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UNIDADE:

[Legislação Comercial]
0563

Konkrets, Lda Rua Inês de Castro nº 9-B 3200-150 Lousã

T: 239 993 478 | @: info@konkrets.pt TIPOLOGIA:

Formação para empregados e

desempregados

DURAÇÃO:

25h

Manual de Apoio
0563 – Legislação Comercial
Página 1

Ficha Técnica:

Manual de formação “0563 – Legislação Comercial”

2018

Copyright© Konkrets, Lda.


Konkrets, Lda Rua Inês de Castro nº 9-B 3200-150 Lousã
Visite-nos em www.konkrets.pt

Coordenador/a Cientifico/a:
Luísa Maria Braga Mouro
0563 – Legislação Comercial
Página 2

É expressamente proibida a reprodução, no todo ou em parte do presente manual sem autorização


expressa por escrito pela Konkrets, Lda.
0563 – Legislação Comercial
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Índice
Enquadramento .................................................................................................................................................................................................. 4
Benefícios e condições de utilização .....................................................................................................................4
Destinatários .............................................................................................................................................................4
Objetivos Específicos ................................................................................................................................................5
Objetivos Gerais ........................................................................................................................................................5
Conteúdos Programáticos .......................................................................................................................................5
Carga horária .............................................................................................................................................................5

Capítulo I – Noções fundamentais de Direito ........................................................................................................................................ 6


As fontes de Direito .................................................................................................................................................6
Características da norma jurídica ...........................................................................................................................8
Distinção entre direito público e direito privado ................................................................................................9

Capítulo II – A empresa e o Direito ......................................................................................................................................................... 13


Tipos de empresas ................................................................................................................................................. 13
Singulares ............................................................................................................................................................... 18
Empresário em nome individual ......................................................................................................................... 18
EIRL .......................................................................................................................................................................... 19
Coletivas .................................................................................................................................................................. 20
Sociedades comerciais .......................................................................................................................................... 20
Sociedade em nome coletivo ............................................................................................................................... 21
Sociedade por quotas ........................................................................................................................................... 21
Sociedade em comandita ..................................................................................................................................... 23
Sociedade anónima ............................................................................................................................................... 23
Sociedade unipessoal ............................................................................................................................................ 26
Sociedades civis ..................................................................................................................................................... 27

Capítulo III – Contratos comerciais usuais ............................................................................................................................................ 28


Contrato de compra e venda ............................................................................................................................... 29
Contrato de locação .............................................................................................................................................. 35
Contrato de prestação de serviços ...................................................................................................................... 37
Saber mais............................................................................................................................................................... 39

Referências Bibliográficas............................................................................................................................................................................ 41
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Enquadramento

Benefícios e condições de utilização

O manual da unidade de formação “ 0563 - Legislação Comercial” está organizado por secções:

 Secção I: Enquadramento da unidade de formação.


 Secção II: Está organizada por capítulos e contém todos os documentos e materiais de apoio sobre os
conteúdos temáticos abordados ao longo da unidade. No final de cada capítulo estão reunidas um
conjunto de informações dirigidas aqueles que pretendam complementar o estudo, aprofundando
conhecimentos.
 Secção III: É constituída pela bibliografia e documentos eletrónicos

Esta forma de apresentação permite uma consulta rápida e direcionada. Para que possa consolidar os
conhecimentos adquiridos com a leitura deste manual propomos que realize os exercícios práticos fornecidos
pelo formador durante a sessão de formação.

Destinatários

São destinatários deste manual os/as formandos/as que frequentem a unidade “0563 - Legislação Comercial”
bem como outras pessoas que pretendam adquirir competências ou atualizar/reciclar conhecimentos na área de
formação.
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Objetivos Específicos
A unidade de formação “0563 - Legislação Comercial” tem por objetivo dotar o/a formando/a com as
competências necessárias para:

 Interpretar a legislação comercial relevante para a atividade da empresa.

Objetivos Gerais
A unidade de formação 0563 - Legislação Comercial tem por objetivo dotar o/a formando/a com as competências
necessárias para:

 Interpretar a legislação comercial relevante para a atividade da empresa.

Conteúdos Programáticos

 Noções fundamentais de Direito

o As fontes de Direito
o Características da norma jurídica
o Distinção entre direito público e direito privado

 A empresa e o Direito

o Tipos de empresas
- Singulares
- Empresário em nome individual
- EIRL
- Colectivas
- Sociedades comerciais
- Sociedade em nome colectivo
- Sociedade por quotas
- Sociedade em comandita
- Sociedade anónima
- Sociedade unipessoal
- Sociedades civis

 Contratos comerciais mais usuais

o Contrato de compra e venda


o Contrato de locação
o Contrato de prestação de serviços

Carga horária

 25 Horas
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Capítulo I – Noções fundamentais de Direito

As fontes de Direito

Para além de normas sociais, morais e religiosas, a sociedade humana teve necessidade de criar normas jurídicas.
Em termos muito simples, o Direito pode ser descrito como um conjunto de normas jurídicas.

Um leigo tende a ligar o conceito de Direito a fenómenos como sentença, aplicação de penas, tribunais, etc. Mas,
o certo é que o Direito funciona, e o nosso comportamento conforma-se com ele espontânea e naturalmente,
sem que nos apercebamos.

O Direito tem a função de disciplinar as relações entre os indivíduos e de solucionar os conflitos de interesses que
entre eles surgem. Contudo, tem, também, a função de disciplinar a constituição e funcionamento dos órgãos do
poder.

Na verdade, é impensável viver em sociedade sem um mínimo de princípios que regulem o agir humano, tanto
mais que são inevitáveis os conflitos de interesses, quer individuais, quer coletivos, emergentes da raridade de
certos bens (a sua insuficiência para satisfazer todas as necessidades que os solicitam).
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É, então, necessário que na vida social existam regras que determinem a cada indivíduo as suas formas de
colaboração com os outros, por meio de atos ou omissões, na prossecução dos fins sociais.

Constituem fontes do direito:


 A Lei (sentido amplo);

 A Jurisprudência (o conjunto das decisões judiciais);

 A Doutrina (os contributos dos jurisconsultos na resolução dos problemas jurídicos);

 Os Usos e Costumes (valem apenas se a Lei lhes conferir eficácia).

A Lei

Em sentido amplo, a Lei é a manifestação do poder legislativo: “Norma escrita proveniente dos órgãos estaduais
competentes”.

A Lei (em sentido amplo) pode assumir várias formas. Existe uma hierarquia destas formas:
 Constituição

 Lei

 Decreto-Lei

 Decreto Regulamentar

 Portaria

 Postura

 Etc.

Jurisprudência

Conjunto das Decisões dos Tribunais. No nosso sistema, o juiz é independente, e por isso não tem de respeitar as
decisões anteriores dos Tribunais.

As decisões dos Tribunais não fazem precedente com exceção dos Acórdãos do Tribunal Constitucional que
declaram a inconstitucionalidade de uma Lei. Essas anulam a Lei e, por isso, são obrigatórias para todos.

Doutrina

Conceito: conjunto de opiniões, estudos e pareceres jurídicos elaborados por professores e técnicos de Direito de
reconhecida competência sobre a forma adequada e correta de aplicar, articular e interpretar as normas jurídicas.

Esta fonte indireta do Direito resulta de investigações e reflexões teóricas e de princípios metodicamente expostos,
analisados e sustentados pelos autores, tratadistas, jurisconsultos, no estudo das leis.

Em determinadas fases da cultura jurídica sobressaem escritores, a cujos trabalhos todos recorrem de tal forma
que as suas opiniões se convertem em preceitos “obrigatórios...
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Obrigatórios no sentido de que essas orientações são pacificamente seguidas, pela sapiência revelada pelos
doutrinadores e pela consistência e razoabilidade de suas tomadas de posição. Em todo o caso, entre nós, a
Doutrina não é uma fonte de Direito de carácter vinculativo.

O seu valor é importantíssimo:


 Determina os Princípios Normativos;

 Participa na feitura e interpretação das leis;

 Tem um importante papel na formação dos Juristas.

Usos e costumes

O Costume tem dois elementos:


 Prática Social constante (corpus)

 Sentimento ou Convicção da sua obrigatoriedade (animus).

Sendo bastante discutível a admissão do Costume como fonte de Direito, a tendência vai no sentido de os usos
e costumes relevantes na ordem social serem acolhidos pelo legislador sob a forma de Direito escrito, posto que
a efetividade deste é tanto maior quanto maior for a sua coincidência com as regras e práticas sociais aceites e
consensualmente numa Comunidade.

Se, pelo contrário, as normas jurídicas forem totalmente alheias aos costumes prevalecentes na sociedade, a
aplicação daquelas pode engendrar conflitos e revelarem-se de difícil aplicabilidade social.

Características da norma jurídica

A ordem jurídica expressa-se através de normas jurídicas, que são regras de conduta social gerais, abstratas e
imperativas, adotadas e impostas de forma coercitiva pelo Estado, através de órgãos ou autoridades competentes.

A norma jurídica é o elemento básico do Direito. Correspondem a normas de conduta social mas que exprimem
a ligação da situação da vida à necessidade de uma conduta, concluindo com uma consequência para a sua
violação.

A norma jurídica é uma regra, uma fórmula, mas acima de tudo um modelo de comportamento; é esta
característica (entre outras, nomeadamente a da coercibilidade) que a distingue de outras regras (matemáticas,
científicas, etc.).

O Direito integra normas jurídicas. O que é que as normas jurídicas têm de peculiar que as distingam de outras
normas de conduta?

Imperatividade:

A norma jurídica conte um comando, porque impõe um certo comportamento e não se limita a dar conselhos.
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Generalidade:

A norma jurídica refere-se a todas as pessoas e não a destinatários singularmente determinados.

Abstração:

A norma jurídica diz respeito a um número indeterminado de casos do mesmo tipo, e não a situações concretas
ou individualizadas.

Coercibilidade:

Consiste na suscetibilidade de aplicação coativa de sanções, se a norma for violada.

Distinção entre direito público e direito privado

Uma distinção muito antiga é a que divide o Direito em DIREITO PRIVADO e DIREITO PÚBLICO.

Direito Privado é:
 O conjunto das normas reguladoras das relações entre os particulares ou entre os particulares e o Estado,

quando este intervém despido de «Imperium».

Direito Público é:
 O conjunto de normas reguladoras das relações entre os Estados ou entre o Estado e os particulares.

É Direito Público:

o Direito Internacional Público

É o conjunto de preceitos reguladores das relações estabelecidas entre os diversos Estados: Acordos,
Tratados, Praxes Internacionais, etc.

o Direito Constitucional

Conjunto de normas que regulam a organização fundamental do Estado e que fixam os direitos e
obrigações recíprocas do Estado e dos cidadãos.

o Direito Administrativo

Conjunto de normas que regulam a formação, competência e funcionamento dos órgãos administrativos
e disciplinam a atividade administrativa.

o Direito Criminal
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Conjunto de normas que fixam os pressupostos da aplicação de sanções criminais. Considera-se direito
público porque protege fundamentalmente interesses de segurança e de tranquilidade social.

o Direito Processual (civil, penal, fiscal)


Conjunto de regras que fixam os termos a observar na propositura das ações cíveis, na instauração e
desenvolvimento da ação penal.

É Direito Privado:

o Direito Civil ou Direito Privado Comum

É o direito regra, é o direito geral cujo campo de ação tende a estender-se a todas as relações de direito
privado.

o Direito Comercial
o Direito privado especial que regula os atos de comércio.

o Direito Internacional Privado

É fundamentalmente constituído por aquelas normas que apenas se limitam a indicar a lei reguladora das
relações que estão em conexão com mais do que um sistema jurídico, normas de conflitos.
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Direito Comercial é ramo de direito em que tradicionalmente são abordadas e estudadas as Sociedades
Comerciais, na sua qualidade de sujeitos de Direito Comercial.

O Direito Comercial regula a atividade dos sujeitos económicos mais relevantes no mercado: os comerciantes, ou
seja, empresários mercantis em nome individual ou organizados em sociedades comerciais, que se caracterizam
essencialmente pela profissionalidade dos seus atos.

O Direito Comercial não cuida, por isso, dos que exercem outras profissões, liberais (advogados, médicos,
engenheiros, arquitetos) ou manuais (pedreiros, marceneiros, eletricistas, canalizadores, etc.), nem dos
empresários civis, designadamente agrícolas ou pequenas indústrias familiares, exceto se organizados sob a forma
de sociedade comercial.

Por isso, a lei comercial exclui expressamente do âmbito do comércio a agricultura, os ofícios mecânicos
diretamente exercidos (a chamada pequena empresa) e a atividade literária, bem como as atividades que lhes
sejam acessórias, tais como empresas de transformação acessórias de empresas agrícolas (i.é., delas
primordialmente dependentes) e a edição de obras próprias.

Mas o Direito Comercial trata também dos negócios que instrumentalizam a atividade económica dos
comerciantes e de todos aqueles que com estes se relacionam, no exercício dessa atividade e ainda de certos
negócios que, por serem típicos da vida mercantil, estão sujeitos a um regime próprio, independentemente da
qualidade dos respetivos sujeitos e da intensidade (repetida ou esporádica) com que são praticados.

De acordo com o artigo 1.º do Código Comercial:


A «lei comercial rege os atos do comércio, sejam ou não comerciantes as pessoas que nele intervêm».

O direito comercial não é, pois, simplesmente o direito dos comerciantes, mas, sim, o direito da matéria comercial.

Não é, apenas, o comércio propriamente dito que é disciplinado por este direito. Também, algumas indústrias,
como a transformadora e a de transportes são reguladas pelo direito comercial.

O direito comercial como direito privado especial

No âmbito do direito privado foi incluído o direito comercial, definido como direito privado especial regulador
dos atos do comércio.

Diz-se que o direito comercial é especial perante o direito civil, porque retira do âmbito do direito comum
determinadas categorias que prevê e rege através de normas, por vezes opostas às regras comuns.

No sistema jurídico português, o direito comercial tem autonomia formal e substancial.


É um direito formalmente autónomo, porque as suas normas fundamentais se encontram num Código próprio.

É um direito substancialmente autónomo, porque a matéria mercantil foi retirada ao direito privado comum para
se reger pelos preceitos do Código Comercial.
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A autonomização do direito comercial

Apesar de existir atividade comercial nas sociedades antigas, só a partir da Idade Média, com o aparecimento das
corporações – associações profissionais organizados para a defesa dos interesses comuns – se foi diferenciando
do direito civil, um direito autónomo regulador do exercício do comércio.

As razões que levaram à autonomização de um conjunto de preceitos que regulassem a atividade comercial estão
relacionadas com as características particulares desta atividade:
o Rapidez das transações (compromisso no qual há uma negociação).

o Necessidade de crédito

Requisitos que as normas do Direito Civil não tinham em conta.

Características do Direito Comercial

o Simplicidade

o Facilidade de crédito

o Universalidade

o Uniformidade

Se as questões sobre direitos e obrigações comerciais não puderem ser resolvidos, nem pelo texto da lei
comercial, pelo seu espírito, nem pelos casos análogos (semelhantes) neles prevenidos, serão decididos pelo
direito civil».

O Direito civil é, pois, subsidiário do direito comercial, ou seja, quando determinado caso não possa ser
solucionado à luz da lei comercial (Código Comercial e todas as leis avulsas que versem sobre matéria comercial),
recorrer-se-á ao direito civil.

Direito civil é um ramo do Direito que trata do conjunto de normas reguladoras dos direitos e obrigações
de ordem privada concernente às pessoas, aos seus direitos e obrigações, aos bens e às suas relações, enquanto
membros da sociedade.
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Capítulo II – A empresa e o Direito

Tipos de empresas

A palavra «empresa» traduz um conceito atual que qualquer pessoa tende a identificar com a ideia de negócio,
estabelecimento, organização para a exploração de uma atividade, como contraponto às antigas «oficinas»,
«ateliers».

Não obstante ser generalizadamente aceite a importância da «empresa», não foi ainda aceite por todos um
conceito jurídico de «empresa», que reúna as várias perspetivas por que pode ser olhada.

Na perspetiva da economia, empresa é uma «unidade de produção», ou «uma unidade de exploração económica»,
ou «uma unidade técnica de produção», uma organização com o objetivo de criar utilidades, sob a forma de bens
ou serviços, para obter o lucro.

A «empresa» no Direito Comercial Português

«Haver-se-ão por comerciais as empresas, singulares ou coletivas, que se propuserem:


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1. Transformar por meio de fábricas ou manufaturas, matérias-primas, empregando, para isso, ou só

operários, ou operários e máquinas.

Manufatura é um estabelecimento fabril em que a técnica de produção é artesanal, mas o trabalho é


desempenhado por grande número de operários, que devem cumprir uma jornada de trabalho com hora
para iniciar e terminar, sob a direção de um patrão. Embora o termo “manufatura” tenha sua origem nas
"oficinas manuais", hoje a expressão é usada para fazer referência às fábricas ou a um grande estabelecimento
industrial. O termo “produto manufaturado” é usado para nominar os bens produzidos nas indústrias.

2. Fornecer, em épocas diferentes, géneros quer a particulares, quer ao Estado, mediante preço

convencionado (combinado).

3. Agenciar negócios ou leilões por conta de outrem em escritório aberto ao público, e mediante salário

estipulado.

4. Explorar quaisquer espetáculos públicos.

5. Editar, publicar ou vender obras científicas, literárias ou artísticas.

6. Edificar ou construir casas para outrem com materiais subministrados pelo empresário.

7. Transportar, regular e permanentemente, por água ou por terra, quaisquer pessoas, animais, alfaias ou

mercadorias de outrem…»

É da disposição do Código Comercial de que se acabou de transcrever uma parte que há-de resultar o conceito
de «empresa» no nosso Direito Comercial.

Em primeiro lugar, a empresa é o comerciante, isto é, o empresário que exerce as atividades enumeradas de 1º a
7º. Mas a empresa é também a atividade do empresário.

Os nºs 1º a 7º não aludem a um ato, mas a uma atividade, ou seja, conjunto de atos entre si coordenados para a
realização do mesmo fim.

A atividade do empresário há-de exercer-se através de uma organização que lhe sirva de instrumento.

Resumindo, empresa é:
o Em sentido subjetivo, o comerciante;

o Em sentido objetivo, a atividade que o comerciante exerce profissionalmente, servindo-se de uma

organização que é o estabelecimento comercial.

Referiu-se que a atividade do empresário se realiza através de uma organização. Esta organização que é o
instrumento da atividade comercial é o estabelecimento comercial.

Estabelecimento comercial é, assim, o conjunto de bens ou serviços organizado pelo comerciante com vista ao
exercício da sua atividade.
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É uma universalidade de facto e de direito: reúne todos os elementos necessários à atividade, como sejam, as
instalações onde funciona, as licenças respetivas, os trabalhadores, a clientela.

Requisitos da atividade comercial

O Código Comercial diz quais são os atos de comércio:


Todos os que se encontrem especialmente regulados no Código Comercial, ou seja, aqueles que são sempre
comerciais, independentemente da qualidade de comerciante de quem os pratica - são os atos de comércio
objetivos.

Todos os atos praticados pelos comerciantes, exceto se: a sua natureza for exclusivamente civil (por exemplo, o
casamento), se provar que não têm relação com o comércio (como por exemplo, se o comerciante compra uma
casa para a habitação da sua família, este ato não terá relação com o comércio). Estes são os atos de comércio
subjetivos.

A atividade do empresário realiza-se através de uma organização que é o instrumento da atividade comercial: o
estabelecimento comercial. Estabelecimento comercial é, assim, o conjunto de bens ou serviços organizado pelo
comerciante com vista ao exercício da sua atividade.

É uma universalidade de facto e de direito: reúne todos os elementos necessários à atividade, como sejam, as
instalações onde funciona, as licenças respetivas, os trabalhadores, a clientela.

Os Comerciantes são:
 As pessoas que, tendo capacidade para praticar atos do comércio, fazem desta profissão – os

comerciantes em nome individual.

 As sociedades comerciais.

Obrigações dos comerciantes

Os comerciantes estão vinculados a determinadas obrigações.


• Adotar uma firma;
• Ter uma escrituração;
• Efetuar o registo de determinados atos;
• Dar balanço e prestar contas.

Estas obrigações a que os comerciantes estão vinculados têm por objetivo geral o exercício do comércio de uma
forma segura. Especialmente, os objetivos destas obrigações são os seguintes:

o A firma tem por fim distinguir os comerciantes uns dos outros;

o A escrituração, o balanço e a prestação de contas têm por fim dar a conhecer a situação económica do

comerciante;

o O registo tem a finalidade de publicitar os atos dos comerciantes.


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EMPRESAS
EMPRESAS COLECTIVAS
SINGULARES

Empresas em Sociedades
nome em nome
individual colectivo

Sociedades
EIRL
por quotas

Sociedades
em
estabelecimento
individual de
comandita
responsabilidade
limitada
Sociedades
anónimas

Sociedades
individuais
por quotas

Sociedades
civis
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Singulares

As empresas singulares são aquelas que apenas têm um indivíduo como proprietário, o qual, para além de deter
a totalidade do capital, contribui com o seu trabalho na direção da empresa.

O empresário individual pode assumir uma responsabilidade limitada se optar pelo estatuto de Estabelecimento
Individual de Responsabilidade Limitada (Maria Manuela E.I.R.L). Neste caso, há uma separação entre os
patrimónios particular e comercial e apenas este responderá pelas dívidas contraídas pela empresa.

Empresário em nome individual

Uma empresa individual ou um empresário em nome individual consiste numa empresa titulada apenas por um
só indivíduo ou pessoa singular, que afeta bens próprios à exploração do seu negócio.

O Empresário em Nome Individual pode exercer a sua atividade na área comercial, industrial, de serviços ou
agrícola.

O Proprietário e gestor são uma e a mesma pessoa, que é pessoalmente responsável por todas as atividades da
empresa. Responde ilimitadamente perante os credores pelas dívidas (incluindo dívidas fiscais e no caso de
falência) contraídas no exercício da sua atividade.

Nem sempre estas empresas individuais assumem uma forma jurídica regular e raras as vezes têm contabilidade
organizada.

Apesar da sua muito pequena dimensão e aparente fragilidade, as empresas em nome individual são muito
numerosas, mesmo nas economias consideradas mais desenvolvidas.

A firma deverá ser constituída pelo nome civil completo ou abreviado do proprietário, seguido ou não da atividade
a que se dedica.

Exemplos
Maria José Abreu
M. J. Abreu
Maria José Abreu – Artesanato

VANTAGENS
• Ser proprietário único é poder manter um controlo pronto, direto e completo sobre a empresa e as suas

atividades.
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DESVANTAGENS
• A dimensão da empresa fica sempre limitada ao volume de recursos que o único proprietário pode dispor;

• O único proprietário é responsável, perante a lei, por todas as dívidas da empresa, podendo ser citado

judicialmente.

EIRL

Esta figura foi criada em Portugal em 1986 e, com a criação da figura de sociedades unipessoais, o Estabelecimento
Individual de Responsabilidade Limitada (EIRL) passa a ser escassa importância.

É titulada por um único indivíduo ou pessoa singular e é composto por um património autónomo ou de afetação
especial ao estabelecimento através do qual uma pessoa singular explora a sua empresa ou atividade, mas ao
qual não é reconhecida personalidade jurídica.

O capital social não pode ser inferior a € 5.000 e pode ser realizado em numerário, coisas ou direitos que possam
ser alvo de penhora. Contudo, a parte em dinheiro não pode ser inferior a 2/3 do capital mínimo.

Existe uma separação entre o património pessoal do empreendedor e o património afeto à empresa, pelo que os
bens próprios do empreendedor não se encontram afetos à exploração da atividade económica.

Pelas dívidas resultantes da atividade económica respondem apenas os bens a ela afetos. Em caso de falência do
empreendedor, e caso se prove que não decorria uma separação total dos bens, o falido responde com todo o
seu património pelas dívidas contraídas.

As entradas em espécie deverão constar de um relatório elaborado por revisor oficial de contas, que deverá instruir
o pedido de registo, ou que deverá ser apresentado ao notário no caso de constituição por escritura pública.

A constituição do estabelecimento é obrigatoriamente registada no Registo Comercial e publicada no Diário da


República.

Deverá ser destinada uma fração dos lucros anuais não inferior a 20% a um fundo de reserva, até que este
represente metade do capital do estabelecimento.

A firma deve ser composta pelo nome civil, por extenso ou abreviado, do empreendedor. Este nome pode ser
acrescido, ou não, da referência ao ramo de atividade, mais o aditamento obrigatório Estabelecimento Individual
de Responsabilidade Limitada ou E.I.R.L.

Constitui–se mediante documento particular, estando dispensado de celebração de Escritura Pública.


Exemplos
R. F. Andrade, E.I.R.L.
R. F. Andrade, comércio de equipamentos, E.I.R.L.
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Coletivas

Sociedades comerciais

As sociedades comerciais são a estrutura típica da empresa nas economias de mercado, embora a empresa possa
revestir outras formas jurídicas.

A sociedade comporta duas realidades diferentes que se justapõem:


o Sociedade como contrato, através do qual se prosseguem determinados objetivos e que supõe a

participação de pessoas;

o Sociedade como instituição, a sociedade que resulta do ato de constituição, que será uma estrutura

devidamente organizada.

O contrato de sociedade é definido no Código Civil como:

«aquele em que duas ou mais pessoas se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício em comum
de certa atividade económica, que não seja a de mera fruição, a fim de repartirem os lucros resultantes dessa
atividade».

A sociedade tem, assim, como características:


o Uma pluralidade de pessoas como seu substrato;

o A ideia de colaboração entre as pessoas numa atividade com vista a um objetivo que é o lucro;

o Conjugação de bens, isto é, um fundo comum que constituirá o património social;

o Uma organização que seja a base de realização dos objetivos.

De referir que os sócios das sociedade, tanto podem ser pessoas singulares, como pessoas coletivas, como por
exemplo outras sociedades.

Esta noção de sociedade que nos é dada pelo Código Civil é relevante para o Direito Comercial, pois a sociedade
comercial é uma espécie de sociedade.
O contrato de sociedade para que seja válido, além dos requisitos de validade gerais, deve conter os seguintes
requisitos:

o Capacidade das partes;

o Objeto possível e legal;

o Mútuo consentimento.

o Adotar a forma escrita.


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As sociedades são pessoas coletivas que, à semelhança das pessoas físicas, têm personalidade jurídica, isto é, são
sujeitos de direitos e obrigações. As sociedades compram, vendem, intentam ações em Tribunal.

Mas, porque são pessoas fictícias, não podem, como as pessoas físicas, agir, por si.
São os seus representantes que praticam atos, que agem em nome da sociedade.

São, assim, duas as condições para que se possa qualificar a sociedade como comercial:

o O fim (exercício do comércio);

o A forma (adoção de um dos tipos previstos na lei).

Sociedade em nome coletivo

Este tipo de sociedade não exige um montante mínimo obrigatório para o capital social, visto que os sócios
respondem ilimitadamente pelas obrigações sociais da empresa.

É uma sociedade de responsabilidade ilimitada em que os sócios respondem ilimitada e subsidiariamente em


relação à sociedade e solidariamente entre si perante os credores sociais.

O sócio para além de responder individualmente pela sua entrada, responde pelas obrigações sociais,
subsidiariamente em relação à sociedade e solidariamente com os outros sócios, ou seja, o seu património pessoal
pode ser afetado.

A firma pode ser composta pelo nome, completo ou abreviado, o apelido ou a firma de todos, alguns ou, pelo
menos, de um dos sócios, seguido do aditamento obrigatório por extenso "e Companhia", abreviado e "Cia" ou
qualquer outro que indicie a existência de mais sócios, nomeadamente "e Irmãos";

Exemplos
Marques & Pereira
Marques & Cª
Marques E Companhia

Sociedade por quotas

É uma sociedade de responsabilidade limitada ou seja apenas o património da sociedade responde perante os
credores pelas dívidas da sociedade. Este tipo de sociedade é composta por dois ou mais sócios, não sendo
admitidas contribuições de indústria (ou seja, o trabalho dos sócios, a sua habilidade e os seus conhecimentos
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técnicos ou profissionais não são considerados para o capital social da empresa.) e a firma deve terminar pela
palavra "Limitada" ou sua abreviatura (Lda).

Na Sociedade por Quotas o capital social está dividido em quotas e a cada sócio fica a pertencer uma quota
correspondente à sua entrada. Os sócios são solidariamente responsáveis por todas as entradas convencionadas
no contrato social.

As sociedades por quotas até 2011 eram obrigadas a apresentar um capital social superior a 5.000€. Desde esse
ano deixou de haver um limite mínimo para o capital social, podendo os sócios fixar livremente o valor do capital.
O capital social é representado por quotas, que poderão ter ou não um valor idêntico (mas nunca inferior a € 1
cada), ou seja, na pratica o capital social mínimo nunca será inferior a €. 2.

No caso de a realização do capital social ser superior ao mínimo legal, não tem de ser integralmente realizado no
momento da constituição, podendo ser diferidas entradas em dinheiro que não ultrapassem 50% do capital social
por um período máximo de cinco anos a contar da data da constituição da sociedade.

Contudo, o capital realizado em dinheiro à data da constituição deve perfazer o capital mínimo fixado na lei e
deve ser depositado em instituição de crédito, numa conta em nome da futura sociedade.

Só o património social responde para com os credores pelas dívidas da sociedade, salvo acordo em contrário,
sendo que nesse caso se pode estipular que um ou mais sócios, além de responderem para com a sociedade
respondem também perante os credores sociais até determinado montante (responsabilidade que pode ser
solidária com a sociedade ou subsidiária em relação a esta e a efetivar apenas na fase de liquidação).

A firma deve ser formada:


a) Com ou sem sigla, pelo nome ou firma de todos, algum ou alguns sócios, aditando-lhes ou não

expressão que dê a conhecer o objeto social;

b) Por denominação particular, aditando-lhe ou não expressão que dê a conhecer o objeto social;

c) Pela reunião de a) e b);

d) Deve terminar sempre pela expressão "Limitada" ou pela abreviatura "Lda".

Exemplos
Alves, Pereira & Freitas, Lda.
A.P.F. - Alves, Pereira & Freitas, Lda.
TexLar – Comércio de Têxteis, Lda .
0563 – Legislação Comercial
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Sociedade em comandita

Cada um dos sócios comanditários responde apenas pela sua entrada. Os sócios comanditados respondem pelas
dívidas da sociedade nos termos da sociedade em nome coletivo.

O traço distintivo reside na circunstância de terem duas espécies de sócios, com regimes de responsabilidade
diferentes:

o Os sócios comanditados assumem responsabilidade pelas dívidas da sociedade, nos mesmos termos dos

sócios das sociedades em nome conectivo;

o Os sócios comanditários não respondem por quaisquer dívidas da sociedade, à semelhança do que

acontece com os sócios das sociedades anónimas. Respondem, apenas, pelas suas entradas.

Mas dentro deste tipo de sociedades, e pelo que toca às participações sociais, surgem-nos dois sub-tipos:

o Nas sociedades em comandita simples: as participações de ambas as espécies de sócios, comanditados

e comanditários, denominam-se partes sociais; e, tal como as participações homólogas das sociedades

em como coletivo, não são representadas por quaisquer títulos;

o Nas sociedades em comandita por ações: as participações dos sócios comanditados são igualmente

partes sociais; mas as participações dos sócios comanditários são ações tituladas e regidas pelos preceitos

próprios do regime das sociedades anónimas, tal como é decalcada no das Sociedades Anónimas o seu

regime organizacional. Não pode constituir-se com menos de 5 sócios comanditários.

Nas sociedades em comandita um capitalista provê um empresário comercial dos meios de que este carece para
impulsionar o seu negócio. Realmente, tal fenómeno ocorre tanto no mútuo, como na associação ou conta em
participação e na sociedade em comandita, apenas com diversificação do grau de envolvimento do capitalista no
empreendimento comercial.

A firma é formada pelo nome ou firma de um, pelo menos, dos sócios comanditários e o aditamento “ Em
Comandita” ou “& Comandita” (para a comandita simples) / "Em Comandita por Ações" ou "& Comandita por
Ações".

Subsidiariamente, aplica-se o regime das sociedades anónimas a este tipo de sociedade.

Sociedade anónima
0563 – Legislação Comercial
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É uma sociedade de responsabilidade limitada em que os sócios limitam a sua responsabilidade ao valor das ações
por si subscritas, pelo que os credores da sociedade só se podem fazer pagar pelo património da sociedade.

O elemento fundamental deste tipo de sociedades é o capital, que é o titulado por um grande número de
pequenos acionistas ou por um pequeno número de grandes acionistas com poder financeiro. Assim, é o tipo de
sociedade adequado à realização de grandes investimentos.

O capital social está dividido em ações que se caracterizam pela facilidade de transmissão.

O número mínimo de sócios, normalmente chamados acionistas, é cinco, não sendo admitidos sócios de indústria.
É possível constituir uma sociedade anónima com um só sócio, desde que este seja uma sociedade (os sócios das
sociedades podem ser pessoas singulares ou pessoas coletivas, nomeadamente sociedades).

O capital social não pode ser inferior a €. 50 000 e encontra-se dividido em ações, cujo valor nominal não pode
ser inferior a um cêntimo.

As ações têm todas o mesmo valor nominal e são representadas por títulos. Os subscritores das ações deverão
realizar, o mínimo de 30% do valor nominal das ações.

A subscrição das ações pode ser pública ou particular. Pública quando qualquer pessoa tem a faculdade de
subscrever uma ou mais ações para o capital social e particular quando o capital social for subscrito apenas pelos
sócios fundadores.

As ações podem ser:


o Nominativas: transmitem-se pela declaração do seu titular escrito no título.

o Ao portador: a transmissão opera-se por mera transferência do título para outrem.

A firma das sociedades anónimas

A firma pode ser composta pelo nome (ou firma) de algum ou de todos os sócios, por uma denominação particular
ou uma reunião dos dois. Em qualquer dos casos, tem que ser seguida do aditamento obrigatório "Sociedade
Anónima" ou abreviado - "S.A.".

Os órgãos da sociedade anónima são:


o Assembleia geral - órgão deliberativo.

o Conselho de Administração – órgão executivo.

o Conselho Fiscal – órgão fiscalizador.

A assembleia geral é convocada pelo presidente da mesa através de publicação com antecedência de um mês.

No caso de as ações serem todas nominativas, o contrato social pode estipular que as convocatórias das
assembleias gerais sejam feitas por carta registada.
0563 – Legislação Comercial
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As deliberações da assembleia geral são tomadas por maioria de votos, salvo se o contrato ou a lei exigir maior
número de votos.

Em regra, a cada ação corresponde um voto, mas o contrato pode estabelecer de modo diferente.

As deliberações da assembleia geral são reduzidas a escrito, em atas.

A administração e a fiscalização da sociedade anónima podem organizar-se segundo uma de duas formas:

Conselho de Administração e Conselho Fiscal, ou Direção, Conselho Geral e Revisor Oficial de Contas.

A administração é normalmente eleita pela assembleia geral e cabe-lhe gerir as atividades da sociedade.

Os lucros apurados no final do exercício são distribuídos pelo número de ações. Chama-se-lhe dividendo que é o
rendimento de cada ação.

Cada ação detida dá direito a um voto na Assembleia Geral (constituída por todos os acionistas e que reúne, pelo
menos, uma vez por ano) e também à receção de um dividendo (parcela dos lucros apurados no ano anterior).

A sociedade chama-se anónima porque estas ações (sendo títulos representativos de participação no capital da
empresa) podem mudar frequentemente de mãos e, a cada momento, nem sempre se sabe muito bem quem é
que as possui. A esmagadora maioria das empresas de grande dimensão assumem esta forma jurídica.

VANTAGENS
• É encarada pela lei como uma entidade totalmente distinta dos indivíduos a quem pertence.

• Este processo de financiamento da sociedade anónima implica normalmente que nem os possuidores da

empresa possam ser os gestores, permitindo uma certa divisão das funções de decisão, oferta de capital

e de aceitação de risco.

• Para os acionistas, o aspeto mais importante de uma sociedade por ações, é a responsabilidade limitada

que esta forma jurídica lhes assegura.

• A grande vantagem da sociedade anónima é a de poder atrair o dinheiro (financiamento) de um número

muito grande de indivíduos (mesmo pessoas de recursos medianos ou mesmo pequenos).

• Do ponto de vista da empresa:

1. Poder reunir-se e realizar-se uma grande quantidade de capital, permitindo financiar a

constituição de unidades de grande dimensão e a posterior expansão das suas atividades.


0563 – Legislação Comercial
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2. Como as ações são fácil e diretamente transferíveis de um possuidor para outro, a sociedade por

ações pode ter uma vida praticamente independente das mudanças mais ou menos frequentes

dos seus proprietários acionistas.

DESVANTAGENS
• Do ponto de vista do investidor

1. A sociedade anónima, muito embora seja uma forma alternativa de aplicação de poupanças, pode

ter as suas desvantagens. Uma delas é a influência do acionista individual sobre a gestão da

empresa ser normalmente pequena.

2. Tributação dos rendimentos da atividade empresarial. A empresa paga impostos sobre os lucros

que obtém (IRC), tal como os acionistas pagam imposto sobre os dividendos que recebem (IRS).

Sociedade unipessoal

É constituída por um único sócio, pessoa singular ou coletiva, que é o titular da totalidade do capital social, sendo
seu mínimo de €. 1. Apenas o património social responde pelas dívidas da sociedade.

A sociedade unipessoal por quotas pode resultar de:

a. Concentração do capital de uma sociedade por quotas num único sócio;

b. Transformação de um estabelecimento individual de responsabilidade limitada;

c. Constituição de raiz de uma sociedade unipessoal por quotas.

A firma, para além das regras relativas às Sociedades por Quotas, deve-se ter em conta o seguinte: antes da
expressão "Limitada" ou da abreviatura "Lda." deve constar a expressão "Sociedade Unipessoal" ou "Unipessoal".

Uma pessoa singular só pode ser sócia de uma única sociedade unipessoal por quotas.
Uma sociedade por quotas não pode ter como sócio único outra sociedade unipessoal por quotas.

Exemplos
João José Freitas, Unipessoal, Lda
J.J.F. – João José Freitas, Comércio de Automóveis, Sociedade Unipessoal, Lda
Jocas – Comércio de Automóveis, Unipessoal
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Sociedades civis

Além de sociedades comerciais, existem Sociedades civis: aquelas que não têm por fim a prática de atos do
comércio, nem adotaram um dos tipos previstos na lei comercial.
Exemplos: Associações, Órgãos de defesa do consumidor, grupos ambientalistas.

Distingue-se entre sociedades civis sob a forma comercial e sociedades civis simples:

Sociedades civis sob forma comercial

Caracterizam-se pela circunstância de não terem por objeto a prática de atos de comércio nem o exercício de
quaisquer atividades previstas no Código Comercial. No entanto, a lei comercial portuguesa admite a
possibilidade dessas sociedades civis adotarem as formas comerciais para efeito de estruturação das quatro
formas que pode revestir a sociedade comercial.

Neste caso, passam a chamar-se sociedades civis sob forma comercial e ficam, sujeitas às disposições do Código
das Sociedades Comerciais. No entanto, não ficam sujeitas a um conjunto de obrigações específicas das
sociedades comerciais. São pessoas coletivas com personalidade jurídica.

Sociedades civis simples

São aquelas que não têm por objeto a prática de atos comerciais e estão sujeitas ao regime do Código Civil. Estas
sociedades civis simples, distinguem-se das sociedades civis sob forma comercial, dada a forma que revestem,
que está relacionada com a sua organização formal.
Encontram-se subordinadas ao regime da lei civil (Código Civil).

No que toca à responsabilidade dos sócios, segue-se o modelo de responsabilidade dos sócios das sociedades
em nome coletivo. Para além da responsabilidade dos bens de entrada, existe responsabilidade pessoal e solidaria
pelas dívidas sociais.
0563 – Legislação Comercial
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Capítulo III – Contratos comerciais usuais

Podemos definir contrato como o:

Acordo vinculativo assente sobre duas ou mais declarações de vontade substancialmente distintas que visam
estabelecer uma regulamentação unitária de interesses contraditórios mas harmónicos entre si.

O contrato é uma das fontes as obrigações. Mais do que uma das fontes possíveis das obrigações, o contrato,
como negócio jurídico bilateral que é, pode considerar-se a fonte natural das relações de crédito.

Sendo estas constituídas por um credor e por um devedor, é por vontade de ambos (através do acordo contratual)
que o vínculo, em princípio há-de ser constituído.

Um dos princípios fundamentais do regime dos contratos, expresso no Código Civil, é o princípio da liberdade
contratual.

Este princípio comporta:

Liberdade de contratar

Consiste na faculdade reconhecida às pessoas de criarem livremente entre si acordos destinados a regular os seus
interesses recíprocos.
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Mas, uma vez concluído o acordo, é negada a cada uma das partes a possibilidade de unilateralmente se afastar
desse acordo.

Liberdade de fixar o conteúdo dos contratos

Consiste na possibilidade de as partes celebrarem qualquer contrato tipificado na lei, de acrescentar a qualquer
destes contratos as cláusulas que melhor lhes convierem ou, ainda de realizar contratos distintos dos que a lei
prevê e regula.

Quer a liberdade de contratar quer a liberdade de fixar o conteúdo dos contratos comportam limites.

Há situações em que as pessoas, quer tenham vontade, quer não tenham, são obrigadas a contratar (exemplo, o
seguro automóvel).

No que se refere ao conteúdo dos contratos, a liberdade de o fixar tem, desde logo, os limites da lei (não podem
estabelecer-se cláusulas contrárias à lei).

Do contrato nascem direitos e deveres para os contraentes.

Um contrato para ser válido tem de conter elementos essenciais: as partes hão-de ter capacidade, hão-de querer
realizar o contrato e o objeto há-de ser física e legalmente possível.

Existem alguns contratos que, para além destes elementos, têm de adotar uma forma especial para serem válidos.

Os contratos devem ser pontualmente cumpridos. Se o não forem, quem deixa de cumprir torna-se responsável
pelo prejuízo causado à outra parte.

Não cumprindo o devedor, o seu património responde perante o credor, como atrás se referiu. Por isso se diz que
o património do devedor constitui uma garantia geral.

Os contratos estão regulados no Código Civil e alguns deles são tipificados.

Muitos destes contratos civis são considerados também comerciais, verificadas certas circunstâncias.

Contrato de compra e venda

Em termos gerais, a compra e venda é o contrato pelo qual um dos contraentes (vendedor) transmite a
propriedade de um bem ou de um direito para o outro contraente (comprador), mediante um preço
convencionado.

A compra e venda tem natureza comercial quando uma das partes – vendedor – transfere para outra – comprador
– mediante preço convencionado, a propriedade de qualquer coisa que o comprador destine a revenda ou
aluguer, ou que o vendedor tenha adquirido com o fim de revender.
0563 – Legislação Comercial
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Quanto a natureza dos contratos compra e venda, pode-se dizer que os contratos podem ser de:
o Natureza Comercial

o Natureza Civil

São considerados de natureza comercial:


1. As compras de coisas móveis para revender, em bruto ou trabalhadas, ou simplesmente para alugar;

2. As compras, para revenda, de fundos públicos ou de quaisquer títulos de crédito negociáveis;

3. A venda de coisas móveis, em bruto ou trabalhadas, e as de fundos públicos e de quaisquer títulos de

crédito negociáveis, quando a aquisição houvesse sido feita no intuito de as revender;

4. As compras e revendas de bens imóveis ou de direitos a eles inerentes, quando aquelas, para estas,

houverem sido feitas;

5. As compras e vendas de partes ou de ações de sociedades comerciais.

São considerados de natureza civil (não comercial):

1. As compras de quaisquer coisas móveis destinadas ao uso ou consumo do comprador ou da sua família

e as revendas que porventura desses objetos se venham a fazer;

2. As vendas que o proprietário ou explorador rural faça dos produtos de propriedade sua ou por ele

explorada e dos géneros em que lhe houverem sido pagas quaisquer rendas;

3. As compras que os artistas, industriais, mestres e ofícios mecânicos que exercerem diretamente a sua arte,

indústria ou oficio fizerem de objetos para transformarem ou aperfeiçoarem nos seus estabelecimentos

e as vendas de tais objetos que fizerem depois de assim transformados ou aperfeiçoados;

4. As compras e vendas de animais feitas pelos criadores.

O contrato referido percorre habitualmente quatro etapas essenciais, cada uma com características próprias.

1. Encomenda -Fase em que se expressa a intenção de compra por parte do comprador.

2. Entrega - Fase em que se processa o envio das mercadorias pelo vendedor.

3. Liquidação - Fase do apuramento e fixação dos preços a pagar pelo comprador.

4. Pagamento - Fase referente ao cumprimento da obrigação por parte do comprador, mediante a entrega

total ou parcial da importância atribuída à sua compra.


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É usual os contratos mencionarem os seguintes elementos, úteis para o processamento do controlo


administrativo:

1. Os elementos de identificação do fornecedor/cliente;

2. O objeto do contrato, suficientemente especificado;

3. O prazo durante o qual se realizará o fornecimento dos bens ou as prestações de serviços, com indicação

das respetivas datas de início e termo;

4. As garantias financeiras oferecidas à execução do contrato;

5. A forma, os prazos e demais aspetos respeitantes ao regime de pagamentos.

MINUTA DE CONTRATO-PROMESSA DE COMPRA E VENDA

Entre os aqui identificados:

____________, sociedade comercial, com sede na Av./Rua ____________, n.º ____________ em


____________, matrícula/NIPC n.os ____________, com o capital social de € ____________ (____________),
devidamente representada para o ato pelo seu gerente/administrador/procurador com poderes para efeito,
doravante designada por Promitente-Vendedora;

____________, sociedade comercial, com sede na Av./Rua ____________, n.º ____________, em


____________, matrícula/NIPC com o capital social de € ____________ (____________), devidamente
representada pelo seu gerente/administrador/procurador com poderes para o ato, doravante designada por
Promitente-Compradora.

É celebrado de boa-fé ou /e reciprocamente acordado o presente contrato promessa de compra e venda que se
regerá pelas seguintes cláusulas:

Cláusula Primeira
(Objeto)

1. Pelo presente contrato, a Promitente-Vendedora, na qualidade de única e legítima proprietária do


"____________", promete vender à Promitente-Compradora, que por seu turno promete comprar, a "Fração" e
o "Lugar de Estacionamento" acima identificados.

2. A venda ora prometida será efetuada livre de quaisquer ónus, hipotecas ou quaisquer outros encargos
ou responsabilidades.
0563 – Legislação Comercial
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Cláusula Segunda
(Preço)

O preço global da prometida compra e venda das referidas frações é livremente ajustado em € ____________
(____________), em que € ____________, (____________) correspondem à "Fração" e € ____________
(____________) correspondem ao "Lugar de Estacionamento".

Cláusula Terceira
(Condições de Pagamento)

1. O preço global referido na cláusula anterior será pago de forma escalonada pela Promitente-Compradora
à Promitente-Vendedora da seguinte forma:
a) € _____________ (____________), na data da outorga deste contrato-promessa, a título de sinal (ii) e
princípio de pagamento, servindo o mesmo como recibo de quitação;
b) € ____________ (____________), em ____/____/____ a título de reforço do sinal;
c) € ____________ (____________), em ____/____/____ a título de reforço do sinal;
d) O remanescente do preço, no montante de € ____________ (____________), será liquidado pela
primeira à segunda na data da outorga da competente Escritura Pública de Compra e Venda ( ou documento
particular autenticado).

2. Após a entrega dos reforços acima previstos, e sua boa cobrança, a segunda contraente deverá emitir o
respetivo recibo de quitação.

Cláusula Quarta
(Escritura Pública)

A escritura de compra e venda (ou o documento particular autenticado) será outorgada logo que se mostrem
pagos os reforços previstos na antecedente cláusula e mostre reunida toda a documentação necessária, e em
dia, hora e local a acordar pelas partes ou, na falta de acordo, em dia, hora e local a indicar pela Promitente-
Vendedora à Promitente-Compradora, através de carta registada expedida com pelo menos 8 dias de
antecedência.

Cláusula Quinta
(Prorrogação do prazo para Escritura Pública)

1. A Promitente-Vendedora poderá, caso assim o entenda, prorrogar o prazo limite previsto na cláusula
anterior para a outorga da prometida escritura de compra e venda por mais ____________ meses. (

2. No entanto, se a Promitente-Vendedora vier a usar desta faculdade compromete-se a pagar à Promitente-


Compradora juros à taxa de ____________ ao ano, calculados sobre a parte do preço que estiver já pago e pelo
período de prorrogação e a Promitente-Compradora fica autorizada a deduzir no montante do preço em dívida o
valor dos juros calculados pela mora da Promitente-Vendedora.

Cláusula Sexta
(Condições de Construção)

A Promitente-Vendedora compromete-se a completar a construção do "____________" de acordo com o Projeto,


a Licença de Construção e as Especificações Técnicas.

Cláusula Sétima
(Placas Identificadoras)
0563 – Legislação Comercial
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Eventuais alterações ao projeto que impliquem, alterações às frações prometidas vender, designadamente em
termos de áreas, deverão ser efetuadas de comum acordo com a Promitente-Vendedora.

Cláusula Oitava
(Tradição da Coisa)

A tradição material das frações, a concretizar com a entrega das chaves e comando da garagem, só terá lugar
com o pagamento da totalidade do preço.

Cláusula Nona
(Despesas do Condomínio)

A partir da data em que se operar a tradição material das “frações” prometidas vender, a Promitente-Compradora
obriga-se a suportar e pagar todas as despesas de conservação e manutenção das partes comuns do edifício.

Cláusula Décima
(Obras e Benfeitorias)

Sem prejuízo dos projetos aprovados e das especificações técnicas do imóvel, a Promitente-Compradora poderá,
com o consentimento prévio e por escrito da Promitente-Vendedora, executar obras de simples adaptação na
"Fração" à atividade de ____________ que nela irá ser exercida.

Cláusula Décima Primeira


(Despesas Contratuais)

Todas e quaisquer despesas relacionadas com o presente contrato, designadamente as relativas à respetiva
escritura pública, IMT, dos emolumentos Notariais e dos custos de Registo, serão de exclusiva responsabilidade
da Promitente-Compradora.

Cláusula Décima Segunda


(Conclusão da Obra)

A conclusão da construção do "____________" está prevista para ____/____/____, comprometendo-se a


Promitente-Vendedora a efetuar a entrega da "Fração" a favor da Promitente-Compradora até um mês após essa
data, excetuando-se eventual dilação deste prazo por motivos de força maior, ou pela ocorrência de casos
fortuitos ou outras circunstâncias não culposas, responsabilidade ou vontade da Promitente-Vendedora e que não
lhe possam vir a ser imputadas e que, portanto, não constituirão incumprimento deste contrato.

Cláusula Décima Terceira


(Cessão da Posição Contratual)

A posição contratual e os direitos previstos no presente contrato podem ser cedidos ou transferidos, pela
Promitente-Vendedora, devendo a cessão ser comunicada à Promitente-Compradora no prazo de 15 dias através
de carta registada com aviso de receção.

Cláusula Décima Quarta


(Mora, Incumprimento e desistência)

1. No caso de a Promitente-Compradora, independentemente do motivo, não efetuar qualquer das


prestações de reforço do preço nas datas fixadas na cláusula terceira deste contrato, poderá a Promitente-
Vendedora aceitar a prestação em mora no prazo máximo de 30 dias contados daquelas datas, sofrendo porém
0563 – Legislação Comercial
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o valor em atraso o aumento correspondente aos juros de mora calculados à taxa A.P.B. a 90 / 180 dias, acrescida
de mais 2% (dois por cento) contados dia a dia.

2. Decorrido o prazo 30 dias fixado no número anterior, sem que a importância em dívida tenha sido
liquidada, constitui a Promitente-Compradora em incumprimento definitivo e confere à Promitente-Vendedora o
direito de resolver automaticamente o presente contrato e optar por fazer suas todas as importâncias recebidas
a título de sinal e respetivo reforços ou solicitar da Promitente-Compradora a quantia correspondente a 50 % do
preço global fixado na cláusula segunda, sem prejuízo de indemnização pelo dano excedente.

3. Sem prejuízo do disposto na cláusula quinta, o incumprimento definitivo pela Promitente-Vendedora,


traduzida na falta de entrega material das "Frações" a favor da Promitente-Compradora no prazo fixado confere
à Promitente-Compradora o direito de resolver este contrato e de exigir da Promitente-Vendedora a restituição
em dobro de todas as importâncias entregues a título de sinal e reforços.

4. O incumprimento do presente contrato promessa por qualquer uma das partes, não implica o afastamento
da possibilidade de o Promitente não faltoso requerer, em alternativa, a execução específica nos termos do artigo
830.º do Código Civil.

Cláusula Décima Quinta


(Partes Comuns)

O ____________ dispõe, como partes comuns, de ____________, ____________, e ____________ para


utilização dos Condóminos.

Cláusula Décima Sexta


(Modificações)

Este contrato-promessa e seus anexos traduzem e constitui o integral acordo celebrado entre as partes, só
podendo ser alterado por escrito assinado por ambas.

Cláusula Décima Sétima


(Notificações)

1. As eventuais notificações a efetuar pelas partes deverão ser dirigidas para as moradas indicadas no
introito.

2. As partes obrigam-se a comunicar entre si eventuais alterações de morada através de carta registada.

Cláusula Décima Oitava


(Foro Competente)

Para qualquer litígio entre as partes emergentes da interpretação, execução ou integração deste Contrato-
Promessa será competente, com expressa renúncia a qualquer outro, o foro da Comarca de ____________.

Em duplicado,
____________ de ____________ de ____________

Pela "PROMITENTE-VENDEDORA"______________________
Pela "PROMITENTE-COMPRADORA"______________________
0563 – Legislação Comercial
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Contrato de locação

«Locação é o contrato pelo qual uma das partes se obriga a proporcionar à outra o gozo temporário de uma
coisa, mediante retribuição».
Se a coisa for móvel, a locação toma o nome de aluguer. Se a coisa for imóvel, a locação diz-se arrendamento.
Quando uma pessoa compra uma coisa com o objetivo de alugar o seu uso, o aluguer terá a natureza de comercial.
O arrendamento urbano está regulado no Código Civil e num diploma legal que aprovou o Regime do
Arrendamento Urbano.

O arrendamento para comércio, indústria ou profissão liberal tem regras diferentes das do arrendamento para
habitação:

o O arrendatário pode transmitir a sua posição no arrendamento, sem que o senhorio tenha de dar

autorização, no caso de trespasse de estabelecimento comercial. O senhorio tem, no entanto, direito de

preferência, no trespasse.

o O trespasse de estabelecimento comercial consiste na transferência de um estabelecimento comercial ou

industrial e abrange, normalmente, todos os elementos que o compõem.

Contrato de locação financeira (leasing)


A empresa X quer comprar três automóveis. Não podendo dispor, desde logo, do valor necessário, celebra um
contrato de leasing, isto é, adquire o uso dos automóveis, mediante o pagamento de uma prestação mensal,
podendo, no final do período, adquirir a propriedade dos automóveis.

O contrato de locação financeira ou leasing é, assim:

Contrato pelo qual alguém cede a outrem o gozo de uma coisa mediante o pagamento de uma retribuição a
pagar periodicamente, e ao fim de determinado período, aquele a quem foi dado o gozo da coisa tem a faculdade
de a comprar pelo valor residual.

MINUTA DE CONTRATO DE LOCAÇÃO COM OPÇÃO DE COMPRA

Entre:
F1 ____________ (adiante designado Locador)
e
F2 ___________ (adiante designado Locatário)
É celebrado o presente contrato, que se rege pelos termos e condições das cláusulas seguintes:

Cláusula 1ª

O Locador dá de aluguer ao Locatário a/o (Identificação da coisa dada de aluguer).


________ para (descrição do fim a que se destina o aluguer da coisa).

Cláusula 2ª
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1. O prazo do aluguer é de _____ meses, não renovável, findo o qual termina automaticamente sem necessidade
de qualquer comunicação entre as partes.
2. No final do prazo do aluguer, o Locatário deverá entregar o _______ em _____, ou noutro local que venha a ser
indicado pelo Locador.

Cláusula 3ª

1. O Locatário pagará um aluguer mensal de _____€ __ ( ___________ euros), vencendo-se o primeiro aluguer na data
da celebração do presente contrato e os restantes no primeiro dia útil de cada mês a que respeita.
2. Os alugueres deverão ser pagos no domicílio/sede do Locador [ou por depósito na conta ____________ junto do
Banco_______].

Cláusula 4ª

1. O Locador obriga-se a vender ao Locatário, no final do prazo do contrato e caso este manifeste a vontade de
o adquirir o bem locado, pelo preço de ___________.
2. O Locatário deverá manifestar a vontade de adquirir o bem locado por carta registada com aviso de receção,
enviada com uma antecedência mínima de 30 dias relativamente ao prazo final do contrato.
3. O preço referido no número um da presente cláusula será pago no termo do contrato de aluguer, considerando-
se a propriedade do bem transmitida para o Locatário na data do pagamento do preço correspondente.
4. O direito do Locatário a comprar o bem locado cessará se este não cumprir, temporária ou definitivamente, o
contrato de locação.

Cláusula 5ª

Fica expressamente proibida a sublocação ou a cedência, a qualquer título, do bem alugado sem o consentimento
prévio e escrito do Locador.

Cláusula 6ª

Para todas as questões emergentes do presente contrato fica estipulado como competente o tribunal da Comarca
de ______, com expressa renúncia a qualquer outro.

Feito em ________, em dois exemplares, sendo um para cada parte.

O Locador,___________________

O Locatário,__________________
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Contrato de prestação de serviços

É o contrato pelo qual uma das partes se obriga a proporcionar à outra certo resultado do seu trabalho intelectual
ou manual, com ou sem retribuição.

Modalidades de Contrato de Prestação de Serviços

Contrato de Mandato

Noção

É o contrato pelo qual uma das partes se obriga a praticar um ou mais atos jurídicos por conta de outra.

Nesta modalidade a empresa, mandante, incumbe outrem, mandatário, de praticar um ou mais atos jurídicos por
conta daquela, ou seja no seu interesse, retribuindo este de acordo com o combinado entre ambos, quando o
mandatário não o faça gratuitamente.

Para tanto a empresa poderá conferir ao mandatário poderes de representação (mandato com representação)
através de procuração (ato pelo qual alguém atribui a outrem, voluntariamente, poderes representativos).

Contrato de Empreitada

Noção
É o contrato pelo qual uma das partes se obriga em relação à outra a realizar certa obra, mediante um preço.

Trata-se de um contrato cujo objeto consiste num produto ou resultado e não uma atividade ou disponibilidade
da força de trabalho.

Mandato Comercial

Noção

É o contrato pelo qual uma pessoa se encarrega de praticar um ou mais atos de comércio por mandato de outrem
(art. 231.º Código Comercial). O mandato comercial, embora contenha poderes gerais, só pode autorizar atos
não mercantis por declaração expressa.

O mandatário comercial é aquele que pratica uma massa de atos mercantis, fazendo disso sua profissão, mas
atuando em nome, por conta e no interesse do mandante, que é o comerciante.

Os atos e negócios em que intervém o mandatário são de natureza comercial, ou seja a sua comercialidade
provém do facto de se ajustarem a um tipo de atos previstos pela lei comercial e não da qualidade de comerciante
de quem os pratica.

São mandatários comerciais o gerente, o auxiliar do comerciante, o caixeiro do estabelecimento e o caixeiro-


viajante.

Para além destes tipos de mandatários, que trabalham por conta e nome do mandante e cuja situação jurídico-
comercial pode ser absorvida por um contrato individual de trabalho, outros existem que agem no interesse e por
conta do mandante mas em nome próprio, como é o caso do comissionista e do representante do comércio ou
agente comercial. Esta figura encontra-se regulada pelo D.L. nº 178/86, de 3 de Julho.
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MINUTA DE CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS

Entre:

A ……………………. (denominação da sociedade), ……………… (tipo de sociedade), com sede em …..………………….


(morada completa), pessoa coletiva Nº……………….., matriculada na Conservatória do Registo Comercial de
……………sob o Nº …………, aqui representada pelo seu gerente B …………………………. (nome completo), doravante
designada como primeira contraente;

B ……………………… (nome, naturalidade, estado civil e profissão), residente em ……………………, portador do


Bilhete de Identidade Nº ………………, emitido em …………….. (data), pelo ……….……. , contribuinte Nº ……………..;
doravante designado como segundo contraente,

Entre os contraentes é celebrado e reciprocamente aceite, um Contrato de Prestação de Serviços, que se regerá
pelas seguintes cláusulas:

Cláusula Primeira

O segundo contraente obriga-se a prestar à primeira, serviços como profissional por conta própria,
compreendendo a ………………….. (atividade realizada).

Cláusula Segunda

O segundo contraente obriga-se a não prestar os serviços indicados na cláusula primeira a empresas concorrentes
da primeira contraente.

Cláusula Terceira

O segundo contraente exercerá os seus serviços na sede da primeira contraente.

Cláusula Quarta

A atividade do segundo contraente será desenvolvida de 2ª a 6ª feira em horário livre.

Cláusula Quinta

O segundo contraente tem direito ao gozo de 30 dias de férias anuais que deverão ser comunicados à primeira
contraente com antecedência não inferior a 30 dias.

Cláusula Sexta

Como contrapartida dos serviços prestados, e identificados na cláusula primeira, a primeira contraente pagará ao
segundo contraente o correspondente a …..% de todas as vendas realizadas pela primeira contraente

Cláusula Sétima

Correrão por conta do segundo contraente todas as despesas que ele houver de efetuar no desempenho das suas
funções, nomeadamente, …………….. (Ex.: deslocações, alimentação e estadias).
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Cláusula Oitava

O presente contrato tem o seu início de vigência em ……………. (data) e vigorará pelo período de um ano,
tacitamente renovável.

Cláusula Nona
Qualquer dos contraentes poderá denunciar o presente contrato, independentemente de quaisquer motivos,
desde que a denúncia revista a forma escrita e seja efetuada com a antecedência mínima de 90 dias.

Cláusula Décima

A falta de aviso prévio estabelecido na cláusula anterior obriga a parte faltosa ao pagamento, a título de
indemnização, dos honorários respeitantes ao período em falta.

Cláusula Décima Primeira

A primeira e o segundo contraentes obrigam-se a cumprir na íntegra o presente contrato, aceitando-o nos exatos
termos constantes das cláusulas expressas.

............................., ........ de .............. de ..........

A Primeira Contraente _________________________

O Segundo Contraente _________________________

Saber mais

DL n.º 262/86, de 02 de Setembro


CÓDIGO DAS SOCIEDADES COMERCIAIS(versão
actualizada)

Contém as seguintes alterações: Ver versões do diploma:

- Retificação n.º 21/2017, de 25/08 - 49ª versão - a mais recente (Retificação n.º 21/2017, de 25/08)
- DL n.º 89/2017, de 28/07 - 48ª versão (DL n.º 89/2017, de 28/07)
- DL n.º 79/2017, de 30/06 - 47ª versão (DL n.º 79/2017, de 30/06)
- Lei n.º 15/2017, de 03/05 - 46ª versão (Lei n.º 15/2017, de 03/05)
- Lei n.º 148/2015, de 09/09 - 45ª versão (Lei n.º 148/2015, de 09/09)
- DL n.º 98/2015, de 02/06 - 44ª versão (DL n.º 98/2015, de 02/06)
- DL n.º 26/2015, de 06/02 - 43ª versão (DL n.º 26/2015, de 06/02)
- Lei n.º 66-B/2012, de 31/12 - 42ª versão (Lei n.º 66-B/2012, de 31/12)
- DL n.º 53/2011, de 13/04 - 41ª versão (DL n.º 53/2011, de 13/04)
- DL n.º 33/2011, de 07/03 - 40ª versão (DL n.º 33/2011, de 07/03)
- DL n.º 49/2010, de 19/05 - 39ª versão (DL n.º 49/2010, de 19/05)
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- DL n.º 185/2009, de 12/08 - 38ª versão (DL n.º 185/2009, de 12/08)


- Lei n.º 19/2009, de 12/05 - 37ª versão (Lei n.º 19/2009, de 12/05)
- DL n.º 247-B/2008, de 30/12 - 36ª versão (DL n.º 247-B/2008, de 30/12)
- Rect. n.º 117-A/2007, de 28/12 - 35ª versão (Rect. n.º 117-A/2007, de 28/12)
- DL n.º 357-A/2007, de 31/10 - 34ª versão (DL n.º 357-A/2007, de 31/10)
- DL n.º 8/2007, de 17/01 - 33ª versão (DL n.º 8/2007, de 17/01)
- Rect. n.º 28-A/2006, de 26/05 - 32ª versão (Rect. n.º 28-A/2006, de 26/05)
- DL n.º 76-A/2006, de 29/03 - 31ª versão (DL n.º 76-A/2006, de 29/03)
- DL n.º 52/2006, de 15/03 - 30ª versão (DL n.º 52/2006, de 15/03)
- DL n.º 111/2005, de 08/07 - 29ª versão (DL n.º 111/2005, de 08/07)
- Rect. n.º 7/2005, de 18/02 - 28ª versão (Rect. n.º 7/2005, de 18/02)
- DL n.º 35/2005, de 17/02 - 27ª versão (DL n.º 35/2005, de 17/02)
- DL n.º 19/2005, de 18/01 - 26ª versão (DL n.º 19/2005, de 18/01)
- DL n.º 88/2004, de 20/04 - 25ª versão (DL n.º 88/2004, de 20/04)
- DL n.º 107/2003, de 04/06 - 24ª versão (DL n.º 107/2003, de 04/06)
- DL n.º 162/2002, de 11/07 - 23ª versão (DL n.º 162/2002, de 11/07)
- DL n.º 237/2001, de 30/08 - 22ª versão (DL n.º 237/2001, de 30/08)
- DL n.º 36/2000, de 14/03 - 21ª versão (DL n.º 36/2000, de 14/03)
- DL n.º 486/99, de 13/11 - 20ª versão (DL n.º 486/99, de 13/11)
- Rect. n.º 3-D/99, de 30/01 - 19ª versão (Rect. n.º 3-D/99, de 30/01)
- DL n.º 343/98, de 06/11 - 18ª versão (DL n.º 343/98, de 06/11)
- Rect. n.º 5-A/97, de 28/02 - 17ª versão (Rect. n.º 5-A/97, de 28/02)
- DL n.º 257/96, de 31/12 - 16ª versão (DL n.º 257/96, de 31/12)
- DL n.º 328/95, de 09/12 - 15ª versão (DL n.º 328/95, de 09/12)
- DL n.º 261/95, de 03/10 - 14ª versão (DL n.º 261/95, de 03/10)
- DL n.º 20/93, de 26/01 - 13ª versão (DL n.º 20/93, de 26/01)
- DL n.º 225/92, de 21/10 - 12ª versão (DL n.º 225/92, de 21/10)
- Rect. n.º 24/92, de 31/03 - 11ª versão (Rect. n.º 24/92, de 31/03)
- Rect. n.º 236-A/91, de 31/10 - 10ª versão (Rect. n.º 236-A/91, de 31/10)
- DL n.º 238/91, de 02/07 - 9ª versão (DL n.º 238/91, de 02/07)
- DL n.º 142-A/91, de 10/04 - 8ª versão (DL n.º 142-A/91, de 10/04)
- DL n.º 229-B/88, de 04/07 - 7ª versão (DL n.º 229-B/88, de 04/07)
- Declaração de 31/08 de 1987 - 6ª versão (Declaração de 31/08 de 1987)
- Declaração de 31/07 de 1987 - 5ª versão (Declaração de 31/07 de 1987)
- DL n.º 280/87, de 08/07 - 4ª versão (DL n.º 280/87, de 08/07)
- DL n.º 184/87, de 21/04 - 3ª versão (DL n.º 184/87, de 21/04)
- Declaração de 29/11 de 1986 - 2ª versão (Declaração de 29/11 de 1986)
- 1ª versão (DL n.º 262/86, de 02/09)
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Conclusão

Para além de normas sociais, morais e religiosas, a sociedade humana teve necessidade de criar normas jurídicas.
Em termos muito simples, o Direito pode ser descrito como um conjunto de normas jurídicas.

Um leigo tende a ligar o conceito de Direito a fenómenos como sentença, aplicação de penas, tribunais, etc. Mas,
o certo é que o Direito funciona, e o nosso comportamento conforma-se com ele espontânea e naturalmente,
sem que nos apercebamos.

O Direito tem a função de disciplinar as relações entre os indivíduos e de solucionar os conflitos de interesses que
entre eles surgem. Contudo, tem, também, a função de disciplinar a constituição e funcionamento dos órgãos do
poder.

Na verdade, é impensável viver em sociedade sem um mínimo de princípios que regulem o agir humano, tanto
mais que são inevitáveis os conflitos de interesses, quer individuais, quer coletivos, emergentes da raridade de
certos bens (a sua insuficiência para satisfazer todas as necessidades que os solicitam).

É, então, necessário que na vida social existam regras que determinem a cada indivíduo as suas formas de
colaboração com os outros, por meio de atos ou omissões, na prossecução dos fins sociais.

Referências Bibliográficas

AA V., Formalidades para a criação de empresas: tipos de sociedades, Ed. ANJE – Gabinete de apoio jurídico, s/d

Correia, Miguel, Direito Comercial – Direito de Empresa, Ed. Almedina, 2001

Ferreira, Abel, Documentação comercial – Guia do formando, ISG/ IEFP, 2004

Ferreira, Abel, Legislação comercial – Guia do formando, ISG/ IEFP, 2004