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O ESTÁGIO DE REGÊNCIA NO CURSO DE LETRAS: ESPAÇO DE APTIDÕES E

REVELAÇÕES

Maria José Lima1

Orientadora: Nádia Narcisa de Brito Santos2

RESUMO
Os saberes adquiridos nos cursos de licenciaturas são colocados em prática quando o graduando se
depara com seu campo de atuação, a sala de aula. Esse contato ocorre durante o estágio, época de muitas
revelações para aqueles que já estão prestes a concluir o curso. Diante da importância do estágio para a
formação docente o presente artigo é resultado de uma pesquisa realizada por meio da aplicação de
questionários com quatorze graduandos do Curso de Licenciatura em Letras Português da Universidade
Federal do Piauí-Campus de Picos. Objetivamos com este estudo observar como tem se dado a relação
dos graduandos de Letras com o estágio de regência. Assim nos apoiamos em construtos teóricos que
tratam da formação docente, tais como Lima (2012) e farias et al. (2014). Por conseguinte os graduandos
reconheceram o papel do estágio em sua formação , além disso conseguimos por meio da pesquisar
identificar as habilidades e os defeitos do ser professor dos graduandos através de questionamentos que
os levavam a uma autoavaliação.

PALAVRAS – CHAVE: Estágio de Regência. Formação docente. Curso de Letras.


ABSTRACT

The knowledge acquired in the undergraduate courses are put into practice when the graduate
is faced with his field of action, the classroom. This contact occurs during the internship, time
of many revelations for those who are already about to complete the course. Faced with the
importance of the internship for teacher education, this article is the result of a survey carried
out by means of the application of questionnaires with fourteen graduates of the Licentiate
Course in Portuguese Letters of the Federal University of Piauí-Picos Campus. We aim with
this study to observe how the relation of undergraduate students with the regency stage has been
given. Thus, we rely on theoretical constructs that deal with teacher education, such as Lima
(2012) and farias et al. (2014). Therefore, the graduates recognized the role of the internship in their
formation, and we also managed to identify the skills and defects of being a teacher of undergraduates
through questions that led to a self-assessment,

KEY-WORDS : Stage of Regency. Teacher training. Course of Letters.

1
Especializando-se em Docência do Ensino Superior pela Facec – Faculdade De Ciência E Educação Do Caparaó.
E-mail mariahhllyma@hotmail.com

2
Professora da rede particular de ensino da cidade de Picos – PI. Especializando em História do Brasil pela
Faculdade de Ciência da Educação do Caparaó – FACEC. Graduada em História pela Universidade Federal do
Piauí – Campus Senador Helvídio Nunes de Barros. E-mail: nadiabrito45@hotmail.com.
1
1. INTRODUÇÃO

“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”

Cora Coralina

Nos caminhos trilhados em um curso de licenciatura passamos por diversos momentos


de preparação até chegarmos ao estágio. Aqui nos deparamos com nosso campo de atuação, a
sala de aula.
3
A palavra reger tem sua gênese etimológica no Latim regere, significando
administrar. Ora administrar é um termo amplo, que engloba a organização, a observação e uma
série de atributos para conseguimos tal feito. Mas afinal qual a relação deste termo com o ato
de ser professor?
Ser professor é colocar uma ação planejada em movimento, a esta ação chamaremos
de ensinar. Diante dessa necessidade o professor realiza uma série de etapas antes de chegar a
prática de ensino, como por exemplo planejar a aula, buscar conhecer a turma e etc.
Todo estudante universitário no período de sua formação realiza uma atividade
denominada de estágio, no curso de Licenciatura Plena em Letras Português do Campus
Senador Helvídio Nunes de Barros, da Universidade Federal do Piauí. Essa etapa
correspondente à formação acadêmica é dividida em quatro etapas: a) Estágio de Observação I
e Estágio de Regência III no Ensino Fundamental II; b) Estágio de Observação II e Estágio de
Regência IV no Ensino Médio. A partir do exposto, percebemos de acordo com a organização
do estágio pela instituição a regência é precedida pela observação. Neste aspecto, notamos o
zelo pelo ideal do professor observador seguido pelo professor dotado de umas práxis.
É neste sentido que visamos problematizar como os graduandos do Curso de
Licenciatura Plena em Letras Português, da Universidade Federal do Piauí-Campus Senador
Helvídio Nunes de Barros estão atuando no estágio de regência, tendo em vista que essa ação
se concretiza no penúltimo e antepenúltimo período do curso. Será se os graduandos se sentem
preparados quando se deparam com a sala de aula? Será se são preparados para este momento?
Será que escolheram à docência ou almejavam outra profissão?

3
Reger é um verbo que tem a sua origem etimológico no vocábulo latino regĕre. O termo faz referência à ação de
administrar, dispõe, gerir ou decretar. Disponível em: http://conceito.de/reger Acesso em: 28/05/2017
2
Para tanto, o presente artigo apresenta uma pesquisa cujo objetivo era/ foi compreender
o como se deu o contato dos graduandos do Curso de Licenciatura Plena em Letras Português
durante seu primeiro estágio de regência no Ensino Fundamental e Ensino Médio. Atrelado a
isso analisar por meio da aplicação de questionários como os graduandos se portaram durante
o estágio de regência e identificamos quais eram suas expectativas e se estas foram supridas.
Compreender a relação entre o graduando com a sua profissão por meio do estágio de
regência é uma maneira de tentar propiciar um processo formativo de qualidade e de ajuda-los
com desafios presentes no dia a dia de um professor. Ora , analisar esse momento é um ponto
chave para se discutir os pros e o contras da formação docente no curso de Licenciatura Plena
em Letras e propor soluções.

2. DIALOGANDO COM AS FONTES TEÓRICAS

As práticas de estágio aos poucos nos apresentam nosso campo de atuação,


despertando em nós certezas e angústias. Estagiar é um momento decisivo na vida do acadêmico
e para nós licenciados a hora de sabermos se a docência é aquilo que fato almejamos. Logo em
suas lições Milanesi (2012 p. 210 ) afirma que
O estágio é um período muito importante na formação inicial dos professores e
esperado pelos estudantes dos cursos de licenciatura com muita expectativa. Para
muitos estudantes, o único contato que tiveram até então com a sala de aula foi na
condição de alunos, mas agora os papéis se invertem, tendo que assumir a função de
professor, por isso esses estudantes carregam consigo muita ansiedade.

Em suma, o estágio nos tira da posição de expectador e nos coloca como agentes.
Deixamos de ser educandos e passamos a ser educadores. A missão a nós incumbida as vezes
assusta, deixando o pequeno aprendiz amedrontado, buscando decifrar a incógnita da arte de
ser um educador. Ora parecemos decifrá-la, ora somos decifrados ou revoltos por ela. Nas lições
de Azevedo (2012, p. 73) ela ressalta a importância do estágio para os futuros professores de
Língua Portuguesa:
O Estágio Supervisionado de Língua Portuguesa é um componente curricular de
caráter prático que tem o objetivo de aproximar os alunos-metres das atividades
relacionadas ao ensino de português, realizadas no cotidiano das salas de aula. Essa
etapa de preparação profissional é relevante porque nela ocorre o confronto entre as
várias formulações teóricas, a realidade e os desafios do processo de ensino e
aprendizagem. Além do mais se constitui em experiências autenticamente formativas
tanto para aqueles que ensinam (professores regentes e supervisores) quanto para os
que aprendem (estagiários) .

Dessa forma, trilhamos o nosso caminho na prática docente por meio do estágio. É ele
que nos tira do mar denso de teorias e nos apresenta a prática, agora podemos articular os

3
aportes teóricos estudados à sala de aula. Num instante transformamos esses espaços em um
laboratório, realizamos testes e ao mesmo tempo somos testados. Passamos a colaborar com a
construção da educação, e vemos o quanto ser e estar professor são duas proposições distintas.
A primeira indica permanência, entrega, já a segunda temporalidade, passagem.
O estágio se desenvolve a partir da atuação do graduando em sala de aula, seja no
Ensino fundamental ou Médio , mas está para além do ato de ensinar , pois o licenciando no
estágio são desafiados por um conjunto de situações que estão para além da sala de aula, logo
vemos eu que o estágio não se limita apenas a este espaço. Nas lições de Pimenta e Lima (
2006 p 20-21) elas nos apresentam o estágio como:
Esse conhecimento envolve o estudo, a análise, a problematização, a reflexão e a
proposição de soluções às situações de ensinar e aprender. Envolve também
experimentar situações de ensinar, aprender a elaborar, executar e avaliar projetos de
ensino não apenas nas salas de aula, mas também nos diferentes espaços da escola.
Por isso, é importante desenvolver nos alunos, futuros professores, habilidades para o
conhecimento e a análise das escolas, espaço institucional onde ocorre o ensino e a
aprendizagem, bem como das comunidades onde se insere. Envolve, também, o
conhecimento, a utilização e a avaliação de técnicas, métodos e estratégias de ensinar
em situações diversas. Envolve a habilidade de leitura e reconhecimento das teorias
presentes nas práticas pedagógicas das instituições escolares. Ou seja, o estágio assim
realizado permite que se traga a contribuição de pesquisas e o desenvolvimento das
habilidades de pesquisar. Essa postura investigativa favorece a construção de projetos
de pesquisa a partir do estágio.

Diante das informações supracitadas, vemos o estágio como um meio para além das
práxis docentes, formando professores pesquisadores com um olhar não apenas para o problema
em si, mas para a possibilidade de investigar a situação e propor possíveis soluções. O estágio
contribui dessa maneira com a visão educacional almejada, ou seja, a do professor em formação.
Afinal a educação a todo instante passa por mudanças e se o profissional não a observa-las
nessa perspectiva acabará tornando sua prática pedagógica obsoleta.
A caminhada de um professor exige calma para andar e pressa em querer aprender e
apreender o saber. Encantar-se com o ofício de ser mestre é um estímulo para a procura do
conhecimento e seu aprimoramento, consequentemente dialoga com a construção da identidade
docente que tem sua gênese nos cursos de licenciatura. Os graduandos necessitam desde sua
formação inicial se perceberem como protagonistas da educação, construídos historicamente e
socialmente , mas armados por um potencial crítico-reflexivo capaz de sensibilizar outras
mentes e colaborar com mudanças significativas no âmbito social. Como nos lembra Farias et
al. (2014, p.56-57)
A educação, [...] tem importante papel na formação humana, na constituição de um
homem crítico e autônomo. Para preparar esse homem comprometido com o projeto
de transformação da sociedade-deslocando o eixo do mercado para centrá-lo no
homem como sujeito histórico, seus sonhos devem encontrar cumplicidade entre os
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educadores com quem convive ao longo de sua escolaridade. Sabemos, no entanto,
que nós, educadores , muitas vezes fomos destituídos dos nossos sonhos , tornando-
se um desafio cotidiano cumprir esse papel .[...]

Percebemos que é um desafio para o formador promover uma concepção no licenciando


capaz de suscitar um sentimento de protagonismo, pois em alguns casos esse estímulo lhe foi
ceifado durante sua formação, seja por questões socioeconômicas ou desvalorização do
professorado. Compete a este superar esse trauma, criando um ambiente favorável ao
desenvolvimento de uma ação educativa apta a formar sujeitos críticos reflexivos com um olhar
sensível para a educação e seus atores, sendo estes protagonistas (personagem principal visto
como herói) , antagonistas (personagem principal visto como vilão) ou secundários (simples
personagem) . O importante é o olhar sensível do professor somado ao senso aguçado do
pesquisador em busca de soluções que sejam capazes de suprir suas teses.
E os desafios só tendem a aumentar, as escolas exigem mais e mais de nossos mestres.
Dispomos de turmas multipluralistas, e nossos cursos devem nos preparar para lhe dar com a
diversidade presente na escola. Não basta o conhecimento teórico, temos que articulá-lo a uma
proposta de ensino que alcance a todos a fim de formarmos sujeitos críticos. Em suas lições,
Farias et al. (2014,p.71) nos adverte
Esta exigência torna-se ainda mais aguda ante as situações adversas e desafios
crescentes que marcam a prática educativa escolar na contemporaneidade. Hoje, o
professor precisa lidar com expectativas advindas da acentuação do individualismo,
da disseminação dos padrões narcisistas, do acirramento da competição e da elevação
das aspirações de consumo que incidem sobre ele e os sujeitos com quem interage. Os
reflexos desse panorama são notadamente visíveis dentro e fora da sala de aula,
repercutindo sobremaneira nas práticas pedagógicas e no desenvolvimento do
processo identitário do professor.

Assim segue o professor, um indivíduo que deve criar meios para atender um público
amplamente diversificado, batalhando entre si para provar quem é o melhor. Nesse cenário
também se encontra o Graduando em Letras, o responsável por discutir com os educandos do
Ensino Médio e Fundamental II as práticas linguísticas da Língua Portuguesa. Ora,
acrescentamos ao comentário de Farias et.al outro empecilho, as disparidades ocasionadas pelas
questões da língua, um exemplo nítido é o preconceito linguístico, ocasionado pelas diferentes
manifestações de fala dos alunos. Competirá ao professor de Língua Portuguesa mediar esse
conflito e mostrar aos educandos as causas que provocam essa pluralidade linguística.
O professor está a cada segundo enfrentando desafios, a maneira como vai se porta
vincula-se à sua experiência no magistério, à sua formação gradativa aos poucos vai lapidando
o ser professor. Em sua bagagem ele traz experiências negativas e positivas de um profissional

5
que está sempre em construção, renovando-se. Lima (2012, p.39) nos fala sobre essa viagem
professoral
Não nos tornamos professores da noite para o dia. Ao contrário, fomos constituindo
essa identificação com a profissão docente ao decorrer da vida, tanto pelos exemplos
positivos, como pela negação de modelos. É nessa longa estrada que vamos
construindo maneiras de ser e está no magistério.

A carreira docente nos leva a ensinar, despertar em nossos educandos o desejo de


desbravarem os mares do conhecimento. Para tanto, precisamos saber o que ensinamos e
aprender com os profissionais que nos ensinam. Uma jornada instigante eu aos mesmos temo
em que guiamos, precisamos de um guia. No estágio, antes de assumirmos uma turma temos
que observar a postura do professor responsável por nos acompanhar na escola, vermos sua
prática pedagógica, conversar com ele, saber sobre seu percurso. Afinal, aprendemos a todo
instante a ressignificar nossa prática, a buscar o melhor do ser professor. No magistério, os
mestres auxiliam os mestres, pois não podemos abandonar a vontade de aprender que é crucial
para a docência.
Ao falarmos em aprender, lembramos dos cursos de formação para professores, mas
além da realização de cursos o que contribui intrinsicamente à carreira docente é a capacidade
crítica e reflexiva de nossos mestres e a separação do professor e do ser humano que nele habita.
Nas lições de Nóvoa (1992, p.13) ele nos fala sobre a importância da dessa ação para a prática
docente

A formação não se constrói por acumulação (de cursos, de conhecimentos ou de


técnicas), mas sim através de um trabalho de reflexividade crítica sobre as práticas e
de (re)construção permanente de uma identidade pessoal. Por isso é tão importante
investir a pessoa e dar um estatuto ao saber da experiência.

Levar em consideração durante o processo formativo do educador seu o patrimônio


cultural, histórico, social e sua experiência de vida nos possibilita compreender sua prática
docente e a perceber o quanto sua caminhada foi afetada por estes aspectos, não podemos olhar
apenas para o professor, temos que lembrar do ser humano que assume a postura docente. Ele
é constituído por uma série de elementos capazes de constituir ou não seu fazer docente.
São tantas coisas a serem observadas, constituídas, lapidadas, ressignificadas. Tudo
em prol da formação de um profissional educador, que começa desde a escolha por um curso
de licenciatura, pois, isso tem a ver com os anseios pessoais de um determinado indivíduo e
toda a vontade de ser professor é colocada à prova durante o estágio. Neste momento, o
estagiário frequentará uma escola, onde todas a sua trajetória de vida se cruzará com a de vários

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educandos marcados pelos fatos sociais que antecedem ou se encontram no período em que
vivem. Sobre Lima (2012, p. 41-42) faz a seguinte afirmação
O profissional do magistério vive com as marcas de seu tempo. Na organização social.
A escola é um dos componentes, portanto reflete as crise e valores da sociedade onde
está inserida.
Em concordância com estudos anteriores, vemos que o Estágio passa pela questão
individual, coletiva e social, pois os professores sempre exercem um importante papel
nas mudanças e na tarefa de trabalhar valores e tendências de um determinado tempo
e lugar. No entanto, é preciso que o professor seja visto como um intelectual em
processo contínuo de construção e para tanto, sua formação requer uma base teórica
que o auxilie a compreensão da realidade, da organização da sociedade para que assim
possa produzir conhecimento.

Ora, os saberes de um educador devem ser vistos pelo outro como parte da
intelectualidade de sua formação. Compete ao docente caminhar para além da área de
conhecimento a qual está vinculado e se perceber como um sujeito historicamente construído,
que traz em suas pegadas as marcas de um determinado contexto histórico. Enfim, o professor
é um retirante durante parte de sua jornada, precisando se atualizar, averiguar os prós e os
contras antes de acampar sua barraca a fim de erguer um acampamento de conhecimento com
seus educandos.
O primeiro passo rumo ao desenvolvimento de uma prática docente se dá no estágio,
ele revelará aos futuros professores suas aptidões. Após discutimos sobre o que é o estágio e a
importância dele para a formação docente apresentamos uma pesquisa sobre a importância do
estágio para os acadêmicos do Curso de Letras, da Universidade Federal do Piauí-Campus de
Picos (UFPI-CSHNB). A pergunta que fazemos é: Será se o estágio foi um campo de revelações
e aptidões para estes graduandos?

3. O ESTÁGIO DE REGÊNCIA NO CURSO DE LETRAS: ESPAÇO DE APTIDÕES E


REVELAÇÕES

Nessa seção, apresentamos os resultados de uma pesquisa realizada com os graduandos


do Curso de Letras Português, da UFPI-CSHNB sobre a importância do estágio para sua
formação docente. Para tanto, aplicamos quatorze questionários, que foram respondidos pelos
discentes do oitavo período que já haviam estagiado tanto no Ensino Fundamental II quanto no
Ensino Médio. De acordo com o sexo os entrevistados foram divididos em dois grupos, sendo
onze do sexo feminino e três do sexo masculino.
O primeiro questionamento feito aos graduandos estava relacionado à escolha do
curso, queríamos saber se a Licenciatura em Letras sempre foi o objetivo de cada um dos
entrevistados. A seguir apresentamos um gráfico com o resultado obtido:
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Gráfico 1.Cursar Letras sempre foi seu objetivo?

29%

71%

Sim Não

A partir da exposição do gráfico notamos que cerca de 71% dos graduandos não
pretendiam cursar Letras, possuíam outros planos. Em seguida perguntamos aos graduandos se
pretendiam seguir a carreira de educador e para nossa surpresa cerca de 93% responderam que
sim.

Gráfico 2. Carreira docente

7%

93%

Sim Não

Seguimos com perguntas agora capazes de nos trazer à tona a relação dos graduandos
com o estágio e a importância deste para sua formação docente. Neste questionamento, optamos
por uma pergunta subjetiva a fim de propiciar aos discentes a oportunidade de exporem seus
pensamentos para além de um enquadramento em alternativas. A segui apresentamos a resposta

8
de cada entrevistado, ressaltamos que não fizemos nenhuma alteração no texto. Para identificar
cada graduando usamos nomes de autores literários e está regra servira para todas as perguntas
subjetivas deste questionário

Tabela 1 –Importância do estágio para a formação docente


Adélia Prado O estágio é importante por proporcionar ao discente o
contato com o seu futuro ambiente de trabalho e os
desafios que existem na sala de aula.
Carolina de Jesus O estágio é importante para qualquer área. Pois, é
através dele que o estagiário se conecta a realidade do
futuro profissional.
Cecília Meireles O estágio é uma oportunidade de colocarmos em pauta
os nossos conhecimentos teóricos adquiridos na
academia.
Clara Mello De muita relevância, pois é através da prática que
adquirimos a experiência necessária para nossa
formação docente.
Clarice Lispector Já tinha uma experiência docente anterior, então o
estágio não foi tão diferente da experiência.
Cora Coralina A teoria se distância da prática, então é necessário o
contato com a prática e a realidade atual do ensino.
Da Costa e Silva É importante pois é a etapa da formação, na qual
lidamos com a realidade eu fará parte da nossa vida
após a formação.
Francisca Júlia É um momento de decisão, sobre é realmente aquele
caminho que se quer seguir.
Francisca Mirian Fernandes Super importante, pois é o acesso à realidade.
H Dobal Um divisor de águas, pois é o momento em que
realmente nos deparamos com a realidade das escolas
e das dificuldades da docência.
Lygia Fagundes Telles Como um fator de relevante importância, isto que é a
partir dele que temos o primeiro contato com a sala de
aula.
Rachel de Queiroz De extrema importância, pois facilita o
aprimoramento na prática do ensino.
Socorro Santana Importantíssimo, momento de experiência na
profissão.
Torquato Neto O estágio é fundamental para que o formando entre em
contato e estabeleça a comunicação entre a
universidade e a escola. A escola é o lugar profissional
que futuramente o acadêmico atuará após formado,
logo é relevante que o aluno o conheça, pois é lugar
institucional.

A partir das respostas dos entrevistados notamos que eles consideram o estágio um
elemento essência para a sua formação docente, elo entre a teoria, a prática e sua profissão. E
como o clímax, o momento de decidirem se serão professores ou não. Percebemos também
diante da argumentação dos entrevistados que o Curso de Licenciatura se torna mais
significativo em suas vidas após o estágio, onde segundo eles colocam em atuação os saberes
adquiridos na universidade e conseguem visualizar as dissociações entre a teoria e a prática.
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Questionamos os graduandos se as condições oferecidas durante o processo formativo
foram capazes de prepará-los para o estágio e suprir sua prática docente, as respostas
apresentamos a seguir:

Tabela 2.Papel da universidade na formação docente


Adélia Prado Sim. Algumas disciplinas como Didática, Avaliação
da Aprendizagem foram de suma importância para a
vivência dos estágios. Assim como, disciplinas do
curso.
Carolina de Jesus Sim. Embora o contato com os alunos irá produzir
diferentes conhecimentos que só poderão aprimorados
através da prática.
Cecília Meireles Sim. Pois além da disciplina Estágio, também tive a
oportunidade de participar do PIBID4, que muito
enriqueceu minha formação como professor de
Letras/Português.
Clara Mello Sim. Mesmo os considerando insuficientes.
Clarice Lispector Sim. Ofereceu uma estrutura teórica razoável, porém,
suficiente para a realização da prática.
Cora Coralina Sim.
Da Costa e Silva Sim. Ajudando como podia, com conselhos e algum
material quando precisei.
Francisca Júlia Não. Existe uma grande diferença entre a teoria e
prática, que acredito somente a realidade da prática
pode nos dá.
Francisca Mirian Fernandes Sim. Temos uma preparação para poder realizar o
estágio, orientações de como fazer, embora a teoria ser
bem diferente da prática, é importante ter essas
orientações.
H Dobal Sim. A professora de Estágio ajudou bastante.
Lygia Fagundes Telles Sim. A professora de Estágio I levou textos que
discutiam sobre a prática docente em sala de aula.
Rachel de Queiroz Sim. Ofereceu, mas não afirmo que supriu, e sim que
me encaminhou à atividade docente. No geral ofereceu
material essencial.
Socorro Santana Não. Pois o tempo de duração do curso oferta
disciplinas essenciais para a preparação do estágio,
com poucas horas, deixando o ensino um pouco a
desejar.
Torquato Neto Não. O pouco que vimos só serviu para provas que a
teoria cobra, se tornando inviável a hora da prática nas
escolas em que estagiamos.

Boa parte dos entrevistados afirmaram que a universidade ofereceu subsídios capazes
de suprir suas necessidades, mesmo existindo algumas falhas. Citaram disciplinas como
Didática, Avaliação da Aprendizagem e Estágio como essenciais em sua formação e
enfatizaram a importância da professora de Estágio, dando ênfase a maneira como ela conduziu
a disciplina os com nortes formativos capazes de ajuda-los durante o período que permaneceram

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Programa de Iniciação à Docência promovido pela Capes em parceria com as universidades.
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nas escolas. Já dois discentes afirmaram que a instituição não ofereceu condições capazes de
suprir sua prática docente, dando como exemplos a quantidade reduzida de carga horária
disponibilizada para disciplinas consideradas pelo graduando importante para a realização do
estágio; a ausência de articulação entre a teoria-prática. Um graduando afirmou que só o contato
com a prática é capaz de proporcionar a ele a preparação necessária. Vemos que mesmo para
os graduandos que responderam sim houve algumas objeções, como: ofereceu, mas foi
insuficiente ou ainda ofereceu, entretanto, não supriu. Ressaltamos que apenas um entrevistado
informou participar do PIBID. Por conseguinte, elaboramos um gráfico e dividimos os
entrevistados em três grupos: A condições favoráveis à prática docente; B condições razoáveis
à prática docente e C não propiciou condições favoráveis à prática docente.

Gráfico 3. Papel da universidade na formação docente

21%

57%
22%

A B C

Após conversarmos sobre o papel da universidade no processo formativo dos


graduando, nos propomos a indaga-los sobre a relação deles com a sala de aula e fizemos o
seguinte questionamento: Qual a principal dificuldade que você encontrou ao se deparar com a
sala de aula? A ausência de articulação entre a teoria e a prática; B medo de não possuir
desenvoltura para a prática docente; C ausência de infraestrutura nas instituições de ensino; D
indisciplina por parte dos educandos. A resposta à essa pergunta é ilustrada no gráfico a baixo

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Gráfico 4. Dificuldades no estágio

13%

22%
54%

11%

A B C D

Ao analisarmos o gráfico percebemos a indisciplina por parte dos educandos um dos


principais obstáculos encontrado na sala de aula, seguida pela ausência de articulação entre a
teoria e a prática. Tal situação nos faz questionar a resposta dada por cerca de 57% dos
graduandos, onde afirmaram que a universidade ofertava uma formação capaz de suprir a
prática docente de sua clientela, pois o que nos parece é que os subsídios teóricos ofertados não
são capazes de proporcionar aos licenciando uma transposição daquilo que veem na instituição
para a sua vida acadêmica por meio da correlação entre teoria e prática, ou ainda uma adaptação
das teorias à realidade da escola, nesse momento sentimos falta de uma práxis educativa. Outro
fator com menos incidência foi a infraestrutura das escolas e o medo de não possuírem
desenvoltura para a prática docente. Isso é um ponto positivo para os futuros professores, pois
mesmo estando diante de alguns empecilhos e do descontentamento com a teoria se sentem
acolhidos pelo espirito professorado.
O Estágio de Regência é realizado em duas etapas, a primeiro no Ensino Fundamental
e a segunda no Ensino Médio. A fim de identificarmos a etapa mais apreciada por eles
solicitamos que eles fizessem a seguinte escolha: A nenhuma das etapas; B Ensino
Fundamental; C Ensino Médio e D Ensino Fundamental e Médio. No gráfico abaixo
apresentamos o resultado obtido

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Gráfico 5. Ensino Fundamental ou Médio? Ou as duas etapas?

9% 0%
30%

61%

A B C D

Notamos a partir da análise do gráfico a preferência dos graduandos pelo Ensino


Médio, ficando em segundo lugar o Ensino Fundamental e em terceiro a preferência pelas duas
etapas.
Um bom mestre deve saber se avaliar, afinal o professor sempre estará em construção,
não podemos dá por encerrado esse processo que começa em um curso de licenciatura. A auto
avaliação faz parte da caminhada de um professor, temos que saber nossas qualidades e defeitos,
assim como avaliamos os educandos, devemos parar e nos avaliar, ressalto que não devemos
restringir nossa avaliação apenas a números. Partindo desse princípio os graduandos foram
instigados a atribuírem uma nota ao seu trabalho e citarem suas qualidades e defeitos enquanto
professores. Elaboramos uma tabela para expor as respostas obtidas.
Tabela 3. Auto avaliação docente
Entrevistado Comentário Habilidades Defeitos Nota
Adélia Prado Difícil se auto avaliar, 8
mas acredito que uma
nota 8. Pois todos têm
sempre o que melhorar.
Carolina de Jesus Valorização da bagagem Articulação do tempo. 8
cognitiva do aluno e
exposição da aula.
Cecília Meireles Dinamismo, carisma e Ser compreensiva 10
compromisso. (flexível) demais.
Clara Mello Interagir com os alunos. Ser flexível. 8
Clarice Lispector Oratória na exposição Falta de comunicação 9
dos conteúdos. com os alunos.
Cora Coralina 9

5
Não houve votos para a alternativa A.
13
Da Costa e Silva Boa oralidade e domínio. Flexibilidade 8,5
Francisca Júlia Não consigo definir Falta de Paciência 8
Francisca Mirian Domínio da sala,
Fernandes considero uma qualidade
muito importante.
H Dobal Comunicação com os Lidar com a falta de
alunos. compromisso por parte
dos alunos.
Lygia Fagundes Telles Repassar bem o Dificuldade em lidar
conteúdo. com a indisciplina dos
alunos.
Rachel de Queiroz Daria um 7, pois ainda Determinismo. Exigente 7
estou em princípio de
atuação como
estudante. Porque
aprendi com as
disciplinas o que e
como ensinar.
Socorro Santana Ser flexível com os Às vezes levo os alunos 9
alunos. na brincadeira.
Torquato Neto Dedicação para fazer o Impaciente. 5
melhor.

Vimos a partir dos dados exposto na tabela que a maioria dos entrevistados
conseguiram se auto avaliar, apresentando sua habilidade como educador, seu defeito e após
essa reflexão atribuíram uma nota ao trabalho docente realizado por eles. Algo evidenciado pela
pesquisa foi a flexibilidade ser citada pelos entrevistados em dois extremos, para alguns foi
considerada uma habilidade e já outro a viu como um defeito. Ainda tecendo comentários sobre
as habilidades docentes, a oratória e a boa oralidade é apresentadas pelos entrevistados como
uma ponte para chegarem até os educandos por meio da comunicação, podemos interpretar as
referidas habilidades como uma maneira segundo os graduandos de repassarem o conteúdo de
forma eficiente. Um ponto que nos chamou atenção foi apenas um entrevistado afirmar que leva
em consideração a bagagem cognitiva dos alunos, em outras palavras o conhecimento de
mundo. Por fim as demais habilidades apontadas foram interação, dedicação, compromisso e
domínio de classe.
Seguimos apresentado as respostas sobre os principais defeitos dos entrevistados como
educadores, a campeã foi a flexibilidade, assim fazemos o questionamento: Até que ponto a
flexibilidade prejudica a prática docente em sala de aula? Logo temos a falta de paciência, tal
resultado nos faz refletir sobre os níveis de estresse que os graduandos e os profissionais da
educação são submetidos, mas como os entrevistados estão ainda nos primeiros passos do
professorado acreditamos na possibilidade de adquire está habilidade com o decorrer do tempo.
Os demais defeitos citados: articulação do tempo; falta de comunicação; ausência de habilidade

14
para lidar com a falta de compromisso e a indisciplina dos alunos; ser exigente e levar os alunos
na brincadeira. Cada um foi citado uma única vez.
Infelizmente alguns dos entrevistados não se sentiram hábeis para responder a estes
questionamentos, assim dois não se propuseram a expor seus defeitos e qualidades, contudo
sabiam a nota que mereciam, uma contradição. Um não conseguiu definir sua habilidade, mas
prontamente definiu seu defeito. Outro entrevistado caminhou no sentido contrário ao de seu
colega, soube definir sua habilidade, porém não definiu os defeitos. O interessante é que três
graduandos mesmo sabendo se avaliar, não souberam mensuram suas notas, entretanto dois que
não realizaram a auto avaliação expuseram sua nota, rompendo com o ideal que antes de
chegarmos a uma nota temos primeiro a auto avaliação.
Depois de auto avaliar-se propomos aos futuros professores que nos dissessem as
habilidades de um bom educador, os tiramos da zona de objeto de avaliação e os colocamos
como avaliadores. Eles relataram as habilidades de um bom professor e o que torna este
profissional ruim, como vemos a seguir:

Tabela 4. Opinião dos graduandos sobre a habilidade e o defeito de um professor


Entrevistado Habilidades Elementos que tornam o
Professor um profissional ruim
Adélia Prado Responsabilidade; didática; Falta de comprometimento, de
paciência; conhecimento e amor didática e de conhecimento.
pela profissão.
Carolina de Jesus A compreensão, boa didática e Desvalorização da capacidade do
articulação de atividades aluno.
complexas.
Cecília Meireles O professor que está sempre se Relapso, sem compromisso.
reciclando, se aprimorando, e dá
oportunidade para o aluno expor
suas habilidades.
Clara Mello Seriedade, ética, compromisso e Continuar na mesmice.
amor pelo que faz.
Clarice Lispector O domínio de conteúdo e a paixão A não apropriação dos conteúdos e
pela prática. possíveis métodos para explicitá-
los.
Cora Coralina
Da Costa e Silva Criatividade, Seriedade e Falta de criatividade para melhorar
compromisso. as aulas.
Francisca Júlia Reflexivo, pesquisador, atento e Parar no tempo, não se atualizar.
determinado.
Francisca Mirian Fernandes Domínio do conteúdo e ter amor A não identificação pela profissão,
pelo que faz. cumprir por “obrigação”.
H Dobal Comunicação; oralidade e A falta de amor por sua profissão.
desenvoltura.
Lygia Fagundes Telles Paciência conhecimento e Falta de esforço para ensinar.
compromisso.
Rachel de Queiroz Um bom professor tem mente Ser um professor que não segue os
aberta e crítica. Que ensina de preceitos humanos e não preza
forma imparcial, eu segue a pelos conhecimentos de sua área
humildade e amor. E conhece as em que é formado.
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bases técnicas da ciência que
ministra.
Socorro Santana Aquele que sabe equilibrar a turma, Quando o professor não procura
ou seja, ter o momento de compreender a realidade do aluno
distração, mas também de cumprir fora da escola.
com a obrigação de ensinar.
Torquato Neto Dominar o conteúdo ser paciente e A falta de compromisso com a
saber lidar com os imprevistos. instituição e seus alunos.

Os entrevistados listaram uma série de habilidades concernentes a um bom professor


que vão desde a didática até o amor pela profissão, passando pela linha tenaz do compromisso,
do domínio de conteúdo, da imparcialidade, da paciência, a compreensão, da formação
continuada, do pensamento crítico reflexivo, do pesquisador, o amor pela profissão, além de
outras habilidades que podem ser observadas na tabela. No campo dos elementos que tornam
esse profissional ruim temos a falta de compromisso, a ausência de metodologias de ensino
capaz de envolver os educandos, não considera o conhecimento prévio dos alunos, falta de
identificação com a profissão que exerce e omisso para com seu processo formativo. Notamos
que foi mais fácil para os graduandos apontarem as habilidades e os aspectos negativos de um
educador do que autoavaliar-se. Vemos nesse sentido a necessidade de promovermos na prática
docente a autoavaliação. Nesta etapa da entrevista apenas um dos sujeitos da pesquisa não
respondeu aos questionamentos.
Buscamos saber com a pesquisa se o estágio foi o primeiro contato dos graduandos
com a sala de aula e obtivemos os seguintes dados

Gráfico 6 Antes do estágio você já possuía algum contato com a sala de aula?

43%

57%

Sim Não

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Ao analisarmos o gráfico identificamos que cerca de 43% dos entrevistados tiveram
seu primeiro contato com a sala de aula durante o estágio. Já 57% haviam ministrado aula e nos
forneceram algumas informações sobre suas vivências. Assim, dois entrevistados participam
do Programa de Iniciação à Docência (Pibid); um é formado em Pedagogia e professor da
educação básica; outro entrevistado é professor da educação básica; um monitor das oficinas
de Língua Portuguesa no Programa Mais Educação; um ministra aulas particulares; um leciona
aulas de reforço para o Ensino Fundamental e um entrevistado dá aulas em cursos de revisão
de redação.
Por fim encerramos nossos questionamentos pedindo aos graduandos que escrevessem
uma palavra capaz de definir sua prática educativa, eles nos apresentaram as seguintes palavras:
Tabela 5 Prática educativa
Entrevistado Palavra
Adélia Prado Comprometimento
Carolina de Jesus Compromisso
Cecília Meireles Motivação
Clara Mello Responsabilidade
Clarice Lispector Sabedoria
Cora Coralina Dedicação
Da Costa e Silva Superação
Francisca Júlia Aperfeiçoamento
Francisca Mirian Fernandes Desafio
H Dobal Leitura/Cidadania
Lygia Fagundes Telles Esforço
Rachel de Queiroz Amar
Socorro Santana Flexibilidade
Torquato Neto Dedicação

A prática educativa dos nossos futuros professores foi definida a princípio por uma
palavra capaz de ancorá-la no oceano educacional, cada vocábulo escolhido por eles está imerso
em uma semântica que ganha significações dentro de um contexto especifico, no caso a prática
educativa. Quando optamos por este tipo de questão buscamos induzir o graduando a uma
reflexão sobre ser professor e como isso é definido em sua vida.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estágio exerce um papel importantíssimo na formação docente, pois é um dos


primeiros passos que o jovem professor dá rumo à sala de aula. E nesse momento todos os
saberes são colocados a prova, não competindo ao professor ministrar apenas a disciplina, ele
precisa envolver a turma, contagia-la pela alegria do conhecimento crítico e reflexivo capaz de
transformar os sujeitos em protagonistas de sua própria história.
Ao longo da realização dessa pesquisa nos propomos ir além de uma mera aplicação
de questionários, buscamos estrutura-la de uma maneira que levasse os entrevistados à uma
reflexão sobre o ser professor e à importância de sua prática educativa iniciada no Estágio. A
princípio ao analisarmos os resultados constatamos que 71% dos entrevistados não pretendiam
cursar Letra, talvez nem almejavam à docência, contudo permaneceram no curso e chegaram
ao estágio, para muitos uma linha tênue a ser superada.
E como nos mostra a pesquisa se sentiam preparados, mesmo estando assustados com
a indisciplina dos educandos ou ainda com a ausência de articulação entre a teoria e a prática.
Os estagiários ao responder nossos questionamentos afirmaram que a universidade dentro de
sua possibilidade ofereceu meios capazes de nortear a prática docente, chegaram a citar algumas
disciplinas como: Avaliação da Aprendizagem, Didática, Estágio entre outros componentes
curriculares. Algo que evidência a importância do professor formado nesse processo é o
destaque dado pelos graduandos aos professores ministrantes da Disciplina de Estágio.
Conversamos com os estagiários sobre qual (is) a (s) etapa (s) da educação eles mais
se identificaram , e foi notória a preferência pelo Ensino Médio em detrimento ao Ensino
Fundamental, apenas dois estagiários optaram pelas duas etapas. A escolha pelo Ensino Médio
provavelmente está relacionada a possibilidade de os graduandos terem observado com mais
frequência nessa etapa , um maior índice de disciplina por parte dos educandos.
Uma autoavaliação após o estágio foi uma de nossas propostas, solicitamos que os
graduandos apontassem suas habilidades, defeitos e se dessem uma noto referente a sua prática
docente. Notamos uma certa dificuldade, alguns não souberam citar seus defeitos, qualidades
ou atribuírem uma nota à sua prática docente. Um entrevistado não se autoavaliou, porém soube
atribuir a si uma nota. Isso nos é estranho, pois uma nota deve ser extraída de uma avaliação. O
objetivo dessa questão era mostra aos graduandos a importância da autoavaliação para a prática
docente e o quanto se autoavaliar é difícil. Entretanto, avaliar outras pessoas é bem mais fácil
e constatamos isso quando pedimos a eles que citassem as habilidades de um bom professor e
os aspectos que tornam este profissional ruim.
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Finalizamos a pesquisa pedindo aos graduandos que definissem sua prática educativa
em uma palavra, esta seria capaz de representar a dimensionalidade do seu fazer pedagógico.
Palavras como compromisso, motivação, dedicação, responsabilidade, sabedoria, superação,
desafio, leitura/cidadania, esforço, amar, flexibilidade e aperfeiçoamento. Cada uma dessas
palavras representa em sua semanticidade a prática educativa de nossos futuros professores que
gradativamente no Curso de Licenciatura Plena em Letras Português foram descobrindo seu ser
docente e tiveram a oportunidade de pôr seus saberes em prática no estágio.

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REFERÊNCIAS

AZEVEDO, Josilete Moreira Alves de. Ensino De Língua Portuguesa: Da Formação Do Professor À Sala De
Aula.2012, Rio Grande do Norte. Tese (Doutoramento em Linguística). Programa de Pós-graduação em Estudos
da Linguagem, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2012.

FARIAS, Isabel Maria Sabino et.al. Didática e docência aprendendo a profissão. Brasília: Liber livro,2014.
LIMA, Maria Socorro Lucena. Estágio e aprendizagem da profissão docente. Brasília: Liber livro, 2012.
LIMA, Maria Socorro Lucena; PIMENTA, Selma Garrido. Estágio e docência: diferentes concepções. Poíesis
Pedagógica, [S.l.], v. 3, n. 3 e 4, p. 5-24, out. 2017. ISSN 2178-4442. Disponível em:
<https://www.revistas.ufg.br/poiesis/article/view/10542>. Acesso em: 17/01/.2018.
doi:https://doi.org/10.5216/rpp.v3i3e4.10542.

MILANESI, Irton. Estágio supervisionado: concepções e práticas em ambientes escolares. Educar em Revista,
[S.l.], n. 46, p. p. 209-227, nov. 2012. ISSN 1984-0411. Disponível em:
<http://revistas.ufpr.br/educar/article/view/25966>. Acesso em: 30 maio 2017.

NÓVOA, António. Formação de professores e profissão docente IN : Os professores e a sua formação. Lisboa :
Dom Quixote, 1992. Disponível em: < http://hdl.handle.net/10451/4758> Acesso em : 20/01/2018

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ANEXOS

FACEC – FACULDADE DE CIENCIA E 6º) O estágio de regência é realizado em


EDUCAÇÃO DO CAPARAÓ duas etapas, a primeiro no Ensino
CURSO: ESPECIALIZAÇÃO EM Fundamental e a segunda no Ensino
DOCÊNCIA DO ENSINO SUPERIOR Médio. Assinale a opção que você mais se
identificou:
a ( ) Nenhuma das etapas
Pesquisa para a obtenção de dados para b ( ) Ensino Fundamental
a pesquisa: O estágio de regência no c ( ) Ensino Médio
curso de Letras da UFPI-CSHNB: d ( ) Ensino Fundamental e Médio
espaço de aptidões e revelações 7ª) Qual a nota que você se daria como
professor? Qual a sua principal habilidade
1ª) Cursar Letras sempre foi seu objetivo? como professor e seu principal defeito?
Sim ( ) __________________________________
Não ( ) __________________________________
2ª) Você almeja seguir carreira docente? __________________________________
Sim ( ) __________________________________
Não ( ) __________________________________
3ª) Como você definiria a importância do __________________________________
estágio para sua formação docente? 8ª) Que habilidades você considera serem
__________________________________ de um bom professor?
__________________________________ __________________________________
__________________________________ __________________________________
__________________________________ __________________________________
__________________________________ __________________________________
_ ________________________
4ª) A instituição ( UFPI ) durante o Curso 9ª) Em sua opinião o que torna o professor
de Licenciatura ofereceu a você nortes um profissional ruim?
teóricos e práticos capazes de suprir sua __________________________________
prática docente no estágio? Explique sua
__________________________________
afirmação.
__________________________________
__________________________________
__________________________________ 10) Antes do estágio você já possuía
__________________________________ contato com a sala de aula?
__________________________________ Sim ( )
__________________________________ Não ( )
__________________________________ De qual forma?
__________________________________ __________________________________
5ª) Qual a principal dificuldade que você __________________________________
encontrou ao se deparar com a sala de 10ª) Escreva uma palavra que define sua
aula? prática educativa:
__________________________________
a ( ) Ausência de articulação entre a __________________________________
teoria e a prática; __________________________________
b( ) Medo de não possuir desenvoltura
para a prática docente “Feliz aquele que transfere o que sabe e
c ( ) Ausência de infraestrutura nas aprende o que ensina”
instituições de ensino
d( ) Indisciplina por parte dos educandos Cora Coralina

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