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Por Agência Brasil | 08/06/2016 21:58

Com cartazes e faixas, grupo lembrou violência contra jovem no Rio e pregou sororidade; Temer também é
alvo de protestos

Com uma caminhada entre o Museu de Arte de São Paulo (Masp) e a Praça Roosevelt, ambos na região
central de São Paulo, centenas de mulheres protestaram na noite desta quarta-feira (8) contra o machismo
e contra a cultura do estupro. O protesto "Por Todas Elas" foi convocado pelas redes sociais e acontece em
vários lugares do País. Em São Paulo, a caminhada foi pacífica e durou cerca de duas horas.

O ato começou por volta das 17h no vão livre do Masp, onde as mulheres fizeram jograis, cantaram, pintaram
faixas contra o estupro. Por volta das 18h30, as manifestantes saíram em caminhada, fechando todas as
pistas da Avenida Paulista no sentido Consolação. A Polícia Militar não informou a estimativa de público.

Na primeira fila da caminhada, estavam mulheres que levaram seus filhos ao protesto. Uma imensa faixa
onde se lia “Estupro Nunca Mais. Todas contra 33" foi levada por elas. Durante a caminhada, as mulheres
gritavam palavras de ordem como “Machismo mata, feminismo liberta” e “Fora, Temer”.

No fim da caminhada, nas proximidades da Praça Roosevelt, as mulheres se sentaram no chão. Algumas
tiraram as roupas e fizeram uma performance, gritando números de 1 a 33 [total de homens que podem ter
estuprado a adolescente no Rio de Janeiro]. O grupo também apresentou um jogral em que gritaram que “a
culpa nunca é da vítima” e que elas “são as vozes daquelas que o machismo matou”.

“Para cada mulher silenciada, para cada mulher violentada, uma vida inteira de luta”, acrescentaram. O ato
terminou com abraços e gritos de “Feminismo é a revolução”.
Modelo afirmou que agressões ocorreram em 21 de maio durante uma viagem com o empresário a Nova York

Por: Estadão Conteúdo


01/07/2016 - 10h14min | Atualizada em 01/07/2016 - 17h14min

A modelo e atriz Luiza Brunet abriu o jogo sobre o fim de seu relacionamento com o empresário Lírio Albino
Parisotto. Em entrevista à coluna de Ancelmo Gois, do jornal O Globo, ela revelou ter sido espancada pelo
ex-namorado na madrugada do dia 21 de maio.

Segundo o relato de Luiza, eles estavam em Nova York por conta de uma premiação, e ela teve que voltar às
escondidas após sofrer uma série de agressões, iniciada por um momento de exaltação de Lírio. Luiza
representou queixa no Ministério Público de São Paulo, com um laudo de corpo de delito do IML.

Enquanto jantavam em um restaurante com amigos, o empresário se enfureceu ao ser questionado se iria a
uma exposição de fotos. Ele teria dito que não, pois da última vez havia sido confundido com Armando, ex-
marido da modelo. A partir de então, ele se manteve em total descontrole.

— Fui para Nova York acompanhá-lo para o evento Homem do Ano. Saímos do restaurante e pegamos um
Uber. Ao chegar ao apartamento, ele me deixou dentro do carro e subiu — disse Luiza ao jornal.

Ela diz ter subido para o apartamento logo na sequência e deparado com Lírio já de roupão assim que entrou
na residência. Luiza afirma que ele iniciou uma série de agressões verbais e, em seguida, a acertou com um
soco no olho e lhe disparou uma sequência de chutes.

No relato, ainda consta que o empresário a teria imobilizado e quebrou quatro de suas costelas. O fim da
tortura acabou quando a modelo ameaçou gritar pelo concièrge. Ela teria conseguido escapar e se trancou no
quarto até a manhã do dia seguinte, quando retornou ao Brasil.

— Eu sempre tive uma família estruturada e sempre fui discreta em minha vida pessoal. É doloroso aos 54
anos ter que me expor dessa maneira. Mas eu criei coragem, perdi o medo e a vergonha por causa da situação
que nós, mulheres, vivemos no Brasil. É um desrespeito em relação à gente. O que mais nos inibe é a vergonha.
Há mulheres com necessidade de ficar ao lado do agressor por questões econômicas, porque está acostumada
ou mesmo por achar que a relação vai melhorar — relatou à publicação.

Por meio de nota, Parisotto afirmou que "lamenta versões distorcidas" que serão esclarecidas "nas esferas
legais". Leia a íntegra do comunicado:

Neste momento, venho a público lamentar que versões distorcidas sobre um episódio ocorrido na intimidade
estejam sendo divulgadas como única expressão da verdade. Embora compreenda a natural repercussão do
caso pelas pessoas envolvidas, tenho a convicção de que no momento e nas esferas legais apropriadas todas
as circunstâncias serão plenamente esclarecidas.

Nas redes sociais

No dia 8 de junho, Luiza publicou em seu Instagram a imagem de uma mulher com hematomas e incentivou
as mulheres a denunciarem as agressões sofridas.
António Louçã, RTP 05 Ago, 2010, 16:04 / atualizado em 05 Ago, 2010, 17:25 | Mundo

Bibi Aisha, de 19 anos, sofria violências constantes às mãos do marido e da família deste. Fugiu de
casa e foi apanhada. Cortaram-lhe o nariz e as orelhas. Voltou a fugir e contou a história. O trágico
destino de Aisha é comum para as mulheres afegãs, mas, a milhares de quilómetros de distância,
está a abalar os Estados Unidos.

Na sua segunda fuga, a jovem afegã foi ajudada por uma organização de apoio a mulheres vítimas de
violências e irá ser enviada para os Estados Unidos, onde será operada. Bibi Aisha teve mais sorte do que a
maioria das mulheres em situação semelhante e pode ainda alimentar esperanças: "Só quero recuperar o meu
nariz", afirma.

Entre as menos felizes, contar-se-á a sua irmã mais nova, com dez anos de idade, que ficou nas mãos da
família do marido e agora irá provavelmente ser castigada pela fuga ou usada como refém para exigir à
família de Aisha uma outra jovem que substitua a fugitiva.

Seja como for, Aisha, com o seu belo rosto desfigurado, tornou-se uma celebridade nos Estados Unidos. Fez
capa da revista Time e logo se tornou o centro de uma furibunda polémica.

A polémica, de qualquer modo, já existia e agora apenas se fixou num pretexto novo. Dividida ao meio, a
sociedade norte-americana confronta-se em torno da guerra do Afeganistão, da saída das tropas norte-
americanas, da data de saída, das consequências da saída - e daquilo que andam a fazer no Afeganistão
enquanto lá permanecem.

A própria revista Time, ao publicar a chocante fotografia de capa e a história de Bibi Aisha, não escondia
que partido tomava nessa polémica. E dava à história um título sem ambiguidade: "O que vai acontecer se
sairmos do Afegnistão". E, segundo o site de Der Spiegel, a sua homóloga Time recebeu sobre este tema de
capa o dobro da correspondência que habitualmente recebe por e-mail.

Na mesma linha da Time, a jornalista da CNN Christianne Amanpour interpelou a presidente da Câmara dos
Representantes, Nancy Pelosi, com a pergunta: "Iremos nós abandonar as mulheres no Afeganistão ao seu
destino?". E também Manizha Naderi, da organização Women for Afghan Women (Mulheres pelas Mulheres
Afegãs), afirma num artigo escrito para o New York Times: "As pessoas têm de ver e saber qual será o preço
de este país [Afeganistão] ser abandonado". E sustenta que este tipo de violências é "precisamente o que vai
acontecer".

A corrente anti-guerra, pelo contrário, considera que a Time, Naderi e Amanpour apenas instrumentalizam a
questão dos direitos das mulheres para justificar o prolongamento da guerra e da ocupação.

A analista política Kirstin Powers, colaboradora da Fox News e do New York Post, afirma nomeadamente
que os direitos das mulheres têm sido abusivamente invocados, "no melhor dos casos, como folha de parra".
E explica que "não se tratava naquela altura [2001, invasão do Afeganistão] das mulheres. E hoje não se
trata das mulheres. É tempo de sair".

E, com efeito, ao título da revista Time ("O que vai acontecer se sairmos do Afeganistão"), poder-se-ia
certamente acrescentar que a história de Aisha, e milhares de histórias parecidas, continuam a acontecer sem
as tropas ocupantes terem saído do Afeganistão e, por assim dizer, debaixo dos seus narizes.
Farzana Iqbal havia sido noiva de primo, mas casou-se com outro homem.
Assassinato aconteceu em frente a um tribunal na cidade de Lahore.

Uma mulher de 25 anos foi apedrejada até a morte por sua família do lado de fora de um dos principais
tribunais do Paquistão nesta terça-feira (27), em uma chamada sentença de morte por “honra”, cujo motivo
foi ter se casado com o homem que amava, disse a polícia.

Farzana Iqbal estava esperando a abertura da Alta Corte na cidade de Lahore, leste do país, quando um
grupo de dezenas de homens a atacou com tijolos, disse o policial Umer Cheema.

O pai dela, dois irmãos e um ex-noivo estavam entre os agressores, disse ele. Farzana sofreu severos danos
na cabeça e morreu no hospital, segundo a polícia.

Todos os suspeitos, exceto o pai, escaparam. Ele admitiu ter matado a filha, de acordo com Cheema, e
afirmou que era uma questão de honra. Muitas famílias paquistanesas consideram que uma mulher se casar
com alguém de sua própria escolha traz desonra à família.

Farzana havia sido noiva de um primo, mas casou-se com outro homem, disse o policial. Sua família
registrou uma acusação de sequestro contra ele, mas Farzana havia ido à corte para argumentar que havia
casado com ele por vontade própria.

Cerca de 1.000 paquistanesas são mortas todos os anos por suas famílias em nome da honra, de acordo com
o grupo de direitos Aurat Foundation. Mas o número real é provavelmente muitas vezes maior, considerando
que a fundação apenas registra dados baseados em registros de jornais. O governo não compila estatísticas
nacionais.
Jovem se matou após acusados de crime terem sido inocentados.
Caso aconteceu em janeiro; polícia disse que ela não foi estuprada.

Uma adolescente paquistanesa morreu nesta sexta-feira (14) depois de atear fogo em si mesma após um
tribunal retirar as acusações contra quatro homens acusados de estuprá-la, informou a polícia.
O incidente ocorreu no distrito de Muzaffargarh, na província de Punjab, onde o estupro coletivo em 2002
de Mukhtar Mai, uma mulher analfabeta, foi manchete em todo o mundo.
Amina Bibi, de 18 anos, jogou gasolina e ateou fogo no próprio corpo na quinta-feira (13) em frente a uma
delegacia de polícia na cidade de Beet Meer Hazar, segundo a polícia.
Redes de televisão paquistanesas transmitiram imagens terríveis que mostravam a autoimolação e as
tentativas desesperadas dos pedestres de apagar as chamas.
A jovem foi levada a um hospital público próximo, onde os médicos tentaram salvá-la, mas ela sucumbiu
aos ferimentos na manhã desta sexta, explicou a polícia.
A jovem foi supostamente estuprada por quatro homens, incluindo um membro de sua família, em janeiro, e
reportou o incidente à polícia.
No entanto, um tribunal local de Muzaffargarh arquivou o caso na quinta-feira, depois que um relatório da
polícia afirmou que Amina não havia sido estuprada, levando a adolescente a tomar esta medida
desesperada.
"Nadir, o principal acusado no caso, era um parente da vítima e eles tiveram uma briga familiar", informou o
oficial de polícia Chaudhry Asghar Ali à AFP.
"O caso foi investigado duas vezes e os investigadores descobriram que a vítima não havia sido estuprada",
acrescentou.
A Suprema Corte do Paquistão exigiu nesta sexta-feira uma explicação sobre o incidente, ordenando que os
chefes da polícia da província e do distrito compareçam pessoalmente ao Tribunal.
A Corte ordenou que a polícia envie um relatório explicando como o caso foi investigado e as razões pelas
quais os homens acusados foram inocentados.
A porta-voz do chefe da polícia de Punjab informou que uma equipe de investigação foi enviada à região
para analisar o caso.
"Enviamos uma equipe de investigação à área e suspendemos os funcionários da polícia que eram os
responsáveis pelo caso", declarou Nabeela Ghazanfar, porta-voz do chefe da polícia de Punjab.
A Comissão de Direitos Humanos do Paquistão, independente, exigiu que o governo aja para garantir que os
criminosos sejam levados à justiça.
"O sacrifício desta adolescente expôs as provações que as vítimas de estupro no país enfrentam quando
tentam levar seus algozes à justiça", afirmou o grupo.
"É de conhecimento comum que apenas as vítimas de estupro corajosas no Paquistão levam o assunto à
polícia ou ao tribunal", acrescentou.
A violência física e sexual contra mulheres é generalizada no Paquistão, um país muçulmano patriarcal e
conservador.
Um dos casos mais famosos de crimes sexuais contra mulheres, o estupro de Mukhtar Mai, em 2002, e sua
sobrevivência, a transformaram em um ícone internacional dos direitos das mulheres.