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JOSIMAR ROMEIRO DA SILVA

PAULO HENRIQUES DE SOUZA

ESTUDO DAS PROPRIEDADES MECÂNICAS DA


ARGAMASSA DE REVESTIMENTO COM ADIÇÃO DE
FIBRAS DE PAPELÃO

Campo Grande, MS
2015
JOSIMAR ROMEIRO DA SILVA
PAULO HENRIQUES DE SOUZA

ESTUDO DAS PROPRIEDADES MECÂNICAS DA


ARGAMASSA DE REVESTIMENTO COM ADIÇÃO DE
FIBRAS DE PAPELÃO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à


Universidade Anhanguera-UNIDERP, como requisito
parcial para a obtenção do título de Engenheiro Civil.

Orientador: Prof. Msc. Robson Fleming

Campo Grande, MS
2015
Por Josimar Silva
Ao meu filho, Josimar Júnior, pela
inesgotável fonte de amor e carinho e seu
incansável e inconformado “Por que Pai? ”.
À Franciele, por todo amor e por todo o
tempo que estive longe.

Por Paulo Souza


Ao meu filho Henrique e minha esposa
Simone com todo amor.
AGRADECIMENTOS

Ao Professor Msc. Robson Fleming, nosso orientador, pelo apoio e


incentivo.

Aos professores do curso de Engenharia Civil que contribuíram para


enormemente para nossa formação.

Aos técnicos do Laboratório de Materiais de construção da Uniderp


pelo apoio na realização dos ensaios.
“Nunca se afaste de seus sonhos, pois se eles
se forem, você continuará vivendo, mas terá
deixado de existir. ”

Charles Chaplin
SILVA, Josimar Romeiro; SOUZA, Paulo Henriques. Estudo das propriedades
mecânicas da argamassa de revestimento com adição de fibras de papelão
Título do trabalho. 2015. 29 páginas. Trabalho de Conclusão de Curso Engenharia
Civil – Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal -
UNIDERP, Campo Grande, MS. 2015.

RESUMO

A argamassa de revestimento é um material de grande utilização na construção civil,


pois além de permitir um acabamento adequado de acordo com a arquitetura da
edificação, também tem a função de proteger as estruturas dos agentes agressivos
do ambiente. Assim sendo, este tipo de material tem sido objeto de constantes
pesquisas que visam melhorar o desempenho das suas propriedades físicas,
químicas e mecânicas. A adição de fibras sintéticas e vegetais à argamassa vem
sendo empregada para melhorar o desempenho dessas propriedades e como
consequência melhorar o desempenho da edificação como um todo. Outro fator
importante, principalmente em relação à utilização de fibras de papelão, é a
destinação destes resíduos sólidos urbanos, que contribui para a minimização dos
impactos ambientais provenientes da vida humana. Dessa forma, o presente trabalho
tem como objetivo estudar o comportamento das propriedades mecânicas de uma
argamassa de traço 1:1:6, com adição de fibras de papelão nos percentuais de 0, 0,5,
1,0, 1,5 e 2,0% do volume da mistura. Para tanto, para verificar o comportamento
mecânico dessas amostras, foram realizados ensaios de resistência à compressão
axial e resistência à flexão nos intervalos de 7, 14 e 28 dias. Além disso, foram
confeccionados painéis de alvenaria para aplicação das amostras de argamassa sem
e com a adição de fibras, a fim de estudar condições de trabalhabilidade e realização
de ensaio de arrancamento.

Palavras-chave: Argamassa. Fibra de papelão. Fibra de celulose. Propriedades


mecânicas.
SILVA, Josimar Romeiro; SOUZA, Paulo Henriques. Study of the mechanical
properties of the mortar coating with the addition of board fibers. 2015. 29 pages.
Monograph of Course Civil Engineering - University for the State Development and the
Pantanal Region – UNIDERP. Campo Grande, MS. 2015.

ABSTRACT

Coating mortar is a great application material in civil construction, because it has the
function of protecting the structures of aggressive environmental agents and performs
a proper finish according to the building's architecture. Therefore, this type of material
has been the subject of constant research to improve the performance of physical,
chemical and mechanical properties. Mortar with synthetic or vegetable fibers has
shown improved performance of these properties and consequently improves the
performance of the building as a whole. Besides, in relation to cellulose fibers, the use
these residues reduce environmental impacts. Thus, the present work has the aim to
study the mechanical properties behavior of 1:1:6 mortar mix proportion with the
addition of 0, 0.5, 1.0, 1.5 e 2.0% cellulose fibers in the volume mixture. Compressive
strenght and flexural strenght analysis were performed after 7, 14 and 28 curing days.
In addition, workability conditions and peel test were studied by masonry panels which
were prepared for applying the mortar with and without the addition of fibers.

Key-words: Coating mortar. Cardboard fiber. Cellulose fiber. Mechanical properties.


LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Etapas do processamento das fibras de papelão. .................................... 18


Figura 2 - Confecção dos painéis de blocos cerâmicos; b) Chapisco sobre os blocos
cerâmicos .................................................................................................................. 22
Figura 3 - a) Fixação das pastilhas nos corpos de prova; b) Aplicação de carga axial
.................................................................................................................................. 22
LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 - Teor de ar incorporado e densidade no estado endurecido em função do


teor de fibra. .............................................................................................................. 24
Gráfico 2 - Resistência à compressão dos traços analisados em função da idade. .. 25
Gráfico 3 - Resistência à tração na flexão dos traços analisados em função da idade
.................................................................................................................................. 26
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Composição Granulométrica da areia ...................................................... 19


Tabela 2 - Massa específica dos materiais constituintes .......................................... 19
Tabela 3 - Traços e porcentual de fibras em relação ao volume total do traço. ........ 20
Tabela 4 - Índice de consistência .............................................................................. 23
Tabela 5 - Teor de ar incorporado na argamassa ..................................................... 24
Tabela 6 - Resistência de aderência à tração ........................................................... 26
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO E REVISÃO DA LITERATURA ................................................ 13


2 OBJETIVOS....................................................................................................... 15
2.1 OBJETIVO GERAL ......................................................................................... 15
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ........................................................................... 15
2.3 ESTRUTURA DO TRABALHO ................................................................................. 15
3 JUSTIFICATIVA ................................................................................................ 17
4 MATERIAIS E MÉTODOS ................................................................................. 18
4.1 MATERIAIS .................................................................................................... 18
4.2 CARACTERIZAÇÃO DOS MATERIAIS........................................................... 18
4.2.1 Composição Granulométrica ................................................................... 18
4.2.2 Massa específica dos materiais constituintes da argamassa .................. 19
4.3 DETERMINAÇÃO DO TRAÇO ................................................................................ 19
4.4 METODOLOGIA DOS ENSAIOS.............................................................................. 20
4.4.1 Ensaios das argamassas no estado fresco ............................................. 20
4.4.2 Ensaios das argamassas no estado endurecido ..................................... 21
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO ......................................................................... 23
5.1 ÍNDICE DE CONSISTÊNCIA ................................................................................... 23
5.2 TEOR DE AR INCORPORADO E DENSIDADE DE MASSA APARENTE NO ESTADO
ENDURECIDO ............................................................................................................ 23
5.3 RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO AXIAL.................................................................... 25
5.4 RESISTÊNCIA À TRAÇÃO NA FLEXÃO .................................................................... 25
5.5 RESISTÊNCIA DE ADERÊNCIA À TRAÇÃO ............................................................... 26
6 CONCLUSÃO .................................................................................................... 27
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 28
13

1 INTRODUÇÃO E REVISÃO DA LITERATURA

A construção civil é um dos setores que mais geram resíduos na sociedade


atualmente. As técnicas construtivas convencionais ainda produzem percentuais de
perdas elevados e pouco desses materiais é aproveitado ou transformados em
insumos para serem utilizados novamente.
Dessa forma, diversos estudos sobre a utilização de resíduos sólidos urbanos estão
sendo desenvolvidos com a finalidade de aumentar a eficiência na aplicação desses
recursos. O aproveitamento deste material se torna mais importante à medida que os
recursos naturais se tornam mais escasso e sua obtenção necessita de maiores
recursos financeiros. A utilização de resíduos sólidos urbanos também tem grande
contribuição na redução dos problemas ambientais causados pela destinação
incorreta destes materiais (Tam, 2006).
Nesse sentido, estudo realizado por Gomes (2014) com objetivo de analisar a
influência da adição de resíduo de polpa de celulose na argamassa de revestimento
demonstrou que houve aumento no valor de resistência à compressão nos traços de
argamassa com percentual de 1% de polpa de celulose em relação à massa de
cimento. Por outro lado, na resistência à tração na flexão e nos demais ensaios no
estado fresco e endurecido não apresentou ganho em relação ao traço de referência,
sem adição de fibras.
Além disso, Savastano (2000) demostrou em seu estudo que a adição de 10% de
polpa celulósica em relação à massa de cimento, além de contribuir para o aumento
da ductilidade e resistência à tração na flexão desses compósitos, também apresentou
boa aderência à matriz.
O presente trabalho não realizou estudos com relação à durabilidade das argamassas
com adição da fibra de papelão. Entretanto, Carvalho (2015) mostrou em seu trabalho
que argamassas com adição de fibras de papel kraft, obtidos a partir de sacos de
cimento e cal, não apresentaram efeitos negativos, como a degradação das fibras ou
desprendimento das fibras da matriz, que prejudicasse o seu desempenho quanto a
sua resistência mecânica e durabilidade quando submetidas a ciclos de
envelhecimento por variações de temperatura e umidade. Além de não apresentar
efeitos negativos, as argamassas com adição de fibra apresentaram a propriedade de
tenacidade, ou seja, após o aparecimento da primeira fissura as argamassas ainda
apresentaram capacidade de absorver energia da carga aplicada, a qual não foi
14

observada na argamassa de referência, onde devido à falta desta propriedade,


apresentam ruptura frágil após o aparecimento da primeira fissura.
Outro estudo realizado por Carvalho (2013) onde o objetivo também foi a avaliação
da durabilidade das argamassas com adição de fibras de papel kraft, indicou que além
de não apresentar efeitos negativos quanto ao seu desempenho, as argamassas com
adição de fibra de papel kraft apresentaram melhora na resistência à tração na flexão,
após os ciclos de envelhecimento.
Com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento de materiais de construção que
utilizem resíduos sólidos urbanos, no presente estudo foram desenvolvidas
argamassas utilizando fibra de papelão proveniente de descarte urbano visando
melhorar seu desempenho mecânico.
15

2 OBJETIVOS

2.1 OBJETIVO GERAL

O presente trabalho tem como principal objetivo avaliar as propriedades mecânicas


das argamassas de revestimento para alvenarias com adição de fibras de papelão
proveniente de resíduos sólidos urbanos. Pretende-se com o trabalho avaliar quais os
efeitos que a adição da fibra de papelão causa na argamassa de revestimento no que
se refere as suas propriedades mecânicas e suas possíveis implicações referente aos
critérios de aplicabilidade e critérios de desempenho e resistência.

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Para se atingir o objetivo principal do trabalho, se faz necessário o cumprimento dos


objetivos específicos listados abaixo:
Obtenção da fibra de papelão através do processamento do resíduo
sólido;
Definição dos percentuais de adição de fibras nos traços de argamassa;
Preparação dos corpos de prova;
Análise das propriedades da argamassa nos estados fresco e
endurecido;
Análise comparativa entre os traços desenvolvidos e a argamassa de
referência.

2.3 ESTRUTURA DO TRABALHO

No capítulo 1 foi apresentado a importância da reutilização dos resíduos sólidos


urbanos como forma de aumentar a eficiência no uso dos recursos naturais
disponíveis, a contribuição da construção civil na geração desses resíduos como um
dos setores que mais o geram e como estão sendo desenvolvidos os estudos que
visam o aumento da eficiência do setor.
O capítulo 2 traz os objetivos do trabalho e como este está estruturado.
No capítulo 3 será apresentada a justificativa para a realização do estudo.
O capítulo 4 descreverá quais serão os materiais e os métodos utilizados para a
16

verificação das propriedades que serão analisadas e os dados que serão obtidos dos
ensaios realizados.
No capítulo 5 será realizado a discussão dos resultados obtidos nos ensaios.
Por fim, no capítulo 6 será apresentado a conclusão com base nas discussões dos
dados obtidos.
17

3 JUSTIFICATIVA

A presente trabalho se faz necessário principalmente por demostrar que a utilização


de resíduos sólidos como insumo para a construção civil é útil não somente para
mitigar os efeitos desses resíduos quando descartados inadequadamente, mas
também como matéria-prima importante para a melhoria do desempenho dos
materiais empregados na construção.
Os autores deste trabalho entendem que a utilização de resíduos sólidos provenientes
de descarte urbano somente será plenamente eficiente quando os entes envolvidos
na cadeia da construção civil não somente se conscientizarem da importância da
gestão ambiental neste setor produtivo, mas principalmente, constatarem que o
emprego desses resíduos melhoraram o desempenho dos materiais empregados na
construção e consequentemente, no aumento da eficiência dos processos
construtivos.
18

4 MATERIAIS E MÉTODOS

4.1 MATERIAIS

O cimento utilizado nos traços desenvolvidos foi o CPII E-32. A cal utilizada foi a
hidratada do tipo CHI e a areia foi do tipo comum. Todos os materiais utilizados para
o desenvolvimento dos traços, exceto a fibra de papelão, forma adquiridos no
comercio local de Campo Grande/MS.
A fibra de papelão utilizada para a realização do trabalho foi obtida a partir de papelão
que seriam descartados em lixo comum. O processamento do papelão para a
obtenção da fibra foi realizado em quatro etapas, sendo elas, imersão em água (1),
trituração em liquidificador industrial (2), secagem em estufa (3) e moagem em moinho
de bolas (4).
Figura 1 - Etapas do processamento das fibras de papelão.

Fonte: Autores

4.2 CARACTERIZAÇÃO DOS MATERIAIS

4.2.1 Composição Granulométrica

A areia foi previamente seca em estufa a 105°C ± 5° C por 24h e posteriormente


submetida ao peneiramento de acordo com a NBR NM 248 (ABNT, 2003) para
obtenção de sua composição granulométrica, módulo de finura e diâmetro máximo
dos grãos.
19

Tabela 1 - Composição Granulométrica da areia


Composição granulométrica da areia
Abertura da
peneira Massa % retido % retido
(mm) retida (g) individual acumulado
4,750 0 0 0,00%
2,360 0 0 0,00%
1,180 0 0 0,00%
0,600 3,8 0,38% 0,38%
0,300 231,2 22,98% 23,36%
0,150 658,8 65,49% 88,86%
Fundo 112,1 11,14% 100,00%
Módulo de finura 1,13
Diâmetro máximo (mm) 0,6
Fonte: Autores

4.2.2 Massa específica dos materiais constituintes da argamassa

Os resultados dos materiais constituintes da argamassa, submetidos ao ensaio para


determinação de suas massas específicas de acordo com a NBR NM 52 (ABNT,
2009), estão mostrados na Tabela 2. Para a determinação da massa específica da
fibra de papelão a água utilizada no ensaio foi substituída por álcool. A substituição se
deve ao fato do álcool ter menor densidade que a água, evitando que a fibra fique na
superfície do líquido impossibilitando a leitura do deslocamento do líquido.

Tabela 2 - Massa específica dos materiais constituintes


Massa específica (g/cm³)
Areia fina 2,631
Cimento Portland CPII E-32 3,092
Cal hidratada 2,413
Fibra de papelão 1,364

Fonte: Autores

4.3 DETERMINAÇÃO DO TRAÇO

De acordo com Carneiro (1999), as argamassas de revestimento usualmente


utilizadas no Brasil são na proporção de 1:1:6 e 1:2:9 (cimento, cal, areia), pois são
proporções que geram argamassas com características adequadas que atendem as
normas brasileiras no que diz respeito ao seu desempenho. De posse dessas
informações, o traço adotado para a realização deste trabalho foi 1:1:6.
20

Tabela 3 - Traços utilizados e porcentual de fibras


Traços experimentais
Cimento Cal Areia Fibra
Traço - T1 1 1 6 0,0%
Traço - T2 1 1 6 0,5%
Traço - T3 1 1 6 1,0%
Traço - T4 1 1 6 1,5%
Traço - T5 1 1 6 2,0%

Fonte: Autores

4.4 METODOLOGIA DOS ENSAIOS

4.4.1 Ensaios das argamassas no estado fresco

4.4.1.1 Índice de consistência

A determinação do índice de consistência das argamassas estudadas foi realizada de


acordo com a NBR 13276 (ABNT, 2005). O índice consiste no cálculo da média de
três medidas de diâmetro da argamassa espalhada na mesa de índice de
consistência. A obtenção das medidas foi realizada após o procedimento de
enchimento do tronco cônico com argamassa e acionamento da manivela para que a
mesa suba e caia 30 vezes no intervalo de 30 s.

4.4.1.2 Teor de ar incorporado (AI)

A obtenção do teor de ar incorporado das argamassas estudadas foi realizado


seguindo o que prescreve a NBR 13278 (ABNT, 2005). O ensaio consiste na pesagem
de uma porção de argamassa em um recipiente de volume pré-determinado para a
determinação da densidade de massa. O valor de densidade obtido (A) é relacionado
com a densidade teórica (B) dos materiais constituintes da argamassa por meio da
equação (1).

= 100 × 1 −

(Equação 1)
21

4.4.2 Ensaios das argamassas no estado endurecido

4.4.2.1 Moldagem e cura dos corpos de prova

Para cada traço de argamassa analisado foram moldados 15 corpos de prova


cilíndricos e 15 corpos de prova prismáticos. Os corpos de provas cilíndricos foram
nas dimensões 5 cm de diâmetro e 10 cm de altura. Os corpos de prova prismáticos
foram nas dimensões 4 cm de largura e altura e 16 cm de profundidade.
A moldagem dos corpos de prova cilíndricos foi realizada de acordo com a NBR 7215
(ABNT, 1997). O preenchimento do molde foi realizado em quatro camadas
distribuídas igualmente na altura e aplicou-se 30 golpes com um soquete em cada
camada. Os golpes realizados em cada camada não atingiam a camada
imediatamente anterior a camada atual.
Os corpos de prova prismáticos foram moldados sobre uma mesa para adensamento
conforme prescreve a NBR 13279 (ABNT, 2005). As porções de argamassa a serem
moldadas foram dispostas nos moldes em duas camadas. A cada camada a
argamassa foi adensada acionando-se a manivela da mesa fazendo com que a
mesma subisse e caísse 30 vezes em um intervalo de 30 segundos.
Os corpos de prova foram desmoldados após 24 horas da moldagem e a cura final foi
realizada submersa em água com cal.

4.4.2.2 Densidade de massa aparente no estado endurecido

O ensaio para determinação da densidade aparente no estado endurecido foi


realizado de acordo com a NBR 13280 (ABNT, 2005). O ensaio foi realizado com 5
corpos de prova para cada traço de argamassa estudado.

4.4.2.3 Ensaios mecânicos

Os ensaios para determinação da resistência à compressão simples e da resistência


de tração na flexão foram realizados de acordo com a NBR 7215 (ABNT, 1997) e NBR
13.279 (ABNT, 2005), respectivamente. Os corpos de prova foram desmoldados após
24 horas e mantidos submersos em solução de água e cal em temperatura ambiente
(~27 °C) até a data do rompimento. Os rompimentos f oram realizados nas idades de
22

7, 14 e 28 dias. Foram ensaiados cinco corpos de prova para cada idade.

4.4.2.4 Resistência de aderência à tração

Foram confeccionados no laboratório de resistência dos materiais da Universidade


Anhanguera-UNIDERP cinco painéis de alvenaria medindo 70x70 cm utilizando
blocos cerâmicos de oito furos de dimensões 19x19x9 cm. Os blocos foram
assentados diretamente no piso do laboratório e aprumados na parede do laboratório.
O assentamento dos blocos foi realizado com argamassa de cimento e areia na
proporção 1:3.

Figura 2 - Confecção dos painéis de blocos cerâmicos; b) Chapisco sobre os blocos cerâmicos

Fonte: Autores
O ensaio para determinação da resistência de aderência à tração foi realizado de
acordo com a NBR 13528 (ABNT, 2010). Foram ensaiados 12 corpos de prova aos
28 dias para cada traço de argamassa estudado.

Figura 3 - a) Fixação das pastilhas nos corpos de prova; b) Aplicação de carga axial

Fonte: Autores
23

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.1 ÍNDICE DE CONSISTÊNCIA

Os valores dos índices de consistência obtidos nos traços estudados estão


apresentados na Tabela 4. Foi evidenciado que com o aumento gradativo do
percentual de fibra de papelão na argamassa, o índice de consistência diminuiu
consideravelmente nos quatro traços analisados, partindo do valor de 275 mm no traço
de referência (T1) para 218 mm no traço com maior percentual de adição de fibra (T5).
Esta diminuição é resultado do aumento da área de superfície dos materiais
constituintes da argamassa fazendo com que seja consumida maior quantidade de
água para hidratação de toda a mistura.
A NBR 13.276 (ABNT, 2005) estabelece como valor padrão para o índice consistência
255 ± 10 mm. Considerando o disposto nesta norma o traço T2, com adição de 0,5%
de fibra de papelão atende ao padrão estabelecido.

Tabela 4 - Índice de consistência


Índice de Consistência (mm)
D1 D2 D3 Média
Traço - T1 280 275 270 275
Traço - T2 270 260 270 267
Traço - T3 235 230 235 233
Traço - T4 228 227 227 227
Traço - T5 218 218 219 218

Fonte: Autores

5.2 TEOR DE AR INCORPORADO E DENSIDADE DE MASSA APARENTE NO


ESTADO ENDURECIDO

Os valores calculados de teor de ar incorporado para as argamassas estudadas estão


apresentados na Tabela 5. O teor de ar incorporado influencia diretamente na
trabalhabilidade da argamassa, pois quanto maior o teor de ar, menos densa será a
argamassa. Com a diminuição da densidade, a energia necessária para o manuseio
e lançamento da argamassa também será menor.
De acordo com Silva (2006) o aumento do teor de ar incorporado está relacionado
24

com os contatos entre as fibras e entre as fibras e os agregados os quais diminuem o


empacotamento das partículas. O teor de ar incorporado no traço com adição de 1,0%
de fibra (T2) aumentou consideravelmente em relação ao traço de referência (T1)
partindo de 8% para 13%, o que representa um aumento de 62,5% em relação ao
valor de referência. No entanto, a mesma proporção não se manteve nos demais
traços estudados.

Tabela 5 - Teor de ar incorporado na argamassa


Teor de ar incorporado na argamassa (%)
Traço - T1 8%
Traço - T2 13%
Traço - T3 17%
Traço - T4 18%
Traço - T5 19%

Fonte: Autores

O valor da densidade das argamassas estudadas diminuiu à medida que o teor de


fibra aumentou. A redução na densidade das argamassas está associada ao aumento
do teor de ar incorporado, visto que este aumenta os vazios nas argamassas. Esta
relação se manteve em todos os traços estudados. A relação entre a diminuição da
densidade e o aumento do teor de ar incorporado pode ser verificada no Gráfico 1.

Gráfico 1 - Teor de ar incorporado e densidade no estado endurecido em função do teor de fibra.

Fonte: Autores
25

5.3 RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO AXIAL

Os resultados de resistência à compressão axial das amostras referência e com a


adição de fibras de celulose estão mostrados no Gráfico 2. Pode ser observado, que
houve uma tendência ao aumento da resistência à compressão no traço com adição
de 0,5% (T2) em relação ao traço de referência (T1) em todas as idades analisadas.
Nos traços com adição de 1,0%, 1,5%, e 2,0% houve tendência à diminuição da
resistência em todas as idades. Os resultados obtidos neste ensaio demonstraram
que há uma proporção ótima de adição de fibra entre os percentuais de 0% e 1,0%.

Gráfico 2 - Resistência à compressão dos traços analisados em função da idade.

Fonte: Autores

5.4 RESISTÊNCIA À TRAÇÃO NA FLEXÃO

O Gráfico 3 mostra os valores da resistência à tração na flexão das amostras


referência e com adição de fibras de celulose. Verifica-se que os resultados obtidos
nos ensaios de resistência à tração na flexão foram similares aos resultados obtidos
nos ensaios de resistência à compressão axial. Ou seja, o traço com adição de 0,5%
(T2) apresentou aumento da resistência à flexão em relação ao traço referência (T1)
em todas as idades analisadas. Por outro lado, os traços com adição de 1,0%, 1,5%,
e 2,0% também apresentaram redução da resistência em todas as idades.
26

Analogamente, os resultados obtidos neste ensaio demonstraram que há uma


proporção ótima de adição de fibra entre os percentuais 0% e 1,0%.

Gráfico 3 - Resistência à tração na flexão dos traços analisados em função da idade

Fonte: Autores

5.5 RESISTÊNCIA DE ADERÊNCIA À TRAÇÃO

Os resultados obtidos no ensaio de aderência à tração estão apresentados na Tabela


6. Observa-se que os traços com adições de fibra de celulose em relação ao traço de
referência (sem adição de fibras) apresentaram redução da resistência de aderência.
No entanto, o valor da resistência de aderência à tração do traço T2, com adição de
0,5% de fibra, foi ≥ 0,20 MPa. De acordo com a NBR 13.749 (ABNT, 2005) a
resistência mínima para os revestimentos em argamassa deve ser ≥ 0,20 MPa. Dessa
forma, o traço T2 apresentou o valor mínimo necessário para utilização em
revestimentos em ambientes internos destinados ao acabamento em pintura.

Tabela 6 - Resistência de aderência à tração


Resistência de aderência a tração (Mpa)
Traço 1 Traço 2 Traço 3 Traço 4 Traço 5
≥0,30 ≥0,20 < 0,20 < 0,20 < 0,20

Fonte: Autores
27

6 CONCLUSÃO

A utilização da fibra proveniente do processamento do papelão mostrou-se viável


tecnicamente, atendendo aos principais requisitos das normas brasileiras que
especificam as argamassas de revestimento.
Os melhores resultados entre os traços desenvolvidos no estudo foram obtidos no
traço T2, com adição de 0,5% de fibra de papelão em relação ao volume do traço de
argamassa. O traço T2 apresentou aumento de 3% e 2%, respectivamente no valor
médio de resistência nos ensaios de resistência à compressão axial e resistência à
tração na flexão. Estas duas características são de fundamental importância para
redução das patologias em revestimentos de argamassa, principalmente a última, a
qual é responsável pela redução nas fissuras provenientes de retrações por secagem
da argamassa e deformações causadas pelas movimentações inerentes aos
carregamentos nas estruturas.
28

REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR NM 248: Agregados -


Determinação da composição granulométrica. 2003.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR NM 52: Agregado miúdo


- Determinação da massa específica e massa específica aparente. 2009.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13281: Argamassa para


assentamento e revestimento de paredes e tetos – Requisitos. 2005.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13276: Argamassa para


assentamento e revestimento de paredes e tetos - Preparo da mistura e determinação
do índice de consistência. 2005.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13278: Argamassa para


assentamento e revestimento de paredes e tetos - Determinação da densidade de
massa e do teor de ar incorporado. 2005.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7215: Cimento Portland


- Determinação da resistência à compressão. 1996.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13279: Argamassa para


assentamento e revestimento de paredes e tetos - Determinação da resistência à
tração na flexão e à compressão. 2005.

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