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1

Volume1 7

P o r t u g u ê s 1 Volume1 7 O cristão nos negócios

O cristão nos negócios

Harry Potter:

divertimento inocente ou instrumento destrutivo?

O cânon bíblico

Gênesis e o cosmos Relação entre fé e ciencia

RePResentantes ReGiOnais

DivisãO ÁfRica OciDental 22 Boite Postale 1764, Abidjan 22, Costa do Marfim Japheth L. Agboka japhethlagboka@compuserve.com DivisãO Ásia-PacÍficO nORte Koyang IIsan, P.O. Box 43, 783 Janghang-Dong, Ilsan-Gu, Koyang City, Kyonggi-do 411-600, República da Coréia Dong Hee Shin nsdyouth@kornet.net DivisãO Ásia-PacÍficO sul P.O. Box 040, Silang, Cavite, 4118 Filipinas Gladden Flores gflores@ssd.org DivisãO centRO-l’este afRicana P.O. Box 14756, Nairobi, Quênia Hudson E. Kibuuka

100076.3560@compuserve.com

DivisãO DO sul DO PacÍficO Locked Bag 2014, Wahroonga, N.S.W. 2076, Austrália Gilbert Cangy Gilbert_Cangy@SDASPD.adventist.org.au Barry Hill Bhill@adventist.org.au DivisãO euRO-afRicana P.O. Box 219, 3000 Bern 32, Suiça Roberto Badenas roberto.badenas@euroafrica.org DivisãO euRO-asiÁtica Krasnoyarskaya Street 3, Golianovo, 107589 Moscou, Federação Russa Heriberto Muller hcmuller@esd-sda.ru DivisãO inteRameRicana P.O. Box 140760, Miami, FL 33114-0760, EUA Carlos Archbold

74617.3457@compuserve.com

Bernardo Rodríguez Bernardo@interamerica.org DivisãO nORte-ameRicana 12501 Old Columbia Pike, Silver Spring, MD 20904-6600, EUA Martin Feldbush Martin.Feldbush@nad.adventist.org Gerald Kowalski

74617.3555@compuserve.com

DivisãO sul-afRicana e OceanO ÍnDicO

H.G. 100, Highlands, Harare, Zimbábue Tommy Nkungula NkungulaT@sid.adventist.org DivisãO sul-ameRicana Caixa Postal 02-2600, 70279-970 Brasília, DF, Brasil Roberto de Azevedo Violeta@dsa.org.br Erton Carlos Köhler erton@dsa.org.br DivisãO sul-asiÁtica P.O. Box 2, HCF Hosur, Tamil Nadu 635110, Índia Gordon Christo gchristo@eth.net DivisãO tRans-euROPéia 119 St. Peter’s Street, St. Albans, Herts., AL1 3EY Inglaterra Orville Woolford

71307.1432@compuserve.com

CONTEÚDO

 
 

aRtiGOs

5

O

cristão nos negócios: além da honestidade

Ser cristão nos negócios equivale a ser um ministro eficaz da graça divina no mundo.

Gary Chartier

9

Harry Potter: divertimento inocente ou instrumento destrutivo?

Retratando a bruxaria como divertida e emocionante, Harry Potter insensibiliza as crianças para os perigos do oculto. Isso é plano do inimigo.

Steve Wohlberg

12

O

cânon bíblico: uma breve análise

Quarenta escritores, centenas de anos, e mesmo assim um Livro, uma Mensagem e uma Esperança.

David Marshall

15

Gênesis e o cosmos: um quadro unificado?

Para o cristão, a existência de Deus é um dado, e as leis científicas podem ser vistas como nossa descrição atual sobre como Deus rege a Sua criação.

Mart de Groot

DePaRtamentOs

3

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eDitORial

Quem sou eu? John M. Fowler PeRfis Daisy de Leon Dustin R. Jones

Jaime Jorge Nicole Batten lOGOs

Com todo o seu poder Penny Mahon PaRa sua infORmaçãO

Explorando a relação entre fé e ciência L. James Gibson

Projeto Elias - Você está convidado! Alfredo García-Marenko em açãO

NASDAS: Estudantes Adventistas do Nordeste Australiano Jenny Ludwig

Nova associação de estudantes de Burkina Faso Ben Issouf Ouédraogo

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livROs

Reconciliación: Cómo reparar los vínculos dañados (Mario Pereyra) Julian Melgosa

Cristãos em Busca do Êxtase (Vanderlei Dorneles) Azenilto G. Brito

El proceso pedagógico:

¿Agonía o resurgimiento? (René Rogelio Smith) Fernando Aranda Fraga

PRimeiRa PessOa

O

poder maravilhoso

da

Palavra de Deus

María Emilia Schaller de Ponce fóRum abeRtO Archaeopteryx: um réptil voador? Raúl Esperante viDa nO camPus Você quer um emprego? Humberto M. Rasi et ceteRa A tarefa Autor Desconhecido inseRçãO - inteRcâmbiO

DIÁLOGO 17•1 005

EDITORIAL

Quem sou eu?

 
 

“Quem sou eu ?” (II Samuel 7:18, RSV).

A

e

a

 

O

O

auto-reflexão de Davi é um convite para que cada pessoa faça um auto-inventá-

rio, parando diante do Todo-Poderoso e enfrentando a relevante questão: quem sou eu? Um mini-deus? Uma fraude? Uma máquina? Muitas respostas têm surgido: algumas muito distantes da verdade; outras, verda- deiras, mas fúteis; apenas uma é perfeitamente satisfatória. Considere as palavras do filósofo. “A vida sem questionamentos não merece ser vivida”. Assim, a filosofia me desafia a descobrir quem eu sou. De um lado, pela sabedoria filosófica, nasci para ser racional. Conhecimento é poder e é o poder que me edifica ou demole. Necessito aprender a formular corretamente a questão, a pro- var a situação correta, a buscar a direção correta. A vida me convoca a subir até o topo da montanha – ser uma pessoa autêntica. Por outro lado, segundo a vaidade filosófica, sou um pequeno ponto inserido num vasto universo – sem significado, isolado, pesquisando e tateando. Ser ou não ser torna-se a paixão dominante de minha vida. Para o Universo não faz a menor dife- rença se sou ou não sou. Entre a sabedoria e a vaidade, entre a interrogação otimista

a resignação pessimista, estou só – desnorteado e sem esperança. Considere o primitivo. A resposta à primeira proposição “Quem sou?” é a identi- ficação tribal. Encontro minha segurança no grupo. Minha existência e esperança são governadas pelo espírito grupal. Identifico-me rapidamente através de marcas visíveis:

raça, cor, casta, status, sexo, nacionalidade e religião. As marcas são não apenas visí- veis, mas exclusivas, levando-me a circunscrever-me num mundo particular, a ponto de criar um muro divisório entre “meu ego” e os “outros”. Esse afastamento conduz

seus próprios extremos: na história, Auschwitz ou Gulag; na ideologia, o muro de separação; em mim, um retiro para o nada.

problema com esse primitivismo é que nunca vou além da caverna do interesse

próprio. Torno-me um anão de minha própria feitura, elevado em estatura, mental- mente curto; vigoroso na carne, fraco no espírito; grande em mesquinharia, mísero em nobreza. Amarrado à sem-importância, jamais me torno uma pessoa plena. Considere o mundano. Se devesse procurar minha identidade na esfera do mun- dano – negócios, política, profissão – o poder tornar-se-ia meu foco. Respondo à questão “Quem sou?” com uma afirmação do ego. Na sentença da vida, o sujeito é

“eu”, o predicado é “sou” e o objeto é “eu”. Eu sou eu. Nada mais importa. Os outros são degraus; tudo e todos são ferramentas que uso rumo ao poder. O amor nada sig- nifica, misericórdia não tem espaço.

filósofo, o primitivo e o mundano não respondem satisfatoriamente à inquirição

“Quem sou?” Mas eu preciso de uma resposta. A menos que saiba quem sou, não saberei quem você é; não me relacionarei com ninguém e nem atuarei adequadamen- te. Onde acharei a resposta? Volvo-me à Cruz. Quando contemplo a cruz de Cristo, vejo duas pessoas: “o Filho de Deus, que me amou e Se deu a Si mesmo por mim” (Gál. 2:20, BLH) e eu. Se não fosse por causa dos meus pecados, Jesus não teria ido para a cruz. Morreu em meu lugar (Rom. 5:18) para que eu vivesse. Assumiu a morte que me pertencia para que eu tivesse a vida a que Ele tinha direito. Sou não apenas um pecador, mas alguém procurado por Deus. Encontro-me num relacionamento com Ele. Sob essa perspectiva, posso afirmar que não represento um

Continua na próxima página.

DIÁLOGO 17•1 005

Á
Á

esta revista internacional de fé, pensamento e ação é publicada três vezes por ano em quatro edições paralelas (espanhol, francês, inglês e português) sob o patrocínio da Comissão de Apoio a Universitários e Profissionais Adventistas (CAUPA), organismo da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia.

volume 17, número 1. Copyright © 2005 pela CAUPA. Todos os direitos reservados.

Diálogo afirma as crenças fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo Dia e apóia sua missão. Os pontos de vista publicados na revista, entretanto, representam o pensamento independente dos autores.

equipe editorial Editor-chefe Humberto M. Rasi Editor John M. Fowler Editores-Associados Martin Feldbush, Alfredo García-Marenko Gerente Editorial Julieta Rasi Secretária Editorial Esther Rodriguez Edições Internacionais Julieta Rasi Secretárias editoriais internacionais Corinne Egasse (Francês) César Luis Pagani (Português) Julieta Rasi (Espanhol)

correspondência editorial Diálogo 12501 Old Columbia Pike Silver Spring, MD 20904-6600; EUA. Telefone 301 680-5060 Fax 301 622-9627 E-mail 74617.464@compuserve.com ou rasij@gc.adventist.org

comissão (cauPa) Presidente Gerry Karst Vice-Presidentes C. Garland Dulan, Martin Feldbush, Baraka G. Muganda Secretário Humberto M. Rasi Membros John M. Fowler, Jonathan Gallagher, Alfredo García-Marenko, Clifford Goldstein, Bettina Krause, Kathleen Kuntaraf,Vernon B. Parmenter, Gerhard Pfandl, Gary B. Swanson

correspondência sobre circulação Deve ser dirigida ao Representante Regional da CAUPA na região em que reside o leitor. Os nomes e endereços destes representantes encontram-se na p. 2.

assinaturas US$13.00 por ano (três números, via aérea). Ver cupom na p. 6 para detalhes.

Website http://dialogue.adventist.org

DIÁLOGO tem recebido correspondência de leitores de 117 países ao redor do mundo.

acidente cósmico, tampouco um paradigma de longos proces- sos evolutivos, nem ainda uma engrenagem numa gigantesca máquina, movendo-se no espaço durante infinitos anos num ciclo sem significado. Sou filho de Deus – desviado, é verdade, mas persistentemente procurado pelo sempiterno amor do Pai. Nessa busca divina, ao preço da morte do Filho de Deus, encontro meu valor e dignidade. A filosofia pode ensinar-me a ser racional. A sociologia pode dirigir-me para a vida em comunidade. O humanismo convida-me a descobrir a relevância da dinâmica interpesso- al. A psicodinâmica me faz examinar o interior buscando a auto-realização. Todos possuem seu lugar e valor, mas no final deixam-me desamparado na encruzilhada. Enfrento a irreconci- liável dicotomia: entre o ideal e o real, entre o que sou e o que devo ser. Estou em guerra comigo mesmo; meu clamor atinge o desesperançado nadir: “Quem me livrará?” (Rom. 7:15-25, BLH).

No momento em que me volto ao Calvário, encontro liberdade. Encontro perdão e reconciliação. Encontro paz. Descubro que não sou de mim mesmo. Fui comprado por grande preço (I Cor. 6:19, 20). De fato, junto à cruz, com- preendo que o mais importante não é “quem sou”, e sim “de quem sou”. Chega-se ao verdadeiro autodescobrimento através desse abandono do eu ao Homem da Cruz. A cruz me ajuda a compreender que, vindo a Cristo em total abandono, passo da morte para a vida, da nulidade para a cer- teza. Sei de quem sou. Um filho de Deus. Presto contas a Jesus:

Ele é minha prioridade, propósito e significado.

a Jesus: Ele é minha prioridade, propósito e significado. John M. Fowler Editor Diálogo ajuda a

John M. Fowler Editor

Diálogo ajuda a fundar uma igreja

Enquanto eu estava estudando na Adventist University- Cosendai, na República dos Camarões, era leitor regular da Diálogo. Depois de concluir meu bacharelado em Teologia, mudei- me para Gana a fim de aprender inglês e fazer pós-graduação, mas Deus tinha outros planos para mim. Em dezembro de 2002, fui chamado para servir como pastor ao norte de Gana. As tentativas baldadas de estabelecer a presença adventista permanente na cidade de Navrongo, próxima à fronteira com Burkina Faso, foram totalmente baldadas. Após estudar a situação, decidi utilizar uma abordagem diferente para alcançar as pessoas. Inicialmente, reproduzi excertos dos arti- gos mais interessantes publicados na Diálogo. Então solicitei aos jovens adventistas que me ajudassem a distribuir cópias entre seus parentes e amigos. Logo se despertou interesse pelas crenças adven-

tistas e eu imprimi mais artigos da revista para distribuição mais ampla. Estudos bíblicos e conversões se seguiram. Pela graça de Deus, existe agora uma congregação adventista em Navrongo, com 45 membros adultos, 19 desbravadores batizados, 20 aventureiros e oito homens e mulheres que estão se preparando para o batismo. Embora ainda não tenhamos uma igreja formal construída na qual nos reunir, essa congregação está envolvida com a educação; e sou grato pelos artigos publicados na Diálogo e por seu apelo às pessoas de outras confissões e convicções. Por favor, orem para que o Senhor fortaleça Sua obra nesta parte do mundo.

Elie Brown Buhire North Ghana Mission, belibr7@yahoo.fr

cristão Bolei Quando vivia E se eu quero Visto que a Bíblia diz que E
cristão
Bolei
Quando vivia
E
se eu quero
Visto que a Bíblia diz que
E qual
Isso significa
um
em minha
ir
para o Céu,
é?
que posso
plano
casa, tive
gastar
perfeito
de gastar
um terço
para
um terço
fazendo o
minha
do tempo
não conhecemos o dia
de nossa morte, como
você pode estar seguro
de não estar vivendo no
terço final?
vida.
agradando
meus pais.
tenho de
despender o
último terço
de minha vida
agradando a
Deus.
que gosto!
Suspiro. Por
que todos
os grandes
planos têm
de ter uma
falha?

DIÁLOGO 17•1 005

O cristão nos negócios:

além da honestidade

Gary chartier

Ser cristão nos negócios equivale a ser um ministro eficaz da graça divina no mundo

Para muitas pessoas, a ética nos negócios equivale a dizer “não” à men- tira, às trapaças e ao furto. Todos con- cordamos que o mundo seria um lugar muito melhor se as pessoas tivessem a confiança daqueles com quem nego- ciam, tratam e lhes respeitam os recur- sos. 1 Todavia, os empresários cristãos podem e devem adotar uma visão mais positiva da relação existente entre sua fé e aquilo que fazem no trabalho. O que os faz praticar o cristianismo não é exclusivamente o fato de que nele não se acham engano, injustiça ou desones- tidade, e sim a sua contribuição para que o mundo seja melhor. Nos negó- cios, os cristãos podem participar do desenvolvimento do mundo, ajudando

a criar, distribuir bens e prestar serviços de qualidade. Podem participar da res- tauração do mundo, ajudando a redu- zir a pobreza e a injustiça. Ao mesmo tempo, devem ser sensíveis não apenas quanto ao valor do negócio, dos bens e serviços que compartilham com outros, como também aos seus limites. Várias características distintivas da fé

e prática adventistas são especialmente relevantes para homens de negócios que desejem viver de modo responsável diante de Deus e da Criação. O repou- so sabático relembra que o trabalho, embora valioso, não é de importância transcendental. E a prática de dizimar pode contribuir para formar hábitos de generosidade e sensibilidade ante as necessidades alheias. Contudo, os prin- cípios que deveriam guiar os empresá- rios adventistas ao pensarem no signi- ficado de sua profissão deveriam ser os

mesmos que orientam o pensamento cristão quanto aos negócios. Assim, focalizo aqui tarefas e oportunidades que todos os cristãos se deparam no comércio, em vez de os desafios pecu- liares enfrentados pelos adventistas.

Negócios e desenvolvimento da Criação

O empresário cristão contribui para

o desenvolvimento da vida no mundo.

Deus é o Criador e a Criação, em seus

aspectos material e cultural, é essen- cialmente boa.

A corrente central da fé cristã afirma

que a vida é digna de celebração; que

o mundo todo, inclusive seus aspectos

materiais e culturais, constituem a Criação divina. Os cristãos também crêem que as criaturas de Deus são “subcriadoras”: Deus cria através de

suas atividades e sua liberdade as capa- cita a contribuir com a história terres- tre. Eis porque faz sentido os cristãos participarem da vida econômica. Criando produtos, processos e serviços de valor, unem-se a Deus no ativo desenvolvimento da Criação. Obviamente existem custos e inter- câmbios. Alguns produtos nada valem; simplesmente despendem tempo e recursos das pessoas. Outros são feitos sob formas que causam dano aos seres humanos e outras criaturas. Alguns produtos são inerentemente daninhos

– como armas químicas e biológicas.

Algumas atividades comerciais, à semelhança de outros componentes da cultura humana, refletem as corrupto- ras influências do pecado. Só porque a atividade econômica é algo bom em si mesmo, isso não quer dizer que todo produto, processo ou serviço criados por alguém sejam inerentemente valio-

sos. Entretanto, muitas coisas enri- quecem realmente a vida, tornando-a mais fácil, plena e agradável. Pessoas que constroem casas e computadores, cultivam alimentos, provêem entrete-

nimento, roupas atrativas e apetitosas refeições, ocupam-se de coisas intrinse- camente úteis e que tornam melhor a vida no mundo. Diferentemente de seus primos judeus, os cristãos muitas vezes têm sido tentados a desviar-se da Criação divina, agindo como se de alguma forma lhes fosse exigido negar o valor

das boas coisas feitas por Deus. Agem como se o mundo material, social e cultural fosse criação de uma divinda-

de de segunda categoria, moralmente

deficiente, e não do Deus revelado na

história de Israel e de Jesus. Alegam que a Criação divina se corrompeu até

o cerne, tornando a participação em

seu desenvolvimento ativo um profun- do risco moral e espiritual. Mas pensar dessa forma quanto aos

negócios significa supor que o Espírito

de Deus esteja ausente do mundo,

e que a subjacente dinâmica da vida

criada não reflita o providencial orde- namento divino. O certo é que a exis- tência do mundo organizado depende

da contínua presença divina criadora.

Juntamente com outros crentes em

Deus, os cristãos estão convencidos

de que o mundo nunca é nem será

um lugar onde não se possa sentir o toque divino. Crêem que a estrutura

básica da vida no mundo traz impressa

a criadora providência divina. Deus

não é um intruso que eventualmente

Se aventura no mundo para realizar

um ato mágico e depois desaparecer.

O mundo é de Deus e sempre o será,

mesmo que Suas criaturas falhem em compreender Suas intenções ou frus- trem Seu plano criador. Nosso relacio- namento com Deus não se constitui em algo separado e independente da ligação com Suas criaturas. Segundo

destacam Mateus 25 e outros textos, amamos a Deus amando Sua Criação. Os cristãos tementes têm razão quando destacam a falência moral e espiritual do mundo. Mas equivocam-

se

quando situam o colapso e corrup-

tribuir para a restauração do mundo, utilizando seus recursos e habilidades especiais para reduzir a pobreza e pro- mover a justiça. A tarefa mais básica do cristão no mundo comercial consiste em contribuir para o florescimento e desenvolvimento do mundo. Nada há de excepcionalmente “espiritual” no simples, monótono e não-excitante. Os empresários cristãos não deveriam aceitar relutantemente o mundo, mas comemorá-lo, contribuindo para sua riqueza, variedade e embelezamento. O desenvolvimento, porém, não é a única tarefa do cristão. Ele reconhece com tristeza que o mundo está cheio de dor

quebrantamento. Assim, o empresá-

e

ção num e noutro ponto, a exemplo dos esportes ou da indústria da cons- trução, e a igreja num lugar suposta- mente de pureza e segurança. Deus e o mal não podem ser localizados em

esferas particulares do esforço humano.

O

impulso de negar que somos parte

da

Criação divina, mediante a suposi-

ção de que somos divinos ou que nós

ou as demais criaturas nada valemos, produz conseqüências destrutivas em cada aspecto da experiência humana.

O

conflito entre bem e mal se encon-

tra em cada coração e mente, eviden- ciando-se onde quer que vivamos e trabalhemos. Para os cristãos não pode haver a hierarquia do sagrado e secu- lar, do santo e profano. 2 Certamente são necessárias instituições e práticas religiosas, mas Deus vive no mercado assim como no santuário. Os cristãos realizam a obra divina quando pro- duzem e distribuem coisas excelentes, tanto quanto ao curar, pregar e ensinar.

rio cristão pode e deve contribuir não apenas para o seu desenvolvimento, como também sua restauração. Ele pode adotar uma postura supe- respiritual e dizer que o sofrimento encontrado no mundo é uma questão de atitudes e valores, de moralidade, de relacionamentos das criaturas com Deus. Mas o sofrimento muitas vezes

Os negócios e a restauração da Criação

Os empresários cristãos podem con-

físico. Muitas vezes se reflete e refor- ça nas condições em que as pessoas vivem. Deve pensar na desesperança

é

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e propensão ao crime provocadas pela

pobreza. Assim, ser um agente de restauração e da graça de Deus não significa apenas ensinar crenças úteis às pessoas, estimulando nelas atitudes apropriadas, tornando-as conscientes do relacionamento que já possuem com o amorável Criador, ainda que isso tudo seja mui útil. Significa, sim, melhorar-lhes as condições materiais. Como as criaturas de Deus possuem corpos, a mediação da graça divina no mundo deve possuir uma dimensão material. E nisso os empresários cris- tãos podem ajudar.

Restaurando através do empreendi- mento social. Eles se deparam com

a notável oportunidade de ajudar a

transformar a vida material das pes- soas através do empreendimento social. Podem ajudar a enfrentar os desafios

representados pelos desastres e a pobre- za endêmica, tomando importantes decisões estratégicas quanto a como

e onde preparar produtos e serviços;

quem os fará e a maneira como se organizará o negócio. Podem optar por oferecer empregos nas comunidades pobres em nível nacional e interna- cional. Podem não apenas oferecer

trabalho às pessoas, como também lhes promover renovada dignidade, a saber,

a recuperação de alcoólicos e vicia-

dos, daqueles que necessitam de uma segunda oportunidade. 3 Podem produ- zir e comercializar produtos a preços acessíveis nas comunidades em desen- volvimento. Quando buscam atingir a vida das pessoas nesse nível societário, cabe-lhes ouvi-las e certificar-se de seu envolvimento na identificação de suas necessidades e de como podem ser atendidas. Os empresários individualmente podem e devem ser empreendedo- res sociais. Entretanto, podem ainda contribuir com os esforços das comu- nidades de suas igrejas na promoção

da justiça econômica, estimulando as instrumentalidades eclesiásticas pre- ocupadas com o alívio da pobreza, a verem o empreendimento comercial como valiosa estratégia de desenvolvi-

DIÁLOGO 17•1 005

mento econômico. Podem enfatizar a importância de focalizar uma mudança sistemática de longo prazo, utilizando estratégias que incluam não apenas políticas públicas, como também ativi- dades de empreendimento social. Restaurando através de decisões corpo- rativas justas. Como empreendedores, os cristãos podem fazer a real dife- rença ao enfrentarem o problema da pobreza. Contudo, podem ao mesmo tempo ajudar a enfrentar outros desa- fios. O executivo cristão precisa estar consciente das implicações produzidas pelas decisões comerciais na saúde pública, por exemplo, atendendo à lei pela recusa de impor sobre os que vivem nas imediações uma fábrica que represente risco à saúde, e ao qual não gostaria de ver expostos os seus pró- prios seres queridos. O administrador pode ser leal às pessoas que por anos trabalharam para ele, recusando-se

a eliminar os respectivos postos de

trabalho em troca de algum ganho extra. 4 Um diretor cristão pode negar- se a considerar como apropriada uma compensação vultosa para seus altos executivos, ao mesmo tempo em que os salários dos trabalhadores comuns estão em queda, e se vai tornando abissal a diferença de influência e poder entre os do topo e os da base. Um líder corporativo pode honrar a dignidade e a igualdade básica daqueles atingidos pelas decisões da empresa, ao assegurar que operários e membros da comunidade local tenham significativa oportunidade de participar na tomada de decisões – do piso da loja até a sala de comando. Restaurar promovendo políticas públicas justas. Os executivos cristãos podem fazer um grande trabalho de restauração do mundo, simplesmente garantindo que suas empresas bus- quem de forma ativa torná-lo um lugar melhor. Também podem influenciar as

políticas públicas que moldam a vida econômica. Ser-lhes-á tentador votar

e exercer influência visando a promo-

ver seus interesses pessoais e os de sua empresa. Por exemplo, buscando redu-

zir seus impostos às custas de serviços públicos necessários. Contudo, à vista do amor inclusivo de Deus, podem e devem empreender mais. Podem colo- car suas vozes a serviço de esforços que estimulem a justiça econômica. Podem fazer pressão em favor de políticas que permitam o acesso de todos a melhores níveis educacionais, atendimento de saúde, aposentadorias adequadas e auxílio econômico satisfatório a desem- pregados. Podem apoiar leis fiscais que levem seu país à melhor distribuição da receita fiscal. Podem pressionar as autoridades com vistas a políticas internacionais de desenvolvimento que capacitem e estimulem o crescimento, em vez de fomentar a ineficiência ou promover a compra de equipamentos militares por parte de governos incapa-

zes de fazer investimentos necessários à infra-estrutura básica. Podem posicio- nar-se em favor de leis que permitam

a agricultores e outros produtores de

países em desenvolvimento competir em igualdade de condições com os dos países de primeiro mundo (benefician- do assim não apenas os produtores, como também os consumidores das nações menos desenvolvidas).

Os limites dos negócios

Adotar uma visão positiva da ética

nos negócios significa ver o potencial verdadeiro dos empreendedores em tornar melhor o mundo, tanto ao enri- quecer a vida humana quanto a reduzir

a pobreza e a injustiça. Entretanto, o empreendedor cristão precisa igual- mente reconhecer os limites de seus negócios. O valor limitado dos negócios e dos

bens materiais. Os bens materiais são excelentes, mas não representam tudo. Homens de negócios tornam melhor

o mundo ao proverem bens e serviços;

porém esses não dão à vida seu signi- ficado principal. Em boa consciência, não podem os empreendedores cristãos anunciar seus produtos de uma forma que fique implícito que eles irão aten- der às mais profundas necessidades das pessoas, pois não o farão. Esses produ-

tos são desejáveis, valiosos, úteis – mas não divinos. Honestidade na propa- ganda significa promover produtos com base em seu verdadeiro mérito, em vez de pretender que sejam capazes de satisfazer as necessidades existenciais dos consumidores em termos de signi- ficado, valor e amor. 5 Escapando da ratoeira do sucesso. Reconhecer os limites dos negócios também significa compreender que os próprios executivos não devem tratar o sucesso material como sendo de suprema importância. Em vez de procurar a permanente maximização de seus rendimentos, deveriam evitar a ratoeira do sucesso, optando por dedi- car mais tempo às pessoas que amam, mais tempo para repousar e refletir, mais tempo para ser. Podem explorar formas criativas para a simplificação de seu estilo de vida, de modo a não se sentirem pressionados pela escravatura de seus postos de trabalho, objetivando a manter seus hábitos de consumo. 6 Podem ainda reconhecer que seu traba- lho, embora valioso e importante, não determina o significado maior de sua vida, dizendo NÃO às demandas rela- cionadas à uma atividade que deteriore seu valor como pessoa. Podem promo- ver políticas corporativas que também habilitem outros a evitar serem domi- nados pelas demandas profissionais. Libertando-se para assumir responsabi- lidade pessoal por outros. Bens materiais são valiosos e merecem apreço, mas não definem o significado de nossa vida. Ao reconhecerem esse fato, os empresários cristãos podem sentir-se livres para ajudar generosamente a outros. Podem ajudar substancialmente no tratamento dos opressivos proble- mas do mundo, ao desenvolverem negócios produtivos que fabricam ou distribuem coisas genuinamente valio- sas. Também podem contribuir com seus recursos pessoais para tornar este mundo um lugar melhor. Por vezes perceberão ser mais fácil fazê-lo se não sentirem a obsessão de terem de adquirir mais e mais coisas. Não existe fórmula mágica. 7 E, individualmente,

o

empreendedor não é responsável por

atender (ou tentar atender) a todas as necessidades do mundo. 8 Não obstan- te, sendo dotado de talentos e recursos, possui real responsabilidade quanto a fazer a diferença. 9 O profissional de êxito pode consi- derar investir 20 ou 30% de sua receita nas ações de uma agência internacional de desenvolvimento, do tipo Heifer

Project. 10 Um rico executivo pode utili- zar 50 a 60% de suas receitas visando

a

apoiar um florescente programa de

empregos para pessoas destituídas de lar. Pode decidir reduzir suas horas de trabalho – e salário – de modo a utilizar seus talentos em benefício não de um programa ou agência, e sim de pessoas, famílias ou comunidade particularmente necessitada. Em qual- quer caso, precisa reconhecer que as posses materiais são boas, mas não de importância definitiva, e permitem que os empreendedores cristãos se sintam livres para não apenas desfrutar o que possuem, mas também para estender as mãos a outros. 11

Diálogo grátis para você!

Se você é um estudante adventista do sétimo dia que freqüenta faculdade ou uni- versidade não-adventista, a Igreja tem um plano que lhe permitirá receber gratuita- mente a revista Diálogo enquanto você esti- ver estudando (aqueles que não são mais estudantes podem assinar Diálogo usando o cupom da página 6). Entre em contato com o diretor do Departamento de Educação ou do Departamento de Jovens de sua União, e peça que seu nome seja colocado na lista de distribuição da revista. Forneça seu nome completo, endereço, faculdade ou universidade onde está estudando, o curso que está fazendo e o nome da igreja onde você é membro.Você pode também escre- ver para os nossos representantes regionais nos endereços indicados na página 2, ane- xando uma cópia da carta que enviou aos diretores da União já mencionados. Caso os passos acima não produzirem nenhum resultado, você poderá contatar-nos via e-mail: ssicalo@yahoo.com.

Conclusão

Um mundo onde os empresários evitam mentir, trapacear e roubar, seria um lugar maravilhoso. Contudo, ser empresário cristão vai além de não causar dano a outros; significa fazer uma diferença positiva. O cristão dedicado aos negócios fará a diferen- ça, em primeiro lugar, simplesmente ao produzir e distribuir bens e servi- ços de elevada qualidade, que melho- rem a vida neste mundo. Ele pode tornar o mundo um lugar melhor ao oferecer beleza, variedade, eficiência, conforto, saúde e quaisquer outros bons elementos. Entretanto, podem realizar mais: podem ajudar a eliminar

a pobreza, promover o bem-estar no

ambiente de trabalho, estimular as

comunidades locais e apoiar políticas públicas que incorporem o amor e a justiça de Deus. Ao mesmo tempo, ao reconhecer que trabalho, dinheiro e posses não são divinos, podem evitar

a tirania de sua atividade e estimular

outros a fazê-lo. Reconhecendo que as coisas materiais são valiosas, porém não transcendentes, podem sentir-se livres para dar mais aos que neces- sitam. Avançando além do estreito intento de não prejudicar outros e adotando uma visão positiva dos valores de seu trabalho e do bem que podem praticar, os empresários cris- tãos podem constituir-se em ministros particularmente eficazes da graça de Deus no mundo.

Gary Chartier (Ph.D. pela University of Cambridge; J.D., University of California at Los Angeles) leciona ética e leis em administração na La Sierra University, Califórnia. Ele agradece a Deborah K. Dunn e Roger E. Rustad Jr. por seus comentários críticos, e a John Thomas por criar um ambiente propício à forma de pensar representada por este artigo. Seu endereço eletrô- nico é: GChartie@LaSierra.Edu.

REFERÊNCIAS

1.

Ver David Callahan, The Cheating Culture:

Why More Americans Are Doing Wrong to Get Ahead (Orlando: Harcourt, 2004).

2.

Ver Albert Wolters, Creation Regained:

Biblical Basics for a Reformational Worldview (Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1985).

3.

Para algumas exceções, ver William H. Shore, Revolution of the Heart: A New Strategy for Creating Wealth and Meaningful Change (New York: Riverhead, 1995); The Cathedral Within: Transforming Your Life by Giving Something Back (New York: Random,

 

1999).

4.

Ver Gary Chartier, “Friendship, Identity, and Solidarity: An Approach to Rights in Plant Closing Cases”, Ratio Juris 16 (Set. 2003) 3: 324-51.

5.

Ver Jean Kilbourne, Can’t Buy My Love: How Advertising Changes the Way We Think and Feel (New York: Simon, 1999).

6.

Quanto a diferentes abordagens, ver Janet Luhrs, The Simple Living Guide: A Sourcebook for Less Stressful, More Joyful Living (New York: Broadway, 1997); Georgene Lockwood, Complete Idiot’s Guide to Simple Living (Indianapolis: Alpha- Macmillan, 2000); Jeff Davidson, The Joy of Simple Living: Over 1,500 Simple Ways to Make Your Life Easy and Content—At Home and at Work (New York: Rodale, 1999); Elaine St. James, Living the Simple Life: A Guide to Scaling Down and Enjoying More (New York: Hyperion, 1998); Juliet B. Schor, The Overspent American: Upscaling, Downshifting, and the New Consumer (New York: Basic, 1998); Do Americans Shop Too Much? (Boston: Beacon, 2000).

7.

Ver Onora O’Neill, Towards Justice and Virtue: A Constructive Account of Practical Reasoning (Cambridge: CUP, 1996), pp.

196-200.

8.

John Finnis, Natural Law and Natural Rights (Oxford: Clarendon-OUP, 1981), pp. 176- 77, 195; Liam Murphy, Moral Demands in Nonideal Theory (New York: OUP, 2000).

9.

T.

M. Scanlon, What We Owe to Each Other

(Cambridge: Belknap-Harvard UP, 1998), pp. 224. 10. Ver Onora O’Neill, Faces of Hunger: An Essay on Poverty, Justice, and Development (London: Allen, 1986), pp. 152-162. 11. Ver a discussão de atos de caridade em Luke

T. Johnson, Sharing Possessions: Mandate

and Symbol of Faith (Philadelphia: Fortress, 1981), pp. 132-139.

DIÁLOGO 17•1 005

Harry Potter: divertimento inocente ou instrumento destrutivo?

steve Wohlberg

Retratando a bruxaria como divertida e emocionante, Harry Potter insensibiliza as crianças para os perigos do oculto. Isso é plano do inimigo.

Sabrina, Aprendiz de Feiticeira

(série de TV): retrata uma “adolescente com poderes sobrenaturais”, que apren-

de a “usar suas magias de modo sábio”. 2 Buffy, a Caça-Vampiros (série de

TV): apresenta uma adolescente loira

cuja grande amiga, Willow, apelidada

de “A Bruxa Willow”, tem “interesse e

envolvimento crescente em bruxarias”. 3 Charmed (série de TV): apresenta três atraentes irmãs feiticeiras que “usam seus poderes individuais como bruxas

A bruxaria está avançando mundial-

boas, para combater as forças do mal”. 4

mente. Crianças, adolescentes e adultos

A

série The W.I.T.C.H (novela para

do mundo todo estão fascinados pelas

crianças): uma série mundialmente

energias misteriosas que fluem das bruxas. Um número cada vez maior de jovens e adultos está acessando sites

conhecida que retrata a vida de “cinco meninas adolescentes” que têm “super- poderes sobre os elementos”. 5

populares de bruxaria na Internet,

A

série The Daughters of the

comprando livros de magia, unindo-se a pactos, fazendo poções e praticando

Moon, de Lynne Ewing (novela para crianças). Alguns de seus títulos:

magia. A Wicca Witchcraft — também chamada a Arte — parece progredir

Goddess of the Night, The Sacrifice, e Possession.

sem detença.

A

série The Sweep, de Cate Tiernan

Nos EUA, muitos adolescentes estão assistindo à Wiccan Way, que o progra- ma All Things Considered, da National Public Radio, levou ao ar em maio de 2004 através de uma história chamada

(novela para crianças). Títulos: Blood Witch, Dark Magic, e Spellbound. Aproveitando o grande fascínio pelas produções de ficção, os editores de ocultismo estão também capitalizando

“Adolescentes e Bruxaria”. A matéria

os

efeitos de filmes e romances através

chamava a atenção para o crescente

da

produção massiva de manuais de

número de adolescentes que estavam

iniciação a práticas reais do oculto.

secretamente montando altares de

O

investimento em publicidade gera

bruxaria em seus quartos, oferecendo preces à deusa, e invocando a ajuda de

lucro certo e as vendas estão crescendo. Alguns livros populares são:

espíritos. 1 Fato semelhante está aconte- cendo no Canadá, Inglaterra, Europa, Austrália, Rússia e outros países. Por que esse enorme interesse — especialmente entre adolescentes — na bruxaria? Um motivo é claro: tanto crianças como adultos estão expostos a uma ampla variedade de livros e filmes de magia com enredos agradáveis, que retrata a bruxaria como uma religião

Teen Witch: Wicca for a New Generation, de Silver Ravenwolf (1997). The Book of Shadows: A Modern Woman’s Journey Into the Wisdom of Witchcraft and the Magic of the Goddess, de Phyllis Curott (1998). The Wiccan Mysteries: Ancient Origins and Teachings, de Richard Grimassi (1997). O Livro Completo de Bruxaria

espiritualmente capacitadora, segura e

de Buckland, de Raymond Buckland

emocionante — especialmente para as

(1986).

mulheres jovens. Alguns dos mais famo- sos programas da TV, filmes e livros de

Wicca - Guia Essencial da Bruxa Solitária, de Scott Cunningham

ficção são:

(1990).

DIÁLOGO 17•1 005

A lista é infindável. Quando você leva as produções de mídia, romances

cativantes e livros sobre bruxaria a um público sedento espiritualmente,

o resultado é um constante progres-

so da magia negra. Se duvida, acesse http://www.walmart.com e verifique os livros sobre bruxaria [“Wicca”]. Você

ficará chocado. Não se deixe enganar:

a bruxaria Real Wicca está crescendo

mundialmente. Mas há uma série de romances e filmes que excede a todos em popula-

ridade e controvérsia: Harry Potter. A maioria dos pais vê os livros de Potter (escritos pela britânica Joanne Kathleen Rowling) como entretenimento ino- fensivo, sem maiores preocupações.

Certamente não vêem nenhuma cone- xão sutil (ou perigosa) entre Harry e a Wicca (bruxaria). Outros sim; de fato, estão seguros de que as forças espirituais ocultas se escondem nessas divertidas

páginas de magia. Há uma forte polê- mica em torno de Harry Potter, tanto na sociedade secular como entre os cristãos. Estão os romances de Rowling incentivando o interesse dos adolescen- tes em bruxaria? “Não sejam tolos!”, exclamam aqueles que apóiam Potter. “Abram os olhos!”, replicam os críticos de Potter. Quem está certo?

A pottermania

Desde seu lançamento nos EUA, em 1998, os primeiros cinco roman- ces de Rowling (estão programados sete)— Harry Potter e a Pedra Filosofal, Harry Potter e a Câmara Secreta, Harry Potter e o Prisoneiro de Azkaban, Harry Potter e o Cálice de Fogo e Harry Potter e a Ordem da Fêni— venderam mais de 250 milhões de exemplares em 200 países e 60 idiomas. Para aumentar o entusiasmo da pottermania, a gigan- te de Hollywood, Warner Brothers, Inc., comprometeu-se fazer de cada romance de Harry Potter um filme de longa-metragem. Três filmes já foram lançados e quatro estão a caminho.

Conclusão: Harry está no mundo todo. A série de Rowling é composta de romances de ficção repletos de ação com seqüências altamente imagina- tivas, que narra as aventuras de um menino-feiticeiro órfão chamado Harry Potter que, quando adolescen- te, freqüenta a Escola Hogwarts de Bruxaria e Magia para melhorar suas habilidades feiticeiras, na preparação de encontros fatais com o “maior fei- ticeiro das trevas de todos os tempos:

Lorde Voldemort”. 6 Enquanto Harry se prepara para a escola de feiticeiros, ele compra livros-texto de ocultismo, uma varinha mágica, um caldeirão (para misturar poções), um telescópio (para estudar astrologia) e outros materiais básicos de feitiçaria. Algumas matérias obrigatórias na Hogwarts são: História da Magia, Adivinhação, Feitiços, Herbologia, Poções e Transfiguração. Em cada história, Voldemort tenta matar Harry, mas o menino-feiticeiro sempre escapa valendo-se das técnicas aprendidas na Hogwarts, lançando feitiços, contando com a sorte ou aju- dado pelos seus falecidos pais. Ao final de cada ano escolar, o jovem feiticeiro retorna tristemente para sua casa a fim de passar os meses de verão com seus parentes, os Dursley, uma entediante família que represen- ta o perfeito enfado. Os Dursley são classificados como Muggles, ou não- feiticeiros, pessoas sem “uma gota de sangue mágico em suas veias”. 7 Todos os livros de Potter retratam tipicamen- te os Muggles como um grupo quieto e entediado (com poucas exceções), enquanto as bruxas e os feiticeiros que têm acesso a poderes sobrenaturais são “legais”.

Inofensivo ou destrutivo?

Esse é o ponto principal de Harry Potter — pelo menos aparentemente. A grande polêmica é se esses romances e filmes são um entretenimento inofensi- vo, ou se estão despertando o desejo de crianças e adultos de explorar a verda- deira bruxaria. Pessoalmente acredito no último argumento. Eis a razão:

Primeiro, os livros de Harry Potter estão sendo lidos por crianças ao redor do mundo, e a bruxaria está crescendo entre elas. Conquanto isso não seja uma prova de que Harry estimule o inte- resse em bruxarias, parece-me ingênuo não discernir nenhuma conexão entre ambos. Segundo, embora os livros de Harry Potter estejam repletos de elementos fictícios e apatetados, eles contêm tam- bém muitas referências a pessoas reais, lugares reais e práticas reais realizadas por feiticeiros reais em toda a Terra. A própria Rowling admitiu publicamente que um terço de suas publicações está baseado no ocultismo real. 8 Isso é fácil de provar. Além de men- cionar lugares reais como Grã-Bretanha, Londres, estação do metrô Kings Cross, Brasil, Egito, França, Albânia, Austrália, Irlanda, Bulgária, Uganda, Escócia, Noruega, Luxemburgo e Estados Unidos, 9 cita ocultistas reais como Nicolas Flamel 10 e Aldabert Waffling, 11 instrumentos reais de ocultismo como vara mágica, caldeirões, bola-de-cristal e folhas para chá, os livros de Harry Potter estão repletos de referências a práticas reais como lançar feitiços, numerologia, ler sorte, adivinhação, astrologia, qui- romancia, amuletos, etc. Entretanto, aqui está o engodo: Rowling mescla constantemente essas referências com elementos absurdos e imaginários para criar uma aparência inocente (é assim que os livros passam furtivamente pelos radares). Contudo, um fato claro per- manece: todas essas práticas são reais e realizadas por bruxas reais em toda parte. Como prova, simplesmente pes- quise a seção de ocultismo de qualquer grande livraria. Terceiro, independentemente do que os defensores de Potter alegam, a verda- deira filosofia da bruxaria está inserida em Harry Potter. Por exemplo, a dico- tomia feita por Rowling de mágicos versus Muggles — humanos sem poderes mágicos — que estabelece a estrutura da série Potter, reflete o que as bruxas verdadeiras crêem. Silver Ravenwolf, autora de best-sellers sobre bruxaria, em

seu conhecido livro de não-ficção Teen Witch: Wicca for a New Generation, especifica como crença fundamental da bruxaria:

“Reconhecemos uma profundeza de poder bem maior que o aparente à

pessoa comum

capacidades, mas a maioria não as uti- liza e alguns as temem. Bruxas e outras almas iluminadas esforçam-se para for- talecer esses dons naturais”. 12 Essa doutrina-chave da bruxaria é, essencialmente, o mesmo ensino encon- trado no Harry Potter. “Reconhecemos uma profundeza de poder,” escreve Ravenwolf, “bem maior que o aparente à pessoa comum”. Rowling transmi- te esse conceito quando seus escritos qualificam todas as pessoas comuns de Muggles. Ravenwolf afirma: “Alguns temem esses poderes”. Isso é exata- mente o que um dos professores de Harry Potter, de Hogwarts, diz sobre os Muggles. 13 A editora de ocultismo de Ravenwolf é a “Publicações Llewellyn”, de St. Paul, Minnesota. Curiosamente, no Harry Potter e a Ordem da Fênix, Rowling usou o nome da editora de Ravenwolf — Llewellyn — como a designação da ala de um hospital! Veja você mesmo:

“Arthur Weasley?”, diz a bruxa, desli- zando seu dedo sobre uma longa lista à sua frente. “Sim, primeiro andar, segun- da porta à direita, ala Llewellyn”. 14 Quarto, as evidências demonstram que as crianças ficam interessadas em bruxaria verdadeira como resultado de Harry Potter. Caso relevante: a Federação Pagã é uma bem-organizada promotora inglesa de bruxaria. Logo depois de a série de Rowling ter atin- gido as Ilhas Britânicas, a federação começou a receber “uma enxurrada de consultas” solicitando detalhes de sua religião. Eles atribuíram isso ao “sucesso dos livros Harry Potter”. 15 Uma publica- ção britânica, This Is London, relatou os fatos num artigo sério intitulado: “Os fãs de Potter se volvem à bruxaria”. O responsável pela comunicação da fede- ração, Andy Norfolk, testemunha: “Em resposta às crescentes indagações dos

Todos possuem essas

mais novos, nomeamos um responsável

pelos jovens

relacionado a coisas como Harry Potter, Sabrina — Aprendiz de Feiticeira, e Buffy, a Caça-Vampiros. Cada vez que um artigo de bruxaria aparece, temos um grande aumento de chamadas, prin- cipalmente de meninas”. 16 “Os fãs de Potter se volvem à bru- xaria”, “o sucesso dos livros de Harry Potter”, “relacionado a coisas como Harry Potter”, “um grande aumento de chamadas, principalmente de meninas”, fornecem evidências convincentes, pelo menos àqueles dispostos a ver sua

importância.

A Bíblia e a bruxaria

Vamos agora para a Palavra de Deus. Existe um diabo de verdade? Os que lidam com bruxarias não acreditam nisso. Silver Ravenwolf e outros auto- res de bruxaria pensam que Satanás é uma invenção enganosa da imaginação

dos cristãos. Entretanto, a Bíblia diz claramente: “E foi expulso o grande dragão… que se chama diabo e Satanás,

o sedutor de todo o mundo; sim, foi

atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos” (Apocalipse 12:9). Satanás não apenas existe, mas é “o sedutor de todo

o mundo”.

Nas Escrituras, a feitiçaria não é algo imaginário. Moisés advertiu: “Não se achará entre ti… nem adivinha-

dor… nem feiticeiro

pois “ isso é abominação ao Senhor” (Deuteronômio 18:10-12). Paulo clas- sifica as “feitiçarias” como “obras da carne” (Gálatas 5:19, 20), e João prediz claramente que os “feiticeiros” terão seu destino final “no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte” (Apocalipse 21:8). Isso é muito grave. Porque Satanás existe e porque a verdadeira bruxaria e feitiçaria se ori- ginam nele, a pergunta-chave é: quão

provável é que o próprio Satanás nada tenha a ver com a série mais popular

já escrita, que retrata bruxaria, poções

e feitiços como brincadeiras legais para as crianças? Paulo escreveu: “Não lhe

Isso está, provavelmente,

nem mágico”,

ignoramos os desígnios” (II Coríntios 2:11). Não nos deixemos enganar. Ao retratar a bruxaria como algo divertido, Harry Potter insensibiliza os jovens para os perigos do ocultismo. Isso é plano do inimigo. João escreveu: “Todas as nações foram seduzidas pela tua feitiçaria” (Apocalipse

18:23). Esse verso não-fictício alerta que

a feitiçaria real procedente de um diabo

real vai, de fato, enganar nações reais no final dos tempos. Não deveríamos levar a sério a advertência do Senhor? Não deveríamos fugir de toda a forma de bruxaria, inclusive da versão mais

moderna do chamado entretenimento inofensivo? Não deveríamos guiar nos-

sas crianças à verdade que se encontra nas Escrituras? Deuteronômio 18:9 afirma que não deveríamos nem “aprender” acerca das práticas pecaminosas do ocultismo. Como saudável alternativa, Jesus diz:

“Aprendei de Mim, porque Sou manso

e humilde de coração; e achareis descan- so para a vossa alma” (Mateus 11:29). Ele é a alternativa para a bruxaria!

Steve Wohlberg é orador e diretor de Endtime Insights Radio and TV Ministry, e pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia de Templeton Hills, em Templeton, Califórnia. Seu novo livro Hour of the Witch: Harry Potter, Wicca Witchcraft, and the Bible explo- ra amplamente esses temas e pode ser adquirido na Endtime Insights ou Adventist Book Centers. Para conta- tar o Pastor Wohlberg ou conhecer melhor seu trabalho, visite o site http://www.endtimeinsights.com.

REFERÊNCIAS

1. All Things Considered, da National Public Radio, relatado por Barbara Bradley Hagerty:

“New Religion in America: Alternative Movements Gain Ground With Flexibility, Modernity…Part 4: Teens and Wicca.” 13 de maio de 2004. Disponível no site http://www.npr.org/templates/story/story.

php?storyId=1895496.

2. Ver http://tv.yahoo.com/tvpdb?id=1807777356

&d=tvi&cf=0.

3. Ver http://www.witchcraft.org/video/buffy.htm.

4. Ver http://www.witchcraft.org/video/charmed. htm; http://www.tvtome.com/Charmed/ (web- site oficial).

5. Ver http://disney.go.com/witch/main.html.

6. J. K. Rowling, Harry Potter e a Câmara Secreta, (Scholastic, Inc., 1999), p. 4.

7. ,

Câmara Secreta, p. 3.

8. Entrevista de Rowling no The Diane Rehm Show, WAMU, National Public Radio, 20 de

outubro de 1999, disponível no site http:// www.wamu.org.

9. Rowling, Cálice de Fogo, pp. 62-64.

10. ,

Pedra Filosofal, p. 297; Richard

Abanes, Harry Potter and the Bible: The Menace Behind the Magick (Camp Hill, Pennsylvania:

Horizon Books, 2001), p. 26; Ver também Maurice Magree, Magicians, Seers, and Mystics (Kessinger Publications, 1997), disponível no site http:// www.alchemylab.com.

11. Pedra Filosofal, p. 66; Abanes, p. 28; Leslie A. Shepard, Encyclopedia of Occultism and Parapsychology (Detroit: Gale Research, 1991), pp. 6, 7.

,

12. Silver Ravenwolf, Teen Witch: Wicca for a New Generation (St. Paul: Minnesota: Llewellyn Publications, 2003), pp. 5, 6.

13. Rowling, Prisioneiro de Azkaban, p. 2.

14. Ordem da Fênix, p. 487 (itálicos acrescentados).

,

15. Ver o site http://www.paganfed.demon.co.uk; relatado em This is London, artigo intitulado “Potter Fans Turning to Witchcraft”, 4 de agos- to de 2000, disponível no site http://www.thi- sislondon.co.uk; referência em Abanes, Harry Potter and the Bible, p. 66.

16. Ibidem.

assinatura gratuita para a biblioteca de sua faculdade ou universidade!

Deseja ver a Diálogo disponível na biblioteca de sua faculdade ou universida- de, de modo que seus amigos não-adven- tistas possam ter acesso à revista? Procure o bibliotecário e sugira que solicite uma assinatura gratuita, usando papel timbrado da instituição. Cuidaremos do resto! As cartas devem ser endereçadas a: Dialogue Editor-in-Chief; 12501 Old Columbia Pike; Silver Spring, MD 20904-6600; EUA.

O cânon bíblico:

uma breve análise

David marshall

“cânon” das Escrituras?

A primeira coisa que precisamos

Quarenta escritores, centenas de anos, e mesmo assim um Livro, uma Mensagem e uma Esperança

Dentre todos os livros conhecidos na história humana, nenhum é tão peculiar em sua origem, tão extraordi- nário em suas afirmações, tão dinâmi- co em suas promessas, tão abarcante em sua mensagem, como a Bíblia. Na verdade, a Bíblia não é um livro ape- nas, mas uma coleção de livros – 39 no Antigo Testamento (AT) e 27 no Novo Testamento (NT). Sua compo- sição demandou séculos e sua autori- dade perdura por milênios. O primei- ro dos 40 autores inspirados (Moisés) está separado do último autor (João) por aproximadamente 1.600 anos. Os escritores provieram de diferentes

contextos sociais, e tiveram diferentes níveis de educação, desde os mais baixos até os mais altos. Eles eram diferentes tanto entre si quanto no que faziam. Alguns eram criadores de gado, pastores de ovelhas, soldados

e pescadores, enquanto outros eram

reis, legisladores, estadistas, cortesãos, sacerdotes, poetas e médicos. Inevitavelmente seus estilos literá- rios refletiram as diferenças entre eles. Alguns escreveram leis, outros, poe- sia; e outros, ainda, história; alguns, prosa lírica; outros, poesia lírica e parábolas e alegorias; outros, biogra- fias ou memórias e diários pessoais; alguns profecia e outros, simplesmen-

te, correspondência pessoal. Com toda essa diversidade, como esses 66 livros vieram a ser considera-

dos suficientemente diferentes e santos,

e incluídos no que chamamos de

entender é que nenhuma pessoa, ou

grupo de pessoas, compilou a Bíblia.

A Bíblia simplesmente cresceu. Esse

princípio se aplica tanto ao AT quan-

to ao NT. O princípio unificador que

torna a Bíblia santa e diferente, um todo vivente, é Jesus Cristo, o Agente da salvação. Ao considerarmos o pro- cesso pelo qual os livros foram escri- tos e aceitos como inspirados, perce-

bemos que Aquele que foi o princípio unificador, o Agente da salvação, a Fonte de inspiração, também atuou aí de forma marcante.

O Cânon do AT

“Poucos compreendem”, escreveu George Smith, “que a Igreja de Cristo possui uma garantia maior para o cânon do AT do que para o cânon do NT”. 1 Essa garantia maior está no relacionamento que Jesus estabeleceu

entre Si e o AT. Ele fez citações fre- qüentes do AT como a fonte de Sua autoridade. Depois da ressurreição Ele disse aos discípulos que a cruz e tudo

o que Lhe tinha acontecido não era

senão um cumprimento de profecias do AT. Na verdade, as profecias messi-

ânicas estão espalhadas por todo o AT.

É

autoridade derivada do Senhor, sim- plesmente porque ainda não fora escrito.

claro que o NT não tinha a mesma

A autoridade do AT foi aceita pelas

pessoas para quem foi escrito – Israel

–, muito tempo antes da chegada do

Messias. Um exemplo é suficiente. Durante a purificação do templo no reinado de Josias, o Livro da Lei, por muito tempo negligenciado, foi encontrado. O livro foi entregue ao rei, que o leu. Josias logo compreen- deu que o livro havia-se extraviado por causa da negligência de seus ante- cessores. Anteriormente, o livro fora mantido no tabernáculo, depois no templo, e os sacerdotes o liam com

freqüência. O rei obteve uma segunda

cópia. A redescoberta do Livro da Lei

foi encarada por Josias e os historia- dores posteriores como um evento de grande importância. O monarca leu passagens em voz alta perante o povo. As porções lidas eram de Levítico 26

e Deuteronômio 28 e 29. Por isso

pode-se concluir que o Livro da Lei consistia nos cinco primeiros livros da Bíblia ou, pelo menos, parte deles. A redescoberta do livro foi usada como

um trampolim para a reforma do reino. Durante os 70 anos do exílio babi-

lônico, as palavras dos profetas então existentes vieram a ser muito valori- zadas. Judá, como uma nação, deixara de existir, e com ela sua capital e

o templo. Mas, o Livro da Lei e os

livros dos profetas continuaram. O Talmude judaico declara que Esdras, quem liderou o povo no retor- no do exílio, coligiu e editou a Lei e os Profetas. Também declara que a “Grande Sinagoga” foi convocada, e durante anos toda a Lei, os Profetas e os Escritos foram discutidos. Além do que foi feito por Esdras, muitos pes- quisadores sugerem que durante déca- das os membros da Grande Sinagoga continuaram o trabalho de edição. Os livros do AT são geralmen- te divididos em quatro seções: o Pentateuco (os livros de Moisés), os livros históricos (Josué a Ester), os

cinco livros de poesia e ética (Jó a Cantares de Salomão), e os livros dos profetas (Isaías a Malaquias). A tarefa de formar o que hoje chamamos de AT começou, graças a Esdras e à Grande Sinagoga, por volta de 450 a.C. É opinião da maioria dos estudiosos que no tempo de Cristo o AT já existia na forma como indica-

mos acima. Após a queda de Jerusalém no ano 70 a.D., houve uma grande discussão acerca do cânon bíblico. Um rabino chamado Yochanan ben

Zakkai obteve permissão escrita das autoridades romanas para convencer

o Concílio de Jamnia a discutir o

cânon da Escritura. O debate, porém, se limitou a quatro livros que eram

considerados “periféricos”: Provérbios, Eclesiastes, Cantares de Salomão e Ester. Depois que os prós e os con- tras desses livros foram discutidos, o concílio decidiu incluí-los no cânon, juntamente com os outros livros que hoje fazem parte do AT. Na verdade,

o concílio poderia haver feito algo

mais; “os livros que eles decidiram reconhecer como canônicos já eram geralmente aceitos, embora houvesse algumas interrogações acerca deles. Os livros que recusaram admitir nunca foram incluídos. Eles não expulsaram do cânon nenhum livro que já hou- vesse sido previamente admitido.” 2 O Concílio de Jamnia não investiu os livros da Bíblia de autoridade ao incluí-los numa espécie de lista sagra- da. Eles foram incluídos na lista – o cânon – porque já eram reconhecidos

como inspirados por Deus e autorita- tivos, e isso, na maioria dos casos, já por vários séculos. Um escritor judeu contemporâneo de Cristo, Filo de Alexandria, aceitava o cânon do AT da forma como o faze- mos hoje. O mesmo é verdade acerca de Flávio Josefo, outro escritor judeu do primeiro século. A mais antiga lista cristã conhecida dos livros do AT foi feita por Melito, bispo de Sardes, cerca de 170 a.D., e preservada por Eusébio no quarto volume de sua História Eclesiástica. 3

O Cânon do NT

O NT tem três categorias de livros:

as narrativas (os quatro evangelhos e Atos), as cartas e o Apocalipse. Embora o NT levasse cerca de 50 anos para ser escrito, muito mais tempo foi necessário para que ele assumisse a forma que tem hoje. Não foi senão em 367 a.D. que encontra- mos os livros do NT listados exata- mente como os temos hoje. A lista

do NT listados exata- mente como os temos hoje. A lista “Espere um minuto! Aquelas leis

“Espere um minuto! Aquelas leis não passaram pelo comitê!”

aparece numa carta do bispo cristão Atanásio alusiva à Páscoa. Nos dois séculos e meio ocorrentes entre a composição do último livro do NT e a carta de Atanásio, houve muita discussão acerca dos livros que deveriam ou não ser incluídos no cânon. O AT era a Escritura dos cristãos primitivos, mas pouco a

pouco os escritos cristãos foram sendo colocados em pé de igualdade com o AT, “não por qualquer decreto de um

concílio

mútua entre os crentes; a instituição espiritual da Igreja veio lentamente

a decidir quais dentre os seus escri-

tos deveriam ser considerados como ‘canônicos’”. 4 Os livros descartados do cânon do AT foram chamados Apócrifos. Outro grupo de livros erroneamente atribu- ídos a certas pessoas – chamados de

Pseudepígrafos – também foi descarta- do. Os apócrifos continham histórias

e declarações de sabedoria. Os pseu- depígrafos continham muita mágica

e pouca história. Ao examinarmos o

descarte dos livros apócrifos do cânon do NT, sentimos a presença de um guia sobrenatural. Os livros incluídos foram aqueles aceitos como inspirados por Deus, que provaram sua utilidade em ajudar homens e mulheres, e tornar Cristo conhecido. Eles foram reconhecidos como tendo sido escritos por homens próximos a Jesus e envolvidos na grande aventura do primeiro sécu- lo, que levou o evangelho cristão aos limites do mundo conhecido da época. Um escritor grego, contemporâneo de Atanásio, falou do “eco de uma grande alma” e afirmou ouvir esse eco nos livros canônicos do NT. William Barclay, conhecida autoridade em NT, diz: “O som do sublime é encontrado nos livros do NT. Eles levam a gran- deza em sua face. Eles são auto-eviden- tes”. Quando o tradutor bíblico J. B. Phillips comparou os livros do NT com aqueles que foram excluídos

mas por uma concordância

pelos pais da Igreja, não pôde senão “admirar a sabedoria deles”. E conti- nuou: “É provável que a maioria das pessoas nunca teve a oportunidade de ler os ‘evangelhos’ e as ‘epísto- las’ apócrifos como os especialistas. Posso apenas dizer que nesses livros vivemos num mundo de mágica e faz-de-conta; de mito e fantasia. Em toda a tarefa de traduzir o NT, nunca, por um único instante, mesmo que provocado e desafiado, senti que esti- vesse sendo levado para um mundo de fantasmas, bruxarias e poderes mági- cos tal como aqueles presentes nos

livros rejeitados do NT. Foi aquela fé constante e que toca o coração dos escritores do NT, que me transmitiu o senso inexprimível do genuíno e do autêntico”. 5

O ponto “auto-evidente” aparece de

forma mais poderosa quando lemos os livros que acabaram fazendo parte do NT. No segundo século, vários livros chamados “evangelhos da infância” foram escritos. Os quatro evangelhos canônicos dão poucas informações acerca das três décadas da vida de

Jesus antes do início de Seu ministério público. Os evangelhos da infância se destinavam a “preencher as lacunas”.

O chamado “evangelho de Tomé”

contém um suposto registro da infân- cia de Jesus. Enquanto brincava, o menino Jesus é retratado como crian- do pardais vivos a partir do barro, e fazendo com que um garoto morresse só porque correu e se chocou contra Ele. Jesus, quando ainda aprendiz de carpinteiro, é descrito alongando vigas de madeira como se fossem feitas de material elástico, e exercendo uma variedade de poderes mágicos sem qualquer propósito prático. Ninguém provavelmente aceita- ria isso como Escritura. De fato, a Escritura é auto-evidente. Quando você compara os evangelhos com esses

livros, não há dúvida quanto às razões pelas quais eles foram excluídos. A linha de separação é clara o bastante. Não há sequer espaço para discussão. Muito cuidado foi tomado para

garantir que aqueles que escreveram os livros aceitos no cânon tivessem de fato conhecido a Jesus. O selo de qualidade desses homens consistia na preocupação de demonstrar que os atos de Jesus no passado continuam

no presente, por meio do Cristo vivo. No livro de Atos, cada sermão ter- mina com o episódio da ressurreição. Para o NT, Jesus é, acima de tudo,

o Cristo vivo. Foi porque os quatro

escritores dos evangelhos falaram acerca do Cristo vivo, que eles deram um espaço desproporcional para a última semana da vida de Jesus e Sua

ressurreição. O ponto central dos dis- cípulos, do cristianismo, da teologia cristã, é a morte e a ressurreição de Jesus. Os livros em que esse não era

o ponto central, foram simplesmente

desconsiderados ou deliberadamente excluídos do cânon. “Podemos acreditar”, declara o Prof. F. F. Bruce, “que aqueles cristãos pri- mitivos agiram com uma sabedoria superior à deles mesmos a esse res- peito, não apenas com relação àquilo que aceitaram, mas também àquilo que rejeitaram”, “É particularlemente importante notar que o cânon do NT não foi demarcado por um decre-

to arbitrário de qualquer concílio eclesiástico. Quando finalmente um concílio eclesiástico – o Sínodo de Hipona, em 393 a.D. – relacionou os 27 livros do NT, não conferiu a esses livros nenhuma autoridade que já não tivessem, mas simplesmente registrou sua canonicidade, a qual já havia sido previamente estabelecida”. 6 Em suma, o processo pelo qual os

livros do NT vieram a ser aceitos, foi, em todos os principais aspectos, o mesmo do AT. Assim, esses dois livros

– a Bíblia dos apóstolos e a Bíblia que os apóstolos escreveram – vieram jun- tos a compor o que os cristãos acei- tam como a Palavra escrita de Deus, da qual o princípio unificador é o próprio Cristo, o Agente da salvação. Desse modo, a Palavra inspirada teve sua origem, autoridade e genuinidade em Cristo, a Palavra encarnada.

David Marshall (Ph.D., University of Hull) exerceu o magistério por vários anos, antes de se tornar redator e editor de revistas. Ele já publicou 0 livros sobre temas históricos e bíblicos. Atualmente é o editor-chefe da Stanborough Press. Seu endereço: Alma Park; Grantham, Lincs. NG1 SL; Inglaterra. O presente artigo foi adaptado de seu livro The Battle for the Bible (Autumn House, 00).

REFERÊNCIAS

1. G. A. Smith, Modern Criticism and the Preaching of the Old Testament (London:

Hodder and Stoughton, 1901), p. 5.

2. F. F. Bruce, The Books and the Parchments (Westwood, N.J.: Revell, 1963), p. 89.

3. Ibid., pp. 89-92.

4. G. W. H. Lampe, ed., The Cambridge History of the Bible (Cambridge University Press, 1963-1969), vol. 2, p. 42.

5. J. B. Phillips, Ring of Truth: A Translator’s Testimony (New York: Macmillan, 1967), p.

95.

6. Bruce, pp. 103-104.

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Gênesis e o cosmos:

um quadro unificado?

mart de Groot

Para o cristão, a existência de Deus é um dado, e as leis científicas podem ser vistas como nossa descrição atual sobre como Deus rege a Sua Criação.

De que maneira a Bíblia e as ciências naturais deveriam ser expostas, expli- cadas ou estudadas? Parecem possíveis, pelo menos, duas posições. De um lado estão aqueles que supõem que o enten- dimento conservador da Bíblia e as des- cobertas da ciência não podem ser har- monizados entre si. De outro lado estão os que acreditam que as conclusões obti- das pelos dois campos podem harmoni- zar-se, encaixando-se numa abrangente visão de mundo. Muitos do segundo grupo baseiam sua crença na convicção de que Deus é o Criador tanto da Bíblia quanto do mundo natural, e que ambos têm um papel a desempenhar em nossa compreensão da Criação de Deus. Este ensaio tenta apresentar um modelo científico e outro bíblico da origem do mundo natural inanimado, e explorar como ambos podem ser harmo- nizados.

O modelo científico

A ciência atual alega compreender como o Universo se originou e se desen- volveu. Tal alegação é um dos mais fas- cinantes capítulos da história da cosmo- logia moderna – a história do Big Bang. 1 De acordo com essa teoria, o Universo originou-se há cerca de 14 bilhões de anos. Um dos aspectos atraentes da Teoria do Big Bang é sua explicação da fonte dos blocos construtivos de todas as coisas, inclusive da vida. Embora os ele- mentos químicos supostamente forma- dos nos primeiros três minutos do Big Bang fossem simples (principalmente

hidrogênio e hélio), átomos mais com- plexos foram produzidos logo depois. Foram sintetizados no interior das estre- las como produto das reações nucleares que as fazem brilhar. Essa teoria, por conseguinte, requer que as estrelas tenham se formado de tal maneira que pudessem produzir elemen- tos químicos básicos a partir dos quais tudo o mais é feito. Para que as estrelas venham à existência e produzam os vários elementos químicos, as condições físicas do Universo e os parâmetros físi- cos básicos precisam ter valores bastante precisos. Por exemplo, para produzir átomos a partir dos núcleons formados nos exatos primeiros minutos após o Big Bang, o número de prótons e nêutrons deve cair entre limites muito estreitos. Caso isso não tenha sucedido, esses átomos ou não teriam sido formados ou todas as estrelas do Universo teriam entrado em colapso formando estrelas de nêutrons e buracos negros. Além disso, se o número de elétrons no Universo não fosse igual ao número de prótons com uma precisão de uma parte em 10 37 , as forças eletromagnéticas teriam vencido as forças gravitacionais, e jamais poderiam ter-se formado galáxias, estrelas e planetas. E, sem as estrelas, não existiriam elementos químicos comple- xos. Também para a formação de estrelas (e galáxias), o Universo não deveria expandir-se muito rapidamente (pois assim a matéria se rarefaria antes de as estrelas se formarem), nem muito lenta- mente (visto que ocorreria o colapso do Universo antes que as estrelas tivessem tempo de produzir os elementos quími- cos mais complexos). Para isso acontecer, a expansão cósmica precisa estar ajustada com a precisão de uma parte em 10 60 , realmente uma altíssima precisão! De fato, o número e a precisão dos ajustes finos 2 dos vários parâmetros físi- cos e cósmicos são tão incríveis que nos exigem considerar que nosso Universo foi feito com o propósito expresso de

permitir a vida humana. Encontramos aqui evidências em favor não só de planejamento, mas também de um Planejador. Esse é o “argumento do

desígnio” em prol da existência e atua- ção de Deus. Ele Se revela não somente em Sua mensagem de amor à humani- dade – a Bíblia – mas também nas obras de Suas mãos – na natureza (Salmo 19:1, Isaías 40:26).

A Teoria do Big Bang oferece também

explicação para processos que teriam

ocorrido após o Universo completar mais de 300.000 anos. Os melhores

modelos do que aconteceu em tempos anteriores também parecem explicar

o Universo como o conhecemos hoje. Entretanto, como nenhum daqueles

processos pode ser verificado mediante observação, eles permanecem na área especulativa da construção de modelos.

A dificuldade mais fundamental com

modelos puramente científicos é que a ciência declara que todos os fenômenos somente podem possuir causas natu- rais. Assim, Deus, o Sustentador de Sua Criação, é descartado como agente ativo na história do Universo. Para o

cristão que crê na Bíblia, portanto, exis- tem muitos fenômenos para os quais

a ciência ainda não tem explicação.

Considere-se, por exemplo, machados flutuando, mais de 5.000 pessoas sendo

alimentadas com cinco pães e dois peixi- nhos, mortos ressuscitando, uma virgem dando à luz (II Reis 6:1-7; João 6:1-13; 11:38-44; Lucas 1:26-38). Poderemos, realmente, esperar que a ciência algum dia seja capaz de explicar exatamente como essas coisas aconteceram?

A resposta a essa pergunta é importan-

te. A existência de Deus é um dado, e as leis científicas podem ser vistas como nossa descrição atual sobre como Deus rege a Sua Criação.

O modelo bíblico

O primeiro capítulo da Bíblia provê o relato da origem do Universo. Embora a curiosidade humana não possa ser satis-

feita plenamente, o primeiro verso da Escritura apresenta a resposta a quatro

das cinco indagações básicas. “Quando?”

é respondida com “criou”. “O que?” é

respondida com “os céus e a terra”. O “por quê?” é respondido no restante do livro. Precisamos falar um pouco mais sobre essas palavras. “Os céus e a terra”. Essa frase é cha- mada merisma 3 , isto é, um termo que inclui tudo entre os dois extremos, dos céus e da Terra. Ela pode ser compre- endida como indicando a totalidade de toda a matéria criada. “No princípio”. No hebraico, uma

explicação dessa frase é que ela pode designar um período de tempo ante- rior ao que vem em seguida, isto é, um período anterior à semana da Criação. “No princípio” nos dá algum – e talvez considerável – tempo antes do início da semana da Criação. “Criou”. O verbo hebraico bara (“criou” em Gênesis 1:1) tem sempre Deus como sujeito; verdadeiramente, só Ele pode criar. O verbo hebraico asah usualmente é traduzido como “fazer” em Gênesis 1 e em mais de 70 outras passagens da Bíblia. Deus é o único que pode criar (bara); os seres humanos podem fazer (asah). Em Gênesis 1, a palavra bara é usada no primeiro verso quando Deus cria toda a matéria a partir do nada; no verso 21, quando Ele cria os peixes e aves dando-lhes o fôlego de vida que somente Ele pode dar; e nos versos 36 e 37 na criação de Adão e Eva, ao fazê-los à Sua imagem. 4 Nos outros dias da semana da Criação

– dependendo da versão bíblica con- sultada – Deus “separa”, “produz”, “faz surgir”, ou “faz”. Em todas essas ocasi- ões, Deus modela novas formas a partir de matéria previamente criada. Quando bara é utilizado, há usualmente um elemento “a partir do nada”, algo intei- ramente novo que não existia antes em qualquer forma. Assim, “no princípio criou Deus os céus e a Terra” significa que Ele criou

a partir do nada toda a matéria no

Universo, antes de proceder à Sua obra criadora citada a partir de Gênesis 1:3.

Em Sua Criação de toda a matéria, Deus proporcionou a Si mesmo os materiais necessários às obras construtivas poste- riores. Essa maneira de proceder é seme- lhante à Sua utilização da terra seca para produzir a vegetação (v. 11), os animais (v. 24), e Adão (2:7). Sabemos, de fato, que houve alguma atividade criadora antes da semana da Criação. Anjos, e muito provavelmen- te outros mundos (habitados), foram criados antes da semana da Criação (Jó 38:7). Outra maneira de mostrar que a Terra já existia antes da semana da Criação foi sugerida por Gordon Gray 5 . Ele a denomina de “método da subtração”. Partindo do fim do capítulo

1 de Gênesis e caminhando no sentido

do início, eliminando-se as coisas que

haviam sido criadas, chega-se ao que já existia no início do primeiro dia. Assim, partindo-se da tarde do sexto dia, eliminam-se primeiramente Eva, que surge em último lugar, depois Adão,

e assim sucessivamente. Procedendo

dessa maneira, o que encontramos na véspera do primeiro dia? Nessa cami- nhada regressiva nada lemos sobre a criação do planeta Terra ou da água. A

Terra, então, deve ter sido feita antes da semana da Criação, estando em trevas, totalmente sem vida e imersa na água. Essa é exatamente a descrição da Terra em Gênesis 1:2. Parece que a Terra sem forma e vazia havia sido criada antes do primeiro dia, e que um relato muito breve dessa criação e da condição então existente, foi dado nos versos

1 e 2. É interessante que quando Deus revela Seu poder criador

a Jó, Ele se refere à Terra como

envolta em trevas devido às grossas nuvens (Jó 38:9). Esse versículo oferece a possibilidade de dizer algo mais definido sobre a criação do Sol, da Lua e das estrelas. Em Gênesis 1:16 (“O luzeiro menor para governar a noite. Ele também fez as estrelas”) o verbo “fazer” não se encontra no texto hebraico. De fato, essa passa- gem pode também ser assim traduzida:

“O luzeiro menor para governar a noite, juntamente com as estrelas”. O relato

do quarto dia simplesmente diz que as estrelas eram para “governar a noite” juntamente com a Lua. Essa leitura eli- mina o argumento em favor da crença de que as estrelas foram criadas no quar- to dia, e também contorna o problema da luz proveniente de estrelas distantes atingir a Terra dentro do tempo de exis- tência do Universo. Dessa forma, não há necessidade de recorrer ao argumento artificial que nos induz a crer que as estrelas foram criadas já com sua luz pre- enchendo todo o Universo. Para explicar como a Terra estava na escuridão enquanto já existia o Sol, é suficiente ler mais uma vez Jó 38:9. A cobertura de nuvens antes do primeiro dia era tão espessa que havia escuridão na superfície da Terra. Então, no pri- meiro dia, Deus disse: “Haja luz”. A espessa cobertura de nuvens dissipou-se

o suficiente para deixar incidir luz sobre

a superfície da Terra. Ao mesmo tempo, ela permaneceu espessa o bastante para manter o Sol escondido da vista, da mesma forma que hoje não vemos o Sol num dia com densas nuvens, sem termos dúvidas sobre se é dia ou noite. Então, no quarto dia, as nuvens se dis- siparam mais ainda e os luminares se apresentaram com toda a sua glória.

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“Cada dia Deus diminui um pouco da água, e assim há lugar para brincar na praia”.

Reimpreso com a permissão de Bil Keane.

No que diz respeito à obra criadora dos seis dias, creio que ela foi comple- tada em seis dias literais e consecutivos de 24 horas. Tem sido apresentada ampla evidência de que a maneira pela qual, em hebraico, são numerados os dias no capítulo 1 de Gênesis, somente pode ser entendida como marcando períodos de 24 horas cada. 6 Com rela- ção ao tempo precedente à semana da Criação – o intervalo entre “no princí- pio” e “o dia primeiro” – a Bíblia não apresenta qualquer resposta efetiva. Entretanto, esse é um campo no qual a ciência pode ter algo a dizer.

A Teoria do Big Bang, por exemplo,

coloca a origem do Universo cerca de 14 bilhões de anos atrás. A Bíblia posi- ciona a semana da Criação há cerca de 6.000 anos. 7 Afinal de contas, mesmo que tenhamos reservas sobre vários aspectos da Teoria do Big Bang, pode- ria ter havido bastante tempo antes da semana da Criação para que Deus pudesse trabalhar Sua matéria criada, para fazer muitas galáxias, estrelas, planetas girando em torno de seus sóis

(alguns habitados), e até o Sol, a Terra

e a Lua.

Síntese

Estamos agora em condições de juntar o que dissemos anteriormente, para formar uma descrição abrangente de como poderia ter-se desenvolvido o processo criador, levando em conside-

ração alguns aspectos da Teoria do Big Bang. Em algum instante não especifi- cado, “no princípio”, Deus criou toda

a matéria pré-existente e Sua palavra

foi suficiente para trazer tudo à exis- tência num instante (Salmo 33:6, 9; 148:5; Hebreus 11:3). Deus trabalhou a matéria primordial para formar primeiramente as partí- culas elementares, e depois os átomos simples, principalmente hidrogênio

e hélio, nos primeiro três minutos.

Conforme a Teoria do Big Bang, quando o Universo atingiu a idade de

300.000 anos, formaram-se as galáxias

e nelas as estrelas. No Universo, Deus aparentemente designou um papel

especial para as estrelas desempenha- rem. Elas foram as autoclaves em que Ele preparou a maioria dos elementos químicos, que depois Ele usou para

a formação da Terra. Juntamente

com as estrelas, formou os planetas. Novamente, conforme a Teoria do

Big Bang, há cerca de 4,5 bilhões de anos, isso levou à formação do Sol

e seus planetas. O planeta Terra foi

composto principalmente de elementos químicos mais complexos, importantes para a vida. A Terra, portanto, estava sem forma e vazia, coberta por água, e envolta em densas nuvens. Então, há aproximadamente 6.000 anos, Deus visitou a Terra para execu-

tar Seu plano em relação a este planeta

e seus habitantes, e levou seis dias

literais para formá-lo como habitat para a vida que criou. O firmamento, a vegetação, os peixes, as aves, os animais terrestres e nossos primeiros pais foram trazidos à existência. Alguns seres vie- ram à existência a partir da matéria que existia na própria Terra; outros de maneira especial, sendo revestidos de características especiais. Essa diferença reflete-se no uso das palavras hebraicas, bara e asah. Na realidade, o cenário exposto é somente uma possibilidade, não sendo nem completo e nem definitivo. Há muitas perguntas sem respostas sim- plesmente porque não estivemos pre- sentes para testemunhar o que acon- teceu. Esse panorama é o melhor que posso divisar para harmonizar nosso conhecimento atual da ciência com a fé bíblica – ambos contribuindo para formar um quadro unificado. Fica claro em tudo isso a enorme importância de um paradigma corre- to. As conclusões a que os cientistas chegam a partir de suas observações da natureza alteram-se radicalmente quan- do se usa um paradigma diferente. Deus faz a diferença no Universo! Isso

não é surpresa, porque Ele não é só o Criador, mas também o Mantenedor. Deus não somente faz a diferença no

que se refere ao Universo material, mas

é nosso privilégio que também Ele nos

peça para fazer a diferença em nossas vidas. Ao compararmos o futuro eterno na presença de Deus, com a limitada idade do Universo, não nos será difícil aceitar prazerosamente o Seu pedido!

Mart de Groot (Doutor em Ciência pela Universidade de Utrecht) pas- sou a maior parte de sua vida como pesquisador na área da Astronomia, tendo ultimamente servido como ministro adventista na Irlanda do Norte. Recentemente jubilado, con- tinua a pesquisar, publicar e divulgar. Seu endereço é mdgr@arm.ar.uk

REFERÊNCIAS

1. Mart de Groot, “O modelo do Big Bang: uma avaliação”, Diálogo 10:1 (1998), pp. 9-12.

2. Hugh Ross em The Creator and the Cosmos (Colorado Springs, Colorado: NavPress, 2001) lista 35 evidências para os ajustes finos do Universo (p. 154) e outras 66 para os ajus- tes finos do sistema Galáxia-Sol-Terra-Luna (p. 188).

3. Gordon Gray, The Age of the Universe (Washougal, Washington: Morning Star Publ., 2000), p. 172.

4. Estou em dívida com o Dr. Carlos Steger por sua sugestão inicial sobre o uso de bara e asah em Gênesis 1.

5. Gray, pp. 28, 30.

6. Richard M. Davidson, “No princípio:

como interpretar Gênesis 1,” Diálogo 6:3 (1994):9-12; Gerhard F. Hasel, “The ‘Days’ of Creation in Genesis: Literal ‘Days’ or Figurative ‘Periods/Epochs’ of Time?” em John Templeton Baldwin, ed., Creation, Catastrophe, and Calvary (Hagerstown, Maryland: Review and Herald Publ. Assn., 2000), pp. 40 ff.

7. L. T Geraty, “The Genesis Genealogies as an Index of Time”, Spectrum, 6 (1984):5-18.

Diálogo on-line

Agora você pode ler alguns dos melho- res artigos e entrevistas das últimas edi- ções de Diálogo. Visite o nosso novo site:

http://dialogue.adventist.org

PERFIL

PERFIL Sentado com Daisy de Leon em seu escritório, a primeira coisa que se observa é

Sentado com Daisy de Leon em seu escritório, a primeira coisa que se observa é a quantidade de fotos de sua família decorando a mesa e a parede. Ao mencionar como as crianças das fotos são bonitas, a Dra. De Leon revela seu lado jovial. Avó recente, exibe orgulhosamente fotos da neta Vivianna, e logo anuncia que outro neto está a caminho. A família, evidentemente, é algo muito impor- tante para a Dra. de Leon e seu esposo Marino, que possuem três filhos.

Daisy de leon

Diálogo com uma professora e pesquisadora adventista

Nascida no Bronx, Nova Iorque, a Dra. De Leon cresceu em Porto Rico. Desde sua infância seus pais insistiram em que a boa educação era uma das coisas mais importantes que alguém poderia conseguir na vida. Em 177, Daisy formou-se em Biologia pela Universidade de Porto Rico, San Juan. Três anos depois, concluiu o mestra- do em biologia molecular na mesma universidade. E em 17, a Dra. de Leon concluiu seu doutorado em endocrinologia na Universidade da Califórnia, Davis. A Dra. de Leon sempre foi fascina- da por pesquisa e medicina. Na escola, seu modelo era Albert Schweitzer, o brilhante músico e erudito teólo- go que ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 15, por seu compassivo trabalho médico-missionário entre os leprosos africanos. Atualmente, a Dra. de Leon trabalha como profes- sora-associada de fisiologia e farma- cologia, e como assistente do diretor de diversidade étnica na Escola de Medicina da Universidade de Loma Linda. Além disso, ela está envolvi- da em pesquisas sobre o câncer de mama. A Dra. De Leon trabalha em Loma Linda desde 1.

n Falemos primeiramente de sua pes- quisa atual. Um estudo recente concluiu que a incidência de câncer de mama nas mulheres francesas foi significativamente menor do que nas americanas. O estudo destacou que o vinho era o fator que aju- dava a diminuir a incidência do câncer. Pesquisas anteriores mostraram que o uso do álcool aumenta a incidência do cân- cer de mama, mas, agora, os pesquisado- res parecem indicar que o efeito protetor do vinho foi produzido por um elemento químico encontrado nas uvas.

Bem, posso dizer “Beba mais vinho?” Não! Há algum tempo têm sido realizados estudos para ver se as uvas contêm um possível fator quími- co preventivo. As lojas de alimentos saudáveis vendem pílulas que contêm extrato de casca de uvas. Esses extra- tos combinam diversas partes da uva e suas sementes, as quais contêm poten- tes antioxidantes que parecem ajudar na prevenção do câncer de mama. Os cientistas descobriram também alguns elementos químicos no brócolis, que inibem o câncer de mama e de prós- tata. Além disso, as pesquisas indicam que o consumo de verduras verdes tem efeito protetor. Portanto, sua per- gunta realmente tem a ver com dieta e nutrição. Quando os cientistas estavam pro- curando o gene que tinha influência sobre o câncer de mama, descobri- ram que apenas cinco por cento de todos os cânceres de mama eram hereditários. Ainda que você tenha o gene danoso que pode aumentar sua suscetibilidade ao câncer de mama, é encorajador saber que a boa dieta e a nutrição adequada têm efeitos preven- tivos.

n Além das mudanças dietéticas, exis- tem outras medidas que as mulheres poderiam tomar para diminuir o risco de câncer de mama? É importante que as mulheres entendam seu corpo e as mudanças que ocorrem em seus seios. Se elas têm entre 25 e 40 anos, deveriam fazer o chamado teste básico. Após os 40 anos, é necessário fazer uma mamografia anual. A instrução é fun- damental para as mulheres compreen- derem os riscos, mas não há nenhuma pílula mágica em se tratando de cân-

cer de mama. Não há nenhuma fór- mula elementar para preveni-lo.

n Sendo adventista do sétimo dia, como

a senhora relaciona sua religião ao tra- balho? Primeiro, eu experimento um senso de admiração. Como cientista, fico impressionada com as maravilhas que descubro diariamente sobre o corpo humano. Seria possível que corpo e mente e todos esses sistemas com- plexos que operam em nós fossem produto do acaso e da evolução alea- tória? Quanto mais observo o corpo

humano e seu funcionamento, mais

compelida me sinto a exclamar com o salmista: “Por modo assombrosamente maravilhoso me formaste”. Segundo, experimento um senso de humildade. Diante dessa maravilha

e da compreensão singular que Deus

me concedeu para entender o fun- cionamento extraordinário de nosso corpo, sinto-me humilde. É uma experiência espiritual profunda, e fico mais determinada a servir a Deus, estudar Sua criação e servir ao meu próximo. A religião me ajuda a per- manecer perto de Deus e de Sua cria- ção. Cada vez que aprendo algo novo em minha área, aproximo-me mais de Deus, porque me conscientizo de que não existiríamos se não fosse por um Ser tão poderoso que nos criou de maneira tão assombrosa.

n A senhora acha que é possível com-

partilhar a fé em sua profissão? Ser cientista e cristão parece ser incompatível para muitas pessoas. Esse não tem sido o meu caso, e cer- tamente não é o de muitos colegas meus. Vemos que a oportunidade de apreender a complexidade da Criação de Deus é uma maneira maravilhosa de entender mais a Seu respeito. Sempre me senti muito confortável

com meus valores; foi muito bom

para mim ter sido capaz de investigar

e tornar-me cristã por mim mesma.

Contudo, é diferente para meus filhos, pois sinto que ser adventista

é o melhor que posso lhes oferecer.

Assim, suas escolhas quanto a esse ponto são reduzidas de modo sig- nificativo. Tive meus desafios como mãe tentando dar-lhes a liberdade de escolha, e trabalhando para que essa liberdade os conduzisse a fazer o que eu acreditava ser a melhor escolha.

n Como a senhora consegue ser esposa,

mãe, avó, professora e pesquisadora? Vivendo um dia de cada vez. Tenho

a felicidade de compartilhar com meu esposo a mesma convicção religiosa

os mesmos valores fundamentais, o

que nos permite ter um relacionamen- to feliz. Valorizamos nosso relaciona- mento com Deus, e isso é essencial para a relação entre nós. Valorizamos um ao outro como pessoa e respeita- mos nossas diferenças. Também acre- ditamos que a família é essencial.

e

n Que conselho a senhora daria aos lei-

tores que estão interessados em pesquisa e queiram exercê-la como profissão?

A pesquisa é uma aventura fantásti-

ca e existem agora muitos programas que permitem aos estudantes envolve- rem-se em pesquisas. Muitas univer- sidades têm programas de pesquisas. Atualmente há muitas maneiras de se envolver em pesquisas, principalmente na Igreja Adventista. Visto valorizar- mos nosso corpo e estarmos compro- metidos em promover a boa saúde, a pesquisa é, certamente, um elemento- chave para o avanço da medicina e o cuidado do corpo. Há mais de 100 anos, Ellen White, uma das pioneiras da Igreja Adventista do Sétimo Dia, escreveu conselhos sobre saúde que eram muito avançados para sua época. Por exemplo, ela declarou que o açúcar, em grande quantidade, era nocivo para o nosso corpo. Quando jovem, eu me perguntava: como podia isso

ser verdade? Eu gosto de açúcar, cho- colate e doces em geral; mas sabemos atualmente através da química e das pesquisas, por que o açúcar é nocivo ao corpo. Sabemos também que seus

alertas quanto ao perigo do consumo de tabaco estavam certos. Não é fasci- nante vermos uma mulher com uma educação formal limitada possuir uma sabedoria não proveniente dela pró- pria, que foi guiada para prover-nos tal conhecimento sobre saúde? Pesquisar é fundamental, e estou muito feliz porque a Universidade de Loma Linda tem investido muito esforço e recursos a fim de promover pesquisas em várias áreas da saúde. Isso nos permite ter alguém como o Dr. Leonard Bailey que, com sua equipe, realiza excepcionais transplan- tes de coração. Nossa universidade está continuamente progredindo e provendo um ambiente onde você se sente bem sendo cristão, manten- do seus valores e, ao mesmo tempo, sendo um cientista que aprecia pes- quisar.

n O que mais lhe dá satisfação no tra- balho? Muitas coisas como completar um

projeto que me permite avançar no conhecimento científico. A oportuni- dade de trabalhar com colegas e saber que nossas interações trazem benefí- cios para todos. É recompensadora, também, a oportunidade de auxiliar estudantes em algo que promova diferença em sua vida. Estar no local certo e na hora certa para contribuir com isso, para mim, é gratificante.

Entrevista concedida a Dustin R. Jones

Dustin R. Jones é editor de proje- tos especiais no Departamento de Relações Públicas da Universidade de Loma Linda. Seu e-mail é:

djones@univ.llu.edu. A Dra. Daisy de Leon pode ser contatada na Escola de Medicina, Universidade de Loma Linda, Loma Linda, Califórnia 50, EUA.

PERFIL

PERFIL A entusiástica mestria do violino de Jaime Jorge já deleitou muitas audiên- cias ao redor

A entusiástica mestria do violino de Jaime Jorge já deleitou muitas audiên- cias ao redor do mundo. Cristão com- prometido, Jaime dedicou seu talento especial ao compartilhamento do amor de Deus através de concertos clássi- cos. Nascido em Cuba, em 170, Jaime começou tocar violino quando tinha cinco anos. Aos 10, sua família mudou- se de Cuba para os Estados Unidos, onde o jovem Jaime começou estu-

0

Jaime Jorge

Diálogo com um violinista adventista de renome internacional

dar com o célebre violinista Cyrus Forough, um aluno do notável David Oistrakh. Através dos anos, Jaime tem toca-

ção e alienação. Na escola, os alu- nos e os professores riam de nós. Freqüentemente éramos interrogados sobre nossas crenças e desprezados por

n

A música sempre foi importante para

do em lugares e ambientes variados, desde auditórios de colégios a igrejas

não sermos comunistas. Mesmo em nossa vizinhança, algumas crianças não

e

até no famoso Carnegie Hall. Ele

nos deixavam brincar com elas devido

se apresentou perante chefes de

às nossas convicções religiosas. Nunca

Estado e outras autoridades governa- mentais ao redor do mundo, incluindo as Américas, Europa, Ásia, Austrália e Rússia. Ele faz, em média, mais de 75

n Seu pai era pastor em Cuba. Foi difí-

sabíamos se nos deixariam brincar, se nos excluiriam ou se ririam de nós.

concertos anualmente, apresentando- se para cerca de meio milhão de pes- soas — algumas vezes chegando a mil numa uma única apresentação. Jorge obteve prêmios por cinco de seus álbuns, dois dos quais foram gravados na Europa com a Orquestra Sinfônica da Rádio Nacional Tchecoslovaca, em Bratislava. Seu álbum natalino, Christmas in the Aire, foi gravado juntamente com os 75 membros da Orquestra Filarmônica Nacional da Hungria. Jorge graduou-se na Universidade Loyola de Chicago. Após estudar Medicina por um breve período na Universidade de Illinois, ele deixou o curso de Medicina para servir integral- mente a Deus com seu talento musical. Jaime casou-se com Emily, uma talen- tosa cantora, em agosto de 17. Além de atender à sua repleta agenda de

sua família. Sua mãe era uma talento- sa musicista. Mas, por que o violino o atraiu? O que o motivou a trabalhar tão arduamente para aprendê-lo? Inicialmente, o que me atraiu no violino foi sua grande capacidade de comunicação: pode-se transmitir uma paixão profunda, ânimo e também ternura e afeição. Porém, o que me motivou a trabalhar de modo persis- tente foi o empenho de minha mãe em desenvolver o talento que Deus me havia concedido. Eu gostava de apre- sentações musicais, mas odiava ficar treinando. Ela me compeliu a praticar. Aprendi música com facilidade. Não me lembro de ter dificuldades como alguns ao meu redor. Mas, conforme fui crescendo, desenvolvi um desejo de me esmerar em tudo o que tocava e interpretava.

concertos, Jorge é professor-associado

n

Quem mais o influenciou em sua espi-

de música na Universidade Gardner- Webb, na Carolina do Norte.

cil para você, como cristão, crescer num país comunista? Todos os jovens cristãos cubanos sofriam algum tipo de importuna-

ritualidade? Meu pai. Ele sempre teve um profundo comprometimento com o Senhor e em compartilhar o evange- lho (ele trabalhou como pastor até sua aposentadoria, alguns anos atrás). Sempre pude constatar que ele vivia aquilo em que acreditava e pregava.

DIÁLOGO 17•1 005

n Jaime, uma vez você disse: “Quando

olho para trás em minha vida, posso ver

que os pontos mais baixos e difíceis sobre- vieram-me quando eu estava longe de Jesus, mas Ele nunca me abandonou "

O que você faz hoje para alimentar seu

relacionamento com Deus? O único caminho para manter o relacionamento com Deus é passar tempo em estudo e oração. A única maneira de eu ser uma fonte de enco- rajamento e até de instrução para os outros é reabastecer diariamente esse manancial com Jesus. É por isso que me esforço em meu relacionamento

pessoal com o Senhor. Nem sempre tenho êxito, mas é o único caminho que capacita para ajudar os outros.

n Você estudou com dois dos maiores violinistas do mundo. Que outras influ- ências inspiraram sua música? Minha mãe, Paul e Stephen Tucker (que cuidam dos meus arranjos e pro- dução) e outros artistas conhecidos (tanto clássicos como religiosos) como Itzhak Perlman, David Oistrakh, Yo- Yo Ma, Plácido Domingo, Herbert von Karajan, Oscar Peterson, Van Cliburn, Quincy Jones, David Foster e Larnelle Harris. Esses são apenas alguns. Também aprecio muito com- positores como Beethoven, Mozart, Chopin, Rachmaninoff e Tchaikovsky. Todos esses artistas se esforçaram para atingir o mais alto nível possível no que fizeram. É isso que também faço. E admiro, principalmente, aqueles que renunciaram à ostentação e ao reco- nhecimento do mundo em favor de uma vida dedicada a compartilhar seus talentos para a glória de Deus.

n Apesar de seu incontestável talento

e interesse pela música, você começou

a estudar Medicina. Foi difícil desistir

do sonho de ser médico? Você está feliz

por ter escolhido a Música em vez de Medicina? Quando sentiu o chamado

de Deus para exercer seu ministério em

tempo integral? Nunca quis ser músico. Eu estava ciente da vida de sacrifícios e incertezas

DIÁLOGO 17•1 005

de um músico, especialmente de um

músico cristão. Financiei algumas das minhas gravações e minha faculdade, inclusive parte do curso de Medicina, através de meus recitais. Mas logo após meu primeiro ano na Escola de Medicina da Universidade de Illinois, senti que o Senhor estava tentando atrair minha atenção. Então comecei a orar, mas não querendo realmente saber o que o Senhor tinha a me dizer. Finalmente, depois de orar durante oito meses (um pouco assustado), pedi um sinal a Deus. O sinal foi dado e então pedi um segundo sinal. Esse

também foi dado e, naquele momen- to, decidi que deveria fazer o que o Senhor queria. Isso aconteceu em

1996. Não foi difícil desistir do sonho

de ser médico, porque eu queria real-

mente fazer a vontade de Deus. Pensei que a Medicina era o plano divino para mim. Assim, quando tive certeza

de Seus desígnios, senti completa paz.

Nunca olhei para trás e lamentei esse fato ou me arrependi disso.

n Você gravou vários álbuns até agora e produziu dois vídeos. Durante esses pro-

jetos, você teve muitos desafios, mas Deus sempre o ajudou. Que conselho daria aos jovens músicos que desejam gravar seu primeiro álbum? Desde 1987 até agora gravamos 10 álbuns. Eles começaram de modo simples, humilde e com baixo custo.

O melhor conselho que posso dar a

alguém que deseje gravar um álbum? Bem, primeiro escolha as composições

que sinta que Deus quer que você insi-

ra em seu álbum (e isso através da ora- ção). Segundo, escolha melodias que

as

pessoas reconheçam e com as quais

se

identificam. Muitos artistas incluem

somente músicas originais, mas, como

as pessoas não os conhecem, fica difícil convencê-las a comprar um álbum de músicas desconhecidas. Terceiro, com-

prometa-se a gravar o melhor álbum

possível que puder. Esforce-se na qua- lidade de sua apresentação. Estabeleça

os mais elevados padrões e não pare até atingi-los.

Entrevista concedida a Nicole Batten

Nicole Batten é diretora de publi- cidade da Pacific Press Publishing Association, em Nampa, Idaho. O endereço de Jaime Jorge é: 5 Mountain Lake Dr.; Ooltewah, Tennessee 7; EUA. Para conhe- cer mais sobre Jaime Jorge, leia sua autobiografia No More Broken Strings (Pacific Press, 00). Seu livro e álbuns podem ser adqui- ridos através do site http://www. AdventistBookCenter.com.

Diretrizes para os colaboradores

 

A

revista Diálogo Universitário, publicada

três vezes por ano em quatro idiomas, é dirigida a adventistas do sétimo dia envol- vidos em educação secundária e superior, sejam professores ou estudantes e também

profissionais e capelães adventistas de todo

o

mundo. Os editores estão interessados em arti-

gos, entrevistas e reportagens bem redigidos

consistentes com os objetivos da Diálogo, quais sejam:

e

 

1. Promover uma fé viva e inteligente.

2. Aprofundar o compromisso com Cristo, a Bíblia e a Missão Global Adventista.

3. Elaborar abordagens bíblicas para assuntos contemporâneos.

4. Apresentar idéias e modelos de servi- ço cristão e evangelismo.

 

A

Diálogo habitualmente pauta artigos,

entrevistas e reportagens para autores espe- cíficos com fins editoriais. Esses autores são solicitados a (a) examinar as edições prévias de nossa revista; (b) considerar cuidado- samente estas diretrizes, e (c) apresentar um resumo da matéria e sua experiência pessoal antes de elaborar o artigo proposto. Trabalhos não solicitados não serão devol- vidos. Veja nosso site:

 

http://dialogue.adventist.org.

1

LOGOS com todo o seu poder

A Cozinheira de Vermeer ensina uma lição

Penny Mahon

Trabalho como professora do Newbold College, Inglaterra, há 20 anos. Antes disso, ensinei durante cinco anos na escola secundária. Ensinar é minha vida. Apesar de amar meu trabalho e nunca ter pensado em atuar noutra área, tenho de confessar algo: não gosto de corrigir provas. Se tenho uma pilha de monogra- fias para ler, procuro qualquer coisa para fazer antes de me envolver na inevitável correção desse material. E, uma vez começada a tarefa, não consigo ficar por muito tempo nela. Na verdade, consigo trabalhar somente por um breve período antes de minha mente começar a divagar e, então, tenho de fazer uma pausa. As correções são meu calcanhar-de- aquiles, o fardo de minha vida profissio- nal. E desconfio, ou tenho esperança, de que não sou a única professora que acha a tarefa de corrigir uma pilha de 20 ou 30 monografias o aspecto mais penoso dessa profissão geralmente agradável e recom- pensadora. Mas, não há como evitá-las. As correções devem ser feitas e, apesar de tediosas, são uma parte vital desse traba- lho e essencial para o desenvolvimento dos nossos alunos, para seu progresso pessoal e total aproveitamento de seus potenciais. Tal tipo de experiência não é exclusi- vo do magistério. Todo trabalho e toda função que desempenhamos contém elementos mais tediosos, ou seja, coisas que evitaríamos se pudéssemos. Isso varia de pessoa para pessoa, mas me lembro de que, quando estudante, escrever uma monografia era um trabalho que eu pos- tergava o máximo possível. Ou ainda, pode ser uma das enfadonhas responsa- bilidades administrativas como escrever relatórios extensos, o que sempre procu- ramos adiar.

Então, quando tenho esse desafio pessoal diante de mim, lembro-me sempre de um quadro muito especial. Dou aulas de artes visuais na faculdade, assim como de literatura, que é a minha especialização, e as pinturas são para mim um excelente recurso. O quadro que tenho em mente é uma pintura bela

e serena feita pelo artista holandês Jan Vermeer (1632-1675). Ele é conhecido por uma pequena coleção de pinturas

raras e delicadas, nas quais luz e cores são proeminentes. Vermeer pintava com segurança, o que fez dele um dos grandes mestres. Esse quadro específico

é intitulado A Cozinheira, e está exposto

no Rijksmuseum, em Amsterdã. É um exemplo típico do modo como esse artis- ta retratava a vida doméstica holandesa. A obra A Cozinheira realça a santidade do comum, a pureza das coisas usuais. Nos delicados tons azuis e amarelos sua- ves da cena, vemos uma simples criada com as mangas arregaçadas para fazer sua tarefa, despejando atentamente uma jarra de leite numa tigela. Sua face está emoldurada por uma touca e seus olhos se fixam com atenção no que está fazen- do. Na mesa há objetos comuns de uma cozinha: pão fresco, uma cesta tecida, uma jarra de cerâmica e um avental azul. Talvez estivesse preparando o desjejum. A ação da mulher é calculada, quieta e refle- xiva. Ela se concentra totalmente no que está fazendo. Dedica a essa tarefa com- pleta atenção, apesar de não ser nada de extraordinário, uma coisa aparentemente simples e sem importância. Vermeer con- seguiu transformar essa simples ação em um ato quase sagrado, através da expres- são, beleza e serenidade que representou na cena. Ao olhar essa pintura, um verso acode

representou na cena. Ao olhar essa pintura, um verso acode à minha mente: “Tudo quanto te

à minha mente: “Tudo quanto te vier

à mão para fazer, faze-o conforme tuas

forças” (Eclesiastes 9:10). Essa mensagem parece aplicar-se perfeitamente ao quadro. Assim como a mulher, também enfrenta- mos trabalhos monótonos, aparentemente simples, a cada dia. Corrigir provas e monografias não é um trabalho atrativo:

Não é como dar aulas a uma grande classe de estudantes sedentos de conhecimento; não é ser poderoso quando se está em reuniões importantes; não é emocionante como uma viagem para congressos científi- cos realizados em algum lugar exótico. Mas é essencial à nossa profissão. Assim, quando enfrento coisas enfado- nhas, aparentemente simples e maçantes, lembro-me da Cozinheira de Vermeer, e da atenção que ela dispensa ao simples

ato de despejar leite na tigela. Então chego

à conclusão de que a qualidade da con-

centração e energia que investimos em cada ação é a chave para nossa integridade pessoal. Quer tenhamos alguém nos obser- vando ou não, devemos executar nossas atividades de todo o coração, com com- prometimento, conforme nossas forças, porquanto esse é o mandamento bíblico. Pois, por esses atos, nosso verdadeiro cará- ter é julgado.

Penny Mahon (Ph.D., University of Reading) coordena o Departamento de Ciências Humanas e é diretora de assuntos estudantis no Newbold College, Inglaterra. Seu e-mail é:

pmahon@newbold.ac.uk.

DIÁLOGO 17•1 005

PARA SUA INFORMAçãO

explorando a relação entre fé e ciência

l. James Gibson

Nos dois últimos séculos o relato genesíaco da Criação tem sofrido sérios ataques, tanto dos estudiosos do texto bíblico quanto dos que estudam a natu- reza. Ironicamente, algumas das críticas mais destrutivas provavelmente tenham vindo dos eruditos bíblicos. A crítica bíblica e a ciência secular influenciam a cultura atual de duas maneiras altamente significativas. Essas

influências culturais são amplamente dis- seminadas pelos meios de comunicação

e pelas escolas públicas. Os cristãos não

estão imunes a essas forças culturais; as questões sobre a historicidade dos primei- ros onze capítulos de Gênesis são genera- lizadas. Um pequeno número de mani- festantes adventistas do sétimo dia tem questionado publicamente a necessidade de a igreja manter uma posição que con- tradiga àquela da cultura predominante.

A estrutura das conferências

Com esse pano de fundo, a Comissão Executiva da Conferência Geral autorizou em 2001 uma série de reuniões sobre assuntos de fé e ciência, a realizar-se de 2002 a 2004. A Primeira Conferência Internacional Fé e Ciência ocorreu em Ogden, Utah, de 23 a 29 de agosto de 2002. Participaram cerca de 80 estudio- sos e administradores da igreja, junta- mente com vários editores de publicações denominacionais e outras pessoas. Cerca da metade do grupo era de cientistas, um

terço de teólogos e especialistas em Bíblia,

e o restante de administradores. Mais de

um terço trabalhava fora da América do Norte, e grande parte dos demais colabo- rou com uma perspectiva internacional para as discussões. O grupo, na verdade, era multinacional e multidisciplinar. As reuniões tiveram início com

DIÁLOGO 17•1 005

uma preleção programática feita pelo Presidente da Associação Geral, Pastor Jan Paulsen. O sábado foi dedicado ao repouso, adoração e desfrute de compa- nheirismo. Os encontros começaram na manhã de domingo, com várias expo- sições sobre como compreender o texto

dos primeiros capítulos de Gênesis, e os comentários pertinentes de Ellen White.

A programação incluiu tempo para dis-

cussões, além das apresentações formais. Os tópicos da segunda-feira trouxeram alguns aspectos filosóficos e históricos relacionando fé e ciência, e também uma

visão geral de alguns assuntos científicos.

A discussão continuou durante a manhã

de terça-feira. A tarde desse dia e a quar- ta-feira foram dedicadas às exposições. Na quinta-feira, o grupo trabalhou na discus- são de idéias para as conferências futuras programadas. Em 2003, foram realizadas confe- rências regionais em várias partes do mundo, incluindo o Colégio Avondale, na Austrália; Glacier View Ranch, no Colorado; Pretoria, na África do Sul; Aurangabad, na Índia; Universidade Friedensau, na Alemanha; Nairobi, no Quênia; e Abidjan, na Costa do Marfim. Mais de 400 pessoas, representando pelo menos sete Divisões da Igreja Adventista, participaram dessas conferências regio- nais. Cada grupo elaborou um docu- mento. Esses documentos foram apre- sentados ao grupo principal na Segunda Conferência Internacional Fé e Ciência. A Segunda Conferência foi realizada em Denver, no Colorado, de 20 a 26

de agosto de 2004. Mais de 130 pessoas estiveram presentes; cerca de um terço eram cientistas, um terço de teólogos e um terço de administradores e editores denominacionais. No final, a comissão

organizadora preparou um documento que foi apresentado ao grupo para discus- são e comentários.

Resultado das conferências

O relatório da comissão organizadora

enfatizou numerosos pontos, dos quais mencionarei apenas alguns. Primeiro, a comissão observou que as conferências foram realizadas em atmosfera cordial e aberta, apesar das significativas diferenças dos pontos de vista expressos. Segundo, observou-se que os crentes devem

aprender a conviver com algum grau de tensão entre fé e compreensão. Terceiro, a comissão entendeu que o grau de tensão

relacionado às origens varia nas diferentes partes do mundo, sendo sentida mais fortemente nos países em que a ciência tem maior influência. Quarto, a comissão julgou que a doutrina da Criação é um dos fundamentos da fé adventista do séti- mo dia, e que existe forte apoio em favor da declaração da crença fundamental relativa à Criação. A comissão confirmou também o entendimento histórico adven- tista do sétimo dia de uma Criação em seis dias literais, a queda em pecado, que resultou na morte e no mal, um dilúvio catastrófico como ato judicial de Deus, e a missão da igreja de conclamar todos a adorarem a Deus, o Criador.

O relatório da comissão foi entregue

ao presidente da Associação Geral, e então submetido à Comissão Executiva da Associação Geral no Concílio Anual realizado de 08 a 14 de outubro de 2004. Essa comissão designou um pequeno grupo para preparar um documento sobre o resultado do relatório da comissão organizadora. O Concílio votou a apro- vação de um documento que endossava fortemente a crença bíblica histórica da Igreja em uma criação literal, na historici- dade dos capítulos 1 a 11 de Gênesis e no dilúvio universal. O documento também

conclamou o sistema educacional da Igreja e todos os membros ao redor do mundo, a proclamarem e ensinarem esse entendimento. (Ver na próxima página, abaixo, “Uma Afirmação da Criação”).

Prospectiva

res inclui uma compilação das perguntas

e

revistas que discutem as evidências a

A

série de Conferências Fé e Ciência

mais freqüentes sobre a Criação, uma coleção de textos resumidos dos roteiros de vídeos criacionistas, e apresentações em Power Point de palestras sobre alguns tópicos de interesse. Um segundo recurso é o sistema edu- cacional adventista do sétimo dia. Um dos objetivos da série de Conferências Fé e Ciência, reforçado pela atuação do Concílio Anual, é incentivar todas as

resultou em uma crescente compreensão do significado da doutrina bíblica da Criação, bem como da tensão existente entre fé e ciência na área das origens.

Todos os adventistas do sétimo dia deve- riam entender esses pontos. Quais são as ferramentas disponíveis para auxiliar os membros da igreja a tratar com essas realidades?

favor da Criação. Embora haja grande quantidade de

material disponível relativo à fé e ciência, devido à natureza das questões envolvi- das, a controvérsia continuará. Jamais poderemos demonstrar cientificamente quem é verdadeira: se a Criação ou a Evolução. O que podemos fazer é procu- rar informar-nos sobre as alegações da fé

e

O

primeiro recurso é a Internet. Bom

escolas adventistas a apresentarem essas questões de maneira a fortalecer a fé nos ensinamentos bíblicos. Um terceiro recurso consiste nas publicações. Ao longo dos anos, os adventistas têm publicado numerosos livros didáticos e artigos sobre Criação e ciência. Muitos desses artigos podem ser encontrados em revistas como Diálogo, Origins e Journal of the Adventist Theological Society. Outras denomina- ções cristãs têm produzido muitos livros

da ciência, e também quanto à natureza do sistema de pensamento subjacente

número de organizações criacionistas provê materiais educativos através dessa mídia. O próprio Geoscience Research Institute, pertencente à igreja, é uma boa fonte de informação sobre ciência e fé. Seu endereço eletrônico é http://www. grisda.org. Nesse site, os leitores encon- trarão todos os artigos publicados na revista Origins nos últimos 30 anos, jun- tamente com os artigos dos folhetos do Geoscience Reports. A seção para professo-

a

essas alegações. As Conferências Fé e

Ciência deram uma contribuição signifi- cativa para se atingir esse objetivo.

L. James Gibson (Ph. D., Loma Linda University) é pesquisador, confe- rencista e Diretor do Geoscience Research Institute, em Loma Linda, California,

uma afirmação da criação

nossa resposta ao documento: “Afirmação

que os estudantes sejam total, equilibra- da, científica e rigorosamente expostos à afirmação de nossa crença histórica em uma criação recente e em seis dias literais,

a Respeito da Criação”, apresentada pelas Conferências Internacionais Sobre Fé e Ciência:

Representates da Igreja Adventista do Sétimo Dia mundial reunidos em um Comitê Executivo durante seu Concílio Anual, de 8 a 14 de outubro de 2004, rece- beram o relatório apresentado pelo Comitê Organizador das Conferências Fé e Ciência. Depois de discutir seu conteúdo e implica- ções, os líderes aprovaram uma declaração cujos principais pontos incluem o seguinte:*

1.

Veementemente endossamos a afirma-

mesmo que sejam instruídos a compreen-

ção do documento quanto à nossa posição

der e a avaliar as filosofias rivais quanto às origens que dominam a discussão científi- ca no mundo contemporâneo.

histórica e bíblica da crença em uma criação recente e em seis dias literais.

2.

Instamos que o documento, acom-

5.

Instamos os líderes da Igreja, no

panhado desta resposta, seja amplamente

mundo inteiro, a buscarem meios de instruírem os membros, especialmente

os jovens que não freqüentam as escolas adventistas do sétimo dia, nas questões envolvidas na doutrina da Criação.

difundido na Igreja Adventista do Sétimo Dia mundial, usando todos os meios de comunicação disponível e nas principais línguas dos membros nas várias partes do mundo.

Considerando que a crença na Criação em seis dias literais está indissoluvelmente associada com a autoridade da Escritura, e; Considerando que tais crenças estão interligadas a outras doutrinas da Escritura, incluindo o sábado e a expiação, e; Considerando que a compreensão adventista do sétimo dia de nossa missão, conforme especificada em Apocalipse 14:6, 7, inclui o chamado ao mundo para adorar a Deus como Criador, Nós, membros da Comissão Diretiva da Associação Geral, no Concílio Anual em 2004, declaramos o seguinte como

 

6.

Concitamos todos os membros,

3.

Reafirmamos a compreensão adventis-

família mundial adventista do sétimo dia, a proclamar e a ensinar a compreen- são da Igreja quanto à doutrina bíblica da Criação, vivendo em sua luz, rego- zijando-se em seu status como filhos e filhas de Deus, e louvando nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Criador e Redentor.

ta do sétimo dia da historicidade de Gênesis

1-11: que os sete dias do registro da Criação foram dias com 24 horas literais, formando uma semana idêntica em tempo ao que agora conhecemos como uma semana; e que o Dilúvio foi de natureza global.

4.

Concitamos a todos os conselhos e

educadores nas instituições adventistas do sétimo dia, em todos os níveis, a prossegui- rem enaltecendo e advogando a posição da Igreja quanto às origens. Juntamente com os pais adventistas do sétimo dia, esperamos

* Para ver o texto completo dessa declaração e outros documentos relacio- nados, viste o site do Geoscience Research Institue: www.grisda.org e clique em “Membros”.

DIÁLOGO 17•1 005

Projeto elias - você está convidado!

alfredo García-marenko

O Projeto Elias é uma iniciativa da Igreja Adventista visando dar suporte financeiro a 10 mil campanhas evan- gelísticas da Voz da Juventude ao redor do mundo, entre os anos 2005 e 2006, com a participação de 10 mil jovens pregadores em parceria com 100 mil jovens – entre 16 e 30 anos de idade

– formando 10 mil grupos evangelís-

ticos em suas igrejas locais e outros auditórios. Esse novo projeto é patroci- nado pelo Centro de Missões Globais, o Departamento Jovem, o Departamento de Ministérios Pessoais da Associação Geral da IASD, e o Grupo de Servidores e Industriais Leigos Adventistas (ASI). Os líderes do Departamento Jovem de todos os níveis das organizações da Igreja atuam como coordenadores e promotores do Projeto Elias em seus respectivos territórios. Nossa comissão administra- tiva irá cuidar de todas as solicitações recebidas, somente por intermédio dos diretores do Departamento de Jovens das divisões. Celebração Mundial - O Projeto

Elias foi lançado como parte da celebração do 125 o Aniversário da Sociedade de Jovens Adventistas no Ano do Testemunho, o qual também está ligado à celebração do Ano do Compromisso em 2005. A fim de

receber os recursos evangelísticos para

o Projeto Elias, os alunos interessados das faculdades e universidades devem contatar o escritório do Departamento Jovem de sua associação ou missão,

o mais breve possível. Cada diretório

ou agremiação de alunos adventistas está convidado a participar do Projeto Elias, especialmente no período de 2005 e 2006.

DIÁLOGO 17•1 005

Conotação e objetivo - Alguns lei- tores podem perguntar: Por que Elias? Referindo-se a João Batista, a Bíblia

faz uma conexão significativa: “Ele irá

à frente do Senhor no espírito e poder

de Elias, para converter o coração dos

pais aos filhos e os desobedientes à prudência dos justos” (Lucas 1:17 - RA 2a ed.). O ministério de João Batista, como precursor de Jesus Cristo em

Sua primeira vinda à Terra, satisfez as expectativas de Deus e foi efetivado com sucesso “no espírito e poder de Elias”. Hoje os jovens adventistas estão tendo o privilégio de assumir uma res- ponsabilidade semelhante, através do anúncio da breve volta de Jesus Cristo,

e de preparar um povo para o clímax

desse evento. Eles podem tornar-se os protagonistas de um movimento evan- gelístico mundial, “para preparar um povo que esteja apto para esse evento”. Sua oportunidade – Ao viajar por todas as divisões, tenho encontrado milhares de jovens ativos de muitas formas, para o cumprimento da missão da Igreja. Sei que muitos outros estão

querendo envolver-se em novas inicia-

tivas se forem desafiados, organizados e treinados apropriadamente. Se você deseja aprender mais a res- peito do Projeto Elias a fim de poder receber suporte financeiro, contate

o Departamento Jovem de sua área.

Recursos de última geração, incluindo CDs e DVDs com a série evangelística “Novo Começo” e sermões em 33 lín- guas, estão disponíveis para maximizar os esforços dos jovens. Última mensagem - “Aqueles que estão preparando o caminho para a segunda vinda de Cristo são represen- tados pelo fiel Elias e por João Batista,

que veio no espírito de Elias para pre- parar o caminho do primeiro advento” (

que veio no espírito de Elias para pre- parar o caminho do primeiro advento” (Testemunhos para a Igreja, vol.3, p. 62). Esta é a sua oportunidade de se envolver na proclamação do evangelho e preparar o caminho para a segunda vinda de Cristo!

Alfredo García-Marenko é o diretor-associado responsável de Departamento Jovem da Igreja Adventista do Sétimo Dia, e editor- associado da revista Diálogo. Seu endereço é: 1501 Old Columbia Pike; Silver Spring, Maryland 00; U.S.A.

Old Columbia Pike; Silver Spring, Maryland 00; U.S.A. congresso de estudantes universitários O Congresso

congresso de estudantes universitários

O Congresso Internacional de Estudantes Universitários Adventistas, patrocinado pela AMiCUS da Divisão Euro-Africana, será em Lido di Jesolo (Veneza), Itália, de 28 a 31 de outubro de 2005. Para outras informações, aces- se: www.amicus.euroafrica.org.

5

EM AçãO

Jenny ludwig

Creio que cada estudante ASD deveria ter a oportunidade de par-

ticipar de uma sociedade estudantil adventista. O prazer do companhei- rismo com mentes jovens é imenso. A recompensa e possibilidades são maravilhosas!

O

que produziu esse sentimento? A

fundação dos Estudantes Adventistas do Nordeste Australiano (NASDAS, acrônimo inglês). Existem diversas associações semelhantes na Austrália. Entretanto, a NASDAS está situa- da em Townville, Queensland, e é

especial; a primeira a ser estabelecida no nordeste desse país. Após vários anos sonhando com tal sociedade, um grupo de estudantes a fundou em novembro de 2003, e tive o privilégio de fazer parte do evento.

A

NASDAS tem como objetivo ins-

envie-nos o relató- rio de seu grupo

Os líderes das associações de estudantes universitários adventistas são convidados a enviarem um breve relatório das atividades de seu grupo e uma ou duas fotos digitais para publicação na revista Diálogo. Inclua toda informação relevante a respeito do grupo de estudantes, descrevendo suas atividades prin- cipais, desafios, planos e também mencionan- do o nome, cargo e e-mail do autor do rela- tório. As informações deverão ser encami- nhadas a: Humberto M. Rasi (h.rasi@adelphia. net) e a Esther Rodriguez (rodrigueze@gc. adventist.org). Obrigado!

a Esther Rodriguez (rodrigueze@gc. adventist.org). Obrigado! Um encontro social no culto de pôr- do-sol da sexta-feira

Um encontro social no culto de pôr- do-sol da sexta-feira permitiu que os alunos discutissem assuntos pertinen- tes às realidades enfrentadas em suas respectivas universidades. Cada estu- dante também firmou seus objetivos anuais. No sábado à tarde houve um programa especial sobre como man- ter nosso relacionamento com Jesus, durante os anos universitários. O ora- dor convidado, a música especial, os cânticos, a dramatização e o passeio na praia durante o sábado à tarde, tornaram memorável aquele final de semana. Os novos grupos têm outros planos para o futuro: estudos bíblicos sema-

nasDas: estudantes adventistas do nordeste australiano

tituir um fórum com vistas ao desen-

volvimento espiritual, mental, físico

e social dos estudantes universitários adventistas de nossa região. O alvo

principal da organização é desenvolver

a fé em Deus e motivá-los a dar teste-

munho das boas-novas de Jesus. O ano começou com a semana de orientação universitária. A NASDAS posicionou no local “bonecos inflá- veis” com a sigla “NASDAS”, distri- buiu um calendário social da igreja local, cupons das livrarias da igreja, exemplares da revista Sinais dos Tempos e balões de gás. Os estudan- tes foram convidados a participar de refeições, jogos e um dia na piscina.

de gás. Os estudan- tes foram convidados a participar de refeições, jogos e um dia na

DIÁLOGO 17•1 005

nais na biblioteca da universidade e, mensalmente, fóruns sobre tópicos atuais nos sábados à tarde,

nais na biblioteca da universidade e, mensalmente, fóruns sobre tópicos atuais nos sábados à tarde, que aten- dam aos interesses da maioria. Acima de tudo, a NASDAS planeja auxiliar e manter o compromisso de fé dos estu- dantes adventistas das universidades do nordeste australiano, uma experi- ência de busca constante da aprovação dos planos de Deus para sua vida. Ao integrarem sua vida acadêmica ao compromisso de fé, os estudantes adventistas se desenvolvem mental e espiritualmente, alcançando o ideal de Deus para eles. E saberão como viver em meio à cultura secular e hostil, e também como entoar o cântico do Senhor numa terra sufocante. Esse é o motivo pelo qual procuro animar cada estudante, não impor- tando onde estiver, a se envolver com um grupo de estudantes adventistas. Se não houver algum grupo perto de você, comece um e faça a diferença na vida dos jovens, procurando alcançar o sentido espiritual, enquanto está cir- cundado pela cultura secular.

Jenny Ludwig é presidente do NASDAS. Se desejar rece- ber mais informações, contate NASDAS@jcu.edu.au. Ou escreva para NASDAS: P.O. Box 100; James Cook University, Qld 1; Austrália.

DIÁLOGO 17•1 005

atividades projetadas estão um festival de corais e um encontro nacional de alunos adventistas na capital. Pedimos aos nossos amigos de outras partes do mundo que orem por nós, ao seguirmos avante com nossos limitados recursos. O lema motivacional da asso- ciação é “Salvo do Pecado; Capacitado Para Servir”, e o alvo: “Estudantes na Igreja e Adventistas no Campus”.

Ben Issouf Ouédrago é estudan- te do terceiro ano de medici- na e atua como presidente da AEA-BF em Burkina Faso. Ele pode ser contatado pelo e-mail:

aeeabf_president@yahoo.fr ou benissouf@yahoo.fr.

e-mail: aeeabf_president@yahoo.fr ou benissouf@yahoo.fr. Membros do Conselho Geral da AEA-BF. Da esquerda para

Membros do Conselho Geral da AEA-BF.

ou benissouf@yahoo.fr. Membros do Conselho Geral da AEA-BF. Da esquerda para direita, alguns líderes da associação:

Da esquerda para direita, alguns líderes da associação: Norbet Kambiré, Firmin Poda, Ben Issouf Ouédraogo, Eric Zoundi, e um membro estudante.

nova associação de estudantes de burkina faso

Ben Issouf Ouédraogo

A Associação de Estudantes

Adventistas de Burkina Faso (conheci- da por seu acrônimo francês AEABF) foi instituída em dezembro de 2003. Atualmente ela conta com cem mem- bros ativos, distribuídos em três cen- tros regionais localizados na capital

de Ouagadougou e em duas outras cidades. Os membros fundadores ele- geram seu conselho geral e também um comitê executivo responsável pela coordenação dos programas para alu- nos adventistas que freqüentam univer-

sidades públicas e escolas secundárias no país.

A associação promoveu diversos

empreendimentos em 2004. Em abril, uma vigília de oração centrada no tema “Sal, Não Perca o Seu Sabor”, com sessenta participantes. Em maio, a associação recebeu o reconhecimento formal do governo. Em junho, tivemos um dia especial de jejum e oração pelo preparo para os exames finais. Em outubro, a AEA-BF coorde- nou um mini-acampamento como preâmbulo do novo ano acadêmico. Os principais temas do programa enfocaram questões como o aluno e a política, liberdade religiosa e o signifi- cado do sábado. O Pr. Sylvain Ballais, presidente da Missão de Burkina Faso, falou sobre o tema: “Pode a Teologia Adventista ser moderna?” O Pr. Michée Ballais, diretor de capelania, discorreu sobre “Reforma moral versus conversão”. O tema abordado pelo Pr. José Luís Santa Cruz foi: “Como seu amor por deus pode ajudá-lo a alcan- çar sucesso nos estudos”.

Estamos satisfeitos com as conquis- tas havidas durante o primeiro ano de sua existência; entretanto, em 2005, planejamos expandir nossas atividades para outros campi do país. Dentre as

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LIVROS

LIVROS Reconciliación: cómo reparar los vínculos danãdos Autor: Mario Pereyra (Publicaciones de la Universidad de

Reconciliación: cómo reparar los vínculos danãdos Autor: Mario Pereyra (Publicaciones de la Universidad de Montemorelos, 2003; 172 pp.; brochura).

Resenha de Julian Melgosa

Mario Pereyra não é um estranho entre os autores da academia adventista. Se trata de um psicólogo com ampla

experiência clínica e de pesquisa em vários países e culturas, e como um cristão comprometido, Dr. Pereyra tem escrito pro- fusamente sobre tópicos tais como, felicidade, perdão, recon- ciliação e esperança - tudo sob uma ótica acadêmica integrada à perspectiva cristã. Seus trabalhos anteriores em espanhol - Psicología del perdón (1993) e Psicología de la esperanza, con aplicaciones en la clínica práctica (1999) - prepararam o solo para este importante trabalho teológico e psicológico sobre a reconciliação. Este livro segue o padrão estabelecido pelo autor e oferece aos leitores não apenas um meio para compreender o escopo do conflito e reconciliação, mas provê também uma ferra- menta sobre como mediar o processo de reparação das ofen- sas e feridas.

A princípio, Pereyra oferece conceitos teóricos sobre rela-

cionamentos bem como maneiras específicas de prevenir e

tratar a deterioração interpessoal e cultivar harmonia nas rela- ções humanas.

A idéia de reconciliação (como oposta à conciliação) é res-

saltada. Reconciliação se desenvolve a partir da maturidade em solucionar problemas sem a intervenção de um mediador. Reconciliação vai além de uma transação comercial para uma restauração emocional dos laços de satisfação vivenciados anteriormente. Esta idéia encontra fundamentação teológica

na instrução dada por Cristo quanto a prioridade à reconcilia- ção (Mateus 5:23-26) e o conceito de Paulo sobre o “ministé- rio da reconciliação” (2 Coríntios 5:18-20) para o qual todos os cristãos são chamados.

O autor aborda os modelos contemporâneos de educação

na literatura profissional, confrontando-os com os ensina- mentos bíblicos e oferecendo um modelo baseado na parábo-

la do filho pródigo. O modelo consiste de passos sucessivos, descritos em detalhes nos capítulos 6 à 9.

• Discórdia (conflito que causa separação emocional).

Insight (compreensão clara do conflito e a intenção de resolvê-lo).

• Ponderação (análise de alternativas reconciliatórias).

• Re-união (restauração das relações quebradas).

Ao discutir cada um desses passos, o autor propõe não ape-

nas técnicas e estratégias envolvidas no processo da reconcilia- ção, mas também algumas dicas pessoais e intervenções técni- cas para profissionais que atuam na área de aconselhamento.

O livro é bem organizado, segue uma seqüência lógica e

sua leitura é prazerosa. Em toda a extensão do livro o autor oferece uma variedade rica de casos (provenientes de sua experiência como conselheiro) que tornam seus conceitos e idéias em algo prático. Há também duas sugestões, a saber – individuais (como controlar a ira e violência ou como lidar com o remorso) e interpessoal (como perdoar). Outra característica marcante é a integração com a Bíblia, a qual é apresentada como uma fonte de aconselhamento pessoal. Considerando o uso amplo da internet, seria útil incluir outras referências aos sites da internet, particularmente aqueles

onde os leitores possam encontrar informações adicionais.

A despeito do livro ser de interesse daqueles que atuam

como - conselheiros, psicólogos, serviço social e pastores - outros interessados no crescente campo das relações interpes- soais encontrarão nele um material útil.

Julian Melgosa (Ph.D.,Andrews University) é psicólogo da educação, atualmente ocupa a função de presidente do Instituto Internacional de Estudos Avançados Adventista nas Filipinas.

de Estudos Avançados Adventista nas Filipinas. cristãos em busca do Êxtase Vanderlei Dorneles, 2 a .

cristãos em busca do Êxtase Vanderlei Dorneles, 2 a . Edição (Engenheiro Coelho, São Paulo:

Imprensa Universitária Adventista, 2003; 271 pp.; brochura).

Resenha de Azenilto G. Brito

Como teólogo, jornalista e professor de Comunicação e Filosofia na Universidade Adventista de São Paulo, Campus 2, Vanderlei Dorneles produziu uma obra esclarecedora em “Cristãos em Busca do Êxtase”. O subtítulo da capa explica que o objetivo do livro é “entender a nova liturgia e o papel da música no culto contemporâneo”. Contudo, essa expli- cação parece modesta, pois o escopo do livro vai bem além disso.

A obra não tem por base uma pesquisa de campo, mas se

firma numa ampla bibliografia de obras de especialistas em história, ciência, religião e filosofia, que descrevem o fenô- meno da religiosidade nos tempos pós-modernos. Dorneles crê que as pessoas estão mais preocupadas em relacionar-se

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com a Divindade, não mediante mero conhecimento teórico da verdade, porém sentindo-A através do modo como Ela atua no íntimo de sua vida.

O autor remonta às formas “primitivas” de culto, estabe-

lecendo um surpreendente reavivamento do misticismo e

das formas mais bizarras das antigas religiões no século 21, que prometem conceder aos adeptos meios mais “eficazes” de apreender as realidades eternas. Dorneles discute como, nessa persistente busca por se realizarem religiosamente, muitos têm recorrido a vários meios, desde meditação a alteradores da mente, tanto na forma de ervas naturais quanto de drogas sintéticas.

A introdução do livro oferece uma visão panorâmica de

como seu estudo conduzirá o leitor através da história do pensamento e prática religiosa da humanidade. O autor oferece ainda uma antecipação do grand finale de todas as atuais tendências e direções em religião e filosofia. Aqui,

talvez, ele poderia ter simplesmente estimulado o apetite do leitor, promovendo uma descoberta gradual em vez de reve- lar demais o que seria o resultado final. Dorneles então oferece ao leitor uma sólida avaliação do movimento carismático atual, remontando suas raízes ao reavivamento de John Wesley, passando pelo Holiness Movement do século 19, até sua tremenda expansão hodier- na. Mas o autor não limita sua análise à história e impacto desse movimento no presente; ele prossegue realizando deta- lhada exegese de textos bíblicos que tratam do fenômeno glossolálico.

O livro tem um formato bem-organizado e didático, com

sumários dos assuntos tratados e temas a serem desenvol- vidos, conclusões, e um moderno sistema de referências. Divide-se em cinco sessões, seguidas por uma conclusão geral e bibliografia: I: Transe nas Religiões Primitivas; II:

Ascensão e Declínio da Razão e o Retorno ao Sagrado; III:

Culto Pentecostal e Carismático; IV: A Psicologia do Transe; V: O Culto de Base Bíblica e a Integridade da Mente. Alguma atenção devia ser dada em futuras edições à cor- reta reprodução de vários nomes próprios (e.g., Schaeffer, Douglass, Gunnar). Esta obra é leitura recomendada para quantos desejem compreender melhor a fermentação religiosa de nossos dias, suas causas, conseqüências e implicações futuras.

Azenilto G. Brito é editor e tradutor e reside atual- mente em Bessemer, Alabama, EUA. Ele e a esposa operam um website evangelístico chamado “Ministério Sola Scriptura” cujo endereço é www.azenilto.com. Seu endereço eletrônico é: profazenilto@aol.com.

Seu endereço eletrônico é: profazenilto@aol.com. el proceso pedagógico: ¿agonía o resurgimiento? René

el proceso pedagógico:

¿agonía o resurgimiento? René Rogelio Smith (Montemorelos, Nuevo León: Publicaciones Universidad de Montemorelos, 2004; 208 pp; brochura).

Resenha de Fernando Aranda Fraga

A educação está em crise. A disciplina que deveria prover

o método em meio à loucura, a ordem em face do caos, o

desafio de uma vida diferente em oposição a uma existência

sem significado, está em séria crise. Será que falta à educação moderna uma firme âncora? Ou será que ela se tem associado

a outras disciplinas, que preferem amar mais as trevas que

serem guiadas pela luz, e de fato não conseguem ver diferença entre ambas? Essas são perguntas com profundo teor filosófico, que pedem respostas não evasivas e um estudo sem sutilezas. René Smith, um educador experiente que se debateu com tais questões, faz uma busca detida para responder a essas perguntas, a partir daquilo que considera como fundamentos inamovíveis da pedagogia cristã: a cosmovisão bíblica. Com tal compromisso, esse professor que passou a maior parte de sua vida pesquisando e ensinando filosofia da educação na Universidade Adventista River Plate, na Argentina, formula duas questões fundamentais, a saber: “A pedagogia contempo- rânea está sendo premida pela agonia de um futuro incerto?” Ou: “É possível prever e cultivar um reavivamento educacio- nal ancorado numa firma esperança e por ela motivado?”

O Dr. Smith é um escritor irrequieto — alguém desassosse-

gado. Ele não desperdiça ou mede palavras. Apresenta o dile- ma nas páginas iniciais e dedica sete capítulos para encontrar suas respostas, bem discutidas, elaboradas e redigidas, condu-

zindo seus leitores a uma jornada filosófica, antropológica e teológica. Smith revela como as pressuposições concernentes ao mundo, aos seres humanos e ao conhecimento, provêm os fundamentos para o modelo educacional de um professor, de uma instituição ou de um sistema acadêmico, que escolhe desenvolver os princípios que governam sua prática educacio- nal. Cada sistema pedagógico está embasado numa cosmovi- são específica. Entretanto, é importante que essa cosmovisão seja claramente entendida e delineada, de tal forma que saibamos quais valores serão estabelecidos e quais objetivos selecionados. Após definir o conceito de cosmovisão — sua histó- ria e implicações — o autor analisa suas conexões com a

 

Continua na p. 1.

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PRIMEIRA PESSOA

O poder maravilhoso da Palavra de Deus

María Emilia Schaller de Ponce

“Assim será a palavra que sair da Minha boca: não voltará para Mim

pital para acompanhamento. Internei Roberto e chamei seu psiquiatra, que me deu uma lista de remédios a serem ministrados mediante solução intravenosa. Ele especificou ainda outros fatores a serem considera- dos. Fiquei apreensiva e compartilhei minha preocupação com um colega. Pediram-me que não me preocupasse, pois o corpo do paciente estaria, prova- velmente, acostumado a altas doses de medicação. Deixamos Roberto recebendo a solu- ção intravenosa. Uma hora depois, a enfermeira me chamou dizendo que Roberto estava reagindo de modo estra- nho. Corri para o seu quarto e, em vez de estar dormindo, encontrei-o muito agitado. Os medicamentos tinham pro- duzido um resultado bem diferente do esperado. Roberto tremia intensamente e seus olhos estavam dilatados, cheios de medo e ansiedade. Quando ele me viu, gritou: “Tirem esse soro! Isso não adianta; eles sempre me dão a mesma coisa e é inútil!” Aproximei-me para ouvi-lo com mais atenção. Ele abaixou sua voz, e dessa vez suplicou: “Por favor, doutora, tire esse soro. Isso somente piora as coisas. Eu preciso é de alguém para conversar. Preciso de alguém para me ouvir e con- versar comigo”. Então eu lhe disse: “Certo, Roberto, chamarei seu psiquiatra agora mesmo”. “Não!” disse-me ele. “Ele apenas irá dopar-me com mais medicamentos. Ele não me ouve ou conversa comigo. Por favor, fique aqui e vamos conversar!” “Bem, Roberto, não sou psiquiatra. Mas, sobre o que você quer conversar?” ”

“Qualquer coisa

vazia, mas fará o que Me apraz e prospe- rará naquilo para que a designei” (Isaías

55:11).

Tornei-me adventista do sétimo dia em fevereiro de 1982. Três meses depois, terminei a faculdade de medici-

na

e comecei a trabalhar como médica.

Quando fui batizada, na igreja de La Aurora, Santa Fé, Argentina, os mem- bros me deram as boas-vindas com uma

Bíblia de presente, talvez o melhor pre- sente que já recebi. Sempre a mantinha comigo no trabalho, no culto, em casa.

Li

avidamente a vida de Jesus e aceitei

as

ricas promessas contidas na Palavra Deus. Não foi fácil unir-me à igreja

de

devido à oposição da família. Assim, apeguei-me firmemente às promessas das Escrituras, nunca me separando daquela pequena Bíblia. Tive de memo-

rizar aquelas promessas e nelas crer. Eu necessitava conhecer bem seu Autor. Poucos meses depois, quando estava

de

plantão num hospital público de

outra cidade, o vigia anunciou a chegada

de

um paciente na sala de emergência.

Segui rapidamente para lá e encontrei Roberto balançando um vidro vazio de drogas psicodélicas. Evidentemente ele tinha engolido toda a droga — uma tentativa de suicídio. Para piorar a situação, sua esposa estava com ele, completamente embriagada. Ambos eram pacientes psiquiátricos e viciados. Imediatamente eu o enviei de ambu- lância para a unidade de toxicologia de

outro hospital, pois o nosso hospital não possuía a infra-estrutura para esse tipo

de

pacientes. Ele recebeu tratamento

adequado e foi reenviado ao nosso hos-

0

“Então, conversarei com você sobre

a melhor coisa de que posso falar.

Conversarei com você sobre Jesus”. “Sobre Jesus? Tudo bem, mas tem um problema”. “Qual é?” “Sou judeu!” Realmente um problema! Levantei- me para chamar o médico de Roberto, quando ele gritou: “Não vá embora!” “Roberto, não sou uma especialista. Preciso chamar seu psiquiatra. Além

disso, você não me deixa conversar sobre

o Amigo que tanto tem me ajudado”. “Tudo bem. Fale-me sobre esse Jesus”. Lembro-me, ainda, do desprezo em sua voz e da expressão de indiferença

no rosto quando se referiu a esse Jesus. Com uma oração silenciosa, abri minha Bíblia e comecei a ler sobre Jesus. Não me lembro absolutamente nada sobre

o que falei. Simplesmente li os evange-

lhos, pois no início da minha vida cristã era tudo o que sabia para compartilhar com outras pessoas. Após um momento aconteceu o inexplicável. Roberto acal- mou-se, parou de tremer; finalmente adormeceu. Na manhã seguinte visitei-o nova- mente. Ele estava sentado no banco em frente ao seu quarto do hospital. Mostrava-se magro, abatido, semblante cansado; a angústia em seus olhos refle- tia a enfermidade de que sofria. Mas ele estava esperando eu voltar para conver- sarmos sobre “esse Jesus”. Mais uma vez abri minha Bíblia e li sobre Jesus duran- te um bom tempo, e, novamente, não me lembro absolutamente nada sobre

o conteúdo da minha leitura. Roberto

me observava atentamente. Seus grandes olhos me observavam e, algumas vezes,

repousavam na Bíblia. Ele assentia com

a cabeça, fazia uma pergunta ou tecia

algum comentário. Como médica, eu pensava: “Isso não faz sentido. Ele é um paciente psiquiátrico, intoxicado com drogas, não é cristão, e aqui estou eu lhe falando sobre Jesus. Isso não tem lógica”. Roberto, finalmente, recebeu alta do hospital e pôde ir para casa. Despedi-me dele e achei que estava com uma apa- rência melhor. Não anotei seu endereço

DIÁLOGO 17•1 005

para visitá-lo e continuar lendo a Palavra de Deus para ele. Por que não fiz isso? Porque eu ignorava o poder da Palavra. Posteriormente, voltei a Santa Fé para fazer uma especialização. Três anos depois, numa tarde de outono, eu estava atravessando uma praça da cida- de quando um cavalheiro passou por mim. Após dar alguns passos, ele se voltou e disse: “Ei! Você é uma médi- ca…e deixe-me lembrar…você tem

um nome composto

Sim! Você é a Dra. Maria Emilia. E duvido que você saiba quem sou. Sou Roberto, aquele homem desesperado que você ajudou há três anos atrás naquela noite terrível!” Fiquei muda com o que estava vendo. Roberto! Não podia ser aquele paciente que cuidei durante meu plan- tão numa outra cidade, três anos antes; mas, sim, era ele. Seu corpo antes emagrecido estava mais robusto, seus olhos não refletiam mais o desespero, mas serenidade. A transformação era notável. Roberto percebeu minha per- plexidade e continuou. “Sim, doutora. Nem eu posso acre- ditar na mudança que ocorreu. Coisas maravilhosas aconteceram em minha vida. Quando você me falou a respeito de Jesus, acreditei em suas palavras e disse a mim mesmo que Jesus iria me ajudar. Deixei o hospital e, um dia, algumas senhoras cristãs me encontra- ram. Contei-lhes minha experiência, aceitei a Jesus, sendo finalmente bati- zado como um cristão. Antes disso, a minha vida era um verdadeiro inferno. Eu era viciado. Meus filhos cresceram sozinhos, sem pai. Agora são adoles- centes e, pela primeira vez, estou com eles e os ouço. Minha esposa também mudou. Nossa família está unida nova- mente. Sou uma pessoa diferente e agradeço a Jesus. Sabe, Maria Emilia, nunca me esquecerei do que você me falou sobre Jesus, nunca me esquecerei disso. Quando você conversou comigo, eu acreditei em Jesus, apeguei-me a Ele e sabia que Ele me salvaria”. Fiquei surpresa. Não sabia o que dizer. Ali estava o homem que três

Maria Emilia?

DIÁLOGO 17•1 005

anos antes tentou o suicídio. Agora estava completamente curado, sem nenhuma daquelas angústias e com os olhos refletindo paz e esperança. Não consigo me lembrar de nenhu- ma palavra que li para ele ao lado de sua cama no hospital. A única coisa de que me recordo é que Ii os Evangelhos, pois isso era tudo que eu conhecia da Bíblia naquela época para compartilhar com outros. Até pensei que estava per- dendo meu tempo; que o que estava fazendo não tinha sentido. Mas, três anos mais tarde, numa brilhante tarde de outono, aprendi a lição de minha vida: a Palavra de Deus tem poder para mudar vidas e ela cumprirá seu propósito. Conforme Deus prometeu há muito tempo através do profe- ta: “Assim será a palavra que sair da Minha boca: não voltará para Mim vazia, mas fará o que Me apraz e pros- perará naquilo para que a designei”.

María Emilia Schiller de Ponce, diplomada em Medicina e Teologia, é professora da Faculdade de Ciências da Saúde na Universidad Adventista del Plata, Argentina. Seu e-mail é:

facscrin@uapar.edu.

let’s talk!

Você gostaria de fazer um comentá- rio ou formular perguntas ao Pastor Jan Paulsen, presidente da Igreja Adventista do Sétimo Dia? Você pode fazê-lo atra- vés do site:

http://www.letstalk.adventist.org

O objetivo do site é estimular a comunicação entre os jovens adventis- tas de todo o mundo e o gabinete do Presidente da Associação Geral. Nesse mesmo site você também encontrará links úteis e bancos de dados acessíveis, referentes a perguntas e respostas sobre muitos tópicos. Verifique!

livros

Continuação da pág. .

antropologia e a teologia, bem como

implicações na filosofia e prática edu- cacional. Então examina as influências contemporâneas na educação, tais como

o

movimento da Nova Era e o descons-

trucionismo. Smith também discute o dualismo antropológico prevalente, que marca aqueles que lançam seus funda- mentos na alma humana, e os que enfa- tizam o papel do corpo. As conseqüên- cias pedagógicas de tal dualismo são muito importantes para a educação. Isso serve como prelúdio para a exposição da antropologia bíblica monista, que vê os seres humanos como seres integrais. Essa importante análise histórica permite revisar a crise e a confusão teo- lógica de nosso tempo. O capítulo se encerra efetuando uma criteriosa apre- sentação dos fundamentos bíblicos da educação, onde a esperança e a teologia se integram a fim de prover um melhor suporte para a teoria pedagógica. Um quadro didático sinótico resume o conteúdo do capítulo, mostrando as importantes diferenças existentes entre os modelos grego e hebraico, os quais foram estabelecidos a partir de quatro conceitos-chave que determinam a filo- sofia educacional: Deus, seres humanos, ética e tempo. O autor merece recomendação por sua habilidosa maneira de tratar concei- tos filosóficos e tendências sobre a filo- sofia e a prática educacionais. Pesquisa criteriosa e cuidadosa documentação adicionam peso ao livro, o qual será

muito útil a professores e alunos cristãos ao confrontarem as sérias questões sobre

a

filosofia e pedagogia.

 

Fernando Aranda Fraga (Ph.D. pela Universidade Católica de Santa Fé,Argentina) é o editor de Enfoques, uma revista acadêmica da Universidad Adventista del Plata. Seu e-mail: secinves@uapar.edu.

1

FÓRUM ABERTO Archaeopteryx: um réptil voador?

Estou intrigado com relação ao Archaeopteryx, um fóssil mencionado em muitos compêndios de ciência. Ele era uma ave ou um réptil? Suas caracterís- ticas e posição no registro fóssil apóiam a hipótese evolucionista ou a perspectiva criacionista?

Desde sua descoberta, em 1861, o Archaeopteryx lithographica (ver foto) foi sempre um fóssil controvertido. Sua descoberta invulgar proporcionou certa credibilidade à teoria darwinista da evolução. O Archaeopteryx apresenta um misto de características encon- tradas em aves, répteis e dinossauros terópodes, e por essa razão os cientistas se dividem com relação à sua origem, capacidade de vôo e posição na suposta seqüência evolutiva de répteis a aves. Os ornitólogos consideram-no como ave arbórea com traços característicos não usuais e numerosas características reptilianas, porém rejeitam a suposta descendência dos dinossauros. Por outro lado, a maioria dos paleonto- logistas vê o Archaeopteryx como um elo intermediário na evolução desde os dinossauros terópodes até às aves modernas. Para eles, o Archaeopteryx é um dinossauro alado que vivia em terra. Obviamente essa conclusão supõe que os dinossauros foram os ancestrais das aves. O Archaeopteryx apresenta várias características das aves: presença da fúrcula (clavículas fundidas), anato- mia dos dedos e do púbis, existência de ossos ocos e a presença de penas aparentemente modernas. Um estudo recente do crânio de um espécime de Archaeopteryx, feito mediante tomo- grafia computadorizada de alta reso- lução, revelou que seu cérebro tinha lobos iguais aos das aves modernas. Contudo, resultados semelhantes

foram observados em pterossauros (répteis voadores) usando a mesma

técnica. Logo, essa evidencia não favo- rece de forma conclusiva a natureza do Archaeopteryx como ave, pois os pte- rossauros (dinossauros) também têm

a mesma característica. A descoberta

recente de ossos ocos no Archaeopteryx também não é evidência definitiva favorável ao vôo ativo, pois algumas aves da família Bucerotidae (por exem- plo, o calau terrestre) também têm ossos bastante ocos, porém são voado- res deficientes. J. H. Ostrom (*) e outros paleonto- logistas sugerem que a similaridade entre o Archaeopteryx e os dinossauros terópodes é muito maior do que a

existente entre ele e as aves. Portanto,

o Archaeopteryx seria um dinossauro

com penas. De fato, um de seus sete espécimes bem conhecidos foi identi- ficado inicialmente como pterossauro, enquanto outros dois foram iden- tificados como Compsognathus (um dinossauro terópode). Essa identifica- ção errônea não foi causada por um

trabalho descritivo malfeito; o proble- ma é que os Archaeopteryx sem penas

– ou com penas que ainda não foram

identificadas – são extraordinariamente parecidos com o Compsognathus. É essa

a razão pela qual alguns paleontolo-

gistas não consideram o Archaeopteryx como ave, e sim como dinossauro alado. Há quem diga que o problema na caracterização do Archaeopteryx resi- de na perspectiva de quem está exami- nando o fóssil. Os paleontologistas também dis- cutem entre si se o Archaeopteryx era capaz de voar e se era terrestre ou

arbóreo. Estudos realizados sobre várias características anatômicas do Archaeopteryx – incluindo a simetria das penas, a anatomia das asas e a

massa muscular inferida – têm levado a conclusões contraditórias. Entretanto,

a maioria dos especialistas defende que

a posse de asas com penas constitui

um convincente argumento a favor da capacidade de voar. Os estudos publi- cados indicam que o mesmo conjunto de características pode ser interpretado de duas maneiras contraditórias, resul- tando em modelos bastante distintos para os hábitos do Archaeopteryx. Temos de reconhecer que, apesar do Archaeopteryx apresentar um mosaico de características de répteis e aves, suas asas bem desenvolvidas e penas com aparência moderna teriam exigido uma alteração evolutiva enorme que ainda não foi explicada satisfatoria- mente. A lacuna existente aponta para numerosos desafios ao cenário evolu- tivo proposto. O que existiu entre o Archaeopteryx e seus predecessores que não tinham asas e penas? Não foram descobertos quaisquer espécimes que

ilustrassem esse salto evolutivo. Não só precisamos propor modelos para a evolução das penas, mas também para

o surgimento de estruturas, órgãos e

fisiologia que tornassem possível seu uso efetivo. O desenvolvimento da capacidade de voar, a fim de que os répteis ancestrais se transformassem em aves, exigiria também a aquisição

de adaptações fisiológicas e anatômicas bastante complexas, incluindo o meca- nismo para manter constante a tem- peratura do corpo (as aves são home- otérmicas e os répteis pecilotérmicos),

a alta taxa metabólica (a dos répteis é pequena), e a perda de adaptações e órgãos que já eram plenamente úteis

e otimizados nos ancestrais. As penas deveriam ter co-evoluído juntamente com as estruturas que as controlam

e as tornam úteis para o vôo. Não se trata somente da aparência de uma

DIÁLOGO 17•1 005

Photo by Timothy Standish
Photo by Timothy Standish

cobertura de penas, mas também de um conjunto de características que contribui para a operação de uma estrutura bastante sofisticada. Pode-se indagar por que o Archaeopteryx (ou outro qualquer suposto ancestral das aves) teria tido asas ou precursores de asas durante milhões de anos, se esses órgãos não eram plenamente funcionais. De acor- do com a teoria darwinista, somente os mais bem adaptados sobrevivem, e as

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estruturas não vantajosas para a espécie desaparecem. A questão, portanto, é por que a evolução teria mantido uma estrutura durante milhões de anos até que ela se tornasse plenamente operacional? Se isso aconteceu, pode- mos então crer que a evolução tem a capacidade de prever as necessidades futuras de uma espécie, o que implica possuir ela poderes sobrenaturais. E se as estruturas fossem de fato plenamen- te funcionais, por que a seleção natural

“melhoraria” ou alteraria estruturas que já operavam adequadamente? Ficaria assim questionada a validade da sele- ção natural como motor da evolução. Nesse sentido, o Archaeopteryx não ajuda a resolver o mistério de como surgiu o vôo em termos de evolução, de quais foram os seus ancestrais ou de quando poderia ter ocorrido tal salto evolucional. O Archaeopteryx tem sido um enig- ma desde que foi descoberto, devido

à

combinação problemática de suas

características, muitas das quais são comuns a alguns dinossauros terópo-

des, outras partilhadas com os répteis,

e

outras ainda especificamente com as

aves. O mais notável é a presença de penas modernas naquilo que aparenta ser um corpo terapódico. Não surpre- ende que ornitologistas e paleontolo- gistas não entrem em acordo quanto à natureza desse animal. Creio que o Archaeopteryx foi uma criatura singular, com características que, talvez, não se consigam catalogar dentro de qualquer categoria atual de seres vivos. Sua origem e natureza parecem obscuras, e possivelmente ele seja apenas mais um exemplo da enor- me capacidade criadora de Deus.

 

Raúl Esperante (Ph.D. pela Loma Linda University) é paleontolo- gista do Geoscience Research Intitute em Loma Linda, Califórnia, EUA. Seu endereço eletrônico é resperante@univ.llu.edu.

Para um tratamento mais amplo deste assun- to, leia o artigo “O que é o Archaeopteryx?”, em Ciências das Origens n o 8 (2004), e também Timothy Standish, “Fossil Birds” em Geoscience Reports 87 (2004). O primeiro desses artigos pode ser encontrado em http://www.scb.org.br, em por- tuguês, e o segundo em http://www.grisda.org.

 

* J. H. Ostrom, “Archaeopteryx and the origin of birds”, Biological Jounal of the Linnean Society 8 (1976): 91-182.

VIDA NO CAMPUS você quer um emprego?

Humberto M. Rasi

Após anos de esforço e sacrifício, você está finalmente completando sua gradua- ção e antecipando o dia em que receberá o diploma. Em breve seus sonhos se tor- narão realidade. Você também está aguar- dando o momento de iniciar a carreira. Que expectativa! Mas como melhorar suas chances de encontrar um emprego com- patível com suas habilidades e que proveja satisfação pessoal? É claro, você está oran- do para que Deus continue guiando sua vida, assim como tem feito no passado. Aqui estão algumas informações para pen- sar, enquanto olha para o futuro.

Qualidades requeridas pelos empregadores

Um relatório recente apresenta 20 qualidades que os empregadores reque- rem nos candidatos potenciais a um emprego.*Verifique a relação e faça uma auto-análise honesta e cuidadosa para determinar quão bem qualificado você está para receber uma boa proposta de emprego:

1. Habilidades de comunicação (ver- bais e escritas).

2. Honestidade e integridade.

3. Habilidades interpessoais (bom rela-

cionamento com os outros).

4.

Motivação e iniciativa.

5.

Forte senso ético.

6.

Trabalho em equipe (trabalhar bem com os demais).

7.

Habilidades analíticas.

8.

Flexibilidade e adaptabilidade.

9.

Habilidades no setor de informática.

10.

Atenção aos detalhes.

11.

Habilidades de liderança.

12.

Habilidades organizacionais.

13.

Autoconfiança.

14.

Personalidade amigável.

15.

Tato.

16.

Boas maneiras.

17.

Criatividade.

18.

Notas acima da média.

19.

Habilidades empresariais.

20.

Senso de humor.

Razões para não conseguir um emprego

É possível que você tenha várias das qualidades listadas acima. Entretanto, que armadilhas deve evitar durante uma

entrevista de emprego? Um grupo de experientes recrutadores aponta 15 razões

mais comuns pelas quais os candidatos são

reprovados:

Vejo que você errou 50% das perguntas do teste… Talvez deveria considerar a possibilidade de tornar- se um meteorologista.

The Lighter Side of Campus Life.

ORIENTAçÃO VOCACIONAL
ORIENTAçÃO
VOCACIONAL

1.

Formulário mal preenchido, man- chado e com perguntas não respon- didas ou deixadas em branco

2.

Atraso sem justificativa na hora da entrevista.

3.

Desconhecimento da empresa em que pretende trabalhar.

4.

Aparência e higiene pessoal a dese- jar.

5.

Inabilidade de se expressar com pro- fundidade.

6.

Arrogância, atitude dominadora ou evidenciando agressividade em sua expressão corporal.

7.

Falta de entusiasmo ou interesse na oportunidade oferecida.

8.

Atitude negativa com relação aos supervisores e empregados com os quais trabalhou em outras empresas.

9.

Poucas perguntas sobre o trabalho e a empresa.

10.

O dinheiro parece ser a prioridade máxima.

11.

Quer iniciar no topo; alimenta grandes expectativas em curto espa- ço de tempo.

12.

Não possui metas profissionais cla- ras, planejamento pobre.

13.

Respostas ensaiadas, decoradas e artificiais.

14.

Atitude rude ou condescendente em relação a outros empregados.

15.

Não mostra comprometimento e

ainda pede o trabalho. No tempo mais oportuno durante a entrevista, pergunte cuidadosamente com relação ao esquema de trabalho no sábado. Desejamos que você obtenha sucesso na busca por um emprego. Que o Senhor o ajude a encontrar uma posição que favore- ça a aplicação de seus talentos a serviço dos semelhantes, permitindo que você seja Seu embaixador. *Fonte: Job Outlook 2004, preparada pela National Association of Colleges and

Employers dos Estados Unidos.

Humberto M. Rasi (Ph.D. pela Stanford University) é fundador e editor-chefe da Revista Diálogo. Após servir como obreiro e super- visor por quase 50 anos, ele ainda se lembra de sua entrevista para a otenção do primeiro emprego.

DIÁLOGO 17•1 005

A TAREFA Um jovem escalava lentamente um monte; um passo de cada vez. Cabisbaixo, sua
A TAREFA
Um jovem escalava lentamente um monte; um
passo de cada vez. Cabisbaixo, sua postura parecia
indicar que algo o incomodava. Talvez estivesse soli-
tário ou desanimado. Ele estava indo buscar orien-
tação de um homem sábio que morava no monte,
nos arredores da cidade. Ao entrar na casa do con-
selheiro, o jovem o encontrou lendo, envolvido em
seus pensamentos. “Com licença, senhor”, disse o
jovem um pouco hesitante. O idoso homem ergueu
seus olhos. Timidamente, com um gesto cortês e voz
angustiada, o rapaz disse: “Vim procurar sua ajuda
senhor”. Após uma breve pausa, continuou: “Tenho
alguns sonhos que creio poder realizar, mas ninguém
acredita que tenho a habilidade para isso. As pessoas
não me dão valor”.
O ancião continuou sua leitura. Após um
momento, disse: “Antes de poder dar-lhe algum
conselho, preciso de seu auxílio. Você pode me aju-
dar?”
Um pouco desapontado por ter suas próprias
necessidades ignoradas, o rapaz, não obstante, res-
pondeu: “Vou tentar, senhor”.
e mandou o jovem embora.
Finalmente, o rapaz chegou até o vendedor de por-
cos. Depois de examinar o anel por uns instantes com
suas mãos sujas, disse com um sorriso malicioso: “Diga
ao proprietário do anel que estou disposto a dar cinco
moedas de bronze por ele”.
“Cumpri a tarefa que me deu, senhor”, disse o jovem
quando voltou. “Ninguém no mercado está disposto a
dar cinco moedas de ouro pelo seu lindo anel”.
“Tudo bem”, respondeu o sábio. “Agora sabemos
quão pouco valor as pessoas do mercado dão a este
anel. Vá ao joalheiro da cidade e mostre-lhe o anel”.
Quando o joalheiro viu o anel de ouro, rapidamente
pôs-se de pé e usou um lenço de seda para segurá-lo
com cuidado. Pô-lo sob uma lâmpada, examinou-o
detalhadamente com uma lente de aumento. “Uma
obra de arte”, sussurrou. “Se o dono do anel está com
muita pressa, compro-o, eu mesmo, por 10 moedas de
ouro. Mas, se ele me der tempo para exibir toda a bele-
za desse anel, poderei achar um cliente rico disposto a
pagar pelo menos 20 moedas de ouro por ele”.
O sábio escutou atento o relato que o jovem alegre-
O homem se pôs em pé e alongando-se um
pouco, disse: “Talvez eu precise pagar uma gran-
de dívida futuramente, e para isso necessitarei de
dinheiro. Aqui está meu anel de ouro. Leve-o para
o mercado e descubra quanto posso ganhar por ele,
mas não aceite menos de cinco moedas de ouro. Lá
está o meu cavalo. Pode ir!”
mente trouxe, le então lhe disse: “Não deixe o ignoran-
te determinar quanto vale algo do qual ele nada conhe-
ce. Ouça apenas a avaliação do especialista habilitado
— aquele que pode reconhecer o verdadeiro valor de
uma obra de arte”.
E, com um sorriso, o homem sábio colocou o anel de
ouro de volta em seu dedo e despediu o jovem.
O jovem segurou fortemente o anel e, chegando
ao mercado, foi de banca em banca oferecendo o
anel em troca de dinheiro. O vendedor de frutas o
ignorou. O vendedor de roupas disse-lhe que não
estava interessado. O fazendeiro que estava venden-
do galinhas, continuou negociando com um cliente
Autor Desconhecido
DIÁLOGO 17•1 005
5

INTERCâMBIO

amplie sua rede de amizades

Estudantes universitários e profissionais adventistas leitores de Diálogo interessados em trocar correspondência com colegas em outras partes do mundo.

Luciana Abdo Villalobos: 20; solteira; cursando enfermagem na Universidade Nacional de Mar del Plata; interesses: organizar programas especiais da igreja, acampar e ajudar pessoas necessitadas; correspondência em espanhol. Endereço: Calle 42/29; Batan; 7601 ARGENTINA. Email:

aquiestoy_07@hotmail.com.

Thomas Aligaitah: 25; sol- teiro; cursando contabilidade; interesses: ler, música e tênis de mesa; correspondência em inglês. Endereço: Ahmadu Bello University, Accounting Dept.; P.M.B. 1013 Zaria; NIGÉRIA. Email:

aligaitahthomas@yahoo.co.uk. Lucila de Souza Alves: 23; soltei- ra; concluindo faculdade de educação física; interesses: fazer novos amigos, música e esportes; correspondência em português. Endereço: Rua Frei Henrique de Coimbra, 1063; Bairro Vila Anchieta, Lins, SP; 16400-000 BRASIL. Email: lucelyalins@bol. com.br. Lovella A. Baron: 29; solteira; formada em agronomia, atualmente lecionando; interesses: música e pas- seios na natureza; correspondência em inglês. Endereço: Timamana, Tubod, Surigao del Norte; 8406 FILIPINAS. Emerson Bastos: 23; solteiro; cursando inglês e literatura portu- guesa na UNISA; interesses: viajar, fazer novos amigos e aprender mais sobre o mundo; correspondência em português ou inglês. Endereço:

Colégio Adventista de Interlagos; Rua Antonio Le Voci, 363; Cidade Dutra,

DIÁLOGO 17•1 005

SP; 04809-220 BRASIL. Email:

sombas1@hotmail.com.

Christian Batchegane: soltei- ro; formado em literatura francesa moderna, atualmente cursando comu- nicação; interesses: jornalismo, novas tecnologias e esportes; correspondên- cia em francês ou inglês. Endereço:

B.P. 4030; Yaoundé; CAMARÕES. Email: chrisbat2002@caramail.com. Yves Bertelle: 33; solteiro; forma- do em marketing pela Universidade de Lausanne; interesses: esportes, música e viagens; correspondência em francês ou inglês. Endereço: Risoux 8; 1110 Morges; SUÍçA. Email:

ybertelle@freesurf.ch. Karina Calderón: 25; sol- teira; formado em marketing pela Universidade Adventista Dominicana; interesses: ler, cantar e ministério jovem; correspondên- cia em espanhol. Endereço: Casilda Portes Rojas #7; Las Enfermeras, Los Mina, Santo Domingo; REPÚBLICA DOMINICANA. Email: kcalderon23@hotmail.com ou K.calderon@bancredito.com.do. Ruth B. Camus: 31; solteira; cur- sando auxiliar de enfermagem no Hospital e Sanatório de Mindanao; interesses: viajar e conhecer outras culturas; correspondência em inglês. FILIPINAS. Email: yadnie26@yahoo. com. Ranel N. Canama: 30; solteiro; formado em teologia pelo Colégio de Mountain View; interesses: cantar, acampar, escalar montanhas e espor- tes; correspondência em inglês ou tagalog. Endereço: Zone 10, Purok

5, Upper Carmen; Cagayan de Oro City; 9000 FILIPINAS. Email: cana- ma_r@yahoo.com. Yolanda Cazon Nina: 23; solteira; curs