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Efeitos práticos do JUS COGENS na proteção dos direitos humanos

Após a segunda guerra mundial, o ser humano assumiu posição prioritária no


cenário internacional, não mais visto como meio para um fim, mas como um fim em si
próprio. Com esse novo enfoque, os direitos humanos passaram a ter expressão de
destaque, tanto no direito interno, quanto na esfera internacional. Essa nova visão
explica a importância assumida pelos direitos humanos nas normas de natureza jus
cogens.
As normas de natureza jus cogens impõem obrigações erga omnes aos Estados
signatários de seus respectivos tratados, no sentido de inserir na ilicitude as ações que
venham a viola-las. Porém os mecanismos de controle existentes no plano internacional
diferem com relação ao tipo de violação das normas jus cogens que forem perpetradas.
Esses meios de controle se dividem em convencional e não convencional.
Os métodos convencionais consistem em convenções assinadas pelos Estados, e
instituem formas de controle externo das ações dos Estados, além de consistir desde a
elaboração de relatórios acerca de políticas públicas adotadas em determinadas áreas da
administração interna do Estado, até o reconhecimento de algum órgão externo
supranacional que aplicará eventuais sanções previstas na Convenção. Esses métodos
convencionais tiveram maior desenvolvimento em esfera regional, tendo como
exemplos o Tribunal europeu de Direitos Humanos e a Corte Interamericana de Direitos
Humanos. No exemplo europeu, o Protocolo nº 11 estabeleceu o acesso de indivíduos e
de organizações que dele façam parte, ao tribunal. Já na América, é necessário que
primeiro se encaminhem as notícias de ilícitos à Comissão, e depois dessa para a Corte.
No método não convencional, os Estados podem ser responsabilizados por
violações massivas dos direitos humanos, independente de reconhecimento de tal
possibilidade em algum tratado internacional. Tais medidas de responsabilidade de
Estados transgressores só podem consistir no uso de força em casos excepcionais, como
a legítima defesa, e de modo restrito às organizações internacionais, com destaque para
a ONU.
O método não convencional é normalmente utilizado para resolver situações em
que haja violação massiva aos direitos humanos, caso em que cabe à ONU analisar se
tais violações são uma ameaça a paz e a segurança internacionais, e em caso positivo,
poderá determinar a aplicação das medidas coercitivas previstas no cap. VII da Carta
das Nações Unidas, podendo inclusive acarretar no uso de força e constituição de
tribunais AD HOC, como no caso dos conflitos da antiga Iugoslávia.
As normas JUS COGENS se transformam em valores humanos essenciais
visando garantir os meios jurídicos de proteção aos direitos humanos, visando sua
aplicação no âmbito internacional. Algumas dessas normas estão positivadas no artigo
53 da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, o que as dá a classificação de
normas imperativas de direito internacional, só podendo ser derrogadas ou alteradas por
outra norma de igual natureza.
Pode-se afirmar que as normas JUS COGENS defendem os valores
fundamentais que passaram a encampar o ideário surgido após a segunda guerra
mundial, em que a pessoa humana passa a ter lugar de destaque, e como bem precioso
que carece de proteção tem a necessidade de normas que possam garantir essa proteção,
e essas normas devem ter o poder de coerção, de modo que as normas JUS COGENS
personificam aquilo que pode ser chamado de consciência moral da sociedade
internacional.
As normas JUS COGENS, então, tem a sua imperatividade garantida para que
possam cumprir o seu papel de humanização do direito internacional.
BIBLIOGRAFIA

http://www.direitodoestado.com.br/colunistas/emerson-garcia/jus-cogens-e-protecao-
internacional-dos-direitos-humanos
https://artigojuridico.com.br/2017/09/12/jus-cogens/