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ENSINO RECORRENTE DE S.V.

Prof. Flávio Brito

Apontamentos sobre Literatura Portuguesa- Área de Humanística

IIºTrimestre

9/02/2017- Turma 12ºB

A POESIA PALACIANA
 Causas da decadência do Período Trovadoresco

 Fase de ruptura/ transição para o Período Palaciano

A Poesia Trovadoresca conheceu um período áureo, que vai desde os princípios do séc.
XIII até D.Dinis.

Por meados do séc. XIV deixa de haver trovadores, com o desaparecimento do último
trovador da península- o Conde de Barcelos, D, Pedro (1298 – 1364). Até meados do
séc. XV desaparece esta actividade poética, isto é, extinguiu-se de vez a voz dos
travadores.

CAUSAS DA DECADÊNCIA DO PERÍODO TROVADORESCO

Podemos apontar 3 as causas principais desta decadência:

1ª Desaparecimento do mecenatismo real

*mecenato – dar protecção às letras, artes, etc, concedida por homens ricos e sábios.

Até meados do séc. XIV, muitos monarcas portugueses mantinham os jograis e os


menestréis no palácio real e, para os sustentar, obtinham dinheiro dos bens do Estado.

Havia infanções e homens ricos que também agasalhavam generosamente trovadores e


jograis.

A partir de D. Afonso IV, os Freis portugueses abandonaram este tradicional mecenato,


isto é, deixaram de proteger os poetas. Assim, como fazer versos era um ofício pouco
rentável, a decadência foi inevitável.

Houve uma substituição do culto da poesia pelo culto das práticas desportivas.
Deixaram de cultivar a estética.

2ª Aburguesamento de Portugal

Com a Revolução de Avis (finais do séc.XIV), Portugal apresentou uma profunda


modificação na sua estrutura económica e social, tornando a arte trovadoresca
incompatível com a nova realidade.

Houve um aparecimento de um espírito mercantil e o desenvolvimento da burguesia, o


que em nada favorecia o trabalho da imaginação.
Todos se entregaram ao comércio, ofício de resultados práticos excelentes e todos se
enriqueceram.

3ª Conflitos entre Portugal e Espanha e reacção da cultura castelhana contra a


portuguesa

Após o reinado de Afonso IV, as relações políticas entre Portugal e Espanha


arrefeceram consideravelmente.

Esta oposição política contribuiu também, para o antagonismo literário e, por


consequência, o abandono das formas poéticas até então comuns entre os dois povos.

Por outro lado, os escritores (literatos) de Castela (em Espanha) começaram já no


séc.XIV a reagir contra o uso do galaico-português, exprimindo o lirismo amoroso em
língua castelhana.

Conclusão: Houve um longo período de decadência e de silêncio que durou um


século, porque todo o esforço estava concentrado na política, na guerra e nas
conquistas africanas.

FASE DE TRANSIÇÃO/ RUPTURA AO PERÍODO PALACIANO

Esse período estende-se até à 3ª década do séc. XVI.

Com D.João I, a poesia voltou a ocupar o seu lugar na corte, em linguagem ora clássica
e culta, ora formal e na medida mais antiga, mas faltando-lhe a simplicidade da poesia
galaico-portuguesa.

Começaram a realizaram os famosos serões. Como uma espécie de campanha política o


Rei passou a proteger a poesia cortesã, por forma de manter consigo os fidalgos.

O palácio real tornou-se o centro da cultura e da vida agitada pelo entusiasmo dos
grandes descobrimentos.

Os cortesãos aproximam-se das damas, há bailes e recitam-se poesias. Os fidalgos


oferecem versos e rimas às damas belas e graciosas para obter delas amor e graças-
ASSIM SURGE A POESIA PALACIANA.

ORIGEM DO CANCIONEIRO GERAL

Cancioneiro Geral- É uma vasta recolha da poesia portuguesa. Feita por Garcia de
Resende, inspirado no espanhol Hernando de Castilho que já tinha editado uma
compilação com características semelhantes, 5 anos antes de Garcia de Resende.

Garcia de Resende é natura de Évora, fidalgo, cheio de méritos pois era poeta, cronista,
músico, cantor e desenhador.

Escreveu a muitos amigos e conhecidos, pedindo-lhes que lhe enviassem tudo o que de
poesia conhecessem e que, tendo algum valor, estivesse por publicar.

Fez a compilação e publicou-a em 1516 (séc. XV) com o nome de Cancioneiro Geral.
São cerca de 1000 compilações, de 286 portugueses e de 29 castelhanos.

É uma obra bilingue (em português e em castelhano) isto por influências politicas:
muitas rainhas e princesas castelhanas viveram na corte portuguesa, e todas as esposas
dos reis de Portugal do séc. XVI foram castelhanas.

A compilação abrange a poesia lírica, satírica, dramática, etc.

OS PRINCIPAIS TIPOS DE COMPOSIÇÃO QUE VÃO SURGIR NO PERÍODO


PALACIANO:

 CANTIGA

 VILANCETE

 ESPARSA

 TROVA

No séc. XV desapareceram as cantigas de amigo e o gosto pela forma paralelística ,


surgindo, então, uma poesia caracteristicamente castelhana.

Os poetas passaram a usar, de preferência a tradicional redondilha maior. Foi também


frequente a redondilha menor e o verso de arte maior

Redondilha menor- são versos com 5 sílabas métricas

Redondilha maior – são versos heptassílabos ou com 7 sílabas métricas.

Arte menor era no séc. XV, a classificação que abrangia os versos de 5 e de 7 sílabas
por oposição a arte maior, designação exclusiva do verso de 11 sílabas

A variedade de estrofes deu origem às seguintes formas poéticas: NOVOS GÉNEROS

 CANTIGA- é um género lírico fixo, em verso de 7 sílabas ou de 5 (a chamada


arte menor).

Geralmente só é reservado a temas amorosos, composto por 1 mote e 1 glosa


ou volta.

O mote – é um pequeno grupo de versos (4 ou 5) que expõe o tema do poema e


cujo os últimos versos ( os 2 últimos, por exemplo), devem ser repetidos
textualmente no fim da glosa.

A glosa ou volta- conta de 8 a 10 versos. Aqui o tema do mote é desenvolvido


pormenorizadamente

 VILANCETE- é uma forma poético-musical composta a partir de um mote


curto (2 ou 3 versos), tradicional, geralmente, ou quase sempre alheio.

A glosa – formada de uma cabeça de estrofe constituída por uma quadra e uma
cauda de 3 versos.

O ultimo verso da glosa repete o ultimo do mote ( com ou sem variantes)


……………………………………………………………………………………

1.CANTIGA A cantiga constitui uma composição medieval galego-portuguesa de tema


religioso ou profano, destinada a ser cantada. Formalmente, corresponde a uma
composição poética composta por um mote(1) de quatro ou cinco versos e por uma ou
várias glosas(2) de oito, nove ou dez versos, que repetem no final pelo menos o último
verso do mote.

2. VILANCETE Etimologicamente, vilancete quer dizer "cantiguinha vilã" e o termo


surge pela primeira vez no Cancioneiro Geral. A palavra vilancete deriva de vilão,
habitante de vila, sugerindo a origem popular desse tipo de composição. Esta
composição poética nasce de um mote pequeno (de dois ou três versos), popular ou
alheio, e desenvolve-se nas voltas.

(1) Mote: pensamento, do autor ou alheio, que irá depois ser desenvolvido nas glosas ou
voltas, e a partir do qual se compõe um novo poema.

(2) Glosa ou volta: estância que retoma, desenvolvendo-o, o sentido de um dado tema ou
mote, do qual repete um ou mais versos em posição certa.

Diferenças entre Cantiga e Vilancete

O vilancete distingue-se da cantiga pelo facto de o mote não ser repetido textualmente
e o metro utilizado é o tradicional, de 5 ou 7 sílabas métricas.

A diferença entre o vilancete e a cantiga depende do número de


versos no mote: se houver 2 ou 3 é um vilancete, se houver 4 ou
mais é uma cantiga. Cada verso de um vilancete está normalmente
dividido em cinco ou sete sílabas métricas.

PROPOSTA DE ANÁLISE DE 2 TEXTOS:

 “Senhora partem tam tristes” pág 5

 “Na fonte está Leonor” pág. 6