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FÍSICA PARA POLÍCIA FEDERAL

PROFESSOR: GUILHERME NEVES

Aula 2
Eletrodinâmica ..................................................................................... 2
Tensão Elétrica .................................................................................... 2
Intensidade de corrente elétrica ............................................................. 4
Tipos de corrente elétrica: ..................................................................... 5
Energia Elétrica e Potência Elétrica ......................................................... 6
Efeito Joule .......................................................................................... 7
Resistência elétrica e as leis de Ohm ...................................................... 7
Associação de resistores.......................................................................10
Associação em série ..........................................................................11
Associação em paralelo .....................................................................12
Associação mista ..............................................................................13
Curto-circuito......................................................................................14
Geradores de energia elétrica ...............................................................17
Equação do Gerador ............................................................................18
Gerador em vazio ou em circuito aberto .................................................19
Gerador em curto-circuito ....................................................................19
Curva característica do gerador .............................................................19
Potência elétrica: total, útil e desperdiçada .............................................20
Ponte de Wheatstone ...........................................................................21
Lei de Pouillet .....................................................................................22
Associação de geradores ......................................................................23
Associação em série ..........................................................................23
Associação em paralelo .....................................................................24
Receptores elétricos ............................................................................26
Equação do receptor .........................................................................27
Curva característica do receptor ............................................................27
Potência elétrica: total, útil e dissipada ..................................................28
Circuito gerador-receptor .....................................................................28
Exercícios de concursos ........................................................................30

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Eletrodinâmica

Olá, pessoal!

Vamos começar a nossa quinta aula.

5. Eletrodinâmica: corrente, resistência, resistividade, lei de Ohm,


potência elétrica, efeito Joule, circuitos elétricos.

Na aula passada, estudamos condutores em equilíbrio eletrostático. Esses


condutores eram corpos que tinham cargas elétricas livres. No entanto, não
apresentavam movimento dirigido.

Passaremos a estudar situações em que as cargas elétricas apresentam um


movimento dirigido em sentido preferencial, iniciando, assim, o estudo da
Eletrodinâmica. Vamos estudar o conceito fundamental de corrente elétrica e
analisaremos suas causas e efeitos.

Quando dissermos, a partir de agora, que um corpo é condutor, estará


implícito que se trata de um bom condutor. Analogamente, quando dissermos
que um corpo é isolante, ele será um bom isolante, ok?

Um material é dito condutor elétrico quando possui grande quantidade de


portadores de carga elétrica facilmente movimentáveis. Caso contrário, o corpo
será um isolante elétrico. Tanto os condutores como os isolantes são
encontrados nos estados sólido, líquido e gasoso.

E o que é uma corrente elétrica?

É o movimento ordenado, isto é, o movimento com direção e sentido


preferenciais de portadores de carga elétrica.

Para que haja movimento de cargas é preciso que se estabeleça um campo


elétrico no condutor.

Tensão Elétrica

Já temos o conceito de corrente elétrica. Agora, o que provoca o movimento


das cargas livres nos condutores?

Imagine dois condutores sólidos A e B, eletrizados, sendo o potencial de A (VA)


maior que o potencial de B (VB).

Hipótese: A B

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Agora vamos ligar os condutores A e B através de um fio (também condutor).

As cargas livres dos condutores são elétrons. Da eletrostática, sabemos que


elétrons abandonados sempre buscam potencial mais elevado, pois,
assim, reduzem sua energia potencial.

Memorize isso: os elétrons sempre buscam MAIOR POTENCIAL!!!

Ora, como o potencial de A é maior que o potencial de B, os elétrons vão se


movimentar de B para A. Os elétrons livres passam a percorrer o fio de B para
A, do potencial mais baixo para o potencial mais alto criando a corrente
elétrica através do fio. À medida que saem elétrons de B, o potencial de B vai
crescendo e à medida que se acumulam elétrons em A, o potencial de A vai
diminuindo.

Quando os potenciais de A e B se igualam, para a corrida dos elétrons de B


para A.

Em suma, a corrente elétrica é causada por uma diferença de potencial elétrico


(ddp) ou tensão elétrica, e tende a cessar quando essa diferença se anula.

Como eu já tinha falado anteriormente, podemos explicar o aparecimento da


corrente elétrica com base no conceito de campo elétrico.

O campo elétrico existente na região compreendida entre os dois


condutores de potenciais diferentes está orientado do potencial maior
para o potencial menor.

No nosso exemplo, o campo está orientado de A para B.

Cargas positivas se movimentam no mesmo sentido do campo. Cargas


negativas se movimentam no sentido oposto ao do campo. Assim, os elétrons
vão se movimentar de B para A. Estão vendo como tudo se encaixa?

Neste exemplo descrito, a corrente elétrica gerada só existe em um curto


intervalo de tempo, cessando em seguida quando a ddp se anula. Por isso,
esta corrente é chamada de transitória.

Na prática, entretanto, não é isso que desejamos. Queremos uma corrente


elétrica que perdure pelo tempo que quisermos. Para conseguirmos este feito,
temos que manter a ddp entre os corpos A e B.

O dispositivo capaz de fazer isso (de manter a diferença de potencial entre os


corpos A e B) é chamado de gerador.

O gerador é um dispositivo que apresenta dois terminais. O terminal de


potencial mais alto é chamado de pólo positivo (+) e o de potencial mais baixo
é chamado de pólo negativo (-). É o caso, por exemplo, das pilhas.
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Intensidade de corrente elétrica

Imagine um condutor sólido e vamos ligar as extremidades aos terminais de


uma pilha.

A pilha estabelece, no interior do condutor, um campo elétrico orientado da


esquerda para a direita. Surgem, então, forças da direita para a esquerda nos
elétrons livres, que passam a se deslocar orientados nesse sentido (veja a
figura).

Os elétrons se movimentam da direita para a esquerda, ok?

Contudo, convenciona-se orientar a corrente elétrica no mesmo sentido do


campo elétrico, ou, o que é a mesma coisa, no sentido dos potenciais
decrescentes. Assim, o sentido convencional da corrente elétrica é oposto ao
sentido do movimento dos elétrons livres.

O sentido adotado para a corrente elétrica é o sentido contrário ao dos elétrons


livres (no mesmo sentido do campo elétrico), como se fosse um fluxo de
cargas positivas com o mesmo módulo que o fluxo dos elétrons livres.

Considere uma seção transversal qualquer do condutor.

Durante um intervalo de tempo , passa pela seção considerada um número n


de elétrons, que totalizam uma carga Q negativa de módulo , onde e é
a carga elétrica elementar ( ).

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Assim, podemos definir a intensidade média de corrente elétrica que é o


quociente do módulo da carga elétrica que atravessa a seção pelo intervalo de
tempo em que isso ocorre.

Se, em intervalos de tempo arbitrariamente pequenos e iguais, a quantidade


de carga que atravessa a seção for sempre a mesma, teremos uma corrente
elétrica constante. Neste caso, a intensidade média da corrente coincidirá com
a intensidade instantânea de corrente em qualquer instante.

No SI, a unidade de medida de intensidade de corrente elétrica é o ampère


(símbolo: A). Lembre-se que o ampère é uma unidade fundamental do SI.

Assim, não podemos dizer que a unidade ampère deriva da unidade coulomb e
do segundo. É o coulomb que deriva do ampère. Só poderemos definir o
ampère em Eletromagnetismo.

Fazendo o intervalo de tempo igual a 1s e o módulo da carga igual a 1 C,


temos que .

São também muito usados os submúltiplos do ampère.

O “caminho” percorrido pela corrente é chamado de circuito elétrico. O trecho


do circuito fora do gerador é o circuito externo. O trecho entre os terminais do
gerador é o circuito interno.

Tipos de corrente elétrica:

Consideram-se dois tipos de corrente elétrica:

a) Corrente contínua (CC) – é aquela cujo sentido permanece constante.


Quando, além do sentido, a intensidade também se mantém constante, a
corrente é chamada corrente contínua constante. É o que ocorre, por exemplo,
nas correntes estabelecidas por uma bateria de automóvel e por uma pilha.
Sua representação gráfica (i x t) é:

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b) Corrente alternada (CA) – é aquela cuja intensidade e cujo sentido


variam periodicamente. Esse é o caso das correntes utilizadas em residências,
que são fornecidas pelas usinas hidrelétricas. Sua representação gráfica (i x t)
é:

Energia Elétrica e Potência Elétrica

Chamamos de bipolo elétrico qualquer dispositivo dotado de dois terminais que


pode participar de um circuito elétrico. A corrente “entra” por um terminal e
“sai” pelo outro. Lâmpadas, pilhas, geradores, ferros elétricos são exemplos de
bipolos elétricos.

Então imagine um bipolo qualquer, de terminais A e B e vamos considerar que


U é o módulo da ddp e que i é a intensidade da corrente elétrica.

Quando uma carga elétrica q atravessa o bipolo, deslocando-se de A para B, as


forças elétricas realizam sobre ela um trabalho dado, como vimos na
Eletrostática.

Esse trabalho mede a quantidade de energia elétrica que o bipolo troca (cede
ou recebe) com o resto do circuito. Dividindo o módulo desse trabalho pelo
intervalo de tempo durante o qual ele foi realizado, obtemos a potência elétrica
média trocada pelo bipolo.

Como i = q/ , então:

A unidade da potência, no SI, é o watt (W). A potência será medida em watt


se U for medido em volt e i, em ampère.

Podemos também calcular a potência pelas seguintes relações:

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Efeito Joule

Em um fio condutor, os elétrons livres movem-se aleatoriamente com


velocidade média de 106 m/s, velocidade esta determinada pela agitação
térmica. Nesse movimento, ocorrem freqüentes choques dos elétrons com os
átomos da rede iônica. Esse movimento dos portadores de carga através do
condutor é parecido com o de uma pessoa que sai correndo em meio a uma
multidão.

No choque de um elétron livre com um átomo da rede, este passa a oscilar


com amplitude maior pelo fato de ter recebido parte da energia cinética do
elétron.

Macroscopicamente, isto se traduz em uma elevação da temperatura do


condutor.

Como já dissemos, o material condutor ao se submeter a um campo elétrico,


os elétrons livres são acelerados em certo sentido. Se apenas isso
acontecesse, a velocidade desses elétrons aumentaria cada vez mais, o que
revelaria uma simples transformação de energia potencial elétrica em energia
cinética. No entanto, essa velocidade não cresce indefinidamente, mas tende a
se estabilizar num valor limite, em virtude dos choques supramencionados.

Durante o movimento, nem toda a energia potencial elétrica transforma-se em


energia cinética dos elétrons. Uma parte dessa energia transforma-se em
energia térmica quando os elétrons se chocam com os átomos que constituem
o condutor, aumentando as amplitudes de oscilação destes. Essa
transformação de energia potencial elétrica em energia térmica recebe o nome
de Efeito Joule ou Efeito Térmico.

O efeito Joule encontra aplicações em aquecedores de ambientes, ferros


elétricos, chuveiros elétricos, etc. Em muitos casos, entretanto, esse efeito é
indesejável, pois provoca perdas de energia. É o caso, por exemplo, do
aquecimento ocorrido nos fios de transmissão de energia elétrica.

Resistência elétrica e as leis de Ohm

Durante a passagem de corrente elétrica através de um condutor, as colisões


com os íons da rede interna dificultam o deslocamento dos portadores de
carga. Isso significa que o meio condutor estabelece uma resistência ao
deslocamento dos elétrons e, portanto, à passagem da corrente elétrica.

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Quanto maior a ddp aplicada, maior a intensidade de corrente que atravessa o


condutor. Assim, há uma relação entre a ddp U aplicada ao condutor e a
intensidade de corrente i que o atravessa. A relação U/i em um condutor é
chamada de resistência elétrica R desse condutor.

Nos circuitos elétricos, utilizam-se fios condutores de pequena resistência


elétrica, como o de cobre, para evitar perdas por efeito Joule. Porém, quando
precisamos transformar energia elétrica em energia térmica (ou limitar a
intensidade de corrente) e estabelecemos níveis de tensão apropriadas
utilizamos dispositivos que oferecem grande resistência à passagem da
corrente elétrica denominados resistores.

Genericamente, a relação U/i = R é conhecida como 1ª Lei de Ohm e pode ser


escrita na forma .

Os condutores que obedecem à 1ª lei de Ohm são conhecidos como condutores


ôhmicos ou lineares.

Em homenagem a Georg Ohm, a unidade de medida de resistência elétrica, no


SI, recebeu o nome de Ohm, e é simbolizada pela letra grega maiúscula
ômega ( ).

Consideremos um fio condutor de comprimento . Seja A a área de sua seção


transversal, supostamente constante.

Ohm verificou, experimentalmente, que a resistência elétrica desse fio é tanto


maior quanto maior é o seu comprimento (diretamente proporcional) e menor
a área da seção transversal (inversamente proporcional), dependendo ainda do
material de que é feito e da temperatura (imagine como seria difícil você correr
dentro de um corredor estreito, longo e cheio de lama).

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Todas essas variáveis estão contidas na Segunda Lei de Ohm:

Onde a grandeza é característica do material e da temperatura, sendo


denominada resistividade elétrica do material.
01. Um determinado resistor ôhmico é percorrido por uma corrente elétrica de
intensidade 8,0 A, quando sob tensão de 72 V. Determine a resistência elétrica
desse resistor e a potência dissipada por ele.

Resolução

Pela primeira lei de Ohm, temos:

A potência dissipada pode ser calculada por:

02. Quando metros deve ter um fio de cobre com 2 mm de diâmetro, para que
sua resistência seja igual a ? Adote, nos cálculos, a resistividade do cobre
igual a e .

Resolução

Pela segunda lei de Ohm, temos:

Vamos calcular a área da seção:

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03. Uma lâmpada consome 160W, quando ligada a uma rede de 220 V. Qual a
potência que ela irá consumir, quando ligada a uma rede de 110 V? Suponha
que a resistência elétrica da lâmpada seja constante.

Resolução

Vimos que a potência também pode ser calculada pela seguinte fórmula:

Assim, temos:

Como a resistência é constante, temos:

Substituindo os valores...

É importante observar que a potência consumida ou dissipada é diretamente


proporcional ao quadrado da tensão, quando a resistência permanece
constante. Assim, a potência luminosa irradiada, que é uma pequena fração da
potência dissipada, também diminui, e a lâmpada ilumina menos.

Associação de resistores

Em muitos casos práticos, tem-se a necessidade de uma resistência maior do


que a fornecida por um único resistor. Em outros casos, um resistor não
suporta a intensidade da corrente que deve atravessá-lo. Nessas situações,
utilizam-se vários resistores associados entre si.

Os resistores podem ser associados em série, em paralelo ou numa


combinação de ambas, a associação mista.
Em circuitos elétricos utiliza-se o conceito de nó, que é a junção de três ou
mais ramos de circuito.

Exemplos:

• São nós:

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• Não são nós:

Tal conceito é muito importante no estudo das associações em série e


paralelo de elementos de um circuito elétrico.

Resistor equivalente é o resistor que produz o mesmo efeito que a associação, ou


seja, submetido à mesma ddp da associação, deixa passar corrente de mesma
intensidade.

Associação em série

Um circuito elétrico com resistores, um seguido do outro, de modo a


oferecer um único caminho para a passagem da corrente.

Características da associação em série

1ª) A intensidade da corrente i é a mesma em todos os resistores, pois eles


estão ligados um após o outro.
2ª) A tensão U na associação é igual à soma das tensões em cada resistor: U
= U1 + U2 + U3
3ª) Aplicando-se a 1.ª lei de Ohm a cada um dos resistores, podemos calcular
a resistência do resistor equivalente da associação, da seguinte forma:

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Assim, temos:

Na associação em série, a resistência equivalente entre dois pontos é a soma das


resistências presentes entre eles.

Associação em paralelo

Quando dois ou mais resistores têm seus terminais ligados à mesma diferença
de potencial, de modo a oferecer caminhos separados para corrente.

Características da associação em paralelo

1ª) A tensão U é a mesma em todos os resistores, pois estão ligados aos


mesmos terminais A e B.
2ª) A corrente i na associação é igual à soma das correntes em cada resistor:
i = i1 + i2 + i3
3ª) Aplicando-se a 1.ª lei de Ohm a cada um dos resistores, podemos
determinar a resistência do resistor equivalente:

Como a soma das três correntes é igual à corrente total, temos:

Dividindo os dois membros por U, temos:

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Na associação de resistores em paralelo, o inverso da resistência equivalente


entre dois pontos é a soma dos inversos das resistências presentes entre eles.

Se tivermos apenas dois resistores associados em paralelo, podemos


simplificar a expressão (muito útil na resolução de problemas):

Se tivermos n resistores de resistência iguais a R, associados em paralelo,


então:

Associação mista

É aquela na qual se encontra, ao mesmo tempo, resistores associados em série


e em paralelo.

A determinação do resistor equivalente final é feita a partir da substituição de


cada uma das associações, em série ou em paralelo, que compõem o circuito
pela respectiva resistência equivalente.

04. Na associação a seguir, determine a resistência equivalente entre os


pontos A e B.

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Resolução

Vamos logo resolver o problema da associação em paralelo. Como são apenas


dois resistores, podemos acelerar o processo:

Então vamos substituir os resistores de 30 ohms e 60 ohms por um único


resistor de 20 ohms.

Agora temos uma associação em série. A resistência equivalente é a soma das


resistências.

Curto-circuito

Um elemento de um circuito está em curto-circuito quando ele está sujeito a


uma diferença de potencial nula.

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Exemplo:

No circuito acima, a lâmpada L2 está em curto-circuito, pois ela está


ligada nos terminais A e B, que apresentam ddp nula devido estarem ligados
por um fio ideal. Portanto, a lâmpada L2 está apagada, por não passar corrente
elétrica através dela. A corrente elétrica, ao chegar ao ponto A, passa
totalmente pelo fio ideal (sem resistência elétrica).

Consideremos dois resistores de resistências R1 e R2 ligados em série entre


dois pontos A e B. Liguemos, entre A e B, um fio de resistência elétrica
desprezível.

Em seguida, calculemos a resistência equivalente entre A e B. Inicialmente,


como R1 e R2 estão em série, podemos substituí-las por R4 = R1 + R2.

Temos, então, uma resistência R4 em paralelo com R3=0.

A resistência equivalente dessa associação é:

A resistência equivalente é nula.

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Concluímos que o fio ligado entre A e B anula as participações de R1 e R2 no


circuito. Em outras palavras, dizemos que se estabeleceu um curto-circuito
entre A e B, podendo esses pontos ser considerados coincidentes. Como as
resistências R1 e R2 não participam do circuito, elas podem ser eliminadas.

05. Determinar a resistência equivalente entre P e Q.

Resolução

Já vimos que os pontos do circuito onde três ou mais terminais estão juntos
denominam-se nós. Os nós correspondentes às extremidades de um fio ideal
estão ao mesmo potencial (U=0). Por isso, podemos identificá-los com uma
mesma letra (veja o caminhos pelos segmentos coloridos...não há resistência
e, portanto, a ddp é igual a 0).

Entre os pontos P e Q, temos três resistências (vou circular em verde!)

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Em seguida, posicionamos todos os nós eletricamente diferentes em diferentes


pontos do papel e remontamos o circuito.

Já tínhamos visto que se tivermos n resistores de resistência iguais a R,


associados em paralelo, então . No nosso caso, temos .

Geradores de energia elétrica

Baterias e pilhas fornecem uma ddp entre seus terminais. São geradores
químicos que transformam energia química em energia elétrica. São dotados
de dois pólos, um positivo e outro negativo. No pólo positivo há ausência de
cargas negativas ao passo que no pólo negativo há excesso dessas cargas.
Isso ocorre sempre, mesmo que a pilha não esteja inserida em um circuito
elétrico.

Dessa diferença de quantidade de cargas e de polaridade resulta uma


voltagem ou ddp entre os pólos. Se ligarmos algum circuito condutor elétrico
fechado entre os pólos, haverá circulação de corrente elétrica.

A função de um gerador elétrico, qualquer tipo que seja, é aumentar a energia


potencial elétricas das cargas que o atravessam. As cargas ganham essa
energia por meio do trabalho de forças que atuam sobre elas. Esse trabalho é
a medida da energia que as cargas recebem.

Vimos que, nos condutores, parte da energia transferida às cargas é utilizada


para vencer a resistência oferecida no seu percurso, resultante dos inúmeros
choques dos elétrons livres com os íons do condutor. Essa resistência também
ocorre dentro do gerador, ao longo do caminho das cargas entre os pólos
negativo e positivo. A energia gasta na resistência interna ressurge na forma
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de calor, e a parte útil é transferida ao circuito ligado externamente aos pólos


do gerador.

Em suma, a função do gerador de energia elétrica é fornecer energia elétrica


ao circuito que ele alimenta. Essa energia é fruto da conversão de alguma
modalidade de energia não-elétrica em energia elétrica.

Quando um gerador não é percorrido por corrente elétrica, ele apresenta uma
certa diferença de potencial entre seus terminais, denominada força
eletromotriz (fem), que simbolizamos por .

Entretanto, ao ser percorrido por corrente, a ddp U entre seus terminais deixa
de ser igual a , tornando-se menor que esta. Isto ocorre porque o gerador,
como todo condutor, apresenta uma resistência elétrica.

Essa resistência é chamada de resistência interna do gerador e seu símbolo


é r. Evidentemente, esse conceito não se refere a um resistor existente dentro
do gerador, mas à resistência própria do material de que ele é constituído.

Um gerador de tensão contínua é simbolizado da seguinte maneira:

Vamos agora determinar a expressão que fornece a tensão U entre os


terminais do gerador em função da intensidade i da corrente que o percorre,
expressão esta conhecida como Equação do Gerador.

Equação do Gerador

Os terminais do gerador são os pontos A e B.

A tensão U é obtida extraindo-se a tensão , que se perde na resistência


interna, da tensão total gerada (fem). Assim, temos:

Se a resistência interna do gerador é nula (r = 0), o gerador é chamado de


gerador ideal, pois não dissipa energia. Nesse caso (que não ocorre na
prática), a ddp entre seus terminais é igual à sua força eletromotriz:
r=0
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Gerador em vazio ou em circuito aberto

Neste caso i =0. Então fazendo i=0 na equação do gerador, temos .

Assim, em circuito aberto, a ddp entre os terminais do gerador é igual à sua


força eletromotriz.

Gerador em curto-circuito

Dizemos que um gerador está em curto-circuito quando seus terminais estão


interligados por um fio de resistência elétrica desprezível.

Seria o caso de ligar os dois pólos de uma pilha por um fio de resistência nula.

Neste caso a ddp entre os terminais do gerador é 0. Fazendo U = 0 na equação


do gerador, obteremos a corrente elétrica que nele circula quando curto-
circuitado (icc = corrente de curto-circuito).

Curva característica do gerador

É o gráfico da ddp entre os terminais do gerador em função da intensidade da


corrente que o percorre.

Como a função é do 1º grau em i, sua representação gráfica é um


segmento de reta.

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Potência elétrica: total, útil e desperdiçada

Consideremos um gerador alimentando um circuito externo, como, por


exemplo, uma lâmpada.

A potência elétrica que o gerador de fato entrega ao circuito externo (no caso,
a lâmpada) é denominada potência elétrica útil do gerador. A potência útil é
dada por:

A potência elétrica dissipada internamente (potência não aproveitada pelo


circuito) é dada por:

Se somarmos a potência elétrica útil com a potência elétrica desperdiçada,


obteremos a potência elétrica total do gerador.

A relação entre a potência útil e a potência total indica o rendimento do


gerador. Quanto mais a energia é aproveitada (e menos dissipada) maior o
rendimento do gerador. Costuma-se exprimir o rendimento pela letra grega
(eta). Assim, o rendimento de um gerador elétrico real é dado pelo quociente

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Ponte de Wheatstone

A ponte de Wheatstone é um circuito elétrico composto por quatro resistências.


Antes de entendermos a função desse circuito, vamos aprender a função de
alguns objetos:

- Dispositivos de Controle são utilizados nos circuitos para medir a intensidade


da corrente elétrica e a ddp existente entre os dois pontos, ou, simplesmente,
para detectá-las. Os mais comuns são o amperímetro, o voltímetro e o
galvanômetro.

O amperímetro serve para medir a intensidade da corrente elétrica e o


voltímetro, para medir a ddp entre dois pontos de um circuito elétrico.

Representação do amperímetro e do voltímetro em um circuito:

O galvanômetro é um dispositivo utilizado na construção do voltímetro e do


amperímetro. Isoladamente, pode ser usado para indicar a presença de
corrente ou a existência de diferença de potencial.

Agora voltando à ponte de Wheatstone.

A representação esquemática do circuito da ponte de Wheatstone em geral,


tem a forma de losango, como na figura acima.

Esse circuito recebeu o nome de ponte porque o galvanômetro liga os pontos C


e D, que pertencem a ramos diferentes.

Conhecidas 3 das resistências, teremos condições de calcular o valor da quarta


resistência, que é desconhecida. Isso será possível se o galvanômetro não
acusar passagem de corrente elétrica entre os pontos C e D. Quando isso
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ocorre, dizemos que a ponte está em equilíbrio. Ora, se não há corrente entre
C e D, então a ddp entre esses pontos é igual a 0.

Lembra da fórmula U = Ri ?

Pois bem, U é a diferença de potencial. Vamos aplicar esta fórmula nos


resistores do circuito acima.

Como , temos:

Dividindo membro a membro, temos:

Quando a ponte está em equilíbrio na ponte de Wheatstone, os produtos das


resistências opostas são iguais.

Lei de Pouillet

Circuito simples é aquele em que um gerador alimenta um resistor de


resistência R. Obviamente, essa resistência R pode ser equivalente a uma
associação de resistências.

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Com relação ao gerador, temos:

Com relação ao circuito externo, temos:

Comparando as duas expressões acima, temos:

Assim, podemos dizer que em um circuito simples, a força eletromotriz (ddp


total) é igual ao produto da resistência elétrica total do circuito pela
intensidade da corrente elétrica.

Observe que a ddp entre os terminais do gerador varia conforme o circuito


externo, uma vez que a ddp entre os terminais depende da corrente que
atravessa o gerador. Quanto maior a resistência do circuito externo, menor a
corrente e, portanto, menor a ddp. Apenas no caso de um gerador ideal é que
não haveria variação.

Associação de geradores

Os geradores podem ser associados em série, em paralelo ou em uma


combinação de ambas as formas. Para cada associação é definido o gerador
equivalente como sendo aquele que, sozinho, produz o mesmo efeito do
conjunto de geradores em associação.

Associação em série

O objetivo de uma associação em série é aumentar a potência útil por meio do


aumento da diferença de potencial aplicada ao circuito externo. Esse tipo é
comum em lanternas, rádios e diversos aparelhos alimentados por pilhas.
Repare que nesses aparelhos as pilhas são colocadas de forma que o pólo
positivo de uma fique conectado ao pólo negativo da seguinte – característica
da associação em série. É usada para aumentar a ddp entre os terminais.

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São características da associação em série:

i) a intensidade da corrente é a mesma em todos os geradores.


ii) a força eletromotriz da associação é a soma das forças eletromotrizes dos
geradores associados.
iii) A ddp nos terminais da associação é a soma das diferenças de potencial nos
geradores associados.
iv) A potência fornecida ao circuito externo é a soma das potências fornecidas
pelos geradores associados.
v) A resistência interna da associação é a soma das resistências internas dos
geradores associados. Essa é a desvantagem da associação em série de
geradores, mas, na prática, a vantagem apontada anteriormente supera essa
desvantagem.

Associação em paralelo

Na associação em paralelo os pólos positivos são ligados a um único ponto e os


pólos negativos são ligados a outro.

Na prática, a associação em paralelo só é conveniente quando os geradores


têm forças eletromotrizes iguais, caso contrário haverá dispêndio inútil de
energia.

Na associação em paralelo de geradores, o aumento da potência fornecida ao


circuito externo ocorre por conta da redução da resistência interna e
consequente aumento da intensidade da corrente para o circuito ligado aos
geradores.

São características da associação em paralelo:

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i) a corrente se subdivide entre os geradores.


ii) a força eletromotriz do gerador equivalente é igual àquela de cada um dos
geradores associados.
iii) Quando as resistências internas forem diferentes entre si, o inverso da
resistência interna do gerador equivalente é igual à soma dos inversos das
resistências dos geradores associados (lembra da associação em paralelo de
resistores da aula passada?)

Se a associação tiver n geradores iguais com resistência interna igual a r, a


resistência do gerador equivalente será r/n.

01. Duas pilhas iguais, cada uma com força eletromotriz e resistência
interna , são associadas, e a associação é ligada a um resistor de ,
conforme as figuras. Calcule a intensidade da corrente no resistor em cada
uma das associações.

a)

Resolução

A fem (força eletromotriz) e a resistência equivalente da associação em série


são:

Aplicando a lei de Pouillet, calculamos a intensidade da corrente i1:

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b)

Resolução

A fem e a resistência equivalente da associação em paralelo são,


respectivamente:

Aplicando a lei de Pouillet, calculamos a intensidade da corrente i1:

Receptores elétricos

O dispositivo capaz de converter energia elétrica do circuito em outra forma de


energia que não exclusivamente térmica, denomina-se receptor elétrico.

Como exemplo, temos o motor elétrico. Ele recebe potência elétrica do gerador
e transforma parte dela em potência mecânica, desperdiçando a outra parcela,
por Efeito Joule, nos enrolamentos e nos contatos.

Observe que, segundo essa definição, os dispositivos que transformam a


energia elétrica apenas em calor não são considerados receptores. O chuveiro,
o ferro elétrico, por exemplo, são classificados como resistores, não como
receptores.

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Quando uma tensão U é estabelecida entre os terminais do receptor, uma


parte dela é queda ôhmica na resistência interna do receptor (resistência dos
enrolamentos e contatos, no caso de motores) e outra parte é queda não-
ôhmica, aproveitada de modo útil para fins não-térmicos.

A energia que recebem das cargas elétricas não é totalmente transformada em


energia útil. Podemos constatar isso facilmente ao tocar qualquer aparelho em
funcionamento: ele fica ligeiramente aquecido. Ou seja, parte da energia que
recebe é transformada em calor em razão de sua resistência interna.

Seja r’ a resistência interna do receptor. Então a queda ôhmica é dada por r’ i.

A queda não-ôhmica, isto é, a ddp útil para o receptor, é denominada força


contra-eletromotriz (fcem) e simbolizada por .

O símbolo do receptor nos circuitos elétricos é:

Equação do receptor

É a expressão que relaciona a tensão U entre os terminais do receptor com a


corrente i que o percorre. Pelo que acabamos de ver, temos que:

Essa equação exprime que a queda total de tensão através do receptor (U) é a
soma da queda útil, ou força contra-eletromotriz, com a queda ôhmica.

Apesar de os receptores não terem seus próprios pólos elétricos, vamos


chamar de pólo positivo o terminal ligado ao pólo positivo do gerador e de pólo
negativo o terminal ligado ao pólo negativo do gerador. Assim, podemos dizer
que dentro do receptor, a corrente circula do pólo positivo para o pólo
negativo.

Curva característica do receptor

É a representação gráfica da Equação do Receptor.

Pela equação do receptor, vemos que a função de U em função de i é do 1º


grau.

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Potência elétrica: total, útil e dissipada

Consideremos um gerador alimentando um receptor.

A potência que o gerador entrega ao receptor é a já conhecida potência útil


do gerador (Ui). Para o receptor, essa mesma potência representa a sua
potência total. Desse total, uma parcela é útil e a outra é desperdiçada (r’ i²).

Resumindo:

i) A potência total do gerador é . Desta potência total, uma parte é


desperdiçada (r i²). A potência útil do gerador é Ui (é esta potência que é
enviada até o receptor).

ii) O receptor recebe a potência Ui do gerador (a potência útil do gerador é


igual a potência total do receptor).

iii) O receptor desperdiça uma potência igual a r’ i².

iv) O receptor aproveita (potência útil) uma potência igual a .

Do exposto, concluímos que para o receptor a potência total é Ui, a potência


desperdiçada vale r’ i² e a potência elétrica útil é igual a .

O rendimento continua definido por .

Circuito gerador-receptor

Consideremos resistores, geradores e receptores compondo um circuito de


caminho único, isto é, um circuito em que todos os componentes estão em
série. Desse modo, a intensidade da corrente elétrica é a mesma em todos os
elementos do circuito.

Na próxima figura, temos um desses circuitos, onde supomos dado o sentido


da corrente.

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Como vamos saber, neste circuito, quem é gerador e quem é receptor?

Lembre-se que um gerador é percorrido por corrente do – para o +, e que um


receptor é percorrido do + para o -, assim:

Concluímos que são fem (forças eletromotrizes) e e são fcem


(forças contra-eletromotrizes).

Quando percorremos o circuito no sentido da corrente, as fem representam


elevações de potencial (do – para o +), enquanto as fcem representam quedas
não ôhmicas (úteis) de potencial. Além dessas quedas, entretanto, existem as

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quedas ôhmicas nas resistências do circuito, onde cada queda ôhmica é o


produto de uma resistência pela corrente.

Evidentemente, se partirmos de um ponto e percorremos todo o circuito,


devemos encontrar:

Soma das elevações de potencial = soma das quedas não-ôhmicas + soma das quedas ôhmicas

Ou, em símbolos:

Assim, no circuito da figura da página anterior, temos:

Com esta expressão, podemos calcular a intensidade da corrente i.

O sentido correto da corrente no circuito é aquele em que o somatório das fem


supera o somatório das fcem. Caso você erre o sentido da corrente, não tem
problema! O seu resultado da corrente dará negativo, mas estará correto em
módulo e, por isso, bastará inverter o sentido da corrente, não sendo
necessário, portanto, nenhum outro cálculo.

Exercícios de concursos

02. (Perito Criminal – Polícia Civil PE 2006/IPAD) Determine a corrente elétrica


no circuito mostrado na figura abaixo. Considere , ,
.

a) 0,5 A
b) 1,0 A
c) 1,5 A
d) 2,0 A
e) 2,5 A

Resolução

Vimos que
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Assim, temos:

Letra C

03. (Perito Criminal – Polícia Civil PE 2006/IPAD) No circuito da figura abaixo,


os fusíveis F1 e F2 têm resistência elétrica desprezível e suportam correntes de
intensidade máxima igual a 5 A.

Assinale a alternativa correta:


A) Apenas o fusível F1 se danifica.
B) Apenas o fusível F2 se danifica.
C) Os dois fusíveis se danificam.
D) Nenhum dos fusíveis se danifica.
E) Não se dispõem de dados suficientes para verificar o funcionamento dos
fusíveis.

Resolução

Vamos utilizar a Lei de Pouillet para calcular a intensidade da corrente.

A associação em paralelo dos resistores equivale a um único resistor de:

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Esta resistência equivalente forma uma associação em série com o resistor de


. Esta associação equivale a um único resistor de .

Pois bem, podemos calcular a corrente elétrica total.

Quando temos uma associação em paralelo, a tensão U é a mesma em todos


os resistores, pois estão ligados aos mesmos terminais A e B.

A diferença de potencial na associação em paralelo é obtida com a primeira lei


de Ohm.

Como a tensão é a mesma para os dois resistores, então podemos aplicar a


primeira lei de Ohm aos resistores para calcular as intensidades das correntes.

Resistor superior:

Resistor inferior:

Como os fusíveis suportam correntes de intensidade máxima igual a 5 A, o


fusível F2 se danifica.

Letra B

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04. (Polícia Civil RJ 2008/FGV) Dispõem-se de 8 resistores idênticos, todos de


mesma resistência R, e de uma fonte de tensão capaz de manter entre seus
terminais uma diferença de potencial constante sob quaisquer condições.
Quando os resistores são ligados em série com a fonte de tensão, a potência
total consumida por eles é P. Quando os resistores são ligados em paralelo
com a fonte de tensão, a potência total consumida por eles é P’. A razão P’/P é
igual a:
(A) 1/2
(B) 2
(C) 4
(D) 16
(E) 64

Resolução

Como a ddp é constante, devemos utilizar a seguinte fórmula:

Os resistores são idênticos. Quando associados em série, a resistência


equivalente é igual a 8R; quando associados em paralelo, a resistência
equivalente é igual a R/8.

Pois bem, a potência consumida, quando os resistores são ligados em série, é


igual a:

A potência consumida, quando os resistores são ligados em paralelo, é igual a:

Queremos calcular a razão P’/P.

Letra E

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