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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA

DE PERNAMBUCO - CAMPUS CARUARU

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA MECÂNICA

ROTEIRO – PASSO A PASSO DO DIMENSIONAMENTO DE UM SISTEMA


DE GERAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE VAPOR COM APLICAÇÃO
INDUSTRIAL

Caruaru, 14 de dezembro de 2017


RENAN WESNEY DOMINGOS ELIAS

ROTEIRO – PASSO A PASSO DO DIMENSIONAMENTO DE UM SISTEMA DE


GERAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE VAPOR COM APLICAÇÃO INDUSTRIAL

Projeto destinado a avaliação de Geração e


Distribuição de Vapor, como uma cadeira do
Bacharelado de Engenharia Mecânica,
orientada pelo Prof. Igor Silveira.

Caruaru, 2017
1- INTRODUÇÃO

Tendo em vista a grande eficácia da implementação de sistemas de geração e


distribuição de vapor nas indústrias atuais, gera-se a necessidade de existir um roteiro
sobre a engenharia deste processo. Devido ao número elevado de componentes do
sistema, assim como tipos e contas atreladas a estes, necessita-se de uma espécie de guia
de bolço que permita a facilitação em campo do sistema. Gerando assim, uma demanda
da elaboração de um facilitador no dimensionamento de sistemas de distribuição e
geração de vapor em meios industriais.

Nesse sentido, o objetivo geral desta pesquisa é: mostrar o passo a passo de como
se deve escolher, e demonstrar as opções existentes, dos componentes de sistemas de
geração e distribuição de vapor.

Sendo o objetivo específico: Criar um roteiro sobre o dimensionamento de um


sistema de geração e distribuição de vapor.

Essa aplicação se justifica devido ao fato de que este roteiro permitiria facilitar o
acesso a conteúdo científico em campo, possibilitando o correto dimensionar de um
sistema de geração e distribuição de vapor, com menos custos de tempo, e menor
possibilidade de erro.

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2- O DIMENSIONAMENTO

2.1 - Normas

A NR 13 estabelece requisitos mínimos para gestão da integridade estrutural de


caldeiras a vapor, vasos de pressão e suas tubulações de interligação nos aspectos
relacionados à instalação, inspeção, operação e manutenção, visando à segurança e à
saúde dos trabalhadores.

Logo, todo o dimensionamento e escolhas devem ser, primordialmente, baseados


no cumprimento desta norma. Colocaremos aqui os principais temas referentes a esta.

13.4.1 Caldeiras a vapor - disposições gerais (Principais tópicos)

13.4.1.1 Caldeiras a vapor são equipamentos destinados a produzir e acumular


vapor sob pressão superior à atmosférica, utilizando qualquer fonte de energia, projetados
conforme códigos pertinentes, excetuando-se refervedores e similares.

13.4.1.2 Para os propósitos desta NR, as caldeiras são classificadas em 3 (três)


categorias, conforme segue:
a) Caldeiras da categoria A são aquelas cuja pressão de operação é igual ou
superior a 1960 kPa (19,98 kgf/cm2);
b) Caldeiras da categoria C são aquelas cuja pressão de operação é igual ou
inferior a 588 kPa (5,99 kgf/cm2) e o volume interno é igual ou inferior a 100 l
(cem litros);
c) Caldeiras da categoria B são todas as caldeiras que não se enquadram nas
categorias anteriores.

13.4.1.3 As caldeiras devem ser dotadas dos seguintes itens:

a) Válvula de segurança com pressão de abertura ajustada em valor igual ou


inferior a PMTA, considerados os requisitos do código de projeto relativos a
aberturas escalonadas e tolerâncias de calibração;
b) Instrumento que indique a pressão do vapor acumulado;
c) Injetor ou sistema de alimentação de água independente do principal que evite
o superaquecimento por alimentação deficiente, acima das temperaturas de

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projeto, de caldeiras de combustível sólido não atomizado ou com queima em
suspensão;
d) Sistema dedicado de drenagem rápida de água em caldeiras de recuperação de
álcalis, com ações automáticas após acionamento pelo operador;
e) Sistema automático de controle do nível de água com intertravamento que evite
o superaquecimento por alimentação deficiente.

As caldeiras também devem ter uma TAG, Prontuário e Registros de Segurança


que devem estar completos e de fácil acesso e visualização.

13.4.2.3 Quando a caldeira for instalada em ambiente aberto, a área de caldeiras


deve satisfazer aos seguintes requisitos:

a) Estar afastada de, no mínimo, 3,0 m (três metros) de:


- Outras instalações do estabelecimento;
- Depósitos de combustíveis, excetuando-se reservatórios para partida com até
2000 l (dois mil litros) de capacidade;
- Do limite de propriedade de terceiros;
- Do limite com as vias públicas;
b) Dispor de pelo menos 2 (duas) saídas amplas, permanentemente desobstruídas,
sinalizadas e dispostas em direções distintas;
c) Dispor de acesso fácil e seguro, necessário à operação e à manutenção da
caldeira, sendo que, para guarda-corpos vazados, os vãos devem ter dimensões
que impeçam a queda de pessoas;
d) Ter sistema de captação e lançamento dos gases e material particulado,
provenientes da combustão, para fora da área de operação atendendo às normas
ambientais vigentes;
e) Dispor de iluminação conforme normas oficiais vigentes;
f) Ter sistema de iluminação de emergência caso opere à noite.

13.4.2.4 Quando a caldeira estiver instalada em ambiente fechado, a casa de


caldeiras deve satisfazer os seguintes requisitos:

a) Constituir prédio separado, construído de material resistente ao fogo, podendo


ter apenas uma parede adjacente a outras instalações do estabelecimento, porém
com as outras paredes afastadas de, no mínimo, 3,0 m (três metros) de outras
instalações, do limite de propriedade de terceiros, do limite com as vias públicas

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e de depósitos de combustíveis, excetuando-se reservatórios para partida com até
2000 l (dois mil litros) de capacidade;
b) Dispor de pelo menos 2 (duas) saídas amplas, permanentemente desobstruídas,
sinalizadas e dispostas em direções distintas;
c) Dispor de ventilação permanente com entradas de ar que não possam ser
bloqueadas;
d) Dispor de sensor para detecção de vazamento de gás quando se tratar de caldeira
a combustível gasoso;
e) Não ser utilizada para qualquer outra finalidade;
f) Dispor de acesso fácil e seguro, necessário à operação e à manutenção da
caldeira, sendo que, para guarda-corpos vazados, os vãos devem ter dimensões
que impeçam a queda de pessoas;
g) Ter sistema de captação e lançamento dos gases e material particulado,
provenientes da combustão, para fora da área de operação, atendendo às normas
ambientais vigentes;
h) Dispor de iluminação conforme normas oficiais vigentes e ter sistema de
iluminação de emergência.
Para maiores informações, como procedimentos de operação, controle e testes,
vide a NR13 em sua forma integral.

13.5 Vasos de Pressão

Deve-se utilizar os seguintes vazos de pressão para as seguintes características


mostradas na figura 01.

Figura 1 - Foto de tabela da NR 13 no sub-tópico de vasos de pressão. NR13.

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13.5.1.3 Os vasos de pressão devem ser dotados dos seguintes itens:

a) Válvula ou outro dispositivo de segurança com pressão de abertura ajustada em


valor igual ou inferior à PMTA, instalado diretamente no vaso ou no sistema que
o inclui, considerados os requisitos do código de projeto relativos a aberturas
escalonadas e tolerâncias de calibração;

b) Meios utilizados contra o bloqueio inadvertido de dispositivo de segurança


quando este não estiver instalado diretamente no vaso;

c) Instrumento que indique a pressão de operação, instalado diretamente no vaso


ou no sistema que o contenha.

Os vasos de pressão também devem ter uma TAG, Prontuário e Registros de


Segurança que devem estar completos e de fácil acesso e visualização.

Maiores informações sobre segurança, procedimentos e controle, vide a NR13 em


sua plenitude.

13.6.1 Tubulações - Disposições Gerais

13.6.1.1 As empresas que possuem tubulações e sistemas de tubulações


enquadradas nesta NR devem possuir um programa e um plano de inspeção que
considere, no mínimo, as variáveis, condições e premissas descritas abaixo:

a) Os fluidos transportados;
b) A pressão de trabalho;
c) A temperatura de trabalho;
d) Os mecanismos de danos previsíveis;
e) As consequências para os trabalhadores, instalações e meio ambiente trazidas
por possíveis falhas das tubulações.

13.6.1.2 As tubulações ou sistemas de tubulação devem possuir dispositivos de


segurança conforme os critérios do código de projeto utilizado, ou em atendimento às
recomendações de estudo de análises de cenários de falhas.

13.6.1.3 As tubulações ou sistemas de tubulação devem possuir indicador de


pressão de operação, conforme definido no projeto de processo e instrumentação.

13.6.1.4 Todo estabelecimento que possua tubulações, sistemas de tubulação ou


linhas deve ter a seguinte documentação devidamente atualizada:

a) Especificações aplicáveis às tubulações ou sistemas, necessárias ao


planejamento e execução da sua inspeção;
b) Fluxograma de engenharia com a identificação da linha e seus acessórios;

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c) PAR em conformidade com os itens 13.3.6 e 13.3.7;
d) Relatórios de inspeção em conformidade com o item 13.6.3.9.
Maiores informações sobre segurança, procedimentos e controle, vide a NR13 em
sua plenitude.

2.2 – PROJETANDO

Alguns passos podem ser definidos para o correto projeto de um sistema de


geração e distribuição de vapor:

 Passo 1
A) Recebimento de dados do cliente:
Da saída de vapor e entrada da água de alimentação desejadas ;
B) Análise de combustível, tipo de caldeira e balanço de calor do sistema
 Passo 2
A) Dimensionamento térmico da caldeira:
Combustão, eficiência, cálculo da saída de vapor, Forno, Passagem traseira e
dimensionamento do ciclone, Cálculo da temperatura do metal, Cálculo de
emissão, Cálculo do aquecedor de ar, etc.
 Passo 3
A) Seleção de material de peças sob pressão e cálculo ASME de stress sob:

Canalização, coletor de tubos, tubulação interna e externa

B) Dimensionamento da fornalha, e forma de circulação do fluido na caldeira


 Passo 4
A) Seleção, cálculo e simulação de peças não-pressurizadas do sistema
B) Cálculo da estrutura de aço
C) Cálculo da elevação da parte pressurizada e etc.
 Passo 5
A) A partir do passo 2, executar a seleção de tubulação externa:

Seleção de material, cálculo ASME, Análise de tensão de tubulação e cálculo de


queda de pressão

 Passo 6
A) Criar arranjo de peças de pressão, iteragindo com os passos 3/4/5

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 Passo 7
A) Criar Arranjo Geral em Iteração de Layout com os passos 3/4/5/6
 Passo 8
A) Criar diagrama P & ID:

Diagrama de vapor / água, Diagrama de gás de combustão, Diagrama de


combustível, Diagrama de calcário e Diagrama de injeção inerte.

 Passo 9
A) Criar uma Lista de Material de Estruturas e Suporte (Parte Não Pressurizada)
 Passo 10
A) Criar uma Lista de Material de calhas e Tubulações (Parte Pressurizada)
 Passo 11
A) Criar desenhos de arranjos e vistas internas de tambor e detalhes de soldagem
 Passo 12
A) Criar Desenho de partes pressurizadas e detalhes de soldagem:

Evaporador, parede de forno, seção de superaquecimento

 Passo 13
A) Criar Desenho de partes não pressurizadas e detalhe de soldagem:

Aço estrutural, revestimento, condicionamento, ciclone, pilha e aquecedor de ar

 Passo 14
A) Dimensionamento e criação de silo de carvão, inerte e pedra calcária (para aquelas
à carvão) (caldeiras a gás, dimensionar sistema de alimentação e queima de GLP
ou GN)
B) Criar desenho e especificação do sistema de silo
 Passo 15 (Apenas para caldeiras a carvão)
A) Criar especificação e calibragem do triturador de carvão e do sistema
B) Criar equipamentos de emissão, saco, coletor de pó (se necessário)
 Passo 16 (para caldeiras à carvão)
A) Criar lista de equipamentos e folha de dados:

Ventiladores de ar primários e secundários, bomba de alimentação, queimador de


inicialização, amortecedor, refrigerador de parafuso de cinza, soprador de
fuligem, sistema de injeção química e etc.

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 Passo 17
A) Criar Lista e folha de dados de Válvulas:

Válvula manual, válvula de bloqueio pneumática, MOV, Válvula de Controle,


Válvula de descarga, sistema de dessuperaquecimento e etc.

 Passo 18
A) Criar lista de instrumentos e folha de dados dos instrumentos:
o Transmissor / medidor de fluxo / pressão / temperatura
o Analisador de gases de combustão e sistema de amostragem
o Amostragem e analisador de água / vapor
B) Criar cotação de material dos tubos e instrumentos de montagem
C) Criar desenho e sistema de cabeamento de material
 Passo 19
A) Conceito de operação e controle da caldeira:

Criar diagrama de controle funcional

Criar diagrama de lógica

Verificar / Iterar com P & ID e equipamento selecionado

 Passo 20
A) Fazer Sistema Elétrico:

Criar cotação de material de eletricidade

Criar desenho e lista de materiais sistema de cabeamento elétrico

 Passo 21
A) Roteamento de tubulação externa e desenho 3-D e Análise de tensão de tubulação
de:
Sistema de tubulação de água de alimentação, sistema de tubulação de vapor,
sistema de tubulação de combustível / inerte / calcário, ducto para gases de
combustão. Fazer iteração com equipamento selecionado.
 Passo 22
A) Tubulação externa: Análise de tensão e suportes, dimensionar sistema de
isolamento de tubulação (desenho), sistema de isolamento revestimento de
encanamento e sistema de ancoragem refratário

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 Passo 23
A) Quanto ao sistema de ancoragem: seleção de materiais, procedimentos de teste e
instalação
 Passo 24

Revisar todos os dados do processo, se os passos estão congruentes entre si.

Nota:

Em geral, como um sistema de caldeira, cada processo e passo precisam ser


verificados e iteragidos com outro processo ou sistema.

A saída de desenho, folha de dados e etc será submetida ao sub-fornecedor para


fabricação ou fornecimento de equipamentos.

O equipamento selecionado deve ser verificado com os dados de projeto, o


processo de iteração é necessário para verificar os dados de projeto comparados aos dados
do fabricante.

2.3 TIPOS

Também é importante frisar aqui os tipos de caldeiras, a fim de se entender o tipo


de projeto que você deverá desenvolver, sendo listado aqui os dez principais tipos:

2.3.1 Caldeiras Flamotubulares

Figura 2 - Caldeira Flamotubular

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As caldeiras flamotubulares são caldeiras montadas com tubos de fogo ou tubos
de fumaça, onde os gases provindos da combustão atravessa a caldeira no interior dos
tubos que estão circundados de água, aquecendo-as com sua passagem.

2.3.2 Caldeiras Verticais

Figura 3 - caldeira vertical

Nas caldeiras verticais os tubos são colocados nessa posição num corpo cilíndrico,
fechado nas extremidades por placas denominadas espelhos. A fornalha, nesse tipo de
caldeira, fica no corpo cilíndrico, logo abaixo do espelho inferior, e os gases sobem
através de tubos, aquecendo e vaporizando a água que está circundando os tubos.
Caldeiras verticais são utilizadas principalmente para combustíveis de baixo teor de calor,
podendo utilizar fornalhas internas e externas.

2.3.3 Caldeiras Horizontais

Figura 4 - Caldeira vertical

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Caldeiras horizontais, que podem ser dos tipos cornuália, lancashire ou as
modernas unidades compactas, são aquelas com tubulações internas colocadas na posição
horizontal, por onde passam os gases quentes. Podem possui de 1 a 4 tubos de fornalha,
sendo as de 3 e 4 fornalhas as mais utilizadas na marinha.

2.3.3.1 Caldeiras Cornuália

Figura 5 - Caldeira cornuália

As caldeiras cornuália consistem de 2 cilindros horizontais unidos por placas


planas. O acionamento é muito simples, porém elas apresentam baixo rendimento. Para
uma superfície de aquecimento de 100 metros quadrados, o que é uma grande dimensão,
a pressão não passa de 10 kg/cm2.

2.3.3.2 Caldeiras Lancashire

Figura 6 - Caldeira Lancashire

Nas caldeiras lancashire pode haver até 4 tubulações internas, com uma superfície
de aquecimento de até 140 metros quadrados, atingindo 18 kg de vapor por metro
quadrado de superfície. É um tipo de caldeira que vem sendo substituído nos últimos anos
por caldeiras mais compactas e modernas.

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2.3.4 Caldeiras Multitubulares de fornalha interna

Figura 7 - Caldeiras Multitubulares de fornalha interna

Multitubulares são os tipos de caldeiras com vários tubos de fumaça, podendo ser
de fogo direto, com os gases percorrendo a caldeira uma única vez, ou tubos de fogo de
retorno, quando os gases da combustão circulam por tubos de retorno. Também podem
ser com tubos de fogo diretos e de retorno, quando os gases passam e voltam pelos tubos.

2.3.5 Caldeiras Multitubulares de fornalha externa

Figura 8 - Caldeira multitubular de fornalha externa

Nesse tipo de caldeira, a fornalha é constituída pela própria alvenaria, que fica
abaixo do corpo cilindro da caldeira, com os gases da combustão entrando em contato
com a base do cilindro e retornando pelos tubos de fogo.

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