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FORMAÇÃO HISTÓRICA E ECONÔMICA DE GOIÁS

1) GOIÁS ANTES DA CHEGADA DO CONQUISTADOR EUROPEU.

Era habitado por 35 nações indígenas. Os índios cultivavam milho, mandioca, cará, inhame,
batata doce. Caça e coleta de frutos, raízes e o pequi constituíam fonte de alimentação dos
indígenas.

Antes do Anhanguera 16 bandeiras percorreram Goiás (final do século XVI) sendo penetrações
esparsas, que não fixaram o homem ao solo (incursões de reconhecimento). A 12ª bandeira a
percorrer o Estado era a do Bartolomeu Bueno da Silva (pai do Anhanguera). Isso mostra que o
Anhanguera não foi o ‘descobridor’ de Goiás, mas o primeiro a se interessar pela fixação no
território.

Primeiros bandeirantes a adentrar em Goiás: Antônio Macedo e Domingos Luís Graau (1590).

Bandeiras – Habitantes de São Paulo (responsáveis pela exploração do interior do Brasil) –


Interior.

 Bandeirantismo apresador – aprisionar indígenas.


 Bandeirantismo prospector – busca de metais e pedras preciosas.
 Sertanismo de contrato – Autoridades de São Paulo contratavam bandeirantes para
combater indígenas hostis e quilombos de escravos.

ENTRADAS BANDEIRAS
Financiamento público (Portugal) Expedições particulares
Organizadas pelo governo Não respeitava o limite do Trat. de Tordesilhas
Respeitavam o Tratado de Tordesilhas Visavam lucro

ENTRADAS BANDEIRAS
EM COMUM:
Buscar metais preciosos
Capturar indígenas

Além das bandeiras também havia as missões jesuíticas, entradas, descidas (expedições
realizadas pelos jesuítas visando à catequese dos índios), subidas, monções (utilização de rios
para atingir as regiões auríferas).

SOBRE O TRATADO DE TORDESILHAS:

O que foi

O Tratado de Tordesilhas foi um acordo firmado em 4 de junho de 1494 entre Portugal e


Espanha. Ganhou este nome, pois foi assinado na cidade espanhola de Tordesilhas. O acordo
tinha como objetivo resolver os conflitos territoriais relacionados às terras descobertas no final do
século XV.

O que estabelecia o Tratado de Tordesilhas


De acordo com o Tratado de Tordesilhas, uma linha imaginária a 370 léguas de Cabo Verde
serviria de referência para a divisão das terras entre Portugal e Espanha. As terras a oeste desta
linha ficaram para a Espanha, enquanto as terras a leste eram de Portugal.

Tratado de Madri

O Tratado de Tordesilhas deixou de vigorar apenas em 1750, com a assinatura do Tratado de


Madri, onde as coroas portuguesa e espanhola estabeleceram novos limites de divisão territorial
para suas colônias na América do Sul. Este acordo visava colocar fim as disputas entre os dois
países, já que o Tratado de Tordesilhas não havia sido respeitado por ambas as partes.

2) A BANDEIRA DO ANHANGUERA (1722-1725) E O ‘DESCOBRIMENTO’ DE GOIÁS

Anhanguera não foi o ‘descobridor’ de Goiás, mas o primeiro a se interessar pela fixação no
território. Descobriu ouro de aluvião (superfície) nas cabeceiras do Rio Vermelho (Cidade de
Goiás).

Anhanguera: Bartolomeu Bueno da Silva Filho.

A bandeira era composta por 150 bandeirantes, 200 escravos e 150 indígenas totalizando 500
homens. A bandeira durou um pouco mais de três anos.

Investido na função de superintendente das minas, Bartolomeu Bueno da Silva Filho voltou para
Goiás, fundou em 1727 o Arraial de Sant’anna, posteriormente denominado Vila Boa de Goiás
(1739), e atualmente Cidade de Goiás, desde 1819.

GOIÁS VELHO
ARRAIAL DE SANT’ANNA 1727-1738
VILA BOA DE GOIÁS A PARTIR DE 1739
CIDADE DE GOIÁS A PARTIR DE 1819

Arraial: Conjunto de famílias com mais de 100 casas.

Vila: Arraial com importância política.

3) CICLO DO OURO EM GOIÁS

1. 1727 – 1734: Início


2. 1734 – 1749: Auge
3. 1750 – 1830: Decadência progressiva

A maior concentração aurífera em Goiás deu-se em torno das Serras dos Pirineus e Dourada, ao
longo do Rio Vermelho e das Almas, na região centro-sul.

Os primeiros Arraiás surgidos em Goiás foram reflexos da corrida do ouro e se caracterizavam


pela irregularidade e instabilidade.

1ª região ocupada: Região do Rio Vermelho (Arraial de Sant’anna). Surgiram também outros
Arraiás esparsos devido à exploração aurífera e localização na rota de MG para GO.
1749: Foi criada a Capitania de Goiás (com o objetivo da coroa de aumentar o controle sobre a
região mineradora). Antes de se tornar capitania, Goiás pertencia à capitania de São Paulo (São
Vicente).

1º Governador: Dom Marcos de Noronha (Conde dos Arcos).

Governador: responsável pela administração, pela aplicação das leis e pelo comando do exército,
composto pela Companhia dos Dragões, com a função de vigilância e proteção.

OBS: A primeira força policial da capitania de Goiás: REGIMENTO DOS DRAGÕES.

O povoamento determinado pela mineração do ouro era um povoamento muito irregular e


instável. Onde aparecia o ouro ali surgia uma povoação, quando se esgotavam os mineiros se
mudavam para outro lugar. Isso porque o ouro encontrado em Goiás era o ouro de aluvião
(depositado em pequenas partículas em leitos de rios ou sopé de montanhas) e as técnicas
empregadas eram rudimentares (bateia).

A base populacional era formada por mestiços, escravos negros e brancos fugidos da justiça.

A maioria da população era composta por escravos, que trabalhavam na extração do ouro e
representavam 50% da população, com vida útil de mais ou menos 10 anos, devido à péssima
alimentação, graves doenças causadas pelo trabalho contínuo nas águas do rio; além disso, as
arbitrariedades e os castigos eram a forma usual de sujeição do escravo.

A época do ouro foi intensa e breve. Após 50 anos, verificou-se a decadência rápida e completa
da mineração.

Goiás foi o segundo maior produtor aurífero do Brasil, perdendo em produção apenas para Minas
Gerais. (MG – GO – MT)

Em virtude do Pacto Colonial o ouro encontrado aqui era destinado à Coroa Portuguesa. Apesar
de não ficar aqui contribuiu para o progresso do país através da expansão territorial que foi em
grande parte sustentada por esta atividade, além de incentivar o povoamento do território sendo o
ouro o capital responsável pelo pagamento da estrutura das cidades que receberam essas
populações.

SOBRE O PACTO COLONIAL:

Ficou conhecida como Pacto Colonial a relação comercial entre a colônia e sua metrópole,
durante a colonização da América do Sul. Este pacto garantia a exclusividade dos colonizadores
sobre todas as riquezas encontradas ou produzidas nas colônias. Vale lembrar, que na América
do Norte se desenvolveu outro tipo de colonização. Não foi uma colonização de
exploração, mas sim de povoamento. Fim do Pacto Colonial

O fim do pacto colonial só ocorreu em 1808, com a vinda da família real para o Brasil. Dom
João, Príncipe Regente, assinou uma carta Régia abrindo os portos às nações amigas, ou seja, o
Brasil deixava a partir desta data de comercializar somente com Portugal.

Outra medida importante foi a liberação para que a colônia passasse a produzir manufaturas.
Dom João esperava, com esta atitude, impulsionar a produção manufatureira aqui no Brasil, mas
isto não ocorreu.
Em 1810, foi firmado um tratado comercial com a Inglaterra, o qual estabeleceu que os produtos
ingleses entrariam no Brasil pagando um imposto menor. A Inglaterra passou a pagar 15% de
imposto sobre o valor das mercadorias, enquanto Portugal 16% e outros países, 24%.

SOBRE A VINDA DA FAMÍLIA PORTUGUESA PARA O BRASIL:

No século XIX, Napoleão Bonaparte tornou-se soberano do império da França, seu objetivo era
apoderar-se de toda a Europa. Para alcançar tal intento devassou o exército de diversos países,
porém o mesmo não conseguiu com as forças militares e navais da Inglaterra. Para enfrentar-los,
Napoleão decretou o Bloqueio Continental - determinação que vetava os países da Europa de
negociar com a Inglaterra.

Neste momento da história, Portugal era governado pelo provável herdeiro da coroa, Dom João.
Portugal e Inglaterra eram velhos cúmplices, o que deixou Dom João em uma posição
delicadíssima. A situação dele não era nada fácil, o que fazer? ir contra Napoleão e correr o risco
de uma invasão francesa ou esperar para ver a Inglaterra invadir o Brasil? Nem uma nem outra
atitude era fácil para D. João.

A saída encontrada, em conluio com os ingleses, foi a mudança da comitiva portuguesa para o
Brasil. Em novembro de 1807, sob proteção da força naval inglesa, D. João, sua linhagem e a
nobreza que o rodeava mudaram-se para o Brasil. Aportaram em território brasileiro cerca de
quatorze navios com 15 mil pessoas. Após a chegada da linhagem real, Dom João passou alguns
dias em Salvador, quando tomou duas decisões que deram uma injeção de ânimo na economia
brasileira: determinou a abertura dos portos aos países amistosos e a autorização para a
instalação de indústrias, antes coibida por Portugal.

Surgiram várias fábricas e trabalhos manuais em tecido, mas que não foram adiante devido à
confluência dos tecidos ingleses. Entre outros feitos importantes para a economia, pode-se citar a
construção de estradas, melhorias nos portos e o ingresso do chá no país. A atividade agrícola
voltou a crescer. No início do século XIX, o açúcar e o algodão subiram no ranking das
exportações, ficando em segundo lugar, e o café subiu para o topo nas exportações brasileiras.

Após sair de Salvador, o rei foi para o Rio de Janeiro, lá chegando em 08 de março de 1808,
transformando a cidade em residência fixa da corte portuguesa. A chegada da família real ao
Brasil e sua instalação no Rio de Janeiro trouxeram para a colônia o status de Reino Unido de
Algarves. Coube à D. João instituir alguns ministérios, entre eles o da Guerra, da Marinha, da
Fazenda e do Interior. Estabeleceu órgãos fundamentais para o bom andamento do governo,
como o Banco do Brasil, a Casa da Moeda, a Junta Geral do Comércio e o Supremo Tribunal. As
melhorias não foram só econômicas, mas também culturais e educacionais. A Academia Real
Militar, a Academia da Marinha, a Escola Real de Ciências, de Artes e Ofícios, a famosa
Academia de Belas-Artes e dois colégios de Medicina e Cirurgia, no Rio de Janeiro e em
Salvador, foram algumas das contribuições recebidas com a vinda da realeza para o Brasil. Entre
outras benfeitorias, pode-se citar a criação do Museu Nacional, do Observatório Astronômico, a
Biblioteca Real - combinação de diversos livros e documentos que vieram de Portugal -, a estréia
do Real Teatro de São João e o surgimento do Jardim Botânico.

O Brasil, enquanto colônia, não possuía nenhum meio de comunicação, até então proibido
oficialmente, contudo a vinda de D. João mudou essa realidade. Em 10 de setembro de 1808,
imprimiu-se o primeiro jornal do país, a Gazeta do Rio de Janeiro. Porém, nem tudo foi glória, os
cariocas tiveram que arcar com o alto custo de tudo, além de serem coagidos a doar alimentos e
tecidos para manter a mordomia da Corte, que não se importava em esbanjar. A imagem que D.
João passa logo que chega não é bem vista por muitos moradores, que se vêem obrigados a
ceder seus imóveis privados para que a coroa abrigue todos os que vieram consigo, os que aqui
chegaram tiveram carta branca para escolher a residência que melhor lhes conviesse. Feita a
escolha, estas casas eram marcadas com as letras P.R, que queriam dizer Príncipe Regente, e a
partir daí estipulavam um tempo determinado para que seus moradores as desocupassem.

Foi com o intuito de empregar essas pessoas que D. João criou os órgãos acima citados. O Rio
de Janeiro passou por uma grande transformação, expandiu-se, ganhou chafarizes, para que
houvesse fornecimento de água, pontes e calçadas, assim a realeza poderia caminhar
despreocupadamente. Construíram-se ruas e estradas, e a iluminação pública foi instalada.

Enquanto o Brasil se vangloriava por ter deixado de ser colônia e o Rio de Janeiro se
transformava na sede do reino, em Portugal a situação não era das melhores, o povo encontrava-
se depauperado em conseqüência da guerra contra Napoleão e o comércio estava em
decadência devido à abertura dos portos brasileiros.

Revoltados, os portugueses exigiram, em 1820, a volta de D. João, com a eclosão, ao norte de


Portugal, da Revolução do Porto. Pediam também que fossem banidos os administradores
estrangeiros e o comércio brasileiro fosse realizado somente pelos mercantes de Portugal. D.
João resolveu que a melhor solução para esses problemas era sua volta para Portugal, a qual
deu-se em 26 de abril de 1821, porém aqui ficou seu filho, D. Pedro, no papel de governante do
Brasil, satisfazendo desta forma não só os portugueses, mas também os brasileiros. O embarque
de D. João foi bastante conturbado, pois este decidiu levar consigo o dinheiro e o ouro do Banco
do Brasil. Foi necessário D. Pedro determinar que as tropas dessem um fim ao burburinho,
evitando desta forma que o navio atracado fosse invadido e revistado. Desta forma, D. João foi-se
embora, assim como nosso dinheiro esvaiu direto para os cofres de Portugal.

3.1) IMPOSTOS

Todos os produtos minerais eram propriedades do Rei, por meio do ‘Direito Senhorial’.

Impostos típicos:

 QUINTO: Primeira forma de imposto. Quinta parte (1/5 ou 20%) de todo o ouro extraído.
 CAPITAÇÃO: Na tentativa de controlar o contrabando, partindo-se da ideia que era mais
difícil esconder o escravo do que o ouro extraído partiu-se para o sistema de capitação, em
que o imposto era cobrado na forma de um valor fixo por cabeça de escravo. Esse imposto
desconsidera as diferenças de rendimento de cada escravo, em função da maior ou menor
riqueza das várias minas existentes à época.
 OUTROS IMPOSTOS: entrada (circulação de mercadorias); passagem (trânsito nos rios);
dízimo (colheitas agrícolas e igreja); foro (casas); sizas (transação comercial de escravos).

Casas de Fundição: Em Goiás não poderia circular ouro em pó e nem em pepita. Todo ouro
encontrado deveria ser levado para as Casas de Fundição para serem fundidos em barras onde
recebiam o carimbo da Coroa e era tributado o quinto, principal imposto cobrado sobre o ouro.
Inicialmente a Casa de Fundição era localizada em São Paulo (1726 – 1736) o que facilitava o
contrabando e reduzia os ganhos da Fazenda Real. Em Goiás havia duas casas de fundição.
Uma localizada em Vila Boa de Goiás (atual Cidade de Goiás) e outra localizada em São Félix,
mais tarde transferida para Cavalcante.

A Intendência das Minas tinha a função de fiscalizar, tributar e gerenciar a região mineradora.
3.2) DECADÊNCIA DA MINERAÇÃO (a partir de 1778)

1. Técnicas rudimentares (bateia)


2. Carência de mão de obra
3. Má administração local
4. Esgotamento das jazidas auríferas
5. Diminuição da mão de obra escrava
6. Contrabando
7. Dificuldade de comunicação
8. Epidemias, em sua maioria, causadas pela falta de sal e pela malária
9. Carência de animais de carga
10. Os brancos não trabalhavam por tradição e privilégio da cor, os mulatos queriam liberdade
para se diferenciar dos escravos, os negros forros viravam faiscadores e só trabalhavam
quando o dinheiro acabava.
11. Sentimento de fracasso e derrota da população em geral
12. Altos impostos

3.3) FINAL DA OCUPAÇÃO MINERATÓRIA

Um povo tipo de povoamento se estabeleceu a partir do final do século XVIII, sobretudo no sul da
capitania, onde campos de pastagens naturais se transformaram em centros de criatório.

Há uma intensa ruralização da sociedade. As cidades se tornam vazias.

Durante o período minerador começa a diferenciação entre o Sul e o Norte de Goiás. O sul passa
a se destacar mais, as pessoas chegam de mulas e carroças, vinham do litoral sudeste (SP). O
norte passa a ser ocupado mais por nordestinos, vinham pelos rios (Tocantins e Araguaia).

Com o declínio da mineração, os senhores de escravos não tinham mais como mantê-los, assim,
os da região Centro-Sul foram vendidos para as lavouras de café de São Paulo; os do Norte, na
sua maioria, foram abandonados à sua própria sorte, muitos morreram e a maioria se isolou
formando o Quilombo dos Kalungas.

TEXTO SOBRE OS QUILOMBOS:

QUILOMBOLAS

Ligados diretamente à história da ocupação do território brasileiro, os quilombos surgiram a


partir do início do ciclo da mineração no Brasil, quando a mão de obra escrava negra
passou a ser utilizada nas minas, especialmente de ouro, espalhadas pelo interior do
Brasil. Em Goiás, esse processo teve início com a chegada de Bartolomeu Bueno da Silva, em
1722, nas minas dos Goyazes. Segundo relatos dos antigos quilombolas, o trabalho na
mineração era difícil e a condição de escravidão na qual viviam tornavam a vida ainda mais dura.
As fugas eram constantes e àqueles recapturados restavam castigos muito severos, o que os
impelia a procurar refúgios em lugares cada vez mais isolados, dando origem aos quilombolos.

Os Kalungas são os maiores representantes desses grupos em Goiás. Na língua banto, a


palavra kalunga significa lugar sagrado, de proteção, e foi nesse refúgio, localizado no norte da
Chapada dos Veadeiros, que os descendentes desses escravos se refugiaram passando a
viver em relativo isolamento. Com identidade e cultura próprias, os quilombolas
construíram sua tradição em uma mistura de elementos africanos, europeus e forte
presença do catolicismo tradicional do meio rural.

A área ocupada pela comunidade Kalunga foi reconhecida pelo Governo do Estado de
Goiás, desde 1991, como sítio histórico que abriga o Patrimônio Cultural Kalunga. Com
mais de 230 mil hectares de Cerrado protegido, abriga cerca de quatro mil pessoas em um
território que estende pelos municípios de Cavalcante, Monte Alegre e Teresina de Goiás.
Seu patrimônio cultural celebra festas santas repletas de rituais cerimoniosos, como a Festa do
Império e o Levantamento do mastro, que atraem turistas todos os anos para a região.

4) O CICLO DA PECUÁRIA

Início do século XIX (1801-1900). A pecuária ocorreu por meio de duas vias de penetração:
Nordeste e São Paulo/Minas Gerais.

Problemas oriundos do povoamento da pecuária:

 Não foi um povoamento uniforme;


 Má distribuição;
 Heterogeneidade do seu crescimento.

Durante o século XIX a população de Goiás aumentou continuamente, não só pelo crescimento
vegetativo, mas também pelas migrações dos Estados vizinhos.
4.1) RURALIZAÇÃO

Pecuária Extensiva: gados soltos no campo sem controle. Mesmo com o gado, Goiás continuava
em estado extremamente pobre, pois o gado goiano percorria grandes distâncias e chegavam
extremamente magros aos pontos de abate. O gado da parte sul de Goiás era vendido no RJ, SP
e MG; da parte norte: BA e MA.

Os antigos centros mineradores não foram substituídos por povoações dinâmicas. Houve a
ruralização da população em que só ia às cidades para comprar sal, ferro e pólvora, ir a missas e
festas religiosas.

As grandes fazendas produziam para a subsistência e o excedente era vendido no mercado


INTERNO.

Os núcleos urbanos eram pobres e em número reduzido. Destaques: Meia Ponte e Vila Boa.

A fome e a pobreza foram as duas características marcantes do século XIX.

Nesse período passou por Goiás um grupo de europeus intelectuais (séc. XIX), chamados de
viajantes. O viajante mais importante é Auguste Saint-Hilaire que deixa em seus relatos uma
visão de inanição muito marcante do povo goiano (visão etnocêntrica e egocêntrica).

Fatores de estagnação econômica de Goiás no século XIX:

 Isolamento
 Grandes distâncias
 Falta de estradas (minimizado com a chegada da Estrada de Ferro no início do século XX)
 Ataques de índios
 Falta de moedas para o comércio
 Falta de mão de obra.

Fatores responsáveis pelo desenvolvimento da pecuária em Goiás

 Província contava com imensas áreas devolutas e com pastagens nativas;


 A atividade em questão absorvia pouca força de trabalho;
 O dispêndio de capital fixo era irrisório, pois a expansão do rebanho se fazia por meio do
processo natural de reprodução.
 O gado era uma mercadoria capaz de transportar-se a si mesma, uma vez que um dos
principais problemas da Província era a escassez e a ineficiência das vias de acesso aos
centros dinâmicos do País.

Nesse período quase não havia negros em Goiás, pois, com a decadência da mineração, os
negros da região centro-sul foram deslocados para as lavouras de café de São Paulo e os do
Norte foram abandonados (muitos se isolaram formando os quilombos).

Escravidão: a partir de 1870, Félix de Bulhões (“Castro Alves Goiano”) iniciou em Goiás o
movimento abolicionista, apesar de quase não existir mais escravos devido à decadência da
mineração. Nessa época, existia em Goiás o escravo doméstico e os escravos abandonados e
fugitivos que haviam fundado o Quilombo dos Kalungas, na região de Monte Alegre de Goiás.
4.2) PANORAMA ADMINISTRATIVO, POLÍTICO, CULTURAL DE GOIÁS DURANTE O IMPÉRIO (1822-1889)

A política goiana era dirigida por presidentes impostos pelo poder central. Não possuíam vínculos
familiares à terra, descontentando os políticos locais.

Coexistiu no aspecto cultural um grande vazio.

Não participou do surto desenvolvimentista do século XIX.

Últimas décadas do século XIX: grupos locais manifestaram-se insatisfeitos com a Administração
e passaram a lutar pelo nascimento de uma consciência política. A consequência de tais
movimentos foi a fortificação de grupos políticos locais, lançando as bases oligárquicas goianas
(CORONELISMO).

4.3) PRIMEIRA REVOLUÇÃO SEPARATISTA DA REGIÃO DO TOCANTINS

Revolução de 1821 – ocorrida no Norte de Goiás, na chamada Região do Tocantins, de cunho


separatista.

Comando: Padre Luiz Bartolomeu Marques e Joaquim Teotônio Segurado, que estabeleceu o
governo provisório em Cavalcante, onde seria a capital.

O movimento fracassou devido à intervenção do governo central (falta de apoio de Dom Pedro I
aos rebeldes). Somente em 1988 foi criado o Estado de Tocantins, por meio de um ato
constitucional (CF de 88)
4.4) DIIVISÕES FÍSICAS DO ESTADO DE GOIÁS

 1816 – o Triângulo Mineiro foi incorporado à província de Minas, o acordo foi feito pelos
coronéis em troca de gado.
 1921 – Catalão, em Minas Gerais, por decreto do Governo Federal, passou a pertencer a
Goiás.
 1961 – Goiás perdeu uma área de 5.822,1 km, cedida para a criação da capital federal,
Brasília.
 1988 – criação do Estado do Tocantins, por meio de um projeto de lei promulgado na
constituição de 1988.
4.5) URBANIZAÇÃO E MUDANÇAS SOCIAIS EM GOIÁS

A construção da estrada de ferro foi o primeiro dinamismo na urbanização em Goiás.

Importante papel da ferrovia na intensificação do povoamento goiano:

 Facilitou o acesso dos produtos goianos aos mercados do litoral;


 Possibilitou a ocupação de vastas áreas da região meridional de Goiás;
 Serviu como via de penetração, integrando territorialmente Goiás ao centro-sul do País,
principalmente MG e SP.

A estrada de ferro (primeiro chegou a estrada de ferro e depois chegou os trilhos) chegou a Goiás
em 1907 com o nome Estrada de Ferro Goiás.

Em 1913 os trilhos chegaram à cidade de Goiandira e Ipameri. OBS: Nessa época a cidade de
Catalão ainda fazia parte de MG. Apenas em 1921 passou a pertencer a Goiás.

Em 1935, quando os trilhos da estrada de ferro chegaram a Anápolis, aconteceu uma


paralisação, reiniciada atualmente com a construção da Ferrovia Norte-Sul.

SOBRE A FERROVIA NORTE-SUL:

A Ferrovia Norte Sul – FNS de Barcarena/PA–Rio Grande/RS foi projetada para promover a
integração nacional, minimizar custos de transporte e interligar as regiões brasileiras, por
meio das suas conexões com ferrovias novas e existentes.

A construção da FNS foi iniciada por trechos, na década de 1980, a partir de sua ligação
com a Estrada de Ferro Carajás – EFC. O traçado inicial previa a construção de 1.550 km,
de Açailândia/MA a Anápolis/GO, de modo a cortar os Estados do Maranhão, Tocantins e
Goiás. Com a Lei nº 11.772, de 17 de setembro de 2008, foram incorporados a esse traçado
os trechos de Barcarena/PA a Açailândia/MA e de Ouro Verde/GO a Panorama/SP.

Em 27 de junho de 2006, a VALEC iniciou o processo de licitação para contratar a


subconcessão do subtrecho da Ferrovia Norte Sul de Açailândia/MA a Palmas/TO, com
extensão de 719 km. Em 3 de outubro de 2007, a Vale S.A. arrematou, com lance de R$
1,478 bilhão, a subconcessão para exploração comercial por um período de trinta anos. Em
face da exigência do Edital de licitação para subconcessão, foi criada a empresa Ferrovia
Norte Sul S.A., que efetivou o contrato em 20 de dezembro de 2007. Hoje, essa
subconcessionária é responsável pela conservação, manutenção, monitoração, operação,
melhoramentos e adequação desse trecho ferroviário.

Em 2012, a VALEC concluiu o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental –


EVTEA dos trechos Barcarena/PA a Açailândia/MA e de Estrela d’Oeste/SP a Panorama/SP.
Também contratou o EVTEA dos segmentos Panorama/SP a Chapecó/SC e Chapecó/SC a
Rio Grande/RS. Com isso, será concluída a ligação ferroviária Barcarena/PA a Rio
Grande/RS com 4.197 km de extensão, em bitola larga, o que vai configurar uma verdadeira
espinha dorsal dos transportes ferroviários.
OBJETIVOS -FNS

 Estabelecer alternativas mais econômicas para os fluxos de carga para o mercado


consumidor;
 Induzir a ocupação econômica do cerrado brasileiro;
 Favorecer a multimodalidade;
 Conectar a malha ferroviária brasileira;
 Promover uma logística exportadora competitiva, de modo a possibilitar o acesso a
portos de grande capacidade;
 Incentivar investimentos, que irão incrementar a produção, induzir processos
produtivos modernos e promover a industrialização.

BENEFÍCIOS -FNS

 Reduzir os custos de comercialização no mercado interno;


 Melhorar o desempenho econômico de toda a malha ferroviária;
 Aumentar a competitividade dos produtos brasileiros no exterior;
 Incentivar os investimentos, a modernização e a produção agrícola;
 Melhorar a renda e a distribuição da riqueza nacional.

UNIDADES DA FEDERAÇÃO POR ONDE PASSARÁ A FERROVIA- FNS

 Pará;
 Maranhão;
 Tocantins;
 Goiás;
 Minas Gerais;
 São Paulo;
 Paraná;
 Santa Catarina; e
 Rio Grande do Sul.

DIAGRAMA UNIFILAR DA FERROVIA NORTE SUL - FNS


5) O CORONELISMO EM GOIÁS – REPÚBLICA VELHA (1889-1930)

DATAS IMPORTANTES:

PERÍODO DATA
Colônia 1500-1822
Independência Brasil 07/09/1822
Império (Monarquia) 1822-1889
Proclamação República 15/11/1889
República Velha 1889-1930
Era Pedro Ludovico 1930-1945
Populismo 1945-1964
Ditadura Militar 1964-1985
Redemocratização 1985 – dias atuais

Capitania de Goiás Período Colonial (1500-1822)


Província de Goiás Período Imperial (1822-1889)
Estado de Goiás Período Republicano (1889-dias atuais)

Independência do Brasil 07/09/1822


Proclamação da República 15/11/1889

Pacto Coronelista: O governo cede, de fato, o exercício de jurisdição política no interior aos
Coronéis em troca de seu apoio em votos nas eleições. O poder dos coronéis era resultado do
carisma, da força com qual governava sua parentela, de seus recursos econômicos e o fato de
possuir homens armados sob suas ordens. O simples fato de o Coronel ter jagunços e ter fama
de violento era fundamental para fortalecer seu poder, pois a fama gera reconhecimento.

O arranjo coronelista se estabelece pelo compromisso entre grupos políticos municipais sob o
controle do Executivo Estadual, tendo como base o voto de cabresto, o poder econômico e o
clientelismo.

Na atualidade, apesar do desaparecimento dos coronéis, podemos constatar que algumas de


suas práticas se fazem presentes na cultura política do nosso país. A troca de favores entre
chefes de partido e a compra de votos são dois claros exemplos de como o poder econômico e
político ainda impedem a consolidação de princípios morais definidos nos processos eleitorais e
na ação dos nossos representantes políticos.

SOBRE O VOTO DE CABRESTO:

Ficou popularmente conhecido como voto de cabresto o sistema tradicional de controle de


poder político por meio do abuso de autoridade, compra de votos ou utilização da máquina
pública para favorecimento pessoal ou de simpatizantes políticos.

Nas regiões mais pobres do Brasil a prática foi (e, de certo modo ainda é) bastante
recorrente uma das principais características do que se costuma definir como
coronelismo. Desde os tempos do Império, onde se realizaram as primeiras eleições do
Brasil como país independente, a prática da fraude eleitoral é uma praga de difícil combate.
No período áureo do coronelismo, no início do século XX, o eleitor só precisava levar um
pedaço de papel com o nome do seu candidato e depositar na urna. Tratava-se de um
papel qualquer, trazido de casa mesmo. Para os coronéis, bastava entregar a cada um de
seus empregados um papel já preenchido, e como a grande maioria destes "eleitores" era
analfabeta, estes apenas assinavam seus nomes (lembrando que analfabetos não podiam
votar). Isso não era de modo algum problema para os coronéis, já que eles mesmos
escreviam nos papéis o que bem desejassem. Como os criados não sabiam ler, muitas
vezes eles votavam sem sequer saber o que estava escrito no papel que depositavam na
urna. Aliás, era prática do coronel fornecer o transporte a estes pretensos eleitores, que
recebiam as "instruções" ao irem votar.

As regiões do vasto interior do Brasil estavam cheias desta figura, um grande fazendeiro
que exercia poder total sob uma comunidade de camponeses humildes, pela via moral ou
pela força mesmo. Assim, este utilizava de seu poder econômico para garantir a eleição
dos candidatos que apoiava. Quando o convencimento pela via econômica não surtia
efeito, o coronel recorria à violência para que os eleitores de seu "curral eleitoral"
obedecessem às suas ordens. Com um sistema de voto era aberto, ficava fácil para os
capangas do "candidato" pressionar e fiscalizar os eleitores para que votassem nos
candidatos "indicados". Outras formas conhecidas de fraude eleitoral eram a compra de
votos, votos fantasmas e as troca de favores.

Com a Revolução de 1930 e a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, a situação mudaria


lentamente. Em 1932 entra em vigor o primeiro Código Eleitoral do Brasil, que garante o
voto secreto, medida fundamental para o início de uma maior correção nas eleições. Por
outro lado, o fator social iria influenciar também, pois, a população rural iria gradualmente
mudar do campo para as cidades, enfraquecendo assim, naturalmente, o poder do coronel.
Com a instalação do sistema de voto por meio da urna eletrônica, em 1996, as chances de
fraude foram consideravelmente diminuídas.

5.1) OLIGUARQUIAS DOMINANTES EM GOIÁS

5.1.1) OS BULHÕES (1878-1901 – 1909-1912)

Principal líder: José Leopoldo de Bulhões

Félix de Bulhões: chamado de ‘Castro Alves Goiano’ pois queria abolição da escravatura. A Lei
Áurea (de 13/05/1888 que extinguiu a escravidão no Brasil, assinado pela princesa Isabel) não
encontrou nenhum negro cativo na cidade de Goiás. A Lei libertou em toda a Província goiana
aproximadamente 4.000 escravos, segundo o historiador Luis Palacin. Número
insignificante para uma população que já alcançava cifra superior a 200.000 homens. Pelo
exposto, vimos que a abolição em Goiás não deve ter afetado a economia agropastoril. De
todos os países do continente americano, o Brasil foi o último a abolir a escravidão. Ainda hoje,
mais de um século depois de aprovada a Lei Áurea, o regime escravocrata ainda resiste em
lavouras e grandes pedaços de terra.
5.1.2) XAVIER DE ALMEIDA (1901-1909)

Ligado por laços de parentesco ao grupo Bulhões.

 Revolução de 1909: Legitima a ascensão dos Caiados (Legião Rubra), tendo à frente do
grupo Antônio Ramos Caiado (“Totó Caiado”). José Xavier de Almeida parte para o
ostracismo em Morrinhos. Não se trata de uma revolução social, pois nada mudou na
situação das camadas populares, com exceção da classe dominante (política), que sofreu
uma reviravolta em seu poderio administrativo.

5.1.3) OS CAIADOS ( 1909- 1930)

Tempo marcado pela violência e fraude, pois o voto era aberto, manipulado, sendo chamado de
voto de cabresto. Os caiados possuíam jagunços para efetivar suas ações e manipular as
eleições.

Integrantes do Partido Democrata que exerceram total poder sobre a coisa pública,
administrando-a como propriedade particular (‘grande fazenda’) e de acordo com seus interesses.

Principal líder: Antônio Ramos Caiado – Totó Caiado.

Grande opositor: Pedro Ludovico Teixeira, médico formado no RJ.

Domínio: especialmente nas regiões de Vila Boa (Goiás Velho) e Pirenópolis.

Estrada de Ferro (1913): Integração interior-litoral devido ao café. Representou o primeiro grande
dinamismo em Goiás.

A COLUNA CAIADO:

A Coluna Prestes liderada por Luiz Carlos Prestes chegou a Goiás em junho de 1925. Inimigo da
coluna e aliado do governo, o Senador Antônio Ramos Caiado, o Totó Caiado, comandou uma
força de 800 provisórios, formado por civis e policiais militares contra a coluna. Ficou conhecida
como a Coluna Caiado. A coluna atravessou todo o estado de Goiás, ao longo do Rio Tocantins,
em busca de seus campos ricos em alimentos.

SANTA DICA

Benedita Cipriano Gomes nasceu em 17 de janeiro de 1903 na Fazenda Mozondó a 40 km de


Pirenópolis. Por volta de 7 anos de idade, Benedita, ou melhor, Dica, como era chamada, caiu
enferma culminando com a perda total de seus sinais vitais. Durante o banho do defunto, os
familiares notaram que Dica suava muito. Com receio de enterrá-la, mantiveram o velório e após
três dias Dica ressurgiu viva da morte iminente. Tal Fato espalhou-se pela região como um
milagre. Romarias de fervorosos e crédulos roceiros migravam para pedir-lhe a bênção e
conseguir graças. Em poucos anos, já mocinha, Dica comandava legiões de adoradores que
seguiam suas ordens com fiel devoção e em torno de sua casa formou-se um povoado. Dica
instituiu sistema de uso comum de solo e aboliu o uso genérico de dinheiro (espécie de
comunidade socialista), fazia curas milagrosas, rezava missas e dava conselhos. Pregava a
igualdade, a abolição de impostos e a distribuição de terras. Para Dica a terra era de propriedade
do Criador e foi feita para todos. Em sua fazenda não existiam cercas e todos os recursos,
oferendas e colheitas eram revertidas para a comunidade. Para suas curas milagrosas recebia
Dica os espíritos do Dr. Fritz, da Princesa Silveira e de um Comandante. Esperava a vinda do
Messias para a libertação das doenças e pobrezas.Com tal política chegou a reunir em torno de si
15.000 almas, 1.500 homens capacitados para o uso das armas e cerca de 4.000 eleitores. Seu
poder incomodava os coronéis da região, que viam na Dica certa reprodução do episódio de
Canudos (ocorreu na Bahia, comandada por Antônio Conselheiro entre 1896-1897), com perdas
de trabalhadores e poder sobre a população. Porém a fama de Dica espalhou-se pelos sertões
atraindo mais e mais fiéis. Jornais goianos e mineiros denunciavam como um embuste a romaria
fervorosa e pediam providências ao governo contra os fanáticos diqueiros, desertores de suas
escravagistas fazendas. Até o clero suplicou, mas em vão. O que era Rio do Peixe foi
redenominado Rio Jordão e Dica reforçou sua força popular e política editando um jornal
manuscrito: "A Estrela do Jordão Órgão dos Anjos, da Côrte de Santa Dica".Os adoradores da
Santa Dica, armados, juravam protegê-la contra qualquer tentativa de prisão. As autoridades de
Pirenópolis com a polícia municipal se declaram impotentes contra os diqueiros. Restou ao
Governo Estadual, em março de 1925, mandar um destacamento sitiar o local e prender Santa
Dica. Um mínimo seria o suficiente para o massacre. Quando um tio de Dica atirou contra os
policiais choveram projéteis de metralhadoras sobre as palhoças e o sítio de Dica. Pela "boca do
povo" diziam que as balas iam de encontro à Dica, enrolavam em seus cabelos, ou batiam em
seu corpo e caiam pelo chão. Tanto que houve apenas três mortes. Dica ordenou a todos que
atravessassem o rio Jordão, que passa por trás de sua casa, para fugir do massacre. Dica foi
resgatada por um de seus fiéis, puxada do rio pelos cabelos e acabou sendo presa. Dizem na
tradição oral que Santa Dica neste episódio amarrou uma sucuri no poção ao fundo de sua casa
para que os soldados não pudessem atravessar o rio. Até hoje a população de Lagolândia
acredita e não nada naquele local com medo da sucuri da Santa Dica. A Prisão de Dica durou 6
meses. Pressionados pela população e sem provas encriminatórias o governo acabou cedendo e
liberou-a. A partir daí Dica ingressou na política, seus seguidores votavam em quem ela
mandasse. Formou exército e foi patenteada com a insígnia de cabo do exército brasileiro.
Comandava tropa de 400 homens, que ficaram sendo conhecidos como "pés com palha e pés
sem palha", pelo motivo de que sendo a tropa integrada por analfabetos, confundiam esquerda
com direita. Dica então usou o estratagema de amarrar um pedaço de palha em um dos pés para
poder ensinar-lhes a marchar. Em 1928 casou com o jornalista carioca Mário Mendes, eleito
prefeito de Pirenópolis em 1934, e tiveram cinco filhos e adotaram mais dois. O exército dos
"pés com palha e pés sem palha" participou da Revolução Constitucionalista de 1932 indo
guerrear, com 150 homens, em São Paulo de onde voltou sem nenhuma baixa, resultado
atribuído aos milagres da santa. Episódio famoso foi quando seu exército precisava passar pela
ponte de Jaraguá, em São Paulo. A ponte estava minada e Dica mandou que um de seus
soldados a atravessasse de olhos vendados, fato concluído sem detonar nenhuma bomba. E
assim foi com a tropa toda que vendados um a um transpuseram a ponte, que veio a ruir após
passar o último soldado. Também teve Dica enfrentando a Coluna Prestes. Com uma tropa de
400 homens impediu que a Coluna ingressasse no Triângulo Mineiro. Muitos milagres foram
realizados por ela. Histórias populares contam que ela andava sobre as águas do Rio Jordão,
fazia muitas curas milagrosas e sua tropa era protegida milagrosamente, tanto que quando as
balas atingiam seus soldados elas caíam no chão como caroços de milho. Dica morreu aos 9 de
novembro de 1970 em Goiânia e foi sepultada, conforme seu desejo, debaixo de uma gameleira
em frente à sua casa em Lagolândia. Legiões de seguidores cortejaram e velaram durante três
dias o corpo da Santa, demonstrando amor e devoção, cativados pela linda moça da Fazenda
Mozondó, guerreira e santa. Lagolândia, hoje, é um povoado do município de Pirenópolis, com
algumas centenas de habitantes e muitas casas, que rodeiam uma bela praça onde o busto de
Santa Dica lidera o espaço dividido entre bancos, flores, imagens de Nossa Senhora e o sepulcro
sombreado da Santa. Em sua antiga casa descendentes mantêm um altar dedicado à Santa e
todo o povoado vive à sua memória.
5.2) GOIÁS ATÉ A REVOLUÇÃO DE 1930

Continuava sendo um estado isolado (fora da frente de progresso, que vinha transformando SP),
pouco povoado, quase integralmente rural, com uma economia de subsistência.

6) A ERA PEDRO LUDOVICO (1930-1945)


Pedro Ludovico deixou dois herdeiros políticos importantes: José Ludovico (irmão) e Mauro
Borges Teixeira (filho).

Nunca foi prefeito de Goiânia. Ele foi Senador, Interventor Federal, Governador. Deputado
Federal.

Formou em medicina no RJ. Exerceu a profissão de médico em Rio Verde, onde morava.

Foi um dos fundadores do PSD em Goiás.

Objetivo político: impulsionar a ocupação do Estado, direcionando os excedentes populacionais


para os espaços demográficos vazios na tentativa de aumentar a produção econômica. Medidas
adotadas:

a) mudança da capital

b) construção de estradas internas

c) reforma agrária

d) marcha para o Oeste.


6.1) REVOLUÇÃO DE 30 EM GOIÁS

Significação profunda para o Estado, embora sem raízes próprias em Goiás. A transformação não
se operou imediatamente no campo social, mas no campo político. Não foi popular (foi apoiada
pela classe dominante descontente com o sistema vigente) nem sequer uma revolução de
minorias com objetivos sociais.

6.2) A ERA VARGAS NO BRASIL E SEUS REFLEXOS EM GOIÁS

1930 – 1945 – Populismo

Fim da política café com leite entre São Paulo e Minas Gerais.

SOBRE A POLÍTICA DO CAFÉ COM LEITE:

Getúlio era apoiado pela burguesia e militares (tenentes), para tirar os coronéis do Poder (elite
agrária).

Getúlio nomeia interventores. Em Goiás o interventor federal foi Pedro Ludovico Teixeira.

Pedro Ludovico tinha o objetivo de tirar o poder dos coronéis, então tinha que tirar o centro
administrativo (Vila Boa) do local de influência caiadista. Daí a construção de Goiânia.

A criação da nação brasileira foi uma proposta de Getúlio Vargas através da MARCHA PARA O
OESTE, que tinha como objetivos:

 Ocupar o interior do País, seus espaços vazios.


 Expansão do capitalismo
 Busca de novas áreas para vender seus produtos e comprar alimentos
 Segurança nacional para melhor controlar as riquezas do País.
6.2) A MUDANÇA DA CAPITAL: A CONSTRUÇÃO DE GOIÂNIA

*REPRESENTOU O SEGUNDO DINAMISMO NA URBANIZAÇÃO EM GOIÁS.*.


O principal motivo da transferência da capital foi a disputa de poder político em Goiás entre o
grupo político Caiado-Jardim e Pedro Ludovico Teixeira e elites de Rio Verde, Anápolis e
Inhumas. A mudança da capital de Goiás já havia sido pensada em governos anteriores, mas foi
viabilizada somente a partir da Revolução de 30, graças ao apoio do Governo Federal que
financiou os prédios públicos de representação federal e a compra da área para a construção da
nova capital.

Para o novo governo, emergente com a Revolução de 1930, a cidade de Goiás era o centro do
poder da oligarquia deposta pela Revolução, porém não estava aniquilada. Mudar a capital
reforçava o novo governo do ponto de vista psicológico e político, seria o símbolo concreto da
própria Revolução em Goiás. Era vista com um investimento necessário para o desenvolvimento.

Fatores que motivaram a transferência da capital:

 Tirar o centro administrativo do local de influência caiadista


 Sítio
 Estrutura física plana
 Clima
 Homem
 Abastecimento de água
 Rede de esgoto
 Integração do interior com litoral (Marcha para o Oeste)

6.3) DATAS IMPORTANTES

1932: Foi criada uma comissão para a escolha da nova capital.

 Ganhador do concurso: Professor Alfredo de Castro, pseudônimo: Caramuru.

24/10/1933 – Lançamento da Pedra Fundamental de Goiânia por Pedro Ludovico.

 Urbanista: Atílio Correia de Lima (Tipo Radial Concêntrico, partindo da Praça Cívica)
 Engenheiros: Jerônimo e Abelardo Coimbra Bueno.
 Construída ao estilo art déco (FUTURISMO).

07/11/1935: Mudança provisória. Os poderes Legislativo e Judiciário continuaram na Cidade de


Goiás até a mudança definitiva.

23/03/1937: Mudança definitiva da capital.

05/07/1942: Batismo Cultural de Goiânia, que já contava com mais de 15 mil habitantes.

SOBRE O ART DÉCO:

Surgido na França no período entre guerras (1ª e 2ª guerra mundial), baseado em


ideias gregas, egípcias, maias e incas. Foi o art déco que inspirou os primeiros
prédios de Goiânia (Teatro Goiânia, Estação Ferroviária, Coreto da Praça Cívica),
nova capital de Goiás, projetada em 1933 por Atílio Correa Lima, cujo acervo
arquitetônico é considerado um dos mais significativos do país. No Brasil, Goiânia
reúne grande número de exemplares de edifícios art déco, a começar pelo traçado
da cidade, realizado pelo arquiteto Atílio Correa Lima. Ainda no estado de Goiás, no
interior, Ipameri tem o maior patrimônio da arquitetura art déco preservado, todos
localizados no centro da cidade. Alguns exemplares que mais se destacam são os
antigos prédios do Cine Teatro Estrela, prédio da antiga sede do Banco do Brasil,
Prédio-sede da Câmara Municipal, prédio das antigas Chevrolet e Ford (Edifícios
Firmo Ribeiro e Miguel David Cosac respectivamente), para citar alguns. A
arquitetura art déco está espalhada por todo o país, mas os principais acervos art
déco brasileiros concentram-se em São Paulo, Rio de Janeiro e Goiânia. O art déco
é marcado pelo rigor geométrico e predominância de linhas verticais, havendo a
tendência de tornar, através da percepção, o edifício mais alto. Os volumes
arquitetônicos são também marcados pelo escalonamento, pela transposição da
ideia do zigurate, aproximação de formas aerodinâmicas.
6.4) MARCHA PARA O OESTE

Política do governo Vargas com o intuito de promover a ocupação dos vazios demográficos por
meio da absorção dos excedentes populacionais que faziam pressão no Centro-Sul do país,
encaminhando-os para áreas que produziam matérias-primas e gêneros alimentícios a baixo
custo para subsidiar a implantação da industrialização no Sudeste. O objetivo fundamental do
programa era, sem dúvida alguma, quebrar os desequilíbrios regionais pela implantação de uma
política demográfica que incentivasse a migração, na tentativa de diminuir os desequilíbrios
existentes entre as diversas regiões do País.

Objetivos:

o Política demográfica de incentivo à migração


o Criação de colônias agrícolas
o Construção de estradas
o Reforma agrária
o Incentivo à produção agropecuária de sustentação.
o Suporte para ocupação da Amazônia.

Em Goiás foi instalada a primeira colônia agrícola, em 1941, na cidade de Ceres: a Colônia
Agrícola Nacional de Goiás (CANG). Consequências: Fluxo migratório contínuo e descontrolado,
principalmente do Norte e Nordeste. Há um fracasso devido às dificuldades de infraestrutura e
aplicação do projeto inicial, sendo absorvida pelo sistema econômico nacional, cedendo lugar a
produção capitalista, ou seja, os grandes produtores engolindo os pequenos. Foram criadas
também a Fundação Brasil Central e a Superintendência de Valorização da Amazônia, com o
objetivo de criar núcleos de povoamento como via para atingir a Amazônia.

O terceiro dinamismo na ocupação em Goiás foi a construção de Brasília.

 1º dinamismo: Estrada de Ferro (1912)


 2º dinamismo: Construção de Goiânia (1933)
 3º dinamismo: Construção de Brasília.

7) GOIÁS NA REPÚBLICA POPULISTA

Embora iniciada já na Era Vargas (1930-1945), foi no período que es estende de 1945-1964 que
a política populista mais se desenvolveu, em consonância com os fenômenos da urbanização e
industrialização.
Período em que a população urbana ultrapassou a rural e em que o produto industrial predominou
sobre o agrícola.

- JERÔNIMO COIMBRA BUENO (1947-1950) UDN

 Engenheiro; participou da construção de Goiânia.


 Primeiro governador goiano eleito pelo voto universal direto em Goiás
 Lutou pela transferência da capital para Brasília
 Modernização da agropecuária
 Construção de aeroportos.

- PEDRO LUDOVICO TEIXEIRA (1950-1954) PSD

 Estrada Transbrasiliana
 Eletrificação (CELG)
 Usina do Rochedo
 BEG

- JOSÉ LUDOVICO DE ALMEIDA – JUCA LUDOVICO (1955-1959) PSD

 Irmão de Pedro Ludovico Teixeira


 Desapropriou área do DF
 CELG
 Hospital das Clínicas
 Aeroporto Santa Genoveva
 Muitas estradas de rodagens
 Construiu várias escolas e ampliou a telefonia

- JOSÉ FELICIANO FERREIRA (1959-1961) PSD

 Ofereceu apoio logístico à construção de Brasília


 Ampliou a malha rodoviária e de redes de energia
 Dobrou o número de professores nas escolas estaduais
 Iniciou a pavimentação de Goiânia

- MAURO BORGES TEIXEIRA (1961-1964) PSD

 1º governo cientificamente planejado em Goiás


 Plano de Desenvolvimento Econômico de Goiás (PDEG) – Plano MB, abrangendo todas as
áreas.
 Reforma Agrária inspirada no Kibutz de Israel
 Reforma Administrativa
 Criou diversos órgãos, autarquias e empresas estatais e paraestatais (IPASGO, IQUEGO,
ESEFEGO, SANEAGO, CAIXEGO, CRISA...)
 Construiu o Centro Administrativo de Goiás (atual Palácio Pedro Ludovico)
 Marcado pelo ‘Ludoviquismo’ e ‘Getulismo’ devido ao seu caráter intervencionista
 Reforma Agrária: Combinado Agro-urbano de Arraias (experiência de socialismo
cooperativista com forte influência do Kibutz de Israel)
 Problemas Políticos:
o Revolta de Formoso e Trombas (Região Norte de Goiás; camponeses x grileiros;
liderada por José Porfírio; vitória dos camponeses)
o Golpe Militar de 1964 (a princípio MB apoia o golpe, após a edição do AI-2 se opõe
aos militares.
 MOVIMENTO DA LEGALIDADE: Conduzido por Mauro Borges (GO) e Leonel Brizola (RS),
em 1961, em defesa da constituição, contra as manobras políticas de grupos que insistiam
no apoio aos militares que, após a renúncia de Jânio Quadros, tentaram impedir a posse
do vice-presidente eleito João Goulart. Após a implantação do governo militar, em 1964, o
governo Mauro Borges passou a ser visto como perigoso para a causa, principalmente
devido ao movimento da Legalidade. Mauro Borges foi deposto após o golpe militar de
1964.

8) REPÚBLICA MILITAR (1964-1985)

- CORONEL MEIRA MATOS (1964-1965)

- MARECHAL EMÍLIO RODRIGUES RIBAS JUNIOR (1965-1966)

- OTÁVIO LAGE DE SIQUEIRA (1966-1971)

 Único governador eleito diretamente durante a República Militar


 Ex-prefeito de Goianésia, fez um governo municipalista
 Eleição fortemente marcada pela vigilância militar
 Edição do AI-5 (Liberdade vigiada, censura prévia)
 2ª etapa de Cachoeira Dourada
 Escolas técnicas

- LEONINO RAMOS CAIADO (1971-1975)

 Governou durante o milagre econômico


 Construção de Serra Dourada e do Autódromo
 Maior repressão da ditadura
 Acesso direto ao crédito rural: ENGOPA, GOIASRURAL, CEASA
 Guerrilha do Araguaia (Região Norte)
o Criada pelo PCdoB tinha por objetivo fomentar uma revolução socialista, a ser
iniciada no campo.
o Baseada nas experiências vitoriosas da Revolução Cubana e Revolução Chinesa
o Divisa de Goiás, Pará, Maranhão (Bico do Papagaio- atualmente no TO)
o Cerca de 80 guerrilheiros, entre eles José Genuíno.

- IRAPUAN COSTA JUNIOR (1975-1979)

 Racionalidade Administrativa
 1ª Crise Mundial do Petróleo
 Construção do Estádio Rio Vermelho, restauração do Teatro Goiânia
 Criação do DAIA (Anápolis)
 Ampliação de 40% na fronteira agrícola
 Ponte no Rio Tocantins (Porto Nacional – atualmente no TO)
 Implantação do transporte de massas em Goiânia.
- ARY RIBEIRO VALADÃO (1979-1983)

 2ª Crise do Petróleo
 Acusações de fisiologismos e corrupção
 Projetos: Alto Paraíso e Rio Formoso (agricultura irrigada)
 Colégio Hugo de Carvalho Ramos
 Atuação em prol do Norte do Estado.

9) PERÍODO DE REDEMOCRATIZAÇÃO (1985-....)

- IRIS REZENDE MACHADO (1983-1986) PMDB

 Eleito pelo voto direto, secreto e universal


 Maior tocador de obras de Goiás
 Demagogia e populismo (Mutirões e Programas Assistencialistas)
 Fraco em programas sociais
 Acusações de corrupção
 Brutal endividamento do Estado
 Fechamento da Santa Casa e do HGG
 ‘Decretão’ – coibir abusos empreguistas do Governo anterior
 Derrotou Otávio Lage nas eleições.

- ONOFRE QUINAN (1986 – 1987) PMDB

 Vice-governador que assumiu o cargo de governador.

- HENRIQUE SANTILLO (1987-1991) PMDB

 Desastre do Césio 137 (1987)


 Constituição de 1988 (Criação do TO)
 Investimento em saúde (SUS, HUGO, SANEAMENTO BÁSICO)
 Liquidação da Caixego
 Caos econômico

- IRIS REZENDE MACHADO (1991-1994) PMDB

 Tentativa de recuperar a imagem de Goiás (assume um estado sucateado)


 Rodoviária de Goiânia e Centro de Cultura e Convenções
 FOMENTAR (Início da Guerra Fiscal)

- AGENOR RODRIGUES DE REZENDE (1994-1995) PMDB

 Mandato Tampão. Presidente da Assembleia Legislativa.

- MAGUITO VILELA (1995-1998) PMDB

 Secretaria de Solidariedade Humana


 Forte industrialização
 Eletrificação rural
 Goiás como área livre da aftosa
 Privatização de Cachoeira Dourada
 Escândalo da CAIXEGO
 Esgotamento da capacidade de endividamento do Estado

- NAPHTALI ALVES (1998-1999) PMDB

 Mandato tampão. Vice governador.

- MARCONI PERILLO (1999-2002/2003-2006) PSDB

 1º governador reeleito em Goiás


 Criação da UEG
 FICA (Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental)
 Criação da Maternidade Nascer Cidadão – referência internacional no atendimento a mães
adolescentes.

- ALCIDES RODRIGUES (2006-2007/ 2007-2010) PP

 Seguiu o projeto deixado por Marconi Perillo, sem criar nada de novo e significativo para o
Estado.

- MARCONI PERILLO (2011 – 2014) PSDB


CULTURA POPULAR

1) FICA

 Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental


 Realizado anualmente na Cidade de Goiás, criado em 1999 no Governo de Marconi Perillo.

2) CANTO DA PRIMAVERA

 Criado em 2002, e realizado no mês de setembro na cidade de Pirenópolis.


 Uma das diretrizes do Canto da Primavera, desde suas primeiras versões, é a priorização
da diversidade da produção musical, do pop ao erudito, passando pelo folclórico e
contemplando o gênero sertanejo. A meta do evento é atingir todas as vertentes da música
brasileira, com seus diversos estilos e influências, buscando propiciar a interação entre
essas diferentes linguagens musicais.

3) CAVALHADAS DE PIRENÓPOLIS

 Representam as batalhas campais entre Mouros e Cristãos, no período das Cruzadas.


 Em Pirenópolis, foram encenadas pela primeira vez em 1826, no final da festa do Divino,
por iniciativa do Padre Manuel Amâncio da Luz, quando imperador.
 Duram 3 dias. Dois grupos de 12 cavalheiros representam os cristãos (azul – cor do
Cristianismo) e os mouros (muçulmanos - vermelhos), encenam uma luta a cavalo com
diversas corridas e falas, que terminam com a vitória dos cristãos.

4) PROCISSÃO DO FOGARÉU

 Acontece na Cidade de Goiás na quarta feira da Semana Santa, à meia noite, quando
todas as luzes da cidade são apagadas e, com tochas de fogo, os FARICOCOS,
representando os soldados romanos, ao som da marcação de tambores, cornetas e
rebenques, saem em perseguição a Jesus, percorrendo um caminho que começa na Igreja
da Boa Morte, passando pela Igreja do Rosário e finalmente prendendo Jesus na Igreja do
São Francisco, na qual um estandarte representando Jesus com os pulsos amarrados é
apresentado.

5) FESTA DO DIVINO ESPÍRITO SANTO

 É uma das festas religiosas mais antigas e populares do Brasil, de origem europeia, sendo
celebrada 50 dias depois da Páscoa, em comemoração à descida do Espírito Santo sobre
os apóstolos.
 Acontecem de diferentes maneiras: folias, novenas, danças, banquetes, cavalhadas,etc.
 O início da festa acontece com as folias rurais que visitam, durante oito dias, fazendas,
sítios e chácaras.
 Época: Pentecostes (50 dias depois da páscoa).
 Local: Na cidade - Igreja, casa do Imperador, pelas ruas, pelas casas, no teatro, na beira
rio; Na zona rural - pousos de folia.
 Duração: Cerca de 23 dias.
 Significado: Receber o Divino Espírito Santo e suas bênçãos, assim como os apóstolos de
cristo O receberam na festa de Pentecostes, distribuir esmolas e alimentos.
 Representação dramática da luta entre mouros e cristãos. Duram três dias. É um dos
momentos fortes da Festa.

6) FOLIA DE REIS

 Período: 24 de dezembro a 6 de janeiro.


 Um grupo de cantores e instrumentistas percorrem as cidades entoando versos e relatando
a visita dos Reis Magos ao Menino Jesus.

7) CONGADA DE CATALÃO

 Festa em louvor a Nossa Senhora do Rosário (padroeira da cidade de Catalão),


comemorada desde 1860, pelos escravos libertos vindos de Minas Gerais.
 Data: Os preparativos para a festa começam no mês de Agosto e duram até o segundo fim
de semana de outubro, dia oficial da festa.
 Cada grupo de congo é chamado de Terno; a reunião de todos os ternos é Congada.
 A festa nasceu de uma mistura de crenças africanas com as celebrações da igreja
Católica, em homenagem à santa considerada a libertadora dos escravos.
 Iniciadas no dia 4 de outubro, as celebrações seguem até segunda-feira (14). Os festejos
duram 10 dias com missas, terços e apresentação de danças e cantorias.

8) ROMARIA DO DIVINO PAI ETERNO

 Conhecida como Festa de Trindade, é celebrada no primeiro domingo de Julho.


 A maioria dos romeiros vão a Trindade para pagar promessas ou até mesmo para fazer
pedidos ao Pai Eterno.

TURISMO

*Goiânia: se destaca pela qualidade de vida que oferece aos seus habitantes. Conhecida como a
Cidade Ecológica (Capital Verde), apresenta vários parques, com destaque para o Lago das
Rosas, Bosque dos Buritis, Parque Vaca Brava, Parque Areião, Parque Mutirama, Parque Jardim
Botânico, entre outros.

 Figura entre as cidades com melhor índice de qualidade de vida do país.


 Município brasileiro com maior área verde por habitante (94 m²) e detentor do segundo
maior quantitativo proporcional do mundo (precedido apenas de Edmonton, no Canadá,
com taxa de 100 m²)
 Além do grande número de áreas verdes, que supera em quase oito vezes a taxa
preconizada pela Organização das Nações Unidas (12 m²), a capital goiana é a cidade
brasileira com maior quantitativo de árvores em vias públicas. Possui a melhor
infraestrutura urbana do Brasil (IBGE/2012), o maior parque de diversões público da
América Latina e, em breve, terá o maior parque linear do mundo: o Programa Urbano
Ambiental Macambira Anicuns (Puama)
 Audaciosos projetos socioambientais contribuíram para que a Comissão Europeia e Banco
Interamericano de Desenvolvimento (BID) escolhessem o município como um dos
integrantes da lista de cidades mundialmente sustentáveis.
 Planejada para 50 mil pessoas, Goiânia possui hoje mais de 1,3 milhão de habitantes.
 Atualmente, a barragem do Córrego João Leite também é um dos maiores destaques da
hidrografia da capital goiana, que vai garantir o abastecimento de água até o ano de 2025.
 Em 24 de outubro de 1933, em local determinado por Atílio Correia Lima, — um planalto
onde atualmente se encontra o Palácio das Esmeraldas, na Praça Cívica —, Pedro
Ludovico lançou a pedra fundamental da nova cidade.
 Sofreu um acelerado crescimento populacional desde a década de 1960, atingindo um
milhão de habitantes cerca de sessenta anos depois de sua fundação. Desde seu início, a
sua arquitetura teve influência do Art Déco, que definiu a fisionomia dos primeiros prédios
da cidade e a fez conhecida como o maior sítio Art Déco da América Latina.
 É a segunda cidade mais populosa do Centro-Oeste, sendo superada apenas por Brasília.
Situa-se no Planalto Central e é um importante polo econômico da região, sendo
considerada um centro estratégico para áreas como indústria, medicina, moda e
agricultura.
 A capital é um centro de excelência em medicina e vem consolidando sua vocação para o
turismo de negócios e eventos. Além de apresentar bons índices de qualidade de vida,
acima da média nacional.
 Goiânia ostenta o título de cidade com a área urbana mais verde do País.

O Programa Urbano Ambiental Macambira Anicuns(PUAMA)

O Programa Urbano Ambiental Macambira Anicuns corresponde a um conjunto de ações a serem


desenvolvidas pela Prefeitura Municipal de Goiânia, por meio de uma Unidade Executora do
Programa (UEP), focadas essencialmente na questão ambiental e sua sustentabilidade.

Estes elementos estão presentes no espírito da administração pública desde a concepção original
de Goiânia, mediante a criação de um núcleo urbano, estrategicamente localizado, através de um
Plano Urbano, elaborado pelo arquiteto Atílio Corrêa Lima, pautado na ideia das cidades-jardim,
procurando resguardar a organização e ordenação dos espaços urbanos integrados ao verde dos
bosques e fundos de vale.

O Plano original citado constitui hoje o centro da cidade, onde se localizam grande parte dos
principais equipamentos urbanos e serviços administrativos. Em termos espaciais, a ocupação
urbana de Goiânia apresenta um desenho marcado por eixos radiais espalhando-se para a
periferia em adensamentos decrescentes com núcleos esparsos de altíssima densidade.
Observa-se ainda um crescimento populacional nas áreas de fundos de vales que vem se
tornando, ao longo das últimas décadas, espaços altamente impactados em termos ambientais.

De acordo com a Agência Municipal do Meio Ambiente – AMMA, todos os 83 cursos de água
catalogados que cortam Goiânia estão poluídos, sofrendo ainda com outros problemas na
área urbana da cidade, sendo os principais: as edificações em área de preservação, os
processos erosivos, os lançamentos de esgotos in natura nos mananciais, a disposição de
resíduos sólidos ao longo dos vales e a falta de proteção adequada para as áreas de
recarga dos lençóis freáticos.

O Ribeirão Anicuns é classificado como o mais poluído dentre todos, sendo o seu principal
afluente o Córrego Macambira. A bacia formada por estes cursos d’água drena
aproximadamente 70% da área urbana, sendo a mais representativa bacia hidrográfica de
Goiânia.
O Programa Urbano Ambiental Macambira Anicuns está focado na área direta de influência desta
bacia, prevendo ações de caráter estrutural em toda a extensão urbana do Córrego Macambira e
do Ribeirão Anicuns, através da implantação de um Parque Linear acompanhando esses dois
cursos d’água (em ambas as margens) e da criação de dois Parques Ambientais Urbanos: (i) o
Parque Macambira, com dimensão planejada de 25,5 hectares situado na região sudoeste de
Goiânia (Bairro Faiçalville) constitui uma área de preservação ambiental, por abrigar as nascentes
do córrego Macambira, e (ii) o Parque da Pedreira com área prevista de 10,2 ha, situado na
encosta do Morro do Mendanha pela vertente sul (junto ao bairro Jardim Petrópolis).

Além disso, o Programa prevê, dentro da sua área de abrangência, a elaboração de projetos e
obras, a regularização urbana e o reassentamento de famílias e negócios em áreas de risco, bem
como infraestrutura urbana e social, tais como pavimentação, drenagem, iluminação, escolas (de
ensino básico e de ensino infantil), unidades básicas de saúde familiar, centros comunitários,
quadras poliesportivas, praças de jogo, ginásios cobertos.

Tais ações têm o intuito de conservar e recuperar um espaço ambientalmente degradado, no qual
se observa lançamentos de efluentes domésticos e industriais e a disposição inadequada de
resíduos sólidos, que têm propiciado a formação de um ambiente insalubre em uma região
altamente adensada.

Soma-se a isso o elemento de sustentabilidade social e ambiental, a ser obtido mediante


investimentos internos na Prefeitura de Goiânia, em equipes ou em estrutura física, visando
melhorar a capacidade operacional e de gestão do município, de modo a garantir os meios
institucionais de promover a participação efetiva da comunidade no estabelecimento de condições
necessárias para a sustentabilidade das ações incluídas no Programa.

*Caldas Novas: Piscinas naturais de água quente.

*Pousada do Rio Quente: atrai turistas do mundo inteiro.

*Cidade de Goiás, Pirenópolis, Pilar de Goiás: cidades históricas.

*Lago de São Simão (São Simão), Lago Azul (Três Ranchos), Lago das Brisas (Buriti
Alegre), Lago da Serra da Mesa (Minaçu): turismo náutico e esportes radicais.

*Parque Nacional das Emas, Parque Nacional Chapada dos Veadeiros: ecoturismo.

ASPECTOS POPULACIONAIS - REGIONALIZAÇÃO

Municipios: 246

População: mais de 6 milhões de habitantes (Estado mais populoso do Centro-Oeste).

Maioria na cidade (90%).


A população de Goiás tem crescido acima da média nacional. Este elevado crescimento é fruto
de correntes migratórias que no passado se dirigia a SP, impulsionadas por desequilíbrios
regionais e, em períodos mais recentes, ainda que em menor número, têm-se dirigido às cidades
do entorno de Brasília e Goiânia, atraídas por melhores expectativas de vida e trabalho. Goiás
constitui um território ocupado de forma heterogênea, a maioria da sua população concentra-se
no entorno de Brasília e na região metropolitana de Gyn.

Fronteiras: MT,MS, MG, TO, BA E DF.

Segundo a SEGPLAN: 10 áreas regionalizadas: Região Metropolitana de Goiânia, Centro,


Entorno do DF, Sudoeste, Norte, Sudeste, Nordeste, Sul, Oeste, Noroeste.

Essa divisão se deu para facilitar as pesquisas e dar suporte à elaboração de políticas públicas a
serem implementadas, favorecendo a competitividade.

 A Região Metropolitana de Goiânia (Grande Goiânia mais Região de Desenvolvimento


Integrado), compreendendo 20 municípios e possui mais de 2 milhões de habitantes, é
definida pela Lei Complementar Estadual nº 27 de dezembro de 1999, modificada pela Lei
Complementar Estadual nº 54 de 23 de maio de 2005. A Grande Goiânia compreende 13
municípios: Goiânia, Abadia de Goiás, Aparecida de Goiânia, Aragoiânia, Bela Vista de
Goiás, Goianápolis, Goianira, Guapó, Hidrolândia, Nerópolis, Santo Antônio de Goiás,
Senador Canedo e Trindade, a Região de Desenvolvimento Integrado é composta por 7
municípios: Bonfinópolis, Brazabrantes, Caldazinha, Caturaí, Inhumas, Nova Veneza e
Terezópolis de Goiás.
 As regiões do Norte Goiano e do Nordeste Goiano, constantes no primeiro PPA (2000-
2003), foram delimitadas em função de sua homogeneidade em termos de condições
socioeconômicas e espaciais e como estratégia de planejamento para investimentos
governamentais tendo em vista minimizar os desequilíbrios regionais.
 As outras seis regiões foram definidas tendo como critério os principais eixos rodoviários
do Estado. Todos os municípios cujas sedes utilizam o mesmo eixo rodoviário para o
deslocamento à Capital do Estado foram considerados pertencentes a uma mesma região
de planejamento.

Segundo o IBGE: 5 messoregiões: Noroeste Goiano, Norte Goiano, Centro Goiano, Leste
Goiano e Sul Goiano. 18 microrregiões. Tem como referência as características econômicas dos
diferentes municípios.

RELEVO

De formação bastante antiga (era précambriana), caracterizado por planalto, formado por
chapadas, chapadões e serras (variedade de formas, pois é bastante antigo e erodido). No topo
do Planalto Central – Centro-Norte -, está a serra mais alta do Estado de Goiás, a de Pouso
Alto – 1673 metros, localizada na Chapada dos Veadeiros, na cidade de Alto Paraíso. A
segunda serra mais alta é a Serra dos Pirineus – 1396 m, entre os Vales do Tocantins e
Araguaia.

Predomínio de topografia plano ondulada. A maior parte do território goiano está entre 300 e 900
metros de altitude. O relevo consiste em grandes superfícies aplainadas, talhadas em rochas
cristalinas e sedimentares.
Em geografia, chapada corresponde a uma área reta (plana) localizada no alto de serras. No
Brasil, as chapadas são encontradas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e
normalmente possuem um Parque Nacional criado para preservação da natureza. As mais
turísticas chapadas do Brasil são:

 Chapada Diamantina - É a maior chapada brasileira e está localizada no estado da Bahia.


Atrai turistas de várias regiões do Brasil e do mundo. Nesta chapada estão localizados os
dois pontos mais altos da Bahia: o Pico do Barbado (2 033m) e o Pico das Almas (1 958m).
 Chapada dos Guimarães - Localizada no estado do Mato Grosso. Chapada dos Guimarães
é também o nome do município. O local oferece diversas atrações aos turistas.
 Chapada dos Veadeiros - Localizada em Goiás. A chapada tem a particularidade de atrair
pessoas que desejam contemplar o fenômeno de observação de OVNI (objetos voadores não
identificados). O parque nacional da Chapada dos Veadeiros é uma unidade de conservação
brasileira de proteção integral à natureza localizada na região centro-oeste do estado de
Goiás, na Chapada dos Veadeiros. O parque abrange uma área de 65 514 ha de cerrado de
altitude, dos quais aproximadamente 60 % ficam em Cavalcante e os demais 40 % em Alto
Paraíso de Goiás (REGIÃO NORTE DE GOIÁS). Em dezembro de 2001 o parque foi
incluída na lista do Patrimônio Mundial pela UNESCO. Atualmente sua administracão está a
cargo do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Em Goiás, apesar do predomínio de áreas de planalto há ocorrência de planície (áreas mais
baixas) nas margens do Rio Araguaia (“Mato Grosso Goiano” – 200 a 500 metros) e depressão
no norte do Estado, na divisa com o Tocantins.

Planaltos
Os planaltos são áreas com uma relativa altitude e uma superfície mais ou menos plana, com limites bem
nítidos, esses geralmente constituídos por escarpas ou serras. Apesar de serem entendidos como áreas
planas, suas superfícies são mais acidentadas do que as das planícies, com um maior número de serras e
ondulações em suas paisagens, além de ser o tipo de relevo onde encontramos as chapadas. Os planaltos, por
serem geralmente mais altos dos que as planícies, apresentam o predomínio de processos erosivos. Isso quer
dizer que o desgaste do solo é maior do que o acúmulo de sedimentos, que costuma deslocar-se para áreas
mais baixas. Quase sempre os planaltos estão cercados por depressões relativas, tal como costuma ocorrer no
território brasileiro.
Existem três tipos de planaltos: aqueles formados por rochas de origem vulcânica, os basálticos; aqueles
constituídos por rochas metamórficas e magmáticas intrusivas, os cristalinos; e aqueles formados por rochas do
tipo sedimentar, os sedimentares.

Planalto Central do Brasil


A região central brasileira é comumente chamada de “planalto central” devido à característica aplainada do seu
relevo e por se localizar bem no meio do país. O planalto central compreende partes dos Estados de Goiás,
Minas Gerais, Mato Grosso, Tocantins e Mato Grosso do Sul (não confundir o planalto central com a região
centro-oeste, pois esta última compreende apenas os Estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul).
O ponto de maior altitude no planalto central é na Chapada dos Veadeiros. Tombada como Patrimônio Mundial
do Brasil, em 2001, pela UNESCO, a Chapada possui altitudes que variam de 600 m a 1650 (Serra do Pouso
Alto), e é considerada por muitos como um lugar místico.
É no planalto central, também, que têm origem alguns dos rios mais importantes do Brasil como os rios
Araguaia e Tocantins que constituem a maior bacia hidrográfica inteiramente brasileira. Além de abrigar ainda
parte dos cursos d’água de outras duas importantes baias hidrográficas, a Amazônica e a bacia do São
Francisco.

CLIMA

Domínio do clima tropical continental ou tropical semi-úmido. Em Goiás não existem estações
bem definidas. 6 meses de seca e 6 meses de chuva, ou seja, um período chuvoso e outro com
baixos índices pluviométricos. INVERNO SECO E VERÃO CHUVOSO
Em Goiás atuam duas massas de ar:
 Equatorial Continental (oriunda da Amazônia)
 Polar Atlântica (oriunda do Sul do País)
As chuvas que chegam a Goiás são oriundas da Amazônia e são trazidas até aqui pela massa de
ar equatorial continental. A redução do índice pluviométrico em Goiás pode estar relacionado:

 ao desmatamento da Amazônia;
 a devastação do Cerrado;
 a irrigação que está reduzindo o volume de água do rios.

VEGETAÇÃO
A vegetação predominante é o CERRADO, mas há ocorrência de Floresta Tropical e um pequeno
trecho de Mata Atlântica.
O Cerrado não é uma característica apenas do Estado de Goiás, outras unidades federativas
também apresentam este bioma (cerca de 11 estados brasileiros). O Cerrado é o segundo maior
bioma do Brasil (perdendo apenas para a Amazônia).

- Características fitogeográficas:
 TROPÓFITA: Adaptada a uma estação seca e outra chuvosa

 CADUCIFÓLIA/DECÍDUA: Perde suas folhas, para evitar evapotranspiração


OBS: A flora do Cerrado apresenta casca grossa, folhas aveludadas e troncos retorcidos
(escleromorfismo oligotrófico) para evitar evapotranspiração

 SOLO ÁCIDO: rico em ferro (solo vermelho) e alumínio


OBS: Em Goiás predomina o latossolo vermelho.

 RAÍZES PROFUNDAS

 PORTE ARBÓREO BAIXO (8-12 mts)

 HETEROGÊNEA: possui grande variedade de espécies.

 GRANDE BIODIVERSIDADE: O cerrado possui cerca de 5 mil espécies, das quais cerca
de 2 mil são endêmicas da região.

Ameaças ao Cerrado:
 Expansão de monoculturas, como a soja e a cana de açúcar
 Pecuária
 Carvoarias
 Impactos Ambientais
o Lixiviação: retirada de nutrientes orgânicos pela ação da chuva
o Laterização: devido a retirada da cobertura vegetal, a enxurrada carrega camadas
inteiras do solo, retirando a camada fértil e fazendo aflorar a laterita (camada ácida)
o Assoareamento
o Desmatamento
o Voçoroca
o Erosão

Paisagens do Cerrado:

 Cerradão: Cada vez mais rara, tipicamente arbórea, fechada, altura irregular, varia de 7 a
15 metros com árvores individuais podendo chegar a 20 metros

 Cerrado (Cerrado típico): árvores mais espaçadas e de menor porte (Cerrado típico)

 Campo Sujo: revestimento do solo é feito quase que em sua totalidade por gramíneas que
podem ultrapassar a altura de 1 metro.

 Campo Limpo: grande quantidade de gramíneas e outras ervam que raramente alcançam
mais de 1 metro de altura.

 Mata ciliar ou galeria: ocorrem ao longo dos rios, córregos e outros cursos d’água.

 Veredas: solo apresenta uma constante saturação de água, formando verdadeiros


pântanos.

Hoje os solos do Cerrado são antropicamente férteis, pois, nos anos setenta, cientistas brasileiros
criaram a técnica de correção dos solos ácidos chamada de calagem. O que é calagem? É a
adição de calcário ao solo para correção de sua acidez.

O Bioma Cerrado
O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, ocupando uma área de 2.036.448 km2, cerca de 22%
do território nacional. A sua área contínua incide sobre os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato
Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia, Paraná, São Paulo e Distrito Federal,
além dos encraves no Amapá, Roraima e Amazonas. Neste espaço territorial encontram-se as nascentes das
três maiores bacias hidrográficas da América do Sul (Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata), o que resulta
em um elevado potencial aquífero e favorece a sua biodiversidade.

Considerado como um hotspots mundiais de biodiversidade, o Cerrado apresenta extrema abundância de


espécies endêmicas e sofre uma excepcional perda de habitat. Do ponto de vista da diversidade biológica, o
Cerrado brasileiro é reconhecido como a savana mais rica do mundo, abrigando 11.627 espécies de plantas
nativas já catalogadas. Existe uma grande diversidade de habitats, que determinam uma notável alternância de
espécies entre diferentes fitofisionomias. Cerca de 199 espécies de mamíferos são conhecidas, e a rica avifauna
compreende cerca de 837 espécies. Os números de peixes (1200 espécies), répteis (180 espécies) e anfíbios (150
espécies) são elevados. O número de peixes endêmicos não é conhecido, porém os valores são bastante altos para
anfíbios e répteis: 28% e 17%, respectivamente. De acordo com estimativas recentes, o Cerrado é o refúgio de
13% das borboletas, 35% das abelhas e 23% dos cupins dos trópicos.

Além dos aspectos ambientais, o Cerrado tem grande importância social. Muitas populações sobrevivem de
seus recursos naturais, incluindo etnias indígenas, quilombolas, geraizeiros, ribeirinhos, babaçueiras,
vazanteiros e comunidades quilombolas que, juntas, fazem parte do patrimônio histórico e cultural brasileiro, e
detêm um conhecimento tradicional de sua biodiversidade. Mais de 220 espécies têm uso medicinal e mais
416 podem ser usadas na recuperação de solos degradados, como barreiras contra o vento, proteção
contra a erosão, ou para criar habitat de predadores naturais de pragas. Mais de 10 tipos de frutos
comestíveis são regularmente consumidos pela população local e vendidos nos centros urbanos, como os frutos do
Pequi (Caryocar brasiliense), Buriti (Mauritia flexuosa), Mangaba (Hancornia speciosa), Cagaita (Eugenia
dysenterica), Bacupari (Salacia crassifolia), Cajuzinho do cerrado (Anacardium humile), Araticum (Annona
crassifolia) e as sementes do Barú (Dipteryx alata).

Contudo, inúmeras espécies de plantas e animais correm risco de extinção. Estima-se que 20% das espécies
nativas e endêmicas já não ocorram em áreas protegidas e que pelo menos 137 espécies de animais que ocorrem
no Cerrado estão ameaçadas de extinção. Depois da Mata Atlântica, o Cerrado é o bioma brasileiro que mais
sofreu alterações com a ocupação humana. Com a crescente pressão para a abertura de novas áreas,
visando incrementar a produção de carne e grãos para exportação, tem havido um progressivo
esgotamento dos recursos naturais da região. Nas três últimas décadas, o Cerrado vem sendo degradado
pela expansão da fronteira agrícola brasileira. Além disso, o bioma Cerrado é palco de uma exploração
extremamente predatória de seu material lenhoso para produção de carvão.
PRINCIPAIS AMEAÇAS AO CERRADO

As duas principais ameaças à biodiversidade do Cerrado estão relacionadas a duas atividades


econômicas: a monocultura intensiva de grãos e a pecuária extensiva de baixa tecnologia. O
uso de técnicas de aproveitamento intensivo dos solos tem provocado, há anos, o esgotamento dos
recursos locais. A utilização indiscriminada de agrotóxicos e fertilizantes tem contaminado
também o solo e a água. Os poucos blocos de vegetação nativa ainda inalterada no Cerrado devem
ser considerados prioritários para implementação de áreas protegidas, já que apenas 0,85% do
Cerrado encontra-se oficialmente em unidades de conservação.

Mas o problema do Cerrado não se resume apenas ao reduzido número de áreas de conservação ou
à caça ilegal, que já seriam questões suficientes para preocupação. O problema maior tem raízes
nas políticas agrícola e de mineração impróprias e no crescimento da população.
Historicamente, a expansão agropastoril e o extrativismo mineral têm se caracterizado por um
modelo predatório. A ocupação da região é desejável, mas desde que aconteça racionalmente.

A destruição e a fragmentação de habitats consistem, atualmente, na maior ameaça à integridade


desse bioma: 60% da área total é destinada à pecuária e 6% aos grãos, principalmente soja. De fato,
cerca de 80% do Cerrado já foi modificado pelo homem por causa da expansão agropecuária,
urbana e construção de estradas - aproximadamente 40% conserva parcialmente suas
características iniciais e outros 40% já as perderam totalmente. Somente 19,15% corresponde a áreas
nas quais a vegetação original ainda está em bom estado.

HIDROGRAFIA

 A única hidrovia utilizada para transporte de grãos e cargas em Goiás é a hidrovia do Rio
Paranaíba, que é integrada a hidrovia do Rio Tietê-Paraná por onde os grãos e cargas
goianas chegam ao Porto de Santos. Existe um porto de cargas na cidade de São Simão.
Cogita-se a implantação da hidrovia do Rio Araguaia-Tocantins.
 O transporte hidroviário é bem mais barato se comparado com o transporte
rodoviário e ferroviário, em termos de custo, capacidade de carga e também de
menor impacto ambiental. Uma grande limitação do uso de navios de grande porte é a
infra-estrutura portuária que seja capaz de recebê-los, como os navios petroleiros.
Infelizmente o número de portos existentes no mundo que possua esta capacidade ainda é
pequeno.
 O Brasil possui na costa atlântica mais de 4 mil quilômetros navegável e milhares de
quilômetros de rios. Apesar de grande parte dos rios navegáveis se localizarem na
Amazônia, o transporte nessa região não tem muita importância econômica, devido
ao fato de não haver nessa parte do país mercados produtores e consumidores de
peso. Os trechos hidroviários mais importantes, do ponto de vista econômico, situam-se no
Sudeste e no Sul do País.
 A hidrovia Tietê-Paraná é uma via muito importante para o escoamento da produção
agrícola do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e parte de Rondônia, Minas Gerais e
Tocantins. Possui um trecho de 1.250 km navegáveis sendo 450 km no rio Tietê e 800 km
no rio Paraná.
 O Estado de Goiás é rico em cursos d’água mas a navegabilidade é incipiente. Nos rios
Araguaia e Tocantins há hoje um projeto de navegabilidade, que é amplamente
questionado por ONG’s devido a destruição de áreas de preservação ambiental e
aldeamentos indígenas.
 Hidrelétricas do Estado: São Simão, Cachoeira Dourada, Itumbiara, Emborcação,
Corumbá, Rochedo, Mambaí, Serra da Mesa, São Domingos e Campos Belos.
 A construção dessas hidrelétricas formam lagos que são atrações turísticas no Estado:
o Lago Azul: localizado no município de Três Ranchos
o Lago das Brisas: localizado no município de Buriti Alegre
o Lago de Cachoeira Dourada: formado pela barragem do mesmo nome
o Lago de São Simão: localizado no município de São Simão
o Lago de Serra da Mesa: lago artificial da Usina Hidrelétrica de Serra da Mesa
o Lago de Cana Brava: localizado nos município de Minaçu e Cavalcante
o Lago de Corumbá: localizado no município de Caldas Novas, Ipameri e Corumbaíba
 A bacia do Tocantins-Araguaia (OESTE/NORTE) é a maior bacia totalmente brasileira.
o Bacia do São Francisco: LESTE. Rios Preto e Urucaia
o Bacia do Paraná: SUL. Rio Paranaíba.