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14/03/2018 Nutrição.

vet — Nutrição para cães e gatos na Clínica Veterinária


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Textos Básicos em Nutrição Pet. ( )

A-B-C-D-E-F-G-H-I-J-K-L-M-N-O-P-Q-R-S-T-U-V-W-X-Y-Z

SUMÁRIO

> Aditivos na alimentação de pets

> (Água) Nutrientes essenciais para cães - água

> (Atleta) Necessidades nutricionais do cão atleta

> (Biotina) Importância da Biotina (vitamina B-7 ou H) para cães e gatos.

> (Cálcio) Suplementar ou não cálcio para fêmeas e filhotes?

> (Caseira) Dieta caseira para cães e gatos: é possível alimentar cães e gatos de forma
equilibrada com este tipo de alimento?

> (Clínica) Consulta clínica nutricional.

> (Crescimento) Nutrição de cães em crescimento.

> Evolução alimentar do cão.

> Evolução alimentar do gato.

> Frotooligosacarídeos (FOS) como prebióticos para cães e gatos.

> (Hepático) Manejo nutricional nas doenças hepáticas de cães e gatos.

> Hipersensibilidade alimentar: o que é e como tratar.

> (Idoso) Nutrição do cão idoso.

> (Idoso) Nutrição do gato idoso.

> (Neonato) Nutrição do cão neonato.

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> (Neonato) Nutrição do gato neonato.

> (Nutracêuticos) Alimentos funcionais e nutracêuticos na alimentação de cães.

> Obesidade em cães e gatos.

> (Obesidade, riscos) Riscos clínicos associados à obesidade em cães.

> (Obesidade, riscos) Riscos clínicos associados à obesidade em gatos.

> (Proteína) A necessidade protéica de cães muda com o avanço da idade?

> (Reprodução) Manejo nutricional da cadela em reprodução.

> (Reprodução) Manejo nutricional da gata em reprodução.

> Superalimentação e desenvolvimento do esqueleto de filhotes de cães de raças grandes e


gigantes.

>(Tiamina) Importância da Tiamina (vitamina B-1) para cães e gatos.

Os textos abaixo estão disponíveis para uso individual para estudos. Não estão disponíveis para
impressão de qualquer tipo ou publicação em outros sites ou de qualquer outra forma sem citação
explícita da fonte. Obrigado por respeitar os direitos autorais.

Para citar estes textos em Referências Bibliográficas, seguir como no exemplo abaixo:
GOMES, M.O.S. Aditivos na alimentação de pets. [on line] Disponível em:
http://www.nutricao.vet.br/textos_basicos.php. Acesso em (dia) (mês) (ano).

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ADITIVOS NA ALIMENTAÇÃO DE PETS

Aditivos são substâncias incorporadas intencionalmente ao alimento com a finalidade de conferir


alguma característica desejável como, cor, aroma, textura, estabilidade ou resistência à
decomposição, desde que não prejudique seu valor nutricional. Desde 1920, se utilizam com
freqüência aditivos sancionados legalmente em alimentos para humanos e para animais. Os
fabricantes de alimentos para cães e gatos utilizam diversos aditivos para gerar produtos que
sejam atraentes visualmente, que tenham qualidade nutricional prolongada, que tenham alta
palatabilidade e um vencimento mais longo.

Os aditivos presentes nos alimentos para cães e gatos são os mesmos ou muito similares àqueles
utilizados para alimentos de consumo humano. Em geral, proporcionam três benefícios ao
alimento: 1. organoléptico, conferindo estrutura, textura e cor; 2. tecnológico, atuando como
agentes aglutinantes e gelificantes e 3. nutricional, atuando como vitaminas e antioxidantes. Os
utilizados com freqüência em alimentos humanos ou para animais incluem corantes, exaltadores
de sabor, agentes emulsificantes, substâncias gelificantes, estabilizantes, espessantes e
coadjuvantes de processo.

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Devido ao fato de que a maior parte dos alimentos comerciais para cães e gatos caracterizar-se
como completos e balanceados, o enriquecimento de nutrientes com vitaminas e minerais é o uso
mais importante e benéfico de certos aditivos para alimentos. A maior parte dos ingredientes com
nomes químicos, não familiares, que aparecem nos rótulos das embalagens dos alimentos
industrializados são, na realidade, nutrientes.

Como a tecnologia empregada no processamento dos alimentos e os aditivos são temas difíceis e
confusos, os aditivos podem gerar teorias equivocadas por pessoas mal informadas. Além disso, o
tema nem sempre é colocado de forma correta; as associações de consumidores e algumas
pessoas consideradas especialistas costumam responsabilizar os aditivos de causar todo o tipo de
transtornos aos animais. Em algumas circunstâncias a publicidade abusa da imagem negativa dos
aditivos sintéticos para promover produtos ¨naturais¨ ou ¨livres de aditivos¨. Mesmo porque, as
provas que vinculam determinado alimento ou componente alimentar com uma enfermidade em
particular podem ser circunstanciais e sua consistência deve ser avaliada com cautela.

Os veterinários nem sempre têm as respostas para clientes alarmados por comentários à respeito
da nutrição, portanto devem melhorar seus conhecimentos sobre os aditivos mais comuns nos
alimentos para cães e gatos para estarem aptos a responder com exatidão às preocupações de
seus clientes. Aqueles clientes que desejam evitar os aditivos não devem estar bem informados a
respeito dos tipos de aditivos presentes nos alimentos para cães e gatos nem das possíveis
conseqüências negativas de não se agregar estes compostos aos alimentos. Os veterinários
devem explicar os aspectos positivos dos aditivos para tranqüilizar os clientes que administram
um produto comercial ao invés de um alimento caseiro.

Em um questionário que examinou como os consumidores definem a palavra ¨natural¨, a maioria


deles mencionou a ausência de diversos tipos de aditivos. Nesse questionário, os aditivos se
encontram nos primeiros lugares da lista de substâncias alimentares que eles consideram nocivas
para sua saúde ou que é uma razão suficiente para não comprar um alimento. Porém, quando se
qualificam os riscos conhecidos de problemas alimentares em seres humanos, o risco relativo
mais elevado correspondente às enfermidades de origem alimentar (contaminação bacteriana), já
que é em torno de 100.000 vezes mais elevado que o risco associado aos aditivos.

Os clientes que procuram produtos livres de aditivos devem identificar primeiro qual é o aditivo
que desejam evitar. Alguns produtos comerciais não contêm cores ou sabores artificiais nem
conservantes sintéticos. Uma vez indicada e considerada a preocupação específica do cliente,
talvez seja possível localizar um produto comercial completo e balanceado aceitável.

Autoria: JEREMIAS, Juliana Toloi - Jul/2009.

Para saber mais:

CASE, L. P.; CAREY, E. P.; HIRAKAWA, D.A. Nutrição canina e felina: manual para profissionais.
Madrid: Harcourt Brece, 1998. 424p.

Leia definição básica de 'aditivo'.

palavras-chave: ADITIVO; cães; cão; gato; corante; emulsificante; gelificante; estabilizante.

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(ÁGUA) NUTRIENTES ESSENCIAIS PARA CÃES - A ÁGUA

Do ponto de vista funcional, a água é essencial para a vida. Estudos mais antigos em cães
demonstraram uma elevada capacidade dos animais sobreviverem sem ingerir nutrientes
energéticos, podendo passar mais de 20 semanas sem ingerir estes nutrientes. No entanto,
plantas e animais morrem rapidamente quando submetidos à restrição hídrica severa.
Quimicamente a água é a combinação dos elementos hidrogênio e oxigênio, ligados na proporção
de 2:1, respectivamente (H2O), considerada o mais importante nutriente, tendo as seguintes
funções:

- solvente em que muitas substâncias são dissolvidas para serem transportadas entre os
compartimentos corporais;
- necessária para reações químicas que envolvem hidrólise, como por exemplo, a digestão
enzimática;
- auxilia na regulação da temperatura corporal;
- ajuda a dar forma e elasticidade para o corpo. Como maior constituinte dos fluidos corporais, a
água lubrifica articulações e olhos, protege o sistema nervoso central e vísceras torácicas e
abdominais de impacto, auxilia nas trocas gasosas, entre outros;
- Veículo para eliminação de substâncias indesejáveis ao organismo.

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A água é o maior constituinte corporal, variando de 40-70% em um animal adulto de acordo com
a espécie, condição corporal e idade. Geralmente a massa magra corporal contém
aproximadamente 70-80% de água e 20-25% de proteína, enquanto o tecido adiposo contém
entre 10-15% de água e 75-80% de gordura. Desta forma, animais mais magros e jovens
apresentam maior quantidade de água corporal.

As exigências hídricas dos animais devem ser suficientes para manter o balanço hídrico. As
principais perdas corporais de água ocorrem pela urina, fezes, evaporação e transpiração. Por
outro lado, as principais vias de reposição hídrica ocorrem pela ingestão direta de líquidos e
alimentos sólidos e ainda aproximadamente 5-10% das necessidades hídricas são atendidas por
meio da formação de água metabólica, produzida pelo metabolismo energético dos nutrientes. O
metabolismo oxidativo dos animais permite com que o oxigênio seja o receptor final do hidrogênio
liberado do metabolismo energético, para a formação de ATP. Esta combinação intracelular de
hidrogênio e oxigênio origina a chamada água metabólica. Uma média de 13 mL de água
metabólica é formada a cada 100 kcal de energia metabolizável ingerida pelos animais. A
oxidação completa de 1g de carboidrato, lipídeo ou proteína forma respectivamente 0,556g,
1,071g e 0,396g de água metabólica.

Autoria: VASCONCELLOS, Ricardo de Souza (Fev/2012)

Referências Bibliográficas:
CARCIOFI, A.C.; BAZZOLI, R.S.; ZANNI, A. Influence of water content and the digestibility of pet
foods on the water balance of cats. Brazilian Journal Veterinary, 42(6), 429-434, 2005.

HAND, MS; THATCHER, CD; REMILLARD, RL; ROUDEBUSH, P; NOVOTNY, B. Small Animal
Clinical Nutrition, Mark Morris Institute, 5th edition, Topeka-Kansas, 2010, 1314p.

NRC. Nutrient requirements of dogs and cats. Washington, DC: The National Academy Press;
2006. 398 p.

palavras-chave: água; cães; cão; nutrientes; essenciais.

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(ATLETA) NECESSIDADES NUTRICIONAIS DO CÃO ATLETA

Os cães atletas apresentam necessidades nutricionais específicas. O principal objetivo da nutrição


para esses animais é fornecer dietas balanceadas para promover saúde e maximizar seu
desempenho durante o exercício. A realização de exercícios físicos leva a adaptações fisiológicas
como aumento nas funções de diversos sistemas do organismo e alterações do metabolismo
energético. É necessário que o tipo e a quantidade de alimento se adeque às necessidades
nutricionais individuais para a manutenção dos estoques de energia durante a atividade física e
para sua recuperação.

Durante o exercício físico, vários fatores contribuem para a produção de energia, entre eles a
composição muscular, intensidade e duração do exercício e disponibilidade de substratos para a
produção de ATP. Os músculos são compostos de fibras com características metabólicas e
contráteis diferentes. São classificados em dois grupos divididos com base nas características de
contratilidade e de coloração histoquímica: fibras tipo I ou de contração lenta e tipo II ou
contração rápida. As do tipo I têm maior capacidade oxidativa e de resistência. As fibras do tipo II
são mais longas e tem maior força. A composição de fibras varia entre os músculos e entre os
indivíduos.

A proporção da fonte de Energia utilizada e os mecanismos metabólicos determinados pelo


organismo dependem da intensidade e da duração do exercício. A principal fonte de energia
utilizada pelas células para a contração muscular é o ATP, no entanto, essa energia pode vir de
outras fontes, uma vez que a concentração de ATP nas células musculares é muito baixa em
comparação com as necessidades celulares durante o exercício físico (Hand, et al, 2000). Esses
combustíveis metabólicos são armazenados nos músculos e outras regiões do corpo e seu
metabolismo ocorrem por meio aeróbico (com oxigênio) ou anaeróbio (na ausência de oxigênio).
Esses mecanismos anaeróbicos (glicólise, por exemplo) ocorrem no citoplasma enquanto que os
aeróbicos (oxidação da glicose, ácidos graxos e aminoácidos), ocorrem nas mitocôndrias. A
proporção de uso de cada via depende da duração e intensidade da atividade física e do
condicionamento e estado nutricional do animal (Nadel, 1985; Kronfeld, et al., 1977)

A glicose é armazenada endogenamente como glicogênio muscular e exogenamente como


glicogênio no fígado e em menor proporção como glicose livre no sangue. Pode ser metabolizado
para produzir ATP tanto por meios aeróbicos como anaeróbicos. Seu mecanismo anaeróbico
(glicólise) resulta em rápida produção de ATP, porém com apenas dois ATP por molécula de
glicose. O metabolismo aeróbico, por outro lado, produz energia mais lentamente resultando em

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uma maior concentração de ATP (36 por molécula de glicose). Os ácidos graxos são armazenados
em amplos depósitos no tecido adiposo e também dentro dos músculos. São a principal fonte de
energia para exercícios de longa duração (Hand, et al. 2000). Já os aminoácidos não são a fonte
de energia primária utilizada nos exercícios físicos.

A energia e outras necessidades nutricionais do cão atleta são determinadas pela intensidade e
duração do exercício. Funcionalmente pode-se dividir a atividade física em três categorias: 1-
atividades de alta intensidade como as corridas de curta distância que se mantém por 2 a 3
minutos; 2- atividades intermediárias de intensidade moderada a baixa podendo ter alguns curtos
períodos de alta intensidade, durando poucos minutos a horas; 3- atividades de resistência de
longa duração. Atletas de resistência têm maior proporção de fibras tipo I enquanto que atletas de
corrida – alta intensidade (Greyhounds) tem maior proporção de fibras tipo II.

A quantidade de energia necessária para o exercício depende de todo o trabalho realizado


(intensidade x duração x frequência); e, a principal fonte de energia utilizada pelo cão durante o
exercício, depende de sua intensidade. Desse modo, as atividades de alta intensidade ou potência
dependem primariamente do metabolismo anaeróbico de Carboidratos (glicose e glicogênio).
Esses animais devem receber uma dieta rica em carboidratos e com baixa gordura (baixa
densidade calórica). Já as atividades de longa duração (resistência) necessitam de maior produção
de energia proveniente da oxidação de Ácidos graxos. A dieta para esse tipo de exercício deve
apresentar alta densidade calórica.

Além de se fornecer uma dieta adequada, é de extrema importância realizar a reidratação


adequada do animal para a manutenção da temperatura corporal normal e do balanço de água
corporal. Vitaminas, minerais e eletrólitos também são importantes para a manutenção da
homeostase durante o exercício. São encontrados em quantidades adequadas nos alimentos
comerciais de boa qualidade não sendo necessária sua suplementação aos cães atletas.

Autoria: OLIVEIRA, Michele Cristina de Camargo (set/2012).

Referências Bibliográficas:
Hand, M.S., Thatcher, C.D., Remillard, R.L., Roudebush, P. Small Animal Clinical Nutrition. 4th
edition. Mark Morris Institute. The canine athlete. 261-289. 2000.

Kronfeld, D.S., Hammel E.P., Ramberg, C.F. Hematological and metabolic responses to training in
Racing sled dogs fed diets containing medium, low or zero carbohydrate. American Journal of
Clinical Nutrition. 30:419-430. 1977.

Nadel, E.R. Adaptations to aerobic training. American Scientist. 73: 334-343. 1985.

palavras-chave: cão, cães, atleta, exercício físico, necessidades nutricionais.

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BIOTINA - Importância da biotina para cães e gatos

O que é a biotina e qual a sua função para cães e gatos?

A biotina é uma vitamina hidrossolúvel do complexo B que pode ser encontrada nas frutas, leite e
vegetais, como a soja, ou então, ligada à proteínas em tecidos animais, como fígado, rins, gema
de ovo e leveduras, contudo, sua biodisponibilidade é bastante variável. Os cereais, as carnes e
seus derivados, principais ingredientes das rações para cães, são pobres em biotina (CASE, 1998).

Ela tem como função a ativação de enzimas, ou seja, é uma coenzima transportadora dos grupos
carboxílicos, importantes nas reações de carboxilação. As enzimas biotina-dependentes recebem o
nome genérico de carboxilases. A biotina está envolvida nos processos de síntese de ácidos
graxos, aminoácidos, purinas e do tecido epitelial, e também na conversão de carboidrato em
proteína e vice versa, e na conversão de proteína e carboidrato em gordura. Ela também tem
importante papel na manutenção da normoglicemia a partir do metabolismo de proteínas e
lipídeos, quando a ingestão de carboidratos na dieta é baixa (McDOWELL, 1989). A biotina é
absorvida principalmente no intestino delgado e eliminada em parte na urina, e em parte pelas
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fezes. E impossível diferenciar nas fezes a biotina ingerida da biotina sintetizada pela flora
intestinal. Ela também é sintetizada por microorganismos no cólon e absorvida em pequenas
quantidades neste local.

A suplementação de biotina é necessária?

Como as vitaminas hidrossolúveis não são estocadas no organismo, suas necessidades devem ser
constantemente supridas a partir da combinação de fontes dietéticas e da biossíntese pela
microbiota intestinal. A exigência de biotina pode ser afetada pela presença de ácidos graxos poli-
insaturados na ração, uma vez que é rapidamente destruída na presença de alimentos
rancificados e colina.

Recomenda-se a suplementação de biotina, quando da utilização de ingredientes de baixa


disponibilidade desta vitamina, da presença de antagonistas na dieta (mofos e rancificação), e da
utilização de algumas drogas, como as sulfas, que sob determinadas circunstâncias, podem
induzir deficiência de biotina por redução de sua produção intestinal.

Em razão de sua síntese intestinal ser considerada suficiente, não há recomendações para sua
inclusão nos alimentos para cães, estando sua adição ou não condicionada aos princípios
nutricionais adotados pelo fabricante de alimentos.

A recomendação para gatos de todas as idades é de 0,07mg/kg de alimento, na matéria seca


(NRC, 2006).

A deficiência de biotina é comum? Como detectá-la?

Os sinais mais importantes da deficiência de biotina ocorrem no tegumento, apesar de serem


relatados sinais inespecíficos, como anorexia, perda de peso e mesmo quadros neurológicos.

Os sinais clínicos associados à deficiência de biotina em cães não são muito bem definidos na
literatura, mas associa-se à hiperceratose em epiderme e folículos, seborreia seca e descamativa,
alopecia, caspas e pelagem áspera, com lesões especialmente na face, ao redor dos olhos, e
formação de crostas nos casos severos. A deficiência também pode ser detectada em cães pelo
declínio acentuado da concentração urinária de biotina.

Em gatos os sinais de deficiência incluem acúmulo de secreção salivar, nasal e lacrimal, alopecia
progressiva, dermatite, diarréia no estágio terminal da deficiência e atividade hepática de
propionil-CoA deprimida. Deficiência de biotina é considerada de ocorrência rara em cães e gatos,
mas pode ocorrer em animais alimentados com claras de ovos crus, que contém o fator anti-
nutricional, avidina, que pode associar-se à biotina tornando-a inativa (a avidina é destruída com
o cozimento das claras). Em relação a sua toxicidade, não existem relatos, já que sua excreção
via urinária é eficiente e os níveis tolerados bastante elevados (NRC, 2006).

Apoio ao veterinário clínico

Foi publicado na Revista Ciência Rural o relato do caso de uma cadela com dermatose, que
respondeu positivamente à suplementação com biotina (NOGUEIRA et al., 2010). Os autores
relatam que uma cadela com quadro de cistite recorrente e tumor venéreo transmissível foi
tratada com antibioticoterapia prolongada e quimioterapia.

Após alguns meses de tratamento, foram observadas lesões no plano nasal e nos coxins plantar e
palmar, caracterizadas por hiperceratose, espessamento, fissuras, sangramento e inflamação.
Relata-se que em todo o período a cadela foi alimentada com dieta comercial de boa qualidade,
em quantidade suficiente para manutenção do peso corporal. O paciente recebeu suplementação
de 1,4mg.kg-1 de peso corporal, uma vez por dia, durante 60 dias, havendo importante regressão
das lesões. Os autores formularam a hipótese de que, possivelmente, o quadro de cistite crônica
associado à presença de neoplasia, representou situação estressante prolongada que pode ter
aumentado a demanda pela vitamina; e a antibioticoterapia prolongada para tratamento da cistite
poderia ter alterado a microbiota intestinal e consequentemente a síntese de biotina.

Como conclusão deste caso, os autores sugerem que a suplementação com biotina possa ser
empregada como recurso terapêutico em desordens de ceratinização, especialmente quando
localizadas em coxins, bem como deva ser suplementada nos alimentos industrializados,
especialmente naqueles destinados a pacientes enfermos ou com alterações dermatológicas.

Autoria: LOUREIRO, Bruna Agy. (maio/2013).

Para saber mais (estes trabalhos constam do Banco de Referências Bibliográficas clique
aqui):

CASE, L.P. et al. Nutrição canina e felina: Manual para profissionais. Madrid: Harcourt Brace,
1998. 424p.

McDOWELL, L.R. Vitamins in animal nutrition. San Diego: Academic, 1989. 486p.

NATIONAL RESEARCH COUNCIL. Nutrient requirements of dogs and cats. Washington: The
National Academy, 2006. 424p.

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NOGUEIRA, S.P.; BRUNETTO, M.A.; JEREMIAS, J.T.; GOMES, M.O.S.; TESHIMA, E.; CARCIOFI, A.C.
Dermatose responsiva à biotina em cão. Ciência Rural, v.40, p. 682-685, 2010.

Zempleni, J. Kuroishi, T. Biotin - Nutrient information. American Society for Nutrition.


Advances in Nutrition. 3: 213–214, 2012; doi:10.3945/an.111.001305.

palavras-chave: biotina; vitamina H; vitamina B8; vitamina B7; cadela; cão; cães; gato; gata.

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(CÁLCIO) SUPLEMENTAR OU NÃO CÁLCIO PARA FÊMEAS E FILHOTES?

palavras-chave: cálcio; suplementar; gestação; lactação; cadela; gata; filhote; ração.

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(CASEIRA) DIETA CASEIRA PARA CÃES E GATOS: É POSSÍVEL ALIMENTAR CÃES E GATOS
DE FORMA EQUILIBRADA COM ESTE TIPO DE ALIMENTO?

A nutrição humana e dos animais desperta um interesse crescente. Os alimentos comerciais para cães
e gatos proporcionam numerosas vantagens sobre os caseiros, como a conveniência, o custo e a
regularidade. Em geral, são mais fáceis de administrar, menos custosos e oferecem um balanço
nutricional mais adequado que os alimentos caseiros. Mesmo assim, muitos proprietários preferem
preparar a comida para seus animais e ao fazerem isso se sentem menos culpados e têm a impressão
de oferecer uma mais ¨tradicional¨, ou então, desejam oferecer um alimento mais natural ou
orgânico. É importante ressaltar que os termos ¨natural¨e ¨orgânico¨têm um significado diferente
para distintas pessoas. Alguns proprietários consideram que o termo natural significa que não contém
nenhum ingrediente ou aditivo sintético. Outros acreditam que um alimento é orgânico quando não
contém ingredientes de animais tratados com hormônios, nem com cereais ou grãos produzidos com
praguicidas ou fertilizantes sintéticos. Estas pessoas acreditam que só os ingredientes naturais podem
oferecer uma nutrição correta tanto para eles quanto para seus animais. Devido às interpretações
pessoais destes termos, seria útil definir, de uma forma mais específica, as preocupações do cliente
antes de recomendar um alimento, seja ele caseiro ou comercial.

O clínico veterinário deve estar preparado para atender as necessidades desse tipo de cliente, além
disso, em determinadas situações o próprio médico veterinário necessita lançar mão desse tipo de
alimento, como por exemplo, oferecer um alimento com um perfil nutricional para o manejo de uma
enfermidade para a qual não existe um alimento comercial apropriado. Na maioria das vezes, uma
alimentação caseira correta depende de se preparar alimentos especialmente para os animais e não
se recolher sobras ou alimentos preparados para o homem e os oferecer a cães e gatos. Desta forma,
conversar sobre estes inconvenientes e esclarecer devidamente o proprietário é bastante importante.
Deve-se considerar que nada é mais barato, simples e seguro do ponto de vista nutricional que o
fornecimento de um bom alimento industrializado, formulado para a condição fisiológica específica de
cada animal.

Para que o animal receba um alimento caseiro, e este seja o mais completo e balanceado possível, é
necessário um conhecimento prévio das necessidades nutricionais de cães e gatos e dos ingredientes
que serão utilizados no preparo do alimento. Receitas ou fórmulas caseiras podem ser obtidas a partir
de literatura veterinária, livros didáticos e na Internet. No entanto, cuidados devem ser tomados ao
se prescrever dietas destas fontes. Estas devem ser analisadas para garantir que sua composição seja
realmente completa e equilibrada para o animal, ou que tenham as devidas modificações nutricionais
para auxiliar efetivamente no tratamento da afecção em questão. As dietas caseiras em sua grande
maioria não apresentam um balanço ideal de minerais e a deficiência de cálcio é muito comum. A
maior parte dos alimentos necessita de um suplemento específico de cálcio. Dependendo da
proporção e da fonte protéica empregada na formulação da dieta, torna-se necessário a
suplementação de cálcio e fósforo para que se possa manter uma relação entre 1,2:1 a 1,5:1
respectivamente.

Deve-se conversar com o proprietário sobre a importância deste manter as quantidades prescritas
dos ingredientes. Alguns alimentos são necessários em muito pequena quantidade, de forma que sua
quantificação depende de uma balança adequada, o que não existe na casa do proprietário. Assim,
ajudá-lo a definir como irá medir as quantidades ou volumes, de modo a se manter o perfil nutricional
da dieta, é importante. Alimentos como o fosfato bicálcico, por exemplo, são extremamente
concentrados em nutrientes. Por exemplo, uma variação de apenas 1 grama para menos significa o
não fornecimento de cálcio e fósforo, enquanto uma variação de 1 grama para mais no fornecimento
excessivo destes elementos, podendo causar problemas ao animal. Para gatos recomenda-se
suplementar taurina (40 mg por quilograma de peso corporal por dia) e, além disso, durante o
preparo dos alimentos a água do cozimento não deve ser desprezada, pois contém boa parte da
taurina das carnes.

A dieta deve ser armazenada em compartimentos hermeticamente fechados e guardada em geladeira


por 3-5 dias. Alternativamente, estas podem ser congeladas por dias ou meses e descongeladas
entes do uso. A dieta deve ser aquecida à temperatura corporal antes do fornecimento para o animal.
O suplemento vitamínico e mineral deve ser adicionado no momento da refeição.

Autoria: JEREMIAS, Juliana Toloi (Jul/2009).

Para saber mais:


JEREMIAS, J. T. et al. Manejo nutricional e digestibilidade no quilotórax canino. Ciencia. Rural
[online]. 2009, vol.39, n.1, pp. 258-261.ISSN 0103-8478. doi:10.1590/S0103-84782008005000052.

CASE, L.P. et al. Nutrição canina e felina: Manual para profissionais. Madrid: Harcourt Brace,
1998.

Fascetti A. J., Delaney S. J., (eds.), Applied veterinary clinical nutrition. West Sussex, United
Kingdom: Wiley-Blackwell, 2012.

Larsen JA, Parks EM, Heinze CR, Fascetti AJ. Evaluation of recipes for home-prepared diets for
dogs and cats with chronic kidney disease. J Am Vet Med Assoc. 2012 Mar 1;240(5):532-8.
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CARCIOFI, A. C. ; BAZOLLI, Rodrigo Sousa ; ZANNI, A. ; KIHARA, L. R. L. ; PRADA, F. Influence of


water content and the digestibility of pet foods on the water balance of cats. Brazilian
Journal of Veterinary Research and Animal Science, v. 42, p. 429-434, 2005.

BRUNETTO, Márcio A. ; Gomes, Marcia O. S. ; Andre, Marco R. ; TESHIMA, Eliana ; Gonçalves, Karina
N. V. ; Pereira, Gener T. ; Ferraudo, Antonio S. ; Carciofi, Aulus C. . Effects of nutritional support
on hospital outcome in dogs and cats. Journal of Veterinary Emergency and Critical Care (San
Antonio), v. 20, p. 224-231, 2010.

palavras-chave: comida caseira; dieta caseira; comida natural; AN; balaceamento; cão; cães; gato.

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(CLÍNICA) CONSULTA CLÍNICA NUTRICIONAL

Introdução
A consulta clínica nutricional consiste na avaliação da condição nutricional do paciente e serve para
estabelecer as necessidades nutricionais do cão ou do gato e determinar o plano de alimentação mais
adequado de acordo com o estado fisiológico ou condição de doença do animal. É importante que seja
estruturado de maneira a se obter - na anamnese - um histórico alimentar preciso e detalhado e
histórico médico. No exame físico deverá ser realizada avaliação de escore de condição corporal e
exames laboratoriais específicos e outros testes diagnósticos poderão ser solicitados.

Anamnese
A obtenção do histórico do animal e do relatório médico podem ajudar na determinação do estado
nutricional do paciente. Dados como espécie, raça, idade, gênero, estado reprodutivo, nível de
atividade e ambiente em que vive são informações importantes que fazem parte do histórico e
definem o estado fisiológico do paciente.
Para o histórico alimentar deve-se incluir entre os dados o tipo de alimento oferecido, constitui-se de
alimento caseiro, comercial ou uma mistura de ambos. No caso de alimento caseiro, deve-se
perguntar quais os ingredientes utilizados e em qual proporção e quantidade, se são cozidos ou crus,
se fornece algum tipo de suplementação.
Para os alimentos comerciais – popularmente denominados de ração -, deve-se verificar o tipo (seco,
úmido ou semi-úmido), a marca e a quantidade oferecida. Informações sobre o consumo de
quaisquer tipos de petiscos e uso de suplementação vitamínico mineral são de extrema importância e
não podem ser omitidos. Outras informações incluem o método de alimentação (ad libitum, alimento
restrito), ingestão hídrica, alterações recentes no tipo de alimento ou na preferência do animal,
presença de outros animais com acesso ao alimento, qual o nível de atividade do animal, se o animal
foi castrado recentemente, se o animal tem acesso a rua, quem é a pessoa que alimenta o animal ou
se todas as pessoas da casa ou família o alimentam.
A revisão do histórico médico fornece informações acerca do estado de saúde prévio do animal,
procedimentos clínicos e/ou cirúrgicos realizados além da prescrição de medicamentos os quais
podem estar relacionados ao estado nutricional atual do paciente.

Exame físico
No exame físico deve-se verificar perda ou ganho de peso, escore de condição corporal, saúde oral e
dos dentes, dificuldades de apreensão, mastigação ou deglutição, aspecto geral de pele e pêlos,
alteração de micção, defecação ou apetite e há quanto tempo isso vem ocorrendo (hiporexia ou
anorexia).
O peso do paciente pode ser comparado ao padrão da raça ou ainda com o peso corporal anterior no
histórico médico verificando assim ganho ou perda significativa de peso indicando alterações
metabólicas.
A condição corporal é uma avaliação subjetiva, e em geral verifica-se os estoques de gordura corporal
do paciente e a massa muscular. A cobertura adiposa é avaliada sobre as costelas, próximo a cauda e
ventralmente junto ao abdômen. Deve-se levar em consideração as diferenças entre as espécies
canina e felina e a idade do paciente. A inspeção da cavidade oral e dentária bem como informações a
respeito da apreensão, mastigação e deglutição podem indicar eventuais distúrbios que levam à
diminuição do apetite. Alterações de pelagem também podem indicar estado de má nutrição.

Exames complementares
Os Exames laboratoriais podem identificar parasitas intestinais (exame de fezes), assim como
urinálise, exames de sangue e perfil bioquímico podem demonstrar desordens metabólicas ou outras
doenças. A concentração de albumina, contagem de linfócitos e proteína total podem servir como
indicadores gerais do estado nutricional. Em casos específicos a avaliação de exames radiográficos e
ultrassonográficos também podem ser indicadas.

Conclusão
De posse de todas as informações obtidas no exame clínico, obtém-se uma visão do estado

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nutricional do paciente que pode estar em condição nutricional adequada ou mal nutrido. Em
qualquer um dos casos deve-se formular um plano de alimentação informando o tipo de alimento a
ser fornecido, a quantidade, a via de alimentação e o número de refeições. O proprietário deve ser
adequadamente orientado a seguir as prescrições corretamente e retornar com o paciente dentro do
período estipulado para que seja novamente reavaliado. Desse modo é possível realizar uma
intervenção nos casos de má nutrição por subnutrição ou obesidade ou ainda prevenir a má nutrição
em pacientes sob risco de desenvolvê-la.

Autoria: OLIVEIRA, Michele Cristina de Camargo (mar/2012).

Para saber mais:


Hands, M.S.; Tatcher, C.D.; Remillard, R.I.; Roundebusch, P. Small Animal Clinical Nutrition, 4th
ed. Topeka: Mark Morris Institute. 2000.

LaFlamme, D.P., Kealy R.D.; SchimdtD.A. Estimation of body fat by body condition score. In:
Proceedings. Twelfth Annual Veterinary Medical Forum, American College of Veterinary Internal
Medicine, San Francisco, CA. 985. 1994.

Watson, T.D.G. Diet and Skin Disease in dogs and cats. In: Waltham International Symposium
on Pet Nutrition and Health in the 21st Century, Orlando, FL. 2783S-2789S. 1997.

Streiff, E.L.; Zwischenberger, B. Butterwick, R.F.; Wagner, E. A comparison of the Nutritional


Adequacy of Home-Prepared and Commercial Diets for Dogs. Journal of Nutrition. 132: 1698S-
1700S. 2002.

Case, L.P.; Carey, D.P.; Hirakawa, D. A. Nutri A. Nutrição Canina e Felina – Manual para
profissionais, 1st Ed. Varela. 1998. .

palavras-chave: anamnese; exame físico; cães; cão; gatos; gata; peso; escore de condição corporal; quantidade
de alimento.

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(CRESCIMENTO) NUTRIÇÃO DE CÃES EM CRESCIMENTO

palavras-chave: crescimento; cães; cão; filhote; cálcio; fósforo; densidade energética; suplemento.

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EVOLUÇÃO ALIMENTAR DO CÃO

palavras-chave: lobo; matilha; comportamento alimentar; selvagem; cadela; cão; natural.

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EVOLUÇÃO ALIMENTAR DO GATO

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palavras-chave: ancestrais; comportamento alimentar; selvagem; gata; gato; natural; carnívoro.

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FRUTOOLIGOSSACARÍDEOS (FOS) COMO PREBIÓTICOS PARA CÃES E GATOS

As frutanas são polímeros de frutose, podendo ser naturais, derivados de plantas (inulina) ou
sintéticos, resultante da polimerização da frutose (Gibson e Roberfroid, 1995). A inulina é um
termo aplicado a uma mistura heterogênea de polímeros de frutose, de cadeia linear com
tamanho variável, unidos por ligações do tipo ß(2-1), encontrados amplamente na natureza como
carboidratos de armazenamento de plantas como alcachofras, cebola, alho, aspargo, banana,
tomate, cevada, centeio, trigo, raiz de chicória e yacon (Roberfroid et al., 2010). Grande parte da
inulina e oligofrutose disponíveis no mercado de ingredientes é sintetizada a partir da sacarose ou
extraída das raízes de chicória (Niness, 1999).

Tratando-se de carboidratos não-redutores não participam das reações de Maillard e são


altamente estáveis em diferentes condições de pH e temperatura (Van Loo et al., 1998). Possuem
resistência à acidez gástrica, hidrólise enzimática e absorção gastrointestinal, penetrando no
intestino grosso onde servirão de substrato para microrganismos benéficos (Roberfroid, 2007). A
fermentação no intestino grosso produz os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), dentre estes os
mais estudados o ácido lático, propiônico, butírico e acético. Estes compostos promovem uma
acidificação do lúmen intestinal fornecendo um meio propício ao crescimento de bactérias
benéficas como os Lactobacillus e Bifidobacterium em detrimento das bactérias patogênicas como
Clostridium, E.coli, Listeria, Salmonella e outras (Cummings et al., 2001).

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A absorção dos AGCC é rápida sendo que acetato e propionato chegam a circulação portal e em
seguida ao fígado e o butirato é utilizado como principal fonte de energia para os colonócitos.
Estudos recentes têm demonstrado que as células do sistema imunológico, especialmente
polimorfonucleares, expressam receptores acopladores de proteína-G (GPRs) capazes de
transportar os AGCC para o interior destas células, evidenciando a importância destes substratos
energéticos para o sistema imunológico (Roberfroid et al., 2010). A suplementação com FOS pode
reduzir a produção de compostos putrefativos (fenóis, indóis e amônia), os quais contribuem para
o mau odor das fezes e para a carcinogênese do cólon (Swanson et al., 2002).

Os mecanismos pelos quais os prebióticos são capazes de melhorar a resposta imunológica do


hospedeiro ainda são pouco conhecidos. Ao estimularem o crescimento das bactérias produtoras
de ácido láctico, os prebióticos atuam indiretamente e de forma benéfica sobre o sistema imune
do hospedeiro, pois estas populações bacterianas produzem substâncias com propriedades imuno-
estimulatórias (ex. lipopolissacarídeos, peptideoglicanas e ácidos lipoteicóicos) que interagem com
o sistema imune em vários níveis, incluindo a produção de citocinas, a proliferação de células
mononucleares, a fagocitose macrofágica e a indução na síntese de imunoglobulinas, em especial
as IgA de mucosa (Macfarlane & Cummings, 1999).

Em humanos, o FOS demonstrou efeitos benéficos em pacientes com infecções intestinais e


condições inflamatórias como colite ulcerativa ativas e síndrome do intestino irritável. Apesar
destas evidências do efeito benéfico do FOS sobre a saúde em humanos, os estudos com
prebióticos em cães e gatos ainda são relativamente escassos e apresentam resultados um tanto
quanto controversos.

Estas revisões sistemáticas: CELULOSE, FRUTOOLIGOSSACRÍDEOS E PECTINA DIETÉTICOS


MODIFICAM CATABÓLITOS PROTÉICOS FECAIS E POPULAÇÕES MICROBIANAS EM GATOS
ADULTOS e PREBIÓTICOS, FUNÇÃO IMUNE, INFECÇÃO E INFLAMAÇÃO: UMA REVISÃO DAS
EVIDÊNCIAS, cujas referências bibliográficas constam a seguir, são importantes quando abordam
assuntos em que as pesquisas ainda são insuficientes para tomadas de decisão sobre o uso de
alguns ingredientes ou nutrientes. Neste caso, segundo os autores, os estudos realizados em
modelos animais e em humanos parecem evidenciar benefícios a saúde, com possívei implicações
de uso não somente para animais saudáveis, mas também em animais com distúrbios
gastrointestinais. Infelizmente o número de estudos em cães e gatos ainda é pequeno para estas
tomadas de decisão, no entanto, à semelhança de modelos animais e humanos, os resultados tem
apontado evidências no mesmo sentido.

Autoria: VASCONCELLOS, R. S. & Felssner, K. S.

Referências Bibliográficas:

Gibson GR, Roberfroid MB. Dietary modulation of the human colonic microbiota: Introducing the
concept of prebiotics. Journal of Nutrition, 125: 1401-1412, 1995.

Roberfroid et al. Prebiotic effects: metabolic and health benefits. British Journal of Nutrition, 104:
Supplement 2, 2010.

Niness, K.R.. Inulin and oligofructose: what are they?. American Society for Nutritional Sciences,
129: 1402S-1406S, 1999.

VAN LOO, J.; CUMMINGS, J.; DELZENNE, N.; ENGLYST, H.; FRANCK, A.; HOPKINS, M.; KOK, N.;
Mc FARLANE, G.; NEWTON, D.; QUIGLEY, M.; ROBERFROID, M.; VAN VLIET, T.; VAN DEN HEUVEL,
E. Functional food properties of non-digestible oligosaccharides: a consensus report from the
ENDO project (DGXII – CT94-1094). British Journal of Nutrition, v.81, p.121-132, 1998.

Roberfroid, M.B. Inulin-type fructans: functional food ingredients. Journal of Nutrition,137(11


Suppl):2493S-2502S, 2007.

SWANSON, K.S.; GRIESHOP, C.M.; FLICKINGER, E.A. et al. Fructooligosaccharides and


Lactobacillus acidophilus modify bowel function and protein catabolites excreted by healthy
humans. J. Nutr., v.132, p.3042-3050, 2002.

Macfarlane GT, Cummings JH (1999). Probiotics and prebiotics: can regulating the activities of
intestinal bacteria benefit health. BMJ. 318: 999-1003.

Barry, KA; Wojicicki, BJ; Middelbos, IS; Vester, BM; Swanson, KS; Fahey Jr., GC . Dietary
cellulose, fructooligosaccharides, and pectin modify fecal protein catabolites and microbial
populations in adult cats. Journal of Animal Science, 88: 2978-2987, 2010.

Lomax, AR; Calder, PC. Prebiotics, immune function, infection and inflammation: a review of the
evidence. British Journal of Nutrition; VOL 101; NUMB 5; pp. 633-658; 14 Mar 2009.

palavras-chave: FOS; prebiótico; alimento; cadela; cão; cães; gato; gata.

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(HEPÁTICO) MANEJO NUTRICIONAL NAS DOENÇAS HEPÁTICAS DE CÃES E GATOS

Introdução
As afecções que comprometem as funções de um órgão com atividade metabólica como o figado,
são consideradas entre as mais difíceis de serem tratadas na prática clínica. O fígado normal
desempenha cerca de 1500 funções bioquímicas, dentre elas, apresenta papel chave nos
processos de digestão e metabolismo dos alimentos e nutrientes. O manejo nutricional é um dos
pontos principais na abordagem destes pacientes. Os objetivos são proporcionar condições ótimas
para o reparo e regeneração do órgão e evitar ou tratar as complicações da insuficiência hepática,
como a encefalopatia ou a ascite. As hepatopatias crônicas comumente levam os cães à
desnutrição devido a vários fatores, dentre os principais, pode-se citar: anorexia e náuseas, que
resultam em redução no consumo de alimento; prescrições dietéticas incorretas, principalmente
com restrição protéica; má digestão e assimilação dos nutrientes (nos casos de cirrose e
hipertensão portal); e aumento das necessidades energéticas, condição denominada
hipermetabolismo. Acrescenta-se a estes fatores, a disponibilidade anormal dos ácidos biliares,
alterações da mucosa intestinal, conseqüentes ao edema, danos capilares e hipertensão portal,
que podem refletir-se em redução da absorção de gordura.

Energia
O primeiro aspecto a ser considerado nestes pacientes é o aporte calórico adequado. O uso de
fontes calóricas não protéicas é importante para prevenir a mobilização de aminoácidos como
fonte energética, evitando ou diminuindo o processo de gliconeogênese hepática. As dietas devem
apresentar alta densidade energética para atender as necessidades calóricas e para diminuir o
volume de alimento a ser fornecido. As necessidades calóricas de manutenção podem ser
estimadas pela equação 110-130 x (peso corporal) 0,75 Kcal por dia para cães e 60-70 Kcal por
Kg de peso corporal para gatos. Dietas em que 30 a 50% das calorias sejam provindas das
gorduras são bem toleradas por cães hepatopatas, com exceção aos casos que apresentem
esteatorréia ou hiperlipidemia. Alguns autores recomendam restrição deste nutriente, porém,
numerosos estudos têm documentado benefícios ao fornecer dietas com alta concentração de
gordura (25-30% da matéria seca) em cães com lesões experimentais. Este nutriente apresenta
alta densidade energética, reduz a intolerância aos carboidratos, aumenta a absorção de
vitaminas lipossolúveis, melhora o paladar, além de ser fonte de ácidos graxos essenciais.
Alterações no metabolismo dos carboidratos em cães e gatos com doença hepática podem induzir
hiper ou hipoglicemia. A hiperglicemia foi constatada em alguns cães com cirrose e anastomose
vascular portossistêmica e em gatos com lipidose hepática (LHF) e colangite ou colangiohepatite.
Em função disso, os carboidratos devem ser integrados à dieta em proporções não superiores a
45% do conteúdo calórico. A quantidade de alimento fornecida deve ser ajustada para que se
consiga atingir e manter o peso corporal ótimo. Pequenas refeições devem ser fornecidas (4 a 6
vezes) para minimizar a possibilidade de ocorrência de encefalopatia hepática e hipoglicemia de
jejum, além de reduzir o catabolismo tecidual entre as refeições.

Proteínas
A quantidade e o tipo de proteína que deve ser administrada ao paciente hepatopata ainda é um
assunto bastante controverso. A princípio, animais com alteração hepática devem ser alimentados
com tanta proteína puderem tolerar. A restrição protéica quando prescrita de forma incorreta pode
induzir ou agravar o estado de subnutrição, piorar as funções hepáticas para a síntese protéica, e
resultar em balanço calórico e nitrogenado negativos. Até o momento não são conhecidas as
necessidades protéicas para a regeneração do tecido hepático em cães e gatos. A quantidade
necessária para manutenção, reparação e regeneração celular variam com o tipo e gravidade da
hepatopatia. Em afecções acompanhadas por inflamação e regeneração tissular recomenda-se
uma leve suplementação de proteína. Pacientes com insuficiência hepática crônica são
hipermetabólicos e os que apresentam lesão hepática inflamatória ou necrose necessitam de mais
nitrogênio e energia. Para estes casos, recomenda-se a ingestão diária de 2-3g de Proteína por Kg
de peso corporal para cães e 5g de Proteína por Kg de peso corporal para gatos . A qualidade e a
digestibilidade da proteína é extremamente relevante, sendo recomendado fontes como o ovo e o
leite. A restrição somente está recomendada para animais com sinais de encefalopatia hepática
(EH). Entretanto, a maioria dos cães e gatos com hepatopatias não apresentam quadro de EH,
que ocorre mais comumente nos desvios portossistêmicos, insuficiência hepática aguda e na
cirrose. Pacientes com sinais de EH responderam de forma positiva com a utilização de 2,11g de
proteína bruta por kg de peso corporal ao dia, o equivalente a 14-16% do total calórico dietético
ou 15-20% da matéria seca para cães e 25-30% das calorias (25-30% da matéria seca) para
gatos. As recomendações mais recentes indicam 1-1,5g de proteína por Kg de peso corporal para
cães e 3-4g de proteína por Kg de peso corporal para gatos. Os quadros de cirrose que
apresentam EH são mais difíceis de serem conduzidos. Esses animais necessitam de aporte
protéico para manutenção do balanço nitrogenado, porém a ingestão de proteína pode resultar em
EH. Por outro lado, se entrarem em balanço nitrogenado negativo, podem ficar desnutridos, com
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piora da função hepática e estado geral. A manutenção do balanço nitrogenado pode apresentar
efeitos positivos sobre a EH, pois facilita a regeneração hepática e aumenta a capacidade da
musculatura em metabolizar amônia. Embora existam diferentes opiniões a respeito da
fisiopatologia da EH, seu tratamento objetiva a redução da produção e absorção de amônia,
proveniente da degradação bacteriana de substratos protéicos no cólon. Estratégias
polifarmacológicas baseiam-se no uso de lactulose, antibióticos, prebióticos, fibras solúveis e a
restrição protéica. Um estudo clínico concluiu que o controle da hiperamonemia foi mais eficiente
com a associação da lactulose, probiótico e restrição protéica do que o uso isolado destas
práticas. Com relação a composição de aminoácidos da fonte protéica, aventa-se que
concentrações reduzidas de aminoácidos de cadeia ramificada (leucina, isoleucina e valina) e
concentrações aumentadas de aminoácidos aromáticos (fenilalanina, tirosina, e triptofano) podem
causar EH pela produção de falsos neurotransmissores, porém isso não foi comprovado em um
estudo em cães, que concluiu que a quantidade de proteína ingerida foi mais importante do que
sua composição em aminoácidos.

Vitaminas e Minerais
A absorção intestinal das vitaminas lipossolúveis pode estar diminuída nas situações em que
ocorre redução da secreção de ácidos biliares. A suplementação de vitamina E (400-600 UI/dia) é
recomendada para prover proteção contra radicais livres produzidos pela injúria oxidativa e
principalmente em situações de colestase e doenças do armazenamento de cobre. O paciente
deve receber suplementação com vitaminas hidrossolúveis B1 e B12 (o dobro da dose de
manutenção, por via parenteral). Não é necessária a suplementação das vitaminas A e D, além
das doses de manutenção, pois não há evidência de que animais com doença hepática
apresentem depleção dessas vitaminas. Deficiência de vitamina K pode ocorrer em desordens
colestáticas, sendo recomendada sua suplementação (0,5 -1,0 mg/Kg, subcutâneo, a cada 12
horas). A restrição de sódio dietético é recomendada em pacientes com edema ou ascite. As
concentrações preconizadas até o momento estão em aproximadamente 240mg de sódio por
100g de dieta (na matéria seca). Em animais hiporéticos ou anoréticos, a restrição pode ser mais
branda, pois a ingestão protéico-calórica é mais importante. A restrição do cobre dietético é
recomendada, principalmente nas doenças do armazenamento de cobre, que ocorrem em
Bedlington Terrier, West Highland White Terrier e Skye Terrier. O acúmulo secundário de cobre no
tecido hepático pode ocorrer, também, em doenças colestáticas, pois a bile é o principal meio de
excreção deste elemento, acometendo diversas raças de cães. Esses pacientes devem receber
dietas com níveis inferiores a 5 ppm de cobre. Dietas com alta concentração de zinco (>40mg por
1000Kcal) podem ser indicadas nestes casos. O zinco induz aumento da concentração intestinal
de metalotioneína, a qual liga o cobre ingerido às células epiteliais intestinais, impedindo sua
absorção. À medida que essas células são esfoliadas, o cobre é subseqüentemente perdido nas
fezes. A suplementação diária objetiva atingir concentrações plasmáticas de 200 a 600 mcg/dL. A
hipocalemia é bastante comum nas hepatopatias e é resultante de vômitos e diarréias freqüentes,
baixa ingestão alimentar ou pelo uso excessivo de diuréticos para o tratamento da ascite, sendo
necessária a suplementação de potássio em muitos casos.

Considerações Finais
O tratamento das doenças hepáticas requer cuidadosa atenção das necessidades particulares de
cada paciente. O manejo nutricional objetiva reduzir o trabalho hepático e ao mesmo tempo
atender as necessidades protéico-calóricas, vitamínicas e minerais de manutenção e promover a
regeneração do órgão lesado. Dietas para estes propósitos, devem ser formuladas com
ingredientes de qualidade superior, para suprir a demanda protéica necessária e apresentar alta
densidade energética, com adequados teores de carboidrato e gordura, para diminuir o volume a
ser administrado e para reduzir o uso de proteínas como fonte energética, evitando a formação de
produtos nitrogenados.

Autoria: BRUNETTO, Márcio Antonio e CARCIOFI, Aulus Cavalieri (2009).

Literatura citada:
Bauer J.E. 2004. Nutritional Management of Liver Disease. In: Proceedings of the Pet Food
Industry: Focus on Veterinary Nutrition (Chicago, U.S.A.). pp.75-82.

Brum A.M., Champion T., Zanatta R., Costa M.T. & Canola J.C. 2007. Utilização de probiótico e
lactulose no controle de hiperamonemia causada por desvio vascular portossistêmico congênito
em um cão. Revista Ciência Rural. 37: 572-574.

Center S.A. 1998. Nutritional support for dogs and cats with hepatobiliary disease. Journal of
Nutrition.128 (Suppl 12): 2733-2746.

Meyer H.P., Chamuleau R.A., Legemate D.A., Mol J.A. & Rothuizen J. 1999. Effects of a branched-
chain amino acid-enriched diet on chronic hepatic encephalopathy in dogs. Metabolic brain
disease. 14:103-105.

Roudebush P., Davenport D.J. & Dimski D.S. 2000. Hepatobiliary Disease. In: Hand M.S., Thatcher
C.D., Remillard R.L. & Roudebush P. (Ed). Small Animal Clinical Nutrition, 4. ed. Topeka: Mark
Morris Institute. pp.811-847.

Rutgers C. & Biourge V. 2006. Nutrition of dogs with liver disease. In: Pibot P., Biourge V. & Elliott
D. Encyclopedia of Canine Clinical Nutrition. Aimargues:Aniwa SAS. pp.134-161.

Twedt D.C. 2001. Antioxidants and liver disease. In: Proceedings of the 19th Annual ACVIM

http://www.nutricao.vet.br/textos_basicos.php#idosogato 15/30
14/03/2018 Nutrição.vet — Nutrição para cães e gatos na Clínica Veterinária
Forum(Seattle, U.S.A.). pp.612.

palavras-chave: doença hepática; fígado; manejo nutricional; sódio; cadela; cão; gato; gata.

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HIPERSENSIBILIDADE ALIMENTAR: O QUE É E COMO TRATAR

A hipersensibilidade alimentar é um tipo de reação adversa de origem imunológica não sazonal e


pruriginosa associada à ingestão de alguma substância (material antigênico) encontrada no
alimento do cão (Scott et al, 2001) ou do gato. A base imunológica da alergia alimentar em cães e
gatos não é bem caracterizada. Em humanos, a hipersensibilidade do tipo I é relatada com mais
freqüência, porém, as hipersensibilidades dos tipos III e IV também estão envolvidas (Ihrke,
2009). Os sinais clínicos são cutâneos e normalmente incluem prurido e eritema, podendo afetar
qualquer parte do corpo do animal sendo que a face, as orelhas, as extremidades e a região
ventral são os locais mais acometidos. Freqüentemente, observa-se otite externa e, em casos
graves, otite média. Pioderma secundário, dermatite piotraumática, sobrecrescimento bacteriano
e sinais relacionados com prurido crônico como perda de pelos, hiperpigmentação, liquenificação,
escoriação e ulceração também podem ocorrer (Loefler et al, 2004). Podem ocorrer sinais
gastrintestinais juntamente com sinais dermatológicos.

A proteína do alimento tem um potencial de iniciar uma resposta alérgica caso seja digerida de
maneira incompleta no intestino, absorvida intacta ou parcialmente intacta através da mucosa, e
dessa maneira, chega ao tecido linfóide sistêmico (Moreno & Tavera 1999). Dentre os alimentos
que mais freqüentemente são causadores de reações de hipersensibilidade em cães estão as
carnes bovina e de frango, ovos, produtos lácteos e a soja, entretanto, todas as proteínas de
origem animal são consideradas potencialmente alergênicas. O método ideal de diagnóstico,
quando se suspeita de hipersensibilidade alimentar é o fornecimento de uma dieta de eliminação
contendo fontes de proteínas e carboidratos aos quais o animal não esteve previamente exposto.
Com a melhora dos sinais clínicos realiza-se em seguida o teste de provocação pra demonstrar a
reincidência desses sinais (Case et al 1998).O principal diagnóstico diferencial para a alergia
alimentar canina são as demais alergias como a dermatopatia à ectoparasitas (DAPE) e a
dermatite atópica além das Sarnas (escabiose e demodiciose). As hipersensibilidades alimentares
respondem fracamente à terapia com corticosteróides quando comparada a outras doenças
alérgicas.

As dietas caseiras são tradicionalmente recomendadas, visto que é possível adequar o paciente à
nova dieta baseando-se em seu histórico alimentar, evitando alimentos aos quais foi
anteriormente exposto (Reedy et al., 1997; Scott, 2001). Dietas de eliminação baseada em soja
hidrolisada podem ser uma maneira prática e eficiente para o diagnóstico da hipersensibilidade
em cães, no entanto, a ausência de resposta não indica necessariamente a ausência de uma
hipersensibilidade alimentar o que poderia requerer o uso de outro tipo de dieta de eliminação
como uma dieta caseira, por exemplo.

Geralmente as dietas caseiras são prescritas na proporção de três partes de carboidrato e uma
parte de proteína. Carne de carneiro, búfalo, coelho, rã, cavalo, cervo ou canguru são fontes
protéicas recomendadas, entretanto, qualquer fonte protéica não utilizada previamente na
alimentação do paciente, pode ser administrada. Batata, batata doce, feijão ou inhame são fontes
de carboidrato recomendadas. A porção protéica pode ser aumentada de acordo com as
necessidades do paciente, mas nunca deve estar abaixo de 25% da composição final da dieta. O
alimento deve conter energia metabolizável atendendo as necessidades de manutenção do animal.
Nenhum ingrediente deve ser incluído sem prévio consentimento do médico veterinário (Miller,
2007) e a prescrição deve ser seguida pelo proprietário por no mínimo seis semanas. Utiliza-se
para a produção deste tipo de dieta o mínimo de aditivos possíveis, como óleo e sal e não se deve
fornecer ao animal nenhum outro tipo de alimento ou petiscos. A alimentação prolongada com
uma ou mais novas fontes protéicas, podem resultar no desenvolvimento da hipersensibilidade a
essas novas fontes (Reedy et al., 1997; Brown et al., 1995). Por esse motivo é importante fazer a
escolha de somente uma fonte protéica por vez.

Após o período mínimo de seis semanas, verificando-se a melhora nos sinais clínicos deve-se
introduzir à dieta de eliminação, o sal, o óleo e os minerais mantendo-se a dieta por no mínimo
mais seis semanas e, numa última etapa, introduzir a suplementação de vitaminas. Com a
completa melhora clínica, confirma-se o diagnóstico de hipersensibilidade alimentar expondo
novamente o animal ao alimento previamente consumido e observando novamente o surgimento
dos sinais clínicos. O animal deve receber a dieta hipoalergênica ao longo de toda sua vida ou até
que venha a desenvolver hipersensibilidade a algum componente da nova dieta. Esta dieta pode
ser caseira, desde que devidamente completa e balanceada ou comercial.

Autoria: OLIVEIRA, Michele Cristina de Camargo (2012).

Referências Bibliográficas:

http://www.nutricao.vet.br/textos_basicos.php#idosogato 16/30
14/03/2018 Nutrição.vet — Nutrição para cães e gatos na Clínica Veterinária
Brown CM, Armstrong PJ, Globus H. Nutrition management of food allergy in dogs and cats.
Compend; 17:637-659. 1995.

Case L.P., Carey D.P., Hirakawa D.A. Nutritionally Responsive Dermatoses. In: Canine and Feline
Nutrition: Resource for Companion Animal Professionals. 2ª.ed. Mosby: St. Louis p. 429-
450.1998.

Loeffler A, Lloyd DH, Bond R, et al. Dietary trials with a commercial chicken hydrolysate diet in 63
pruritic dogs. Vet Rec. 154(17):519–22. 2004.

Miller RS. 2007. Diagnosis of food adverse reactions in small animals. The North American
Veterinary Conference. Disponível em: www.ivis.org. Acesso em 28/06/2009.

Moreno E.C., Tavera F.J.T. Hipersensibilidad alimentaria canina. Vet Méx, 30(1). P. 67-77. 1999.
Scott, D.W.; Miller, C.E. Muller & Kirks´s. Small animal dermatology. 6th Ed Philadelphia: W.B.
Saunders. Canine Food Hypersensibilivity; p.615-24. 2001.

Reedy LM, Miller WH, Wilemse T. Allergic Skin Diseases of Dogs and Cats. Philadelphia, PA: WB
Saunders; 173-188. 1997.

Scott DW, Miller WH, Griffin CE. Skin immune system and allergic skin diseases.235 In: Scott DW,
Miller WH, Griffi n CE. eds. Muller & Kirk’s Small Animal Dermatology 6th edn. Philadelphia: W.B.
Saunders. 543-666. 2001.

palavras-chave: alergia alimentar; hipersensibilidade; cadela; cão; gato; gata.

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(IDOSO) NUTRIÇÃO DO CÃO IDOSO

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palavras-chave: idoso; cão; cães; envelhecimento; proteínas; densidade energética; cálcio; fósforo.

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(IDOSO) NUTRIÇÃO DO GATO IDOSO

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palavras-chave: idoso; gato; envelhecimento; densidade energética; cálcio,; fósforo; urólitos.

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(NEONATO) NUTRIÇÃO DO CÃO NEONATO

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palavras-chave: neonato; filhote; filhotinho; cão; cães; alimentação; sucedâneo.

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(NEONATO) NUTRIÇÃO DO GATO NEONATO

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palavras-chave: neonato; gatinho; filhotinho; gato; gata; alimentação; sucedâneo.

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(NUTRACÊUTICOS) ALIMENTOS FUNCIONAIS E NUTRACÊUTICOS NA ALIMENTAÇÃO DE


CÃES

Define-se por alimento funcional aquele alimento ou ingrediente que, além das funções nutritivas
básicas, quando consumido como parte da dieta usual produza efeitos metabólicos, fisiológicos e/ou
efeitos benéficos à saúde, devendo ser seguro para consumo sem supervisão profissional.

Os termos alimento funcional e nutracêutico muitas vezes são tratados erroneamente como
sinônimos. Os nutracêuticos são suplementos dietéticos que apresentam uma forma concentrada de
um possível agente bioativo de um alimento e usado para melhorar a saúde, em dosagens que
excedem àquelas que poderiam ser obtidas do alimento normal.

Apesar das definições distintas, ambos têm sido usados com o propósito de prevenir o
desenvolvimento de doenças e melhorar as condições de saúde dos animais. De uma maneira geral,
estes componentes da dieta são usados com o objetivo de favorecer a saúde do trato digestório, a
resposta imunológica, as condições de pele e pelagem, a composição corporal e prevenir os danos
decorrentes do envelhecimento, além de auxiliar nas funções orgânicas em animais doentes. São
exemplos de substâncias com propriedades funcionais usadas nas formulações de alimentos para cães
e gatos:

- os probióticos (p.e. Lactobacillus spp., Bifidobacterium spp.), os prebióticos (p.e.


mananoligossacarídeos, frutoligossacarídeos),
- os antioxidantes (p.e. carotenóides, flavonóides, coenzima Q), os agentes condroprotetores (p.e.
glicosamina, condroitina),
- os agentes redutores da formação de tártaro (hexametafosfato de sódio, pirofosfato de sódio),
- o óleo de peixe (p.e. fonte de ácidos graxos alfa-linolênico, eicosapentaenóico e docosaexaenóico),
- as leveduras (p.e. fontes de ácidos nucléicos, glutamato e prebióticos),
imunoestimulantes/imunomoduladores (p.e. beta-glucanos, antioxidantes, ácidos graxos, plasma
sanguíneo),
- cromo, carnitina, fibras, extratos herbais, entre outros.

Pela legislação atual do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Instrução Normativa


no30 de 05 de agosto de 2009), a empresa que utiliza um destes produtos na formulação deverá
declarar a substância ou elemento ativo no campo “Níveis de garantia”. Esta medida contribui com o
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conhecimento do profissional e consumidor sobre os níveis destes componentes presentes no
alimento.

Autoria: VASCONCELLOS, Ricardo de Souza (Fev/2012).

Literatura Sugerida:
COTMAN, CW et al. Brain aging in the canine: a diet enriched in antioxidants reduces cognitive
dysfunction. Neurobiology of Aging, v. 23, p.809–818, 2002.

HAND, MS et al. Small Animal Clinical Nutrition, Mark Morris Institute, Topeka-Kansas, 2010,
1313p.

HARVEY, RG; MARKWELL, P. Management of atopy in dogs. Waltham Focus, v.10, n.2, p.1-6, 2000.

KVAMME, JL; PHILLIPS, TD Petfood Technology. Watt Publishing Co., Mt. Morris-Illinois, 2003,
572p.

palavras-chave: nutracêutico; alimento funcional; cão; cães.

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OBESIDADE EM CÃES E GATOS

palavras-chave: obesidade; cães; gatos; calorias; peso; gordura.

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(OBESIDADE, RISCOS) RISCOS CLÍNICOS ASSOCIADOS À OBESIDADE EM CÃES

Introdução
A obesidade é definida como uma enfermidade caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura
corporal, suficiente para prejudicar as funções fisiológicas do organismo animal. Animais se tornam
obesos quando consomem calorias em quantidade superior ao seu gasto calórico. Cães de meia idade
a velhos são os mais predispostos e o intervalo de idade de maior prevalência de obesidade se situa
entre 5 a 10 anos. A ligação entre o excesso de gordura corporal e seus efeitos deletérios está
relacionada com a produção e secreção pelos adipócitos de inúmeros hormônios e citocinas, além do
estresse oxidativo.

Redução da longevidade
No estudo realizado por Kealy et al. (2002), em um grupo de 48 labradores, metade destes
receberam quantidade limitada de alimento ao longo da vida, enquanto a outra metade era
alimentada ad libitum. O grupo de animais que se alimentava com quantidade controlada pesava em
média 26% menos que o grupo controle. A restrição alimentar ajudou a prolongar a longevidade, com

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a expectativa de vida de 13 anos ao invés de 11, 2 anos no grupo controle. Também ajudou a
retardar o desenvolvimento de doenças crônicas.

Doenças Osteoarticulares
A obesidade associada a um consumo elevado de alimento em filhotes de raças de porte grande
durante a fase de crescimento leva ao desenvolvimento de várias queixas ortopédicas ou displasia de
quadril grave. Em animais mais velhos, pode propiciar o desenvolvimento de artrose em várias
articulações, como no ombro, joelho, quadril e cotovelo. Ligamentos rompidos e fraturas no côndilo
umeral também são comuns em cães obesos. (doenças osteoarticulares).

Intolerância ao esforço e sobrecarga cardiorrespiratória


O excesso de peso, ao produzir um aumento do trabalho cardíaco necessário para a perfusão em uma
massa corporal maior, força o sistema circulatório e compromete a capacidade ventilatória do animal.
O aumento de peso em um cão é acompanhado por um aumento no ritmo cardíaco, no volume do
ventrículo, na pressão arterial e no volume do plasma. Podem ocorrer doenças como trombose da
veia porta, hipóxia do miocárdio, endocardite valvular e insuficiência cardíaca congestiva. Estes
efeitos cardiovasculares também podem comprometer os rins, pois a hipertensão pode levar a
modificações na função renal a longo prazo. Há também uma ligação entre a frequência do colapso de
traquéia e obesidade.

Diabetes mellitus
Ainda não foi claramente estabelecido que a obesidade seja um fator de risco para o desenvolvimento
de diabetes mellitus em cães. A secreção de insulina e a intolerância à glicose aumentam
proporcionalmente ao grau de obesidade e é provável que a hiperinsulinemia persistente produzida
pela obesidade seja um fator importante no desencadeamento ocasional de diabetes mellitus nos
cães com sobrepeso.

Redução da imunidade
Os animais obesos são menos resistentes à infecções do que animais com peso corporal ideal ou
alimentados com uma dieta balanceada.

Hiperlipidemia e dislipidemia
A infiltração de gordura no fígado pode ser observada em cães obesos, assim como um aumento na
concentração de lipídeos plasmáticos – colesterol, triglicerídeos e fosfolipídeos, porém sem
ultrapassar os valores de referência para estes parâmetros e modificações no perfil das lipoproteínas
também são observadas.

Incontinência e cálculo urinário


Algumas cadelas podem se tornar incontinentes após se tornarem obesas. O que pode explicar este
fato é a presença de gordura retroperitoneal que pode exercer efeitos mecânicos no sistema urinário
da cadela. Cães acima do peso também são mais propensos a desenvolver cálculo de oxalato de
cálcio.

Problemas reprodutivos
A correlação entre obesidade e problemas reprodutivos não é clara, embora seja evidente que o
excesso de gordura pode levar à distocia.

Câncer
A condição de obesidade em animais jovens desempenha um papel na predisposição para tumores
mamários na idade adulta. A correlação com outros tipos de tumores não é bem estabelecida.

Doenças dermatológicas
Os cães obesos têm mais problemas de pele, principalmente dermatite devido a Malassezia.

Risco cirúrgico
Os principais riscos são overdose e prolongamento do período de recuperação devido ao
armazenamento de anestésicos lipossolúveis na gordura corporal. Outros riscos estão associados com
doenças concomitantes, que são comuns em pacientes obesos, incluindo problemas circulatórios,
respiratórios e hepáticos. Complicações pós-cirúrgicas também são mais frequentes em pacientes
obesos.

Modificações na função da tireóide


As concentrações de alguns hormônios da tireóide são maiores em cães obesos e estes diminuem
durante a perda de peso.

Tratamento
A maioria das doenças relacionadas ao excesso de peso em cães pode ser revertida ou amenizada
com um programa de perda de peso, que inclui dieta adequada e aumento da atividade física,
supervisionados por um médico veterinário.

Autoria: PEIXOTO, Mayara Corrêa. (Out/2013).

Para saber mais:


Case L.P., Carey D.P., Hirakawa D.A. Desenvolvimento e tratamento da obesidade. In: Nutrição
canina e felina: manual para profissionais. 2ª.ed. Mosby: St. Louis p.247-268,1998.

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14/03/2018 Nutrição.vet — Nutrição para cães e gatos na Clínica Veterinária
Diez,M.; Nguyen, P. Obesity: epidemiology, pathophysiology and management of the obese
dog. In: Pibot, P.; Biourge, V. & Elliott, D. Encyclopedia of Canine Clinical Nutrition. Aimargues:Aniwa
SAS. pp.4-59, 2006.

Kealy, R. D.; Lawler, D. F.; Ballam, J. M. et al. Effects of diet restriction on life span and age-
related changes in dogs. J. Am. Vet. Med. Assoc. 220:1315-20, 2002.

Michel, K. E. Nutritional management of body weight. In: Fascetti, A. J.; Delaney, S. J. Applied
Veterinary Clinical Nutrition, 1ª ed. Wiley-Blackwell, Iowa, p. 109-124, 2012.

Toll, P.W.; Yamka, R. M.; Schoenherr, W.D.; Hand, M. S. Obesity. In: Hand M.S., Thatcher C.D.,
Remillard R.L. & Roudebush P. (Ed). Small Animal Clinical Nutrition, 5. ed. Topeka: Mark Morris
Institute. pp.501-542, 2010.

palavras-chave: obesidade; cães; calorias; peso; gordura.

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(OBESIDADE, RISCOS) RISCOS CLÍNICOS ASSOCIADOS À OBESIDADE EM GATOS

Introdução
A obesidade é definida como uma enfermidade caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura
corporal, suficiente para prejudicar as funções fisiológicas do organismo animal. É ocasionada por um
desequilíbrio entre o consumo e o gasto energético, ou seja, ocorre quando o animal consome mais
calorias que seu gasto calórico. Gatos de meia idade são os mais predispostos, o intervalo de idade
de maior prevalência de obesidade se situa entre 5 a 11 anos. Além do fornecimento de uma dieta
palatável e calórica, os proprietários de gatos tendem a “humanizar” mais seus animais em
comparação com proprietários de cães, aliado ao fato de que gastam menos tempo brincando com
seus animais e utilizam o ,alimento como forma de recompensa, em vez de brincadeiras, o que
consequentemente, leva à obesidade.

Redução de longevidade
A restrição dietética pode aumentar a longevidade em um número variado de espécies, incluindo a
felina.

Diabetes mellitus
A obesidade é um fator de risco para a diabetes mellitus em gatos. Ela se assemelha a diabetes
mellitus "tipo 2" no homem, onde existe uma deficiência relativa de insulina. As células beta do
pâncreas são capazes de produzir insulina, mas há insensibilidade periférica ao hormônio e transtorno
correspondente das células beta aos estímulos, causando hiperglicemia sustentada e glicoprivação
celular. O controle da glicemia pode melhorar com a perda de peso.

Dermatopatias
As dermatopatias associadas à obesidade incluem a acne felina, alopecia, várias formas de dermatite,
formação de crostas e dermatofitose. Geralmente estão relacionadas com a habilidade reduzida dos
gatos se limparem eficientemente.

Doenças ortopédicas
Os gatos obesos são cinco vezes mais propensos a apresentar claudicação que gatos em condição
corporal normal . A articulação coxofemoral e a do cotovelo são as mais frequentemente afetadas. Os
sinais clínicos e a mobilidade melhoram após a perda de peso.

Doenças gastrointestinais
Os gatos obesos apresentam mais diarreia que os gatos em condição corporal ideal. As doenças
gastrointestinais incluem doença inflamatória intestinal, colite, megacólon e constipação.

Lipidose hepática
A lipidose hepática é causada pelo acúmulo excessivo de triglicerídeos nas células do fígado, o que
interfere na capacidade funcional hepática. Tende a afetar gatos obesos, de meia idade, que passam
por um período de estresse, seguido de anorexia parcial ou completa, o que leva a trocas metabólicas
e ao acúmulo de gordura no fígado.

Neoplasia
Os tumores mais frequentemente associados com a obesidade incluem adenocarcinoma, carcinoma
basocelular, fibrossarcoma, lipoma, linfoma, tumor mamário, mastocitoma e carcinoma de células
escamosas.

Doenças do trato urinário


Os gatos com sobrepeso são mais susceptíveis a desenvolver doença do trato urinário, como cistite
aguda, urolitíase, doença do trato urinário inferior idiopática felina, obstrução urinária e infecção do

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trato urinário. Os gatos obesos também são aqueles que mais vivem em ambientes fechados, o que é
um fator de risco para a doença do trato urinário idiopática felina. Além disso, problemas ortopédicos
também podem estar associados: o gato com dor pode estar relutante em se locomover e assumir a
posição de micção.

A redução da frequência de micção pode ser uma causa da doença do trato urinário inferior.
Alterações funcionais também podem ocorrer como: aumento na concentração de renina plasmática,
concentração de insulina, pressão arterial média e fluxo plasmático renal. As consequências destas
mudanças a longo prazo seriam doença glomerular grave e lesão renal.

Gatos com sobrepeso possuem três vezes mais chance de desenvolver urolitíase por oxalato de cálcio
do que gatos magros. Também há uma relação positiva significativa entre o índice de massa corporal
e a excreção urinária de ácido úrico, sódio, amônia e fosfato. Uma correlação inversa foi demonstrada
entre índice de massa corporal e pH urinário.

Doença da cavidade oral


A obesidade é um fator de risco para doenças da cavidade oral de acordo com um estudo feito por
Lund et al. (2005), mas as razões para tal ainda não estão bem esclarecidas. Problemas como cálculo
dentário, gengivite, doença periodontal, estomatite e ptialismo podem ocorrer.

Doenças cardiorespiratórias
O aumento do peso corporal pode resultar em alterações no ritmo cardíaco, aumento da saída do
volume ventricular, pressão sanguínea e volume plasmático. O efeito da obesidade na hipertensão é
controverso. Há também uma redução na tolerância ao calor.

Riscos durante a anestesia e cirurgia


Os problemas mais comuns são dificuldade para estimar a dose de anestésico, tempo prolongado de
cirurgia e posterior recuperação.

A maioria das doenças relacionadas ao excesso de peso em gatos pode ser revertida ou amenizada
com um programa de perda de peso, que inclui dieta adequada e aumento da atividade física,
supervisionados por um médico veterinário.

Autoria: PEIXOTO, Mayara Corrêa. (Out/2013).

Para saber mais:


Case L.P., Carey D.P., Hirakawa D.A. Desenvolvimento e tratamento da obesidade. In: Nutrição
canina e felina: manual para profissionais. 2ª.ed. Mosby: St. Louis p.247-268,1998.

German, A.; Martin, L. Feline obesity: epidemiology, pathophysiology and management. In:
Pibot, P.; Biourge, V. & Elliott, D. Encyclopedia of Feline Clinical Nutrition. Aimargues:Aniwa SAS.
pp.4-49, 2008.

Lund, E. M.; Armstrong, P. J.; Kirk, C. A.; Klausner, J. S. Prevalence and risk factors for obesity
in adult cats from private US veterinary practices. Intern J Appl Res Vet Med, vol. 3, No. 2,
2005.

Michel, K. E. Nutritional management of body weight. In: Fascetti, A. J.; Delaney, S. J. Applied
Veterinary Clinical Nutrition, 1ª ed. Wiley-Blackwell, Iowa, p. 109-124, 2012.

Toll, P.W.; Yamka, R. M.; Schoenherr, W.D.; Hand, M. S. Obesity. In: Hand M.S., Thatcher C.D.,
Remillard R.L. & Roudebush P. (Ed). Small Animal Clinical Nutrition, 5. ed. Topeka: Mark Morris
Institute. pp.501-542, 2010.

palavras-chave: obesidade; gatos; calorias; peso; gordura.

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A necessidade protéica de cães muda com o avanço da idade?

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14/03/2018 Nutrição.vet — Nutrição para cães e gatos na Clínica Veterinária
São muitas as modificações fisiológicas que ocorrem em cães com o avanço da idade. Dentre elas
podemos citar uma capacidade de reserva reduzida aos desafios ambientais, redução na capacidade
termorreguladora, queda no metabolismo e necessidade energética, alterações na qualidade da pele e
pelagem, na capacidade de trabalho cardiopulmonar e renal, déficit cognitivo, perda generalizada de
massa muscular e redução na resposta e resistência imunológica.

Por estes motivos a formulação de alimentos para animais geriátricos deve considerar muitas destas
modificações, no intuito de otimizar a condição de saúde dos mesmos. Apesar disto, pouco se
conhece sobre as exigências nutricionais dos animais nesta fase da vida. Exemplo disto é a
controvérsia existente sobre as necessidades protéicas, uma vez que, se por um lado os cães estão
perdendo massa muscular o que sugere que a elevação de proteína no alimento pode ser benéfica,
por outro, o avanço da idade é marcado também por perda na capacidade funcional dos rins,
conseqüente a redução na quantidade de néfrons funcionais, ainda que os animais não sejam
insuficientes renais crônicos.

O que fazer nestas situações: aumentar ou reduzir as concentrações de Proteína nestes alimentos?
Neste artigo iremos discutir alguns dados disponíveis na literatura que podem esclarecer algumas
dúvidas.

Primeiramente, um cão geriátrico não é um cão doente, mas simplesmente um animal com algumas
alterações metabólicas que tornam suas necessidades nutricionais quantitativamente diferentes de
animais mais jovens, porém, qualitativamente, estas são praticamente as mesmas. Os primeiros
estudos envolvendo a determinação das necessidades protéicas de cães foram realizados no século
XIX ainda, considerando que os cães são utilizados como modelos experimentais para a nutrição
humana desde então.

Portanto, na primeira metade do século XX, sem que as necessidades de aminoácidos dos cães
fossem conhecidas, a exigência mínima estimada de proteína bruta foi de 35-90 gramas de proteína
bruta por quilograma de alimento (gPB/kg). Com o passar do tempo, outros estudos foram realizados
e, surpreendentemente, valores muito próximos foram obtidos (80 gPB/kg), sendo recomendado
atualmente pelo NRC (2006) um mínimo de 100 gPB/kg para cães em manutenção. Apesar disto,
parece que cães idosos apresentam uma exigência maior de PB, sendo esta necessária para a
manutenção das proteínas lábeis (chamadas proteínas de reserva), o que pode chegar a uma
exigência cerca de 50% superior a cães em manutenção.

A perda de massa muscular que ocorre em animais idosos se deve principalmente por dois motivos: a
menor atividade física comparada aos animais mais jovens e a resistência periférica a ação insulínica,
o que prejudica a utilização da glicose, conseqüentemente elevando a necessidade de aminoácidos
para o metabolismo protéico e gliconeogênico.

Autoria: VASCONCELLOS, Ricardo de Souza, 2012.

Referência Bibliográficas:
NRC. Nutrient requirements of dogs and cats. Washington, DC: The National Academy Press;
2006. 398 p.

Para saber mais:

WILLIANS, C. C. , Cummins K. A. , Hayek M. G., Davenport G. M. Effects of dietary protein on whole-


body protein turnover and endocrine function in young-adult and aging dogs. J ANIM SCI, 79:3128-
3136, 2001.

Wannemacher-Jr, R.W., McCoy, John R. Determination of optimal dietary protein requirements of


young and old dogs. Journal of Nutrition, 88:66-74, 1966.

Veja também aqui em 'textos básicos' o texto 'nutrição do cão idoso'.

palavras-chave:cão; cães; idoso; proteína; alimento; necessidade protéica; geriatria.

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(REPRODUÇÃO) MANEJO NUTRICIONAL DA CADELA EM REPRODUÇÃO

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14/03/2018 Nutrição.vet — Nutrição para cães e gatos na Clínica Veterinária

palavras-chave: reprodução; cães; fêmea; cadela; gestação; lactação; densidade energética.

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(REPRODUÇÃO) MANEJO NUTRICIONAL DA GATA EM REPRODUÇÃO

palavras-chave: reprodução; cães; fêmea; cadela; gestação; lactação; densidade energética.

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SUPERALIMENTAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DO ESQUELETO DE FILHOTES DE CÃES E RAÇAS


GRANDES E GIGANTES

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palavras-chave: superalimentação; cães; gatos; esqueleto; filhote; crescimento; cálcio.

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(Tiamina) Importância da tiamina (vitamina B-1) para cães e gatos.

A tiamina foi a primeira das vitaminas hidrossolúveis a ser isolada, foi relatada como a causa da
primeira desordem provocada por uma deficiência de vitamina, conhecida como a doença de
beribéri. A vitamina é isolada em sua forma pura como cloridrato de tiamina. A principal função da
tiamina nas células é como coenzima cocarboxilase que é necessária para as reações de
descarboxilação e acetilação, sendo responsável pela produção de energia para o corpo, e
essencial para a utilização dos carboidratos como fonte de energia.

Existem compostos anti-tiamina, como a tiaminase, que é uma enzima que interfere na atividade
da tiamina e está presente em altas concentrações nas vísceras de certos tipos de peixes crus e
bactérias. Animais que consomem tiaminases podem desenvolver doenças como “Chastek
paralysis”, devido a ação da enzima, na divisão da molécula de tiamina em dois componentes,
tornando-a inativa. No entanto, as tiaminases são facilmente inativadas com calor.

Embora a tiamina seja facilmente absorvida e transportada pelas células do corpo, ela não é
estocada em grande extensão, sendo preferencialmente retida nos órgãos com maior atividade
metabólica como coração, cérebro, fígado e rins. Ingestões em excesso são rapidamente
excretadas. A tiamina absorvida é excretada pela urina e pelas fezes, com pequenas quantidades
excretadas pelo suor (McDOWELL, 1989).

A suplementação de tiamina é necessária?

Muitos fatores influenciam a exigência de tiamina, já que ela pode ser sintetizada por
microorganismos no cólon e isto dificulta a determinação da exigência desta vitamina em cães e
gatos. Como esta quantidade produzida é pouco absorvida no cólon, é essencial a sua oferta
através da alimentação.

A composição ração também pode influenciar a exigência de tiamina, como ela está envolvida no
metabolismo de carboidratos, maior ou menor nível deste nutriente, influencia na sua
necessidade. Portanto, é importante que rações com altos níveis de carboidratos (extrativos não
nitrogenados), contenha suplementação de tiamina. As exigências de tiamina para gatos adultos e
cães em crescimento (READ; HARRINGTON, 1981) é de 5,0mg/kg e 0,75mg/kg, respectivamente.
As quantidades recomendadas para cães em crescimento, cães adultos, gatos em crescimento e
gatos adultos são 1,38mg, 2,25mg, 5,5mg e 5,6mg/kg de ração na matéria seca,
respectivamente.

Grãos de cereais e seus sub-produtos são relativamente ricos em tiamina. Levedura de cerveja é
uma das maiores fontes naturais de tiamina conhecida. Sabe-se que a vitamina é encontrada
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principalmente no gérmen e no tegumento, desta forma, os grãos utilizados integrais, contém
bons teores de tiamina, enquanto as farinhas muito “beneficiadas” são deficientes.

Em relação as fontes de tiamina de origem animal, ela está presente na carne magra suína,
fígado, rins e gema de ovo. Sendo uma vitamina hidrossolúvel e instável ao calor, operações que
envolvem altas temperaturas, como a extrusão e autoclavagem resultam em perdas significativas,
sendo necessária a a suplementação da vitamina nas dietas para assegurar o atendimento da
exigência de cães e gatos. Quando seca, a tiamina é estável até 100°C por várias horas, mas a
umidade acelera sua destruição, assim sendo, ela é menos estável ao calor em dietas úmidas do
que em dietas secas.

A deficiência de tiamina é comum? Como detectá-la?

Devido à limitação do organismo em armanezar tiamina, os sinais clínicos da deficiência de


vitamina aparecem rapidamente. A doença de beribéri (neurite periférica) representa o estágio
avançado da deficiência, talvez causada pelo acumulo de intermediários do metabolismo de
carboidratos. Esta desordem afeta o sistema nervoso central, e como a necessidade energética do
cérebro é suprida pela degradação de glicose, ela é dependente das reações bioquímicas nas quais
a tiamina é essencial.

Outras desordens envolvidas são danos cardiovasculares, sendo que seus sinais clínicos são,
bradicardia, cardiomegalia e edema. Sinais clínicos menos específicos incluem problemas
gastrointestinais, fraqueza muscular, fadiga, hiper-irritabilidade e anorexia marcante. Animais
consumindo baixa dose de tiamina na dieta, logo apresentam severa anorexia, perda de interesse
pela comida e não voltam a se alimentar a menos que recebam tiamina. Na clínica, o gato é mais
freqüentemente relatado por estar deficiente em tiamina. Isto pode estar relacionado à sua maior
exigência em relação ao cão, e também pelo maior consumo de peixe ou dietas derivadas pelos
gatos (DAVIDSON, 1992). O tratamento térmico ao qual as rações são submetidas, geralmente é
suficiente para inativar estas tiaminases.

Quando a tiamina é administrada em grandes doses via oral, parece não ser tóxica e usualmente
o mesmo é válido para doses parenterais. Ingestões de tiamina 1000 vezes acima da necessidade
são aparentemente seguras para a maioria das espécies. Por injeção intravenosa, a dose letal
para cães é de 350mg/kg (NRC, 2006).

Autoria: LOUREIRO, Bruna Agy, 2013.

Referências bibliográficas (constam do Banco de Referênias Bibliográficas do


nutrição.Vet) :
DAVIDSON, M. G. 1992. Thiamine deficiency in a colony of cats. Vet Rec. 130: 94-97.

McDOWELL, L.R. Vitamins in animal nutrition. San Diego: Academic, 1989. 486p.

NATIONAL RESEARCH COUNCIL. Nutrient requirements of dogs and cats. Washington: The
National Academy, 2006. 424p.

READ. D. H. and HARRINGTON, D.D. 1981. Experimentally induced thiamine deficiency in Beagle
dogs: Clinical observations. Am. J. Vet. Med. Res. 42:984-991.

Para saber mais:

M. SINGH, M. THOMPSON, N. SULLIVAN, G. CHILD. Thiamine deficiency in dogs due to the feeding
of sulphite preserved meat. Australian Veterinary Journal. Volume 83, Issue 7, pages 412–417,
July 2005.

Tanphaichitr V. Thiamin. In: Shils M, Olson JA, Shike M, Ross AC, eds. Modern Nutrition in Health
and Disease. 9th ed. Baltimore: Williams & Wilkins; 1999:381-389.

Todd K, Butterworth RF. Mechanisms of selective neuronal cell death due to thiamine deficiency.
Ann N Y Acad Sci. 1999;893:404-411.

Flodin N. Pharmacology of micronutrients. New York: Alan R. Liss, Inc.; 1988.

Mimori Y, Katsuoka H, Nakamura S. Thiamine therapy in Alzheimer's disease. Metab Brain Dis.
1996;11(1):89-94.

Yudkin, Warren H. Thiaminase, the CHASTEK-PARALYSIS factor. Physiol Rev October 1, 1949 29:
(4) 389-402.

Veja aqui também no nutrição.VET em 'glossário básico' termos relacionados ao assunto.

palavras-chave:cão; cães; gato; gata; tiamina; vitamina B1.

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14/03/2018 Nutrição.vet — Nutrição para cães e gatos na Clínica Veterinária

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