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FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO

Uma das vantagens da utilização do computador com


uma clientela possuidora de especificidade tão
distintas - a instauração de uma situação de
aprendizagem na qual não há riscos de bloqueios
cognitivos em função de problemas emotivos ou de
Desde que o conceito de paradigma foi
faltas na capacidade de relacionamento. Segundo
proposto pelo físico americano Thomas Kuhn suas
Lolline (1991), como subsídio didático, o computador
idéias foram difundidas nas mais diversas áreas do
é um animal dócil e paciente. Diferentemente dos
conhecimento e vem contribuindo significativamente
seres humanos, não se queixa, não grita e não
para que profissionais das mais diversas áreas
castiga em caso de erro.
possam encontrar novas soluções para os
problemas modernos que se apresentam sempre
O computador se apresenta como uma
que existem mudanças sócio-econômicas.
máquina que repete docilmente o trabalho, responde
―... um paradigma é aquilo que os membros de uma perguntas, cala-se ao mero comando de uma tecla e
comunidade partilham e, inversamente, uma obviamente não provoca constrangimentos afetivos
comunidade científica consiste em homens que durante as situações de aprendizagem propostas.
partilham um paradigma‖ (Thomas Kuhn). Além de todos os aspectos já mencionados, o
portador de necessidades especiais poder encontrar
no computador um maior leque de opções do que as
oferecidas pela escola. Pesquisas futuras poderão
Os Paradigmas Educacionais apresentam ratificar a hipótese que dentre os motivos que
um novo desafio para educadores que tem em suas causam comportamentos alterados podem
mãos aqueles que em breve serão o futuro de desaparecer quando o aluno trabalha com uma
nossa nação. máquina que não perde a paciência, não julga e não
o apressa. Esta máquina não tem como suspirar
Atualmente o Brasil vive um momento único denotando impaciência, e acima de tudo, este aluno,
de crescimento e desenvolvimento sócio-econômico já tão estigmatizado poder trabalhar e produzir sem o
que vem mudando as classes sociais, medo da nota ou da comparação, que de maneira
proporcionando um crescimento do poder aquisitivo geral, acontecem em situações de aprendizagem.
e um baixo índice de desemprego que só não é
menor devido à falta de qualificação profissional
que o mercado exige, e quando falamos em falta de Deficiência Auditiva e Computador
qualificação profissional temos que entender que
isso se dá justamente pelo fato da baixa qualidade Vários especialistas em problemas cognitivos
na educação oferecida em todos os níveis, seja no e linguísticos de deficientes auditivos têm enfocado
ensino fundamental, no ensino médio ou ensino as relações entre algumas dificuldades cognitivas dos
superior. surdos e questões relativas ao desenvolvimento de
suas características simbólico-verbais. Fernandes
(1990), reportando-se a Myklebust (1964), afirma que
"A principal meta da educação é criar homens que as operações mentais mais afetadas pela surdez "
sejam capazes de fazer coisas novas, não são as que requerem facilidade simbólico verbal".
simplesmente repetir o que outras gerações já Apesar da possibilidade do desenvolvimento de uma
fizeram. Homens que sejam criadores, inventores, linguagem própria, o domínio desta linguagem não
descobridores. A segunda meta da educação é seria suficiente para que as crianças surdas
formar mentes que estejam em condições de pudessem suprir as várias necessidades relativas a
criticar, verificar e não aceitar tudo que a elas se ausências de um código simbólico-verbal específico
propõe." (Jean Piaget) como o usado por qualquer falante normal.

A educação especial frente às novas A interação do computador com o surdo


tecnologias poder representar um passo a frente no que diz
respeito à educação, porém é preciso que se
reconheça a necessidade da interdisciplinaridade
para que se possa, de fato, criar e implementar
O Computador e o Portador de Necessidades
programas que facilitem o aprendizado desta
Especiais
clientela que detém uma gama incrível de
especificidades.
A informática e o computador podem se No Rio de Janeiro, há experiências no INES
tornar grandes aliados do portador de necessidades
(Instituto Nacional de Surdos) que inserem no
especiais. Entretanto, precisam ser encarados de
trabalho pedagógico a Linguagem LOGO. Além
forma realista e não como a panacéia para uma
disso, pesquisas na área de informática e surdez vêm
problemática, até hoje ainda sem solução. sendo desenvolvidas em várias Universidades
brasileiras, tanto na área de produção de softwares

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educativos, quanto na área da engenharia associados como cegueira, surdez, deficiência
Biomédica. mental, etc..

Um exemplo é a pesquisa de Doutorado de Todo este quadro clínico - variável e diverso


Silva desenvolvida na Unicamp, em parceria com a e deve-se a uma lesão do encéfalo, antes, durante
UERJ e UFRJ que pretende o desenvolvimento de e/ou após o parto, provocada por infecções como
um software educativo com o objetivo de facilitar o menigite, encefalite, distúrbios respiratórios graves,
processo de alfabetização, tendo a língua de sinais traumatismos, desnutrição, etc.
como fio condutor.
A informática parece ter caminhado bem
Deficiência Visual e Computador mais rapidamente na área da medicina do que na
área educacional, no que se refere à reabilitação e a
Assim como o deficiente auditivo, o facilitação da vida social do deficiente físico e do
deficiente visual já pode utilizar o computador como portador de paralisia cerebral. Entretanto, pode-se,
uma ferramenta a mais em sua vida acadêmica. O também, inferir que esta clientela em muito se
sistema operacional DOSVOX, desenvolvido pelo beneficia, no campo educacional, com a inserção do
Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade computador em sua vida escolar.
federal do Rio de Janeiro, sob a supervisão do
analista José Antonio Borges, permite que pessoas Crianças com dificuldade de pegar um lápis
cegas utilizem um microcomputador, através do uso devido a paralisias podem utilizar o teclado, seja para
de sintetizador de voz para desempenhar uma série escrever, desenhar ou colorir, e, com o computador,
de tarefas, adquirindo assim um alto nível de a produção e ilustração de textos torna-se mais
independência no estudo e trabalho. estética. Além disso, para os portadores de
problemas motores o desenho é quase sempre tarefa
Além do DOSVOX, os cegos também muito árdua. Ilustrar um texto com o ferramental
podem ter acesso a INTERNET através do disponível no computador para aqueles portadores
DOSVOX/DISCAVOX que é um programa que desta dificuldade torna-se um feito artístico e estético.
permite o acesso à Internet através de uma linha
telefônica e de um Fax Modem. Os textos vindos da Para o portador de paralisia cerebral a
Internet são sintetizados em fala na língua experiência educativa com o computador significa a
portuguesa, esta infraestrutura viabiliza ao cego a oportunidade de desenvolver atividades desafiantes
navegação pela rede, uma fonte quase inesgotável tanto no campo educacional quanto no de
de cultura. diagnóstico. Além disso, a grande maioria das
experiências demonstram que o trabalho pedagógico
Deficiência Física e Paralisia cerebral e apoiado pela informática propicia uma compreensão
Computador mais profunda da capacidade intelectual da criança
por sobrepujar a deficiência ao ser capaz de uma
Segundo Henrriques (1990), a terminologia produção mais estética.
mais correta para definir este quadro seria No Brasil, várias universidades públicas
Encefalopatia Crônica da Infância. Encefalopatia (UFRJ/UERJ/UNICAMP/UFRGS) desenvolvem
porque a lesão - de toda a massa encefálica que pesquisa nesta área. Também, algumas secretarias
está contida no crânio; crônica porque persiste por de educação já possuem programas de informática
toda a vida e da infância porque pode se apresentar aplicada à educação específicos para esta clientela,
desde o nascimento até - os três anos de idade. entre elas, podemos citar a Secretaria Municipal de
Educação do Rio de Janeiro.
Em função da desinformação sobre o que é
a paralisia cerebral, o portador desta deficiência é,
muitas vezes, tratado como portador de deficiência Autismo
mental e/ou física.
É necessário frisar que estas crianças
A paralisia cerebral atinge áreas do cérebro possuem um perfil bastante idiossincrásico, o que em
responsáveis pelo movimento e equilíbrio das muito dificulta o processo pedagógico. Embora haja
pessoas, podendo ainda provocar alterações de uma grande dificuldade em se obter diagnósticos
fala, audição, fala, visão, percepção, precisos, vale ressaltar que estas crianças costumam
comportamento, além de crises convulsivas e apresentar algumas e até muitas das seguintes
deficiência mental. Deste modo, os portadores de características: (a) não se misturam com outras
paralisia cerebral podem apresentar alterações crianças; (b) agem como se fossem surdas; (c)
neuro-musculares que se evidenciam por um resistem ao aprendizado; (d) não demostram medo
quadro de espasticidade (rigidez) ou por um quadro de perigos reais; (e) resistem a mudanças de rotina;
de hipotonia (flacidez), com movimentos (f) usam pessoas como ferramentas; (f) têm risos e
descoordenados, com dificuldade de pegar objetos, movimentos não apropriados; (g) resistem ao contato
falta de equilíbrio e, às vezes, com outros distúrbios físico; (h) têm acentuada hiperatividade física; (i) não
mantém contato visual; (j) têm apego não apropriado

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a objetos; (k) giram objetos de maneira bizarra e Inclusão x Inserção
peculiar; (l) as vezes são agressivos e destrutivos; e
(m) apresentam modo e comportamento indiferente A Lei de Diretrizes e Bases de 1996 aponta
e arredio. para a inclusão em escolares regulares do portador
de necessidades educativas especiais, mas, também,
A idiossincrasia comportamental dos assegura o atendimento educacional em classes,
portadores desta Síndrome têm, sistematicamente, escolas ou serviços especializados sempre que, em
os afastado dos bancos escolares. A função das condições específicas dos alunos, não for
impossibilidade de relação com o meio-ambiente possível a sua integração nas classes comuns de
torna o autista um cidadão alijado do processo ensino regular. (LDB,1996).
educacional.
A inclusão de crianças portadoras de
A fortaleza intransponível refletida pelo necessidades especiais no sistema regular de ensino
mundo autista poder encontrar no computador um é possível desde que sejam considerados, entre
aliado. Algumas experiências apontam para a outros, alguns dos seguintes aspectos: (a) grau de
possibilidade de integração entre estas crianças e a comprometimento das crianças especiais a serem
máquina. O computador abre, assim, uma porta de inseridas em turmas regulares; (b) atendimento
entrada para este mundo tão desconhecido. Serão multidisciplinar; (c) preparação dos profissionais de
necessários, ainda, muitos anos de tentativas para ensino; (d) condições físicas das escolas; (e) número
que se obtenham respostas. de crianças por turma; (f) recursos materiais; (g)
visão interdisciplinar do currículo.
Por todos estes motivos não há como se
alijar o computador do processo ensino- Segregar crianças severamente
aprendizagem. Ao analisarmos o progresso da comprometidas para um atendimento mais
Informática, podemos concluir o quanto esta é uma individualizado na primeira infância pode se tornar
ciência abrangente e dinâmica, uma vez que, além um fator de integração social futura; além disso, há
de combinar aplicações de todas as áreas do crianças que dificilmente serão incluídas no processo
conhecimento, seus usos são praticamente educacional regular em função de sua atipicidade
ilimitados. comportamental o que demandará da educação
especial a busca de alternativas educacionais
Para finalizar, é fundamental que se específicas para esta ou aquela forma de
ressalte que cada indivíduo portador de atendimento.
necessidades educativas especiais é um universo
ainda muito desconhecido para aqueles que A inclusão/integração não é, portanto, uma
organizam e implementam programas panacéia a ser aplicada indistintamente em toda e
educacionais; se faz necessário uma abordagem qualquer criança. A escola precisa saber o seu
multidisciplinar/interdisciplinar e muita humildade potencial de atuação para que não se comporte de
para admitir que ou muito pouco se conhece no forma demagógica com relação a estas crianças.
campo das necessidades educativas especiais.
A mera inserção de crianças portadoras de
Os resultados destas experiências apontam necessidades educativas especiais em turmas/
tanto para a possibilidade de inclusão do portador escolas regulares não garante a inclusão, de fato,
de necessidades educativas especiais em turmas destas crianças no processo educacional. É
regulares, quanto para a inesgotável possibilidade necessário que não se paralise frente as diferenças,
de uso da informática no cotidiano escolar. mas também torna-se fundamental que se redesenhe
Entretanto, vale ressaltar que tanto a inclusão do o papel da escola. Para tanto, o respeito às
portador de necessidades educativas especiais diferenças e às diferentes falas devem estar
quanto a inserção de novas tecnologias no presentes no cotidiano escolar. Inserir todos estes
cotidiano escolar vão depender da aspectos na prática pedagógica demandará do
instrumentalização do professor para resgatar a educador uma postura crítica frente a inclusão destas
intencionalidade de sua prática, a dimensão social crianças, assim como exigirá do educador a
da mesma e fundamentalmente uma tomada de intencionalidade de sua prática. Incluir significa muito
consciência de seu próprio fazer pedagógico. mais do que inserir. Não podemos mais ser reféns de
posturas ideológicas que em muito pouco contribuem
Vale a pena reiterar que a mera inserção de para a qualidade da educação. Incluir - sim - sempre
novas tecnologias no cotidiano escolar não que for possível, incluir, sim, sempre que esta
garantirá a melhoria da qualidade de ensino, assim inclusão signifique melhoria da qualidade de vida do
como a mera " inserção" do portador de indivíduo e, desta forma, contribua para a sua real
necessidades educativas especiais em escolas inclusão social, garantindo-lhe sua cidadania plena.
regulares não garantirá uma presente e certamente
futura exclusão social desta clientela.

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serve como veículo de transmissão das ideias da
classe dominante, cujo papel é muito importante na
perpetuação das condições sociais já existentes.
Apesar das transformações sofridas no
decorrer da história, a escola representa a Existe uma tendência em considerar-se
Instituição que a humanidade elegeu para socializar instrução somente aquela que ocorre em escolas, ou
o saber sistematizado. Isso denota afirmar que é o seja, o ensino formal. Mas como diz Brandão: ―Não
lugar onde, por princípio, é difundido o há uma forma única nem um único modelo de
conhecimento que a sociedade estima necessário educação; a escola não é o único lugar onde ela
transmitir às novas gerações. Nenhuma outra forma acontece e talvez nem seja o melhor; o ensino
de aparelhamento foi capaz de substituí-la. escolar não é a sua única prática e o professor
profissional não é o seu único praticante.‖ Assim,
―Da maneira como existe entre nós, a considera-se ensino e educação todo procedimento
educação surge na Grécia e vai para Roma, ao que tem por intento intervir na conduta humana.
longo de muitos séculos da história de espartanos,
atenienses e romanos. Deles deriva todo o nosso Atualmente, quiçá pela falta de tempo da
sistema de ensino e, sobre a educação que havia maioria dos pais, é imposta à escola toda a
em Atenas, até mesmo as sociedades capitalistas responsabilidade em relação à educação dos alunos.
mais tecnologicamente avançadas têm feito poucas Mas não pode ser desse modo. Por mais que a
inovações‖ (Brandão, 2005). escola se encoraje e tenha consciência da sua
função, ela jamais poderá suprir a família. O papel
Dentro de cada organização existem dos pais na educação é de extraordinária importância
classes sociais em posições elevadas, as quais para a formação integral do educando, pois os filhos
criam e impõem um tipo de educação que visa a espelham-se nos atos dos genitores para construir
atender interesses particulares e reforçar, cada vez modelos de personalidade e caráter para a própria
mais, o poder dos privilegiados. E as escolas vida.
transformaram-se nas instituições que mais têm
colaborado para a efetivação desses objetivos, visto A escola não pode continuar a ser uma
que sempre estiveram sobre o controle do estado. clínica de abortos. Os que fracassam na escola
tendem a ser excluídos da sociedade. Detrás do
Apesar das modificações conferidas na insucesso escolar encobrem-se aflições, frustrações,
estrutura do ensino brasileiro no decorrer dos anos, amarguras, enfim, sofrimentos. A impulsiva
nenhuma delas instituiu um sistema educacional fabricação do malogro escolar não se restringe a um
onde todos tivessem os mesmos direitos, onde a problema educacional. Trata-se de um problema
intenção principal seria a concepção do homem social, cultural e até econômico. Com o fracasso
com plena autoridade dos próprios meios de escolar justificam-se, posteriormente, mais tumultos
libertação; um homem erudito, livre, inteligente e sociais, mais cadeias, mais clínicas psiquiátricas.
crítico, que não se deixa manipular e que pode
influenciar o estilo de vida e o futuro do país. A educação não pode ser meramente um
processo de influência e reflexão do passado sobre o
Sabe-se que só existem três maneiras de se presente. Deve ser uma ciência que permita ao
transformar uma sociedade: guerra, revolução e educando se automedicar, acordar a consciência e a
educação. Dentre as três, a Educação é a mais responsabilidade mediante valores essenciais à vida.
viável, a mais passiva, porém a que os efeitos só se Uma das finalidades da educação é autorizar que os
tornam visíveis em longo prazo. jovens se concretizem por meio da ação e do esforço
pessoal para procurar e transformar os valores
―Se teus projetos têm prazo de um ano, culturais do passado, adaptando-os à realidade.
semeia trigo; se teus projetos têm prazo de dez
anos, planta árvores frutíferas; se teus projetos têm Os pais, os mestres e a própria instituição
prazo de cem anos, então educa o povo.‖ educacional têm como objetivo imprimir a cultura,
(Provérbio chinês). mas não apenas. Também têm como desígnio ajudar
o jovem a desenvolver a capacidade de criar suas
O sistema educacional brasileiro próprias formas de cultura; promover ao jovem o
fundamenta-se numa filosofia de racionalização e desenvolvimento das habilidades pessoais para que
democratização do ensino, mas na realidade atesta ele mesmo seja capaz de cogitar sobre o que lhe é
a existência de mecanismos rígidos de seleção e transmitido, de aceitar, mas acatar com espírito
burocratização, que o configura como elitista. crítico, independência, liberdade e consciência.

A educação deveria servir como Para John Dewey, ―a educação não é algo
mecanismo de libertação do homem. Esse, por que deva ser inculcado de fora, mas consiste no
meio da educação formal, deveria colaborar para o desenvolvimento de dons que todo o ser humano traz
desenvolvimento do país e, acima de tudo, usufruir consigo ao nascer.‖ Destarte, a educação não seria
dos resultados. Porém, tem-se uma educação que um processo de difusão ou de imposição dos valores

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culturais assimilados pelas gerações mais velhas;
não seria algo estruturado deliberadamente pelas
instituições, mas germinaria da alma do ser
humano.

Toda vez que se reflete sobre a educação,


precisa-se, em princípio, ponderar-se no ser em
que vai processar-se a educação: o homem. Esse,
não apenas como elemento do educativo, mas
como atuante do processo educacional. É o homem
No sentido etimológico, o termo projeto vem do latim
que individualiza e estabelece a estrutura, os fins e
projectu = lançado. É particípio passado do verbo
os objetivos da educação que pretende. Uma
projicere, que significa lançar para frente. É um
educação para o homem que convive, e não para o
plano, intento, desígnio. Empreendimento. Plano
indivíduo absorto; para o homem que encara a vida,
geral de edificação.
que busca situar-se, que aspira ser.
Analisando com mais minúcia a etimologia do termo
Projeto Político Pedagógico, será mais fácil
familiarizar-se com o que ele diz em suas
entrelinhas:

PROJETO = vem do latim PROJICERE que significa


lançar para frente;

POLÍTICA = refere-se à ciência ou arte de governar;


orientação administrativa de um governo; princípios
diretores da ação; conjunto dos princípios e dos
objetivos que servem de guia a tomadas de decisão e
que fornecem a base da planificação de atividades
em determinado domínio; modo de se haver em
qualquer assunto particular para se obter o que se
deseja; estratégia; táctica;(Do grego politiké, «a arte
de governar a cidade»).

PEDAGÓGICO = relativo ou conforme à pedagogia;


que é teoria da arte, filosofia ou ciência da educação,
com vista à definição dos seus fins e dos meios
capazes de os realizar;

“Projeto Político Pedagógico: ação intencional.


Compromisso sócio-político no sentido de
compromisso com a formação do cidadão, para um
tipo de sociedade e Pedagógico: no sentido de definir
as ações educativas e as características necessárias
às escolas para que essas cumpram seus propósitos
e sua intencionalidade”

Finalidade

Toda escola deve ter definida, para si mesma e para


sua comunidade escolar, uma identidade e um
conjunto orientador de princípios e de normas que
iluminem a ação pedagógica cotidiana.

O Projeto político pedagógico vê a escola como um


todo em sua perspectiva estratégica, não apenas em
sua dimensão pedagógica. É uma ferramenta
gerencial que auxilia a escola a definir suas
prioridades estratégicas, a converter as prioridades
em metas educacionais e outras concretas, a decidir
o que fazer para alcançar as metas de
aprendizagem, a medir se os resultados foram

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atingidos e a avaliar o próprio desempenho.

O PPP é diferente de planejamento pedagógico. É


um conjunto de princípios que norteiam a
elaboração e a execução dos planejamentos, por currículo escolar, planejamento e avaliação,
isso, envolvem diretrizes mais permanentes, que interação professor/aluno, recursos didáticos
abarcam conceitos subjacentes à educação:

- Conceitos Antropológicos: (relativos à Prática Pedagógica


existência humana)
- Conceitos Epistemológicos: aquisição do Organizando a sala de aula
conhecimento
- Conceitos sobre Valores: pessoais, morais, Uma professora mineira, do Vale do
étnico... Jequitinhonha, costuma dizer que precisamos de
- Político: direcionamento hierárquico, regras... escola que dêem, às crianças e aos adolescentes,
"passaporte para viajar pelo mundo e também para
escorregar nos anéis de Saturno com Emilia,
Importância de um Projeto para a escola Narizinho e o Visconde; que lhes apresente Alice, a
que sabe o caminho no "País das Maravilhas", e os
A relevância de um projeto escolar consiste no transforme em desbravadores das infinitas terras do
planejamento que, evita improvisação, serviço Conhecimento". Para ela uma escola assim
malfeito, perda de tempo e de dinheiro. certamente faz muita diferença na vida de seus
Com planejamento, fica bem claro o que se alunos.
pretende e o que deve ser feito para se chegar
aonde se quer. Um bom Projeto Político Você não acha que a professora tem razão?
Pedagógico dá segurança à escola. Escolhem-se Escolas como essas não são nunca esquecidas. Mas
as melhores estratégias o que facilita seu trabalho, qual é a essência de escolas assim? Seguramente,
pois o mesmo está fundamentado no Projeto que ela está naqueles que lhes dão vida: o gestor, a
norteia toda Unidade Escolar. Isso se faz equipe pedagógica, os funcionários e os alunos, com
imprescindível para se ter um rumo, visando suas respectivas famílias. São essas pessoas que
obtenção de resultados de forma mais eficiente, fazem a diferença nas escolas: emprestam-lhe luzes,
intensa, rápida e segura. fazem com que brilhem e saiam da vala comum.
Você pode perguntar agora: mas quais são as
A escola deve buscar um ideal comum: fazer com características de uma equipe pedagógica assim?
que todos os alunos aprendam. Uma boa sugestão Para nós, escolas que despertam vocações
é nomear comissões de pais e encarregá-las de produzem profissionais felizes e mais qualificados
organizar campeonatos esportivos nos finais de estão intensamente envolvidas com o conhecimento.
semana na quadra da escola, cuidar dos banheiros Por essa razão, contagiam seus alunos, fazem com
ou da biblioteca. que se apaixonem por aprender, constroem novas
idéias, enfrentam desafios e buscam soluções.

Mas como elas atuam? A resposta é simples:


sempre em favor dos alunos. Todos que trabalham
nessas escolas sabem que as crianças e os jovens
precisam aprender e que não podem perder tempo. É
por essa razão que agilizam o tempo pedagógico, em
especial na sala de aula: a chamada não ocupa
metade do período; a classe nunca fica à toa,
esperando o professor preparar a aula ou corrigir
cadernos dos alunos. Para essas pessoas, todo o
período escolar é usado em prol da aprendizagem, e
elas se esforçam para que todo o tempo disponível
se transforme em tempo útil para aprender de
maneiras diferentes e interessantes.

Nas escolas em que trabalham, já se espera


que haja um certo ruído típico dos diálogos, da troca
de idéias, dos debates do arrastar de móveis, para
permitir trabalhos em grupo. Da mesma forma, em
suas escolas há muitos materiais pedagógicos,
muitos jogos, muitos livros, que podem ser
encontrados na própria sala de aula ou guardados
em locais em que os alunos e professores possam
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pegá-los e levá-los para lá. O bom gestor sabe que Uma sala de aula suja, de aspecto
esta é uma questão importante: todo o material de desleixado, com cadeiras quebradas, é o primeiro
trabalho está na escola para ser usado, e não para indício de que algo vai mal com a classe e com o
ser guardado a sete chaves, para que não se professor. Ninguém gosta de estar em um ambiente
"estrague". feio e mal cuidado. A hostilidade do ambiente causa
desprazer, e o desprazer repercute na aprendizagem.
Equipes escolares que fazem a diferença A forma como arrumamos a sala de aula reflete,
trabalham como um time: de forma integrada, ainda, a concepção de aprendizagem daquele que
articulada, planejada. Todos os seus membros ensina: cadeiras enfileiradas, com alunos um atrás do
sabem que ensinar é um ofício sofisticado que vai outro, indicam que se espera apenas atenção aos
ganhando em competência na medida em que é ensinamentos do mestre, sem conversas entre
exercitado sob a coordenação de um gestor que colegas nem confronto de idéias. Quando a sala é
tem compromisso com o sucesso de todos. "viva", isto é, quando seu arranjo muda em função da
tarefa, ela evidencia uma distinta concepção do
Mas um bom profissional não se faz de uma significado de aprender: um ato dinâmico,
hora para outra, nem do dia para a noite. Em estimulante e instigante, do qual todos querem,
especial, ele não se faz sozinho: a troca com os podem e devem participar.
colegas, as sugestões recebidas, os modelos de
atuação observados, a orientação de um diretor A dinâmica da sala de aula
experiente são essenciais para a constituição de A interação professor/aluno
um bom professor. É no intuito de colaborar com
você que sugerimos algumas pistas que podem A sala de aula é o espaço no qual professores e
ajudá-lo a fazer parte da história de vida de seus alunos se encontram e interagem em torno do
professores. Vale a pena tentar! Mostre aos conhecimento. Essa interação, que constitui a
professores que: dinâmica da sala de aula, é em grande parte
decorrente da forma como o professor vê o processo
1- A rotina escolar deve ser usada em proveito de ensino-aprendizagem. A idéia que se tinha no
dos alunos e do professor. passado, de alunos como pessoas relativamente
fáceis de serem moldadas e dirigidas a partir do
Quantas vezes você não passa por salas exterior, não existe mais. Foi substituída pelo
de aula em que há uma gritaria constante do entendimento de que, ao contrário, eles selecionam
professor e dos alunos? Quantas vezes você não determinados aspectos do meio físico e social, os
escuta: "Professora, acabei a lição! E agora, o que assimilam e processam, conferindo-lhes significados.
é que eu faço?". Você já parou para pensar nos Com isso, a concepção de aprendizagem muda
motivos que levam as coisas a serem assim? Você radicalmente.
já se deu conta de que tempo gasto em bobagem é
tempo "roubado" da aprendizagem dos alunos? Se antes a aprendizagem era vista como produto
Para que esse ambiente deixe de ser tumultuado e exclusivo do comportamento do professor e da
se transforme em produtivo, é fundamental que se metodologia de ensino adotada, agora as
esclareça, para os alunos, qual vai ser a rotina contribuições dos próprios alunos são ressaltadas:
diária dos trabalhos. Essa informação ajuda a seus conhecimentos, capacidades e habilidades
orientar, torna-os mais autônomos e, melhor ainda, prévias; sua percepção da escola e do professor;
libera o professor para ajudar aqueles que estão suas expectativas e atitudes diante do ensino. É com
precisando de auxílio. crianças e jovens que já contam com tudo isso que o
professor tem de lidar em sala de aula: uns são mais
2- É importante estabelecer as regras do jogo. cordatos, outros mais difíceis; uns acatam, outros
resistem. Pouco a pouco, os alunos vão se
Professor competente investe, junto com apropriando dos ensinamentos da escola, à luz do
seus alunos, na construção coletiva das regras de que já conhecem. Nessa medida, constroem seus
conduta, definindo os direitos e os deveres que conhecimentos.
regularão o cotidiano em sala de aula. Esse
professor sabe que é preciso envolver os alunos na Mas, como vimos, nossos alunos não constroem
definição do que é possível e aceitável em sala de sozinhos seus conhecimentos. O caráter construtivo
aula, deixando claro que as regras acordadas da aprendizagem só aparece na interação mantida
podem sempre ser mudadas, caso deixem de ser com os professores e colegas. A construção do
consensuais. Isso implica constante negociação, conhecimento é, portanto, um processo coletivo, que
mas permite ao professor apelar, sempre que envolve alunos, professor e conteúdos de
necessário, ao acordo firmado pela classe. aprendizagem. Compete ao professor ajudar seus
alunos a se apropriar dos conteúdos escolares. Mas
3- A sala de aula precisa ser um lugar bonito e em que consiste o auxílio que o professor deve dar?
organizado. Tudo indica que a "boa" ajuda está diretamente
ligada à forma como o aluno é percebido.
Se ele for visto como competente, menores serão o

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direcionamento e o nível de ajuda fornecido pelo " Introduzir um conteúdo novo fazendo perguntas,
professor. E vice-versa: para uma percepção de problematizando situações, verificando quais são as
menor competência, maior a ajuda e o hipóteses dos alunos sobre o assunto.
direcionamento. Claro que quanto mais afinado o " Empregar tarefas diversificadas, compatíveis com o
"olhar" do professor com a situação efetivamente nível de dificuldade dos alunos e adequadas às suas
vivida pelo aluno, mais ajustado será seu auxílio e necessidades.
mais eficaz seu ensino. Em outras palavras a " Oferecer material de consulta variado e relevante.
eficácia do ensino depende, em grande parte, de " Criar condições para os alunos sistematizarem os
quanto as intervenções realizadas pelos conteúdos aprendidos, usando estratégias de fixação
educadores são compatíveis com o nível de e, em especial, de aplicação dos novos conceitos.
dificuldade que os alunos enfrentam: mais " Incentivar o pensamento independente.
dificuldades, maior a ajuda; menos dificuldades, " Encorajar a autonomia do aluno.
menor a ajuda, até que ela se torne dispensável, " Abrir possibilidades efetivas de obtenção de ajuda
pois o aluno aprendeu. para todos.
" Avaliar sistematicamente a aprendizagem.
Nesse sentido, é importante destacar que se a " Fazer dos erros cometidos pelos alunos
ajuda é essencial para a aprendizagem, ela é, ao oportunidades de aprendizagem.
mesmo tempo, transitória. Diminui e, " Propiciar ocasiões para recuperação e reforço da
eventualmente, desaparece à medida que o aluno aprendizagem.
ganha, na percepção do professor, autonomia e " Retomar os conteúdos aprendidos antes de
responsabilidade. Podemos dizer, então, que a introduzir novos.
interação social em sala de aula, para ser produtiva,
requer algumas condições.Assim, para se
beneficiar da ajuda do professor, é preciso que ela: Professor é uma peça chave no processo de
aprendizagem de seus alunos, mas não é a única. Os
 Seja percebida como necessária. próprios colegas constituem, em determinadas
circunstâncias, influência educativa importante na
 Corresponda à necessidade de quem a aprendizagem, um papel antes reservado apenas ao
recebe. professor.

 Seja formulada de forma compreensível. Mas por que se diz em algumas


circunstâncias? Na verdade, porque é, sobretudo, em
 Seja prestada tão logo a dificuldade se atividades que envolvem colaboração que os alunos
manifeste. conseguem atuar como docentes, ensinando seus
companheiros. Se essa atividade for competitiva,
 Possa ser utilizada assim que for recebida. pouco ou nenhum impacto é observado: um aluno
impõe seu ponto de vista aos outros, e ponto final. De
Os desafios da interação igual maneira, nada se ganha quando não há o que
trocar.
Se a interação social é central na
aprendizagem, ela também traz muitos desafios. Esse é caso quando todos têm a mesma
Como o professor deve proceder, ao tentar retirar visão sobre o assunto. Em tarefas de colaboração,
paulatinamente a ajuda que oferece? Que por sua vez, o resultado na aprendizagem é evidente:
procedimentos utilizam para verificar se o aluno todos progridem mais do que em atividades
realmente aprendeu? O que faz, ao se dar conta de realizadas individualmente pelos mesmos alunos.
que a aprendizagem não ocorreu? Por que, em Isso significa que tarefas em colaboração promovem
certas condições, parece ser tão difícil ensinar? o progresso intelectual porque:
Que papéis desempenham, nessa dificuldade, a " Levam cada membro do grupo a estruturar melhor
natureza da tarefa e a dos conteúdos a serem sua atividade, ao explicá-la e articulá-la com os
trabalhados? Claro que não há respostas prontas, demais.
mas é possível fazer algumas suposições. Assim, " Facilitam a compreensão, levando ao
diríamos que o professor eficiente é aquele que, aprimoramento e/ou ao aparecimento de novas
quando interage com seus alunos, segue um roteiro competências individuais.
cujos principais pontos são: " Promovem o diálogo de pontos de vista diferentes,
de modo que se pode comparar a própria visão com
Estabelecer, no começo do ano escolar, a rotina a alheia.
diária e as regras de conduta a serem seguidas por " Permitem identificar a natureza da divergência
todos. existente entre as posições em jogo.
" Conhecer bem os alunos: suas competências,
seus conhecimentos e habilidades, bem como suas Trabalho diversificado
referências socioculturais e seus interesses.
" Preparar bem a aula, articulando o que os alunos Grande parte do que se chama "problema de
conhecem e os conteúdos que precisam ser aprendizagem" é, na verdade, "problema de ensino".
aprendidos, imprimindo fluidez e ritmo nas lições. Ensinar é mesmo difícil, quando temos em sala de
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aula cerca de 40 alunos, todos eles tão diferentes aluno fica mais dinâmica e o professor pode
entre si! Como proceder para que todos aprendam? acompanhar mais de perto o processo de
Em geral, as escolas optam por dois caminhos: um aprendizagem de seus alunos. Vamos ver as
deles é tentar formar classes homogêneas em vantagens de cada uma dessas estratégias de
termos de conhecimentos, esquecendo-se de que ensino?
esse procedimento tem forte impacto no
autoconceito do aluno. Sempre se sabe em que " Atendimento individualizado. Como se sabe, cada
"classe" se está: se na dos fortes, na dos médios ou aluno é único, diferente de todos os demais. Por isso,
na dos fracos. é compreensível que os professores tenham como
aspiração oferecer orientação mais individualizada,
Se o aluno estiver na sala dos "bons", ele que lhes permita atender todos e cada um. É esse
vai se achar o máximo e fazer de tudo para um dos grandes motivos pelo qual os professores
continuar assim. Mas se estiver na dos "fracos" e, reclamam por terem tantos alunos na classe: acham
pior, se tiver sido remanejado, ou seja, que não conseguem ensinar todos na medida em que
sistematicamente despejado de uma classe para gostariam. O contato mais próximo possibilita
outra, sucessivas vezes (como é freqüente conhecer melhor cada aluno, suas características,
acontecer), o resultado é só um: descrença na suas dificuldades e dúvidas. Quando um aluno não
própria competência para aprender, desânimo, está conseguindo entender determinado conteúdo ou
nenhuma vontade de estudar. O autoconceito fica realizar certa tarefa, é vital que o professor dedique
destroçado. mais de seu tempo a ele. Procurar criar espaços,
ainda que semanais, para, por exemplo, dedicar-se a
Além disso, formar classes homogêneas necessidades específicas de alguns alunos pode ser
implica desconsideração pelo fator idade, que mais proveitoso do que tentar avançar com todos
determina grande parte dos interesses e sem que haja condições para tal.
motivações dos alunos.
" Trabalho em grupo - Esta modalidade de ensino
Colocar alunos mais velhos com mais leva os alunos a interagir com seus colegas e com o
novos cria, geralmente, dificuldade para os dois professor, permitindo que recursos individuais sejam
lados. Resumindo: organizar classes homogêneas partilhados. No grupo, os alunos parecem se sentir
é impossível, porque as crianças ou os jovens são mais à vontade para apresentar suas idéias,
sempre diferentes. contrapor pontos de vista, fazer perguntas. Com a
ajuda da professora, aprendem a planejar seu
O outro caminho é buscar trabalhar de trabalho, a "negociar" entendimentos divergentes, a
forma diversificada, mantendo o grupo-classe coeso organizar sua maneira de proceder, a perseguir
estimulado. Você pode estar se perguntando: mas soluções e avaliá-las em face dos resultados
não é muito mais fácil para o professor ensinar alcançados. Em grupo, chegam a conclusões que
crianças que se encontram em um mesmo patamar sozinhos, não encontrariam. O trabalho em grupo cria
de conhecimentos e habilidades? E nós situações que favorecem a troca, o desenvolvimento
responderemos categoricamente que não, que este da sociabilidade, da cooperação e do respeito mútuo
é um mito perverso da cultura pedagógica entre os alunos.
brasileira.
" Trabalho com o conjunto da classe. Este tipo de
E sabe por que? Porque a interação entre estratégia é excelente ocasião para sistematizar
iguais, conforme vimos, fica muito empobrecida e conhecimentos, estimular o esclarecimento de
sem graça. Quando você tem, em uma mesma dúvidas e articular conceitos. Além disso, oferece, a
sala, alunos que aprendem mais depressa e outros todos os alunos, a noção de que eles estão
mais devagar, um estimula o outro. Os que tem acompanhando o ritmo da classe e, assim, preserva
ritmo mais acelerado podem ajudar os mais lentos o autoconceito de cada um. Mas sempre existe um
e, ao agir assim, são obrigados a organizar seu outro lado. O risco de trabalhar com o conjunto da
próprio pensamento, percebendo suas falhas e classe é que alguns alunos, justamente os que
seus pontos fortes. Os que caminham de maneira enfrentam maior dificuldade, podem ficar "perdidos",
mais vagarosa, por sua vez, sentem-se desafiados e os mais avançados, aborrecidos e entediados. Por
a aprender. essa razão, é preciso saber muito bem quando
recorrer a esta forma de ensinar. A ordem é, mais
Para trabalhar com grupos heterogêneos - uma vez, fazer um planejamento cuidadoso do
dado que as crianças são sempre diferentes entre ensino, levando em conta o que se conhece de cada
si - cabe temperar a aula, ter um bom manejo de aluno.
classe e, em especial, saber usar estratégias " Todas essas estratégias devem ser usadas em sala
variadas, para que todos recebam a atenção de aula, discriminando-se, com sabedoria e bom
necessária por parte do docente. É importante, senso, qual delas usar em cada momento. O principal
portanto, fazer exposições para o grupo como um critério a ser seguido está nos objetivos da tarefa: o
todo, formar grupos de colegas para trabalho "como fazer" é uma conseqüência do "para que
coletivo e abrir tempo e espaço para atendimento fazer"!
individualizado. Com isso, a interação professor-
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As representações mútuas de professores e consta, foi um escultor que se apaixonou pela estátua
alunos de uma linda mulher, esculpida por ele mesmo. Os
deuses decidiram, depois de ele muito insistir,
Um dos componentes básicos para se conceder vida à estátua.
compreender o tipo de relação que se estabelece
entre professores e alunos são as representações, Um grupo de pesquisadores pôs à prova a
ou seja, as imagens que uns fazem dos outros. hipótese de que os alunos sobre os quais os
Grande parte de nossa maneira de ser depende da professores têm mais expectativas, acreditando que
forma como percebemos e interpretamos as ações podem aprender mais facilmente, são, efetivamente,
e falas daqueles que nos cercam. Esse é um os que fazem maiores progressos. Após aplicarem
princípio sempre válido nas relações humanas e um teste de inteligência em todos os alunos de uma
afeta, conseqüentemente, a totalidade do processo dada série, foram selecionados, ao acaso, 20%
de ensino-aprendizagem. A representação que o deles. Esse grupo de alunos foi apresentado para
professor faz de seus alunos influi sobre o que seus professores como o grupo de "gênios", aqueles
pensa e espera deles. Ela leva o professor a que certamente se sairiam bem nos estudos. Mas, de
valorizar uns alunos e a menosprezar outros; a ser fato, ninguém consultou os resultados do teste de Q.
complacente com uns e rigoroso com outros; a se I. (Quociente de Inteligência), de modo que havia de
sentir motivado com uns e desanimado com outros. tudo naquele grupo: desde pessoas muito
inteligentes até outras nem tanto.
As imagens que se fazem do outro, as
representações, atuam também sobre os alunos. A No final do ano letivo, os pesquisadores
depender delas, o apreço pelo professor será maior voltaram à escola, e sabe o que descobriram? Que
ou menor. A atenção ao que ele diz irá igualmente tiveram êxito e foram reconhecidos efetivamente
variar, bem como a importância dada à disciplina como ótimos alunos aqueles que os pesquisadores
que ele leciona. Mas de onde vêm as tinham indicado como tal. Os que não faziam parte
representações? Provavelmente, sua principal fonte do grupo foram, muitas vezes, desencorajados por
está no encontro que se dá entre alunos e seus professores, que não acreditavam em suas
professores e na observação recíproca das possibilidades de aprender. Com isso ficamos
características e dos comportamentos de cada um. sabendo que as expectativas que criamos para
Com isso, constroem-se imagens iniciais que nossos alunos (ou para nossos professores) podem
acabam sendo, freqüentemente, reafirmada no acabar por se transformar em realidade. Crenças e
decorrer das atividades cotidianas. O professor expectativas tornam-se, com freqüência, profecias
tende a comparar o aluno que está diante dele com que acabam por se confirmar. Assim, se quisermos
a representação do aluno ideal, construída ao longo levar todos os nossos alunos a aprender, é
de sua trajetória profissional: se ele se enquadra importante que tenhamos acerca deles crenças e
nessa representação, é bem aceito; caso contrário, expectativas positivas. Os professores são uma
quando se afasta dessa imagem, é encarado de espécie de Pigmalião: tem o poder de esculpir seus
forma negativa. alunos de acordo com seus desejos e expectativas.

Como os professores tem trajetórias


parecidas, a representação de aluno ideal tende a
ser bastante semelhante. Assim, os professores
investem mais em alunos bonitos, bem arrumados e
cheirosos; naqueles que demonstram maior
motivação, responsabilidade e participação; nos
que evidenciam aprender com facilidade; nos que
vão para a escola com o material pedido. De igual
modo, muito antes de entrar na escola, os alunos já
formaram uma idéia também idealizada do que é
um professor: ouviram seus irmãos ou pais falarem
sobre seus professores, viram aulas na televisão,
escutaram histórias sobre docentes. Essa idéia é
ativada diante do professor que está à sua frente.
Despertando sentimentos positivos ou negativos.

Perigo!

As representações dos professores acerca


de seus alunos geram expectativas de desempenho
escolar. Conheça o efeito Pigmalião, descoberta em
uma pesquisa realizada nos Estados Unidos, na
década de 60. O estudo chama-se "Pigmalião em
sala de aula". Sabe quem foi Pigmalião? Ele é o
personagem central de uma lenda. Segundo
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esse reconhecimento, deve-se dar o mesmo
tratamento que outros temas transversais.

3.1 - Como trabalhar com os temas transversais?


ÉTICA, SAÚDE, MEIO AMBIENTE,
ORIENTAÇÃO SEXUAL, PLURALIDADE A transversalidade, bem como a
CULTURAL, CULTURA ÉTNICO-RACIAL, transdisciplinaridade, é um princípio teórico do qual
TRABALHO E CONSUMO. decorrem várias conseqüências práticas, tanto nas
metodologias de ensino quanto na proposta curricular
e pedagógica. A transversalidade aparece hoje como
um princípio inovador nos sistemas de ensino de
Os temas transversais dos novos vários países. Contudo, a idéia não é tão nova. Ela
parâmetros curriculares incluem Ética, Meio remonta aos ideais pedagógicos do início do século,
ambiente, Saúde, Pluralidade cultural e Orientação quando se falava em ensino global e do qual
sexual. Eles expressam conceitos e valores trataram famosos educadores, entre eles, os
fundamentais à democracia e à cidadania e franceses Ovídio Decroly (1871-1932) e Celestin
correspondem a questões importantes e urgentes Freinet (1896-1966), os norte-americanos John
para a sociedade brasileira de hoje, presentes sob Dewey (1852-1952) e William Kilpatrick (1871-1965)
várias formas na vida cotidiana. São amplos o e os soviéticos Pier Blonsky (1884-1941) e Nadja
bastante para traduzir preocupações de todo País, Krupskaia (1869-1939).
são questões em debate na sociedade através dos
quais, o dissenso, o confronto de opiniões se O Método Decroly dos "centros de interesse" partia
coloca. da idéia da globalização do ensino para romper com
a rigidez dos programas escolares. Para ele, existem
Através da Ética, o aluno deverá entender o 6 centros de interesse que poderiam substituir os
conceito de justiça baseado na equidade e planos de estudo construídos com base em
sensibilizar-se pela necessidade de construção de disciplinas: a) a criança e a família; b) a criança e a
uma sociedade justa, adotar atitudes de escola; c) a criança e o mundo animal; d) a criança e
solidariedade, cooperação e repúdio às injustiças o mundo vegetal; e) a criança e o mundo geográfico;
sociais, discutindo a moral vigente e tentando f) a criança e o universo. Os centros de interesse são
compreender os valores presentes na sociedade uma espécie de idéias-força em torno das quais
atual e em que medida eles devem ou podem ser convergem as necessidades fisiológicas, psicológicas
mudados. Através do tema Meio-ambiente o aluno e sociais do aluno. Freinet e Paulo Freire, nesse
deverá compreender as noções básicas sobre o sentido, partindo da leitura do mundo, do respeito à
tema, perceber relações que condicionam a vida cultura primeira do aluno, buscaram desenvolver o
para posicionar-se de forma crítica diante do aprendizado através da livre discussão dos temas
mundo, dominar métodos de manejo e conservação geradores do universo vocabular do aluno.
ambiental. A Saúde é um direito de todos. Por esse
tema o aluno compreenderá que saúde é produzida O Método dos Projetos de Kilpatrick parte
nas relações com o meio físico e social, de problemas reais, do dia-a-dia do aluno. Todas as
identificando fatores de risco aos indivíduos atividades escolares realizam-se através de projetos,
necessitando adotar hábitos de auto-cuidado. A sem necessidade de uma organização especial.
Pluralidade cultural tratará da diversidade do Originalmente ele chamou de projeto à "tarefa de
patrimônio cultural brasileiro, reconhecendo a casa" ("home project") de caráter manual que a
diversidade como um direito dos povos e dos criança executava fora da escola. O projeto como
indivíduos e repudiando toda forma de método didático era uma atividade intencionada que
discriminação por raça, classe, crença religiosa e consistia em os próprios alunos fazerem algo num
sexo. A orientação sexual, numa perspectiva ambiente natural, por exemplo, construindo uma
social, deverá ensinar o aluno a respeitar a casinha poderiam aprender geometria, desenho,
diversidade de comportamento relativo à cálculo, história natural etc. Kilpatrick classificou os
sexualidade, desde que seja garantida a integridade projetos em quatro grupos: a) de produção, no qual
e a dignidade do ser humano, conhecer seu corpo e se produzia algo; b) de consumo, no qual se aprendia
expressar seus sentimentos, respeitando os seus a utilizar algo já produzido; c) para resolver um
afetos e do outro.Educação & trabalho. problema e d) para aperfeiçoar uma técnica. Quatro
características concorriam para um bom projeto
Além desses temas, podem ser desenvolvidos os didático: a) uma atividade motivada por meio de uma
temas locais, que visam a tratar de conhecimentos conseqüente intenção; b) um plano de trabalho, de
vinculados à realidade local. Eles devem ser preferência manual; c) a que implica uma diversidade
recolhidos a partir do interesse específico de globalizada de ensino; d) num ambiente natural.
determinada realidade, podendo ser definidos no
âmbito do Estado, Cidade ou Escola. Uma vez feito O Método dos Complexos de Blonsky, Pinkevich e
Kupskaia busca levar à prática coletivamente o
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princípio da escola produtiva. Concentra todo o Além do conteúdo propriamente dito de cada projeto,
aprendizado em torno de três grandes grupos conta muito o processo de elaboração, execução e
(complexos) de fenômenos: a Natureza, o Trabalho avaliação de cada projeto. O processo também
Produtivo e as Relações Sociais. Um grupo de produz aprendizagens novas. "A própria organização
educadores alemães (Braune, Krueger, Rauch) das atividades didáticas deve ser encarada a partir
difundiu na Alemanha e Áustria o princípio da da perspectiva do trabalho com projetos. De fato,
escola em comunidade de vida, isto é, a escola respostas a perguntas tão freqüentemente
considerada como uma comunidade de vida e de formuladas pelos alunos, em diferentes níveis, como
trabalho, substituindo os planos e programas de "Para que estudar Matemática? E Português? E
estudo por temas globalizados de trabalho docente. História? E Química?" não podem mais ter como
referência o aumento do conhecimento ou da cultura,
O princípio da interdisciplinaridade permitiu um ou ainda, mais pragmaticamente, a aprovação nos
grande avanço na idéia de integração curricular. exames. A justificativa dos conteúdos disciplinares a
Mas ainda a idéia central era trabalhar com serem estudados deve fundar-se em elementos mais
disciplinas. Na interdisciplinaridade os interesses significativos para os estudantes, e nada é mais
próprios de cada disciplina são preservados. O adequado para isso do que a referência aos projetos
princípio da transversalidade e de de vida de cada um deles, integrados
transdisciplinaridade busca superar o conceito de simbioticamente em sua realização aos projetos
disciplina. Aqui, busca-se uma intercomunicação pedagógicos das unidades escolares"
entre as disciplinas, tratando efetivamente de um (MACHADO,1997:75).
tema/objetivo comum (transversal). Assim, não tem
sentido trabalhar os temas transversais através de Como afirmou recentemente no IPF o professor da
uma nova disciplina, mas através de projetos que UNICAMP, Eduardo Chaves, o tema transversal
integrem as diversas disciplinas. Uma primeira fundante é a Ética. Não podemos apresentar esse
experiência, ainda numa visão interdisciplinar, foi tema como um vendedor de roupas que diz: tenho
realizada durante a gestão de Paulo Freire na aqui camisas, calças, blusas e também roupas. A
Secretaria de Educação de São Paulo e está diversidade cultural, o meio ambiente, a sexualidade,
narrada no livro Ousadia no diálogo: o consumo etc são temas atravessados pela Ética.
interdisciplinaridade na escola pública, organizada Ela não é um tema a mais. Ela é elemento
pela professora Nídia Nacib Pontuschka. O projeto constitutivo de todos os temas.
foi implantado com a ajuda de professores da
Universidade de São Paulo. Buscou-se capacitar o
professor para trabalhar nessa nova metodologia de
ensino que consiste basicamente no trabalho Como trabalhar com esse temas?
coletivo e no princípio de que as várias ciências
devem contribuir para o estudo de determinados Apresentamos acima algumas alternativas. Estudos
temas que orientam todo o trabalho escolar. Foi mais recentes estão apontando o método dos
respeitada a especificidade de cada área do projetos como uma alternativa viável. Entre esses
conhecimento, mas, para superar a fragmentação estudos destacamos o de Fernando Hernández
dos saberes procurou-se estabelecer e (1998) que trata especificamente da "organização do
compreender a relação entre uma "totalização em currículo por projetos de trabalho". A proposta do
construção" a ser perseguida e novas relações de autor está vinculada à perspectiva do conhecimento
colaboração integrada de diferentes especialistas globalizado e relacional. "Essa modalidade de
que trazem a sua contribuição para a análise de articulação dos conhecimentos escolares é uma
determinado tema gerador sugerido pelo estudo da forma de organizar a atividade de ensino e
realidade que antecede a construção curricular. aprendizagem, que implica considerar que tais
conhecimentos não se ordenam para sua
Como trabalhar com projetos? compreensão de uma forma rígida, nem em função
de algumas referências disciplinares
Projeto vem de projetar, projetar-se, atirar-se para a preestabelecidas ou de uma homogeneização dos
frente. Na prática, elaborar um projeto é o mesmo alunos. A função do projeto é favorecer a criação de
que elaborar um plano para realizar determinada estratégias de organização dos conhecimentos
idéia. Portanto, um projeto supõe a realização de escolares em relação a: 1) o tratamento da
algo que não existe, um futuro possível. Tem a ver informação, e 2) a relação entre os diferentes
com a realidade em curso e com a utopia possível, conteúdos em torno de problemas ou hipóteses que
realizável, concreta. Dificilmente os integrantes de facilitem aos alunos a construção de seus
uma escola escolherão trabalhar num projeto da conhecimentos, a transformação da informação
escola se ele não foi a extensão de seu próprio procedente dos diferentes saberes disciplinares em
projeto de vida. Trabalhar com projetos na escola conhecimentos próprios (...) Globalização e
exige um envolvimento muito grande de todos os significatividade são, pois, dois aspectos essenciais
parceiros e supõe algo mais do que apenas assistir que se plasmam nos Projetos. É necessário destacar
ou ministrar aulas. o fato de que as diferentes fases e atividades que se
devam desenvolver num Projeto ajudam os alunos a

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FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO
serem conscientes de seu processo de 2º - o existencialismo, buscando dar às ciências uma
aprendizagem e exige do professorado responder "cara humana";
aos desafios que estabelece uma estruturação
muito mais aberta e flexível dos conteúdos 3º - o neo-positivismo que buscava no interior do
escolares". (HERNÁNDEZ, 1998:61-64). positivismo a solução para o problema da unidade
das ciências;

4º - o marxismo que buscava uma via diferente para


3.2 – O conceito de interdisciplinaridade a restauração da unidade entre todo e parte.

O projeto de interdisciplinaridade nas ciências passou


de uma fase filosófica (humanista) de definição e
A interdisciplinaridade, como questão explicitação terminológica, na década de 70, para
gnosiológica, surgiu no final do século passado, uma segunda fase (mais científica) de discussão do
pela necessidade de dar uma resposta à seu lugar nas ciências humanas e na educação, na
fragmentação causada por uma epistemologia de década de 80. Atualmente, no plano teórico, busca-
cunho positivista. As ciências haviam-se dividido se fundar a interdisciplinaridade na ética e na
em muitas disciplinas e a interdisciplinaridade antropologia, ao mesmo tempo que, no plano prático,
restabelecia, pelo menos, um diálogo entre elas, surgem projetos que reivindicam uma visão
embora não resgatasse ainda a unidade e a interdisciplinar.
totalidade do saber.
A interdisciplinaridade visa a garantir a construção de
Desde então, o conceito de interdisciplinaridade um conhecimento globalizante, rompendo com as
vem se desenvolvendo também nas ciências da fronteiras das disciplinas. Para isso, integrar
educação. Elas aparecem com clareza em 1912 conteúdos não seria suficiente. Seria preciso uma
com a fundação do Instituto Jean-Jacques atitude e postura interdisciplinar. Atitude de busca,
Rousseau, em Genebra, por Edward Claparède, envolvimento, compromisso, reciprocidade diante do
mestre de Piaget. Toda uma discussão foi travada conhecimento.
sobre a relação entre as ciências mães e as
ciências aplicadas à educação: por exemplo, a A interdisciplinaridade se desenvolveu em diversos
sociologia (da educação), a psicologia (da campos e, de certo modo, contraditoriamente, até ela
educação) etc. e noções correlatas foram surgindo, se especializou, caindo na armadilha das ciências
como intradisciplinaridade, pluridisciplinaridade e que ela queria evitar. Na educação ela teve um
transdisciplinaridade. desenvolvimento particular. Nos projetos
educacionais a interdisciplinaridade se baseia em
A intradisciplinaridade‚ entendida, nas ciências da alguns princípios, entre eles:
educação, como a relação interna entre a disciplina
o
"mãe" e a disciplina "aplicada". O termo 1 - Na noção de tempo: o aluno não tem tempo certo
interdisciplinaridade, na educação, já não oferece para aprender. Não existe data marcada para
problema, pois, ao tratar do mesmo objeto de aprender. Ele aprende a toda hora e não apenas na
ciência, uma ciência da educação "complementa" sala de aula.
outra. Diga-se o mesmo quanto à
pluridisciplinaridade. É a natureza do próprio 2º - Na crença de que é o indivíduo que aprende.
fato/ato educativo, isto é, a sua complexidade, que Então, é preciso ensinar a aprender, a estudar etc. ao
exige uma explicação e uma compreensão indivíduo e não a um coletivo amorfo. Portanto, uma
pluridisciplinar. A interdisciplinaridade é uma forma relação direta e pessoal com a aquisição do saber.
de pensar. Piaget sustentava que a
interdisciplinaridade seria uma forma de se chegar 3º - Embora apreendido individualmente, o
à transdisciplinaridade, etapa que não ficaria na conhecimento é uma totalidade. O todo é formado
interação e reciprocidade entre as ciências, mas pelas partes, mas não é apenas a soma das partes.
alcançaria um estágio onde não haveria mais É maior que as partes.
fronteiras entre as disciplinas.
4º - A criança, o jovem e o adulto aprendem quando
Após a 2ª Guerra Mundial, a interdisciplinaridade têm um projeto de vida e o conteúdo do ensino é
aparece como preocupação humanista além da significativo para eles no interior desse projeto.
preocupação com as ciências. Desde então, parece Aprendemos quando nos envolvemos com emoção e
que todas as correntes de pensamento se razão no processo de reprodução e criação do
ocuparam com a questão da interdisciplinaridade: conhecimento. A biografia do aluno é, portanto, a
base do seu projeto de vida e de aquisição do
1º - a teologia fenomenológica encontrou nesse conhecimento e de atitudes novas.
conceito uma chave para o diálogo entre igreja e
mundo; A metodologia do trabalho interdisciplinar implica
em:

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FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO
1º - integração de conteúdos;

2º - passar de uma concepção fragmentária para


uma concepção unitária do conhecimento;

3º - superar a dicotomia entre ensino e pesquisa,


considerando o estudo e a pesquisa, a partir da
contribuição das diversas ciências;

4º - ensino-aprendizagem centrado numa visão de


que aprendemos ao longo de toda a vida.

O conceito chegou ao final desse século com a


mesma conotação positiva do início do século, isto
é, como forma (método) de buscar, nas ciências,
um conhecimento integral e totalizante do mundo
frente à fragmentação do saber, e na educação,
como forma cooperativa de trabalho para substituir
procedimentos individualistas.

A ação pedagógica através da interdisciplinaridade


aponta para a construção de uma escola
participativa e decisiva na formação do sujeito
social. O seu objetivo tornou-se a experimentação
da vivência de uma realidade global, que se insere
nas experiências cotidianas do aluno, do professor
e do povo e que, na teoria positivista era
compartimentada e fragmentada. Articular saber,
conhecimento, vivência, escola comunidade, meio-
ambiente etc. tornou-se, nos últimos anos, o
objetivo da interdisciplinaridade que se traduz, na
prática, por um trabalho coletivo e solidário na
organização da escola. Um projeto interdisciplinar
de educação deverá ser marcado por uma visão
geral da educação, num sentido progressista e
libertador.

A interdisciplinaridade deve ser entendida como


conceito correlato ao de autonomia intelectual e
moral. Nesse sentido a interdisciplinaridade serve-
se mais do construtivismo do que serve a ele. O
construtivismo é uma teoria da aprendizagem que
entende o conhecimento como fruto da interação
entre o sujeito e o meio. Nessa teoria o papel do
sujeito é primordial na construção do conhecimento.
Portanto, o construtivismo tem tudo a ver com a
interdisciplinaridade.

A relação entre autonomia intelectual e


interdisciplinaridade é imediata. Na teoria do
conhecimento de Piaget o sujeito não é alguém que
espera que o conhecimento seja transmitido a ele
por um ato de benevolência. É o sujeito que
aprende através de suas próprias ações sobre os
objetos do mundo. É ele, enquanto sujeito
autônomo, que constrói suas próprias categorias de
pensamento ao mesmo tempo que organiza seu
mundo, como costumava nos dizer, em Genebra,
nosso mestre Piaget.

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FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO
Muitos fatores contribuem para a evasão escolar,
sendo que a maioria são problemas gerados dentro
da própria escola como a repetência escolar, onde o
aluno perde ainda mais ânimo e não retorna a escola,
ou o faz anos mais tarde. Dentre os principais fatores
ANALFABETISMO, EVASÃO, a falta de dinâmica dos professores que tornam as
REPETÊNCIA, QUALIDADE DE ENSINO. aulas repetitivas, sem criatividade e cansativas, as
condições precárias das escolas onde muitas são
esquecidas pelos governantes nas esferas políticas
1. Introdução federais, estaduais e municipais, a desestrutura
familiar, a violência dentro de casa, a falta de apoio
A evasão escolar segundo o Dicionário dos pais, e as necessidades dos alunos trabalharem
Aurélio da Língua Portuguesa é considerado o mais cedo para ajudar no orçamento familiar.
mesmo que deserção escolar. De acordo com o
Centro Regional de Construcciones Escolares para 2.Desenvolvimento
America Latina, Metodologia para El Pleneamiento
de las Construcciones Escolares, México, é Evasão escolar e o analfabetismo são um
considerado o fenômeno que expressa o número de fator preocupante para Brasil. Pesquisas recentes
educandos de um grau de ensino ou de uma série realizadas em todo o Brasil pelo MEC, IBGE e INEP,
escolar, que abandonam definitiva ou demonstram que embora a evasão escolar e o
temporariamente a escola." analfabetismo tenham diminuído, ainda constituem-
se em grande problema para o governo brasileiro.
Ainda é definida segundo o Glosed como a Ainda é muito grande o numero de alunos que
Pessoa que se afastou do Sistema de Ensino, por deixam à, mal sabendo ler, pior ainda escrever.
haver abandonado o estabelecimento, do qual era
aluno freqüente, sem solicitar transferência. A Evasão escolar é um tema tão sério, que
Educandos que por razões financeiras de recentemente o Ministro Fernando Haddad, em
inadaptação, entre outras, não completaram um entrevista à Folha Online, afirmou que o governo
determinado período de formação. A evasão federal estuda a criação de um bônus financeiro a ser
escolar ocorre por motivos geralmente atribuídos às dado a famílias de estudantes aprovados como
dificuldades financeiras, ao ingresso prematuro no estímulo, além de analisar a ampliação da Bolsa
mercado de trabalho, à troca de domicílio, à Família para jovens até os dezessete anos visando
doença, à falta de interesse do aluno ou de seus atraí-los de volta à escola. De acordo ainda com a
responsáveis, às dificuldades de acesso à escola, Folha Online, hoje a idade limite no programa é de 15
aos problemas domésticos, à separação dos pais anos, e a condicionalidade exigida é somente a
ou à reprovação do aluno. freqüência à escola, fator fundamental para se tirar o
País em que se encontra.
Sérgio G. Duarte caracteriza a evasão
como uma expulsão escolar, porque a saída do Uma das idéias é que as famílias de alunos
aluno da escola não é um ato voluntário, mas uma aprovados recebam, além da transferência mensal,
imposição sofrida pelo estudante, em razão de recurso extra pela aprovação.
condições adversas e hostis do meio. DBE, 1986).
De acordo ainda com a Folha Online, um
A grande maioria dos estudantes evadidos estudo do Inep (Instituto Nacional de Estudos e
deixa a escola no segundo semestre por se Pesquisas Educacionais) mostra que a inclusão no
considerar incapaz de passar de ano. (Consulte: Bolsa Família dos jovens de 15 a 17 anos que estão
Fontes em educação, O que é...? COMPED, 2001). fora da escola causaria um impacto no orçamento do
programa de 3,4% - um aumento mensal de R$ 31
Assim sendo, evasão escolar é o fenômeno milhões se o Bolsa Família já atendesse hoje à
em que um ou mais alunos abandonam a Escola totalidade das famílias elegíveis ao programa.
durante o ano letivo, por motivos de desinteresse, Haddad diz, porém, que apenas a bolsa não basta.
por falta de estímulo, por se considerarem incapaz
de passar de ano, ou por motivos sócio- Pesquisa recente do IBGE mostra que
econômicos. aproximadamente 10% das crianças co ida de 5 a 17
estavam fora das escolas O resultado consta da
Analfabetismo, por sua vez, é o fato das Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad)
pessoas não terem tido a oportunidade de 2005, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia
freqüentarem a Escola, aprendendo a ler e e Estatística (IBGE). A pesquisa levantada pela
escrever, tendo como causas diversas a falta de instituição constatou os seguintes dados:
oportunidade, local distante para estudar, condições freqüentavam a escola pública 25,9% dos estudantes
econômico-finânceiras adversas, falta de interesse, do ensino superior, 85,6% do ensino médio, 89,2%
outras. do nível fundamental e 76,3% do pré-escolar.
Segundo o IBGE, as maiores diferenças na

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FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO
proporção de estudantes em escola da rede pública Isso significa que, em 2003, 1,9 milhões de
ocorreram no ensino superior. Enquanto na Região adolescentes de 15 a 17 anos não estudavam. É
Sudeste 18,4% dos estudantes do ensino superior praticamente o mesmo contingente de 2002. Não
freqüentavam escola pública, na Norte eram 45,1% obstante para o presidente do IBGE, Eduardo Nunes,
e na Nordeste, 40,5%. Na Região Sul este indicador esse indicador comprovou que 30% dos jovens
situou-se em 23,9% e na Centro-Oeste, em 27,9%. trabalham, mostrando que é preciso discutir formas
de manter o jovem na escola com alguma ajuda
Segundo dados de 2005 do Instituto financeira. "O trabalho de 15 a 17 anos é de baixa
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais remuneração. Esse jovem está deixando de estudar
(Inep), as escolas públicas brasileiras de ensino e melhorar sua inserção no mercado de trabalho no
médio ofereceram, em média, um total de 50 futuro".
minutos a menos de aulas por dia do que as
escolas particulares, sendo que a média diária de O assessor especial da OEI (Organização
horas de aula em estabelecimentos particulares foi dos Estados Ibero-Americanos), Jorge Werthein,
de 5,1 horas, enquanto, nas unidades públicas, o Nunes tem razão ao acrescentar que a escola
tempo foi de 4,3 horas. também não está conseguindo ser um ambiente mais
agradável. Diz ele: "Essa população jovem hoje é a
Em entrevista concedida ao site Folha mais vulnerável, mas a escola não está conseguindo
Online, do grupo Folha de São Paulo, no último dia retê-la. É preciso melhorar a escola e dar estímulo
8 de Janeiro passado no corrente ano Fernando econômico para que o jovem não a troque pelo
Haddad afirmou que se quisermos universalizar o trabalho". Outra preocupação que a PNAD trouxe na
ensino médio, é preciso ter vagas, demanda e fazer educação é que o analfabetismo está caindo em
com que os jovens que cheguem lá desejem ritmo mais lento, porém parece ser uma constante.
continuar. Porém, muitos desses alunos não estão Depois que o PT assumiu o governo em 2003 com a
terminando sequer, o ensino fundamental. Para ele promessa de erradicar o analfabetismo adulto
a primeira providência é estabelecer um programa alfabetizando 20 milhões de brasileiros é um
de combate à repetência, já que identificamos que o indicador real, em 2005, no entanto, mostrou que
problema principal da evasão está entre a 5ª e a 8ª essa seria uma promessa de campanha que
série. Portanto, no ensino médio. O que acontece atualmente não vem sendo cumprida pelo governo,
hoje é que a grande maioria do sistema reprova o embora Lula tenha herdado de Fernando Henrique
aluno muitas vezes por causa de uma só disciplina Cardoso, então presidente em 2002, uma taxa de
e o obriga a refazer toda a série. Temos que pensar 11,8% e um número total de analfabetos com idade
num modelo de organização do currículo que não acima de 15 anos, de 14,8 milhões, sendo que três
seja só por disciplina. anos depois, a taxa caiu para 10,9% e o número se
reduzindo em apenas 213 mil.
Ainda segundo Haddad, a abordagem do
tema tem que ser interministerial. É preciso uma A Pesquisa Nacional de Amostra por
ação do MEC e dos municípios e Estados para Domicílio (PNAD) divulgada recentemente pelo
melhorar a gestão. É necessária também a ação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
Ministério da Saúde, e talvez seja conveniente afirma que nada menos que 80,8% dos estudantes
ampliar a área de atuação do Programa de Saúde com cinco anos ou mais de idade estão em escolas
da Família para dentro das escolas. Além disso, é públicas no País. De acordo com dados da pesquisa,
preciso fortalecer o interesse dos alunos, sendo no ensino fundamental, 89,2% dos estudantes estão
muito importante sua permanência na Escola. em escolas públicas. Freqüentavam, ainda, as
escolas públicas, 25,9% dos estudantes do ensino
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia superior, 85,6% do ensino médio, e 76,3% do pré-
e Estatística, o Brasil continua vencendo percalços escolar. A PNAD mostrou, também, que em 2005, na
educacionais importantes, como, por exemplo, a população com mais de 10 anos de idade, a
universalização do ensino de 7 a 14 anos e o proporção dos que alcançaram pelo menos 11 anos
aumento da escolarização de cinco e seis anos, de estudo, ou seja, que concluíram pelo menos o
dando, no entanto, sinais preocupantes de ensino médio ou equivalente ficou em 27,2%, sendo
estagnação no acesso de jovens à escola e na que em 2004 estava em 26,0%. O mais importante
redução do analfabetismo. A PNAD constatou, constatado na pesquisa foi que houve um aumento
ainda, que, pelo segundo ano consecutivo, houve da escolarização das crianças e adolescentes
um pequeno aumento no percentual de brasileiros contribuindo dessa forma para a redução do
de 15 a 17 anos que não estudavam algo de analfabetismo e elevação do nível de instrução da
extraordinário no ensino do país. Também, população, segundo a PNAD. O percentual de
constatou a pesquisa que o percentual vinha caindo pessoas de 7 a 14 anos de idade que não
desde 1993, quando estava em 38,1%, até 2003, freqüentavam escola caiu em dez anos, de 9,8% em
chegando a um índice preocupante de 17,6%. No 1995 para 2,6% em 2005. No grupo de pessoas de
entanto, de lá para cá, a taxa aumentou 0,2 ponto 15 a 17 anos, a pesquisa constatou que o percentual
percentual por duas vezes consecutivas, um índice recuou de 33,4% para 18,0% no período, mas
ainda muito pequeno, chegando a 18,0% em 2005. manteve-se ainda em patamar bastante elevado.

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FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO
Segundo ainda o MEC, levando em conta os
A pesquisa do IBGE mostra, ainda, que repasses per capita do Fundo de Desenvolvimento
vem diminuindo o analfabetismo no país, mas ainda da Educação Fundamental (Fundef) e a média gasta
atingia 10,2% das pessoas de 10 anos ou mais de no ensino médio por ano, o país investe R$ 52
idade e 11,1% das de 15 anos ou mais. Em relação bilhões nos dois níveis de ensino. Este é o valor
aos alunos na faixa de 10 anos ou mais de idade, aproximado do que será alocado no Fundo do
as diferenças regionais permaneceram mais Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) em
acentuadas comprovando o seguinte: a taxa de 2010, quando estiver em pleno funcionamento o
analfabetismo variou de 5,4% na região Sul a Plano de Desenvolvimento da Educação apresentado
20,0% na Nordeste. Em 2005, no mesmo grupo no mês de Maio deste ano.
etário, a proporção dos que tinham pelo menos 11
anos de estudo foi de 27,2%, contra 26,0% em Portanto, é importante que se dê um basta na
2004. má aplicação dos recursos públicos, que são
alocados para o ensino fundamental e médio no
De acordo ainda com o IBGE, a média de Brasil.
anos de estudo do total da população de 10 anos
ou mais de idade foi de 6,7 anos, menor que a da Daniel Cara, coordenador-geral da Campanha
parcela das pessoas ocupadas, de 7,4 anos. Porém Nacional pelo Direito à Educação, diz: "O grande
para a população de 25 anos ou mais de idade, o problema é que, no Brasil, não existe preocupação
número médio de anos de estudo foi de 6,6 anos, com a qualidade do que é tratado em sala de aula". A
enquanto para os ocupados nesse grupo etário, idéia central que predomina na hora de fazer
ficou em 7,2 anos. A região Nordeste, como investimentos e gastos está centrada na cobertura. E
sempre, apresentou o menor nível de instrução, conclui: "A educação já não é prioridade. A qualidade
com média de 5,4 anos de estudo e o Sudeste o do ensino é mais retórica do que prática", completa.
mais elevado com 7,4 anos. Isso demonstra o
quanto o Nordeste ainda está atrasado, precisando 3. Conclusão
buscar resultados positivos.
Os inúmeros dados do IBGE, PNAB, do
Segundo dados da Secretaria de Educação Ministério da Educação e Cultura, do ministro
de Aracaju, a evasão escolar nas 5º e 8º séries Fernando Haddad e da Escola João Alves Filho,
diminuiu, em decorrência da Bolsa Escola, mas, demonstram que houve uma pequena melhora nos
ainda, o índice é bastante elevado, sendo que o níveis de queda do analfabetismo e de evasão
índice de analfabetismo teve uma queda. Sendo escolar em todas as Regiões do País, bem como no
que no governo de Marcelo Deda, houve uma referido Colégio, localizado no bairro de Saneamento
melhora significativa, mas é ainda preocupante. em Aracaju, Sergipe. Porém, os dados ainda
mostram que é preciso fazer muito mais pela
O maior problema, porém, está na falta de educação, procurando descobrir as reais causas do
estímulo as crianças e jovens, embora a analfabetismo e da evasão escolar, procurando
permanência delas signifique uma melhor condição combater esse mal, com políticas públicas que levem
de vida para elas e suas famílias por causa do a sua diminuição ou ao seu fim ao longo das
bolsa escola. Nesse sentido, constatou-se, até hoje, próximas décadas. No entanto, faz-se necessário, no
que em geral, os alunos se sentem um pouco atual momento, vontade da classe política como um
obrigados a freqüentarem a Escola por causa do todo como de governadores, senadores, deputados
programa oferecido pelo governo federal, sendo federais, estaduais, de prefeitos, ecretários
considerado um estímulo e uma recompensa, mas municipais e estaduais, da classe empresarial, enfim,
de modo obrigatório e não facultativo. Para eles é de todos os segmentos da sociedade civil
fundamental que a família tenha essa ajuda do organizada, para que esses problemas sejam
governo federal. definitivamente solucionados.

A repetência e a evasão escolar nos


ensinos fundamental e médio custam,
respectivamente, R$ 9,2 bilhões e R$ 4,8 bilhões. O
dinheiro faz falta aos insuficientes investimentos
brasileiros em educação, que anualmente giram em
torno de 4,1% do Produto Interno Bruto (PIB), o que
deveria ser o mínimo de 5,0%.

O Ministério da Educação e Cultura, alerta


para o investimento perdido na área de educação
básica que deixa clara a urgência de se mudar a
sistemática da aplicação de dinheiro na educação.
Os recursos representam mais de 25% do que é
gasto com o desenvolvimento do ensino básico.

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FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO
Isso vale também para as promoções. O professor
tem de ser incentivado a progredir, a criar maneiras
de trabalhar que permitam aos alunos melhor
aprendizagem, tanto no que se refere ao domínio dos
conteúdos curriculares como nos aspectos formativos
mais amplos da cidadania. Nesse contexto, a
titulação deve, sim, ser valorizada. Na medida em
que o professor for buscando aperfeiçoamento, isso
1. A valorização dos profissionais da Educação
precisa ser valorizado. No âmbito do CNTE,
como pilar da qualidade
defendemos que a diferença salarial entre os
Por Roberto Leão - Confederação Nacional dos professores que têm nível médio e os universitários
Trabalhadores em Educação em 01/06/2013 precisam ser de pelo menos 50% para estimular que
haja aperfeiçoamento.
Muito se fala sobre a valorização dos
profissionais de Educação — que é um dos pilares Outro ponto importante a ser considerado na
da qualidade de ensino socialmente referenciada, proposição de um bom plano de carreira é a visão
ao lado do financiamento e da gestão democrática. sobre todos os profissionais da Educação. Na escola,
Falar de valorização implica aprimorar a formação não é apenas o professor que educa. Cada
inicial, a formação continuada, a definição de um profissional que atua na escola — a merendeira, o
piso salarial e, também, da carreira do professor. porteiro, o inspetor — possui um papel educativo, e
seu papel não pode ser equiparado ao de
Uma carreira bem estruturada tem uma profissionais que exercem funções semelhantes, em
virtude principal: permite que o profissional de outros contextos, como nas empresas. Imagine-se,
Educação projete o seu futuro, tenha perspectiva de por exemplo, um segurança que apanhe um garoto
trabalho e de vida. Contudo, há ainda muito a pulando o muro da instituição. Na empresa, será
avançar na construção de uma carreira, a começar tratado como um infrator; na escola, o olhar é o da
pelo fato de que temos no Brasil uma estrutura medida socioeducativa, do diálogo sobre regras, da
educacional que permite 5.565 sistemas municipais Educação. É preciso lembrar, inclusive, que a Lei de
de ensino, 26 sistemas estaduais, mais um do DF e Diretrizes e Bases da Educação já traz embasamento
mais um federal. Cada um deles tem autonomia legal para que haja uma carreira única na Educação
para gerenciar seu pessoal. na qual todos os profissionais possam evoluir, na
medida de sua qualificação.
A carreira pressupõe que o ingresso se dê
por concurso, que o trabalho seja valorizado e que O plano de carreira deve ainda levar em
seja levado em conta o que o professor produz, o conta outro aspecto fundamental para a qualidade de
que ele cria. Precisamos lembrar que as escolas ensino e para a perspectiva profissional do educador:
públicas se caracterizam por uma grande a jornada. O professor divide seu tempo em jornadas.
diversidade de contextos e as chamadas boas É isso que define o piso salarial, por exemplo.
práticas educativas não vêm prontas, precisam ser Contudo, uma vez que existe a perspectiva de
criadas pelos professores. Isso também deve ser ampliação do tempo escolar para um número
reconhecido para que o professor se sinta crescente de redes, é preciso ressaltar o quanto é
valorizado dando aula. importante que se possa fixar o docente na escola,
criando vínculos com o aluno e com a comunidade.
Há outro ponto essencial a ser enfrentado O professor não pode mais ficar sujeito, como fica
quando a questão é a carreira. Hoje, na maior parte hoje, aos sobressaltos de uma escolha de aula, sem
dos planos existentes, para que os professores saber para onde vai, ano a ano. Há unidades da
avancem na carreira, cheguem a postos mais altos federação que permitem que o mesmo professor dê
e ganhem mais, eles necessariamente têm de sair até 64 aulas semanais, o que obviamente é inviável,
da sala de aula, tornando-se supervisores, desgastante e impede um trabalho mais
coordenadores ou diretores. Muitas vezes, um individualizado com os alunos e um trabalho de longo
ótimo professor alfabetizador deixa a sala de aula prazo. Na realidade de hoje, há uma grande
para ser um diretor mediano. Seria muito melhor rotatividade de professores e muita instabilidade
que tivesse continuado como docente. Por isso, um gerada por isso. Se conseguirmos fixar o professor
plano de carreira precisa ser aberto, permitindo que na escola, em uma jornada única, isso permitiria
todos possam alcançar as referências superiores, grandes avanços, sobre todos os pontos de vista,
mesmo que queiram ficar a vida inteira na sala de inclusive do ponto da gestão democrática. Com muita
aula. Nesse modelo, quem se interessar em mudar, frequência, o professor participa da construção de um
sair da sala, poderá mudar — mas também quem projeto político pedagógico em um ano e no outro
quiser continuar sendo professor poderá assim está longe, em outra escola.
mesmo progredir. Temos de derrubar muitos tabus
para que a sociedade compreenda que todos têm Em torno de todas essas questões que
papéis importantíssimos na escola, ainda que envolvem o Plano de Carreira, há um tema de fundo:
desempenhem funções diferentes. hoje, os professores não têm perspectivas de futuro e

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FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO
vivem aos sobressaltos. Precisamos de
tranquilidade, o que não é para nós sinônimo de
acomodação. Precisamos ter condições de nos
aprimorarmos sempre, e carreira precisa refletir
isso. Não há nenhum problema com a avaliação –
mas é preciso que se leve em conta todo o contexto
em que o ensino é oferecido: as condições A gestão democrática pressupõe a
materiais de trabalho, a situação social, o papel de participação efetiva dos vários segmentos
todos os gestores da rede e do sistema. Não há da comunidade escolar – pais, professores,
mérito nenhum em dizer que o culpado é sempre o estudantes e funcionários – em todos os aspectos da
professor. organização da escola. Esta participação incide
diretamente nas mais diferentes etapas da gestão
Evidentemente, a discussão da valorização escolar (planejamento, implementação e avaliação)
do professor se entrecruza com outras, seja no que diz respeito à construção do projeto e
contempladas no Plano Nacional de Educação — processos pedagógicos quanto às questões de
entre elas, principalmente, a do financiamento natureza burocrática.
público. A meta 17 estabelece, por exemplo, que o
salário médio deve se equiparar ao de profissionais Esta perspectiva de gestão está amplamente
de mesma formação. Hoje, estamos muito longe amparada pela legislação brasileira. A Constituição
disso. Mais do que encontrar fontes de Federal de 1988 aponta a gestão democrática como
financiamento, como os famosos royalties do um dos princípios para a educação brasileira e ela é
petróleo, é preciso definir o seu uso — senão regulamentada por leis complementares como a Lei
veremos pirâmides, monumentos e pouco de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e
investimento de fato em qualidade na Educação. o Plano Nacional da Educação, em seu artigo 22.

É fundamental compreender a questão da


gestão democrática para além do seu aspecto
conceitual. Não se trata apenas de uma concepção
de sociedade que prima pela democracia como
princípio fundamental, mas do entendimento de que a
democratização da gestão é condição estruturante
para a qualidade e efetividade da educação, na
medida em que possibilita que a escola crie vínculos
com a comunidade onde está inserida, paute seu
currículo na realidade local – conferindo sentido a
proposta pedagógica – e envolva os diferentes
agentes em uma proposta corresponsabilidade pela
aprendizagem e desenvolvimentos dos estudantes.

Este processo implica inclusive no envolvimento dos


próprios estudantes, tendo a experiência e o direito à
participação como elemento fundamental para o seu
pleno desenvolvimento.

Para que a gestão democrática aconteça é


fundamental criar processos e instâncias
deliberativas que a viabilizem. Nessa perspectiva,
o modelo tradicional de organização da escola ainda
é um grande obstáculo, conferindo ao diretor ou
equipe diretiva as prerrogativas de decisão sobre a
escola, e sua comunidade. Mesmo com a existência
de legislações que amparem a construção de uma
gestão descentralizada, é preciso que a própria
instituição escolar transforme sua cultura na
perspectiva do diálogo igualitário, da horizontalidade
e do equilíbrio entre as forças que compõem a
comunidade escolar.

Segundo texto publicado no


programa Progestão de Minas Gerais, são princípios
da Gestão Democrática :

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FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO
• Descentralização: A administração, as decisões, educacional. Com a aplicação da política da
as ações devem ser elaboradas e executadas de universalização do ensino deve-se estabelecer como
forma não hierarquizada prioridade educacional a democratização do ingresso
e a permanência do aluno na escola, assim como a
• Participação: devem participar todos os envolvidos garantia da qualidade social da educação.
no cotidiano escolar (professores, estudantes,
funcionários, pais ou responsáveis, pessoas que As atitudes, os conhecimentos, o
participam de projetos na escola, e toda a desenvolvimento de habilidades e competências na
comunidade ao redor da escola). formação do gestor da educação são tão importantes
quanto a prática de ensino em sala de aula. No
• Transparência: Qualquer decisão e ação tomada entanto, de nada valem estes atributos se o gestor
ou implantada na escola tem que ser de não se preocupar com o processo de
conhecimento de todos. ensino/aprendizagem na sua escola. Os gestores
devem também possuir habilidades para diagnosticar
E, como apontam os autores do texto Gestão da e propor soluções assertivas às causas geradoras de
educação: o município e a escola, ―essa nova forma conflitos nas equipes de trabalho, ter habilidades e
de administrar a educação constitui-se num fazer competências para a escolha de ferramentas e
coletivo, permanentemente em processo, processo técnicas que possibilitem a melhor administração do
que é mudança contínua e continuada, mudança tempo, promovendo ganhos de qualidade e
que está baseada nos paradigmas emergentes da melhorando a produtividade profissional.
nova sociedade do conhecimento, os quais, por sua
vez, fundamentam a concepção de qualidade na O Gestor deve estar ciente que a qualidade
educação e definem, também, a finalidade da da escola é global, devido à interação dos indivíduos
escola. e grupos que influenciam o seu funcionamento. O
gestor, que pratica a gestão com liderança deve
buscar combinar os vários estilos como, por exemplo:
―Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si estilo participativo que é uma liderança relacional que
mesmo. Os homens se educam entre si, se caracteriza por uma dinâmica de relações
mediatizados pelo mundo‖. Paulo Freire. recíprocas; estilo perceptivo/flexível que é uma
liderança situacional que se caracteriza por
Os artigos 14 da Lei de Diretrizes e Bases responder a situações específicas;estilo
da Educação Nacional e 22 do Plano Nacional de participativo/negociador que é uma liderança
Educação (PNE) indicam que os sistemas de consensual que se caracteriza por estar voltada a
ensino definirão as normas da gestão democrática objetivos comuns, negociados; e estilo inovador: que
do ensino público na educação básica obedecendo é uma liderança prospectiva que se caracteriza por
aos princípios da participação dos profissionais da estar direcionada à oportunidade, isto é, à visão de
educação na elaboração do projeto pedagógico da futuro.
escola e a participação das comunidades escolares O gestor deve saber integrar objetivo, ação e
e locais em conselhos escolares. Devemos resultado, assim agrega à sua gestão colaboradores
enfatizar então que a democracia na escola por si empreendedores, que procuram o bem comum de
só não tem significado. Ela só faz sentido se estiver uma coletividade.
vinculada a uma percepção de democratização da
sociedade.

Na Gestão democrática deve haver


compreensão da administração escolar como
atividade meio e reunião de esforços coletivos para
o implemento dos fins da educação, assim como a
compreensão e aceitação do princípio de que a
educação é um processo de emancipação humana;
que o Plano Político pedagógico (PPP) deve ser
elaborado através de construção coletiva e que
além da formação deve haver o fortalecimento do
Conselho Escolar.

A gestão democrática da educação está


vinculada aos mecanismos legais e institucionais e
à coordenação de atitudes que propõem a
participação social: no planejamento e elaboração
de políticas educacionais; na tomada de decisões;
na escolha do uso de recursos e prioridades de
aquisição; na execução das resoluções colegiadas;
nos períodos de avaliação da escola e da política

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FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO
primária e gratuita a todos os cidadãos", confirmado
logo depois pela lei de 15 de outubro de 1827, que
determinou a criação de escolas de primeiras letras
em todas as cidades, vilas e vilarejos, envolvendo as
três instâncias do Poder Público. Teria sido a "Lei
Áurea" da educação básica, caso tivesse sido
implementada.
A história da educação no Brasil começou
em 1549 com a chegada dos primeiros padres Da mesma forma, a idéia de fundação de
jesuítas, inaugurando uma fase que haveria de universidades não prosperou, surgindo em seu lugar
deixar marcas profundas na cultura e civilização do os cursos jurídicos em São Paulo e Olinda, em 1827,
país. Movidos por intenso sentimento religioso de fortalecendo o sentido profissional e utilitário da
propagação da fé cristã, durante mais de 200 anos, política iniciada por D. João VI. Além disso, alguns
os jesuítas foram praticamente os únicos anos depois da promulgação do Ato Adicional de
educadores do Brasil. Embora tivessem fundado 1834, delegando às províncias a prerrogativa de
inúmeras escolas de ler, contar e escrever, a legislar sobre a educação primária, comprometeu em
prioridade dos jesuítas foi sempre a escola definitivo o futuro da educação básica, pois
secundária, grau do ensino onde eles organizaram possibilitou que o governo central se afastasse da
uma rede de colégios reconhecida por sua responsabilidade de assegurar educação elementar
qualidade, alguns dos quais chegaram mesmo a para todos. Assim, a ausência de um centro de
oferecer modalidades de estudos equivalentes ao unidade e ação, indispensável, diante das
nível superior. características de formação cultural e política do país,
acabaria por comprometer a política imperial de
Em 1759, os jesuítas foram expulsos de educação.
Portugal e de suas colônias, abrindo um enorme
vazio que não foi preenchido nas décadas A descentralização da educação básica,
seguintes. As medidas tomadas pelo ministro D. instituída em 1834, foi mantida pela República,
José I, o Marquês de Pombal, sobretudo a impedindo o governo central de assumir posição
instituição do Subsídio Literário, imposto criado estratégica de formulação e coordenação da política
para financiar o ensino primário, não surtiu nenhum de universalização do ensino fundamental, a exemplo
efeito. Só no começo do século seguinte, em 1808, do que então se passava nas nações européias, nos
com a mudança da sede do Reino de Portugal e a Estados Unidos e no Japão. Em decorrência, se
vinda da família Real para o Brasil-Colônia, a ampliaria ainda mais a distância entre as elites do
educação e a cultura tomaram um novo impulso, País e as camadas sociais populares.
com o surgimento de instituições culturais e
científicas, de ensino técnico e dos primeiros cursos Na década de 1920, devido mesmo ao
superiores, como os de medicina nos estados do panorama econômico-cultural e político que se
Rio de Janeiro e da Bahia. delineou após a Primeira Grande Guerra, o Brasil
começou a se repensar. Em diversos setores sociais,
Todavia, a obra educacional de D. João VI, as mudanças foram debatidas e anunciadas. O setor
importante em muitos aspectos, voltou-se para as educacional participou do movimento de renovação.
necessidades imediatas da corte portuguesa no Inúmeras reformas do ensino primário foram feitas
Brasil. As aulas e cursos criados, em diversos em âmbito estadual. Surgiu a primeira grande
setores, tiveram o objetivo de preencher demandas geração de educadores, Anísio Teixeira, Fernando de
de formação profissional. Esta característica Azevedo, Lourenço Filho, Almeida Júnior, entre
haveria de ter uma enorme influência na evolução outros, que lideraram o movimento, tentaram
da educação superior brasileira. Acrescenta-se, implantar no Brasil os ideais da Escola Nova e
ainda, que a política educacional de D. João VI, na divulgaram o Manifesto dos Pioneiros em 1932,
medida em que procurou, de modo geral, documento histórico que sintetizou os pontos centrais
concentrar-se nas demandas da corte, deu desse movimento de idéias, redefinindo o papel do
continuidade à marginalização do ensino primário. Estado em matéria educacional.

Com a independência do país, conquistada Surgiram nesse período as primeiras


em 1822, algumas mudanças no panorama sócio- universidades brasileiras, do Rio de Janeiro em 1920,
político e econômico pareciam esboçar-se, inclusive Minas Gerais em em 1927, Porto Alegre em em 1934
em termos de política educacional. De fato, na e Universidade de São Paulo em 1934. Esta última
Constituinte de 1823, pela primeira vez se associou constituiu o primeiro projeto consistente de
apoio universal e educação popular - uma como universidade no Brasil e deu início a uma trajetória
base do outro. Também foi debatida a criação de cultural e científica sem precedentes.
universidades no Brasil, com várias propostas
apresentadas. Como resultado desse movimento de A Constituição promulgada após a Revolução
idéias, surgiu o compromisso do Império, na de 1930, em 1934, consignou avanços significativos
Constituição de 1824, em assegurar "instrução na área educacional, incorporando muito do que

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FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO
havia sido debatido em anos anteriores. No entanto,
em 1937, instaurou-se o Estado Novo concedendo
ao país uma Constituição autoritária, registrando-se
em decorrência um grande retrocesso. Após a
queda do Estado Novo, em 1945, muitos dos ideais
foram retomados e consubstanciados no Projeto de
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional,
enviados ao Congresso Nacional em 1948 que,
após difícil trajetória, foi finalmente aprovado em
1961, Lei nº 4.024.

No período que vai da queda do Estado


Novo, em 1945, até a Revolução de 1964, quando
se inaugurou um novo período autoritário, o sistema
educacional brasileiro passou por mudanças
significativas, destacando-se entre elas o
surgimento, em 1951, da atual Fundação CAPES,
que é a Coordenação do Aperfeiçoamento do
Pessoal do Ensino Superior, a instalação do
Conselho Federal de Educação, em 1961,
campanhas e movimentos de alfabetização de
adultos, além da expansão do ensino primário e
superior. Na fase que precedeu a aprovação da
LDB/61, ocorreu um admirável movimento em
defesa da escola pública, universal e gratuita.

O movimento de 1964 interrompeu essa


tendência. Em 1969 e 1971, foram aprovadas
respectivamente a Lei 5.540/68 e 5.692/71,
introduzindo mudanças significativas na estrutura
do ensino superior e do ensino de 1º e 2º graus,
cujos diplomas vieram basicamente em ardor até os
dias atuais.

A Constituição de 1988, promulgada após


amplo movimento pela redemocratização do País,
procurou introduzir inovações e compromissos, com
destaque para a universalização do ensino
fundamental e erradicação do analfabetismo.

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