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Estrutura da Matéria
INTRODUÇÃO AO ESTUDO
DOS SÓLIDOS
Sérgio Ricardo Muniz

7.1 Introdução
7.2 Tipos de sólidos
7.2.1 Sólido molecular
7.2.2 Sólido iônico
7.2.3 Sólido covalente
7.2.4 Sólido metálico
7.3 Estrutura Cristalina
7.3.1 Redes cristalinas: células unitárias e redes de Bravais
7.3.2 Cristalografia: determinando a estrutura dos cristais
7.4 Propriedades elétricas
7.4.1 Teoria de bandas dos sólidos
Referências

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7.1 Introdução
Nesta aula é apresentada uma introdução geral ao estudo dos sólidos. Os sólidos constituem
uma grande parte da matéria à nossa volta, e suas propriedades físicas e químicas dependem
essencialmente do tipo de ligação molecular envolvida na sua formação. É importante, porém,
ressaltar que as propriedades físicas dos sólidos são bem diferentes das moléculas isoladas do
mesmo material.
A física do estado sólido é uma área bastante vasta da física quântica, onde são estudadas
diversas propriedades dos materiais, como: propriedades mecânicas, térmicas, magnéticas e ópticas.
Essas propriedades, de uma maneira bastante geral, estão ligadas às propriedades dos elétrons
nesses materiais.

7.2 Tipos de sólidos


Há essencialmente duas grandes categorias em que podemos enquadrar a matéria sólida:
os sólidos com estrutura molecular ordenada e periódica, os chamados sólidos cristalinos,
e aqueles cuja estrutura molecular só apresenta ordem local, que são os chamados sólidos
amorfos ou não cristalinos. Nestes últimos, a ordem local é ditada pela estrutura das ligações
moleculares, mas apenas nas vizinhas de alguns poucos átomos ou moléculas. Nos cristalinos há
uma estrutura ordenada em todo o material.
Essa classificação é bastante geral e leva em conta a chamada ordem de longo alcance do
material. Os cristais são o melhor exemplo de ordem de longo alcance, enquanto o vidro é um
bom exemplo de um sólido amorfo. Existem outras formas de categorizar os materiais sólidos,
em geral, em termos de suas propriedades físicas e químicas, visando a determinadas aplicações.
Nesta aula vamos concentrar-nos em alguns exemplos de sólidos cristalinos, que constituem
uma categoria bastante importante, na qual é comum classificá-los em termos das ligações
químicas entres os átomos que formam o material. Vamos citar algumas delas a seguir, mas o
mais importante é observar a conexão que existe entre as propriedades física e as propriedades
dos elétrons que participam das ligações do material.

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7.2.1 Sólido molecular

O sólido molecular é um tipo de sólido formado pela interação molecular, ou ligações


secundárias, geralmente do tipo Van de Waals, entre moléculas extremamente estáveis. Neste
tipo de sólido, as moléculas praticamente mantêm a sua individualidade, e os elétrons estão
todos emparelhados (preenchendo todos os orbitais moleculares disponíveis), de modo que não
possam formar mais nenhuma ligação química. Dessa forma, a interação entre as moléculas se
dá através das fracas interações eletrostáticas entre os dipolos elétricos (flutuantes ou permanentes)
dessas moléculas, o que leva a ligações secundárias, muito mais fracas que as entre as ligações
moleculares do tipo iônico ou covalente, como vimos na última aula “Noções gerais de física
atômica e ligações químicas”.
Uma maneira de quantificar a força entre as ligações moleculares é através da energia de
ligação (isso corresponde à profundidade do poço de energia potencial de interação entre os
átomos), como indica a Figura 7.1. No caso dos sólidos moleculares, essa energia de ligação é
da ordem de 10−2 eV, cerca de 100 vezes menor do que a energia de uma ligação química típica.

Figura 7.1: Energia de ligação de uma molécula.

Na prática, muitos compostos orgânicos, gases inertes e gases comuns, como o hidrogênio,
oxigênio ou nitrogênio, formam sólidos moleculares quando no estado sólido, o que geralmente

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só ocorre a temperaturas muito baixas. A ligação fraca faz esse tipo de sólido ser facilmente
deformável e compressível, do ponto de vista mecânico. E a falta de elétrons livres os faz terem
condutividade elétrica e térmica muito baixa.

7.2.2 Sólido iônico

Como vimos na aula anterior, a interação eletrostática entre os


íons que participam de uma ligação iônica propicia a formação de
estruturas regulares e periódicas, onde os íons de cargas opostas se
posicionam de forma alternada ao longo do espaço, levando ao
chamados cristais iônicos. Um exemplo típico é o cloreto de sódio
(NaCl) - o sal de cozinha, que forma uma estrutura tridimensional
periódica do tipo cúbico, conforme mostra a Figura 7.2. Figura 7.2

Nesse caso, como a ligação não é direcional, os íons se comportam essencialmente como se
fossem “esferas rígidas” empilhadas uma do lado da outra, e mantidas juntas através da atração
eletrostática. A estrutura espacial do cristal iônico irá depender essencialmente do tamanho
relativo entre os íons envolvidos. Como não há elétrons livres para transportar energia ou carga
dentro desses sólidos, eles também tendem a ser maus condutores de calor e eletricidade na
forma sólida. Por outro lado, as fortes interações eletrostáticas entre
os íons produzem sólidos duros e com alto ponto de fusão. Por
causa disso, esses materiais, quando não em contato com solúveis
polares, são encontrados na forma sólida.
Do ponto de vista das propriedades ópticas, tendem a ter transições
eletrônicas mais intensas nas regiões espectrais do infravermelho e
ultravioleta. Desse modo, esses materiais (cristais) normalmente são
transparentes na região do visível. No exemplo do sal de cozinha,
a cor aparentemente branca deve-se ao espalhamento, uniforme de
luz em todas as cores, mas, ao ser visto num microscópico pode-se
constatar a transparência dos pequenos cristais que formam o sal.
O mesmo pode ser observado em monocristais maiores, como em
Figura 7.3: Sal grosso. /
Fonte: Thinkstock alguns cristais do sal grosso (não refinado).

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7.2.3 Sólido covalente

No sólido covalente temos átomos ligados por elé-


trons de valência compartilhados, como no caso das
ligações covalentes em uma única molécula. Da mesma
forma, as ligações são direcionais e isso determina o
arranjo geométrico dos átomos na estrutura cristalina
desses sólidos. Devido à força das ligações covalentes,
os sólidos desse tipo formam materiais duros e difíceis Figura 7.4: Carvão e diamante. / Fonte: Thinkstock
de deformar.
Assim, como nos sólidos iônicos, esses materiais também costumam ter um elevado ponto de
fusão. A ausência de elétrons livres resulta numa baixa condutividade térmica e
elétrica. Mas em alguns casos especiais, como no silício e germânio (Figura 7.5),
esses cristais podem ter uma condutividade elétrica intermediária e são cha-
mados semicondutores. Outro exemplo marcante desse tipo de sólido é o
diamante (Figura 7.4), formado exclusivamente por átomos de carbono num Figura 7.5: Silício.
tipo particular de ligação.

7.2.4 Sólido metálico

Como se pode supor, nos sólidos metálicos a ligação entre os


átomos é do tipo metálico, que pode ser pensada como um caso limite
da ligação covalente, onde os elétrons são compartilhados por todos os
“íons” (núcleos positivos) do cristal. A diferença mais marcante desse
tipo de material é a presença dos elétrons livres, que é o que faz as
condutividades elétrica e térmica dos metais serem bastante altas, uma
característica com importantes aplicações tecnológicas. Figura 7.6: Sólido metálico.

A estrutura de um sólido metálico é tipicamente cristalina, embora esses cristais normal-


mente não sejam transparentes na região espectral do visível. Isso, novamente, está relacionado
às propriedades dos elétrons livres do material, que são facilmente excitados (sofrem transições
entre níveis de energia internos) e absorvem (e refletem) toda radiação visível, o que os fazem
ser opacos à luz.

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Todos os elementos alcalinos formam sólidos metálicos, com


baixo ponto de fusão e grande maleabilidade (devido ao fato de
os elétrons de valência desses átomos estarem fracamente ligados
aos seus núcleos). Mas dependendo da simetria dos orbitais que
participam dessas ligações, e também de impurezas do material, esses
metais podem ser bastante duros (porém menos que nos sólidos iô-
nicos e covalentes), como no ferro e aço (onde a adição do carbono Figura 7.7: Sódio metálico.

e outros átomos, como impurezas, modificam bastante as suas


propriedades físicas e químicas).

7.3 Estrutura Cristalina


Nos sólidos cristalinos, como vimos, há uma ordenação periódica dos átomos que formam
o sólido. Essa ordenação corresponde a um arranjo onde os átomos são dispostos de modo a
produzir uma rede tridimensional de pontos, em torno dos quais os átomos estão localizados.
Devido à forma periódica desses arranjos, essa estrutura dos cristais recebe a denominação de
rede cristalina. A forma geométrica desses arranjos é determinada pelas ligações químicas, através
dos orbitais dos elétrons de valência (que participam das ligações), da interação eletrostática e
do spin dos elétrons (que determina a ocupação dos orbitais). A estrutura molecular do sólido
sempre irá ser aquela que minimiza a energia de interação dos átomos, dadas as condições citadas
acima. Como existe um conjunto finito de orbitais normalmente preenchidos, há também um
número finito de configurações que essas estruturas podem assumir.
O estudo da geometria dessas redes cristalinas é um assunto complexo, mas muito impor-
tante em qualquer estudo detalhado da física do estado sólido e dos materiais. Nós não iremos
abordá-lo em nenhum grande detalhe aqui, exceto para mencionar dois conceitos fundamentais
dessa área. Esses são os conceitos de célula unitária e redes de Bravais.

7.3.1 Redes cristalinas: células unitárias e redes de Bravais

Uma forma de simplificar a discussão sobre as propriedades de um sólido cristalino é


concentrar-se no elemento básico dessa estrutura periódica que forma o cristal. Essa unidade

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básica é chamada célula unitária e seu significado é bastante simples: a célula unitária é a
menor porção da estrutura (arranjo de átomos) que, por repetição periódica ao longo dos eixos
de coordenada, permite construir completamente a distribuição dos átomos no cristal.
Em três dimensões existem apenas 14 formas geométricas, que definem as células unitárias de
todos os possíveis cristais que podem ser formados na natureza. Essas células unitárias, quando
replicadas através de translação e colocadas uma ao lado da outra, produzem uma rede de , que é
chamada rede de Bravais. As células unitárias dessas formas geométricas que dão origem às redes
de Bravais, que formam a estrutura de todos os sólidos cristalinos, são mostradas na Figura 7.8.

Cúbico simples Cúbico de Face-centrado Cúbico de Corpo-centrado

Tetragonal simples Tetragonal de Hexagonal


corpo-centrado

Ortorrômbica Simples Ortorrômbica de Ortorrômbica de Ortorrômbica de


corpo-centrado base-centrada face-centrada

Romboédrica Monoclínica Simples Monoclínica de Triclínica


base-centrada
Figura 7.8: Ilustração das células unitárias de todas as possíveis redes de Bravais dos sólidos cristalinos.

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Para entender melhor como isso funciona, considere o exemplo do cloreto de sódio (NaCl),
que forma um cristal iônico cuja célula unitária é do tipo cúbico simples, onde os vértices
do cubo são ocupados pelos átomos de cloro e sódio, de forma alternada e periódica. Outro
exemplo que mostra como a estrutura cristalina é importante é a alotropia (fenômeno onde
um mesmo elemento químico pode formar substâncias diferentes) do carbono, que dá origem
a dois materiais bastante distintos: diamante e grafite.

7.3.2 Cristalografia: determinando a estrutura dos cristais

Talvez você esteja se perguntando como é feita a determinação das estruturas cristalinas dos
materiais? Como é possível determinar exatamente as posições de diferentes
átomos tão pequenos, posicionados em distâncias que são tipicamente
também do tamanho do próprio átomo?
Na verdade, geralmente, isso é feito utilizando as propriedades ondulatórias
das ondas eletromagnéticas. Em particular, utiliza-se a difração de raios X
desses cristais. Para entender por que se utilizam raios X, em vez da luz
visível, por exemplo, basta lembrar que os efeitos ondulatórios se manifestam a
apenas quando uma onda interage com um obstáculo
cujo tamanho é comparável ao seu comprimento de
onda. Nesse caso, como as distâncias envolvidas são da
ordem de angstroms (~10-10 m), isso leva naturalmente
à região do espectro eletromagnético que pertence aos
raios X, cujo comprimento de onda é dessa ordem.
Através da análise dos resultados de difração de raios
X, usando diversas técnicas, é possível determinar com
grande precisão a posição dos diferentes átomos numa
b
estrutura cristalina. Foi essa técnica, por exemplo, que
Figura 7.9: Alguns resultados da difração de raios X na
permitiu a descoberta da estrutura molecular (e daí determinação de estruturas moleculares. Em (a) temos
uma imagem típica da difração observada num cristal,
inferir a função biológica) das moléculas de DNA. onde a estrutura regular leva à formação de um padrão
de difração (mostrado na figura) também periódico,
E, de fato, essa técnica é ainda muito usada em diversas de onde se podem determinar as distâncias entre os
átomos. Na figura (b) temos um modelo tridimensional,
áreas, sempre que há necessidade de se determinar a construído no computador a partir de resultados como
em (a), mostrando a estrutura molecular do ribossomo,
estrutura de uma molécula (cristalizadas) ou um novo que tem importante papel biológico.
material cristalino.

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7.4 Propriedades elétricas


Uma das mais importantes propriedades físicas, de interesse tecnológico, dos sólidos é aquela
ligada à capacidade de conduzir eletricidade: a chamada condutividade elétrica dos materiais.
Essa propriedade também está frequentemente (embora nem sempre) associada à condutividade
térmica (capacidade de conduzir calor), que também é de grande interesse prático.
Como veremos a seguir, essas propriedades estão diretamente ligadas às propriedades de trans-
porte dos elétrons no material, isto é, como são os níveis de energia que determinam as maneiras
pelas quais os elétrons se podem mover num dado material. As propriedades elétricas podem ser
explicadas pela chamada teoria de bandas dos sólidos, que será brevemente discutida aqui.

7.4.1 Teoria de bandas dos sólidos

Ao colocarmos átomos idênticos muito próximos uns dos outros, devido à interação entre
eles e os efeitos quânticos relacionados à indistinguibilidade dos elétrons (cujas funções de onda
começam a se sobrepor), há um desdobramento da degenerescência das energias dos níveis
atômicos individuais, isto é, os níveis de energia atômicos, inicialmente idênticos, dão origem a
um conjunto de níveis ligeiramente deslocados um do outro. Isso produz um diagrama de
níveis de energia com um número maior de níveis discretos numa molécula do que nos átomos
isolados. O número total desses “novos” níveis discretos depende do número de átomos que
participam da ligação, assim como da geometria dos orbitais. Quando o número de átomos é
muito grande (da ordem do número de Avogadro, ~1023), como ocorre num sólido cristalino,
esses níveis se tornam tão próximos uns dos outros que praticamente formam uma faixa contínua
de energias permitidas aos elétrons. Essas faixas contínuas são chamadas bandas de energia.
A Figura 7.10 tenta ilustrar essa situação.
Figura 7.10: Representação dos níveis de energia de um
ou vários átomos próximos. Devido à interação e os efeitos
quânticos de indistinguibilidade dos elétrons, quando
muito próximos, há um desdobramento dos níveis de
energia individuais de cada átomo, formando um conjunto
de níveis que depende do número de átomos. Num sólido,
quando o número de átomos é muito grande, isso equivale
à formação de uma faixa (banda) de energia relacionada
aos estados eletrônicos originais dos átomos individuais.

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Assim, mesmo num sólido composto exclusivamente por átomos idênticos, os níveis de
energia discretos dos átomos individuais (inicialmente iguais) dão lugar a um conjunto de
bandas de energia, que correspondem aos possíveis estados quânticos dos elétrons no sólido.
E, da mesma forma que ocorre com os átomos isolados, há intervalos de energia que são proi-
bidos para o elétron. No caso dos sólidos, essas regiões proibidas costumam ser denominadas
“band gaps” ou, simplesmente, “gaps” de energia.
Várias propriedades dos materiais sólidos podem ser explicadas apenas em termos da estru-
tura de bandas do material, especialmente as chamadas propriedades de transporte dos elétrons,
que dependem principalmente dos elétrons de valência e da distribuição de duas principais
bandas de energia do sólido. Na linguagem da teoria de bandas, essas duas bandas principais são
chamadas banda de valência e banda de condução.
A banda de valência é a última banda (faixa de energia) preenchida pelos elétrons do sólido,
no seu estado fundamental (de menor energia), enquanto a banda de condução é a primeira
banda desocupada dos estados excitados (de maior energia) do sistema. Lembre-se de que, assim
como ocorre num átomo com vários elétrons, nós devemos distribuir todos os elétrons nos
orbitais (estados) disponíveis, partindo sempre do orbital (estado) de menor energia e seguindo
o princípio de exclusão de Pauli.
A Figura 7.11 mostra um diagrama das bandas de energia associadas às propriedades elé-
tricas de um sólido. Nos materiais condutores (metais), há uma sobreposição das bandas de
valência e condução, que resulta nos elétrons livres no material. Nesse caso, não há um custo
energético adicional para mover um elétron da banda de valência para a banda de condução,
e o material pode facilmente conduzir eletricidade ao aplicar uma tensão (voltagem) elétrica.

Figura 7.11: Diagrama das bandas de energia associadas às propriedades elétricas de um sólido. Nos condutores (como nos metais), a
sobreposição das bandas de valência e condução produzem elétrons livres no material, enquanto nos isolantes há uma região proibida
(“gap”), com intervalo de energia , entre essas bandas, o que impede a movimentação dos elétrons. Nos semicondutores, o “gap” é
menor, o que facilita excitar um elétron para a banda de condução e resulta numa condutividade intermediária.

Por outro lado, nos isolantes há uma região proibida (gap), com intervalo de energia ∆E,
entre as bandas. Isso significa que, para promover um elétron para a banda de condução (onde
ele está “livre” para conduzir eletricidade), é necessário fornecer uma grande quantidade de

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energia (tipicamente da ordem de vários eV, o que é comparável à energia de ionização dos
átomos isolados). Como resultado, àtemperatura ambiente, o número de elétrons que ocupam
a banda de condução é muito pequeno e os elétrons permanecem localizados ao redor dos
átomos isolados, ao invés de se movimentarem pelo sólido.
Nos semicondutores, esse intervalo de energia (∆E) é menor. Isso faz com que seja mais fácil
excitar um elétron para a banda de condução. Como resultado disso, há uma probabilidade bem
maior de encontrar elétrons na banda de condução num semicondutor do que num isolante.
O número de elétrons de condução num semicondutor é, porém, ainda bem menor do que
num metal, e por isso sua condutividade elétrica tem valor intermediário entre a dos condu-
tores e a dos isolantes.

Referências
Eisberg, R.; Resnick, R. Física Quântica. 9. ed. Editora Campus, 1994.
Tipler, P. A.; Llewellyn, R. A. Física Moderna. 3. ed. Editora LTC, 2009.
Tipler, P. A.; Mosca, G. Física. v. 4, 5. ed. Editora LTC, 2006.
Chaves,A. Física:“Sistemas Complexos e Outras Fronteiras”. v. 4, 1.ed. Editora Reichmann
& Affonso Editores, 2001.

Finalizada a leitura do texto, realize as ativi-


dades on-line propostas e assista à videoaula que
contempla os assuntos aqui apresentados.

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