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EXCELENTÍSSIMA JUIZA DE DIREITO DA 3ª VARA DOS FEITOS DA

FAZENDA PÚBLICA DO ESTADO DO PIAUÍ

Processo nº: 0006109-94.1998.8.18.0140


Embargante: Espólio de Maria José Lapa Carvalho
Embargado: Prefeitura Municipal de Teresina

Espólio de Maria José Lapa Carvalho, já


devidamente qualificado nos autos do processo em epígrafe,
neste ato representado pelo único herdeiro e inventariante
JOÃO JOSÉ BASTOS LAPA, advogando em causa própria, vem,
tempestivamente, com fulcro nos artigos 1.022 e 489 § 1º
do CPC, opor

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO

em face da sentença que extinguiu o processo sem resolução


de mérito, pelos seguintes motivos:

I - DA TEMPESTIVIDADE

A Sentença foi proferida em 30/08/2017,


entretanto, não houve publicação no Diário Oficial da
Justiça nem houve intimação do executado, só vindo a tomar
conhecimento da prolação da sentença quando na realização
de consulta do processo no site do TJ/PI. Portanto, o
prazo para interposição dos embargos sequer iniciou uma
vez que a sentença não foi publicada nem o réu intimado.

O art. 230 do novo CPC assim preceitua:

Art. 230. O prazo para a parte, o


procurador, a Advocacia Pública, a
Defensoria Pública e o Ministério
Público será contado da citação, da
intimação ou da notificação.

II – DA OMISSÃO

O embargante é réu na ação de execução fiscal


proposta pela Fazenda Municipal, tendo, em 07/03/2017,
apresentado exceção de pré-executividade argüindo
ilegitimidade passiva e prescrição dos débitos objetos da
presente execução fiscal. No dia 30/08/2017, portanto,
após apresentação da exceção, a Fazenda Pública Municipal
requereu a desistência da ação sem resolução de mérito com
fundamento na Lei Municipal nº 4.968/2016.

No dia 30/08/2017 a MM. Juíza proferiu


sentença homologando a desistência da ação de execução
fiscal, extinguindo o processo sem resolução de mérito e
sem condenação em honorários advocatícios “uma vez que não
houve atuação processual da parte executada”, determinando
o arquivamento dos autos após as formalidades legais.

No entanto, pela simples leitura da sentença,


vê-se a omissão, haja vista que o magistrado deixou de
analisar os argumentos deduzidos na exceção de pré-
executividade que, em tese, poderiam infirmar a conclusão
do julgador, já que foi arguida a ilegitimidade passiva e,
uma vez reconhecida, ocasionaria a extinção do processo
com julgamento de mérito.

Por outro lado, diante da omissão na análise


da exceção apresentada, a magistrada entendeu não ter
havido atuação processual da parte executada, o que levou
ao entendimento equivocado de extinção sem condenação em
honorários da parte autora. Ressalte-se que embora o
exeqüente possa desistir da execução a qualquer momento em
face do principio da disponibilidade da execução, se o faz
depois de formulada a exceção de pré-executividade
responde pelos honorários advocatícios.

Esse é o entendimento jurisprudencial pátrio:

PROCESSUAL CIVIL - EXECUÇÃO FISCAL -


DESISTÊNCIA APÓS APRESENTAÇÃO DE
EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE -
CONSEQÜÊNCIA - PROVIMENTO PARCIAL DO
RECURSO. 1. PODE O EXEQÜENTE, A
QUALQUER TEMPO, SEM ANUÊNCIA DO
EXECUTADO, DESISTIR DA EXECUÇÃO,
PORÉM, SE O FAZ DEPOIS DE FORMULADA
EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE, RESPONDE
PELOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS,
DEVENDO, POR VIA PRÓPRIA, PERSEGUIR OS
DANOS QUE, PORVENTURA, TENHAM
RESULTADO DA INDEVIDA EXECUÇÃO. 2.
APELO PARCIALMENTE PROVIDO. UNÂNIME.
(TJ-DF - AC: 814295419998070001 DF
0081429-54.1999.807.0001, Relator:
ESTEVAM MAIA, Data de Julgamento:
27/10/2005, 4ª Turma Cível, Data de
Publicação: 06/12/2005, DJU Pág. 140
Seção: 3)

Tal entendimento é corroborado pelo TJ/PI em


diversos julgados semelhantes a lide:

PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO.


APELAÇÃO. EXECUÇÃO FISCAL. OPOSIÇÃO DE
EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE.
POSTERIOR PEDIDO DE DESISTÊNCIA DO
EXECUTIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA
CAUSALIDADE. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS
DEVIDOS. RECURSO NÃO PROVIDO.

1. O pedido de desistência da execução


fiscal protocolado pelo ente público
após a oposição de exceção de pré-
executividade afasta a aplicação do
art. 26 da LEF.

2. Se a pretensão não tivesse sido


resistida, não haveria necessidade de
acesso ao Poder Judiciário para
cobrança da dívida ativa.

3. Consequentemente, em nome do
princípio da causalidade, deve o
executado responder pelos ônus
processuais, inclusive os honorários
advocatícios sucumbenciais, a teor do
art. 26 do CPC e da Súmula 153 do STJ.

4. Recurso não provido.

(TJPI | Apelação Cível Nº


2014.0001.008971-0 | Relator: Des.
Oton Mário José Lustosa Torres | 4ª
Câmara Especializada Cível | Data de
Julgamento: 31/03/2015 )

Cumpre ressaltar que o executado solicitou,


por duas vezes, administrativamente a exclusão de tais
lançamentos, entretanto a fazenda pública se manteve
inerte arquivando as referidas solicitações sem nenhuma
análise, não restando alternativa senão a interposição
judicial da exceção. Saliente-se, por oportuno, que a
desistência do processo executivo fiscal não implica em
extinção dos créditos tributários, pois continuam a exigir
tais tributos, porém por via administrativa, constrangendo
o executado e impedindo o mesmo de concluir o inventário
ora em andamento ante a flagrante e ilegal cobrança.

III – DO DIREITO

Preceitua o art. 1.022 do novo CPC:

Art. 1.022. Cabem embargos de


declaração contra qualquer decisão
judicial para:

...

II - suprir omissão de ponto ou


questão sobre o qual devia se
pronunciar o juiz de ofício ou a
requerimento;

Parágrafo único. Considera-se omissa


a decisão que:

...

II - incorra em qualquer das condutas


descritas no art. 489, § 1o.

Prescreve o § 1o. do art.489 do novo CPC:

§ 1o Não se considera fundamentada


qualquer decisão judicial, seja ela
interlocutória, sentença ou acórdão,
que:

...

IV - não enfrentar todos os argumentos


deduzidos no processo capazes de, em
tese, infirmar a conclusão adotada
pelo julgador;

O atual Código de Processo Civil , em seu art.


90, preceitua que:
Art. 90. Proferida sentença com
fundamento em desistência, em renúncia
ou em reconhecimento do pedido, as
despesas e os honorários serão pagos
pela parte que desistiu, renunciou ou
reconheceu.