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Márcio André Lopes Cavalcante

PROCESSO LEGISLATIVO
Iniciativa de lei que disponha sobre o regime jurídico dos servidores públicos e militares

É inconstitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que disponha sobre o regime


jurídico dos servidores públicos e dos miliares estaduais (seus direitos e deveres).
O art. 61, § 1º, II, “c” e “f”, da CF/88 prevê que compete ao Chefe do Poder Executivo a iniciativa
de lei que trate sobre os direitos e deveres dos servidores públicos e sobre o regime jurídico
dos militares. Essa regra também é aplicada no âmbito estadual por força do princípio da
simetria.
O fato de o Governador do Estado sancionar esse projeto de lei não faz com que o vício de
iniciativa seja sanado (corrigido). A Súmula 5 do STF há muitos anos foi cancelada.
STF. Plenário. ADI 3920/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 5/2/2015 (Info 773).

PROCESSO LEGISLATIVO
Emenda parlamentar em projeto de lei do Poder Executivo

A iniciativa de competência privativa do Poder Executivo não impede a apresentação de


emendas parlamentares, presente a identidade de matéria e acompanhada da estimativa de
despesa e respectiva fonte de custeio.
Assim, é possível que haja emenda parlamentar em um projeto de lei de iniciativa reservada
ao Chefe do Poder Executivo, desde que cumpridos dois requisitos:
a) haja pertinência temática (a emenda não trate sobre assunto diferente do projeto original); e
b) a emenda não acarrete aumento de despesas originalmente previstas (art. 63, I, da CF/88).
STF. Plenário. ADI 3942/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, jugado em 5/2/2014 (Info 773).

SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL


O art. 5º da MP 2.170-36/2001 é formalmente constitucional, não tendo violado o art. 62 da CF

Importante!!!
O art. 5º da MP 2.170-36/2001 permite que haja capitalização de juros com periodicidade
inferior a um ano nas operações realizadas pelas instituições integrantes do Sistema
Financeiro Nacional.
A MP 2.170-36/2001 era impugnada sob a alegação de que o tema “capitalização de juros” não
possuía relevância e urgência, de forma que não poderia ter sido tratado por meio de medida
provisória (art. 62 da CF/88).
O STF, contudo, decidiu que o art. art. 5º da MP 2.170-36/2001 é formalmente constitucional,
não tendo violado o art. 62 da CF/88.

Informativo 773-STF (19/02/2015) – Esquematizado por Márcio André Lopes Cavalcante | 1


Do ponto de vista da relevância, esta estaria presente, considerando que a MP trata sobre a
regulação das operações do Sistema Financeiro, tema de suma importância para a economia
do país.
No que se refere à urgência, a norma foi editada há 15 anos, em um período cuja realidade
financeira era diferente da atual, sendo difícil afirmar com segurança que não havia o
requisito da urgência naquela oportunidade. O cenário econômico, caracterizado pela
integração da economia nacional ao mercado financeiro mundial, exigia medidas céleres,
destinadas à adequação do Sistema Financeiro Nacional aos padrões globais.
Além disso, se a Corte declarasse a inconstitucionalidade da norma, isso significaria atuar
sobre um passado em que milhares de operações financeiras poderiam, em tese, ser atingidas.
Obs: existe uma ADI no STF que, além dos requisitos da MP, alega também a
inconstitucionalidade material da capitalização de juros em periodicidade inferior a um ano.
Trata-se da ADI 2316, cujo julgamento ainda não foi concluído.
STF. Plenário. RE 592377/RS, Rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Teori Zavascki,
julgado em 4/2/2015 (repercussão geral) (Info 773).

DIREITO ADMINISTRATIVO
RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO
Inconstitucionalidade de lei estadual que preveja pensão para cônjuges
de todos os falecidos por crimes hediondos

É inconstitucional lei estadual (distrital) que preveja o pagamento de pensão especial a ser
concedida pelo Governo do Estado (Distrito Federal) em benefício dos cônjuges de pessoas
vítimas de crimes hediondos, independentemente de o autor do crime ser ou não agente do
Estado. Tal lei amplia, de modo desmesurado (irrazoável), a responsabilidade civil do Estado
prevista no art. 37, § 6º, da CF/88.
STF. Plenário. ADI 1358/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 4/2/2015 (Info 773).

DIREITO NOTARIAL E REGISTRAL


CONCURSO E PROVA DE TÍTULOS
Pontuação atribuída por tempo de serviço em serventias notariais e registrais

Lei estadual previu como títulos em concursos de cartório:


I - tempo de serviço prestado como titular, interino, substituto ou escrevente em serviço
notarial ou de registro;
II - apresentação de temas em congressos relacionados com os serviços notariais e registrais.
O STF decidiu que:
Para o concurso de INGRESSO, tal previsão é inconstitucional.
Para o concurso de REMOÇÃO, essa pontuação é constitucional, desde que as atividades
listadas nesses dois incisos tenham sido realizadas após o ingresso no serviço notarial e de
registro.
STF. Plenário. ADI 3580/MG, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 4/2/2015 (Info 773).

Informativo 773-STF (19/02/2015) – Esquematizado por Márcio André Lopes Cavalcante | 2