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Físico-Quimica Experimental

ENTROPIA E ENTALPIA DO ÁCIDO BENZÓICO


SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 3
2. OBJETIVOS .................................................................................................................................. 4
3. MATERIAIS E METODOLOGIAS .............................................................................................. 4
3.1. Materiais e Reagentes ......................................................................................................... 4
3.2. Procedimento experimental ................................................................................................ 5
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO ................................................................................................. 5
4.1. Determinação da solubilidade do ácido benzoico ........................................................... 6
5. CONCLUSÃO ............................................................................................................................. 10
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................................ 11
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1. INTRODUÇÃO

O calor de dissolução representa a variação de entalpia que resulta da formação


de uma solução de concentração específica, a partir de 1g/mol do composto, e o
número de g/mol de água liquida. Com estes dados pode calcular-se o calor total de
formação de uma substância dissolvida. (HIMMELBLAU; DAVID, 1984)

O estudo de medição do calor de dissolução indica que há dois calores de


dissolução, sendo o calor integral e o calor diferencial. O calor integral de dissolução
define-se como o valor absorvido ou libertado quando um mol de soluto se dissolve
numa quantidade adequada de solvente para obter uma dissolução de determinada
concentração. O calor diferencial de dissolução pode-se representar

matematicamente por , e define-se como calor absorvido quando um mol de

soluto se dissolve numa quantidade de dissolução tal que não produza modificação
apreciável da concentração. (HOUGHEN, WATSON, RAGATZ; 1984)

Desta forma, o calor total de uma determinada mistura é possível ser


verificado experimentalmente. Denomina-se calor de solução a variação de energia,
quando uma substancia dissolve a outra, sendo assim o próprio calor de dissolução.

Na condição de saturação entre solução e soluto, a condição de equilíbrio


comporta-se da seguinte maneira:

( )

Onde x2 é a fração molar do soluto na solução saturada e, portanto, a solução do


soluto (S) expressa em termos de fração molar. Se a solução for ideal, pode-se
utilizar a seguinte relação:

( )

Rearranjando a equação (2), a seguinte expressão (3) para a solubilidade é obtida:


4

Supondo que 6H°é constante as temperaturas T1 e T2, a equação pode ser


facilmente integrada entre estes limites. Ou seja, a variação de entalpia no processo
de dissolução de uma solução para compor uma solução saturada é:

A influência da temperatura na solubilidade pode ser compreendida à luz do


princípio de Le Chatelier. Ao considerar uma solução saturada, em equilíbrio com
excesso de soluto (corpo de fundo), ao fornecer calor ao sistema, o equilíbrio irá se
deslocar na direção que absorve calor.

Bem, se a dissolução for um processo endotérmico, que ocorre devido à


absorção de calor, como no caso da dissolução do sal de cozinha (cloreto de sódio,
NaCl), a absorção de calor implica em deslocamento do equilíbrio para a direita.
Com isso, aumenta a massa de cloreto de sódio na fase aquosa, ou seja, sua
solubilidade aumenta com a temperatura.

Por outro lado, se a dissolução for um processo exotérmico, que libera calor,
como é o caso da dissolução do hidróxido de sódio (NaOH), o aumento da
temperatura desloca o equilíbrio para a esquerda. A solubilidade, nesse caso,
diminui com o aumento da temperatura.

2. OBJETIVOS

O objetivo deste experimento é determinar o calor de dissolução do ácido


benzoico a partir de sua solubilidade em solução aquosa de NaOH a diferentes
temperaturas. Além de determinar se o processo é exotérmico ou endotérmico.

3. MATERIAIS E METODOLOGIAS

3.1. Materiais e Reagentes

 Ácido benzoico (C7H6O2);  Hidróxido de sódio (NaOH) 0,1


mol/L;
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 Solução de fenolftaleína  Bagueta;


(C20H14O4);  Água destilada;
 1 bureta de 10 mL;  Termômetro;
 1 pipeta graduada de 10 mL;  Suporte universal;
 6 erlenmeyers de 125 mL;  Banho termostatizado;
 1 béquer de 50 mL;  Gelo.
 1 recipiente para banho de gelo;

3.2. Procedimento experimental

A solução aquosa de NaOH 0,1 mol/L já estava preparada, assim como as 6


soluções de ácido benzoico utilizadas no experimento. Uma das soluções de
ácido benzoico foi mantida em banho de gelo, para manter-se a temperatura de
20°C, enquanto as outras soluções foram colocadas em banho termotizado a fim
de atingir as temperaturas de 30°C, 40°C, 50°C, 60°C e 70°C. Mantiveram-se as
soluções de ácido benzoico em banho termotizado por 10 min, sendo agitadas
com o auxilio de uma bagueta, até atingir o equilíbrio da reação.
Em seguida, com o auxilio de uma pipeta, foi retirada uma amostra de 10 ml
do sobrenadante da solução saturada de ácido benzoico.
Após retirar a solução, a mesma foi transferida rapidamente para um
erlenmeyer de 125 ml, já contendo 50 ml de água destilada para diluição. Após a
diluição foram adicionadas 3 gotas de fenolftaleína, usada com indicador e
titulou-se a solução de NaOH 0,1 mol/L.
Em seguida, o mesmo procedimento foi repetido com as soluções a 40°C,
50°C, 60°C, 70°C e 20°C.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Para um resultado mais preciso na determinação do calor de dissolução


utilizou-se seis variações de temperaturas de 10K entre elas (293,15K, 303,15K,
313,15K, 323,15K, 333,15K, 343,15K) com suas respectivas duplicatas. Os
valores para o volume gasto de NaOH (0,1M) nas titulações, a concentração
(mol. L-1) a cada temperatura, assim como a respectiva solubilidade foram
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tabelados. A partir desses dados, pode-se calcular o Ln S e plotar o gráfico em


razão do inverso da temperatura.
Por fim, calculou-se a inclinação da reta, a fim de calcular a variação de
entalpia do calor de dissolução do ácido benzoico.

4.1. Determinação da solubilidade do ácido benzoico

Para determinar a solubilidade da amostra temos a seguinte equação (5):

No entanto, deve-se calcular a massa do soluto que efetivamente reagi com


hidróxido de sódio (0,1M). Para cálculo da massa de soluto, deve-se
primeiramente saber o número e mols de NaOH presente em cada amostra.
Através da equação (6) pode-se determinar o valor para cada titulação.

Pela estequiometria, temos uma reação 1:1, logo o número de mols de


hidróxido sódio é igual ao de ácido benzoico.

Através do numero de mols do ácido benzoico, pode-se determinar a massa


do ácido em cada amostra, através da equação (7).
7

Conforme os valores obtidos de massa do ácido benzóico, pode-se então


calcular o valor de solubilidade de cada amostra, conforme Tabela 1.

Massa de ácido bezoico Gramas de solvente


Solubilidade 100 g de solvente

Tabela 1 - Valores para determinação da solubilidade do ácido benzoico em cada amostra.

Volume de Volume de
Massa
NaOH NaOH Solubilidade
Mols de de ácido
Temperatura Temperatura necessário necessário (g soluto/
ácido benzoico
(°C) (K) na na 100g
benzoico (g)
titulação titulação solvente)
(mL) (L)
70 343,15 9,85 0,00985 9,75x10-4 1,09x10-4 1,09x10-3
60 333,15 6,93 0,00693 6,86x10-4 7,69x10-2 7,69x10-4
50 323,15 4,05 0,00405 4,01x10-4 4,50x10-2 4,50x10-4
40 313,15 2,85 0,00285 2,82x10-4 3,16x10-2 3,16x10-4
30 303,15 1,0 0,0010 9,90x10-5 1,11x10-2 1,11x10-4
20 293,15 0,70 0,00070 6,93x10-5 7,77x10-3 7,77x10-5

Com os valores definidos de solubilidade, pode-se calcular o Ln S para as


amostras.

Temperatura (K) Solubilidade (g Ln S 1/T (K-1)


soluto/ 100g
solvente)
343,15 1,09x10-3 -6,8215 0,0029
-4
333,15 7,69x10 -7,1704 0,0030
323,15 4,50x10-4 -7,7063 0,0031
313,15 3,16x10-4 -8,0598 0,0032
8

303,15 1,11x10-4 -9,1060 0,0033


293,15 7,77x10-5 -9,4627 0,0034

Através dos dados da Tabela 2, pode-se então plotar o gráfico disponível na Figura
1.

-6
0,0028 0,0029 0,003 0,0031 0,0032 0,0033 0,0034 0,0035
-6,5

-7
y = -5533,2x + 9,3752
-7,5 R² = 0,9721
ln S

-8

-8,5

-9

-9,5

-10
1/T (K)

Figura 1 - Variação do logaritmo natural da solubilidade em função do inverso da


temperatura.

Para determinação do , utilizamos a equação (8), que refere-se a


equação (4) de maneira mais simples:

Onde o valor de R equivale a 8,314 J.mol-1.K-1


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Pode-se analisar que pelo valor da trata-se de


uma reação endotérmica, ou seja, (ΔH >0), onde pode ser observado através dos
dados ao longo do relatório,

Existem fatores que também podem ter influenciado na obtenção desse valor
de calor de dissolução. Dentre eles pode-se citar o tempo de transferência entre os
líquidos, base e ácido, a cristalização muito rápida da solução de ácido benzoico
dentro da pipeta, o tempo de transferência do ácido para dentro do erlenmeyer, o
volume das soluções e as vidrarias por não estarem calibradas. Para a correção
desses possíveis erros, seria necessária maior rapidez no momento da transferência
da solução ácida para o erlenmeyer, termômetros mais precisos, maior precisão nos
volumes das soluções.
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5. CONCLUSÃO

Após determinar alguns parâmetros experimentais foi possível realizar o


cálculo da fração molar do ácido benzoico na alíquota para posterior cálculo do
coeficiente angular da reta através da equação de Van’t Hoff.
Dessa forma, o objetivo da aula foi atingido e os erros obtidos podem ser
provenientes de eventuais erros na leitura do ponto de viragem durante a
titulação, entre outros.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ATKINS, P.W.; JONES, L. Principios da Química – 3ª edição. Editora Bookman. São


Paulo,2006.

HIMMELBLAU, M. DAVID. Engenharia Química Principios e Cálculos. Editora


Prentice – Hall do Brasil 4ª edição, Rio de Janeiro,1984.

HOUGHEN, A. Olaf, WATSON, M. Kenneth, RAGATZ, A. Roland; Princípios dos


Processos Químicos – I parte – Balanços Materiais e Energéticos; Livraria Lopes da
Silva – Editora, 1984.

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