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Proteção do Meio Ambiente

Brasília-DF.
Elaboração

Luiz Roberto Pires Domingues Junior

Marcel Anderson Borges Bento

Paulo Celso dos Reis Gomes

Produção

Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração


Sumário
APRESENTAÇÃO ................................................................................................................................. 4

ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA .................................................................... 5

INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 7

UNIDADE I
PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE.............................................................................................................. 9

CAPÍTULO 1
MEIO AMBIENTE ....................................................................................................................... 9

CAPÍTULO 2
CAUSAS DOS PROBLEMAS AMBIENTAIS ................................................................................. 24

CAPÍTULO 3
CONTROLE DA POLUIÇÃO........................................................................................................ 38

UNIDADE II
GESTÃO AMBIENTAL............................................................................................................................. 56

CAPÍTULO 1
SUSTENTABILIDADE................................................................................................................ 56

CAPÍTULO 2
GESTÃO AMBIENTAL EM EMPRESAS/INSTITUIÇÕES.............................................................. 64

UNIDADE III
VENTILAÇÃO INDUSTRIAL E AS MEDIDAS DE PROTEÇÃO COLETIVA NO CONTROLE DE EMISSÕES ........... 97

CAPÍTULO 1
VENTILAÇÃO INDUSTRIAL E PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE .................................................... 97

REFERÊNCIAS ............................................................................................................................... 156


Apresentação
Caro aluno

A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se entendem
necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. Caracteriza-se pela
atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela interatividade e
modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da Educação a Distância –
EaD.

Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos


conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos da área e
atuar de forma competente e conscienciosa, como convém ao profissional que busca a
formação continuada para vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao
mundo contemporâneo.

Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo a


facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na
profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira. Conselho Editorial4
Organização do
Caderno de Estudos e
Pesquisa
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades,
subdivididas em capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão
abordados por meio de textos básicos, com questões para reflexão, entre
outros recursos editoriais que visam a tornar sua leitura mais agradável. Ao
final, serão indicadas, também, fontes de consulta, para aprofundar os
estudos com leituras e pesquisas complementares.

A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos


Cadernos de Estudos e Pesquisa.

Provocação

Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado


assunto antes mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho
pertinente para o autor conteudista.

Para refletir

Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça


uma pausa e reflita sobre o conteúdo estudado ou temas que o
ajudem em seu raciocínio. É importante que ele verifique seus conhecimentos,
suas experiências e seus sentimentos. As reflexões são o ponto de partida para a
construção de suas conclusões.

Sugestão de estudo complementar

Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para


aprofundamento do estudo, discussões em fóruns ou encontros
presenciais quando for o caso.
Praticando

Sugestão de atividades, no decorrer das leituras, com o objetivo


didático de fortalecer o processo de aprendizagem do aluno.

Atenção

Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam


para a síntese/conclusão do assunto abordado.

Saiba mais

Informações complementares para elucidar a construção das


sínteses/conclusões sobre o assunto abordado.

Sintetizando

Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo,


facilitando o entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.

Para (não) finalizar

Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar


a aprendizagem ou estimula ponderações complementares sobre o
módulo estudado.
Introdução
O presente Caderno de Estudos e Pesquisa foi elaborado com o objetivo de
propiciar conhecimentos acerca do contexto educacional com foco na
Proteção do Meio Ambiente.

A cada capítulo pensamos nas horas que você dedica ao trabalho destinado
às atividades educativas bem como às práticas desenvolvidas no cotidiano de
um ambiente universitário. Lembrando sempre de que você é protagonista
da história que estamos construindo a partir de agora.

Para nos conceituarmos, os estudantes de Engenharia de Segurança do


Trabalho de hoje, serão a próxima geração de pesquisadores e profissionais
altamente capacitados a exercer profissões diversas (áreas de segurança e
saúde do trabalho). Ainda estamos longe de entender completamente os
sistemas ambientais. Faz parte deste contexto, voltar-se ao meio ambiente
como um todo para entender e integrar as funções de cada ecossistema.

Desde o início dos tempos, quando o homem tentava dominar a energia


através do controle do fogo, ele passou a interferir diretamente no meio
ambiente. Os impactos ambientais sofridos pela Terra devido à ação
antrópica já são discutidos há muito tempo, mas para confrontar a ideia de
que os recursos naturais são ilimitados a questão ambiental passou a ser
objeto de intensa preocupação para vários países, principalmente, após 1970,
com a primeira crise do petróleo, quando a sociedade de uma forma geral
despertou para os limites dos recursos naturais.

A origem do movimento global de defesa do meio ambiente de forma


pragmática se efetivou após o manifesto do Clube de Roma na década de 70,
que fez uma previsão dos riscos decorrentes do crescimento econômico
continuo sedimentado em recursos naturais escassos.

Na última década do século XX, a tomada da consciência mundial quanto à


importância das questões ambientais, dissemina as abordagens que se
fundamentam na premissa que: “os custos da qualidade de vida em seu
orçamento, pagando o preço de manter limpo o ambiente em que vive” (Vale,
1996). Desta forma, várias instituições econômicas e produtivas (fábricas,
firmas, comércio...) passaram a inserir em sua cadeia produtiva os custos
necessários para manter a qualidade de vida e o bem-estar coletivo. Paradigma
este que fez com que na metade da década de 90, diversos normativos
internacionais, do porte da ISO, concretizassem de forma coerente tal
demanda da sociedade, passando as instituições a buscarem marcos
conceituais e metodológicos como: “certificação ambiental” e “gestão
ambiental”. Esta apostila lhes fornecerá uma visão integrada da proteção do
meio ambiente para o início de uma carreira profissional respeitado o real
entendimento da complexidade deste processo.

Bons estudos!
Objetivo
» capacitar o aluno para compreensão das principais conceitos
associados à preservação do meio ambiente; à poluição
ambiental, ao desenvolvimento sustentável e aos
instrumentos de gestão ambiental.
PROTEÇÃO UNIDADE I
DO MEIO AMBIENTE

CAPÍTULO 1
Meio Ambiente

Introdução
O Engenheiro de Segurança do Trabalho tem um papel importante de avaliar a diversidade de
ambientes laborais e garantir que um ou mais trabalhadores tenham qualidade em sua
jornada de trabalho, para tanto uma das principais atribuições deste profissional visa:

» assegurar que o trabalhador não corra riscos de acidentes em sua atividade


profissional, sejam eles danos físicos ou psicológicos.

» administrar e fiscalizar o atendimento aos requisitos de segurança no ambiente


laboral (Indústria da Construção e Setor Industrial).

» Elaborar e implementar programas de prevenção de acidentes.

» Acompanhar e verificar a eficácia dos planos de prevenção de riscos ambientais.

» Inspecionar e emitir laudos técnicos.

Por meio deste arranjo de atribuições este profissional interage para que o meio ambiente do
trabalho esteja em conformidade com os conceitos atuais e em conformidade com a
legislação.

Conforme artigo publicado no sítio do Ministério Público do Trabalho, o trabalho consiste em


legítimo instrumento de concretização da dignidade da pessoa humana, erigido a fundamento
da República Federativa do Brasil, na condição de Estado Democrático de Direito, nos termos
do artigo 1o, inciso III, da Constituição da República.

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No entanto, o direito ao trabalho, encontra-se previsto no artigo 6o da Carta Magna, deve ser
interpretado à luz das diretrizes fundamentais da dignidade da pessoa humana e do valor
social do trabalho.

Logo, a todo cidadão tem o direito de possuir um trabalho digno ou decente, ou seja, que
corresponda às condições mínimas de higiene, de saúde e de segurança, até porque a redução
dos riscos inerentes ao trabalho também configura direito social constitucionalmente
atribuído à classe trabalhadora (CF/1988, art. 7o, XXII).

Para tanto, o atendimento protetivo conferido ao trabalhador, visa resguardar a sua


integridade física e psíquica, esta tutela deve ser direcionada à manutenção da higidez do meio
ambiente do trabalho, eliminando, ou neutralizando, a ação de agentes nocivos, e prevenindo
a ocorrência de infortúnios e doenças ocupacionais.

A implementação de medidas preventivas, que venham a reduzir os riscos à saúde e à


segurança do trabalhador, é direito fundamental consolidado em nosso ordenamento jurídico
pátrio.

O objetivo principal de todos os atores envolvidos no meio ambiente do trabalho é garantir


condições seguras e saudáveis ao trabalhador. Estas ações visam, sobretudo a prevenção de
acidentes do trabalho e a ocorrência de doenças ocupacionais.

Qualidade e preservação da vida do trabalhador, este e o único proposito entre as partes:


Entidades públicas, privadas, o meio ambiente e os trabalhadores.

O meio ambiente do trabalho e os princípios da precaução


e prevenção
A Política Nacional de Meio Ambiente conceitua meio ambiente como um conjunto de
condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite,
abriga e rege a vida em todas as suas formas (Art. 3o, inciso I, da Lei no 6.938/1981, que instituiu
a Política Nacional do Meio Ambiente).

O conceito permitiu o surgimento de um espaço positivo de incidência da norma legal,


tutelando todos os aspectos inerentes ao meio ambiente, sejam de ordem natural, artificial,
cultural ou do trabalho.

Entendendo-se o meio ambiente do trabalho como um conjunto de fatores físicos, climáticos


ou quaisquer outros que interligados, ou não, estão presentes e envolvem o local de trabalho

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do indivíduo, é natural admitir que o homem passou a integrar plenamente o meio ambiente
no caminho para o desenvolvimento sustentável preconizado pela nova ordem ambiental
mundial. Grott (2003), afirma que o meio ambiente do trabalho faz parte do conceito mais
amplo de ambiente, de forma que deve ser considerado como bem a ser protegido pelas
legislações para que o trabalhador possa usufruir de uma melhor qualidade de vida.

A defesa do meio ambiente incorporou-se definitivamente como uma das principais


reivindicações dos movimentos sociais no Brasil e no mundo.

Tradicionalmente, classificado em quatro espécies distintas, quais sejam:

1. Meio ambiente natural.

2. Meio ambiente artificial.

3. Meio ambiente cultural.

4. Meio ambiente laboral.

No quarto: cabe ao Ministério Público do Trabalho zelar pela defesa da ordem jurídica, do
regime democrático e dos interesses sociais e individuais.

Existe uma sinergia entre o meio ambiente do trabalho, dentro da conceituação de meio
ambiente artificial. É o local onde o trabalhador exerce suas funções laborativas e que passa
grande parte de sua vida. Não necessariamente o ambiente de uma empresa ou fábrica, mas
o local onde se trabalha, que pode ser externo como o caso dos agricultores ou em máquinas
como carros e ônibus. Vejamos cada definição para compreender estas quatro vertentes de
meio ambiente.

Meio ambiente natural ou físico


É composto pelos recursos naturais: água, solo, ar atmosférico, fauna e flora.

Está explicitado mediatamente no Art. 225 da Constituição Federal, sendo que sua tutela
imediata se encontra no Parágrafo I, incisos I e VII do referido Artigo:

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado,


bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-

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se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para
as presentes e futuras gerações.

§ 1o – Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:

I – preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo


ecológico das espécies e ecossistemas

(...)

VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que


coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies
ou submetam os animais a crueldade.

Meio ambiente artificial


O meio ambiente artificial é formado pelos espaços urbanos, incluindo as edificações que são
os espaços urbanos fechados, como por exemplo, um prédio residencial e os equipamentos
públicos urbanos abertos, como uma via pública, uma praça, dentre outros.

Meio ambiente cultural


Considera-se meio ambiente cultural o patrimônio cultural nacional, incluindo as relações
culturais, turísticas, arqueológicas, paisagísticas e naturais.

Este patrimônio está previsto expressamente nos Artigos 215 e 216 da Constituição Federal:

Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e
acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a
difusão das manifestações culturais.

§ 1o - O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas


e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo
civilizatório nacional.

§ 2o - A lei disporá sobre a fixação de datas comemorativas de alta significação


para os diferentes segmentos étnicos nacionais.

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§ 3o - A lei estabelecerá o Plano Nacional de Cultura, de duração plurianual,
visando ao desenvolvimento cultural do País e à integração das ações do
poder público que conduzem à:

I defesa e valorização do patrimônio cultural brasileiro;

II produção, promoção e difusão de bens culturais;

III formação de pessoal qualificado para a gestão da cultura em suas


múltiplas dimensões;

IV democratização do acesso aos bens de cultura;

V valorização da diversidade étnica e regional.

Meio ambiente do trabalho


O meio ambiente do trabalho é o local onde homens e mulheres desenvolvem suas atividades
laborais.

Deste modo, para que este local seja considerado adequado para o trabalho, deverá
apresentar além de condições salubres, ausência de agentes que coloquem em risco o corpo
físico e a saúde mental dos trabalhadores.

A tutela mediata do meio ambiente do trabalho se encontra no Art. 225, já transcrito, em


quanto que no Art. 200, VIII, a CF/1988, tutela imediatamente o meio ambiente do trabalho,
ao afirmar que compete ao Sistema único de Saúde – SUS, colaborar na proteção do meio
ambiente, nele compreendido o do trabalho.

Art. 200. Ao sistema único de saúde compete, além de outras atribuições, nos
termos da lei:

(...)

VIII – colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do


trabalho.

Proteger o meio ambiente do trabalho significa proteção aos trabalhadores, mas também à
saúde de agentes indiretos (comunidades periféricas aos estabelecimentos de labor), posto
que um meio ambiente poluído por indústrias, por exemplo, afeta o meio ambiente interno e
externo.

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Para tanto, entender-se importante o estudo e a aplicação dos princípios da “prevenção” e da
“precaução” no âmbito do meio ambiente do trabalho. Necessário é distinguir tais princípios,
sabendo-se que a prevenção diz respeito aos danos previsíveis, e a precaução aos danos sobre
os quais ainda não há certeza científica.

Precaução e prevenção
O ordenamento jurídico brasileiro no âmbito do direito ambiental tem como pilares diversos
princípios, dentre eles os da prevenção e da precaução. Milaré (2005, p. 165) afirma que
especialistas fazem uso do princípio da prevenção, enquanto outros se reportam ao princípio
da precaução. “Outros, utilizam a ambas as expressões, supondo ou não diferença entre elas”.

Apesar de aparentemente terem o mesmo significado, são princípios distintos, mesmo que
sutilmente, possuem relação entre si de gênero e espécie. Como bem destaca Sirvinskas
(2008, p. 57):

“prevenção é gênero das espécies, ou seja, agir de forma a antecipar um fato.


Precaução é agir com cautela, ou seja, ser preditivo e tomar atitudes de
forma antecipada para evitar danos ao meio ambiente ou a terceiros. O
conceito de prevenção é mais amplo do que precaução ou cautela.”

O princípio da prevenção é aquele que impõe a adoção de medidas mitigatórias de danos


previsíveis. Antunes (2008) considera que o princípio está atrelado aos impactos ambientais
já conhecidos e desta forma, é possível estabelecer um conjunto de ações baseadas na
casualidade sendo suficientes para a identificação de impactos futuros. O processo de
licenciamento ambiental pode ser considerado a uma ação focada no princípio da prevenção
e, além disso, os estudos de impacto ambiental e os relatórios de controle ambiental são
ferramentas importantes que integram a conceituação da prevenção. As condicionantes
ambientais emitidas em cada fase do licenciamento ambiental tem o objetivo de prevenir os
danos ambientais e age de forma a eliminar (sempre que possível) os danos que uma
determinada atividade degradante causaria ao meio ambiente, caso não fosse solicitado ao
órgão de licenciamento ambiental.

É no âmbito da prevenção/precaução que se destacam os estudos de impacto ambiental, os


processos de licenciamento prévio e também as medidas punitivas, como forma de
“estimulante negativo contra a prática de agressões ao meio ambiente” (FIORILLO, 2009).

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O princípio da precaução, segundo Milaré (2005) a incerteza científica milita em favor do meio
ambiente, carregando-se ao interessado o ônus de provar que as intervenções pretendidas
não trarão consequências indesejadas para o meio ambiente. Por sua vez, o postulado da
precaução pretende-se evitar o risco mínimo ao meio ambiente, nos casos de incerteza
científica acerca de sua degradação (RODRIGUES, 2002).

Os princípios da prevenção e da precaução sejam eles entendidos como expressões sinônimas


ou distintas, mas inter-relacionadas, apresentam-se como normas basilares do direito
ambiental, ao passo que impõem que se deve priorizar medidas prévias de proteção ambiental
ante a usual impossibilidade de reparação efetiva do meio ambiente. Nesse sentido, Milaré
(2005), afirma que sua atenção está voltada para o momento anterior ao da consumação do
dano – o do mero risco. Ou seja, diante da pouca valia da simples reparação, sempre incerta
e, quando possível, excessivamente onerosa, a prevenção é a melhor, quando não a única,
solução.

Feitas essas considerações acerca dos princípios da prevenção e da precaução, abordar-se-á a


sua aplicabilidade no meio ambiente do trabalho.

Os conceitos e definições a respeito dos princípios da prevenção e da precaução no âmbito do


direito ambiental podem e devem ser utilizados para o entendimento no meio ambiente do
trabalho, visto que as ações aplicadas em saúde e segurança do trabalho possuem o objetivo
principal de prevenção e precaução. As ferramentas utilizadas neste processo são os
programas de prevenção, controle, laudos e registros para liberação e acompanhamento de
atividades.

Como exposto, os princípios da prevenção e da precaução apresentam-se como base do


direito ambiental. O meio ambiente do trabalho, como aspecto do conceito amplo de meio
ambiente, por óbvio, não poderia ser uma exceção da influência desses dois princípios. Com
efeito, o meio ambiente, inclusive o do trabalho, é correlacionado diretamente na
Constituição Federal ao bem objeto de direito sobre o qual incide o interesse da coletividade:
a saúde humana (DINIZ, 2009). Sabe-se que a legislação constitucional atrelada às convenções
internacionais e as normas regulamentadoras, procuram dar consistência ao meio ambiente
do trabalho e desta forma, represente a garantia de um ambiente seguro e que apresente
menos riscos.

A constituição federal, ao tratar especificamente da saúde em seu art. 196, deixa claro o
caráter preventivo das políticas públicas. Evidencia que as normas constitucionais impõem

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caráter preventivo não só às políticas públicas diretamente relacionadas ao meio ambiente,
mas também àquelas que com ele se relacionam:

Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante


políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de
outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua
promoção, proteção e recuperação. (...)
Fonte: Constituição Federal, 1988.

A Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, em seu capítulo V, dispõe sobre as normas de
segurança e a medicina do trabalho. De uma forma geral, esse capítulo se dedica a estabelecer
a necessidade de promover os direitos e deveres dos empregados e empregadores a todas as
normas legais vinculadas que tratem da segurança do trabalhador bem como da obrigação do
Estado de regular, coordenar e fiscalizar a aplicação dessa normatização.

Nele percebe-se o tratamento das medidas necessárias a prevenção de acidentes ou de


doenças adquiridas no ambiente laboral. Para tanto, recorre-se a necessidade da realização
de exames admissionais, periódicos, mudança de função, retorno ao trabalho.

O capítulo aborda também a aquisição e fornecimento de equipamentos de proteção


individuais e estabelece critérios para a construção de ambientes de trabalho, desde a
estrutura física até as condições de conforto acústico, térmico e de iluminação.

As Normas Regulamentadoras – NR, aprovadas pela Portaria no 3.214/1978, tratam


justamente do capítulo V, título II da CLT e tem como meta dar tratativa as condições
ambientais do trabalho e apresentam caráter eminentemente preventivo. Destacam-se
dentre elas as NR nos 2, 3, 7, 9, 15, 16 e 18, que prevê inspeções prévias nas instalações de
estabelecimentos antes do início de suas atividades e ainda quando submetidas essas
instalações a modificações substanciais; situações que existe a possibilidade de embargo e
interdições; a proposta para a elaboração e gestão do controle de saúde médico ocupacional
bem como a elaboração de programa de prevenção de riscos ambientais onde existe uma
interface com os estudos de avaliações ambientais para a conclusão de ambiente laboral
salubre ou insalubre e condições de trabalho periculosa. Por fim, a NR n o 18, vem tratar
justamente do projeto do meio ambiente do trabalho e das proteções coletivas necessárias
para a condução segura. Para Diniz (2009) a mera semelhança advém, por exemplo, dos
Estudos de Impactos Ambientais - EIA visto que a implementação de projetos depende
efetivamente destes estudos para assim garantir a preservação e conservação dos recursos

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naturais para as atuais e futuras gerações. Logo esta ação é uma imposição constitucional. A
experiência jurídica brasileira, no entanto, demonstra que a norma constitucional tem
suscitado muitas dúvidas e divergências no que se refere a sua adequada compreensão
(ANTUNES, 2008). Assim, difícil é afirmar categoricamente que se trata de instituto preventivo
e de precaução que presta a tutelar com eficiência prática o meio ambiente do trabalho, dadas
as peculiaridades desse aspecto do meio ambiente e o fato de ter sido o EIA um instituto
pensado especialmente para o meio ambiente em seu aspecto natural, porém as normas
regulamentadoras buscaram tratar do assunto afim de, permitir que o meio ambiente do
trabalho possua os seus institutos conforme um Laudo Ambiental, PPRA, PCMSO, PGR e/ou
PCMAT.

A Política Nacional de Meio Ambiente, instituída pela Lei no 6.938/1981, escolheu como um
dos instrumentos de gestão ambiental as ações preventivas a serem realizadas pelo Estado,
dentre elas a avaliação de impactos ambientais para a instalação de obras ou atividades
potencialmente poluidoras. Milaré (2005, p. 482) ressalta que a avaliação de impacto
ambiental:

pode ser implementada tanto para projetos que envolvam execução física de
obras e processos de transformação como para políticas e planos que
contemplem diretrizes programáticas, limitadas ao campo das ideias, neste
caso denominada Avaliação Ambiental Estratégica.

Nos termos do art. 1o, III, da Resolução CONAMA no 23719/1997, a Avaliação de Impacto
Ambiental, por ela denominada de “Estudos Ambientais”, é gênero do qual são espécies todos
os estudos para análise da licença ambiental, tais como: relatório ambiental, plano e projeto
de controle ambiental, relatório ambiental preliminar, diagnóstico ambiental, plano de
manejo, plano de recuperação de área degradada e análise preliminar de risco. Essas outras
espécies de Estudos Ambientais poderão ser requisitadas na hipótese de não se exigir o EIA.

Nesse contexto, a conteúdo previsto na NR nos 9, 15 e 16 pode ser considerada como uma
medida de avaliação de impacto sobre o ambiente do trabalho, funcionando como mecanismo
de prevenção e também de precaução, na medida em que pode se prestar a apontar situações
em que não se tenha certeza científica quanto aos possíveis danos ao ambiente e determinar
a aplicação de medidas preventivas e até corretivas.

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Meio Ambiente do trabalho e o princípio do poluidor
pagador
O conceito de Meio Ambiente do Trabalho, diferentemente das outras divisões didáticas do
Direito Ambiental, relaciona-se direta e imediatamente com o ser humano trabalhador no seu
cotidiano, em sua atividade laboral exercida em proveito de outrem. De acordo com Fiorillo
(2003) o local onde as pessoas desempenham suas atividades laborais, sejam remuneradas ou
não, cujo equilíbrio está baseado na salubridade do meio e na ausência de agentes que
comprometem a incolumidade físico-psíquica dos trabalhadores, independentemente da
condição individual (por gênero: homens ou mulheres, idade: maiores ou menores de idade,
vínculo empregatício: celetistas, servidores públicos, autônomos etc.)”.

Convém salientar que há distinção entre proteção ao meio ambiente de trabalho e a proteção
do direito do trabalho, pois, o primeiro tem por objeto jurídico a saúde e a segurança do
trabalhador, para que desfrute a vida com qualidade, por meio de processos adequados para
que se evite a degradação e a poluição em sua vida. Já o direito do trabalho vincula-se a
relações unicamente empregatícias com vínculos de subordinação (ENDO, 2014).

A regulamentação dessa divisão – Meio Ambiente do Trabalho, segurança e saúde do


trabalhador – está baseada na Constituição Federal de 1988, pois foi ela que elevou à categoria
de direito fundamental a proteção à saúde do trabalhador e aos demais destinatários inseridos
nas normas constitucionais (ENDO, 2014).

Dois são os patamares dessa regulamentação. Como ação imediata está inserida no art. 200,
VIII, que específica: Ao sistema único de saúde, compete, além de outras atribuições, nos
termos da lei: VIII – colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do
trabalho.

O artigo 225, caput , IV, VI e § 3o: afirma que Todos têm direito ao meio
ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e
essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à
coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras
gerações. (…)

IV – exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade


potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente,
estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade; (…)

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VI – promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a
conscientização pública para a preservação do meio ambiente.

Cabe ao empregador atender ao estabelecido no inciso VI por meio da adoção e implantação


de um programa de treinamento em atendimento aos requisitos estabelecidos no item 18.28
(NR no 18) onde torna obrigatório o cumprimento de realizar treinamento admissional e
periódico, visando a garantir a execução das atividades com segurança, no entanto, este
treinamento deverá abordar os riscos a que estão submetidos os trabalhadores e as medidas
de controle e prevenção.

Convém também lembrar o art. 170 da Constituição, argumenta a necessidade de valorização


do trabalho humano e ter, por finalidade, assegurar a todos existência digna conforme os
ditames da justiça social, tendo como princípio a defesa do meio ambiente – no caso em tela
o meio ambiente do trabalho como novo direito da personalidade.

Outras fontes que direcionam para a proteção do meio ambiente do trabalho são encontradas,
conforme a seguir:

» Constituição Federal.

» Leis estaduais, municipais e do Distrito Federal.

» Consolidação das Leis do Trabalho, Capítulo V – Segurança e Medicina do Trabalho.

» Normas Internacionais da Organização Internacional do Trabalho - OIT.

» Normas Regulamentadoras – NR (Portaria no 3.214/1978).

» Código de Penal.

» Lei de Crimes Ambientais.

Destaca-se, portanto, como princípio basilar o art. 1o, III da referida Carta Magna, que é o
princípio fundamental da dignidade da pessoa humana. Portanto, todo ser humano tem
direito a uma vida digna, e o meio ambiente do trabalho deve tê-lo como parte integrante de
sua plataforma, pois, como preceitua o art. 225, a vida deve ser de qualidade, e para que o
trabalhador tenha uma vida com qualidade, torna-se necessário um trabalho decente e em
condições seguras (ENDO, 2014).

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A validação deste contexto depende da compreensão de alguns princípios, para tanto, eles
devem ser mencionados e avaliados, como o da Prevenção e da Precaução. Para Endo (2014)
prevenção significa adoção de medidas tendentes a evitar riscos ao meio ambiente e ao ser
humano. No meio ambiente do trabalho é o homem trabalhador que é atingido direta e
imediatamente pelos danos ambientais, portanto esse princípio é um dos fundamentais
previstos na Constituição Federal de 1988, inserido em seu artigo 7o, inciso XXII, que
estabelece como direito do trabalhador urbano e rural a redução dos riscos inerentes ao
trabalho por meio de normas de saúde, higiene e segurança.

Entretanto, dois outros princípios devem ser mencionados, o da informação e o princípio do


poluidor-pagador.

A informação é entendida pelo relacionamento entre os trabalhadores, sindicatos e


federações, logo, ela acaba criando um elo entre os atores com o intuito comum de garantir a
defesa da vida e da saúde dos próprios trabalhadores, e da população direta e indiretamente
afetada, como é o caso da emissão de poluentes em ambientes fabris.

O princípio do poluidor-pagador possui duas razões fundamentais: primeiro, prevenir o dano


ambiental e segundo, em não havendo prevenção, impõe-se a reparação da forma mais
integral possível, ou seja, o poluidor deve prevenir danos a sua atividade para evitar problemas
maiores ao meio ambiente, cabendo-lhe o ônus de utilizar todos os equipamentos e meios
necessários para evitá-lo. Por isso, o meio ambiente do trabalho deve ser visto e integrado às
ações de prevenção, cabe ao empregador garantir total segurança no tocante a exposição do
trabalhador aos agentes físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes.

Infelizmente, no Brasil, a falta de cultura empresarial adequada para prevenir e precaver os


riscos ambientais no trabalho, que ainda tem no lucro o foco principal e que acaba deixando
de lado o fator humanitário, impossibilita uma aplicação adequada de regras voltadas à
Educação Ambiental necessária nesse contexto. Necessitamos criar uma cultura
ambientalista, destacando a do trabalho, pois é nesse enfoque que os danos atingem
diretamente as pessoas, e os empresários devem criar uma cultura solidária e de
responsabilidades para com todos os seres humanos, bem como para com o sistema em si.

Assim, como indicam os índices, os acidentes do trabalho ocorrem por práticas inadequadas
no meio ambiente do trabalho, podendo-se mencionar:

a. falta de investimento na prevenção de acidentes por parte das empresas;

21
b. falta da criação do setor especializado em saúde e segurança do trabalho
(SESMT);

c. barreira entre a classe patronal e profissional no que diz respeito a priorização da


prevenção dos acidentes do trabalho;

d. falta de atendimento as normas regulamentadoras;

e. foco no lucro e na produtividade elevada;

f. ineficiência dos órgãos reguladores quanto a fiscalização dos ambientes de trabalho;

g. falta de qualificação dos profissionais lotados nos ministérios e superintendências;

h. normas com aplicação genérica sem embasamento técnico científico.

Meio Ambiente do Trabalho e o Atendimento aos


Requisitos
A implementação de medidas preventivas, que venham a reduzir os riscos à saúde e à
segurança do trabalhador, é direito fundamental (...).

O que diz o Art. 157, inciso I, da CLT:

» não basta o empregador (contratante e contratada) cumprir as normas de saúde


e segurança do trabalho, mas também deve fazê-las cumprir, de modo a dar
efetividade a às ações de qualquer das partes;

» comprovado o descumprimento o empregador poderá ser julgado como poluidor


pagador? Lei de Crimes Ambientais.

O atendimento as normas regulamentadoras do trabalho denotam a adequação quando


necessário de ambientes laborais que existam riscos, porém específicos para cada caso. O
trabalho em espaços confinados requer avaliações ambientais constantes e o monitoramento
intenso. A exposição de trabalhadores em altura superior a 2,0 m requer estudos detalhados
conforme a evolução de um empreendimento, logo, as proteções coletivas e individuais
deveram estar presentes no PCMAT, conforme NR 18. No tocante protetivo de máquinas e
equipamentos, a NR no 12 visa garantir que todo o trabalhador faça uso de maquinários e
equipamentos com a segurança necessária.

22
Figura 1. Figura 2. Figura 3.

Fonte: <santanasegurancadotrabalho.
Fonte: <https://twitter.com/ Fonte: <http://www.espacoconsultoria. conectonline>
com.br>
com/texto.php?id=2>

O cumprimento deverá ser comprovado por meio da emissão de listagem de presença,


emissão de certificado e permissões de trabalho.

Figura 4. Exemplo de Certificado de Trabalho em Altura.

Fonte: <http://segurancadotrabalhonwn.com/certificado-para-curso-de-nr-35-download/>

Este atendimento trata-se, pois, de direito de ordem fundamental cujos os titulares


encontram-se dispersos no seio da sociedade, de nítido caráter difuso, transcendendo a esfera
do direito meramente individual, de forma a beneficiar, de uma só vez, todos os componentes
de um meio social.

23
Portanto, a impossibilidade de se assegurar um meio ambiente salubre e a apenas uma parte
de determinada coletividade, sem alcançá-la em sua plenitude. A observância do direito de
um perpassa necessariamente pelo cumprimento do direito de todos.

O art. 225, caput, da Constituição da República, após destacar o direito de


todos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado (...).

(...) de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo


ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as
presentes e futuras gerações.

Faça uma avaliação do seu ambiente de trabalho. Como a instituição onde você trabalha
está atendendo a carta magna e as normas regulamentadoras?

Atividades complementares

Questão 1. Em sua opinião, como podemos atender aos requisitos da proteção do meio ambiente
do trabalho?

Questão 2. O que são ações Preditivas, preventivas e corretivas? Qual a sua importância na ótica da
proteção do meio ambiente do trabalho?

Questão 3. As atividades operacionais e de gestão em segurança do trabalho estão focadas em


qual princípio (prevenção, precaução)? Na Segurança do Trabalho agimos com os princípios da
prevenção ou da precaução?

Questão 4. Você acha que os ambientes laborais estão inseridos no princípio do poluidor pagador?

Questão 5. Quais as ferramentas de controle que estão intrinsecamente ligadas ao conceito de


poluidor pagador? (Ex.: Programas de Gestão em SST).

Questão 6. Quando é perceptível a conduta de poluidor pagador no meio ambiente do trabalho?


Quais as medidas propostas para descaracterizar tal princípio?

Questão 7. Como profissionais de segurança do trabalho, apenas o uso do EPI ou a Proteção Coletiva é
o melhor meio para garantir às futuras gerações a qualidade de vida necessária?

24
CAPÍTULO 2
Causa dos Problemas Ambientais

Introdução
A gestão ambiental deve ser entendida como uma atividade voltada para a formulação de
princípios e diretrizes, estruturação de sistemas gerenciais (como gestão de custos, de
recursos humanos...) e tomada de decisão (planejamento), tendo por objetivo final promover,
de forma coordenada, o uso, proteção, conservação e monitoramento dos recursos naturais
e socioeconômicos em um determinado espaço geográfico, com vistas ao desenvolvimento
sustentável1 .

Com a necessidade de a gestão embrenhar-se no processo de consolidação e crescimento das


instituições econômicas, fez de suma importância a sua inserção no contexto organizacional
liderado pela alta direção, por meio de planejamento estratégico. Por força do mercado
consumidor em última instância, as instituições econômicas encontram-se na necessidade de
aprimoramento continuo como um todo e particularmente de seus processos. Para se obter
este aprimoramento, principalmente no que se refere atender ao mercado consumidor e
assim obter resultados, é fundamental a conjunção das ações de planejar, executar, verificar
e agir, de tal modo que ao se evidenciarem desvios, suas causas sejam eliminadas,
principalmente os de cunho ambiental.

Os problemas ambientais decorrem de deficiências (falta de definição de papéis e de


mecanismos de articulação entre os agentes sociais envolvidos no processo).

Os níveis de degradação ambiental encontrados não podem ser justificados, apenas, pelo
estágio atual do conhecimento científico sobre o funcionamento dos ecossistemas e sua
interação com os sistemas econômicos e sociais e pela dificuldade de acesso a tecnologias de
prevenção e controle de danos ambientais. Nas condições atuais, certamente, o fator mais
importante a ser considerado são as inequações e falhas no próprio processo de gestão
ambiental, que dificultam ou impedem os diferentes agentes sociais de apossar-se do
conhecimento e das tecnologias disponíveis, aplicando-os no cotidiano da gestão.

1 É um processo de mudança no qual a exploração dos recursos, a orientação dos investimentos e do desenvolvimento
tecnológico e a mudança institucional estão em harmonia e melhoram o potencial existente e futuro para satisfazer as
necessidades humanas. Sendo, portanto, o cenário que associa ao crescimento econômico atual e futuro, a equidade social e
a sustentabilidade ambiental.

25
O quadro 1 mostra os problemas ambientais brasileiros, que permanecem sem solução, que
seriam passíveis de controle, ainda que muitas vezes, de forma parcial, se utilizados o
conhecimento e a tecnologia atualmente disponíveis.

QUADRO 1 – Alguns dos principais problemas ambientais brasileiros


PROBLEMA CARACTERÍSTICAS EXEMPLOS DE FORMAS DE
CONTROLE
Poluição urbana, industrial e de Contaminação continua do ar, das Tratamento reciclagem dos
mineração águas e do solo. resíduos, mudanças para
tecnologias não poluentes e
restrição à implantação de
atividades agressivas em locais
sensíveis ambientalmente.
Impactos ambientais em Ex: construção de reservatórios que Alterações ecológicas localizadas
empreendimentos de grande porte inundam grandes áreas e/ou nos projetos, recomposição da
alteram as vazões líquidas e sólidas vegetação, repovoamento de
(sedimentos) dos cursos de água; espécies, implantação de
desmatamentos, aterros e corredores de fauna etc.
dragagens para implantação de
rodovias, ferrovias e hidrovias;
construção de polders para
controle de cheias.
Poluição originada na atividade Carreamento sazonal de Uso controlado de agrotóxicos,
agropecuária agrotóxicos, contaminando o solo, controle biológico de pragas
águas superficiais e subterrâneas. mudança para agricultura orgânica
ou ecológica.
Diminuição das vazões fluviais pela Aumento do consumo de água em Coordenação do uso da água por
irrigação projetos de irrigação, causando meio do sistema de outorga, dos
conflitos com outros usos direitos de uso; aumento da oferta
antrópicos e com o ambiente. mediante regularização de rios,
controle de perdas e adoção de
tecnologias de baixo consumo.
Degradação do solo Degradação acelerada dos Uso de técnicas de controle: manejo
processos físicos químicos e agrosilvopastoril, terraceamento.
biológico dos solos em decorrência
da ação antrópica.
Desmatamentos Motivado, principalmente, para a Controle da população e criação de
formação de pastagens ou áreas áreas para desmatamento.
agrícolas.
Ameaças a fauna Localização de empreendimentos Controle e discriminação de áreas
que afetam os hábitos da fauna, de preservação, criação de
muitas vezes desconhecidos, corredores, proteção de áreas de
além da predação por caça e os procriação, recomposição da flora.
problemas causados por
desmatamentos.

26
Antes de prosseguirmos, é necessário a fixação de alguns conceitos, para que a
linguagem seja a mesma:

Gestão Ambiental – é o processo de articulação das ações dos diferentes


agentes sociais que interagem em um dado espaço, visando garantir, com base
em princípios e diretrizes previamente acordados/ definidos, a adequação dos
meios de exploração dos recursos ambientais (naturais, econômicos e
socioculturais) às especificidades do meio ambiente.

Política Ambiental – é o instrumento legal que oferece um conjunto consistente


de princípios doutrinários que conformam as aspirações sociais e/ou
governamentais no que concerne à regulamentação ou modificação no uso,
controle, proteção e conservação do ambiente.

Impacto Ambiental – são as consequências sofridas, pelo meio ambiente,


em função dos aspectos ambientais.

Avaliação de Impactos Ambientais – é o instrumento orientador do


processo de avaliação dos efeitos ecológicos, econômicos e sociais que
podem advir da implantação de atividades antrópicas (projetos, planos e
programas), bem como do monitoramento e controle desses efeitos pelo
poder público e pela sociedade.

Poluição – é a contaminação e consequentemente a degradação do meio


ambiente por um ou mais fatores prejudiciais ao equilíbrio natural do meio.

IMPACTOS AMBIENTAIS

Antes de iniciar o estudo da gestão ambiental stricto senso, é preciso ter conhecimento dos
considerados cinco maiores impactos ambientais da atualidade, onde após analisar os
aspectos macro e suas consequências, poderemos fazer valiosas inferências no universo micro
(empresa, escola, em casa), alterando inicialmente o local em que vivemos e trabalhamos.

Neste caderno, voltaremos nossos esforços para os seguintes impactos ambientais: a explosão
demográfica, a poluição do ar, do solo e da água e o uso da energia. Esses impactos serão
discutidos um a um detalhando suas causas, seus efeitos e as suas formas de controle.

2.1. Explosão Demográfica

No início da era cristã, a população mundial era de apenas 200 milhões de pessoas, e essa
população cresceu vagarosamente demorando cerca de 1650 anos para atingir o número de

27
500 milhões de habitantes sobre a Terra. O primeiro bilhão foi atingido em 1850, o segundo
bilhão foi atingido em 1930, em um intervalo de 80 anos e a população dobrou chegando aos
quatro bilhões de habitantes em 1975 em apenas 45 anos.

Atualmente, a cada minuto nascem mais ou menos 190 crianças no mundo,


em um único dia são 270 mil crianças a mais no planeta, a mortalidade
mundial gira em torno de 143 mil pessoas por dia, gerando um aumento
populacional de 127 mil pessoas, por dia, sobre a superfície da Terra.

A população atual sete bilhões e a expectativa é de que em 2025 sejamos oito bilhões de
habitantes no planeta. Considerando que a capacidade de saturação da Terra é de 10 a 12
bilhões de pessoas, verificamos que temos de nos preocupar com medidas de controle para
estabilizar a população mundial de forma a reduzir com o crescimento populacional.

No Brasil, atualmente, a velocidade de crescimento populacional está em queda, na década


de 1960 a taxa de crescimento era de 2,89% caindo para 1,17% em 2010 e a previsão é
atingirmos a estabilidade em 2075, com uma população em torno de 265,5 milhões de
habitantes no país.

Principais Causas para a redução:

» taxas de mortalidade de forma significativa:


No século XIX, epidemias de cólera, febre tifóide e febre amarela constituíam graves
problemas nas cidades, levando maiores preocupações quanto à higiene, ao
aprimoramento da legislação sanitária e à criação de uma estrutura administrativa
para a aplicação das medidas preconizadas. A explicação das causas das doenças era
disputadas entre os que defendiam a teoria dos miasmas2 e os que advogavam a
dos germes3 .

QUADRO 2: Causa mortis da população mundial (2005) 4

2 Situa a origem das doenças na má qualidade do ar, proveniente de emanações oriundas da decomposição de animais e plantas.
A malária, junção de mal e ar, deve seu nome a este modo de transmissão – Maurício Gomes Pereira – Epidemiologia Teoria
e Prática.
3 Teoria criada após o desenvolvimento do microscópio, em 1675, por Van Leeuwenhoek (1632 – 1723), que com este engenho
conseguiu visualizar pequenos seres vivos, aos quais denominou “animálculos”.

28
DOENÇAS PAÍSES PAÍSES EM BRASIL4
DESENVOLVIDOS EM DESENVOLVIMENTO
% EM %
Doenças parasitárias e
5,2 40 5,3
infectocontagiosas
Câncer 15,9 5,0 16,5
Doenças do sistema
circulatório e 53 19 32,5
degenerativas
Problemas de parto e 0,5 9,1 1,1
puertério
Envenenamento e causas
6,0 5,0 14,5
externas
Outros 19,4 21,9 30,1

Louis Pasteur (1822 – 1895), considerado o pai da bacteriologia, foi quem assentou as bases
biológicas para o estudo das doenças infecciosas, onde caracterizou definitivamente de que
as doenças eram transmitidas por contagio. Pasteur isolou e identificou numerosas bactérias,
além de realizar trabalhos pioneiros em imunologia. Verificou que líquidos sem germes se
conservavam livres deles, quando devidamente protegidos de contaminação. Os trabalhos de
Pasteur, seguidos por Robert Koch (1843 – 1910), defendiam que as doenças poderiam ser
explicadas por uma única causa, o agente etiológico, possibilitando a comprovação
laboratorial da presença de um agente.

Tal descoberta alterou o quadro da saúde pública pois, quando a higiene passou a ser tratada
de forma importante, foram eliminados, carpetes, tapetes dos hospitais, a roupa dos médicos
e enfermeiros passou a ser branca e limpas com frequência, e no âmbito da cidade, fortaleceu
o trabalho de John Snow5, onde destacou a importância do saneamento adequado na baixa
taxa de incidência de doença.

A melhoria das condições sanitárias, nas cidades, nas fábricas, corroboradas com uma
legislação mais forte de saúde pública, fez com que os índices de mortalidade decrescessem
rapidamente no passar dos anos, enquanto as taxas de natalidade permaneciam altas,
devemos lembrar que era comum até meados do século XX, famílias com sete, nove, doze
irmãos, ou mais.

4 http://portaldocoracao.uol.com.br/materias.php?c=cardiologia-preventiva&e=2859
5 Inglês (1813 * 1858) que determinou que o consumo de água poluída era responsável pelos episódios da doença cólera e traçou
os princípios de prevenção e controle de novos surtos.

29
» Melhoria do sistema de transporte:
Até o desenvolvimento e a proliferação de meios de transporte baratos e eficazes,
as cidades se resumiam a pequenos espaços urbanos, pois os cidadãos não podiam
se afastar muito do local de trabalho, se não tornaria inviável o seu deslocamento,
fazendo com que estas tivessem de certo modo um tamanho pré-definido. As áreas
destinadas à agricultura deveriam ficar próximas às cidades, pois os produtos
pereciam e deviam ser vendidos rapidamente, o que impedia uma atividade agrícola
muito distante dos centros urbanos. A maior cidade do mundo no início do século
XX, era New York, com pouco mais de um milhão de habitantes.

Com a melhoria dos sistemas de transporte, primeiramente com os trens no século


XIX, e depois com os veículos automotores no século XX (graças ao desenvolvimento
dos motores de combustão interna de ciclo Otto ou Diesel e a viabilidade econômica
do petróleo6 ), o problema da distância foi quebrado, permitindo que as unidades
de produção agrícola se afastassem mais das cidades, abrindo espaço físico para a
ampliação e incremento das cidades. E no campo a ampliação da produção, pois o
rendimento de um trabalhador, passou a corresponder a dez, doze, no modo de
produção antiga.

Crescimento da população mundial:

* ano 1 200 milhões

* ano de 1650 500 milhões

* ano de 1850 1 bilhão

* ano de 1930 2 bilhões

* ano de 2000 6 bilhões

* ano de 2005 6,45 bilhões

* ano de 2010 7 bilhões

6 Até início do século XX, a gasolina não tinha nenhum valor comercial, pois o principal produto extraído do petróleo era o
querosene para iluminação pública, tornando deste modo, à gasolina um bem econômico muito barato, valendo a mesma
lógica para o diesel.

30
» Produção Industrial Mecânica:
A lógica da produção industrial até fins do século XX privilegiava a força muscular e
não intelectual, fazendo com que a geração de filhos em uma família tivesse o
enfoque de criar mais uma fonte de trabalho e, consequentemente, de aumento na
renda familiar, fortalecendo uma cultura de família numerosa. Aliado a isso, os
trabalhadores rurais eram atraídos para as cidades pela expectativa de melhoria das
condições de vida e facilidades como acesso à educação, saúde e aposentadoria e
pelas dificuldades cada vez maiores de vida nas áreas rurais.

Atualmente, para cada 100 habitantes no Brasil, 84 vivem nas cidades contra 16 que
ainda se mantém nas áreas rurais. O estado do Maranhão é o estado mais rural com
uma população rural de 36,9% e o Distrito Federal o mais urbano, com 96,6% da
população vivendo na cidade.

» Revolução Verde:
Durante a 1a Guerra Mundial, vários compostos químicos foram desenvolvidos e
testados para serem utilizados como armas, tais como o THC e o gás mostarda. Com
o termino da guerra esta tecnologia desenvolvida, foi direcionada para o combate
de pragas da lavoura e no uso de fertilizantes químicos, onde o produto mais
conhecido foi o DDT. O uso destes produtos fez em alguns casos a produção crescer
mais que três vezes, quebrando a famosa teoria do Padre Maltus, onde a população
cresce em progressão geométrica e a população em progressão aritmética, fazendo
com que a disponibilidade de alimentos para a população mundial aumenta-se
sobremaneira. Tal fenômeno foi denominado revolução verde e teve seu ápice na
década de 1970, antes da primeira crise do petróleo.

Em 1970, a disponibilidade de grãos era de 331 kg/hab/ano em 0,205


hectares/hab/ano. Em 2005 a disponibilidade era de 344 kg/hab/ano com 0,106
hectares/hab/ano, graças em grande parte ao plantio de transgênicos (Fonte: FAO).
Apesar dos transgênicos serem considerados como a nova revolução verde por
alguns autores, os reais efeitos benéficos e maléficos do seu uso e disseminação
ainda não foram bem esclarecidos por pesquisas científicas consistentes, de longa
duração.

» Baixa escolaridade do sexo feminino:

31
A participação da mulher no mercado de trabalho e que tem acesso à educação, faz
com que tenha outros objetivos de vida, pensando não só no número de filhos, mas
na qualidade de vida dada a estes filhos, além de considerar que um filho adia os
planos de crescimento profissional e até mesmo pessoal. Uma mulher alijada do
sistema educacional e do mercado de trabalho, naturalmente vê o casamento e a
criação dos filhos motivo de vida. Para efeito de comparação, uma mulher brasileira
hoje tem em média 1,8 filhos (IBGE/2010) enquanto que uma do Iraque tem 4,54
filhos.

Em 1950, 33% da população mundial estava em países desenvolvidos, no ano 2000, esta
proporção foi reduzida para 20% e a estimativa para 2025 é de 16%

Principais Efeitos:

» Capacidade de suporte do planeta.


Cientistas alegam que a Terra tem capacidade de abrigar entre 10 e 12 bilhões de
habitantes, mantendo um mínimo de qualidade de vida a este ser humano, e que
pela nossa Carta Magna de 1988, incluí como direito básico de todo o cidadão
brasileiro: alimentação, vestuário, seguridade social, educação, saúde, segurança,
lazer, trabalho, transporte, habitação. E que em função do nosso “modus operande”,
não haveria recursos naturais para todos em quantidades satisfatórias, a não ser
que se mantivessem no mundo bolsões de pobreza e miséria como existentes na
África, Ásia central e hindu e na América Latina.

Segundo as Nações Unidas, um índice menor que 2.400 calorias diárias – cidadão médio
global – pode resultar em desnutrição, reservadas as diferenças climáticas. A disponibilidade
per capita de alimentos da população mundial considerando 1965 como o ano base, houve
um incremento de 50% na Ásia, 33% na Europa, 9% na América Latina e houve um
decréscimo de 30% na África. Na América do Norte o índice permaneceu estável.

» Extinção de várias espécies vivas


A devastação das florestas para construção de cidades, estradas e para o plantio
causa a destruição de cerca de 100 espécies de animais e vegetais, por dia, e
consequentemente a extinção de várias espécies, ocasionando um desequilíbrio
ambiental de proporções incalculáveis.

32
» Desemprego
Hoje já existe um déficit no número de empregos superior a um bilhão, e para
equacionarmos esses números de forma a zerar e acompanhar esse crescimento
populacional, seria necessário criar cerca de 38 milhões de empregos, por ano, nos
próximos 50 anos.

No Distrito Federal, de 1992 para 2001, a população economicamente ativa – PEA cresceu
42%, a taxa de vagas na construção civil (que absorve mão de obra menos qualificada), houve
redução de 32%, a de limpeza e conservação 8%, enquanto que o de serviços especializados
teve um incremento de 62% (fonte: PED-DF outubro de 2001, trabalhado por
GVST/DISAT/SES/GDF).

» Poluição
Com o aumento populacional cresce também a poluição em todo o meio ambiente,
o aumento da emissão de dióxido de carbono oriundo dos combustíveis fósseis,
termoelétricos, sistemas produtivos produz o efeito estufa. Os resíduos sólidos da
população lançados no meio ambiente poluem o solo e a água e os resíduos líquidos
descartados sem o devido tratamento poluem também o solo e a água.

» Agricultura Intensiva
Com a revolução agrícola os agricultores conseguiram obter uma quantidade maior
de alimentos com a mesma porção de terra porém os problemas decorrentes dessa
revolução também aumentaram: a degradação acelerada dos solos, a perda de sua
fertilidade natural, a contaminação do solo, das águas e do ambiente por
agrotóxicos e fertilizantes, o envenenamento dos alimentos e a extinção de plantas
e animais silvestres em consequência da destruição dos seus habitats naturais.

» Desequilíbrio no ecossistema marinho


Devido à pesca excessiva e descontrolada para alimentar a população planetária os
pescadores estão ultrapassando o limite dos oceanos o que tem acarretado um
desequilíbrio no ecossistema marinho e exaurindo a capacidade de produção e
fornecimento de alimento do mar.

» Queda da qualidade de vida

33
Um terço dos habitantes da Terra não tem acesso à água limpa, com o crescimento
populacional esse número tende a crescer, e a qualidade de vida tende a cair.

Quadro 3. Ranking do Brasil comparados a 192 países do Mundo – colocação (2000 e 2010).
Item 2000 2010

Expectativa de vida 113 92

Mortalidade infantil 121 106

PIB per capita 71 63

PIB per capita – paridade do poder de – 77


compra
Alfabetização 104 62

Escolaridade 114 72

Desenvolvimento Humano (índice GINI) 82 73

Economia 11 8

Formas de Controle Populacional:

» Programas de Planejamento Familiar


Com o acesso universal aos programas de planejamento familiar, saúde reprodutiva
e sexual, principalmente, as mulheres passam a conhecer as diversas formas de
evitar filhos e podem escolher a que melhor se adapta a suas necessidades, podendo
planejar de forma segura quando e como ter seus filhos.

» Crescimento Econômico apoiado no Desenvolvimento Sustentável


O crescimento econômico apoiado no desenvolvimento sustentável é de suma
importância quando se fala de controle da explosão demográfica.

» Educação – sobretudo das mulheres


Quando uma pessoa tem acesso à educação seus objetivos e ambições mudam,
principalmente as mulheres, que passam a ter uma outra expectativa para suas vidas
e de seus filhos, e passam a reduzir o número de filhos para poder dar melhor
qualidade de vida para sua família.

34
» Igualdade entre os sexos
Com a participação cada vez mais ativa das mulheres na vida da sociedade, faz-se
necessário que ela tenha as mesmas oportunidades e direitos dos homens para que
elas realmente assumam o seu papel na sociedade como mulher, trabalhadora, mãe
e responsável pelo futuro da nação.

2.2. Energia

É o recurso natural que possibilita o processamento de materiais e o fornecimento de vários


recursos utilizados pela sociedade; é a força da natureza que usamos para executar um
trabalho que seria realizado com muito mais dificuldade pelo homem.

A primeira fonte de energia utilizada pelo homem foi o fogo produzido pela queima de
madeira, fornecendo calor para aquecer, cozinhar e espantar animais. Com o passar do tempo
o homem começou a “domesticar/ controlar” outras fontes de energia como: os ventos para
mover moinhos e embarcações e a água por meio das rodas d’água além da tração animal.

O grande problema é que cada vez que o homem utiliza uma fonte de energia em prol de sua
existência ele causa também um grande estrago na natureza com a poluição do meio
ambiente e a redução e/ou extinção dos recursos naturais limitados.

A matriz energética mundial é composta de recursos naturais renováveis e não renováveis,


com participação maciça dos não renováveis, o que interfere diretamente na qualidade de
meio ambiente exigido por nossa sociedade.

A matriz energética mundial está centrada hoje na utilização dos sequintes recursos
energéticos, classificadas de acordo com suas propriedades de transformação, sendo as mais
importantes:

3. energia potencial química – é devido a agregações moleculares: biomassa álcool,


óleos vegetais, lenha, carvão vegetal, resíduos agrícolas e fl orestais, resíduos
sólidos; fósseis petróleo, gás natural, carvão mineral, xisto; outras, hidrogênio,
metanol etc.
(energia química, calor mecânica e eletricidade);

4. energia potencial nuclear – devido a agregações nucleares fi ssão e fusão (potencial


nuclear calor eletricidade);

35
5. Hidroelétrica – devido a gravidade (mecânica eletricidade);

6. energia solar direta – devido à ação direta da radiação solar. Célula fotovoltaica (luz
eletricidade) e aquecedor solar (luz calor);

7. biodigestores – devido a ação microbiana (matéria orgânica gás, adubo e alimento)

8. eólica – devido ao movimento dos ventos (mecânica eletricidade e mecânica);

9. marítima – devido ao gradiente térmico nos oceanos (calor eletricidade);

10. mares – devido principalmente a gravidade da lua (mecânica eletricidade);

11. geotérmica – devido ao calor interno da terra. Geisers e erupções vulcânicas (calor
eletricidade);

12. magneto-hidrodinâmica – devido à ionização dos plasmas. Carvão (calor


eletricidade)

A inclusão de biomassa como fonte de energia potencial química é devido à maneira como é
transformada em energia útil, mas também podia ser enquadrada como energia solar por
causa do modo como é produzida. Da mesma maneira, as energias hidráulicas, eólica e
marítima são resultados da ação atual do sol na atmosfera e na superfície da Terra. Já os
combustíveis fósseis são também resultado da ação do sol, mas os depósitos em exploração
foram formados a centenas de milhões de anos.

Petróleo e Gás Natural: é uma substancia formada principalmente por hidrocarbonetos


(compostos de carbono e hidrogênio) combinados com diferentes cadeias moleculares.

Composição do Petróleo:
NÚMERO DE ÁTOMOS DE CARBONO DERIVADO DE PETRÓLEO FORMADO
1a4 Gases (metano, butano – gás de cozinha, etano,
propano)
4 – 10 Gasolina
10 - 50 Óleos leves (diesel) e lubrificantes
51 – até centenas Óleos pesados, graxas e asfaltos

36
O sistema de exploração de petróleo promove uma verdadeira cadeia de impactos ambientais:
potencial de poluição do mar (plataformas marítimas) e afundamento e vazamento de navios
cargueiros; poluição do solo, por derramamento de óleo cru ou de seus derivados após o uso;
poluição do ar no processo de craqueamento (quebra da molécula de hidrocarboneto) e na
sua queima já como combustível.

A capacidade de consumo das reservas mundiais de energia não renovável,


conhecidas em 1999, indicam que neste ritmo de crescimento e consumo
as reservas de petróleo se extinguiram em 2.052, a de gás natural em 2.068
e a de carvão em 2.271.

CARVÃO MINERAL, HULHA E TURFA: O carvão mineral é o combustível fóssil economicamente


aproveitável mais abundante da Terra, porém, seu uso sofre algumas limitações sérias devido
aos problemas de poluição. O carvão mineral tem esse nome porque seu processo de
formação é similar ao de rochas sedimentares. Entretanto é constituído de compostos
orgânicos formados a partir de plantas que viveram de 340 milhões a 80 milhões de anos atrás.
Existem quatro tipos de carvão mineral: linhito, sub-betuminoso, betuminoso e antracito.

Além da poluição causada pelo seu uso, devemos considerar que a sua extração, além de
provocar desordem e impacto diretos no meio ambiente na qual se situa a mina, provoca
sérios problemas de saúde ocupacional, como a silicose, que leva o trabalhador de mina a se
aposentar com apenas 15 anos de serviço, sendo uma atividade extremamente insalubre.

BIOMASSA: è a utilização de recursos naturais renováveis para a transformação de energia,


sendo destaque a produção agrícola, como o álcool, o bagaço de cana, as cascas de arroz e o
carvão vegetal, mas a sua exploração gera de maneira geral os seguintes impactos ambientais:
aumento do índice de desmatamento (carvão vegetal), uso intensivo do solo, poluição por
agrotóxicos, erosão e exportação de nutrientes nobres como fósforo e o potássio. No seu uso,
os mesmos impactos causados pelo petróleo e o carvão mineral.

HIDROELÉTRICA: Apesar de ser considerada uma fonte renovável de energia, a sua instalação
altera grandemente o ecossistema na qual está presente: impedimento de desova de peixes
(necessidade de construir escadas) rio acima; alagamento de grande área vegetal, provocando
potencial de extinção de espécies, desabriga a fauna ali existente, diminuição do raio de
comida para a fauna, empobrecendo a cadeia alimentar local; desvio de rios e córregos;
possibilidade de introdução de espécies exógenas aquele habitat; deslocamento de
populações humanas inteiras; necessidade de deslocamento da produção agrícola porventura

37
existente, ampliando o índice de desmatamento. Tais impactos não consideram ainda os
impactos causados pelas linhas de transmissão, que indicadores e estudos iniciais, sinalizam
para a propensão a câncer nas comunidades próximas aos fi os de alta tensão, devido a
radiação não ionizante gerada por estes.

NUCLEAR: Produz energia nuclear por meio da fi ssão ou da fusão dos núcleos dos átomos. A
fi ssão consiste na desintegração de um núcleo de um átomo pesado em núcleos mais leves,
acompanhada da liberação de nêutrons, enquanto a fusão é um processo em que núcleos
leves se juntam para formar um núcleo mais pesado. Em ambos os casos, a massa inicial do
processo é maior que a massa final, a diferença sendo transformada em energia, de acordo
com a celebre equação de Einstein, ΔE = Δmc2. A liberação de energia, por sua vez, acelera
violentamente as partículas finais, gerando calor.

O processo de fusão é o processo que ocorre no interior do sol e a energia liberada é sentida
na Terra na forma de luz e de ondas eletromagnéticas, processo este que está em estudos na
Terra, mas com a dificuldade de que só se consegue tais resultados em altíssimas
temperaturas, tornando este processo, no nosso estágio tecnológico inviável
economicamente.

Por outro lado, o processo de fissão, é o mesmo que ocorre na bomba nuclear ou dentro da
usina nuclear. O princípio básico de funcionamento consiste na captura desta energia liberada
na fissão nuclear que faz com que a água esquente a temperaturas de 300°C (mas que
permanece em estado líquido devido a pressão de 150 atm), e em contato com a câmara dos
geradores (turbinas) está água é descompresada tornando-se vapor o que faz girar as turbinas.

Os maiores impactos da energia nuclear, consiste no tempo de meia vida do rejeito radioativo
(maior que 200 anos), quando comparados a vida útil da própria usina (próximo dos 50 anos),
além do potencial de risco de vazamento no ar e na água, por acidente e como fornecedora
de plutônio matéria prima básica para a fabricação das bombas atômicas.

As outras formas de energia de certa forma tem reduzido impacto ambiental, até devido a
baixa participação na matriz energética mundial, que não ultrapassa a 1%, aconselhando uma
leitura complementar em publicação mais especializada.

38
CAPÍTULO 3
CONTROLE DA POLUIÇÃO

3.1. Poluição do Ar

É a contaminação provocada pela presença de gases e partículas que, quando


aspiradas ou absorvidas pelo corpo humano, causam efeitos negativos à saúde. A
fumaça dos escapamentos dos veículos, as emissões industriais e muitos outros
tipos de impurezas são os grandes causadores da poluição atmosférica, hoje um grande
problema de saúde pública.

O planeta Terra está completamente envolto por uma camada composta de uma mistura de
gases, dos quais, o nitrogênio é o mais abundante. A esta camada, que se estende a uma
modesta altura de cerca de 9.600 Km, damos o nome de atmosfera. A atmosfera terrestre é
composta de 75,51% de nitrogênio, 23,15% de oxigênio, 1,28% de argônio, 0,046% de dióxido
de carbono, 0,014% dos demais (esta distribuição está em peso e não em volume, se assim
fosse a distribuição seria 78,09%, 20,94%, 0,93%, 0,032% e 0,004%, respectivamente). O
conteúdo de vapor d’água é altamente variável, atingindo valores que vão de 0,02% em zonas
áridas até 6% em zonas equatoriais úmidas, e é este conteúdo que influenciará de maneira
significativa no comportamento da atmosfera no que se refere a movimento de massas de ar,
no espalhamento da luz, absorção de calor, e no comportamento aerodinâmico das partículas
em suspensão e sobre reações térmicas e fotoquímicas.

Existem referências a poluição da atmosfera, anteriores aos protestos feitos pela nobreza
contra o uso do carvão durante o reinado de Eduardo (1272 – 1309). No entanto, foi a
Revolução Industrial quem marcou o início do reconhecimento público dos chamados
episódios de poluição do ar e cujos exemplos históricos mais citados são os seguintes:

Principais episódios:

Vale do Meuse, 1930 (Bélgica):

1. Duração: 5 dias.

39
2. Grande número de pessoas adoeceu com a seguinte sintomatologia: dores no peito,
tosse, dificuldade de respiração, irritação nasal e dos olhos.

3. Sessenta pessoas morreram, principalmente pessoas idosas que já estavam doentes


do coração e pulmões.

4. Morte do gado.

5. Presumiu-se que uma combinação de poluentes esteve associada com o episódio; é


destacada a presença de gotículas de ácido sulfúrico, resultante de altas
concentrações de dióxido de enxofre em gotículas de água.

Donora, 1948 (Pensilvânia, EUA).

1. Duração: 5 dias.

2. Adoeceu 43% da população de 14.000 habitantes, cuja sintomatologia era: irritação


no trato respiratório e dos olhos.

3. Vinte pessoas morreram, principalmente pessoas que já estavam doentes do


coração e pulmões.

4. Presumiu-se que a presença de dióxido de enxofre e material particulado em


suspensão esteve associado ao episódio.

Poza Rica, 1955 (México).

1. Duração: 25 minutos.

2. Foram hospitalizadas 320 pessoas das quais 22 morreram.

3. A presença de gás sulfídrico, lançado na atmosfera acidentalmente, por uma


indústria de recuperação de enxofre de gás natural, foi a responsável.

Londres, 1952 (Inglaterra).

1. Duração: 5 dias.

2. Grande número de pessoas adoeceu, sendo que aumentou o número de internações


por problemas respiratórios.

3. 3.500 a 4.000 pessoas morreram a mais do que o esperado epidemiologicamente


para este período, principalmente pessoas idosas que já eram portadoras de
doenças do coração e pulmões.

40
4. Atribuiu-se o fato a presença de poeira em suspensão (4,46mg/m3) e de dióxido de
enxofre (3,75mg/m3).

Bauru, 1952 (Brasil).

1. Foram registrados 150 casos de doença respiratória aguda e nove óbitos.

2. Bronquite e manifestações alérgicas do trato respiratório foram os principais


efeitos.

3. O fato ocorreu devido à emissão na atmosfera de pó de mamona (Rícino), por uma


indústria de extração de óleos vegetais.

New York, 1953 (EUA).

1. Duração: 5 dias.

2. Excesso de mortes do esperado em todos os grupos etários.

3. Presença de dióxido de enxofre (2,0mg/m3) associada ao fato.

New Orleans, 1955 (Louziania, EUA).

1. Aumentada a frequência de asma.

2. Presumiu-se que o poluente do episódio foi poeira industrial de farinha.

Bombaim, 1988 (Índia).

» Diversas mortes de pessoas e animais devido à emissão acidental de ácidos e


óxidos na atmosfera por uma indústria de produtos químicos.

Cubatão, década de 1980 (Brasil).

» Devido a grande concentração de poluentes na atmosfera, várias crianças


começaram a nascer com hidrocefalia ou até mesmo acéfalas.

PRINCIPAIS EFEITOS DA POLUIÇÃO DO AR:

» Efeito Estufa
É o aumento de temperatura da Terra, pela emissão de toneladas de gases,
principalmente dióxido de carbono, resultante da queima de combustíveis fósseis.

41
Esses gases atuam como uma estufa de fl ores, permitindo a entrada da luz do sol,
mas impedindo a Terra de devolver esse calor ao espaço 7 , podendo provocar
aquecimento e alteração do clima, favorecendo a ocorrência de furacões
tempestades e até terremotos; o degelo das calotas polares elevando o do nível do
mar e inundando regiões litorâneas; afetando o equilíbrio ambiental com o
surgimento de epidemias.

Considerando que toda atividade econômica humana está centralizada na produção


de dióxido de carbono, principalmente a indústria americana e chinesa, devido ao
uso intensivo de fontes energéticas que na sua queima liberam CO2, como petróleo,
carvão, hulha principalmente, faz com que medidas efetivas que corrijam esta
distorção necessitem de tempo para serem implementadas, pois mexe com a
economia dos países e consequentemente no “nível de qualidade de consumo” de
suas populações. O grande projeto de reorientação da organização industrial
mundial, com enfoque na redução do nível de emissão de CO2, é o Protocolo de
Kyoto (Japão) – Vide anexo 1.

» Chuva Ácida
A queima incompleta dos combustíveis fosseis (petróleo, carvão mineral) pelas
indústrias e pelos automóveis, resulta na emissão de gás carbônico junto com outros
gases, principalmente o dióxido de enxofre (SO2) e formas oxidadas de nitrogênio
(NOx) que são liberados para a atmosfera. O dióxido de enxofre junto com o vapor
d’água forma ácido sulfúrico que precipitando cai sobre a superfície terrestre em
forma de chuva ácida. Como consequência ocorre a acidez dos lagos ocasionando o
desaparecimento das espécies que vivem neles, o desgaste do solo pela acidificação
e diminuição e alteração da microfauna, na liberação de metais potencialmente
tóxicos (do solo) para o lençol freático, como chumbo, cádmio e alumínio, da
vegetação e dos monumentos, além de desgastar e corroer a infraestrutura baseada
em concreto armado ou outros metais. A chuva ácida pode ser reduzida, de forma
significativa, com a alteração do modo de produção industrial adotada, assim como

7 A energia solar que nos chega a Terra, vem em vários comprimentos de onda, variando de ondas com comprimento de microns
até de quilômetros, mas da faixa de comprimento dos 100mn até 1mm, com destaque para a luz visível (400nm até 700nm),
passa pela atmosfera terrestre sem problemas, mas quando absorvida pelo solo, ela é reenviada para a atmosfera em
comprimento de onda diferente, entre 750nm-1mm (infravermelho ou onda de calor), que devido a esta característica é
refletida pela molécula de CO2, ficando portanto, presa na atmosfera terrestre até perder sua energia, o que aumenta a
temperatura do planeta e quanto maior a quantidade de gás carbono, maior a intensidade de reflexão e “aprisionamento “
deste calor.

É bom lembrar que não é a luz solar incidente direta que aumenta a temperatura e sim a sua absorção/refl exão pela superfi
cie terrestre

42
a utilização em larga escala de filtros industriais compatíveis com a carga de poluição
emitida para a atmosfera.

QUADRO 4: Emissão de gases poluidores que aquecem a atmosfera em %:

SETOR GÁS METANO ÓXIDO DE OUTROS TOTAL


CARBÔNICO NITROGÊNIO
Energia 35 4 4 6 49
Desmatamento 10 4 14

Agricultura 3 8 2 13

Industria 2 22 24

Participação no efeito 50 16 6 28 100


estufa
O problema da chuva ácida ganhou contornos internacionais, pois os gases tóxicos
liberados pela indústria do leste americano, tem-se precipitado na Europa ocidental,
causando grandes prejuízos, reforçando a tese de que todos são responsáveis por
tudo, e que a soberania de um país não pode prejudicar a qualidade de vida de outro
em função da poluição gerada por este.

Os maiores emissores de dióxido de enxofre (SO2), são: EUA com 21 milhões de toneladas,
ex-URSS com 18,0; a China com 14,0, a Alemanha com 6,7 e a Polônia com 3,9 milhões de
toneladas.

Os maiores emissores de dióxido de nitrogênio são: EUA com 19,8 milhões de toneladas ano,
seguido da Ex-URSS com 6,3; Alemanha com 3,7; Inglaterra com 2,7 e o Canadá com 1,9.

» Buraco na Camada de Ozônio


A camada de ozônio atua como um protetor da Terra dos raios ultravioletas do sol,
que são extremamente prejudiciais à vida de plantas, animais e do ser humano. Os
gases como os clorofluorcarbonos (CFC), mistura de átomos de carbono e cloro, são
compostos altamente nocivos a este escudo natural da Terra. O CFC, presente no ar
poluído, é transportado até elevadas altitudes onde é bombardeado pelos raios
solares ocasionando a separação do cloro e do carbono. O cloro por sua vez tem a
capacidade de destruir as moléculas de ozônio, bastando um átomo de cloro para
destruir milhares de moléculas de ozônio formando um buraco, pelo qual, os raios
ultravioletas passam chegando a atingir a superfície terrestre.

43
Podemos considerar este problema como uma grande vitória da humanidade em
relação ao meio ambiente, sendo que atualmente esse problema já está
equacionado, porém os efeitos da destruição dessa camada, ainda se mostrarão
presentes pelos próximos vinte anos.

O TIRO PELA CULATRA

Os gases CFC foram festejados, na década de 1920, como uma grande


descoberta para a indústria: são inertes, não inflamáveis, nem tóxicos, nem
corrosivos. Seu uso disseminou-se rapidamente pelo setor de refrigeração
e da indústria do frio, pela indústria de plásticos expandidos, de
embalagens e espumas e de aerossóis, além de utilização, especificamente
industrial, como desengraxante para a limpeza de circuitos integrados e
outros.

Como gás propelente no sistema de aerossóis, ainda hoje considerado o


grande vilão pela destruição da camada de ozônio, na verdade já foi
substituído em todos os países industrializados a até mesmo naqueles que
tem menos pesos nas emissões globais como o Brasil. Desde 1988, a
indústria brasileira de aerossóis vem usando como propelentes os gases
propano e butano, derivados de petróleo. O único uso em aerossóis ainda
permitido é em medicamentos como bombas para asmáticos, em que o
CFC é de difícil substituição.

Sabe-se hoje que os CFC demoram de dez a vinte anos para ser
transportados da superfície até a estratosfera, a partir do momento em
que são liberados. Isso significa dizer que os níveis medidos atualmente
dizem respeito a emissões dos anos 1980 e 1990, na melhor das hipóteses.
Revista Visão, 20 de maio de 1992.

Quadro 5: Tabela de fontes de poluição:


FONTE DE FONTE PRODUTORA EFEITO CAUSADO FORMA DE
POLUIÇÃO CONTROLE
Gás carbônico (CO2). Respiração, automóveis e Efeito Estufa. Protocolo de Kyoto.
indústrias.
Óxidos de Indústrias. Chuva ácida. Filtros e implantação do
nitrogênio(Nox) e sistema de gestão
Dióxidos de enxofre ambiental pelas
(SO2). indústrias.
Clorofluorcarbonos Aerossóis, espumas Buraco na camada de A não produção de CFCs.
(CFCs). plástica e etc... ozônio (O3).

44
Dioxinas e Furano. Queima incompleta de Câncer pela entrada e Mudança no padrão de
hidrocarbonetos (plástico bioacumulação no consumo.
e diesel) organismo.
Partículas Radioativas. Explosões e acidentes Chuva radioativa. Política de controle de
nucleares. armas.
Poeira em suspensão. Desmatamento, Problemas respiratórios. Política ambiental.
queimadas.
» Chuva Radioativa
A exposição de partículas radioativas no ar, seja por acidentes ou testes com bombas
nucleares, são levadas pelo vento e depositadas no solo com a precipitação pluviométrica.
O exemplo mais conhecido é o acidente em Chernobyl (1986), que provocou chuva
radioativa até no norte de Roraima, e que contaminou até hoje as pastagens de países
próximos como a Lituânia, Letônia, Estônia e Bielo Rússia, impedindo a exportação de carne
destes países. Mais recentemente temos o caso das usinas de Fukushima no Japão.

» Dioxinas e Furanos
As dioxinas e os furanos são gerados a partir do processo de queima de produtos,
principalmente nos processos de incineração.

O termo dioxina é uma abreviação de dibenzo-p-dioxinas policloradas (PCDD) e dibenzo


furanos policlorados (PCDF), classificadas como um grupo de substâncias químicas
cloradas, totalizando 210 compostos individuais (congêneres) onde 75 são PCDD e 135
PCDF. Estes compostos podem ser formados na presença do elemento cloro,
hidrocarbonetos e oxigênio em elevadas temperaturas. Isto ocorre, principalmente, na
faixa entre 180°C a 400°C. Em temperaturas acima de 800°C, as dioxinas e os furanos são,
normalmente destruídos, mas durante o resfriamento dos gases, eles podem ser
novamente formados.

Fontes de dioxinas: as PCDD/F não são substâncias naturais e sim um produto secundário
muitas vezes indesejável. As principais fontes para a formação de dioxina abrangem,
essencialmente, processos industriais como a indústria química (produção de clorofenois,
clorobenzenos, cloroalifaticos, entre outros), indústria de papel e celulose (principalmente
durante os processos de branqueamento), lavagem de roupa a seco entre outras, e os
processos de incineração de resíduos sólidos (GROSSI, 1993).

A dioxina no organismo humano se instala de forma insidiosa, sendo que o peso da


evidência da carcinogenicidade é baseada em estudos com animais, obtendo resposta

45
positiva, mas que estudos epidemiológicos em humanos mostram, ainda, uma evidência
inadequada ou uma ausência de dados satisfatórios.

Figura 1: Estrutura molecular das moléculas de dioxina e furanos

Furano

Dioxinas

» Problemas respiratórios
As poeiras e os aerodispersóides presentes no ar podem provocar problemas
respiratórios, pois a entrada de partículas com diâmetro entre 10 a 50 micras
entopem os alvéolos pulmonares e, as menores de 10 micras entram nos alvéolos
danificando-os permanentemente, fazendo com que estes deixem de realizar as
trocas gasosas, tornando o pulmão menos eficiente.

46
QUADRO 6 – Dano da poluição do ar a vários materiais:

TIPO DE MANIFESTAÇÃO MEDIDA DE POLUENTE OUTROS


MATERIAL TÍPICA DO DANO DETERIORAÇÃO DANIFICANTE FATORES
AMBIENTAIS
Vidros Alteração da aparência Refletância. Substâncias ácidas Umidade.
da superfície.
Metais Danificação da Ganho de peso; Dióxido de enxofre; Umidade;
superfície; perda de redução da substâncias ácidas. temperatura.
metal; resistência; perda
embasamento. de peso; alteração
da condutividade.
Materiais de Descoloração; Não medido Dióxido de Umidade.
construção dissolução do quantitativamente. enxofre, gás
carbonato. sulfídrico,
partículas
pegajosas
Pintura Descoloração. Não medido Dióxido de Umidade, fungos..
quantitativamente. enxofre, gás
sulfídrico,
partículas
pegajosas.
Couro Desintegração da Perda de Dióxido de enxofre; –
superfície; resistência. substâncias ácidas.
enfraquecimento.
Papel Torna-se quebradiço. Diminuição da Dióxido de enxofre; Luz solar.
resistência ao substâncias ácidas.
dobramento.
Tecidos Redução na resistência; Perda da resistência Dióxido de enxofre; Luz solar;
tensão; formação de à tensão. substâncias ácidas. Umidade; fungos.
manchas.
Corantes desbotamento. Refletância. Dióxido de Luz solar.
nitrogênio;
oxidantes; Dióxido
de enxofre;
Borracha “craeking” Perda de Oxidantes; ozônio. Luz solar.
enfraquecimento elasticidade.

3.2. Poluição do Solo

É a contaminação do solo por resíduos industriais, agrícolas ou domésticos


transportado pelo ar, pela chuva e pelo homem. Ao receber todo o tipo de
resíduos contendo produtos químicos, agrotóxicos, fertilizantes, pelo uso

47
de técnicas atrasadas na agricultura, pela destinação final inadequada de
resíduos sólidos e líquidos industriais e domésticos, pelo desmatamento,
pelas queimadas, pelas chuvas acidas e radioativas e pela mineração, o solo
vai perdendo sua função filtradora, colocando em risco os lençóis freáticos
e atraindo doenças para toda a população.

A principal causa de poluição do solo é sem dúvida a destinação final inadequada de resíduos.
O problema da destinação final assume uma magnitude alarmante. Considerando apenas os
resíduos urbanos e públicos, o que se percebe é uma ação generalizada das administrações
públicas locais ao longo dos anos em apenas afastar das zonas urbanas o lixo coletado,
depositando-o por diversas vezes em locais absolutamente inadequados, como encostas de
florestas, manguezais, rios, baias e vales. Mais de 80% dos municípios brasileiros vazam seus
resíduos em céu aberto, em cursos de água ou em áreas ambientalmente protegidas, a
maioria com a presença de catadores, entre eles crianças, denunciando os problemas sociais
que a má gestão do resíduo sólido acarreta. Segundo os dados do SNIS- Sistema Nacional de
Informações em Saneamento, em 2015 através da coleta pública, cada brasileiro produz em
média 1 Kg de lixo domiciliar por dia, ou seja, 350 kg por ano. Se somarmos também o lixo
produzido pelas indústrias (principalmente da construção civil), comércios, hospitais,
restaurantes, escolas, escritórios etc. esse número sobe para mais de 500 Kg/hab/ano. Os
números são mais alarmantes quando verificamos que a quantidade de resíduos sólidos
recolhidos e tratados apropriadamente representa uma pequena parcela do produzido
porque de cada 100 Kg de lixo produzido, 66 Kg são lançados em córregos e rios, 34 Kg são
depositados em terrenos baldios e apenas 3 Kg são recolhidos, tratados e dispostos de forma
apropriada. A destinação final desses resíduos sólidos recolhidos é outro grande problema em
mais 80% dos municípios brasileiros esses resíduos são dispostos a céu aberto, em cursos
d’água ou em áreas ambientalmente protegidas.

Define-se como Resíduos Sólidos: “Resíduos nos estados sólido e


semissólido, que resultam de atividades da comunidade de origem:
industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de
varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas
de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações
de controle de poluição, bem como determinados líquidos, cujas
particularidades tornem inviável seu lançamento na rede pública de
esgotos ou corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica e
economicamente inviáveis, em face à melhor tecnologia disponível”. Desta

48
forma é importante salientar que quando se diz “resíduo sólido” nem
sempre podemos associar de que o resíduo está no seu estado sólido.

Os resíduos sólidos podem ser agrupados em cinco classes, de acordo com sua origem, que
são:

» Lixo doméstico ou residencial – gerados nas atividades domesticas diárias, em


edificações residenciais.

» Lixo comercial – gerados nas atividades de estabelecimentos comerciais.

» Lixo público – presentes em logradouros públicos, geralmente vindos da própria


natureza ou descartados irregularmente pela população.

» Lixo domiciliar especial – grupo que compreende os entulhos de obras,


pilhas, baterias, lâmpadas fluorescentes e pneus. Nesse grupo, os elementos
químicos como o chumbo, o cádmio, o níquel, a prata, o lítio, o manganês, o
zinco e o mercúrio presentes em pilhas baterias e o ultimo também nas
lâmpadas fluorescentes, são os grandes vilões na contaminação do solo
quando lançados diretamente sobre ele.

» Lixo de fontes especiais – são resíduos que merecem atenção especial


devido as suas peculiaridades são eles: lixo industrial, lixo radioativo, lixo de
portos, aeroportos e terminais rodoviários, lixo agrícola e resíduo de serviços
de saúde.

Histórico e Aspectos Legais:

No Brasil, a preocupação com os resíduos sólidos, teve início oficialmente em 25 de novembro


de 1880, na cidade do Rio de Janeiro, então capital do império, por meio do Decreto n o 3024
aprovando o contrato de limpeza e conservação que foi executado por Francisco Gary 8 . No
ano de 1954, com a publicação da Lei Federal nº 2.312 (BRASIL, 1954), que introduziu como
uma de suas diretrizes em seu art. 12: “a coleta, o transporte, e o destino final do lixo, deverão
processar-se em condições que não tragam inconvenientes à saúde e ao bem-estar públicos”.

8 Nome que originou o termo gari para os limpadores de rua.

49
Em 1961, com a publicação do Código Nacional de Saúde – Decreto no 49.974-A (BRASIL, 1961),
tal diretriz foi novamente confirmada, por meio do art. 40.

No final da década de 1970, por meio do Ministério do Interior – MINTER, foi baixada a Portaria
MINTER nº 53, de 1/3/1979 (BRASIL, 1979), que dispõe sobre o controle dos resíduos sólidos,
provenientes de todas as atividades humanas, como forma de prevenir a poluição do solo, do
ar e das águas. O Ministério do Interior abrigava àquela época a Secretaria Especial de Meio
Ambiente - SEMA, atualmente extinta e substituída pelo Ministério de Meio Ambiente – MMA.

A referida Portaria determina que os resíduos sólidos de natureza tóxica, bem como os que
contêm substâncias inflamáveis, corrosivas, explosivas, radioativas e outras consideradas
prejudiciais, devem sofrer tratamento ou acondicionamento adequado, no local de produção,
e nas condições estabelecidas pelo órgão estadual de controle da poluição e de preservação
ambiental.

A Portaria MINTER Nº 53, de 1o de março de 1979, em seu inciso X, determina também, que
os resíduos sólidos ou semissólidos de qualquer natureza não devem ser colocados ou
incinerados a céu aberto, tolerando-se apenas:

» a acumulação temporária de resíduos de qualquer natureza, em locais


previamente aprovados, desde que isso não ofereça riscos à saúde pública
e ao meio ambiente, a critério das autoridades de controle da poluição e
de preservação ambiental ou de saúde pública;

» a incineração de resíduos sólidos ou semissólidos de qualquer natureza, a céu


aberto, em situações de emergência sanitária.

Essa Portaria veio balizar o controle dos resíduos sólidos no país, seja de natureza industrial,
domiciliar, de serviços de saúde, entre outros gerados pelas diversas atividades humanas.

CONSTITUIÇÃO FEDERAL - 1988

Com a promulgação da Constituição Federal – CF, em 1988, a questão dos resíduos sólidos,
por meio de artigos relacionados à saúde e ao meio ambiente passou a ser matéria
constitucional. Em seu art. 23, verifica-se que é competência comum da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios: » proteger o meio ambiente e combater a poluição em
qualquer de suas formas, e o art. 200 determina que ao sistema único de saúde compete, além

50
de outras atribuições, nos termos da lei: “IV – participar da formulação da política e da
execução das ações de saneamento básico; VIII – colaborar na proteção do meio ambiente,
nele compreendido o do trabalho”.

Sendo assim, compete ao Poder Público no âmbito federal, estadual, distrital e municipal,
fiscalizar e controlar as atividades efetiva ou potencialmente poluidoras, fixando normas,
diretrizes e procedimentos a serem observados por toda a coletividade.

A CF/88 também determina no seu art.30 que compete aos municípios:

» organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão,


os serviços públicos de interesse local, que tem caráter essencial.

Compete então ao poder municipal a prestação do serviço de limpeza pública, incluindo a


varrição, coleta, transporte e o destino final dos resíduos sólidos gerados pela comunidade
local, entendido como de caráter essencial, que diz respeito primordialmente à saúde pública
e a degradação ambiental.

No passado havia uma cultura bastante enraizada de que os resíduos sólidos, comumente
denominados LIXO, deviam ser dispostos em áreas alagadas, nos mangues, encostas, beiras
de rios e estradas, bem distante das áreas nobres residenciais. Hoje, sabe-se dos danos
causados pela má disposição desses resíduos, e tanto a nível legal como a nível técnico têm-
se feito grandes avanços. As prefeituras locais têm mudado de postura e buscado alternativas
de concepção e tecnológicas para o adequado manejo dos resíduos sólidos.

Algumas iniciativas foram surgindo no início de 1990, por meio de emendas parlamentares
destinadas a financiar a coleta e o tratamento de resíduos. Em 19 de setembro de 1990, foi
sancionada a Lei Federal no 8.080, que dispõe sobre as condições para a promoção, proteção
e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes, que
regulamentou o art. 200, da Constituição Federal de 1988, conferindo ao SUS, além da
promoção da saúde da população, dentre outros, a participação na formulação da política e
na execução de ações de saneamento básico e na proteção do meio ambiente. Nessa época,
a FUNASA/MS iniciava os primeiros passos para apoiar os municípios na implantação de
unidades de compostagem em pequenas comunidades.

RESOLUÇÃO CONAMA no 358, de 29 de abril de 2005

51
Na área da saúde, tornou-se imprescindível a adoção de procedimentos que visem controlar
a geração e disposição dos resíduos de serviços de saúde, principalmente devido ao crescente
aumento da complexidade dos tratamentos médicos, com o uso de novas tecnologias,
equipamentos, artigos hospitalares e produtos químicos, aliado ao manejo inadequado dos
resíduos gerados, como a queima a céu aberto, disposição em lixões, dentre outros. Assim
sendo, o Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA, órgão consultivo e deliberativo do
Sistema Nacional de Meio Ambiente – SISNAMA, criado por meio da Lei Federal no 6.938, de
31/8/1981, aprovou a Resolução no 5, em 5/8/1993, que dispõe sobre o gerenciamento dos
resíduos sólidos oriundos de serviços de saúde, portos, aeroportos e terminais ferroviários e
rodoviários.

É importante salientar que os Resíduos de Serviços de Saúde - Resíduos Sólidos de Serviços de


Saúde não se restringem apenas aos resíduos gerados nos hospitais, mas também a todos os
demais estabelecimentos geradores de resíduos de saúde, a exemplo de laboratórios
patológicos e de análises clínicas, clínicas veterinárias, centros de pesquisas, laboratórios,
bancos de sangue, consultórios médicos, odontológicos e similares.

A Resolução CONAMA no 358/2005, traz em seu bojo alguns aspectos importantes que serão
elencados a seguir e estabelece a classificação para os resíduos gerados nos estabelecimentos
prestadores de serviços de saúde, em quatro grupos (biológicos, químicos, radioativos e
comuns).

Por sua vez a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, publicou a RDC no 306/2004,
que determina o gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde.

A lei federal Nº 11.445 de 5 de janeiro de 2007 estabeleceu as diretrizes nacionais para o


saneamento básico e definiu uma Política Federal de Saneamento Básico. Esta lei não trata
exclusivamente do setor de resíduos sólidos, como se pode perceber. Ela versa sobre todos os
setores do saneamento básico (drenagem urbana, abastecimento de água, esgotamento
sanitário e resíduos sólidos), conforme seu artigo 2º, que traz entre seus princípios
fundamentais:

“III - abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo dos resíduos
sólidos realizados de formas adequadas à saúde pública e à proteção do meio ambiente;”

No artigo 7º, a Lei 11.445 especifica as atividades que constituem o serviço de limpeza urbana
e manejo de resíduos sólidos urbanos:

52
“I - de coleta, transbordo e transporte dos resíduos relacionados na alínea c do inciso I do
caput do art. 3o desta Lei;

II - de triagem para fins de reuso ou reciclagem, de tratamento, inclusive por compostagem, e


de disposição final dos resíduos relacionados na alínea c do inciso I do caput do art. 3o desta
Lei;

“III - de varrição, capina e poda de árvores em vias e logradouros públicos e outros eventuais
serviços pertinentes à limpeza pública urbana.”

Em seu artigo 19, a Lei 11.445 estabelece que a prestação de serviços públicos de saneamento
básico observará plano, que poderá ser específico para cada serviço, o qual abrangerá, no
mínimo:

I - diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando sistema de


indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos e apontando as causas
das deficiências detectadas;

II - objetivos e metas de curto, médio e longo prazos para a universalização, admitidas


soluções graduais e progressivas, observando a compatibilidade com os demais planos
setoriais;

III - programas, projetos e ações necessárias para atingir os objetivos e as metas, de modo
compatível com os respectivos planos plurianuais e com outros planos governamentais
correlatos, identificando possíveis fontes de financiamento;

IV - ações para emergências e contingências;

V - mecanismos e procedimentos para a avaliação sistemática da eficiência e eficácia das ações


programadas.

A Lei 11.445 define que os planos de saneamento básico serão editados pelos titulares,
podendo ser elaborados com base em estudos fornecidos pelos prestadores de cada serviço.

A Lei 12.305, de agosto de 2010, institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que
estabelece princípios, objetivos, instrumentos e diretrizes para a gestão e gerenciamento dos
resíduos sólidos, as responsabilidades dos geradores, do poder público, e dos consumidores,
bem como os instrumentos econômicos aplicáveis. Ela consagra um longo processo de
amadurecimento de conceitos: princípios como o da prevenção e precaução, do poluidor-
pagador, da eco-eficiência, da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto,

53
do reconhecimento do resíduo como bem econômico e de valor social, do direito à informação
e ao controle social, entre outros.

A Lei 12.305 estabelece uma diferenciação entre resíduo e rejeito num claro estímulo ao
reaproveitamento e reciclagem dos materiais, admitindo a disposição final apenas dos
rejeitos. Inclui entre os instrumentos da Política as coletas seletivas, os sistemas de logística
reversa, e o incentivo à criação e ao desenvolvimento de cooperativas e outras formas de
associação dos catadores de materiais recicláveis.

Todos têm responsabilidades segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos: o poder público
deve apresentar planos para o manejo correto dos materiais (com adoção de processos
participativos na sua elaboração e adoção de tecnologias apropriadas); às empresas compete
o recolhimento dos produtos após o uso e, à sociedade cabe participar dos programas de
coleta seletiva (acondicionando os resíduos adequadamente e de forma diferenciada) e
incorporar mudanças de hábitos para reduzir o consumo e a consequente geração.

Entre os aspectos relevantes da Política Nacional de Resíduos Sólidos, a logística reversa é o


instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado pelo conjunto de ações,
procedimentos e meios para coletar e devolver os resíduos sólidos ao setor empresarial, para
reaproveitamento em seu ciclo de vida ou em outros ciclos produtivos. Sua implementação
será realizada de forma prioritária para seis tipos de resíduos, apresentados neste item.

A Lei Federal 12.305, cria também uma hierarquia que deve ser observada para a gestão dos
resíduos: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e
disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, instituindo uma ordem de
precedência que deixa de ser voluntária e passa a ser obrigatória.

Os geradores ou operadores com resíduos perigosos estão obrigados, pela força da Lei 12.305,
a comprovar capacidade técnica e econômica para o exercício da atividade, inscrevendo-se no
Cadastro Nacional de Operadores de Resíduos Perigosos. Deverão elaborar plano de
gerenciamento de resíduos perigosos, submetendo-o aos órgãos competentes. O cadastro
técnico ao qual estarão vinculados é parte integrante do Cadastro Técnico Federal de
Atividades Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras de Recursos Ambientais.

É também extremamente importante na Lei 12.305 a ênfase dada ao planejamento em todos


os níveis, do nacional ao local, e ao planejamento do gerenciamento de determinados
resíduos. É exigida a formulação do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, dos Planos Estaduais,
dos Planos Municipais com as possibilidades de serem elaborados enquanto planos

54
intermunicipais, microrregionais, de regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, além
dos Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos de alguns geradores específicos.

Impacto na Saúde e no Ambiente

Vários são os agravos relacionados aos resíduos sólidos que podem causar efeitos indesejáveis
com possível repercussão na saúde. Embora do ponto de vista sanitário, a importância dos
resíduos sólidos como causa direta de doenças não esteja comprovada, como fator indireto,
os resíduos sólidos exercem grande importância na transmissão de doenças como, por
exemplo, por meio de vetores como artrópodes – moscas, mosquitos, baratas – e roedores
que encontram nos resíduos sólidos alimento e condições adequadas para proliferação
(Forattini, 1969; Oliveira, 1975; Najm, 1982; Bertussi Filho, 1994).

Gerado e manejado de forma inadequada no ambiente, os resíduos sólidos podem contribuir


para a poluição biológica, física e química do solo, da água (subterrânea e superficial) e do ar,
submetendo as pessoas às variadas formas de exposição ambiental, além do contato direto
ou indireto com vetores biológicos e mecânicos.

Os Resíduos de Serviços de Saúde – Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde, apesar de


representarem uma pequena parcela dos resíduos sólidos gerados por uma comunidade são
compostos por diferentes frações geradas nos estabelecimentos de saúde, compreendendo
desde os materiais perfurocortantes contaminados com agentes biológicos, peças
anatômicas, produtos químicos tóxicos e materiais perigosos como solventes,
quimioterápicos, produtos químicos fotográficos, formaldeído, radionuclídeos, mercúrio etc.
até vidros vazios, caixas de papelão, papel de escritório, plásticos descartáveis e resíduos
alimentares, que se não forem gerenciados de forma adequada, representam fontes
potenciais de impacto negativo no ambiente e de disseminação de doenças, podendo oferecer
perigo para os trabalhadores dos estabelecimentos de saúde, bem como para os pacientes e
para a comunidade em geral.

Considerando que as ações preventivas são menos onerosas e minimizam os danos à saúde
pública e ao meio ambiente (BRASIL, 1993), o estabelecimento de saúde
contemporaneamente é visto como uma unidade ou um conjunto de unidades produtivas
devendo funcionar com processos, produtos e procedimentos de produção limpa, utilizando
tecnologias limpas9. Ênfase no uso adequado e conservação de recursos ambientais, dentre

9 O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - PNUMA conceitua tecnologias limpas ou ambientais como a aplicação,
de forma contínua, de uma estratégia ambiental aos processos e produtos, visando prevenir a geração de resíduos e
minimizar o uso de matériasprimas e energia, a fi m de reduzir riscos ao meio ambiente e ao ser humano.

55
eles, água e energia, além da instituição de processos, produtos e procedimentos econômicos
e ambientalmente adequados, inclusive no gerenciamento de Resíduos Sólidos de Serviços de
Saúde, por meio de não geração ou minimização dos mesmos, é uma nova forma de atuação
exigida pela sociedade que se impõe.

Na década de 1970, pensava-se na disposição correta dos resíduos. Na de 1980, o foco passou
a ser a reciclagem. Porém na de noventa o foco voltou-se para a minimização dos resíduos, ou
seja, reduzir o consumo de energia e matéria-prima em primeiro lugar, reutilizar em segundo
e, por fi m, reciclar. Portanto, as tecnologias limpas ou ambientais rompem com o modelo
tradicional, reordenam prioridades e sintetizam o desenvolvimento de políticas de gestão de
resíduos havidas nas últimas três décadas.

As informações de acidentes associados à infecção nos trabalhadores de saúde se referem em


sua imensa maioria a países desenvolvidos. A documentação de casos da América Latina,
África e Ásia é parcial ou praticamente inexistente. Este vazio de informações e de conteúdos
estatísticos se deve em parte a carência de denúncias e a falta de registro de dados,
redundando em uma redução da magnitude do problema.

Evidências epidemiológicas no Canadá, Japão e Estados Unidos estabeleceram que os resíduos


biológicos dos hospitais são causas diretas da transmissão dos agentes HIV, que produz a AIDS
e, ainda com maior frequência, do vírus que transmite a Hepatite B ou C, por meio das lesões
causadas por agulhas e outros perfurocortantes (Coad, 1992).

Infecções Hospitalares
O Sistema Único de Saúde – SUS tem gasto uma quantia considerável com doenças de possível
erradicação, provenientes do gerenciamento inadequado de resíduos, e com aquelas
causadas pela contaminação ambiental.

Investigações efetuadas em hospitais do Brasil e da Espanha estimam que entre 5% e 8,5% dos
leitos são ocupados por pacientes que contraíram alguma infecção hospitalar. A Associação
Paulista de Estudos de Controle de Infecções Hospitalares assegura que 50% desses casos são
atribuídos a problemas de saneamento e higiene ambiental, instalações inadequadas,
negligência dos profissionais de Saúde ao manipular materiais, tratar pacientes ou transitar
em lugares de risco e que o manejo inadequado dos resíduos é responsável direta ou
indiretamente por 10% das enfermidades adquiridas pelos pacientes durante o internamento.
As infecções hospitalares incrementam de maneira considerável os custos da atenção médica.

56
Segundo dados da OMS/OPAS, 50% das infecções hospitalares são evitáveis se houver
implementação de medidas adequadas de saneamento e manejo dos Resíduos de Serviços de
Saúde – Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde (PERU, s.d.).

Entre as principais enfermidades ocasionadas pelo manejo incorreto dos resíduos sólidos e os
de serviços de saúde contaminados podemos mencionar: hepatite B e C, AIDS, tuberculose e
febre tifóide.

A hepatite viral é uma infecção de repercussão sistêmica que afeta principalmente o fígado,
causada pelo vírus hepatotropos, que tem uma afinidade especial pela célula hepática.
Identificou-se vários agentes virais denominados A, B, C, D, E, F e G, mas a nível infeccioso, os
mais frequentes são B e C.

A infecção pelo agente da hepatite B pode ocasionar casos graves, do tipo hepatite fulminante,
com destruição massiva do fígado, desenvolvimento clínico de coma hepático, com uma
mortalidade, neste caso, de aproximadamente 80%. A cirrose pode ser desenvolvida entre 5
a 10% dos infectados. Trata-se de uma enfermidade muito difundida no mundo, calculando-
se a presença de mais de 200 milhões de portadores. Existem vacinas disponíveis para a
imunização ativa desta enfermidade.

O agente da hepatite C é um vírus altamente persistente, de difícil tratamento. Esta


enfermidade se caracteriza por sintomas mínimos ou ausentes. Em um alto percentual (50 a
60%) se produz uma infecção crônica que, em aproximadamente a metade dos casos, causa
uma cirrose com evolução lenta, associada às vezes com carcinoma hepático. É determinada
por meio de uma análise específica de sangue; não existe vacina até o momento.

A hepatite G foi recentemente identificada. Sua transmissão é fundamentalmente por via


parenteral, com um quadro clínico pouco sintomático e com tendência à cronicidade. Há
ocorrência de casos de hepatites fulminantes. Não existem vacinas e não há tratamento
específico.

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Quadro 8 – Comparação das hepatites mais comuns
CARACTERÍSTICAS HEPATITE A HEPATITE B HEPATITE C
INCUBAÇÃO 15-45 dias 30-180 dias 15-160 dias
COMEÇO (média 30) (média 60-90) (média 50)
IDADE Agudo Lento-Insidioso Insidioso
TRANSMISSÃO Crianças-jovens e adultos Qualquer idade Qualquer idade
PROFILAXIA Fecal-oral Pele perfurada Pele perfurada
Vacina Mucosa Mucosa
Pele não intacta Pele não intacta
Vacina Não tem
Fonte: Guia de Capacitación - Gestión y Manejo de Desechos Sólidos Hospitalarios (1996)

HIV é o agente da imunodefi ciência humana, um retrovirus conhecido desde 1981. Ainda que
seu índice de transmissibilidade seja relativamente baixo, comparado com outras
enfermidades infecciosas, tem um elevado impacto de ordem psicológica. O risco de contágio
nos estabelecimentos de saúde, como consequência de acidentes com perfurocortantes, é
muito baixo: menor de 0,4%.

Na maioria das pessoas infectadas se desenvolve lentamente, com períodos de incubação que
podem ultrapassar os 10 anos. Durante este tempo, os infectados não apresentam sintomas
(zero positivos), mas podem transmitir a infecção. Outras pessoas não apresentam sintomas
claros, e a doença é diagnosticada quando o sistema imunológico não pode defendê-las,
aparecendo então as enfermidades oportunistas ocasionadas principalmente, por vírus,
fungos e parasitas.

Tuberculose é uma enfermidade causada pelo bacilo de Koch (mycobacterium turbeculosis),


que ataca preferencialmente o pulmão. Manifesta-se com febre vespertina média, com
ataque progressivo ao estado geral, tosse produtiva, hemóptica.

Febre tifóide é uma enfermidade muito frequente nos países em desenvolvimento, produzida
por uma bactéria (Salmonella typhy). Manifesta-se com febre, mal estar geral contínuo,
manchas vermelhas no tronco, tosse não produtiva e diarreia. Modo de transmissão: pela
água e pelos alimentos contaminados com fezes ou urina de um enfermo ou portador
assintomático.

As enfermidades citadas anteriormente são as que por sua gravidade e incidência são
consideradas geralmente as mais perigosas entre as relacionadas com Resíduos Sólidos de

58
Serviços de Saúde. Além destas, existem outras que podem ter a mesma ou maior incidência
percentual. Estas enfermidades se transmitem de acordo com o relacionado no Quadro 2.

Quadro 9 – Transmissão de algumas enfermidades


Bactérias: Coliformes, Salmonellas e Shigella sp., Pseudomonas,
Estreptococos e Staphylococcus aureus.
Fungos: Cândida albicans.

Vírus: Influenza, vírus entérico.


Fonte: Programa de Fortalecimento de los servicios de salud, DIGEMA/MINSA, Lima, Perú, 1995.

As infecções mencionadas podem afetar também aos trabalhadores hospitalares que não
estão diretamente envolvidos no manejo de resíduos. Devem estabelecer, portanto,
programas para a busca de portadores e relação de acidentes, com a adequada vigilância
epidemiológica/ sanitária, suporte clínico, imunizações e as normas de proteção modernas
disponíveis.

Quadro 10 – Principais enfermidades transmissíveis pelo manejo de resíduos sólidos

ASPECTOS DA HEPATITE B HEPATITE C HIV


ENFERMIDADE
DESCRIÇÃO Anorexia, moléstias Mesma sintomatologia, Perda de peso
abdominais vagas, mesmo assim pode progressivo não
icterícia, colúria, mal demorar muitos anos especificado.
estado geral. Afeta o para aparecer. Pode Infecções frequentes na
fígado. Pode se manifestar-se como pele e mucosas, nas vias
apresentar como: aguda, aguda ou crônica. respiratórias, diarreia
crônica, fulminante e crônica.
além disso produz cirrose
ou carcinoma hepático
(1%)
ETIOLOGIA Vírus da hepatite B. Vírus da hepatite C. Vírus da imunodeficiência
humana (HIV).
PERÍODO DE INCUBAÇÃO 30-180 dias. Já se 15-160 dias. Média 50 Desconhecido.
detectou casos de 2 dias. Dados epidemiológicos
semanas de incubação. sugerem de 6 meses a 10
Média 60-90 dias. anos
MECANISMOS DE Exposição subcutânea, Acidentes com objetos Acidentes com objetos
TRANSMISSÃO PARA como ocorre por perfurocortantes perfurocortantes
TRABALHADORES acidentes com objetos (picadas, cortes ou (picadas, cortes ou
HOSPITALARES perfurocortantes arranhões). arranhões).
contaminados (picadas, Salpiques de resíduos Salpiques de resíduos
cortes ou arranhões). contaminados nas contaminados nas
Salpiques de resíduos mucosas ou pele não mucosas ou pele não
contaminados nas intacta intacta

59
mucosas ou pele não
intacta.

Aplicar as normas e procedimentos de manejo de


resíduos perfurocortantes e não reencapar as
agulhas. Caso isto seja indispensável, fazê-lo
utilizando a técnica de uma só mão ou por meio de
uma pinça.
Usar a técnica de assepsia médica de forma correta.
Despeje todo objeto perfurocortante em recipiente
MEDIDAS DE PREVENÇÃO rígido, resistente a perfurantes, com tampa.
Despeje as placentas ou outros materiais orgânicos,
evitando os salpiques nas mucosas e pele não intacta.
Usar todos os materiais equipamentos cumprindo as
medidas de biossegurança.
Vacinar contra a hepatite todo o pessoal envolvido no
manejo dos resíduos sólidos
Fonte: Guía de Capacitación - Gestión y Manejo de Desechos Sólidos Hospitalarios (1996)

TRATAMENTO E DISPOSIÇÃO FINAL

A segregação dos Resíduos Sólidos pode ser encarada como parte integrante do tratamento,
pois permite maior leque de opções na atividade de tratamento propriamente dita. A
finalidade de qualquer sistema de tratamento é eliminar as características de periculosidade
dos Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde (Programa Regional de Desechos Sólidos
Hospitalarios, 1996). Para efeito de tratamento, merecem destaque os resíduos do Grupo A
(Resíduos Biológicos), do Grupo B (Resíduos Químicos) e do Grupo C (Rejeitos Radioativos).
Cada um desses grupos de resíduos tem características próprias, o que implica em tratamento
específico. O quadro 8, apresentado a seguir, resume os métodos de tratamento adequado
aos diversos grupos de resíduos.

60
Quadro 11 – Resumo dos métodos de tratamento e disposição final recomendados segundo o
grupo de Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde perigoso.
GRUPOS DE RESÍDUOS SÓLIDOS DE SERVIÇOS DE SAÚDE
MÉTODOS DE
GRUPO A GRUPO B GRUPO C RESÍDUOS
TRATAMENTO RESÍDUOS RESÍDUOS RADIOATIVOS
BIOLÓGICOS QUÍMICOS
INCINERAÇÃO X X

AUTOCLAVE X

TRATAMENTO X
QUÍMICO
MICROONDAS X

IRRADIAÇÃO X

DECAIMENTO X

Fonte: Guía de Capacitación - Gestión y Manejo de Desechos Sólidos Hospitalarios (1996)

Nesta publicação, o termo tratamento está associado ao tratamento dos Resíduos Biológicos
(Grupo A). Todavia, é importante ressaltar que, no caso de incineração, esse método é
adequado ao tratamento dos Resíduos Químicos (Grupo B). Com essas considerações iniciais,
pode-se afirmar que os processos de tratamento dos Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde
se subdividem substancialmente em dois tipos (Gandolla, 1997):

1. tratamento “parcial” ou esterilizante, é um tratamento realizado antes do


encaminhado do Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde para outra
instalação de tratamento. A massa e as propriedades físico-químicas não
são fundamentalmente modificadas;

2. tratamento “completo” (inertização físico-química) com o objetivo de


permitir a disposição final ao meio ambiente de uma maneira segura.

Os tratamentos “parciais” atualmente existentes no mercado são geralmente autoclavagem,


tratamentos químicos, irradiação e microondas.

Os tratamentos “completos” existentes atualmente no mercado são geralmente do tipo


térmico e alcançam temperatura entre 800 e 1200ºC. Nessa categoria estão o incinerador, o
queimador elétrico e a tocha de plasma. Geralmente apenas os tratamentos “completos”
garantem a realização de três objetivos:

61
Objetivo 1: esterilização do fluxo de saída (exemplo: sangue, restos da sala de cirurgia etc.).
Em muitos casos, o tratamento médico de pessoas com doenças infecciosas, ou
potencialmente infectadas, necessita de medidas concretas para evitar a transmissão da
infecção a outras pessoas.

Objetivo 2: destruição de moléculas altamente tóxicas e estabilização de elementos críticos


(metais pesados presentes no fluxo de saída (exemplo: medicamentos vencidos ou
parcialmente utilizados, materiais contaminados com tais medicamentos etc.). Alguns
medicamentos utilizados para a cura de doenças especiais (exemplo: produtos citostáticos
para tratar tumores) possuem substâncias ou elementos particularmente tóxicos ou
perigosos.

Objetivo 3: destruição das moléculas responsáveis do efeito curativo dos medicamentos


geralmente presentes nos fluxos de saída (exemplo: medicamentos vencidos ou parcialmente
utilizados). Alguns medicamentos (exemplo: antibióticos) utilizados para a cura de doenças
especiais como a tuberculose, podem perder rapidamente a maior parte de sua eficácia,
devido ao aparecimento de microorganismos resistentes.

Análise dos Métodos de Tratamento dos Resíduos


Sólidos de Serviços de Saúde
Um grande número de métodos, procedimentos e equipamentos destinados ao tratamento
dos resíduos biológicos, grupo A, aparecem no mercado. Tendo em conta as diferentes
percepções dos riscos envolvidos e da complexidade das instalações oferecidas, os
estabelecimentos e autoridades relacionadas não sabem frequentemente sobre quais
critérios embasar sua escolha (Suíça, 1994).

Qualquer que seja o método de tratamento ou o equipamento escolhido, este deverá ser
de uso exclusivo para os Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde.

Uma análise preliminar mostra que os procedimentos atuais de tratamento dos resíduos
infectantes se dividem em duas categorias: a esterilização e a incineração (Suíça, 1994).

Esterilização:

» Autoclave;
» Tratamento químico;

62
» Ionização;
» Micro-ondas.
Incineração:

» Incineração no hospital:
› Incineração centralizada para resíduos hospitalares de uma região;:
› Incineração para resíduos perigosos; ›
Usinas de incineração de resíduos
domésticos; › Novas técnicas.
Esterilização

A esterilização tem por objetivo suprimir todo microorganismo suscetível de se reproduzir


(formas vegetativas e esporuladas). Na prática médica, fala-se de esterilização quando a
probabilidade que uma unidade seja não estéril for inferior a 10-6 (Suíça, 1994).

Existem diferentes processos de esterilização, podendo-se agrupá-los em:

» meios físicos, que compreendem o calor e as radiações ionizantes;

» meios químicos, que empregam gases (óxido de etileno, formaldeído) ou líquidos


microbicidas, notadamente o glutaldeído.

Qualquer que seja o procedimento utilizado, a esterilização só pode ser obtida se existir um
contato efetivo entre o agente microbicida (físico ou químico) e os microorganismos.

A ação microbicida de um agente reduz o número de microorganismos presentes em uma


população numa proporção que depende do agente utilizado, das condições da experiência e
do tempo. Praticamente, pode se determinar o número de microorganismos sobreviventes
procedendo-se a coletas em determinado tempo (técnica de cultura quantitativa por diluições
em série).

Pode-se aqui relevar a importância da trituração em todos os procedimentos da esterilização,


permitindo se:

» reduzir o volume dos resíduos;

63
» romper volumes fechados que poderiam se opor à penetração do vapor ou dos
agentes desinfetantes nos resíduos;

» obter uma homogeneização e uma granulação apropriada para o tratamento dos


resíduos;

» uma banalização visual.


Entretanto, vale observar que a trituração possibilita o aumento do risco de contaminação em
face do manuseio dos Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde e da manutenção e conservação
do triturador.

Autoclave

Consiste em submeter os resíduos biológicos a um tratamento térmico, sob certas condições


de pressão, em uma câmara selada (autoclave) por um tempo determinado, com prévia
extração do ar presente (Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996).

Todos os tipos de microorganismos podem ser mortos pelo calor (seco ou úmido), se eles
forem expostos a uma temperatura adaptada a seu nível de resistência. Para os esporos
bacterianos, trata-se de temperaturas superiores a 100ºC (Suíça, 1994).

A rapidez com a qual os microorganismos são mortos depende, em uma larga medida, do nível
de umidade relativa. Ela é máxima quando a umidade é 100% (atmosfera saturada em vapor
d’água).

A autoclave a vapor é um método apropriado de tratamento de resíduos de laboratórios de


microbiologia, de resíduos de sangue e de líquidos orgânicos humanos, de objetos
perfurocortantes e de resíduos animais, que não podem ser triturados. Por outro lado, esse
método não convém para tratar resíduos anatômicos humanos e animais.

A efi ciência da operação de descontaminação dos resíduos depende da temperatura a qual


eles são submetidos e também da duração do contato com o vapor. Considerando que os
resíduos são aquecidos pela penetração do vapor e pela condução térmica, é necessário que
todo o ar seja extraído e que os recipientes contendo os resíduos possam facilmente deixar
penetrar o vapor. As condições habituais de funcionamento consistem em uma temperatura
de pelo menos 121ºC durante mais de 60 minutos (SUIÇA, 1994).

64
Encontram-se disponíveis no mercado autoclaves de diferentes tamanhos que podem ser
selecionadas de acordo com a quantidade de resíduos gerados por um estabelecimento ou
grupo de estabelecimentos. As temperaturas de tratamento variam de 100 a 160ºC e a
duração do tratamento de 20 a 120 minutos. As capacidades são muito variadas, desde a
pequena instalação de 20 litros, até o contêiner de 800kg.

A penetração do vapor nos resíduos é um elemento crítico de efi ciência da autoclave. É


preciso dar uma atenção particular a embalagem, que deve permitir uma boa penetração do
vapor.

O volume e o tamanho da carga de resíduos na autoclave influenciam igualmente a eficiência


da operação de descontaminação. No caso das autoclaves de laboratório de pequena
capacidade, o tratamento pode ser eficaz quando se divide uma grande carga em duas
pequenas cargas separadas. Em outro caso, como não existe "carga normalizada” para uma
autoclave, o estabelecimento de saúde pode ter que se habituar aos parâmetros da autoclave.
Como no caso de outras técnicas de tratamento, é essencial utilizar a autoclave de maneira
adequada para obter a eficiência ótima, seguindo as instruções operacionais do manual de
instruções.

Para verificar a eficiência do ciclo da autoclave, utiliza-se habitualmente indicadores químicos


ou biológicos. Certos indicadores químicos não são algumas vezes recomendados, pois eles
indicam unicamente se a temperatura foi atingida, e não o tempo durante o qual ela foi
mantida. Considera-se habitualmente que os indicadores biológicos, como a presença do
Bacillus stearothermophilus, são mais confiáveis. A eficiência da autoclave deve ser verificada
regularmente, de acordo com a frequência que ela é utilizada.

Os resíduos contendo citotóxicos, produtos químicos tóxicos ou perigosos, que possam


emanar vapores ou se volatizar, não devem ser autoclavados, pois eles não são degradados
nas temperaturas atingidas normalmente neste tipo de aparelho. Dentre esses resíduos,
destacam-se tecidos, órgãos ou membros extraídos de pacientes submetidos à quimioterapia.

Os fatores principais que devem ser considerados quando se tratam resíduos biológicos
mediante a esterilização a vapor são (Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios,
1996):

» o tipo de resíduo;

» as embalagens e os recipientes;
65
» o volume de resíduos e o tipo de carregamento na câmara de tratamento.
Os resíduos biológicos de baixa densidade, tais como muitos materiais plásticos, são mais
adequados para a esterilização a vapor. Os resíduos de alta densidade, tais como partes
grandes de corpos e quantidades grande de matéria animal ou de fluidos, dificultam a
penetração do vapor e requer um tempo mais longo de esterilização. No caso em que se gere
uma grande quantidade de resíduos de alta densidade, deve-se considerar métodos de
tratamentos alternativos como, por exemplo, a incineração ou o uso prévio de trituradores
(Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996).

Resíduos anatômicos – Não se recomenda autoclavar, nem tratar


quimicamente, nem por microondas, nem dispor em aterro sanitário, por
razões culturais e éticas. É desaconselhável a trituração preliminar,
principalmente de fetos. Recomenda-se dispor em cemitério.

Na autoclave a vapor se deve utilizar recipientes que permitam a penetração do vapor sem
derretê-los.

Quando os recipientes utilizados para conter os resíduos biológicos não respondem a essas
características, deverá se proceder da seguinte forma:

a. quando se utilizam recipientes que derretem com o calor, é recomendável


coloca-los dentro de outros recipientes (plástico rígido ou bolsas
resistentes ao calor) para evitar sujar ou danificar as paredes da autoclave
e facilitar a extração dos resíduos tratados;

b. no caso de recipientes de plástico (por exemplo, polietileno), que são


resistentes ao calor, porém, impedem a penetração do vapor, é necessário
primeiro destampá-los para que o processo de esterilização seja efetivado.

O volume do resíduo é um fator importante na esterilização a vapor. Considerando que pode


ser difícil atingir a temperatura de esterilização com grandes cargas, pode ser mais eficiente
tratar uma quantidade grande de resíduos com cargas pequenas, em lugar de apenas uma
(Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996).

Vantagens:

» alto grau de eficiência;


» é um equipamento simples de operar;

66
» é um equipamento conceitualmente similar a outros normalmente utilizados em
estabelecimentos de saúde (autoclaves para esterilização).

Desvantagens:

» não reduz o volume dos resíduos tratados;


» pode produzir maus odores e gerar aerossóis;
» é necessário utilizar recipientes ou bolsas termo resistentes, que têm custos
relativamente elevados; » não é conveniente para resíduos anatômicos
porque continuam sendo reconhecíveis depois do tratamento;

» os aparatos de vapores são escassamente utilizados em países tropicais, de tal


maneira que não há familiaridade com os riscos que implicam.

O pessoal envolvido com a esterilização a vapor deve ser educado em técnicas apropriadas
para minimizar a exposição pessoal a perigos que o uso da autoclave pode gerar. Estas técnicas
incluem uso de equipamento protetor, técnicas para reduzir ao mínimo a produção de
aerossóis e técnicas para a prevenção de derramamento de resíduos durante a carga da
autoclave (Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996).

Tratamento Químico

A descontaminação química pode ser um método apropriado para tratar os resíduos de


laboratórios de microbiologia, os resíduos de sangue e de líquidos orgânicos humanos, assim
como os objetos perfurocortantes. Este método não deve ser utilizado para tratar os resíduos
anatômicos (Suíça, 1994).

A descontaminação química é mais frequentemente utilizada para tratar os resíduos líquidos


antes de sua eliminação. Ela é útil para descontaminar os lugares onde os resíduos foram
deixados (desinfecção de superfície clássica).

Quando se utiliza descontaminação química, deve ser levado em conta os seguintes fatores: o
tipo de microorganismo, o grau de contaminação, o tipo de desinfetante, o mesmo para a
concentração e a quantidade de desinfetante utilizado. Outros fatores podem ser pertinentes:
a temperatura, o pH, o grau de mistura e a duração do contato do desinfetante com os
resíduos contaminados.

67
O hipoclorito de sódio (água sanitária doméstica) é frequentemente utilizado como
desinfetante.

O óxido de etileno é um gás de efeito bactericida, mas precauções devem ser tomadas quando
for empregado. Ele pode causar queimaduras, mutagênese e provavelmente carcinogênese.
Um outro inconveniente do óxido de etileno é o risco de explosão. Para diminuir este risco,
ele é misturado com CFC-12 (diclorodifl uormetano) ou com produtos de substituição menos
nocivos para a camada de ozônio, conforme o protocolo de Montreal (por exemplo: HFC-
134a).

Apesar destas desvantagens, a esterilização por óxido de etileno é muito eficaz e atua a baixa
temperatura. É preciso ainda ressaltar que a concentração de óxido de etileno no ar ambiente
não deve ultrapassar 1ppm, e que este gás é inodoro, mesmo em fortes concentrações.

O formaldeído é igualmente um gás esterilizante, que se decompõe em forma de vapor a partir


de uma solução aquosa de formol. A esterilização com ajuda de formaldeído se efetua a 80ºC
em 45min. aproximadamente. Como para o óxido de etileno, os resíduos tóxicos são gerados
e uma desabsorção é necessária. Por outro lado, os vapores de formaldeído não são
inflamáveis.

A eficácia de uma desinfecção química depende de três fatores (Programa Regional de


Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996):

» tipo de desinfetante utilizado;


» sua concentração;
» tempo de contato.
Vantagens:

» baixo custo;

» pode ser realizada na fonte de geração.


Desvantagens:

» pode ser ineficaz contra cepas de patogênicos resistentes a determinados


químicos;

68
» as oportunidades de desinfectar quimicamente o interior de uma agulha ou
de uma seringa são muito baixas;

» pode aumentar os riscos, porque há tendência a se considerar que os resíduos


tratados com desinfetantes são seguros;

» não reduz o volume dos resíduos tratados;

» a disposição do desinfetante utilizado no sistema de esgotamento sanitário


pode afetar o funcionamento do tratamento de águas residuárias, afetando
o processo de degradação biológica.

Ionização

A ionização por bombardeamento iônico é um processo muito útil na indústria para o


tratamento dos alimentos. A sua utilização para o tratamento dos resíduos está ainda em fase
experimental (Suíça, 1994).

Consiste em destruir os agentes patológicos presentes nos resíduos mediante sua exposição a
radiações ionizantes (Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996).

Deve-se realizar a trituração preliminar para melhorar a eficiência desse procedimento.

A irradiação é um processo de alta tecnologia que deve ser operado com grandes precauções
e necessita de estruturas físicas adequadas. Por tais razões não se recomenda, sobretudo, em
situações nas quais não haja técnicos disponíveis e bem capacitados, ou onde os acessórios
materiais de reposição não sejam fáceis de se obter.

Os riscos que se enfrentam na utilização de substâncias radioativas são bem conhecidos:


danos ao patrimônio genético, à medula óssea, às células do sangue e à pele (enfermidades
neoplásicas), entre outros.

Vantagens:

» alto grau de eficiência;

» contaminação mínima;

» é menos custosa do que uma desinfecção química.

69
Desvantagens:

» requer máxima segurança ante o perigos das radiações;

» tecnologia complexa e problemas de manutenção;

» pessoal de operação altamente capacitado e estruturas físicas adequadas;

» a fonte de irradiação se converte em resíduos perigosos ao terminar sua vida útil.


Higienização por Micro-ondas

Consiste em submeter os resíduos biológicos, previamente triturados e envolvidos com vapor,


a vibrações eletromagnéticas de alta frequência, até alcançar e manter uma temperatura de
95 a 100ºC, pelo tempo determinado pelo fabricante (Programa Regional de Desechos Sólidos
Hospitalarios, 1996).

Estas vibrações eletromagnéticas produzem como resultado o movimento, a grande


velocidade, das moléculas de água presentes nos resíduos, gerando por fricção intenso calor.
O higienizador por micro-ondas foi desenvolvido por uma empresa alemã e instalada
originalmente no Hospital Universitário de Gottingen, compreende uma esteira de descarga
dos recipientes, que faz o trabalho de trituração. Todos os resíduos são assim reduzidos ao
estado de um granulado que, umedecido, avança durante uns vinte minutos, graças a um
parafuso de Arquimedes, em uma câmara de desinfecção equipada com uma série de
emissores de microondas. Todos os microorganismos, com exceção das formas esporuladas,
são destruídos. O granulado assim tratado é descarregado em um recipiente comum que por
sua vez é encaminhado diretamente a um compactador central para ser tratado
posteriormente em um forno de incineração de resíduos domésticos (Suíça, 1994).

A elevação da temperatura é obtida aquecendo os resíduos por exposição a um campo


eletromagnético UHF de 2.450Mhz (gama de ondas centimétricas de 12,24cm e variação do
campo magnético de 2,45 milhares de vezes por segundo).

O emprego de micro-ondas permite aquecer muito rapidamente os resíduos, que devem,


entretanto ser umidificados para atingir a temperatura de evaporação da água, a fi m de
permitir a ação do campo eletromagnético sobre as moléculas de água.

70
A higienização por micro-ondas não é uma esterilização no sentido restrito. Quando as
condições são preenchidas, os controles atestam a descontaminação eficiente dos resíduos,
tratando-se de bactérias ou de virus.

O processo não é apropriado para grandes quantidades de Resíduos Sólidos de Serviços de


Saúde (mais de 800 a 1000kg por dia) e também para resíduos anatômicos. Existe, também, o
risco de emissões de aerossóis que podem conter produtos orgânicos perigosos (Programa
Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996).

Os sistemas de desinfecção por microondas são muito utilizados para o tratamento local dos
resíduos de laboratório e são constituídos por fornos pequenos, cujo princípio de
funcionamento é o mesmo dos fornos de microondas de uso doméstico.

Nunca se deve colocar objetos metálicos nestes fornos, já que as microondas, ao atingirem
o metal, geram cargas elétricas entre estes e as paredes do forno. Por conseguinte, os
perfurocortantes, de forma alguma, devem ser tratados neste sistema.

Vantagens:

» alto grau de eficiência.


Desvantagens:

» custo de instalação superior ao da autoclave;

» não é apropriado para tratar mais de 800 a 1000kg/d de resíduos;

» riscos de emissões de aerossóis que podem conter produtos orgânicos perigosos;


» requer pessoal especializado e estritas normas de segurança.
Incineração

Consiste em destruir os resíduos (biológicos e químicos) mediante um processo de combustão


no qual estes são reduzidos a cinzas (Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios,
1996).

Os incineradores podem queimar a maioria dos resíduos sólidos perigosos, incluindo os


farmacêuticos e os químicos orgânicos, exceto os resíduos radioativos e os recipientes
pressurizados.

71
Os incineradores modernos são equipados com uma câmara primária e outra secundária de
combustão, providas de queimadores capazes de alcançar a combustão completa dos resíduos
e uma ampla destruição das substâncias químicas nocivas e tóxicas (dioxinas e furanos etc.).
Na câmara de combustão secundária se alcançam temperaturas em torno de 1.100ºC e opera
com um tempo de permanência de no mínimo dois segundos. Para tratar o fluxo de gases e
as partículas arrastadas, antes de serem liberadas na atmosfera, são agregados torres de
lavagem química, ciclones, filtros etc.

Os incineradores operam com uma máxima eficiência quando os resíduos que se queimam
têm um poder calorífico sufi cientemente alto, ou seja, dizer, quando a combustão produz
uma quantidade de calor sufi ciente para evaporar a umidade dos resíduos e manter a
temperatura de combustão sem adicionar mais combustível.

É preferível que os incineradores operem continuamente, já que as mudanças de temperatura


provocadas pelas paradas deterioram rapidamente os revestimentos refratários.

Um incinerador cuidadosamente operado tem uma vida útil de 10 a 15 anos. Necessita


manutenção constante e uma manutenção anual, que implica uma parada do equipamento
entre 20 e 30 dias. Para evitar que as paradas previstas e imprevistas possam causar grandes
acúmulos de resíduos, seria desejável dispor de um segundo incinerador capaz de tratar os
Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde pelo período de parada do incinerador principal. Como
alternativa, uma Vala Séptica ou uma Célula Especial em Aterro Sanitário, para receber os
Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde gerados entre os 20-30 dias de parada anual do
incinerador.

Os incineradores de Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde oferecidos no mercado, cujas


capacidades variam de alguns kg/h a 8t/h, comportam geralmente um forno de leito fixo, uma
pós-combustão, um tratamento das emissões gasosas, e uma recuperação de calor opcional.
As temperaturas de combustão, de 800 a 1200ºC, convêm para a incineração de resíduos
deste tipo. Eles não devem entretanto ser inferiores a 800ºC (Suíça, 1994).

Vantagens:

» destrói qualquer material que contém carbono orgânico, incluindo os patogênicos;

» produz uma redução importante de volume dos resíduos (80%-95%);

» os restos ficam irreconhecíveis e definitivamente não recicláveis;

72
» sob certas condições, permite o tratamento dos resíduos químicos e farmacêuticos;
» permite o tratamento dos resíduos anátomo-patológicos.
Desvantagens:

» custa duas ou três vezes mais que qualquer outro sistema;

» supõe um elevado custo de funcionamento pelo consumo de combustível


(sobretudo se for carregado com RRS perigosos com alto teor de umidade);

» necessita de constante manutenção;

» conserva o risco de possíveis emissões de substâncias tóxicas na atmosfera.


Incineração in Situ

Trata-se de uma incineração em unidades de fraca capacidade, implantadas no


estabelecimento de saúde. Os antigos fornos hospitalares têm geralmente capacidade inferior
a 1t/h e funcionam de maneira descontínua, causando poluição a cada fase de partida. Não
possuem frequentemente performance de tratamento dos gases. Os resíduos são
frequentemente incinerados a temperaturas de 300-400ºC, sendo necessário no mínimo uma
temperatura de 800ºC para assegurar uma combustão efetuada em boas condições.

Incineração Centralizada

Neste caso, os Resíduos de Serviços de Saúde – Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde são
agrupados tendo em vista o seu tratamento em instalações de maior capacidade, que são
geralmente mais rentáveis e mais satisfatórias sob o ponto de vista da proteção do meio
ambiente (Suíça, 1994).

Pode-se recorrer a três tipos de soluções:

» tratamento em incineradores para Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde que


tratam vários estabelecimentos de saúde;

» tratamento em incineradores para resíduos perigosos; trata-se de fornos


rotativos destinados à incineração de resíduos perigosos industriais sólidos ou
pastosos;

73
» tratamento em usinas de incineração de resíduos domésticos aptas a
incinerar Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde, podendo ser instalações
autônomas ou de linhas de fornos específicos localizados ao lado de usinas de
incineração de lixo doméstico, com tratamento conjunto dos gases.

Novas Técnicas

Novas técnicas de incineração foram substituídas, permitindo o tratamento de resíduos


contaminados: queimador elétrico, tocha de plasma em particular, permitindo atingir
temperaturas muito mais elevadas que nos incineradores clássicos (Suíça, 1994).

Queimador elétrico é um queimador alimentado por um arco elétrico, permitindo atingir


temperaturas na ordem de 2.700ºC.

O princípio da tocha de plasma é produzir um gás a uma temperatura muito alta (podendo
atingir 10.000ºC), graças a um arco elétrico. Utilizado para incineração de resíduos, a tocha a
plasma não produz escórias nem cinzas voláteis tóxicas, mas um resíduo vitrificado inerte. A
temperatura de incineração varia entre 1.600 e 4.000ºC, assegurando assim a destruição das
moléculas tóxicas e vitrificação dos metais pesados.

Existe um tipo particular de tratamento térmico, de efeito pirolítico, que trata também
resíduos contaminados, que permite tratar os resíduos a uma temperatura elevada
produzindo escórias contendo teores bastante fracos de não incinerados.

Critérios para Seleção do Tipo de Tratamento


Para a seleção do tipo de tratamento mais adequado dos Resíduos Sólidos de Serviços de
Saúde, convém avaliar os seguintes fatores (Programa Regional de Desechos Sólidos
Hospitalarios, 1996):

» impacto ambiental;

» custos de instalação e manutenção;

» número de horas diárias de utilização do sistema em função da quantidade de


Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde que serão tratados;
» fatores de segurança.
Estas avaliações incluem:

74
» investigação dos locais e instalações disponíveis para o tratamento ou
eliminação dos Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde;

» cálculo dos custos de todas as opções viáveis para fazer comparações;

» revisão dos requisitos normativos e as licenças exigidas para a opção viável;

» determinação de custos e dificuldades adicionais que poderiam estar

associadas às opções selecionadas.

A partir destes dados, o responsável pelo planejamento pode desenvolver uma matriz de
alternativas que incorporem as avaliações técnicas, os planos e as análises econômicas que
conduzam a um grupo de opções apropriadas.

Ao estimar custos, o responsável pelo planejamento deve determinar o investimento de bens


de capital, assim como os custos anuais de manutenção, de operação, instalação e
amortização do equipamento e considerar, além da conveniência econômica, os seguintes
aspectos:

» condições específicas locais ou referentes à composição dos resíduos a


tratar, que podem causar paradas acidentais de operação ou baixo
rendimento da mesma; » condições futuras e mudanças potenciais, tais como
as relacionadas com regulamentos e padrões;

» atitudes contrárias e a eventual oposição a uma ou mais opções de


tratamento ou eliminação.

75
Quadro 12
– Comparação das características de alguns processos de tratamento de Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde

PROCESSO REDUÇÃO EFICIÊNCIA IMPACTO CAPACITAÇÃO CAPACIDADE DE CUSTO DE CUSTO OPERAÇÃO


VOLUME DESINFECÇÃO AMBIENTAL PESSOAL TRATAMENTO INVESTIMENTO

Autoclave baixo alta baixo Média(*) Média-baixa média média


Tratamento baixa incompleta média média Média-alta média média
Químico
Irradiação baixa baixa média alta Pequenas alta alta
unidades
Micro-ondas baixa alta baixa alta Pequenas alta alta
unidades
Incineração alta Alta(**) baixa alta Sem limites alta alta

Fonte: Programa Regional de Desechos Sólidos Hospitalarios, 1996

(**) Com incineradores de bom nível tecnológico.


(*) Não se considera a capacitação necessária para manejar equipamentos de produção de vapor.

Disposição Final dos Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde

A disposição final dos Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde se define como seu confinamento em aterro sanitário ou vala séptica, depois de
haverem sido submetidos a algum tipo de tratamento como a desinfeção, esterilização ou incineração (Programa Regional de Desechos Sólidos
Hospitalarios, 1996).

Quando se utiliza um processo de tratamento diferente à incineração, é conveniente, como medida de precaução, dispor os Resíduos Sólidos de
Serviços de Saúde em uma célula especial em aterro sanitário ou em vala séptica.

76
A disposição de resíduos infectantes, sem tratamento prévio, em células especiais deve se
constituir em um sistema independente, separado dos resíduos comuns e sem a utilização da
técnica de compactação, mas garantindo seu recobrimento imediato com terra, seguindo uma
metodologia de operação e controle próprios, visando evitar riscos para os operadores e
garantindo condições ideais de proteção ao meio ambiente.

Considerando que na grande maioria dos municípios brasileiros não existem aterros sanitários
e que os resíduos sólidos são dispostos em lixões, é importante fomentar a mudança de
atitude sobre a gestão dos aterros municipais, com o objetivo de garantir ao máximo a
segurança.

É fundamental que as Comissões de Controle de Infecção Hospitalar de cada estabelecimento


de saúde desenvolvam um trabalho de sensibilização e envolvimento da municipalidade e
comunidades, para encontrar conjuntamente soluções mais seguras.

Aterro Sanitário

Uma vez que os Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde tenham sofrido segregação prévia e
tratamento, o destino final do produto resultante é um aterro sanitário. Esse método de
disposição final consiste no confinamento dos resíduos, no menor volume possível, por meio
da compactação realizada por tratores esteiras ou rolos compactadores e no isolamento dos
detritos em relação ao ar livre, mediante sua cobertura diária com uma camada de solo,
preferencialmente argila.

Um aterro sanitário deve ter as seguintes características:

» célula de segurança em terreno adequadamente impermeabilizado, a fi m de evitar


contaminação do solo, em particular, do lençol freático;

» totalmente cercado (altura mínima de 2,5 metros) e vigiado 24 horas por dia para
evitar a entrada de pessoas não autorizadas;

» dispor de um sistema de coleta e tratamento das águas de lixiviação antes


de seu lançamento; » dispor de sistema adequado de captação de gases
produzidos e posterior liberação na atmosfera;

» dispor de sistema de proteção das águas subterrâneas;

77
» dispor de sistema de drenagem de águas pluviais;

» dispor de sistema de monitorização do lençol freático e do tratamento de líquidos


percolados.

É importante ressaltar que Resíduos Químicos (Grupo B) e Rejeitos Radioativos (Grupo C)


não devem ser dispostos em aterro sanitário.

Valas Sépticas

As valas sépticas são apontadas como uma das técnicas de engenharia para aterramento de
resíduos biológicos dos estabelecimentos de saúde.

Uma característica importante dessa técnica de disposição final é a sua utilização por
pequenos municípios brasileiros, principalmente, por ser considerada uma alternativa
simples, econômica e para pequenos volumes de Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde com
características infectantes. Essa solução é possível quando há eficiência na segregação dos
resíduos biológicos pelas fontes geradoras, para que haja volumes reduzidos de Resíduos
Sólidos de Serviços de Saúde a serem confinados

3.3. Poluição da Água

É o lançamento ou infiltração de substâncias nocivas na água. As atividades agrícolas,


industriais, mineradoras, os esgotos e a intolerância do homem são as principais fontes de
poluição das águas.

A medida que crescem as populações, a sustentabilidade do uso humano de água depende


fundamentalmente da adaptação das pessoas ao ciclo da água. As sociedades humanas
precisam desenvolver a habilidade – conscientização, conhecimento, procedimentos e
instituições – para administrar seu uso da terra, como também da água de forma integrada e
abrangente, de modo a manter a qualidade do suprimento de água para as pessoas e para os
ecossistemas que as suportam.

Desde a antiguidade, o homem já lançava os seus detritos na água, porém, esse procedimento
não causava muitos problemas, pois os rios, oceanos e lagos têm o poder de autolimpeza.
Com o advento da Revolução Industrial, o volume de detritos despejados nas águas aumentou
bruscamente, comprometendo a capacidade de purificação dos rio, oceanos e lagos.
Diariamente são lançados cerca de 10 bilhões de litros de esgoto poluentes nas áreas de

78
mananciais, rios, lagos e oceanos, provocando um aumento no número de microrganismos
decompositores que consomem todo o oxigênio dissolvidos na água, com isso, os peixes que
habitam essas regiões podem morrer por asfixia ou pelo envenenamento.

A saúde humana pode ser afetada pela grande quantidade de bactérias anaeróbicas que são
capazes de viver sem a presença de oxigênio, e também pelas doenças transmitidas pela
poluição, como: disenteria, amebíase, esquistossomose, malária, leishmaniose, cólera, entre
outras.

Na agricultura, os fertilizantes, os pesticidas e herbicidas são levados para os rios pelas chuvas,
contaminando os rios e também o solo por onde passa, além de infiltrarem pelo solo podendo
contaminar os lençóis freáticos.

Controle:

» Saneamento básico para todos


» Coleta de lixo
» Estações de tratamento de esgoto
» Gestão ambiental integrada
» Utilização de agrotóxicos e fertilizantes mais seguros

79
Gestão
Ambiental UNIDADE II

CAPÍTULO 1
Sustentabilidade

O conceito de sustentabilidade tem origem nas Ciências Biológicas, aplica-se


aos recursos renováveis, que podem se exaurir pela exploração
descontrolada. Apóia-se na ideia de que só é possível uma exploração
permanente, se esta se restringir apenas ao incremento dos recursos ocorrido
em um período, preservando a base inicial dos recursos. O limite da
exploração seria dado por meio dos estudos capazes de fixar uma taxa de
Rendimento Máximo Sustentável, aplicável a cada espécie de recurso
renovável.

A IUCN, o WWF e o PNUMA publicaram em 1991, o documento Cuidando do Planeta Terra –


Caring for the Earth, com as expressões:

1. desenvolvimento sustentável, para indicar a melhoria da qualidade de vida respeitando


os limites da capacidade dos ecossistemas;

2. economia sustentável, para indicar a economia que resulta de um desenvolvimento


sustentável e que, portanto, conserva a sua base de recursos naturais;

3. uso sustentável, para indicar a utilização de recursos renováveis de acordo com a sua
capacidade de reprodução.

Para estas entidades, o desenvolvimento deve apoiar-se nas pessoas e suas comunidades e na
conservação da biodiversidade e dos processos naturais que sustentam a vida na Terra, tais como
os que reciclam a água, purificam o ar e regeneram o solo.

O conceito de sustentabilidade não pode se limitar apenas à visão tradicional de estoques e fluxos
de recursos naturais e de capitais, é necessário considerar simultaneamente as seguintes
dimensões (Sachs):

80
1. sustentabilidade social, com o objetivo de melhorar substancialmente os direitos e as
condições de vida das populações e reduzir as distâncias entre os padrões de vida dos
diferentes grupos sociais;

2. sustentabilidade econômica, viabilizada por uma alocação e gestão eficiente dos recursos e
por fluxos regulares de investimentos públicos e privados, baseada muito mais em critérios
sociais do que empresariais;

3. sustentabilidade ecológica, envolvendo medidas para reduzir o consumo de recursos e a


produção de resíduos, medidas para intensificar pesquisas e a introdução de tecnologias
limpas e poupadoras de recursos e para definir regras que permitam uma adequada proteção
ambiental;

4. sustentabilidade espacial contemplando uma configuração mais equilibrada da questão rural-


urbana e uma melhor distribuição do território, envolvendo, entre outras preocupações, a
concentração excessiva das áreas metropolitanas; e

5. sustentabilidade cultural, para buscar concepções endógenas de desenvolvimento que


respeitem as peculiaridades de cada ecossistema, de cada cultura e cada local. Para se alcançar
estas dimensões da sustentabilidade, é necessário obedecer simultaneamente aos seguintes
critérios: equidade social, prudência ecológica e eficiência econômica.

Desenvolvimento Sustentável
Substituiu a expressão eco desenvolvimento. A expressão surge pela primeira vez em 1980, no
documento denominado World Wildlife Fund (hoje, World Wide Fund for Nature – WWF), por
solicitação do PNUMA. Nele, uma estratégia mundial para a conservação da natureza deve
alcançar os seguintes objetivos:

1. manter os processos ecológicos essenciais e os sistemas naturais vitais necessários


à sobrevivência e ao desenvolvimento do ser humano;

2. preservar a diversidade genética; e

3. assegurar o aproveitamento sustentável das espécies e dos ecossistemas que


constituem a base da vida humana.

O objetivo da conservação é manter a capacidade do planeta para sustentar o desenvolvimento,


e este deve, por sua vez, levar em consideração a capacidade dos ecossistemas e as
necessidades das futuras gerações.

81
Para a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD), conhecida como
Comissão Brundtland, desenvolvimento sustentável é:

“...aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade


das gerações futuras de atenderem as suas próprias necessidades...”

A Comissão Brundtland encerrou seus trabalhos, em 1987, e o seu relatório, denominado Nosso
futuro comum, tem como núcleo central a formulação dos princípios do desenvolvimento
sustentável. Conforme o relatório:
“...em essência, o desenvolvimento sustentável é um processo de transformação no qual
a exploração dos recursos, a direção dos investimentos a orientação do
desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e reforçam o
potencial presente e futuro, a fi m de atender às necessidades e aspirações humanas...”

Os principais objetivos de políticas derivados desse conceito de desenvolvimento recomendados


pela comissão são os seguintes:

» retomar o crescimento como condição necessária para erradicar a pobreza; »


mudar a qualidade do crescimento para torná-lo mais justo, equitativo e menos
intensivo em matérias-primas e energia;

» atender às necessidades humanas essenciais de emprego, alimentação, energia,


água e saneamento;

» manter um nível populacional sustentável

» conservar e melhorar a base de recursos;

» reorientar a tecnologia e administrar os riscos; e

» incluir o meio ambiente e a economia no processo decisório.


A Comissão enfatiza a necessidade de modificar as relações econômicas internacionais e de
estimular a cooperação internacional para reduzir os desequilíbrios entre os países. A ideia básica
é a de se alcançar uma economia mundial sustentável.

A Comissão recomenda que sejam criadas ou garantidas condições políticas que assegurem a
participação de todos os cidadãos na busca das soluções para os problemas de desenvolvimento

82
das áreas comuns do globo, que se encontram fora das jurisdições nacionais, tais como, os
oceanos, o espaço cósmico e o Continente Antártico.

Os conceitos e recomendações da Comissão Brundtland foram aceitos pelas entidades da ONU,


bem como por diversas organizações nacionais e internacionais, governamentais e não
governamentais (a UICN, o WWF etc.) e também foram incorporados na Agenda 21.

» Plano Verde Canadense para o período 1990-1995, elaborado com intensa


participação da sociedade civil, desenvolvimento sustentável signifi ca
planejamento de vida e o objetivo do Canadá é o de assegurar um meio
ambiente saudável e seguro para a atual e futuras gerações e uma economia
sólida e próspera.

» No Brasil, a Constituição Federal de 1988 estabelece, (art. 225, caput):


“...todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum
ao povo, essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à
coletividade o dever de defendê-lo para as presentes e futuras gerações...”

Agenda 21 Global

A Comissão de Desenvolvimento e Meio Ambiente da América Latina e Caribe (PNUD e BID,


1989), apresentou uma visão regional sobre o meio ambiente, no documento denominado
“Nuestra Propria Agenda”, reconhecendo, entre outros:

» que essa região perseguiu modalidades defeituosas de desenvolvimento;

» que dentre as origens da penúria latino-americana e caribenha destaca-se a larga


tradição de governos autoritários e insensíveis às mudanças sociais;

» que o custo humano expresso em pobre, sofrimento, enfermidades e mortes


evitáveis é o preço real da degradação ambiental e a melhor justificativa para
a proteção ambiental; e

» que a região está perdendo rapidamente o seu patrimônio cultural e a sua


biodiversidade.

83
Diante de problemas como esses, “Nuestra Propria Agenda” recomenda as seguintes estratégias
para a região:

» erradicação da pobreza,

» aproveitamento sustentável dos recursos naturais,

» ordenamento do território,

» desenvolvimento tecnológico compatível com a realidade social e natural,

» nova estratégia econômica e social,

» organização e mobilização social e reforma do Estado.


A Agenda 21 Global foi aprovada durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente
e Desenvolvimento – CNUMAD (Rio de Janeiro – 1992), que teve a participação de 178 países,
sendo considerada a maior conferência já realizada no âmbito da ONU. Ela é uma espécie de
receituário abrangente para guiar a humanidade em direção a um desenvolvimento que seja ao
mesmo tempo socialmente justo e ambientalmente sustentável pelo século XXI adentro.

A Agenda 21 está voltada para os problemas prementes de hoje e tem o objetivo, ainda, de
preparar o mundo para os desafios do século 21. Ela conclama a todos para uma associação
mundial em prol do desenvolvimento sustentável.

A Agenda 21 é um programa de ação para se implementar o desenvolvimento sustentável que


baseia-se na ideia de que meio ambiente e desenvolvimento devem ser tratados conjuntamente.

A Agenda 21 significa um distanciamento das propostas do desenvolvimento tradicional,


predador da natureza, excludente e, por isso mesmo, gerador de profundos desequilíbrios sociais
e regionais. Ela significa, também, um distanciamento das propostas ambientalistas tradicionais,
preocupadas basicamente com os efeitos do crescimento econômico sobre os estoques de
recursos naturais, com a manutenção de áreas protegidas e a preservação da vida selvagem.

Todos documentos do CNUMAD apontam para a necessidade de uma ampla revisão das ações
humanas com vistas a conceber novas teorias e práticas capazes de proporcionar um
desenvolvimento com equidade e compatível com a capacidade limitada dos recursos da Terra.

84
A Agenda 21 adotou uma postura cautelosa em relação aos temas polêmicos como: a questão da
dívida externa dos países em desenvolvimento e a proteção da propriedade intelectual na área
de biotecnologia.

O PROGRAMA 21
O Programa 21, nova denominação da Agenda 21, não é um tratado ou convenção capaz de
impor vínculos obrigatórios aos estados signatários; na realidade é um plano de intenções não
mandatório cuja implementação depende da vontade política dos governantes e da mobilização
da sociedade.

Para implementar os seus programas e as suas recomendações é necessário desdobrar a Agenda


21 Global em agendas regionais, nacionais e locais.

No Brasil, foi criada em 1994, no âmbito do Executivo Federal, a Comissão Interministerial para o
Desenvolvimento Sustentável (CIDES), com o objetivo de assessorar o Presidente da República
na tomada de decisão sobre estratégias e políticas nacionais necessárias ao desenvolvimento
sustentável, de acordo com a Agenda 21. O documento Agenda 21 Brasileira foi “oficializado” no
ano de 2001 e agora está se desdobrando, com discussões regionais, estaduais e municipais para
a elaboração das Agendas Locais.

O Capítulo 28 da Agenda 21 dedica-se ao fortalecimento das autoridades locais como parceiros


importantes do processo de desenvolvimento sustentável e recomenda que cada autoridade
local deve iniciar um diálogo com os seus cidadãos, organizações comunitárias e empresas
privadas locais para elaborar uma Agenda 21 Local.

A Agenda 21 Local é um programa de ação, um instrumento de planejamento local, baseado em


um grande pacto da sociedade, que visa:

» realizar um diagnóstico da situação atual da localidade e

» indicar diferentes formas da própria localidade viabilizar os seus potenciais de


desenvolvimento sustentável, em parceria com a comunidade.

A Agenda 21 também é clara quanto a necessidade de valorização das comunidades locais e dos
povos em geral. As tecnologias são partes fundamentais dos valores das sociedades que as
produzem, de modo que não é possível atribuir importância às comunidades locais sem respeitar
os seus conhecimentos e práticas. Alguns Capítulos da Agenda 21

85
Muito do que foi acordado na Agenda 21 Global ainda não saiu do papel, pois grande parte dos
países signatários pouco fizeram para implementá-la a nível nacional/local. A Agenda 21
Brasileira ainda não é uma realidade, apesar de ter sido criado um fórum de discussões que gerou
um documento-base, o qual foi “oficializado” pelo Governo Federal. A implementação das
diretrizes da Agenda 21 Brasileira no âmbito federal continua distante, pois será necessária uma
ampla revisão da regulamentação de diversas áreas.

Um grande triunfo da Agenda 21 foi consolidar o conceito de inseparabilidade das questões


afetas ao desenvolvimento e ao meio ambiente. A Agenda 21 Global consagrou em termos
internacionais a importância das comunidades e do poder local, a representatividade das ONGs
e a necessidade de uma visão pluralista em matéria de meio e recursos, particularmente a
tecnologia.

Em diversas ocasiões a Agenda menciona a importância das comunidades locais e destaca


dezenas de vezes o papel das ONGs em áreas críticas para a promoção do desenvolvimento
sustentável.

Quase todos os capítulos da Agenda 21 Global trazem recomendações para as autoridades locais,
algumas de modo específico, outras que devem ser tratadas pelos diferentes níveis de governo
(governments at the appropriate level).

Assim pode-se, com facilidade, relacionar as diferentes autoridades de uma comunidade ou de


um Município com as recomendações da Agenda 21 e, com isso, dar início a um processo de
elaboração de uma Agenda 21 local.

Apesar de todos os problemas que envolvem a sua implementação, o Programa Agenda 21 Local
constitui um grande guia para se alcançar o desenvolvimento sustentável. Ele é um grande
inventário dos problemas que a localidade enfrenta e das providências necessárias para enfrentá-
los. Quase sempre todo o esforço para solucionar estes problemas acaba confinado nas esferas
especializadas dos governos, distante, portanto, das populações que vivem o cotidiano desses
problemas.

Um dos grandes méritos da Agenda 21 Local é o de ser um documento elaborado com a


colaboração/ participação dos três setores da sociedade (público, privado e sociedade civil
organizada – ONGs), sendo, por essa razão, capaz de ser entendido e aplicado nas esferas locais,
sem perder de vista a sua dimensão global.

86
A Agenda 21, transformada em Programa 21, instrumentaliza o ideal de pensar globalmente e
agir localmente. A instância local é a esfera apropriada para a implementação de ações e a
sociedade organizada, ao se “apropriar” do conteúdo deste Programa, terá nas mãos um
excelente instrumento de cobrança das providências às autoridades competentes e, certamente,
será mais ativa que os próprios governantes na implementação do Programa Agenda 21 Local.

Em função do desconhecimento de que a Agenda 21 Local pode e deve ser concebida em outras
áreas de atuação que não do meio ambiente, muitos programas/projetos são implementados
empiricamente, alguns com ações “pulverizadas”, sem nenhuma vinculação com a Agenda 21,
utilizando, entretanto, o mesmo enfoque. Estes programas apresentam, geralmente,
características de não sustentabilidade, pois, atuando sobre os efeitos permitem que os
problemas reapareçam, uma vez que a capacidade técnica local para enfrentá-los é limitada.

A instância local é a mais adequada para tratar de seus próprios problemas. Porém, alguns
obstáculos se interpõem, entre eles, o desaparelhamento das administrações, no que tange à sua
capacidade de planejamento e gestão, o que acaba influenciando negativamente a eficiência dos
seus produtos/serviços.

O Programa Agenda 21 Local deve aproveitar as experiências bem-sucedidas, que já estão sendo
implementadas na localidade, de programas similares, de forma a potencializar o
desenvolvimento sustentável da localidade por meio de arranjos institucionais para a
convergência e complementaridade das ações destes programas em uma mesma área de
intervenção.

Uma boa recomendação é sempre realizar um estudo comparativo entre o escopo da Agenda 21
Local e os programas de atuação similar que existam na área, propor arranjos institucionais para
a convergência e complementaridade das ações destes programas em uma mesma área de
intervenção.

87
CAPÍTULO 2
Gestão Ambiental em Empresas/Instituições

2.1. Conceitos Básicos


Meio Ambiente

Existem diversas definições para meio ambiente, as mais recentes refletem uma “visão holística”
englobando fatores físicos, biológicos, sociais, econômicos e culturais.

Segundo a Lei no 6.938, de 31/10/1981, que estabelece a Política Nacional de Meio Ambiente,
meio ambiente é:

“...o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e


biológica que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”.

Poluição Ambiental

Pela mesma Lei nº 6.938/1981, poluição ambiental é:

“...a degradação da qualidade ambiental (entendida como a alteração das características do meio
ambiente) resultante de atividades que diretamente ou indiretamente:

» Prejudiquem a saúde, a segurança e o bem estar da população;

» Criem condições adversas às atividades sociais e econômicas;

» Afetem desfavoravelmente a biota;

» Afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente;

» Lancem matéria ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos”.


Poluidor

Ainda pela mesma Lei no 6.938/1981, poluidor é:

“... a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou


indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental”.

“...§ 1º – sem obstar da aplicação das penalidades previstas neste artigo, é o poluidor
obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos

88
causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade. O Ministério
Público da União e dos Estados terá legitimidade para propor ação de responsabilidade
civil e criminal por danos causados ao meio ambiente”.

Salubridade Ambiental

Segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde, salubridade ambiental é

“...o estado de qualidade ambiental capaz de prevenir a ocorrência de doenças


relacionadas ao meio ambiente e de promover as condições favoráveis ao pleno gozo da
saúde e do bem estar da população”.

Saneamento Ambiental

Segundo a mesma OMS, saneamento ambiental é

“...o conjunto de ações que visam alcançar níveis crescentes de salubridade ambiental,
por meio de abastecimento de água potável; coleta, tratamento e disposição sanitária
de resíduos líquidos, sólidos e gasosos, prevenção e controle do excesso de ruídos,
drenagem urbana de águas pluviais, promoção da disciplina sanitária do uso e ocupação
do solo, controle de vetores de doenças transmissíveis e demais serviços e obras
especializados”.

Crime Ambiental

A Lei nº 9.605/1998, denominada Lei de Crimes Ambientais ou Lei da Natureza, dispõe sobre as
sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente.
Alguns artigos desta Lei merecem ser pesquisados, são eles: 29, 30, 32, 33, 38, 41, 54, 56 e 60.

Tecnologias ambientalmente saudáveis

São as que protegem o meio ambiente, são menos poluentes, usam todos os recursos de forma
mais sustentável, reciclam mais seus resíduos e produtos e tratam os despejos residuais de uma
maneira mais aceitável do que as tecnologias que vierem a substituir (analogia ao Cleaner
Production Programme, criado pelo PNUMA/1989).

Produção mais limpa

Cleaner Production refere-se a uma abordagem de proteção ambiental mais ampla, pois
considera todas as fases do processo de manufatura e do ciclo de vida do produto, incluindo
desde o seu uso nos domicílios e locais de trabalho até o seu descarte (conhecida também com
abordagem de acompanhamento do produto “do berço ao túmulo”).

Essa abordagem requer ações contínuas e integradas para:

89
» conservar energia e matéria-prima;

» substituir recursos não renováveis por renováveis;

» eliminar substâncias tóxicas;

» reduzir os desperdícios e a poluição resultante dos produtos e dos processos produtivos.

É uma estratégia tecnológica de caráter permanente que se contrapõe às soluções que objetivam
apenas controlar a poluição atuando no fi nal do processo produtivo (end of pipe technology),
remediando os seus efeitos, mas sem combater as causas que os produziram (transferência de
poluição de um ambiente para outro).

2.2. O Programa na Linha de Planejamento


Um programa é uma das etapas do planejamento, situa-se geralmente dentro de um plano e
pode incorporar no seu escopo projetos e outros programas a serem realizados.

Para uma área específica, deve ser elaborado e desenvolvido na forma mais adequada à realidade
do local (institucional, econômica, social etc.). Deve ser realizado um planejamento das etapas e
atividades que deverão ser desenvolvidas no programa com a participação da população do local,
estabelecendo prioridades e metas a serem alcançadas, bem como um cronograma físico-
financeiro a ser cumprido.

O cronograma é fundamental para uma efetiva implementação do programa, ele deve indicar
claramente os prazos para o desenvolvimento de cada etapa e os recursos necessários para o
cumprimento das metas estabelecidas.

Deve definir as estratégias e metodologias que serão utilizadas para o desenvolvimento das
atividades nele previstas, bem como a forma de registro, manutenção e divulgação dos
resultados obtidos.

Devem ser estabelecidas as estratégias que serão adotadas para cumprir as metas e alcançar os
objetivos do programa, assim como devem ser selecionadas as metodologias que forem mais
adequadas às condições existentes na localidade.

Devem ser estabelecidos mecanismos de monitoramento e avaliação do programa, visando


analisar o seu desenvolvimento. Os procedimentos de avaliação devem permitir a verificação:

90
» do cumprimento das etapas;

» da realização das atividades previstas;

» da adequação das estratégias e metodologias

adotadas; e » do atingimento das metas.

A avaliação periódica tem o objetivo de subsidiar, sempre que necessário, os ajustes no


programa, além de estabelecer novas metas e prioridades. A avaliação periódica deve ser
documentada, em um relatóriosíntese contendo, no mínimo, as etapas, metas e atividades que
foram cumpridas; as que não foram cumpridas, de forma integral ou parcial; e as que sofreram
alterações. A avaliação de “Programas Sociais” deve ser realizada com metodologias próprias.

Devido a sua utilização nas normas da série ISO, uma das formas mais difundidas de
gerenciamento de programas está baseada no ciclo PDCA.

» PLAN – etapa de planejamento do programa

» DO – etapa de execução das ações planejadas

» CHECK – etapa de monitoramento e avaliação da execução das ações

» ACT – etapa de tomada de decisão


Em cada ciclo de um programa, as três primeiras etapas – PLAN, DO e CHECK – são realizadas por
técnicos, que ao fi nal da 3ª etapa elaboram um relatório gerencial, contendo para cada ação
planejada e executada a efi cácia e a efi ciência atingida, confrontando metas planejadas e
realizadas. Entretanto, a última etapa – ACT, que é de Tomada de Decisão – é realizada pela alta
administração/alta gerência da empresa/ instituição que, com base nos relatórios gerenciais
decide ou não pela modificação do planejamento para o próximo ciclo. Esta decisão deve ser
sempre pautada pela perseguição do critério de melhoria contínua das metas estabelecidas, ou
seja, pelo estabelecimento de metas cada vez mais exigentes.

2.3. O Sistema de Gestão Ambiental


Um Programa de Gestão Ambiental – PGA, deve estar inserido dentro de um Sistema de Gestão
Ambiental. A seguir está descrito o fl uxo esquemático para o planejamento de um PGA.

SGA – 1º PASSO Diagnóstico Geral

91
Para se elaborar um SGA é necessário se conhecer muito bem o processo produtivo do local.
Deve, portanto ser feito um diagnóstico exato, e a melhor forma de fazê-lo é dividindo-o em duas
partes: (i) um diagnóstico observando a interação da área interna sob responsabilidade da
administração e sua circunvizinhança, que será denominado “diagnóstico de fora para dentro”;
e (ii) um diagnóstico centrado nas minúcias do processo produtivo, observando o diagrama de
processos do local, que será denominado “diagnóstico de dentro para fora”.

Diagnóstico 1 – “de fora para dentro”:

» USO E OCUPAÇÃO DO SOLO;

» ÁREAS DE PRESERVAÇÃO/PROTEÇÃO OBRIGATÓRIAS (MÍNIMAS);

» CURSOS D’ÁGUA E MANANCIAIS;

» SUPERPOSIÇÃO DE LEIS FEDERAIS, ESTADUAIS E MUNICIPAIS.


Diagnóstico 2 – “de dentro para fora”:

» FLUXO DO PROCESSO PRODUTIVO (EMPREENDIMENTO);

» PADRÕES DE EMISSÃO (MÁXIMOS);


» AR;
» ÁGUA;
» SOLO;

» SUPERPOSIÇÃO DE LEIS FEDERAIS, ESTADUAIS E MUNICIPAIS.


SGA – 2º PASSO Programa de Gestão Ambiental

De posse do diagnóstico pode-se, então, elaborar o programa de gestão ambiental do local. Deve-
se lembrar que é um programa, portanto, deve conter metas, estratégias e um cronograma bem
definidos, além dos critérios de avaliação e controle.

O PGA inicialmente deve estar concentrado em ações que visem melhorar o desempenho
ambiental do local, conforme preconiza a abordagem de “tecnologia limpa”. Em uma abordagem
resumida/simplista, o PGA, portanto, deve pretender otimizar a produção, ou seja, para uma

92
mesma quantidade de insumos deve resultar uma quantidade maior de produtos e menor de
rejeitos.

Uma boa estratégia para atingir esta meta é desdobrar o PGA em vários programas específicos,
devido a facilidade de entendimento de suas atuações específicas. A sustentabilidade do PGA
está baseada em, no mínimo, 4 programas específicos:

» PROGRAMA DE REDUÇÃO NA GERAÇÃO DE RESÍDUOS;

» PROGRAMA DE REDUÇÃO NO CONSUMO DE ÁGUA; » PROGRAMA

DE REDUÇÃO NO CONSUMO DE ENERIA ELÉTRICA; » 1º PROGRAMA

DE DESEMPENHO AMBIENTAL ESPECÍFICO.

Os três primeiros programas específicos - gestão de resíduos, da água e de energia elétrica –


podem ser implantados em qualquer ordem cronológica (1º, 2º e 3º), mas devem ser os três
primeiros programas do PGA. Isto é essencial, pois estes três programas têm uma
abordagem/estratégia poupadora, economizando insumos e “gerando” receita para as demais
intervenções do PGA.

PGA 1 – Programa de Gestão dos Resíduos

Do ponto de vista de complexidade, em alguns casos o primeiro programa específico dentro de


um PGA pode ser o programa de gestão de resíduos. Sua implantação deve observar, no mínimo,
cinco pontos principais: (i) diagnóstico setorial; (ii) programa de ação; (iii) educação ambiental;
(iv) monitoramento e avaliação; e (v) programa de manutenção das instalações.

Diagnóstico setorial

Uma metodologia simples para realizar o diagnóstico do potencial de implantação de um


programa de gestão de resíduos, que pode ser aplicada em qualquer atividade produtiva, foi
desenvolvida pelo CEMPRE – Centro Empresarial para a Reciclagem – e está apresentada em
anexo. Ela é bem prática e baseada no levantamento das seguintes informações.

» Pontos de geração;

» Quantidade de resíduos gerados;

» Composição dos resíduos;

93
» Custo atual para descarte.

Programa de ação – Política dos 3 R

» Redução ao máximo na geração de resíduos;

» Reutilização de materiais descartados sempre que viável; e

» Reciclagem de materiais descartados sempre que possível.


A ideia central dessa política é a de atacar as causas da degradação ambiental por meio de uma
abordagem preventiva que minimize a geração de poluição na fonte, o que significa reduzir o uso
de insumos materiais e energéticos para um volume idêntico de produção. Isso exige a adoção
de providências como as seguintes:

» aperfeiçoamento dos processos produtivos para torná-los mais efi cientes;

» revisão dos projetos dos produtos para facilitar a sua produção e ampliar o seu
desempenho;

» utilização de matérias-primas com maior grau de pureza;

» eliminação ou minimização do uso de materiais perigosos;

» recuperação das águas utilizadas nos processos;

» manutenção preventiva;

» procedimentos para conservação de energia;

» gestão de estoques que minimize as perdas por quebra em manuseio,


obsolescência e perecibilidade;

» realização de monitorias e auditorias em bases sistemáticas;

» treinamento e conscientização dos operadores, transportadores, fornecedores,


empreiteiros e usuários.

94
Educação ambiental – “conscientização”

» INFORMAR / CAPACITAR;
» TREINAR;
» FISCALIZAR.
Monitoramento e Avaliação

» CRONOGRAMA / METAS / RESPONSABILIDADES


Programa de manutenção das instalações

Deve ser elaborado e implantado um programa de manutenção de todas as instalações


físicas relacionadas com a gestão de resíduos de maneira a não se perder nem
eficiência nem eficácia nas atividades do programa de ação.

PGA 2 – Programa de Gestão da Água

O segundo programa específico dentro de um PGA pode ser o programa de gestão da água. O
objetivo principal deste programa é reduzir o consumo e as perdas de água. Geralmente, após a
implantação eficiente deste programa específico é gerada uma economia razoável para a
administração nas contas relacionadas a prestação deste serviço (abastecimento de água).

O responsável pelo SGA deve procurar fazer uma ligação entre a receita proveniente desta
economia e os recursos necessários para investimento no SGA.

Sua implantação também deve observar, no mínimo, os mesmos 5 pontos principais do programa
de gestão de resíduos: (i) diagnóstico setorial; (ii) programa de ação; (iii) educação ambiental; (iv)
monitoramento e avaliação; e (v) programa de manutenção das instalações.

Diagnóstico setorial

» “DO HIDRÔMETRO PARA DENTRO”;


» PERDAS FÍSICAS;

» PERÍODOS DE MAIOR CONSUMO;

» “SETORIZAÇÃO”;

95
» PONTOS DE MAIOR CONSUMO.

Programa de ação

» REDUÇÃO DAS PERDAS FÍSICAS;


» VIABILIDADE DE ADOÇÃO DE “EQUIPAMENTOS POUPADORES”;
» REUSO (REDE ESPECÍFICA DIFERENCIADA);
» EQUIPAMENTOS; » ÁGUAS DE CHUVA;
» EFLUENTE TRATADO.
Educação ambiental – “conscientização”

Monitoramento e avaliação

Programa de manutenção das instalações

PGA 3 – Programa de Gestão da Energia Elétrica

O terceiro programa específi co dentro de um PGA pode ser o programa de gestão da energia
elétrica. O objetivo principal deste programa é reduzir o consumo de energia elétrica, bem como
gerar mais segurança à população do local. Geralmente, após a implantação efi ciente deste
programa específi co é gerada uma grande economia para a administração nas contas
relacionadas a prestação deste serviço (abastecimento de energia elétrica).

O responsável pelo SGA deve procurar fazer uma ligação entre a receita proveniente desta
economia e os recursos necessários para investimento no SGA.

Sua implantação também deve observar, no mínimo, os mesmos cinco pontos principais do
programa de gestão de água: (i) diagnóstico setorial; (ii) programa de ação; (iii) educação
ambiental; (iv) monitoramento e avaliação; e (v) programa de manutenção das instalações.

Diagnóstico setorial

» “DO RELÓGIO PARA DENTRO”;

» “SETORIZAR”: CIRCUITOS DE LUZ E DE FORÇA;

» PONTOS DE MAIOR CONSUMO;

96
» PERÍODOS DE MAIOR CONSUMO; » SEGURANÇA DOS CIRCUITOS.

Programa de ação

» REFORMA DO PROJETO PARA GARANTIR SEGURANÇA;

» LUZ – VIABILIDADE DE “NOVO PROJETO” (ILUMINOTÉCNICA);

» LUZ – LÂMPADAS, LUMINÁRIAS E REATORES DE MAIOR EFICIÊNCIA;

» FORÇA – VIABILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO POR “EQUIPAMENTOS POUPADORES”;

» VIABILIDADE DE MUDANÇA DE HORÁRIOS DE MAIOR CONSUMO.


Educação ambiental – “conscientização”

Monitoramento e avaliação

Programa de manutenção das instalações

PGA 4 – Programa de Gestão Específico

O quarto programa específico dentro de um PGA deve ser o primeiro programa de gestão
específico, cujo escopo deve ser definido de acordo com os potenciais/problemas da empresa na
área ambiental.

Sua implantação também deve observar, no mínimo, os mesmos cinco pontos principais do
programa de gestão de energia elétrica: (i) diagnóstico setorial; (ii) programa de ação; (iii)
educação ambiental; (iv) monitoramento e avaliação; e (v) programa de manutenção das
instalações.

Diagnóstico setorial

Programa de ação

Educação ambiental – “conscientização”

Monitoramento e avaliação

Programa de manutenção das instalações

97
VENTILAÇÃO INDUSTRIAL E
AS MEDIDAS DE PROTEÇÃO
COLETIVA NO CONTROLE DE
UNIDADE III
EMISSÕES

CAPÍTULO 1
Ventilação industrial e proteção do meio
ambiente

Introdução
O avanço industrial em conjunto com a adoção de novas tecnologias impulsionou todo processo
produtivo, no entanto, o aumento na produção impõe perdas ao meio ocupacional participado
pelas máquinas e operários. O que caracteriza as perdas está diretamente ligado ao meio
ambiente laboral, que são gerados resíduos em forma de particulados distintos conforme as
dimensões de fragmentação, na forma de aerossóis, tornam-se parte integrante do ar respirável
do trabalhador. Esta “nova” interação desencadeará em resultados negativos à saúde do
trabalhador.

A necessidade de produção culminou na criação de ambientes insalubres e na redução drástica


do setor fabril devido às baixas de funcionários expostos em ambientes insalubres, que vão desde
a emissão de poluentes até as diferenças extremas de temperatura. No entanto, a implantação
de novas tecnologias promoveu a evolução nos processos de ventilação e equipamentos, dos
quais emanam contaminantes, tem se tornado, mais modernamente, uma importante
ferramenta no campo de controle da poluição do ar. O controle da poluição do ar tem início com
a implantação de uma adequada ventilação nas operações de processos poluidores da atmosfera
laboral, além da escolha adequada do equipamento para controle dos poluentes até o seu
destino final.

98
A ventilação tem sido utilizada tradicionalmente no campo da higiene do trabalho não só para
evitar a dispersão de contaminantes no ambiente industrial como também para promover a
diluição das concentrações de poluentes e para a manutenção e promoção do conforto térmico.

Um dos objetivos da ventilação industrial e do controle de emissão de poluentes visa atender a


resolução do CONAMA no 3/1990 que define poluente atmosférico como sendo qualquer forma
de matéria ou energia com intensidade e em quantidade, concentração, tempo ou características
em desacordo com os níveis estabelecidos, e que tornem ou possam tornar o ar impróprio, nocivo
ou ofensivo à saúde, inconveniente ao bem-estar público, danoso aos materiais, à fauna e à flora
ou prejudicial à segurança, ao uso e gozo da propriedade e às atividades normais da comunidade.

Sendo assim, os conhecimentos aplicados para a utilização adequada da ventilação industrial


devem ser criteriosamente definidos e conhecidos afim de, possibilitar sua adequada utilização
e a garantia da implantação de processos de proteção coletiva, garantindo o atendimento às
normas existentes.

Biologia pulmonar
O aparelho respiratório começa no nariz e na boca e continua pelas outras vias respiratórias até
aos pulmões, onde se troca o oxigênio da atmosfera com o anidrido carbónico dos tecidos do
organismo. Os pulmões são os dois maiores órgãos do aparelho respiratório; a sua forma é
semelhante a duas grandes esponjas que ocupam a maior parte da cavidade torácica. O pulmão
esquerdo é ligeiramente menor que o direito porque partilha o espaço com o coração, no lado
esquerdo do tórax. Cada pulmão está dividido em secções (lobos). O pulmão direito é composto
por três lobos e o esquerdo por dois (MERCK, 2014).

O ar entra no aparelho respiratório pelo nariz e pela boca e chega à garganta (faringe) para
alcançar a caixa que produz a voz (laringe). A entrada da laringe está coberta por um pequeno
fragmento de tecido muscular (epiglote) que se fecha no momento da deglutição, impedindo
assim que o alimento se introduza nas vias respiratórias (MERCK, 2014).

A traqueia é a maior das vias respiratórias; começa na laringe e acaba por se bifurcar nas duas
vias aéreas de menor calibre (brônquios) que conduzem aos pulmões. Os brônquios dividem-se
sucessivamente em um grande número de vias aéreas, cada vez de menor tamanho
(bronquíolos), sendo os ramos terminais mais finos (de apenas 5 mm de diâmetro). Esta parte do

99
aparelho respiratório é conhecida como árvore brônquica, pelo seu aspecto de árvore ao
contrário (MERCK, 2014).

Na extremidade de cada bronquíolo encontram-se dezenas de cavidades cheias de ar, com a


forma de pequeníssimas bolhas (alvéolos), semelhantes a cachos de uvas. Cada um dos pulmões
contém milhões de alvéolos e cada alvéolo está rodeado por uma densa malha de capilares
sanguíneos. O revestimento das paredes alveolares é extremamente fino e permite a troca entre
o oxigênio que passa dos alvéolos para os capilares sanguíneos e o gás carbônico que passa dos
capilares para os alvéolos.

A pleura é uma dupla camada de membrana serosa que facilita o movimento dos pulmões em
cada inspiração e expiração. Envolvem os dois pulmões e, ao dobrar-se sobre si própria, reveste
a superfície interna da parede torácica (MERCK, 2014).

Os músculos intercostais, situados entre as costelas, colaboram com o movimento da caixa


torácica, participando desse modo na respiração. O diafragma, o músculo mais importante da
respiração, é um tabique muscular em forma de sino que separa os pulmões do abdômen. O
diafragma adere à base do esterno, à parte inferior da caixa torácica e à coluna vertebral. Quando
se contrai, aumenta o tamanho da cavidade torácica e, portanto, os pulmões expandem-se
(MERCK, 2014).

100
Figura 16. Modelo esquemático do sistema respiratório.

Fonte: (MERCK, 2014).

Doenças pulmonares de origem ocupacional


As doenças pulmonares de origem ocupacional devem-se à inalação de partículas, vapores ou
gases no local de trabalho. Geralmente, o tipo de doença associada à exposição de um
determinado poluente depende do tamanho da partícula, do tempo de exposição e
concentração. Contudo, sabe-se que as partículas maiores ficam retidas no nariz ou nas vias
aéreas superiores, mas as pequenas podem atingir os pulmões.

O organismo humano possui vários mecanismos para eliminar as partículas aspiradas. O


particulado presente nas vias respiratórias é envolvido por um muco que cobre as partículas e
deste modo contribui para a expulsão através da tosse. Nos pulmões, existem células
depuradoras especiais que engolem a maioria das partículas e as tornam inofensivas.

O organismo pode produzir diferentes reações dentre elas temos:

» reações alérgicas;

101
» insuficiência respiratória;

» parada respiratória e outros.

Trabalhadores expostos ao pó de quartzo e de amianto podem adquirir fibrose pulmonar


causando cicatrizes permanentes no tecido pulmonar. Em quantidades importantes, certas
partículas, como o amianto, podem causar cancro nos pulmões.

Silicose

A silicose é a formação permanente de tecido cicatricial nos pulmões causada pela inalação de
pó de sílica (quartzo). Esta doença é a ocupacional mais antiga que se conhece, desenvolve-se
em ambientes com concentração de sílica prejudicial à saúde humana. A sílica pode ser
encontrada em atividades de mineração como extração de calcário, beneficiamento de
arenito/granito e na fabricação de cimento, vidro e no hidrojateamento.

Os sintomas aparecem de acordo com a concentração e o tempo de exposição a este agente


químico.

A sílica presente nos pulmões promove a formação de tecido cicatricial nos pulmões. No
princípio, as zonas cicatrizadas são pequenas protuberâncias redondas (silicose nodular simples),
mas, finalmente, reúnem-se em grandes massas (conglomerados silicóticos). Estas áreas
cicatrizadas não permitem a passagem do oxigénio para o sangue de forma normal. Assim os
pulmões perdem elasticidade e requer-se mais esforço para respirar.

Prevenção

O controle da poluição pelo o uso de ventiladores/exaustores pode ajudar a prevenir a silicose.


No caso da indústria de jactos de areia, os trabalhadores devem usar máscaras de respiração
autônoma. Recomenda-se também a substituição do produto a ser utilizado no processo de
trabalho.

Trabalhadores expostos a sílica devem se submeter a radiografias do tórax com regularidade,


conforme estabelecido no PCMSO da unidade, geralmente, aqueles que trabalham com
jateamento de areia são submetidos a exames periódicos a cada 6 meses. Confirmada a silicose,
o médico do trabalho, solicitará a intervenção imediata no ambiente laboral e recolocação do
funcionário em outro ambiente de trabalho livre da exposição à sílica.

102
Tratamento

A silicose é incurável. No entanto, pode deter-se a evolução da doença, interrompendo a


exposição à sílica desde os primeiros sintomas. Uma pessoa com dificuldade em respirar pode
sentir alívio com o tratamento utilizado para a doença pulmonar crónica obstrutiva, como são os
medicamentos que dilatam os brônquios e expelem as secreções das vias aéreas. Dado que os
indivíduos que sofrem de silicose têm um alto risco de contrair tuberculose, devem submeter-se
periodicamente a revisões médicas que incluam a prova cutânea para a tuberculose.

Bissinose

A bissinose é um estreitamento das vias respiratórias causado pela aspiração de partículas de


algodão, de linho ou de cânhamo.

Embora a bissinose se verifique quase exclusivamente nas pessoas que trabalham com o algodão
em bruto, aqueles que trabalham com linho ou cânhamo podem também desenvolver este tipo
de afecção. Os operários que abrem fardos de algodão em rama ou que trabalham nas primeiras
fases do processamento do algodão parecem ser os mais afetados. Aparentemente, algum
elemento do algodão em rama provoca o estreitamento das vias aéreas nas pessoas propensas
(MERCK, 2014).

Sintomas e diagnóstico

A bissinose pode causar sibilos ao respirar e opressão no peito, geralmente durante o primeiro
dia de trabalho depois de um descanso. Ao contrário da asma, os sintomas tendem a diminuir
após uma exposição repetida e a opressão no peito pode desaparecer para o fim da semana de
trabalho.

No entanto, quando se trata de uma pessoa que trabalhou com algodão durante muitos anos, a
opressão no peito pode durar 2 ou 3 dias ou inclusive a semana completa. A exposição
prolongada ao pó do algodão aumenta a frequência dos sibilos, mas não evolui para uma doença
pulmonar incapacitante (MERCK, 2014).

O diagnóstico estabelece-se através de um teste que mostre a diminuição da capacidade


pulmonar ao longo da jornada laboral; de modo geral, essa diminuição é maior durante o
primeiro dia de trabalho.

103
Prevenção e tratamento

O controle do pó é o melhor modo de prevenir a bissinose. A respiração sibilante e a opressão no


peito podem tratar-se com os mesmos fármacos utilizados para a asma. Os fármacos que abrem
as vias aéreas (broncodilatadores) podem ser administrados num inalador (por exemplo, o
albuterol) ou em comprimidos (por exemplo, a teofilina) (MERCK, 2014).

Pulmão negro

O pulmão negro (pneumoconiose dos carvoeiros) é uma doença pulmonar causada pela
acumulação de pó de carvão nos pulmões.

É consequência da aspiração do pó de carvão durante muito tempo. No pulmão negro simples, o


pó do carvão acumula-se à volta das vias respiratórias inferiores (bronquíolos) dos pulmões.
Apesar de o pó de carvão ser relativamente inerte e não provocar demasiadas reações, estende-
se por todo o pulmão e em uma radiografia observa-se sob a forma de pequenas manchas
(MERCK, 2014).

O pó de carvão não obstrui as vias respiratórias. Todos os anos, 1 % a 2 % das pessoas com pulmão
negro simples desenvolvem uma forma mais grave da doença, denominada fibrose maciça
progressiva, na qual se formam cicatrizes em áreas extensas do pulmão (com um mínimo de 1,5
cm de diâmetro). A fibrose maciça progressiva piora mesmo que a pessoa já não esteja exposta
ao pó de carvão. O tecido pulmonar e os vasos sanguíneos dos pulmões podem ficar destruídos
pelas cicatrizes (MERCK, 2014).

Na síndrome de Caplan (uma perturbação pouco frequente que pode afetar os mineiros do
carvão que sofrem de artrite reumatoide) desenvolvem-se, rapidamente grandes nódulos
redondos no pulmão. Tais nódulos podem formar-se nos indivíduos que sofreram uma exposição
significativa ao pó do carvão, inclusive sem ter pulmão negro (MERCK, 2014).

Sintomas e diagnóstico

O pulmão negro simples, geralmente, não produz sintomas. Contudo, a tosse e a falta de ar
aparecem, com facilidade, em muitos dos afetados com fibrose maciça progressiva, uma vez que
também têm enfisema (causado pelo fumo dos cigarros) ou bronquite (causada pelos cigarros ou
pela exposição tóxica a outros poluentes industriais). Por outro lado, na fase de maior gravidade
há tosse e, às vezes, uma dispneia incapacitante (MERCK, 2014).

104
Prevenção e tratamento

Pode prevenir-se o pulmão negro suprimindo o pó do carvão no local de trabalho. Os


trabalhadores do carvão fazem radiografias ao tórax todos os 4 a 5 anos, de modo que a doença
possa ser detectada no estádio inicial. Quando esta se detecta, o trabalhador deve ser transferido
para uma zona com baixas concentrações de pó de carvão para prevenir a fibrose maciça
progressiva.

A prevenção é fundamental, pois não há cura para o pulmão negro. A pessoa que não pode
respirar livremente pode beneficiar dos tratamentos utilizados para a doença pulmonar crónica
obstrutiva, como os fármacos que permitem manter as vias aéreas abertas e livres de secreções.

Asbestose
A asbestose é uma formação extensa de tecido cicatricial nos pulmões causada pela aspiração do
pó de amianto.

O amianto é composto por silicato de mineral fibroso de composição química diversa. Quando se
inala, as fibras de amianto fixam-se profundamente nos pulmões, causando cicatrizes. A inalação
de amianto pode também produzir o espessamento dos dois folhetos da membrana que reveste
os pulmões (a pleura) (MERCK, 2014).

As pessoas que trabalham com o amianto correm o risco de sofrer doenças pulmonares. Os
operários que trabalham na demolição de construções com isolamento de amianto também
correm risco, embora menor. Quanto mais tempo um indivíduo estiver exposto às fibras de
amianto, maior é o risco de contrair uma doença relacionada com o amianto (MERCK, 2014).

Sintomas

Os sintomas da asbestose aparecem gradualmente somente depois da formação de muitas


cicatrizes e quando os pulmões perdem a sua elasticidade. Os primeiros sintomas são a dispneia
ligeira e a diminuição da capacidade para o exercício.

Os grandes fumadores que sofrem de bronquite crónica juntamente com asbestose podem tossir
e ter uma respiração sibilante. A respiração torna-se, gradualmente, mais difícil. Cerca de 15 %
das pessoas com asbestose têm dispneia e insuficiência respiratória (MERCK, 2014).

105
Por vezes a inalação de fibras de amianto pode fazer com que se acumule líquido no espaço que
se encontra entre as camadas pleurais (cavidade pleural). Em raras ocasiões, o amianto causa
tumores na pleura, denominados mesoteliomas, ou em membranas do abdômen, chamados
mesoteliomas peritoneais (MERCK, 2014).

Os mesoteliomas causados pelo amianto são um tipo de cancro que não se consegue curar.
Geralmente, aparece depois da exposição à crocidolite, um dos quatro tipos de amianto. A
amosite, outro tipo, também produz mesoteliomas. O crisótilo, provavelmente, não produz
mesoteliomas, mas, às vezes, está contaminado com tremolite, e esta causa-os. Os mesoteliomas
desenvolvem-se, de modo geral, ao fim de 30 ou 40 anos de exposição ao amianto (MERCK,
2014).

O cancro do pulmão está relacionado, em parte, com o grau de exposição às fibras de amianto;
no entanto, entre as pessoas que sofrem de asbestose, o cancro do pulmão desenvolve-se quase
exclusivamente naquelas que também fumam cigarros, em especial nas que fumam mais de um
maço por dia (MERCK, 2014).

Diagnóstico

Nas pessoas com antecedentes de exposição ao amianto, o médico pode, às vezes, diagnosticar
asbestose com uma radiografia ao tórax que mostre as alterações características. De modo geral,
a função pulmonar da pessoa é anormal e, ao auscultar o pulmão, podem ouvir-se sons anormais,
as chamadas crepitações.

Para determinar se um tumor pleural é canceroso, o médico pratica uma biopsia (extração de
uma pequena porção de pleura para ser examinada ao microscópio). Pode-se também extrair e
analisar o líquido que rodeia os pulmões (um procedimento denominado toracentese); no
entanto, este procedimento não é habitualmente tão rigoroso como a biopsia (MERCK, 2014).

Prevenção e tratamento

As doenças causadas pela inalação de amianto podem prevenir-se diminuindo ao máximo o pó e


as fibras de amianto no local de trabalho.

Dado que o controlo do pó melhorou nas indústrias que utilizam o amianto, atualmente é menor
o número de pessoas que sofrem de asbestose, mas os mesoteliomas continuam a aparecer em
indivíduos que estiveram expostos até há 40 anos. O amianto deveria ser extraído por

106
trabalhadores especializados em técnicas de extração. Os fumadores que estiveram em contato
com o amianto podem reduzir o risco de cancro deixando de fumar.

A maioria dos tratamentos para a asbestose alivia os sintomas; por exemplo, a administração de
oxigênio alivia a dispneia. Drenar o líquido à volta dos pulmões pode também facilitar a
respiração.

Há casos em que o transplante do pulmão deu resultados muito positivos na asbestose. Os


mesoteliomas são invariavelmente mortais; a quimioterapia não é eficaz e a extirpação cirúrgica
do tumor não cura o cancro (MERCK, 2014).

Classificação de aerodispersóides
As substâncias emitidas no ambiente laboral geralmente estão na forma de partículas sólidas ou
líquidas (aerossóis) ou na forma gasosa (gases e vapores) ou ambos.

A forma como a sustância é emitida é importante do ponto de vista da implantação do sistema


de proteção respiratória e da característica toxicológica do produto liberado na atmosfera. Para
partículas maiores que 40 µm elas tenderam a se depositarem logo após a sua emissão e não
representam a princípio um problema de saúde ocupacional. No entanto, partículas pequenas
com diâmetros inferiores a 10 µm são consideradas inaláveis pelo organismo humano. Logo,
quanto menor a partícula maior a probabilidade de penetração nas partes mais profundas do
aparelho respiratório até causar danos à saúde dependendo do tempo de exposição,
concentração e do grau de toxicidade.

Poeiras
São formadas por partículas sólidas, com diâmetro geralmente superior a 1µm.
Resultante da desintegração mecânica de substâncias inorgânicas ou orgânicas.

Formas de propagação: operações de britagem, moagem, trituração, esmerilhamento,


peneiramento, usinagem mecânica, demolição e fundição.

Fumos
São partículas sólidas, geralmente com diâmetros < 10µm até 1µm. Resultam da condensação de
partículas em estado gasoso, após processo de volatilização de metais fundidos. Um exemplo:
Fumos metálicos provenientes do processo de soldagem (Cloreto de amônio).

107
Outro produto químico de risco é o Chumbo (Pb), ao derretê-lo, o seu vapor em contato com o
ar reagem formando o Óxido de Chumbo (PbO) uma partícula altamente tóxica.
Esta partícula é extremamente pequena em suspensão no ar.

Portanto, deverá receber tratamento adequado em ambientes laborais (instalação de ventilação


adequada). Os fumos de óxidos metálicos produzem a chamada “Febre dos fundidores ou
latoeiros” – sinais: tremores (reação após a exposição ao fumo).

Névoas e neblinas
São partículas constituídas por gotículas líquidas com diâmetro variável entre: 0,1µm e 100µm.
Resultantes da condensação de vapores (ex.: pulverização, nebulização).
Reações: Irritação nos olhos, dificuldade respiratória e comprometimento da visão.

Tipos de névoas: ácido sulfúrico, ácido crômico, câmaras de pinturas, entre outros.

Fumaça
Geralmente oriunda da queima de combustíveis fósseis ou de outro material com características
inflamáveis. Fuligem (partículas líquidas: madeira e carvão) + Fração Mineral (Cinzas – partículas
divididas finamente de produtos de queima de carvão e óleo combustível). Fornos, Fornalhas e
queimadores de caldeiras.

108
Quadro 2. Tamanho de Impureza em Suspensão no ar, método de controle, tipo de radiação conforme

comprimento de onda.

Fonte: Mesquita et al, 1988.

Figura 17. Tamanho de partículas e o local de penetração no organismo humano.

Fonte: Santos, 2005.

109
Ventilação industrial
A ventilação industrial tem o objetivo de fornecer ar por meio de meios naturais e mecânicos
para ambientes fechados afim de garantir o controle atmosférico de um ambiente
proporcionando condições de acesso aos trabalhadores e maior durabilidade de máquinas e
equipamentos.

A ventilação é uma técnica disponível e bastante efetiva para o controle da poluição do ar de


ambientes de trabalho assim como, no controle da concentração de substâncias explosivas,
inflamáveis e/ou tóxicas. A sua adequada utilização promove a diluição ou retirada de substâncias
nocivas ou incômodas presentes no ambiente de trabalho, de forma a não ultrapassar os limites
de tolerância - LT estabelecidos na legislação.

Além das características acima a ventilação industrial auxilia no conforto térmico de ambientes
de trabalho. Plantas industriais antigas têm apresentado dificuldades de implantação de
ventilações industriais eficazes devido a falha de projeto, ausência do projeto de ventilação,
construção inadequada, funcionamento fora das condições de projeto, falta de manutenção e
falta de conhecimento do funcionamento do processo.

Para elaborar um projeto de ventilação industrial é necessário o atendimento de quatro


premissas:

» Levantamento das condições ambientais existentes (risco físico – ruído e


calor/risco químico – aerodispersóides presentes) conforme o limite de tolerância
estabelecido nos anexos da NR15.

» Determinação da vazão de ar necessária.

» Projeto e cálculo do sistema de ventilação.

» Seleção do tipo de ventilação/exaustão adequado ao ambiente levantado.

O responsável pela ventilação industrial deverá possuir conhecimento técnico para projetar a
vazão necessária do sistema de ventilação e desenvolver técnicas para o controle das correntes
de ar a serem introduzidas ou retiradas de um recinto para mantê-lo salubre.

Em um ambiente de escritórios a implantação da ventilação visa garantir o bem estar dos


funcionários e eliminar a presença de fumos, odores e calor.

110
Para instalações industriais a ventilação consiste em controlar concentrações de contaminantes,
poluentes e das condições térmicas geralmente ou ambos os casos. A ventilação pode consistir
em passar uma corrente de ar exterior (não contaminado) pelo interior do estabelecimento,
diminuindo a concentração do poluente ou contaminante a uma taxa aceitável pelo organismo
humano.

Classificação dos poluentes


Poluentes Primários – aqueles emitidos diretamente pelas fontes poluidoras.

Poluentes Secundários – são aqueles formados na atmosfera por meio de reações químicas entre
os poluentes primários e secundários.

Quadro 3. Classificação dos poluentes do por fontes de emissão.


Poluentes do Ar Fontes de Emissão
Fumaça de Cigarro (Fuligem) Acender ou fumar cigarros.
Contaminação pela Combustão Fornalhas, geradores, aquecedores a gás ou querosene,
produtos derivados do tabaco, ar externo, veículos.
Contaminação Biológica Materiais molhados ou úmidos, ar-condicionado,
umidificadores, manta de isolação de dutos, respiros da
tubulação de esgotos, excremento de pássaros, de baratas
ou de roedores, odores do corpo.
Compostos Orgânicos Voláteis (COV) Pinturas, vernizes, solventes, pesticidas, adesivos,
ceras, produtos de limpeza, lubrificantes, purificadores
de ar, combustíveis, plásticos, copiadoras, impressoras,
produtos derivados do tabaco, perfumes.
Aldeídos Chapas e compensados de madeira, aglomerados, carpetes
de madeira, móveis, forros.
Gases Ventilação da tubulação de esgoto, ralos com fecho hídrico
seco, reservatórios subterrâneos com vazamento.
Pesticidas Termicidas, inseticidas, rodenticidas, fungicidas,
desinfetantes, herbicidas.
Partículas e Fibras Impressoras, combustão em geral, ar externo, deterioração
dos materiais, construção / reforma, limpeza, isolação.
Fonte: EPA, 2002.

Ventilação aplicada ao controle de contaminantes


Ventilação – é um sistema elaborado e implantado para prevenir que doenças ocupacionais
oriundas da concentração de agentes químicos (poeira, gases tóxicos ou venenosos, vapores
presentes no ar (em suspensão).

A ventilação industrial tem o objetivo de garantir a qualidade do ar no meio ambiente laboral,


preservando a saúde dos trabalhadores.

111
A elaboração e implantação de sistemas de ventilação industrial devem fazer parte do programa
de proteção respiratória visando a:

» evitar a dispersão de contaminantes no ambiente industrial;

» diluir concentrações de gases e vapores;

» promover conforto térmico.

Tipo de ventilação
A definição para implantação do sistema de ventilação e/ou exaustão depende dos seguintes
critérios:

» tamanho da área fabril;

» tipo de poluente;

» concentração;

» grau de purificação desejado (atendimento a legislações ambientais e normas


regulamentadoras).

Atualmente a tecnologia empregada consiste na aplicação de ventiladores, exaustores e


coletores de ar e/ou ventilação natural utilizando-se das aberturas existentes em edificações
diversas.

Os sistemas de ventilação são classificados como:

» Ventilação Geral (Natural ou Mecânica) – sistema empregado para ventilar o


ambiente como um todo. Este sistema conhecido também como Ventilação Geral
Diluidora.

» Ventilação Local Exaustora – sistema empregado para retirar substâncias emitidas


diretamente na fonte de geração, conduzindo-os para a atmosfera externa ou
para sistemas de contenção de particulados.

112
Figura 18. Ventilação Local Exaustora.

Fonte: <http://www.lincolnelectric.com/en-us/support/process-and-theory/Pages/controlling-welding-fume-detail.aspx>

Figura 19. Ventilação Geral Diluidora

Fonte: <www.ventec.com.br>.

Reaproveitamento de resíduos
Na indústria de cimento, os sistemas empregados visam aproveitar todo o particulado no
processo de produção.

Na indústria de cerâmica, a captação do particulado suspenso será utilizado como matéria prima.

Na indústria madeireira toda serragem e refugos oriundos no processo fabril são utilizados como
combustíveis.

113
Ventilação geral diluidora
A passagem de ar externo, não contaminado, para promover a purificação ou redução da
concentração de substâncias em ambientes contaminados é o objetivo principal da ventilação
geral diluidora. A sua aplicação deve-se ao fato do ambiente possuir uma grande quantidade de
fontes de contaminação e em baixas concentrações. A diluição do contaminante deve-se ao fato
da adição de ar no ambiente diminuindo-se a concentração presente.

Na ausência de contaminante a ventilação geral poderá ser utilizada para retirar calor do
ambiente, gerado por processos diversos em planta industrial ou por irradiação solar.

Existem dois tipos de ventilação, por insuflamento e por exaustão. A ventilação geral comumente
usada é a colocação de ventiladores que renovam o ar externo, este tipo de ventilação é baseia-
se no volume de ar necessário conforme o volume do ambiente a ser ventilado.

Figura 20. Modelo de ventilação por exaustão.

Fonte: <www.solerpalau.pt>

Figura 21. Modelo de ventilação por insuflamento.

Fonte: Lisboa, 2007.

Um ambiente é considerado salubre quando a renovação do ar no recinto atinge todo o ambiente


laboral, desta forma, a tendência é garantir a redução uniforme do contaminante em todos os
pontos de um determinado ambiente.

Limites de tolerância e aplicabilidade


A Norma Regulamentadora no 15 em seus anexos estabelece limites de tolerância para atividades
que podem ou não serem caracterizadas como insalubres. A concentração média de substâncias

114
suspensas ou dispersas em um ambiente fechado por um determinado período de tempo onde
há ocupação humana e que esta relação cause efeito adverso ao organismo.

A ACGIH - American Conference of Governmetal Industrial Hygienists definiu limites de tolerância


– TLV’s - Threshold Limit Value para agentes químicos diversos no caso de gases tóxicos as
concentrações máximas em ambientes do trabalho são assumidas para que não prejudiquem
pessoas expostas. Os valores de referência assumidos devem ser seguidos como os limites
máximos e a exposição prolongada a limites próximo do teto podem acarretar na ocorrência de
doenças ocupacionais, conforme mencionado no item de doenças pulmonares.

Segundo Lisboa (2007), o TLV refere-se às condições limites de qualidade do ar em ambientes de


trabalho e representa os valores sobre os quais se acredita que a quase totalidade dos
trabalhadores possa ser repetidamente exposta, dia após dia, sem efeito adverso. No entanto,
devido a sua suscetibilidade individual, uma percentagem de indivíduos expostos pode reagir
negativamente a concentrações iguais ou abaixo do valor limite.

Macyntire (1990) afirma que o TLV-C conhecido como valor teto, não deverá exceder, nem
instantaneamente.

Áreas com manipulação de gases tóxicos devem receber atenção especial na disposição dos
ambientes a serem construídos, recomenda-se:

» garantir que o ambiente tenha renovação de ar (verificar o risco de explosão);

» manter cilindros em capelas com exaustão permanente, caso o recinto esteja fechado;

» estocar cilindros em ambientes abertos, conforme as recomendações de segurança do


fabricante;

» instalar sistema de monitoramento da atmosfera, principalmente para produtos


inodoros.

115
Quadro 4. Limites de Tolerância estabelecidos pela ACGIH (MESQUITA et al, 1988).

Efeito / Inalação Diária (8:00h)


TLV
Substâncias Efeito
(ppm) TLV 2 x TLV 10 x TLV

Irritação dos
Irritação dos olhos, nariz e Irritação dos
Aldeído Acético 200 brônquios e garganta Nenhum brônquios e
dos pulmões (odor dos pulmões
perceptível)
Irritação dos
olhos, nariz e Narcose,
Acetona 1.000 Narcose garganta Nenhum tontura e até
(odor inconsciência
perceptível)
Asfixia em
Diclorodifluor -
1.000 altas Nenhum Nenhum Nenhum
metano
concentrações
Câncer e
irritação dos
Niquelcarbonila 0,001 Nenhum Nenhum Nenhum
brônquios e
dos pulmões

Pigmentação Pigmentação Perda da


Quinona 0,1 dos olhos Nenhum dos Olhos acuidade
visual
Febre do
fumo e
Irritação dos
Febre do Febre do alguma
Fumos Metálicos 5 mg/m³ brônquios e
Fumo Fumo irritação dos
dos pulmões
olhos, nariz e
garganta
Fonte: Mesquita et al 1988.

Aplicação da ventilação geral


1. Cálculo de volume de ar/pessoa, objetivo remoção de odores

O ar externo necessário em m³/h pessoa conforme tabela abaixo:

Atividade / Ideal (m³/h) Mínimo (m³/h)


Pessoa
Fumando 50 40
Não Fumante 13 8

2. Quantidade de ar para produzir correntes de ar com velocidades determinadas afim de


melhorar o conforto térmico (ref: 1,5 a 15 m/min).

3. Determinar a quantidade de troca de volume de ar em determinado tempo (MESQUITA


et al, 1988).
116
Quadro 5. Trocas de ar recomendada por tipo de ambiente*.

Tipo de Ambiente Ciclo de Troca (Troca/minuto) Ciclo de Troca (Troca/hora)


Auditório 5 – 10 6 – 12
Sala de Reunião 5 – 10 6 – 12
Padaria 3 20
Fundição 5 – 15 4 – 12
Laboratório 3 – 10 6 – 20
Lavanderia 5 12
Oficina 15 – 20 6 – 12
Túneis 1 – 10 6 – 60
Escritório 5 – 10 6 – 12
Fonte: Mesquita et al, 1988.

* As trocas podem apresentar variações de acordo com o layout e com as barreiras (bancadas, móveis etc) disponível no ambiente.

Exercício de fixação

1. Uma empresa promoveu um congresso com um total de 60 participantes. Qual o


volume de ar necessário para ventila-lo? Dado: dimensões do local – 50 x 50 x 4 m.

Caso considere que todos os participantes são fumantes teremos, 50 m³/h pessoa o que
representa um total de 60 x 50 = 3.000 m³/h

Considere o volume do local e utilize a tabela 3 para definir o volume de ar necessário.


Logo, temos: 50 x 50 x 4 = 10.000 m³ então, 12 x 10.000 m³ = 120.000 m³/h.

Outra forma de cálculo é basear na velocidade de 1,5 a 15 m/min. Considere duas áreas de
passagens de 4 x 10 = 40 m² x 2 = 80 m²

Utilize a velocidade calculada pelo volume de ar encontrado.

0,62 m/min (velocidade menor que a mínima de 1,5 m /


min).

Considere o valor mínimo de velocidade e determine a velocidade, conforme abaixo:

v=Q/A

Portanto,

Q = 1,5m/min x 80 m2

Q = 120m3/min

117
Transformando tem-se:

Q = 7.200 m3 /h

Conclui-se que 3.000 < 7.200 < 120.000 sendo, portanto, um valor aceitável.
Entretanto, sugere um valor na ordem de 72.000 m³/h o mais indicado, valor este
que representa 60% do valor máximo.

Ventilação para controle de substância explosiva


O risco de explosão ou inflamação em determinadas concentrações devem ser controlados por
meio de ventilação por diluição.

Onde:

Qn – Vazão necessária (m³/h).

G – Taxa de geração da substancia a ser diluída.

MM – Massa Molecular.

LIE – Limite Inferior de Explosividade.

Fs – Fator de segurança – fs = 4 para 25% do LIE / fs = 5 para 20% do LIE.

B – Fator que considera a redução do LIE com o aumento da temperatura – B = 1 para T < 120 oC
e B = 0,7 para T ≥ 120 oC.

2 – Quatro litros de tolueno evaporam numa operação de secagem a 110o C. Sabe-se que a maior
parte do solvente evapora nos primeiros 10 minutos. Determine a taxa de ventilação necessária
para manter a concentração abaixo de 20% do LIE. Dados: LIE 1,27%; GE = 0,87; MM = 92.

G = 4 L / 10 min x 60 min/h x 0,87 Kg/L = 20,88 Kg/h

Qn = 2.153m3 /hQn = 2.153m3 /h (a 21 oC e 1 atm)

Deve-se encontrar para 110 oC, então:

118
Quadro 6. Características de substâncias químicas.

Peso Gravidade LIE (% em volume)


Substância Fórmula Molecular Específica Inferior Superior
Gás HCl 36,47 1,268 ---- ---
Clorídrico
Gás HCN 27,03 0,688 5,6 40,0
Cianídrico
Monóxido CO 28,10 0,968 12,5 74,2
de Carbono
Metanol CH3OH 32,04 0,792 6,72 36,5
Propano 44,09 1,554 2,12 9,35

Tolueno 92,13 0,866 1,27 6,75

Xileno 106,16 0,881 1,0 6,0

Fonte: Assunção et al, (1989).

Ventilação exaustora

Objetivos
Os sistemas de ventilação por exaustão tem o objetivo de captar os poluentes diretamente na
fonte e inibir a dispersão deles no ambiente de trabalho. Para tanto, este sistema de ventilação
possui maior eficácia à proteção da saúde do trabalhador.

Os sistemas de exaustão são compostos por 5 (cinco) componentes. Captores – local de entrada
dos poluentes.

1. Dutos – local por onde os poluentes são transportados.

119
2. Filtros – sistema destinado à retenção/coleta do ar contaminado antes do seu
lançamento ou descarte na atmosfera ou área predefinida 10 . Estes sistemas
deverão estar em conformidade com a legislação ambiental federal e local.

3. Sistema Ventilador – Motor – este sistema fornecerá a energia necessária para


garantir que o fluido em movimento siga a trajetória definida pelo sistema.

4. Chaminé – local de lançamento do poluente (gás + particulado) na atmosfera.

A elaboração de um projeto de exaustão dependerá do levantamento estimado da vazão de ar


necessária para retirar o particulado emitido no processo. Mediante a esta estimativa pode-se
definir a área de abertura do captor, a secção do duto e a potencial do conjunto motor e
ventilador.

Entretanto, a obtenção da vazão de ar depende ainda do reconhecimento e classificação do tipo


de particulado/contaminante presente no processo.

Classificação dos sistemas de captação


A definição do sistema de captação depende do reconhecimento da vazão de ar conforme
mencionado anteriormente e, além disso, outros fatores intrínsecos ao processo são importantes
para garantir os melhores resultados. Escolha do tipo de captor e geometria.

1. Posicionamento em relação à fonte.

2. Velocidade de captura, sempre em relação ao ponto crítico (ponto desfavorável).

3. Vazão de captação.

4. Requisitos de energia do captor.

Com relação aos requisitos: forma e posicionamento em relação à fonte temos os seguintes
captores:

10 Geralmente, toda fonte de poluição do ar deverá ser provida de sistema de ventilação local exaustora e o lançamento na atmosfera
deverá ser realizado por meio de chaminé ou na existência de norma ou regulamento dele decorrente.

120
» Captores Cabines – possuem sistema de exaustão com grande abertura. Possuem
o ambiente enclausurado e necessitam de um ponto superior para exaustão. Um
caso típico são as câmaras ou cabines de pintura.

» Captores Enclausurados – possuem sistema onde a emissão do poluente acontece


dentro do sistema de enclausuramento. Possuem pequenas frestas para captação
do poluente. Estes sistemas são comumente utilizados em laboratórios para o
manuseio de produtos químicos (Capelas).

» Captor Tipo Coifa ou Externo – são posicionados externamente à fonte de emissão.


A corrente de ar deverá ser o suficiente para conduzir os poluentes para o interior
do captor.

» Captor Receptor – são posicionados estrategicamente de acordo com o fluxo de


emissão dos poluentes, este tipo de captor pode ser utilizado nos processos de
esmerilhamento e nos processos de emissão de gases quentes por fornos.

Figura 22. Captor de saída lateral.

Fonte: <www.exausfibra.com.br>

Para pequenas vazões ou áreas com enclausuramento. Exemplo: capelas, balanças (pesagem de
material) etc.

Captor Receptor: usado nos casos de sucção de vapor, gases com material particulado (pó) onde
existe a manipulação do trabalhador no processo. Fluxo do ar: Horizontal.

121
Figura 23. Captor Tipo Bancada.

Fonte: <www.exausfibra.com.br>

Tipo de bancada para esmeril manual. Exaustão de particulados em suspensão gerados no


processo de esmerilhar. A Vazão é calculada por m² da área da bancada.

O captor tipo coifa não deverá ser usado quando o poluente for tóxico e quando houver a
necessidade do trabalhador curvar-se sobre a estrutura (tanque).

A vazão poderá ser encontrada através da seguinte fórmula:

Q = 1,4 P x h x V

Onde:

P – perímetro do tanque ou estrutura. h –

Distância entre o captor e o tanque.

V – Velocidade de captura.

ΔP = 0,25 Pc

Onde:

ΔP – Perda de entrada.

Projeto e localização do captor


Em geral, o captor deverá ser colocado o mais próximo possível da fonte poluidora. Deste modo,
adquire-se uma captação com uma vazão reduzida gerando um menor custo operacional. A vazão
em geral com o quadrado da distância, portanto, no caso de uma distância 2x a vazão requerida
será o quádruplo em relação a uma determinada distância x.
122
Segundo Assunção (1989) a distância do captor em relação à fonte será determinante para que
correntes de ar transversais prejudiquem na captação dos poluentes, para tanto, será necessária
uma velocidade de captura maior, aumentando-se a vazão necessária e garantindo eficácia no
processo.

Figura 24. Relação da distância de captação e vazão necessária.

Fonte: Assunção, 1989.

A proteção do trabalhador em um ambiente laboral onde há riscos de inalação por meio das vias
aéreas dependerá do posicionamento e do tipo de captor (área de captação). A influência da
direção do fluxo do ar na vazão de exaustão uma vez posicionado adequadamente evitará que o
poluente passe primeiro pela via respiratória do operador, entretanto, o uso de coifas poderá
expor o operador a altas concentrações de poluentes devido a necessidade do mesmo se
posicionar (posição curva) para retirar os materiais do tanque.

Figura 25. Posicionamento de captores em tanques de galvanoplastia.

Fonte: Assunção, 1989.

Quando há possibilidade de implantação do sistema de captação por enclausuramento tem-se


praticamente 100% de eficiência no processo de captação. Conforme mencionado

123
anteriormente, quanto maior a distância entre o captor e a fonte maior a probabilidade de
interferência dos ventos e maior o dispêndio energético para a captação dos poluentes. As
principais vantagens do enclausuramento são: diminuição da área de captura, o uso de menor
vazão, ganho econômico, reaproveitamento no processo (quando possível). Abaixo representa a
situação comum em processos de carreamento de materiais sólidos em “rolos de retorno”, por
exemplo: esteiras de britagens, minérios e correias transportadoras.

Figura 26. Definição para captação por enclausuramento.

Fonte: ASsunção, 1989.

Velocidade de captura
Captar os poluentes conduzindo-os para dentro do captor depende da velocidade de captura e
ela deve ser estabelecida no ponto de absorção mais desfavorável, desta forma todos os
poluentes serão captados.

Velocidade de controle é um termo muito utilizado no campo da ventilação e que no caso de


captores externos é a própria velocidade de captura. No caso de captores, tipo enclausurante ou
tipo cabine, a velocidade de controle pode ser entendida como a velocidade necessária para
evitar a saída dos poluentes no captor já que o captor envolve a fonte.

A velocidade de captura requerida depende do levantamento das seguintes condições:

» Toxicidade do Poluente.

» Tipo de Captor.

» Velocidade de Emissão.

» Grau de Movimentação do Ar no Ambiente (Correntes Transversais).

124
» Tamanho do Captor.

» Quantidade Emitida.

No quadro 6 abaixo representa velocidades de captura de acordo com as condições de dispersão


e de correntes transversais do ar no ambiente, mostrando também exemplos em ambientes
distintos.

Vazão de exaustão

De acordo com o volume ou massa de um determinado poluente emitido por uma fonte
poluidora devemos encontrar a vazão de exaustão que representará o volume de ar necessário
a ser movimentado para captar o poluente emitido.

Desta forma, o conjunto fonte-captador exige uma determinada vazão de exaustão, logo a vazão
total a ser movimentada será o somatório das vazões exigidas em cada captor.

De acordo com Macintyre (1990) os elementos que classificam uma boa exaustão:

» captar a totalidade dos poluentes emitidos;

» não deve ser utilizado para auxiliar em processos e operações, ex.: arraste de
matérias primas e produtos, diminuição da temperatura dos equipamentos etc.;

» deve possuir uma vazão econômica afim de atender apenas os requisitos acima.

A fórmula geral para vazão é dada por:

Q = Ac x Vc

Onde:

Q – vazão necessária em um determinado captor.

Ac – área da superficie de controle.

Vc – velocidade do ar na superficie de controle (velocidade necessária para captar os poluentes


para conduzir ao sistema de exaustão).

125
Quadro 7. Condições de dispersão e Velocidade de Captura.

Condições de
Exemplos de
Dispersão de Velocidade (m/s)
Dispersão
Poluentes
Evaporação
Emissão com ar
(Tanques, 0,25 – 0,5
parado.
desengraxe)
Cabines de pintura,
Emissão em baixa Enchimento de
velocidade / Ar com Tanques de
0,5 – 1,0
velocidade Armazenagem
moderada. (intermitente),
Solda.
Emissão alta em Enchimento de
zona de ar com barris, carga de 1,0 – 2,5
velocidade alta. transportador.
Emissão em alta Esmeril, Jateamento
velocidade (inicial) com Abrasivos
2,5 – 10,0
em zona de ar com
velocidade alta.
Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf Com adaptações>.

Para cada categoria a definição dos valores na faixa depende dos seguintes fatores:

Limite inferior da faixa

1. Ambiente sem corrente de ar ou favorável à captura.

2. Poluente de Baixa Toxidade.

3. Intermitente, baixa emissão.

4. Captor grande – grande vazão de ar.

Limite superior da faixa

1. Existência de corrente de ar.

2. Poluente de Alta Toxidade.

3. Alta Emissão.

4. Captor pequeno – somente controle local.

126
Para captores do tipo enclausurantes a superfície de controle são as frestas conhecidas como
área de aberturas. No captor tipo cabine a superfície de controle é a área da face da cabine e a
área aberta que possa existir nas laterais da mesma. Nesses casos é fácil visualizar a superfície de
controle através da qual se impõe uma determinada velocidade de controle e assim, determina-
se a vazão.

Para os captores externos precisa-se de certo volume de ar passando pelo ponto mais
desfavorável de emissão de forma a capturar e arrastar os poluentes para o captor, conforme a
seguir.

Figura 27.Exemplo de fluxo de ar e velocidade de captura para Captores Externos.

Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf>

A vazão para captores externos é baseada em dados experimentais de determinação de área da


superfície de controle, podem-se mencionar os estudos realizados para vários processos,
operações e equipamentos em especial aqueles mencionados na Industrial Ventilation, da ACGIH
– American Conference of Governmental Industrial Hygienists.

Para exemplificar apresentaremos o modelo matemático desenvolvido por Dalla Valle para a área
de superfície de controle para captores de abertura circular ou retangular. Considere um ponto
localizado a uma distância X ao longo do eixo de um captor de ar penetrando em sua face com
velocidade Vf. Segundo Dalla Valle, nessas condições a área da superfície de controle que passa
pelo ponto X é dada por:

Equação 1 - Ac = 10x2 + Af Equação 2 -

Ac = (10x2 + Af) x 0,75

Onde:

Af – Área da face do captor.


127
A equação 1 deverá ser considerada para captores sem flange e a equação 2 para captores com
flange.

Estas equações são válidas somente para distâncias ≤ a 1,5d. Onde d é o diâmetro da face do
captor.

No caso de exaustão a velocidade do ar cai rapidamente à medida que se afasta da face do captor.
Geralmente, a velocidade a uma distância igual ao diâmetro da face do captor é de 10% da
velocidade da face do captor.

Nas condições de sopro (Jato), a velocidade cai paulatinamente atingindo o valor de 10% da
velocidade da face a distância de aproximadamente 30 vezes o diâmetro da face do captor.

O quadro representa os tipos de captores e respectivas fórmulas para o cálculo da vazão de


exaustão.

Quadro 8. Tipos de captores e cálculo para a vazão de exaustão.

TIPO/CAPTOR RAZÃO
DESCRIÇÃO VAZÃO
W/L

0,2 ou
COM FENDA Q = 3,7 L. V. X
Menor

COM FENDA 0,2 ou


Q = 2,8 L. V. X
FLANGEADA Menor

0,2 ou Maior
ABERTURA SEM FLANGE (Serve para a Q = V (10 X2 A)
Circular)

0,2 ou Maior
ABERTURA COM FLANGE (Serve para a Q = 0,75 V (10 X22 A)
Circular)

0,2 ou Maior
CABINE (Serve para a Q = V A F V.W.H
Circular)

128
0,2 ou Maior Q = 1,4 P. H. V P –
COIFA (Serve para a Perímetro do
Circular) Tanque

Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf> (Com adaptações).

Nota: vazão insuficiente significa captação deficiente e, portanto, maior poluição do ambiente de
trabalho.

O ambiente de trabalho que apresenta uma vazão deficiente necessita de avaliações periódicas
de forma que permita a exposição dos trabalhadores a níveis aceitáveis. Conhecer os limites de
tolerância e as concentrações permitidas por lei para a emissão de poluentes na atmosfera,
tornam o embasamento técnico para discernir se os trabalhadores devem ou não estar expostos.

A figura apresenta a forma esquemática de vazão.

Figura 28. Efeito da vazão na captação dos poluentes.

Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf>

A distribuição uniforme do ar na região frontal do captor é muito importante e isso pode ser
realizado por meio da utilização de fendas.

129
Figura 29. Modelos de uniformização do ar em frente aos captores.

Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf>

A ventilação de tanques e processos quentes (ex.: fornos de fundição, tanques de tratamento


superficial11)

Abaixo representa o tipo de captor em relação ao coeficiente de entrada (Ke) e perda de carga
(Kc).

Quadro 8. Captação conforme coeficiente de entrada e perda de carga.


TIPO DE CAPTOR DESCRIÇÃO Ke Kc

Boca Arredondada 0,98 0,04

Extremidade Plana sem Flange 0,72 0,93

11 Galvanoplastia.

130
Extremidade do Duto Flangeada 0,82 0,49

Cone Flangeado com α = 13o 0,94 0,13


Cone Flangeado com α = 30 o 0,90 0,24

Cone Sem Flange com α = 13o 0,82 0,49


Cone Sem Flange com α = 30o 0,79 0,60

Fonte: Valle Pereira Filho; Melo, 1992, p. 66. Com adaptações.

<http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf>

Dimensionamento de captores
O pré-requisito para o dimensionamento adequado de captores depende em regra geral
conhecer os tipos de operações poluidoras, as formas existentes de captores no mercado, o tipo
de ventilação aplicada no processo (caso exista), as operações realizadas in loco e os
equipamentos industriais existentes.

Desta forma, pode ser classificado os processos especiais da seguinte forma:

» Ventilação sopro-exaustora.

» Ventilação de processos quentes (fornos).

» Ventilação de tanques.

» Ventilação de operações de manipulação e transporte de material fragmentado.

» Sistemas de alta pressão e baixa vazão.

A seleção do captor é baseada em três aspectos:

» Toxidade do poluente.

131
» Espaço físico disponível.

» Condições operacionais.

A posição do captor pode ser definida por 6 (seis) critérios, são eles:

» Menor vazão (menor custo).

» Redução da influência de correntes de ar cruzadas.

» Promover o maior enclausuramento possível.

» Posição mais próxima da fonte.

» Uso de anteparos e flanges possibilitar evitar a presença de correntes cruzadas.

» Direção do fluxo de ar induzido e contaminado Figura 30. Posicionamento adequado do


captor.

Fonte: Mesquita et al (1988).

<http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf>

A seleção do tipo de captor ideal para uma determinada fonte poluidora dependerá
exclusivamente do tipo de fonte, toxicidade do poluente emitido, condições operacionais
(manutenção preditiva, preventiva e corretiva) e condições restritiva de espaço. Desta forma, o
melhor captor é aquele que capta com eficiência desejada e que não ocasione problemas na
fonte e na qualidade de vida dos funcionários garantindo assim, o trânsito de pessoas no
ambiente laboral.

132
Além disso, os captores devem garantir a menor perda de carga e que necessitem a menor vazão
de captação, visto que o custo operacional será fundamental para a definição do custo final do
produto12 numa determinada organização.

Dimensionamento de dutos

Transporte de poluentes

Segundo Macintyre (1990) o transporte de poluentes por meio de dutos depende da velocidade
do ar na tubulação. Para poluentes gasosos a velocidade tem pouca importância uma vez que
não ocorre sedimentação na tubulação mesmo para velocidades baixas, neste caso são utilizadas
velocidades na faixa econômica, usualmente entre 5 a 10 m/s.

No caso de poluentes na forma de partículas é importante manter a velocidade mínima de


transporte que não ocorra sedimentação nos dutos. Essa velocidade varia de acordo com a
densidade e granulometria das partículas que devem ser conhecidos, os valores usualmente
utilizados estão representados no quadro a seguir.

Quadro 9. Velocidades de transporte de partículas em dutos.


Tipo de Partícula Velocidade Mínima (m/s)

Partículas de Densidade Baixa:


Fumaça, fumos de óxidos de zinco, fumos de 10
óxidos de alumínio, pó de algodão.

Partículas de Densidade Média:


Cereais, pó de madeira, pó de plástico, pó de 15
borracha.
Partículas de densidade média / alta:
Fumos metálicos, poeira de jateamento de 20
areia e de esmerilhamento.

Partículas de densidade alta:


Fumos de chumbo, poeiras de fundição de 25
ferro.
Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf com adaptações>.

Um ponto importante a destacar é que a velocidade no duto depende também da influência na


perda de carga do sistema, ou seja, na energia requerida para o fluido percorrer todo o sistema
de dutos. Quanto maior a velocidade maior será a perda de carga e maior a potência exigida do

12 Produção final após o beneficiamento no processo produtivo e colocado no mercado à venda.

133
ventilado, desta forma, maior será o gasto energético aplicado no processamento industrial13 e
maior o custo para a chegada do produto final.

Contudo, o ideal é manter a velocidade próxima e acima da velocidade mínima de transporte


requerida, de forma a atender os objetivos ambientais geralmente controlados e acompanhados
pelas normas e órgãos ambientais da região.

Esta definição poderá garantir o melhor uso das partículas geradas e a menor exposição dos
trabalhadores a ambientes anteriormente classificados como “insalubres”. Isto proporciona ao
SESMT a redução significativa do uso exagerado de equipamentos de proteção individuais e
promove a aplicação de uma gestão contínua baseada na prevenção de acidentes atuando no
comportamento dos funcionários por meio de treinamentos e campanhas educativas

Perdas de carga em singularidades

Singularidade é qualquer elemento do sistema que causa algum distúrbio no fluxo de ar, como
por exemplo as junções, cotovelos e expansões. Elas representam pontos de perda de carga,
desta forma, estes elementos devem ser projetados de forma a garantir uma geometria que
ocasione a menor perda de carga possível.

Os cotovelos devem possuir preferencialmente um raio de curvatura igual a 2,5d e as junções


devem possuir um ângulo de entrada máximo de 30 graus. Deve-se ressaltar que os sistemas
projetados com singularidades fora das recomendações podem funcionar bem, no entanto,
podem custar à necessidade de elevar a potência do sistema de ventilação e como consequência
elevar o custo operacional. Geralmente, a falta de planejamento e a disponibilidade do mercado
conduzem à utilização de singularidades de maior perda de carga.

13 Nos projetos de ventilação recomenda-se o uso de portas de inspeção em intervalos de 3 metros ou conforme a recomendação do
setor técnico em áreas onde há maior probabilidade de deposição de particulado (risco de formação de placas, crostas)
promovendo o entupimento do sistema.

134
Figura 33. Perda de carga em curvas (cotovelos).

Fonte: MESQUITA et al., 1988.

Equipamentos de controle da poluição atmosférica


Os sistemas de filtragem em um processo serão sempre necessários quando as emissões
atmosféricas não atenderem as condicionantes ambientais exigidas na legislação, como por
exemplo as resoluções do CONAMA.

Em relação ao sistema de ventilação, os filtros representam pontos de perda de carga que devem
ser levados em consideração no cálculo de pressão exigida pelo sistema e na determinação da
pressão e potência exigidas do ventilador e na potência do motor.

A perda de carga do filtro pode-se alterar com o tempo de operação conforme a sua
característica, nos filtros de manga, eles necessitam do acionamento do sistema de limpeza das
mangas de forma periódica visando retirar o material coletado nas mangas e evitando-se a
resistência excessiva. Outros sistemas filtrantes podem alterar devido a incrustação de poluentes
ou pelo desgaste das peças ou superfícies internas do filtro.

Uma forma de identificar a perda de carga limite nos filtros por meio de controle de pressões e
potências, dar-se através da instalação de manômetros em “U” de baixo custo e fácil instalação.

135
Conjunto ventilador-motor
O conjunto ventilador-motor fornece a energia necessária para movimentar o fluído e vencer
todas as perdas de carga (resistência) do sistema.

Através do ventilador é que criamos o diferencial de pressão por meio do sistema que faz o ar
fluir através do sistema. Para tanto, a seleção do ventilador é fundamental para garantir a melhor
efetividade do sistema.

Os ventiladores são classificados de acordo com a direção de movimentação do fluxo através do


rotor. Desta forma, os ventiladores são classificados da seguinte forma:

» Ventiladores centrífugos – são destinados a movimentação do ar em uma ampla faixa


de vazões e pressões.

Figura 32. Ventilador centrífugo.

Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf>

» Ventiladores axiais – se restringem a aplicações de baixa e média pressão até 150


mmCA.

Figura 33. Ventilador axial.

Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf>

Para aplicação de ventilação local exaustora os ventiladores mais utilizados são os centrífugos, os
quais estão disponíveis em quatro tipos segundo a classificação abaixo:

136
» Ventilador centrífugo radial – são ventiladores, robustos, para trabalho pesado e
destinados a movimentar fluidos com grande carga de partícula (poeiras),
partículas pegajosas (poeiras pegajosas) e corrosivas. Apresentam baixa
eficiência, na ordem de 60% e elevado nível de ruído. Possuem baixa
complexidade construtiva e alta resistência mecânica além de serem de fácil
reparação.

Figura 34. Rotor de pás radiais.

Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf>

» Ventilador centrífugo de Pás para trás – possuem alta eficiência chegando a atingir 80% em seu
funcionamento, equipamento possui baixa emissão de ruído. Este ventilador possui a
característica de autolimitação de potência o que evita uma sobrecarga do motor. Ele possui
dois tipos de pás, as aerodinâmicas e as planas. As pás aerodinâmicas são de grande
rendimento, pois permitem uma corrente mais uniforme. Estes ventiladores são empregados
nos casos de grandes vazões e pressões médias, sendo que a economia de potência compensa
o maior custo na aquisição. As pás planas podem ser utilizadas para transportar o ar sujo já
que apresentam a característica autolimpante, entretanto, apresentam uma eficiência menor
em relação aos de pás aerodinâmicas.

Figura 35. Rotor de pás para trás.

Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf>

» Ventilador centrífugo de pás curvadas para frente – estes modelos requerem pouco espaço
para instalação, apresentam baixa velocidade periférica e são silenciosos. Devem ser utilizados

137
para pressões baixas a moderadas. Estes modelos não são recomendados para movimentar
fluidos como poeiras e fumos devido a possibilidade de aderência do material ocasionando o
desbalanceamento do rotor e consequente vibração. Este modelo não possui autolimitação
de potência podendo sobrecarregar o motor. A eficiência desses ventiladores é menor que dos
ventiladores de pás para trás. Para tanto, recomenda-se o seu uso em sistemas de ventilação
geral e de ar condicionado onde a carga de poeiras e outras partículas é baixa.

Figura 36. Rotor de pás para frente.

Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf>

» Ventilador Radial Tip – são ventiladores de pás planas inclinadas para trás, no
entanto, com pontas que se curvam até chegarem a ser radiais. Este tipo de
ventilador possui queda de eficiência porém, proporciona maiores vazões. São
amplamente empregados em fornos de cimento e fábricas de celulose e papel.

Figura 37.Rotor radial tip.

Fonte: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM120/CapVentilacaoIndustrial_GERAL.pdf>

138
Classificação, vantagens e desvantagens dos
equipamentos de controle da poluição do ar
A escolha do equipamento de controle de poluição do ar, que melhor cumprirá sua função de
coleta, nem sempre é um problema de simples solução, tendo-se em vista o número de fatores
intervenientes (MUCCIACITO, 2016).

De uma forma geral, pode-se dizer que a escolha depende de fatores relativos às propriedades
do contaminante, relativos às propriedades do gás carreador e relativos a aspectos econômicos
e práticos. Há que se considerar na escolha de equipamentos de controle, vários fatores, como
segue (MUCCIACITO, 2016):

» Estado físico do poluente: para coleta de gases e vapores, os equipamentos de


controle mais usualmente utilizados são as torres de absorção, os leitos de
adsorção, os condensadores e os incineradores. A coleta de material particulado,
sólido ou líquido, é em geral feita por coletores inerciais, coletores centrífugos,
lavadores, filtros e precipitadores eletrostáticos.

» Grau de limpeza desejado: a eficiência de coleta fixada em função dos


regulamentos limitantes da quantidade do poluente que pode ser emitida é um
dos fatores importantes a ser considerado. Como veremos posteriormente, a
eficiência dos equipamentos de controle dependem de várias propriedades do
poluente e do gás carreador, e a escolha deve ser feita em função do que é
requerido em termos de eficiência.

» Composição Química: só é importante quando afeta as propriedades físicas e


químicas do gás carreador. As propriedades químicas são importantes quando há
a possibilidade de haver reações químicas entre o gás carreador, o contaminante
e o coletor.

» Temperatura: as principais influências são sobre volume do gás carreador e efeitos


sobre os materiais de construção do coletor. O volume tem consequências sobre
o tamanho do coletor que provocará alteração no custo do equipamento. A
temperatura também afetará a viscosidade e a densidade, que por sua vez,
afetará o rendimento da coleta. Assim, adsorção é impraticável a altas
temperaturas. A resistividade elétrica de partículas varia com a temperatura, e é
uma importante propriedade na precipitação elétrica de partículas. Coletores

139
úmidos algumas vezes não podem ser utilizados devido a grande quantidade de
água que se evapora, e filtros podem ser danificados pela passagem de gases
excessivamente quentes.

» Viscosidade: as principais influências da viscosidade se relacionam com o aumento


da potência requerida com o aumento da viscosidade, e com a alteração que
provocará na eficiência de coleta de material particulado.

» Umidade: alta umidade contribui para empastamento das partículas sobre o


coletor, principalmente coletores inerciais e centrífugos, e filtros, provocando seu
entupimento. Pode, ainda, agravar problemas de corrosão, além de ter grande
influência sobre a resistividade elétrica das partículas e, portanto, em sua
precipitação eletrostática. Em adsorção, pode agir como fator limitante da
capacidade do leito se este adsorver vapor d’água.

» Combustividade: quando o gás carreador é inflamável ou explosivo, a principal precaução é


assegurar que se esteja acima do limite superior de explosividade ou abaixo do limite
inferior de explosividade da mistura. Nesses casos, lavadores são preferidos e
precipitadores eletrostáticos raramente usados.

» Reatividade Química: é importante em alguns casos como, por exemplo, quando se filtra um
gás contendo compostos de flúor com filtros de lã de vidro, danificando os mesmos. Em
geral, deve-se evitar reação entre gás e coletor.

» Propriedades Elétricas: são importantes quando se trata da coleta de partículas com


precipitados eletrostáticos, pois a maior ou menor facilidade de ionização do gás influencia
o mecanismo básico de coleta. Outros fatores, como pressão e densidade são de menor
importância e não serão aqui absorvidos.

Propriedades do contaminante

» Carga: a carga, ou concentração do poluente, na entrada do equipamento de controle, e suas


variações afetam diferentemente os vários tipos de coletores. Assim é que a eficiência de
coleta de ciclones aumenta com a carga, mas aumenta também a possibilidade de
entupimento do mesmo. Alguns equipamentos exigem mesmo a presença de pré-coletores
para evitar sobrecarga em sua operação.

140
Figura 38. Representação esquemática de sistema de transporte e captação de poluentes.

Fonte: MUCCIACITO, 2016.

» Solubilidade: é importante em absorvedores e lavadores em geral, pois, na maioria


das vezes, quanto maior a solubilidade do poluente, maior o rendimento da
coleta.

» Capacidade Adsortiva: importante em adsorção de gases e vapores. De uma forma


geral, só se recomenda esse tipo de coletor para gases e vapores com massa
molecular superior a 45 e, principalmente, na retenção de solventes e substâncias
odoríferas.

» Combustividade: importante para eliminar o poluente por incineração, sendo também


um fator a considerar para evitar riscos de explosão.

» Reatividade Química: a reatividade química constitui-se em um fator que pode ser


utilizado na coleta do contaminante, por exemplo, na absorção química. Contudo,
pode também criar problemas quando, por exemplo, o contaminante reage com
o material de construção do corpo coletor, danificando-o.

» Propriedades Elétricas: a resistividade elétrica de partículas tem uma influência


decisiva em sua coleta, nos precipitadores eletrostáticos. Partículas com altíssima
ou baixíssima resistividade apresentam dificuldades de coleta em precipitadores.

» Higroscopicidade: é importante por influir na possibilidade de entupimento


(principalmente coletores inerciais, centrífugos e filtros) por formação de pasta
devido à absorção de umidade pelas partículas.

141
Tamanho, forma e densidade de partículas
Estes são fatores fundamentais por exercerem influência sobre a eficiência de coleta de partículas
por quase todos os mecanismos utilizados na prática, podendo-se mesmo dizer que a variação
da eficiência com o tamanho da partícula é um dos aspectos mais importantes a serem
considerados na escolha do coletor (MUCCIACITO, 2016).

O equacionamento acurado desses fatores é complexo e trabalhoso, e simplificações têm sido


feitas no sentido de tornar mais fácil e rápida a escolha de um equipamento para a coleta de
material particulado, levando-se em conta sua distribuição de tamanho (MUCCIACITO, 2016).

Casos inusitados devem ser resolvidos por verdadeiros especialistas, a fim de evitar danos
econômicos irreparáveis devido à escolha inadequada de um equipamento que, via de regra,
após instalado, não terá qualquer outra utilização a não ser aquela para a qual foi projetado
(MUCCIACITO, 2016).

Figura 39. Lavadores de gases para tratamento de odores em ETE’s.

Fonte: Mucciacito, 2016.

Classificação dos sistemas de controle de poluição

Coletores úmidos

Princípio de funcionamento: O gás é forçado através de uma aspersão de gotas, com as quais as
partículas se chocam, se depositam por difusão, e também agem como núcleo de condensação
de água, consequentemente aumentando de tamanho, o que torna sua coleta mais fácil.
Portanto, podemos dizer que os quatro mecanismos de coleta mais importantes no coletor
úmido são impactação, a interceptação, a difusão e a condensação (MUCCIACITO, 2016).

142
Classificação: os tipos de lavadores de gases são inúmeros, havendo o contínuo aparecimento de
novos modelos de eficiências similares apresentando algumas vantagens e desvantagens.

N = 2,3log1/1 n
N =αδty

Onde:

N = número de unidades de transferências. n = eficiência. y = constante admensional –

coeficiente angular da reta plotada em papel logarítmico. α = valor de intercepção na ordenada.

α,β = dependem do tamanho de outras propriedades das partículas.

δt = potência de contato total.

Características Gerais: visa expressar o rendimento dos diversos tipos de lavadores de gases para
a coleta de material particulado.

Quadro 10. Características de Câmaras de Borrifo.

Parâmetro Faixa
Vazão de gás > 70.000 pés³/min
Temperatura do gás 2.000 °F, reduzindo para 300
°F
Velocidade do gás 2 – 5 pés/s
Tempo de resistência 20 – 30s
Perda de carga 1 pol de H2O
Concentração Alta, > 5 grãos/pé³
Composição da partícula Sólido, líquido (corrosão)
Água recirculada 2 – 18 gal/1.000 pés³
Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c> (com adaptações).

Nota: necessário login para acesso ao conteúdo completo.

Essas relações variam para cada um dos tipos de lavadores mencionados, dependendo de como
se dá a aspersão do líquido, da direção e sentido do gás com relação ao líquido, entre vários
outros fatores.

Atualmente, o conceito mais difundido é a “potência de contato”, que, em essência, relaciona a


eficiência de coleta de partículas com a energia gasta no processo de contato entre gás e líquido.

143
O conceito de potência de contato afirma que, no contato gás-líquido, potência é dissipada em
turbulência dos fluidos e como calor.

Essa potência consumida em termos de potência por unidade volumétrica do gás é denominada
de potência de contato, não estando nela incluídas as potências por perdas elétricas e mecânicas,
nem por perdas por atrito nas partes secas do lavador. Esse conceito, apesar de carecer de maior
base teórica, tem se mostrado aproximadamente válido na prática. Matematicamente tem sido
apresentado em termos de número de unidades de transferência (eficiência) e potência de
contato (HP/1000 pés³/min).

Os lavadores úmidos são conhecidos também como equipamentos de controle de poluição que
usam o processo de absorção em líquido para separar os poluentes da corrente gasosa
(MUCCIACITO, 2016).

A absorção pode ser entendida como um íntimo contato dos gases com o líquido de absorção, o
que permite que os gases poluentes fiquem dissolvidos no líquido. O fator responsável por este
resultado é a solubilidade dos gases no líquido absorvedor, uma forma de demonstrar tal
ocorrência é vista nas partículas de aerossóis que são transferidas da suspensão da corrente
gasosa para o líquido de lavagem via mecanismos de impacto inercial, sedimentação
gravitacional, difusão Browniana, eletrostática, difusividade térmica e transporte de massa.

A taxa e a extensão da absorção é geralmente acompanhada de reação química. Conforme


estudado os lavadores que podem ser citados são do tipo Venturi, Tipo Torre, de pulverização
axial em cone, ou ainda com spray e chicanas.

Os lavadores de via úmida possuem as seguintes vantagens e desvantagens:

Quadro 11. Vantagens e desvantagens dos lavadores de via úmida.

Vantagens Desvantagens

Possibilidade de geração de
Não gera fonte secundária de
problemas de poluição de
pó.
águas.
Necessidade de alto custo de
perda de carga para remover
Necessita de espaço pequeno.
material particulado fino com
alta eficiência.
Coleta gases e material Geração de resíduos úmidos.
particulado.

144
Oferece possibilidade de
Problemas de corrosão de
trabalho com correntes
forma severa em relação a via
gasosas de elevada
seca.
temperatura e umidade.
Tem custo baixo Opacidade da pluma de vapor
(desconsiderando o tratamento pode ser inconveniente.
de efluentes líquidos).
Geralmente a corrente gasosa já
está em alta pressão. Consumo de energia elevado.

Habilidade de remover com alta Acúmulo de sólidos na interface


eficiência o material particulado úmida-seca pode gerar
fino. problemas.
Alto custo de operação.

Consumo elevado de água.

Fonte: <http://www.inf.ufes.br/~neyval/Rec_Atm(moduloVI).pdf> (com adaptações).

Câmara de borrifo

É o mais simples dos coletores úmidos. As gotas, geralmente com diâmetro de 0,1 a 1 mm caem
e se chocam com as partículas em movimento ascendente, sendo o impacto o principal
mecanismo de coleta das partículas. São características gerais desses coletores:

» velocidade ascendente do gás, 2 a 4 pés/s;

» tamanho das gotas, 100 a 1000 µm;

» tamanho da gota para a máxima eficiência, 800 a 900 µm.


Quadro 12. Características de lavadores ciclônicos.

Faixa
Parâmetro Tipo Pease –
Tipo Irrigado
Anthony
Vazão do gás Até 50.000 Até 25.000
pés³/min pés³/min
Temperatura do gás Ilimitada Pré-resfriamento
ou saturação
necessária.
Velocidade do gás 200 – 500 pés/min ------
Velocidade ----- 50 – 200 pés/s
tangencial
Perda de carga 2,5 – 6 pol de H2O 2 – 6 pol de H2O
Água recirculada 3-5 gal/1.000pés³ 3-10 gal/1.000pés³
Δp = f (vazão) Δp = KQ² -----

145
Potência ----- 1-3
HP/1.000pés³/min
Eficiência 90% ≥5µm 95% ≥5µm
Efeito da umidade Nenhum Nenhum
na eficiência.
Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c> (com adaptações).

Nota: necessário login para acesso ao conteúdo completo.

Lavadores ciclônicos
Nesses coletores úmidos, lança-se mão de um aumento da velocidade relativa entre as gotas e
as partículas. Dessa forma, consegue-se aumentar consideravelmente a eficiência de coleta em
comparação com a obtida em câmaras de borrifo (MUCCIACITO, 2016).

A coleta se dá principalmente por impactação, sendo que a difusão só é efetiva para as partículas
da ordem de 0,001 µm.

Há basicamente três tipos de lavadores ciclônicos, como segue. Um em que se movimenta


tangencialmente o gás, fazendo-se com que ele entre de modo tangencial na base do corpo
cilíndrico. O lavador mais comum desse tipo é o chamado lavador ciclônico Pease Anthony
(MUCCIACITO, 2016).

No segundo tipo, o movimento espiralado é provocado no gás por meio de sua passagem por
seções helicoidais: são os chamados lavadores ciclônicos irrigados.

O terceiro tipo é um ciclone convencional em que o gás entra tangencialmente pela base e a
injeção de água se faz na entrada. Nesses coletores, determinou-se experimentalmente que o
mais efetivo tamanho de gota é da ordem de 100 µm.

Por essa razão, não se recomenda sua utilização com fins de resfriamento, sendo mesmo
recomendado que os gases estejam saturados na entrada do coletor, particularmente se o gás
estiver a uma temperatura superior à do líquido (MUCCIACITO, 2016).

Lavadores autoinduzidos
São também chamados de lavadores inerciais de orifício. A aspersão de água é induzida pela
própria passagem do fluxo gasoso através do líquido, “quebrando-o” em gotas.

146
A quantidade de subtipos desses lavadores é imensa, indo desde o mais simples wet cap usado
no topo de fornos Cubilot até os tipos mais sofisticados. As velocidades de passagem por meio
do líquido variam de um tipo para outro, sendo uma faixa comum entre 50 e 200 pés/s.

Dados experimentais indicam que, para velocidades de 50 pés/s, as gotas formadas têm um
diâmetro de 300 a 400µm.

Quadro 13. Características de lavadores auto-induzidos

Faixa
Parâmetro
Wet cap Rotoclone N Em geral

Alta > 15µm 93%, 5µm 94%, > 5µm


85%, 3µm
Eficiência
40%, 1µm

Uso de água Variável 10-40 -----


gal/1.000pés³
Concentração Qualquer 40 grãos/pé³ -----
de entrada
Perda de 0,25 pol de H2O 2,5-6 pol de 2-8 pol de H2O
carga H2O
Corrosão Sim Sim Sim
Potência ----- ----- 2,3
consumida HP//1.000pés³/
min
Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c> (com adaptações).

Nota: necessário login para acesso ao conteúdo completo.

Lavadores mecânicos
São também chamados de lavadores equipados com aspersores mecânicos. O mecanismo
predominante de coleta nesses lavadores é a impactação, os quais se valem de um dispositivo
mecânico para promover a formação das gotas. Uma vantagem desses lavadores, tal como nos
autoinduzidos, é o pequeno consumo de água e a pequena possibilidade de entupimento. Vale
frisar que, na maior parte da bibliografia existente, esses coletores são subclassificados
conjuntamente com os desintegradores e com os precipitadores dinâmicos úmidos.

A eficiência e o consumo de potência estão relacionados com a rotação e a vazão do gás.

147
Coletores úmidos de impactação
Os coletores de impactação são torres verticais equipadas com um ou mais obstáculos de
impactação. O obstáculo de impactação corresponde a um prato perfurado com 600 a 3000 furos
por pé², tendo sobre eles plaquetas a uma distância correspondente à seção da vena contracta
do fluido que passa pelos furos (seção de maior velocidade).

O fluxo gasoso entra pela base da torre, em uma câmara provida de bicos aspersores de baixa
pressão para, inicialmente, sofrer um processo de resfriamento, umidificação e coleta das
partículas mais grosseiras (MUCCIACITO, 2016).

O gás, passando por meio dos furos a velocidades entre 75 e 100 pés/s, atomiza o líquido
descendente em gotas da ordem de 100 µm.

Quadro 14. Características de lavadores de impactação.

Parâmetro Faixa
Concentração de poeira 40 grãos/pé³ (fácil tratamento)
Perda de carga 1,5 a 8 pol de H2O –
geralmente 4-6
Eficiência 95%, 4µm; 90%, 2µm; 80%,
1µm.
Consumo de água 0,25 gal/min para cada
1.000pés³/ min
Água recirculada 3 gal/min/1.000 pés³/min
Capacidade 500 – 40.000 pés³/min
Velocidade do gás nos furos 20 pés/s
Velocidade de formação de 75-100 pés/s
gotas
Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c> (com adaptações).

Nota: necessário login para acesso ao conteúdo completo.

A velocidade do gás, ao passar pelos furos, é da ordem de 20 pés/s. Convém salientar que a coleta
do material particulado ocorre predominantemente pela impactação com as gotas, e menos pela
impactação contra a plaqueta (cerca de 3/16 pol de dimensão).

Percebe-se que o diâmetro do corpo coletor é muito grande, no caso da plaqueta, sendo,
portanto, o parâmetro de impactação menor.

148
Lavador Venturi

Nesses lavadores o fluxo gasoso tem sua velocidade aumentada ao passar por meio de uma
constrição (garganta), onde o líquido é injetado e atomizado pela alta velocidade do gás. Os
principais mecanismos de coleta são impactação (mais importante), intercepção e condensação.

Em seguida, ao venturi um coletor secundário (normalmente um ciclone), é instalado para coletar


as partículas (que tiveram seu tamanho aumentado no venturi). As velocidades do gás na
garganta (da ordem de 12000 a 24000 pés/min) atomizam quantidades de água, que variam entre
3 a 10 galões/1000 pés³, em gotas cujo tamanho médio pode ser estimado na faixa de 50 µm.

Perdas de carga entre 10 e 30 pol de H2O são valores comuns, mas perdas mais elevadas não são
raras e correspondem a maiores eficiências de coleta.

A condensação é um mecanismo efetivo de coleta em um lavador venturi. Se o gás, na região de


baixa pressão (correspondente à garganta do venturi), está completamente saturado (de
preferência supersaturado), haverá condensação sobre as partículas na região de mais altas
pressões (correspondente ao expansor do venturi).

Desta forma, a partícula cresce, sua superfície molhada auxilia a aglomeração e sua posterior
coleta. Para maior compreensão das vantagens e desvantagens deste mecanismo .

Quadro 15. Características de lavadores Venturi.

Parâmetro Faixa

Ilimitada (conforme
Temperatura de gás
especificação)

Perda de carga 10 a 30 pol de H2O

Eficiência 98%, ≥ 1µm

Água recirculada 2-10 gal/1.000 pés³

Capacidade / Volume de gás 200 – 145.000 pés³/min

Velocidade na garganta 200 - 600 pés/s


Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c> (com adaptações).

Nota: necessário login para acesso ao conteúdo completo.

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Quadro 16. Vantagens e desvantagens dos lavadores tipo Venturi.

Vantagens Desvantagens
Alto consumo de energia
Alta eficiência de remoção de
devido à elevada perda de
material particulado.
carga.
Trabalha em processo de via
Consumo elevado de água.
úmida.

Gera efluentes líquidos.


Fonte: <http://www.inf.ufes.br/~neyval/Rec_Atm(moduloVI).pdf (com adaptações)>.

Lavadores tipo Jet


A efetividade de um lavador está diretamente relacionada com a energia despendida no
processo.

∆ =Ec 1/ 2.Mg Mi. / (Mg + Mi).(Vg2 −Vi2)

A mudança de energia cinética em um sistema de impactação gás-líquido vale: onde Mg é a massa


de gás, Mi a massa de líquido, Vg a velocidade do líquido. Essa relação mostra que, se o líquido é
injetado na garganta do venturi, o dispêndio de energia é grande, pois Vi=0. Isso faz com que, no
lavador tipo jet, o líquido seja aspergido por um atomizador central com alta velocidade, desse
modo fornecendo uma disponibilidade de pressão que varia de 1 a 3 pol de H2O.

Quadro 17. Características dos lavadores tipo jet.

Parâmetros Faixa

Capacidade Até 100.000 pés³/min.

Eficiência -------

Pressão disponível 1-3 pol de H2O

Água recirculada 50-100 gal / 1.000 pés³


Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c (com adaptações)>.

Nota: necessário login para acesso ao conteúdo completo.

Lavadores de orifício inundado


A regulagem possível na posição do disco possibilita uma variação na perda de carga e, portanto,
na eficiência, permitindo a utilização do lavador em uma ampla faixa de eficiências de coleta.

150
Esses lavadores podem apresentar altas eficiências para altas perdas de carga, quando maiores
velocidades de passagem do gás criam gotas de menores dimensões.

Quadro 18. Características dos lavadores de pressão variável.

Parâmetros Faixa

Eficiência Comparável à do Venturi

Perda de carga 10-60 pol de H2O

Água recirculada 5-35 gal / 1.000 pés³


Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c> (com adaptações). Nota: necessário login para acesso ao
conteúdo completo.

Torre de enchimento úmida


Torres idênticas às utilizadas para absorção de gases e vapores podem ser utilizadas para a coleta
de material particulado. O enchimento utilizado é do mesmo tipo e em condições normais, isto
é, abaixo do ponto de inundação, as eficiências observadas são baixas para partículas menores
que 5µm, tendo-se em conta os relativamente altos valores de perda de carga.

Quadro 19. Características dos precipitadores dinâmicos úmidos.

Parâmetros Faixa
Capacidade 1.200-25.000 pés³/min
Eficiência Aprox. 88% para névoa de
H2SO4
Perda de carga Calculada para torres de
absorção
Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c (com adaptações)>.

Nota: necessário login para acesso ao conteúdo completo.

O problema de entupimento é comum e, portanto, torres de enchimento são mais usadas para
coleta de névoas que de poeira. Uma variante utilizada são as torres com leito flutuante, onde o
enchimento é de material de baixa densidade e permanece continuamente em flutuação,
evitando o problema de entupimento (∆p = 4 pol de H2O).

Precipitadores dinâmicos úmidos


Utilizam um ventilador para impactar as partículas contra suas pás, ao mesmo tempo em que se
mantêm os atomizadores sobre elas.

151
Quadro 20. Características dos desintegradores.

Parâmetros Faixa
Eficiência Alta

Perda de carga < 1 pol de H2O

Potência consumida 10-20 HP/1.000 pés³/min

Concentração 0,25-0,5 grãos/pés³

Temperatura Até 125° F

Consumo de água Elevado

Rotação do rotor 350-750 rpm

Velocidade dos gases 200-300 pés/s

Tamanho das gotas 50-80 µm


Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c> (com adaptações).

Nota: necessário login para acesso ao conteúdo completo.

Desintegradores
Para coleta de partículas da ordem de 1µm, as gotas devem ser de pequena dimensão, para
possibilitar a coleta.

Essas gotas podem ser obtidas nos desintegradores por meio da passagem do líquido injetado
axialmente entre o estator e o rotor (girando entre 350 e 750 rpm). As principais características
dos desintegradores serão mostradas a seguir.

Quadro 21. Características de coletores de espuma.

Parâmetros Faixa

Eficiência 99%, > 2µm

Perda de carga Pequena

Capacidade 1.000-50.000 pés³/min

Quantidade do espumante 0,001 gal / 1.000 pés³

Altura da camada de espuma 4-20 cm


Fonte: <http://www.meiofiltrante.com.br/edicoes.asp?id=384&link=ultima&fase=C&retorno=c> (com adaptações).

Nota: necessário login para acesso ao conteúdo completo.

152
Lavadores de espuma
Para coletar partículas finas, lavadores de espuma têm sido considerados de alta eficiência, em
virtude da grande área superficial de coleta apresentada. Esses coletores geralmente possuem
um pré-coletor para reter as partículas mais grossas, sendo as mais finas coletadas por uma
camada de espuma. A espuma é geralmente obtida pela adição à água de 0,001 gal/1000pés³ de
gás de óleo à base de terebintina. Eliminadores de gotas são colocados em seguida ao
equipamento.

Precipitadores eletrostáticos
Removem o material particulado de uma corrente gasosa por meio da criação de alto diferencial
de voltagem entre eletrodos. Quando o gás com partículas passa entre os eletrodos, as moléculas
gasosas ficam ionizadas, resultando em cargas nas partículas. Logo, carregadas, são atraídas para
o “prato” de carga oposta e removidas enquanto o gás prossegue. Durante a operação, os pratos
devem ser limpos periodicamente para remover a camada de pó que fica sobreposta.

O acesso nestes locais deve ser controlado de forma sistêmica e precisam seguir os
procedimentos operacionais de segurança elaborados pelos responsáveis do processo de
produção. Qualquer acesso aos precipitadores eletrostáticos devem ocorrer somente com a
anuência da segurança do trabalho.

Quadro 22. Vantagens e desvantagens dos precipitadores eletrostáticos.

Vantagens Desvantagens
Alta eficiência de coleta de
Elevado custo de implantação
material particulado (fino e
(projeto, engenharia e
grosso), e consumo de energia
instalação).
relativamente baixo.
Alta sensibilidade às oscilações
das condições da corrente de
Coleta e disposição dos resíduos
gás (taxas de fluxo,
a seco.
temperaturas, composição do
gás e material particulado).
Baixa perda de carga (< 13 Baixa flexibilidade das faixas de
mmca) operação.
Dificuldade de remoção de
Capacidade de operação algumas partículas devido a
contínua com mínima propriedades resistivas
necessidade de manutenção. extremas (muito altas ou muito
baixas).
Necessidade de espaço
Baixo custo de operação (se
relativamente grande para
comparado a outros processos).
instalação.

153
Habilidade para trabalhar em Produção de ozônio pelo
altas pressões (10 atm) quanto eletrodo negativo durante a
em condições de vácuo. ionização do gás.
Manutenção relativamente
Possibilidade de ser operado
sofisticada e personalizada
em ampla faixa de temperatura
(para a segurança do trabalho,
e a altas (até 700° C).
possui elevado risco).
Incapacidade de controle das
Capacidade de tratar altas
emissões de poluentes gasosos
vazões de maneira eficaz.
(Davis, 2000).
Risco de explosão quando trata
gases ou partículas
combustíveis.
Necessidade de precauções
especiais para proteger pessoal
dos riscos de alta voltagem.
Fonte: <http://www.inf.ufes.br/~neyval/Rec_Atm(moduloVI).pdf> (com adaptações).

Filtros de mangas
Os filtros de mangas removem o pó da corrente de gás passando a corrente gasosa carregada de
material particulado por um tecido poroso (conforme descrição técnica do material/fabricante).
As partículas de pó formam uma torta de porosidade maior, menor ou igual à manga (tecido
poroso). Em geral, os métodos utilizados para limpeza são chacoalhar as mangas ou soprando ar
limpo em corrente contrária.

Figura 40. Modelo de filtros de mangas.

Fonte: <http://www.ventec.com.br/downloads/manuais_ventec/alt27-10-08/Manual_Filtro_de_Mangas.pdf>. Acessado em: 9 jan.2015.

154
Quadro 23. Vantagens e desvantagens dos filtros de mangas.

Vantagens Desvantagens
Temperaturas acima de 300°C necessitam refratário mineral,
Alta remoção de material particulado
especial ou mangas metálicas que estão ainda em estágio de
grosso ou fino (submicrons).
desenvolvimento e valor elevado.
Capacidade de operar com grande Alguns pós podem requerer tratamento especial das mangas
diversidade de pós. para reduzir a infiltração de pó, ou, em outros casos, ajuda na
remoção do pó coletado.
Relativamente insensível a flutuação da Baixas concentrações de pó no coletor podem representar risco
vazão de gás. Eficiência e perda de carga de fogo ou explosão se uma faísca ou chama for introduzida
são pouco afetadas devido a grandes por acidente, as mangas podem queimar se pó oxidável já tiver
variações de carregamento de cinzas para sido coletado (ex.: Filtro de mangas de coque de petróleo).
filtros continuamente limpos.
Possibilidade de recirculação da saída de ar
do filtro pela planta para conservação de Elevado custo de manutenção (troca das mangas).
energia.
Material coletado seco, para subsequente Baixa vida útil em altas temperaturas e na presença de ácidos e
processamento ou disposição. bases ou na presença de gases específicos.
Não há problemas de disposição de
resíduos líquidos, poluição de águas ou
Não pode trabalhar com gases úmidos.
congelamento de líquidos, fator existente
nos lavadores úmidos.
Materiais hidroscópicos, condensação de mistura,
Em geral, corrosão e ferrugem não são
componentes de alcatrão podem causar torta incrustante ou
problemas.
tampão na manga. Necessário o uso de aditivos especiais.
Não há risco de alta voltagem, A substituição das mangas necessita de sistemas de proteção
simplificando a operação e manutenção, coletiva visando a proteção respiratória e uso de EPI conforme
além de permitir coleta de pó inflamável. avaliação do setor de segurança do trabalho.
Uso de fibras selecionadas e cuidados com
pré-coberturas de filtros granulares
permitem alta eficiência de coleta de O diferencial de pressão em média é de 100 a 250 mmca.
fuligem com dimensões de micrômetros e
também de gases contaminantes.
Filtros coletores possuem diversas
configurações possíveis, resultando em
As mangas podem ser destruídas em altas temperaturas ou na
dimensões e locais de flange de entrada e
presença de produtos químicos corrosivos.
saída diversos, atendendo às necessidades
de processo da instalação.
O tempo de limpeza do filtro necessita de um sistema paralelo
Operação relativamente simples.
para manter o regime permanente de operação.
Fonte: <http://www.inf.ufes.br/~neyval/Rec_Atm(moduloVI).pdf> (com adaptações).

Separadores inerciais

Possuem o princípio básico a separação inercial, na qual o gás carregado de material particulado
é forçado a mudar de direção. A inércia das partículas faz com que as mesmas sigam em frente
enquanto o gás muda de direção, separando as partículas do gás. Os ciclones são principais
separadores inerciais (mais comuns), nos quais o gás é forçado a girar em vórtex por meio de um
tubo.

155
Figura 41. Ciclones.

Fonte: <http://www.solerpalau.pt/formacion_01_37.html>.

Quadro 24. Vantagens e desvantagens dos ciclones.

Vantagens Desvantagens
Baixo custo de implantação e de manutenção. Difícil remoção de partículas finas (baixa eficiência p/
partículas finas).
Perdas de carga variam em média de 50 mmc H2O (baixa
Possibilidade de ser simples ou múltiplo.
eficiência) a 254 mmc H2O (alta eficiência) (DAVIS, 2000).
Capacidade de prolongar a vida útil dos filtros quando
usado para fazer a limpeza prévia.
Habilidade de remoção de partículas grandes e médias
com alta eficiência.
Construção simples.

Não possui peça móvel, exceto quando tem válvula tipo


pêndulo ou rotativa na tiragem do pó.
Fonte: <http://www.inf.ufes.br/~neyval/Rec_Atm(moduloVI).pdf> (com adaptações).

Adsorvedores

No momento da adsorção, os poluentes gasosos são removidos da corrente de gás aderindo na


superfície de um sólido. As moléculas gasosas são classificadas de adsorvantes, enquanto o sólido
o adsorvedor. O sólido é altamente poroso. A adsorção ocorre em uma série de etapas:

156
inicialmente, os poluentes passam da corrente gasosa para a superfície externa da partícula
adsorvedora. Em seguida, as moléculas dos poluentes migram para a superfície interna porosa,
maior em relação a externa do adsorvedor. Por fim, as moléculas aderem na superfície dos poros.
(DAVIS, 2000). Os compostos e produtos com características adsorventes são:

» Bicarbonato de sódio.

» Carvão lignitíco (sub-betuminoso).

» Carvão ativo adsorvedores.

Todos eles possuem área superficial específica entre 200 e 1.200m²/g (CALSSON, 2001).

Quadro 25. Vantagens e desvantagens dos adsorvedores.

Vantagens Desvantagens

A recuperação do adsorvedor
Possibilidade de reaproveitamento
requer processo de destilação e
do adsorvedor.
extração (elevado custo).

A capacidade de adsorção diminui


Controle e resposta para mudanças
progressivamente conforme o
de processos.
aumento de ciclos do processo.

Não há problemas de disposição


A adsorção regenerativa necessita
química quando o adsorvedor é
de fonte de vapor ou vácuo.
recuperado e retorna ao processo.

Controle automático (conforme


Custo elevado para implantação.
necessidade).

Capacidade de remover Recomenda-se a pré-filtragem do


contaminantes gasosos e na forma material particulado para evitar o
de vapor das correntes de processo entupimento do recheio
até níveis extremamente baixos. adsorvedor.
Necessário resfriamento do gás para
manter dentro da faixa de operação
(< 50°C).
Vapor consideravelmente alto é
necessários para desabsorver
hidrocarbonetos de alto peso
molecular.
Fonte: <http://www.inf.ufes.br/~neyval/Rec_Atm(moduloVI).pdf> (com adaptações).

157
Figura 42. Etapas de adsorção.

Fonte: Davis, 2000.

Condensadores

Condensadores são trocadores de calor que promovem a mudança de fase dos poluentes
gasosos, possibilitando a sua remoção.

Quadro 26. Vantagens e desvantagens de condensadores.

Vantagens Desvantagens

Produto de condensação puro Baixa eficiência na remoção de


(condensadores de contato poluentes gasosos para
direto). controle de poluição do ar.
A água usada como meio
refrigerante, por não ter Elevado custo para
contato, pode ser reutilizada condensação.
após resfriamento.
Fonte: <http://www.inf.ufes.br/~neyval/Rec_Atm(moduloVI).pdf> (com adaptações).

Lavadores a seco

Este processo visa injetar cal virgem (CaO) ou hidróxido de cálcio (CaOH) no vapor dos gases de
exaustão e é então capturada por filtro de mangas, formando uma camada de cal. No caso de
gases ácidos, principalmente o HCl são neutralizados pela camada de cal, formando água (em
processo de evaporação) e cloreto de cálcio.

Os lavadores a seco são utilizados em processos de incineração de resíduos domésticos e


perigosos (avaliar o resíduo preliminarmente). O controle de metais pode ser feito por meio de
sistema de lavagem a seco e filtros de mangas, o qual inclui a injeção de cal virgem (CaO) e injeção
de carbono ou carvão, ao invés de sistemas de lavagem via úmida. Importante destacar que o
tipo de filtro usado deve ser hábil para capturar partículas extremamente finas de material
particulado na qual muito da massa do metal é adsorvida.

158
A injeção de cal virgem (CaO) ou hidróxido de cálcio (CaOH) ajuda a neutralização de gases ácidos
e promove remoção de material particulado mais eficiente devido à formação de camada
filtrantes mais densa. No caso do Mercúrio, ele poderá existir na forma de vapor abaixo de 27°C,
desta forma, a injeção de carbono ou carvão ativado ajuda a adsorver o mercúrio de forma
eficiente.

A mistura de carvão ou carbono com cal virgem ou hidróxido de sódio ajuda também a controlar
orgânicos clorados, especialmente dioxinas e furanos (desde que o filtro de mangas não seja
operado aquecido). Para os filtros de mangas à quente, dioxinas e furanos que foram coletados
na torta do filtro podem revolatizar e serem emitidos para a atmosfera (ROBERTS et al, 1999).

Quadro 27. Vantagens e desvantagens de lavadores a seco.

Vantagens Desvantagens
Forma cloreto de cálcio junto
com cinzas, aumentando o
Não gera efluente líquido
volume total de resíduos para
disposição adequada.

Captura particulado fino.

Neutraliza gases ácidos.

Eficiente na remoção de
metais, inclusive mercúrio.

Remove dioxinas e furanos em


baixa temperatura.
Fonte: <http://www.inf.ufes.br/~neyval/Rec_Atm(moduloVI).pdf> (com adaptações).

Catalisadores

O processo de lavagem de gases como HCl podem ser removidos da exaustão com soluções
alcalinas aquosas ou pós alcalinos, este processo é feito em incineradores de resíduos perigosos.

Um gás relativamente difícil de remoção é o NO2 ou NO. O principal controle para o NOX é
minimizar sua formação através da operação adequada dos queimadores e fornalhas. A formação
de NOX pode ser reduzida na zona de combustão por meio da redução do nível de oxigênio,
recirculação dos gases de queima, combustão homogênea e por seleção de redução não catalítica
com amônia, ureia, em temperatura aproximada de 950°C. Porém, para obter níveis baixos de 70
mg/Nm³ calculado como NO2, o método mais comum é o uso de catalisador conforme figura 28
localizado geralmente no final do processo de limpeza de gases.

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Figura 43. Reações no catalisador de redução de NOX com amônia.

Fonte: Dallago et al. 2004.

Atividade Complementar
1. Qual a necessidade de realizarmos uma avaliação ambiental para funcionários expostos a agentes
químicos? Que parâmetros deverão ser analisados? Quais as consequências a curto e longo
prazo? (Faça uma breve pesquisa a respeito).

2. Você considera uma ventilação industrial uma proteção coletiva? Por quê?

3. Quais os objetivos da implantação da ventilação no interior de indústrias?

4. Qual a diferença entre os objetivos de ventilação comercial e industrial. Argumente a este


respeito.

5. Quais as principais características para a utilização de sistemas de ventilação por exaustão?

6. A velocidade num sistema de ventilação poderá otimizar ou não um processo. Quais as


recomendações necessárias para que a velocidade do sistema de ventilação tenha eficácia?

7. Qual a resolução do CONAMA que estabelece os limites máximos de emissão de poluentes


atmosféricos? Você utilizaria esta resolução como referencia para o estudo de ambientes
laborais?

8. Quais são os fatores que podem influenciar no rendimento de uma coleta?

9. Quais as vantagens e desvantagens do uso de umidificadores no controle da poluição industrial?

10.Filtros de mangas e eletrofiltros são aplicáveis em que tipo de processo industrial? Descreva
suscintamente o processo operacional de cada filtro.

160
Referências
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