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R

odrigo Filgueiras é licenciado em química e


engenheiro químico pela Universidade do Grande Rio
(UNIGRANRIO). Possui especialização em Engenharia
Sanitária e Ambiental, pela Universidade do Estado do Rio de
Janeiro (UERJ), em Gerenciamento de Projetos, pela
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e em Engenharia
de Segurança do Trabalho, pela Universidade Católica de
Petrópolis (UCP).
Nos últimos dez anos desenvolveu atividades voltadas a
gestão de meio ambiente, segurança e saúde (SMS) em
empresas multinacionais de grande porte nos setores de
mineração/ metalurgia, químico e energia (óleo e gás).
Atualmente é mestrando em Eng. Sanitária e Ambiental na
UERJ, professor convidado em cursos de pós-graduação,
ministrando disciplinas voltadas para gestão de SMS e atua
como consultor independente assessorando organizações na
gestão de requisitos de SMS.
INTRODUÇÃO

O
desenvolvimento de um padrão para Sistema de Gestão de
Segurança e Saúde Ocupacional (SGSSO) começou no início
da década de 90, com a publicação da BS 8800 em 1996.

Neste mesmo ano, um workshop da ISO debatia se era apropriado o


desenvolvimento de um padrão internacional para SGSSO e decidia que
não era o momento apropriado para fazê-lo. Uma consulta semelhante
foi realizada em 2007, entretanto sem nenhum avanço.

O Grupo de Projeto da OHSAS foi constituído ao final da década de 90 e


publicou a OHSAS 18001 em 1999 e a OHSAS 18002 no ano 2000. Neste
mesmo ano foi publicada a AS/NZ 4801, seguida pela publicação das
diretrizes de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) da Organização
Internacional do Trabalho (OIT) em 2001 e a ANSI Z10 em 2003.

No ano de 2007 a OHSAS 18001 recebeu sua primeira e última revisão. A


OHSAS 18002 foi revisada em 2008 e a ANSI Z10 foi revisada em 2013.
Embora o grupo de projeto da OHSAS tenha propriedade integral sobre
direitos autorais da OHSAS 18001, foram celebrados diversos acordos de
licenciamento e isenção de direitos autorais com diversos Organismos de
Normatização, facilitando a adoção e uso da OHSAS
internacionalmente, contribuindo para uma melhoria na cultura de
Segurança e Saúde no Trabalho.

Uma pesquisa conduzida pela OHSAS em 2011 indicou a existência de


mais de 90.000 certificados emitidos em 127 países, os quais adotaram a
OHSAS 18001 como padrão de SGSSO, indicando a necessidade de um
padrão internacional neste campo. Por esta razão, uma nova proposta
de trabalho foi apresentada pela ISO em março de 2013, levando ao
desenvolvimento do projeto que elaborou e publicou a ISO 45001.
O Grupo de Projeto OHSAS revisou e aprovou a ISO 45001:2018 como
substituta da OHSAS 18001, a qual será cancelada, levando-se em
consideração o período de migração de três anos, a partir da
publicação da ISO 45001:2018 (12/03/2018). Isso significa que as
certificações OHSAS 18001:2007 não serão mais válidas após três anos a
partir da publicação da ISO 45001:2018. O prazo de validade das
certificações para OHSAS 18001:2007 emitido durante o período de
transição deve corresponder período final de transição entre as normas.

Para a transição entre a OHSAS 18001:2007 e a ISO 45001:2018,


recomenda-se que as organizações:

a) Identifique as lacunas existentes no SGSSO implementado;


b) Identifique os recursos e prazos necessários, com base nas lacunas
identificadas;
c) Desenvolva um plano de implementação;
d) Assegure que todas as novas necessidades de competência sejam
atendidas;
e) Atualize o SGSSO existente para atender aos novos requisitos e
assegure a sua eficácia;
f) Contatar organismo de certificação para auditoria de
certificação, quando aplicável.

O grau de mudança varia de organização para organização e depende


da maturidade e eficácia do sistema de gestão atual e das estruturas e
práticas organizacionais. Portanto, recomenda-se que cada
organização avalie o impacto/ lacunas existentes de modo a estimar o
esforço, recursos e prazos para a migração.

A ISO 45001:2018 segue a nova estrutura de padrões publicada pela ISO


em 2012, denominada High Level Structure, comumente chamada de
Anexo SL, o qual fornece uma sequência (estrutura), texto, termos e
definições de cláusulas comuns para todos os padrões de sistema de
gestão que venham a ser revisados ou publicados, a partir de então.

A ISO 45001:2018 permite que as organizações criem um sistema de


Segurança e Saúde no Trabalho, o qual ajudará a organização a
gerenciar seus riscos e melhorar seu desempenho em SST. Os benefícios
esperados pela adoção da ISO 45001:2018 incluem:

a) Redução de acidentes do trabalho;


b) Redução de absenteísmo e rotatividade, contribuindo para o
aumento da produção;
c) Redução dos prêmios de seguro;
d) Criação de uma cultura de segurança e saúde, onde os
trabalhadores são encorajados a assumir um papel ativo em
relação a sua própria segurança e saúde no trabalho
e) Fornecer clareza sobre as questões de segurança e saúde no
trabalho;
f) Aumentar o envolvimento da liderança e a participação dos
trabalhadores nas questões relativas a segurança e saúde no
trabalho;
g) Pensamento baseado no risco para o SGSSO, bem como para os
risco de segurança e saúde ocupacional;
h) Alinhamento da política de segurança e saúde ocupacional e
objetivos com o direcionamento estratégico da organização;
i) Integração do SGSSO nos processos de negócio da organização;
j) Linguagem simplificada, estrutura e termos comuns.
ANEXO SL – A NOVA ESTRUTURA DE ALTO NÍVEL PARA AS
NORMAS DE SISTEMA DE GESTÃO

O
rganizações de diversas naturezas implementaram ao longo dos

anos, sistemas voltados para a gestão da qualidade, gestão

ambiental, gestão de segurança e saúde ocupacional, p. ex.,

baseado em normas. Todavia, apesar desses sistemas apresentarem

elementos comuns, requisitos idênticos apareciam em cláusulas distintas e

não havia uma uniformidade na terminologia utilizada, o que dificultava o

entendimento pelo usuário e o processo de integração desses sistemas.

Diante dessa expectativa do mercado, em 2012, a ISO desenvolveu o Anexo

SL (antes denominado Guia ISO 83) – uma estrutura padrão de alto nível, que

serve de modelo para o desenvolvimento de normas de sistema de gestão.

A estrutura de alto nível é parte integrante do documento ISO/IEC

Directives, Part 1. Além de propor terminologia e redação em comum,


permitindo uma visão mais holística, facilitando o entendimento e a integração

dos sistemas, reduzindo custos e possíveis inconsistências. Desta forma,

todas as normas de sistema de gestão, criadas ou revisadas, a partir de 2012,

seguirão a mesma estrutura, tal qual já acontece com a ISO 9001 e ISO

14001, revisadas em 2015.


ESTRUTURA DO ANEXO SL

A
estrutura do Anexo SL e dividida em 10 cláusulas, ordenadas
numa sequência lógica e alinhada com a conhecida abordagem
PDCA.

Cláusula 1: Escopo

Cláusula 2: Referências Normativas

Cláusula 3: Termos & Definições

Cláusula 4: Contexto da Organização

Cláusula 5: Liderança

Cláusula 6: Planejamento

Cláusula 7: Suporte

Cláusula 8: Operação

Cláusula 9: Avaliação de Desempenho

Cláusula 10: Melhoria


CORRESPONDÊNCIA ENTRE A OHSAS 18001 E A ISO 45001:2018
OHSAS 18001:2007 ISO 45001
Management system 4 4.4 OH&S management system
General requirements 4.1 4.3 Determining the scope of the OH&S
management system
4.4 OH&S management system
OH&S policy 4.2 5.2 OH&S Policy
10.3 Continual improvement
Planning (title only) 4.3 6 Planning (title only)
Hazard identification, risk assessment 4.3.1 6.1 Actions to address risks and
and determining controls opportunities (title only)
6.1.2 Hazard identification and assessment of
risks and opportunities (title only)
6.1.2.1 Hazard identification
6.1.2.2 Assessment of OH&S risks and other
risks to the OH&S management
system
8.1.2 Eliminating hazards and reducing OH&S
risks
8.1.3 Management of change
8.1.4.2 Contractors
Legal and other requirements 4.3.2 6.1.3 Determination of legal requirements
and other requirements
8.1.4.3 Outsourcing
Objectives and programme(s) 4.3.3 6.2 OH&S objectives and planning to
achieve them (title only)
6.2.1 OH&S objectives
6.2.2 Planning to achieve OH&S objectives
10.3 Continual improvement
Implementation and operation (title 4.4 7 Support (title only)
only) 8 Operation (title only)
Resources, roles, responsibility, 4.4.1 5.1 Leadership and commitment
accountability and authority 5.3 Organizational roles, responsibilities
and authorities
7.1 Resources
Competence, training and awareness 4.4.2 7.2 Competence
7.3 Awareness
Communication, participation and 4.4.3 5 Leadership and worker participation
consultation (title only) (title only)
Communication 4.4.3.1 7.4 Communication
7.4.1 General
7.4.2 Internal communication
7.4.3 External communication
8.1.4.2 Contractors
8.1.4.3 Outsourcing
Participation and consultation 4.4.3.2 4.2 Understanding the needs and
expectations of workers and other
interested parties
5.4 Consultation and participation of
workers
8.1.4.2 Contractors
Documentation 4.4.4 7.5 Documented information (title only)
7.5.1 General
Control of documents 4.4.5 7.5.2 Creating and updating
7.5.3 Control of documented information
Operational Control 4.4.6 6.1.1 General
6.1.4 Planning action
8.1 Operational planning and control (title
only)
8.1.1 General
8.1.2 Eliminating hazards and reducing OH&S
risks
8.1.3 Management of change
8.1.4 Procurement (title only)
8.1.4.1 General
8.1.4.2 Contractors
8.1.4.3 Outsourcing
Emergency preparedness and response 4.4.7 8.2 Emergency preparedness and response
Checking (title only) 4.5 9 Performance evaluation (title only)
Performance measurement and 4.5.1 9.1 Monitoring, measurement, analysis and
monitoring performance evaluation (title only)
9.1.1 General
Evaluation of compliance 4.5.2 9.1.2 Evaluation of compliance
Incident investigation, nonconformity, 4.5.3 10.2 Incident, nonconformity and corrective
corrective action and preventive action
action (title only)
Incident investigation 4.5.3.1 10.2 Incident, nonconformity and corrective
action
Nonconformity, corrective action and 4.5.3.2 10.2 Incident, nonconformity and corrective
preventive action action
Control of records 4.5.4 7.5 Documented information (title only)
7.5.1 General
7.5.2 Creating and updating
7.5.3 Control of documented information
Internal audit 4.5.5 9.2 Internal audit (title only)
9.2.1 General
9.2.2 Internal audit programme
Management review 4.6 4 Context of the organization (title only)
Understanding the organization and its
4.1 context
Understanding the needs and
4.2 expectations of workers and other
interested parties
9.3 Management review
10 Improvement (title only)
10.1 General
10.3 Continual improvement
4. CONTEXTO DA ORGANIZAÇÃO
A cláusula 4 contempla:

4.1. Entendendo a organização e seu contexto


4.2. Entendendo as necessidades e expectativas do trabalhador e outras
partes interessadas
4.3. Determinando o escopo do sistema de gestão de segurança e saúde
ocupacional
4.4. Sistema de gestão de segurança e saúde ocupacional

A
organização deve definir e documentar o escopo do seu sistema

de gestão de segurança e saúde ocupacional. O escopo nada mais é

do que os limites aos quais se aplicam o sistema de gestão. Ao

determinar esse escopo, a organização deve considerar o contexto na qual

está inserida.

As organizações não são iguais. Ainda que produzam o mesmo tipo de produto

ou ofereçam serviços semelhantes. Uma empresa situada no Rio de janeiro

esta inserida em um ambiente (político, econômico, social, p. ex.) diferente

de uma empresa inserida em Manaus. Assim como uma empresa familiar possui

uma estrutura organizacional e recursos diferentes de uma empresa

multinacional ou de uma empresa estatal. Cada empresa é única e opera em

contextos distintos!

O objetivo desta cláusula é

permitir que a organização

compreenda o contexto na qual

ela se insere, ou seja, permitir

que ela compreenda os fatores

internos (valores, cultura,

conhecimento, desempenho da

organização) e externos (legal, tecnológico, competitivo, mercado, cultural e


ambientes social e econômico) e

como eles podem influenciar a

organização, positivamente ou

negativamente, na alcance dos

objetivos estabelecidos para o

seu sistema de gestão de

segurança e saúde ocupacional. A

compreensão do contexto deve

levar em consideração as necessidades e expectativas dos trabalhadores e

outras partes interessadas (consumidores, proprietários, órgãos/ agências

governamentais e/ou regulamentadores, clientes, sindicatos, opositores,

visitantes, p. ex.).

O planejamento estratégico pode auxiliar a organização, uma vez que esta

metodologia permite estabelecer a direção a ser seguida e trata-se de um

processo contínuo e sistemático de analisar a organização sob diversos

ângulos, direcionando seus rumos e monitorando suas ações de forma

concreta. As etapas do planejamento estratégico incluem: Quem somos?

(crenças e valores e declaração da missão, visão e valores do negócios); Onde

estamos? (análise do ambiente interno – forças e fraquezas e ambiente

externo – oportunidades e ameaças); Para onde vamos? (visão de futuro e

estabelecimento de objetivos e metas) e Como chegaremos lá? (formulação

da estratégia e nível corporativo, de processos e funcional).

A Análise SWOT (Matriz FOFA) pode ser uma ferramenta utilizada pela

organização para detectar seus pontos fortes e fracos, com o objetivo de

torna-la mais competitiva.


FORÇAS: referem-se ao ambiente interno da organização e estão

relacionadas com as vantagens que a empresa possui em relação aos seus

concorrentes.

FRAQUEZAS: referem-se ao ambiente interno da empresa. São fatores que

interferem ou prejudicam de algum modo o andamento do negócio, as quais

precisam analisadas de modo que seja possível eliminar os problemas que

ocasionam, minimizar seus efeitos ou tentar contorná-los de modo que se

tornem forças relevantes para o negócio;

OPORTUNIDADES: são forças externas, fora do controle da organização e

que podem influenciá-la de forma positiva (mudanças na política econômica do

governo, alteração de algum tributo, investimentos externos, ampliação do

crédito ao consumidor, p. ex.).

AMEAÇAS: ao contrário das oportunidades, as ameaças são forças externas

que influenciam negativamente a empresa e podem prejudicar o planejamento

estratégico e os resultados da organização.


5. LIDERANÇA E PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES
A cláusula 5 contempla:

5.1. Liderança e Comprometimento


5.2. Política de Segurança e Saúde Ocupacional
5.3. Papéis, Responsabilidades e Autoridades Organizacionais
5.4. Participação e Consulta dos Trabalhadores

N
a cláusula 5, a ISO 45001:2018 estabelece as responsabilidades

específicas para Alta Direção (pessoa ou grupo de pessoas que

dirige e controla uma organização) no sistema de gestão de

segurança e saúde ocupacional, com o objetivo de demonstrar sua liderança e

envolvimento. Essas responsabilidades podem ser delegadas. Entretanto, a

Alta Direção continua sendo responsável pela prestação de contas no que se

refere a eficácia da prevenção de lesões e problemas de saúde aos

trabalhadores e ao fornecimento de locais de trabalho seguros e saudáveis e

para assegurar que as ações necessárias sejam realizadas.

São também responsabilidades da Alta Direção, entre outras:

a) estabelecer, implementar e manter uma política de segurança e saúde

ocupacional, em consulta com os trabalhadores em todos os níveis. A

política deve incluir compromissos para fornecer condições de trabalho

seguras e saudáveis, atendimento aos requisitos legais aplicáveis, bem

como o estabelecimento de objetivos compatíveis com o

direcionamento estratégico, o contexto da organização e a melhoria

contínua;

b) assegurar a participação dos trabalhadores no estabelecimento,

implementação, manutenção e melhoria contínua do sistema de gestão;


c) assegurar que as responsabilidades e autoridades para papéis

pertinentes sejam atribuídas e comunicadas na organização;

d) assegurar que os recursos necessários estejam disponíveis e que o

sistema de gestão alcance os resultados pretendidos;

e) promover uma cultura que suporte o sistema de gestão de segurança e

saúde ocupacional.
6. PLANEJAMENTO
A cláusula 6 contempla:

6.1. Ações para abordar riscos e oportunidades


6.2. Objetivos de segurança e saúde ocupacional e planejamento para
alcancá-los

A
cláusula 6 traz um novo conceito, já incorporado nas versões 2015

das normas ISO 9001 e 14001 – a abordagem de riscos e

oportunidades.

Uma vez identificado o

contexto no qual a

organização está inserida,

faz-se necessário

estabelecer quais riscos e

oportunidades serão

tratados no planejamento do

sistema de gestão de segurança e saúde ocupacional. Esta cláusula tem foco

pró-ativo, uma vez que objetiva assegurar que a organização conhece os

riscos e oportunidades que podem afetar seus resultados e estabeleceu ações

para tratar os riscos e capturar as oportunidades, antecipando-se às

possíveis mudanças, prevenindo ou reduzindo os efeitos indesejados e

minimizando a necessidade de ações corretivas no futuro. Riscos e

oportunidades podem estar associados aos perigos, os quais devem ser

identificados e avaliados, incluindo atividades rotineiras e não rotineiras e

abrangendo não só os trabalhadores próprios, quanto os contratados,

visitantes e outros.
Esta cláusula determina ainda que as organizações:

a) estabeleçam processo sistemático para identificar e manter atualizado

os requisitos legais e outros requisitos associados aos seus perigos e

riscos;

b) estabeleçam objetivos mensuráveis ou minimamente passíveis de

avaliação, que mantenham e melhorem continuamente o sistema de

gestão;

c) identifiquem as potenciais consequências das mudanças, através de um

processo planejado e sistemático de gestão de mudanças, uma vez que

estas podem introduzir novos perigos e riscos no ambiente de trabalho,

afetando a segurança e a saúde do trabalhador. As mudanças também

podem introduzir oportunidades que podem contribuir para melhorar o

desempenho do sistema.
7. Apoio
A cláusula 7 contempla:

7.1. Recursos
7.2. Competência
7.3. Conscientização
7.4. Comunicação
7.5. Informações documentadas

A disponibilidade de

recursos (humanos,

naturais, infraestrutura,

tecnológicos, financeiros,

organizacional p. ex.) deve

ser assegurada pela Alta

Direção e é de suma

importância para o

funcionamento e aumento do desempenho do sistema de gestão de segurança

e saúde ocupacional.

E
m se tratando de recursos humanos, deve-se considerar a

necessidade de habilidades e conhecimentos especializados.

Compete às organizações determinar a competência necessária dos

trabalhadores cujas atividades afetam ou podem afetar o desempenho do

sistema de gestão. A organização deve identificar as lacunas entre as

competências requeridas e assegurar que os trabalhadores recebam a

educação e formação apropriadas.

As organizações precisam garantir que os trabalhadores estejam

conscientizados quanto à política de segurança e saúde ocupacional (cientes


da sua existência, do seu propósito e de como o trabalho desenvolvido pode

afetar os compromissos estabelecidos na política, a capacidade da

organização em atender aos requisitos legais aplicáveis e os objetivos).

A cláusula 7 determina ainda a necessidade de estabelecimento de um

processo de comunicação interna e externa. A organização determina o que

comunica, quando comunica, para quem comunica e de que forma comunica. E

por fim, a cláusula estabelece que a organização crie e mantenha informação

documentada (terminologia nova, análoga à “controle de documentos e

registros”, na OHSAS 18001), para assegurar um sistema de gestão

apropriado, adequado e eficaz.

Informação documentada: é a informação que se requer que seja controlada

e mantida por uma organização e o meio no qual ela está contida (pode estar

em qualquer formato e meio, e pode ser proveniente de qualquer fonte).

“reter informação documentada como evidência de...” significa registro e

“manter informação documentada” significa documentação que não é um

registro.
8. OPERAÇÃO
A cláusula 8 contempla:

8.1. Planejamento e controles operacionais


8.2. Preparação e resposta a emergências

C
abe a organização selecionar o tipo e a extensão dos controles
operacionais que são necessários para assegurar que os processos são
eficazes e capazes de alcançar os resultados desejados e podem
incluir: manutenção preventiva, inspeções de segurança, check-lists,
procedimentos operacionais e etc. Ao selecionar os controles, a organização
deve levar em consideração a natureza de suas operações, os riscos e
oportunidades, os perigos, requisitos legais e outros aplicáveis. Os controles
devem ser suficientes para reduzir os riscos de segurança e saúde
ocupacional para regiões mais toleráveis.

Aquisições e terceirizações devem ser realizadas assegurando-se os


controles necessários para que os processos terceirizados estejam alinhados
ao sistema de segurança e saúde ocupacional da organização.

A organização também deve planejar seu processo de preparação e resposta


a emergência, estabelecendo os meios, os processos de comunicação (interna
e externa), realização de simulados de emergência e análise crítica dos
mesmos, treinamento de equipes de resposta a emergência, entre outros.


9. AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO
A cláusula 9 contempla:

9.1. Monitoramento, medição, análise e avaliação


9.2. Auditoria Interna
9.3. Análise crítica pela direção

Aquilo que não é medido não é gerenciado!

C
abe à organização determinar o que, quando, por quem e como precisa

ser monitorado e medido, bem como os métodos de monitoramento,

medição, análise e avaliação, para assegurar resultados válidos. A

organização também deve avaliar o desempenho e a eficácia do seu sistema

de gestão de segurança e saúde ocupacional.

O desempenho refere-se a um resultado mensurável, seja qualitativamente

ou quantitativamente. A avaliação de desempenho tem por objetivo

determinar se o sistema de gestão entrega os resultados desejáveis,

definidos na etapa de planejamento através do estabelecimento de objetivos

e metas. A avaliação de desempenho engloba a avaliação do atendimento aos

requisitos legais e outros requisitos, a auditoria interna e a análise crítica

pela direção.

As auditorias internas

(ou auditorias de

primeira parte) são

aquelas conduzidas

pela própria

organização para

análise crítica pela


direção ou para outros propósitos internos e podem formar a base para uma

declaração de conformidade da organização. Trata-se de um processo

sistemático, independente (a independência pode ser demonstrada pela

ausência de responsabilidade em relação à atividade que está sendo auditada)

e documentado para obter evidência objetiva (registros, apresentação de

fatos ou outras informações, pertinentes aos critérios de auditoria e

verificáveis) e avalia-la objetivamente para determinar a extensão na qual os

critérios de auditoria (conjunto de políticas, procedimentos ou requisitos

usados como uma referência, com a qual a evidência objetiva é comparada)

são atendidos.

As não conformidades identificadas durante as auditorias internas estão

sujeitas às ações corretivas apropriadas.

A confiabilidade dos resultados obtidos em uma auditoria está alicerçada em

seis princípios de auditoria, estabelecidos na ISO 19011:2012.


Integridade

Abordagem
Apresenta-
baseada em
ção Justa
evidência

Independênci Cuidado
a Profissional

Confidencialid
ade

A análise crítica pela direção deve ser realizada em intervalos planejados,

definidos pela organização, com o objetivo de assegurar a contínua

adequação, suficiência e eficácia do sistema de gestão de segurança e saúde

ocupacional.
10. MELHORIAS
A cláusula 10 contempla:

10.1. Generalidades
10.2. Incidente, não-conformidade e ação corretiva
10.3. Melhoria contínua

A
ISO 45001:2018 não traz expressamente um requisito voltado

para a ação preventiva, uma vez que a principal proposta de um

sistema de gestão de segurança e saúde ocupacional é agir como

instrumento de prevenção de acidentes ou doenças que possam afetar os

trabalhadores. Entretanto o conceito de ação preventiva é agora abrangido

pela abordagem de riscos e oportunidades e pela identificação do contexto

da organização, de modo a determinar quais fatores podem influenciar a

organização quanto ao atendimento dos objetivos estabelecidos para o seu

sistema de gestão. Espera-se que, ao tomar ações de melhoria, a organização

considere a análise e avaliação do seu desempenho em segurança e saúde

ocupacional, a avaliação do atendimento aos requisitos legais aplicáveis

(aderências às Normas Regulamentadoras, p. ex.), o resultado das auditorias

internas e as saídas das análises críticas realizadas pela direção.

A melhoria contínua está intimamente ligada ao desempenho da organização

e é consequência da forma como a organização gere o seu sistema, na busca

da prevenção de lesões e problemas de saúde aos trabalhadores e ao

fornecimento de locais de trabalho seguros e saudáveis. O processo de

estabelecer objetivos e identificar oportunidades para melhoria é um

processo contínuo.
A organização precisa reagir a incidentes ou não conformidades e

estabelecer ações corretivas, em tempo hábil, de modo a controlar as

consequências, identificar a causa raiz e evitar a sua recorrência, avaliando a

abrangência (é possível a recorrência de incidentes ou não conformidades

similares em outros setores da organização?).


HIERARQUIA DAS MEDIDAS DE CONTROLE

D
iversas medidas de controle podem ser estabelecidas por uma

organização com o objetivo de controlar a exposição dos

trabalhadores aos perigos existentes no ambiente de trabalho que

podem afetar a sua saúde e segurança, causando acidentes e originando

doenças.

Estas medidas de controle podem ser aplicadas na origem do perigo (fonte),

ao longo do percurso entre a origem e o trabalhador (no ambiente) e no

próprio receptor (o trabalhador).

FONTE AMBIENTE TRABALHADOR

A forma mais efetiva de se controlar o perigo é através da sua eliminação na

fonte, por exemplo, eliminando uma etapa do processo ou uma substância

reconhecidamente perigosa. Infelizmente isso nem sempre é possível, mas

não pode ser negligenciado, principalmente nas fases de projeto de novas

instalações, processos ou modificações.

A substituição visa a adoção de processos alternativos ou a utilização de

substâncias/ produtos químicos menos perigosos, temperaturas/ pressões

mais amenas, p. ex. Vale ressaltar que a substituição pode acarretar a

introdução de novos perigos, os quais devem ser avaliados.


Os controles de engenharia são utilizados visando introduzir barreiras entre

a condição perigosa e os trabalhadores. São implantadas quando da

inviabilidade técnica (e não econômica) da aplicação das medidas de controle

anteriores: a eliminação e a substituição. São controles de engenharia: a

adoção de medidas de proteção coletiva, isolamento, proteção de máquinas,

enclausuramento, sistema de exaustão/ ventilação, p. ex.

Os controles administrativos baseiam-se na redução da exposição do

trabalhador ao perigo e incluem: redução da jornada de trabalho através de

rodízios, redução do número de trabalhadores expostos, treinamento e

capacitação, inspeções periódicas de segurança, elaboração de

procedimentos operacionais e etc.

Por fim, os equipamentos de proteção individual (EPI) são empregados

somente quando da inviabilidade técnica da implementação de todas as

medidas citadas anteriormente ou quando estas medidas não são suficientes

para controlar a exposição dos trabalhadores aos perigos existentes. Vale

destacar que os trabalhadores devem receber orientação e treinamento

quanto à utilização, guarda e conservação dos EPI.

Assim como já previsto nas Normas Regulamentadoras – NR do Ministério do

Trabalho, a ISO 45001:2018 também prevê a utilização de EPI, somente

quando não for possível eliminar, substituir ou controlar através de medidas

de engenharia ou medidas administrativas, os perigos existentes no ambiente

de trabalho que possam afetar a saúde e a segurança dos trabalhadores.


+ ROBUSTA
Eliminação

HIERARQUIA
Substituição

Controles de
Engenharia
Controles
Administrativos
Equipamento de
Proteção Individual
- ROBUSTA
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

§ https://www.bsigroup.com/LocalFiles/pt-BR/Whitepapers/Guia DIS
ISO 45001.pdf

§ https://www.bsigroup.com/LocalFiles/pt-BR/Entendendo o Anexo
SL.pdf

§ https://www.iso.org/files/live/sites/isoorg/files/store/en/PUB100427.
pdf

§ https://www.iso.org/iso-45001-occupational-health-and-
safety.html

§ https://committee.iso.org/home/pc283

§ ISO 45001:2018 - Occupational health and safety management


systems - Requirements with guidance for use

§ IAF MD 21: Requirements on the Migration to ISO 45001:2018 from


OHSAS 18001:2007. Disponível em:
§ <http://www.iaf.nu/upFiles/IAFMD21MigrationtoISO450012018Pub.
pdf>

§ OHSAS Project Group Implementation Guidance for migrating from


OHSAS 18001:2007 to ISO 45001:2018. Disponível em:
<https://committee.iso.org/files/live/sites/pc283/files/Documents/
OHSAS%20Project%20Group%20-
%20Implementation%20Guidance%20for%20Migrating%20to%20IS
O%2045001.docx>