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MEDIÇÃO EM QUÍMICA

Medir uma grandeza é compará-la com outra da mesma espécie, que se toma para
unidade.
Medição de uma grandeza é a operação de medir, sendo o seu resultado uma
medida. Os valores obtidos na medição devem ser lidos e registados de acordo com
o que o equipamento permitir; o número de algarismos, unidades e incertezas.

 Direta → consiste em comparar diretamente a grandeza a


medir com outra da mesma espécie e cujo valor se pode
escolher para unidade.
Ex. - régua (comprimento)
- bureta, pipeta, proveta graduada e o balão
volumétrico (volume)
- cronómetro (tempo)
MEDIÇÕES - balança (massa)
 Indireta → usa-se para grandezas que derivam
matematicamente de outras grandezas que se podem medir
diretamente.
Ex. - medir a área de um quadrado
- medir o volume de um sólido regular
- medir concentrações de uma solução
- medir densidade

Medida – é o resultado de uma medição e exprime-se através de um número e de


uma unidade apropriada.
UNIDADES E NOTAÇÃO CIENTÍFICA

No registo de uma leitura, deve incluir-se sempre as unidades – de preferência, do


S.I.
Grandezas e unidades de base
Grandeza Unidade S.I.
Comprimento L metro m
Massa m quilograma kg
Tempo t segundo s
Intensidade da corrente I ampére A
eléctrica
Temperatura T kelvin K
Quantidade de matéria n mole mol

Os símbolos para as grandezas escrevem-se em itálico; os símbolos das unidades


não têm plural.
É preferível, em geral, usar-se a notação científica, para manter o número de
algarismos significativos.

A notação científica consiste em exprimir os valores numéricos,


independentemente da sua magnitude, sob a forma a x 10b, com 1 ≤ a < 10 e b é
um número inteiro, afetado de um sinal positivo ou negativo, de acordo com a
grandeza do número em questão.
Quando |b|= 1,2 ou múltiplo de 3 pode substituir-se 10b pelo prefixo apropriado
para as unidades S.I.
Por exemplo:
l = 0,0254 = 2,54 x 10-2 m (ou 2,54 cm)

m = 453 g = 4,53 x 102 g (ou 4,53 hg)


Recordar:
1º se tivermos que mudar a vírgula para a esquerda, o expoente b é igual ao número
de casas decimais deslocadas e positivo.
2º se tivermos que mudar a vírgula para a direita, o expoente b é igual ao número
de casas deslocadas e negativo.
Operações com notação científica
A- Adição e subtração
Cada parcela deve ter o mesmo b e depois somamos ou subtraímos,
respetivamente, a parte a.
Ex. 2,32 x 104 + 1,9 x 103 = 2,34 x 104 + 0,19 x 104 = 2,51 x 104

B- Multiplicação e divisão
 Para multiplicar números expressos em notação científica a x 10b,
multiplicamos as partes a e somamos os expoentes b.
Ex. 4,0 x 104 x 1,5 x 106 = (4 x 1,5) x 10(4+6) = 6,0 x 1010
 Para dividir números expressos na notação científica a x 10b, dividimos as
partes a e subtraímos os expoentes b.
Ex. 8,5 x 104 / 2,0 x 109 = (8.5 / 2,0) x 10(4-9) = 4,25 x 10-5

SELEÇÃO DE EQUIPAMENTO E ALGARISMOS SIGNIFICATIVOS

 O equipamento deve ser selecionado de acordo com a ordem de grandeza e


com a incerteza aceitável na medição que se pretende fazer.
 Não será apropriado usar o mesmo equipamento para medir a massa de um
livro e a de um diamante; nem se usará o mesmo equipamento para medir os
perímetros desta folha, de um edifício escolar e de uma das ilhas atlânticas.
 Numa leitura, são significativos todos os algarismos lidos diretamente mais o
primeiro estimado ou duvidoso, inclusive. Por exemplo, uma régua com
divisões de 1 mm permite medir l = 25,4 mm ou 0,0254 m. Destes três
algarismos significativos, o último é duvidoso – foi obtido por estimativa.
Regras para a contagem de algarismos significativos
1. Qualquer algarismo diferente de zero é significativo.
Exemplo: 246 cm → 3 algarismos significativos
2. Zeros entre algarismos diferentes de zero são significativos.
Exemplo: 405 cm → 3 algarismos significativos
3. Zeros à esquerda do primeiro algarismo diferente de zero não são significativos
Exemplo: 0,00038 g → 2 algarismos significativos
0,00520 g → 3 algarismos significativos
4. Para números superiores a 1, os zeros à direita da vírgula contam como
algarismos significativos.
Exemplo: 3,0 mg → 2 algarismos significativos
5. Para números sem casas decimais, os zeros podem ser ou não significativos.
Exemplo: 4 x 102 → 1 algarismo significativo
4,0 x 102 → 2 algarismos significativos
4,00 x 102 → 3 algarismos significativos

Operações com algarismos significativos


Adição e subtração – o número de casas decimais da soma ou da diferença é o
mesmo do dado que tiver menor número de casas decimais.
Multiplicação e divisão – no produto final ou no quociente, o número de algarismos
significativos são determinados pelo fator que tenha menor número de algarismos
significativos.

Regras para arredondamentos


Escolhida a casa decimal até onde se quer fazer a aproximação,
1º Desprezar o algarismo seguinte, se for inferior a 5.
exemplo – 1,963 →1,96
2º Acrescentar uma unidade a essa casa decimal, se o algarismo seguinte for
superior a 5.
exemplo – 1,966 →1,97
3º Se o algarismo seguinte à casa escolhida for 5, têm-se duas situações.
exemplo – 1,965 →1,96 ou 1,975 →1,98

REGISTO E TRATAMENTO DE RESULTADOS EXPERIMENTAIS


Erros nos resultados experimentais
 Em qualquer medição há sempre uma incerteza devida aos erros cometidos
que deve ser explicitada.
 Os erros sistemáticos que se cometem na medição de uma grandeza dão-se
sempre no mesmo sentido e podem ser corrigidos se se conhecerem as causas;
estes erros diminuem a exatidão do resultado (afastamento em relação ao
verdadeiro valor da grandeza).
As causas dos erros sistemáticos podem ser: deficiência no método, deficiência
inerente ao observador (defeito de visão, por exemplo), deficiência das
condições em que a medição é feita (efeito de pressão e temperatura),
presença de impurezas na amostra, etc.
 Os erros acidentais ou fortuitos, que se cometem na medição de uma
grandeza, ora são por excesso, ora são por defeito, e podem ser compensados
(atenuados mas não eliminados) considerando como valor mais provável a
média de vários valores. Estes erros influenciam a precisão do resultado.
As causas dos erros acidentais podem ser: má colocação do observador face à
escala da leitura, estimativa errada na avaliação de frações da escala; correntes
de ar, estremecimento da mesa de trabalho, flutuações de tensão da rede
elétrica, etc.
 A precisão é a proximidade entre os valores obtidos através de uma série de
medidas de um único valor.
 A exatidão traduz a proximidade que existe entre os valores medidos e o valor
real.
 Sabendo o valor exato da medida da grandeza poder-se-á sempre determinar a
sua diferença em relação ao valor medido, calculando, para isso, o valor do
erro absoluto (ou valor absoluto do erro) de uma medição:
ei= |vi - vexato|
ei – erro absoluto ; vi – valor da medição ; vexato – valor exato da grandeza
 Erro relativo de uma medição é o quociente entre o erro absoluto e o valor
exato (ei / vexato).
 Erro relativo médio é a média dos erros relativos.

Incerteza de uma leitura


A incerteza absoluta de uma leitura é o erro máximo que se pode cometer ao
efetuar uma leitura.
 Se houver indicação da incerteza no aparelho (ou em tabela fornecida pelo
fabricante, por vezes, com outras designações: precisão, tolerância, erro…) é
esse o valor a considerar.
Ex: pipeta volumétrica de 5 ml com tolerância de 0,02 ml: V =(5,00 0,02) ml.
 Se o aparelho for analógico (com uma escala), a incerteza de uma medida é
metade da sua natureza (sendo a natureza do aparelho analógico a menor
divisão da escala).
Ex: amperímetro com uma escala de 200 mA com 50 divisões: I = (123 2)ma.
 Se o aparelho for digital (com valores descontínuos num mostrador), a
incerteza de uma medida é o menor valor lido nesse aparelho (salto entre
dois valores na escala).
Ex: balança com sensibilidade de 0,1 mg: m = (5,6789 0,0001) g.
Incerteza numa série de medições
O valor mais provável, x, de uma grandeza de que se efetua uma série de medições
considera-se ser a média aritmética das n medições efetuadas, x1, x2, x3, …, xn:

 Desvio absoluto (ou valor absoluto do desvio) de uma medição é o módulo da


diferença entre o valor da medição (xi) e o valor médio das medições:
di = |xi-xmédio|.
 Desvio relativo de uma medição é o quociente entre o desvio absoluto e o
valor médio (di / xmédio).
 Desvio relativo médio é a média dos desvios relativos.

Numa série de leituras de uma mesma grandeza, a incerteza absoluta é o


módulo do desvio máximo nessas leituras se for maior do que a incerteza
absoluta de cada leitura.

MEDIÇÃO DE MASSAS
Medir a massa de uma amostra é uma operação que se designa vulgarmente por
“pesagem”.
O instrumento necessário para essa operação é a balança, que geralmente está
graduada em gramas (g); existem vários tipos de balanças, com alcances e
sensibilidades diversas.
O alcance é o valor máximo que é possível medir utilizando o aparelho (neste
caso, a balança); a sensibilidade é o valor da menor divisão da sua escala.
Após a seleção da balança, pesa-se a amostra com os cuidados seguintes:
- não colocar a amostra diretamente sobre o prato da balança, mas sim, dentro
de um recipiente limpo e seco (vidro de relógio, gobelé, por exemplo);
- evitar vibrações da mesa ou da bancada em que se encontre a balança;
- evitar derrames de líquidos ou reagentes sólidos sobre o prato da balança.

MEDIÇÃO DE VOLUMES
 Para medir volumes de líquidos usam-se diversos instrumentos, consoante o rigor
a observar e o volume da amostra.
 Para medições rigorosas usam-se pipetas, buretas ou balões volumétricos.
 Para medições menos rigorosas utilizam-se provetas.
 Qualquer um destes instrumentos tem inscritas algumas informações
importantes, tais, como:
- volume máximo (capacidade);
- graduação da sua escala, normalmente em mL;
- tolerância (limite máximo do erro);
- traço de referência, no caso de pipetas ou balões volumétricos;
- temperatura de calibração (temperatura a que deve ser feita a medição
e que é, normalmente, 20 0C).

 Qualquer que seja o instrumento utilizado na medição de um dado volume, deve


fazer-se a leitura de modo a evitar os erros de paralaxe – erros associados à
incorreta posição do observador.
 A superfície livre de um líquido contido num instrumento de medida apresenta-
se, sempre, ligeiramente encurvada na periferia. Toma a forma côncava –
menisco côncavo – no caso dos líquidos, como a água, que molham as paredes do
vaso; toma a forma convexa – menisco convexo – no caso de líquidos, como o
mercúrio, que não molham as paredes dos vasos que os contêm.
 A leitura deverá ser feita de modo a que a direção do olhar coincida com a linha
tangente …

 Sempre que a direção do olhar não coincide com a linha tangente aos meniscos
cometem-se erros de paralaxe.