estímulos, que geralmente trazem grande satisfação. “A
verdadeira intimidade é a única resposta completamente satisfatória aos
anseios de estímulo, reconhecimento e estruturação do tempo”.[147]
Intimidade não significa somente intimidade física ou sexual. Quando uma
pessoa abraça outra, põe a mão no ombro dela, anda ao seu lado em
silêncio ou fica ao seu lado ouvindo música ou vendo TV, quando olha a
outra pessoa nos olhos, sentindo ambas um calor emocional pelo olhar,

263
quando a pessoa faz amor com outra, em todas essas situações e muito mais
outras, ocorre intimidade entre os seres humanos.

Na realidade a intimidade ocorre em todas as situações onde as pessoas


dão e recebem estímulos carregados de emoções positivas, onde duas
pessoas estão mais próximas uma da outra, com empatia, autenticidade,
confiança, sem nenhuma reserva, medo ou restrição. São todas aquelas
situações onde existe um modo sincero, aberto e autêntico de relacionar-se
com outra pessoa, ambas sentindo-se parte, sentindo emoção genuína,
sentindo-se bem uma com a outra. Essa situação é comum entre crianças em
um jardim de infância, por exemplo, onde cada uma aceita a outra sem
reservas, convivendo naturalmente e com espontaneidade.

A educação social, pela família e pela escola, no entanto, vai tirando essa
espontaneidade e naturalidade da criança. A maior parte dos seres humanos,
quando criança, sabia viver naturalmente em intimidade com os outros, mas
com o tempo foi perdendo essa capacidade de expressar-se com as pessoas.
Quando a criança vai crescendo, ela aprende, pelos contatos sociais e pela
educação, a inibir os seus modos de ser íntima com as outras pessoas,
aprende a se afastar delas. “Crianças felizes têm uma grande capacidade
para a intimidade extremamente refrescante para adultos - que já
adotaram uma atitude mais cautelosa quanto a se abrirem intimamente
aos outros. De fato, a decisão de se tornar íntimo de outra pessoa
aparece freqüentemente como muito arriscada. Arriscamos a
possibilidade de ter a nossa vulnerabilidade usada pela outra pessoa
como parte de um jogo, em vez de ser retribuída com mais intimidade”.
[148]

Na vida adulta muitas pessoas anseiam voltar àquela situação de


naturalidade e espontaneidade de se relacionarem com as outras,
diminuindo ou eliminando as barreiras culturais que aprenderam ao longo
de suas vidas. Essas pessoas buscam nas variadas formas terapêuticas,
cursos de sensibilização ou cursos de sedução,[149] um reencontro com o seu
íntimo perdido em algum ponto de sua evolução. Muitas destas pessoas
buscam, acima de qualquer coisa, aquela forma natural de serem íntimas
com as outras pessoas, aquela forma de serem elas mesmas.

Tudo o que é intimidade foi bem expresso pelo terapeuta norte-americano


Dr. Richard G. Abell, quando escreveu:
“Intimidade é quando eu falo com você,

264
esperando que o que eu digo seja ouvido e compreendido.
E quando você fala comigo, esperando que o que diz
seja ouvido e compreendido.
Intimidade é quando me emociono profundamente
com um por do sol e sei que da mesma forma,
também você está profundamente emocionada.
Intimidade é quando eu sei que a posso tocar onde quiser,
sabendo que estará tudo bem,
e quando você pode me tocar onde quiser,
sabendo que estará tudo bem.
Intimidade é quando fazemos amor,
e você está comigo em tudo o que eu faço e sinto.
E eu estou com você em tudo o que você faz e sente.
Intimidade é quando temos relações sexuais
e há um diálogo esplêndido entre os nossos genitais.
Intimidade é quando eu a acaricio e você me acaricia
e nós experimentamos a esse respeito
o mesmo sentimento profundamente pessoal.
Intimidade é quando eu lhe escrevo um poema
e o leio para você, e você ouve,
com sentimentos profundos semelhantes aos meus.
Intimidade é quando ficamos juntos a olhar
para as cinzas de uma fogueira.
Intimidade é quando caminhamos pelos campos
de mãos dadas.
Intimidade é quando lemos juntos um livro
de que ambos gostamos e o discutimos.
Intimidade é quando estou com você numa festa
e meu olhar percorre a sala e colhe o seu olhar
e sorrimos um para o outro.
Intimidade é um sentimento compartilhado
de se aproximar, após uma separação”.[150]

No ambiente de trabalho, as intimidades entre as pessoas (não as


intimidades sexuais), são positivas, com empatia, apoio entre colegas, entre
chefes e subordinados. Havendo intimidade entre as pessoas no trabalho,
elas relacionam-se com confiança, de modo mais aberto, sendo elas
mesmas, sem barreiras, sem as máscaras que atrapalham o bom
relacionamento grupal no ambiente de trabalho. Quando há intimidade, um
pode discordar do outro, mas continuar amigos. Haverá, assim, no ambiente

265
de trabalho, confiança recíproca, trazendo reflexos positivos nos resultados
da organização, onde as pessoas trabalham.

Um bom exercício para aumentar a intimidade entre duas pessoas, é as duas


estarem em um ambiente calmo, sem barulhos ou interrupções. Deverão
sentar-se frente uma à outra e ficar só olhando nos olhos, sem falar nada.
Para alguns poderá ser uma experiência feita com certa dificuldade porque
ainda possuem barreiras íntimas, ainda não aprenderam a sentir a outra sem
barreiras, sem crítica. Racionalmente falando, não há nenhum mal em ficar
com outra pessoa se olhando, profundamente nos olhos, expressando afeto
com os olhos. Os apaixonados sabem muito bem fazer este exercício. Há
livros que trazem exercícios para ajudar as pessoas a desenvolverem a
intimidade e a sensibilidade.[151]

As pessoas procuram desenvolver mais intimidade com as outras pessoas.


Basta existirem mulheres e homens reunidos que uns começam a enviar
sinais uns aos outros, na maioria sutis rituais de sinais, em uma coreografia
de sinais cheia de significados que indicam que querem se aproximar uns
dos outros, em intimidades. Cada um escolhendo e selecionando o outro
com quem quer desenvolver intimidades. É como se fosse uma dança de
sinais, cada um tentando conquistar o outro. Desmond Morris descreveu
bem essa dança de sinais em seus livros, “Comportamento Íntimo, Você -
um estudo objetivo do comportamento humano” e “O Macaco Nu”.

Costuma-se dizer que a Intimidade é um encontro pessoal, sincero, entre


duas pessoas. Não significa necessariamente “intimidade sexual”. É uma
relação Ok-OK entre Triunfadores, um verdadeiro “encontro pessoal a
dois”, usando geralmente a transação Criança Livre-Criança Livre. É a
forma mais sadia de relacionamento entre as pessoas, pois elas conseguem
interagir sendo elas mesmas, sem máscaras, sem defesas, num
relacionamento sincero, amável, com emoção genuína. A Intimidade é uma
relação sincera entre duas pessoas, na qual ambas recebem e dão bastante
estímulos. Na intimidade as pessoas obtém muitos estímulos. Por exemplo:
Um pai abraça um filho/a; o chefe põe a mão no ombro de um subordinado
enquanto fala cordialmente com ele; duas pessoas olhando nos olhos da
outra; duas pessoas em intimidade sexual; duas pessoas em silêncio
ouvindo música, etc.

Existe Intimidade:

266
1 – Quando meu Pai tem o mesmo enfoque ético e princípios que o teu Pai.
2 – Quando te informo com o meu Adulto e me informas com o teu Adulto.
3 – Quando minha Criança se sente bem e à vontade contigo e tua Criança
sente o mesmo comigo.
4 – Quando protejo tua Criança com meu Pai protetor e tua Criança aceita.
5 – Quando proteges minha Criança com o teu Pai Protetor e minha Criança
aceita.
6 – Quando tu e eu nos encontramos e caminhamos triunfando juntos.

O sexo pode ser intimidade, mas pode também ser:

Isolamento: no caso da masturbação.


Ritual: Sexo às 4ª feiras.
Passatempo: Falar de sexo.
Atividade: prostituição, como trabalho.
Intimidade: sexo prazeroso, agradável, grtatificante, sem culpa ou inibição
(dois obstáculos à felicidade de um casal).
Jogo: um domínio sobre o outro.

Mas, quais são as fases do desenvolvimento de uma intimidade no ser


humano, depois de séculos de civilização que tiraram a sua
espontaneidade? De modo geral a seqüência de fases que aumentam a
intimidade entre os seres humanos é a seguinte:

FASES PARA A INTIMIDADE HUMANA

1º FASE PARA A INTIMIDADE HUMANA - CHAMAR A ATENÇÃO.

O ser humano dá estímulos não verbais, uma verdadeira coreografia de


sutis sinais de conquista, com o corpo, com as mãos, com um movimento de
ombros ou dos quadris, com um olhar especial, com um sorriso maroto,
com o jeito de andar, com o jeito de sentar e inclinar o corpo, com um
cruzar especial das pernas e usa muitos outros modos para chamar a
atenção de outro ser humano do sexo oposto. Essa coreografia de sinais
que cada um insinua para o outro são inconscientes, intuitivos, instintivos,
estão lá registrados no cérebro humano, a ponto de nenhum rapaz que se
aproxima de uma moça precisar fazer algum curso para saber como
proceder ou como ler esses sinais. Trocando esses sutis sinais, os seres
humanos estão se dando permissão mútua para chegarem mais perto uns dos
outros, iniciando assim, a caminhada a dois para uma intimidade humana.

267
Com esses sinais, cada um quer mostrar ao outro que está ali,
disfarçadamente chamando a sua atenção. É como se cada um dissesse: -
Estou aqui à sua espera, venha!

Tudo isso mostra como o ser humano ficou um ser complicado, com séculos
de cultura e educação tirando a sua espontaneidade para se aproximar dos
outros, precisando de ações indiretas como essa coreografia de sinais,
para dizer ao outro que está interessado nele. Na realidade, isso revela
medo e falta de confiança em outros seres humanos, e em especial uma
ansiedade natural que todos tem em relação às pessoas desconhecidas. Se
uma pessoa fosse direta à outra e dissesse claramente que está interessada
nela, que gostaria de conhecê-la melhor, etc., talvez isso a assustasse e
impediria o início de uma caminhada para uma intimidade. Por isso os
seres humanos precisam dessa fase de conquista através dos sinais,
conquista em especial da confiança do outro, mostrando que não é
ameaçador, que pode confiar nele.

Essa fase de conquista leva multidões de jovens a uma busca constante de


encontros, fazendo o sucesso dos bailes em danceterias e boates, do ficar
em grupos nos quiosques das praias ou das praças, dos passeios em lugares
onde podem encontrar outros jovens, como os shoppings centers, dos
encontros da juventude, dos shows musicais, etc. e levam, também, os
adultos disponíveis (solteiros/as, separados/as, divorciados/as, viúvos/as,
etc.) a encherem os bares da moda, as boates, os clubes da meia idade, etc.
Essa situação também provoca o surgimento em jornais regionais ou de
circulação nacional e nas revistas, das seções de Homem procura Mulher,
Mulher procura Homem, etc. Tudo isso como modos de chamar a atenção e
aproximar-se das outras pessoas.

2º FASE PARA A INTIMIDADE HUMANA - RECONHECIMENTO.

Uma pessoa aproxima-se de outra que emite sinais positivos e cujos sinais
a agradaram e começa a troca de sinais verbais de reconhecimento, cada
uma querendo conhecer melhor a outra. Nesta etapa entram outros fatores de
reconhecimento, como o cheiro, por exemplo.

3º FASE PARA A INTIMIDADE HUMANA - CONVERSAÇÃO.

A comunicação verbal é o grande teste no caminho da intimidade, na


coreografia de sinais que os seres humanos fazem para serem íntimos uns

268
dos outros. Pode acontecer de as fases anteriores terem sido muito
agradáveis e positivas, atraindo as duas pessoas e o encanto, nessa direção,
ser quebrado quando iniciam a fase verbal. A conversa entre os
interessados pode atrapalhar a caminhada em direção à intimidade. Esta
fase costuma ser mais demorada, pois ambas as pessoas mergulham no
caminho do descobrimento do outro, no caminho da conquista do
conhecimento recíproco e da intimidade.

4º FASE PARA A INTIMIDADE HUMANA - TOQUE.


Durante a fase verbal anterior de caminhada em direção à intimidade, as
duas pessoas vão naturalmente em direção à uma comunicação tátil, através
dos contatos físicos entre os dois. O estímulo físico, através do tato, já foi
apresentado anteriormente e a sua importância para os seres humanos.
Iniciando geralmente com um simples toque ou um aperto de mão, passando
por um roçar de corpos dançando ou um abraço, os seres humanos
descobrem mil maneiras de realizar o contato tátil: beijando, agarrando,
esfregando, apertando, etc., variando esses contatos se um casal está
sozinho, em lugar fechado ou com outras pessoas. Essa fase de contatos
físicos, sutis no início, passa por uma verdadeira escalada de maiores
contatos: “mão na mão, braço no ombro, braço na cintura, boca na boca,
mão na cabeça, mão no corpo, boca no seio, mão nos genitais, genitais
nos genitais”.[152]

Quando uma das pessoas está cortejando a outra, esta fase de toque é cheia
de toques carinhosos e estimuladores, de frases murmuradas baixinhas, ao
pé do ouvido, como se fossem grunhidos. É o caminhar natural e espontâneo
para uma maior intimidade entre as duas pessoas.

5º FASE PARA A INTIMIDADE HUMANA - INTIMIDADE FÍSICA.


Nos seres humanos, essa seqüência leva a uma maior intimidade física, à
relação sexual, ao ato do amor. O sexo, considerado como a fase
final da intimidade e por muitas pessoas, como a maior das intimidades, na
verdade pode ser outras coisas: pode ser isolamento (masturbação), pode
ser ritual (sexo às terças-feiras), pode ser um passatempo (falar de sexo),
pode ser uma atividade (prostituição, como um trabalho), pode ser uma
intimidade (sexo saudável, prazeroso, gratificante) e pode ser um jogo
(jogo do poder, onde um quer dominar o outro). Quando o sexo é
intimidade, é expressão de amor, é sexo feliz para as pessoas envolvidas e
para as suas emoções. “A capacidade de construir livremente o
relacionamento sexual é um dos momentos culminantes da vida humana”,

269
afirmou o psicanalista Otto Kernberg, em entrevista.[153] As pessoas vivem
integralmente o prazer de estarem juntas, de dar e receber, de compartilhar,
de tocar, acariciar, agarrar, afagar, apertar, esfregar, beijar, lamber,
mordiscar, grunhir, ronronar e murmurar sons amorosos, acasalando os seus
corpos, independente inclusive de qual nome seja dado para o ato do amor:
fazer amor, transar, copular, trepar, fazer sexo, etc.

E as duas pessoas, após um galopar amoroso de seus corpos e um clímax


orgásmico e prazeroso do ato do amor, vivem juntas o retorno ao ritmo
cardíaco normal, com um tempo de tranqüilidade amorosa e de carinho,
momento no qual os dois vivem a satisfação e a plenitude do amor, a paz do
corpo e do espírito. E nesse momento final da intimidade de dois seres
humanos, eles fazem tudo de modo espontâneo, amoroso, carinhoso, como
se fossem duas crianças alegres, sem condicionamentos culturais e morais.
[154]
.

5º MODO DE USAR O TEMPO: ATIVIDADE

Um outro modo de o ser humano estruturar o seu tempo é fazer alguma


coisa (trabalho, lazer, esportes, estudo, etc.). A atividade é um modo Adulto
de uma pessoa utilizar o seu tempo de modo produtivo, responsável,
independente se traz algum benefício financeiro ou não. Em atividade, há
um intercâmbio de informações com os outros, ordens dadas ou recebidas,
análise de projetos, de relatórios, de memorandos, de E-mail, ou
simplesmente execução de algum trabalho ou atividade, seja ela manual
como lavar pratos ou dirigir aviões, intelectual como estudar, escrever um
livro ou criar programas de computador, ou operacional como operar
comandos de uma máquina industrial. Pela atividade o ser humano obtém
uma gama enorme de estímulos, pela própria atividade ou pelos seus
resultados, como reconhecimento, valorização, sentindo-se alguém, status
pessoal e profissional, dinheiro, troféus, etc. Reforça na pessoa uma
posição de que ela é alguém especial, com algum valor. A atividade tem
implícito que para a pessoa ganhar algum estímulo, qualquer que seja ele,
existe uma condição: ela tem que fazer alguma coisa. Se fizer algo, ela
ganha algum estímulo. É uma situação condicional.

De modo geral predomina a transação Adulto-Adulto pois há intercâmbio


de informações, ordens dadas, recebidas e cumpridas “adultamente”,
análise de planos, de materiais, preços, relatórios, etc. A Atividade

270
conserva e reforça a Posição Existencial OK-OK e cria as condições para
desenvolver o Argumento de Triunfador. Quando a pessoa está em
Atividade seu Pai Crítico não a critica através do Diálogo Interno e a sua
Criança Livre sente-se feliz. A Atividade ajuda a pessoa a manter a
Okeidade a nível pessoal, familiar e social. A Atividade pode ser negativa
se a pessoa tiver muita atividade e não tiver tempo para a expressão de sua
Criança Livre.

Um outro aspecto é que a maior parte da vida adulta o ser humano passa em
atividade, ganhando o sustento de sua vida. Com o desenvolvimento
tecnológico acelerado dos tempos atuais, verdadeiras revoluções
tecnológicas têm afetado a atividade de sobrevivência dos seres humanos,
provocando ondas cada vez mais crescente de desemprego, levando ao
desespero milhões de seres humanos. Essa situação provoca também, uma
busca desesperada de adaptação e reciclagem, em um processo de
aprendizagem contínuo e com isso, uma mudança constante de suas fontes
de estímulos. Nesse aspecto, o que o futuro reservará ao ser humano com
muitas atividades sendo absorvidas pelas máquinas inteligentes, como é o
caso dos robôs?

A sociedade precisará modificar muito, desde a educação inicial dos


seres humanos até os cursos técnicos e universitários, preparando
realmente os seres humanos para essas mudanças tecnológicas, para
que cada um possa ter uma atividade de sobrevivência, mas que também
possa obter os estímulos de que necessita para sentir-se valorizado e
feliz, reconhecido como pessoa que tem algum valor e utilidade neste
mundo. O ser humano passa a maior parte de sua vida em atividade,
realizando-se com os estímulos que recebe em função direta ou em
conseqüência dela. E o que acontece com os seres humanos quando a
atividade acaba, quando a pessoa aposenta, por exemplo, ou quando os
filhos crescem e deixam o lar, ficando a mãe e o pai sem terem mais a quem
cuidar, ficando os homens e as mulheres sem aquelas atividades com as
quais estavam acostumados? Sentem-se sem valor, desprestigiados, inúteis,
situação emocional agravada pela falta de estímulos que deixaram de
receber por não mais exercerem as atividades, aspectos que certamente irão
afetar suas saúdes físicas e emocionais. “O homem que sempre foi definido
e avaliado através do seu trabalho, a aposentadoria representa, na
realidade, rejeição e inutilidade. A perspectiva de ser um antigo
administrador, antigo professor ou vendedor, e um atual nada, é muitas
vezes assustadora. Especialmente, se a vida fora do emprego for vazia e

271
insatisfatória - o que normalmente é o caso das pessoas que devotaram
quase toda a sua energia e interesse ao seu trabalho”.[155]

6º MODO DE USAR O TEMPO: JOGOS PSICOLÓGICOS

Jogo, em Análise Transacional, é uma série de transações ocultas que se


desenrola até um desfecho definido e previsível. É um conjunto de
transações com uma motivação oculta. São repetitivos e destrutivos de
relacionamentos. O Jogo não é consciente, porém, também não é
inconsciente; ele é pré-consciente.

Jogo é uma atividade que todos, crianças, jovens ou adultos, gostam de


fazer. E os analistas transacionais já descobriram que a maioria das
pessoas gosta de fazer Jogos Psicológicos. Nesse tipo de jogo uma pessoa
manipula outra com o objetivo de ganhar estímulos que tem medo de não
ganhar, se chegasse a pedir, ou como uma válvula de escape para os seus
sentimentos de hostilidade ou de culpa, ou ainda é um modo para fugir de
uma intimidade que apavora a pessoa. Segundo Eric Berne, o criador da
Análise Transacional, a maior parte dos jogos psicológicos têm alguns
destes objetivos: autopunição, justificação, tranqüilização, absolvição,
vingança, alívio de culpa e demonstração de que se tem razão.
Quando em seus relacionamento a pessoa utiliza muitos jogos, cria
sérios problemas e dificuldades em suas relações interpessoais. O ideal
é a pessoa não fazer jogos e se perceber que faz jogos, procurar sair
deles o mais rápido possível.

Jogo psicológico é um modo programado de usar o tempo, mais de


perder tempo e de obter estímulos, na maioria das vezes negativos.
Nesse tipo de jogo o relacionamento entre as pessoas começa com um
convite para jogar, feito através de uma mensagem oculta emitida por
uma delas, destinada a influenciar a outra pessoa. Quando uma pessoa joga
com outra pessoa está fingindo fazer alguma coisa, mas, na realidade, está
fazendo outra coisa diferente, com um objetivo oculto. O jogo acontece
quando a outra pessoa está receptiva, em sua fraqueza, através do medo, da
cobiça, do interesse, da irritação, etc. Quando a mensagem mexe com a
outra pessoa é sinal de que existe uma mensagem oculta. Geralmente as
pessoas não se dão conta que estão dando mensagens ocultas através de

272
palavras, de gestos ou de expressões que possuem duplo significado,
convidando os outros a um jogo.

Um jogo psicológico é um modo repetitivo e destrutivo de se relacionar,


evitando a intimidade, trazendo um mal estar às pessoas envolvidas,
podendo causar problemas emocionais, neuroses, úlceras, etc. Entender os
jogos é importante para que se possa parar de realizar esse tipo de
relacionamento negativo e que impedem que uma criança, jovem ou um
adulto cheguem a ser pessoas felizes.

Jogos, em Análise Transacional, não são nenhum passatempo agradável,


mas sim uma prática causadora de muita infelicidade e fracasso. O tédio
pode levar as pessoas a jogarem, para obterem estímulos, mesmo que
sejam negativos. Os Jogos são jogados todos no sistema Não-OK (a
pessoa não se sente bem). São utilizados os Estados do Ego: Pai crítico,
Criança Submissa, Criança Rebelde e o Adulto contaminado (pelo Pai e
pela Criança Adaptada). O final previsível do Jogo é uma das grandes
marcas dos Jogos Psicológicos. O final previsível é uma recompensa
final, negativa, que confirma para as pessoas envolvidas as suas
situações negativas de vida. Sentindo-se negativas no final de um jogo
psicológico, as pessoas têm bloqueada a possibilidade de haver
intimidade entre elas, impedindo que se aproximem. Assim, o jogo
satisfaz uma necessidade doentia de um dos participantes que prefere jogar
e receber estímulos negativos, do que não receber nada. É na realidade uma
falsa satisfação.

A Fórmula de um Jogo Psicológico:

Isca + Fraqueza Resposta Mudança Surpresa


Benefício Final.
Eric Berne compara o Jogo a uma pescaria. Em nível racional (Social) o
pescador lança uma Isca (contém uma mensagem oculta) para o peixe.
Essa mensagem é captada pela outra pessoa (peixe) com sua Fraqueza
(necessidades), iniciando-se um Diálogo Interno e provocando uma
Resposta (morde a isca). O pescador que até então era “bonzinho” (queria
dar estímulo/alimento para o peixe), muda (Mudança) e quer matar o peixe.
O peixe fica confuso pois ficar surpreso (Surpresa) com a nova atitude do
pescador. E ao final os dois, pescador e peixe recebem um Benefício Final

273
(que sempre é negativo): o pescador fica arrogante (“Agora te peguei...”) e
o peixe fica depressivo(“Ai, coitado de mim...”)

Existem muitos tipos de Jogos Psicológicos, por exemplo: “Se não fosse
você”, “Agora te peguei”, jogos muito comuns entre casais. Recomenda-se
a leitura do livro “Jogos da Vida”, de Eric Berne, Editora Artenova.

Numa situação típica de trabalho, por exemplo, entre um chefe e sua


secretária, a fórmula do jogo psicológico seria assim:
1. A secretária começa a agir de modo sedutor, tentando o seu chefe,
provocando-o com gestos, requebros, mostrando-se irresistível e dando
mensagens com duplo significado, mensagens com significados ocultos,
convida o chefe: - O Sr. gosta de música clássica? Tenho vários CDs
novos de música clássica lá no meu apartamento. A mensagem oculta: -
Gostaria de ir lá no meu apartamento e ficar sozinho comigo?
2. Ela colocou a isca que atinge a fraqueza dele: - Sou um coitado, recém
divorciado, carente de atenção feminina... ou - Sou como muitos homens,
um conquistador e minha fraqueza é não resistir a um convite feminino...
3. O chefe faz a sua jogada dando a sua resposta: convida-a para saírem
para jantar e depois darem um pulo no apartamento dela para ouvirem
música clássica.
4. A secretária, uma jogadora experiente, muda totalmente de atitude e o
rechaça: - Quem o Sr. está pensando que eu sou? Não sou uma daquelas!
Não me confunda!
5. O chefe fica surpreso e confuso: - Mas, não foi você que começou, me
convidando para ouvir música clássica no seu apartamento?
6. A secretária e o chefe recebem os seus benefícios finais, o que
inconscientemente esperavam do jogo. A secretária: - Minha mãe tinha
razão, todos os homens são iguais. Só pensam naquilo! A secretária
confirmou e reforçou sua auto-imagem de mulher frígida, evitou intimidade
emocional e expressou o ódio e culpa que sente em relação aos homens. E o
chefe: - É inútil, sempre tenho azar com as mulheres, sempre tenho
dificuldades em ser aceito. Sou um coitado! O chefe confirmou e reforçou
a sua auto-imagem de um coitado, um perdedor com as mulheres, que
nenhuma compreende e aceita e que ele não tem culpa, sempre são elas que
fazem coisas erradas. A secretária estava jogando o jogo Violentada e o
chefe jogava o jogo Chute-me.

Um outro exemplo, o jogo Agora te peguei:


1. Outro chefe pede para sua secretária um serviço que ela não sabe fazer.

274
Ele lhe dá um incentivo, dizendo: - É para o seu desenvolvimento, será
uma boa experiência de aprendizado profissional. Ele jogou a isca.
2. Ela morde a isca, atingida em sua fraqueza: - Eu quero me desenvolver
profissionalmente e chegar a ser uma secretária competente.
3. Ela dá a resposta, concorda em fazer o serviço.
4. Depois que ela o faz e apresenta ao chefe, este fica bravo, xinga, diz que
o serviço ficou uma porcaria, que está tudo errado. O chefe muda, de
bonzinho e incentivador, para crítico e perseguidor.
5. A secretária fica surpresa diante dessa mudança.
6. O benefício final: a secretária tem confirmada e reforçada a sua auto-
imagem de incompetente, de que não serve para serviços difíceis e de que é
sempre uma vítima. O chefe tem confirmado e reforçado a sua auto-imagem
de que ele é o tal, o melhor, o bom, o único que sabe fazer serviços difíceis
e que toda a sua equipe é um bando de incompetentes e não pode confiar
em ninguém; por isso sente-se justificado para ter o ataque de raiva. Ele
jogou Agora te peguei e a secretária jogou Chute-me.

Existem muitos outros tipos de jogo. recomenda-se a leitura dos livros Os


jogos da vida de Eric Berne. Ele divide os jogos do seguinte modo:
1. Jogos da Vida: Alcoólatra, Devedor, Me bata, Agora te peguei, seu
F.D.P, Veja só o que você me obrigou a fazer.
2. Jogos Conjugais: Encurralar, Tribunal, Mulher Fria, Mártir, Se não
fosse você, Veja só o quanto eu me esforcei!, Querida.
3. Jogos de Reuniões Sociais: Não é horrível?, Defeito, Desastrado, Por
que você não...? Sim, mas...
4. Jogos de Sexo: Agora vocês dois briguem, Perversão, Violentada, Bate
boca.
5. Jogos do Submundo: Bandido e mocinho, Como é que se dá o fora
daqui?, Vamos dar um golpe no Zé?
6. Jogos de Consultório: Flor de estufa, Só estou querendo te ajudar,
Puxa, como você é maravilhoso!, Psicoterapia, Pobrezinha de mim,
Imbecil, Perna de pau.

Um outro livro interessante sobre Jogos Psicológicos é o livro Crianças


são os melhores psicólogos, de A.H. Chapman (Jose Olympio Editora,
1974) que descreve os mais comuns jogos que as crianças costumam fazer
entre si mesmas e com os adultos:
1. Os Jogos que Minha Mãe Me Ensinou: Pronto ou não, aqui estou,
Pastelões de lama, Uma batata, duas batatas, Carrocel, O tabuleiro de
damas.

275
2. Os Jogos Que Meu Pai Me Ensinou: Trapacear, O patinho feio, Pum!
Você me matou, Rostos escondidos, Um jogo antiquado.
3. Os Jogos Que Jogávamos Em Casa: Ovelha negra, Meu time contra o
seu time, Faz de conta, O irmão quadrúpede.
4. Jogos Na Escola: Vinte perguntas, Espelho na parede, Luta decisiva,
Palavras ocultas, O perito.
5. Jogos Corporais: Cama, Solitário, Trava línguas, Resistência.
6. Jogos Sexuais: Luxúria e contra luxúria, Maturidade, Sós, A bela e a
fera, Duas pessoas, Eu espio, Segredos.
7. Jogos de Adolescentes: Esmurrar uma sombra, Dois contra um, Jogo
de perguntas, Mascarada, Livro de regras.
“As pessoas fazem jogos psicológicos porque aprendem na infância.
Parece ser mais seguro ser evasivo e indireto sobre as necessidades do
que arriscar a rejeição que poderia ser a resposta a um pedido direto. De
acordo com Eric Berne, os jogos são padrões aprendidos na primeira
infância e são passados de uma geração para a outra. Os jogos são
aprendidos por imitação e transmissão. Quando imitam os jogos de seus
pais, as crianças jogam papéis idênticos e repetem as mesmas linhas.
Quando os jogos são transmitidos, geralmente sem a consciência dos
pais, as crianças aprendem a representar um papel esperado. Por
exemplo, uma criancinha que é severamente punida por esparramar leite
e não é perdoada, pode decidir tentar ser perfeita e nunca cometer erros,
e muito provavelmente fazer o jogo Olhe como eu estou me esforçando”.
[156]

Eric Berne mostrou o significado dos jogos e a influência que os pais e os


adultos exercem na educação das crianças, para os jogos:
“1. Os jogos são passados de geração a geração. O jogo favorito de
qualquer indivíduo pode ter suas origens em seus pais e avós, assim como
será repetido por seus filhos. A menos que haja uma intervenção bem
sucedida, estes ensinarão os mesmos jogos a seus netos. Este é o
significado histórico dos jogos.
2."Criar" os filhos é basicamente uma questão de ensinar-lhes que jogos
devem jogar. Diferentes culturas e diferentes classes sociais favorecem
diferentes tipos de jogos. Este é o significado cultural dos jogos.
3. Os jogos se situam entre os passatempos e a intimidade. Os
passatempos ficam monótonos com a repetição. Para fugir ao tédio dos
passatempos sem se expor aos riscos da intimidade, a maior parte das
pessoas se deixa envolver em jogos, a fim de estruturar quase todas as

276
horas de intercâmbio social. Este é o significado social dos jogos.
4. As pessoas escolhem para seus amigos, associados ou amigos mais
íntimos outras pessoas que joguem os mesmos jogos. Graças a isto, o
comportamento dos integrantes de um determinado círculo social
(aristocracia, quadrilha de delinqüentes juvenis, clubes, campus
universitário, etc.) parece estranho aos olhos dos integrantes de outro
círculo social. E o indivíduo que trocar de jogos provavelmente será
expulso do seu grupo, mas verá que é bem vindo em outro. Este é o
significado pessoal dos jogos”.[157]

REGRAS PARA NÃO ENTRAR OU PARA SAIR DE


JOGOS:

Além desses tipos de jogos psicológicos apresentados, existem muitos


outros tipos de jogos psicológicos que as pessoas jogam normalmente entre
si. Essa realidade faz as pessoas se perguntarem: - O que fazer para não
entrar em jogos psicológicos com os outros? E como sair de um jogo, se
perceber que está em um? As regras básicas são:
1. Perceber se a outra pessoa lhe enviou alguma mensagem oculta. Se a
mensagem recebida da outra pessoa, mexeu com você, existe uma
mensagem oculta. Verificar o que você está sentindo com a mensagem
recebida do outro. Se ela “mexer” com você é sinal de que existe uma
comunicação/mensagem oculta. Aprenda a reconhecer quando os outros o
estão convidando a se irritar, a se frustrar ou a se deprimir.
2. Pedir esclarecimentos, objetivamente, com seu Adulto, do que não
entendeu na mensagem. Naquele exemplo da secretária, ela poderia
perguntar: - O Sr. poderia me explicar o que significa "sairmos juntos"?
Não deixe que surjam coisas que não fiquem esclarecidas, pois poderá
estar entrando em uma Transação Oculta. Treine a si próprio para ficar
atento ao rumo que uma situação ou conversa/transação vai tomando e
pergunte, com seu Adulto, onde querem levar você. Evite usar Transação
Oculta, com mensagens ocultas, com “segundas intenções”
3. Evitar morder o anzol com a isca que a outra pessoa coloca com a
mensagem oculta. “Anzóis são coisas tortuosas, com suas afiadas farpas
geralmente escondidas atrás de "moscas" gordas e parecendo muito
naturais. Pistas verbais no particular são, entre outras, as seguintes: -
Hei, você é bom nesse tipo de coisa! (Uma Vítima pedindo para ser
salva). Ou: - Vou ser honesto com você...(Um Perseguidor pouco antes da
espinafração). Um aviso do lado do Salvador seria: Sei que não é da

277
minha conta, mas..”.[158]
“Uma lista de coisas que podem ser feitas pelas pessoas que querem se
livrar do anzol:
3.1. Não dê nem aceite "brindes emocionais". Não reprima nem deixe que
o reprimam. Não se irrite.
3.2. Faça afagos de baixa potência:- Você está muito bem hoje... é um
cumprimento discreto que não aponta para o quarto. - Sua saia é
deslumbrante e combina com seus olhos azuis de bebê.
3.3. Não seja Perseguidor, Vítima ou Salvador. Mantenha-se longe desse
Triângulo. É nele que se esconde o anzol.
3.4. Esteja sempre bem com você, mas não se gabe. - As coisas estão indo
regularmente comigo. E com você? - é uma declaração neutra.
3.5. Mantenha um relacionamento objetivo, adulto. Seduções e
lamentações ou opressões armam o palco para mais atritos e jogos.
3.6. Permaneça no agora, falar do passado ou do futuro nada ajuda.
3.7. Se possível, proteja as emoções na outra pessoa. Seja bondoso e
cortês.
3.8. Desenvolva outros relacionamentos, como alternativa para escapar
do Triângulo ou de jogos.
3.9. Seja coerente.[159]
4. Dê e peça estímulos positivos.
5. Se você percebe que está envolvido em um Jogo Psicológico, esclareça
os outros a respeito do que está acontecendo e lhes anuncie que quer sair do
Jogo. Convide-os a Transações claras, sem segredos ocultos, sem
mensagens ocultas ou com segundas intenções. Quando perceber que entrou
em um Jogo, a saída, de modo geral, é agir como Adulto. Porém, em um
Jogo, quando você se pega agindo como:
. “Salvador”: procure sair do Jogo agindo como Criança Livre.
. “Vítima”: procure sair como Adulto, usando a racionalidade, com
confiança.
. “Perseguidor”: procure sair como Pai Protetor.
No Jogo “Sim, mas...” para você sair, use seu Pai Protetor e qualifique o
outro, valorizando-o. Por exemplo: “Tenho certeza que você é inteligente
para encontrar a resposta”... Com isso você evita que a outra pessoa fique
no eterno “Sim, mas...” com você.
6. Treine a autonomia do Adulto para não entrar em Simbiose,
Desqualificação (pelo Diálogo Interno), atitudes Submissas ou assumir
posições no Triângulo Dramático, pois são todos comportamentos que
levam a fazer Jogos com os outros

278
7. Evitar entrar em relacionamentos onde as pessoas
assumem, no Triângulo Dramático, um dos três papéis: Perseguidor,
Vítima e Salvador. Esses três papéis desqualificam as pessoas
envolvidas e trazem emoções negativas de raiva, frustração e
ressentimento.
.
TRIÂNGULO DRAMÁTICO
P S

Os Jogos Psicológicos pódem ser diagramados pelo Triânguilo


Dramático. Nesse triângulo existem 3 Papéis: P – Perseguidor,
S – Salvador e V – Vítima. Esses 3 papéis, nos Jogos, mudam de
posição.

V
O Triângulo Dramático Karpman[160] ou Triângulo da Salvação, inventado
por Stephen B. Karpman, psiquiatra de São Francisco, nos Estados Unidos.
Ele observou que os jogos contêm os mesmos personagens e elementos da
tragédia grega, em um sistema fechado, o triângulo, no qual as pessoas
desempenham os papéis de Perseguidor, Vítima e Salvador. Cada uma das
pessoas assume um papel e vai mudando de papel conforme o desenrolar
do drama. O Salvador vira Vítima, a Vítima vira Perseguidor e o
Perseguidor vira Salvador e a troca dos papéis continua. Essa mudança de
papéis no Triângulo Dramático pode ocorrer, por exemplo, em um
casamento infeliz, onde o marido pode estar, no início, no papel de
Perseguidor e a esposa no papel de Vítima. Quando os dois se separam, há
uma mudança desses papéis: a mulher torna-se Perseguidora e o marido
Vítima, e os advogados assumem o papel de Salvadores. Essa situação do
Triângulo Dramático pode ocorrer, também, em muitas outras situações de
relacionamentos entre as pessoas, inclusive nas que ocorrem entre pais e
filhos e educador e alunos.

279
Um exemplo: Em uma empresa um chefe (na posição de Pai crítico) assume
a posição de Perseguidor, está sempre à caça de um empregado (Criança
Submissa) que assuma a posição de Vítima de qualquer situação errada que
possa acontecer no setor de trabalho. É claro que onde existe uma Vítima e
um perseguidor, via de regra, surgirá um Pai protetor que goste de fazer o
papel de Salvador. Com isso está pronto o Triângulo Dramático, só falta
dinamizá-lo, fazer com que comece a se movimentar para que surja o drama
e os três personagens entrem em uma série de mudanças situacionais
bastante neuróticas.

“O Triângulo da Salvação é exemplificado em uma típica situação


familiar: o pai é o Perseguidor; a mãe é o Salvador e as crianças são as
Vítimas. Numa situação como esta os papéis se invertem, de modo que o
pai se torna Vítima da mãe quando esta o Persegue por bater nas
crianças, e então a mãe se torna Vítima das crianças quando estas se
aproveitam de sua bondade. Mais tarde, as crianças poderão Salvar a
mãe (Vítima) quando o pai tentar bater nela (Perseguidor), e assim por
diante. À medida que as crianças crescem e adquirem algum poder
independente dos pais, começam a descontar os antigos ressentimentos de
terem sido vitimados e assim tornam-se Perseguidores dos pais”.[161]

O papel de Salvador: Quer ajudar as pessoas, mas provoca brigas. “Só


queria ajudar”. Manipula os outros com suborno.
Quando uma pessoa assume este papel ela quer ajudar as outras, mas
provoca brigas: - Só queria ajudar... Sente-se culpada por ajudar as outras
pessoas. O Salvador freqüentemente se decepciona com a Vítima e vira
Perseguidor, pois quando uma pessoa salva outra que não ajuda a si mesma,
inevitavelmente se zangará com ela, perseguindo-a. O Salvador tenta
manipular a outra pessoa pelo suborno.

“O papel do Salvador recebe especial mistificação em nossa sociedade.


Não pensar em si mesmo, fazer pelos outros, generosidade; todas são
características encorajadas nas pessoas. Até mesmo a cooperação é
incentivada como parte desta mistificação. O que não se assinala é que
somos encorajados a não pensarmos em nós mesmos, a sermos generosos
e cooperativos com as pessoas mesmo que elas sejam mentirosas,
egoístas, enganosas e não cooperativas conosco. Como exemplo, a
exploração de trabalhadores e gente pequena pelos políticos e super-
ricos que regem o país torna-se fácil pelas tendências de Salvação das
pessoas, que as encorajam a serem "cooperativas", prestativas,

280
trabalhadoras, e portanto, facilmente exploráveis.(...) Ser Salvadores nos
dá a sensação de estar por cima, e este é o único prazer: nos afasta da
Vítima, que está por baixo”.[162]

O papel de Vítima É alguém que está sendo oprimida (ela sente-se


assim) por outra. Manipula os outros pela culpa
Quando uma pessoa sente-se por baixo, quando sente-se uma coitada ou é
oprimida por outra ela está no papel de Vítima. Geralmente ela se
decepciona com o Salvador, pois acha que ele a mantém por baixo,
zangando-se também com o Salvador e procurando perseguí-lo. De Vítima
vira Perseguidora. Os jogos preferidos de uma Vítima são: Pobre de mim,
Olha como sou estúpida, Desculpe-me, Bata-me, Sim, mas... A Vítima
tenta manipular a outra pessoa pela culpa. “A maioria das situações nas
quais pessoas são vitimadas incluem a cooperação da Vítima no ato; a
pessoa não trabalha contra ou não resiste àquilo que está errado.
Quando uma pessoa está sendo oprimida ou suplantada por outra pessoa
ou situação, a Vítima colabora com o opressor quando reduz seus
sentimentos de estar sendo perseguida e/ou não emprega toda sua força
ou capacidade para superar a condição inferior”.[163]

O papel de Perseguidor Só vê defeitos nos outros. Manipula as pessoas


pelo medo e o temor.
Este papel é resultado dos outros dois papéis, Salvador e Vítima. Quando
uma pessoa salva alguém que não ajuda a si própria provavelmente irá se
zangar com ela, perseguindo-a. Assim, de uma situação onde havia um
Salvador e uma Vítima, a situação mudará para outra onde haverá um
Perseguidor e uma Vítima. Os jogos preferidos do Perseguidor são:
Tribunal, Vamos ver quem grita mais, Sim, mas... O Perseguidor tenta
manipular o outro pelo medo. “Toda vez que uma pessoa na posição de
Vítima é salva por alguém, está perfeitamente consciente do fato de estar
por baixo e ser mantida por baixo pelo Salvador, e que este interfere com
a capacidade da primeira de ter forças. Por isso, uma pessoa que
desempenhou o papel de Vítima perante outra que é o Salvador,
inevitavelmente também se zangará. Assim é possível predizer que toda
transação Salvador-Vítima eventualmente resultará numa Perseguidor-
Vítima”.[164]

O QUE FAZER PARA SAIR DO TRIÂNGULO


Quando uma pessoa está em algum dos três papéis do Triângulo

281
Dramático, o que fazer para sair dele?
1. Uma das pessoas decide sair da situação.
2. A que estiver no papel de Perseguidor, reformula suas atitudes, pára de
dar estímulos negativos, começando a ver aspectos positivos na outra
pessoa e a dar estímulos positivos.
3. A pessoa decide sair do papel de Salvador e sai do Triângulo Dramático.
4. A que estiver como Vítima, abandona esse papel, reagindo de modo mais
amadurecido, na postura de Adulto, parando de querer receber estímulos
negativos dos outros.
5. As pessoas envolvidas concordam em agir de modo mais amadurecido.
Os três personagens concordam em começar a usar mais o Adulto, com
atitudes mais maduras de relacionamento.

Para conseguir melhores relacionamentos, mais amadurecidos, em especial


aqueles que influenciam na educação das crianças e dos jovens para que
eles possam ser mais realizados e felizes, é necessário que os adultos
procurem fazer o melhor que puderem, em especial não agindo nessas
posições de Perseguidor, de Vítima ou de Salvador. A única maneira de
acabar com essa situação, com esse jogo do Triângulo Dramático, é a
pessoa parar de assumir quaisquer das três posições desse Triângulo, a
de Vítima, Perseguidor ou Salvador, parando de querer os estímulos
negativos que essas posições dão à pessoa e parando de querer vingar-se
dos outros, "dando o troco" a eles. Fazendo assim estará saindo em busca
de outras fontes de estímulos mais positivos, assumindo a pessoa a sua
vida, não dependendo de ninguém e nem querendo vingar-se ou perseguir as
outras pessoas.

Uma ação que ajuda é a pessoa reexaminar suas antigas decisões da


infância e os estímulos negativos, as mensagens negativas que as
provocaram. As informações aqui apresentadas ajudam cada leitor a
realizar um reexame, colaborando para uma maior autocompreensão, dando
a cada pessoa melhores opções para atingir uma vida mais realizadora e
feliz.

Jogos Transacionais: Ninguém ganha, todos perdem

Quando em virtude das contingências da vida ou dos imprevistos da uma


história pessoal ocorre reconhecimento, o indivíduo joga. Os jogos
psicológicos ou transacionais são uma forma de as pessoas relacionarem-se

282
e controlar o outro. Os jogos também são uma forma de as pessoas
confirmarem as crenças e preconceitos sobre elas mesmas. E os jogos são
uma forma de organizar o tempo e descarregar a tensão. As pessoas jogam
para conseguir os estímulos (as carícias) que necessitam e que lhe são
vitais. E é por isso que os jogos psicológicos ou transacionais são tão
freqüentes, seja na vida de casal, na família, no ambiente de trabalho ou no
relacionamento social.

Por trás de diálogos e transações aparentemente ingênuos podem existir


segundas intenções e uma tentativa de manipular e controlar o outro.
Entendendo isso cada pessoa vai compreender porque quando um jogo
termina os jogadores se sentem mal e vai provavelmente descobrir alguns
de seus próprios jogos. Alguns exemplos mostram bem o que é um jogo
psicológico ou transacional.

Sueli é uma jovem como qualquer outra. Um dia, esperando o ônibus, ela
encontra Paulo, um ex-namorado que lhe oferece carona de carro.
- “Você está muito bem, me parece muito disposta e feliz” - diz Paulo
quando ela entra no carro.
- “Pois é, eu estou ótima. Não sei se você soube, me divorciei há três
meses. Sabe como é, todo mundo que se divorcia sente uma deliciosa
sensação de liberdade - diz Sueli sorrindo para ele, mostrando uma grande
alegria.
- “Sei, sei.” - diz Paulo - “Por falar nisso bem que poderíamos jantar juntos
qualquer dia desses”.
- “O que? Jantar juntos? Mas como é que ficam sua mulher e seus três
filhos? Que desaforo!”

O jogo se encerra com os dois aborrecidos um com o outro. Qualquer


pessoa atenta percebe que entre Paulo e Sueli está sendo dito mais do que
simples palavras. No jogo que as pessoas jogam, cada uma assume um
papel. Ganha o jogador que conseguir comprovar o papel que assumiu.
Quando Sueli, respondendo a um elogio vindo de Paulo diz frases do tipo
“Me sinto ótima”, “Uma deliciosa sensação de liberdade”, o que estaria de
fato dizendo?
- “Veja só que material, tão livre, tão disponível e tão só, não é um
desperdício?”

Sueli procura manipular Paulo. Se ela realmente quizesse sair com ele
poderia pedir, mas não, ao invés disso resolve jogar e faz o 1º lance do

283
jogo. Ela escolhe um papel que intuitivamente sabe que vai atrair Paulo, ela
vai fazer o papel de Vítima: “Pobrezinha, recém-divorciada, tão só”. Na
realidade ela age como um lobo em pele de cordeiro. A intuição de Sueli
estava certa, Paulo está sempre pronto para defender uma mulher em perigo,
não importa que nenhuma ajuda lhe tenha sido pedida. Ele entra no jogo
para valer, ou seja, ele também escolhe um papel. Vai ser o Salvador, como
se fosse um latin lover:
- “Deixa essa solidão prá lá meu amor, sua solidão acabou, está aqui seu
Rodolfo Valentino! Que tal um passeio lá em casa?”

E é aí que vai acontecer o lance decisivo. Estando Paulo envolvido no jogo


Sueli vai mudar bruscamente de papel obrigando Paulo também a mudar seu
papel. Quando Sueli diz: - Jantar juntos? Mas como é que ficam sua mulher
e seus três filhos? - o que realmente quer dizer é: - Ó, fui ofendida! Quem
afinal pensa que sou? Não sou uma dessas!”

Agora o jogo torna-se realmente dramático. Aliás, a palavra “drama”


significa exatamente isso, mudança brusca, inesperada. De Vítima Sueli
passou a Perseguidora e Paulo de Salvador passou a Vítima. Final de
jogo: os parceiros colhem o Benefício Final do jogo ou seja, a
comprovação de seus preconceitos. Sueli mais uma vez comprova que “os
homens são todos iguais, não prestam, só pensam numa coisa!” E Paulo
comprova que “eu sou mesmo um infeliz, nasci para sofrer, nenhuma mulher
me entende, ninguém me ama, ninguém me quer”.

Para o fundador da Análise Transacional, Eric Berne, jogo é um conjunto de


transações que se desenvolve até um desfecho final previsto e bem definido
desde o princípio. O Triângulo dramático é uma forma de representar
qualquer jogo. Cada vértice do Triângulo representa um papel: Perseguidor,
Vítima e Salvador. A idéia é que durante o jogo os parceiros mudem de
papel até que consigam o que se chama de Benefício Final. No jogo entre
Sueli e Paulo, Sueli assume a posição de Vítima para atrair Paulo e acabar
produzindo frustração e culpa em Paulo. Disfarçada de Vítima, tão só, Sueli
na verdade acaba perseguindo Paulo. É evidente que este jogo não poderia
ter outro desfecho. Um outro exemplo.

Dr. Luis é uma dessas pessoas que acha que não se pode confiar na
capacidade de ninguém, um preconceito que serve de pretexto para muitos
jogos. Evidentemente ele escolheu para secretária alguém que está sempre
cometendo erros. Assim, quando ele diz: - “Dona Maria, quero que digite e

284
imprima esta carta com todo cuidado e com a máxima urgência” já se sabe
que o que ele realmente está dizendo é: “- “A Sra é incapaz de ser
cuidadosa. Certamente não tem capacidade de fazer esse serviço direito e é
por isso que estou avisando para ter cuidado”. Em se tratando de um jogo a
próxima cena é fácil de se prever: - “Dr. Ljuis, está pronta a carta que o Sr.
pediu”. - “Deixa eu ver se não tem erro... Olha aqui, Dona Maria, mexer
não é com ch e jeito não é com g. Tá tudo errado!!!”

Nesse caso o Dr. Luis joga o jogo “Agora te peguei” e acaba de provar
mais uma vez que “não se pode confiar na capacidade de ninguém”. Dona
Maria joga um jogo que poderia ser chamado de “Chute-me”. Através das
críticas ela recebe os estímulos negativos que a confirmam como Vítima,
como uma pessoa incapaz. Outro jogo muito frequente é o “Por que você
não... sim, mas...” Veja o exemplo da dona de casa que telefona para seu
marido no escritório. – “Benzinho, gostaria tanto de ir ao show dos Titãs
amanhã. Mas, meu bem, é difícil achar ingressos para esse show, é preciso
estar na fila às 3 da tarde para comprar para o show das 22 horas”. -
“Manda nosso filho para a fila”. - E faço ele perder aulas?” - “Então pede
para alguma vizinha”. - “E você acha que vou ficar devendo favor para
alguma vizinha?” - “Então podemos comprar dos cambistas na hora do
show”. - “E você acha que eu vou deixar você gastar um dinheirão desses
pelos ingressos? O que eles cobram é um roubo!” - “Ora, então não vá ao
show!” - “E quem foi que lhe pediu conselhos?! Se conselhos fosse bom
ninguém dava, vendia!!!” Final do jogo: os dois jogadores irritados,
estímulos negativos trocados e a dona de casa, emburrada, mas com a
certeza de que “ninguém vai me dizer o que fazer!”

Um outro exemplo é a famosa figura do super-executivo que pode ser


encontrado em sua casa a altas horas da noite com uma enorme pilha de
serviço. Com o passar dos dias, ou melhor, das noites, fatamente fracassará.
Certamente esse executivo, durante o dia age assim: - “Pode deixar
Alfredo, vá ao futebol tranqüilo que acabo esse serviço para você... – E
você acha que vou deixar a minha melhor amiga se matar em cima de um
trabalho que é a minha especialidade? Deixa comigo que eu levo para casa
e termino para você... - O Sr. tem que entender que é o meu chefe e tem
coisas mais importantes para fazer do que redigir esse Relatório. Deixa
comigo, eu estou meio desocupado! Eu levo para casa e faço para amanha!”
Resultado: nada é terminado no prqazo, nem mesmo sua verdadeira tarefa,
quanto mais as outras que ele pegou para fazer. Esse executivo estava
jogando o jogo “Veja como sou esforçado” e conseguiu provar com o seu

285
cansaço que “ninguém me dá valor”.

Para encerrar este assunto é necessário dizer que a pessoa que joga os
Jogos Psicológicos ou Transacionais ainda não percebeu que, na vierdade,
ela tem opções melhores. Ela é livre para escolher seus comportamentos e é
responsável por eles. As pessoas jogam não a partir dos fatos de hoje ou do
momento, mas a partir dos preconceitos e fantasias plantadas em seu íntimo
ontem, no seu passado.Quando jogam as pessoas sem se darem conta
repetem como autômatos formas de sentir e pensar de ontem. Não mudam e
por isso não vivem plenamente felizes...

EXERCÍCIO TEMPOGRAMA
Instruções: Considerando 16 horas diárias (Média em que as
pessoas ficam acordadas), estabeleça quantas horas por dia você fica
em ISOLAMENTO, RITUAIS, PASSATEMPOS, JOGOS,
ATIVIDADES, INTIMIDADES. Procure identificar as PESSOAS com
as quais usa o seu tempo.

NEGATIVA
PROXIMIDADE SOCIAL POSITIVA

ISOLA RITUAIS PASSA JOGOS ATIVIDA INTIMIDA


MENTOS TEMPOS DES DES
PESSOAS

286
DURANTE

OS DIAS

DE

SEMANA

DURANTE

DOMINGOS

FERIADOS

A maneira como você está estruturando/usando o seu tempo seria


exatamente aquela que você deseja?

Em caso negativo, o que você gostaria de mudar no uso do seu tempo?

287
POSIÇÕES EXISTENCIAIS
Todas as pessoas têm um conceito de si próprio e dos outros. Esse
conceito é a Posição Existencial (PE). Por exemplo: “Acho que eu estou
bem e os outros também estão bem”. Na realidade a Posição Existencial é
uma ilusão que passa pela cabeça das pessoas. Ocorre através do
Diálogo Interno e de uma Desqualificação Interna, na qual a pessoa se
compara com os outros e, na maioria das vêzes, sente-se inferiorizada:
“Acho que não estou bem e as outras pessoas também não estão bem”.

Todas as pessoam assumem uma Posição Existencial que predomina em


suas vidas. Ela forma-se até os 8 anos de idade, devido aos estímulos
que a criança recebeu. Se os estímulos forem positivos, é provável que a
pessoa desenvolva uma Posição Existencial Positiva; se os estímulos forem
negativos, a Posição Existencial poderá ser negativa.

Em Análise Transacional usa-se as expressões OK e NÃO-OK como


equivalentes de Estar Bem e Não Estar Bem. Significa uma tomada de
posição frente a si mesmo e frente aos outros. Há 4 Posições Existenciais:

1ª PE: OK – OK (+ +)
“Sinto-me bem (OK) e acho que os outros também estão bem (OK)”.

Esta é uma posição realista, a mais saudável de todas. Usa os Estados do


Ego ADULTO e Criança Livre e a Posição de Triunfador. A pessoa tem
auto-consciência de suas capacidades e defeitos, aceita a si própria como é,
com qualidades e defeitos e não se vangloria de suas qualidades e nem fica
deprimida devida a seus defeitos. Nessa Posição Existencial a pessoa não
se sente derrotada por seus defeitos ainda que procure corrigí-los e não se
sente eufórica com suas qualidades, utilizando-as com simplicidade
voluntária para a sua realização pessoal e o relacionamento com os outros.
E aceita os outros como eles são, com defeitos e qualidades. Quando vê os
defeitos dos outros, aceita-os sem ficar com raiva. Quando vê as virtudes
dos outros, não sente inveja nem ciúme. Tem espontaneidade, adequando-se
à realidade de cada situação com seu Adulto, sem que sua Criança perca a
alegria de viver e sem que seu Pai Crítico a critique pelo que faz (auto-
crítica com seu Diálogo Interno). E é capaz de compartilhar cada minuto de

288
sua existência com os outros, tendo um bom relacionamento, com harmonia
e realização. Ter esta Posição Existencial sadia significa ter respeito à si
própria e às outras pessoas.

Uma pessoa nessa posição OK - OK, “Quer Seguir com”. É provável que
em sua infância recebeu estímulos positivos e tem gravado em sua mente,
por seus pais e educadores, mensagens de vida, de felicidade e alegria.
Segundo Eric Berne, “são príncipes felizes!, e nas palavras de Muriel
James, “são pessoas nascidas para triunfar”.

Uma pessoa OK - OK é alegre, tem paz em sua vida interior, tem harmonia,
amor, entusiasmo, motivação, equilíbrio, espontaneidade, simplicidade e
naturalidade. É uma pessoa que tem a alegria de viver, a alegria de estar na
existência, a alegria de saborear o movimento do mundo. É pessoa que diz
“sim à vida”. Vive integralmente o momento presente, não se envolve com o
fantasma do passado ou o fantasma do futuro. É pessoa que perdoa a si
própria, tirando a culpa do passado (se houver) e, através do sentimento da
Esperança, tira o medo do futuro (se houver medo). Considera o Aquí e
Agora o seu “Presente Precioso” e o Hoje como o “1º dia feliz do resto de
sua vida".

Em um ambiente de trabalho, um chefe nesta Posição Existencial tem uma


boa auto-imagem e considera as pessoas também como OK e isso leva a um
bom trabalho em equipe, com cooperação. É um chefe que nunca faz Jogos
Psicológicos, ou ao menos está consciente quando aos Jogos são jogados e
evita entrar neles. Seus relacionamentos são autênticos e íntimos com seus
subordinados. Desfruta da realização e acha e organiza trabalho em que ele
e sua equipe obtenham a maior satisfação. Costuma atrair para junto de si
pessoas que têm o mesmo tipo de sentimentos, pessoas Triunfadoras ou
Vencedoras. Gosta de dar e receber estímulos positivos. Aprecia o
reconhecimento de colegas e chefes, aceitando seus elogios como se
estivesse colecionando selos raros. Estimula sua equipe de trabalho e
outras pessoas, mostrando interesse cordial e amistoso por todas. É um
vencedor em todas as situações.

2ª PE: OK – NÃO-OK (+ -)
“Acho que estou bem (OK) e os outros não estão bem (Não-OK)”

Pessoa com esta posição recebeu em sua infância excessivos estímulos


agressivos ou falsos. Uma pessoa com esta Posição Existencial apresenta
sentimentos de superioridade, de raiva, de falso triunfo, falsa alegria e

289
inveja. É uma posição paranóide (acha-se a tal) e defensiva. É uma posição
arrogante: “Eu me aceito, mas não aceito você porque tem defeitos”. Por
isso, converte-se em pessoa vingativa, rebelde ou imagina ser superior aos
outros. É uma posição perigosa porque nela a pessoa julga-se “a dona da
verdade” e reage agressivamente, desqualificando tudo e todos. É típico da
pessoa que “subiu em um pedestal e olha lá de cima”, achando que “ela é
boa, mas os outros não são/valem nada”. Age como pessoa vingativa e
procurará explorar os outros. Delinqüentes e criminosos adotam essa
Posição Existencial, isso porque de Vítimas Perseguidas (que sentem ser)
se transformam em Vítimas Vingativas. Essa atitude indica que a pessoa
“Quer livrar-se de”.

Geralmente é fria, insensível, autocrata, com pouco interesse nas pessoas


mas com alto interesse em resultados, tendo dificuldades de trabalhar em
equipe porque só aceita sua próprias idéias e quando alguém a contradiz
procurará “livrar-se dela” de algum modo, sutil ou agressivo. Se for chefe
de pessoas, jogará o Jogo “Agora te peguei” e irá tentar “livrar-se” dos
subordinados que não se submetem a ele, fará Jogos destrutivos com eles.
Se for um empregado tentará “se livrar” do chefe, criando fofocas e
calúnias, chamando-o (às escondidas) de incapaz, jogando com ele o Jogo
“Defeito”. Quando um chefe joga “Agora te peguei”, ele adora quando
encontra um erro de um subordinado e passa uma descompostura nele,
geralmente fora de proporção em relação ao erro. Ao final fica com
sentimento de triunfo: “demonstrei mais uma vez que ele está errado”. Um
chefe com esta Posição Existencial geralmente tem empregados que querem
se sentir maltratados e pisados e poderá ter outros que gostam de odiar o
chefe e serão os alvos preferidos do chefe. Um chefe assim costuma perder
muitos empregados de sua equipe, com alto “turn-over” (rotatividade, perda
de bons empregados). Os subordinados de um chefe assim poderão ter
úlceras e esgotamentos nervosos. E esse tipo de chefe geralmente trabalha
duro, para mostrar para todo mundo que “ele é OK e os outros não”.

Esta Posição Existencial pode ser adotada por volta dos 10 meses de idade,
quando a criança não é apenas abandonada nas mãos de babá (ou outra
pessoa), mas sofre alguma brutalidade ou agressão por parte delas. A
criança perseguida e agredida parece desenvolver um medo agudo dos
adultos, dos quais procura fugir. Desenvolve a atitude: “Eles Não são OK
porque me rejeitaram e me agrediram”. Com essa atitude desenvolve um
Mecanismo de Compensação, dentro de sua mente, para as punições que lhe
são impostas, como a dizer que: “Eu sou OK”. Isso leva a pessoa a achar

290
que “o mundo é culpado de seus problemas”. Como adulto irá rejeitar os
outros e criará situações para que os outros não a aceitem, continuando
sendo rejeitada. A fantasia social dessa Posição Existencial é “Eu posso
fazer os outros se sentirem mal”. O Mandato Básico desse tipo de pessoa é
“Não sinta”.

3ª PE: NÃO-OK – OK (- +)
“Eu não estou bem (NÃO-OK) e acho que as outras pessoas estão bem
(OK)”

Esta é a Posição Existencial que prevalece em 90% das pessoas, pois há


uma desqualificação interna, comparando-se com os outros, sentindo-se
inferior e com inveja. Outras pessoas são sempre melhores do que ela, mais
competentes, mais saudáveis, mais ricas, com melhores empregos, etc. Por
isso a pessoa tende a desvalorizar tudo o que faz e se relaciona com as
outras pessoas considerando-as sempre melhores que ela. Geralmente não
leva em conta os estímulos positivos que recebe. Desqualifica os estímulos
para sentir que não tem direito a eles.

Essa Posição Existencial indica que a pessoa não teve estímulos que lhe
dessem auto-confiança e, por isso, sente-se inferiorizada em relação aos
outros, sente-se tímida, medrosa, insegura. Apresenta, ainda, sentimentos de
culpa, confusão e inadequação. Isso mostra como as atitudes e estímulos
negativos dos adultos (pais e educadores) podem levar a criança a sentir-se
incapaz, antipática, feia, fraca, perdedora, burra, insegura, etc. E indica
também que poderão ser obtidos resultados muito positivos se as atitudes e
estímulos forem positivos, tais como encorajar a criança (“Você pode fazer
isso, você é capaz”, “Está certo tentar fazer”, “Vamos lá, você consegue
fazer”, etc) mostrar confiança na capacidade da criança em tornar-se
competente, aceitar a criança como ela é, levar a criança a gostar de sí
própria com uma auto-estima positiva, ter fé nas capacidades da criança e
levá-la a ter fé em si mesma. Com isso, os adultos conseguirão que a
criança sinta que é capaz, é adorável, é querida, é bonita, é forte, é
triunfadora, é inteligente, etc.

A Posição Existencial NÃO-OK - OK origina-se da incapacidade e da


dependência da criança em relação aos pais e outros adultos, nos primeiros
meses de vida. Nessa época a criança não tem condições de obter nada
sozinha, é totalmente dependente dos pais, em especial da mãe. À medida
que a mãe lhe dá carinho, atenção, alimento, a criança desenvolve uma
atitude, que se fosse colocada em palavras seria assim:

291
“Eu sou fraca e você me protege, me alimenta, cuida de mim.
Por isso,
você é OK e eu sou NÃO-OK porque não posso fazer nada
sem você”.

Toda pessoa tem essa atitude que traz da infância, de considerar-se, às


vezes, NÃO-OK e considerar os outros OK, porque é a posição que sentia
quando criança. Não importa quanto os pais tivessem sido amorosos, cada
criança experimenta um mundo em que é pequena, inferior aos adultos,
insignificante e incompetente, mas “eles”, os adultos, são grandes e sabem
todas as respostas. Muitas pessoas, consideradas felizardas, conseguem
superar essa Posição Existencial, mas para um bom número de crianças
com pais extremamente dominadores, essa Posição Existencial é reforçada
e torna-se a Posição Existencial que vivem durante sua vida adulta.

A fantasia social da pessoa nessa Posição Existencial é que “Os outros


podem me fazer bem”. Aquilo que a pessoa não teve na infância é o que
mais precisa quando se torna adulta, mas é exatamente disso que a pessoa
foge. Essa Posição Existencial indica que a pessoa “Quer afastar-se de”.
É uma posição defensiva. Seu Mandato Básico é Não pense.

No ambiente de trabalho, uma pessoa com esta Posição Existencial será o


típico empregado depressivo, que frequentemente comete erros, que sempre
está insatisfeito com o que faz, com seu trabalho, não valorizando o que faz,
que não confia em si mesmo. Geralmente sente-se vítima de algum chefe e
passa grande parte do seu tempo procurando “Salvadores” que o ajudem em
suas dificuldades. Diante de uma dificuldade entra em confusão, não
consegue pensar corretamente e comete erros. Como não consegue enfrentar
as situações, fica deprimido e cai em depressão, sente-se solitário ou
abandonado. Quando seu trabalho é comparado com os outros membros da
equipe, sente-se diminuído e procura afastar-se de seus colegas e
superiores. Passa a maior parte do tempo fazendo queixas de tudo, de seus
colegas, de seu chefe, de sua má sorte, etc. Vive desanimado e afeta
negativamente com seu desânimo as outras pessoas. Procura Estímulos de
Lástima (“Coitado, não conseguiu”) e costuma jogar os Jogos “Confuso”,
“Pobre de mim”, jogos que reforçam a sua posição de Perdedor. Tende a
desvalorizar tudo o que faz.

Ou a pessoa, no ambiente de trabalho pode querer “ajudar” em vez de


“fazer”, procurando conquistar os outros, o amor deles, mas suas atitudes
geralmente provocam irritação, antipatia e desprêzo dos outros. Geralmente

292
seu modo de “ajudar” causa mais problemas, atrapalhando, do que resolver.
E essa situação vai reforçar a atitude de que “ele não é OK”. Se for chefe
de pessoas, geralmente irá jogar o Jogo “Perna de Pau”, ou seja, “Não se
pode esperar grande coisa de um chefe com uma perna de pau”. Poderá
utilizar frases como “Desculpe, meu amigo, mas minha mulher, você
sabe...” ou “É claro, eu nunca freqüentei a sua Universidade”, tornam-se
pretextos regulares para livrá-lo de situações em que poderia, na verdade,
realizar alguma coisa. Outros jogos que utiliza são “Por que você não...”,
“Sim, mas...”, jogos que fornecem ao chefe sentimentos desagradáveis de
falha, de incompetência, humildade, depressão e rejeição.

4ª PE: NÃO-OK – NÃO-OK (- -)


“Acho que eu não estou bem(NÃO-OK) e os outros também não estão
bem(NÃO-OK)”

Esta é a Posição Existencial mais negativa na qual a pessoa tem sentimentos


de desproteção total, com depressão, encontrada em pessoas com doenças
emocionais, como os neuróticos profundos e psicóticos, e também em
suicidas. Nesta Posição Existencial a pessoa tem baixa opinião e interesse
em sí própria e pelos outros, sente-se incompetente e indesejada e
geralmente possui um plano inconsciente de se matar ou fazer que algo ou
alguém a mate. Esta é a Posição Existencial adotada por suicidas (sente que
ele não vale nada) e homicida (ele e os outros não valem nada), perdedores
típicos. O Mandato deste tipo de pessoa é “Não Exista” ou “Não Sinta”.
Seu pensamento interno poderia ser expresso assim: “Eu não presto, os
outros também não prestam. A vida não vale a pena ser vivida, então para
que trabalhar, para que lutar, para que...?”

Essa Posição Existencial pode aparecer entre 10 meses e um ano de vida.


Nessa época a criança aprende a locomover-se e já terá deixado de mamar
no seio da mãe. É comum, nessa época, as mães começarem a sair mais,
deixando a criança com babás ou parentes. A criança experimenta uma
sensação de abandono ou solidão, pela falta de estímulos da mãe e pode
desenvolver a atitude, que em palavras, seria:
“Eu Não sou OK porque sou fraca, mas você também Não é OK porque
me abandona quando eu preciso de você”.

Nessa Posição Existencial é comum as pessoas jogarem o jogo “Olha o que


você me fez fazer”, “Infelicidade” e o “Jogo do Passado”. Nessa Posição
Existencial a pessoa mostra que “Não quer ir a parte alguma”. Sua
fantasia social é “Os outros podem me fazer sentir mal”. Costuma fazer

293
Jogos Psicológicos trágicos que se não for detida à tempo, a levará ao
único benefício final que procura: a morte ou a loucura.

No ambiente de trabalho um chefe com esta Posição Existencial tem uma


baixa opinião sobre si mesmo e baixa opinião sobre os outros. Sente-se
incompetente e indesejado, evita reunião com os outros e oculta-se atrás de
normas e regulamentos. Passa o seu tempo fazendo o mínimo e quando é
forçado a entrar em ação, põe a culpa nos outros quando tem que dar uma
ordem ou tomar uma decisão. Seus contatos com os outros são através de
Rituais (memorandos, e-mails formais, etc). Joga o jogo “Chute-me” e seus
subordinados costumam dizer “Ele está precisando de um bom chute no
traseiro”. Joga também o jogo “Olha o que você me fez fazer”. Um chefe
assim torna-se irracional, afastando-se da realidade.

Outras Posições Existencias:


Alguns autores consideram existir outras Posições Existencias:

. OK (Às vêzes Não-OK) – OK (Às vêzes Não-OK) (+_ +_ ):


É uma posição que admite que o Eu é OK e o outro é OK, apesar de o Eu
e/ou o outro poderem não estar OK algumas vêzes. Esta posição reconhece
que as pessoas nascem OK e permanecem OK pela vida, embora possam
não estar OK algumas vêzes, variando de uma posição à outra. Essa
posição reafirma a capacidade de o ser humano recobrar a saúde mental e
um bom relacionamento com as pessoas.

Por exemplo, uma pessoa está OK – OK a maior parte de seu tempo. Um


dia, esperando o ônibus, começa a ficar ansiosa(Não OK - OK) porque ele
está atrasado. O ônibus chega e a pessoa volta a sentir-se OK - OK. No
caminho, o ônibus bate em um carro e a pessoa sente-se Não-OK - Não-
OK. Em seguida passa um amigo e lhe oferece carona até o trabalho. Ela
sente-se OK - Não-OK e chega ao trabalho no horário, voltando a sentir-se
Ok - OK.

. SUPER OK – SUPER OK (++ ++):


Esta posição considera que o Eu está super ótimo e os outros também
estão super ótimos. Tudo está super bem, uma maravilha. É uma posição
Maníaca, posição de pessoas que vivem em um mundo de fantasia, um
mundo “cor de rosa”, fora da realidade que os outros vivem. Exemplo:
políticos que ganham “fácil” muito dinheiro, em detrimento da população.
Um chefe Criança e um empregado que nunca leva nada a sério, podem ter
esta Posição Existencial. São pessoas para as quais tudo está bem, ótimo,

294
maravilha. Não existem problemas no trabalho, tudo corre muito bem. Não
existem erros no trabalho, nem acidentes, nada. Os erros no trabalho, as
faltas de disciplina, as sabotagens, a perda de tempo, etc, tudo é ignorado.
Se existir algum problema considera como nuvens passageiras que não
tiram sua euforia. Vivem em um mundo de fantasia cor-de-rosa, até que
chega a notícia de que, como chefe ou empregado, estão demitidos ou a
empresa fechou as portas, faliu.

Baseado nas quatro Posições Existenciais básicas, em Análise


Transacional, foi criado o que se chamou de CURRAL OK :

OK - NÃO-OK (Arrogante) OK – OK (Triunfador)

Estímulos recebidos: agressivos, falsos Estímulos recebidos: positivos


Mandato Básico: Não Sinta Mandato Básico: Vive. Seja
você mesmo
Raiva Básica: ressentimento Raiva Básica: Indignação
Medo Básico: perda de controle Medo Básico: adequado à
situação
Fantasia Básica: Eu posso fazer com que Fantasia Básica: Não tem
os outros se sintam mal (Perseguidor) Objetivo Social: seguir com os

295
outros
ou bem (Salvador Plano de Vida: Triunfador
Objetivo Social: livrar-se de Carência Básica: Não tem,
pois recebeu Amor,
Plano de Vida: Não triunfador Aceditação e Confiança.
Carência Básica: falta de aceitação
NÃO-OK – NÃO-OK (Suicida) NÃO-OK – OK
(Depressivo)

Estímulos receb idos: de Lástima Estímulos recebidos:


Agressivos, de Lástima
Mandato Básico: Não Viva Mandato Básico: Não Pense
Raiva Básica: Passividade (não sente Raiva Básica: Frustração
e não pensa) Medo Básico: Fracasso
Medo Básico: Perda de identidade Fantasia Básica: Os outros
podem me fazer
Fantasia Básica: Os outros podem me sentir bem (tendência a
idealizar os outros,
fazer sentir mal (se isola) busca Salvador) ou mal
(busca Perseguidor)
Plano de Vida: Perdedor Objetivo Social: Afastar-se de
Carência Básica: Falta de amor e de Carência Básica: Falta de
confiança em si
permissão para viver

EXERCÍCIO POSIÇÃO
EXISTENCIAL
Instruções: 1 – Leia cada questão e escolha sua alternativa de
resposta, colocando um “X” na Coluna da ESQUERDA.
2 – Após ter feito todas as 12 questões, examine a alternativa que
você assinalou em cada questão e faça um “X” nas ÁREAS nas
colunas da DIREITA, se essa situação ocorre na ÁREA
PROFISSIONAL (P), ÁREA CASAL (C), ÁREA FAMILIAR (F) ou na
ÁREA SOCIAL (S).
3 – Após, passe para a 2ª Parte do Exercício.

ÁREAS
296
QUESTÕES P C F S
1 - Quando não me sinto bem com alguma coisa ou
grupo, minha tendência é:
a - Fazer algo para continuar junto com eles
b - Livrear-me deles, deixá-los fora.
c - Separar-me deles.
d - Não tomar decisão alguma.

2 - A frase que reflete meu estado de ânimo mais


freqüente é:
a - Sinto-me comigo e com os outros.
b - Não podem fazer-me isto: ou já vão me pagar.
c - Comigo acontece sempre algo errado.
d - Para mim tudo é sofrimento e fracasso.

3 - O meu Mandato Básico é:


a - Viva.
b - Não Sinta.
c - Não pense.
d - Não viva.

4 - Quando acontece algo errado, minha tendência


é:
a - Ver se errei e corrigir. Se não fui eu quem errou,
ficar tranqüilo.
b - Culpar os outros.
c - Ficar envergonhado, confuso, com sentimento de
culpa.
d - Ficar desesperado e não encontrar saída.

5 - Qual destas frases ajusta-se mais ao meu modo


de viver?
a - A vida é linda e eu vivo feliz.
b – A vida é uma guerra. É melhor não deixar o
inimigo vencer ou avançar.
c – A vida é difícil. Não consigo encontrar meu

297
caminho.
d – A vida é sem sentido. Não vale a pena viver.

6 – Em minha vida de relação interpessoal:


a – Não entro em competição. Faço minhas coisas e me
sinto feliz.
b – Luto e ganho dos outros porque sou mais forte.
c – Tento lutar, mas geralmente os outros me vencem.
d – Sinto que minha vida está errada e que a dos outros
também está.

ÁREAS
QUESTÕES P C F S
7 – Em meu relacionamento afetivo:
a – Dou e recebo estímulos de afeto, aceitação e
confiança.
b – Não deixo os outros se aproximarem de mim
como eles gostariam. Não me importo com os elogios
dos outros.
c – Não mostro que tenho confiança em suas
capacidades. Freqüentemente vou além de minhas
possibilidades, quando quero receber estímulos.
d – Para que dar e receber estímulos? Afinal ninguém
se preocupa com ninguém.

8 - Quando alguém me incomoda, manifesto:


a – Raiva adequada à situação.
b – Ressentimento ou raiva exagerada.
c – Frustração ou tristeza além da situação.
d – Passividade: não me importo com nada.

9 - Penso que:
a – Cada um é responsável pelo que sente e pelo que
faz.
b – Eu posso fazer com que os outros se sintam mal ou
bem.

298
c – Os outros podem fazer com que eu me sinta mal ou
bem.
d – Ninguém pode fazer nada por mim. Nem eu mesmo.

10 – Seguidamente sinto medo:


a – Adequado à situação.
b – De perder o controle.
c – De fracassar.
d – De perder minha identidade como pessoa.

11 - Durante minha vida:


a – Recebi amor, aceitação e confiança.
b – Fui carente de aceitação por parte dos outros.
c – Não confiaram em minhas capacidades e agora não
confio nem nas minhas nem na dos noutros.
d – Faltou-me amor, aceitação e confiança por parte
das pessoas que conviviam comigo.

12 - Geralmente dirijo minha conduta por alguns


destes princípios:
a – Faço o que me convém para ser feliz em cada
situação sem afetar ninguém.
b – Prefiro quebrar-me a deixar que me dobrem.
c – Não me importo em sacrificar coisas essenciais em
minha vida, contanto que tenha amigos.
d – Estou cansado de procurar e procurar. Já não resta
mais nada a fazer.

EXERCÍCIO POSIÇÃO
EXISTENCIAL - 2ª PARTE

299
AVALIAÇÃO DA POSIÇÃO
EXISTENCIAL
Instruções:
1. Some os “X” que colocou em todas as letras “a”, por Área ( P, C, F
e S ).

2. Proceda do mesmo modo para as letras “b”, “c”, “d”.

P C F S
Alternativas Profissional Casal Familiar Social
a Soma dos a =
________

b
Soma de b + c +
c
d = ______
d

3. SUBTRAIA:

a=
b+c +d=
_________ = Sendo até 50% da alternativa “a”,
significa
que você está OK (está bem)

Caso tenha abaixo de 50%, significa que você “Não Está OK”

300
(não está bem), necessitando corrigir alguns pontos.

Para saber o que necessita corrigir em sua vida, faça um


círculo em todas as questões que você respondeu nas letras
“b”, “c” e “d”.

E veja, nessas questões, em que Áreas (Profissional, Casal,


Familiar ou Social) há necessidade de modificação.

301
EXERCÍCIO O OKEIGRAMA
Instruções: Considerando 16 horas diárias, assinale quantas horas
você passa em cada uma das Posições Existenciais
++ ++ Super OK – Super OK: Tudo está super ótimo, uma maravilha
+ + Eu Estou OK, os outros Estão OK
+ - Eu Estou OK, os outros Estão NÃO-OK
- + Eu Estou NÃO-OK, os outros Estão OK
- - Eu Estou NÃO-OK, os outros Estão NÃO-OK

N 16 . . . . .
Ú 15 . . . . . Unindo os pontos,
14 . . . . . obterá o seu
M . . . . .
E 13 OKEIGRAMA.
. . . . .
R 12 . . . . .
O 11 . . . . .
10 . . . . .
D 09 . . . . .
08 . . . . . Repetindo este gráfico
E . . . . .
07 em certo número de
. . . . .
H 06
. . . . .
dias, estará em
O 05 . . . . . condições de saber,
R 04 . . . . . fazendo a Média, qual
A 03 . . . . . é a Posição Existencial
S 02 . . . . . que predomina em sua
01 vida. Ou pode realizar
0 isso com as pessoas e
seu
relacionamento.

++ + + + - -+ - -
++

16 . . . . .

302
N 15 . . . . .
Ú 14 . . . . .
M 13 . . . . .
E . . . . .
12
R . . . . .
O 11 . . . . .
10 . . . . .
D 09 . . . . .
E 08 . . . . .
07 . . . . .
H . . . . .
06
O . . . . .
R 05 . . . . .
A 04 . . . . .
S 03 . . . . .
02 . . . . .
01
0
16 . . . . . ++ + + - - + - -
N 15 . . . . . ++ +
Ú 14 . . . . . ++ + + - - + - -
M . . . . . ++ +
13
E . . . . .
R 12 . . . . .
O 11 . . . . .
10 . . . . .
D 09 . . . . .
E 08 . . . . .
. . . . .
OKEIGRAMA Dia: /
07 / OKEIGRAMA
H . . . . .
O 06 . . . . . Dia: / /
R 05 . . . . .
A 04 . . . . .
S 03 . . . . .
02 . . . . .
01
0
16 . . . . .
N 15 . . . . .
Ú 14 . . . . .
M . . . . .
13
E . . . . .
R 12 . . . . .
O 11 . . . . .
10 . . . . .
D 09 . . . . .
E 08 . . . . .
. . . . .
07
H . . . . .
O 06 . . . . .

303
R 05 . . . . .
A 04 . . . . .
S 03 . . . . .
. . . . . OKEIGRAMA Dia: /
02
/ OKEIGRAMA
01
Dia: / /
0
16 . . . . . ++ + + - - + - -
N 15 . . . . . ++ +
Ú 14 . . . . . ++ + + - - + - -
M . . . . . ++ +
13
E . . . . .
R 12 . . . . .
O 11 . . . . .
10 . . . . .
D 09 . . . . .
E 08 . . . . .
. . . . .
07
H . . . . .
O 06 . . . . .
R 05 . . . . .
A 04 . . . . .
S 03 . . . . .
02 . . . . .
01
0
16 . . . . .
N 15 . . . . . OKEIGRAMA Dia: /
Ú 14 . . . . .
M . . . . . / OKEIGRAMA
13 Dia: / /
E . . . . .
R 12 . . . . .
O 11 . . . . .
10 . . . . .
D 09 . . . . .
E 08 . . . . .
. . . . .
07
H . . . . .
O 06 . . . . .
R 05 . . . . .
A 04 . . . . .
S 03 . . . . .
02 . . . . .
01
0
16 . . . . . ++ + + - - + - -
N 15 . . . . . ++ +
Ú 14 . . . . . ++ + + - - + - -
M . . . . . ++ +
13

304
E 12 . . . . .
R 11 . . . . .
O 10 . . . . .
. . . . .
09
D . . . . .
E 08 . . . . .
07 . . . . .
H 06 . . . . .
O 05 . . . . .
R 04 . . . . .
A . . . . .
03
S . . . . .
02 . . . . .
01
0
16 . . . . .
N 15 . . . . .
Ú 14 . . . . .
M . . . . .
13
E . . . . .
R 12 . . . . .
O 11 . . . . .
10 . . . . .
D 09 . . . . .
E 08 . . . . .
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H . . . . .
O 06 . . . . .
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A 04 . . . . .
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305
02 . . . . .
01
0

306
Epílogo

Neste material foi apresentada uma riqueza de informações que


poderão ajudar a realizar mudanças no modo como se relacionam com os
outros. Uma mudança de atitudes que traga resultados na transformação,
para melhor, dos modos de se relacionar, ou seja, de realizar as
transações com as pessoas.

Uma mudança que contribua para que cada pessoa encontre a


sua felicidade, já que estará se relacionando bem melhor com as outras
pessoas, em harmonia, sem conflito. As pessoas podem mudar, quando
decidem que podem, descobrindo possibilidades de mudança e de
transformação nunca antes imaginadas.

Na realidade muito do que foi apresentado aqui neste Curso Análise


Transacional para o Desenvolvimento Interpessoal, pode ser útil não só
para profissionais, no âmbito do local de trabalho, mas também para os
pais, mesmo que seus filhos já estejam crescidos, ou aos educadores que
lidam com crianças e com jovens, ou até mesmo a empresários ou outros
níveis de chefias que lidam diariamente com pessoas, e também pode ser
útil às pessoas que buscam uma maior consciência de si mesmas, aplicando
o que aqui foi apresentado, na busca que todas as pessoas fazem para maior
realização e felicidade nesta vida.

Neste curso prático foram apresentadas várias opções de caminhos.


Que cada um possa ter êxito em suas escolhas e em suas ações, em sua
caminhada...

307
308
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
PARA APROFUNDAMENTO:

1. Amy Harris e Dr. Thomas Harris, Sempre OK, Editora Record.


2. Antonio de Andrade, Criança Feliz, Adulto Feliz, Editora Opção.
3. Antonio de Andrade, Disciplina e a Educação para a Cidadania, Editora
Opção.
4. Antonio de Andrade, Os Segredos de Fellicia, Editora Opção.
5. Bernard Poduska,Você pode vencer, Editora record.
6. Claude Steiner, Os papéis que vivemos na vida, Editora Artenova.
7. Dorothy E. Babock e Terry JKeepers, Pais OK, Filhos OK, Editora
Artenova.
8. Dorothy Jongeward, Somos todos vencedores, Editora Brasiliense.
9. Dorothy Jongeward e James, Vencer Juntos, Editora Brasiliense.
10. Dr. Spencer Johnson, O Presente precisoso, Editora Record.
11. Dr. Spencer Johnson e Larry Wilson, O Vendedor minuto, Editora
Record.
12. Dr. Thomas Harris, As Relações do Bem-Estar Social: Eu estou OK e
você Está OK, Editora Artenova.
13. Dr. Wayne Dyer, Seus Pontos Fracos, Editora Record.
14. Dr. Wayne Dyer, O Céu é o limite, Editor Record.
15. Eckhart Tolle, Práticas do Poder do Agora, Editor Sextante.
16. Eckhart Tolle, O poder do Agora, Editora Sextante.
17. Eric Berne , A.T. e a Psicoterapia, Summus Editorial.
18. Eric Berne, Os Jogos da Vida, Editora Artenova
19. H.G. Gabrie, Auto-Eficácia, Editora Papelivros.
20. Hornell Hart, Condicionamento pessoal –O novo caminho para o
sucesso, Editora Ibrasa.
21. Jut Meininger, O sucesso através da AnáliseTransacional, Editora
Artenova.
22. Ken Ernst, Estudante OK (e também os que não estão), Editora
Artenova.
23. Kenneth Blanchard e Spencer Johnson, O Gerente Minuto, Editora

309
Record.
24. Kenneth Blanchard e Robert Lorber, O Gerente Minuto em Ação,
Editora Record.
25. Kenneth Blanchard, Patricia e Drea Zigarmi, Liderança e o Gerente
Minuto, Ed. Record.
26. Marco Antonio de Oliveira, Análise Traansacional na Empresa, Editora
Atlas.
27. Mildred Newman e B.Berkowitz, Seja você mesmo seu melhor amigo,
Liv. Jose Olympio.
28. Moshe Feldenkrais, Consciência pelo Movimento, Summus Editorial.
29. Muriel James e Dorothy Jongeward, Nascido para Vencer, Editora
Brasiliense.
30. Muriel James e Louis Savary, Um novo Eu: Auto-terapia pela A.T.,
Editora Ibrasa.
31. Og Mandino, O maior segredo do mundo, Editora Record.
32. Sofia Caracushansky, Análise Transacional: Estímulos e convivência,
Ed. Documentário.
33. Stern Woolands, Manual completo de Análise Transacional, Editora
Cultrix.

... ooo000ooo ...

310
[1]
Wilder Penfield, Memory Mechanisms, AMA Archives of Neurology and Psychiatry,
1952, Vol.67, pp.178-198.
[2]
Robert Blake e Jane S. Mouton, O Novo Grid Gerencial, Pioneira, 1986, pp. 127 a
153.
[3]
Robert Blake e Jane S. Mouton, O Novo Grid Gerencial, Pioneira, 1986, pp. 144-145.

[4]
Don Dinkneyer e R.Dreikus, Encorajando crianças a aprender, Melhoramentos.

[5]
Paul H. Mussen, O Desenvolvimento Psicológico da Criança, Zahar, 1967, p. 105.
[6]
Robert Blake e Jane S. Mouton, O Novo Grid Gerencial, Pioneira, 1986, p. 145.

[7]
J. G. Holland e B. F. Skinner, A análise do comportamento, Herder, 1969, Cap. IV, V,
VI, VII e XI.
[8]
Gerald R. Patterson e M.E. Gullian, Convivendo com as crianças, Coordenada Editora
de Brasília, 1971.
[9]
R. Haddock Lobo, Psicologia Geral Aplicada à Administração, Atlas, 1974, p. 318 e
capítulo Psicologia na Publicidade, pp. 301-324; Alfredo Carmo e outros,
Comunicação: As funções da Propaganda, Publinform, 1970; Philip Kotler, Marketing,
Atlas, 1987, capítulo sobre propaganda, p. 392.
[10]
Bernard Poduska, Você pode Vencer, Record, 1977, p. 33.
[11]
Karen Horney, Neurose e Desenvolvimento Humano, Civilização Brasileira, 1966, p.
71.
[12]
Bernard Poduska, Você pode vencer, Record, 1977, p. 167.
[13]
Dr. Wayne Dyer, O Céu É O Limite, Record, 1980, pp. 285-290
[14]
Ken Keyes Jr., O Centésimo Macaco, Editora Pensamento, 1994. Mais detalhes
podem ser encontrados no livro de Lyall Watson, Lifetide, Bantan Books, USA, 1980,
pp. 147-148.
[15]
Alberto Montalvão, Moderna Enciclopédia de Relações Humanas e Psicologia
Geral – A Psicologia do Êxito, Novo Brasil Editora, Vol. II, 1979, p. 94.
[16]
Joseph Nuttin, Psicanálise e Personalidade, Agir, 1967, pp. 389-388.
[17]
Karen Horney, Neurose e Desenvolvimento Humano, Civilização Brasileira, 1966, p.
214.
[18]
Frase do poeta Atticus, citada por Cícero em De Officiis, I, 28,47.
[19]
História do Século 20, Abril Cultural, 1968, pp. 1511 a 1518 e Enciclopédia Digital,
Folha de São Paulo, 1998, disco 1, verbete Holocausto.
[20]
Clyde Kluckhohn, Antropologia Um espelho para o Homem, Editora Itatiaia, Cap. V -
Raça: um mito moderno, pp. 105-144.

311
[21]
Karen Horney, A Personalidade Neurótica de Nosso Tempo, Civilização Brasileira,
1966 , p. 31.
[22]
K. Horney, A Personalidade Neurótica de Nosso Tempo, Civilização Brasileira,
1966, pp. 121-123.
[23]
Alberto Montalvão, Moderna Enciclopédia de Relações Humanas e Psicologia
Geral – A Psicologia do Êxito, Novo Brasil Editora, Vol. I, pp. 132-134.
[24]
Karen Horney, A Personalidade Neurótica de Nosso Tempo, Civilização Brasileira,
1966, pp. 103-104.
[25]
Bernard Poduska, Você pode vencer, Record, 1977, pp. 81-83.
[26]
Alberto Montalvão, Moderna Enciclopédia de Relações Humanas e Psicologia Gerao
– A Psicologia do Êxito, Vol. II, pp. 87-88.
[27]
Bernard Poduska, op. cit. Nota 25, p. 87.
[28]
Amy Bjork Harris e Dr. Thomas Harris, Sempre OK, Record, 1985, p. 56.
[29]
Karen Horney, Neurose e Desenvolvimento Humano, Civilização Brasileira, 1966, p.
94.
[30]
Jornal O Estado de São Paulo, de 31/08/1997, p. C1.
[31]
Karen Horney, Neurose e Desenvolvimento Humano, Civilização Brasileira, 1966,
p. 119.
[32]
Robert Blake e Jane Mouton, O Novo Grid Gerencial, Pioneira, 1986, pp. 67-68.
[33]
Amy Bjork Harris e Dr. Thomas Harris, Sempre Ok, Record, 1985, p. 18.
[34]
Karen Horney, Neurose e Desenvolvimento Humano, Civilização Brasileira, 1966, p.
119.
[35]
Amy Bjork Harris e Dr. Thomas Harris, Sempre OK, Record, 1985, pp. 26-27.
[36]
Karen Horney, Novos Rumos na Psicanálise, Civilização Brasileira, 1966, p.117.
[37]
Jornal Folha de São Paulo de 24/5/1998, pp. 3-8.
[38]
Robert Blake e Jane S. Mouton, O Novo Grid Gerencial, Pioneira, 1986, p.21.
[39]
Traduzido e publicado no Brasil pela Clínica Psiquiátrica da Faculdade de Medicina
da Universidade de São Paulo.
[40]
Jacqui Schiff, Cathexis Reader, Harper & Row, N. York, 1975, pp. 33-34.
[41]
Alberto Montalvão, Moderna Enciclopédia de Relações Humanas e Psicologia Geral
- A Psicologia do Êxito, Vol. II, Novo Brasil Editora, 1979, pp. 97-101.
[42]
Broom, L. e P. Selznick, Sociology, N.York: Harper & Row, 1963, p. 717.
[43]
Karen Horney, Neurose e Desenvolvimento Humano, Civilização Brasileira, 1966,
pp. 108 e 113.
[44]
Robert Blake e Jane S. Mouton, O Novo Grid Gerencial, Pioneira, 1986, pp. 77 e
98.

[45]
Bernard Poduska, Você pode Vencer, Record, 1977, pp. 84-85.
[46]
Paul H. Mussen, O Desenvolvimento Psicológico da Criança, Zahar, 1967, p. 110.
[47]
Paul Osterrieth, Introdução à Psicologia da Criança, Editora Nacional, 1962, p. 9.

312
[48]
Robert Blake e Jane S. Mouton, O Novo Grid Gerencial, Pioneira, 1986, p. 89.
[49]
Karen Horney, Novos Rumos da Psicanálise, Civilização Brasileira, 1966, p. 125
[50]
A. J. Bachrach, Fundamentos Experimentais da Psicologia Clínica, Herder, 1972, p.
178.
[51]
Claude Steiner, Os papéis que vivemos na vida, Artenova, 1974, pp. 59 e 69.
[52]
Gordon W. Allport, Desenvolvimento da Personalidade, Herder, 1970, p. 69.

[53]
Karen Horney, Neurose e Desenvolvimento Humano, Civilização Brasileira, 1966,
p. 71. Mais detalhes no capítulo A tirania do dever, pp. 71 a 93.
[54]
Taibi Khaler, Process Therapy in Brief, T. A. Publications, USA, 1979.
[55]
Karen Horney, Neurose e Desenvolvimento Humano, Civilização Brasileira, 1966, p.
93.
[56]
H. W. Gabriel, Auto Eficacia, Papelivros, 1965, p. 89.
[57]
Tuiávii, chefe da tribo Tiavéa nos mares do sul, O Papalagui, Editora Marco Zero.
Esse livro apresenta como um nativo polinésio "não civilizado" percebe esta imposição
cultural dos brancos instruídos e "civilizados".

[58]
Karen Horney, A Personalidade Neurótica de Nosso Tempo, Civilização
Brasileira, 1966, pp. 124-125. Mais detalhes no Capítulo X: A busca de poder,
prestígio e posses.
[59]
Frase do dramaturgo latino Plauto (184 a.C.), utilizada pelos filósofos ingleses
Bacon e Hobbes, indicando que o pior inimigo do homem é o homem.
[60]
Karen Horney, Nossos Conflitos Interiores, Civilização Brasileira, 1966, p. 56.
[61]
Jornal do Brasil, Caderno Vida, 26/04/1998, pp. 2 e 3.
[62]
Tarthang Tulku, Gestos de Equilíbrio, Pensamento, 1977, p. 23.
[63]
H. W. Gabriel, Auto Eficácia, Papelivros, 1965, p. 26.
[64]
Scientific American, Psicobiologia: as bases biológicas do comportamento,
Polígono, 1970, p. 209, capítulo A Fisiologia do Medo e da Raiva.
[65]
Dr. Wayne Dyer, O céu é o limite, Record, 1980, p. 99.
[66]
Wilhelm Reich, Analisis Del Caracter, Paidós, 1965, p.62.
[67]
Bernard Gunther, Sensibilidade e Relaxamento, Brasiliense, 1974, p. 22.
[68]
Amy Bjork Harris e Dr. Thomas Harris, Sempre OK, Record, 1985, p. 209.
[69]
Dr. Spencer Johnson, O Presente Precioso, Record, p. 42.
[70]
Dr. Wayne Dyer, O céu é o limite, Record, 1980, pp. 42 e 41.
[71]
Eckhart Tolle, O Poder do Agora, Sextante, 2002, p.53 e 59.
[72]
Karen Horney, A Personalidade Neurótica de Nosso Tempo, Civilização
Brasileira, 1966, Cap. VIII - Maneiras de Conseguir Afeição e Sensibilidade à
Rejeição, pp. 103 a 110.
[73]
Robert Blake e Jane S. Mouton, O Novo Grid Gerencial, Pioneira, 1986, p. 65.
[74]
Robert Blake e Jane S. Mouton, O Novo Grid Gerencial, Pioneira, 1986, p .

313
66.
[75]
Alexander, F., Psychosomatic Medicine: Its Principles and Aplications, N. York,
W. Norton & Co., 1950.
[76]
Robert Blake e Jane S. Mouton, op. cit. Nota 74, p. 66.
[77]
René Descartes, Meditations of First Philosophy, 1641
[78]
Dr. Richard G. Abel, Seja dono de sua própria vida, Cultrix, 1976, p. 126.
[79]
A. H. Chapman, Crianças são os melhores Psicólogos, José Olympio Editora,
1974, p. 29.
[80]
Og Mandino, A Universidade do Sucesso, Record, 1985, p. 368.
[81]
A. H. Chapman, Crianças são os melhores Psicólogos, José Olympío Editora,
1974, p. 30.
[82]
C. S. Hall e G. Lindzey, Teorias da Personalidade, Herder, 1971, pp. 199-200.
[83]
C. S. Hall e G. Lindzey, Teorias da Personalidade, Herder, 1971, p. 362.
[84]
Ibid., pp. 206.
[85]
Amy Bjork Harris e Dr. Thomas Harris, Sempre OK, Record, 1985, p. 128.
[86]
Eric Berne, Os Jogos da Vida, Artenova, 1974, p. 19.
[87]
Amy Bjork Harris e Dr. Thomas Harris, Sempre OK, Record, 1985, p. 124.
[88]
Claude Steiner, Os papéis que vivemos na vida, Artenova, 1974, pp. 108, 43 e
112.
[89]
Ibid., pp. 118 e 254.
[90]
Claude Steiner, Os papéis que vivemos na vida, Artenova, 1974, p.114.
[91]
Hans Ruesch, No país das sombras longas, Record; O Papalagui, Marco Zero.
[92]
Dorothy E. Babcock, Terry D. Keepers, Pais OK Filhos OK, Artenova, 1977,
p. 45.
[93]
Amy Bjork Harris e Dr. Thomas Harris, Sempre OK, Record, 1985, p. 51.
[94]
Paul H. Mussen, O Desenvolvimento Psicológico da Criança, Zahar, 1967, pp.
105-106.
[95]
Frederick S. Perls, Isto é Gestalt, Summus Editorial, p. 341.
[96]
Paul H. Mussen, O Desenvolvimento Psicológico da Criança, Zahar, 1967, pp.
111-112.
[97]
L. Krasner e L.P. Ullmann, Pesquisas sobre modificação de comportamento,
Herder, 1972, p. 18.
[98]
Karen Horney, A Personalidade Neurótica de Nosso Tempo, Civilização
Brasileira, 1966, pp. 81, 63 e 207 e Cap. VI: A Necessidade Neurótica de Afeição,
pp. 79 a 87 e 89 a 101.
[99]
Frederick S. Perls, Isto é Gestalt, Summus Editorial, p. 27.
[100]
Claude Steiner, Os papéis que vivemos na vida, Artenova, 1974, pp. 253-254.
[101]
Sofia Caracushansky, Análise Transacional: Estímulos e Convivência,
Documentário, 1976, p. 17.
[102]
René Spitz, Hospitalism: Genesis of Psychiatric Conditions in Early Childhood,

314
Psychoanalytic Study of Child, 1945, vol. 1, pp. 53-74.
[103]
Robert Blake e Jane S. Mouton, O Novo Grid Gerencial, Pioneira, 1986, p. 97.
[104]
Dr. Richard G. Abell, Seja dono de sua própria vida, Cultrix, 1976, p. 64.
[105]
Jornal do Brasil, Caderno Vida, 26/04/1998, pp. 1 e 3.
[106]
Zulma Reyo, Alquimia Interior, Ground, 1989.
[107]
Desmond Morris, Comportamento Íntimo, José Olympio Ed., 1974, p. 12.
[108]
Desmond Morris, Comportamento Íntimo, José Olympio Ed., 1974, pp. 18-20.
[109]
Ibid, p. 21.
[110]
Moshe Feldenkrais, Consciência pelo movimento, Summus Editorial, 1977 e
Bernard Gunther, Sensibilidade e Relaxamento, Brasiliense, 1974.
[111]
Desmond Morris, Você - Um estudo objetivo do comportamento humano,
Círculo Livro, 1977, p. 92.
[112]
Desmond Morris, Comportamento Íntimo, Ground, 1989, p. 20.
[113]
Ibid, Cap. 6: Substitutos da Intimidade, p. 143 e Cap. 7: Intimidade com
objetos, p.162.
[114]
Dr. Richard G. Abell, Seja dono de sua própria vida, Cultrix, 1976, p. 64.
[115]
Dr. Eugene Scheimann, O sexo pode salvar o seu coração, Difusão Editorial,
1974, p. 163 .
[116]
Claude Steiner, Os papéis que vivemos na vida, Artenova, 1974, p. 117.
[117]
Zulma Reyo, Alquimia Interior, Ground, 1989, pp. 287-289.
[118]
Nós 2, Amor e Sexo, Coleção Abril Cultural, 1983, pp. 44, 60, 561, 958 e Alex
Comfort, Mais Prazeres do Sexo, Martins Fontes, 1980, pp. 59 e 194.
[119]
Dr. Richard G. Abel, Seja dono de sua própria vida, Cultrix, 1976, pp. 64-65 .
[120]
Monica Darlington e outros, Filhos - Dos 5 aos 10 anos, Rio Gráfica Editora,
1981, p. 81.
[121]
Mais aspectos sobre estas mudanças e conflitos, pode ser encontrado nos
livros: 1. Claude Steiner, Os papéis que vivemos na vida, Artenova, em especial os
capítulos 13, 14 e 15; 2. Gail Sheehy, Passagens, Francisco Alves Editora; 3. Dan
Kiley, O dilema de Wendy, Melhoramentos; 4. Colette Dowling, Complexo de
Cinderela, Melhoramentos.
[122]
J. R.Whitaker Penteado, Técnica de Chefia e Liderança, Pioneira, 1981, p.
192.
[123]
Gordon W. Allport, Personalidade, Herder, 1969, p. 159.
[124]
L. Krasner e L. P. Ullmann, Pesquisas sobre modificação de comportamento,
Herder, 1972, pp. 201 e 214.
[125]
Dorothy E. Babcock e Terry D. Keepers, Pais OK Filhos OK, Artenova,
1977, p. 41.
[126]
Jut Meininger, O sucesso através da Análise Transacional, Artenova, 1974, p.
31.
[127]
Dr. Richard G. Abell, Seja dono de sua própria vida, Cultrix, 1976, p. 65.

315
[128]
Jut Meininger, O sucesso através da Análise Transacional, Artenova, 1974, p.
35.
[129]
Dorothy E. Babcock e Terry D. Keepers, Pais OK, Filhos OK, Artenova,
1977, p. 40.
[130]
Capers, Hedges e Holland, Glen. Stroke Survival Quocient, Transacional
Analysis Journal, 1,3 (1971): 40.
[131]
Claude Steiner, Os papéis que vivemos na vida, Artenova, 1974, pp. 108, 109
e 254.
[132]
Claude Steiner, Os papéis que vivemos na vida, Artenova, 1974, p. 148.
[133]
Dr. Thomas A. Harris, Eu Estou Ok, Você está OK - As relações do bem-estar
pessoal, Artenova, 1973, p. 199.
[134]
Sofia Caracushansky, Análise Transacional: Estímulos e Convivência,
Documentário, 1976, p. 25.
[135]
Ibid., p. 24.
[136]
Dr. Wayne Dyer, O Céu é o Limite, Record, 1980, p. 291.
[137]
Folha de São Paulo, 20/09/1998, Pesquisa sobre a Família, p. A1.
[138]
Da peça Hamlet, escrita por William Shakespeare, dramaturgo inglês nascido
em Stratford (1564-1616) que comoveu o mundo com as suas 35 peças teatrais,
dentre as quais destacam-se a história dos amores trágicos de Romeu e Julieta, de
Otelo e Desdêmona, com as tragédias do Rei Lear, de Hamlet e de Macbeth, com
as peripécias das Alegres Comadres de Windsor ou os hilariantes incidentes de A
Megera Domada.
[139]
Eric Berne, Os Jogos da Vida, Artenova, 1974, p. 20.
[140]
Tuiávii, O Papalagui, Editora Marco Zero, p. 49.
[141]
Eric Berne, Os Jogos da Vida, Artenova, 1974, pp. 20.
[142]
Dr. Richard G. Abell, Seja dono de sua própria vida, Cultrix, 1976, p. 90.
[143]
Eric Berne, Os Jogos da Vida, Artenova, 1974, p. 20.
[144]
Dr. Richard G. Abell, Seja dono de sua própria vida, Cultrix, 1976, p. 94.
[145]
Dr. Thomas A. Harris, Eu Estou Ok, Você Está OK – As relações de bem-estar
pessoal, Artenova, 1973, p. 146.
[146]
Sofia Caracushansky, Análise Transacional: Estímulos e Convivência,
Documentário, 1976, p. 73.
[147]
Eric Berne, Os Jogos da Vida, Artenova, 1974, p. 22.
[148]
Dorothy E. Babcock, Terry D. Keepers, Pais OK Filhos OK, Artenova, 1977,
p. 51.
[149]
Jornal Diário Popular, Caderno Já, Nº 88, de 12/06/1998, p.6.
[150]
Dr. Richard G. Abell, Seja dono de sua própria vida, Cultrix, 1976, p.100.
[151]
Nós 2, Amor e sexo, Coleção Abril Cultural, 1983, pp. 44, 60, 561, 958; Alex
Comfort, Mais prazeres do sexo, Martins Fontes, 1980, pp. 59 e 194; Bernard
Gunther, Sensibilidade e Relaxamento, Brasiliense, 1974, p. 22; Moshe

316
Feldenkrais, Consciência pelo movimento, Summus, 1977.
[152]
Desmond Morris, Comportamento Íntimo, José Olympio, 1974, pp. 58-62.
[153]
Jornal O Estado de São Paulo, 30/08/1998, p. A11.
[154]
Antonio de Andrade, Os Segredos de Fellicia, Opção, 2000.
[155]
Dr. Eugene Scheimann, O sexo pode salvar o seu coração, Difusão Editorial,
1974, p. 47.
[156]
Muriel James e Louis Savary, Um novo "Eu": autoterapia pela Análise
Transacional, Ibrasa, 1982, p. 250.
[157]
Eric Berne, Os Jogos da Vida, Artenova, 1974, pp. 151-152 .
[158]
Amy Bjork Harris e Dr. Thomas Harris, Sempre OK, Record, 1985, p. 184.
[159]
Amy Bjork Harris e Dr. Thomas Harris, Sempre OK, Record, 1985, p. 184,
pp. 193 - 194.
[160]
Stephen B. Karpman, Fairy Tales and Script Drama Analysis, Transational
Analysis Bulletin, VII Nº 26 (April 1968): 39-43.
[161]
Claude Steiner, Os papéis que vivemos na vida, Artenova, 1974, pp. 149-150.
[162]
Ibid, p. 151.
[163]
Ibid, p. 152.
[164]
Claude Steiner, Os papéis que vivemos na vida, Artenova, 1974, p. 151.

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