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Contextualização:

Zygmunt Bauman é um sociólogo polonês nascido em 1925, e seu falecimento


foi em 9 de janeiro de 2017 aos 91 anos. Iniciou carreira na Universidade de
Varsóvia. Publicou mais de quarenta livros, entre os quais a obra Modernidade
Líquida.

Modernidade Líquida foi publicada próximo ao ano 2000, na propalada virada


do século, sendo efetivamente lançado em 2001. Naquela época o mundo
estava em pânico, pois havia diversas previsões de panes tecnológicos em
programas e computadores espalhados pelo mundo, o famoso “bug do
milênio”, ou seja, as máquinas e aplicativos computacionais estavam escritos e
preparados para executar até 1999, o que exigia muitas adaptações para que
não houvesse um caos tecnológico nos diversos setores e segmento da vida
moderna.

Resenha:

No segundo capítulo de Modernidade Líquida, “Individualidade”, Bauman


apresenta duas visões distópicas sobre o trágico futuro do mundo referente as
obras de Huxley (Admirável Mundo Novo) e Orwell (1984). O autor começa
apontando o fato de que as distopias de Aldous Huxley e George Orwell.
Embora tenham diferenças claras entre eles, eles compartilhavam de um
pressentimento de um mundo controlado, a liberdade individual reduzida e
rejeitada por pessoas treinadas a obedecer ordens e seguir rotinas
estabelecidas. eles sentiam que o mundo estava indo em direção a uma
divisão cada vez maior entre os controladores e os controlados. Assim como a
incapacidade de Platão de imaginar uma utopia sem escravos, Huxley e Orwell
não conseguiam imaginar um mundo sem um controlador supremo.

Bauman, citando o geógrafo Nigel Thrift, supõe que os livros de Huxley e


Orwell seriam classificados como “discursos de Joshua”. O discurso da ordem
pela ordem, um sistema ‘’moderno’’ centralmente organizado e rigidamente
delimitado, onde a ordem é de extrema importância. O que sustentava o
discurso de Joshua era o sistema fordista, um modelo que em seu auge era
coincidentemente um modelo de industrialização,acumulação e
regulação,separando projeto de execução e liberdade de obediência. O que
permitiu o alto volume de vendas naquela época, mas o individuo não tinha
poder de escolha. Os empregados eram contratados apenas para uma função,
limitando suas potenciais habilidades e capacidades de desenvolvimento. O
modelo do fordismo era um sistema que se auto-reproduzia, orientado pela
ordem.

fordismo era a autoconsciência da sociedade moderna em sua fase “sólida”.


Nesse estágio, capital, administração e trabalho estavam condenados a ficar
juntos talvez para sempre. O capitalismo pesado estava fixado no chão,
amarrado a um lugar (como uma fábrica fordista) era obcecado por volume,
tamanho e fronteiras,isso deu às pessoas um sentimento de certeza,
previsibilidade e enraizamento. No entanto, toda essa solidez desaparece
no “capitalismo líquido”. O discurso de Joshua, então, começa a soar vazio.
introduzindo um novo nível de incerteza, já que, agora, não sabemos mais o
fim de nada.

No capitalismo leve e fluido, as autoridades não mais ordenam, mas sim


tentam seduzir e tornam-se agradáveis às pessoas que escolhem. Talvez seja
pela tal propalada diversidade de opções e escolhas que cada indivíduo possui
na modernidade liquida. Além disso, há uma cerda divisão no capitalismo
líquido, como a utilização da imagem de personalidades renomadas para
passar credibilidade ou mesmo certa autoridade nos produtos e serviços que
estão à disposição para o consumo.

A visão do capitalismo de Bauman é um pouco negativa, porém, cabe ao


individuo descobrir e potencializar suas capacidades intelectuais, manuais ou
mesmo físicas e aproveitá-las da melhor maneira possível para sua auto-
realização, ou seja, com a máxima eficiência possível, de preferência
alcançando a eficácia.

Em certo trecho do capítulo sobre a individualidade, o autor coloca “as


condições de vida em questão levam homens e mulheres a buscar exemplos, e
não lideres”, neste ponto poderia haver um debate sobre o ser líder e o ser
exemplo. No comportamento do consumidor, um das áreas estudadas é
justamente a abordagem sobre o efeito da beleza do corpo e da alma, sobre o
consumidor e as suas escolhas de consumo. Sendo que muitas vezes a alma,
o comportamento e as ações da pessoa em questão valem muito mais.
Bauman cita a fita cassete de Jane Fonda, em que ela ensina exercícios para
manter o corpo em forma e, ao mesmo tempo, atua como conselheira pós-
moderna ao definir que o corpo é sua propriedade e sua responsabilidade,
portanto, somente ela própria pode encontrar um jeito de deixá-lo adequado e,
caso não consiga, sempre será culpa dela própria. O corpo em seu vídeo, diz
Bauman, é seu próprio trabalho, seu esforço, seu tempo gasto, e Jane Fonda
se apresenta não como autoridade que conhece aquilo que deve ser feito, mas
como exemplo do que ela própria sinaliza que é correto, como objeto daquilo
que ela parece ser sujeito, ao mesmo tempo, traduz essa possibilidade de lidar
com o corpo como algo que pode ser feito por qualquer pessoa e inscreve nas
espectadoras a responsabilidade que elas próprias têm sobre seu sucesso ou
fracasso nesta missão.

Em relação ao corpo do consumidor, há uma distinção que é descrita quanto à


saúde e a aptidão, ou seja, a saúde é a condição na qual o individuo é capaz
de executar uma determinada função, seja física, como carregar um fardo ou
psíquica como realizar a operação financeira de um caixa de supermercado. A
aptidão vai além da saúde, no sentido de que estar apto significa ter um corpo
flexível, ajustável e resiliente. Diz respeito a quebrar todas as normas e superar
todos os padrões estabelecidos.

Se a sociedade de produtores coloca a saúde como o padrão de meta, a


sociedade de consumidores tem seu ideal na aptidão. A saúde demarca os
limites entre norma e anormalidade. é o estado próprio e desejável de corpo e
espírito. Refere-se a uma condição corporal e psíquica que permite a
satisfação das demandas do papel socialmente atribuído. O estado de aptidão
é tudo menos sólido, seu verdadeiro teste fica sempre no futuro: “estar apto”
significa ter um corpo flexível, ajustável, pronto para viver sensações ainda não
testadas e imprevisíveis. A aptidão diz respeito a uma experiência subjetiva: a
satisfação e o prazer são sensações precisam
ser subjetivamente experimentadas.

O consumidor entra em conflito pela amplitude das escolhas que estão


disponíveis ao seu redor, a angustia da tomada de decisão correta frente às
diversas alternativas, a responsabilidade do individuo livre pela sua decisão e o
risco assumido, fazem o processo do consumo cíclico e interminável. Mudar de
identidade implica em quebrar com os antigos preceitos, trata-se de uma
iniciativa privada e individualizada, porém, implica em assumir riscos e romper
determinados vínculos e certas obrigações.

Por fim, ele deixa uma reflexão sobre a individualidade que traz em si uma
competitividade mais agressiva, onde o individuo está só e depende somente
de si mesmo para fazer suas escolhas, pensamentos e ações ao invés de
unificar uma condição humana regida pela cooperação e solidariedade.As
pessoas sofrem por não serem capazes de possuir o mundo de maneira
suficientemente completa. Tendemos a ver as vidas dos outros como uma obra
de arte e, assim, lutamos para fazer o mesmo. Isso que queremos moldar
chama-se identidade. A busca da identidade é a incessante tentativa de
solidificar o fluido e de dar forma ao disforme. Porém, as identidades parecem
fixas e sólidas apenas quando vistas de fora. A identidade experimentada,
vivida, só pode se manter unida com o adesivo da fantasia, do sonhar
acordado. É a capacidade de “ir às compras”, de selecionara própria identidade
e de mantê-la enquanto desejo que se torna o verdadeiro caminho para a
realização das fantasias de identidade.

Resumo:

O segundo capitulo abrange a individualidade, na qual a liberdade individual é


incompleta, traz menos liberdade, e é mais controladora. Traz como exemplo o
capitalismo, que com seu poder exige um controle da população. No modelo
anterior de sociedade, modelo sólido, o trabalhador tinha sua responsabilidade
posta em somente um ponto da produção, sem necessitar conhecer o processo
completo, de ambiente opressivo e pouco favorável ao trabalhador. E
abordando um novo tipo de capitalismo, o capitalismo liquido.