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ESTATÍSTICA

CAPÍTULO II - PROBABILIDADE

Introdução
O principal objetivo neste capítulo é promover um entendimento seguro de valores de probabilidade, que serão
usados nos capítulos seguintes. Um objetivo secundário é desenvolver habilidades básicas para a determinação
de valores de probabilidades em uma variedade de circunstâncias importantes. Todas as vezes que se estudam
fenômenos de observação é necessário distinguir o próprio fenômeno e o modelo matemático que melhor o
explique. A teoria das probabilidades permite construir modelos matemáticos que explicam um grande número
de fenômenos coletivos e fornecem estratégias para a tomada de decisões.

Experimento Aleatório
Experimento aleatório é aquele no qual os resultados possíveis são conhecidos antes da realização do
experimento, mas só saberemos qual deles irá ocorrer quando ele for realizado.
Ao descrever um experimento aleatório deve-se especificar não somente que operação ou procedimento deva
ser realizado, mas também o que é que deverá ser observado.
Ex 1: Joga-se um dado e observa-se o número obtido na face superior.
Ex 2: Joga-se uma moeda 4 vezes e observa-se o número de caras obtido.
Ex 3: Lançam-se dois dados e anota-se o total de pontos obtidos.

Características dos Experimentos Aleatórios


Observando-se os exemplos acima pode-se destacar algumas características comuns:
1) Todos os possíveis resultados são conhecidos;
2) Resulta num valor desconhecido, dentre todos os resultados possíveis;
3) Pode ser repetido em condições idênticas.

Espaço Amostral
É o conjunto de todos os resultados possíveis de um experimento aleatório. Anota-se por S ou E.
Um espaço amostral pode ser classificado em Finito ou Infinito.
Exemplo 1: Determinar o espaço amostral dos experimentos:
a) Joga-se um dado e observa-se o número obtido na face superior.
S1 = {1, 2, 3, 4, 5, 6}
b) Retirar uma carta de um baralho de 52 cartas e verificar sua cor.
S2 = {vermelho, preto}
c) Lançam-se dois dados e anota-se o total de pontos obtidos.
S3 = { 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12 }

Exemplos de experimentos:
1) Lançar uma moeda e anotar a face superior:
S = {c, k}, onde c= cara e k= coroa. Espaço amostral finito.
2) Lançar um dado e anotar o número de pontos da face superior:
S = {1,2,3,4,5,6}; Espaço amostral finito.
3) Lançar uma moeda até que saia cara pela primeira vez; contar o número de lançamentos:
S = {1,2,3,4,5,...}; Espaço amostral infinito.

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Algumas definições
Evento – É qualquer conjunto de resultados de um experimento.
Evento Simples – É um evento que consiste em exatamente um resultado.
Exemplo:
Na representação seguinte, usamos f para representar um bebê do sexo feminino e m para um bebê do sexo
masculino.
Procedimento Exemplo de Evento Espaço Amostral
Nascimento único Mulher (evento simples) {f,m}
2 mulheres e 1 homem (ffm, fmf,
3 nascimentos {fff, ffm, fmf, fmm, mff, mfm, mmf, mmm}
mff)

Combinação de eventos
Pode-se realizar operações entre eventos da mesma forma que elas são realizadas entre conjuntos.
Antes de definir as operações é conveniente conceituar o que se entende por ocorrência de um evento.
Seja E um experimento com um espaço amostral associado S. Seja A um evento de S. É dito que o evento A ocorre
se realizada a experiência, isto é, se executado E, o resultado for um elemento de A.
Sejam A e B dois eventos de um mesmo espaço amostral S.
Diz-se que ocorre o evento:
1. A união B ou A soma B, anotado por A∪B, se e somente se A ocorre ou B ocorre. A união de dois eventos A
e B é o evento que corresponde a ocorrência de pelo menos um deles. Note que isso significa que pode
ocorrer apenas A, ou apenas B ou A e B simultaneamente.

2. A interseção B ou A produto B, anotado por A∩B ou AB, se e somente A ocorre e B ocorre. O evento
interseção de dois eventos A e B é o evento que equivale a ocorrência simultânea de A e B

A B

3. A menos B ou A diferença B, anota-se A – B, se e somente se A ocorre e B não ocorre. A diferença entre dois
eventos A e B é o evento formado pelos elementos do espaço amostral que pertencem a A mas não
pertencem a B

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4. O complementar de A, anotado por A , Ac ou ainda A’ se e somente se A não ocorre. Então, o complementar


de A’ é formado pelos elementos que não pertencem a A.

Eventos Mutuamente Exclusivos


Dois eventos A e B são mutuamente exclusivos quando eles não podem ocorrer simultaneamente, isto é,
quando a ocorrência de um impossibilita a ocorrência do outro. Isto significa dizer que os eventos A e B não
tem elementos em comum. Dois eventos A e B, são denominados mutuamente exclusivos ou excludentes, se
eles não puderem ocorrer juntos, isto é, se A∩B = ∅.
Exemplo: Nascimento de filho, ou nasce menino ou menina.

Eventos Independentes
Dois eventos são independentes quando o resultado de um não tem dependência do resultado do outro.
Exemplo: O lançamento simultâneo de dois dados; o resultado do primeiro não tem influência sobre o resultado
do segundo e vice-versa.

Como uma probabilidade é expressa?


Uma probabilidade é expressa como um número decimal, tal como 0,70; 0,27 ou 0,50. Entretanto ela pode ser
representada como uma percentagem tal com 70%, 27% ou 50%. O valor de uma probabilidade está localizado
no intervalo de números reais que vai de 0 a 1, inclusive as extremidades deste intervalo.
– Quanto mais uma probabilidade é próxima de 0, o evento a ela associado é mais improvável de ocorrer.
– Quanto mais uma probabilidade é próxima de 1, o evento a ela associado é mais provável de ocorrer.
Assim:
– A probabilidade de um evento impossível é 0.
– A probabilidade de um evento cuja ocorrência é certa é 1.

Notação para Probabilidade


Há diferentes maneiras de se definir a probabilidade de um evento; apresentaremos três abordagens. No
entanto, precisamos primeiro estabelecer alguma notação básica.
– P representa a probabilidade
– A, B e C representam eventos específicos.
– P(A) representa a probabilidade de ocorrência do evento A.
– Para qualquer evento A, a probabilidade de A está entre 0 e 1, inclusive. Logo 0 ≤ P(A) ≥ 1.

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Abordagens para se encontrar a Probabilidade de um evento:


1. Aproximação da Probabilidade pela Frequência Relativa
Realize um procedimento e conte o número de vezes em que o evento A realmente ocorre. Com base nesses
resultados efetivos, P(A) é estimada como:
𝒏º 𝒅𝒆 𝒗𝒆𝒛𝒆𝒔 𝒒𝒖𝒆 𝒐𝒄𝒐𝒓𝒓𝒆𝒖 𝑨
𝑷(𝑨) =
𝒏º 𝒅𝒆 𝒗𝒆𝒛𝒆𝒔 𝒒𝒖𝒆 𝒐 𝒆𝒙𝒑𝒆𝒓𝒊𝒎𝒆𝒏𝒕𝒐 𝒇𝒐𝒊 𝒓𝒆𝒑𝒆𝒕𝒊𝒅𝒐

2. Abordagem Clássica da Probabilidade (Requer Resultados Igualmente Prováveis)


Suponha que um determinado experimento tenha n diferentes eventos simples e que cada um desses
eventos simples tenha igual chance de ocorre. Se o evento A pode ocorrer em s dessas n maneiras, então:
𝒏º 𝒅𝒆 𝒎𝒂𝒏𝒆𝒊𝒓𝒂𝒔 𝒒𝒖𝒆 𝑨 𝒑𝒐𝒅𝒆 𝒐𝒄𝒐𝒓𝒓𝒆𝒓 𝒔
𝑷(𝑨) = =
𝒏º 𝒅𝒆 𝒅𝒊𝒇𝒆𝒓𝒆𝒏𝒕𝒆𝒔 𝒆𝒗𝒆𝒏𝒕𝒐𝒔 𝒔𝒊𝒎𝒑𝒍𝒆𝒔 𝒏

3. Probabilidades Subjetivas
P(A), a probabilidade do evento A, é estimada com base no conhecimento de circunstâncias relevantes.
Exemplos:
- Estimar a probabilidade de que o time de futebol do Vasco da Gama disputará a final do campeonato
nacional.
- Estimar a probabilidade de que você obtenha nota máxima em Estatística.
É muito importante notar que a abordagem clássica requer resultados igualmente prováveis. Se os resultados
não são igualmente prováveis, ou temos que usar a estimativa da frequência relativa ou temos que nos basear
no conhecimento das circunstâncias para fazermos uma suposição razoável.
Ao calcularmos probabilidade com a abordagem da frequência relativa, obtemos uma estimativa em vez de um
valor exato. À medida que o número total de observações aumenta, as estimativas correspondentes tendem a
se aproximar da verdadeira probabilidade.

Exemplo 2: Ache a probabilidade de que o jogador de basquete da NBA, Reggie Miller, converta um arremesso
livre. Em um instante de sua carreira, ele converteu 5915 arremessos livres em 6679 tentativas (fonte NBA).

Exemplo 3: Como parte de um estudo dos genótipos AA, Aa, aA e aa, escreve-se cada genótipo individual em
um cartão, misturam-se os cartões e seleciona-se um deles aleatoriamente. Qual é a probabilidade de que o
genótipo selecionado seja o Aa?

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Exemplo 4: Qual é a probabilidade de seu carro ser atingido por um meteorito este ano?

Exemplo 5: Adultos são selecionados aleatoriamente para uma pesquisa do Gallup, e se lhes pergunta se eles
acham que a clonagem de humanos deveria ou não ser permitida. Entre os adultos selecionados
aleatoriamente, 91 disseram que a clonagem humana deveria ser permitida, 901 disseram não e 20 não deram
opinião. Com base nesses resultados, estime a probabilidade de uma pessoa selecionada aleatoriamente ser
favorável à clonagem de humanos.

Exemplo 6: Ache a probabilidade de que, quando um casal tem três filhos, exatamente dois deles sejam
meninos. Suponha que meninos e meninas sejam igualmente prováveis e que o sexo de uma criança não seja
influenciado pelo sexo de qualquer outra criança.

Eventos Complementares
São todos os resultados do espaço amostral que não fazem parte do evento. Se considerarmos p como a
probabilidade de que um evento ocorra (sucesso) e q que ele não ocorra (fracasso), então para um mesmo
evento:
𝒑+𝒒=𝟏 → 𝒒=𝟏−𝒑
O evento complementar é representado pelas seguintes simbologias A ou A’.

𝑷(𝑨) + 𝑷(𝑨) = 𝟏 → 𝑷(𝑨) = 𝟏 − 𝑷(𝑨)


Um diagrama de Venn pode ilustrar a Regra do Complemento:

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Exemplo 7: Na verdade, nascem mais meninos que meninas. Em um grupo típico, há 205 recém-nascidos, dos
quais 105 são meninos. Se um bebê é escolhido aleatoriamente nesse grupo, qual é a probabilidade de que ele
não seja um menino?

Exemplo 8: Numa certa população 15% das pessoas têm sangue tipo A, 88% não têm sangue tipo B e 96% não
têm sangue tipo AB. Escolhida ao acaso uma pessoa desta população, determine as probabilidades de:
a) Não possuir sangue do tipo A
b) Possuir sangue tipo B
c) Possuir sangue tipo AB
d) Possuir sangue tipo A ou B ou AB
e) Possuir sangue tipo O

Regra da Adição
Se dois eventos A e B são mutuamente exclusivos, a regra da adição estabelece que a probabilidade de que A
ou B ocorram é igual à soma de suas respectivas probabilidades. A regra é dada pela seguinte fórmula:

𝑷(𝑨 𝒐𝒖 𝑩) = 𝑷(𝑨 ∪ 𝑩) = 𝑷(𝑨) + 𝑷(𝑩)

O Diagrama de Venn abaixo ilustra bem a regra da adição:

Já se dois eventos A e B NÃO SÃO MUTUAMENTE EXCLUSIVOS. Então P(A ou B) é dado pela seguinte fórmula:

𝑷(𝑨 𝒐𝒖 𝑩) = 𝑷(𝑨 ∪ 𝑩) = 𝑷(𝑨) + 𝑷(𝑩) − 𝑷(𝑨 ∩ 𝑩)

O Diagrama de Venn abaixo ilustra bem a regra da adição:

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Exemplo 9: Um shopping tem seis salas de cinema, cada uma exibindo um filme diferente. Os bilhetes vendidos
em um final de semana foram usados para se construir a tabela que segue, mostrando a probabilidade de se
assistir a cada filme.
Filme F1 F2 F3 F4 F5 F6
Probabilidade 0,10 0,25 0,20 0,30 0,10 0,05
Considere os seguintes eventos:
A = {F1, F2}  Filmes infantis
B = {F2, F3, F6}  Filmes de ação e aventura
C = {F4, F5}  Filmes de drama
D = {F6}  Filmes estrangeiros
Suponha que um espectador seja selecionado aleatoriamente. Ache a probabilidade de que essa pessoa:
a) Tenha assistido a um filme infantil ou a um filme de ação e aventura.
b) Tenha assistido a um filme infantil ou um drama.
c) Tenha assistido a um filme infantil, ou um drama, ou um filme estrangeiro.

Exemplo 10: Uma carta é tirada de um baralho. Determine a probabilidade de ser um rei ou ser de naipe
vermelho.
Eventos: A = a carta é um rei.
B = a carta é vermelha.
P(A) = 4/52 e P(B) = 26/52
mas P(A e B) = 2/52 (um rei vermelho)
P(A ou B) = 4/52 + 26/52 – 2/52 = 28/52 = 0,538

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Exemplo 11: Supondo que uma pessoa seja selecionada aleatoriamente entre 300 pessoas que foram testadas
para o uso de drogas, ache a probabilidade de ser selecionado um sujeito que teve teste positivo ou usava o
entorpecente.
RESULTADO DOS TESTES DO USO DE MACONHA
O sujeito realmente usou drogas?
SIM NÃO
Resultado do teste positivo 119 24
(teste indicou a presença de drogas) (positivo verdadeiro) (falso positivo)
Resultado do teste negativo 3 154
(teste indicou a ausência de drogas) (falso negativo) (negativo verdadeiro)

Exemplo 12: A companhia de aviação X recentemente forneceu a seguinte informação para o Departamento de
Aviação Civil (DAC) sobre os voos de origem A ao destino B.
CHEGADA FREQUÊNCIA
Adiantada 100
No horário 800
Atrasada 75
Cancelado 25
TOTAL 1000
Considere os seguintes eventos:
A = o voo chega adiantado
B = o voo chega atrasado
Ache a probabilidade de que:
a) O voo chega adiantado.
b) O voo chega atrasado.
c) Qual é a probabilidade de que um voo chegue adiantado ou atrasado?
d) Os eventos A e B são mutuamente exclusivos. Por quê?

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Exemplo 13: Em uma amostra de 150 estudantes, 70 disseram que somente têm um aparelho de CD, 50
disseram que somente têm uma TV e 25 disseram que têm ambos. Se um estudante é selecionado ao acaso:
a) Qual é a probabilidade de que ele tenha somente um aparelho de CD?
b) De ter somente uma TV?
c) Ter tanto uma TV quanto um aparelho de CD?
d) Se um estudante é selecionado ao acaso, qual é a probabilidade de que ele tenha tanto um aparelho de CD
ou uma TV?

Probabilidade Condicional
É a probabilidade de que um evento ocorra, dado que outro evento já tenha ocorrido.
Notação: A probabilidade do evento B dado que o evento A ocorreu é denotada por P(B|A) que significa
probabilidade de B, dado A.
𝑷(𝑨 ∩ 𝑩) 𝑷(𝑨 ∩ 𝑩)
𝑷(𝑩|𝑨) = 𝒐𝒖 𝑷(𝑨|𝑩) =
𝑷(𝑨) 𝑷(𝑩)
Exemplo 14: Uma pesquisa sobre a colaboração com a coleta seletiva do lixo residencial em foi realizada com
as 200 famílias de Aracruz. Na tabela são apresentadas as famílias que colaboram e as que não colaboram pelo
nível de escolaridade do chefe da família.
Colabora com a coleta seletiva
Escolaridade Total
Sim Não
Ensino Fundamental - EF 38 10 48
Ensino Médio - EM 74 16 90
Superior - ES 54 08 62
Total 126 74 200
Uma família é sorteada ao acaso, qual é a probabilidade de que:
a) Colabore com a coleta seletiva?
b) O chefe da família tenha nível de escolaridade no ensino médio?
c) O chefe da família tenha nível de escolaridade superior e não colabore com a coleta seletiva?
d) O chefe da família tenha nível de escolaridade no ensino fundamental ou colabore com a coleta seletiva?
e) Sabendo que o chefe da família escolhida tem nível de escolaridade no ensino médio, qual é a probabilidade
de que não colaborem com a coleta seletiva?
f) Se o chefe da família não tem nível de escolaridade superior, qual é a probabilidade de que a família colabore
com a coleta seletiva?

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Exemplo 15: Em uma pesquisa realizada com 10.000 consumidores sobre a preferência da marca de cerveja,
verificou-se que: 6500 utilizam a marca S; 5500 utilizam a marca H; 2000 utilizam as duas marcas. Foi sorteada
uma pessoa desse grupo e verificou-se que ela utiliza a marca S. Qual a probabilidade dessa pessoa ser também
usuária da marca H?

Regras de Multiplicação

Regra Geral da Multiplicação


A Regra Geral da Multiplicação é usada para encontrar a probabilidade conjunta de que dois eventos ocorram.
A regra estabelece que para dois eventos A e B, a probabilidade conjunta de que os dois eventos ocorram é
obtida pela multiplicação da probabilidade de que o evento A ocorra pela probabilidade condicional de B dado
que A ocorreu. A probabilidade conjunta, P(A e B) é dada pela seguinte fórmula:

𝑷(𝑨 𝒆 𝑩) = 𝑷(𝑨 ∩ 𝑩) = 𝑷(𝑨). 𝑷(𝑩|𝑨)

Exemplo 16: Dois carros são selecionados em uma linha de produção com 12 unidades, 5 delas defeituosas.
Determine a probabilidade de ambos os carros serem defeituosos.

Regra Especial de Multiplicação


A regra especial de multiplicação requer que dois eventos A e B sejam INDEPENDENTES.
Dois eventos A e B são independentes se a ocorrência de um não tem efeito sobre a probabilidade de ocorrência
do outro.
A regra especial é escrita simbolicamente como:

𝑷(𝑨 𝒆 𝑩) = 𝑷(𝑨 ∩ 𝑩) = 𝑷(𝑨). 𝑷(𝑩)

Para três eventos independentes A, B e C, a regra especial da multiplicação ousada para determinar a
probabilidade de que todos os eventos ocorram é:

𝑷(𝑨 𝒆 𝑩 𝒆 𝑪) = 𝑷(𝑨 ∩ 𝑩 ∩ 𝑪) = 𝑷(𝑨). 𝑷(𝑩). 𝑷(𝑪)

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Exemplo 17: A empresa E produz lotes de 50 transistores, dos quais 6 são defeituosos. Se duas peças forem
retiradas aleatoriamente e em sequência, com reposição (considerar que o transistor da primeira retirada é
reposto ao lote antes da segunda retirada), qual a probabilidade de ambas serem boas?

Exemplo 18: Um investidor possui duas ações. Uma é de uma companhia de produção de petróleo e a outra é
de uma cadeia de supermercados, de forma que podemos assumir que suas cotações são independentes. A
probabilidade de que a ação da companhia de petróleo suba no próximo ano é de 0,50. A probabilidade de que
a cotação da cadeia de supermercados aumente em valor no próximo ano é de 0,70.
a) Qual é a probabilidade de que ambas as ações cresçam em valor no próximo ano?
b) Qual é a probabilidade de que ao menos uma destas ações aumente em valor no próximo ano?

A) Seja A o evento: a cotação da companhia de petróleo cresce no próximo ano e seja B o evento: a cotação da cadeia de
supermercados cresce no próximo ano. P(A e B) = (0,50).(0,70) = 0,35
B) Isto implica que tanto uma pode aumentar (sem que a outra aumente) assim como ambas.
Portanto, P(no mínimo uma) = (0,50).(0,30) + (0,50).(0,70) + (0,70).(0,50) = 0,85

Regra da Multiplicação Complementar


A regra da multiplicação e a regra do complementar podem ser usadas em conjunto para simplificar
enormemente a solução do seguinte problema: ache a probabilidade de que, entre várias provas, pelo menos
uma forneça um resultado especificado. Em tais casos, é fundamental que o significado da linguagem seja
claramente compreendido:
“pelo menos um” é equivalente a “um ou mais”;

𝑷(𝒑𝒆𝒍𝒐 𝒎𝒆𝒏𝒐𝒔 𝒖𝒎) = 𝟏 − 𝑷(𝒏𝒆𝒏𝒉𝒖𝒎)

O complementar de se obter pelo menos um de um item particular é não se obter qualquer item daquele tipo.

Exemplo 19: Um estudo recente constatou que 60 % das mães com crianças de idade de até 10 anos empregam-
se em tempo integral. Três mães são selecionadas ao acaso. Assumiremos que as mães são empregadas de
forma independente umas das outras.
a) Qual é a probabilidade de que todas sejam empregadas em período integral?
b) Qual é a probabilidade de que no mínimo umas das mães sejam empregadas em período integral?

A) P( todas as três empregadas em período integral) = (o,60).(0,60).(0,60) = 0,216


B) P(no mínimo uma) = 1 – P(nenhuma empregada em período integral) = 1 – [(0,40).(0,40).(0,40)] = 0,936

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Exemplo 20: Ache a probabilidade de um casal ter pelo menos 1 menina entre três crianças. Suponha que
meninos e meninas sejam igualmente prováveis e que o sexo de uma criança não seja influenciado pelo sexo
de qualquer outra criança.

Diagramas em Árvore
Um diagrama em árvore é muito útil para representar probabilidades conjuntas e probabilidades condicionais.
Ele é particularmente útil para analisar decisões quando há diversos estágios no problema.

Exemplo 21: Suponha que há 7 peças vermelhas e 5 peças azuis em uma sacola. Suponha que você selecione
duas peças uma após a outra e sem reposição. Construa um diagrama em árvore para esta informação.

Contagem
Para uma sequência de dois eventos na qual o primeiro evento pode ocorrer de m maneiras e o segundo pode
ocorrer de n maneiras, os eventos juntos podem ocorrer em um total de m x n maneiras.
O princípio fundamental da contagem se estende facilmente para situações que envolvem mais de dois eventos,
como nos exemplos a seguir.

Exemplo 22: É boa prática não revelar números de identidade ou CPF, pois eles podem ser usados por
criminosos na tentativa de roubar dinheiro das pessoas. Suponha que se encontre um criminoso usando o seu
número de CPF e que ele afirme que os dígitos foram gerados aleatoriamente. Qual é a probabilidade de se
obter o número do CPF de uma pessoa se esse número for formado de 11 dígitos e gerado aleatoriamente? A
afirmação do criminoso de que o seu número foi gerado aleatoriamente tem chance de ser verdadeira?

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Exemplo 23: Atualmente, a placa de identificação de veículos no Brasil consiste em três letras seguidas por
quatro números.
a) Quantas placas de identificação de veículos diferentes são possíveis?
b) Quantas placas de identificação de veículos terminam em 5555?

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