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RELATO DE ATIVIDADE DE APRENDIZAGEM

Diante da proposta do Curso de Ciências da Religião – Bacharelado e


Licenciatura Plena em Ensino Religioso, do Centro Universitário Municipal de São
José (USJ), em Santa Catarina, através da disciplina “Estágio Curricular
Supervisionado III – Ensino Médio”, os acadêmicos Cláudia Martins, Matheus
Maestri David e Rubens Simão de Sousa planejaram e desenvolveram algumas
práticas pedagógicas, que serão relatadas a seguir.
O estágio foi, pois, realizado na Escola de Educação Básica Professora Maria
José Barbosa Vieira – Escola Jovem, da Rede Estadual de Educação, que atende
exclusivamente educandos do Ensino Médio (aproximadamente, 1.200).
As turmas em que ocorreram as intervenções foram os primeiros anos
(turmas 3 e 7) do Ensino Médio, com as quais se propôs tratar da temática “Textos
Sagrados”. Essa decisão se deu amparada pelas orientações da Proposta Curricular
de Santa Catarina para o Ensino Religioso – 2001 e pelas análises feitas acerca das
turmas com base nas observações anteriores.
O objetivo principal foi o de apresentar os “Textos Sagrados” numa
abordagem dinâmica, destacando sua relevância para a expressão, o fortalecimento
e a disseminação das diferentes tradições e/ou manifestações religiosas, e,
conseqüentemente, promovendo o desenvolvimento, nos educandos, do
reconhecimento e do respeito pela diversidade cultural e religiosa. Para tanto,
elaborou-se basicamente duas atividades para cada dia de intervenção 1, numa
proposta em forma de oficina temática, procurando avançar com o conteúdo
gradativamente e de maneira interligada.
Na primeira intervenção, logo no início da aula, procurou-se deixar claro aos
educandos os objetivos das oficinas.
Em seguida, propôs-se à turma uma reflexão acerca do significado das
palavras “texto” e “sagrado”, de modo a construir conjuntamente uma definição
ampla e profunda do termo: “textos sagrados”. Esta “chuva de idéias” possibilitou
“sondar” o conhecimento prévio dos educandos sobre os elementos religiosos que
perpassam a temática em questão.

1
Na prática docente, dispôs-se de 8 aulas, de 45 minutos cada, sendo 2 aulas por dia de intervenção.
Figura: Dinâmica “Chuva de Idéias”
Fonte: Arquivo pessoal

Para complementar essa reflexão inicial, a turma foi dividida em seis grupos,
dando-lhes a tarefa de procurar manifestar e/ou representar o acontecimento da
“criação do mundo” (anexo A), sendo que cada grupo o faria de maneira diferente:
por meio da escrita, da oralidade, da pintura, de gestos, de objetos e da música
(anexo B). Aqui, o intento foi mostrar aos educandos que, dependendo da tradição
religiosa, há diferentes formas de revelação e de elaboração dos textos sagrados.

Figura: Dinâmica “Formas de Figura: Dinâmica “Formas de


Linguagem dos Textos Sagrados - Linguagem dos Textos Sagrados -
Escrita” Pintura”
Fonte: Arquivo pessoal Fonte: Arquivo pessoal
Figura: Dinâmica “Formas de
Figura: Dinâmica “Formas de
Linguagem dos Textos Sagrados -
Linguagem dos Textos Sagrados -
Objeto”
Objeto” Fonte: Arquivo pessoal
Fonte: Arquivo
pessoal

“Uma coisa inexplicável assim aconteceu, a criação do mundo entre Deus e eu.
Com uma grande explosão aconteceu a criação... CABUUUM...
As plantas e os animais foram se criando e o planeta terra assim foi aumentando.”
(Dinâmica: “Formas de Linguagem dos Textos Sagrados - Musical”)

Por fim, solicitou-se à turma que realizassem, em casa, para partilhar na


próxima oficina, uma pesquisa de acontecimentos diversos, do passado ou do
presente, que tivessem alguma relação ou fundamentação em textos sagrados.
No segundo dia, a turma foi conduzida para a sala de multimídia 2; iniciou-se
esse momento retomando as discussões e reflexões da oficina anterior. Logo em
seguida, os educandos foram convidados a assistirem alguns trechos (previamente
selecionados) do filme “O Livro de Eli”3, solicitando a atenção de todos para o
enredo deste. Após, abriu-se um “bate-papo”, com o auxílio de dois
questionamentos (expostos em slides), fazendo referência ao filme e à pesquisa
solicitada acerca dos acontecimentos históricos, passados e contemporâneos; com
esses recursos, a intenção era a de instigar os educandos a refletirem sobre as
verdades e ensinamentos que cada texto sagrado procura comunicar, dentro das
diversas tradições/manifestações religiosas, e seus reflexos na cultura e na
2
Sala que conta com uma televisão e um computador, este servindo também como CD/DVD.
3
Sinopse: Denzel Washington estrela esse filme dirigido pelos irmãos Allen e Albert Hughes. Num mundo pós-
apocalíptico Eli (Denzel) é um homem solitário que tem de proteger um livro sagrado que pode conter a resposta
para salvação da humanidade, mas como todo herói tem seu algoz nessa história não é diferente e para poder
obter o livro, um tirano prefeito de uma pequena cidade (Gary Oldman) fará de tudo, mesmo que para isso tenha
de matar Eli.
sociedade. Aqui, pode-se ampliar um pouco mais o olhar para as funções e a
importância dos textos sagrados, e como esses podem ser interpretados, utilizados
e/ou manipulados.
Para dar continuidade, apresentou-se à turma uma pequena exposição de
livros sagrados, com diferentes exemplares das várias tradições religiosas:
Judaísmo, Cristianismo (Catolicismo, Protestantismo, Anglicanismo, Adventistas do
Sétimo Dia, Testemunhas de Jeová, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos
Dias), Islamismo, Indígena, Espiritismo Kardecista, Religiões Orientais (Hinduísmo,
Budismo), Igreja da Unificação, Seicho-No-Iê, Maçonaria, Gnosticismo, Logosofia,
Ciência...
Os educandos, então, foram convidados a aproximarem-se da mesa de
exposição e analisarem os livros sagrados; procurou-se deixá-los bastante à
vontade nesta ocasião, acompanhando-os apenas no sentido de responder os
questionamentos e curiosidades que surgiam. Depois disso, fez-se, entre os
educandos, um sorteio de frases retiradas de diferentes textos sagrados, solicitando
que os mesmos as lessem em voz alta (Anexo C). Esses dois momentos tinham
como propósito estimular a valorização e o respeito frente aos diferentes textos
sagrados e o que eles representam.

Figura: “Exposição dos Livros Sagrados”


Fonte: Arquivo pessoal
Figura: “Exposição Figura: “Exposição
dos Livros Sagrados” dos Livros Sagrados”
Fonte: Arquivo pessoal Fonte: Arquivo pessoal

Finalizando, foi entregue à turma um texto-base (Anexo D), contendo um


resumo de todo o conteúdo trabalhado, de modo a ajudá-los a rever e fixar o
que foi articulado através das oficinas.

Referências:

BESEN, José Artulino; HEERDT, Mauri Luiz; COPPI, Paulo de. O universo
religioso: as grandes religiões e tendências religiosas atuais. São Paulo:
Editora Mundo e Missão, 2008.

BIACA, Valmir et al. O sagrado no ensino religioso: caderno pedagógico de


ensino religioso. Curitiba: SEED, 2006.

CECCHETTI, Elcio (Org.). Reorganização curricular do ensino religioso:


versão preliminar. Florianópolis: GEREDs, 2008-2010.

DIÁLOGO: Revista de Ensino Religioso. São Paulo: Paulinas, n. 35, ago. 2004.
ISSN 1413-0076.

FÓRUM NACIONAL PERMANENTE DO ENSINO RELIGIOSO. Parâmetros


curriculares nacionais: ensino religioso. São Paulo: Mundo Mirim, 2009.

MAGALHÃES, Antônio; PORTELLA, Rodrigo. Expressões do Sagrado:


reflexões sobre o fenômeno religioso. São Paulo: Editora Santuário, 2008.
O livro de Eli. Direção de Albert Hughes e Allen Hughes. EUA: Alcon
Entertainment: Warner Bros, 2010. 1 DVD. Disponível em:
<http://www.cinepop.com.br/filmes/livrodasalvacao.php>. Acesso em: 22 set.
2012.

SANTA CATARINA. Secretaria de Estado da Educação e do Desporto.


Proposta curricular de Santa Catarina: implementação do ensino religioso.
Florianópolis: SED, 2001.

SANTA CATARINA. Secretaria de Estado da Educação. Proposta curricular:


educação religiosa. Disponível em:
<http://www.sed.sc.gov.br/secretaria/documentos/cat_view/89-ensino/156-
proposta-curricular/158-1998/232-disciplinas-curriculares?start=10>. Acesso
em: 03 abr. 2011.

TEXTO SAGRADO. Disponível em:


<http://pt.wikipedia.org/wiki/Texto_sagrado>. Acesso em: 26 jun. 2011.

WITT, Maria Dirlane; PONICK, Edson (Orgs.). Dinâmicas para o ensino


religioso. São Leopoldo: Sinodal, 2008.
Anexos:

Anexo A – Criação do Mundo

Judaísmo:
“No princípio, Deus criou o céu e a terra.” (Gn 1,1)
“Porque em seis dias Javé fez o céu, a terra, o mar e tudo o que existe neles; e
no sétimo dia ele descansou. [...]” (Ex 20,11)

Cristianismo:
“Ao ouvir o relato, todos elevaram a voz a Deus, dizendo: „Senhor, tu criaste o
céu, a terra, o mar e tudo que existe neles.” (At 4,24)
“Cada casa tem o seu construtor; mas é Deus quem constrói tudo.” (Heb 3,4)

Islamismo:
“Foi Ele Quem, em verdade, criou os céus e a terra; e o dia em que disser:
Seja! Será. [...]” (6:73)
“Criou o firmamento, sem colunas aparentes; fixou na terra firmes montanhas,
para que não oscile convosco, e disseminou nela animais de toda a espécie.
[...] Aí está a criação de Allah! [...].” (31:10-11)

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Livro de Mórmon):
“Eis que sou Jesus Cristo, o Filho de Deus. Eu criei os céus e a Terra e todas
as coisas que neles há. Eu estava com o Pai desde o princípio. [...]” (3 Né.
9:15)
“Quem dirá que não foi um milagre que pela sua palavra o céu e a Terra
existam? E que pelo poder de sua palavra o homem tenha sido criado do pó da
Terra? [...]” (Mórm. 9:17)

Hinduísmo:
“No princípio não havia nem ser, nem não ser. Não existia o ar, nem o céu
sobre ele; não existia a água, nem as alturas, nem os abismos. Ainda não
havia diferença entre o dia e a noite, nem entre a vida e a morte. Era escuro, e
a escuridão ocultava o princípio da criação. Só um existia, e nada além dele:
Brama. Mas ele ainda não tinha nenhum movimento. Nem os deuses existiam
ainda, pois os deuses só mais tarde chegaram ao mundo. Por isso ninguém
conhece a origem do Brama, nem os deuses a conhecem. Mas foram os sábios
que acharam a relação entre o ser de agora com o não ser de outrora.”
(Upanixades)

Religiões Indígenas:
“Nhanderú etê (o Deus verdadeiro) decidiu povoar a Terra. Ele percorreu o
Nhe‟ê Rekuagui (o mundo dos espíritos) e de lá trouxe Nhande ypy (o primeiro
homem). Nhanderú etê, então, advertiu Nhande ypy de que sua missão seria
povoar a terra e não permitir que o egoísmo tomasse conta dos corações de
seus descendentes, além de prezar por sua memória, cujo exemplo inspiraria
os homens a praticar o bem. Nhande ypy passou dois anos sozinho na Terra,
até que Nhanderú etê voltasse ao Nhe‟ê Rekuagui trazendo consigo Nhande
Tchir py (a primeira mulher). Tomando-a como esposa, Nhande ypy teve seis
filhos: Kraí í (poder divino), Nhamandú (reflexo do sol), Djatchir (dona da noite),
Wherá Tupã (deus da chuva), Wherá Nhimbodjerê (o dia e a noite) e Pará
Guatchú (oceano). Destes, segundo os guaranis, descende toda a humanidade
– para indicar tal genealogia, os guaranis têm o costume de adotar como
sobrenome um dos nomes dos filhos de Nhande ypy e Nhande Tchir py.”
(Relato oral - Guaranis)

Religiões africanas (Ioruba):


“No início dos tempos havia dois mundos: Orum, espaço sagrado dos orixás, e
Aiyê, que seria dos homens, feito apenas de caos e água. Por ordem de
Olorum, o deus supremo, o orixá Oduduá veio à Terra trazendo uma cabaça
com ingredientes especiais, entre eles a terra escura que jogaria sobre o
oceano para garantir morada e sustento aos homens.” (Relato oral)

Ciência:
“Se o universo pudesse auto criar-se, esse personificaria a potência de um
criador e seríamos constrangidos a concluir: o próprio universo é Deus.”
(George Davis - físico)
“As probabilidades de que a vida tenha tido origem no acaso são semelhantes
as probabilidades de que um dicionário completo resulte de uma explosão de
uma tipografia.” (Edwing Comklim - biólogo)
“Somente uma potência mais elevada do que o homem pode dominar as forças
da energia atômica.” (Lise Meitner - física nuclear)
Anexo B – Grupos

Grupo 1: Represente a “Criação do Mundo” através da linguagem escrita.

Grupo 2: Represente a “Criação do Mundo” através da linguagem oral.

Grupo 3: Represente a “Criação do Mundo” através da pintura.

Grupo 4: Represente a “Criação do Mundo” através da linguagem gestual.

Grupo 5: Represente a “Criação do Mundo” através de objeto(s).

Grupo 6: Represente a “Criação do Mundo” através da linguagem musical.


Anexo C – Frases dos Textos Sagrados

Judaísmo:

“Pegou o livro da aliança e o leu para o povo. Eles disseram: „Faremos tudo o
que Javé mandou e obedeceremos‟.” (Ex 24,7)

“Ela [a lei] ficará sempre com ele, que a lerá todos os dias de sua vida, para
que aprenda a temer a Javé seu Deus, observando todas as palavras desta lei
e colocando estes estatutos em prática.” (Deut 17,19)

“Que o livro dessa Lei esteja sempre em seus lábios: medite nele dia e noite,
para agir de acordo com tudo o que nele está escrito. Desse modo, você será
bem sucedido em seus empreendimentos e sempre terá sucesso.” (Jos 1,8)

“Não fazer ao próximo aquilo que não gostarias que fosse feito a ti.”
(Judaísmo)

Cristianismo:

“Ora, tudo isso que foi escrito antes de nós foi escrito para a nossa instrução,
para que, em virtude da perseverança e consolação que as Escrituras nos dão,
conservemos a esperança.” (Rom 15,4)

“Jesus disse: „São essas as palavras que eu lhes falei, quando ainda estava
com vocês: é preciso que se cumpra tudo o que está escrito a meu respeito na
Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos.‟ Então Jesus abriu a mente deles
para entenderem as Escrituras.” (Lc 24,44-45)

“Desde a infância você conhece as Sagradas Escrituras; elas têm o poder de


lhe comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Jesus Cristo.
Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para
corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito,
preparado para toda boa obra.” (II Tim 3,15-17)

“Tudo quanto queres que os outros façam para ti, fazei-o também para ele...”
(Cristianismo)

Islamismo:

“Eis o Livro que é indubitavelmente a orientação dos tementes a Allah.” (2:2)

“E este é o Livro bendito que revelamos (ao Mensageiro); observai-o, pois, e


temei a Allah; quiçá Ele Se compadeça de vós.” (6:155)

“Louvado seja Allah que revelou o Livro ao Seu servo, no qual não colocou
contradição alguma.” (18:1)
“Semelhante luz brilha nos templos que Deus tem consentido sejam erigidos,
para que neles seja celebrado o Seu nome e neles O glorifiquem de manhã e à
tarde.” (24:36)

“Ninguém pode ser um crente até que ame o seu irmão como a si mesmo.”
(Islamismo)

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Livro de Mórmon):

“[...] Por isto eu vos disse: Banqueteai-vos com as palavras de Cristo; pois eis
que as palavras de Cristo vos dirão todas as coisas que deveis fazer.” (2 Né.
32:3)

“E eis que sabeis por vós mesmos, porque o haveis testemunhado, que todos
os que são levados a conhecer a verdade e a saber das tradições iníquas e
abomináveis de seus pais são levados a acreditar nas santas escrituras, sim,
nas profecias dos santos profetas que estão escritas, que os conduzem à fé e
arrependimento que lhes transformam o coração [...].” (Hel. 15:7)

“Porque ele disse que a história de sue povo deveria ser gravada nas suas
outras placas e que eu deveria guardar estas placas e transmiti-las a meus
descendentes, de geração em geração.” (Jacó 1:3)

Hinduísmo:

“Invisível é o Brama, e todavia está em toda a parte. A mão não pode contê-lo,
mas ele tudo abrange. Não pode ser visto; pois é dele que vem a luz. Ninguém
o pode sentir, pois todo sentir dele provém. Por transformação, nasce tudo o
que existe e acontece, mas ele permanece sempre o mesmo. Nada o
surpreende, e nenhuma palavra diz, seja a que respeito for. Tudo vê e tudo
permite que aconteça. Tudo nele é inquietação, mas ele mesmo permanece
tranqüilo. Assim como dele todas as coisas surgiram, assim a ele regressam
todas; por isso é paciente e tranqüilo.” (Upanixades)

“O Senhor controla e possui todas as coisas animadas e inanimadas que estão


dentro do Universo. Portanto, deve-se aceitar apenas as coisas que lhe são
necessárias, que foram reservadas como sua cota, e não se deve aceitar
outras coisas, sabendo bem a quem pertencem.” (Sri Isopanisad, Mantra Um)

“O Senhor Supremo caminha e não caminha. Está muito distante mas também
muito próximo. Está dentro de tudo, entretanto está fora de tudo.” (Sri
Isopanisad, Mantra Cinco)

“Os sábios explicaram que o cultivo do conhecimento dá um resultado, e o


cultivo da ignorância dá outro resultado diferente.” (Sri Isopanisad, Mantra Dez)
“Esta é a síntese do dever: não fazer aos outros aquilo que lhes seria causa de
dor.” (Hinduísmo)

Taoísmo:

“Puro egoísmo é quando os soberanos vivem em suntuosos palácios, enquanto


os campos jazem desertos, e vazios estão os celeiros. Puro egoísmo é ostentar
roupagens luxuosas, enfeitar-se com jóias ufanar-se com armas, empanturrar-
se de iguarias, encher-se de bebidas inebriantes, acumular tesouros. Latrocínio
é tudo o que o homem faz à custa dos outros. Tudo isso contradiz o espírito do
Tao.” (Tao Te Ching)

“Considera o ganho do teu vizinho como o teu, e a sua perda como tua mesma
perda.” (Taoísmo)

“O sábio não se preocupa com tesouros materiais. Quanto mais ele dá aos
outros, mais tem.” (Taoísmo)

“Não permita que o seu coração contenha sentimentos maus e ciumentos...”


(Taoísmo)

Confucionismo:

“O que censuras nos que estão acima de vós, não pratiqueis com os que estão
abaixo; o que reprovais nos inferiores não pratique com vossos superiores...”
(Confucionismo)

“Uma palavra resume a boa conduta: bondade.” (Confucionismo)

“Nem todos podem ser ilustres, mas todos podem ser bons.” (Confucionismo)

“A melhor maneira de não errar é não fazer nada. No entanto, não fazer nada
é o maior erro de todos.” (Confucionismo)

Religiões Indígenas:

“Nhanderú etê criou, além dos primeiros mortais, três deuses secundários, para
que estes fossem seus intermediários junto aos homens. São eles: Kraí (o
iluminado), Kraí Rendy Vydjú (o poder da luz) e Kraí Kendá (o anjo que mostra
o Bem e o Mal).” (Relato oral – Índios Guaranis)

“Senhor não me deixe julgar um homem enquanto eu não tiver andado duas
luas com suas sandálias.” (Prece – Índios Navajos)

“Devemos ser irmãos de todos os seres e de todas as coisas.”


(Religiões Indígenas)
“O homem é feliz quando vive segundo os costumes da tribo e em harmonia
com a natureza.” (Religiões Indígenas)

Espiritismo/Kardecismo:

“O Espírito prova sua elevação quando todos os atos de sua vida corporal são
a prática da lei de Deus e quando compreende, por antecipação, a vida
espiritual.” (Livro III, Cap. XII, 918)

“O conhecimento de si mesmo, portanto, é a chave do progresso individual.


Mas, direis, como se julgar? [...] Quando estiverdes indecisos sobre o valor de
uma de vossas ações, perguntai-vos como a qualificaríeis se fosse feita por
outra pessoa; [...] porque Deus não tem duas medidas para a justiça.” (Livro III,
Cap. XII, 919)

“Com efeito, a religião está fundada sobre a revelação e os milagres. Ora, que
é revelação senão comunicações extra-humanas? [...] Que são os milagres
senão os fatos maravilhosos e sobrenaturais por excelência [...]? Portanto,
rejeitando o maravilhoso e o sobrenatural eles rejeitam as próprias bases da
religião.” (Conclusão II)

“Fora da caridade, não há salvação.” (Espiritismo)

Religiões Africanas:

“No início dos tempos havia dois mundos: Orum, espaço sagrado dos orixás, e
Aiyê, que seria dos homens, feito apenas de caos e água. Por ordem de
Olorum, o deus supremo, o orixá Oduduá veio à Terra trazendo uma cabaça
com ingredientes especiais, entre eles a terra escura que jogaria sobre o
oceano para garantir morada e sustento aos homens.” (Relato oral – Povo
Iorubá)

“Viver os grandes valores africanos da solidariedade, da religião, da harmonia


e da vida.” (Candomblé)

“Fazer o bem a quem precisa... A caridade é fonte de equilíbrio.” (Umbanda)

Budismo:

“Faça de ti mesmo teu próprio suporte, teu próprio refúgio.” (Budismo)

“Lembre-se de que o silêncio, às vezes, é a melhor resposta.” (Budismo)

“Por mais que na batalha se vença um ou mais inimigos, a vitória sobre si


mesmo é a maior de todas as vitórias.” (Budismo)

“A compaixão é, por natureza, serena e doce, mas muito poderosa. É o


verdadeiro sinal de força interior.” (Budismo)
Xintoísmo:

“Sinceridade, verdade, retidão, patriotismo e lealdade... O objetivo na vida é


vivenciar esses valores da melhor maneira possível.” (Xintoísmo)

“Em todas as coisas, sejam elas grandes ou pequenas, encontre o homem


certo e elas certamente serão bem administradas.” (Xintoísmo)

Anexo D – Texto-base
E. E. B. PROFESSORA MARIA JOSÉ BARBOSA VIEIRA
ENSINO MÉDIO – 1º ANO São José, ___ de _______ de _____.

FALAMOS TODOS A MESMA LÍNGUA?


TEXTOS – ORAIS E ESCRITOS – SAGRADOS

(Por Cláudia, Matheus e Rubens)

O que são “Textos Sagrados”? Como surgiram? Quais suas funções? Qual sua
importância? Essas são apenas algumas das perguntas que, podem nos ajudar a perceber como
são elaboradas as respostas, os significados e os sentidos que, apontam caminhos e sinalizam
horizontes para o existir humano.
“Textos Sagrados” são palavras que transmitem, conforme a fé dos seguidores, uma
mensagem do Transcendente, que faz conhecer aos seres humanos seus mistérios e sua vontade,
orientando para a vida concreta neste mundo.
Assim, o que caracteriza um texto como sagrado é o reconhecimento da transmissão de
uma mensagem divina, que favorece uma aproximação entre os fiéis e o Transcendente.
Esse sagrado, expresso e comunicável, está presente nas mais diferentes tradições
religiosas, apresentado sob muitas formas. Culturas ágrafas se utilizam da oralidade, como por
exemplo as culturas indígenas, as africanas, entre outras. Outras tradições religiosas fizeram a
opção de escrever os seus textos sagrados, como as tradições judaica, cristã, muçulmana, etc.
Os “Textos Sagrados” são também representados e manifestados em algumas culturas:
em pinturas corporais (tatuagem), em paredes de construções, na combinação de sons e de
ritmos, nas danças, em quadros, vitrais, ícones, na disposição dos objetos de culto e nos ritos.
A literatura religiosa encontra, ainda, várias formas de se apresentar: narrativas de
mitos, lendas, fórmulas mágicas, profecias, oráculos, preces, sapiência, poesia, doutrina, forma
didática e, narrativas propriamente históricas.
Os “Textos Sagrados” têm como origem, geralmente, uma revelação, seja diretamente
da divindade; seja de pessoas inspiradas, iluminadas ou representantes das divindades; seja de
espíritos que revelam os mistérios da divindade ou do mundo espiritual. Outra origem pode ser
a tradição colocada por escrito e sacralizada – reconhecida como divinamente inspirada.
Importante notar que, mesmo sendo inspirações divinas, os fundamentos dos “Textos
Sagrados” não nascem prontos e acabados, são uma construção histórica de um povo, de uma
civilização, vêm da experiência e são transmitidos entre as gerações. Daí a tendência, percebida
em todos os povos, de recolher seus vários textos em um conjunto de “Textos Sagrados”, sejam
eles orais ou escritos.
Os “Textos Sagrados” são uma forma de expressar e disseminar os ensinamentos das
diversas tradições religiosas, estando neles preservados todos os princípios doutrinários que
orientam tais tradições; além disso, visam criar mecanismos de unidade e de identidade do seu
grupo de seguidores. Portanto, os objetivos dos “Textos Sagrados” são, primeiramente, ser um
alicerce da doutrina de fé e, segundo, firmar o sentido da vida e não perder o eixo de condução
da existência.
Nos “Textos Sagrados” estão contidos relatos da relação humana com a(s) divindade(s),
constituindo-se em rica fonte de sabedoria e referências que embasam normas, preceitos e
doutrinas de cada grupo religioso e de cada fiel.
Vejam, como são muitos e diferentes os caminhos e horizontes disponíveis e possíveis
para cada pessoa em particular e para uma sociedade como um todo; por isso, faz-se necessário
conhecer, compreender e respeitar os rumos encontrados por cada indivíduo e/ou grupo social –
e uma maneira interessante de se fazer isso é através dos: “Textos Sagrados”!

Um grande abraço!
(Estagiários do Curso de Ciências da Religião da Universidade Municipal de São José – USJ)