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UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS


DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

CIV 648

PROCESSOS DE TRATAMENTO E VALORIZAÇÃO DE LODOS GERADOS


NO TRATAMENTO DE ÁGUAS RESIDUÁRIAS

Nayara Vilela Avelar

VIÇOSA – MG
DEZEMBRO/2011
1. Introdução

Os esgotos gerados pela atividade industrial e pela população constituem um


problema dos mais sérios, principalmente devido aos volumes produzidos diariamente e
à forma inadequada de descarte. Para amenizar o problema, é crescente o número de
cidades que vem promovendo o tratamento de seus esgotos, reduzindo sua carga
orgânica e potencial poluente; entretanto, durante o tratamento do esgoto há geração de
um novo resíduo, o lodo de esgoto ou biossólido (Andrade e Mattiazzo, 2000). O
tratamento, o reuso e a disposição deste lodo é o problema mais complexo enfrentado
pela engenharia sanitária no campo de tratamento de águas residuárias.
O tratamento e disposição de lodo devem ser geridos para minimizar problemas
ambientais como odor e lançamento no ambiente de contaminantes e patógenos (Halley
e Miller, 1991 apud Pedroza et al., 2010).
Os principais métodos usados no tratamento de lodos são o adensamento,
desaguamento, condicionamento, estabilização e higienização.
A disposição final adequada do lodo é uma etapa problemática no processo
operacional de uma estação de tratamento de esgotos e que, normalmente, tem sido
negligenciada (Paula Junior et al., 2005). Dentre as principais formas de disposição final
do lodo, encontram-se a disposição em aterro sanitário, disposição no solo, a reciclagem
agrícola, a recuperação de áreas degradadas, a produção de materiais de construção civil
e conversão a componentes combustíveis.

1.1. Definições

O termo “lodo” tem sido utilizado para designar os subprodutos sólidos do


tratamento de esgotos. Nos processos biológicos de tratamento, parte da matéria
orgânica é absorvida e convertida, fazendo parte da biomassa microbiana, denominada
genericamente de lodo biológico ou secundário, composto principalmente de sólidos
biológicos, e por esta razão também denominado de biossólido. Para que este termo
possa ser adotado é necessário ainda, que suas características químicas e biológicas
sejam compatíveis com uma utilização produtiva, como, por exemplo, na agricultura. O
termo “biossólido” é uma forma de ressaltar os seus aspectos benéficos, valorizando a
utilização produtiva, em comparação com a mera disposição final improdutiva, por
meio de aterros, disposição superficial no solo ou incineração (von Sperling e Andreoli,
2001).
Os biossólidos (antigamente chamados coletivamente de lodo) resultantes do
tratamento de águas residuárias estão geralmente na forma líquida ou semi-sólida
líquida, que tipicamente contém de 0,25 a 12% de sólidos, dependendo das operações e
processos utilizados. O termo biossólido, como definido pela Water Environment
Federation (WEF 1998), reflete no fato de que os sólidos das águas residuárias são
produtos orgânicos que podem ser usados vantajosamente após algum tipo de
tratamento, como a estabilização e a compostagem. O termo lodo é usado apenas antes
de critérios de usos benéficos serem alcançados. Este termo é geralmente utilizado em
conjunto com uma descrição de processo, como lodo primário, secundário ou digerido
(Metcalf e Eddy, 2004).

1.2. Tratamento de águas residuárias domésticas e industriais e produção de lodos

A produção de lodo a ser gerado é função precípua do sistema de tratamento


utilizado para a fase líquida. Em princípio, todos os processos de tratamento biológico
geram lodo. Os processos que recebem o esgoto bruto em decantadores primários geram
o lodo primário, composto pelos sólidos sedimentáveis do esgoto bruto (von Sperling e
Gonçalves, 2001). A concentração de sólidos totais dos lodos nesta fase do processo
deve estar em torno de 1 a 6%. Este lodo pode ser adensado e desidratado com relativa
facilidade, desde que este não se torne séptico. O lodo primário é altamente putrescível,
gera maus odores e contém alta concentração de patógenos, que podem causar vários
tipos de doença se em contato humano (Miki, 1998).
Na etapa biológica de tratamento, tem-se o assim denominado lodo biológico ou
lodo secundário. Este lodo é a própria biomassa que cresceu às custas do alimento
fornecido pelo esgoto afluente. Caso a biomassa não seja removida, ela tende a se
acumular no sistema, podendo eventualmente sair com o efluente final, deteriorando sua
qualidade em termos de sólidos em suspensão e matéria orgânica (von Sperling e
Gonçalves, 2001). O lodo biológico é gerado nos processos de tratamento de lodos
ativados, filtro biológico, etc. Este lodo é difícil de adensar e desidratar.
Os lodos primário e secundário podem ainda ser designados como não digeridos
(bruto). O lodo digerido é o lodo bruto que sofre a estabilização biológica, normalmente
pela via anaeróbia. Os produtos da digestão anaeróbia são o gás carbônico, gás metano e
água; como consequência deste processo há uma redução na concentração de sólidos
voláteis (Miki, 1998).
Dependendo do tipo de sistema, o lodo primário pode ser enviado para o
tratamento juntamente com o lodo secundário. Nesse caso, o lodo resultante da mistura
passa a ser chamado de lodo misto (von Sperling e Gonçalves, 2001).
Em sistemas de tratamento que incorporam uma etapa físico-química, quer para
melhorar o desempenho do decantador primário, quer para dar um polimento ao
efluente secundário, tem-se o lodo químico (von Sperling e Gonçalves, 2001).
Em todos estes casos, é necessário o descarte do lodo, ou seja, sua retirada da
fase líquida. No entanto, nem todos os sistemas de tratamento de esgotos necessitam do
descarte contínuo desta biomassa. Alguns sistemas de tratamento conseguem armazenar
o lodo por todo o horizonte de operação da estação (ex.: lagoas facultativas), outros
permitem um descarte apenas eventual (ex.: reatores anaeróbios) e outros requerem uma
retirada contínua ou bastante frequente (ex.: lodos ativados). O lodo biológico
descartado é também denominado lodo excedente (von Sperling e Gonçalves, 2001).
A quantidade de lodo produzido em uma ETE pode variar bastante, depende das
características iniciais do esgoto a ser tratado e do processo de tratamento empregado.
Alem Sobrinho (2000), faz algumas observações relativas a produção de lodo,
características do efluente e faixa de custos de implantação de vários sistemas de
tratamento de esgoto sanitário de maior potencial de uso no Brasil, tendo em vista,
principalmente, a remoção de matéria carbonácea (DQO), com ou sem nitrificação:
 ETE com reator UASB, sem tratamento complementar
Qualidade do efluente: DBO5 = 60 a 100 mg/L
SST = 40 a 80 mg/L
N-amoniacal > 30 mg/L
Lodo produzido: 15 a 20 g SST/habitante dia
Lodo estabilizado
Custo estimado de implantação: R$25 a 35/habitante (para 50.000 a 500.000
habitantes)
 ETE convencional com lodos ativados (com decantador primário, tanque de
aeração e decantador secundário, adensador de lodo e digestor anaeróbio)
Operação com alta taxa (θc ≤ 3 dias) sem nitrificação
Qualidade do efluente: DBO5 ≤ 30 mg/L
SST < 30 mg/L
N-amoniacal > 15 mg/L
Lodo produzido: 35 a 40 g SST/habitante dia
Lodo estabilizado
Custo estimado de implantação: R$100 a 130/habitante (para 200.000 a 600.000
habitantes)
Energia para aeração: aproximadamente 12 kWh/habitante ano
Operação com taxa convencional (θc = 4 a 7 dias) com nitrificação
Qualidade do efluente: DBO5 < 20 mg/L
SST < 30 mg/L
N-amoniacal < 5 mg/L
Lodo produzido: 30 a 35 g SST/habitante dia
Lodo estabilizado
Custo estimado de implantação: R$120 a 160/habitante (para 200.000 a 600.000
habitantes)
Energia para aeração: aproximadamente 20 kWh/habitante ano
 ETE convencional com filtro biológico de alta taxa (com decantador primário,
filtro biológico e decantador secundário, adensador de lodo e digestor anaeróbio)
Qualidade do efluente: DBO5 < 30 mg/L
SST < 30 mg/L
N-amoniacal > 15 mg/L
Lodo produzido: 35 a 40 g SST/habitante dia
Lodo estabilizado
Custo estimado de implantação: R$100 a 130/habitante
 ETE com lodos ativados por aeração prolongada (θc = 18 a 30 dias, sem
decantador primário)
Qualidade do efluente: DBO5 < 20 mg/L
SST < 40 mg/L
N-amoniacal < 5 mg/L
Lodo produzido: 40 a 45 g SST/habitante dia
Lodo estabilizado aerobiamente, mais difícil de desidratar
Custo estimado de implantação: R$60 a 80/habitante (para 50.000 a 150.000
habitantes)
Energia para aeração: 35 kWh/habitante ano
 ETE com lodos ativados de alta taxa (θc = 1,0 a 2,0 dias, sem decantador
primário e sem digestor de lodo; tanque de aeração com oxigênio puro ou
através de poço profundo tipo deep shaft)
Qualidade do efluente: DBO5 < 30 mg/L
SST < 30 mg/L
N-amoniacal > 15 mg/L
Lodo produzido: 65 a 70 g SST/habitante dia de lodo não digerido; para a
estabilização com cal do lodo desidratado (pH > 11), chega-se a 90 a 95 g
SST/habitante dia; se houver percolação de água pelo lodo, o mesmo volta a ficar
não estabilizado
Custo estimado de implantação: R$80 a 90/habitante (para 200.000 a 500.000
habitantes)
Energia para aeração: 15 kWh/habitante ano
 ETE com reator UASB seguido de lodos ativados
Operação dos lodos ativados com alta taxa (θc < 3 dias), sem nitrificação
Qualidade do efluente: DBO5 < 20 mg/L
SST < 30 mg/L
N-amoniacal > 20 mg/L
Lodo produzido: < 25 a 30 g SST/habitante dia
Lodo digerido
Custo estimado de implantação: R$50 a 80/habitante (para 50.000 a 500.000
habitantes)
Energia para aeração: 6 kWh/habitante ano
Operação dos lodos ativados com taxa convencional (θc = 4 a 7 dias), com
nitrificação
Qualidade do efluente: DBO5 < 20 mg/L
SST < 30 mg/L
N-amoniacal < 5 mg/L
Lodo produzido: 22 a 27 g SST/habitante dia
Lodo digerido
Custo estimado de implantação: R$70 a 100/habitante (para 50.000 a 500.000
habitantes)
Energia para aeração: 15 kWh/habitante ano
 ETE com reator UASB seguido de filtro biológico de alta taxa
Qualidade do efluente: DBO5 < 30 mg/L
SST < 30 mg/L
N-amoniacal > 20 mg/L
Lodo produzido: 25 a 30 g SST/habitante dia
Lodo digerido
Custo estimado de implantação: R$50 a 80/habitante (para 20.000 a 200.000
habitantes)
 ETE com reator UASB e filtro biológico aerado submerso (sem nitrificação)
Qualidade do efluente: DBO5 < 20 mg/L
SST < 30 mg/L
N-amoniacal > 20 mg/L
Lodo produzido: 25 a 30 g SST/habitante dia
Lodo digerido
Custo estimado de implantação: R$80 a 100/habitante
Energia para aeração: ~ 6 kWh/habitante ano
 Lagoas aeradas aeróbias seguidas de lagoas de decantação
Qualidade do efluente: DBO5 < 30 mg/L
SST < 40 mg/L
N-amoniacal > 25 mg/L
Lodo produzido: 15 a 25 g SST/habitante dia, com remoção de lodo digerido a cada
4 a 5 anos
Custo estimado de implantação: R$50 a 70/habitante (para 30.000 a 200.000
habitantes)
Energia para aeração: 22 kWh/habitante ano

1.3. Marco regulatório para manejo de lodos e normas

O Brasil não tem uma legislação específica para lodo de esgotos, porém existe
uma série de leis e normas que devem ser respeitadas. Como por exemplo, a NBR
10.004 (1987), da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), responsável pela
classificação dos resíduos quanto aos seus riscos potenciais ao meio ambiente e à saúde
pública, para que estes resíduos possam ter manuseio e destinação adequados.
Segundo a NBR 10.004 (1987), resíduos sólidos são resíduos nos estados sólido
e semi-sólido, que resultam de atividades da comunidade de origem: industrial,
doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos
nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles
gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como
determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede
pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam para isso soluções técnica e
economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível.
Ainda segundo a NBR citada, o lodo de esgoto pode ser enquadrado na Classe
II (não-inertes). A Classe II pode apresentar as propriedades de combustibilidade,
biodegradabilidade e solubilidade em água, porém não pode apresentar as propriedades
de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade, típicas da
Classe I. Além disto, a norma é explícita em afirmar que os resíduos gerados nas ETEs
não se incluem na Classe I (Zeitouni, 2005).
Na aplicação desta norma é necessário consultar: NBR 10.005 – Lixiviação de
resíduos – procedimento; NBR 10.006 – Solubilização de resíduos – procedimento;
NBR 10.007 – Amostragem de resíduos – procedimento; ASTM D 93 – Flash point by
pensky martens closed tester; NACE TM-01-69 – Laboratory corrosion testing of
metals for the process industries – Test method.
Há também algumas leis que devem ser analisadas quando se tratar da
disposição de lodo de esgoto: Constituição Federal de 1988; Lei Federal 6.938, de 31 de
agosto de 1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente; Lei Federal nº
11.445, de 5 de janeiro de 2007, que estabelece as diretrizes nacionais para o
saneamento básico e para a política federal de saneamento básico; Lei Federal nº
12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos.
O CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) apresenta resoluções
sobre o uso agrícola dos lodos de esgotos, como a Resolução 357, de 29 de agosto de
2006, que define critérios e procedimentos, para o uso agrícola desses lodos gerados em
estações de tratamento de esgoto sanitário e seus produtos derivados.
A CETESB (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de
São Paulo) também apresenta uma norma sobre a aplicação de lodos de esgoto em áreas
agrícolas, a Norma P 4.230, de outubro de 1998. Esta norma estabelece os
procedimentos, critérios e requisitos para a elaboração de projetos, implantação e
operação de sistemas de aplicação de lodos de estações de tratamento biológico de
despejos líquidos sanitários ou industriais, também denominados biossólidos, em áreas
agrícolas visando atendimento de exigências ambientais.
Segundo esta norma, os biossólidos podem ser classificados quanto à presença
de patógenos e tratamento de redução de patógenos, em Classe A ou Classe B.
No estado do Paraná, a Lei nº 12.493 (Lei de resíduos do Paraná), de 22 de
janeiro de 1999, estabelece princípios, procedimentos, normas e critérios referentes a
geração, acondicionamento, armazenamento, coleta, transporte, tratamento e destinação
final dos resíduos sólidos, visando controle da poluição, da contaminação e a
minimização de seus impactos ambientais. Ficam incluídos entre os resíduos sólidos, os
lodos provenientes de sistemas de tratamento de água e os gerados em equipamentos e
instalações de controle de poluição, bem como os líquidos cujas características tornem
inviável o seu lançamento em rede pública de esgotos ou corpos d'água ou exijam,
para tal fim, solução técnica e economicamente inviável, em face da melhor
tecnologia disponível, de acordo com as especificações do Instituto Ambiental do
Paraná (IAP).

1.4. Normativa estrangeira

Nos EUA o uso e disposição do lodo de esgoto é regulamentado pela 40 CRF


Part 503, Padrões para o Uso e Disposição do Lodo de Esgoto, de 1993.
Esta legislação cobre três categorias de disposição final de lodo de esgoto:
aplicação no solo, disposição no solo e incineração. Incluindo práticas de gestão,
padrões operacionais, requisitos para o conteúdo de metais poluentes, de organismos
patogênicos e redução de atração de vetores.
A Subpart D da Part 503 descreve três classificações de biossólidos, e especifica
seus critérios. Duas dessas classes (A e B) incluem um critério de indicador de bactéria
e/ou organismos patogênicos, e o terceiro tipo de biossólido é o biossólido de qualidade
excepcional (EQ), que inclui tanto o critério de organismos patogênicos como o critério
de metais pesados (Vesilind e Spinosa, 2001).
Na União Europeia a legislação mais importante sobre lodo de esgoto é a
Diretiva 86/278 relativa à proteção do solo e a utilização do lodo na agricultura.
Nessa Diretiva ao lado de conceitos sobre os diferentes tipos de lodos, são
apresentadas tabelas sobre os limites de concentração dos metais pesados nos solos e no
lodo de esgoto, bem como a dose máxima de aplicação anual, baseada em média de 10
anos, a metodologia para a amostragem e análise do lodo e do solo (Zeitouni, 2005).
O propósito desta diretiva é regular o uso do lodo de esgoto na agricultura de
modo a prevenir os efeitos prejudiciais no solo, vegetação, animais e homem, desse
modo encorajando o uso correto do lodo de esgoto (Counsil Directive, 1986).

2. Caracterização de lodos

O lodo de esgoto deve ser tratado antes da sua disposição final ou utilização,
assim, este deve ser cuidadosamente caracterizado a fim de tornar a estabilização, o
desaguamento e outros processos eficazes (Kopp e Dichtl, 2001).
Os parâmetros utilizados para caracterização podem ser físicos, químicos ou
biológicos, conforme mostra a Tabela 2.1.

Tabela 2.1 Parâmetros de caracterização de lodo


Parâmetros Esclarecimento
Físicos
Teor de sólidos totais Parâmetro básico – concentração de sólidos
Teor de sólidos voláteis Parâmetro básico – concentração de sólidos orgânicos
Tipo de lodo Influencia a clarificação e adensamento
Condicionamento Exigência de agentes de condicionamento
Tamanho da partícula Descrição dos sólidos
Tempo de sucção capilar Teste de desaguamento
Distribuição de água Influencia o resultado de desaguamento
Densidade Influencia o desaguamento em centrífugas
Resistência à filtração Influencia o desaguamento em filtros
Viscosidade Descreve o processo de bombeamento
Estabilidade de cisalhamento Descreve a estabilidade dos diques de aterro
Poder calorífico Influencia os processos de incineração
Químicos
pH/alcalinidade Descreve a estabilidade da digestão
Ácidos graxos Descreve a estabilidade da digestão
Concentração de C, N, P Concentração de C, N, P no lodo e na água de processo
Nível de poluição Metais pesados, substâncias orgânicas perigosas
Biológicos
Características de patógenos Descreve o aspecto de higiene do lodo
Estabilidade biológica Descreve a produção de biogás
Bulking Influencia a clarificação e o adensamento
Fonte: Kopp e Dichtl (2001)

O teor de sólidos totais e voláteis e o tipo de lodo são parâmetros importantes


para a caracterização do lodo, especialmente quando o balanço de sólidos no lodo deve
ser calculado (Kopp e Dichtl, 2001).
Dados típicos da composição química de lodo não tratado e de lodo não digerido
são relatados na Tabela 2.2. Muitos constituintes químicos, incluindo os nutrientes, são
importantes ao considerar a disposição final dos sólidos processados e a remoção do
líquido durante o processamento. A medição de pH, alcalinidade e teor de ácidos
orgânicos são importante no controle da digestão anaeróbia. O teor de metais pesados,
pesticidas e hidrocarbonetos devem ser determinados quando os métodos de incineração
ou aplicação no solo forem contemplados (Metcalf e Eddy, 2004).

Tabela 2.2 Composição química de lodo não tratado e de lodo digerido


Lodo primário não Lodo primário Lodo ativado
Item
tratado digerido não tratado
Faixa Típico Faixa Típico Faixa
Teor de sólidos
5–9 6 2–5 4 0,8 – 1,2
totais (%)
Teor de sólidos
60 – 80 65 30 – 60 40 59 – 88
voláteis (%)
Óleos e graxas:
Éter solúvel (%) 6 – 30 - 5 – 20 18 -
Éter extrato (%) 7 – 35 - - - 5 – 12
Proteína (%) 20 – 30 25 15 – 20 18 32 – 41
Nitrogênio (%) 1,5 – 4 2,5 1,6 – 3,0 3,0 2,4 – 5,0
Fósforo (%) 0,8 – 2,8 1,6 1,5 – 4,0 2,5 2,8 – 11
Potássio (%) 0–1 0,4 0 – 3,0 1,0 0,5 – 0,7
Celulose (%) 8 – 15 10 8 – 15 10 -
Ferro 2,0 – 4,0 2,5 3,0 – 8,0 4,0 -
Sílica (%) 15 – 20 - 10 – 20 - -
pH 5,0 – 8,0 6,0 6,5 – 7,5 7,0 6,5 – 8,0
Alcalinidade
500 – 1500 600 2500 – 3500 3000 580 – 1100
(mg/L)
Ácidos orgânicos
200 – 2000 500 100 – 600 200 1100 – 1700
(mg/L)
Poder calorífico
23000 - 29000 25000 9000 - 14000 12000 19000 – 23000
(kJ/kg TSS)
Fonte: Metcalf e Eddy (2004)

Augustini e Onofre (2007) caracterizaram o lodo de esgoto da estação de


tratamento da cidade de Pato Branco, Paraná (Tabela 2.3).
Tabela 2.3 Características do lodo de esgoto
Parâmetros analisados Concentrações médias
pH 7,56
C (g/kg) 152
Relação C:N (g/kg) 10:2
N-NH4 (mg/kg) 1.546
N-NO3 (mg/kg) 536
P total (%) 8,00
S total (%) 1,23
K (%) 1,34
Ca (%) 165
Mg (%) 5,21
Cd (mg/kg) 5,05
Cr (mg/kg) 68,78
Cu (mg/kg) 123,45
Ni (mg/kg) 89,76
Pb (mg/kg) 143,05
Zn (mg/kg) 1256,09
Coliformes totais (NMP/mg) 6,3x103
Coliformes fecais (NMP/mg) 3,2x102
Salmonelas (NMP/mg) 1,2x10
Fonte: Augustini e Onofre (2007)

Lozada et al. (2008) caracterizaram o biossólido da estação de tratamento de


Cañaveralejo, na cidade de Cali, Colômbia (Tabela 2.4).

Tabela 2.4 Características do biossólido da ETE Cañaveralejo


Parâmetros Biossólido
pH 6,5
Umidade (%) 70
Carbono orgânico (%) 18,5
N-total (%) 2,33
Relação C:N 8,0
P-total (%) 0,9
K (%) 0,08
Coliformes totais (UFC/g) 1,6x106
Coliformes fecais (UFC/g) 5,2x105
Ovos de helmintos (HH/g) 3
Fonte: Lozada et al. (2008)

Ramos et al. (2009) caracterizaram o lodo gerado em catorze lavanderias


industriais da região de Maringá, Paraná (Tabela 2.5).
Tabela 2.5 Características do lodo
Parâmetros Lodo
Aspecto Pastoso
pH 7,8
Densidade (g/cm3) 1,95
Matéria orgânica total (%) 41,0
Umidade (%) 21,5
Al (mg/kg) 62.966,7
Pb (mg/kg) 174,7
Cu (mg/kg) 287,5
Cr (mg/kg) 195,0
Fe (mg/kg) 35.172,4
Mn (mg/kg) 1.106,1
Na (mg/kg) 33.275,3
Zn (mg/kg) 294,4
Ag (mg/kg) n.d
Ba (mg/kg) n.d
Cd (mg/kg) n.d
As (mg/kg) n.d
Hg (mg/kg) n.d
Se (mg/kg) n.d
n.d: valor não detectado pelo aparelho.
Fonte: Ramos et al. (2009)

3. Tratamentos de lodos

3.1. Tipos de tratamentos e processos envolvidos

O principal objetivo do tratamento do lodo de esgoto é gerar um produto mais


estável e com menor volume para facilitar seu manuseio e, consequentemente, reduzir
os custos nos processos subsequentes. Esse tratamento se dá através de processos
físicos, químicos e biológicos (Pedroza et al., 2010). Geralmente, o tratamento do lodo é
realizado por meio das seguintes etapas:
 Adensamento ou espessamento: redução de umidade (redução de volume);
 Estabilização: redução de matéria orgânica (redução de sólidos voláteis);
 Condicionamento: preparação para a desidratação (principalmente mecânica);
 Desaguamento: redução adicional de umidade (redução de volume);
 Higienização: remoção de organismos patogênicos;
 Disposição final: destinação final dos subprodutos.
Antes de tomar uma decisão a respeito de qual tratamento deve ser aplicado ao
lodo, é de grande interesse conhecer a quantidade de lodo produzido, suas
características químicas e microbiológicas, os custos de implantação, de operação e de
gerenciamento do tratamento. Só desta forma é que podemos assegurar o êxito do
método de tratamento a ser utilizado (Chávez et al, 2000 apud Barros et al., 2005).

3.2. Processos físicos

3.2.1. Adensamento

O adensamento do lodo proveniente das unidades de tratamento da fase líquida


consiste no aumento da concentração de sólidos nele contidos, através da remoção
parcial da quantidade de água que caracteriza o seu grau de umidade. Portanto, o
adensamento visa a redução do volume do lodo para o manuseio e consequente
processamento e destino final (Jordão e Pessôa, 2005).
O objetivo do adensamento é reduzir a água dos resíduos através de meios
físicos. Desta forma, consegue-se reduzir a capacidade volumétrica das unidades
subsequentes de tratamento, como volume dos digestores, tamanho das bombas etc.
Como outros benefícios, pode-se citar a redução do consumo de produtos químicos no
desaguamento, redução do consumo de energia do aquecimento dos digestores (Miki et
al., 2006).
Segundo a EPA (2002), o adensamento é vantajoso para a maioria das estações
de tratamento de águas residuárias. No entanto, as características do sólido adensado são
únicas para cada estação de tratamento, e essas estações devem desenvolver um plano
de gestão de biossólidos para avaliar as tecnologias disponíveis, incluindo o
adensamento por gravidade, a flotação por ar dissolvido e a centrifugação. Todas essas
tecnologias são utilizadas, no entanto, elas variam em critérios de desempenho, tais
como concentração de sólidos alcançada, captura de sólidos, odores, demanda de
energia, exigências de trabalho, sensibilidade às mudanças de temperatura, e
características dos sólidos. Além disso, deve ser realizado um teste piloto antes do
projeto.
A Tabela 3.1 relaciona as faixas usuais de teor de sólidos que se consegue obter
com os diversos tipos de adensamento.
Tabela 3.1 Adensamento do lodo, teor de sólidos (%)
Operação Faixa usual Valor típico
Adensamento por gravidade
- lodo primário bruto 4 – 10 6
- lodo misto, primário e ativado 2–6 4
- lodo misto, prim. e filtro biológ. 4–8 5
Adensamento por flotação
- lodo ativado 3–6 4
Adensamento por centrifugação
- lodo ativado 3–8 5
Adensamento em filtros de esteira
- lodo ativado 4–8 5
Fonte: Jordão e Pessôa (2005)

3.2.1.1. Adensamento por gravidade

Os adensadores por gravidade são usados para aumentar a concentração de lodo


pelo processo de sedimentação da matéria em suspensão, utilizando-se apenas de
mecanismos físicos.
O processo mais comum de adensamento por gravidade realiza-se em tanques de
sedimentação circulares, equipados com braços raspadores de lodo, conforme ilustrado
na Figura 3.1. O lodo entra por um poço central do tanque, situado na parte superior.
Após a entrada, o lodo sofre os processos de sedimentação e compactação. O lodo
adensado é retirado do fundo do tanque e encaminhado para outras unidades do
processo, como por exemplo, digestão anaeróbia ou desaguamento. O líquido
sobrenadante, com significativa concentração de sólidos em suspensão, escoa através
dos vertedores periféricos do tanque e retorna para o início do processo de tratamento de
esgotos (Miki et al., 2006).
Figura 3.1. Detalhes do adensador por gravidade
Fonte: Qasim (1999) apud Miki et al. (2006)

De acordo com Gonçalves et al (2001a), o comportamento do lodo em um


adensador segue os princípios de sedimentação zonal e da teoria do fluxo de sólidos. O
dimensionamento pode ser feito com base nestes princípios, ou através de taxas de
aplicação de sólidos e taxas de aplicação hidráulica.
A taxa de aplicação hidráulica é importante, no sentido de se controlar tempos
de detenção excessivos, que poderiam levar à geração de maus odores. Neste sentido,
recomendam-se taxas na faixa de 20 a 30 m3/m2.d. Este valor nem sempre é alcançado
apenas com o lodo afluente. Para se solucionar este problema, pode-se recircular parte
do efluente final para o adensador, de forma a aumentar a vazão afluente, e reduzir a
taxa de aplicação hidráulica. Este aumento da vazão traz inconvenientes para o
desempenho do adensador (Jordão e Pessôa, 2005).
Devido às características do adensamento de sólidos de águas residuárias poder
variar consideravelmente, é desejável desenhar uma instalação de adensamento usando
critérios baseados em programa de testes. Programas de testes que podem incluir
ensaios de sedimentação em batelada, ensaios em escala de bancada e ensaios em escala
piloto. O último método é recomendado sempre que possível, porque os dados podem
ser obtidos de uma variedade de parâmetros de processo (Metcalf e Eddy, 2004).

3.2.1.2. Flotação

A flotação é uma operação unitária utilizada para separar partículas líquidas ou


sólidas da fase líquida. A separação é obtida introduzindo-se bolhas finas de ar na fase
líquida, provocando a ascensão de partículas para a superfície, mesmo as com maior
densidade que o líquido. Uma vez na superfície podem ser coletadas e removidas por
escumadeiras (Metcalf e Eddy, 2004).
Nos sistemas de adensamento por flotação, o ar é dissolvido em alta pressão e
em seguida desprendido na pressão atmosférica (Miki et al., 2006).
O adensamento por flotação encontra boa aplicabilidade para o adensamento de
lodo ativado. Em ETEs com remoção biológica de fósforo, nas quais o lodo necessita
permanecer em condições aeróbias para não liberar o fósforo na massa líquida, a
flotação por ar dissolvido alcança também uma boa aplicabilidade (Gonçalves et al.,
2001a).
Tipicamente a flotação por ar dissolvido utiliza polímeros para aumentar a
captura de sólidos (de 85% sem polímeros até 98% com polímeros), e aumentar a taxa
de aplicação de sólidos na unidade de flotação. Esta pode ser aumentada da faixa de 1,5
a 4,0 kg SS/m2.h, até 10 o que constitui uma grande vantagem.
Figura 3.2. Esquema de funcionamento do adensador por flotação
Fonte: WEF (1998) apud Miki et al. (2006)

3.2.1.3. Centrifugação

As centrífugas são utilizadas tanto para o adensamento quanto para a


desidratação dos lodos. Esse processo caracteriza-se pela sedimentação das partículas
do lodo sob influência da força centrípeta.
O adensamento por centrifugação costuma ser indicado quando a desidratação
do lodo já é realizada também por centrifugação. Desta forma facilita-se o aspecto de
manutenção de equipamentos, sendo igualmente possível usar uma mesma centrífuga
como unidade reserva para o adensamento e para a desidratação. Sua utilização no
entanto está limitada ao lodo secundário (Jordão e Pessôa, 2005).

3.2.2. Desaguamento

O desaguamento, também conhecido (erroneamente) como desidratação, é uma


operação unitária física (mecânica) que reduz o volume do lodo por meio da redução do
seu teor de água (Miki et al, 2006). A capacidade de desaguamento varia de acordo com
o tipo de lodo. Um lodo ativado, por exemplo, é mais fácil de ser desaguado do que um
lodo primário digerido anaerobiamente. Esta variação na capacidade de desaguamento
está diretamente relacionada com o tipo de sólido e a forma com que a água está ligada
às partículas do lodo (Malta, 2001).
Conforme von Sperling (2005), o desaguamento, realizado com o lodo digerido,
tem impacto importante nos custos de transporte e destino final do lodo. As principais
razões para se realizar o desaguamento são:
 Redução do custo de transporte para o local de disposição final;
 Melhoria nas condições de manejo do lodo, já que o lodo desaguado é mais
facilmente processado e transportado;
 Aumento do poder calorífico do lodo, através da redução da umidade com vistas à
preparação para incineração;
 Redução do volume para disposição em aterro sanitário ou reuso na agricultura;
 Diminuição da produção de lixiviados quando da sua disposição em aterros
sanitários.
Os processos de desaguamento podem ser naturais ou mecânicos, sendo a
escolha do processo dependente do tipo de lodo e da área disponível. Dentre os
processos naturais destacam-se os leitos de secagem e as lagoas de secagem. Já dentre
os processos mecânicos encontram-se as centrífugas, as prensas desaguadoras e os
filtros prensas.
A escolha do processo de desaguamento é função do porte da Estação de
Tratamento de Esgoto (ETE), do tipo de lodo, da área, dos recursos financeiros e da
mão de obra disponíveis. Para ETEs de pequeno porte, geralmente localizadas em
regiões com disponibilidade de área e mão de obra pouco especializada, geralmente são
utilizados sistemas naturais tais como lagoas e leitos de secagem. Para ETEs de médio e
grande porte, a maior parte das plantas emprega sistemas mecânicos, que tem a
capacidade de tratar grandes quantidades de lodo em uma área reduzida demandando no
entanto mão de obra especializada dada a complexidades destes processos.

3.2.2.1. Leitos de secagem

Os leitos de secagem são unidades que tem por objetivo desidratar, por meios
naturais, o lodo digerido em digestores aeróbios ou digestores anaeróbios. A digestão
confere ao lodo uma densidade menor que a unitária. Explica-se assim a tendência do
material digerido flutuar durante o processo de secagem acumulando-se na superfície e
permitindo o desprendimento do líquido intersticial pela parte inferior. Uma malha de
drenagem prevista na parte inferior do sistema permite a retirada e afastamento deste
líquido (Aisse, et al., 2001).
Os leitos de secagem são indicados para comunidade de pequeno e médio porte,
com estações de tratamento de águas residuárias tratando uma população equivalente de
até cerca de 20 mil habitantes localizada em áreas afastadas da zona urbana.
As principais desvantagens desse processo são (Viessman e Hammer, 1985 apud
Malta, 2001):
 Problemas com a secagem do lodo, durante os períodos chuvosos (em alguns
locais, a cobertura dos leitos de secagem pode ser estudada, visando a solucionar
esse problema);
 Risco de liberação de odores desagradáveis, proliferação de moscas;
 Possibilidade de contaminação do lençol freático, caso o fundo dos leitos e o
sistema de drenagem não sejam bem executados;
 Necessidade de estabilização prévia do lodo;
 Operação manual, na remoção do lodo desidratado ocasiona uma elevada
necessidade de mão de obra, com certos riscos à saúde dos operadores;
 Problemas com a vizinhança por causa de odores desagradáveis;
 Comparado aos outros processos de secagem, requer grandes áreas, enquanto
nos processos mecanizados consegue-se a secagem de um determinado volume
em algumas horas, um ciclo completo de leitos de secagem, que inclui as
operações de lançamento do lodo, o tempo de espera para a secagem e a retirada
do lodo seco é variável, mas em média, fica por volta de 21 dias. Esse tempo
depende naturalmente das condições climáticas locais, podendo ser bem maior
em condições adversas; isso determina a necessidade de grandes áreas para
permitir uma secagem contínua.
As principais vantagens da utilização deste tipo de processo são:
 Baixo valor de investimento;
 Exigência de operador com baixo nível de qualificação devido à simplicidade
operacional e ao baixo nível de atenção requerido;
 Baixo consumo de energia elétrica e produto químico;
 Baixa sensibilidade a variações nas características do lodo;
 Torta com alto teor de sólidos.
De acordo com Jordão e Pêssoa (2005), o funcionamento dos leitos de secagem
é baseado em um processo natural de perda de umidade que se desenvolve devido aos
fenômenos: liberação dos gases dissolvidos ao serem transferidos do digestor (pressão
elevada) e submetidos à pressão atmosférica nos leitos de secagem; liquefação, devido à
diferença do peso específico aparente do lodo digerido e da água, estabelecendo a
flotação do lodo e rápida drenagem da água; evaporação natural da água devido ao
contato íntimo com a atmosfera; e evaporação devido ao poder calorífico do lodo.
Os leitos de secagem foram as primeiras unidades a serem utilizadas na
separação sólido-líquida do lodo, sendo caracterizados pelas seguintes partes: tanques
de armazenamento, camada drenante e cobertura.
Os leitos podem ser instalados ao ar livre ou cobertos para proteção contra
influência das chuvas e das geadas. A secagem é realizada em batelada com o rodízio de
vários leitos de secagem (van Haandel e Lettinga, 1994). Segundo Hess (1973), o lodo
digerido, sujeito a uma pressão hidrostática elevada no decantador ou no digestor,
apresenta água intersticial saturada de gases como CO2 e metano. Quando levado a
leitos de secagem para desidratação, pode flotar devido à diferença de peso específico
do lodo digerido e da água. Sendo assim, durante grande parte do período de
desidratação, a água percola com facilidade no leito filtrante, até que o lodo se deposite
e se transforme numa massa densa e pastosa. A partir daí, a percolação é praticamente
interrompida e a secagem é realizada por evaporação natural da água (Gonçalves et al.,
2001a).
Segundo Pedroza et al. (2006), um aspecto importante diz respeito à
possibilidade de se usar a energia solar para aumentar a temperatura do lodo e, dessa
maneira, melhorar sua qualidade sanitária, proporcionando a sua aplicação como
insumo agrícola. Sendo esta possibilidade existente somente quando há vários fatores
favoráveis: alta intensidade da radiação solar, baixa umidade do lodo e pequena taxa de
aplicação de sólidos. Sem um desses fatores não é possível aumentar a temperatura
suficientemente para provocar a higienização térmica. Nesse caso, a higienização ainda
é possível pela ação dos raios solares ou por um longo tempo de secagem, reduzindo o
valor da umidade para menos de 10%.
O lodo em condições normais de secagem poderá ser removido do leito de
secagem depois de um período que varia de 12 a 20 dias, quando a umidade atinge
valores de 70 a 60% (Jordão e Pêssoa, 2005). A remoção do lodo deve ser rápida, a fim
de não dificultar sua retirada posterior, além disso, sua permanência prolongada no leito
promove o crescimento de vegetação, o que também dificulta sua retirada.
O lodo de reatores anaeróbios tipo UASB (reator anaeróbio de manta de lodo e
fluxo ascendente), tratando esgotos domésticos, se adapta muito bem ao desaguamento
em leitos de secagem. A biomassa fica retida mais tempo no sistema, onde ocorre a
digestão anaeróbia do próprio material celular. O resultado disto é um lodo com menor
teor de matéria orgânica (lodo digerido) e maior concentração de sólidos inorgânicos, o
que dispensa uma etapa posterior de digestão (Barros et al., 2005).
Silva e Chernicharo (2007) avaliaram a aptidão ao desaguamento, em leitos de
secagem, de lodos anaeróbios provenientes de dois reatores UASB, sendo um controle e
outro precedido de um sistema de peneiramento forçado do esgoto bruto. Ambos os
reatores possuíram a mesma aptidão, pois apresentaram o mesmo teor de umidade ao
longo do tempo. Os autores verificaram que, quanto maior a taxa de sólidos aplicada
aos leitos, maior é o tempo de secagem necessário para se atingir uma determinada
concentração de sólidos; para um tempo de secagem de 20 dias, os lodos provenientes
de ambos os reatores atingiram concentrações de sólidos totais em torno de 65% e 40%,
para cargas de 7,5 e 12,5 kgST/m2, respectivamente. O estudo demonstrou que a maior
parte da umidade contida no lodo foi perdida por percolação, representando entre 55 e
65% do volume inicial de lodo disposto nos leitos. Já o volume perdido por evaporação
variou de 20 a 30%. Vale ainda ressaltar que o volume decresce de forma exponencial,
o que demonstra uma perda de água muito grande nos primeiros dias operacionais
seguida de uma significativa redução dessa taxa ao longo do tempo. Ao final dos 20
dias de secagem, o lodo apresentava de 15 a 20% do seu volume inicial.

3.2.2.2. Lagoas de secagem

O sistema de disposição de lodo em lagoas resume-se no emprego de


reservatórios feitos em terra ou em simples depósito de lodos em depressões do terreno,
cujas características evitem problemas com as fases de manuseio do lodo, carga e
remoções, e ainda que os gases e líquidos liberados pelo processo não afetem as
condições ambientais (Jordão e Pessôa, 2005).
De acordo com Gonçalves et al. (2001a), o lodo permanece nas lagoas por um
período de 3 a 5 anos, durante o qual o lodo é adensado por ação da gravidade, digerido
pelos próprios microrganismos presentes e desaguado através da drenagem da água
livre, de evaporação e de escoamento superficial. Trata-se de um processo recomendado
para desaguar lodos digeridos previamente pelas vias aeróbia ou anaeróbia, não sendo
recomendado para desaguamento de lodos primários ou mistos.
O lodo digerido é descarregado nas lagoas de forma adequada para realizar uma
distribuição uniforme. A profundidade do lodo geralmente varia de 0,75 a 0,25 metros.
Normalmente são fornecidas instalações para decantação do sobrenadante, e o líquido é
reciclado para a estação de tratamento. O lodo é removido mecanicamente, geralmente
quando o teor de sólidos estiver entre 25 a 30%. A duração do ciclo das lagoas varia de
alguns meses a alguns anos. Tipicamente, o lodo é bombeado para a lagoa por 18
meses, e então a lagoa permanece em repouso por 6 meses. Um mínimo de duas células
é essencial, mesmo em estações pequenas, para garantir a disponibilidade de
armazenamento durante a limpeza, manutenção, ou em condições de emergência
(Metcalf e Eddy, 2004).
Este tipo de processo apresenta uma série de vantagens como:
 Consumo de energia bastante reduzido;
 Ausência de produtos químicos;
 Pequena sensibilidade a variações nas características do lodo;
 Mão de obra pouco especializada;
 Serve como unidade reserva em ETEs com problemas operacionais no
desaguamento de lodos;
 Baixo custo de implantação nos casos onde há terreno e custo reduzido.
Já as desvantagens são:
 Geração de odores de difícil controle;
 Pode poluir lençol freático e águas superficiais;
 Atração de vetores, principalmente mosquitos e moscas;
 Impacto visual;
 Ausência de critérios racionais de engenharia para estudo econômico.
As lagoas de secagem podem ser classificadas, quanto ao uso e processo, em
temporárias ou permanentes. As lagoas temporárias são aquelas que exigem remoções
periódicas do lodo seco para permitir o recarregamento da unidade. E as lagoas
permanentes são aquelas onde não há a obrigatoriedade de remoção do lodo seco,
podendo este ser removido após vários anos de aplicação. Este tipo de lagoa é
considerado o método de menor custo operacional, acarretando apenas aumento ao
custo da área necessária.
Em função do processo ou das características do lodo afluentes, as lagoas de
secagem são classificas em facultativas ou permanentes. As lagoas facultativas recebem
o lodo bruto, em que a estabilização é uma tarefa a ser desempenhada pelo processo. Já
as lagoas permanentes recebem o lodo previamente digerido.

3.2.2.3. Centrífugas

A operação de centrifugação é utilizada para separar duas ou mais fases de


densidades diferentes, em particular, para separar sólidos em suspensão de um meio
líquido. Envolve a aplicação de uma força centrífuga à mistura, que acelera a separação
das frações de diferentes densidades. É um processo similar á decantação por gravidade,
com a diferença de se usar, neste caso, uma força centrífuga muitas vezes superior à
força da gravidade, que é promovida pela rotação em alta velocidade do conjunto
rotativo da máquina (David, 2002).
As centrífugas são os únicos equipamentos utilizados indistintamente para
adensamento e desaguamento do lodo. O princípio de operação da centrífuga permanece
o mesmo, sendo possível a instalação de centrífugas em série, a primeira para o
adensamento do lodo e a segunda para desaguamento. Os principais tipos de centrífugas
utilizadas na desidratação de lodos são as centrífugas de eixo vertical e as centrífugas de
eixo horizontal. Suas principais diferenças situam-se no tipo de alimentação do lodo, na
intensidade da força centrífuga e na maneira com que a torta e o líquido são
descarregados do equipamento. Atualmente, a maioria das estações de tratamento que
deságuam lodos por centrifugação utiliza centrífugas de eixo horizontal. A alimentação
semi-contínua de lodo e os teores de sólidos relativamente inferiores na torta produzida
pela centrífuga de eixo vertical são alguns motivos que deram origem a tal preferência
(Gonçalves et al. 2001a).
Existem dois tipos mais comuns de centrífugas horizontais: as de fluxo em
contra corrente e as em co-corrente. Nas primeiras, a fase sólida e a fase líquida escoam
em sentidos contrários. Pela ação da força centrífuga, os sólidos mais pesados são
levados às paredes internas do tambor, enquanto a fase líquida escoa para a extremidade
oposta, de onde é retirada (recebe comumente o nome de “centrado”, e retorna ao início
do tratamento). Os sólidos separados são então arrastados pela ação de um parafuso sem
fim para a extremidade cônica, de onde são igualmente retirados como “torta seca”. O
parafuso gira numa rotação ligeiramente inferior à rotação do tambor. Nas máquinas
tipo co-corrente, os fluxos de sólidos e líquidos escoam no mesmo sentido, de modo que
os sólidos a travessam toda a extensão da centrífuga até serem retirados na parte cônica,
e a parte líquida se locomove no mesmo sentido (Jordão e Pessôa, 2005).
A concentração de sólidos, conseguida com a operação de centrifugação, pode
variar bastante. Essa concentração depende das características iniciais do lodo, do tipo e
dosagem do polímero utilizado e, também, das características do equipamento utilizado.
Segundo a WEF (1992), concentrações de sólidos da ordem de 30 a 35% têm sido
alcançadas com a utilização de centrífugas. Entretanto, na prática, tem sido observado
concentrações da ordem de 20 a 25% de sólidos para lodos originários de ETEs (David,
2002).
As principais vantagens das centrífugas são:
 Aparência com melhor acabamento, mínima geração de odores, capacidade
acionamento rápido de partida e desligamento;
 Fácil de instalar;
 Produz tortas relativamente secas;
 Baixa relação de capital de investimento/capacidade.
Entre as desvantagens destacam-se:
 Desgaste da rosca representa um problema potencial de manutenção;
 Necessidade de remoção de areia e possivelmente um triturador de lodo no
sistema de alimentação;
 Necessidade de pessoal de manutenção qualificado;
 Centrado possui alta concentração de sólidos suspensos.

3.2.2.4. Prensas desaguadoras

As prensas desaguadoras, também são chamadas de filtros de esteira, filtros


prensa de correias ou “belt press”, operam com menor eficiência de remoção de
umidade, permitindo obter uma torta seca com cerca de 15 a 25% de sólidos,
conseguindo-se uma captura entre 85 e 98% de sólidos na torta.
Na maioria dos tipos de prensas desaguadoras, o lodo condicionado é
primeiramente introduzido em uma seção de drenagem por gravidade, onde é espessado.
Nesta seção, a maioria da água livre é removida do lodo por gravidade. Em algumas
unidades, esta seção é equipada com vácuo, o que aumenta a drenagem e pode ajudar a
reduzir os odores. Após a drenagem por gravidade, uma pressão é aplicada em uma
seção de baixa pressão, onde o lodo é comprimido entre prensas opostas. Em algumas
unidades, a seção de baixa pressão é seguida por uma seção de alta pressão onde o lodo
é submetido a forças de cisalhamento enquanto as prensas passam por uma série de
rolos. Portanto, as forças de compressão e cisalhamento induzem a liberação de
quantidades adicionais de água do lodo. A torta de lodo final desaguada é removida das
prensas por lâminas de raspagem (Metcalf e Eddy, 2004).
Por ser um equipamento aberto, a prensa desaguadora tem como desvantagens a
emissão de aerossol, o elevado nível de ruído produzido e a eventual emissão de odores
desagradáveis (dependo do tipo de lodo). Outra grande desvantagem da prensa
desaguadora é o elevado número de rolamentos (40 – 50), que exigem acompanhamento
e substituição regulares. Apresenta como vantagens o baixo custo de aquisição e o
consumo reduzido de energia elétrica (Gonçalves et al., 2001a).

3.2.2.5. Filtros prensa

Os filtros prensa para desidratação de lodos surgiu inicialmente para atender a


indústria de açúcar na separação dos sucos através de telas de filtração. Outras
aplicações do filtro prensa podem ser citadas: em galvanoplastia na desidratação de
lodos de hidróxidos de metais provenientes da neutralização de efluentes ácidos; em
indústrias de cerâmica, mineração e cimento, na preparação de massas cerâmicas e de
porcelana, na desidratação de argila, caulim, pasta de cimento e nas diversas polpas de
minério; em indústrias alimentícias e de bebidas na clarificação de xaropes, sucos,
vinhos etc; na compactação de fermento alimentício, leveduras em geral, levedo de
cerveja etc; em indústrias químicas e petroquímicas nas clarificações de suspensões
químicas, na separação de cristais, na filtração de carvão em pó; em indústrias
farmacêuticas na clarificação de suspensões protéicas, de vacinas industriais etc (Miki,
1998).
Os filtros prensa constituem um equipamento de grande eficiência na
desidratação mecânica dos lodos. É comum obter-se uma torta com teor de sólidos da
ordem de 35%, isto é, 65% de umidade, podendo apresentar faixa típica entre 30 e 50%
de teor de sólidos. Cerca de 90 a 98% dos sólidos chegam a ser retirados na torta
(Jordão e Pessôa, 2005).
Este tipo de processo opera em batelada, em ciclos que compreendem as etapas
de enchimento, filtração e descarga da torta.
Segundo Gonçalves et al. (2001a), as principais vantagens dos filtros são:
 Torta com alta concentração de sólidos, superior à dos outros equipamentos
mecânicos;
 Elevada captura de sólidos;
 Qualidade do efluente líquido (clarificado);
 Baixo consumo de produtos químicos para condicionamento do lodo.

3.3. Processos químicos

3.3.1. Condicionamento

O condicionamento é um processo para melhorar as características de separação


das fases sólido-líquida do lodo, seja por meios físicos ou químicos. Conforme Haug et
al. (1992), o condicionamento de lodos neutraliza ou desestabiliza as forças químicas ou
físicas atuantes nas partículas coloidais e no material particulado em suspensão imersos
em meio líquido. Este processo de desestabilização permite que as partículas pequenas
se juntem para formar agregados maiores, ou seja, flocos (Miki, 1998). Essa formação
de flocos vai beneficiar o processo seguinte, ou seja, o desaguamento do lodo.
O principal objetivo do condicionamento é aumentar o tamanho das partículas
no lodo, envolvendo as pequenas partículas em agregados de partículas maiores. Isto é
realizado através de uma etapa de coagulação seguida de outra de floculação. A
coagulação diminui a intensidade das forças eletrostáticas de repulsão entre as
partículas, desestabilizando-as. A compressão da dupla camada elétrica que envolve
superficialmente cada partícula é o mecanismo que facilita sua aproximação. A
floculação permite a aglomeração dos colóides e dos sólidos finos através de baixos
gradientes de agitação (Gonçalves, 2001a).
O tipo de condicionamento influencia diretamente a eficiência dos processos de
desidratação. Por isso, a seleção de um determinado processo deve se basear em
critérios de custo de capital, operação e manutenção do sistema como um todo. Custos
relativos ao impacto da recirculação do sobrenadante nas outras etapas que compõem a
planta, na qualidade do efluente e nas emissões atmosféricas devem ser integrados à
análise (Gonçalves, 2001b).
O condicionamento pode ser realizado por meio da utilização de produtos
químicos inorgânicos, de produtos químicos orgânicos ou de tratamento térmico
(Vasques, 2008). Os orgânicos, normalmente utilizados, incluem o extenso grupo de
polieletrólitos orgânicos (polímeros) e os inorgânicos, frequentemente utilizados, são os
sais: férrico, ferrosos, de alumínio e óxido ou hidróxido de cálcio (David, 2002).

3.3.1.1. Condicionamento químico inorgânico

O condicionamento químico inorgânico é utilizado principalmente nos casos em


que o desaguamento é realizado por filtração a vácuo ou pressão. Os produtos químicos
normalmente utilizados são cal e cloreto férrico. Cloreto ferroso, sulfato ferroso e
sulfato de alumínio também são utilizados, embora com frequência bem menor
(Gonçalves, 2001a).
Segundo Gonçalves (2001a), resíduos de alto forno da indústria de cimento e de
cal, ricos em cálcio e potássio, também podem ser utilizados para condicionamento de
lodos, produzindo bons resultados. Entretanto, para que se obtenha o mesmo efeito
produzido pela cal na elevação do pH da mistura, é necessária a introdução do dobro da
quantidade daquele produto.
Uma característica operacional interessante do condicionamento inorgânico é de
que as superdosagens não costumam ser prejudiciais para o processo de desaguamento.
Os inconvenientes dessa superdosagem são os custos relativos aos gastos de produtos
químicos e a maior geração de lodo para disposição final (Miki et al., 2006).

3.3.1.1.1. Cloreto férrico

O cloreto férrico (FeCl3) é normalmente utilizado para condicionar os sólidos do


esgoto. A coagulação pelo cloreto férrico é dependente do pH e trabalha melhor acima
do valor 6. Para valor de pH abaixo de 6, o floco formado é instável, prejudicando a
desidratação do lodo. Por essa razão, a cal é usada para elevar o pH do lodo de modo a
otimizar o uso do FeCl3. Somente em poucos casos o FeCl3 tem melhor eficácia em pH
menor que 6 (Miki, 1998).
O cloreto férrico é hidrolisado na água, formando complexos de ferro com
cargas positivas que neutralizam as cargas de superfície negativas dos sólidos do lodo,
proporcionando sua agregação. Este produto também reage com a alcalinidade de
bicarbonatos do lodo, formando hidróxidos que atuam como floculantes (Gonçalves et
al., 2001a).

3.3.1.1.2. Cal

A cal é utilizada extensamente nas operações de ETEs para o controle de pH. É


comercialmente disponível em duas formas secas preponderantes: cal virgem (CaO) e
cal hidratada (Ca(OH)2).
A cal hidratada é utilizada, em geral, com cloreto férrico. Embora a cal tenha
pouco efeito sobre a desidratação de colóides, seu uso no condicionamento busca
principalmente o controle do pH, o controle de odores e a desinfecção dos lodos. O
carbonato de cálcio resultante da reação da cal com bicarbonatos consiste em uma
estrutura granular que aumenta a porosidade do lodo e reduz sua compressibilidade
(Gonçalves, 2001b).

3.3.1.2. Condicionamento químico orgânico

Polímeros orgânicos são amplamente utilizados no condicionamento de lodos,


existindo uma variedade de produtos com composição química, desempenho e relação
custo/benefício muito diferentes (Gonçalves et al, 2001a).
Conforme o Water Pollution Control Federation (1988) apud Miki et al. (2006),
os polímeros orgânicos apresentam muitas vantagens sobre os coagulantes inorgânicos
como agentes condicionadores de lodo, por apresentarem as seguintes características:
 Proporcionam redução nos custos de condicionamento;
 Geram menor produção em volume e em massa de sólidos adensados e
desaguados, devido à redução ou eliminação de sólidos acrescentados;
 Exercem influencia nos processos posteriores de tratamento do lodo, como por
exemplo, a incineração;
 Eliminam os problemas relacionados com o manuseio e estocagem de cal,
corrosão devido aos sais de ferro, construções civis (como por exemplo, silos de
cal, tanques de mistura etc) para o condicionamento inorgânico e o desgaste
associado com os condicionadores inorgânicos.
Uma característica operacional do condicionamento orgânico é de que os
polímeros trabalham em faixas estreitas de dosagem, ou seja, tanto as sub-dosagens
como as superdosagens são prejudiciais para o desaguamento do lodo. Uma implicação
prática deste condicionamento orgânico é a utilização de equipamentos mais
sofisticados de aplicação dos produtos químicos, como bombas com inversores de
frequência, PLC, medidores de vazão eletromagnéticos etc (Miki et al., 2006).

3.3.2. Estabilização

A estabilização significa biodegradação de parte da matéria orgânica, redução de


odores e do nível de microrganismos patogênicos (Malta, 2001). Segundo Metcalf e
Eddy (2004), os processos de estabilização do lodo de esgoto objetivam a redução de
organismos patogênicos, a eliminação de odores, e a inibição, redução ou eliminação do
potencial de putrefação.
De modo geral, o lodo estável é aquele que minimiza os riscos para a saúde
pública e o meio ambiente, portanto a estabilização do lodo está diretamente ligada ao
seu teor em microrganismos patogênicos e grau de putrescibilidade (Aisse et al., 2001).
A importância da estabilização está vinculada ao tipo de destino final do lodo.
Na reciclagem agrícola a estabilização está ligada diretamente a odores, atração de
moscas e conteúdo de patogênicos, portanto a acessibilidade do produto. Na disposição
em aterro sanitário, o grau de estabilização tem importância média, sendo
principalmente ligado à facilidade de desidratação do lodo e, em menor escala, aos
odores. Na incineração, o grau de estabilização também é importante, porém, de forma
inversa ao uso agrícola: um lodo muito estabilizado, que perdeu muito de sua fração
orgânica, também perdeu muito de seu potencial calorífico (Malta, 2001).
Conforme Ludovice (2001), os processos de estabilização podem ser divididos
em estabilização química, estabilização térmica e estabilização biológica.

3.3.2.1. Estabilização química

Na estabilização química são adicionados ao lodo produtos que podem inibir a


atividade biológica ou oxidar a matéria orgânica. O tratamento químico mais utilizado é
a via alcalina, em que uma base, normalmente a cal, é misturada ao lodo, elevando seu
pH e destruindo a maior parte dos microrganismos patogênicos (Fernandes e Sousa,
2001).
Segundo Jordão e Pessôa (2005), a estabilização alcalina consiste na adição de
cal ao lodo para elevar o pH até 12 ou mais, por pelo menos 2 horas, reduzindo
substancialmente os microrganismos presentes, 99% ou mais, assim, o lodo tratado se
torna impróprio para o desenvolvimento de microrganismos, não entrando mais em
estado de putrefação, nem gerando riscos ambientais ou de saúde pública.
Além da alteração do pH, dois fatores intervêm no processo de desinfecção do
lodo com o uso da cal: alteração da temperatura e a ação da amônia que será formada a
partir do nitrogênio do lodo em condições de temperatura e pH elevados. A adição de
cal ao lodo provoca uma perda expressiva de nitrogênio (em torno de 50%); mesmo
assim, um lodo digerido anaerobiamente e caleado apresenta um teor de médio de 1,5%
de nitrogênio por tonelada de MS (matéria seca), ou 15 kg de N/t (Barros et al., 2005).
Embora a cal tenha sido o produto mais utilizado para esta finalidade, tem-se
usado também misturas de cal com cinzas de forno e cinzas voláteis.
A estabilização alcalina é um processo de fácil operação, que pode ser
implantado facilmente em estações de tratamento de pequeno porte; e o lodo caleado
pode ser usado na correção de solos, na adubação de jardins ou, dependendo do grau de
redução de microrganismos patogênicos, como fertilizante orgânico, desde que atendam
os limites estabelecidos pelas normas brasileiras. Em alguns estados brasileiros os
seguintes limites devem ser atendidos para que o lodo proveniente de estaçöes de
tratamento de esgotos (ETE) possa ser usado como fertilizante orgânico (Santos, 2001):
no Paraná se indica um valor limite de 0,25 ovo de helmintos/g MS na contagem de
ovos viáveis e 103 NMP/g MS para a densidade de coliformes fecais; em São Paulo, a
CETESB atribui valores admissíveis para a reciclagem agrícola do lodo higienizado de
103 NMP/g MS para a densidade de coliformes fecais e menos de 1 ovo viável de
helminto por 4 g de MS (Barros et al., 2005).
O lodo tratado com cal pode ser usado em jardinagem, agricultura e mineração.
O aumento de biossólidos resultantes da estabilização alcalina causa condições
favoráveis para o crescimento de vegetais, em consequencia, uma melhoria nas
características do solo (USEPA, 1984; Ahmad e Sorensen, 1999; USEPA, 2000 apud
Bina et al., 2004).
A principal desvantagem do processo reside no aumento dos custos operacionais
e na maior geração de lodo, que passa a incluir a massa de cal adicionada, aumentando o
problema relativo ao destino final da massa de lodo e cal (Jordão e Pessôa, 2005).
3.4. Processos biológicos

Na estabilização biológica são utilizados os mecanismos naturais de


biodegradação que transformam a parte mais putrescível do lodo. A via pode ser
anaeróbia ou aeróbia, sendo: digestão anaeróbia, digestão aeróbia, digestão aeróbia
autotérmica e compostagem, os principais processos (Malta, 2001).

3.4.1. Digestão anaeróbia

A digestão anaeróbia é um processo bioquímico complexo onde diversos grupos


de organismos anaeróbios e facultativos assimilam e destroem simultaneamente a
matéria orgânica, em ausência de oxigênio dissolvido. A evolução do processo necessita
apenas de seu confinamento em um espaço (volume útil) em condições favoráveis às
reações bioquímicas inerentes da fermentação natural. Normalmente os sólidos em
suspensão, fixos e voláteis, são removidos da massa líquida afluente à ETE e
processados em unidades apropriadas denominadas digestores, ou biodigestores (Jordão
e Pessôa, 2005).
A digestão anaeróbia é o processo mais utilizado atualmente, produzindo um
lodo relativamente estável a um custo moderado, ocorrendo também, a produção de
energia aproveitável na forma de gás metano. Não havendo outro substrato, que não o
lodo a ser digerido, ocorrerá a estabilização tanto do material biodegradável extracelular
presente no lodo (DQO exógena) como do próprio lodo (DQO endógena). Como
resultado, haverá uma diminuição da concentração de sólidos suspenos voláteis,
caracterizando um lodo estabilizado. Durante a estabilização poderá ocorrer redução do
volume de lodo de 25 a 40%. Os parâmetros que podem ser utilizados para verificar a
estabilidade de lodos são a produção de odor, toxicidade, redução de sólidos suspensos
voláteis e patógenos (Chávez, 1998 apud Nascimento et al., 2001).
A digestão anaeróbia é um processo bioquímico de múltiplos estágios, capaz de
estabilizar diferentes tipos de matéria orgânica. O processo anaeróbio ocorre em três
estágios: (1) enzimas quebram compostos orgânicos complexos, como celulose,
proteínas e lipídios, em compostos solúveis, como ácidos graxos, alcoóis, dióxido de
carbono e amônia; (2) microrganismos convertem os produtos do primeiro estágio em
ácido acético, propiônico, hidrogênio, dióxido de carbono, além de outros ácidos
orgânicos de baixo peso molecular; (3) dois grupos de bactérias formadoras de metano
entram em ação, um grupo consegue produzir metano a partir de dióxido de carbono e
hidrogênio, enquanto um segundo grupo realiza a conversão de acetatos em metano e
bicarbonatos (Ludovice, 2001).
Em termos genéricos, uma amostra de 100 kg de lodo bruto, contendo 70 kg de
sólidos voláteis e 30 kg de sólidos fixos, após a digestão anaeróbia, será transformada
em 40 kg de gases, 30 kg de sólidos voláteis e 30 kg de sólidos fixos (Fernandes e
Souza, 2001).
Segundo WEF (1993), as principais vantagens da digestão anaeróbia de lodos
são: eficiente redução de sólidos suspensos voláteis (40 a 60%); produto final adequado
para aplicar no solo (não haverá atração de vetores disseminadores de doenças);
requerimento baixo de energia. Como desvantagens, a WEF cita: processo lento; requer
operadores qualificados; o sobrenadante ainda tem uma carga muito alta em termos de
demanda química de oxigênio; sólidos suspensos, NH3; altos custos iniciais
(Nascimento et al., 2001).
De acordo com Jordão e Pessôa (2005), os digestores são, geralmente,
constituídos de câmaras de concreto e podem ser classificados quanto à forma:
cilíndricos, prismáticos de seção retangular e ovais; quanto à cobertura: sem cobertura e
com cobertura de tampa fixa ou móvel; quanto à homogeneização do lodo: com
recirculação do lodo, com recirculação do gás e com agitadores; quanto à temperatura
de digestão: com aquecimento e sem aquecimento; quanto aos estágios: simples estágio
e múltiplo estágio; e quanto às cargas do teor de sólidos voláteis aplicado: de baixa
carga, e de alta carga.
Digestores anaeróbios de lodo têm que atender a três importantes requisitos para
apresentar um bom desempenho na redução da fração volátil do lodo: permitir um
contato intensivo entre a população de bactérias responsável pela digestão com o
substrato (o lodo a ser digerido); manter as condições ambientais adequadas às diversas
populações de bactérias e ter uma idade de lodo ou tempo de retenção celular suficiente
para que a população de bactérias seja compatível com o processo e com o substrato
afluente (Nascimento et al., 2001).

3.4.2. Digestão aeróbia

A digestão aeróbia é também um processo de oxidação bioquímica dos sólidos


biodegradáveis contidos nos esgotos, com abundância de oxigênio dissolvido em toda a
massa líquida, favorecendo a atividade de bactérias aeróbias e a formação de
subprodutos, tais como: matéria orgânica estabilizada (lodo digerido), gás carbônico e
água (Jordão e Pessôa, 2005).
A digestão aeróbia guarda grande similaridade com o processo de lodos
ativados. Com o suprimento de substrato interrompido, os microrganismos são forçados
a consumir sua própria energia para se manter vivos. É a chamada fase endógena, onde
os tecidos celulares biodegradáveis (75 – 80%) são oxidados aerobiamente a dióxido de
carbono, água e amônia. Com o decorrer da reação a amônia produzida é oxidada a
nitrato (Ludovice, 2001).
Portanto, o processo de digestão aeróbia passa por duas etapas: a oxidação direta
da matéria orgânica biodegradável e conseqüente aumento da biomassa bacteriana e,
depois, a oxidação do material microbiano celular pelos próprios microrganismos
(Fernandes e Souza, 2001).
O tempo de detenção médio do lodo no reator aeróbio está entre dez e doze dias,
operando na faixa de 20°C. O tempo de detenção mais preciso deve ser definido em
função dos objetivos da estabilização, sendo que a redução da parcela biodegradável
pode ser representada pela equação de cinética de primeira ordem (Malta, 2001).
Segundo Malta (2001), o processo de digestão aeróbia pode ser realizado em
duas configurações básicas: (1) reatores de fluxo intermitente (recebe o lodo
diretamente do decantador secundário ou adensador), no qual após o período de
biodegradação, os aeradores são desligados, o lodo sedimenta e o sobrenadante é
drenado; (2) reatores de fluxo contínuo, que operam sem interrupções, o recebimento do
lodo, aeração e descarga são processos contínuos.
As vantagens desse tipo de digestão são: baixo custo de implantação, facilidade
na operação e produção de lodo estabilizado sem odores fétidos. As principais
desvantagens da digestão aeróbia são: o alto consumo de energia para o fornecimento de
oxigênio ao reator e produção de lodo com baixa capacidade para desidratação. Essa
baixa capacidade de desidratação do lodo aeróbio, segundo alguns autores, deve-se à
destruição da estrutura do floco durante o processo de respiração endógena que ocorre
no digestor aeróbio (Bitton, 2001 apud Pedroza et al., 2010).
Segundo Fernandes e Souza (2001), existem três tipos de processos de digestão
aeróbia:
 Digestão aeróbia convencional (mesofílica): processo que estabiliza o excesso de
lodo ativado em digestores abertos não aquecidos, através da utilização de ar
difuso;
 Digestão aeróbia com oxigênio puro: variante da digestão aeróbia convencional,
na qual o oxigênio substitui o ar como agente oxidante no processo de reação;
 Digestão aeróbia termofílica: processo desenvolvido na Alemanha no início dos
anos 70 com o objetivo de estabilizar e desinfetar o lodo de esgotos. Esse tipo de
digestão aeróbia pode estabilizar cerca de 70% da matéria orgânica
biodegradável presente no lodo em apenas três dias.

3.4.3. Compostagem

A compostagem é um processo aeróbio de decomposição da matéria orgânica


efetuada através de condições controladas de temperatura, umidade, oxigênio e
nutrientes. O produto resultante deste processo tem grande valor agronômico como
condicionador de solos. A inativação dos microrganismos patogênicos ocorre
principalmente através da via térmica, ocasionada pelo aumento da temperatura na fase
de maior atividade do processo (Pinto, 2001).
Para a realização do processo de compostagem o lodo deve ser misturado a
resíduos orgânicos, tanto vegetais como animais (palha, resíduo de podas de árvores
triturados, esterco de galinha, capim). Esta técnica é muito utilizada para se obter a
estabilização da matéria orgânica, de uma forma bem rápida e eficiente, pois este
processo promove a mineralização da matéria orgânica em substâncias estabilizadas
(Aisse et al., 1999).
Para ser considerado um processo efetivo na eliminação de microrganismos
patogênicos, o processo de compostagem deve ser operado dentro de certas condições
(EPA, 1992): para os processos aerados (reator biológico ou leiras estáticas aeradas), a
temperatura deve ser superior ou igual a 55 ºC durante pelo menos 3 dias; para a
compostagem em leiras revolvidas, a temperatura deve ser superior ou igual a 55 ºC
durante 15 dias, sendo que nesse período deve haver no mínimo 5 revolvimentos.
Segundo Simoneti (2006) apud Pedroza et al., (2010) para a inativação térmica de 99,9
% de ovos viáveis em biossólidos digeridos (aproximadamente 27 g/L de sólidos totais),
o que equivale reduzir a concentração de ovos viáveis de helmintos em biossólidos de
1000 ovos/L (média dos países africanos) para 1 ovo/L (valor diretriz da O.M.S), são
necessários aproximadamente um tempo de exposição de 32 minutos a 58 ºC.
O processo de compostagem ocorre em duas fases distintas. Na primeira fase,
chamada de degradação rápida, ocorre um rápido crescimento de microrganismos
mesófilos, com um gradativo aumento da temperatura. À medida que a temperatura
aumenta, os microrganismos mesófilos diminuem, dando lugar à população termófila
que é extremamente ativa, provocando intensa e rápida degradação da matéria orgânica
e maior elevação da temperatura, inativando microrganismos patogênicos presentes no
lodo. Na segunda fase, a fase de maturação, à medida que o substrato orgânico diminui,
a população termófila se restringe, a atividade biológica global se reduz de maneira
significativa e os mesófilos se instalam novamente, porém com atividade mais
moderada, devido ao esgotamento do substrato orgânico.
Estas duas fases distintas do processo de compostagem são bastante diferentes
entre si. Na fase de degradação rápida, também chamada de bioestabilização, há intensa
atividade microbiológica e rápida transformação da matéria orgânica. Portanto, há
grande consumo de O2 pelos microrganismos, elevação da temperatura e mudanças
visíveis na massa de resíduos em compostagem, pois ela se torna escura e não apresenta
odor agressivo. Mesmo com tantos sinais de transformação, o composto não está pronto
para ser utilizado. Ele só estará apto a ser disposto no solo após a fase seguinte,
chamada de maturação (Fernandes e Souza, 2001).
Na fase de maturação, a atividade biológica é pequena, portanto a necessidade
de aeração também diminui. O processo ocorre à temperatura ambiente e com
predominância de transformações de ordem química: polimerização de moléculas
orgânicas estáveis no processo conhecido como humificação (Fernandes e Souza, 2001).
Segundo von Sperling (2005), o processo de compostagem pode ser executado
de três maneiras: (1) compostagem em leiras revolvidas ou “windrow”, o mais simples e
tradicional dos processos, onde o revolvimento é feito por tratores, possibilitando a
aeração da mistura, tendo um tempo de detenção entre 50 e 90 dias; (2) compostagem
em leiras estáticas, onde a aeração é feita por tubulação perfurada, com o ar advindo de
sopradores ou sendo aspirado, tendo um tempo de detenção entre 30 e 60 dias; e (3)
compostagem em reatores biológicos (in-vessel), sistemas fechados, com maior controle
e menor tempo de reação, o tempo de detenção é de pelo menos 14 dias no reator e 14 a
21 dias em cura.
Segundo Aisse et al. (2001), os principais parâmetro físico-químico
fundamentais no processo de compostagem são:
 Aeração – vital à atividade microbiana e usada para limitar a temperatura na
faixa de 60º (ideal para a atividade termofílica), nos sistemas de aeração forçada.
É também um fator importante, visto que contribui para o aumento da
velocidade de oxidação do material orgânico e para diminuição da emanação de
odores, pois quando há falta de aeração o sistema pode tornar-se anaeróbio;
 Temperatura – fator indicativo do equilíbrio biológico, de fácil monitoramento e
que reflete a eficiência do processo. A compostagem aeróbia pode ocorrer tanto
em regiões termofílica (45 a 60ºC) como mesofílica (30 a 45ºC). Nos sistemas
aerados e nos reatores a temperatura pode ser controlada por sistema de aeração
e equipamentos específicos instalados. Nos sistema windrow, a temperatura só
pode ser controlada indiretamente, variando a frequência de revolvimento;
 Umidade – o teor ótimo de umidade, de modo geral, compreende-se entre 50 e
60%. O ajuste de umidade pode ser feito por mistura de componentes. Na prática
verifica-se que o teor de umidade depende da eficácia da aeração (manual ou
mecânica), da massa em compostagem, das características físicas dos resíduos
(estrutura, porosidade) e das características microbiológicas. Altos teores (acima
de 65%) fazem com que a água ocupe os espaços vazios da massa, impedindo a
livre passagem do oxigênio o que poderá provocar aparecimento de zonas de
anaerobiose. Se o teor de umidade de uma mistura é inferior a 40% a atividade
microbiológica é inibida, bem como a taxa de estabilização;
 Relação C/N (carbono/nitrogênio) – é o fator ambiental mais crítico para a
compostagem. Os microrganismos necessitam de carbono, como fonte de
energia, e de nitrogênio pra síntese de proteínas. É por essa razão que a relação
C/N é considerada como fator que melhor caracteriza o equilíbrio dos substratos.
Teoricamente, a relação C/N média inicial ótima do substrato deve se situar em
torno de 30. Na realidade, constata-se que ela pode variar de 20 a 70 de acordo
com a maior ou menor biodegradabilidade do substrato. Tanto a falta de
nitrogênio quanto a falta de carbono limita a atividade microbiológica. Se a
relação C/N for muito baixa pode ocorrer grande perda de nitrogênio por
volatilização da amônia. Se a relação C/N for muito elevada os microrganismos
não encontrarão nitrogênio suficiente para a síntese de proteínas e terão seu
desenvolvimento limitado. Como resultado, o processo de compostagem será
mais lento. Independentemente da relação C/N inicial, no final da compostagem
a relação C/N converge para um mesmo valor, entre 10 e 20, devido à perdas
maiores de carbono que de nitrogênio no desenvolvimento do processo;
 Estrutura – quanto mais fina é a granulometria, maior é área exposta à atividade
microbiana. Por outro lado, uma granulometria muito fina deixa pouco espaço
intersticial entre as partículas, dificultando a circulação do ar. A diminuição do
tamanho das partículas promove o aumento das reações bioquímicas durante o
processo de compostagem, dado que aumenta a área superficial em contato com
o oxigênio. De modo geral, o tamanho das partículas deverá estar entre 25 e 75
mm, para ótimos resultados.
A literatura especializada tem registrado diferentes processos de compostagem,
os quais, em quase sua totalidade, investigam a compostagem do lixo urbano (Leitão et
al., 2011). Gouvêa e Pereira Neto (1997), através de uma pesquisa, concluíram que a
compostagem de resíduos orgânicos, contaminados com metais pesados, a exemplo de
alguns lodos de estações de tratamento de esgotos, é um processo viável de tratamento
(estabilização/humificação), no qual a presença desses elementos não afeta a dinâmica
biológica do processo. Contudo, há de ser feita uma averiguação criteriosa do uso e da
aplicação de composto, obtido a partir deste material, em virtude dos riscos de
contaminação ambiental e, consequentemente, do homem, caso este material seja usado
indiscriminadamente na agricultura. Entretanto, não deve ser descartada a hipótese da
compostagem, visando ao uso em reflorestamento, recuperacão de áreas exploradas por
mineração, cultivos de plantas ornamentais, contenção de encostas, evitando a sua
degradação por erosão, utilização em projetos paisagísticos, como parques e jardins,
biorremediação, selagem de aterros sanitários e outros mais.

3.4.4. Sistemas alagados construídos

Os filtros plantados com macrófitas podem ser utilizados para o desaguamento


de lodos em estações de tratamento com capacidade de até 0,2 m3/s. Os filtros plantados
são similares na aparência aos sistemas alagados construídos de fluxo supsuperficial,
que consiste em canais ou valas cheias de areia ou pedra para suportar a vegetação
emergente. A diferença entre os filtros plantados e os sistemas alagados construídos é
que o lodo líquido é aplicado na superfície do leito (em comparação com a aplicação
subsuperficial) e o filtrado flui através do cascalho para os drenos (Metcalf e Eddy,
2004).
Os filtros plantados com macrófitas (constructed wetlands) (Suntti et al., 2011)
podem ser classificados como um processo de separação sólido-líquido, produzindo um
produto sólido desidratado ou seco e um líquido (percolado) com necessidade de
tratamento antes da descarga ou uso (Heinss e Koottatep, 1998).
Esses sistemas utilizados amplamente para o tratamento de esgotos domésticos e
industriais foram adaptados com a função de desaguamento de lodos, visando melhorar
a eficiência dos leitos de secagem (Cooper et al., 2004 apud Suntti et al., 2011). Nesses
sistemas ocorre simultaneamente o desaguamento e a mineralização do lodo (Suntti et
al., 2011).
Os sistemas convencionais de desaguamento de lodo são dispendiosos e
demanda alta energia. Neste contexto, os filtros plantados com macrófitas aparecem
como uma tecnologia nova e alternativa, que possuem baixo requisito de energia, custos
de manutenção e operação reduzidos e causam pouco impacto ambiental (Uggetti et al.,
2009).
A maior desvantagem desses sistemas é a sua grande exigência de área, o que
vai limitar o uso deste tratamento em lugares onde há área suficiente ou onde a
estratégia de tratamento consiste em sistemas decentralizados (Heinss e Koottatep,
1998). Além disso, até o momento, não há critérios de dimensionamento padronizado.
Os filtros atualmente implantados são dimensionados de acordo com a taxa de ST,
definida como a concentração de ST aplicados no sistema por unidade de área e tempo
(Uggetti et al., 2010).

3.5. Processos térmicos

3.5.1. Secagem térmica

O processo de secagem térmica é uma das mais eficientes e flexíveis formas de


redução do teor de umidade de “tortas” oriundas do desaguamento de lodos orgânicos
domésticos e industriais disponíveis atualmente em uso (Gonçalves et al., 2001a).
Segundo Fernandes e Souza (2001), alguns autores classificam este método também
como uma forma de estabilização devido à eliminação térmica dos microrganismos
patogênicos e ao bloqueio dos odores emanados pelo lodo.
A secagem térmica dos lodos é uma operação realizada através da aplicação de
calor para remoção da água nele contida, por processo de evaporação. A elevação da
temperatura provoca a redução do teor de umidade do lodo a valores muito menores do
que aqueles possíveis de serem alcançados pelos processos usuais de desidratação
mecânica. Produtos finais com umidade entre 5 e 10% (95 e 90% de teor de sólidos) são
geralmente obtidos nas unidades de secagem térmica (Miki et al., 2006).
Os principais benefícios da secagem térmica do lodo são: redução significativa
no volume de lodo; redução no custo de transporte e estocagem (quando for o caso);
produto estabilizado facilmente estocado, manuseado e transportado; produto final
praticamente livre de microrganismos patogênicos; preservação das propriedades
agrícolas do lodo; não necessita equipamento especial para ser utilizado na agricultura;
pode ser incinerado ou disposto em aterro sanitário; produto pode ser ensacado e
distribuído pelo comércio varejista (Gonçalves et al., 2001b).
Outra vantagem é a possibilidade de uso do lodo seco como biossólido e
condicionador de solos agrícolas e florestais, ou como material combustível para
incineradores de resíduos ou de fornos da indústria cimenteira devido ao alto poder
calorífico (Schroeder e Volschan Junior, 2011).
De acordo com Fernandes e Souza (2001), os sistemas de secagem térmica
podem ser classificados em dois grupos, havendo em cada um várias tecnologias
diferentes, com graus de complexidade e controle ambiental favoráveis. O primeiro
grupo são os secadores de contato direto, em que o ar quente fica em contato direto com
o lodo, arrastando a umidade, eventuais gases e poeiras. No segundo grupo estão os
secadores de contato indireto, em que o calor é transmitido por intermédio de uma placa
trocadora de calor, plana ou cilíndrica.
O lodo seco pode ser disposto em aterro, pode ser encaminhado à incineração ou
pode ser destinado ao mercado agrícola, como condicionador de solo ou fertilizante.

3.5.2. Oxidação úmida

A oxidação úmida é uma técnica utilizada para o tratamento de águas residuárias


e de lodos. Contrária à incineração que realiza a oxidação na fase gasosa, a oxidação
úmida é um processo pelo qual a oxidação da matéria orgânica do lodo de águas
residuárias ocorre na fase líquida. Isto é conseguido a temperaturas moderadas de 125 –
320ºC e pressões na faixa de 5 – 200bar, para evitar que a água evapore, sendo o agente
oxidante, o oxigênio fornecido pelo ar ou o oxigênio puro (Chauzy et al., 2010). As
unidades atualmente em operação em estações de tratamento de esgotos utilizam o ar
comprimido como agente oxidante (Luduvice e Fernandes, 2001).
O processo pode tratar qualquer tipo de resíduo orgânico aquoso, até mesmo
tóxico, produzido por vários ramos da atividade industrial, ou pode ser acoplado com
uma instalação de tratamento biológico para eliminar o lodo. A oxidação úmida é um
dos poucos processos que não transforma uma forma de poluição em outra, mas que a
faz realmente desaparecer (Debellefontaine e Foussard, 2000).
A oxidação úmida é um processo de transformação da matéria orgânica que
produz dióxido de carbono, água, ácidos orgânicos fracos e matéria mineral. O resultado
deste processo é um produto estéril, com destruição de 95% a 97% do total de sólidos
voláteis (Fernandes e Souza, 2001).
O lodo que alimenta o processo deve apresentar de 2 a 7% de sólidos.
Inicialmente ele passa por um moedor que deixa as partículas com diâmetro menor que
3 mm. A oxidação ocorre a altas pressões, por isso, esta tecnologia emprega colunas
enterradas em poços de grande profundidade (1.200 a 1.500 m), o que provoca altas
pressões em sua parte inferior, onde com a correta injeção de oxigênio, ocorrem as
reações químicas. Após a oxidação no reator, os gases são eliminados e não produzem
odores. A fase líquida contém componentes orgânicos facilmente biodegradáveis,
principalmente composta por minerais e pode ser facilmente biodegradada (Fernandes,
2000).

3.5.3. Pasteurização

A pasteurização baseia-se no fato de que vírus, helmintos, protozoários e


bactérias patogênicas são inteiramente destruídos quando o lodo de esgoto é mantido a
uma temperatura de 70 ºC durante um intervalo de tempo de 30 minutos (EPA, 1992
apud Silva et al, 2001).
Uma técnica de pasteurização foi desenvolvida na África do Sul e processa o
lodo líquido, com 4 a 8% de sólidos. O lodo é colocado em reatores, onde é realizada
injeção de amônia anidra, até elevação do pH a 11,5. Após uma hora, aproximadamente,
há grande redução de microrganismos patogênicos, devido à presença de amônia livre
(30%). Em seguida é feita adição de ácido fosfórico e a reação exotérmica causa
elevação da temperatura a 65 – 70ºC por aproximadamente 2 min. Esta reação também
abaixa o pH para 7,0. Em seguida o lodo pode ser desidratado. Existem algumas
variantes deste método, algumas ainda em fase de estudos (Fernandes, 2000).
Passamani et al. (2002) testaram a desinfecção de lodo utilizando a
pasteurização. helmintos. Os resultados mostraram que teores de sólidos totais de 10%,
15% e 20% são eficientes na eliminação de coliformes fecais nos cinco dias
consecutivos à pasteurização. Nos ensaios com lodo a 25% de sólidos totais a
pasteurização não eliminou completamente os coliformes presentes no lodo. Na
verdade, este processo reduz a densidade de coliformes fecais a níveis não detectáveis
pela técnica laboratorial nas primeiras 72 horas. Estas diferenças podem estar
relacionadas com a quantidade de água presente no lodo, pois a água é um bom
propagador do calor. Apesar de ser extremamente interessante desidratar o lodo antes da
sua disposição final, pois reduz o volume do material, por outro lado, do ponto de vista
da pasteurização, essa desidratação diminui a eficiência do processo.

3.5.4. Incineração

A incineração é um método de tratamento que se utiliza da decomposição


térmica via oxidação, com o objetivo de tornar um resíduo menos volumoso, menos
tóxico ou atóxico, ou ainda eliminá-lo, convertendo-o em gases ou resíduos
incombustíveis. Por meio da incineração os sólidos voláteis do lodo são queimados na
presença de oxigênio, convertendo-os em dióxido de carbono e água, sendo que a
parcela de sólidos fixos é transformada em cinzas (Tsutya, 2000).
Segundo Brunner (1994), as vantagens da incineração são: (1) redução do
volume e massa dos resíduos (85 – 90% do volume); (2) a redução é imediata e não
depende de longa reação biológica; (3) as instalações de incineração podem ser
construídas próximas às gerações de resíduos, reduzindo os custos de transporte; (4)
usando a tecnologia de recuperação de calor, o custo da operação pode ser compensado
pela venda de energia; (5) as emissões aéreas podem ser controladas para atender os
valores limites da legislação ambiental. Entre as desvantagens, cita-se: (1) o controle
das emissões de metais pode ser difícil para resíduos inorgânicos que contém metais
pesados como arsênio, cádmio, cromo, cobre, chumbo, mercúrio, níquel, etc; (2) os
incinerados exigem capital elevado e operadores treinados, levando a custos
operacionais moderadamente altos; (3) combustíveis complementares são exigidos para
alcançar as elevadas temperaturas de combustão necessárias; (4) más práticas
operacionais e a presença de cloro nos resíduos pode levar a emissões que contém
dioxinas e furanos, altamente tóxicos.
Os lodos processados pela incineração são geralmente desaguados e não
tratados. Normalmente, é desnecessário estabilizar o lodo antes da incineração. Na
verdade tal prática pode ser prejudicial, pois a estabilização, especificamente a digestão
aeróbia e anaeróbia, diminui o conteúdo de compostos voláteis nos lodo e
consequentemente aumenta a necessidade de combustível auxiliar (Metcalf e Eddy,
2004).
Devido à sofisticação do processo e ao alto custo de implantação e operação, o
uso de incinerados no tratamento de lodo está restrito às grandes áreas metropolitanas
com elevada concentração industrial. As restrições ao reuso do lodo na agricultura com
alta concentração de metais pesados, a distância destas áreas metropolitanas ao campo e
as limitações de espaço nos aterros sanitários urbanos contribuem para, nestas
condições, viabilizar a incineração como alternativa de tratamento de lodo (Luduvice e
Fernandes, 2001).
O controle da emissão atmosférica de um incinerador é obtido através da
otimização do processo de combustão e da utilização de filtros antes da liberação do
efluente para a atmosfera. Os principais poluentes liberados durante a queima são os
óxidos de nitrogênio, os produtos da combustão incompleta (monóxido de carbono,
dioxinas, furanos, etc.), gases ácidos (dióxido de enxofre, ácido clorídrico e ácido
fluorídrico) e compostos orgânicos voláteis (Luduvice e Fernandes, 2001).
Existem dois tipos de processos de incineração comumente utilizado para
combustão de lodos: câmaras múltiplas e leito fluidilizado. A incineração por câmaras
múltiplas é bastante complexa e necessita de operadores especializados, sendo utilizado
somente em instalações de grande porte. Atualmente, tem sido substituído pelo
incinerador de leito fluidilizado. A combustão em leito fluidilizado apresenta as
seguintes vantagens: alta transferência de calor, menor excesso de ar de combustão,
menor geração de gases nitrosos, dessulfuração, não formação de escórias, diversidade
de combustíveis, temperatura uniforme e comportamento similar a um fluido. Como
desvantagem deste processo podem ser destacadas: necessidade de separador de cinzas,
complexidade do sistema de alimentação e abrasão do material refratário do interior do
cilindro (Tsutya, 2000).
Esse tipo de tratamento não pode ser considerado como destinação final do lodo
devido à cinza residual, que exige adequada disposição final.

3.5.4.1. Co-incineração

O lodo de estação de tratamento de águas residuárias tem geralmente um alto


teor de água e, em alguns casos, níveis relativamente elevados de materiais inertes.
Como resultado, seu valor como combustível líquido é geralmente baixo. Se o lodo for
combinado com outros materiais combustíveis em um esquema de co-incineração, pode
ser criada uma fornalha que tenha tanto uma baixa concentração de água e um valor
elevado de calor suficiente para sustentar a combustão com pouco ou nenhum
combustível suplementar (EPA, 1995).
Praticamente todo material que pode ser queimado pode ser combinado com o
lodo no processo de co-incineração. Os materiais mais comuns são o carvão, os resíduos
sólidos municipais, resíduos de madeira e resíduos da agricultura (EPA, 1995).
A co-incineração do lodo de esgoto com resíduos sólidos municipais tem como
objetivo reduzir os custos combinados da incineração do lodo e dos resíduos sólidos. O
processo tem as vantagens de produzir energia térmica necessária para evaporar a água
do lodo, suportar a combustão dos resíduos sólidos e do lodo, e proporcionar um
excesso de calor para a geração de vapor, se desejado, sem o uso de combustíveis
fósseis auxiliares. Em sistemas projetados corretamente, os gases quentes do processo
podem ser utilizados para removerem a umidade do lodo a um valor de 10 a 15%
(Metcalf e Eddy, 2004).

3.5.5. Pirólise

A pirólise pode ser definida como a degradação térmica de qualquer material


orgânico na ausência parcial ou total de um agente oxidante, ou até mesmo, em um
ambiente com uma concentração de oxigênio capaz de evitar a gaseificação intensiva do
material orgânico. A pirólise geralmente ocorre a uma temperatura que varia, desde os
400°C, até o início do regime de gaseificação (Pedroza et al., 2010 apud Vieira et
al.,2011).
Considerando que o lodo de ETE contém material predominantemente
carbonáceo, o mesmo se apresenta como matéria prima em potencial para a produção de
gases combustíveis (CH4, CO, CnHn) por pirólise. Do ponto de vista de tratamento e
disposição, a pirólise se apresenta como uma alternativa interessante, uma vez que
efetua a redução do lodo a uma taxa quase equivalente à da incineração e o balanço de
energia é altamente vantajoso pelo fato de gerar combustível gasoso (CH4, CO, CnHn),
líquido (óleo) e sólido (carvão). Devido ao fato de a pirólise processar-se a baixas
temperaturas, a formação de dioxinas e furanos fica impedida, mesmo que haja presença
de hidrocarbonetos clorados e aromáticos (Tsutya, 2000).
A pirólise gera produtos tais como óleo, gases e carbono fixo, que podem ser
utilizados como combustíveis ou matéria-prima para indústria petroquímica. Além disso
os metais pesado (mercúrio e cádmio) poderiam ser facilmente incluídos no carvão
(Karayildirim et al., 2006).
Pirólise do lodo de esgoto em diferentes condições tem sido estudada para
investigar o mecanismo da mesma.
O lodo da estação de tratamento de esgoto - Belém (SANEPAR), aeróbio, não
calado com uma porcentagem de 49% de matéria orgânica e 51% de cinzas foi
pirolisado em temperaturas e tempos que variaram 350 – 700°C e 30 – 120 minutos.
Foram produzidos até 17% de óleos combustíveis, com 4,5% de hidrocarbonetos
alifáticos e poder calorífico de 34,54 kJ/g e também 60 – 80% de sólidos com
características adsorventes que, posteriormente, foram ativados com dióxido de
carbono, apresentando índices de lodo e azul de metileno de até 676 mg/g e 14 mg/g,
respectivamente. Tais resultados mostram as potencialidades do emprego do lodo de
esgoto sanitário, na produção de óleo combustível e de adsorventes de baixo custo.
Esses adsorventes podem ser utilizados no tratamento de efluentes industriais (Mocelin,
2007 apud Vieira et al.,2011).
Karayildirim et al. (2006) estudaram a pirólise em dois tipos de lodo: lodo misto
(lodo químico e lodo biológico) de uma indústria petroquímica (LM), e óleo flotado de
um decantador primário de uma refinaria (OL), em um reator de leito fixo, a fim de
caracterizar a composição dos produtos gasosos e líquidos obtidos durante o processo.
A composição dos produtos gasosos obtidos do reator de leito fixo se encontra na
Tabela 3.2. Os principais produtos gasosos para o OL foram CO, hidrogênio e metano,
já para o LM os principais produtos foram CO, CO2 e C3. O fato de LM ter produzido
uma grande quantidade de COx sugere que o LM contém mais grupos carboxílicos que
o OL.
Tabela 3.2. Os rendimentos dos produtos da pirólise
Tipo de lodo LM OL
Gás 20,9 14,9
Líquido
Água 26,0 14,1
Óleo 13,2 29,8
Carbono fixo 39,9 41,2
Fonte: Adaptado de Karayildirim et al. (2006)

A pirólise do OL produziu um óleo com alto poder calorífico e com uma


viscosidade ligeiramente maior que a do diesel. Por outro lado, a viscosidade do óleo
obtido a partir do LM estava na faixa do óleo combustível, mas o poder calorífico foi
baixo. A composição química dos óleos variou com o tipo de lodo. O óleo do OL teve
mais compostos alifáticos, enquanto o óleo do LM foi rico em compostos polares. O
carbono fixo resultante dos lodos tiveram uma área superficial relativamente baixa e um
elevado teor de cinzas. Tendo em conta os resultados acima, concluiu-se que o óleo do
OL pode ser usado como combustível, enquanto o óleo do LM pode ser considerado
como uma matéria prima (Karayildirim et al. 2006).

3.5.6. Gaseificação

A tecnologia de gaseificação é a conversão de qualquer combustível líquido ou


sólido, como a biomassa, em um gás energético através da oxidação parcial à
temperatura elevada. Esta conversão, realizada em gaseificadores, produz um gás
combustível que pode ser utilizado tanto em turbina a gás, quanto em queimadores de
caldeiras para geração de vapor.
O gás produzido tem muitas aplicações práticas, desde a combustão em motores
ou em turbinas para a geração de potência, energia elétrica, em bombas de irrigação,
para a geração direta de calor, ou como matéria prima na síntese química da amônia e
do metano (Sánchez et al., 2006).
Figura 3.3. Diagrama do processo de gaseificação
Fonte: The Blue Ridge Environmental Defense League, 2009.

A gaseificação é uma alternativa à incineração para o tratamento térmico de lodo


de esgoto.
A técnica de gaseificação tem todas as vantagens da incineração para o
tratamento de lodo de esgoto, incluindo a completa estabilização do lodo e a redução da
massa para a mínima possível de cinzas. Além disso, a gaseificação pode contornar os
problemas comumente encontrados na incineração, como a necessidade de combustível
adicional, as emissões de óxidos de enxofre, óxidos de nitrogênio, metais pesados e
cinzas voláteis, e o potencial de produção de dibenzodioxinas cloradas e dibenzofuranos
(Jaeger e Mayer, 2000 apud McAuley et al., 2001).
Experimentos para a gaseificação de resíduos sólidos gerados em curtume (lodo
de estação de tratamento, couro wet-blue, pelos, entre outros) foram realizados em um
gaseificador de leito fixo, tipo co-corrente. O gaseificador tem capacidade para
processar 70 kg/h de resíduo seco. Nos ensaios com o gaseificador operando com 50
kg/h ocorreu a geração de aproximadamente 120 Nm3/h de gás combustível com poder
calorífico em torno de 5 MJ/Nm3 (≈1.200 kcal/Nm3). A caracterização da cinza gerada
nos ensaios realizados com couro wet-blue indicou uma concentração de 1,2% (p/p) de
Cr (VI) (Bowden, 2003 apud Godinho, 2006).

4. Qualidade microbiológica de biossólidos

O lodo concentra a maioria dos microrganismos presentes no esgoto sanitário,


podendo constituir significativa ameaça à saúde pública. A contaminação
microbiológica do lodo é originada principalmente no material fecal contido no esgoto,
sendo então dependente das características sanitárias da população que produz os
efluentes, ou seja, refletindo o perfil de saúde da população atendida (Argel, 2010).
A Tabela 4.1 mostra os principais organismos patogênicos encontrados em lodos
de esgoto e respectivas doenças e sintomas.
Tabela 4.1 Patógenos encontrados em lodo de esgoto e principais sintomas e doenças
Patógenos Hospedeiros Sintomas e doenças
Nematóides
Ascaris lumbricóides Ser humano Distúrbios digestivos,
vômito e dor abdominal
Ascaris suum Suíno Distúrbios digestivos
Ancylostoma duodenale Ser humano Anemia, emagrecimento
Necator americanus Ser humano Anemia, emagrecimento
Trichuris trichiura Ser humano Diarreia, anemia, perda de
peso, dor abdominal
Toxocara canis Cães e ser humano Emagrecimento, diarreia,
febre, sistemas neurológicos
Trichostrongylus axei Ser humano, bovinos e Úlcera gástrica
eqüinos
Cestóides
Taenia solium Ser humano e suíno Distúrbios digestivos,
insônia, anorexia e dor
Hymenolepis nana Ser humano Diarreia e sinais nervosos
Echinococcus granulosus Cães, ovinos e ser humano
Protozoários
Entamoeba histolytica Ser humano Enterite aguda
Giardia lamblia Ser humano, cães e gatos Diarreia
Taxoplasma gondii Gatos, ser humano e aves Alteração no sistema
nervoso
Cryptosporidium Ser humano e bovino Gastroenterite
Bactérias
Salmonella sp. Ser humano e bovino Salmonelose
Escherichia coli Ser humano e bovino Gastroenterite
Shigella sp. Ser humano Disenteria bacilar
Vibrio cholerae Ser humano Cólera
Vírus entéricos
Vírus da hepatite A e E Ser humano Hepatite infecciosa
Rotavírus Ser humano Gastroenterite
Enterovírus
Poliovírus Ser humano Poliomelite
Reovírus Ser humano Gastroenterite, infecções
respiratórias
Coxsackievirus Ser humano Meningite, pneumonia
Fonte: Adaptada da USEPA (1991) apud Argel (2010)

O risco de transmissão de doenças depende do número e da viabilidade de


organismos patogênicos na água residuária e na oportunidade de infectar o hospedeiro
apropriado (Capizzi et al., 1999).
Fransen et al. (1996) estudaram a qualidade microbiológica de lodo floculado e
lodo aerobicamente ativado de abatedouros de porco e aves domésticas, e observaram
que ambos eram contaminados com vários microrganismos, como salmonella,
Campylobacter coli/jejuni, Yersinia enterocolitica e clostridium. Estes microrganismos
e/ou seus metabólitos podem ser prejudiciais à saúde humana e animal.

5. Controle de odor nos processos de tratamentos

O tratamento de efluentes líquidos gera subprodutos que são responsáveis por


emissões com maus odores em função da produção de constituintes pertencentes às
famílias de compostos químicos tais como enxofre (H2S, mercaptanas e outros
polienxofres), nitrogênio (NH3, aminas e aminas cíclicas), fenóis, aldeídos, cetonas,
alcoóis e ácidos graxos voláteis. Este efeito é resultado da decomposição das águas
residuárias, ricas em aminoácidos (lipídeos, proteínas e polissacarídeos) (Belli Filho e
Lisboa, 1999).
Estima-se que cerca de 50% das reclamações contra ETEs sejam oriundas dos
processos de manejo e tratamento de lodo. Os processos de adensamento, digestão,
desidratação, secagem e estocagem são fontes em potencial para geração de odores
desagradáveis (Luduvice et al., 1997).
Os adensadores por gravidade são unidades particularmente susceptíveis a
geração de odores desagradáveis. O acúmulo de lodo no fundo dos adensadores
favorece a decomposição anaeróbia e a conseqüente produção de H2S e outros
compostos de enxofre. A presença de material flotado na superfície do adensador deve
ser limitada ao mínimo. Recomenda-se que os adensadores por gravidade sejam
cobertos, e que quando localizados em áreas muito sensíveis, as manobras para retirada
de lodo sejam feitas fora dos “horários críticos” (Luduvice et al., 1997).
Após a digestão o lodo tem um odor menos ofensivo, já que a maior parte dos
sólidos orgânicos voláteis foi convertida a metano e CO2 (digestão anaeróbia) ou água e
CO2 (digestão aeróbia). Na digestão anaeróbia o potencial para produção de odores está
associado ao gás liberado para a atmosfera ou as bolhas de gás retidas no lodo digerido.
Nestes casos o controle de odores deverá estar concentrado no biogás produzido, que
deverá ser queimado em queimadores e não liberados diretamente para a atmosfera. A
concentração de sulfetos no biogás está relacionada com a presença de sulfatos nos
esgotos bruto, originários da própria água, contribuição industrial ou infiltração de água
salobra na rede coletora. Já os digestores aeróbios normalmente não apresentam
problemas com odores desde que o ambiente oxidante do meio seja preservado. Nestas
condições a concentração de sólidos no reator é de fundamental importância, devendo
ser mantida abaixo de 3% quando ar comprimido for utilizado e 3,5% para digestores
que utilizem oxigênio puro. Concentrações de sólidos acima destes valores não
permitem a dissolução do oxigênio no meio, impedindo a manutenção do ambiente
oxidante (aeróbio) e favorecendo a digestão anaeróbia em ambiente redutor (Luduvice
et al., 1997).
No processo de desaguamento, o lodo está sujeito a considerável turbulência e
dependendo do método escolhido, longos períodos em contato com a atmosfera. A
liberação de odores nestas unidades está relacionada com o tipo de lodo a ser desaguado
e do condicionador de lodo a ser utilizado. O desaguamento de lodo não digerido
(primário ou ativado) está normalmente associado a liberação de odor característico e
repulsivo, especialmente o primeiro. Uma das formas de minimização de odores em
casas de desidratação é trabalhar apenas com lodo digerido. O uso da cal como
condicionador eleva o pH do lodo e favorece a liberação de compostos amoniacais. Já a
utilização de polieletrólitos provoca a liberação de sulfetos e ácidos graxos voláteis.
Estes últimos detectáveis em concentrações menores que a da amônia (Luduvice et al.,
1997).
A secagem de lodo envolve um contato intenso com ar quente, onde a maioria
dos compostos geradores de odores desagradáveis são volatilizados e passam a fazer
parte da corrente de ar. A condensação do vapor produzido gera um liquido de odor
característico forte com elevada concentração de ácidos orgânicos voláteis, que não
deve ser exposto ao ar livre ou sofrer turbulência quando conduzido. É aconselhável o
tratamento dos vapores não condensáveis antes do lançamento na atmosfera por
chaminé (Luduvice et al., 1997).
A incineração de lodo ocorre a temperaturas superiores a 800ºC, o que
normalmente assegura a completa destruição dos compostos odoríficos. Atualmente as
leis ambientais estão se tornando extremamente exigentes exigindo a instalação de
filtros de ar que minimizem a liberação de poeira, metais pesados, óxidos de enxofre e
nitrogênio para a atmosfera, estes filtros acabam reduzindo também uma possível
emissão de odores através da chaminé dos incineradores (Luduvice et al., 1997).
Os métodos para o controle de odores em estações de tratamento de esgoto
podem ser caracterizados como de natureza física, química e bioquímica. A maioria dos
métodos físicos e químicos foi desenvolvida nas últimas décadas, sendo, portanto, bem
estabelecidos, enquanto os métodos bioquímicos são mais recentes e ainda se encontram
em desenvolvimento. Na Tabela 5.1, são mostradas as principais tecnologias para
controle de odores (Chernicharo et al., 2010).

Tabela 5.1 Principais características dos principais métodos de tratamento de odores


Método Principais características
Conversão de vapores em um líquido, seja pelo acréscimo da pressão
e/ou pelo abaixamento da temperatura do sistema. As moléculas ficam
mais próximas umas das outras devido à pressurização, enquanto o
Condensação
abaixamento da temperatura reduz a energia cinética. É geralmente
aplicada para tratar emissões gasosas constituídas de um vapor
poluente condensável e um gás não-condensável.
Processo em que as moléculas de compostos orgânicos voláteis entram
em contato com a superfície de um adsorvente sólido e se ligam via
forças moleculares fracas. Um tratamento típico por adsorção consiste
Adsorção
em uma coluna vertical, empacotada com meios suportes estáticos de
material granular. O carvão ativado é o adsorvente mais comumente
utilizado.
Absorção Transferência dos poluentes presentes no gás residual para uma fase
(lavador com líquida não-volátil. A fase líquida contaminada resultante é usualmente
água) tratada biologicamente e recirculada para o lavador.
Alguns compostos da corrente gasosa são transportados através de uma
Separação
membrana delgada enquanto outros são retidos. A permeabilidade é
por
uma função direta da solubilidade química do composto de interesse,
membrana
na membrana.
O princípio básico de um lavador químico empacotado é a absorção
dos compostos odorantes presentes na corrente gasosa, no líquido de
lavagem. Isso é alcançado pelo intenso contato do gás poluído com a
Lavador
solução absorvente, no interior de uma coluna empacotada
químico
especialmente projetada para propiciar uma grande área interfacial.
Produtos químicos são adicionados à solução lavadora com o objetivo
de incrementar a absorção e remoção dos compostos odorantes.
Trata-se de uma variante dos lavadores químicos, na qual é utilizado
Oxidação um catalisador seletivo para acelerar a reação entre H2S e O2 para
catalítica produzir enxofre. O catalisador é regenerado e o enxofre é retirado na
forma de uma lama, devendo ser disposto apropriadamente.
Também referenciada como combustão ou incineração, é um processo
químico que utiliza O2, ou ar, a elevadas temperaturas para destruir
Oxidação
compostos odorantes. A corrente odorante é exposta a elevadas
térmica
temperaturas, na presença de O2 durante período de tempo suficiente
para permitir a oxidação de hidrocarbonetos a CO2 e água.
A combustão direta em tochas (“flare”) é uma variante da oxidação
Combustão térmica, a qual usualmente não emprega uma câmara de combustão.
direta Dessa forma, temperaturas suficientemente elevadas não são alcan-
çadas e a combustão dos poluentes pode ser incompleta.
Medidas de controle utilizadas para o tratamento de sulfeto e outros
Inibição compostos odorantes presentes na fase líquida, antes que estes sejam
química emitidos para a fase gasosa. Produtos químicos são usualmente
injetados no interior da corrente líquida ou aplicados às fontes
odorantes, visando interromper a produção de sulfeto ou reagir com
este no líquido. As práticas mais usadas são a adição de agentes
oxidantes (ex.: peróxido de hidrogênio, hipoclorito de sódio, perman-
ganato de potássio) ou sais de ferro para propiciar a precipitação do
sulfeto.
Constituído de um único reator (absorção e biodegradação ocorrem no
mesmo reator) com biomassa e fase aquosa imobilizados. O gás a ser
tratado é forçado através de um meio suporte constituído de material
natural (carvão, turfa, solo, cavaco de madeira, composto etc.) ou sinté-
Biofiltro
tico, no qual micro-organismos ficam aderidos na forma de um
biofilme. Os compostos voláteis biodegradáveis são absorvidos pelo
meio suporte e pelo biofilme, sendo biologicamente oxidados a
substâncias menos prejudiciais.
Constituído de um lavador e de um biorreator (a absorção ocorre pre-
dominantemente no lavador enquanto a biodegradação ocorre no
biorreator) com uma fase aquosa móvel. No biorreator há a
Biolavador predominância de biomassa suspensa. O gás a ser tratado é forçado no
sentido ascendente através do lavador, enquanto a fase líquida, retirada
do biorreator, é distribuída sobre o topo do meio suporte contido na
torre lavadora.
Constituído de um reator único (a difusão e a biodegradação ocorrem
no mesmo reator) com biomassa imobilizada ou em suspensão e uma
Biorreator de fase aquosa móvel. Os poluentes presentes na fase gasosa são
membranas transferidos através de uma membrana até uma fase líquida
biologicamente ativa presente no outro lado da membrana onde podem
ser degradados.
Consiste na utilização de uma unidade existente de tratamento de
Sistemas esgoto para o tratamento dos compostos odorantes. Os gases a serem
aeróbios de tratados são transferidos, via sopradores, para difusores submersos no
fase líquida tanque de aeração, onde os contaminantes são absorvidos na fase
líquida e posteriormente biodegradados.
Fonte: Chernicharo (2010)

6. Aspectos técnicos e econômicos dos processos de tratamento

7. Disposição final

7.1. Aterro sanitário

Na maioria dos casos, o lodo é disposto em aterro sanitário apenas como um


meio de eliminação, não representando a opção mais favorável. No entanto, em termos
de proporção de material tratado, o aterro é ainda uma das principais opções de
disposição final (Banks e Heaven, 2001).
O aterro é geralmente necessário para atender os seguintes objetivos: absorção
de biossólidos com características inadequadas para os usos que estiverem sendo
praticados, absorção de volumes de biossólidos excedentes a demanda, disposição de
cinzas de incineração caso esta solução venha a ser implementada e garantia de
disposição final adequada independente de quaisquer fatores (Tsutya, 2000).
O aterro sanitário requer um planejamento adequado, pois se mal projetado pode
causar uma série de impactos. Segundo Tsutya (2000), o aterro pode causar poluição do
ar (exalação de odores, fumaça, gases tóxicos ou material particulado), poluição das
águas superficiais (pelo escoamento de líquidos percolados ou carreamento de resíduos
pela ação das águas de chuva), poluição do solo e das águas subterrâneas (pela
infiltração de líquidos percolados).
Os impactos ambientais possíveis para um aterro sanitário podem ser evitados
buscando-se a localização adequada, elaboração de projeto criterioso, infra-estrutura
para tratamento de percolado e dispersão de gases, elementos de proteção e isolamento
ambiental e gerenciamento e operação do aterro (Lara et al., 2001).
Existem duas formas de disposição de lodo em aterro sanitário, a disposição em
aterro sanitário exclusivo e a co-disposição em aterros sanitários de resíduos sólidos
urbanos.
No aterro exclusivo os biossólidos podem ser dispostos nas formas de tortas
desidratadas ou secos termicamente. As tortas de biossólidos geralmente não
apresentam resistência suficiente para submeter-se a um processo de compactação, e o
aumento da resistência é função da redução de sua umidade, o que poderá ser obtido por
meio da mistura com outros materiais. Ensaios geotécnicos mostram que misturas de
tortas de biossólidos a 40% de sólidos com cal virgem ou 90% de sólidos, são
adequados para a disposição em aterros exclusivos (Tsutya, 2000).
A co-disposição em aterros de resíduos sólidos urbanos tem sido a prática mais
usual no Brasil. Não há qualquer inconveniente nesta forma de destinação final do lodo,
desde que seu teor de sólidos seja de pelo menos 30%; teor de sólidos inferior a este
valor dificulta ou impede a própria compactação e o trabalho das máquinas sobre o
aterro (Jordão e Pêssoa, 2005).
7.2. Reciclagem agrícola

A reciclagem agrícola alia baixo custo e impacto ambiental positivo quando é


realizado dentro de critérios seguros. Ambientalmente é a solução mais correta, pois
promove o retorno dos nutrientes ao solo, colaborando para o fechamento no ciclo dos
elementos (Ferreira e Andreoli, 1999).
O lodo pode ser utilizado na forma de composto orgânico, na forma bruta ou
higienizado com cal e os critérios de seleção para o uso são definidos em função das
características do lodo, do tipo de solo e da cultura. O lodo de esgoto é uma excelente
fonte de matéria orgânica, e normalmente apresenta maior teor de nitrogênio em base de
peso seco do que o esterco de bovinos e aves. A principal função do lodo com fonte de
matéria orgânica é atribuída aos benefícios que apresenta quando da sua decomposição
no solo formando o húmus, que apresenta os benefícios tais como solubilização de
nutrientes; alta capacidade de troca catiônica (Ca, Mg, K, Na, H e NH4), fornecimento
lento de fósforo, nitrogênio, enxofre e micronutrientes, aumenta a capacidade de
retenção de umidade no solo e melhora a estrutura e capacidade tampão do solo
tornando-o mais resistente às ações da erosão (Costa et al., 1999).
A magnitude dos impactos da reciclagem agrícola do lodo de esgoto é
diretamente relacionada à qualidade do lodo, às características da área de aplicação, às
taxas de aplicação e às culturas selecionadas. Os principais impactos da reciclagem
agrícola são associados aos riscos de contaminação por elementos tóxicos e à presença
de patógenos, ambos comprometendo a saúde pública, animal e vegetal e a qualidade do
ambiente. As doses devem ser calculados com base na demanda de nitrogênio da
cultura, para evitar a lixiviação deste elemento, que também se caracteriza como um
risco potencial desta prática. Em se tratando de lodo caleado, o pH a se atingir com a
disposição é outro critério relevante na quantificação das dosagens de aplicação. Em
áreas de uso contínuo, deve-se observar o equilíbrio de nutrientes, especialmente no
caso de utilização de lodo caleado. A minimização destes riscos está associada à seleção
criteriosa dos sítios de utilização (Lara, et al., 2000).
A reciclagem agrícola deve, necessariamente, estar condicionada a regras que
definam as exigências de qualidade do material a ser reciclado e aos cuidados exigidos
para estabilização, desinfecção e normas de utilização que incluam as restrições de uso.
Deve, também, estabelecer as características do local onde o lodo será reciclado, com
referência principalmente à distância de aglomerados urbanos, declividade, pH,
capacidade de troca catiônica (CTC), distância de corpos de água e uso do solo. Assim,
a regulamentação de uso é um pré-requisito básico para a utilização dessa prática, que
apresenta grandes dificuldades para sua correta definição, de forma a garantir o suo
seguro sem, contudo, inviabilizar o processo pelo excesso de exigências (Aisse et al.,
1999).

7.3. Recuperação de áreas degradadas

A aplicação do biossólido em áreas agrícolas, floresta e também em áreas


degradadas traz benefícios às propriedades físicas do solo, pois o biossólido é um
condicionador melhorando a formação de agregados, a infiltração, a retenção da água e
a aeração do solo. Como a área degradada se caracteriza por não fornecer condições ao
desenvolvimento e fixação da vegetação em função da falta de matéria orgânica e de
nutrientes no solo e da atividade biológica, a adição do biossólido apresenta uma série
de características que favorecem a recuperação e o reaparecimento da vegetação
(Tsutya, 2000).
O biossólido é uma alternativa com grande potencial para ser utilizado em
recuperação de solos de áreas degradadas e áreas de mineração (Tsutya, 2000). Segundo
Epstein (2002), o uso de biossólido para recuperação de áreas de mineração oferece
várias vantagens como: fornecimento de macro e micronutrientes para o
estabelecimento da vegetação; melhora nas propriedades físicas do solo, resultando em
menos erosão e escoamento superficial; melhora nas propriedades biológicas do solo;
aumento da produtividade do solo; fornecimento de alimento para a vida selvagem.

7.4. Disposição superficial no solo “Landfarming”

A disposição superficial no solo ou “landfarming” é um sistema de tratamento


de resíduos sólidos biodegradáveis na camada superficial do solo, através da
fermentação aeróbia contínua. É, portanto, um processo dinâmico, no qual o resíduo, o
local, o solo, o clima e a atividade biológica funcionam como um sistema complexo,
onde as propriedades destes componentes variam acentuadamente com o tempo. Trata-
se de um sistema aberto que, se for mal planejado ou gerenciado, pode trazer problemas
imediatos de contaminação de águas superficiais, subterrâneas, de alimentos e do
próprio solo (Lara et al., 2001).
O “landfarming” é uma alternativa de baixo custo e tem por objetivo principal a
decomposição da matéria orgânica no solo. Para sua utilização devem ser levados em
consideração os seguintes fatores: características do lodo/biossólido para definir a taxa
de aplicação, implantação e manuseio da vegetação de cobertura, coadjuvante
fundamental no processo e controle ambiental (Tsutya, 2000).

7.5. Produção de fertilizante

Na indústria de fertilizante o biossólido pode ser utilizado de três maneiras


(Tsutya, 2000):
 Como fertilizante granulado complexo, quando o biossólido e os sais minerais
estão reunidos no mesmo grânulo, formando um produto homogêneo;
 Como mistura de fertilizantes minerais e orgânicos, em forma de mistura de
grânulos ou em pó. Dependendo dos teores de matéria orgânica e NPK, será
considerado um fertilizante mineral ou organo-mineral;
 Como carga numa formulação mineral, quando a mistura mineral não atingir o
peso de uma tonelada, que é o padrão comercial. Neste caso, a indústria de
fertilizantes habitualmente completa o peso com carga inerte (granilha). A
substituição desta carga por biossólido seco traz vantagens decorrentes do seu
teor me matéria orgânica e nutrientes.

7.6. Produção de agregado leve e produtos da construção civil

A construção civil é um ramo da atividade tecnológica que, pelo volume de


recursos naturais consumidos, pode ser largamente indicado para absorver resíduos
sólidos (Giffoni e Lange, 2005).
A reciclagem de resíduos na construção civil se apresenta como uma
oportunidade de transformar um item de despesas em fonte de faturamento, ou pelo
menos, minimizando despesas da disposição final desses resíduos. Também pode
resultar na oferta de produtos alternativos, além de soluções mais adequadas para
situações específicas, com ganho de eficiência no processo e economia de recursos,
transporte e disposição. Torna-se também um fator de incentivo ao aproveitamento de
resíduos que antes não tinham destino final adequado, além de outros benefícios
potenciais tais como: redução no consumo de recursos naturais não renováveis; redução
de área necessária para aterro (devido à minimização do volume dos resíduos) e redução
e controle da poluição (Ingunza et al., 2006).
A indústria cerâmica tem sido ultimamente alvo de diversas pesquisas com
incorporação de resíduos, destacando-se pela sua facilidade de aceitar novos materiais
como componentes na matéria prima (lodo de esgoto, resíduos de mineração, escória de
siderúrgicas, pó de cimento, resíduo de galvanoplastia, entre outros). Estes resíduos têm
sido avaliados na fabricação de telhas e tijolos, cimento, agregados leves, matriz de
cimento Portland, e componentes de mistura asfáltica. O uso na indústria cerâmica é
altamente promissor, pois as massas argilosas utilizadas são de natureza heterogênea,
aceitando incorporação de materiais residuais de diversos tipos e origens, mesmo
quando adicionados em quantidade significativas (Oliveira et al., 2004 apud Ingunza et
al., 2006).
Existem diversas experiências de incorporação de lodo de águas residuárias à
fabricação de produtos da construção civil.
Em São Paulo a Sabesp montou e operou uma planta protótipo para avaliar os
aspectos técnicos, de custo, e de benefício, da fabricação de agregado leve para
construção civil a partir do lodo digerido, seco. O processo incluiu uma secagem
térmica por leito fluidizado, resultando “pelotas” com teor de umidade de apenas 15%,
seguida de sinterização até 1000ºC, resultando um produto final com dimensões de 2,4 a
25 mm, e massa específica de 570 kg/m3. Embora esta experiência tenha sido realizada
em 1979 em unidade protótipo (capacidade de produção de agregado leve de 500 kg/h),
na ETE Vila Leopoldina, a opção não chegou a ser efetivada em escala industrial
(Jordão e Pêssoa, 2005).
Moreira et al. (2001) mostraram que é possível utilizar lodos gerados por
estações de tratamento de efluentes de indústrias têxteis para a fabricação de materiais
de construção (cerâmica vermelha), desde que se utilize proporção adequada de argila-
lodo, bem como argilas de natureza adequada e aplicação de tratamento térmico
apropriado. O processo permite incorporar grande quantidade de lodo e, portanto, pode
absorver uma percentagem elevada do mesmo.
Luz et al. (2009) utilizaram lodo galvânico (LG) como matéria prima em
cimento sulfoaluminato (CSA). Este resíduo foi incorporado no cimento na proporção
de peso de 25%, para compor um cimento sulfoaluminato misturado (CSAM). As
argamassas preparadas com CSAM mostraram resultados interessantes: a resistência à
compressão foi inferior ao controle, sendo este valor aceitável desde que haja uma
menor quantidade de cimento na argamassa; a perda de massa e o encolhimento durante
a secagem foram mais elevados que o controle.
Martínez-García et al. (2011) avaliaram o uso de lodo de uma estação de
tratamento de águas residuárias na produção cerâmicas estruturais, como um meio
alternativo à disposição do lodo. Foi usada no estudo uma mistura de argila e lodo
proveniente da província de Jaen (Espanha), sendo o conteúdo de lodo nesta mistura de
1 a 15% do peso seco. Esta proporção de lodo foi comprovada como um fator chave
para alterar a qualidade de tijolos, afetando as propriedades tecnológicas dos produtos
de cerâmica finais. Aumentando as proporções de lodo, aumenta a sucção e absorção de
água. Por outro lado, a adição de lodo implica em uma redução na resistência à
compressão devido ao aumento da porosidade causada pela diminuição da densidade.
Por esta razão, a porcentagem adequada de lodo a ser adicionado no corpo da argila
deve ser controlada. Portanto, este tipo de resíduo deve ser incorporado em baixas
concentrações, a fim de produzir tijolos de cerâmica de boa qualidade. Ao todo, a
proporção recomendada de lodo em tijolos é de até 5% do peso seco.
Devant et al. (2011) investigaram a formulação ideal de misturas ternárias de
argila com lodo de esgoto e resíduos florestais para produção de cerâmicas, e analisaram
suas características ambientais. Os autores concluíram que a utilização de lodo de
esgoto e resíduos florestais, como a serragem da trituração de móveis antigos, para
produção de cerâmicas vermelhas possui três vantagens principais: valorização de
resíduos perigosos que são gerados em grandes quantidades, imobilização de metais
pesados, e redução dos custos com matérias primas, incluindo a argila e água. O uso de
misturas ternárias produziu peças de cerâmicas com maior porosidade, o que reduziu a
condutividade térmica para menos da metade do valor das argilas vermelhas
convencionais. As misturas ternárias também diminuíram a compreensão para valores
adequados para a produção industrial, com 59,4% de porosidade, para a mistura ótima
de 80% de argila, 10% de lodo e 10% de resíduos florestais em condições secas. Do
ponto de vista ambiental, os testes de lixiviação e toxicidade realizados com o novo
material demonstraram a ausência de riscos ambientais para os usuários finais.

7.7. Conversão a componentes combustíveis

O processo de briquetagem consiste, basicamente, na aplicação de pressão em


uma massa de partículas dispersas, com objetivo de torná-las um sólido geométrico
compacto de alta densidade. Através desse processo os resíduos sólidos são
transformados em um produto de alto valor combustível sendo empregado na geração
de energia.
O uso dos briquetes apresenta uma série de vantagens se comparados aos
combustíveis sólidos convencionais. As vantagens são: aumento do conteúdo calorífico
do material por unidade de volume, maior facilidade de transporte e estocagem, produz
uma queima uniforme e de qualidade, elimina a possibilidade da combustão espontânea
na estocagem, reduz a biodegradação dos resíduos, devido à baixa umidade, atinge
rapidamente temperaturas altas, produzindo menos fumaça, cinzas, fuligem e o material
resultante da compactação atinge uma maior temperatura de chama e tem uma maior
regularidade térmica mantendo o calor homogêneo.
As desvantagens do uso dos briquetes são a necessidade de altos investimentos
em equipamentos, gastos de energia no processo, algumas características indesejáveis
na combustão observadas algumas vezes como tendência em se desmancharem quando
expostos à água ou submetidos à alta umidade e alta carga tributária incidente na venda
do produto e nos equipamentos utilizados.
Outro aspecto a ser considerado é que dependendo das características químicas
dos resíduos a serem briquetados, podem gerar restrições no seu uso para este fim, dado
que as emissões atmosféricas e/ou constituição das cinzas geradas após sua queima,
podem ser danosos à saúde e ao ambiente. Entretanto, a constituição química destes
resíduos pode ser um ponto positivo, uma vez que, as cinzas não contaminadas destes
resíduos podem apresentar um potencial como fertilizante para solos.
Rodrigues et al. (2010) estudaram a viabilidade técnica da utilização de lodo
biológico misturado aos finos de madeira, ambos resíduos gerados nas fábricas de
celulose como matéria prima para o processo de briquetagem. A Tabela 7.1 apresenta os
resultados de umidade in natura, poder calorífico superior, teor de lignina, densidade
básica, teor de cinzas e composição elementar (% C, H, N, S) para os resíduos.
Tabela 7.1 Características físico-químicas dos resíduos
Resíduos
Parâmetros analisados
Lodo biológico Finos de madeira
Teor de umidade in natura (%) 85 45
Poder calorífico superior (cal/g) 3991 4630
Teor de lignina total (%) - 31,2
Densidade básica (g/cm) 1,13 0,67
Teor de cinzas (%) 28,5 0,77
Composição elementar (% C, H, N, S) 32,7-5,6-6,6-1,6 43,9-6,6-0,37-0,016
Fonte: Rodrigues et al. (2010)

As características físico-químicas são parâmetros que podem avaliar o potencial


de um resíduo como combustível e da viabilidade deste na produção de briquetes. É
importante que o material tenha densidade baixa, pouca geração de cinzas e um poder
calorífico interessante para a queima. Pode-se observar que o lodo biológico possui um
teor alto de cinzas e enxofre que pode ser inconveniente para a queima Por outro lado,
os finos de madeira possuem um teor bastante baixo destes parâmetros o que torna
interessante a mistura destes resíduos. O processo de briquetagem aumenta a densidade
da madeira e otimiza as sua características energéticas. A produção de briquetes a partir
da mistura de lodo e finos de madeira nas proporções de 80% lodo mostrou-se
interessante para o armazenamento e transporte, pois houve um ganho de resistência e
densidade, embora seja necessário definir à proporção que minimize também o teor de
cinzas e emissões atmosféricas (Rodrigues et al., 2010).

7.8. Disposição final em função do processo de tratamento do lodo

A destinação final de biossólido é função do processo de tratamento do lodo, do


seu condicionamento, da desidratação, da quantidade e qualidade produzida pela estação
de tratamento de esgoto. Há várias alternativas para o tratamento do lodo de esgoto,
portanto há também diversas alternativas para a sua disposição final (Tsutya, 2000):
 Lodo digerido anaerobicamente e desidratado mecanicamente: aplicação direta
no solo, disposição em aterro sanitário exclusivo, co-disposição com resíduos
sólidos urbanos, produção de agregado leve, fábrica de tijolos e cerâmicas;
recuperação de áreas degradadas e de áreas de mineração, “landfarming”.
 Lodo digerido, desidratado e submetido ao processo de secagem térmica:
aplicação direta na agricultura, fabricação de fertilizantes, aterro exclusivo,
produção de óleo combustível, produção de cimento.
 Lodo desidratado e não estabilizado: disposição em aterro, “landfarming”.
 Lodo digerido: aplicação direta no solo, recuperação de solos, “landfarming”.

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