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CONTABILIDADE PARA INICIANTES

Juliana Maurilia Martins


NOÇÕES INTRODUTÓRIAS
NOÇÕES INTRODUTÓRIAS

A palavra contabilidade deriva do latim computare, que


significa contar, computar, calcular. Porém, não se deve
confundir a contabilidade com a matemática!

Há relatos de que as primeiras


manifestações contábeis datam de
cerca de 2.000 a.C, com os sumérios.

A contabilidade foi conceituada pelo I Congresso de


Contabilistas, realizado no Rio de Janeiro em 1924 como “a
ciência que estuda e pratica as funções de orientação,
controle e registro relativas à administração econômica”.
NOÇÕES INTRODUTÓRIAS

Em resumo a contabilidade pode ser conceituada como a


ciência que estuda o patrimônio do ponto de vista econômico
e financeiro, bem como os princípios e as técnicas
necessárias ao controle, à exposição e à análise dos
elementos patrimoniais e de suas modificações.

A ciência contábil possui relação com o:

- Direito
- Administração
- Economia.
OBJETO E OBJETIVO

A contabilidade tem por objeto o patrimônio das pessoas


físicas e jurídicas e por objetivo o controle desse patrimônio.

O que é pessoa física e pessoa jurídica ?!


OBJETO E OBJETIVO

Por intermédio da contabilidade é possível gerenciar de


forma mais efetiva:

- os recursos disponíveis;
- obter informações úteis ao planejamento das atividades,
- controlar ou reduzir despesas,
- aumentar receitas,
- conhecer o custo de produção, revenda ou consumo,
- apurar o lucro ou prejuízo,
- e ainda prevenir e identificar fraudes.
FINALIDADE
A finalidade da contabilidade é fornecer informações às
pessoas ou entidades interessadas na situação patrimonial
(bens, direitos e obrigações) e econômica (lucro ou prejuízo)
da entidade, bem como na aferição de sua capacidade
produtiva.
A contabilidade não deve
ser utilizada para manipular
demonstrações ou dados.

Esta ciência se baseia em


fatos e deve demonstrar a
real situação patrimonial!
USUÁRIOS DAS INFORMAÇÕES E DEMONSTRAÇÕES
CONTÁBEIS
Os principais usuários são:
- investidores atuais e potenciais;
- empregados;
- credores por empréstimos;
- fornecedores e outros credores comerciais;
- clientes;
- governo e suas agências;
- e o público em geral.

Eles usam as demonstrações contábeis para satisfazer


algumas das suas diversas necessidades de informação.
RAMOS DA CONTABILIDADE

Se a auditoria é um dos ramos da


contabilidade, será que posso me
tornar um auditor estudando
apenas auditoria???

As ramificações e especializações da contabilidade


embora possam ser estudados de forma autônoma, não
são independentes, uma vez que todos possuem o
mesmo objeto de estudo, o patrimônio.
RAMOS DA CONTABILIDADE

São ramos da contabilidade:

- Contabilidade de Custos;
- Contabilidade Imobiliária;
- Contabilidade Rural;
- Contabilidade Bancária;
- Auditoria;
- Análise de Balanços;
- Teoria da Contabilidade;
- Contabilidade Gerencial;
- Contabilidade Pública;
- Outros.
CONCEITOS
CONCEITOS

Para iniciar o estudo da contabilidade é muito importante


entender alguns conceitos básicos, a começar pela
conceituação do seu objeto de estudo, o patrimônio.

PATRIMÔNIO

O patrimônio de uma pessoa física ou jurídica é composto


pelo conjunto de bens, direitos e obrigações, passíveis de
mensuração, de sua propriedade.

Patrimônio

Bens Direitos Obrigações


PATRIMÔNIO

O patrimônio é composto por elementos positivos e negativos.

Elementos Positivos Elementos Negativos

As obrigações
Os bens e direitos
representam o aspecto
representam o aspecto
negativo patrimonial, que
positivo patrimonial, que
é denominado de
é denominado de “Ativo”.
“Passivo”.
PATRIMÔNIO - Bens

Bens são todos os elementos corpóreos ou incorpóreos que


integram o patrimônio. Para fins contábeis estes elementos
devem ser passíveis de mensuração.
Os bens corpóreos, também conhecidos como materiais ou
tangíveis compreendem os bens que possuem “existência
física”, como dinheiro, terrenos, veículos, salas comerciais,
móveis e utensílios, máquinas e equipamentos, estoques,
dentre outros.
PATRIMÔNIO - Bens

Já os bens incorpóreos, também conhecidos como imateriais


ou intangíveis compreendem os bens que não existem
fisicamente, como software, marcas, patentes, propriedade
científica, ponto comercial, dentre outros.

Para garantir
exclusividade e
proteção de marcas e
patentes a empresa
deve efetuar o
registro no INPI.
PATRIMÔNIO - Direitos

Direitos são todos os créditos (haveres) de uma pessoa


física ou jurídica contra terceiros.

Normalmente, os direitos são representados por títulos e


documentos, como a duplicata, fatura, nota fiscal-fatura, nota
promissória, conforme o caso.

Representam direitos os adiantamentos a


fornecedores, adiantamentos a empregados,
impostos e contribuições a recuperar, dentre
outros.
PATRIMÔNIO - Obrigações

As obrigações são representadas por todas as dívidas com


terceiros, como:

- duplicatas a pagar;
- promissórias a pagar;
- salários e ordenados;
- impostos e contribuições a recolher;
- financiamentos;
- empréstimos;
- provisões para férias;
- 13° salário;
- dentre outros.
PATRIMÔNIO LÍQUIDO

O Patrimônio Líquido pode ser representado por uma das


seguintes fórmulas:

PL = Bens + Direitos - Obrigações

ou

PL = Ativo - Passivo

A fórmula do patrimônio líquido serve para medir a riqueza


que a empresa possui.
PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Considere uma empresa que possui 15.000,00 em bens, R$


3.000,00 em direitos, e R$ 25.000,00 em obrigações. Esta
empresa terá um Patrimônio Líquido:

PL = Bens + Direitos - Obrigações

PL = 15.000 + 3.000 – 25.000

PL = - 7.000

Esta situação é vantajosa para a empresa?!


PATRIMÔNIO LÍQUIDO

A situação NÃO é vantajosa tendo em vista que o ativo,


mesmo que transformado em dinheiro, não seria suficiente
para cobrir as obrigações contraídas pela empresa.

Nesta situação ocorre


o que alguns autores
denominam como
“passivo a descoberto”
ou “situação líquida
negativa”.
PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Segundo o artigo 178, § 2°, inciso III da Lei 6404/76 o


patrimônio líquido é dividido nos seguintes grupos:
- capital social;
- reservas de capital;
- ajustes de avaliação patrimonial;
- reservas de lucros;
- ações em tesouraria; e
- prejuízos acumulados.

O patrimônio líquido também é conhecido como “capital


próprio”, “recursos próprios” ou “passivo não-exigível”.
ATIVO
Ativo é um recurso controlado pela entidade como resultado
de eventos passados e do qual se espera que resultem
futuros benefícios econômicos para a entidade.

No ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente


de grau de liquidez:
Disponibilidades
Ativo Circulante

Clientes
Estoques
Investimentos
Imobilizado
ATIVO
Os elementos do ativo serão registrados em dois grupos:
- ativo circulante; e
- ativo não circulante.
ATIVO CIRCULANTE
No ativo circulante devem constar:
- as disponibilidades;
- os direitos realizáveis no curso do exercício social
subsequente; e
- as aplicações de recursos em despesas do exercício
seguinte.
(Art. 179, inciso I da Lei 6.404/76)
ATIVO CIRCULANTE

O exercício social terá duração de 1 (um) ano e a data do


término será fixada no estatuto (Art. 175 da Lei 6.404/76).
Normalmente o exercício social, coincide com o ano civil, e
encerra-se em 31 de dezembro de cada ano.
Curto Prazo

Hoje (2011) 01/01/2012 31/12/2012 01/01/2013 31/12/2013

Curto Prazo Longo Prazo


ATIVO CIRCULANTE

As disponibilidades compreendem os elementos


do ativo que representam dinheiro ou que sejam
facilmente convertidos, a exemplo da conta caixa,
bancos conta movimento, aplicações financeiras
de liquidez imediata e numerários em trânsito.

Os direitos realizáveis no curso do exercício social


subsequente, normalmente, se subdividem em:
- clientes;
- outros créditos;
- tributos a recuperar;
- investimentos temporários a curto prazo; e
- estoques.
ATIVO CIRCULANTE

As aplicações de recursos em despesas do exercício


seguinte, ou “despesas antecipadas”, representam os gastos
efetuados no ano em curso, mas que serão “consumidos”
apenas no próximo exercício social.
Tais gastos são lançados no ativo
circulante por serem semelhantes
aos “direitos” da empresa, tendo
em vista que se tornarão despesas
quando efetivamente incorridos.

Como devo lançar uma apólice de


seguros com cobertura de 24 meses?!
ATIVO NÃO CIRCULANTE
No ativo não circulante são classificados os direitos
realizáveis a longo prazo e os bens corpóreos e incorpóreos
de uso permanente, normalmente de propriedade da
companhia.
O que é longo prazo?!

O ativo não circulante se subdivide em:


- ativo realizável a longo prazo;
- investimentos;
- ativo imobilizado;
- intangível.
ATIVO NÃO CIRCULANTE - Ativo Realizável a Longo Prazo
Classificam-se como ativo realizável a longo prazo os direitos
realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como
os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a
sociedades coligadas ou controladas, diretores, acionistas ou
participantes no lucro da companhia, que não constituírem
negócios usuais na exploração do objeto da companhia.

ATIVO NÃO CIRCULANTE - Investimentos


Classificam-se como investimentos as participações
permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer
natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se
destinem à manutenção da atividade da companhia ou da
empresa.
ATIVO NÃO CIRCULANTE - Imobilizado

Classificam-se como ativo imobilizado os direitos que


tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção
das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos
com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações
que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle
desses bens.
O leasing financeiro passou a ser
contabilizado como imobilizado a
partir das alterações promovidas
pela Lei 11.638/07.
ATIVO NÃO CIRCULANTE - Intangível

Classificam-se como intangível os direitos que tenham por


objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da
companhia ou exercidos com essa finalidade, inclusive o
fundo de comércio adquirido.
São exemplos de bens classificáveis no ativo intangível:
- softwares;
- marcas;
- patentes;
- direitos de exploração;
- direitos autorais;
- ponto comercial adquirido;
- dentre outros.
PASSIVO
O passivo é a parte do balanço patrimonial que evidencia as
obrigações e o patrimônio líquido.
As contas representativas de obrigações devem ser
classificadas observando-se a ordem decrescente do grau
de exigibilidade dos elementos nela registrados.

Fornecedores
Empréstimos e Financiamentos
Obrigações Tributárias
Obrig. Trabalhistas
Destinações dos Lucros
PASSIVO

Grau de exigibilidade representa o maior ou o menor prazo


em que a obrigação deve ser paga. Quanto maior o grau
de exigibilidade menor o prazo para pagamento.

No passivo, as contas serão classificadas


nos seguintes grupos:
- passivo circulante;
- passivo não circulante; e
- patrimônio líquido.
PASSIVO CIRCULANTE
As obrigações da companhia, inclusive financiamentos para
aquisição de direitos do ativo não circulante, serão classificadas
no passivo circulante, quando se vencerem no exercício
seguinte.
O grupo do passivo circulante poderá conter subdivisões de
acordo com a natureza das obrigações, como a exemplo de:
- fornecedores;
- empréstimos e financiamentos;
- obrigações tributárias;
- obrigações trabalhistas e previdenciárias;
- obrigações com sócios e participantes dos lucros;
- provisões; e
- outras obrigações.
PASSIVO NÃO CIRCULANTE
As obrigações da companhia, inclusive financiamentos para
aquisição de direitos do ativo não circulante, serão
classificadas no passivo não circulante, se tiverem
vencimento após o término do exercício seguinte.

Lembre-se do conceito de curto e longo prazo!!!

O grupo “resultado de exercícios futuros” foi extinto pela


Lei 11.941/09, e o saldo existente em 31/12/2008 deverá
ser reclassificado para o PñC em conta representativa
de receita diferida e do respectivo custo diferido.
RESULTADO
O resultado é representado por lucro ou prejuízo.

LUCRO PREJUÍZO

As contas do ativo, passivo e patrimônio líquido são


consideradas contas patrimoniais, já as de receitas e
despesas são consideradas contas de resultado.
RECEITAS

As receitas são variações positivas do


patrimônio líquido. Podem ser obtidas através
de comercialização, industrialização, prestação
de serviços, dentre outras formas.

Para fins da DRE, a empresa terá:


- a receita bruta;
- receita líquida;
- as receitas financeiras (como dedução das despesas
financeiras); e
- as outras receitas
(Art. 187 da Lei 6.404/76)
RECEITAS
A receita bruta compreende o preço de venda de
mercadorias e serviços antes:
- das deduções das vendas;
- dos abatimentos de impostos e contribuições;
- das vendas canceladas e das devoluções de vendas.
Com isso chega-se à receita líquida.

O efeito da receita sobre o patrimônio pode


consistir no aumento do ativo ou na redução do
passivo. De uma forma ou de outra, a receita
aumenta a situação líquida da empresa.
RECEITAS
As receitas financeiras compreendem:
- os juros ativos;
- descontos condicionais obtidos;
- variações monetárias ativas;
- variações cambiais ativas;
- dentre outros.
Já as “outras receitas” abrangem os lucros de participações
societárias, as vendas diversas, os ganhos de capital, e os
demais ganhos.

Com as alterações promovidas pela Lei 11.941/09 as “receitas


não-operacionais” passam a denominar-se “outras receitas”.
DESPESAS

As despesas são variações negativas do patrimônio líquido.


Possuem como objetivo, direto ou indireto, à obtenção de
receitas.

O efeito da despesa sobre o


patrimônio pode consistir na redução
do ativo ou no aumento do passivo
por despesa incorrida e não paga.

De uma forma ou de outra, a


despesa reduz a situação líquida da
empresa.
DESPESAS

São exemplos de despesas nas atividades da empresa:


- os salários;
- encargos e contribuições como INSS e FGTS;
- impostos;
- materiais de uso e consumo;
- depreciação;
- aluguéis;
- energia, água e telefone;
- dentre outros.
DESPESAS

As despesas, normalmente são divididas em:


- despesas de vendas;
- despesas gerais;
- despesas administrativas;
- financeiras; e
- “outras despesas”.

Com as alterações promovidas pela Lei 11.941/09 as


“despesas não-operacionais” passam a denominar-se
“outras despesas”.
GASTOS

Gasto é todo o sacrifício suportado pela empresa para a


obtenção de bens e serviços que possam, de alguma
maneira, contribuir para a geração de receita.

Os gastos que alteram o patrimônio líquido são:


- despesas;
- custos;
- encargos; e
- perdas.
GASTOS
“Na determinação do resultado do exercício serão
computados os custos, despesas, encargos e perdas, pagos
ou incorridos” correspondentes as respectivas receitas e
rendimentos reconhecidos (Art. 187, §1°, alínea b da Lei
6.404/76).

Custos

Despesas Resultado do
Receitas Exercício
Encargos

Perdas
GASTOS - Despesas

As despesas são “variações negativas


do patrimônio líquido”. Os custos,
encargos, e perdas também! Então
qual a diferença entre eles?!

As despesas representam apenas uma


GASTOS parcela de todos os gastos da empresa.
Esta parcela compreende os gastos no
consumo de bens ou serviços fora da área
DESPESAS
de produção de outros bens ou serviços,
tais como gastos de vendas, gerais e de
administração da empresa.
GASTOS - Custos
Os custos representam gastos no consumo de bens e
serviços para a produção de outros bens ou serviços.

Considerando uma indústria de móveis, qual funcionário


representa um custo e qual representa despesa?

Produtos em Produtos CPV


Marceneiro
Elaboração Acabados Resultado

Despesas
Vendedor de Vendas
Resultado
GASTOS - Encargos

Encargos correspondem à perda gradual de valor de bens


através de depreciação, amortização ou exaustão.

Por motivos práticos, os encargos são considerados como


despesas de depreciação, amortização ou exaustão, porém,
se estiverem diretamente vinculados à produção de bens e
serviços serão considerados como custo.

Ao longo do tempo
os bens podem
ficar desgastados
ou obsoletos!
GASTOS - Perdas

O consumo de bens ou serviços de forma involuntária ou


anormal na administração da empresa será considerado
despesa, porém se a perda ocorrer na área de produção
será considerado custo.

.Em uma refinaria de petróleo a


evaporação dos combustíveis produzidos
será considerada um custo, desde que
dentro de um padrão comum.
Já se houver algum acidente e
vazamento dos combustíveis, esses
deverão ser considerados despesas.
CONTAS DE COMPENSAÇÃO

As contas de compensação constituem sistema próprio para


controle e registro dos fatos relevantes que resultam em
assunção de direitos e obrigações da entidade cujos efeitos
materializar-se-ão no futuro e que possam se traduzir em
modificações no patrimônio da entidade.

Contrato de Comodato
(Empréstimo)
O bem
Poderecebido
alterar oem
comodato
patrimônio
empréstimodeve
da
fazser
lançado
parte empresa
doem “Contas
patrimônio
defuturamente?!
Compensação”.
da empresa?!
PLANO DE CONTAS

Os elementos que formam o patrimônio e suas alterações


são controlados por meio de contas, cuja função, é registrar
e representar os bens, os direitos, as obrigações e a
situação líquida patrimonial, além das receitas e despesas.

ATIVO PASSIVO

Bens Obrigações

PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Direitos Situação Líquida


PLANO DE CONTAS

De acordo com a Lei 6.404//76 as contas podem ser dividas


em dois grupos:
- contas patrimoniais; e
- contas de resultado.

A Resolução CFC 1.330/11 prevê um terceiro grupo


chamado “contas de compensação” para registro dos fatos
extrapatrimoniais.
O agrupamento mínimo das contas patrimoniais, conforme
artigo 178 da Lei 6.404/76, deverá ser:

ATIVO PASSIVO
Ativo Circulante Passivo Circulante
Ativo Não Circulante Passivo Não Circulante
Ativo Realizável a Longo Patrimônio Líquido
Prazo Capital Social
Investimentos Reservas de Capital
Imobilizado Ajustes de Avaliação
Intangível Patrimonial
Reservas de Lucros
Ações em Tesouraria
Prejuízos Acumulados
PLANO DE CONTAS
O Plano de Contas é composto por contas SINTÉTICAS e
contas ANALÍTICAS.

Algumas contas SINTÉTICAS foram pré-definidas pela legislação.

1. ATIVO Sintética
Lei 6.404/76
1.1 Ativo Circulante Sintética
1.1.01 Disponibilidades Sintética Usos e
1.1.01.001 Caixa Analítica
Costumes

Sintéticas são contas que se Subdividem em Subcontas.


PLANO DE CONTAS

O detalhamento do plano de contas deverá ser diretamente


proporcional à complexidade das operações da entidade e
dos requisitos de informação a ela aplicáveis.

Algumas entidades reguladoras, como ANS, BACEN,


SUSEP, dentre outras, podem requerer o uso de um Plano
de Contas específico (padronizado).

O CFC determina que as empresas não devem


necessariamente observar um padrão pré-definido para o
Plano de Contas, exceto se submeterem a órgãos
reguladores.
LANÇAMENTO CONTÁBIL

O lançamento contábil serve para a escrituração dos fatos


contábeis da entidade. Cada operação é objeto de um
lançamento. A escrituração contábil deve ser executada:
- em idioma e em moeda corrente nacionais;
- em forma contábil;
- em ordem cronológica de dia, mês e ano;
- com ausência de espaços em branco, entrelinhas,
borrões, rasuras ou emendas; e
- com base em documentos de origem externa ou interna
ou, na sua falta, em elementos que comprovem ou
evidenciem fatos contábeis.
LANÇAMENTO CONTÁBIL
A escrituração em forma contábil deve conter, no mínimo:
- data do registro contábil;
- conta devedora;
- conta credora;
- histórico;
valor do registro contábil;
- informação que permita identificar, de forma unívoca, todos os
registros que integram um mesmo lançamento contábil.
O registro contábil deve conter o número de identificação do
lançamento em ordem sequencial relacionado ao respectivo
documento de origem externa ou interna ou, na sua falta, em
elementos que comprovem ou evidenciem fatos contábeis.
MÉTODO DAS PARTIDAS DOBRADAS

Os lançamentos, que consistem no registro de fatos


contábeis, são processados com base no método das
partidas dobradas.

O método das partidas dobradas foi citado, pela primeira


vez, em Veneza, na Itália, em 1494, pelo frade franciscano
Luca Pacioli.

Neste método, também conhecido como “digrafia”, a


escrituração é bilateral, ou seja, para todo débito deve haver
pelo menos um crédito.
MÉTODO DAS PARTIDAS DOBRADAS
Na sua origem, o método envolvia apenas uma conta a
crédito e uma a débito. Atualmente um lançamento pode
envolver um ou mais débitos e um ou mais créditos.
Desta forma, observa-se uma das quatro combinações:

O uso deste método permite o controle simultâneo de todos


os elementos patrimoniais e de resultado envolvidos em
cada fato.
DOCUMENTOS CONTÁBEIS

Documentação contábil é aquela que comprova os fatos que


originam lançamentos na escrituração da entidade e compreende
todos os documentos livros, papéis, registros e outras peças, de
origem interna ou externa, que apoiam ou componham a
escrituração.

A documentação contábil é hábil


quando revestida das características
intrínsecas ou extrínsecas essenciais,
definidas na legislação, na técnica-
contábil ou aceitas pelos “usos e
costumes”.
PRINCÍPIOS CONTÁBEIS
Os Princípios de Contabilidade representam a essência das
doutrinas e teorias relativas à Ciência da Contabilidade.
São Princípios de Contabilidade:
- o da ENTIDADE;
- o da CONTINUIDADE;
- o da OPORTUNIDADE;
- o do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL;
- o da COMPETÊNCIA; e
- o da PRUDÊNCIA.
A inobservância dos Princípios de Contabilidade constitui
infração nas alíneas “c”, “d” e “e” do art. 27 do Decreto-Lei
n.º 9.295/46 e, quando aplicável, ao Código de Ética
Profissional do Contabilista.
PRINCÍPIOS CONTÁBEIS – Princípio da Entidade

Sócios Pessoa Jurídica

Fulano

Quotas Integralização de Capital

Beltrano

Quotas
Integralização de Capital
PRINCÍPIOS CONTÁBEIS – Princípio da Entidade

O Princípio da Entidade reconhece o Patrimônio como objeto


da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a
necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no
universo dos patrimônios existentes, independentemente de
pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma
sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade,
com ou sem fins lucrativos. Por consequência, nesta
acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos
seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou
instituição.
PRINCÍPIOS CONTÁBEIS – Princípio da Continuidade

O Princípio da Continuidade pressupõe que a Entidade


continuará em operação no futuro e, portanto, a mensuração
e a apresentação dos componentes do patrimônio levam em
conta esta circunstância.
PRINCÍPIOS CONTÁBEIS – Princípio da Oportunidade

O Princípio da Oportunidade refere-se ao processo de


mensuração e apresentação dos componentes patrimoniais
para produzir informações íntegras e tempestivas.

A falta de integridade e tempestividade


na produção e na divulgação da
informação contábil pode ocasionar a
perda de sua relevância, por isso é
necessário ponderar a relação entre a
oportunidade e a confiabilidade da
informação.
PRINCÍPIOS CONTÁBEIS – Registro pelo Valor Original

Princípio do Registro pelo Valor Original determina que os


componentes do patrimônio devem ser inicialmente
registrados pelos valores originais das transações,
expressos em moeda nacional.
As seguintes bases de mensuração devem ser utilizadas em
graus distintos e combinadas, ao longo do tempo, de
diferentes formas:
- custo histórico;
- variação do custo histórico.
PRINCÍPIOS CONTÁBEIS – Princípio da Competência

O Princípio da Competência determina que os efeitos das


transações e outros eventos sejam reconhecidos nos
períodos a que se referem, independentemente do
recebimento ou pagamento.
O Princípio da Competência pressupõe a simultaneidade da
confrontação de receitas e de despesas correlatas.

É possível possuir lucro sem


possuir saldo em caixa ou banco?!
PRINCÍPIOS CONTÁBEIS – Princípio da Prudência
O Princípio da PRUDÊNCIA determina a adoção do menor
valor para os componentes do ATIVO e do maior para os do
PASSIVO, sempre que se apresentem alternativas igualmente
válidas para a quantificação das mutações patrimoniais que
alterem o patrimônio líquido.

O Princípio da Prudência pressupõe o emprego de certo grau


de precaução no exercício dos julgamentos necessários às
estimativas em certas condições de incerteza, no sentido de
que ativos e receitas não sejam superestimados e que
passivos e despesas não sejam subestimados, atribuindo
maior confiabilidade ao processo de mensuração e
apresentação dos componentes patrimoniais.
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

As demonstrações contábeis são as extraídas dos registros


e documentos que compõem o sistema contábil de qualquer
tipo de entidade.
O objetivo das demonstrações contábeis é fornecer
informações sobre a posição patrimonial e financeira, o
desempenho e as mudanças na posição financeira da
entidade, que sejam úteis a um grande número de usuários
em suas avaliações e tomadas de decisão econômica.
Demonstrações contábeis preparadas de acordo com os
preceitos contábeis atendem às necessidades comuns da
maioria dos usuários.
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

Existem diversos tipos de demonstrações, sendo as principais:


- Balanço Patrimonial (BP);
- Demonstração do Resultado do Exercício (DRE);
- Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA);
- Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL);
- Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC);
- Demonstração dos Resultados Abrangentes (DRA);
- Demonstração do Valor Adicionado (DVA).

Porém, algumas podem ser exigidas ou não dependendo do tipo da


empresa: Sociedade Anônima, Sociedade de Grande Porte ou
Pequenas e Médias Empresas.
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS – Sociedades Anônimas
Conforme disciplinam os artigos 176 e 177 da Lei 6.404/76,
com alterações da Lei 11.638/07, as Sociedades Anônimas
ao fim de cada exercício social deverão elaborar as
seguintes demonstrações financeiras:
- balanço patrimonial;
- demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados;
- demonstração do resultado do exercício; e
- demonstração dos fluxos de caixa; e
- se companhia aberta, demonstração do valor adicionado.

As demonstrações de cada exercício serão publicadas com a


indicação dos valores correspondentes das demonstrações
do exercício anterior.
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS – Grande Porte

O artigo 3º da Lei 11.638/07 determina que se aplique às


sociedades de grande porte, ainda que NÃO constituídas
sob a forma de sociedades por ações, as disposições da Lei
6.404/76, sobre escrituração e elaboração de demonstrações
financeiras.

Considera-se de grande porte a sociedade ou conjunto de


sociedades sob controle comum que tiver, no exercício social
anterior, ativo total superior a R$ 240.000.000,00 (duzentos e
quarenta milhões de reais) ou receita bruta anual superior a
R$ 300.000.000,00 (trezentos milhões de reais).
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
Pequenas e Médias Empresas
As PMEs enquadradas na NBC TG 1000, aprovada pela
Resolução CFC 1.255/09, deverão apresentar o conjunto
completo de demonstrações contábeis da entidade, que
deverá incluir todas as seguintes demonstrações:
- balanço patrimonial ao final do período;
- demonstração do resultado do período de divulgação;
- demonstração do resultado abrangente;
- demonstração das mutações do patrimônio líquido;
- demonstração dos fluxos de caixa;
- notas explicativas.
BALANÇO PATRIMONIAL

O Balanço Patrimonial é a demonstração financeira (contábil)


destinada a evidenciar, quantitativa e qualitativamente, em
uma determinada data, a posição patrimonial e financeira da
entidade.

Ele é formado por duas partes: ativo


e passivo, sendo que no ativo
encontram-se os bens e os direitos,
enquanto no passivo encontram-se
as obrigações e o patrimônio líquido.
BALANÇO PATRIMONIAL
O BP deve apresentar, no mínimo, as seguintes contas:
- caixa e equivalentes de caixa;
- clientes e outros recebíveis;
- estoques;
- ativos financeiros;
- total de ativos classificados como disponíveis para venda;
- ativos biológicos;
- investimentos avaliados pelo MEP;
- propriedades para investimento;
- imobilizado;
- intangível;
BALANÇO PATRIMONIAL

- contas a pagar comerciais e outras;


- provisões;
- obrigações financeiras;
- obrigações e ativos relativos à tributação corrente;
- impostos diferidos ativos e passivos;
- obrigações associadas a ativos à disposição para venda;
- participação de não controladores apresentada de forma
destacada dentro do patrimônio líquido; e
- capital integralizado e reservas e outras contas atribuíveis
aos proprietários da entidade.
BALANÇO PATRIMONIAL

Tradicionalmente o balanço patrimonial é apresentado em


uma forma gráfica “T” (forma horizontal), onde do lado
esquerdo encontram-se os elementos do ativo e do lado
direito o passivo:
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
A DRE é um relatório contábil destinado a evidenciar a
composição do resultado formado em determinado período
de operações da entidade.
A DRE deve, no mínimo, incluir as seguintes rubricas:
- receitas;
- custo dos produtos, das mercadorias ou dos serviços
vendidos;
- lucro bruto;
- despesas com vendas, gerais, administrativas e outras
despesas e receitas operacionais;
- parcela dos resultados de empresas investidas reconhecida
por meio do método de equivalência patrimonial;
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
- resultado antes das receitas e despesas financeiras
- despesas e receitas financeiras;
- resultado antes dos tributos sobre o lucro;
- despesa com tributos sobre o lucro;
- resultado líquido das operações continuadas;
- valor líquido dos seguintes itens:
- resultado líquido após tributos das operações
descontinuadas;
- resultado após os tributos decorrente da mensuração ao
valor justo menos despesas de venda ou na baixa dos
ativos ou do grupo de ativos à disposição para venda que
constituem a unidade operacional descontinuada;
- resultado líquido do período;
DEMOSNTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO

A DRE é apresentada somente de forma vertical, conforme


exemplo a seguir:
DEMONSTRAÇÃO DE LUCROS OU PREJUÍZOS
ACUMULADOS
A DLPA é um relatório que tem por finalidade evidenciar a
destinação do lucro líquido apurado no final de cada exercício
social. A DLPA discriminará:
- o saldo do início do período, os ajustes de exercícios anteriores e
a correção monetária do saldo inicial;
- as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício;
- as transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos
lucros incorporada ao capital e o saldo ao fim do período.

Como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas


os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da
retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e
que não possam ser atribuídos a fatos subsequentes.
DEMONSTRAÇÃO DE LUCROS OU PREJUÍZOS
ACUMULADOS
A DLPA também é apresentada de forma vertical conforme
modelo:
DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO
LÍQUIDO

A DMPL é um relatório contábil que visa evidenciar as


variações ocorridas em todas as contas que compõem o
Patrimônio Líquido em um determinado período.
A DMPL é elaborada com colunas que representam as
contas do Patrimônio Líquido, e linhas que representam as
transações ocorridas e que devem ser evidenciadas com
relação a cada conta (coluna) do patrimônio.
A DMPL possui a seguinte estrutura:
DEMONSTRAÇÃO DOS RESULTADOS ABRANGENTES

A DRA apresenta as receitas, despesas e outras mutações que


afetam o patrimônio líquido, mas que não foram reconhecidas
ainda na DRE, conforme disposição de Pronunciamentos,
Interpretações e Orientações que regulam a atividade contábil.
A DRA pode ser apresentada dentro da DMPL, ou através de
relatório próprio. O CPC sugere que se faça uso da
apresentação na DMPL.
Quando apresentada em demonstrativo próprio, a DRA tem
como valor inicial o resultado líquido do período apurado na
DRE, seguido dos outros resultados abrangentes, conforme
estrutura mínima para a Demonstração do Resultado
Abrangente estabelecida pelo CPC 26:
DEMONSTRAÇÃO DOS RESULTADOS ABRANGENTES
DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA

A DFC é um relatório contábil que tem por finalidade


evidenciar as transações ocorridas em um determinado
período e que provocaram modificações no saldo da conta
Caixa e Equivalentes de Caixa.
A DFC é uma demonstração sintetizada dos fatos
administrativos que alteram o caixa e equivalentes de caixa
durante um determinado período.
A Demonstração dos Fluxos de Caixa compreende o fluxo
das atividades operacionais, dos financiamentos e dos
investimentos, e pode ser elaborada através do método
direto ou indireto.
DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO

A DVA é um relatório contábil que evidencia o quanto de


riqueza uma empresa produziu, isto é, quanto ela adicionou
de valor aos seus fatores de produção, e o quanto e de que
forma essa riqueza foi distribuída (entre empregados,
governo, acionistas, financiadores de capital) bem como a
parcela retida na empresa para reinvestimento.

A DVA evidencia a riqueza econômica produzida pela


empresa em determinado exercício.
DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO

A partir da DVA das empresas pode-se obter, dentre outras,


as seguintes principais informações:
a) a contribuição da empresa na formação do Produto
Interno Bruto (PIB);
b) o nível de contribuição de uma empresa para a riqueza
regional ou setorial;
c) verificar a contribuição da empresa à sociedade em geral
através de pagamentos de impostos ao governo;
d) as empresas podem medir o nível de participação da mão-
de-obra na geração de sua riqueza.
O modelo a seguir apresentado deve ser entendido como indicativo, e
um maior detalhamento, em nome da maior transparência, poderá ser
utilizado:
NOTAS EXPLICATIVAS

As notas explicativas são exigidas pelo § 4º do art. 176 da


Lei 6.404/76 e pela Resolução CFC 1.255/09. Portanto, as
notas explicativas são obrigatórias para as Sociedades
Anônimas, de Grande Porte, e Pequenas e Médias
Empresas.

As notas explicativas são esclarecimentos que visam


complementar as demonstrações contábeis e informar os
critérios contábeis utilizados pela empresa, a composição de
saldos e determinadas contas, os métodos de depreciação,
os principais critérios de avaliação dos elementos
patrimoniais, dentre outros
LIVROS CONTÁBEIS E COMERCIAIS

Os livros contábeis mais conhecidos são: Livro Diário, Livro


Razão, Caixa e Contas Correntes. Enquanto os livros
principais, diário e razão, registram todos os fatos contábeis em
um determinado período, os livros auxiliares, caixa e contas
corrente, registram apenas alguns fatos contábeis.

O Livro Diário é obrigatório e exigido pelo


Código Civil. No Livro Diário devem ser
lançadas, em ordem cronológica, com
individualização, clareza e referência ao
documento probante, todas as operações
ocorridas, e quaisquer outros fatos que
provoquem variações patrimoniais.
CASOS PRÁTICOS
CASOS PRÁTICOS

Para fins didáticos serão explanados


alguns conceitos para cada tópico
abordado, e os respectivos exemplos
de lançamentos contábeis.

Nos exemplos práticos não serão abordados os métodos


de valor justo, impairment, ajuste a valor presente,
aplicáveis sobre ativos e passivos, tendo em vista que o
estudo a que esse curso se propõe é de conhecimento
básico da contabilidade.
LANÇAMENTOS DE ABERTURA DE EMPRESA
Para as empresas desenvolverem suas atividades, é preciso
que estejam devidamente constituídas e legalizadas. Para
isto, é necessário o registro dos atos constitutivos, pelo
menos nos seguintes órgãos:
- Junta Comercial do Estado (Empresas Mercantis);
- Cartório do Registro Civil de Pessoas Jurídicas (Empresas
Não Mercantis);
- Receita Federal;
- Secretaria do Estado da Fazenda;
- Prefeitura do Município de jurisdição da empresa;
- Previdência Social;
- Delegacia Regional do Trabalho.
LANÇAMENTOS DE ABERTURA DE EMPRESA

Após o registro na Junta Comercial ou Cartório, conforme o


caso deverá ocorrer os lançamentos contábeis de abertura
da empresa. Os primeiros lançamentos contábeis a serem
escriturados no Livro Diário são aqueles referentes aos fatos
que ocorreram na fase de constituição das empresas.

Existem dois momentos distintos: o primeiro quando ocorre a


subscrição do capital social, e o segundo pela efetiva
integralização em dinheiro ou em bens. Estes dois
momentos devem ser registrados de forma segregada.
LANÇAMENTOS DE ABERTURA DE EMPRESA
Considere que em 05/01/2011 a empresa Ecológica Comércio e
Projetos de Móveis Ltda. tenha inscrito JUCESC o seu contrato
social. No contrato social, os sócios Fulano da Silva e Beltrano de
Souza, deliberaram pela subscrição de R$ 100.000,00 que seria
integralizado no ato em moeda corrente. O Contrato Social foi
homologado na JUCESC em 05/01/2011. O sócio Fulano da Silva
integralizou R$ 70.000,00 e o sócio Beltrano de Souza R$
30.000,00. Com isso o capital social ficou composto:
LANÇAMENTOS DE ABERTURA DE EMPRESA
1) Portanto, para a constituição da empresa, serão necessários os
seguintes lançamentos contábeis:

D – Capital Social Subscrito a Integralizar (PL) ...... R$ 70.000,00 *


D – Capital Social Subscrito a Integralizar (PL) ....... R$ 30.000,00 **
C – Capital Social Subscrito (PL) ............................ R$ 100.000,00
* Hst: Pela subscrição do capital da Sociedade Ecológica Comércio e
Projetos de Móveis Ltda., conforme contrato devidamente arquivado
na Junta Comercial, sob n° 12.345, em 05/01/2011, por subscrição de
70 quotas de Fulano da Silva.

** Hst: Pela subscrição do capital da Sociedade Ecológica Comércio e


Projetos de Móveis Ltda., conforme contrato devidamente arquivado
na Junta Comercial, sob n° 12.345, em 05/01/2011, por subscrição de
30 quotas de Beltrano de Souza.
LANÇAMENTOS DE ABERTURA DE EMPRESA

2) Pela integralização do Capital Social em dinheiro:

D – Caixa (AC) ......................................................... R$ 100.000,00


C – Capital Social Subscrito a Integralizar (PL)...... R$ 70.000,00 *
C – Capital Social Subscrito a Integralizar (PL) ..... R$ 30.000,00 **

* Hst: Pela realização de 70 quotas subscritas e integralizadas em


moeda corrente, pelo sócio quotista Fulano da Silva, conforme
contrato social arquivado na Junta Comercial.

** Hst: Pela realização de 30 quotas subscritas e integralizadas


em moeda corrente, pelo sócio quotista Beltrano de Souza,
conforme contrato social arquivado na Junta Comercial.
LANÇAMENTOS DE ABERTURA DE EMPRESA

3) Pela abertura da conta corrente no Banco Alfa S/A:

D – Banco Conta Movimento – Banco Alfa S/A (AC) .... R$ 100.000,00


C – Caixa (AC) ............................................................. R$ 100.000,00
Hst: Pela abertura da conta corrente bancária n° 55, com depósito
inicial correspondente ao total das quotas integralizadas, conforme
comprovante de depósito n° 987.654.

Utilizando o método de lançamentos através de razonetes, têm-se:


LANÇAMENTOS DE ABERTURA DE EMPRESA

Com isso, a empresa Ecológica Comércio e Projetos de Móveis


Ltda. apresenta o seguinte Balanço de Abertura em 05/01/2011:
COMPRA DE MERCADORIAS PARA REVENDA

As operações que envolvem a compra para revenda de


mercadorias constituem a atividade principal de empresas
comerciais. Para compreensão destas operações é
necessário conhecimento de alguns conceitos básicos:

 Compra
 Nota Fiscal
 Venda
 Fatura
 Devolução
 Duplicata
 Desconto Incondicional
 Aceite de Duplicata
 Transferência de Mercadorias
 Nota Fiscal – Fatura
 Consignação
COMPRA DE MERCADORIAS PARA REVENDA

Nas operações de compra de mercadorias para revenda, as


empresas comerciais necessitam de alguns resultados para
fins gerenciais como os valores das compras brutas, as
compras líquidas, o valor das mercadorias disponíveis para
venda, o custo das mercadorias vendidas (CMV), o valor das
vendas brutas (VB) e das vendas líquidas (VL) e o resultado
com mercadorias.

Esses resultados podem ser obtidos matematicamente


através de fórmulas ou contabilmente através dos
lançamentos escriturados
COMPRA DE MERCADORIAS PARA REVENDA
Matematicamente podem ser utilizadas as seguintes fórmulas:

Compras Brutas = Valor da Compra +IPI – ICMS – PIS* – COFINS*

Compras Líquidas = CB + Fretes + Seguros – Dedução

Mercadorias Disp. Venda = Estoque Inicial + Compras Líquidas

CMV = Estoque Inicial + Compras Líquidas – Estoque Final

Vendas Líquidas = Vendas Brutas – Deduções

Resultado Com Mercadorias = VL - CMV


COMPRA DE MERCADORIAS PARA REVENDA
A contabilidade permite acesso a todos estes dados através dos
lançamentos efetuados nos razonetes e no livro diário. Porém, é
necessário que exista um controle adequado das operações que
envolvem estoques e custo das mercadorias.

Este controle pode ser feito de duas maneiras periodicamente ou


continuamente.
COMPRA DE MERCADORIAS PARA REVENDA
Em 06/01/2011 a empresa Ecológica Comércio e Projetos de
Móveis Ltda. adquiriu 6 mesas e 4 armários de madeira de
demolição. Cada mesa custou R$ 420,00, e os armários R$
570,00 cada, totalizando uma compra de R$ 4.800,00 que foi paga
à vista.
1) Pelo registro das mercadorias adquiridas para revenda:

D – Estoque (AC) ........................................................ R$ 4.800,00


C – Banco Conta Movimento (AC) .............................. R$ 4.800,00
Hst: Nota Fiscal n 2.336 da Vende Mais S/A.

Na hipótese de aquisição ocorrer à prazo a contrapartida da conta


“Estoque” seria “Fornecedores” no Passivo Circulante ou Não-
Circulante, conforme o caso.
COMPRA DE MERCADORIAS PARA REVENDA

Para o recebimento das mesas e armários a empresa Ecológica


Comércio e Projetos de Móveis Ltda. desembolsou um total de R$
300,00 para que a Transportadora Rápida Ltda. efetuasse o
transporte das mercadorias do fornecedor até o seu
estabelecimento.

2) Pelo registro do frete na compra:

D – Estoque (AC) .......................................................... R$ 300,00


C – Banco Conta Movimento (AC) ................................ R$ 300,00

Hst: Pagamento da NF n° 555 da Transportadora Rápida Ltda.


referente ao frete das mercadorias sob NF n° 2.336.
COMPRA DE MERCADORIAS PARA REVENDA

Nestas operações a empresa Ecológica Comércio e Projetos


de Móveis Ltda. apresenta os seguintes razonetes:
CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS NA AQUISIÇÃO DE
MERCADORIAS PARA REVENDA
Nas operações de aquisição de mercadorias para revenda, é
comum nas empresas comerciais, haver crédito de ICMS e
em alguns casos de PIS e COFINS.

Quanto ao PIS e COFINS as empresas sujeitas ao regime


não-cumulativo das contribuições poderão usufruir de
créditos na forma estabelecida na Lei 10.637/02 e Lei
10.833/03.

Já as empresas sujeitas ao regime cumulativo previsto na


Lei 9.718/98 não terão direito a crédito de PIS e COFINS em
suas aquisições.
CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS NA AQUISIÇÃO DE
MERCADORIAS PARA REVENDA

O ICMS é considerado um imposto não cumulativo, ou seja,


o valor do imposto pago em uma operação é compensado no
valor do imposto a pagar na operação subsequente.
CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS NA AQUISIÇÃO DE
MERCADORIAS PARA REVENDA
O IPI é considerado também um imposto não cumulativo.
Porém, somente será aplicada a não-cumulatividade na
aquisição de matérias-primas ou de outros produtos
aplicados na produção.
Na contabilização de aquisições de matérias-primas por
empresas industriais deverá ser observada a mesma
sistemática de lançamentos do ICMS.
Para fins do estudo a que este curso se propõe, não
haverá hipóteses de crédito de IPI, tendo em vista que
serão abordadas as operações efetuadas por empresas
comerciais e prestadoras de serviços.
CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS NA AQUISIÇÃO DE
MERCADORIAS PARA REVENDA
Continuando o exemplo anterior, considere que nas aquisições
efetuadas pela empresa Ecológica Comércio e Projetos de Móveis
Ltda as mercadorias adquiridas para revenda possuem direito a
crédito de ICMS no percentual de 17% sobre o valor total da
aquisição.

3) Pelo registro do crédito de ICMS sobre as mercadorias


adquiridas para revenda:

D – ICMS a Recuperar (AC) .......................................... R$ 816,00


C – Estoque (AC) ........................................................... R$ 816,00
Hst: Crédito de 17% de ICMS s/ Nota Fiscal n 2.336 da Vende
Mais S/A.
CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS NA AQUISIÇÃO DE
MERCADORIAS PARA REVENDA
O lançamento de aquisição de mercadoria com direito a crédito
pode ocorrer através de lançamento aberto:

D – Estoque (AC) ........................................................ R$ 3.984,00


D – ICMS a Recuperar (AC) ....................................... R$ 816,00
C – Banco Conta Movimento (AC) .............................. R$ 4.800,00

Os créditos de IPI, PIS e COFINS sobre as


mercadorias adquiridas, que a empresa possuir
direito, tem o mesmo critério de lançamento
demonstrado acima.
DEVOLUÇÃO DE COMPRAS

As devoluções de compras consistem na devolução total ou


parcial das mercadorias adquiridas, tendo em vista fatos
desconhecidos no momento da compra, como avarias no
transporte, incompatibilidade com o pedido efetuado, ou
quaisquer outros fatores que não atendam as expectativas
do adquirente.

Continuando o exemplo anterior, considere que quando do


recebimento das mesas e armários a empresa observou que
uma mesa estava em desacordo com o pedido. Portanto
efetuou a devolução da mesa e obteve o recebimento à vista
do valor pago para a sua aquisição.
DEVOLUÇÃO DE COMPRAS
O valor bruto da mesa adquirida representa R$ 420,00, porém
houve o lançamento do crédito de ICMS, que representa R$ 71,40
relativamente a esta unidade. Com isso a empresa emitiu uma
nota fiscal de devolução de R$ 420,00 com destaque de ICMS
devido no valor de R$ 71,40.

4) Pelo lançamento da devolução de compra com o registro do


ICMS:

D - Banco Conta Movimento (AC) ............................... R$ 420,00


C – Estoque (AC) ........................................................ R$ 348,60
C – ICMS a Pagar (PC) ............................................... R$ 71,40
Hst: Devolução de parte da compra efetuada do fornecedor Vende
Mais S/A. conforme NF n° 001.
DEVOLUÇÃO DE COMPRAS
Após estes lançamentos nas operações de aquisição a empresa
Ecológica Comércio e Projetos de Móveis Ltda. apresentou os
seguintes razonetes:
VENDA DE MERCADORIAS
As vendas de mercadorias representam a principal fonte de
receita para empresas comerciais. As vendas, assim como as
compras, podem ser efetuadas à vista ou a prazo. Na hipótese de
vendas à prazo deverá observar que além da emissão de nota
fiscal deverá emitir a fatura.
Em 10/02/2011 foram efetuadas vendas à vista de 2 mesas e de 4
armários. As mesas foram vendidas por R$ 600,00 cada, e os
armários por R$ 750,00 cada. O total da Nota Fiscal emitida foi de
R$ 4.200,00.
1) Pelo lançamento da Nota Fiscal de Venda:
D – Banco Conta Movimento (AC) ............................. R$ 4.200,00
C – Receita de Vendas (Resultado) ........................... R$ 4.200,00
Hst: Venda efetuada conforme Nota Fiscal n° 001.
VENDA DE MERCADORIAS
Quando há o lançamento da receita auferida, deve haver o
lançamento dos custos das unidades revendidas.
Considere que a empresa Ecológica após os cálculos do custo
através da média ponderada tenha obtido um CMV de R$ 377,37
para cada mesa revendida e de R$ 512,14 para cada armário
revendido.
O CMV total é de R$ 2.803,30 [(377,37 x 2) + (512,14 x 4)].

2) Pelo lançamento do custo da mercadoria revendida:

D – Custo das Mercadorias Vendidas (Resultado) ..... R$ 2.803,30


C – Estoque (AC) ........................................................ R$ 2.803,30
Hst: Custo das Mercadorias Revendidas sob Nota Fiscal n° 001.
TRIBUTOS INCIDENTES NA VENDA E MERCADORIAS

Consideram-se tributos incidentes sobre as vendas os


impostos, as taxas e contribuições, que guardem
proporcionalidade com o preço da venda efetuada ou dos
serviços prestados, ainda que o montante do referido tributo
integre a sua própria base de cálculo.

Nas operações efetuadas por empresas comerciais são


devidos, normalmente, ICMS, PIS e COFINS (no regime
cumulativo ou não-cumulativo).
Lembre-se do Princípio da Competência: os registros dos
custos e despesas devem ocorrer no mesmo momento em que
as receitas são auferidas e contabilizadas!!!
TRIBUTOS INCIDENTES NA VENDA E MERCADORIAS
Continuando o exemplo da operação de venda, faz-se necessário,
em 10/02/2011, o reconhecimento dos tributos incidentes sobre a
venda.

Considerando que a Ecológica Comércio e Projetos de Móveis


Ltda. é tributada pelo Lucro Presumido, e sujeita ao Regime
Cumulativo de PIS e COFINS, serão devidos 0,65% de PIS e 3%
de COFINS sobre a receita bruta auferida. É devido também 17%
de ICMS.

Para fins didáticos será adotado o percentual de 17% para ICMS


para toda a resolução do exemplo proposto na apostila. Portanto,
como a venda foi no valor total de R$ 4.200,00 o ICMS devido na
operação de venda representa R$ 714.00.
TRIBUTOS INCIDENTES NA VENDA E MERCADORIAS
3) Pelo reconhecimento do ICMS devido:
D – ICMS (Resultado – Redutora da Receita Bruta) ...... R$ 714,00
C – ICMS a Pagar (PC) .................................................. R$ 714,00
Hst: ICMS sobre venda conforme Nota Fiscal n° 001

4) Pelo reconhecimento do PIS devido:


D – PIS (Resultado – Redutora da Receita Bruta) .......... R$ 27,30
C – PIS a Pagar (PC) ...................................................... R$ 27,30
Hst: PIS sobre venda conforme Nota Fiscal n° 001

5) Pelo reconhecimento do COFINS devido:


D – COFINS (Resultado – Redutora da Receita Bruta) . R$ 126,00
C – COFINS a Pagar (PC) ............................................. R$ 126,00
Hst: COFINS sobre venda conforme Nota Fiscal n° 001
DEVOLUÇÃO DE VENDAS
Na devolução de venda, a mercadoria que foi entregue ao
comprador por ele é devolvida, em virtude de algum problema,
seja ele defeito, avaria ou por não estar de acordo com o pedido.

Desta forma considere que um armário revendido em 10/02/2011


tenha sido devolvido pelo cliente. Com isso a empresa Ecológica
deverá efetuar os seguintes registros:

6) pela devolução da mercadoria:

D – Devoluções de Vendas (Red. da RB - Resultado) ... R$ 750,00


C – Banco Conta Movimento (AC) ................................. R$ 750,00
Hst: Devolução de mercadoria conforme nota fiscal e entrada n°
002.
DEVOLUÇÃO DE VENDAS
7) Pelo estorno do custo das mercadorias:
D – Estoque (AC) ........................................................... R$ 512,14
C – Custo das Mercadorias Vendidas (Resultado) ........ R$ 512,14
Hst: Estorno do CMV por devolução de mercadoria conforme nota
fiscal e entrada n° 002.

8) Pelo ICMS a Recuperar nesta operação:


D – ICMS a Recuperar (AC) .......................................... R$ 127,50
C – ICMS (Red. da Receita Bruta - Resultado) ............. R$ 127,50
Hst: ICMS a Recuperar sobre devolução de mercadoria conforme
nota fiscal e entrada n° 002.
Após os registros da venda a empresa Ecológica Comércio e
Projetos de Móveis Ltda. apresentou os seguintes razonetes:
SERVIÇOS PRESTADOS COM RETENÇÃO DE IMPOSTOS
E CONTRIBUIÇÕES
Nas operações de serviços, assim como na contabilização
de operações comerciais, devem ser apurados os custos
inerentes a estas operações, bem como os tributos
incidentes sobre a receita bruta de prestação de serviços.

A legislação tributária determina em muitas situações a


retenção de IRRF, de ISS, de INSS, e de PIS/COFINS/CSLL.

A retenção na fonte representa uma antecipação do imposto


devido pelo prestador de serviços. Via de regra, a
responsabilidade pela retenção e pelo pagamento compete à
fonte pagadora (tomador de serviços).
SERVIÇOS PRESTADOS COM RETENÇÃO DE IMPOSTOS
E CONTRIBUIÇÕES

As retenções “sofridas” por serem “antecipações” do imposto


devido, são normalmente deduzidas dos tributos devidos
pelo prestador.

No período de apuração de cada


tributo o prestador deverá calcular os
tributos próprios e posteriormente
deduzir as retenções sofridas na
condição de prestador.
SERVIÇOS PRESTADOS COM RETENÇÃO DE IMPOSTOS
E CONTRIBUIÇÕES
Em 10/02/2011 também foram prestados serviços a empresa
“Bem Feito Indústria de Móveis Ltda”. A empresa Bem Feito
Indústria de Móveis Ltda. solicitou a Ecológica Comércio e
Projetos de Móveis Ltda. a elaboração de um projeto de móveis
que pudessem utilizar madeira de demolição.

A empresa “Ecológica” cobrou pela prestação de serviços R$


30.000,00 que recebeu a vista.

Sobre a Nota Fiscal de prestação de serviços a empresa “Bem


Feito” efetuou a retenção de 5% de ISS, 1,5% de IRRF, e 4,65%
de PIS, COFINS e CSLL (0,65% de PIS, 3% de COFINS e 1% de
CSLL).
SERVIÇOS PRESTADOS COM RETENÇÃO DE IMPOSTOS
E CONTRIBUIÇÕES

Com isso a Nota Fiscal de Prestação de serviços contêm as


seguintes informações:
SERVIÇOS PRESTADOS COM RETENÇÃO DE IMPOSTOS
E CONTRIBUIÇÕES
1) Pelo reconhecimento da receita bruta de prestação de serviços
e as devidas retenções:

D – Banco Conta Movimento (AC) ......................... R$ 26.655,00


D – ISS a Recuperar (AC) ...................................... R$ 1.500,00
D – IRRF a Recuperar (AC) .................................... R$ 450,00
D – PIS a Recuperar (AC) ....................................... R$ 195,00
D – COFINS a Recuperar (AC) ............................... R$ 900,00
D – CSLL a Recuperar (AC) .................................... R$ 300,00
C – Receita de Prestação de Serviços (R) ............. R$ 30.000,00

Hst: Serviços Prestados a Bem Feito Indústria de Móveis Ltda,


conforme Nota Fiscal de Prestação de Serviços n° 001.
Após estes registros a empresa ecológica apresentou os
seguintes razonetes:
SERVIÇOS TOMADOS COM RETENÇÃO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES

Quando a empresa encontra-se na condição de tomadora


dos serviços, deve observar quais tributos deverá efetuar a
retenção.

Como o recolhimento pelo tomador se dá por


responsabilidade tributária, e não por obrigação própria, os
tributos cuja retenção é efetuada pelo tomador não serão
passíveis de dedução dos tributos próprios.

Portanto é importante diferenciar tomador de prestador:


SERVIÇOS TOMADOS COM RETENÇÃO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES
Tomador de Serviços: Quem contrata o serviço, e fica responsável
pelo pagamento do valor líquido da prestação em decorrência das
retenções efetuadas. Os tributos cujas retenções foram efetuadas
deverão ser recolhidos pelo próprio tomador aos cofres públicos. A
retenção na fonte sem o devido recolhimento aos cofres públicos
representa apropriação indébita. Tomador de Serviços e Fonte
Pagadora possuem o mesmo significado.

Prestador de Serviços: Quem é contratado para executar serviços,


e recebe o valor líquido da prestação em decorrência das
retenções sofridas. Os tributos cujas retenções foram sofridas na
fonte serão passíveis de dedução dos tributos próprios devidos,
tendo em vista que foram recolhidos de forma antecipada pelo
tomador.
SERVIÇOS TOMADOS COM RETENÇÃO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES
Em 20/02/2011 a empresa Ecológica Comércio e Projetos de
Móveis Ltda. tomou serviços e limpeza da empresa Limpa
Bem Ltda. e ficou obrigado a efetuar as seguintes retenções:
SERVIÇOS TOMADOS COM RETENÇÃO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES
1) Pelo reconhecimento da despesa com a prestação de serviços
e as devidas retenções:

D – Serviços Tomados de PJ (Despesas Gerais – R) R$ 8.000,00


C – INSS Retido a Pagar (PC) ................................... R$ 880,00
C – IRRF a Pagar (PC) ............................................... R$ 80,00
C – PIS/COFINS/CSLL Retido a Pagar (PC) .............. R$ 372,00
C – Banco Conta Movimento (AC) .............................. R$ 6.668,00

Hst: Serviços Tomados da Limpa Bem Ltda, conforme Nota Fiscal


de Prestação de Serviços n° 066.

Com isso, a empresa apresentou os seguintes razonetes:


COMPRA DE IMOBILIZADO
Considera-se imobilizado “os direitos que tenham por objeto
bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da
companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade,
inclusive os decorrentes de operações que transfiram à
companhia os benefícios, riscos e controle desses bens”.

O ativo imobilizado é composto exclusivamente por contas


representativas de bens corpóreos (tangíveis), como
materiais de uso da empresa (móveis, utensílios, veículos,
computadores, dentre outros), como por bens naturais objeto
de exploração pela empresa (jazidas de carvão, ferro, dentre
outros), e bens arrendados pela empresa (bens de posse da
empresa, porém de propriedade de terceiros).
COMPRA DE IMOBILIZADO

A contabilização de bens arrendados através de arrendamento


mercantil financeiro (leasing financeiro) como imobilizado é uma
novidade trazida pela convergência das Normas Internacionais
de Contabilidade.

Os bens corpóreos classificados no ativo imobilizado estão


sujeitos a depreciação ou a exaustão. As contas de depreciação
ou exaustão devem figurar no balanço patrimonial e no plano de
contas como redutora da conta que ensejou tal registro.

O registro da depreciação ou exaustão deverá ocorrer através


de laudo técnico que estime a vida útil e econômica do bem, na
forma estabelecida pela Resolução CFC 1.136/08.
COMPRA DE IMOBILIZADO

Em 10/01/2011 a empresa Ecológica Comércio e Projetos de


Móveis Ltda. adquire através de financiamento um veículo no valor
de R$ 50.000,00, que deverá ser pago em 20 parcelas, iguais e
sucessivas, de R$ 2.700,00 a partir de 10/02/2011.

1) Pelo registro da aquisição do veículo através de financiamento:

D – Veículos - Imobilizado (AñC) ............................. R$ 50.000,00


D – Encargos Financeiros a Apropriar (PC – Red.) . R$ 4.000,00
C – Financiamento a Pagar (PC) ............................. R$ 54.000,00
Hst: Aquisição de Veículo X, placa n° 4466, através de
financiamento em 20 parcelas com Banco Alfa S/A, conforme
contrato n° 237.
COMPRA DE IMOBILIZADO

Na operação de aquisição de bem para o imobilizado poderá


haver crédito de ICMS, PIS e COFINS no regime não cumulativo.
Nesta situação o valor a ser debitado no imobilizado será líquido
dos créditos legalmente aceitos, e haverá um registro a débito
para cada conta de tributo a recuperar.

2) Pelo registro do pagamento da 1° parcela em 10/02/2011

D – Financiamento a Pagar ................................. R$ 2.700,00


C – Banco Conta Movimento (AC) ...................... R$ 2.700,00

Hst: Pagamento da parcela 1/20 do financiamento do Veículo X


com Banco Alfa S/A, conforme contrato n° 237.
COMPRA DE IMOBILIZADO

3) Pelo registro em 10/02/2011 da apropriação de 1/20 avos do


encargo financeiro sobre o financiamento:

D – Despesa de Juros (Resultado) ................................. R$ 200,00


C – Encargos Financeiros a Apropriar (PC – Red.) ........ R$ 200,00

Hst: Despesas de juros sobre financiamento do Veículo X com


Banco Alfa S/A, conforme contrato n° 237.

Mensalmente deverão ser efetuados os lançamentos de


pagamento do financiamento e da apropriação de 1/20 avos do
encargo financeiro.
COMPRA DE IMOBILIZADO

4) Pela apropriação mensal da depreciação, considerando que o


laudo tenha estimado uma vida útil de 10 anos:

D – Despesa de Depreciação (Resultado) ..................... R$ 416,67


C – Depreciação Acumulada (AñC) ................................ R$ 416,67

Hst: Pelo registro mensal da depreciação conforme laudo de vida


útil e econômica do bem.

O valor da depreciação foi obtido através da multiplicação do valor


de R$ 50.000,00 x 10% a.a = R$ 5.000,00 e pela divisão deste por
12 meses, R$ 5.000,00 / 12 = R$ 416,67.
VENDA DE IMOBILIZADO
Após três anos a empresa Ecológica Comércio e Projetos de
Móveis Ltda. decidiu vender o automóvel que havia adquirido por
R$ 50.000,00. A venda foi efetuada pelo valor de R$ 43.000,00.

Pela alienação do imobilizado a empresa deverá efetuar os


registros de baixa do bem e da respectiva depreciação
acumulada.

1) Pela baixa do bem:


D – Ganhos ou Perdas de Capital (Resultado) ........ R$ 50.000,00
C – Veículos - Imobilizado (AñC) ............................. R$ 50.000,00

Hst: Baixa do bem do imobilizado conforme venda efetuada


através do contrato n° 45 e NF n° 099.
VENDA DE IMOBILIZADO
2) Pela baixa da depreciação acumulada:

D – Depreciação Acumulada (AñC) ......................... R$ 15.000,00


C – Ganhos ou Perdas de Capital (Resultado) ......... R$ 15.000,00
Hst: Baixa da depreciação do bem do imobilizado conforme venda
efetuada através do contrato n° 45 e NF n° 099.

3) Pelo recebimento do valor da venda:

D – Banco Conta Movimento (AC) ............................ R$ 43.000,00


C – Ganhos ou Perdas de Capital (Resultado) ........ R$ 43.000,00
Hst: Baixa do bem do imobilizado conforme venda efetuada
através do contrato n° 45 e NF n° 099.
VENDA DE IMOBILIZADO
Desta forma a empresa apresentou os seguintes razonetes após
conclusão da alienação do bem:
FOLHA DE SALÁRIOS
A Folha de Salários é o documento que deve ser elaborado, ao
final de cada mês, por todas as entidades que possuem
funcionários, indicando seus nomes com cargo, função ou o
serviço prestado, o valor bruto dos salários, os descontos, o valor
das quotas do salário-família e o valor líquido que cada um tem a
receber. Portanto, os itens essenciais em uma folha de salários
são:
- Salário Bruto;
- INSS os funcionários (dedução do salário bruto);
- INSS Patronal (não é dedução do salário bruto);
- IRRF (dedução do salário bruto);
- FGTS (não é dedução do salário bruto);
- Salário Líquido dos funcionários.
FOLHA DE SALÁRIOS
Além dos descontos essenciais poderá constar na folha de
salários outros descontos como:

- Pensão Alimentícia;
- Empréstimos consignados;
- Seguros de vida;
- Contribuições sindicais;
- Adiantamentos salariais;
- Previdência Privada;
- outros.
FOLHA DE SALÁRIOS

Embora, oficialmente não exista um modelo padrão, a


emissão da folha de salários é obrigatória para efeito de
fiscalização trabalhista e previdenciária.
Para compreensão da forma correta de lançamento da folha
de salários, é necessário o entendimento do princípio da
competência, tendo em vista que na maioria das entidades o
pagamento do salário ocorre no mês seguinte ao mês
trabalhado.
Desta forma, os lançamentos da folha deverão ocorrer no
último dia do mês trabalhado, com base nos cálculos
efetuados na folha de pagamento de salários, mesmo que o
pagamento só se concretize no mês seguinte.
FOLHA DE SALÁRIOS
O registro da folha deve ser efetuado em duas etapas. A 1º etapa
refere-se ao registro da folha no mês trabalhado, e a 2º etapa
refere-se aos registros dos pagamentos para liquidação da folha.

Considere que a empresa Ecológica ao calcular a folha do mês


03/2011, sendo que possui apenas um funcionário com cargo de
vendedor, tenha apresentado os seguintes valores:
FOLHA DE SALÁRIOS  1° ETAPA – Registro da Folha

1) Pela apropriação das despesas com salários:

D – Salários (Despesas com Pessoal – R) .................. R$ 1.200,00


C – Salários e Ordenados a Pagar (PC) ..................... R$ 1.200,00
Hst: Pela elaboração da folha de salários competência 03/2011.

A conta debitada , intitulada “salários”, poderá fazer parte das


despesas com vendas, despesas administrativas, ou no caso de
empregados da parte produtiva de uma indústria (por exemplo),
fazer parte da formação do custo dos produtos, devendo ser
registrado em “produtos em elaboração”.
FOLHA DE SALÁRIOS  1° ETAPA – Registro da Folha
2) Pelo registro do desconto do INSS parte empregado:

D – Salários e Ordenados a Pagar (PC) ........................ R$ 108,00


C – INSS a Recolher (PC) ............................................. R$ 108,00
Hst: Retenção de 9% de INSS dos empregados conforme folha de
salários competência 03/2011.

3) Pelo registro do INSS patronal:

D – INSS (Despesas com Pessoal – R) ........................ R$ 321,60


C – INSS a Recolher (PC) ............................................. R$ 321,60
Hst: INSS Patronal de 26,8% conforme folha de salários
competência 03/2011.
FOLHA DE SALÁRIOS  1° ETAPA – Registro da Folha

4) Pelo registro do FGTS:

D – FGTS (Despesas com Pessoal – Resultado) ............ R$ 96,00


C – FGTS a Recolher (PC) .............................................. R$ 96,00
Hst: FGTS 8% conforme folha de salários competência 03/2011.

Com isso, encerram-se os procedimentos necessários à


apropriação da folha de pagamento, dentro do mês de sua
competência. Os lançamentos contábeis acima ficam
demonstrados através de razonetes, da seguinte maneira:
FOLHA DE SALÁRIOS  1° ETAPA – Registro da Folha
FOLHA DE SALÁRIOS  2° ETAPA – Registro da Folha

Após a apropriação da folha de salários a empresa deve


efetuar os pagamentos para liquidação da folha.

Isto pode ocorrer dentro do próprio mês de competência,


para aquelas empresas que optam pelo pagamento no último
dia útil do mês trabalhado, ou no mês subsequente em
atendimento a legislação trabalhista.

Via de regra, as empresas efetuam o pagamento no mês


subsequente ao mês trabalhado.
FOLHA DE SALÁRIOS  2° ETAPA – Registro da Folha

Considere que a empresa Ecológica Comércio e Projetos de


Móveis Ltda. efetue o pagamento no 5° dia útil do mês
subsequente ao de competência da folha de pagamento de
salários. Com isso, em abril de 2011 deverá efetuar os seguintes
registros:

5) Pelo pagamento do salário ao José da Silva:

D – Salários e Ordenados a Pagar (PC) ..................... R$ 1.092,00


C – Banco Conta Movimento (AC) .............................. R$ 1.092,00
Hst: Pagamento líquido ao empregado conforme folha de salário
competência 03/2011
FOLHA DE SALÁRIOS  2° ETAPA – Registro da Folha
6) Pelo pagamento do INSS devido:

D – INSS a Recolher (PC) ............................................ R$ 429,60


C – Banco Conta Movimento (AC) ............................... R$ 429,60
Hst: Recolhido conforme Guia da Previdência Social – GPS
competência 03/2011.

7) Pelo pagamento do FGTS devido:

D – FGTS a Recolher (PC) .............................................. R$ 96,00


C – Banco Conta Movimento (AC) ................................... R$ 96,00
Hst: Recolhido conforme Guia de recolhimento do FGTS
competência 03/2011.
FOLHA DE SALÁRIOS  2° ETAPA – Registro da Folha
Depois de concluída a 2° etapa, os lançamentos contábeis acima
ficam demonstrados através de razonetes, da seguinte maneira:

* A conta “Banco” foi demonstrada sem saldo inicial ou final neste exemplo,
apenas para entendimento dos lançamentos de liquidação da folha.
FOLHA DE SALÁRIOS

Após a compreensão dos lançamentos básicos para o registro da


folha de pagamento, podemos avançar para os principais fatos
ocorridos na folha, como:
- o imposto de renda retido na fonte;
- os adiantamentos de salários;
- os descontos de previdência privada;
- plano de saúde;
- pensão alimentícia;
- vale-transporte;
- salário família e salário-maternidade;
- provisão de 13° salário e de férias.
FOLHA DE SALÁRIOS – Exemplo Avançado

Consideremos que a empresa Ecológica Comércio e Projetos de


Móveis Ltda. ao calcular a folha de pagamento de salários do mês
abril de 2011, após contratação de mais dois funcionários,
portanto totalizando três, tenha apresentado os seguintes valores:
FOLHA DE SALÁRIOS – Exemplo Avançado

1) Pela apropriação das despesas com salários:

D – Salários (Despesas com Pessoal – R) .................. R$ 4.600,00


C – Salários e Ordenados a Pagar (PC) ..................... R$ 4.600,00
Hst: Pela elaboração da folha de salários competência 04/2011.

2) Pelo registro do desconto do INSS parte empregado:

D – Salários e Ordenados a Pagar (PC) ...................... R$ 414,00


C – INSS a Recolher (PC) ........................................... R$ 414,00
Hst: Retenção de 9% de INSS dos empregados conforme folha de
salários competência 04/2011.
FOLHA DE SALÁRIOS – Exemplo Avançado

3) Pelo registro do INSS patronal:

D – INSS (Despesas com Pessoal – R) ..................... R$ 1.232,80


C – INSS a Recolher (PC) ........................................... R$ 1.232,80
Hst: INSS Patronal de 26,8% conforme folha de salários
competência 04/2011.

4) Pelo registro do FGTS:

D – FGTS (Despesas com Pessoal – R) ....................... R$ 368,00


C – FGTS a Recolher (PC) ........................................... R$ 368,00
Hst: FGTS 8% conforme folha de salários competência 04/2011.
FOLHA DE SALÁRIOS – Exemplo Avançado
5) Pelo registro do desconto do plano de saúde dos funcionários:

D – Salários e Ordenados a Pagar (PC) ........................ R$ 150,00


C – Plano de Saúde a Pagar (PC) ................................. R$ 150,00
Hst: Desconto do Plano de Saúde conforme folha de salários
competência 04/2011.

Algumas empresas oferecem aos seus empregados planos de


saúde coletivos empresariais. Porém, por acordo entre
empregador e empregados, poderá haver o pagamento integral
pela empresa, quando esta assume o ônus da despesa, poderá
haver pagamento integral pelo funcionário, ou ainda pagamento
parcial (parte empresa, parte empregado).
FOLHA DE SALÁRIOS – Exemplo Avançado
6) Pelo registro do desconto da pensão alimentícia devida pelo
funcionário Pedro Cardoso:

D – Salários e Ordenados a Pagar (PC) ........................ R$ 400,00


C – Pensão Alimentícia a Repassar (PC) ...................... R$ 400,00
Hst: Desconto pensão alimentícia judicial devida por Pedro
Cardoso a Solange Cardoso conforme folha de salários
competência 04/2011.

O artigo 21 da Lei 6.515/77 determina que “para assegurar o


pagamento da pensão alimentícia, o juiz poderá determinar a
constituição de garantia real ou fidejussória”, ou seja, poderá
determinar o desconto da pensão em folha. Desta maneira a empresa
passa a ficar responsável pelo repasse da pensão aos alimentandos.
FOLHA DE SALÁRIOS – Exemplo Avançado
7 ) Pelo registro do desconto do adiantamento de salários:

D – Salários e Ordenados a Pagar (PC) ........................ R$ 200,00


C – Adiantamento de Salários (AC) ............................... R$ 200,00
Hst: Desconto de adiantamento de salário conforme folha de
salários competência 04/2011.

É comum as empresas concederem, uma vez por mês, aos seus


empregados um adiantamento de salário. Quando há
adiantamento de salários a empresa deve efetuar o registro a
crédito na conta caixa ou banco em contrapartida da conta
“adiantamento de salários” no ativo circulante. A conta de
adiantamento de salários deverá ser zerada quando da
apropriação da folha, e do referido desconto do funcionário.
FOLHA DE SALÁRIOS – Exemplo Avançado
8) Pelo desconto do vale-transporte:

D – Salários e Ordenados a Pagar (PC) ........................ R$ 276,00


C – Vale-Transporte (Despesas com Pessoal – R) ........ R$ 276,00
Hst: Compensação equivalente a 6% dos salários dos
empregados conforme folha de salários competência 04/2011.

Como o VT é fornecido de forma antecipada, no momento do


pagamento do referido vale, a empresa deve efetuar um lançamento
a crédito de caixa ou banco em contrapartida da conta de despesa.
Desta forma por ocasião da apropriação das despesas e encargos
com a folha, a parte suportada pelos empregados é recuperada pela
empresa, mediante débito conta “salários e ordenados a pagar” e a
crédito da própria conta de despesa.
FOLHA DE SALÁRIOS – Exemplo Avançado
Os registros da folha foram efetuados através de lançamentos
“fechados” de um débito para um crédito. Porem, opcionalmente
poderá ocorrer os lançamentos da seguinte maneira:

D – Salários (Despesas com Pessoal – R) .................. R$ 4.600,00


C – INSS a Recolher (PC) ............................................ R$ 414,00
C – Plano de Saúde a Pagar (PC) ............................... R$ 150,00
C – Pensão Alimentícia a Repassar (PC) .................... R$ 400,00
C – Adiantamento de Salários (AC) ............................. R$ 200,00
C – Vale-Transporte (Despesas com Pessoal – R) ...... R$ 276,00
C – Salários e Ordenados a Pagar (PC) ..................... R$ 3.160,00
Hst: folha de salários competência 04/2011.
FOLHA DE SALÁRIOS – Provisão 13º Salário
O 13° salário, ou gratificação natalina, é um direito do trabalhador,
e é recebido em duas parcelas: a primeira poderá ser paga junto
com as férias do empregado, nos meses de fevereiro a novembro
ou no máximo até o dia 30 de novembro e a segunda no mês de
dezembro até o dia 20.
Caso o trabalhador seja demitido ou desligado durante o ano, terá
direito ao 13º salário proporcional ao número de meses que esteve
à disposição do empregador.
Como o empregado faz jus a 1/12 avos do seu salário a título de
13° salário para cada mês trabalhado a empresa deverá registrar
mensalmente a apropriação deste encargo, e o direito do
funcionário. O lançamento desta provisão atende ao princípio
contábil da competência.
FOLHA DE SALÁRIOS – Provisão 13º Salário
O cálculo da provisão corresponderá ao valor resultante da
multiplicação de 1/12 avos da remuneração, acrescido dos
encargos sociais cujo ônus cabe à empresa, pelo número de
meses relativos ao período de apuração.
A provisão de décimo terceiro salário será classificada no passivo
circulante, tendo como contrapartida a despesa com décimo
terceiro salário mais encargos (FGTS e INSS – encargo da
empresa), onde por ocasião do pagamento, quer seja por
desligamento do funcionário, que seja por outras razões, baixa-se
a provisão contra disponibilidades.
Em dezembro de cada ano a conta de provisão para 13º deverá
ter saldo zero, visto que o mesmo deverá ser quitado até o dia 20
de dezembro de cada ano, conforme determina a legislação.
FOLHA DE SALÁRIOS – Provisão 13º Salário
A empresa Ecológica Comércio e Projetos de Móveis Ltda. deverá
efetuar os seguintes registros com relação a provisão de 13°
salários relativa a abril de 2011:

1) Pela provisão da parcela devida aos empregados:

D – 13° Salário (Despesas com Pessoal – R) ............... R$ 383,33


C – Provisão para 13º Salário (PC) ................................ R$ 383,33
Hst: Provisão 13° salário que se constitui conforme folha de
salários competência 04/2011.

Como o salário bruto dos funcionários da empresa Ecológica


Comércio e Projetos de Móveis Ltda. foi de R$ 4.600,00 em abril
de 2011, a provisão será de R$ 4.600,00 /12 = R$ 383,33
FOLHA DE SALÁRIOS – Provisão 13º Salário

2) Pela provisão do INSS sobre 13° salário:

D – INSS s/ Provisão de 13º Salário (Resultado) ......... R$ 102,73


C – INSS s/ Provisão de 13º Salário (PC) ..................... R$ 102,73
Hst: Provisão INSS parte empresa de 26,8% s/ 13° salário
conforme folha de salários competência 04/2011.

Sobre o valor de R$ 383,33 de provisão de 13° devem ser


calculados 26,8% para fins de provisão do INSS parte empresa a
pagar. Portanto, R$ 383,33 x 26,8% = 102,73.
FOLHA DE SALÁRIOS – Provisão 13º Salário

3) Pela provisão do FGTS sobre o 13° salário:

D – FGTS s/ Provisão de 13º Salário (Resultado) ............ R$ 30,67


C – FGTS s/ Provisão de 13º Salário (PC) ....................... R$ 30,67
Hst: Provisão FGTS conforme folha de salários competência
04/2011.

Sobre o valor de R$ 383,33 de provisão de 13° devem ser


calculados 8% para fins de provisão do FGTS. Portanto, R$
383,33 x 8% = 30,67.

Após os registros da provisão de 13° salário a empresa Ecológica


Comércio e Projetos de Móveis Ltda. apresenta os seguintes
razonetes:
FOLHA DE SALÁRIOS – Provisão 13º Salário
FOLHA DE SALÁRIOS – Provisão 13º Salário
Com a provisão mensal do 13° salário, mês a mês, a empresa irá
considerar como despesas a parcela devida aos empregados
adicionada dos encargos e acumulará a obrigação do passivo, nas
contas que registram as respectivas provisões.
Se a empresa efetuar aumento de salário no decorrer do ano terá
que recalcular a provisão de 13° salário.
Quando houver o pagamento da 1° parcela de 13° salário a
empresa deverá efetuar o registro a crédito de caixa ou banco em
contrapartida a “adiantamento de 13° salário” no ativo circulante.
Quando do pagamento da 2° parcela em dezembro a conta de
“adiantamento de 13° salário” será zerada contra a conta de
“provisão para 13º salário” no passivo circulante, para liquidação
do saldo contabilizado na conta de provisão.
FOLHA DE SALÁRIOS – Provisão de Férias
Conforme dispõe a legislação trabalhista do nosso país, todo
empregado, após cada período de 12 meses trabalhados,
terá direito a um mês de férias regulamentares, observado o
limite de faltas estabelecidas na CLT.
No mês do gozo das férias o empregado receberá o salário
como se estivesse trabalhando. Desta forma, aplicando-se o
princípio da competência, se faz necessário o registro de
1/12 avos, mês a mês, relativo ao valor de 30 dias de férias a
serem pagos ao funcionário.
Esta provisão contempla a inclusão dos gastos incorridos
com a remuneração de férias proporcionais e dos encargos
sociais, cujo ônus cabe à empresa.
FOLHA DE SALÁRIOS – Provisão de Férias

Quanto à classificação contábil, a provisão de férias será


classificada no passivo circulante, tendo como contrapartida
a despesa com férias mais encargos (FGTS e INSS -
encargo da empresa), devida até a data do fechamento do
período.
FOLHA DE SALÁRIOS – Provisão de Férias

Com isso a empresa Ecológica Comércio e Projetos de


Móveis Ltda. efetuou os seguintes cálculos de provisão de
férias no mês de abril de 2011:
FOLHA DE SALÁRIOS – Provisão de Férias
1) Pelo registro da provisão de férias:

D – Férias (Despesas com Pessoal – R) ........................ R$ 511,11


C – Provisão para Férias (PC) ........................................ R$ 511,11
Hst: Provisão Férias que se constitui conforme folha de salários
competência 04/2011

2) Pela provisão do INSS sobre férias:

D – INSS s/ Provisão de Férias (R) ............................... R$ 136,98


C – INSS s/ Provisão de Férias (PC) ............................. R$ 136,98
Hst: Provisão INSS s/ Férias que se constitui conforme folha de
salários competência 04/2011
FOLHA DE SALÁRIOS – Provisão de Férias

3) Pela provisão do FGTS sobre férias:

D – FGTS s/ Provisão de Férias (R) ................................. R$ 40,89


C – FGTS s/ Provisão de Férias (PC) .............................. R$ 40,89
Hst: Provisão FGTS s/ Férias que se constitui conforme folha de
salários competência 04/2011

As contas de provisões de férias no passivo circulante


permanecerão com saldo até a devida liquidação das férias.
Quanto as contas de resultado, deverão ser “zeradas” contra a
conta de resultado do exercício ao final de cada exercício social.
FOLHA DE SALÁRIOS – Provisão de Férias

Após os registros da provisão férias a empresa Ecológica


apresenta os seguintes razonetes:
PROVISÃO PARA IRPJ E CSLL

As pessoas jurídicas de modo geral, com exceção das


imunes ou isentas do imposto de renda, devem tributar sobre
o lucro obtido o IRPJ e CSLL, por uma das seguintes formas:
- Simples Nacional;
- Lucro Presumido;
- Lucro Real
- Lucro Arbitrado.
No lucro real a apuração do IRPJ e
CSLL é efetuada com base no lucro
fiscal, ou seja, no lucro contábil
ajustado pelas adições e exclusões
previstas na legislação tributária.
PROVISÃO PARA IRPJ E CSLL

No lucro presumido a base de cálculo é obtida através da


aplicação do percentual de presunção previsto na legislação
tributária sobre a receita bruta auferida.
O lucro arbitrado é aplicado, via de regra, quando constatado
infração à legislação do imposto de renda pelo contribuinte
sujeito ao lucro presumido ou real.
No Simples Nacional, as microempresas e empresas de
pequeno porte, poderão na forma estabelecida na LC
123/06, efetuar o pagamento unificado de IRPJ, CSLL, PIS,
COFINS, CPP, ICMS e IPI sobre a receita bruta mensal
auferida.
PROVISÃO PARA IRPJ E CSLL

As pessoas jurídicas tributadas pelo Simples Nacional


deverão efetuar o registro dos tributos unificados na forma
do DAS (Documento de Arrecadação do Simples) da
seguinte forma:

D – Despesas Tributárias (Resultado)


C – Simples Nacional a Pagar (PC)
PROVISÃO PARA IRPJ E CSLL

As demais empresas devem reconhecer contabilmente o


encargo com o IRPJ e CSLL no próprio período da
ocorrência do lucro a que se referem, em contas de
resultado, mesmo quando seja devido em período
subsequente ao de sua apuração e da declaração fiscal.

O artigo 184 da Lei 6.404/76 determina que “as obrigações,


encargos e riscos, conhecidos ou calculáveis, inclusive IR a
pagar com base no resultado do exercício, serão
computados pelo valor atualizado até a data do balanço”.
Este entendimento aplica-se também com relação à CSLL.
PROVISÃO PARA IRPJ E CSLL
Portanto, o lançamento da provisão para a CSLL ficaria
demonstrado da seguinte forma:

D – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (Resultado)


C – Provisão para a CSLL (PC)

Já o lançamento da provisão para o IRPJ ficaria demonstrado:

D – Imposto de Renda (Resultado)


C – Provisão para o IRPJ (PC)

Na DRE estas contas de resultado do IRPJ e CSLL apresentam-se


logo após todas as despesas operacionais e das “outras receitas e
despesas” e anteriormente ao “resultado antes do imposto de
renda e contribuição social”.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS E DIVIDENDOS
Dividendo é a remuneração atribuída aos sócios em função do
capital aplicado na sociedade.

Para fins das Sociedades por Ações o dividendo deverá ser pago,
salvo deliberação em contrário da assembléia geral, no prazo de
60 (sessenta) dias da data em que for declarado e, em qualquer
caso, dentro do exercício social (Art. 205, § 3° da Lei 6.404/76).

O Código Civil não fixa um prazo máximo para as demais


sociedades pagarem os respectivos dividendos.

O sócio participa dos lucros e das perdas, na proporção das


respectivas quotas” e “é nula a estipulação contratual que exclua
qualquer sócio de participar dos lucros e das perdas”.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS E DIVIDENDOS

Os lucros apurados no Balanço Patrimonial podem ser


distribuídos, com isenção de imposto de renda.

O lucro distribuído só será considerado como tributável para o


imposto de renda, caso sua origem não seja comprovada pela
contabilidade da pessoa jurídica.

- LUCRO REAL

Para as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda


através do Lucro Real configuram-se como isentos os lucros ou
dividendos calculados com base nos resultados apurados na
escrituração contábil.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS E DIVIDENDOS
- LUCRO PRESUMIDO

A pessoa jurídica tributada pelo IR com base no lucro presumido,


poderá distribuir lucro independentemente de apuração de lucro
pela contabilidade. Partindo da base de cálculo do IR, deduz-se os
impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica
(IRPJ, CSSL, PIS e COFINS) onde o resultado é o valor do lucro a
distribuir, isento do imposto de renda na fonte.

É condição para esta regra que a distribuição ocorra após o


encerramento do trimestre de apuração (art. 48 da IN SRF nº
93/97 e ADN COSIT nº 4/96).
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS E DIVIDENDOS
Para melhor entendimento, segue exemplo, do cálculo e apuração
do lucro a distribuir, com base no lucro presumido:
Pessoa Jurídica Prestadora de Serviços

Receita bruta de prestação de serviços................... R$ 100.000,00


% aplicável sobre a receita com a prestação de serviços .. x 32 %
Base de cálculo do IRPJ........................................... R$ 32.000,00
( - ) IRPJ, CSSL, PIS e COFINS .............................. R$ 9.530,00
Lucro presumido deduzido dos impostos................. R$ 22.470,00

Neste exemplo, poderá ser distribuído, a título de lucro isento do


imposto de renda na fonte o valor de R$ 22.470,00.
A pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido poderá
distribuir lucros ou dividendos de resultados apurados através de
escrituração contábil.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS E DIVIDENDOS
- SIMPLES NACIONAL

Os lucros das MEs e EPPs poderão ser distribuídos de forma


isenta desde que observado o cálculo (abaixo) ou o lucro contábil.

EPP com Atividade de Comércio

Receita da EPP com atividade comercial de R$ 1.250.000,00 ano.


IRPJ Devido Simples: 0,46% x 1.250.000,00 = R$ 5.750,00
Limite Distribuição lucros: (8% x R$ 1.250.000,00) = R$ 100.000,00
Lucros Isentos a Distribuir: R$ 100.000,00 - R$ 5.750,00 = R$ 94.250,00
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS E DIVIDENDOS

- RESTRIÇÕES PARA DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS

Conforme determina o artigo 889, do RIR/99 (Decreto nº.


3.000/99), as pessoas jurídicas, enquanto estiverem em
débito, não garantidos, por falta de recolhimento de
impostos no prazo legal, não poderão:

a) distribuir quaisquer bonificações a seus acionistas;


b) dar ou atribuir participação de lucros a seus sócios ou
quotistas, bem como a seus diretores e demais membros de
órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS E DIVIDENDOS
Considere que a empresa Ecológica Comércio e Projetos de
Móveis Ltda. tenha apurado um lucro contábil no exercício de
2010 de R$ 50.000,00. O Contrato Social da empresa prevê a
distribuição de lucros através da regra geral, ou seja, através do
percentual de participação de cada sócio:

Com isso, os sócios da empresa Ecológica deliberaram em


assembléia em 30/04/2011 pela distribuição integral dos lucros
apurados no exercício anterior.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS E DIVIDENDOS
1) Pelo lançamento dos lucros a distribuir:
D – Lucro Líquido do Exercício (PL) ..................... R$ 50.000,00
C – Lucros a Distribuir – Sócio Fulano (PC) ......... R$ 35.000,00
C – Lucros a Distribuir – Sócio Beltrano (PC) ....... R$ 15.000,00
Hst: Lucros a distribuir com base no lucro do exercício conforme
deliberação em assembléia.

2) Pelo pagamento dos lucros a distribuir ao fulano:


D – Lucros a Distribuir – Sócio Fulano (PC) .......... R$ 35.000,00
C – Banco Conta Movimento (AC) ......................... R$ 35.000,00
Hst. Pela distribuição de lucros ao sócio Fulano da Silva conforme
comprovante de transferência n° 004.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS E DIVIDENDOS

3) Pelo pagamento dos lucros a distribuir ao fulano:


D – Lucros a Distribuir – Sócio Beltrano (PC) ........ R$ 15.000,00
D – Banco Conta Movimento (AC) ......................... R$ 15.000,00
Hst. Pela distribuição de lucros ao sócio Beltrano de Souza
conforme comprovante de transferência n° 005.
LANÇAMENTOS DE BAIXA DA EMPRESA
O encerramento por dissolução de uma sociedade ocorre por
vários motivos, dentre os quais se destaca: expiração do prazo
contratual, a deliberação dos sócios, a falência, dentre outros..
Resolvida a questão quanto à dissolução da sociedade, a
pessoa jurídica entra em fase de liquidação.
Após a conclusão da liquidação, ela será extinta.
Portanto, observam-se três etapas:
LANÇAMENTOS DE BAIXA DA EMPRESA

O primeiro passo para a liquidação, via de regra, é o


levantamento de inventário e a elaboração de um balanço
inicial de liquidação do período entre 1° de janeiro do ano-
calendário em curso (ou a data de início de atividade) até a
data em que os sócios decidirem pela liquidação.

Na contabilidade, o encerramento de uma empresa consiste


em converter os bens e direitos (ativo) em dinheiro, saldar as
obrigações com terceiros (passivo) e restituir aos sócios a
parte que cabe a cada um no Patrimônio Líquido
remanescente, se houver.
LANÇAMENTOS DE BAIXA DA EMPRESA

Considere a empresa "Encerra e Liquida Tudo Ltda.",


formada por dois sócios, cada um com 50% de participação
na sociedade, que decidem pela sua dissolução.

A dissolução foi decidida no encerramento do ano de 2010,


de modo que o balanço “normal” levantado em 31/12/10
serve também como balanço de início da liquidação.

O Balanço Patrimonial da Encerra e Liquida Tudo Ltda. é o


seguinte:
LANÇAMENTOS DE BAIXA DA EMPRESA
LANÇAMENTOS DE BAIXA DA EMPRESA
Com isso, no processo de liquidação foram efetuadas as
seguintes operações:
- recebimento de R$ 13.000,00 registrados em duplicatas a
receber;
- venda à vista dos estoques de mercadorias por R$ 15.000,00;
- impostos incidentes sobre as vendas de R$ 3.000,00;
- venda à vista de móveis e utensílios por R$ 16.500;

Após a realização do ativo e o pagamento do passivo, apurou-


se o resultado da liquidação, encerrando-se todas as contas de
receita e de despesas em contrapartida a uma conta transitória,
que se denominou “Apuração do Resultado da Liquidação”.
LANÇAMENTOS DE BAIXA DA EMPRESA
Com isso a empresa “Encerra e Liquida Tudo Ltda” apresentou a
seguinte demonstração do resultado e balanço patrimonial antes
da liquidação:
LANÇAMENTOS DE BAIXA DA EMPRESA
Para a conclusão da liquidação, deve ser aberta uma conta no
Passivo Circulante intitulada "Conta Corrente dos Sócios" ou
semelhante, para receber os lançamentos de transferência das
contas do Patrimônio Líquido, que será extinto, proporcionalmente
à participação de cada sócio (50%).

1) Lançamentos de transferência do Capital Social para o Conta


Corrente Sócios:
D – Capital Social (PL) .............................................. R$ 16.000,00
C – Conta Corrente Sócios – Sócio A (PC) ............... R$ 8.000,00
C – Conta Corrente Sócios – Sócio B (PC) .............. R$ 8.000,00
Hst: Encerramento das contas do Patrimônio Liquido conforme
apuração do Balanço Patrimonial para Liquidação.
LANÇAMENTOS DE BAIXA DA EMPRESA

2) Lançamentos de transferência dos Prejuízos Acumulados para


o Conta Corrente Sócios:
D – Conta Corrente Sócios – Sócio A (PC) ................ R$ 3.000,00
D – Conta Corrente Sócios – Sócio B (PC) ................ R$ 3.000,00
C – Prejuízos Acumulados (PL) ................................... R$ 6.000,00
Hst: Encerramento das contas do Patrimônio Liquido conforme
apuração do Balanço Patrimonial para Liquidação
LANÇAMENTOS DE BAIXA DA EMPRESA

3) Lançamentos de transferência do Resultado da Liquidação


para o Conta Corrente Sócios:
D – Resultado da Liquidação (PL) ............................... R$ 2.000,00
C – Conta Corrente Sócios – Sócio A (PC) ................ R$ 1.000,00
C – Conta Corrente Sócios – Sócio B (PC) ................ R$ 1.000,00
Hst: Encerramento das contas do Patrimônio Liquido conforme
apuração do Balanço Patrimonial para Liquidação
LANÇAMENTOS DE BAIXA DA EMPRESA

4) Pelo pagamento dos haveres dos sócios, será debitado a


Conta Corrente Sócios e creditado as contas do Ativo Circulante
remanescentes, o que concluirá a liquidação do ativo e do
passivo da empresa Encerra e Liquida Tudo Ltda.:

D – Conta Corrente Sócios – Sócio A (PC) .............. R$ 5.000,00


D – Conta Corrente Sócios – Sócio B (PC) ............. R$ 5.000,00
C – Banco Conta Movimento (AC) ........................... R$ 10.000,00

Hst: Encerramento da conta Banco pela devolução dos haveres


aos sócios conforme apuração do Balanço Patrimonial para
Liquidação
LANÇAMENTOS DE BAIXA DA EMPRESA
5) Pelo pagamento dos haveres dos sócios, será debitado a Conta
Corrente Sócios e creditado as contas do Ativo Circulante
remanescentes, o que concluirá a liquidação do ativo e do passivo
da empresa Encerra e Liquida Tudo Ltda.:

D – Conta Corrente Sócios – Sócio A (PC) ............... R$ 1.000,00


D – Conta Corrente Sócios – Sócio B (PC) ............... R$ 1.000,00
C – Caixa (AC) ........................................................... R$ 2.000,00
Hst: Encerramento da conta Caixa pela devolução dos haveres
aos sócios conforme apuração do Balanço Patrimonial para
Liquidação.
Após efetuados os lançamentos para encerramento da empresa,
foram apresentados os seguintes razonetes:
Para a conclusão da liquidação, deve ser aberta uma conta no Passivo Circulante intitulada "Conta Corrente dos Sócios" ou semelhante, para receber os lançamentos de tr
Após efetuados os lançamentos para encerramento da empresa Encerra e Liquida Tudo Ltda., foram apresentados os seguintes razonetes:
Agradeço a participação de todos!

Juliana Maurilia Martins – Instrutora

E-mail para dúvidas relacionadas ao curso:


consultoria.ir1@itcnet.com.br

Fone: (48) 3205-2200