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Professor
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L i ç õ e s B í b l i c a s

2º trimestre 2018

2358-8136
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A Igreja do
Arrebatamento
O Padrão dos Tessalonicenses
para Estes Últimos Dias
A mulher que se dedica ao estudo bíblico
colhe seus muitos benefícios
A mulher temente a Deus buscará conformar
suas crenças e comportamento à Escritura,
em vez de apenas selecionar e escolher o
trecho da Escritura que é mais agradável
para seus próprios desejos. A atenção à
Palavra de Deus, a disposição para explorar a
profundidade dos ensinamentos bíblicos, a
disposição para ter comunhão com o Autor
divino e para desfrutar desse relacionamento
com o Senhor inspirarão sua boa vontade
para se tornar uma mulher sábia cuja vida
é estruturada de modo seguro sobre a
rocha ao obedecer e pôr em prática o que
quer que seja que o Senhor diga. Que o
Senhor permita que cada uma de vocês ao
usar a Bíblia como fonte de estudo possa
renovar o compromisso do tempo pessoal
e da determinação para buscar as riquezas
encontradas em um estudo sério da Palavra
de Deus — não só para você mesma, mas
também para ensinar a Palavra escrita em
seu coração.
Professor
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L I Ç Õ E S B Í B L I C A S

2º trimestre 2018

A IGREJA DO ARREBATAMENTO
O Padrão dos Tessalonicenses para Estes Últimos Dias
Comentarista: Thiago Brazil
Lição 1
INTRODUÇÃO ÀS CARTAS AOS TESSALONICENSES 3
Lição 2
A ALEGRIA PELA NOVA VIDA EM CRISTO 11
Lição 3
O FRUTO DE UM TRABALHO ZELOSO 19
Lição 4
CONSERVANDO UMA VIDA FRUTÍFERA 26
Lição 5
VIVENDO UMA VIDA SANTA 33
Lição 6
VIVENDO AMOROSA E HONESTAMENTE 40
Lição 7
NOSSA ESPERANÇA NA VINDA DO SENHOR 47
Lição 8
A VIDA CRISTÃ E A ESTIMA PELA LIDERANÇA 55
Lição 9
CORAGEM EM MEIO À PERSEGUIÇÃO 62
Lição 10
A MANIFESTAÇÃO DO ANTICRISTO E O DIA DO SENHOR 69
Lição 11
FIRMES NA VERDADE E NA GRAÇA DE DEUS 76
Lição 12
UMA VIDA EXEMPLAR DIANTE DE DEUS E DOS HOMENS 83
Lição 13
CONSELHOS PARA A VIDA 90
A IGREJA DO
ARREBATAMENTO
O Padrão dos
CASA PUBLICADORA DAS Tessalonicenses para
ASSEMBLEIAS DE DEUS
Estes Últimos Dias
Com a graça de Jesus, estamos
Presidente da Convenção Geral das
Assembleias de Deus no Brasil dando início a uma nova revista. Depois
José Wellington Costa Junior de um trimestre abençoado a respeito
Conselho Administrativo do Evangelho de Mateus, estudaremos
José Wellington Bezerra da Costa duas epístolas escritas pelo apóstolo
Diretor Executivo Paulo — 1 e 2 Tessalonicenses.
Ronaldo Rodrigues de Souza Encontramos nas Epístolas aos Tes-
Gerente de Publicações salonicenses importantes temas teoló-
Alexandre Claudino Coelho
gicos e doutrinários, como por exemplo,
Consultoria Doutrinária e Teológica
a inspiração e autoridade da Escritura, a
Antonio Gilberto e
Claudionor de Andrade
salvação baseada na morte expiatória de
Gerente Financeiro Cristo, a santificação do crente e a volta
Josafá Franklin Santos Bomfim de Cristo para a sua Igreja. Embora essas
Gerente de Produção epístolas tenham sido escritas em um
Jarbas Ramires Silva contexto e em uma época diferente da
Gerente Comercial nossa, elas têm importantes doutrinas
Cícero da Silva para os crentes contemporâneos.
Gerente da Rede de Lojas
Paulo visitou a cidade de Tessalônica no
João Batista Guilherme da Silva
início de sua segunda viagem missionária.
Chefe de Arte & Design
Wagner de Almeida
Tal fato nos mostra que ele possuía um
Chefe do Setor de Educação Cristã projeto de evangelização que priorizava os
César Moisés Carvalho grandes centros urbanos. Tessalônica era
Comentarista uma cidade estratégica para a proclama-
Thiago Brazil ção do Evangelho, pois era o maior centro
Redatora comercial do sudeste europeu.
Telma Bueno Que possamos, como Paulo, viver uma
Diagramação e Capa
vida de santidade até a volta de Jesus
Suzane Barboza
e pregar um evangelho de salvação no
Fotos
Shutterstock
interior das cidades, mas principalmente
nos grandes centros urbanos, pois o fim
em breve virá.
RIO DE JANEIRO Que Deus o abençoe.
CPAD MATRIZ
Av. Brasil, 34.401 - Bangu - CEP21852-002 Até o próximo trimestre!
Rio de Janeiro - RJ Os Editores.
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2 JOVENS
1
LIÇÃO

01/04/2018

INTRODUÇÃO ÀS CARTAS
AOS TESSALONICENSES
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AGENDA DE LEITURA
TEXTO DO DIA SEGUNDA – 1 Ts 2.7
“Assim nós, sendo-vos tão O amor de Paulo pelos
afeiçoados, de boa vontade tessalonicenses
quiséramos comunicar-vos, não TERÇA – At 17.1-8
somente o evangelho de Deus, A oposição que Paulo enfrentou
mas ainda a nossa própria alma; entre os tessalonicenses
porquanto nos éreis muito
queridos.” (1 Ts 2.8) QUARTA – 1 Ts 5.27
O caráter epistolar de 1
Tessalonicenses
QUINTA – 1 Ts 3.2
SÍNTESE Timóteo e o discipulado dos
O estudo das Cartas de Paulo tessalonicenses
aos Tessalonicenses realça SEXTA – 2 Ts 3.17
a Igreja como um lugar de A autoria paulina é afirmada
relacionamentos saudáveis e na Epístola
edificantes, porque Jesus SÁBADO – 1 Ts 2.17
está entre nós.
Paulo desejava ver os
tessalonicenses

JOVENS 3
OBJETIVOS
1. DEMONSTRAR que a Igreja pode e dever ser um am-
biente de relacionamentos saudáveis;
2. APRESENTAR e discutir as Epístolas de 1 e 2 Tessa-
lonicenses;
3. COMPARAR o conteúdo, estrutura e finalidade de 1 e
2 Tessalonicenses.

INTERAÇÃO
Caro professor(a), que alegria poder mais uma vez com-
partilhar com você a jornada de mais um trimestre de
ensinamentos e aprendizagem, desta vez a partir da
leitura e reflexão das duas Epístolas do apóstolo Paulo
à igreja em Tessalônica.
Como todo novo começo, que em nosso caso na Escola
Dominical dá-se sempre trimestralmente, temos a opor-
tunidade de fazer melhor o que já vem dando certo em
nossas aulas, e de tentar superar aquilo que não está
funcionando da maneira correta. Por isso, aproveite esse
momento inicial para desafiar-se a fazer coisas diferentes;
a mesmice é o pior inimigo de um educador, facilmente
o levará à mediocridade.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Que tal aplicar em suas aulas a metodologia da “sala de
aula invertida” (Flipped Classroom em inglês)? O méto-
do da “sala de aula invertida” pode ser, resumidamente,
apresentado da seguinte maneira: o modelo tradicional
de aulas é completamente invertido, as tarefas de casa
são feitas em classe e o estudo do conteúdo é realizado
em casa. Por meio da própria revista, que o educando já
tem acesso às lições completas, de vídeo aulas, textos
sugeridos pelo educador, os alunos estudam a temática
da lição em casa durante a semana. No dia da aula, ao
invés de uma exposição exclusiva do professor, podem-se
debater as principais questões da lição, tirar as dúvidas
que surgiram e aprofundar outras temáticas que foram
tocadas superficialmente pelo comentarista, mas que
interessam à turma.
Perceba que nesse ambiente educacional o aluno tem o
protagonismo e o educador a responsabilidade de mediar
com muita sabedoria as questões que serão discutidas.

4 JOVENS
TEXTO BÍBLICO COMENTÁRIO
Atos 17.1-10
1 E, passando por Anfípolis e Apolônia, INTRODUÇÃO
chegaram a Tessalônica, onde havia
Você acredita que fortes amizades
uma sinagoga de judeus.
podem crescer em pouco tem-
2 E Paulo, como tinha por costume, foi ter
com eles e, por três sábados, disputou po? Bem, isso aconteceu entre
com eles sobre as Escrituras, Paulo e os irmãos da igreja em
3 expondo e demonstrando que convinha Tessalônica. Depois de uma breve
que Cristo padecesse e ressuscitasse estadia naquela cidade, que foi
dos mortos. E este Jesus, que vos interrompida em virtude de uma
anuncio, dizia ele, é o Cristo. forte perseguição contra Paulo, o
4 E alguns deles creram e ajuntaram-se apóstolo precisou sair às pressas –
com Paulo e Silas; e também uma
praticamente numa fuga, realizada
grande multidão de gregos religiosos
e não poucas mulheres distintas. na calada da noite – para Bereia,
5 Mas os judeus desobedientes, movidos
em seguida para Atenas, e por fim
de inveja, tomaram consigo alguns para uma pousada mais longa em
homens perversos dentre os vadios, Corinto. Apesar da brevidade da
e, ajuntando o povo, alvoroçaram a permanência de Paulo entre os
cidade, e, assaltando a casa de Jasom, tessalonicenses, o seu coração
procuravam tirá-los para junto do povo.
aliançou-se com aqueles irmãos.
6 Porém, não os achando, trouxeram
Talvez o cuidado do apóstolo
Jasom e alguns irmãos à presença
dos magistrados da cidade, clamando: com os crentes em Tessalônica
Estes que têm alvoroçado o mundo envolvesse o caráter neófito da fé
chegaram também aqui, daquela comunidade. Para além de
7 os quais Jasom recolheu. Todos estes nossas conjecturas, o fato é que
procedem contra os decretos de César, Paulo demonstra, textualmente,
dizendo que há outro rei, Jesus. forte carinho e afeição por aquela
8 E alvoroçaram a multidão e os principais igreja com quem conviveu tão
da cidade, que ouviram estas coisas.
pouco tempo. É sobre relacio-
9 Tendo, porém, recebido satisfação de
namentos assim, que produzem
Jasom e dos demais, os soltaram.
edificação mútua, que refletiremos
10 E logo os irmãos enviaram de noite
Paulo e Silas a Bereia; e eles, chegando
durante todo este trimestre.
lá, foram à sinagoga dos judeus.

I-SOBRE RELACIONAMENTOS
QUE EDIFICAM
1. Quando nosso cuidado manifesta
o amor do Pai. Por que deveria Paulo
demonstrar tanta afeição por um grupo
de irmãos com quem conviveu tão pouco
tempo? Aquela não era uma igreja rica e
Paulo recebeu apoio financeiro de outra
igreja para evangelizar Tessalônica (Fp

JOVENS 5
4.16). A multidão dos que creram também tessalonicenses animaram Paulo para
não foi capaz de garantir a segurança que este escrevesse cartas àquela co-
física de Paulo e sua equipe (At 17.4,5). munidade (1 Ts 3.6). É claro que Paulo não
Diante destas condições contrárias, o que imaginou ao escrever estas correspondên-
poderia justificar tal atitude do apóstolo? cias: “Agora vou escrever um texto que se
Uma resposta adequada, ainda que muito tornará sagrado para todos aqueles que
abrangente, é o amor de Deus pelos servem a Cristo!”. Porém, não há dúvidas
tessalonicenses. Ou seja, a postura de sobre a canonicidade destes textos; eles
Paulo materializa o zelo do Senhor por são a inerrante e infalível Palavra de Deus
aquela jovem igreja, que mesmo sem historicamente reconhecidos pela Igreja.
muito destaque diante dos homens, Contudo, é a simplicidade do contexto de
era importantíssima para o Pai. Quando sua composição que nos salta aos olhos:
vivenciamos amizades num nível ade- as cartas de um amigo, um discipulador,
quado de maturidade cristã, tornamo-nos para seus amados irmãos que estão a
a manifestação encarnada do amor do quilômetros de distância, constituem-se
Senhor para com os outros. em inspirada instrução não apenas para
2. Quando nem a distância enfra- aquela comunidade, mas para toda a
quece um relacionamento. Paulo afirma cristandade. Que nossos relacionamentos
que desejou ir ter novamente com os sejam assim, tão genuínos, que nossas
tessalonicenses, mas uma série de cir- mensagens, postagens, compartilhamen-
cunstâncias, até aquele momento, impe- tos, sirvam sempre para a edificação de
dira o reencontro (1 Ts 2.17.18). Entretanto, quem nós amamos.
não era a distância ou a ausência física
que faria aquela relação deteriorar-se; Pense!
numa época de enormes dificuldades Na maioria das vezes o modo como
para comunicação à distância, o apóstolo falamos é tão importante quanto
à maneira como agimos. Um
testificou que o seu coração estava com
tratamento amável proporciona
os tessalonicenses e que eles eram um grandes chances de que nossa
dos motivos da sua alegria diante do Se- mensagem atinja seu objetivo.
nhor (1 Ts 2.19,20). Pelo exemplo de Paulo Anunciar o amor por meio do ódio
e dos tessalonicenses percebemos que é simplesmente impossível. O
a qualidade de nossos relacionamentos Evangelho precisa ser apresentado
embebecido na graça.
está associada diretamente ao valor que
damos a cada pessoa, pelo que ela é, e
não, necessariamente, pela quantidade
Ponto Importante
Na sociedade da comunicação,
de tempo que passamos ao seu lado. Em onde escrevemos e falamos o
um tempo de comunicação instantânea tempo todo, será que nossos
à distância, vamos ficar atentos para não relacionamentos são de fato tão
tratarmos com mais carinho nossos te- edificantes que uma simples men-
sagem eletrônica, que enviamos
lefones do que nossos amigos.
para alguém, pode tornar-se um
3. Quando uma correspondência meio de comunicação da vontade
amorosa torna-se Palavra de Deus. As de Deus para aqueles que preci-
notícias que Timóteo trouxe sobre os sam ouvir a voz do Senhor?

6 JOVENS
II- PRIMEIRA CARTA AOS TESSA- de Paulo quanto à paradosis (tradições
LONICENSES judaicas) para aquela jovem comunidade.
1. A mais antiga das cartas paulinas. É Logo em seguida há uma seção dedicada
um consenso entre os especialistas que a uma série de exortações práticas. O
1 Tessalonicenses, por ter sido redigida texto finaliza-se com uma orientação para
em Corinto durante a segunda viagem leitura coletiva da correspondência – daí
missionária por volta dos anos 50/51 d.C., é o caráter epistolar desta obra paulina –, e
o mais antigo texto de Paulo registrado na com uma palavra de despedida.
Bíblia. Na verdade esta epístola seria a mais 3. Uma escrita pastoral. Um dos as-
antiga obra do Novo Testamento. Este fato pectos mais destacáveis desta epístola
deve levar-nos a compreender que uma paulina é o tipo de linguagem utilizada
leitura mais cuidadosa da Primeira Carta pelo apóstolo. Não encontramos neste
aos Tessalonicenses nos revelará não só texto uma rigidez cerimonial ou mesmo
o pensamento paulino em sua estrutura um distanciamento formal; este texto é
mais original, mas também questões e uma típica correspondência pastoral. 1
demandas – teológicas e sociais – que Tessalonicenses trata-se de uma carta
preocupavam as comunidades cristãs do redigida por um pastor amoroso e atento
primeiro século. Deste modo o contexto a uma comunidade de novos convertidos.
da redação desta Carta refere-se ao mo- Esta postura adotada por Paulo deve
mento histórico em que o apóstolo dos levar-nos a reavaliar constantemente
gentios está desenvolvendo suas grandes nossos procedimentos relacionais: de que
sistematizações doutrinárias, as quais se- modo trato às pessoas à minha volta? Sou
rão importantíssimas para o crescimento alguém que por meio de minhas ações
posterior de todo o Cristianismo. reflito o amor de Deus pela humanidade?
2. Sobre uma possível estrutura da Estes são alguns dos questionamentos
epístola. O texto inicia-se, como tradi- que devemos constantemente fazer-nos,
cionalmente Paulo faz em seus escri- tomando por base a vida de Cristo, e por
tos, com uma apresentação dele e de que não, também o tratamento de Paulo
sua equipe, seguida imediatamente de para com os tessalonicenses.
uma calorosa saudação pastoral. Após a
saudação, na primeira parte do texto, o Pense!
apóstolo concentra-se num testemunho Qual a relevância dos novos
convertidos para você? Você
de louvor pela vida dos tessalonicenses e
os vê como parte integrante da
de gratidão pela comunhão tão profunda comunidade ou simplesmente
que se desenvolveu entre ele, Paulo, e os como um grupo de pré-cristãos,
crentes em Tessalônica. Como não podia “quase-cristãos”?
ser diferente, neste momento da carta o
apóstolo fala de seus sentimentos para Ponto Importante
com aquela comunidade, e reconhece É necessário que nossos relaciona-
mentos sejam literalmente desen-
as virtudes e cuidados daqueles irmãos
volvidos na Igreja, isto é, que tenha-
para com ele e seu ministério. A segunda mos a capacidade de partir de um
grande divisão, que naturalmente apresen- momento inicial de estranhamento
ta-se no texto, engloba o esclarecimento para uma amizade verdadeira.

JOVENS 7
III- SEGUNDA CARTA AOS TES- partir da divulgação da Primeira Carta.
SALONICENSES Em termos gerais, pode-se dizer que
1. Sobre a autenticidade desta carta. enquanto na Primeira Epístola o autor
A partir do século XIX, uma série de teólo- anima os tessalonicenses diante das per-
gos colocou em cheque a autenticidade, seguições que sofrem/sofreram; neste
com especial modo a questão da autoria segundo texto o objetivo é preveni-los
paulina deste texto. Os argumentos e consolá-los quanto às perseguições
seriam que há consideráveis diferenças que virão.
entre a escatologia apresentada nas 3. Sobre o conteúdo desta epístola.
epístolas; o estilo, a estrutura e as pa- Menor que a primeira, 2 Tessalonicenses
lavras da Segunda Carta seriam muito pode ser subdividida em três grandes
similares ao da Primeira o que apontaria partes: O capítulo 1, no qual o apóstolo
para um plágio. Todavia, é necessário procura animar os irmãos que estão aflitos
notar que os mesmos argumentos diante da perseguição que os assola. Já
podem ser utilizados para demonstrar no capítulo 2, Paulo concentra-se numa
a autenticidade do texto: as mudanças discussão sobre escatologia, com o
na abordagem escatológica dão-se em objetivo de demonstrar que a vinda do
razão deste ser um ensinamento em série Senhor será precedida por uma série de
para uma mesma comunidade – não eventos que precisam ser discernidos
faria sentido simplesmente repetir as e compreendidos pela Igreja. Por fim,
mesmas ideias de uma carta para outra. no capítulo 3, o apóstolo oferece uma
A similaridade (estilística e vocabular) série de orientações para o bem-estar
deve ser percebida como algo natural da comunidade local e para seus rela-
para dois textos de um mesmo autor. cionamentos interpessoais.
Defendemos assim a autoria paulina e
a autenticidade da epístola. Pense!
2. Por que uma Segunda Carta? Ao Se considerarmos estes argu-
mentos como pertinentes para
assumirmos o caráter canônico do texto
a escrita da Segunda Carta, po-
de 2 Tessalonicenses surge uma questão demos notar o coração pastoral
central: qual o propósito desta Segunda de Paulo, que mesmo à distância,
Carta (escrita num curto espaço de tempo não deixava de preocupar-se
depois da primeira)? Uma resposta natu- com o bem-estar daqueles novos
convertidos em Tessalônica.
ral seria a forte ligação entre o apóstolo
e aqueles irmãos – acrescentado ainda o
fato de os tessalonicenses serem novos
Ponto Importante
A fragilidade dos argumentos
na fé em Cristo e estarem debaixo de geralmente apresentados como
forte perseguição (2 Ts 1.3-12). Outra pos- contrários à canonicidade de 2
sível resposta, tomando como referência Tessalonicenses é tão notória
a centralidade da temática escatológica que para desmontá-los não é
necessário apresentar nenhum
na Segunda Carta (2 Ts 2.1-17), seria o
contra-argumento, mas apenas
interesse do apóstolo em esclarecer reposicioná-los como teses
àquela jovem comunidade cristã, pon- favoráveis à autenticidade do
tos obscuros e dúvidas que surgiram a texto e da autoria de Paulo.

8 JOVENS
SUBSÍDIO 1 SUBSÍDIO 2

“Não há razão importante para duvidar “Ocasião e propósito de 2 Tessalo-


das palavras que iniciam 1 Tessaloni- nicenses
censes 1.1, esta epístola é certamente Esclarecer confusões a respeito da
um trabalho do apóstolo Paulo. O que segunda vinda de Cristo. Depois de
temos diante de nós é certamente ter enviado a sua primeira carta à
sua primeira contribuição ao Novo igreja de Tessalônica, Paulo recebeu
Testamento, que podemos datar de notícias adicionais sobre os crentes
aproximadamente 50 ou 51 a.C. dali. Eles estavam enfrentando intensa
Paulo está escrevendo acerca de sua perseguição e grandes aflições, mas,
breve estada em Atenas (1 Ts 3.1; cf. apesar dos seus problemas, perse-
At 17.16-34), ou mais provavelmente veravam na fé. Alguns, no entanto,
sobre sua próxima e prolongada via- estavam afirmando que Jesus já teria
gem missionária a Corinto (At 18.1-18). retornado. Estes crentes podiam ter
É um grupo pioneiro de crentes em entendido mal a afirmação que Paulo
Tessalônica que receberá essa imi- fez, de que a volta de Cristo seria tão
nente carta. Tessalônica, a ostentosa inesperada como a vinda de um ladrão
capital da Macedônia, um porto no no meio da noite (1 Ts 5.1-3). Ou talvez
Mar Egeu, situava-se na principal via eles tivessem recebido outra carta que,
leste-oeste do Império Romano — a afirmando ser de Paulo, simplesmente
Via Egnatia. Sua população relati- declarava que Cristo já teria retornado
vamente grande, cerca de 200.000 (2.2,3). Estes rumores, juntamente com
habitantes, incluía um grupo de judeu a perseguição, estavam dividindo e
suficientemente grande para apoiar a enfraquecendo a jovem igreja. Pen-
sinagoga que viria a ser o ponto inicial sando que já estavam nos últimos
da pregação de Paulo na cidade. dias, alguns crentes recusavam-se a
trabalhar (compare 1 Tessalonicenses
O ministério de Paulo em Tessalônica
5.14 com 2 Tessalonicenses 3.11,12).
é reconhecido pela orquestração di-
Paulo percebeu que tinha que escrever
vina. Devia ser muito mais do que um
uma segunda carta, para dissipar os
simples povoado no itinerário de um
rumores e para orientar a jovem igreja.
ministério ocupado. Antes de passar-
Em resumo, esta carta revela o cora-
mos à ocasião precisa da epístola, um
ção de um pastor preocupado. Paulo
cronograma de eventos foi elaborado
não queria que nenhum falso ensino
para facilitar a compreensão da visita
afastasse seus novos convertidos da
de Paulo” (ARRINGTON, French L;
fé cristã. Eles já tinham sofrido muito
ARRINGTON e STRONSTAD, Roger
por Cristo, para serem desviados por
(Ed). Comentário Bíblico Pentecostal.
mexericos de gente ociosa” (Comen-
1 Tessalonicenses. 4.ed. Rio de Janeiro:
tário do Novo Testamento Aplicação
CPAD, 2006. p. 1363).
Pessoal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD,
2010. pp. 458,459).

JOVENS 9
ESTANTE DO PROFESSOR
RENOVATO, Elinaldo de Lima. 1 e 2 Tessalonicenses.
1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

ANOTAÇÕES

CONCLUSÃO
O estudo sistemático da Bíblia nos traz inúmeros benefícios; talvez um
dos mais relevantes é a percepção de que os princípios que nortearam a
obra de Deus no início da Igreja ainda são praticáveis hoje. As estratégias
e os mecanismos podem mudar para dialogar com a sociedade atual, mas
nossos princípios – dentre eles o amor, cuidado e respeito com o outro –
são simplesmente inegociáveis.

HORA DA REVISÃO
1. Em que contexto do ministério do apóstolo Paulo ocorreu a fundação da igreja
em Tessalônica?
Durante a segunda viagem missionária de Paulo, após a prisão em Filipos,
momento em que o apóstolo seguia uma visão de Deus.
2. Segundo podemos observar no livro de Atos, e especialmente nas suas epístolas escritas
aos tessalonicenses, como era o relacionamento entre o apóstolo Paulo e aquela igreja?
Era muito afetuoso, cheio de atenção, cuidado e respeito mútuo.
3. Que argumentos são apresentados para tentar descredenciar 2 Tessalonicenses
como um texto paulino os quais podem, na verdade, ser utilizados exatamente
para demonstrar a autenticidade deste texto?
Diferenças entre a escatologia apresentada nas epístolas; o estilo, a estrutura
e as palavras da segunda carta seriam muito similares ao da primeira.
4. De que modo a relação entre Paulo e os irmãos em Tessalônica pode inspirar
nossos relacionamentos enquanto cristãos?
Através do cuidado pastoral de Paulo, do amor dos crentes Tessalonicenses,
da fé corajosa daqueles irmãos.
5. É possível utilizar nossas mensagens, e-mails e posts como instrumentos para
anúncio das verdades do Reino? Como? Justifique sua resposta.
Sim, por meio de uma compreensão de que tudo o que nós fazemos deve ser
para a glória de Deus.
2
LIÇÃO

08/04/2018

A ALEGRIA PELA NOVA


VIDA www.escola-ebd.com.br
EM CRISTO
AGENDA DE LEITURA
TEXTO DO DIA SEGUNDA – 1 Co 13.13
“Lembrando-nos, sem cessar,
da obra da vossa fé, do tra- As três virtudes cristãs
balho do amor e da paciência TERÇA – 2 Co 5.17
da esperança em nosso Senhor
A nova vida em Cristo
Jesus Cristo, diante de nosso
Deus e Pai.” (1 Ts 1.3) QUARTA – Jo 15.13
O amor maior
QUINTA – 1 Ts 2.19
Nossos relacionamentos devem
SÍNTESE
ser causa de nossa alegria
A nova experiência de vida dos
tessalonicenses está inti- SEXTA – 1 Co 2.4
mamente ligada a uma forte A palavra que salva
comunhão com Deus, mas
também um amor espontâneo SÁBADO – Rm 8.1
entre eles e Paulo. Como vivem os que estão
em Cristo

JOVENS 11
OBJETIVOS
1. REFLETIR a respeito dos benefícios de uma liderança
afetuosa;
2. APRESENTAR as características da igreja em Tessalônica;
3. DISCUTIR a respeito da nova vida em Cristo e suas
características.

INTERAÇÃO
A lição de hoje tratará a respeito do relacionamento
de um experiente líder cristão com uma comunidade
de novos convertidos. Como percebemos por meio da
leitura das cartas à igreja em Tessalônica, em momento
algum Paulo desprezou as aflições que inquietavam
aqueles cristãos apesar de, em alguns casos, serem
questões muito triviais com relação à fé. Esta postura do
apóstolo deve-nos ser inspiradora. Paulo serviu aquela
igreja, apesar de – segundo uma lógica humana – ele ter
o direito de solicitar aos crentes daquela comunidade
que o sustentasse, inclusive financeiramente. A oportu-
nidade que o Senhor nos concede de servir aos jovens de
nossas igrejas não pode ser encarada como um fardo ou
mesmo um ministério menor, mas como um chamado
para servir àqueles que hoje precisam muito de nosso
apoio, misericórdia e atenção.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Proponha um estudo de caso aos seus alunos. Crie uma
situação de conflito, envolvendo a relação entre um
líder e seus liderados, que exija uma tomada de decisão.
Você pode criar todo um contexto, narrando a situação
imaginária ou entregando as informações por escrito.
O objetivo deste tipo de atividade é desafiar os alunos a
apresentarem respostas aos problemas com o máximo
de empatia possível, isto é, colocando-se no lugar do
outro, tanto do líder como dos liderados. Dependendo
do tamanho de sua sala de aula podem ser criados dois
grupos onde, após a discussão em separado, cada grupo
apresentará suas respostas, as quais serão analisadas e
avaliadas pelos membros do outro grupo (havendo apenas
uma equipe, caberá ao professor o papel de avaliação
e crítica). Após o debate, sempre faça uma conclusão,
chamando os participantes mais uma vez à reflexão
a respeito dos desafios que se impõe, por exemplo, na
liderança de novos convertidos na Igreja hoje.
TEXTO BÍBLICO COMENTÁRIO

1 Tessalonicenses 1.2-10
2 Sempre damos graças a Deus por vós INTRODUÇÃO
todos, fazendo menção de vós em
nossas orações,
Logo no início de sua primeira
3 lembrando-nos, sem cessar, da obra
Epístola aos Tessalonicenses,
da vossa fé, do trabalho do amor e Paulo preocupa-se em tornar
da paciência da esperança em nosso claro àqueles irmãos seu cui -
Senhor Jesus Cristo, diante de nosso dado e amor por eles. Como
Deus e Pai, demonstrará o apóstolo, estes
4 sabendo, amados irmãos, que a vossa sentimentos tinham uma dupla
eleição é de Deus;
origem: em primeiro lugar, natu-
5 porque o nosso evangelho não foi a vós
ralmente, brotavam do coração
somente em palavras, mas também em
poder, e no Espírito Santo, e em muita do Pai – de onde deriva toda e
certeza, como bem sabeis quais fomos qualquer experiência de amor
entre vós, por amor de vós. verdadeiro que vivenciamos. Em
6 E vós fostes feitos nossos imitadores segundo lugar, mas não menos
e do Senhor, recebendo a palavra em importante, a afeição daquele
muita tribulação, com gozo do Espírito
pastor por aquele grupo de no-
Santo.
vos convertidos era resultado da
7 de maneira que fostes exemplo para
todos os fiéis na Macedônia e Acaia.
nobreza espiritual destes.
8 Porque por vós soou a palavra do É necessário lembrarmos que
Senhor, não somente na Macedônia quando falamos da Igreja em
e Acaia, mas também em todos os Tessalônica estamos tratando
lugares a vossa fé para com Deus se
de uma comunidade que nasceu
espalhou, de tal maneira que já dela
não temos necessidade de falar coisa debaixo de forte perseguição, que
alguma; muito cedo ficou “órfã” de uma re-
9 porque eles mesmos anunciam de ferência espiritual e isto no meio
nós qual a entrada que tivemos para de uma sociedade hostil e avessa
convosco, e como dos ídolos vos con- aos valores cristãos. Entretanto,
vertestes a Deus, para servir ao Deus
a despeito deste conjunto de cir-
vivo e verdadeiro
cunstâncias contrárias, a Igreja em
10 e esperar dos céus a seu Filho, a quem
ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, Tessalônica floresceu. Os irmãos
que nos livra da ira futura. daquela cidade abandonaram suas
tradições idólatras e propuse -
ram-se a viver a radicalidade do
Evangelho em sua versão literal;
aspirando, com muita singeleza
A despeito de um conjunto
de coração, o Dia do Senhor.
de circunstâncias
contrárias, a Igreja em
Tessalônica floresceu.

JOVENS 13
I- PAULO E OS TESSALONICEN- de dores e problemas? Entre Paulo e
SES: UM LÍDER E SEUS AMIGOS os tessalonicenses essa questão estava
1. Um líder que pode chamar seus muito clara: a alegria que aqueles irmãos
liderados de amigos. A experiência de traziam a Paulo não era pelo que eles
Paulo em Tessalônica aponta para um tinham, mas por aquilo que eles eram. E
modelo bíblico de relacionamentos; o o que eles eram? Amados de Deus e de
apóstolo não é só um pastor que tem Paulo. Grande parte dos relacionamentos
amigos (algo raro atualmente), mas que na atualidade vem desgastando-se em
seus amigos são os membros da comuni- virtude de expectativas erradas; não
dade que ele lidera. Paulo não se coloca devemos aproximarmo-nos dos outros
em outro nível, acima dos outros, quase em vista de benefícios ou interesses
como um super-herói; pelo contrário, pessoais, mas antes nossa alegria deve
o apóstolo trata os Tessalonicenses ser o privilégio de conviver com pessoas,
como amigos queridos, pessoas com principalmente com aquelas cujo coração
as quais ele não queria manter apenas já foi transformado pelo amor do Pai (Fp
uma relação institucional, e sim uma 4.1). Devemos alegrar-nos por pessoas,
amizade mutuamente edificante. Não nunca por bens materiais ou instituições.
eram apenas os crentes daquela igreja 3. Uma amizade que tem como fun-
que eram edificados pelos ensinamentos damento Cristo. Só há uma razão para
e ministério do apóstolo, mas o próprio explicar o tipo de amizade edificante
Paulo, através da vida daqueles irmãos que surgiu a partir do encontro entre
declarava-se abençoado e edificado. Paulo e a comunidade em Tessalônica:
2. Paulo um líder que se alegrava Cristo! Ora, como pessoas de locais
através da vida dos irmãos. Seus rela- diferentes, com uma formação cultural
cionamentos trazem-lhe alegria, paz e diversa, que permaneceram próximas
edificação, ou, ao contrário, são fonte durante um curto espaço de tempo
conseguem desenvolver
um relacionamento tão
sólido, se não através da
graça de Cristo, que as
faz perceber umas às
outras como impor-
tantes e especiais (Rm
12.5;1 Co 12.25)? Todas
estas convulsões so-
ciais que vivenciamos
hoje: intolerância, xe-
nofobia, discriminação,
são resultado de uma
compreensão erra-
da do amor de Cristo
em relação ao próxi-
mo, a qual ao invés

14 JOVENS
de perceber o outro como o próximo, Paulo em 1 Tessalonicenses 1.3. Não é de
compreende-o como o estranho, o uma fé morta, estática, apática de que
diferente, o inimigo. Somente o poder fala o apóstolo, mas de uma vivência
de Jesus em nossos corações é capaz dinâmica, viva e transformadora.
de redirecionar nossos relacionamentos 2. Amor abnegado. Os tessalonicen-
para retornarmos ao plano original do ses receberam a verdade do Evangelho
Pai para a humanidade. Acreditemos no na convicção de que não era mais para
poder do amor, o qual é capaz de causar si que eles deveriam viver, e sim para
uma transformação no mundo (Jo 13.35). Cristo e para o serviço do outro (1 Ts
4.9,10,12). Não há amor egoísta; se é amor,
Pense! necessariamente é altruísta. Uma postura
Será que você se permite desen- que pensa apenas em si, que procura
volver relacionamentos sadios
exclusivamente o autobenefício, jamais
com os membros de sua igreja?
Em alguns casos, infelizmente, poderá ser denominada de amor; talvez
muitos jovens parecem solitários, seja ganância, inveja, cobiça; o amor, no
isolados e arredios a amizades; entanto, é capaz de vivenciar perdas
que o paradigma dos tessaloni- para garantir o bem-estar do outro (1 Co
censes frutifique entre nós.
13.4). Os irmãos desta comunidade foram
capazes de vencer o ódio por meio do
Ponto Importante amor, a traição através do perdão (1 Co
Percebemos que não eram apenas
os tessalonicenses que eram 13.6-9). As relações em nossas igrejas
ricamente abençoados nesse devem ser constituídas naturalmente,
relacionamento, mas o próprio sem estratégias artificiais, promotoras de
Paulo faz questão de reconhecer ilusões para ambas as partes. O amor não
o quanto sua vida era tocada e
engana, mas antes, trata com verdade.
animada por Deus através dos
amáveis irmãos em Tessalônica. 3. Esperança que não é ansiosa. A
convicção de que nada deste mundo é
II- QUAIS AS CARACTERÍSTICAS permanente, e que, no entanto, é para
DESTA IGREJA QUE PAULO AMA? a eternidade que caminhamos, não nos
1. Fé operosa. A experiência salvífica isenta de nossas responsabilidades
dos tessalonicenses não foi algo circuns- imediatas, como por exemplo, o trabalho
crito ao campo teórico, a um evento que (2 Ts 3.10-12). Há pessoas que diante da
envolvia elementos meramente abstratos. notícia de uma mudança, não conseguem
Ao contrário, o impacto da presença do pensar ou fazer mais nada, paralisam suas
Evangelho naquela comunidade produ- vidas, tornam-se improdutívas e inúteis,
ziu mudanças visíveis, constatáveis por aprisionadas pela expectativa do novo
qualquer indivíduo, pois conduziu os ou diferente. A esperança que tomava
tessalonicenses a uma salvação não-e- os corações daqueles irmãos tinha um
goísta, mas ao contrário, uma experiência fundamento sólido: Jesus Cristo (1 Ts 5.8).
de doação e comprometimento em Tudo aquilo que realizamos, segundo
fazer um mundo melhor para si e para a orientação do Salvador, certamente
os outros (1 Ts 1.7,8). Esta pode ser uma será próspero. A ansiedade é resultado
compreensão da expressão utilizada por de uma fé que não se estabeleceu em

JOVENS 15
Cristo, mas nas riquezas, poderes ou incapazes de construir qualquer realidade
influências dos homens. Nossa confiança para além da ilusão (1 Co 2.4). Somente
no futuro, contudo, deriva da fé na obra a genuína Palavra, que anuncia tanto a
realizada amorosamente na cruz do morte sacrifical quanto o retorno triunfal
Calvário (1 Ts 2.19). de Cristo, é poderosa para ressignificar
toda história de vida de uma pessoa (1 Ts
Pense! 1.5). Não foi uma estratégia ou método
Nossa sociedade necessita para crescimento de igrejas que fez a di-
urgentemente de pessoas que ferença na vida dos tessalonicenses, mas
retomem o princípio do amor
apenas a pregação do Evangelho puro e
divino.
simples. Em tempos como os nossos, o
caminho para um crescimento saudável
Ponto Importante
Nossa fé dever ser operosa, não da Igreja é retornar aos padrões bíblicos
por nós mesmos, mas em função do Novo Testamento apresentados aqui
do fluir do ser de Deus para em 1 Tessalonicenses: pregação avivada,
nossas vidas. testemunho individual eloquente, oração
e liberdade para operação do Espírito
III- A NOVA VIDA EM CRISTO E Santo (1 T 5.17,19).
SEUS EFEITOS 3. A nova vida exclusiva para Cristo.
1. A transformação que não se pode Não há acordo entre o Senhor Jesus e as
esconder. O testemunho de Paulo sobre entidades da maldade (Mt 6.24). A postura
os tessalonicenses é forte. Entretanto, dos tessalonicenses foi muito corajosa;
este não era o ponto de vista isolado abandonar radicalmente as divindades
de um amoroso pastor; as igrejas cir- vigentes de sua comunidade significava
cunvizinhas (1 Ts 1.7) e a população pagã romper com todo o quadro cultural em
da região também eram testemunhas que eles estavam inseridos. Reconhecer
de que a salvação em Cristo mudou como falsos deuses aqueles que até
radicalmente a postura dos irmãos em pouco tempo eram seus patronos sociais
Tessalônica (1 Ts 1.8). Ora, foi o próprio exige muita convicção. Existem mudanças
Jesus que anunciou a impossibilidade processuais, libertações lentas, antigas
de se esconder os resultados da bên- práticas culturais arraigadas que exigem
ção de Deus na vida daqueles que o tempo para ser abandonadas; contudo,
reconhecem como SENHOR (Mt 5.14). O com relação à adoração ao verdadeiro
impacto do poder da salvação na vida Deus não existem negociações (1 Rs 18.21).
de uma pessoa, ou neste caso, de uma Nada pode estar acima de nossa relação
comunidade inteira, é incalculável; não com Cristo. Há, na contemporaneidade,
se pode mensurar o quanto de mudança, um esforço contínuo, da mentalidade que
e em que áreas e níveis, tal encontro é rege o mundo, na direção de adequar
capaz de repercutir (2 Co 5.17). práticas sociais reprováveis ao contexto
2. A causa da nova vida. Sistemas da aceitação cristã. Assim como os tes-
religiosos não libertam pessoas. Frases salonicenses, todavia, não devemos abrir
de efeito e palavras de ordem podem até mão de nenhum dos princípios revelados
possuir algum poder retórico, mas são por Cristo.

16 JOVENS
SUBSÍDIO 1 SUBSÍDIO 2

“A ação de graças de Paulo, sempre “Sabendo... que a vossa eleição é de


damos graças a Deus por vós todos Deus; porque o nosso evangelho não
(v.2) é mais que forma educada usada foi a vós somente em palavras, mas
comumente em carta convencional também em poder (1 Ts 1.4,5). Paulo
escrita naqueles dias. Ela ilustra a notou que as qualidades cristãs inte-
relação afetuosa e pessoal do após- riores acham expressão na maneira
tolo com os seus convertidos, e um como o crente vive a sua vida. Agora
intenso sentimento de alegria e soli- ele apresenta um aspecto semelhante.
citude. Esta passagem é testemunho O Evangelho vem como palavras, mas
vívido da igreja missionária primitiva, não simplesmente com palavras. O
mostrando como a força totalmente Espírito Santo infunde estas palavras
transformadora do evangelho se com poder, e os dois têm um impacto
comportava em ambiente pagão. [...] visível. Nessa passagem do Evangelho,
As evidências externas dos valores os termos ‘foi’ (1.5), ‘recebendo’ (1.6),
cristãos interiores e eternos têm de e então ‘soou’ (1.8) vieram daqueles
aparecer na vida diária destes con- que foram tão poderosamente afe-
vertidos: as atividades transformadas, tados por aqueles que se tornaram
a labuta amorosa, a resistência sob ‘nossos imitadores e do Senhor’ (1.6).
pressão. Inversamente, a eficácia Eles mesmos anunciam... como dos
surpreendente do testemunho (6-10) ídolos vos convertestes a Deus, para
só pode ser explicada pela efusão servir ao Deus vivo e verdadeiro (1.9). A
de qualidades divinamente implan- mensagem do Evangelho foca a nossa
tadas. A verdadeira fé se mostra por atenção em Cristo e na salvação que
obras correspondentes; mas meras Deus nos oferece nEle. Os primeiros
‘boas obras’ que não emanem da fé evangelistas cristãos não acatavam a
carecerão de frutificação espiritual; idolatria, mas apresentavam a Jesus.
o amor divinamente implantado fará A decisão de converter-se a Deus
surgir ações vigorosas de grande era crítica; a decisão de rejeitar a
custo; motivos menores que estes idolatria era uma consequência. Às
fracassarão sob prova. A esperança vezes perdemos de vista essa ordem
cristã manterá os homens firmes sob de conversão. A salvação não é uma
tensão; o mero idealismo humano questão de converter-se do álcool a
esfacela-se sob pressão (cf. Cl 1.4,5; Deus. É uma questão de se converter
Hb 10.22-24; 1 Pe 1.21,22; Ap 2.2-4)” a Deus (e então) abandonar o álcool”
(Comentário Bíblico Beacon. 1.ed. Vol. (RICHARDS, Lawrence O. Comentário
9, Gálatas a Filemom. Rio de Janeiro: Histórico-Cultural do Novo Testa-
CPAD, 2006. pp. 360,361). mento. 7.ed. Rio de Janeiro: CPAD,
2012. p. 455).

JOVENS 17
ESTANTE DO PROFESSOR
Teologia Sistemática Pentecostal.
1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

ANOTAÇÕES

CONCLUSÃO
Os acontecimentos maravilhosos que envolveram os tessalonicenses não
foram resultantes da ação humana, mas um ato gracioso do amor do Pai.
Porém, uma vez salvos, aqueles irmãos resolveram viver intensamente seu
chamado à salvação de modo que se tornaram modelo para as comunidades
a sua volta. O mais importante em nossa relação com Deus é o quanto
estamos dispostos a doar-nos a Ele, por seu Reino e filhos.

HORA DA REVISÃO
1. É normal que um líder tenha seus liderados como amigos?
Sim. Líderes verdadeiros são aqueles que acolhem amorosamente os que estão
ao seu lado.
2. Qual a importância de termos uma fé operosa?
Através deste tipo de fé podemos fazer grandes obras para Deus. Uma fé que
nada faz, não é fé verdadeira.
3. De que modo superaremos as ansiedades que caracterizam tão fortemente nossa
sociedade?
Através de uma fé que se centraliza em Cristo, e não em riquezas, poderes ou
glória humana.
4. Qual a importância do testemunho apresentado pelos tessalonicenses aos seus
contemporâneos?
Num contexto em que a pregação ao ar livre era perseguida, o testemunho era
o modo por excelência para anunciar Cristo.
5. Por que é impossível servir ao Senhor e outras divindades ao mesmo tempo?
Porque a adoração é uma decisão que implica exclusividade, ou seja, um coração
dedicado inteiramente ao Senhor.
3
LIÇÃO

15/04/2018

O FRUTO DE UM
TRABALHO ZELOSO
www.escola-ebd.com.br

AGENDA DE LEITURA
TEXTO DO DIA SEGUNDA – Gl 1.10
“Assim nós, sendo-vos tão afei- Quando Deus confirma o
çoados, de boa vontade qui- ministério de uma pessoa
séramos comunicar-vos, não
somente o evangelho de Deus, TERÇA – 1 Ts 2.11
mas ainda a nossa própria A Igreja como espaço de
alma; porquanto nos éreis edificação mútua
muito queridos.” (1 Ts 2.8)
QUARTA – At 20.24
O nível de doação exigido dos
que anunciam o Evangelho
SÍNTESE QUINTA – 1 Ts 2.3
O caráter de uma comunidade A integridade da mensagem
não se constrói de modo
repentino; é necessário um SEXTA – 2 Pe 2.3
forte investimento espiritual A denúncia contra os
– por meio de discipulado estelionatários da fé
eficiente e de testemunho SÁBADO – 2 Co 7.7
pessoal edificante.
A alegria do ministro fiel

JOVENS 19
OBJETIVOS
1. IDENTIFICAR o caráter de um ministro de Cristo;
2. DEMONSTRAR a relevância da Palavra de Deus numa
Igreja local;
3. APRESENTAR os objetivos de um ministério íntegro.

INTERAÇÃO
Paulo era um exemplo para aquela comunidade. Uma
das questões que se sobressai tanto na primeira como
na segunda epístola é o caráter do apóstolo, sua inte-
gridade, sinceridade e amabilidade. Sendo merecedor
de honra e privilégios entre os tessalonicenses – por
ser o orientador espiritual da comunidade, em virtude
do grande risco de morte que o apóstolo pessoalmente
enfrentou – este não usufruiu de nenhum benefício,
antes, trabalhou incessantemente para não ser “pesado”
a ninguém naquela localidade.
Nossas ocupações, nosso trabalho, não podem ser utili-
zados como desculpas para algum tipo de prejuízo à obra
de Deus. É necessário que sigamos o inspirador exemplo
de Paulo, para que, fazendo o melhor para o Reino de
Deus, muitas vidas sejam alcançadas não apenas por
nossa pregação, mas também por nosso testemunho
enquanto fiéis discípulos de Cristo.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Uma sugestão para ser aplicada nesta lição é o uso de uma
metodologia denominada de “aquário” (em inglês fishbowl).
A metodologia desenvolve-se da seguinte maneira: As
cadeiras da classe são arrumadas em círculo. Ao centro
do círculo coloque cinco cadeiras (sendo que sempre
uma deve ficar livre). Quatro alunos são convidados a
sentarem no centro e iniciarem um debate a partir de uma
temática sugerida pelo professor. A qualquer momento
do debate, alguém da classe pode sentar-se na cadeira
vazia, com isso, necessariamente alguém que estava
sentado participando do debate deve retirar-se de modo
a sempre existir uma cadeira vazia para quem quiser
participar, e não permitir que o debate seja atrapalhado.
Um mesmo participante pode sair e retornar quantas
vezes quiser, o papel do professor é não permitir que
o debate acabe; assim este deve, sempre que possível,
sugerir novos temas, formular perguntas, demonstrar
falhas na argumentação de algum participante, etc.

20 JOVENS
TEXTO BÍBLICO COMENTÁRIO
1 Tessalonicense 2.1-12
1 Porque vós mesmos, irmãos, bem INTRODUÇÃO
sabeis que a nossa entrada para
convosco não foi vã; No capítulo dois de 1 Tessalonicen-
2 mas, havendo primeiro padecido e sido ses, Paulo apresenta-nos o para-
agravados em Filipos, como sabeis, digma do verdadeiro plantador de
tornamo-nos ousados em nosso Deus, Igrejas. Quais devem ser as moti-
para vos falar o evangelho de Deus vações daqueles que se envolvem
com grande combate.
no ministério de evangelização e
3 Porque a nossa exortação não foi
discipulado de novos cristãos? Por
com engano, nem com imundícia,
nem com fraudulência; vivermos em dias tão difíceis, somos
4 mas, como fomos aprovados de Deus
facilmente induzidos a imaginar que
para que o evangelho nos fosse con- apenas nós enfrentamos os desafios
fiado, assim falamos, não como para de conviver com falsos obreiros,
agradar aos homens, mas a Deus, que com indivíduos cujo objetivo é o
prova o nosso coração. estabelecimento de uma carreira
5 Porque, como bem sabeis, nunca profissional, e não a manifestação da
usamos de palavras lisonjeiras, nem
graça do Pai nesta geração. Todavia,
houve um pretexto de avareza; Deus
é testemunha; neste momento de sua Carta aos
6 E não buscamos glória dos homens,
tessalonicenses, ao fazer questão
nem de vós, nem de outros, ainda de destacar alguns aspectos de sua
que podíamos, como apóstolos de prática ministerial naquela comuni-
Cristo, ser-vos pesados; dade, o apóstolo acaba denunciando
7 antes, fomos brandos entre vós, como uma série de indivíduos, que já na
a ama que cria seus filhos. Igreja Primitiva, tinham a intenção
8 Assim nós, sendo-vos tão afeiçoados, de instituir feudos particulares ao
de boa vontade quiséramos comuni-
invés de militarem pelo Reino de
car-vos, não somente o evangelho de
Deus, mas ainda a nossa própria alma; Deus. Assim como os tessalonicen-
porquanto nos éreis muito queridos. ses, aprendamos com Paulo.
9 Porque bem vos lembrais, irmãos, do
nosso trabalho e fadiga; pois, traba-
lhando noite e dia, para não sermos I- O MINISTRO COMO AQUELE
pesados a nenhum de vós, vos pre- QUE SERVE
gamos o evangelho de Deus.
1. Aquele que cuida dos outros. O
10 Vós e Deus sois testemunhas de quão
vocacionado por Cristo possui um coração
santa, justa e irrepreensivelmente nos
houvemos para convosco, os que misericordioso, capaz de compreender
crestes. a realidade por meio da ótica da graça
11 Assim como bem sabeis de que modo e do cuidado. Enquanto a sociedade
vos exortávamos e consolávamos, a
atual apregoa o individualismo como
cada um de vós, como o pai a seus
filhos, forma padrão de relacionamento, o servo
12 para que vos conduzísseis dignamente de Cristo envolvido na evangelização,
para com Deus, que vos chama para discipulado e pastoreio experimenta a
o seu reino e glória. força do amor que se doa para outro;
e isto não é à toa, Jesus encarnou este

JOVENS 21
tipo de modelo relacional (Jo 10.26-30). de uma comunidade ou instituição para
Em Tessalônica, Paulo afirma cuidar da- garantir-lhe o sustento financeiro; ele
queles irmãos tanto como uma ama (1 Ts mesmo produzia os recursos para sua
2.7) – que mesmo sem nenhum vínculo manutenção (1 Ts 2. 6, 9). Deste modo, seus
biológico com as crianças de quem cuida, pedidos financeiros poderiam voltar-se
é responsável pela nutrição mais básica para o sustento das novas comunidades
como pelos carinhos –, como um pai (1 Ts fundadas (2 Co 8.1-5; 9.12). Esta opção
2.11) – cuja responsabilidade fundamental de vida certamente exige muito mais
é a formação do caráter dos filhos que daquele que realiza ações para o Reino,
lhe são dependentes. O apóstolo não entretanto o autoriza a exigir de todos à
procurava benefícios próprios, mas o sua volta uma postura similar (2 Ts 3.12).
desenvolvimento daqueles irmãos.
2. Aquele que serve mesmo com o Pense!
perigo de perder a vida. Desde o início, O privilégio de ser ministro do Rei-
no não está associado a prêmios
o ministério de Paulo entre os tessaloni-
ou reconhecimentos humanos que
censes envolveu um nível de compro- se podem receber de homens ou
metimento tal que, em várias ocasiões instituições. A maior honraria que
(1 Ts 2.2,15), o apóstolo testemunha que cabe ao cristão é ser achado digno
correu risco de vida. A radicalidade deste de continuar a obra iniciada por
tipo de vocação pode ser comparada à Jesus há dois mil anos.
chamada de nossos irmãos missionários
que atuam em países hostis ao Evangelho
Ponto Importante
O Brasil tem sido muito abençoado
hoje (Coreia do Norte, Irã, Vietnã, etc.). em função de jovens que, seguindo
Eles não têm suas vidas por preciosas uma visão de Deus, doaram-
(At 20.24), mas são capazes de enfrentar se completamente em favor
vários tipos e níveis de riscos para levar a do anúncio do Evangelho. Que
Palavra àqueles que ainda não ouviram essa chama evangelística volte a
acender no coração desta geração
as Boas Novas de paz (2 Co 11.23-26). O
para que os não alcançados
senso de serviço entre esses obreiros é possam ouvir de Cristo.
altíssimo; para eles a vida não faz sentido
se não é apresentada como oferta diária II- O COMPROMISSO COM A
diante do altar do Cordeiro de Deus. Este PALAVRA
nível de comprometimento com o Reino 1. A pregação como exposição da
de Deus está numa condição diametral- verdade. O ministério de Paulo entre os
mente oposta ao tipo de vida nababesca tessalonicenses foi bem-sucedido porque
e luxuosa que alguns optam e impõem o foco dele era o anúncio da Palavra;
sobre suas comunidades. entretanto, tal tarefa não estava funda-
3. Aquele que trabalha para não ser mentada em sabedoria humana (1 Ts 1.5),
pesado a ninguém. Esta talvez é uma das e sim no poder que é próprio da vontade
características sociais mais marcantes do de Deus (1 Ts 2.3,5). Os tessalonicenses
ministério de Paulo. Ele optou por um não foram envolvidos em estratégias de
estilo de vida despojado, a tal ponto que, retórica ou oratória, mas pelo poder do
na maioria do tempo, não necessitava Evangelho. Infelizmente na atualidade,

22 JOVENS
em muitas igrejas, perdeu-se a espe- Precisamos de maturidade para sermos
rança no poder da Palavra, em virtude capazes de rejeitar as falácias (2 Tm 4.4)
disso em muitas celebrações voltadas e acolher a voz do Senhor (1 Co 2.14,15).
para jovens a liturgia é preenchida com Como o caso da Igreja em Tessalônica
elementos dos mais diversos (shows nos demonstra, discernir a vontade de
de humor, MMA amador, muita música Deus tem relação direta com nossa inti-
dançante). Que tipo de Igreja teremos midade com Deus, e não com o tempo
daqui a alguns anos se os cristãos que que possuímos de fé.
a compõem não valorizam a Bíblia, nem
sequer a conhecem? Pense!
2. A necessidade de honrar a Deus e a As estratégias para anúncio do
sua Palavra. A quem preocupamo-nos em Evangelho podem ser diversas,
mas é necessário ter a consciência
agradar quando pregamos o Evangelho?
de que o conteúdo sempre tem
Paulo deixou bem claro àquela jovem que ser mais relevante do que a
igreja que seu compromisso estava em forma. A falência da Igreja é de-
agradar ao Pai, e não a eles (1 Ts 2.4). O cretada quando as pessoas a pro-
apóstolo não temia o que poderia aconte- curam não com sede da Palavra,
mas com fome de entretenimento.
cer quanto à reação dos tessalonicenses,
pois ele sabia que a aprovação de seu
ministério não vinha das pessoas, mas do
Ponto Importante
A aprovação coletiva nem
Deus que confirmara seu ministério (Gl sempre esteve do lado dos
1.10). Àquele que foi vocacionado por Deus profetas e ministros de Deus,
cabe o discernimento e a maturidade todavia, eles permaneceram
para permanecer firme em sua missão, firmes e inabaláveis. Cresçamos
mesmo quando todos e tudo levantam-se
continuamente em intimidade
com o Pai, para que em momentos
como oposição. Nestes dias trabalhosos
de adversidade tenhamos a
o Evangelho não é bem recebido por uma serenidade de que nossa chamada
geração incrédula e rebelde (Fp 2.15). é de Deus.
Contudo, devemos ter a convicção de
que não é a eles que buscamos agradar, III- OS OBJETIVOS DE UM MINIS-
mas ao SENHOR! TÉRIO ÍNTEGRO
3. O discernimento e a confiança dos 1. Colaborar para o desenvolvimento
tessalonicenses. No caso da comunidade de uma comunidade espiritualmente
dos tessalonicenses, apesar do pouco sadia. O zeloso trabalho de Paulo tinha
tempo de fé que estes possuíam, a Pa- um objetivo claro: colaborar no cresci-
lavra fluiu entre eles com naturalidade. mento espiritual dos tessalonicenses de
Um dos motivos de tal desenvolvimento tal forma que estes chegassem ao nível
do Evangelho nesta igreja foi o fato de os de intimidade desejado por Deus (1 Ts
cristãos ali terem recebido as palavras 2.12). O apóstolo, que naquele momento
de Paulo como Palavra de Deus (2 Ts histórico estava em forte atividade mis-
2.13). Numa sociedade cheia de vozes e sionária, não tinha qualquer intenção de
mecanismos de comunicação o discerni- beneficiar-se, de alguma forma, através da
mento é um dos dons mais importantes. vida daqueles irmãos; antes, a finalidade

JOVENS 23
de seus cuidados pastorais era exclusiva-
SUBSÍDIO
mente o bem-estar deles. Hoje, cada vez
mais, na igreja, precisamos de pessoas “Jesus
comprometidas com o crescimento e
O nome Jesus quer dizer ‘Deus salva’.
amadurecimento de outros.
Conforme Paulo anuncia aos tessa-
2. A edificação mútua. Um dos resul-
lonicenses: ‘Deus não nos destinou
tados mais destacáveis decorrentes do
para a ira, mas para a aquisição da
estabelecimento de um ministério sadio
salvação, por nosso Senhor Jesus
é a edificação mútua. É necessário reco-
Cristo’ (1 Ts 5.9). Em uma passagem
nhecer, apesar deste não ser o objetivo
anterior da epístola, ele refere-se a
prioritário da presença de Paulo entre
Jesus como aquEle ‘que nos livra da
os tessalonicenses, que o apóstolo foi
ira futura’ (1.10). Poucas vezes (há cerca
ricamente abençoado por meio da con-
de dez ocorrências nessa epístola),
vivência com aquela igreja (1 Ts 2.19,20). É
Paulo refere-se a Jesus sem usar
assim que o Reino de Deus manifesta-se
também o título ‘Cristo’ ou ‘Senhor’. Na
por meio de uma liderança abençoadora,
maioria dessas passagens, o assunto
todos são enriquecidos pelo poder de é a morte de Jesus (1 Ts 1.10; 4.14), um
Deus, tanto os que ministram como os lembrete da humanidade dEle e da
que são ministrados (2 Co 7.7; Fm 7). Nunca forma custosa com que Ele efetuou
devemos compreender a bênção de Deus a salvação (Rm 3.25,26).
de forma egoísta, na verdade, sempre que
Talvez a advertência de Paulo de
o Senhor abençoa-nos abundantemente,
que ‘ninguém que fala pelo Espírito
o seu objetivo é que sejamos capazes de
de Deus diz: Jesus é anátema’ (1 Co
compartilhar com os outros o muito que
12.3), seja um indício para entender a
Ele nos tem dado (2 Co 9.8).
passagem em discrepância com esse
3. Denunciar as ações do Maligno.
padrão. Talvez os falsos profetas que
É inevitável: a luz sempre desarticula
negavam a humanidade de Jesus
as trevas (Jo 12.46). Por mais que o foco
tenham feito uma denúncia desse
daquele que faz a obra de Deus com
tipo. A primeira heresia cristológica,
sinceridade não seja esse, mais cedo
o docetismo (de dokeõ, ‘parecer’ ou
ou mais tarde, as obras do Maligno
‘ter a aparência’), negava a humani-
acabam sendo reveladas através do
dade de Jesus com o argumento de
estabelecimento dos princípios do Reino
que Ele apenas parecia ser humano,
de Deus (At 26.18). Foi exatamente isto
mas, na verdade, não o era. O padrão
que ocorreu em Tessalônica (1 Ts 2.14-16);
das referências de Paulo a Jesus e
o anúncio do Evangelho foi seguido por
sua morte negam firmemente esse
uma onda de perseguição promovida por
tipo de ensino falso” (ZUCK, Roy B.
aqueles que, cheios de maldade, não
Teologia do Novo Testamento. 1.ed.
desejavam o desenvolvimento da obra
Rio de Janeiro: CPAD, 2008. p. 282).
de Deus naquela cidade. A integridade
do ministério de Paulo destacava-se,
positivamente, em meio a um contexto de
falsos pregadores e profetas de aluguel.

24 JOVENS
ESTANTE DO PROFESSOR
Guia Cristão de Leitura da Bíblia.
1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

ANOTAÇÕES

CONCLUSÃO
O bem-estar da jovem Igreja em Tessalônica não era fruto do acaso, como
vimos durante esta lição; o padrão paulino de implantar novas igrejas e de
discipular novos cristãos fez com que aquele grupo de irmãos, mesmo tendo
convivido pouco tempo com o apóstolo, tivesse um nível de espiritualidade
diferenciado. Nós, como igreja, na atualidade precisamos cada vez mais disso:
amor, integridade e responsabilidade.

HORA DA REVISÃO
1. Tomando como base a Primeira Epístola aos Tessalonicenses, cite três caracte-
rísticas de um ministério íntegro.
Dedicação, diligência e doação.
2. Que riscos a Igreja corre ao retirar a centralidade da Palavra de suas reuniões de
celebração?
Perde-se a centralidade de Cristo na adoração, e a liturgia torna-se puro en-
tretenimento.
3. Quais os efeitos em uma comunidade local de uma vocação ministerial cumprida
segundo a vontade de Deus?
Desenvolvimento espiritual, crescimento mútuo e denúncia das obras do mal.
4. Por que não devemos compreender a bênção de Deus em nossas vidas de modo
egoísta?
Sempre que o Senhor abençoa-nos abundantemente, o seu objetivo é que sejamos
capazes de compartilhar com os outros o muito que ele nos tem dado (2 Co 9.8).
5. De que modo as obras do Maligno são denunciadas quando assumimos uma
postura de espiritualidade madura?
Por meio dos princípios do Reino de Deus que se estabelecem e manifestam
as obras de Cristo.
4
LIÇÃO

22/04/2018

CONSERVANDO UMA
VIDA FRUTÍFERA
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AGENDA DE LEITURA
TEXTO DO DIA SEGUNDA – 1 Co 4.9-14
“Porque, agora, vivemos, Paulo e sua entrega à
se estais firmes no Senhor.” obra de Deus
(1 Ts 3.8) TERÇA – At 14.22
As tribulações não podem
nos impedir de entrar no
Reino de Deus
QUARTA – Mt 5.10-12
Os filhos do Reino serão
perseguidos
SÍNTESE QUINTA – Hb 12.14
Muito mais desafiador do Santidade como elemento
que plantar uma Igreja é indispensável
consolidá-la de tal forma que SEXTA – Ef 4.15,16
as pessoas permaneçam na Somente o amor produz um
vocação de Deus, mesmo di- crescimento saudável
ante de adversidades, perse-
SÁBADO – Rm 12.14
guições e frustrações.
Deve-se vencer o ódio com amor
OBJETIVOS
1. IDENTIFICAR as características de uma liderança
frutífera;
2. RECONHECER os desafios que a igreja em Tessalônica
superou para frutificar;
3. COMPREENDER o que é necessário fazer para frutificar.

INTERAÇÃO
A palavra-chave desta lição é ‘frutificação’. Diante desse
vocábulo, enquanto professores(as) devemos fazer a
seguinte pergunta: Qual o fruto do trabalho que estou
realizando para Deus? Por vivermos em uma sociedade
imediatista, muitas vezes nossos corações satisfazem-se
apenas com aquilo que se pode perceber com facilidade,
de modo muito evidente; entretanto, é necessário termos
a maturidade para acreditar que os resultados, especial-
mente aqueles de repercussão espiritual, estão para além
daquilo que os olhos podem ver. Deste modo, acredite,
seu ministério é muito importante, não apenas para um
grupo de jovens com quem você se reúne semanalmente,
mas também para sua igreja local, e ainda para o Reino de
Deus como um todo. São extraordinariamente positivas
as consequências do serviço de homens e mulher como
você que, com dedicação e zelo, empenham-se em fazer as
verdades da Bíblia Sagrada compreensíveis e relevantes
para nossa geração de jovens.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Uma excelente estratégia que você pode utilizar durante
suas aulas é a criação de “Grupos de Verbalização” (GV) e
“Grupos de Observação” (GO). A lógica de funcionamento
é simples, mas bastante dinâmica e participativa. No início
da aula divida os alunos em dois grupos GV e GO, depen-
dendo da quantidade de alunos. Uma vez separados os
participantes, os membros do GV sentam-se em círculo
próximos uns dos outros, enquanto os membros do GO
devem sentar-se em um círculo maior em volta do GV.
Você lança um tema para discussão do GV, que pode ser
uma questão levantada na lição ou outra que ele acha
conveniente, enquanto o GO analisa as falas dos membros
do outro grupo. Após um tempo adequado para debate, os
grupos trocam de função podendo aprofundar a questão em
debate ou iniciar a abordagem de outra questão. Ao final,
ressalte o quanto todos aprenderam uns com os outros.

JOVENS 27
TEXTO BÍBLICO COMENTÁRIO
1 Tessalonicenses 3.6-13
6 Vindo, porém, agora, Timóteo de vós INTRODUÇÃO
para nós e trazendo-nos boas novas
da vossa fé e amor e de como sem-
O amor verdadeiro dos tessalonicen-
pre tendes boa lembrança de nós, ses, associado à necessidade de uma
desejando muito ver-nos, como nós fuga repentina em virtude da forte
também a vós, perseguição que se levantou, deixaram
7 por esta razão, irmãos, ficamos conso- em suspenso o coração de Paulo quan-
lados acerca de vós, em toda a nossa to à permanência e consolidação da
aflição e necessidade, pela vossa fé,
fé dos novos cristãos daquela cidade.
8 porque, agora, vivemos, se estais firmes
De tal forma que, diante de um grande
no Senhor.
impedimento que se impôs com rela-
9 Porque que ação de graças poderemos
dar a Deus por vós, por todo o gozo
ção à sua ida pessoal a Tessalônica – o
com que nos regozijamos por vossa qual o próprio apóstolo considerava
causa diante do nosso Deus, uma ação diretamente promovida
10 orando abundantemente dia e noite, pelo Maligno (1 Ts 2.18) – Timóteo foi
para que possamos ver o vosso rosto enviado àquela igreja para de lá trazer
e supramos o que falta à vossa fé? notícias a Paulo. Quão grande não
11 Ora, o mesmo nosso Deus e Pai e nosso foi a alegria do apóstolo ao receber
Senhor Jesus Cristo encaminhem a de seu jovem auxiliar o relatório de
nossa viagem para vós.
viagem. Os tessalonicenses estavam
12 E o Senhor vos aumente e faça crescer
bem espiritualmente, usufruindo da
em amor uns para com os outros e
para com todos, como também nós profunda alegria que caracteriza a
para convosco; vida daqueles que vivenciam uma
13 para confortar o vosso coração, para experiência real de salvação. É sobre os
que sejais irrepreensíveis em santidade fatores que levaram os tessalonicenses
diante de nosso Deus e Pai, na vinda de a uma experiência de fé consolidada
nosso Senhor Jesus Cristo, com todos que refletiremos nesta aula.
os seus santos.

I- LIDERANÇA FRUTÍFERA, IGRE- reconhecido por sua juventude (1 Tm 4.12);


JA FRUTÍFERA um inexperiente obreiro em sua primeira
1. Paulo, um líder de líderes. Se há viagem missionária (At 17.14). Enquanto
uma característica peculiar do ministério alguém poderia ver tais adjetivos como
de Paulo que se pode destacar, esta é desqualificantes para a vocação de Ti-
a capacidade de perceber o potencial móteo, Paulo viu além, e compartilhou
de novos líderes. São tantos, cujas listas com o jovem obreiro suas experiências,
estão presentes em quase todas as conhecimentos e sonhos. A confiança
cartas que ele escreveu. Por isso, pen- do apóstolo era tamanha que, diante de
semos apenas no paradigmático caso sua impossibilidade de ir a Tessalônica,
de Timóteo. Oriundo de uma família de envia seu filho na fé – delegando-lhe
dupla tradição religiosa e cultural (At 16.1); autoridade para ensinar e exortar (1 Ts 3.2).

28 JOVENS
2. Paulo, um líder de coração pas- de tal modo nossos referenciais que não
toral. As palavras do apóstolo em 1 Tes- somos mais modelo para esta geração?
salonicenses 3.8 são, simultaneamente,
fortes e amorosas. Paulo não esconde Pense!
o sentimento de apaziguamento que Você tem orado para que Deus
as notícias de Timóteo trouxeram-lhe. levante homens como Paulo, in-
trépidos não apenas na pregação,
A vida ganha novos horizontes diante mas também em decisões que
da percepção de que a semente do dinamizem o Reino de Deus?
Evangelho entre os tessalonicenses
floresceu e que o testemunho deles já Ponto Importante
frutificava em outras cidades. Palavras O amor deve ser a lógica que
como estas à igreja em Tessalônica não fundamenta nossas relações; por
foram exceção na trajetória de Paulo; isso não importa quão pequena
ou limitada seja uma igreja, ela
outros textos como 1 Coríntios 4.9-14;
merece ser amada e abençoada.
Efésios 3.13; Gálatas 4.19, evidenciam o
comprometimento deste homem não II- UMA IGREJA QUE FRUTIFICOU
apenas com a vocação que possuía, 1. Apesar das tribulações. Proble-
mas com as pessoas que eram o obje- mas dos mais variados como já vimos,
tivo primário deste chamado. Este é um envolveram a fundação e continuação
dos motivos pelos quais aquela igreja do trabalho em Tessalônica (1 Ts 3.7).
prosperou espiritualmente, havia uma Mas isso não foi suficiente para barrar
visão de Deus, cumprida debaixo do o crescimento da obra de Deus. Não
mais abnegado e dadivoso amor. devemos esperar boas oportunidades
3. Paulo, um líder a ser imitado. brotarem do nada para nossas vidas
Atualmente ainda existem pessoas serem automaticamente transformadas;
para as quais podemos olhar e dizer: é necessário trabalho e fé. As tribula-
“Este irmão/irmã inspira-me a ser um ções que caracterizaram esse primeiro
cristão melhor!”. Muitos são aqueles momento da Igreja Primitiva não foram
que podemos literalmente imitar. Paulo, capazes de impedir o florescer do Reino
era uma dessas pessoas especiais (1 Co de Deus (At 14.22). Se assim aconteceu
4.16; 11.1). Para aqueles novos cristãos, com Jesus, nosso Mestre, e com os
foi natural tomar o apóstolo como um nossos primeiros irmãos, não podemos
ideal de cristão e de ministro. Hoje, ao esperar nada diferente no que diz respeito
invés de líderes que imponham sua a nós e nossa relação com a sociedade
vontade, necessitamos de homens e atual (Mt 10.24,25). Por isso devemos ter
mulheres de Deus que nos inspirem a convicção de que, apesar das várias
a ser melhores – não mais excelentes aflições no mundo, a vitória de Jesus já
que os outros, mas melhores que nós nos basta (Jo 16.33).
mesmos todos os dias. O imitar neste 2. Apesar da falta de um acompa-
caso não é irracional ou negativo, mas nhamento integral. Paulo era consciente
um movimento positivo, de entusiasmar de que sua distância com relação aque-
o povo. Será que hoje, somos padrão a les irmãos tinha, de certa forma, deixado
ser imitado pela sociedade, ou perdemos lacunas na formação cristã deles (1 Ts

JOVENS 29
3.10). Apesar desse fato, isto não foi
Pense!
um impedimento para que, em meio a Há pessoas, e até mesmo igrejas,
muitas limitações, os tessalonicenses que abortam prematuramente
procurassem desenvolver sua fé. É seus sonhos. Diante das primei-
claro que o ideal para a formação de ras intempéries e tribulações,
uma nova igreja sadia é um discipulado tendem a desistir daquilo que,
convictamente, sabem para que
completo, uma assistência absoluta,
foram chamados. Sejamos capa-
mas nem sempre isso é possível em zes de resolutamente lutar pelos
virtude de uma variável de questões. projetos que Deus, graciosamen-
Cabe então a um discipulador conscien- te, preparou para cada um de nós.
te de seus desafios investir no ensino
dos componentes mais fundamentais Ponto Importante
e indispensáveis da fé cristã (1 Pe 2.2). É necessário anunciarmos o
Evangelho. Mas saiba que como
Outras questões acessórias e secundá-
os valores do Reino colidem com
rias devem ser reservadas para outras a cosmovisão de nossa sociedade,
circunstâncias. As adversidades reais não muitas vezes, o embate vai se
devem impedir-nos de aspirar nossos tornar inevitável.
ideais apontados por Cristo.
3. Apesar das oposições. Havia, em III- O QUE FAZER PARA CONTI-
Tessalônica, uma forte oposição à men- NUAR FRUTIFICANDO?
sagem de Cristo (1 Ts 3.4,5) por parte de 1. Não abandonar a fé. Somente
um grupo de religiosos contrários a Paulo uma opção definitiva por viver da fé fez
e à sua pregação (1 Ts 2.14-16). Segundo com que os tessalonicenses pudessem
informa-nos o autor de Atos, o que movia continuar firmes em Cristo (1 Ts 3.6,7).
essas pessoas era a inveja em virtude Este é um princípio tão relevante para o
da expansão do Evangelho na cidade (At Cristianismo que a Bíblia o enuncia em
17.5). Esses então, uniram-se a um grupo quatro contextos diferentes (Hc 2.4; Rm
de desordeiros sociais e estabeleceram 1.17; Gl 3.11; Hb 10.38). Não são nossas
uma resistência declarada ao Cristia- constatações ou nossas certezas racionais
nismo que crescia entre a população. que nos fazem persistir no Evangelho,
Qual o resultado de toda essa oposição? mas antes, é nossa viva esperança no
Maior crescimento do Evangelho. Ser que nosso Deus nos fará, e a convicção
perseguido por amor ao Evangelho é de que não é por vista que vivemos,
uma prova de que o Reino de Deus é mas por fé. A grandiosidade de nossa fé
nosso (Mt 5.10-12); todas as vezes que encontra respaldo no amor e cuidado de
optamos por viver a profundidade do Deus que jamais falharão. O único modo
Cristianismo, acabamos por confrontar de continuarmos firmes e frutíferos no
valores e conceitos desta sociedade, a Reino de Deus é reconhecendo que nossa
qual, por vezes, nos rejeitará (2 Tm 3.12). segurança está no Senhor dos Exércitos.
Lembremos, não devemos ser nós a Não abandonemos a fé, antes, creiamos
hostilizar os outros, contudo, devemos na contínua atenção de Deus a nós.
ter a consciência de que nosso compro- 2. Assumir uma vida de santidade.
misso com Deus incomodará a muitos. Em meio a um contexto tão adverso e

30 JOVENS
conturbado, somente por meio de uma
SUBSÍDIO
vida de dedicação a Deus aquela comu-
nidade poderia crescer (1 Ts 3.13). O que “O desafio é tanto pessoal quanto
os adversários da jovem igreja queriam coletivo. Paulo está guiando a partir
era uma série de motivos e pretextos para da frente de batalha, mostrando, com
desacreditar a mensagem anunciada por sua dedicação pessoal e disposição
eles. Lembremos desse áureo princípio de sofrer, que Deus não é derrota-
do Cristianismo: a vida do mensageiro do pela oposição do ser humano
precisa condizer com o nível de mensa- nem pelas circunstâncias difíceis
gem que ele porta, se não, suas palavras deles. Mas a igreja, como um todo,
não passarão de hipocrisia e religiosidade também tem de ser um exemplo
vazia. Foi por isso que Cristo encarnou-se, de fidelidade e testemunho. Muitas
para demonstrar que a beleza da obra vezes, ela é a atividade conjunta de
do Pai não se encontra em discursos um grupo de cristãos que causa um
teóricos, mas numa existência redimida e grande impacto nos outros. Assim,
transformada. É imprescindível optarmos minha vida pessoal é um exemplo
por uma vida santa, sem a qual, nunca que encoraja os irmãos em Cristo
teremos a real compreensão de quem é e que mostra Jesus para o mundo?
Deus (Hb 12.14). Nossa vida na igreja é harmonio-
3. Insistir no amor. Não há crescimen- sa e dedicada a servir a Cristo em
to espiritual sem amor. Todo e qualquer palavras e obras? Hoje em dia não
tipo de “inchaço”, multiplicação numéri- está muito em voga pensar na volta
ca, não terá nenhum sentido se não for de Cristo — nem mesmo pensar na
mediado por um profundo e divino amor jornada através da morte que todos
(Ef 4.15,16). Paulo, conhecedor desta nós empreenderemos. A volta de Je-
verdade, tem uma oração em especial sus, no entanto, representa um foco
para com os tessalonicenses, o pedido para o ministério de Paulo e a vida
ao Pai é que eles cresçam em amor, no de muitos cristãos perseguidos ou
amor, pelo amor e para o amor (1 Ts 3.12). destituídos. Mas Paulo não oferece
Há um aspecto extremamente relevante uma promessa de esperança futura
nas palavras do apóstolo concernentes apenas para ajudar as pessoas a
ao crescimento em amor dos tessaloni- lidar com a angústia atual; é muito
censes: é que este amor não deve ser mais que isso. Ao manter o foco na
vivido apenas no interior da igreja, mas volta de Jesus, temos um objetivo,
também com todos os que habitam uma meta. Temos uma tarefa a fazer
naquela cidade. Somente uma pregação – ajudar a edificar o Reino de Deus
cheia do amor de Deus pode conduzir – em um período de tempo limitado
as pessoas a um encontro real com Ele. (e desconhecido)” (Guia Cristão de
É claro que não devemos confundir Leitura da Bíblia. 1.ed. Rio de Janeiro:
amor com permissividade, todavia, deve CPAD, 2013. p. 364).
ficar claro que o amor também é bem
diferente do ódio ou de um discurso
amaldiçoador (Rm 12.14).

JOVENS 31
ESTANTE DO PROFESSOR
Comentário do Novo Testamento Aplicação
Pessoal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

ANOTAÇÕES

CONCLUSÃO
Não é sobre uma fórmula mágica a ser repetida para multiplicação de igrejas.
Não se trata de uma suposta “revelação” divina sobre como o Reino de Deus
deve ser anunciado. A Carta de Paulo ao Tessalonicenses é um testemunho
histórico para o Cristianismo que, em tempos de oposição, aflições e fragili-
dade, somente por meio do verdadeiro amor a Igreja do Senhor Jesus poderá
viver plenamente a vontade do Pai.

HORA DA REVISÃO
1. Apresente e comente três características de Paulo como um líder.
Um líder que reconhece as qualidades dos liderados, um líder com coração
pastoral e um líder a ser imitado.
2. De que modo o ministério de Paulo pode inspirar os líderes atuais a trabalharem
com jovens e seus ministérios?
Resposta pessoal.
3. Que desafios a jovem igreja em Tessalônica enfrentou para permanecer firme
na vocação de Deus?
Tribulações internas, falta de acompanhamento pastoral integral, e persegui-
ções externas.
4. Quais as medidas tomadas pelos irmãos tessalonicenses para continuarem
frutificando espiritualmente?
Não abandonar a fé, assumir uma vida de santidade, insistir no amor.
5. Qual a relevância do amor em nosso serviço ao Reino de Deus?
Sem amor qualquer atividade na igreja torna-se mero ativismo religioso; o amor
demonstra a presença de Deus naquilo que fazemos.
5
LIÇÃO

29/04/2018

VIVENDO UMA
VIDA SANTA
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AGENDA DE LEITURA
TEXTO DO DIA SEGUNDA – Cl 3.17
“Portanto, quem despreza
Vivendo para a glória de Deus
isto não despreza ao homem,
mas, sim, a Deus, que nos deu TERÇA – 1 Co 6.19
também o seu Espírito Santo.” Reconhecer o corpo como templo
(1 Ts 4.8) de Deus
QUARTA – Jo 8.32
A verdade que liberta
QUINTA – Lv 25.17
SÍNTESE
Ninguém oprima o seu próximo
Deus nos convoca para uma
compreensão de santidade SEXTA – 1 Co 6.11
que transcende os cerimo- O Espírito nos santifica
niais religiosos e os rituais de SÁBADO – Mt 5.24
purificação humanos. A relação entre oferta, santidade,
adoração e comunhão

JOVENS 33
OBJETIVOS
1. CARACTERIZAR o tipo de comportamento que agrada
a Deus;
2. REFLETIR a respeito do imperativo bíblico acerca da
pureza sexual;
3. COMPREENDER que a santidade deve abranger todas
as áreas de nossa vida.

INTERAÇÃO
Esta é uma das lições mais desafiadoras deste trimestre,
pois estaremos falando a respeito de santidade e sexuali-
dade; dois temas sempre atuais, presentes constantemente
nas discussões entre os jovens, mas também cercado de
mitos e tabus. Caro professor(a), é em momentos como
este que sua experiência e sensibilidade devem fazer a
diferença, você conhece o perfil de sua turma, sabe as
questões mais pertinentes a serem abordadas, você é
capaz de reconhecer as lacunas que o comentário da
lição não conseguiu contemplar.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Para a dinâmica de hoje você vai precisar de uma folha
de sulfite de cor branca e outra de uma cor mais escura
(preta, cinza ou marrom). Inicie a aula fazendo a seguinte
indagação: “Como nos manter puro, íntegro, vivendo em
meio a uma sociedade idólatra, pagã e maligna?” Ouça os
alunos com atenção. Em seguida, pegue uma folha de papel
sulfite branca. Mostre a folha e diga que o crente precisa
viver neste mundo corrupto de forma íntegra, santa, e para
isso ele não pode abrir mão dos princípios da Palavra de
Deus. O crente precisa ser como uma folha em branco,
sem mancha, mácula ou ruga. Depois, passe cola na folha
toda em seguida cole a outra folha (cor preta). Diga que
quando acabamos por nos aculturar e viver segundo a
filosofia deste mundo ficamos unidos a ele. Como Igreja
do Senhor, temos que ir contra a maneira de pensar deste
mundo. Leia Romanos 12.2. Depois peça que um aluno,
sem rasgar a folha branca, tente separá-las. Mostre que
é impossível separar as folhas sem rasgá-las. Assim, é
impossível o crente viver segundo a filosofia deste mundo
e não se contaminar, nem se ferir ou ferir o seu próximo”
(Adaptado de BUENO, Telma. Boas Ideias para Professores
de Educação Cristã. 80 atividades do maternal a adultos.
1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2015. pp. 127,128).

34 JOVENS
I- A VIDA SANTA QUE AGRADA
TEXTO BÍBLICO
A DEUS
1 Tessalonicenses 4.1-4 1. Um modelo que é transmitido e
1 Finalmente, irmãos, vos rogamos e exor- compartilhado. A preocupação de Paulo
tamos no Senhor Jesus que, assim como
era que os tessalonicenses permaneces-
recebestes de nós, de que maneira convém
andar e agradar a Deus, assim andai, para sem no mesmo conjunto de princípios
que continueis a progredir cada vez mais; fundamentais que receberam no início
2 porque vós bem sabeis que mandamen- de sua fé, pois se eles assim fizessem,
tos vos temos dado pelo Senhor Jesus.
tudo permaneceria bem. Em tempos
3 Porque esta é a vontade de Deus, a
de fórmulas mágicas ou estratégias
vossa santificação: que vos abstenhais
da prostituição, mirabolantes, devemos nos fortalecer
4 que cada um de vós saiba possuir o na confiança de que o Evangelho que
seu vaso em santificação e honra, nos foi transmitido é verdade espiritual
suficiente para nossa edificação. Não ne-
COMENTÁRIO cessitamos de complementos ou novas
revelações (Gl 1.6-9). As boas-novas de
Cristo não são uma verdade complexa
INTRODUÇÃO
e de difícil compreensão que apenas
Depois de ter redigido a parte prin- alguns privilegiados terão a capacidade
cipal desta sua primeira carta, na de discerni-las; antes, é um fato simples
qual as temáticas centrais eram o
e de fácil assimilação: Deus nos ama de
louvor e a gratidão a Deus pela expe-
maneira incondicional. O Evangelho é
riência de salvação que desfrutavam
simples e descomplicado.
os tessalonicenses, Paulo passa
a fazer alguns esclarecimentos a 2. Vivendo para agradar a Deus. O
respeito de assuntos pontuais para objetivo de Paulo neste momento de sua
a vida dos irmãos daquela igreja. carta àquela comunidade era lembrar
O início desse novo momento da aos irmãos de que a finalidade de nossas
epístola é demarcado através da vidas não é atingir metas pessoais ou
primeira palavra de 1 Tessaloni- sonhos individuais, e sim, agradar a Deus
censes 4.1, que é traduzida por em tudo quanto fizermos. Ter uma vida
“finalmente”, “quanto ao mais”, “de santa é viver segundo o propósito do
resto”, “ademais”. O apóstolo parece
Senhor (2 Tm 1.9). Por isso não tenhamos
orientar os membros daquela jo-
receio de obedecer a Cristo, sabendo
vem igreja a respeito de algumas
dúvidas teológicas que eles pos- que tal opção de vida nos conduzirá
suíam e provavelmente a respeito à felicidade e à realização pessoal. A
de algumas questões práticas que manifestação do Reino de Deus em nós
Timóteo destacou em seu relató- é produtora de vida, libertação e alegria
rio de retorno a Paulo. Estudar as (Sl 16.8-11); certamente passaremos
inquietações dos tessalonicenses por desafios e lutas, mas nada, nem
torna-se muito relevante, espe- ninguém, terão o poder de destruir os
cialmente quando percebemos que fundamentos eternos que o Senhor já
estas ainda são muito pertinentes
estabeleceu em nossas vidas por meio
para a Igreja atual.
da salvação em Cristo Jesus (Rm 8.35-

JOVENS 35
39). Compreendamos que se viver é um
Ponto Importante
privilégio, viver em Cristo é a experiência Não devemos temer o que Deus
mais sublime que podemos vivenciar. preparou para nós; por mais desa-
3. Vida transbordante, vida em san- fiador e espantoso que seja, certa-
tidade. A presença do Senhor é recon- mente isto será sempre o melhor.
fortante e abençoadora para nós. Se há
uma metáfora bíblica que exemplifica II- O IMPERATIVO DA PUREZA
de maneira clara a vida cristã, esta é a SEXUAL
imagem do transbordamento. Analogias 1. A santificação como vontade de
que se referem a rios caudalosos em Deus. Não foi para uma vida de pecados
terras secas (Is 41.18); colheitas produti- que fomos vocacionados por Deus (1 Jo
vas em tempos de crise (Dt 28.8); pros- 3.8,9). Aqueles que são guiados pelos
peridade material (Sl 112.1-3). A medida valores decadentes do mundo não con-
de nossa alegria é a fartura (Sl 16.11), seguem aperceber-se da presença do
a porção do perdão que nos atinge é Senhor; veem apenas tragédias, dores
transbordante (Lc 6.38), o amor que nos e maldades. No nosso caso é diferente,
salva é incomensurável (Jo 3.16). Vida pois por meio da semente da santidade
cristã é sinônimo de vida santa, não há que brotou em nosso ser conseguimos
compatibilidade entre viver em Cristo ver Deus em tudo ao nosso redor: re-
e viver no pecado (Rm 6.1,2; 11-15). Por conhecemos as grandezas de Deus
isso a nossa experiência de fé é aquela na natureza (Sl 19.1); na transformação
que aponta para uma abundante graça ocorrida em nossas vidas percebemos a
(Rm 5.20). Não é possível estar cheio presença do Senhor (2 Co 3.18); em tudo
de Deus, e continuar carregando ainda o que existe, ao vivermos em santidade,
ódios, mágoas e ressentimentos. Esta somos capazes de reconhecer a glória
é a causa de algumas pessoas não ex- de Deus. Uma vez que Deus nos tornou
perimentarem a plenitude do Espírito, é santos devemos fazer de nossa vida um
preciso esvaziar-se de muita coisa antes. altar de louvor a Ele, de maneira que,
assim como o Sumo Sacerdote da Antiga
Pense! Aliança, todos quantos olharem para
Viva a simplicidade, viva Jesus nós lembrem-se do lema de nossa vida:
da forma mais intensa e amorosa
“SANTIDADE AO SENHOR!” (Êx 39.30).
possível!
2. Santificação que se exige de soltei-
ros e casados. Há em 1 Tessalonicenses
4.3-5 uma explícita e contundente exor-
tação paulina quanto a pureza sexual.
Não é possível estar Não nos concentraremos no debate a
cheio de Deus, e continuar respeito do que significa o termo vaso no
v. 4, pois o mais relevante é compreender
carregando ainda ódios,
que o Senhor conclama os seus filhos a
mágoas e ressentimentos. reconhecerem a sexualidade como um
componente tão sagrado do ser humano
quanto tudo o mais que nos envolve é.

36 JOVENS
Não há nada de profano ou pecamino- em nossos negócios (1 Ts 4.6). A corrup-
so no relacionamento sexual entre os ção é uma prática usual em nosso país;
casados. Lembre-se disso: seu corpo entretanto, nós temos de ser diferentes
é templo e morada do Espírito Santo (1 (Ml 3.18). Não podemos defender o lucro a
Co 3.16), não profane o templo de Deus, todo custo, a pirataria, o desvio de verba,
você! (1 Co 6.15-19; Hb 13.4). a balança injusta (Pv 11.1; Mq 2.2). Somos
3. Vivendo num nível diferente de um ser integral, logo, é impossível ter
espiritualidade. Se de fato nossa es- um padrão de santidade nos momentos
piritualidade é viva, é necessário que litúrgicos, isto é, na igreja, e não apre-
o padrão moral e comportamental do sentar um testemunho santo em nossa
povo de Deus não seja o mesmo da- vida fora do templo. Na verdade, fomos
quele que é adotado pelo mundo. Essa chamados para anunciar as verdades do
é a orientação de Paulo àquela jovem Reino aos que estão distantes de Deus,
comunidade (1 Ts 4.5). Aqueles que es- se, em virtude de um comportamento
tão cegos em seus delitos e pecados inadequado, não somos capazes de fazer
possuem uma maneira distorcida de isso, nosso cristianismo é falso e nossa
encarar aspectos essenciais da vida, fé morta (1 Co 8.9; Tg 2.17). É impossível
como a sexualidade, por exemplo, que ser cristão e não ser santo.
não condizem com nossa maneira de 2. Relacionamentos sadios. Não existe
compreender a realidade. Fomos vo- santidade na vida de quem promove vio-
cacionados à salvação para, através lência, injustiça e discórdia. Como alguém
de nosso testemunho, anunciarmos os pode declarar-se nascido de novo, mas
valores de um Reino superior, de cima, ser responsável pelo fim de um casamen-
do céu (Mt 5.13-16; Jo 3.31). to, pela promoção de inimizades entre
pessoas, por semear a contenda entre
Pense! irmãos? Isto é simplesmente impossível
Em tempos de decadência espi- (Pv 6.16-19). Deus nos chamou para re-
ritual, exige-se de cada cristão lacionamentos mutuamente edificantes,
coragem para contrapor-se à não devemos ser fardos para ninguém.
lógica lasciva desta sociedade.
Como anuncia Paulo, o Senhor é vingador
do injustiçado (1 Ts 4.6). Numa referência
Ponto Importante direta a Levítico 25.17, o apóstolo assegura
A santificação produzida por Deus
que as trapaças humanas podem passar
em nossas vidas não tem efeitos
apenas para o futuro; na verdade, desapercebidas pelas demais pessoas,
os efeitos da obra de Cristo já todavia, jamais serão desconsideradas
repercutem agora em nós. pelo Senhor que é Deus da Justiça (Is
61.8). Ele “vingará” o violentado, restituirá
III- SANTIFICAÇÃO EM TODA o roubado, justificará o fraudulentamente
MANEIRA DE VIVER acusado (Hb 10.30). Nossa esperança se
1. Negócios honestos. Santidade, estabelece no Senhor, em época como a
todavia, não é algo que se refere apenas nossa em que instituições sociais e seus
ao corpo ou a exterioridade das pessoas. compromissos com a equidade estão
Devemos ser santos e honestos também fragilizados.

JOVENS 37
3. Santificação como experiência de
SUBSÍDIO
viver no Espírito. O poder santificador
do Espírito nos torna progressivamente “A santificação começa na conversão,
mais santos (1 Co 6.11). Somos convo- quando uma pessoa se arrepende e
cados por Deus para uma experiência volta para Deus, passando a ser um
de santificação instantânea e constante ‘santo’ (que significa, literalmente, ‘uma
(Jo 17.19). O fato de o mundo estabe- pessoa separada ou consagrada’).
lecer relacionamentos fraudulentos Esse, porém, é apenas o começo de
e moralmente decadentes, além de um processo contínuo e progressivo.
ser um desrespeito ao outro – obra Não leva muito tempo entrar num
do amor do Criador, imagem e seme- trem, mas leva tempo até chegar ao
lhança da própria divindade – torna-se destino. A pessoa se torna santa por
um afrontoso pecado contra o Espírito um ato de fé em Cristo Jesus, que nos
Santo. Ao tratarmos outras pessoas fora atribui esse título, mas ser santo em
do nível de amor e respeito que elas cada aspecto da vida leva tempo. O
merecem, como filhos e filhas de Deus, trem não chega ao seu destino num
estamos voltando-nos contra o próprio pulo único, e nem nós nos tornamos
Senhor (1 Ts 4.8). A adoração a Deus santos desenvolvidos de um dia para
sem comunhão com o próximo é puro outro. Precisamos crescer na graça e
rito religioso vazio, desprovido do real no conhecimento de Jesus Cristo. Do
sentido do culto a Deus. Deste modo, ponto de vista prático, a santificação
viver no Espírito é uma experiência de é o processo mediante o qual os se-
comunhão verdadeira com o Criador parados se tornam santos na prática,
e seus filhos. os que estão sob a graça de Cristo
se tornam graciosos, e os cristãos
Pense! se tornam semelhantes a Cristo. A
Os conceitos de santidade e santificação é a cristianização dos
profanação são guiados por
cristãos. [...] A santidade prática exige
componentes culturais ou por
princípios bíblicos? Se Jesus crescer espiritualmente; pessoas
permaneceu santo entre ladrões santas são ‘perfeitos, os quais, em
e meretrizes, casamentos e janta- razão do costume, têm os sentidos
res, como devemos compreender exercitados para discernir tanto o bem
a santidade?
como o mal’ (Hb 5.14). Criancinhas
espirituais, como criancinhas físicas,
Ponto Importante estão dispostas a engolir tudo que
Em um mundo de ódio, precon-
ceitos e posturas cada vez mais acham! (Ef 4.14)” (PEARLMAN, Myer.
radicalizadas, somos convidados Epístolas Paulinas: Semeando as
para ser agentes do amor, movi- Doutrinas Cristãs. 1.ed. Rio de Janeiro:
dos pelo Evangelho de Cristo, por CPAD, 1998. pp. 184,194).
uma íntima compaixão que nos
faça ver as pessoas que, se não
forem evangelizadas, não terão
qualquer oportunidade de ver o
rosto de Deus.

38 JOVENS
ESTANTE DO PROFESSOR
LIMA, Elinaldo Renovato de. Ética Cristã. 9.ed.
Confrontando as Questões Morais do Nosso
Tempo. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.

ANOTAÇÕES

CONCLUSÃO
Não existe santidade quando há isolamento, ódio e negação do outro. Se somos
as pessoas deixadas por Deus nesta sociedade para que ela não apodreça em
seus extremismos sociais, cabe-nos a tarefa de iluminar os corações entenebre-
cidos por preconceitos e discriminações, e dar sabor às vidas desesperançosas
de justiça, bondade e paz. Ser santo é estar a serviço do bem-estar do outro.

HORA DA REVISÃO
1. O que significa viver para agradar a Deus?
É ter uma vida santa vivendo segundo o propósito do Senhor (2 Tm 1.9).
2. Segundo a lição, o que é necessário fazer para ter uma vida transbordante?
Esvaziar-se de tudo aquilo que não glorifica a Deus – ódios, mágoas, pecados
– e encher-se das dádivas do Espírito Santo.
3. De que modo a Palavra nos exorta a compreender a sexualidade?
Como um componente sagrado da natureza humana, incluído em nosso ser
pelo próprio Deus.
4. Deus exige de nós santidade apenas com relação à sexualidade? Justifique sua
resposta.
Não, o princípio apresentado por Paulo em 1 Ts 5.23 declara que Deus quer de
nós uma santidade integral.
5. É possível adorar a Deus sem uma vida de comunhão com aqueles que estão
próximos a nós? Justifique sua resposta.
Não, pois é impossível viver em santidade quando há isolamento, ódio e negação
do outro. Ser santo é estar a serviço do bem-estar do outro.
6
LIÇÃO

06/05/2018

VIVENDO AMOROSA
E HONESTAMENTE
www.escola-ebd.com.br

AGENDA DE LEITURA
TEXTO DO DIA
SEGUNDA – 1 Jo 4.20
“Quanto, porém, ao amor
fraternal, não necessitais de Não existe adoração onde há ódio
que vos escreva, visto que vós TERÇA – Jo 15.12
mesmos estais instruídos
por Deus que vos ameis Jesus, o perfeito padrão de amor
uns aos outros.”
QUARTA – Tt 3.5
(1 Ts 4.9)
Somos salvos pela misericórdia e
amor do Pai
SÍNTESE QUINTA – Rm 13.8
Não existe adoração num O amor, uma dívida impagável
coração dominado pelo ódio,
muito menos espiritualidade SEXTA – Rm 14.8
sadia numa vida envolvida Não vivemos para nós mesmos
com desonestidade.
SÁBADO – 1 Pe 5.7
O Senhor cuida de nós

40 JOVENS
OBJETIVOS
1. REFLETIR a respeito da necessidade do amor em
nossas vidas;
2. APRESENTAR o trabalho como uma necessidade para
cada cristão;
3. DEMONSTRAR o padrão bíblico com relação ao nosso
comportamento social.

INTERAÇÃO
Caro professor(a), estamos praticamente na metade de
nosso trimestre, esse é um excelente momento para
a realização de processos avaliativos (autoavaliação,
avaliação em grupo, avaliação de critérios específicos).
Tal postura conscientiza-nos daquilo que estamos fa-
zendo e está dando certo, e do que precisamos repensar
e mudar em nossa prática educativa. Compartilhe com
seus alunos, no momento que achar mais conveniente, a
necessidade de uma avaliação das atividades realizadas
por você e seu grupo de estudantes. Aplique a melhor
metodologia para sua turma: pode ser um momento em
grupo numa roda de conversa, você pode elaborar um
questionário para seus alunos responderem por escrito
em sala ou em casa, etc. Esclareça a eles a necessidade
da sinceridade nas respostas.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Você já ouviu falar de “Mapa Conceitual”? O Mapa Con-
ceitual é uma ferramenta de aprendizagem que se utiliza
de uma estratégia imagética para facilitar o aprendizado.
Por meio da construção de um mapa (uma rede) concei-
tual que se utiliza de figuras geométricas para organizar,
correlacionar, hierarquizar as ideias apresentadas. O uso
dos mapas conceituais pode ser feito de duas maneiras: na
primeira, o educador, na medida em que vai apresentando
o conteúdo vai construindo o mapa, de tal modo que ao fim
da explicação os alunos possuem um resumo completo da
aula ministrada. O outro uso pode ser feito por meio de
uma ação promovida pelos próprios educandos, que após
a discussão da lição, pode servir para que eles criem seus
mapas conceituais. Nesta última hipótese, restaria ainda
espaço para uma apresentação coletiva dos mapas e uma
posterior discussão a partir dos mesmos.

JOVENS 41
TEXTO BÍBLICO I- QUANTO AO AMOR FRATERNAL
1. É o Senhor quem nos ensina a
1 Tessalonicenses 4.9-12 amar. Há em 1 Tessalonicenses, uma
9 Quanto, porém, ao amor fraternal, não elogiosa menção de Paulo à postura
necessitais de que vos escreva, visto amorosa daqueles irmãos. Se havia
que vós mesmos estais instruídos por
Deus que vos ameis uns aos outros; uma série de prescrições, observações,
10 Porque também já assim o fazeis para recomendações que deveriam ser fei-
com todos os irmãos que estão por toda tas, em torno de várias áreas a respeito
a Macedônia. Exortamo-vos, porém, a do amor fraternal, todavia, os crentes
que ainda nisto continueis a progredir
cada vez mais, em Tessalônica não necessitavam de
11 e procureis viver quietos, e tratar dos orientação alguma (1 Ts 4.9). Amar não
vossos próprios negócios, e trabalhar é algo que aprendemos por meio de
com vossas próprias mãos, como já métodos humanos, cursos de cura
vo-lo temos mandado;
interior ou livros. O amor para com o
12 para que andeis honestamente para
com os que estão de fora e não ne-
próximo desenvolve-se em nós a partir
cessiteis de coisa alguma. do momento em que mantemos uma
relação de adoração com o Pai. É im-
possível amar a Deus e odiar qualquer
pessoa que seja, especialmente um
irmão (1 Jo 4.20). Não amamos os outros
COMENTÁRIO por seus atos de bondade ou por aquilo
que merecem, mas porque usufruímos
INTRODUÇÃO do amor do Pai, podemos transmiti-lo
a todos os que precisam (Lc 6.27-36).
Nunca foi tão urgente a presença É com o SENHOR que aprendemos a
de uma comunidade de pessoas
amar (Jo 15.12-17).
que espelhe o caráter de Deus
2. O poder de expansão do amor.
como nos dias atuais. Nacional-
Aquilo que as pessoas denominam como
mente vivemos em tempos de
muita violência.
No campo sócio-político, nunca
a corrupção esteve em tamanha
evidência; e não são apenas as
figuras públicas que se revelam
decadentemente desonestas, mas
em cada segmento social nos
vemos decepcionados por escân-
dalos. Em Tessalônica, guardadas
as devidas proporções, não era
muito diferente; por isso Paulo
preocupa-se em orientar amo-
rosamente aquela comunidade.
Aprendamos com o apóstolo e
seu cuidado pastoral.

42 JOVENS
amor, mas não consegue ser expandido,
Pense!
compartilhado, transmitido a outros, não Viver em amor é uma experiência
é amor. Na verdade não passa de narci- oriunda da salvação, por meio
sismo, ou como a Bíblia chama, “amor a da qual nos tornamos paulatina-
si mesmo” (2 Tm 3.2); este sentimento é mente menos deformados pelo
perigosíssimo e capaz de destruir não pecado e mais parecidos com
Deus.
apenas a espiritualidade do indivíduo
narcisista, mas também daqueles que
estão em seu convívio (1 Co 12.25-27). A
Ponto Importante
Amar é uma atitude que deve
vivência do amor é contagiante; aquele transcender o indivíduo e im-
que foi alcançado pela boa semente do pulsioná-lo para um relaciona-
Evangelho não consegue esconder sua mento de comunhão com o Pai e
alegria, nem os frutos dessa transforma- com o outro.
dora experiência, há vários exemplos
bíblicos: a Samaritana (Jo 4.28-30), Levi II- VIVENDO POR FÉ,
(Lc 5.27-32) e Paulo (At 9.19-31). Numa TRABALHANDO COM
sociedade dominada por todos os tipos HONRA
e níveis de ódio (discurso de ódio, ódio 1. Um estilo de vida modesto. Há
étnico-cultural, ódio religioso), cabe-nos em nossa sociedade um conjunto de
acreditar que somente por meio de uma ideais “adoecedores”: sucesso financeiro
vivência inspiradora de amor podemos a todo custo, reconhecimento público
colaborar para a mudança de nossa ainda que por meio de escândalos ou
sociedade (Tt 3.3-5). vida promíscua, ambição desmedida
3. O amor: uma medida que sempre pelo poder, etc. Infelizmente as pessoas
deve aumentar. A medida do amor nunca desejam o padrão de vida das celebri-
deve ser para menos, sempre para mais. O dades (festas glamorosas, holofotes,
amor é uma dívida impagável que não te- likes, views), isto é, uma existência de
mos apenas para com Deus, mas também exterioridades, futilidades e banalidades.
com o próximo (Rm 13.8). Sobre isso, a partir das características
Fica bem claro na parábola daquele contexto histórico, Paulo exorta
do credor incompassivo que os irmãos em Tessalônica a viverem uma
o benefício do perdão e do vida simples, desapegada de desejos não
amor incondicional que nos edificantes, de modo “quieto” (1 Ts 4.11),
alcança nos torna, de igual o que significa focar no que é essencial,
modo, misericordiosos e sem preocupar-se com as novidades
perdoadores (Mt 18.23-35). e tendências da sociedade à nossa
Não devemos ter medo de volta. Nós temos um padrão diferente
perder o amor de Deus; na daquele implementado pelos conceitos
verdade, quem não ama mundanos (Fp 2.15). Não vivemos para
seu irmão, de fato nunca nós mesmos, mas para Deus (Rm 14.8).
vivenciou o privilégio de 2. Trabalhar nunca deve ser um fardo.
ser amado pelo Senhor Paulo é o mais enfático, entre os escri-
(1 Jo 2.9-11). tores sagrados sobre a necessidade de

JOVENS 43
reconhecer o ofício humano como uma está contigo, por isso, o trabalho não vai
atividade, muitas vezes, imprescindível roubar tempo da obra, nem a obra de
àquele que trabalha na obra de Deus Deus do trabalho.
(2 Co 12.13-18; 2 Ts 3.8-12). Trabalhar não
deve ser algo pesaroso a ninguém. Deus III- SOBRE O CRISTÃO E SEUS
fez-nos para o cumprimento de respon- NEGÓCIOS
sabilidades (Gn 1.26), ou seja, para através 1. Honestidade como referencial de
do nosso trabalho glorificar o seu santo testemunho. O cuidado de Paulo para
nome. Não fomos criados para a preguiça com os irmãos em Tessalônica o leva
(Pv 13.4; 21.25). Desta forma, é espantoso a exortá-los a terem uma vida honesta
pensar na quantidade de indivíduos que, entre os que ainda não professavam a
sob a desculpa de estar “trabalhando fé (1 Ts 4.12). De nada adianta um com-
para Deus”, não se ocupam de coisa portamento religioso exemplar dentro da
alguma na verdade, senão de explorar igreja, se na vida cotidiana a luz de Cristo
financeiramente a fé alheia (At 20.29,30; não brilha em nossos relacionamentos.
1 Tm 6.10). Foi para um ministério de vida 2. Colaboradores e não parasitas
íntegra que Deus nos vocacionou. É claro sociais. O final do versículo 12 termina
que o próprio Paulo precisou de apoio com uma advertência a respeito da
financeiro em determinado momento de necessidade de viver a partir do fruto
sua trajetória, mas isso foi a exceção do do próprio trabalho, nunca em virtude
caso, nunca a regra. da exploração da caridade de um outro.
3. O jovem, a vocação e a profissão. Em um país como o nosso, de enormes
Não devemos analisar a relação entre abismos sociais, políticas para efetiva-
vocação e profissão como algo dicotô- ção de direitos básicos são necessárias;
mico, mas como sincrônico. Não existe contudo, ninguém deve tornar-se uma
oposição entre chamada ministerial e sanguessuga social. Somos chamados
desenvolvimento profissional; o Deus para fazer a diferença nessa sociedade.
que vocaciona missionários é o mesmo 3. O jovem cristão e a geração “nem-
que abre a porta da universidade para -nem”. A sociedade brasileira passa por
que a missão seja sempre integral, nunca uma profunda crise, a ponto de apare-
parcial. O cuidado com a formação de cerem na atualidade, sintomas novos da
novos obreiros não nos isenta da res- velha doença que é o pecado estrutural,
ponsabilidade de ajudar tais pessoas a que se engendra em nossa nação. O novo
serem capazes de realizarem-se profis- sintoma da falência da sociedade brasi-
sionalmente. Tudo o que há em nossa leira tem repercussão entre os jovens, é
vida, analisado em conjunto, deve ser exagerado o número de pessoas entre
para a glória de Deus. Enquanto você 18 e 25 anos que nem trabalham, nem
não consegue discernir seu ministério, estudam. É nessa ambiência conturbada
continue estudando e trabalhando; se que o jovem cristão deve lançar suas
suas dúvidas são quanto ao que fazer no ansiedades sobre o Senhor (1 Pe 5.7)
mercado de trabalho, continue orando e procurar fazer o seu melhor, nunca
e servindo no Reino. E se você já faz acomodando-se, especialmente em
as duas coisas, não se preocupe, Deus situações adversas.

44 JOVENS
SUBSÍDIO 1 SUBSÍDIO 2

“(1 Ts 4.9). Paulo agora faz a mudança “O conteúdo da ética cristã está na
dos discursos específicos nos quais vontade de Deus, que deve ser feita
considerou a pureza sexual, para a com amor, ou seja, ‘a fé que opera
chamada geral ao exercício e ao cresci- por caridade [ou amor]’ (G1 5.6). Todo
mento no ‘amor [ou caridade] fraternal’. o comportamento de Cristo estava
[...] O ponto principal da mensagem do centrado em seu objetivo de servir
apóstolo, é que a comunidade cristã e de dar sua vida como um resgate
deve ser caracterizada pela lealdade (Mt 20.28). Este era seu padrão para
e pelo profundo cuidado que imita o os seus seguidores (20.25-27). Paulo o
nível do comprometimento de Deus aceitou. Também o fizeram os cristãos
para com eles (Jo 13.34,35). A extensão tessalonicenses. Eles tinham visto em
da discórdia ou da divisão que existiu Paulo o exemplo (‘selo’) de Cristo que
na igreja em Tessalônica não foi em lhes deu significado e entendimento.
grande escala. Alguns, mais provavel- Eles tomaram esse exemplo para
mente uma pequena minoria, estavam suas próprias vidas, incluindo a aflição
ameaçando a harmonia por serem (thlipsis, ‘pressão, tribulação’). Nesse
preguiçosos (1 Ts 4.11,12; 5.14; 2 Ts 3.10) e contexto da ética cristã, em meio ao
intrometidos (2 Tm 3.11). Porém, a igreja sofrimento, imitando a vida de Jesus e
como um todo foi caracterizada pelo a conduta de Paulo, aqueles crentes
amor. Paulo conhece a dinâmica dos coletivamente e espontaneamente
relacionamentos, e sabe que a menos compartilharam um testemunho dina-
que se prestasse uma cuidadosa micamente significativo de Cristo pela
atenção à harmonia, a igreja estaria a Macedônia e pela Acaia. O exemplo
um passo de um conflito generalizado. cristão, encontrado primeiramente
Coerentemente, incentiva os santos a em Jesus e em Paulo resulta no tipo
se dedicarem intensamente à instrução de conduta fiel que efetivamente
em que foram encaminhados, na qual dá testemunho por meio do corpo
estavam bastante adiantados. combinado da igreja em qualquer
Paulo diz não haver necessidade de outra área, fortalece o testemunho
escrever aos tessalonicenses sobre dos cristãos e possibilita que o com-
a importância do amor fraterno e portamento dos obreiros (pastores e
está confiante de que pode manter a outros) inspire o rebanho a segui-los.
discussão em um nível mínimo” (AR- O testemunho cristão bem-sucedido
RINGTON, F.L. e STRONSTAD, Roger está centrado no exemplo” (Dicionário
(Ed). Comentário Bíblico Pentecostal Bíblico Wycliffe. 1.ed. Rio de Janeiro:
Novo Testamento. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. pp. 729, 730).
CPAD, 2006, pp. 1390,1391).

JOVENS 45
ESTANTE DO PROFESSOR
Dicionário Bíblico Wycliffe.
1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

ANOTAÇÕES

CONCLUSÃO
Nossa vocação é para uma vida piedosa, fundamentada em amor e buscando
os ideais de justiça e paz. O zelo pastoral de Paulo com os tessalonicenses
o levou a um conjunto de orientações que são preciosas ainda hoje para
nós, igreja contemporânea. Não nos acomodemos com o mal que se de-
senvolve em nossa sociedade, sejamos dedicados na promoção do bem.

HORA DA REVISÃO
1. Sendo o amor imprescindível para a vida cristã, como aprendemos a amar?
O amor para com o próximo desenvolve-se em nós a partir do momento em que
mantemos uma relação de adoração com o Pai (Mt 22.36-40). É com o SENHOR
que aprendemos a amar (Jo 15.12-17).
2. É possível viver um amor que se restrinja apenas ao próprio indivíduo? Justifique
sua resposta.
Não, pois isso é narcisismo ou aquilo que a Bíblia define como “amante de si
mesmo” (2 Tm 3.2).
3. De que modo devemos encarar nossa responsabilidade para o trabalho?
Como um meio de glorificar o nome do Senhor, que tem nos dado dons e ta-
lentos, também para trabalhar.
4. É possível conciliar vida profissional e vocação ministerial? Justifique sua resposta.
Sim, Paulo é um grande exemplo deste tipo de opção de vida. É Deus quem
nos dá, tanto o ministério quanto a profissão; tudo vem de Deus.
5. De que modo um jovem, numa sociedade como a nossa, pode controlar suas
ansiedades e medos?
Lançar suas ansiedades sobre o Senhor (1 Pe 5.7) e procurar fazer o seu melhor,
nunca acomodando-se, especialmente com situações adversas.
7
LIÇÃO

13/05/2018

NOSSA ESPERANÇA
NA VINDA DO SENHOR
www.escola-ebd.com.br

AGENDA DE LEITURA
TEXTO DO DIA SEGUNDA – Hb 5.14
“Não durmamos, pois, como A necessidade de
os demais, mas vigiemos e crescer na fé
sejamos sóbrios.”
TERÇA – 1 Co 6.14
(1 Ts 5.6)
As consequências da
ressurreição
QUARTA – Mt 24.42
A exortação para a vigilância
QUINTA – Jo 14.3
SÍNTESE Nosso destino: morar
Deus é responsável pela com o Pai
criação e consumação de SEXTA – 1 Ts 5.18
todas as coisas em O consolo do cristão
Cristo Jesus. SÁBADO – 1 Ts 5.3
O caráter surpreendente
da chegada do Reino

JOVENS 47
OBJETIVOS
1. REFLETIR a respeito da necessidade do debate esca-
tológico na igreja hoje;
2. APRESENTAR três verdades a respeito da vinda do
Senhor em 1 Tessalonicenses;
3. DEMONSTRAR a relevância da discussão escatológica
entre o público jovem.

INTERAÇÃO
A escatologia discutida por Paulo em 1 Tessalonicenses
tem suas peculiaridades, mesmo se comparada com a
abordagem que o apóstolo promove em 2 Tessalonicenses.
O pragmatismo atual que envolve a fé cristã de muitas
pessoas é o único objeto de busca para alguns indivíduos
A aridez da questão (com suas imagens apocalípticas,
figuras fantásticas e eventos extraordinários) tende, em
alguns casos, a tornar o debate escatológico distante do
interesse dos jovens. Apesar destes desafios lembre-se:
Você é a pessoa que Deus usará para abençoar esse grupo
de jovens. O Senhor é contigo!

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Elabore um Quiz (um conjunto de perguntas) a respeito
das questões envolvendo escatologia; pode ser voltado
especificamente para questões relativas ao debate pro-
movido por Paulo em 1 Tessalonicenses ou acerca de
dúvidas escatológicas de um modo geral.
Este deve ser um momento de crescimento, aprendizado,
de alegria entre os educandos de sua sala. Por isso não
permita que ninguém sinta-se inibido em participar ou
com medo de responder alguma questão.
Para tornar essa dinâmica mais atrativa, você pode
pedir, uma semana antes desta aula, que seus alunos
dediquem-se na elaboração de uma questão sobre
escatologia para ser apresentada em classe – a melhor
pergunta, segundo a avaliação de todos os participantes
do Quiz, será premiada.
Desta forma todos os presentes poderão participar de sua
aula, elaborando, respondendo e avaliando os itens uns
dos outros, tornando este momento mais colaborativo.

48 JOVENS
TEXTO BÍBLICO COMENTÁRIO
1 Tessalonicenses 4.13-18; 5.1-6
13 Não quero, porém, irmãos, que sejais INTRODUÇÃO
ignorantes acerca dos que já dormem,
para que não vos entristeçais, como os
Para a maior parte dos intérpretes,
demais, que não têm esperança. o debate a respeito das últimas
14 Porque, se cremos que Jesus morreu coisas é uma temática tão impor-
e ressuscitou, assim também aos que tante na relação de Paulo com os
em Jesus dormem Deus os tornará a tessalonicenses que pode, inclusive,
trazer com ele. servir de chave de leitura para uma
15 Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do compreensão integrada das duas
Senhor: que nós, os que ficarmos vivos
epístolas. Mais importante do que
para a vinda do Senhor, não precede-
remos os que dormem. determo-nos em intermináveis dis-
16 Porque o mesmo Senhor descerá do
cussões sobre nuances ou detalhes
céu com alarido, e com voz de arcanjo, escatológicos que resvalam deste
e com a trombeta de Deus; e os que texto de 1 Tessalonicenses, será
morreram em Cristo ressuscitarão refletir a respeito do contexto geral
primeiro; que fomenta tal discussão.
17 depois, nós, os que ficarmos vivos,
seremos arrebatados juntamente com
O amoroso cuidado pastoral de
eles nas nuvens, a encontrar o Senhor Paulo leva-o a explicar aos crentes
nos ares, e assim estaremos sempre em Tessalônica algumas verdades
com o Senhor. espirituais primárias, mas que estes,
18 Portanto, consolai-vos uns aos outros por imaturidade ou por falta de um
com estas palavras. ensino mais sistemático, ainda não
5.1 Mas, irmãos, acerca dos tempos e das haviam assimilado.
estações, não necessitais de que se
vos escreva; De forma análoga, é de extrema im-
2 porque vós mesmos sabeis muito bem
portância questionarmo-nos sobre
que o Dia do Senhor virá como o ladrão a imperativa exigência de discussão
de noite. deste tema na sociedade contempo-
3 Pois que, quando disserem: Há paz rânea. Em tempos de conhecimento
e segurança, então lhes sobrevirá instantâneo, transformações sociais
repentina destruição, como as dores diárias e economia extremamente
de parto àquela que está grávida; e
volátil, ainda faz sentido falar de
de modo nenhum escaparão.
eternidade?
4 Mas vós, irmãos, já não estais em trevas,
para que aquele Dia vos surpreenda
como um ladrão;
5 porque todos vós sois filhos da luz e
filhos do dia; nós não somos da noite
nem das trevas.
6 Não durmamos, pois, como os demais,
mas vigiemos e sejamos sóbrios.

JOVENS 49
I- OS TRÊS OBJETIVOS DOS tessalonicenses poderia desembocar
ESCLARECIMENTOS ESCATO- num problema maior: abandono da fé
LÓGICOS (Gl 1.6-9). A compreensão errônea de
1. Evitar os perigos da falta de pro- princípios bíblicos sempre tem repercus-
fundidade bíblica. O receio de Paulo sões negativas, comunitárias e pessoais.
para com os tessalonicenses era o de Percebemos pelo texto que o apóstolo
que a falta de uma compreensão mais apressou-se em responder as indagações
profunda dos pilares da fé – dentre os dos irmãos para que assim se evitasse
quais estava, por exemplo, a crença na um esfriamento da fé daqueles irmãos. E
ressurreição de Jesus – levasse este isto é bastante perigoso, especialmente
grupo de novos irmãos a uma fé igno- quando ocorre entre novos convertidos
rante, e por isso mesmo, adoecida. Não que, muitas vezes, não têm ainda suas
somos chamados para permanecer em convicções bem firmadas. Deixar de
níveis elementares da fé (Hb 5.13,14); a enfrentar tristezas de modo absoluto
metáfora bíblica diz-nos que a história parece impossível, no entanto, existem
de nossa fé é semelhante à corrida de determinados problemas e angústias
um maratonista (1 Co 9.24; 2 Tm 4.7), que podemos fugir, e este era o caso
por isso, é necessário sabedoria para entre aqueles novos irmãos.
não “morrer no meio do caminho”, mas 3. Encher os tessalonicenses de
antes, completarmos a carreira. Como esperança e consolo. Algo inquietava os
um atencioso mestre, o apóstolo refletirá crentes de Tessalônica, tirava-lhes o sono
com seus amigos a respeito das ques- e a harmonia interna da comunidade. Ao
tões básicas, mas imprescindíveis para falar a respeito de questões pertinentes
o estabelecimento de uma vida cristã àquele contexto social, Paulo demonstra
saudável, livre das fábulas e mitos das seu cuidado pastoral, que se manifesta
tradições religiosas. no zelo pelo crescimento espiritual da-
2. Impedir qualquer entristecimento quela Igreja. Do que adianta um sermão
desnecessário. A imaturidade da fé dos bem estruturado se o seu conteúdo não
é compreendido pelo público? Qual a
relevância de uma profunda discussão
sobre elementos secundários da doutrina
cristã se o essencial ainda não foi assi-
milado pela comunidade? Mais uma vez
aprendemos com Paulo um importante
princípio cristão: o importante em um
sermão não é demonstrar o quanto se
tem de conhecimento, e sim, falar com
clareza e pertinência aquilo que produz
crescimento às pessoas. Produzir espe-
rança e consolo (1 Ts 4.13,18), ou como o
apóstolo fala em contexto semelhante
– consolar, exortar e edificar (1 Co 14.3) –
este deve ser o cerne de toda pregação.

50 JOVENS
o Reino de Deus. Não é possível viver-
mos com o coração dividido entre dois
tipos de desejos contrários, ou com a
A compreensão errônea de alma cindida tentando servir ao Senhor
princípios bíblicos sempre e às trevas; é necessária a tomada de
decisão. Aqueles que não conhecem a
tem repercussões negativas, Cristo temem o fim de todas as coisas,
apavoram-se ao pensar sobre o dia
glorioso do Senhor. Estes, porém são os
que desperdiçam suas vidas no pecado e
por isso temem apresentarem-se diante
Pense! do Criador. Nosso sentimento deve ser
Não podemos desprezar o estudo exatamente o inverso, ansiar o retorno
sistemático da Palavra de Deus. de Jesus (Ap 22.20), com a convicção
de que nos encontraremos com Deus;
Ponto Importante este será o melhor momento de nossas
Para o cristão, compreender vidas. Por isso, vigiai! (Lc 21.36)
os fundamentos básicos da fé
3. Este será um ato reivindicatório
significa sobrevivência espiritual.
de Deus. A palavra usada no versículo
II- VERDADES RELACIONADAS 17 para descrever a ação promovida por
À VINDA DO SENHOR Cristo com relação aos que estiverem
1. A certeza da ressurreição gloriosa vivos quando de sua vinda literalmente
dos santos. Temos plena convicção significa “tomar com força”, “arrebatar
que aqueles que morreram em Cristo com rapidez”, “reivindicar para si”. Deste
serão triunfalmente ressuscitados para modo, nosso encontro com o Senhor será
satisfação e alegria eterna, pois assim resultado de uma decisão exclusiva de
como aconteceu com Jesus de Nazaré Deus, que, por ter autoridade e poder
também acontecerá com todos aqueles para isso, arrancará – sem qualquer
que nEle creem (1 Ts 4.14). Por isso, não preocupação com explicações a terceiros
há espaço para nenhuma crença ani- – aqueles que lhe pertencem. Somos
quilacionista. Não só haverá vida após a possessão do Senhor, estamos neste
morte, como a ressurreição dos santos mundo como peregrinos e forasteiros,
será para felicidade e paz. O poder da aguardando apenas o exato momento
maldade é parcial e transitório, a glória de nosso regresso à morada eterna. Mais
de Cristo é eterna e absoluta. uma vez ratifica-se que nossa salvação
2. A certeza da vinda do Senhor não é um ato cuja origem deriva de nós,
exige vigilância. Não é porque temos é na verdade um ato gracioso do Pai.
a certeza do retorno de Jesus para nos
buscar, e com isso a convicção de nosso Pense!
A ressurreição é uma crença tão
estado de eterna alegria com o Pai, que
central para o Cristianismo que,
devemos viver de modo negligente (1 Ts como afirmou Paulo, se este fato
5.4-6). Pelo contrário, tal revelação exige não for verdadeiro nada mais terá
de nós comprometimento absoluto com sentido para nós.

JOVENS 51
Ponto Importante chamados de gaseificos), falar de valores
A discussão de questões sobre eternos parece uma piada, mas é sobre
o fim de todas as coisas produz isso que nossos contemporâneos precisam
medo e temor em muitos. Os jus-
ouvir. O imediatismo do cotidiano precisa se
tos não devem temer nada, aque-
les que estão ainda no pecado há render ao plano de Deus que, a seu tempo,
tempo para arrependimento. estabelece seus propósitos e desígnios (Lc
21.19; 2 Pe 3.8). A pregação sobre as últimas
III- OS JOVENS DE HOJE PRECI- coisas tem o poder de despertar o ouvinte
SAM PENSAR SOBRE AS ÚLTIMAS para um modelo de temporalidade que
COISAS? se concentra no estabelecimento correto
1. A urgência de um despertamento. de um processo, e não, apenas, em um
Assim como Paulo exorta à jovem igreja de resultado prematuramente obtido.
Tessalônica a vigiar e estar atenta quanto 3. Anunciando que há um Senhor na
aos acontecimentos que precedem a história da humanidade. A urgência da
vinda do Senhor (1 Ts 5.6); a juventude de pregação escatológica está intimamente
nossos dias também precisa ser sacudi- associada à constante necessidade de de-
da com esta verdade que para alguns clararmos a este mundo que não vivemos
é inconveniente: tudo vai passar! Sim, é num turbilhão de caos, e sim, que há um
necessário demonstrar aos jovens desta Deus que de maneira amorosa traçou as
geração que a força deles passa, assim linhas mestras da história humana. Anun-
como sua beleza, e que a própria juventude ciar o fim implica dizer que há um Senhor
é “vaidade”, ou seja, efêmera, passageira no universo o qual, sendo responsável
(Ec 11.10). A ilusão da juventude eterna – pela criação de todas as coisas, também
que se propaga em nossa sociedade por estabeleceu um fim para elas. Por meio
meio da cultura das cirurgias estéticas de seu cuidado, o Pai tem gestado na
e de um estilo de vida completamente história o resultado de seu plano eterno,
irresponsável – precisa ser desfeita. As mesmo diante das oposições das trevas
pessoas precisam reconhecer a presença e da fragilidade humana, de tal modo que
de Deus em cada fase da vida, e assim, o fim, que já deve ser anunciado, aponta
experimentar o melhor do Senhor sempre. para o estabelecimento integral do Reino
Não há mais tempo a perder. de Deus. Desta maneira, apregoar o fim
2. Superando o imediatismo. O anúncio é, também, apontar para a causa última
da vinda iminente do Senhor como um do universo: Deus (Sl 74.12-17).
processo lento, aos nossos olhos, mas
irreversível na história, a declaração do
fim de todas as coisas e a comunicação
do estabelecimento do Reino Eterno do As pessoas precisam
Pai, são formas de estabelecer padrões
temporais bem diferentes daqueles que reconhecer a presença de Deus
a sociedade vive hoje. Em tempos de co- em cada fase da vida.
municações on line, de comidas fast-food
e de relacionamentos líquidos (que de
tão provisórios poderiam ser até mesmo

52 JOVENS
SUBSÍDIO 1 SUBSÍDIO 2

“A Trombeta de Deus ressoará A precedência dos ressuscitados.


Que instante abençoado! Nos dias do ‘Dizemo-vos, pois, isto pela palavra
Antigo Testamento, Deus determinara do Senhor: que nós, os que ficarmos
que se fizessem duas trombetas de vivos para a vinda do Senhor, não pre-
prata, que seriam usadas tanto para cederemos os que dormem. Porque o
reunir o povo como para alertá-lo para mesmo Senhor descerá do céu com
a partida (cf. Nm 10.1-7). Naquele dia alarido, e com voz de arcanjo, e com a
tocará do céu a trombeta de Deus, trombeta de Deus; e os que morreram
como sinal de que devemos partir em Cristo ressuscitarão primeiro’ (1 Ts
daqui, deste mundo, e reunir-nos 4.15,16). É a precedência honrosa que
em glória celestial! Essa trombeta de Deus concederá aos ‘que morreram
Deus não faz parte de nenhuma das em Cristo’. Serão arrebatados primeiro,
sete trombetas do juízo, que serão ainda que num ‘abrir e fechar de olhos’.
tocadas no tempo dos três ‘ais’ (cf. Na ressurreição, o corpo dos salvos,
Ap 8.13; 11.15). Ela é uma trombeta de ainda que transformados em pó, car-
bênção, cujo som convocará a Noiva bonizados ou comidos por peixes ou
de Jesus para a festa eterna no céu. feras, serão trazidos à existência pelo
Os mortos ressuscitarão primeiro poder de Deus, pela energia criadora
de sua palavra: ‘[...] a saber, Deus, o qual
Aqui chegamos a um dos maiores
vivifica os mortos e chama as coisas que
milagres do universo — a ressurreição.
não são como se já fossem’ (Rm 4.17).
Para os materialistas e ateus, a ressur-
A ressurreição dos salvos para serem
reição é uma fantasia. Não creem por
arrebatados é a vitória sobre a morte, ‘o
não encontrarem explicação para tal
último inimigo’ a ser aniquilado (1 Co 15.
maravilha. Porém, a salvação não se
26). A segunda ressurreição será para os
baseia, efetivamente, na compreensão
ímpios, após o Milênio (Ap 20.5)” (LIMA,
do homem natural, mas na fé. E por
Elinaldo Renovato. O Final de Todas as
meio da fé compreendemos essas
Coisas. Esperança e glória para os salvos.
verdades gloriosas. A ressurreição
1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2015. p. 55).
significa que o homem morto tornará
a existir e a viver fisicamente por meio
de uma nova união entre o espírito
e o corpo que foram separados no
momento da morte. Para os que
morreram em Cristo esse milagre se
realizará no dia da vinda de Jesus”
(BERGSTÉN, Eurico.Teologia Siste-
mática. 13.ed. Rio de Janeiro: CPAD,
2013. pp. 320, 321).

JOVENS 53
ESTANTE DO PROFESSOR
LIMA, Elinaldo Renovato. O Final de Todas
as Coisas. Esperança e glória para os salvos.
1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.

CONCLUSÃO
A vinda de Jesus deve ser um fato presente no horizonte existencial de cada
cristão. Não somos chamados para permanecer aqui eternamente, antes,
nossa pátria é do alto, nossa saudade é por aquilo que ainda não vimos.
Somente por meio de uma fé genuína conseguimos permanecer íntegros
quanto à disposição de nosso coração de acreditar que o arrebatamento
é uma realidade.

HORA DA REVISÃO
1. Apresente três motivos que justifiquem a discussão sobre as Últimas Coisas na epístola.
Evitar os problemas com as heresias, impedir um entristecimento impróprio
daqueles irmãos, confirmar as promessas que deveria encher o coração dos
tessalonicenses.
2. Quais as três verdades que podem ser extraídas a partir do debate sobre esca-
tologia em 1 Tessalonicenses?
A ressurreição dos santos é uma verdade, a certeza da vindo do Senhor exige
vigilância, no Dia do Senhor a justiça do Pai será executada.
3. Qual o significado da palavra usada no versículo 17 para descrever a ação promovida por
Cristo em relação aos que estiverem vivos quanto a sua vinda?
A palavra usada no v.17 para descrever a ação promovida por Cristo com relação
aos que estiverem vivos quando de sua vinda literalmente significa “tomar com
força”, “arrebatar com rapidez”, “reivindicar para si”.
4. Como se pode justificar a relevância das questões escatológicas para a Igreja
contemporânea?
Este é um tema que promove despertamento da Igreja, nos faz superar uma
visão imediatista do mundo, e anuncia o Deus que Reina inclusive na história.
5. É correto afirmar que ao se discutir sobre o fim de tudo, inevitavelmente reflete-se
sobre o começo de todas as coisas? Justifique sua resposta.
Sim, pois anunciar o fim implica em dizer que há um Senhor no universo o qual,
sendo responsável pela criação de todas as coisas, também estabeleceu um
fim para as mesmas.
8
LIÇÃO

20/05/2018

A VIDA CRISTÃ E A
ESTIMA PELA LIDERANÇA
www.escola-ebd.com.br

AGENDA DE LEITURA
TEXTO DO DIA SEGUNDA – At 6.3
“Vede que ninguém dê a Homens de boa reputação
outrem mal por mal, mas TERÇA – At 6.1-4
segui, sempre, o bem, tanto Escolhidos para servir
uns para com os outros como
QUARTA – 1 Co 12.28
para com todos.”
Alguns foram chamados
(1 Ts 5.15)
para liderar
QUINTA – 1 Co 9.27
A necessidade de disciplina na
SÍNTESE vida cristã
Somente uma igreja autêntica SEXTA – Cl 3.23
reconhecerá a vocação de Fazei tudo de coração, como
seus líderes e servirá ao Pai e ao Senhor
a sua geração com o objetivo
SÁBADO – 1 Ts 5.21
de glorificar o santo
É necessário examinar tudo e
nome do Senhor.
ter discernimento

JOVENS 55
OBJETIVOS
1. RECONHECER a Igreja como espaço de uma liderança fiel;
2. DISCUTIR a respeito das características de uma igreja
relevante;
3. REFLETIR a respeito das atitudes práticas a serem
adotadas para uma vida cristã frutífera.

INTERAÇÃO
Nesta lição trataremos a respeito do valor das lideranças
biblicamente constituídas, assim como sobre as carac-
terísticas de uma igreja local espiritualmente relevante.
Faça de sua aula um maravilhoso momento de reflexão
sobre a urgente necessidade de novas lideranças cons-
tituírem-se no interior da igreja local. Indague a seus
alunos se eles estão conscientes de que sairão do meio
deles as futuras lideranças que conduzirão a obra de
Deus daqui a poucos anos.
Reflita com seus educandos a respeito dos desafios que
se impõe diante de um líder que de maneira séria e dedi-
cada compromete-se com o bem-estar da obra de Deus.
Caro professor(a) da Escola Dominical, nunca se esque-
ça, você também tem uma grande honra e uma grande
responsabilidade de liderar e encaminhar as futuras
gerações de líderes da igreja.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Crie um estudo de caso para seus jovens analisarem. Esta
metodologia concentra-se no protagonismo do educan-
do, uma vez que o educador previamente constrói toda
uma situação que, segundo o contexto da aula, servirá
de instrumento de contextualização para a temática a
ser abordada. Assim, é necessário perceber que a análise
do caso não tem uma finalidade em si mesma, mas visa
ambientar o educando, a partir de uma situação plausível
de ser vivida concretamente, num debate maior e mais
complexo a ser discutido.
Como nossa lição tratará a respeito da liderança relevante
e uma igreja autêntica, crie uma situação que envolva
um líder na solução de um problema, quanto mais real
e próximo do contexto de sua comunidade melhor. Você
pode dividir sua sala em grupos e depois solicitar que eles
socializem as respostas; após os debates, faça o fechamento
desta dinâmica refletindo os desafios reais de liderar.

56 JOVENS
TEXTO BÍBLICO I- A IGREJA COMO ESPAÇO DE
CONCRETIZAÇÃO DA VERDADEI-
1 Tessalonicenses 5.12-22 RA LIDERANÇA CRISTÃ
12 E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os 1. Uma liderança constituída para a
que trabalham entre vós, e que presidem
Igreja. Não foi a Igreja que nasceu para a
sobre vós no Senhor, e vos admoestam;
liderança, mas a liderança que foi cons-
13 e que os tenhais em grande estima e
amor, por causa da sua obra. Tende tituída em função da Igreja (At 6.3-5). É a
paz entre vós. Igreja quem confirma o ministério frutífero
14 Rogamo-vos também, irmãos, que de um líder. É por isso que Paulo roga aos
admoesteis os desordeiros, consoleis irmãos em Tessalônica que reconheçam o
os de pouco ânimo, sustenteis os fracos
e sejais pacientes para com todos. serviço daqueles irmãos (1 Ts 5.12,13), pois,
15 Vede que ninguém dê a outrem mal se não for a Igreja que fizer isso, instituições
por mal, mas segui, sempre, o bem, humanas não poderão fazê-lo. Deste
tanto uns para com os outros como modo, repousa sobre a comunidade local
para com todos.
a responsabilidade de discernir, por meio
16 Regozijai-vos sempre.
da ação do Espírito de Deus, que se torna
17 Orai sem cessar.
evidente em frutos perceptíveis, a chamada
18 Em tudo dai graças, porque esta é a
vontade de Deus em Cristo Jesus para para liderança de determinada pessoa. O
convosco. líder precisa ter o reconhecimento de sua
19 Não extingais o Espírito. comunidade local. No mundo secular,
20 Não desprezeis as profecias. governa-se por direitos legalmente cons-
21 Examinai tudo. Retende o bem. tituídos, por nepotismo e até mesmo por
22 Abstende-vos de toda aparência do mal. usurpação do poder. Todavia, na Igreja só
há uma maneira: por meio da vocação de
COMENTÁRIO Cristo que é referendada pela igreja local.
2. Liderando no Senhor. Os líderes são
levantados para serem ministros em suas
INTRODUÇÃO
comunidades, ou seja, servos. Liderar no
No momento final desta carta o Senhor implica utilizar-se de princípios
apóstolo Paulo concentra-se em
uma série de prescrições práticas
para o desenvolvimento da obra de
Deus naquela comunidade. As orien-
tações concentram-se basicamente
em duas grandes temáticas: a ne-
cessidade de apreço pelas lideranças
constituídas e ações práticas para o
desenvolvimento da espiritualidade.
Paulo, num destacável exercício
de síntese de conceitos, passa a
apontar algumas ações que não
poderiam deixar de ser realizadas
para a manutenção da saúde espi-
ritual daquela comunidade.

JOVENS 57
extraídos da Palavra, que espelhem a nosso campo de evangelização é o
vontade de Deus. Não se deve dirigir para mundo. Uma igreja não pode ser apenas
uma instituição, muito menos para uma para jovens, ou só para adolescentes,
pessoa específica; lideramos para a glória ou exclusivamente para adultos. É um
de Deus, a fim de que o nome do Senhor absurdo existirem igrejas voltadas para
seja exaltado em tudo o que realizarmos. o público intelectualizado, outras para
Assim sendo, liderar no Senhor significa, o “povão”. Igrejas para ricos, igrejas para
em muitos casos, abrir mão das opini- pobres. É intrínseco a Igreja ser compos-
ões pessoais em nome de cumprir-se a ta por indivíduos de todas as classes,
vontade de Deus. Todo líder deve ter a grupos e culturas. Somos um espaço
convicção de que nunca terá a equipe de acolhimento onde o problemático,
ideal; lembremo-nos de que nem mesmo o fraco e o desacreditado devem ter o
Jesus a teve, por isso o líder não deve mesmo espaço que o saudável, o forte
desmotivar-se diante de adversidades. e o fervoroso. Somos vocacionados para
3. Reconhecendo a liderança como dar suporte uns aos outros (Ef 4.1-6),
uma grande obra. Como nos aponta a isto é, nossa responsabilidade é auxiliar
orientação paulina, o chamado para servir aqueles que ainda não são capazes de
a Igreja como líder é, ao mesmo tempo, seguir suas jornadas sozinhos, e por isso
um honroso e árduo ofício (1 Ts 5.12,13) e precisam de amigos, abraços e orações.
cabe-nos reconhecer os verdadeiramente 2. É ter a palavra certa para cada indi-
vocacionados. Devemos publicamente, víduo. A Igreja deve ser capaz de dialogar
e em particular, atestar a existência de com todos os indivíduos de tal forma a ter a
pessoas escolhidas por Deus para o go- palavra adequada para cada perfil de indiví-
verno, liderança e presidência (Rm 12.8; 1 duo. É por isso que os sermões não devem
Co 12.28). Assim não falamos apenas de ser “enlatados”, copiados de um pregador
pastores, mas também de líderes em estrangeiro, ou padronizados, reproduzi-
outros níveis, por meio dos quais a obra do irrefletidamente como uma “fórmula
de Deus se desenvolve. mágica” copiada de um “megaevange-
lista”, sem respeitar as especificidades e
II- O QUE É SER IGREJA? singularidade de cada comunidade de fé
1. É ser um ambiente onde há espa- e sujeito. A responsabilidade de sermos
ço para acolher todos. Uma Igreja não Igreja nos leva ao compromisso de falar
pode ter um “público-alvo” específico; com austeridade com os que não levam
o Reino de Deus a sério (Hb 3.13). Fomos
chamados a expressar amorosamente a
graça e a misericórdia do Pai àqueles que
O chamado para servir a Igreja estão fragilizados (Rm 14.11; Co 9.22,23) e
apresentar as promessas do Reino para os
como líder é, ao mesmo tempo, que estão desesperançados (2 Co 1.18-20).
um honroso e árduo ofício. 3. É eleger o bem como estilo de
vida. Somos vocacionados para fazer o
bem e servir uns aos outros (Jo 13.13-15).
Já fomos libertos da prática do mal, por

58 JOVENS
como um fardo, mas como um maravilhoso
privilégio. A gratidão deve ser a marca de
nosso relacionamento com o Pai (1 Ts 5.18),
Todo e qualquer discurso de pois quando reconhecemos o poder e a
ódio, a quem quer que seja, soberania do Senhor somos capazes de
acreditar naturalmente que tudo o que Ele
não nos é conveniente.
faz é carregado de bondade e perfeição,
tornando assim nossa vida cheia de leveza.
2. Vigilância moral. Há um princípio
de conduta apresentado por Jesus nos
isso este não pode sequer tornar-se uma Evangelhos que fundamenta de manei-
reação nossa (1 Ts 5.15). Rancor, mágoa, ra bem relevante a orientação paulina
ressentimento, fúria, inveja, etc., não em 1 Tessalonicenses 5.22. Escrevendo
devem fazer sentido algum para nós.
aos tessalonicenses, Paulo orienta-os a
Não utilizamos as armas do Maligno; se
não só fazerem a coisa certa, mas a se
rejeitamos suas ações não devemos nos
absterem da “aparência do mal”. Ou seja,
apropriar de suas metodologias. Como
devemos evitar toda e qualquer prática
o próprio Paulo afirma, somos espiri-
que escandalize o Evangelho. Assim,
tuais, deste modo, nossas estratégias
mesmo sabendo que determinadas
precisam ser diferentes das utilizadas
ações não incorrem em pecado, devemos
por aqueles que não conhecem o Pai
evitá-las se elas produzem confusão e
(Gl 6.1,2; 2 Co 10.4). Todo e qualquer
alvoroço na mente e coração dos fracos
discurso de ódio, a quem quer que seja,
na fé (1 Co 8.9; 10.32; 2 Co 6.3).
não nos é conveniente. Somos o povo
3. Discernimento espiritual. Uma das
da misericórdia, da graça e do perdão.
características mais marcantes deste
Não que de nós mesmos derivem tais
nosso tempo é a variedade de discursos,
princípios, na verdade eles são todos
ações e manifestações. São várias igrejas,
oriundos do amor do Pai para conosco.
inumeráveis pregadores e cantores, e
III- TRÊS ORIENTAÇÕES PRÁ- os meios de propagação de suas ideias
TICAS PARA UMA VIDA CRISTÃ nunca foram tão numerosos como hoje
AUTÊNTICA – televisão, rádio, internet, redes sociais
1. Fervor devocional. Sendo a vida cristã etc. Nessa selva de informações como
comparada à rotina de treinamento de um devemos nos portar? Paulo orienta-nos a
atleta (1 Co 9.24-27), é necessário compre- sermos criteriosos com TODAS as coisas
ender que existem algumas práticas que (1 Ts 5. 21), isto é, examiná-las minucio-
devemos realizar cotidianamente; isto é, samente para conferir sua autenticidade,
assim como um atleta possui disciplina assim como um ourives faz com os
corporal e alimentar, até mesmo de sono, objetos que lhes são trazidos. Sabemos
como cristãos devemos ser capazes de que inerrante só a Palavra de Deus, en-
continuar orando, mesmo quando aparen- tretanto, as interpretações humanas, os
temente parece que não somos ouvidos (1 usos (e abusos) que se faz da Palavra,
Ts 5.17). Nossa vida não deve ser encarada tudo precisa ser examinado.

JOVENS 59
SUBSÍDIO 1 SUBSÍDIO 2

“O culto de adoração pentecostal “Não obstante, ele também se refere


é conhecido pelas manifestações ‘os que têm dons de administração’ (
do Espírito Santo, como o falar em 1 Co 12.28 - NVI) e diz que se alguém
línguas, a interpretação das línguas e tiver o dom de ‘exercer liderança, que
a profecia (expressão vocal inspirada a exerça com zelo’ (Rm 12.8 - NVI). Ele
pelo Espírito no idioma da própria também incita os tessalonicenses ‘que
pessoa). Já em pleno século XXI, reconheçais os que trabalham entre
observamos que esses fenômenos vós, e que presidem sobre vós no
estão se difundindo em mais igre- Senhor, e vos admoestam’ (1 Ts 5.12).
jas, países e povos do que estavam O verbo na expressão ‘presidem sobre
no começo deste século, quando vós” é proistêmi traduzido por ‘lideran-
o movimento pentecostal teve seu ça’ em Romanos 12.8 (NVI). Portanto,
início.Contanto que obedeçamos à alguns exerciam responsabilidades
Palavra de Deus e fiquemos abertos administrativas e de liderança na igreja.
ao mover do Espírito Santo, desfru- Mas não se determina o grau da au-
taremos da manifestação ou dons do toridade que suas responsabilidades
Espírito Santo em nossos cultos de acarretavam. É provável que essas
adoração. Que nunca deixemos de lideranças cumpriam principalmente
manter diante de nós as palavras de as decisões da congregação.
1 Tessalonicenses 5: “Não extingais Nessas epístolas, uma voz de auto-
o Espírito. Não desprezeis as profe- ridade pertence ao próprio apóstolo.
cias. Examinai tudo. Retende o bem Ele comunica aos tessalonicenses:
”(vv. 19-21). [...] Em última instância, ‘Pelo Senhor vos conjuro que esta
a igreja pentecostal deve julgar sua epístola seja lida a todos os santos
adoração pelo que está acontecendo irmãos’ (1 Ts 5.27). E que ‘se alguém
interiormente, e não pelo que ocorre não obedecer à nossa palavra por
exteriormente. Jesus nos falou que esta carta, notai o tal’ (2 Ts 3.14). Ele,
a vinda do Espírito Santo significaria ao advertir os coríntios de que falar de
que aquEle que tinha estado conosco modo arrogante não substitui o po-
agora estaria em nós (Jo 14.17). É o der, pergunta-lhes: “Irei ter convosco
grandioso poder pentecostal em ação com vara ou com amor e espírito de
em nós que tornará nossa adoração mansidão?” (1 Co 4.21) (ZUCK, Roy B.
significativa e eficaz” (CARLSON, Teologia do Novo Testamento. 1.ed.
Raymond et al. Pastor Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2008. p. 317).
Teologias e práticas pastorais. 1.ed. Rio
de Janeiro: CPAD, 2008.pp. 592, 593).

60 JOVENS
ESTANTE DO PROFESSOR
CRUZ, Jader Fagundes. Manual Prático
de Liderança com Jovens. 1.ed.
Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

ANOTAÇÕES

CONCLUSÃO
Nunca se fez tão necessário tomar cuidado com os charlatões da fé e, ao
mesmo tempo, dar suporte à vocação dos santos que foram chamados por
Deus para abençoar nossas vidas por meio da liderança.

HORA DA REVISÃO
1. Comente a frase: “Não foi a Igreja que nasceu para a liderança, mas a liderança
que foi constituída em função da Igreja.”
Resposta pessoal. (A resposta deve refletir sobre a natureza diaconal das li-
deranças.)
2. O que significa liderar no Senhor?
É utilizar-se de princípios extraídos da Palavra, que espelhem a vontade de Deus;
é liderar para a glória de Deus, a fim de que o nome do Senhor seja exaltado
em tudo o que realizarmos.
3. Apresente três características de uma Igreja autêntica.
Acolhedora, contextualizada/dialogal e benigna.
4. Quais são as características de uma vida de fervor espiritual segundo Paulo em
1 Tessalonicenses?
Oração contínua, gratidão, discernimento e vigilância moral.
5. Qual a importância do discernimento espiritual para o desenvolvimento de
nossas Igrejas?
Por meio do discernimento a verdade de Deus torna-se mais evidente em
nosso contexto eclesiástico e social.
9
LIÇÃO

27/05/2018

CORAGEM EM MEIO
À PERSEGUIÇÃO
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AGENDA DE LEITURA
TEXTO DO DIA SEGUNDA – 1 Co 11.19
“Pelo que também rogamos Em meio às crises os fiéis
sempre por vós, para que o se revelam
nosso Deus vos faça dignos
da sua vocação e cumpra todo TERÇA – Sl 11.5
desejo da sua bondade e a O justo passa por provas
obra da fé com poder.” QUARTA – Rm 8.38,39
(2 Ts 1.11) As aflições não podem nos
separar do amor de Deus
QUINTA – Hb 4.1-11
SÍNTESE Há um lugar de descanso
para nós
Não existem contrariedades
que sejam capazes de destruir SEXTA – Cl 1.12
o projeto de Deus para nós. Somos chamados para uma
vida digna
SÁBADO – 1 Co 10.31
Devemos viver para a glória
de Deus

62 JOVENS
OBJETIVOS
1. DISCUTIR a respeito do comportamento dos irmãos
tessalonicenses diante da perseguição;
2. COMPREENDER que mesmo em meio às tribulações
o Senhor está conosco;
3. ANALISAR a postura de Paulo como líder diante da
perseguição aos tessalonicenses.

INTERAÇÃO
Estimado professor, você já parou para pensar a honra
que é servir a Deus por meio do ministério do ensino? Se
não houvesse a Escola Dominical como seria o processo
de discipulado e formação bíblica continuada em nossas
igrejas? O quanto de seu ministério seria diminuído se você
não atuasse como ensinador? Ao refletir essas questões é
necessário reconhecermos o quanto somos agraciados por
militarmos no ministério do ensino, pois no processo de
preparo de cada aula, no esmero semanal de fazer o melhor
para Cristo, não apenas nossos alunos são abençoados, mas
nós individualmente, somos também ricamente edificados
por intermédio da Palavra de Deus. Por isso, faça de seu mi-
nistério um motivo de gratidão contínua em suas orações,
compreendendo que servir à Igreja de Cristo como educador
é um privilégio para alguns poucos filhos de Deus, e você
caro professor, é um desses bem-aventurados.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Por vivermos em um país pacífico e receptivo aos prin-
cípios do Evangelho temos, muitas vezes, dificuldade de
compreender com clareza o que de fato é ser perseguido
por amor a Cristo. Uma estratégia para utilizar-se nesta
lição é pesquisar em sites especializados informações
sobre como é a vida de cristãos em países fechados para
a pregação do Evangelho. Existe inclusive uma mobili-
zação nacional por igrejas que vivem em contextos de
perseguição que é o DIP (Domingo da Igreja Perseguida).
Este sempre ocorre no domingo após a comemoração
do Pentecostes – em alusão ao contexto de Atos 4.
Promova entre seus alunos um momento de conscien-
tização missionária, com o foco voltado para nações
onde declarar-se cristão é assumir para si uma sentença
de morte. Ore em sala por nossos irmãos perseguidos,
e demonstre que os desafios enfrentados pelos tessa-
lonicenses são compartilhados por muitos ainda hoje.

JOVENS 63
TEXTO BÍBLICO COMENTÁRIO
2 Tessalonicenses 1.3-12
3 Sempre devemos, irmãos, dar graças a INTRODUÇÃO
Deus por vós, como é de razão, porque
a vossa fé cresce muitíssimo, e o amor
Provavelmente, alguns meses depois
de cada um de vós aumenta de uns da escrita de 1 Tessalonicenses, a
para com os outros, persistência de três problemas leva
4 de maneira que nós mesmos nos Paulo a escrever uma nova carta à
gloriamos de vós nas igrejas de Deus, Igreja em Tessalônica com o objetivo
por causa da vossa paciência e fé, e de novamente denunciar tais situ-
em todas as vossas perseguições e
ações. As dificuldades enfrentadas
aflições que suportais,
pelos tessalonicenses englobam três
5 prova clara do justo juízo de Deus, para
que sejais havidos por dignos do Reino grandes áreas: política-cultural, teoló-
de Deus, pelo qual também padeceis; gica e social; são estes: uma ferrenha
6 se, de fato, é justo diante de Deus que perseguição promovida por judeus
dê em paga tribulação aos que vos e pelo império, uma interpretação
atribulam, completamente errônea com relação
7 e a vós, que sois atribulados, descanso a parousia (a vinda do Senhor), e o
conosco, quando se manifestar o Senhor desagradável testemunho pessoal
Jesus desde o céu, com os anjos do
de alguns irmãos que simplesmente
seu poder,
não queriam mais trabalhar.
8 como labareda de fogo, tomando vin-
gança dos que não conhecem a Deus e Neste primeiro capítulo o apóstolo
dos que não obedecem ao evangelho dedica-se a uma palavra de ânimo e
de nosso Senhor Jesus Cristo; fortalecimento àqueles irmãos que,
9 os quais, por castigo, padecerão eterna desde a saída de Paulo daquela cida-
perdição, ante a face do Senhor e a de, passavam por severas situações
glória do seu poder,
de intolerância, mas mesmo assim
10 quando vier para ser glorificado nos
continuavam firmes no propósito
seus santos e para se fazer admirável,
naquele Dia, em todos os que creem de servir a Deus. Sobre esta situação,
(porquanto o nosso testemunho foi Paulo os conforta afirmando que o
crido entre vós). Senhor fará justiça.
11 Pelo que também rogamos sempre por
vós, para que o nosso Deus vos faça I- COMO SE PORTAR DIANTE DAS
dignos da sua vocação e cumpra todo
TRIBULAÇÕES?
o desejo da sua bondade e a obra da
fé com poder; 1. Com uma fé amadurecida. A fé dos
12 Para que o nome de nosso Senhor tessalonicenses não estagnou (2 Ts 1.3).
Jesus Cristo seja em vós glorificado, Apesar das severas tribulações, das heresias
e vós nele, segundo a graça de nosso
que se infiltravam naquela comunidade,
Deus e do Senhor Jesus Cristo.
eles cresceram em confiança diante do
Senhor. A máxima de Paulo direcionada à
Igreja em Corinto em 1 Coríntios 11.19 parece
fazer todo sentido em Tessalônica: é na crise
que os verdadeiros e fiéis se manifestam,
assim como os fraudulentos e hipócritas
também (1 Tm 5.24,25). Um contexto de

64 JOVENS
adversidades não deve nos intimidar, antes, em meio a “perseguições e aflições” (2 Ts
devemos encará-lo como uma possibilidade 1.4) persiste pacientemente confiando em
de aprofundarmo-nos na fé em Jesus Cristo. Cristo. Este é o segredo de uma vida vitoriosa:
A vivência de oposições deve colaborar nunca agir precipitadamente em momentos
para nosso amadurecimento, isto é, quando de tensão, mas ao contrário, orientar-se
vivemos em tempos difíceis passamos a por uma postura paciente. Nossa paz não
valorizar as coisas certas, assim como a se deriva de posses, poderes ou palavras.
desconsiderar como relevante aquilo que Temos a capacidade de parcimoniosamen-
não edifica. As muitas dificuldades que os te enfrentar os percalços da vida porque
tessalonicenses enfrentavam serviram de temos um supremo alívio vindo do Senhor
combustível para o desenvolvimento da fé (Jo 16.33). A paciência dos tessalonicenses,
daqueles irmãos. que se fundamentava numa fé inabalável
2 . Com um amor que se multiplica. Um no amor de Deus, deve inspirar-nos a crer
dos erros mais comuns, mas ao mesmo que nenhum problema é capaz de mudar
tempo mais perigosos que cometemos o que o Senhor sente por nós.
em tempos difíceis, é permitir que o ódio
ganhe espaço em nosso ser. Os sentimen- Pense!
tos de injustiça, desrespeito e medo que Não somos chamados para sermos
se levantam contra nós, não podem ser cristãos infantis.
alimentados, senão, enraízam em nossos
corações impedindo-nos de compreender
Ponto Importante
Em tempos de ódios culturais aflora-
com clareza a vontade de Deus (Hb 12.15).
dos, precisamos, mais do que nunca,
Lembremo-nos: nossos inimigos não são ser multiplicadores do amor.
terrenos ou humanos, mas espirituais e
diabólicos (Ef 6.12). Ao contrário disso, diante II- O QUE ESPERAR EM TEMPOS
da crise, o amor entre os tessalonicenses DE TRIBULAÇÃO?
se multiplicou, e não apenas, como al- 1. Que a tribulação converta-se em
guém poderia pensar, de maneira egoísta, instrumento de testemunho de nossa
internamente, mas também para com a fé. Levando em consideração tudo o
comunidade que estava à volta deles. Por que aquela igreja enfrentava, mui es-
meio do amor aquela comunidade se for- pecialmente a intolerância por parte da
talecia e conseguia superar suas limitações população local, o que poderia garantir
e oposições. Não se vence o mal com mal, que eles estavam no caminho certo?
mas por meio do bem, do amor, da justiça Esse é um sério questionamento com
e da misericórdia. o qual comumente nos deparamos em
3. Com uma paciência inspiradora. A tempos de adversidade: será que estou
reação daquela jovem igreja perante tantas fazendo as escolhas corretas? Que ga-
tribulações era exemplar; o próprio apóstolo rantias tenho que Cristo está comigo se
testemunha que durante sua estadia em estou enfrentando tudo isso? A resposta
outras igrejas daquela região, a postura dos para estas questões, segundo o próprio
irmãos em Tessalônica servia de inspiração. Paulo afirma (2 Ts 1.5; Sl 11.5), são as tribu-
De modo especial, Paulo fala sobre a pa- lações. Isto é, as lutas que enfrentamos,
ciência daquela comunidade, que mesmo e superamos com paciência e fé (v.4), é

JOVENS 65
o testemunho que fala mais alto acerca capazes de impedir o estabelecimento
de nossa espiritualidade e dignidade em da eterna vontade do Pai. Nossa trajetória
Cristo. Não devemos procurar problemas. tem um rumo, nossos passos possuem
Todavia, não devemos temê-los quando uma direção certa; não demorará muito,
esses chegam, pois Cristo está conosco. e nós ouviremos do Senhor o chamado
2. Que a devida justiça seja exercida eterno para morarmos para sempre ao
sobre os perseguidores. Em um contexto lado daquele que infinitamente nos ama.
ostensivo e de ferrenha oposição, deve-
mos ter a certeza de que o Senhor está Pense!
ao lado do justo, e que por isso o ímpio Não é necessário desejar o mal de
ninguém. Cada um colherá aquilo
jamais prosperará (2 Ts 1.6,8,9). O aparente
que pessoalmente plantou.
bem-estar do injusto não deve angustiar
nossos corações, pois a estabilidade de
Ponto Importante
tal felicidade é frágil e de rápida deses- Não devemos fazer uma apologia
truturação. A alegria e descanso que o ao sofrimento, como se devêssemos
Pai tem programado para nós, todavia, desejá-lo, contudo, é preciso ter
são eternos, estáveis e abençoadores. consciência de que enfrentaremos
problemas.
Não nos cabe a execução de nenhum
juízo, e sim a prática cotidiana da justiça.
III- A ORAÇÃO DE PAULO PELOS
A ação de julgar é exclusiva do Pai (Hb TESSALONICENSES
10.30), quanto a nós, basta-nos acreditar 1. Tenham sua vocação confirmada.
que nenhum culpado será tomado como Não vem dos tessalonicenses o direito à
inocente, e nenhum puro será condenado salvação; esta é uma obra exclusivamente
pelo Senhor como perverso (Na 1.3). No dia realizada por Deus (Ef 2.8). Contudo, o
do juízo, justos e ímpios, serão separados Eterno exige de seus filhos um padrão
pelo Senhor, os primeiros para descanso ético elevado; a vida digna para qual somos
eterno, já esses últimos, infelizmente para chamados também é uma realização de
desprezo e castigo eternos (Mt 25.33-45). Deus em nosso ser. Sendo o Altíssimo o
3. Que o dia do descanso virá. As protagonista de todos os atos referentes
tribulações um dia terão um fim! (2 Ts à salvação, a oração de Paulo é para que
1.7,10) Nossa jornada, por mais cheia de os tessalonicenses aguardassem, de
percalços que possa ser, terá um ponto modo ativo (com testemunho, obediência
final, pois o plano eterno de Deus desen- e fervor), a ação salvadora do Senhor (2
rola-se desta forma. Não é para o caos e o Ts 1.11). Grandes coisas o Salvador tem a
descontrole que tendem todas as coisas, realizar na vida de todos os seus filhos.
o Senhor ainda coordena o universo, Ele Nosso esforço, desta maneira, deve estar
está assentado no trono (Sl 11.4; 96.10). Para em crer naquilo que o Senhor é poderoso
os seus santos, o Altíssimo tem preparado para fazer. Sabendo que é Ele quem conti-
lugar de descanso e paz (Hb 4.1-11). É para nuamente restaurará nosso ser à imagem
essa esperança que devemos direcionar do Pai enquanto aguardarmos a salvação.
nossos corações, isto é, não é aqui que 2. Vivam a vontade de Deus. Paulo
acaba nossa história. As muitas lutas e esclarece aos tessalonicenses que a voca-
tribulações que enfrentamos não serão ção daqueles irmãos tem como finalidade

66 JOVENS
cumprir a vontade do Pai. Esta é uma im-
SUBSÍDIO
portante intercessão que o apóstolo faz por
aquela jovem igreja, pois cotidianamente “A Completa Recompensa Virá (1.6-10)
somos confrontados com essa situação a
Saber que qualquer tipo de injustiça
ser resolvida: obedecemos a voz do Mestre
cometida um dia terá seu julgamento
ou fazemos tudo do nosso jeito? É claro que
é um grande incentivo que gera um
qualquer pessoa responderá que é melhor
sentimento de bem-estar. Deus deseja
fazer a vontade do Senhor. Contudo, muitas
que a justiça corra como um ribeiro
vezes o plano de Deus nem sempre é o
impetuoso (Am 5.24). Seus filhos po-
mais fácil ou conveniente a nós. Que nos
dem ter certeza de que a impiedade
inspiremos no clamor de Paulo pelos tes-
não escapará do julgamento, nem a
salonicenses para crer que a mais excelente
justiça deixará de ser recompensada.
escolha é cumprir cada plano do Senhor
Paulo reafirma os dois lados da justiça
(Sl 143.10). Sempre viveremos tribulações e
de Deus. Primeiramente fala do lado
adversidades, mas isso não quer dizer que
negativo — aqueles que perturbarem
estamos sozinhos.Na maioria das vezes,
os tessalonicenses não escaparão
continuar de pé em tempos de calamidade
impunes (v. 6). Esse ato de Deus não
é a prova mais contundente de que Deus
deveria ser visto como um ‘embrulho
está conosco (Sl 118.6,7).
de brutalidade cruel’ que proporcio-
3. Glorifiquem ao Senhor com suas
nará alegria, embora a simplicidade
vidas. Aquela era uma Igreja que enfrentava
da expressão no versículo 6 possa
fortes dificuldades. A possibilidade de haver
levar a tal pensamento (também os
algum tipo de repercussão negativa na
vv. 8 e 9; 2 Pe 2.12- 17; Jd 10-13). Tal-
espiritualidade daqueles novos irmãos era
vez estas expressões bíblicas sejam
algo real. Todavia, a intercessão de Paulo
como os salmos imprecatórios, que
pelos tessalonicenses direcionava-se no
exigem dolorosos julgamentos sobre
sentido de que estes reconhecessem que
os opressores (por exemplo, Sl 3; 58;
suas vidas tinham como finalidade a glória
59), não porque alguém esteja sedento
de Deus, e por isso, não deveriam permitir
de sangue, mas por se esperar tão
que nada lhes separassem do amor do Pai
ansiosamente que a justiça de Deus
(Rm 8.35-39). Tal como os irmãos de Tessa-
resgate o seu povo do mal. O salário
lônica, devemos viver de maneira que tudo
do pecado será pago pelos persegui-
que façamos seja para o louvor do Senhor.
dores – a não ser, é claro, que lhes
Muito mais importante que glorificar a Deus
aconteça o mesmo que aconteceu
apenas com palavras ou discursos é viver
a Saulo, ou seja, que se arrependam
inteiramente para a honra do Senhor.
durante a sua jornada” (ARRINGTON,
French L. e STRONSTAD, Roger (Ed).
Pense! Comentário Bíblico Pentecostal. 4 ed.
A salvação não vem de nós, é uma
dádiva de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p. 1414).

Ponto Importante
Somos comissionados para uma
vida de doação ao Reino e ao seu Rei.

JOVENS 67
ESTANTE DO PROFESSOR
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas.
Vencendo as Aflições da Vida.
1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

ANOTAÇÕES

CONCLUSÃO
Os desafios que aquela jovem igreja enfrentava eram enormes. Se fizésse-
mos uma avaliação meramente humana da situação, o prognóstico seria
dos piores. Todavia, aquela comunidade não andava por critérios humanos,
mas por obra de Deus. Inspiremo-nos no exemplo de Tessalônica para
enfrentar nossas lutas particulares, sempre crendo que o Senhor é nosso
bondoso Pai, que jamais nos abandona.

HORA DA REVISÃO
1. Quais os três problemas que levaram Paulo a escrever uma segunda carta aos
irmãos tessalonicenses?
Uma ferrenha perseguição promovida por judeus e pelo império, uma interpre-
tação completamente errônea com relação a parusia (a vinda do Senhor), e o
desagradável testemunho pessoal de alguns irmãos que simplesmente não
queriam mais trabalhar.
2. Que atitudes a comunidade em Tessalônica tomou diante da contínua tribulação
que ali se levantou?
Demonstrou uma fé amadurecida, multiplicou a prática do amor e paciente-
mente esperou a ação de Deus.
3. De que modo as lutas e tribulações que enfrentamos podem se tornar em tes-
temunho de nossa fé?
Através de um comportamento que espelhe confiança no cuidado e amor do Pai.
4. De que modo devemos nos portar ante a prosperidade do ímpio nos tempos em
que somos angustiados?
Com serenidade, sabendo que o prazer deles é fútil e logo passa, mas nossa
alegria é/será eterna.
5. É possível glorificar a Deus com nossas vidas? Justifique sua resposta.
Sim, por meio do entendimento que a finalidade de nossas vidas é glorificar
ao Senhor Jesus.
10
LIÇÃO

03/06/2018

A MANIFESTAÇÃO DO
ANTICRISTO E O DIA
DO SENHOR
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AGENDA DE LEITURA
TEXTO DO DIA SEGUNDA – Mt 24.36
“Que não vos movais facil-
mente do vosso entendimento, Ninguém sabe quando ocorrerá o
nem vos perturbeis, quer por Dia do Senhor
espírito, quer por palavra, quer
TERÇA – Sf 1.14
por epístola, como de nós,
como se o Dia de Cristo esti- O Dia do Senhor no AT
vesse já perto.” (2 Ts 2.2) QUARTA – 2 Pe 2.1
O antigo perigo das heresias
QUINTA – 2 Ts 2.10
SÍNTESE
O Anticristo vem com a operação
Pensar a respeito do futuro
leva-nos a uma reflexão do engano
profunda sobre o presente, SEXTA – 1 Jo 4.3
na certeza de que os sinais
da vinda do Senhor estão O perigo do espírito do Anticristo
estabelecidos. SÁBADO – 2 Ts 2.12
O fim dos desobedientes

JOVENS 69
OBJETIVOS
1. REFLETIR a respeito das Últimas Coisas;
2. CARACTERIZAR o Dia do Senhor;
3. APRESENTAR as principais informações a respeito
do Anticristo.

INTERAÇÃO
Caro educador cristão, o seu ministério é muito impor-
tante para sua igreja; prova disso é reconhecermos que a
maior parte dos conteúdos bíblicos que seus educandos
têm acesso passa diretamente por você. Apesar da grande
quantidade de informações de várias fontes (internet,
televisão, mídia escrita) que os jovens recebem, suas
palavras semanalmente ministradas a eles durante as
aulas da Escola Dominical têm muita credibilidade.
É por isso que eles têm tantas perguntas (não é que eles
queiram testar seus conhecimentos, e sim veem em você
uma grande fonte de conhecimento, e conhecimento com
credibilidade). Em tempos onde as facknew se proliferam,
sinta-se extremamente honrado em ter a confiança de
seus educandos. Por isso, siga em frente, estudando
sempre a Palavra de Deus, e fazendo o melhor possível
para a Reino do Pai.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Como a discussão a respeito do Anticristo será uma
das questões centrais desta lição você pode propor aos
seus educandos a montagem de um quadro contendo as
principais informações e características do Anticristo.
Faça deste momento uma oportunidade para que seus
alunos interajam entre si e possam aprender uns com os
outros. Após a construção do quadro que tanto pode ser
confeccionado de modo coletivo, individual ou em grupos
específicos, conduza uma discussão sobre os perigos da
operação do espírito do Anticristo em nossa sociedade.
Destaque a perniciosidade da sutil, mas constante ope-
ração da maldade que, neste caso, de modo dissimulado
procura confundir tanto a sociedade de um modo geral
como também a comunidade dos santos.
Finalize conscientizando seus alunos que mais impor-
tante que identificar uma pessoa específica no curso
da história é melhor combater uma série de práticas.

70 JOVENS
TEXTO BÍBLICO COMENTÁRIO
2 Tessalonicenses 2.1-12
1 Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda INTRODUÇÃO
de nosso Senhor Jesus Cristo e pela
O capítulo dois de 2 Tessalonicen-
nossa reunião com ele,
ses é dedicado à escatologia. Duas
2 que não vos movais facilmente do vosso
entendimento, nem vos perturbeis, quer questões sobressaem-se: o Dia do
por espírito, quer por palavra, quer por Senhor e a figura do Anticristo. A
epístola, como de nós, como se o Dia abordagem que Paulo dá a esta te-
de Cristo estivesse já perto. mática é diferente daquilo que ele
3 Ninguém, de maneira alguma, vos faz em 1 Tessalonicenses. As novas
engane, porque não será assim sem explicações dadas por Paulo ma-
que antes venha a apostasia e se ma-
nifeste o homem do pecado, o filho da
nifestam, mais uma vez, o imenso
perdição, cuidado que o apóstolo tinha para
4 o qual se opõe e se levanta contra tudo com aquela comunidade, pois ao
o que se chama Deus ou se adora; de invés de desistir de esclarecer o
sorte que se assentará, como Deus, tema, ou simplesmente repeti-lo, o
no templo de Deus, querendo parecer coração pastoral de Paulo leva-o a
Deus.
procurar outros argumentos para
5 Não vos lembrais de que estas coisas elucidar as dúvidas, a respeito das
vos dizia quando ainda estava convosco?
últimas coisas, daqueles irmãos.
6 E, agora, vós sabeis o que o detém,
para que a seu próprio tempo seja
manifestado.
I- POR QUE FALAR NOVAMENTE
7 Porque já o mistério da injustiça opera;
A RESPEITO DOS ÚLTIMOS DIAS?
somente há um que, agora, resiste até
que do meio seja tirado; 1. Porque esta é uma questão que
8 e então, será revelado o iníquo, a quem nunca envelhece. Paulo demonstra em
o Senhor desfará pelo assopro da sua 2 Tessaloninces 2.1, que a Igreja Primitiva
boca e aniquilará pelo esplendor da tinha em seu interior uma oração constante,
sua vinda;
a qual centrava-se no desejo pela volta
9 a esse cuja vinda é segundo a eficácia
de Satanás, com todo o poder, e sinais, do Senhor Jesus. Qualquer igreja que não
e prodígios de mentira, dedica tempo adequado à reflexão sobre a
10 e com todo o engano da injustiça para doutrina das últimas coisas será facilmente
os que perecem, porque não receberam envolvida por um discurso imediatista, que
o amor da verdade para se salvarem.
defende o resultado a qualquer custo. Nós,
11 E, por isso, Deus lhes enviará a operação
do erro, para que creiam a mentira, contudo, devemos ser guiados pelos prin-
12 para que sejam julgados todos os que cípios da Palavra, os quais apontam para
não creram a verdade; antes, tiveram um minucioso processo desenvolvido por
prazer na iniquidade. Deus ao longo da história. Devemos viver
assim como Paulo e seus contemporâne-
os, pensando e esperando pela vinda do
Senhor em nossa geração, mas se assim
não acontecer, certamente usufruiremos
do maravilhoso privilégio de estarmos
preparados para a ressurreição dos santos.

JOVENS 71
2. Porque alguns falsos ensinos es- tico, etc. Devemos procurar uma postura
tavam confundindo os irmãos. Pode-se moderada, especialmente, centrada na
inferir por aquilo que é dito no versículo Palavra de Deus.
dois que havia uma série de informações
distorcidas, oriundas de fontes duvidáveis, Pense!
que estavam confundindo o coração dos O imediatismo de nossos dias tenta
nos roubar o direito de fazer uma
irmãos em Tessalônica. As palavras de
reflexão profunda a respeito do
Paulo tinham como intenção reforçar os futuro. Superemos o perigo de uma
fundamentos doutrinários que já haviam vida instantânea e lancemo-nos na
sido postos. O apóstolo contrapunha-se busca constante e incansável por
ao princípio estratégico de toda heresia: tudo aquilo que o Senhor genero-
tomar uma parte da verdade, distorcê-la, e samente tem nos preparado desde
antes da fundação do mundo.
transformá-la em uma perniciosa mentira
(2 Pe 2.1). Os crentes em Tessalônica já
Ponto Importante
tinham ouvido Paulo ensinar-lhes sobre as Se a igreja contemporânea
coisas futuras. Todavia, falsos pregadores, calar-se a respeito do debate acerca
movidos por um maligno sentimento de das questões futuras, os ensinamen-
aproveitar-se da generosidade e cordiali- tos heréticos oriundos de grupos
dade daqueles novos convertidos, como heréticos se multiplicarão. Por mais
desafiador que seja, nosso compro-
se verá em outras lições, anunciavam o
misso deve ser com o Deus da Palavra.
retorno iminente de Cristo como pressu-
posto para não trabalharem e viverem às II- O DIA DO SENHOR
custas de outros. 1. Não será previsto por indicações
3. Porque é um tema complexo. Debater humanas. Não são predições humanas
a respeito dos últimos acontecimentos da que indicarão a chegada do Dia do Senhor.
história da humanidade é um enorme de- Tal evento certamente acontecerá, mas
safio, pois é uma questão sempre apresen- como o próprio Cristo já anunciou, será
tada a partir de um olhar profético, envolto algo impossível de ser previsto por meio
por revelações, visões, e por isso, muitas de uma data específica, apesar de falsos
interpretações. Paulo já havia falado muito profetas tentarem adivinhar o dia (Lc 21.8).
sobre essas questões com os irmãos em Será algo repentino e surpreendente
Tessalônica (v.5), mesmo assim era neces- (Mt 24.44). Ao longo da história humana
sário aprofundar ainda mais os debates. A foram várias as tentativas frustradas de
complexidade das questões escatológicas indicação do Dia do Senhor. Ao invés de
tende a levar as pessoas a dois extremos: dedicarmos um precioso tempo a supos-
ou a um afastamento completo, por meio tos cálculos, teorias sobre Israel e outras
do qual alguns evitam todo e qualquer questões desnecessárias, devemos nos
debate alegando ser um tema profundo concentrar em manter uma vida piedosa
e de difícil tratamento. Outros, por sua vez, e centrada na vontade de Deus, tal como
vivem fascinados por tais problemas e Paulo orientava os crentes de Tessalônica.
mensalmente elegem um anticristo. Esses, Mais importante do que saber o dia e a
em todo acontecimento de repercussão hora do retorno do Rei é estar preparado
mundial, veem um cumprimento profé- para tal momento.

72 JOVENS
2. O que acontecerá antes. Paulo
Pense!
esclarece aos tessalonicenses a respeito A ilusão que grande parte dos
de alguns acontecimentos que precede- movimentos heréticos cria é que,
rão o grande Dia do Senhor, dentre eles promovendo o anúncio de uma
os dois principais: aumento exponencial data para o retorno de Cristo, certa-
da apostasia e a manifestação plena do mente as pessoas preocupar-se-ão
em serem mais piedosas. O fato é
Anticristo (v.3). A Palavra de Deus, em
que se não vivermos como se Cristo
vários momentos específicos, aponta voltasse hoje, de nada importa
para esse processo de retrocesso em saber que Ele virá amanhã.
diferentes áreas: na espiritualidade de
nossa sociedade, aumento de conflitos Ponto Importante
armados (Mt 24.6); desestruturação A decadência moral e espiritual de
familiar (Mc 13.12); processo de des- nossa sociedade é um indício do
sensibilização dos indivíduos (Mt 24.12). que? Na verdade, desde a Queda do
homem, a natureza sofre ansiando a
Esses acontecimentos caracterizam a
redenção e a humanidade luta para
sociedade que presenciará o Dia do manter os resquícios da vida edê-
Senhor. Todo e qualquer prognóstico nica. Não devemos temer o futuro,
otimista é contrário ao que é anunciado uma vez que é para a eternidade de
pelas Escrituras. Não sabemos o dia alegria que nós caminhamos.
nem a hora, mas podemos discernir o
tempo: aproxima-se cada vez mais a III- O ANTICRISTO
vinda do Senhor. 1. Aquele que ousa ser o que não é.
3. Será um tempo de juízo para os Há na descrição do Anticristo, tanto aqui
que não creram na verdade. O Dia do em 2 Tessalonicenses, como em 1 João e
Senhor aqui é descrito por Paulo numa Apocalipse, um conjunto de características
linguagem muito próxima a do profetismo que apontam para este espírito de emulação
do Antigo Testamento, tanto com relação que domina o Anticristo (v.4). Não sendo o
à vinda dos povos opressores para o Salvador, ele pretende em tudo parodiá-lo:
estabelecimento do cativeiro, como num Se a vinda de Jesus é segundo o poder de
anúncio escatológico (Is 13.6; Jr 46.10; Jl Deus (Ap 19.11-16), a chegada do Anticristo é
2.1; Sf 1.14). Ao ser compreendido como segundo a eficácia de Satanás (v.9); se Cristo
momento de estabelecimento da justiça é aquEle que se chama Fiel e Verdadeiro (Ap
de Deus, o Dia do Senhor tem como 19.11), o Anticristo vem firmado na operação
inevitável característica da aplicação da mentira e do engano (v.10). Mas também
a sentença do Pai sobre aqueles que, é preciso lembrar que, enquanto o Reino do
conscientemente, negaram a eficácia Senhor estabelecer-se-á para sempre (Sl
da verdade e preferiram o erro. Não se 145.13), a atuação do Anticristo será desfeita,
trata de uma destinação prévia à con- facilmente, pelo poder da palavra do Altís-
denação, mas antes, como o emprego simo e pelo esplendor de sua vinda (v.8). O
da punição requerida por aqueles que Anticristo busca incessantemente plagiar as
arbitrariamente optaram por uma vida ações do Cristo para, uma vez confundindo
sem Deus e sem salvação. O Dia do os incautos, arrebanhar para si uma multidão
Senhor certamente virá! de alienados, opressos pelo mal.

JOVENS 73
2. É a materialização de uma espi-
SUBSÍDIO
ritualidade decadente. Ao denunciar a
perniciosidade dos ensinos gnósticos que “ANTICRISTO - [Do gr. anti, contra,
se multiplicavam no seio da igreja no final ou em lugar de, e christos, o ungido]
do primeiro século, especialmente os Opositor por antonomásia de Cristo.
difundidos por aqueles que haviam sido Também pode significar aquele que
cristãos, e agora apostatavam da fé (1 Jo se coloca no lugar de Cristo. Lendo a
2.18-23), João denuncia que já opera entre Primeira Epístola Universal de João,
eles uma mentalidade demoníaca, uma temos a impressão de que este per-
espiritualidade diabólica, a qual o apóstolo sonagem sempre esteve presente ao
denomina de “espírito do anticristo” (1 Jo longo da história do povo de Deus:
4.3). A figura apontada por Paulo em 2
‘Filhinhos, esta é a última hora; e, con-
Tessalonicenses seria a personificação
forme ouvistes que vem o anticristo,
deste modelo antideus de sociedade,
já muitos anticristos se têm levantado;
que se estabelecerá diante da vinda do
por onde conhecemos que é a última
Senhor. É como se, novamente numa
hora. Saíram dentre nós, mas não eram
nítida paródia de Cristo, no Anticristo dos nossos; porque, se fossem dos
se estabelecesse a síntese de toda a nossos, teriam permanecido conosco;
malignidade que é possível o indivíduo mas todos eles saíram para que se
comportar. De fato, o Anticristo nada mais manifestasse que não são dos nossos.
será que o ícone de uma cosmovisão, o Ora, vós tendes a unção da parte do
símbolo encarnado do espírito que se Santo, e todos tendes conhecimento.
opõe a Deus. Não vos escrevi porque não soubés-
3. A operação do Anticristo hoje. Aquilo seis a verdade. mas porque a sabeis,
que João e Paulo enfrentaram há 2.000 e porque nenhuma mentira vem da
anos estamos enfrentando hoje. Os anti- verdade. Quem é o mentiroso, senão
cristos continuam em operação entre nós aquele que nega que Jesus é o Cristo?
tentando, sistematicamente, descontruir Esse mesmo é o anticristo, esse que
tudo o que tenha significância e importân- nega o Pai e o Filho’ (1 Jo 18-22)” (AN-
cia para Deus e seu povo na atualidade. DRADE, Claudionor Corrêa. Dicionário
Deste modo, os ataques acontecem no de Escatologia Bíblica. 1.ed. Rio de
campo da educação, das artes, da política, Janeiro: CPAD, 1998, p. 22).
economia, etc. Quantas supostas “igrejas”
têm surgido, acobertando e justificando os
mais absurdos comportamentos e práticas
supostamente em nome de um Evangelho
contemporâneo? Ao invés de ficarmos,
pateticamente, em busca de denominar
o personagem histórico que se revelará
como o Anticristo, é melhor denunciarmos
as práticas decadentes da espiritualidade
anticristã que deseja, de maneira insistente,
estabelecer-se em nossa sociedade.

74 JOVENS
ESTANTE DO PROFESSOR
HORTON, Stanley M. Apocalipse: As Coisas
que Brevemente Devem Acontecer.
1.ed. Rio de Janeiro CPAD, 2011.

ANOTAÇÕES

CONCLUSÃO
A reflexão sobre o Dia do Senhor e o Anticristo para a igreja em Tessalônica
tinha uma enorme importância comunitária. Foi, provavelmente, por meio
de uma heresia escatológica que se estabeleceu naquela comunidade uma
celeuma de ordem coletiva. Nunca devemos menosprezar a relevância do
ensino da Palavra, por mais desafiador e espinhoso que seja o tema, nosso
papel é pregar toda a verdade.

HORA DA REVISÃO
1. Por que o debate a respeito dos últimos acontecimentos da história da humani-
dade é um tema complexo?
Debater a respeito dos últimos acontecimentos da história da humanidade é
um enorme desafio, pois é uma questão sempre apresentada a partir de um
olhar profético, envolto por revelações, visões, e por isso, muitas interpretações.
2. Quais as principais características do Anticristo conforme Paulo em 2 Tessaloni-
censes?
Ele será um plagiador de tudo o que Cristo realiza e uma encarnação da mal-
dade de um tempo.
3. Por que não devemos temer o Dia do Senhor?
Porque ele será um tempo de juízo e justiça sobre os ímpios, e não para os santos.
4. Em que medida podemos identificar, em nossa sociedade, a operação do espírito
do Anticristo?
Através de ataques em todas as áreas (sociais, educacionais, políticas etc.) e
de supostas igrejas que tentam justificar tais práticas.
5. Qual a relevância do estudo sobre as últimas coisas para a Igreja contemporânea?
Porque é um tema sempre atual, complexo e que precisa ser esclarecido para
evitar-se heresias.
11
LIÇÃO

10/06/2018
DIA DO
PASTOR

FIRMES NA VERDADE
E NAwww.escola-ebd.com.br
GRAÇA DE DEUS
AGENDA DE LEITURA
TEXTO DO DIA SEGUNDA – 2 Ts 2.13
“E o próprio nosso Senhor
Jesus Cristo, e nosso Deus Deus nos elegeu para a salvação
e Pai, que nos amou e em TERÇA – Cl 1.28
graça nos deu uma eterna
Em Jesus somos aperfeiçoados
consolação e boa esperança.”
(2 Ts 2.16) QUARTA – Ef 5.1
Devemos ser imitadores de Cristo
QUINTA – Rm 6.4
Somos chamados para novidade
SÍNTESE
de vida
Em tempos de crise a melhor
mensagem que pode ser SEXTA – Sl 4.8
anunciada a uma comunidade Somente Deus nos faz habitar
é a de consolação.
em segurança
SÁBADO – Pv 4.23
Devemos guardar o coração

76 JOVENS
OBJETIVOS
1. RECONHECER o ensino da Trindade presente em 2
Tessalonicenses;
2. MOSTRAR as causas da firmeza espiritual de um cristão;
3. REFLETIR a respeito do consolo de Deus em nossas vidas.

INTERAÇÃO
Caro professor, como é sua relação com seus educandos?
Você tem proximidade com eles? Você é uma referência
entre os jovens de sua igreja? Você faz com que sua relação
com seus educandos extrapolem os momentos da Escola
Dominical? A partir de suas respostas a estas questões
é possível realizar um diagnóstico de sua atuação como
educador cristão; afinal de contas, não atuamos na ED
em busca de um salário ou reconhecimento humano,
mas para servir ao Reino de Deus – manifesto em cada
pessoa e igreja local.
Procure desenvolver uma rede de relacionamentos com
os jovens de sua igreja, faça projetos em articulação com
a liderança do ministério de jovens, procure ser mais um
instrumento de Deus para abençoar a igreja onde você
exerce seu chamado para o ensino da Palavra de Deus.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Que tal realizar uma aula em campo? Claro, isso exige
toda uma organização prévia: comunicação antecipada
aos educandos para que ninguém seja pego de surpresa;
pesquisa a respeito do lugar ideal (de preferência visite
o local antecipadamente); organização da dinâmica de
aula (haverá lanche depois da aula? Que horas começa e
quando termina a aula? Haverá louvor? Quem levará um
violão?); pense também em como se dará o deslocamento
de cada aluno para o local da aula.
Tudo é motivo de alegria e empolgação para os jovens, por
isso não é necessário que a aula seja num local distante
ou luxuoso, a casa de um dos jovens, um outro espaço
coletivo da igreja, ou mesmo um ambiente público fora
da igreja, mas agradável para a aula.
Esta também é uma ótima oportunidade para convidar
amigos, jovens não matriculados na Escola Dominical
e até não evangélicos para um contato com a Palavra
de Deus.

JOVENS 77
TEXTO BÍBLICO I- A AÇÃO DA TRINDADE NA VIDA
DO SALVO
2 Tessalonicenses 2.13-17 1. Eleitos pelo Pai (v.13). A obra da
13 Mas devemos sempre dar graças a salvação não é uma realização despro-
Deus, por vós, irmãos amados do Se-
vida de sentido, como se fosse uma
nhor, por vos ter Deus elegido desde
o princípio para a salvação, em santi- saída de improviso realizada por um
ficação do Espírito e fé da verdade; Deus que teria sido pego de surpresa
14 para o que, pelo nosso evangelho, vos diante do pecado do primeiro casal. O
chamou, para alcançardes a glória de Pai em sua bondade nos elegeu por
nosso Senhor Jesus Cristo.
meio de seu Filho Unigênito Jesus Cristo
15 Então, irmãos, estai firmes e retende as
tradições que vos foram ensinadas, seja desde antes da fundação do mundo (Ef
por palavra, seja por epístola nossa. 1.4). O fato de o Cordeiro ter sido morto
16 E o próprio nosso Senhor Jesus Cristo, e desde a fundação do mundo (Ap 13.8),
nosso Deus e Pai, que nos amou e em nos mostra o propósito eterno de Deus
graça nos deu uma eterna consolação
e boa esperança,
em prover salvação à humanidade.
17 console o vosso coração e vos conforte
Somos eleitos pelo sacrifício do Filho e
em toda boa palavra e obra. não há outro caminho para nós. Nunca
possuiríamos méritos suficientes para
fazermo-nos dignos da salvação, pois
COMENTÁRIO esta é uma obra exclusiva de Deus.
Portanto, uma vez conscientes disso,
devemos operosamente desenvolver
INTRODUÇÃO nossa salvação (Fp 2.12). Não despre-
A parte final do segundo capítulo zemos a obra de Cristo por nós e já
de 2 Tessalonicenses trata a res- manifesta em nós, antes; vivamos como
peito do destino que Deus tem filhos da luz, nascidos do alto, restaura-
para os santos, em comparação dos em Cristo.
com o que vinha sendo tratado
anteriormente a respeito do
estado final dos desobedientes
(2 Ts 2.10-12). Os santos serão
alcançados pelo amor eterno do
Pai. Paulo discorre por que os
santos devem permanecer em paz
e tranquilidade. Nesse esforço de
fundamentar o consolo sempiter-
no de Deus para o justo, o apóstolo
constrói uma magnífica referência
à Trindade. Nos versículos 13 e 14,
Paulo demonstra que o penhor da
salvação é constituído por meio
de uma obra realizada pelas três
pessoas da trindade: Pai, Filho e
Espírito Santo.

78 JOVENS
2. Santificados pelo Espírito (v. 13b). o ápice da redenção é a certeza de que
Uma vez chamados à salvação pelo Pai, é experimentaremos uma eternidade
o Espírito Santo, que numa obra de trans- na presença de Jesus, em comunhão
formação contínua, faz Cristo manifesto com Ele. Nosso maior bem é o Senhor,
em nós (Cl 1.27,28). Como prometido por e todas as demais coisas, na presença
Jesus, não estamos órfãos neste mundo, dEle, constituem-se em nada.
temos a presença acalentadora do Santo
Espírito que, numa relação simultânea II- A FIRMEZA DO CRISTÃO
de consolação e orientação, guia nossa 1. Persistência no ensino dos após-
trajetória no curso de nossa jornada ao tolos. Diante de um quadro de falsas
céu (Jo 14.18; 16.7-11). Nossa luta cotidia- profecias no seio da igreja local e charla-
na contra as astutas ciladas do inimigo tões da fé, é necessário fixar um ponto de
somente pode ser superada por meio da segurança. Tal ponto, sem dúvida alguma,
ação do Espírito em favor de nós, o qual é a Bíblia Sagrada. Essa foi uma exortação
constantemente aperfeiçoa-nos o caráter paulina à Igreja em Tessalônica (vv.15,17).
de modo a tornarmo-nos, progressiva- Para evitar a propagação de heresias e
mente, imitadores de Deus manifestando falsos ensinos, Paulo recomendou àquela
cada vez mais nossa condição de filiação comunidade que persistisse no modelo
(Ef 5.1). A ação do Espírito é incessante em de cristianismo que havia recebido, tanto
nossa vida, pois enquanto estivermos no por meio do testemunho vivo dos pre-
caminho para o céu temos muito o que gadores do genuíno Evangelho, como
nos aperfeiçoar (2 Co 7.1). por meio das orientações escritas que já
3. Vocacionado para a glória do Filho. circulavam pelas igrejas. Nossa fé, para
A promessa feita por Jesus a nós é que ser madura, precisa ter alicerces sólidos,
onde Ele estiver (na eternidade) nós e a Palavra é o melhor e mais confiável
estaremos com Ele (Jo 14.3). A oração de todos (Lc 6.46-49).
do Mestre ao Pai em nosso favor era para 2. Convicção nas tradições. Para
que nós fôssemos participantes além da doutrina – infalível, imutável
da glória que Ele vivenciara e fundamentada exclusivamente nas
antes da fundação do mundo Escrituras – cada igreja local possui uma
(Jo 17.24). Não possuímos série de costumes e tradições que ga-
uma vocação para uma vida rante o bem-estar dos relacionamentos
imortal aqui na terra; ao con- locais. A orientação do apóstolo é que os
trário, somos convidados a tessalonicenses também se mantenham
abandonar todas as coisas firmes nessas práticas (v.15). Há em nossa
que aqui são perecíveis e geração um “culto ao novo”, de tal manei-
passageiras em nome de ra que alguns líderes de jovens procuram
uma chamada para aqui- incessantemente a fórmula para o culto
lo que é eterno. O ponto perfeito. Nesta busca desenfreada o culto
áureo da salvação não é virou “balada” e muitos jovens estão se
a isenção de sofrimentos perdendo. Precisamos de novidade de
terrenos ou a promessa vida (Rm 6.4), e não apenas de coisas
de galardões celestiais; novas. Não devemos ter vergonha de

JOVENS 79
peito do final dos injustos (2 Ts 2.10-12)
e sobre a bênção eterna da salvação,
A salvação de Deus em Paulo fala a respeito do consolo dos
cristãos. A fonte do conforto anunciado
nossa vida produz um
pelo apóstolo não são as circunstâncias
impulso positivo para a humanas favoráveis ou os bens materiais
que aqueles irmãos poderiam possuir,
prática de boas obras.
mas a maravilhosa graça e o grande
amor de Deus.
2. Eternamente consolados. Deus
deseja construir algo de eterno em nós.
nossas tradições, pois foram elas que Por isso, o Espírito que nos consola é
nos trouxeram até onde estamos. Não eterno (Hb 9.14). O Reino para onde
precisamos de novos costumes, basta somos chamados é eterno (2 Pe 1.11), o
nos revestirmos de significado para propósito dEle para conosco é eterno
este tempo. (Ef 3.11). Mas não apenas isso, o consolo
3. Confirmados em boas obras. A sal- que o Senhor oferece-nos é sem fim
vação de Deus em nossa vida produz um (2 Ts 2.16). Por isso, não devemos nos
impulso positivo para a prática de boas angustiar se, por alguma circunstância
obras (Ef 2. 10). A fé dos tessalonicenses aleatória, as coisas não estão conforme
seria comprovada por meio da adoção nossos planos. Devemos crer que o
de um estilo de vida que espelhasse o amanhã que nos está preparado é sem
testemunho de Cristo. Para usar uma lágrimas, desesperos ou medos (Rm
metáfora paulina podemos dizer que 8.18). Se é para a eternidade que somos
demonstrar nossa comunhão com Jesus vocacionados, não devemos nos iludir
na sociedade atual é similar a exalar uma com os efêmeros encantos que este
excelente fragrância (2 Co 2.15). O mundo mundo pode nos oferecer.
ao nosso redor não conhece a Cristo e 3. Intimamente aliviado. O alívio que
de muitos modos rejeita sua Palavra, Paulo anuncia a Igreja em Tessalônica
cabe-nos então, por meio de uma vida é algo profundo, manifesto no interior
piedosa e edificante, pregar o Evangelho dos irmãos; é consolo para o coração
sempre, inclusive quando estivermos (2 Ts 2.17). Vivemos em tempos difíceis.
em silêncio. Não se pode esconder uma De uma maneira geral, as pessoas tea-
cidade construída sobre uma montanha, tralizam suas vidas: fingem ser felizes,
os sinais de sua existência manifestam-se mascaram seus medos, fazem de suas
de modo natural (Mt 5.14). Assim, aquilo vidas uma patética representação. Não
que somos espontaneamente se revela foi para exterioridades que o Senhor
em nosso falar e proceder. nos vocacionou. Deus nos chamou
para uma restauração interior. Chega
III- O CONSOLO DE DEUS AOS de superficialidade! O Evangelho é
SANTOS algo mais profundo. Está diretamente
1. Confortados em amor e graça. relacionado com o nosso ser, nosso
Tendo refletido anteriormente a res- interior, nosso coração.

80 JOVENS
SUBSÍDIO 1 SUBSÍDIO 2

“Paulo sabia que os tessalonicenses “Algumas pessoas questionam a con-


iriam enfrentar pressões das perse- clusão de que Tomás de Aquino con-
guições, dos falsos pregadores ou siderava a Bíblia como única revelação
ensinadores, do materialismo, e da de Deus à Igreja apelando para o seu
apatia. Eles se sentiriam tentados a comentário sobre 2 Tessalonicenses
se afastar da verdade e até mesmo a 2.15, no qual ele diz que “muita coisa
deixar a fé. Com tudo isto em mente, não foi escrita pelos apóstolos e que,
Paulo insistiu para que eles estivessem portanto, também devem ser obser-
firmes e retivessem as tradições que vadas”. Entretanto, esta interpretação
lhes tinham sido ensinadas por ele e despreza o contexto e o restante da
por seus cooperadores. Os tessaloni- sua citação (de 1 Co 11.34), na qual
censes tinham recebido muito ensino Paulo diz: ‘Quanto às demais coisas,
pessoalmente, e tinham também as ordená-las-ei quando for ter convos-
cartas de Paulo. Eles precisariam se co’. No contexto dos apóstolos vivos,
agarrar à verdade que lhes tinha sido sim, havia ainda autoridade apostólica
ensinada. não-escrita. Entretanto, depois da
Por intermédio da sua graça. Deus e morte deles, Tomás de Aquino jamais
Cristo deram aos crentes uma eterna parece se referir a qualquer tipo de
consolação e boa esperança. O cristia- autoridade apostólica ou revelatória
nismo não é uma crença de perguntas que excedesse a Bíblia. A sua única
e preocupações, nem uma crença referência isolada (em Jó) à queda
na qual os crentes precisem esperar do Diabo como sendo parte da ‘tra-
até o final para ver se conseguirão dição da igreja’ pode facilmente ser
alcançar o objetivo maior. Na verda- compreendida como ‘ensino’ da igreja
de, os crentes recebem esperança e baseado nas Sagradas Escrituras.
incentivo com a certeza das promes- Afinal de contas, Tomás de Aquino
sas de Deus. Entretanto, orar pelos cria que muitas passagens bíblicas
crentes de todas as partes é algo que claramente ensinam a queda de
sempre será útil, especialmente por Satanás tanto antes (cf. Gn 3) quanto
aqueles que enfrentam perseguições depois de Jó (cf. Ap 12), e ele próprio
por causa da sua fé, para que Deus as cita” (GEISLER, Norman. Teologia
os console e lhes dê conforto para Sistemática. Vol 1. 1.ed. Rio de Janeiro:
que continuem fazendo a boa obra” CPAD, 2010. p. 272).
(Comentário do Novo Testamento
Aplicação Pessoal. Vol 2. 1.ed. Rio de
Janeiro: CPAD, 2010. p. 468).

JOVENS 81
ESTANTE DO PROFESSOR
BRANDT, Robert L e BICKET, Zenas.
Teologia Bíblica da Oração. 1.ed. Rio de
Janeiro: CPAD, 2007.

ANOTAÇÕES

CONCLUSÃO
As palavras de Paulo àquela comunidade tinham como objetivo o desen-
volvimento sadio dos crentes. Eles nem deveriam angustiar-se quanto às
coisas futuras, muito menos estarem aflitos com relação ao seu estado
eterno. Consolo é a palavra-chave para entender este momento da escri-
ta apostólica aos irmãos em Tessalônica. Que a certeza de consolo para
aqueles irmãos fortaleça também nossos corações.

HORA DA REVISÃO
1. De que modo pode-se fazer uma correlação entre a parte final do segundo ca-
pítulo de 2 Tessalonicenses e o momento inicial do texto?
A porção final do segundo capítulo de 2 Tessalonicenses é um esforço paulino
em demonstrar o destino que Deus tem projetado aos santos. Os santos serão
alcançados pelo amor eterno do Pai.
2. De que modo pode-se perceber a operação da Trindade na salvação do justo
em 2 Tessalonicenses?
Somos eleitos pelo Pai, santificados pelo Espírito e vocacionados pelo Filho.
3. Quais os três aspectos que Paulo orienta os tessalonicenses a ficarem firmes?
No ensino dos Apóstolos, nas tradições constituídas na Igreja e na prática de
boas obras.
4. Quais as características do consolo que é prometido ao justo em 2 Tessalonicenses?
O consolo é eterno, cheio de amor e graça, operando poderosamente em
nosso íntimo.
5. Qual a importância de termos um consolo interior nos dias atuais?
Em dias agitados e confusos como os atuais, a serenidade interior – oriunda de uma
comunhão genuína com o Pai – nos trará paz e segurança nas promessas do Senhor.
12
LIÇÃO

17/06/2018

UMA VIDA EXEMPLAR


DIANTE DE DEUS E
DOSwww.escola-ebd.com.br
HOMENS
AGENDA DE LEITURA
TEXTO DO DIA SEGUNDA – Hb 7.28
“Mandamo-vos, porém, Cristo, o homem perfeito
irmãos, em nome de nosso
Senhor Jesus Cristo, que vos TERÇA – Jo 17.14
aparteis de todo irmão que Não somos como o mundo
andar desordenadamente e
QUARTA – Mt 10.16
não segundo a tradição que
de nós recebeu.” (2 Ts 3.6) Vivemos como ovelhas
entre lobos
QUINTA – 2 Ts 3.13
SÍNTESE Somos convocados para
Numa sociedade carente de fazer sempre o bem
exemplos, o Cristianismo SEXTA – 2 Co 13.11
deve apresentar-se como a
O Deus da paz
resposta de Deus para o rela-
tivismo moral e a decadência SÁBADO – 2 Co 3.5
espiritual deste tempo. O que temos de bom não
procede de nós

JOVENS 83
OBJETIVOS
1. APRESENTAR os modelos bíblicos de comportamento
e espiritualidade para o cristão;
2. REFLETIR a respeito da necessidade de sermos mo-
delos para esta sociedade;
3. DISCUTIR o modelo de vida a ser adotado por cada cristão.

INTERAÇÃO
Com a aproximação do fim de mais um trimestre é sempre
importante realizarmos um momento de autoavaliação,
tanto de nós como educadores como de cada educan-
do também. Aproveite que esta é a penúltima aula do
trimestre e promova, ou por meio de um questionário
escrito a ser respondido ou por meio de um bate-papo,
uma atividade de reflexão sobre o desenvolvimento das
aulas durante o período. Indague a respeito dos pontos
positivos os quais precisam ser reforçados, mas também
os negativos que precisam ser superados.
Conscientize seus educandos que as críticas também
têm seu caráter positivo, e que por isso ouvi-las, muitas
vezes, nos trazem grandes benefícios.
Lembre-se, as pessoas terão mais confiança de nos ajudar
em nossas limitações quando perceberem que nós temos
maturidade para assimilar as críticas como instrumentos
de crescimento e desenvolvimento pessoal.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Juntamente com seus alunos, construa uma tabela com
duas colunas de informações: na primeira, caracterizem
e definam o que seria uma profissão, sua finalidade e
objetivos; em seguida, façam o mesmo com o conceito
de ministério. O objetivo desta atividade é debater em
sua sala as peculiaridades de cada um destes aspectos
de nossas vidas, destacando a importância de jamais
profissionalizar nosso ministério, e sim, de reconhecer
nossa profissão como um ministério que Deus nos deu
para servirmos a sociedade e o Reino dos Céus atra-
vés de nossos dons e talentos. Ao final, ore por seus
alunos, pedindo que portas de emprego possam ser
abertas àqueles que já estão entrando no mercado de
trabalho, e que também a compreensão dos ministérios
pessoais possa ser algo naturalmente assimilado por
cada um deles.

84 JOVENS
TEXTO BÍBLICO I- EXISTE UM MODELO A SER
IMITADO
2 Tessalonicenses 3.6-15 1. Cristo é nosso supremo exemplo.
6 Mandamo-vos, porém, irmãos, em Antes mesmo de falar do ministério de
nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que
Paulo e sua influência entre os Tessalo-
vos aparteis de todo o irmão que anda
desordenadamente e não segundo a nicenses, é necessário deixar bem claro:
tradição que de nós recebeu. nosso modelo é Cristo! Ele é o homem per-
7 Porque vós mesmos sabeis como convém feito em quem somos aperfeiçoados até a
imitar-nos, pois que não nos houvemos medida completa de nossa espiritualidade
desordenadamente entre vós,
(Hb 7.28; Ef 4.13). Qualquer decepção com
8 nem, de graça, comemos o pão de ho-
mem algum, mas com trabalho e fadiga, instituições, líderes, ou mesmo pessoas
trabalhando noite e dia, para não sermos próximas a nós deve ser deixada de lado
pesados a nenhum de vós; pela compreensão de que Ele é o nosso
9 não porque não tivéssemos autorida- modelo vivificador. O mais sobrenatural
de, mas para vos dar em nós mesmos
nesse esforço de seguir a Cristo é que,
exemplo, para nos imitardes.
10 Porque, quando ainda estávamos convos-
quanto mais parecidos com Cristo torna-
co, vos mandamos isto: que, se alguém mo-nos, mais plenos nos acharemos. O
não quiser trabalhar, não coma também. Senhor não rouba nossa identidade, não
11 Porquanto ouvimos que alguns entre usurpa o que nós somos; pelo contrário, a
vós andam desordenadamente, não
plenitude de Deus em nosso ser aperfeiçoa
trabalhando, antes, fazendo coisas vãs.
o que Deus nos tem feito ser.
12 A esses tais, porém, mandamos e exor-
tamos, por nosso Senhor Jesus Cristo, 2. Os heróis da fé devem ser nosso
que, trabalhando com sossego, comam modelo. Há um conjunto de cristãos
o seu próprio pão. exemplares que palmilharam essa terra,
13 E vós, irmãos, não vos canseis de fazer
os quais são dignos de nosso respeito e
o bem.
consideração (Hb 11.1-40). Nenhum deles
14 Mas, se alguém não obedecer à nossa
palavra por esta carta, notai o tal e não vos salva, nenhum será capaz de transformar
mistureis com ele, para que se envergonhe.
15 Todavia, não o tenhais como inimigo,
mas admoestai-o como irmão.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO
Ao final de sua Segunda Epístola
aos Tessalonicenses, assim como
fez na Primeira Carta, no capítulo 4,
Paulo faz uma série de orientações
práticas àqueles irmãos, centradas
especialmente na questão da con-
duta pública do cristão: sua postura
diante da sociedade decadente em
que estavam inseridos.

JOVENS 85
nossas vidas, entretanto, eles viveram qualquer tipo de conflito, com o padrão do
como salvos e demonstraram que é mundo. Jesus deixou bastante claro que o
possível permitir-se ser tocado por Deus modelo de sociedade vigente nos rejeita-
de tal maneira que se possa testemunhar ria (Jo 15.18; 17.14). Na verdade não é uma
verdadeiras revoluções pessoais de vida. questão pessoal, mas a respeito do Deus
Certamente há um grupo de pessoas que a quem amamos. Por isso, a existência de
ainda hoje, refletem a glória de Cristo nesta um distanciamento (moral e espiritual) é
geração. Escândalos e desastres morais inevitável. O que nos surpreende é perce-
acontecem na humanidade desde o ber que existem cristãos que, de maneira
princípio, contudo, devemos nos espelhar hipócrita e anticristã, criam muros para
na vida daqueles que, em meio a tanta separarem-se das demais pessoas. Como
corrupção, optaram por viver a beleza estas serão evangelizadas e impactadas
da pureza do Evangelho. A vantagem de pelo testemunho? Nosso distanciamento
olhar para vida destes santos é perceber não é social (somos ovelhas enviadas
que o Reino de Deus já está entre nós. para viver entre lobos Mt 10.16), deve ser
Que o mal nunca nos inspire. com relação a nossos valores, princípios
3. Ainda existem líderes inspiradores e modelos. A igreja não pode tornar-se
(v.7). Paulo é um desses homens tão ín- uma “Sodoma e Gomorra Gospel”. Nós não
tegros que não teme afirmar: “Vocês em apenas fazemos, mas somos a diferença
Tessalônica querem um modelo? Olhem neste mundo.
para mim!”. Em tempos de escândalos, 2. Não é possível íntima comunhão
em dias de discursos demagógicos e (v.14). A exortação de Paulo é clara: “[...]
hipócritas, carecemos de líderes assim; não vos mistureis com ele [...]”. É inevi-
entretanto, louvado seja Deus, porque tável estar entre pessoas que não são
ainda existem muitos. Certamente cada um cristãs – no ônibus, na faculdade, no
de nós pode nomear, homens e mulheres, trabalho. Logo a exortação de Paulo é
que foram responsáveis por nosso cresci- para evitar aqueles que se dizem crentes
mento espiritual; pessoas de testemunho e querem andar segundo o mundo, os
e caráter, verdadeiros líderes espirituais, desobedientes. A ilusão de um bairro só
que muitas vezes, sequer são reconheci- de cristãos, uma empresa só de salvos,
dos institucionalmente. Aproximemo-nos um colégio exclusivamente de santos,
dessas pessoas, e sejamos, num futuro não deve ser alimentada pelo crente. A
bem próximo, estes líderes inspiradores mistura aqui é interior, de alma, posturas,
para nossas igrejas. Lembre-se: não se opiniões. Cristãos defendendo libera-
torne, amanhã, um tipo de cristão/líder ção de aborto, legalização de drogas
que você reprova hoje. Que nossa trajetória pesadas, sexo antes do casamento,
seja como a da luz da aurora (Pv 4.18). isso é a mistura que temos que evitar
e condenar. Mais preocupante do que
II- COMO SE PORTAR NUMA viver entre os ímpios é viver entre ímpios
SOCIEDADE DESORDENADA? pensamentos (Pv 17.20). Não há acordo
1. Um distanciamento precisa ser no- entre o Senhor e Belial, não há mistura
tório (v.6). É impossível que os princípios que seja benéfica ao coração daquele
de um cristão genuíno o aproximem, sem que é inconstante (Tg 1.8).

86 JOVENS
3. O amor deve ser o tema de qual- Acreditemos que o contentar-se é muito
quer relacionamento. Paulo afirma no melhor do que o desesperadamente
versículo 15: “Todavia, não o tenhais como desejar mais.
inimigo, mas admoestai-o como irmão.” 3. Em paz (v.16). É claro que existem
Viver como um irmão é viver perto, junto, múltiplas maneiras de se ter paz; para
próximo. Dos inimigos é que as pessoas alguns é no silêncio; para outros na har-
tendem a se afastar, mas nós somos dos moniosa melodia do céu. Há aqueles que
que se aproximam, pois a finalidade última experimentam a paz enquanto caminham
de todas as nossas ações, até mesmo em uma jornada, entretanto alguns vivem
quando somos duros com os outros, a experiência da satisfação ao ficar onde
deve ser o amor. O desobediente precisa estão. Mas de onde procede a concórdia
viver com o obediente para testemunhar que enche os nossos corações? É claro
o milagre de uma vida transformada e que somente do Pai. Numa igreja repleta
crer que para ele isso também é possível. de dúvidas, incertezas, e conflitos pes-
Já o salvo em Cristo não deve ter medo soais, somente Deus poderia juntar os
de conviver com quem ainda não está pedaços dessa comunidade e fazer com
liberto, ou será que este na verdade é um que aqueles irmãos experimentassem a
hipócrita, travestido de cristão, que sabe verdadeira paz que deriva de um relacio-
da fragilidade de seu caráter, e por isso namento genuíno com o Senhor. Aquilo
teme o tempo todo que sua máscara caia? que o Pai faz por nós, transcende a nossa
vida, influencia até mesmo aqueles que
III- SOMOS CHAMADOS PARA estão à nossa volta (Pv 16.7). Confiemos
VIVER DE QUE MANEIRA? então naquEle que é apresentado nas
1. Como filhos de Deus, não como Escrituras como o que governa firmado
fardos para a sociedade (v.8). Nós como sobre o fundamento da paz (Is 9.6; 2 Co
cristãos não somos chamados para ser 13.11; Fp 4.9).
motivo de enfado para ninguém. Por
isso sejamos sempre proativos, lutemos
por nossos sonhos, acreditemos que o
Senhor nos capacitará, inclusive para o
mercado de trabalho. Tenhamos Paulo,
e não os “preguiçosos na fé”, como
exemplo.
2. Sossegadamente. Não existe
fórmula mágica para ser bem-sucedido;
tudo passa por muito trabalho e dedi-
cação. Fortunas que aparecem repen-
tinamente, de um modo geral, também
somem de modo súbito. Os ideais que
a mídia constrói, de jovens famosos e
ricos, na maioria dos casos escondem
profundas tristezas, relacionamentos
opressores e uma escravidão no pecado.

JOVENS 87
SUBSÍDIO 1 SUBSÍDIO 2

“Os missionários tinham o cuida- “Aquilo que estava errado no meio


do de evitar a acusação de serem dos Tessalonicenses, que é expresso:
parasitas ou aproveitadores. Mas, 1. De maneira mais geral. Havia alguns
sobre este assunto, Paulo sempre que andavam desordenadamente e
salvaguardava o direito apostólico não segundo a tradição que rece-
de sustento, embora, para o bem do beram do apóstolo (2 Ts 3.6). Alguns
evangelho, ele renunciasse o direito irmãos eram culpados desse caminhar
conscienciosamente. Não porque não desordenado. Eles não viviam da ma-
tivéssemos autoridade (‘não porque neira certa, nem dirigiam sua vida de
não tivéssemos esse direito’, AEC, RA; acordo com as regras do cristianismo,
cf. BJ, BV, CH, NTLH, NVI), mas para nem estavam em conformidade com
vos dar em nós mesmos exemplo, sua profissão de fé; não andavam de
para nos imitardes (‘mas para que acordo com os preceitos passados
nos tornássemos um modelo para pelo apóstolo, nem davam a devida
ser imitado por vocês’ - NVI; quanto atenção. Observe: As pessoas que
a exemplo [typos], ver comentários receberam o evangelho e que profes-
em 1 Tessalonicenses 1.7; quanto à sam sujeitar-se a ele devem viver de
questão do trabalho do apóstolo em acordo com esse evangelho. Se não
Tessalônica e os motivos envolvidos o fizerem, são consideradas pessoas
a esse respeito, ver comentários em desregradas.
1 Tessalonicenses 2.6,9. A força do
2. Em particular. Havia entre eles al-
argumento é que Paulo, o Apóstolo,
gumas pessoas ociosas e que faziam
tinha o direito de receber sustento.
coisas vãs (2 Ts 3.11). O apóstolo foi
Mesmo assim, enquanto esteve en-
informado a esse respeito de fontes
tre eles, ele vivia à custa do fruto do
tão seguras que tinha razão suficiente
seu trabalho. Muito mais deveriam
para dar ordens e orientações com
os irmãos desordeiros trabalhar para
relação a essas pessoas, como de-
ganhar a vida, já que eles não tinham
veriam se comportar, e como a igreja
o direito de receber sustento!” (Co-
deveria agir em relação a eles. (1) Havia
mentário Bíblico Beacon. 1.ed. Vol.
algumas pessoas no meio deles que
9. Gálatas a Filemom. Rio de Janeiro:
eram ociosas, não trabalhando, ou
CPAD, 2006. p.429).
fazendo coisa alguma. Não parece
que eram glutões ou beberrões, mas
ociosos, e, portanto, pessoas desre-
gradas” (HENRY, Matthew. Comentário
Bíblico Novo Testamento. 2.ed. Atos
a Apocalipse. Rio de Janeiro: CPAD,
2010. p.680).

88 JOVENS
ESTANTE DO PROFESSOR
EARLE, R. (et al) Comentário Bíblico
Beacon. vol. 9, Gálatas a Filemom.
Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

ANOTAÇÕES

CONCLUSÃO
O Cristianismo não é um conjunto de teorias a respeito da realidade as
quais declaramos simplesmente nossa adesão intelectual. Servir a Cristo é
uma experiência radical de mudança de vida, uma corajosa escolha de viver
profundamente diferente do mundo, segundo princípios que evidenciam
o caráter de Deus em nós.

HORA DA REVISÃO
1. Por que devemos tomar Cristo como nosso maior exemplo a ser seguido?
Por que Ele é o homem perfeito em quem somos aperfeiçoados até a medida
completa de nossa espiritualidade (Hb 7.28; Ef 4.13; Cl 2.10).
2. Qual a diferença entre respeitar o exemplo dos heróis da fé e idolatrar os santos
que vieram antes de nós?
Os santos do AT e do NT foram pessoas como nós, sujeitos às mesmas tentações,
por isso não devem ser adorados, entretanto, seu exemplo é extremamente
positivo e inspirador para cada cristão nos dias de hoje.
3. O que Paulo deseja ensinar aos tessalonicenses quando os orienta a não se
misturarem com o mundo?
Paulo deseja que os valores e princípios dos cristãos sejam guiados pela Bíblia
Sagrada e nunca por conceitos do mundo.
4. Qual a sugestão de Paulo para que os cristãos em Tessalônica vivam sossegadamente?
Que eles trabalhassem com dedicação e entusiasmo.
5. De que maneira, numa igreja local como Tessalônica, cheia de conflitos e dúvidas,
os cristãos poderiam viver em paz?
Por meio da ação de Deus, que pode unir as diferenças, aperfeiçoar as fragili-
dades e conduzir tudo para o bem do Reino de Deus.
13
LIÇÃO

24/06/2018

CONSELHOS PARA A VIDA


www.escola-ebd.com.br

AGENDA DE LEITURA
TEXTO DO DIA SEGUNDA – 2 Co 1.12
“Fiel é o que vos chama,
o qual também o fará.” Vivendo na graça de Deus
(1 Ts 5.24) TERÇA – Sl 119.9
A Palavra como bússola da vida
QUARTA – Ne 8.10
A nossa força vem da alegria que
Deus nos concede
QUINTA – Tt 3.5
SÍNTESE
Salvos pelas ricas misericórdias
O Senhor tem feito coisas
grandes e tremendas em SEXTA – 1 Co 15.58
nosso favor. Tudo o que fazemos para o
Senhor é útil
SÁBADO – 1 Ts 5.26
Não pode faltar carinho e afeto

90 JOVENS
OBJETIVOS
1. PENSAR a respeito das maravilhosas obras que Deus
faz por nós;
2. REFLETIR a respeito do que devemos fazer por nossos
irmãos;
3. MOSTRAR como deve ser a relação entre líderes e
liderados.

INTERAÇÃO
Esta foi uma maravilhosa jornada de três meses onde,
mais uma vez debruçamo-nos sobre a Palavra de Deus.
A experiência de compartilhar com você, querido
educador, ideias, estratégias e conhecimento, foi algo
especial da parte do Senhor. Espero, sinceramente, que
sua vida como educador possa ter sido tão edificada
neste trimestre quanto a minha como comentarista.
Desejo ainda louvar a Deus por educadores como você
que, por se dedicarem de maneira tão comprometida ao
ministério com jovens, faz com que uma lição como esta
tenha sentido e significado para centenas de milhares
de rapazes e moças.
Se durante este trimestre tudo não ocorreu da maneira
que você planejou não se frustre, o fim de um trimestre
é a oportunidade de recomeçar, reavaliar e renovar as
esperanças. Um grande abraço.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
A finalização de um trimestre deve ser um momento de
comemoração, de confraternização e de agradecimento.
Uma das formas de coordenar momentos assim é, após
a ministração da aula, conceder a palavra a cada edu-
cando para que eles expressem suas impressões sobre o
trimestre, ou montar uma apresentação com fotos que
representem o sentimento de alegria e unidade de todos
os que participam de sua classe. Por fim, você educador,
declare toda sua gratidão pela vida de cada educando,
por cada momento juntos, por todo o processo de ensi-
no-aprendizado, reconhecendo publicamente que tudo
é resultado da poderosa obra de Deus entre nós.

JOVENS 91
TEXTO BÍBLICO I- O DEUS QUE FAZ O EXTRAOR-
DINÁRIO POR NÓS
1 Tessalonicenses 5.23-28 1. Torna-nos santos (1 Ts 5.23). Não há
23 E o mesmo Deus de paz vos santifi- nenhuma parte de nosso ser que Deus não
que em tudo; e todo o vosso espírito,
deseje tratar e restaurar. Tudo o que há em
e alma, e corpo, sejam plenamente
conservados irrepreensíveis para a nós: espírito, alma e corpo, a maneira com
vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. que foram maculados pelo pecado através
24 Fiel é o que vos chama, o qual também da Queda de Adão, está em processo de
o fará. restabelecimento por meio da obra reden-
25 Irmãos, orai por nós. tora de Cristo. Como o texto deixa muito
26 Saudai a todos os irmãos com ósculo santo.
claro, a obra da salvação é uma realização
27 Pelo Senhor vos conjuro que esta epís-
exclusiva de Deus. Todavia, a manutenção
tola seja lida a todos os santos irmãos.
deste estado em nossas vidas passa pela
28 A graça de nosso Senhor Jesus Cristo
seja convosco. Amém. opção de romper com o mundo de pecado
2 Tessalonicenses 3.16-18 e aproximar-se diariamente de Cristo. Como
16 Ora, o mesmo Senhor da paz vos dê um jovem pode, nesses dias tão difíceis,
sempre paz de toda a maneira. O Senhor permanecer santo diante do Senhor? So-
seja com todos vós.
mente por meio de uma vida centrada na
17 Saudação da minha própria mão, de
Palavra de Deus (Sl 119.9). Essa então deve
mim, Paulo, que é o sinal em todas as
epístolas; assim escrevo. ser uma vida de renúncia aos prazeres
18 A graça de nosso Senhor Jesus Cristo do mundo, apego ao amor incondicional
seja com todos vós. Amém! a Deus, e esforço contínuo em seguir o
projeto do Pai para nossas vidas.
2. Dá-nos abundantemente sua graça.
COMENTÁRIO
Muito mais do que um simples chavão
religioso, “a graça seja convosco” (1 Ts
INTRODUÇÃO 5.28), é uma oração contínua de Paulo
Paulo dedica a parte final das não apenas pelos cristãos em Tessalônica,
Epístolas aos Tessalonicenses para mas por todos aqueles com quem ele
o cuidado pastoral com aquela conviveu ministerialmente. Se bem pen-
comunidade local. Lembremo- sarmos, do que mais necessitamos senão,
-nos que o apóstolo não era um prioritariamente, da graça? (2 Co 12.9). A
simples pregador itinerante, que suficiência de Cristo em nossa vida passa
casualmente passou por aquela pela compreensão da revelação da graça
região; ele reconhecia-se como
dEle em nossa história (2 Co 1.12). Diante
líder daqueles irmãos, respon-
de tudo o que o Senhor tem feito por nós,
sável pelo bom desenvolvimento
fica difícil compreendermos a manifesta-
espiritual daquele grupo.
ção do Pai em nossa vida mediante a sua
É por isso que suas palavras finais
graça. Lembremo-nos, já fomos libertos
transbordam de ternura, carinho
e atenção. Não há uma tônica de do pecado para vivermos por meio do
reprovação, não se percebe ao final milagre restaurador da graça (Rm 6.14).
das epístolas frustração pastoral. 3. Permanece para sempre convosco
(2 Ts 3.16). Tudo o que realizamos pros-

92 JOVENS
pera quando seguimos pacientemente nicenses não apenas anunciando o que
as orientações do Eterno para nossa vida Deus faz continuamente por nós, mas
(Sl 1.3). Não há qualquer dúvida sobre o também aquilo que obstinadamente
segredo da força que cotidianamente devemos fazer por nossos irmãos. Em
manifestamos na luta contra a maldade; primeiro lugar, devemos manter uma
ela vem da alegria que o Senhor transmite vida de oração dedicada aos outros. Às
ao nosso coração (Ne 8.10). A promessa vezes, parece que oramos tanto apenas
de Jesus antes de voltar ressuscitado por nossas causas e desejos, que nos
ao Pai foi que estaria conosco, todos os esquecemos que uma parte da cura que
dias, até o cumprimento literal da von- Deus deseja trazer aos nossos corações
tade de Deus sobre todas as coisas (Mt passa por uma vida de oração coletiva,
28.20). Este é mais um desses poderosos intercessão, de clamor comunitário (Tg
milagres que o Senhor realiza em nosso 5.16). Chega de falar uns dos outros,
favor: apesar de frágeis pecadores, Ele reclamar uns dos outros; é hora de
nos ama incondicionalmente. É claro que verdadeiramente dedicarmo-nos a uma
o amor de Deus tem como fundamento, experiência de oração viva, segundo
não algum tipo de bondade que exale a qual sejamos testemunhas oculares
de nós, mas as ricas misericórdias do das transformações de Deus – as quais
Criador (Tt 3.5). Que bênção sobrenatural, sempre serão muito maiores em nós, e
o Deus Todo-Poderoso que se alegra em nosso ser, do que nos outros. Quando
andar conosco, necessitados pecadores. oramos com quebrantamento, somos
sempre os primeiros a experimentar as
Pense! mudanças em nós mesmos.
A obra que o Senhor deseja realizar
2. Colaborar para a construção de
em nós não implica em uma mu-
dança e transformação de apenas um ambiente de acolhimento e amor. O
algumas áreas em detrimento de texto de 1 Tessalonicenses 5.26, registra
outras. O desejo de Deus é que todo um elemento cultural das sociedades do
o nosso ser – espírito, alma e corpo oriente que, para muitos de nós ociden-
– sejam libertos da escravidão do
tais contemporâneos (cheios de noções
pecado e reposicionados para uma
vida só para Deus. comportamentais bem diferentes), soa
no mínimo estranho. Na verdade, pode-
Ponto Importante mos compreender este texto de duas
A misericórdia de Deus liberada so- maneiras muito simples: a primeira seria
bre nossa vida não é uma autoriza- o entendimento de que o beijo era uma
ção para pecarmos deliberadamen- tradição cultural disseminada naquele
te. Que a iniquidade seja sempre meio, e que Paulo fez menção da mesma.
um erro, uma queda, em nossa
A outra opção é interpretar as palavras
história, nunca um desejo obstina-
do que se instale em nosso ser. paulinas apenas como uma despedida
educada, assim como em nossos dias,
II- O QUE NÓS DEVEMOS FAZER após uma boa conversa com um amigo
PELOS IRMÃOS? nos despedimos dizendo: “Um beijo para
1. Orar uns pelos outros (1 Ts 5.25). todo mundo.” Independente da opção
Paulo termina suas epístolas aos tessalo- interpretativa, ambas levam a uma con-

JOVENS 93
clusão: É nosso dever ser acolhedores e III- COMO SEU LÍDER SE DESPE-
fraternos, nunca competitivos e brigões. DIRÁ DE VOCÊ?
3. Fazer notórias as verdades de 1. Agradecendo a Deus pelo fim de
Deus (1 Ts 5.27; 2 Ts 3.17). O desejo do um período turbulento? A despedida de
apóstolo era que todas as pessoas ti- Paulo dos tessalonicenses como vimos
vessem acesso às informações, ensinos acima, foi carinhosa e cheia de votos de
e orientações que estavam naquelas felicidade. Alguns líderes não veem a
epístolas. Os textos eram públicos e hora do ano, do trimestre, do congresso
deveriam ser lidos em coletividade, pois terminar para depois entregarem seus
a finalidade era a edificação comunitária. cargos, pois infelizmente os liderados
Nosso papel é este, à semelhança de não cooperam, e ainda fazem muitas
Paulo, tornar as profundas verdades críticas. Que tipo de liderado é você?
do Reino o mais simples possível. Se Cooperador ou maledicente? Você
tivermos a oportunidade de estudar mais teria coragem de liderar o ministério de
um pouco (e isto é típico desta geração jovens, o conjunto musical, a classe da
de jovens) não devemos fazer disso Escola Dominical de sua igreja? Se você
um instrumento de exaltação, mas um fosse um líder você desejaria um grupo
dom para serviço na causa do Mestre. de liderados exatamente como você é
Fujamos das intermináveis querelas hoje? Estas perguntas não devem ser
pseudoteológicas, que no mais das respondidas em público, elas são na
vezes apenas envenenam a alma tanto verdade um convite a reflexão interior,
de quem as debate quanto de quem pessoal, individual. Façamos apenas mais
as escuta (Tt 3.9). Concentremo-nos uma pergunta: e se Paulo fosse o líder
em anunciar as riquezas e maravilhas do grupo no qual você está envolvido,
do Evangelho. como ele se despediria?
2.Exausto emocional e espiritual-
Pense! mente? O índice de líderes adoecidos nas
A maldade de nossa sociedade
comunidades locais é altíssimo. Estafa,
tem prejudicado nossas relações
interpessoais, inclusive dentro estresse, ansiedade, estas são algumas
da Igreja. É necessário que nossa das mazelas que dedicados servos de
mente seja restaurada à imagem Deus têm adquirido em virtude da sobre-
de Cristo, para que possamos carga de trabalho a que se submetem. O
pensar diferente, de maneira mais que você tem feito para auxiliar seu líder?
pura e tenhamos relacionamentos
De que maneira sua participação como
mais saudáveis.
liderado tem sido uma bênção para quem
lidera? Todos podem ser melhores, mas
Ponto Importante
Na maioria das vezes, quando você também não!? Seu líder é daqueles
oramos por outros, especialmente que “carregam o piano” sozinho e ainda
quando estamos em situações de tem que escutar comentários como: “Não
conflito, somos tendenciosos a orar ficou bom!”, “Qualquer um faria melhor!”,
clamando por mudança na vida
“Coisa de amador!”? Auxilie seus líderes,
dos outros, mas e se o propósito
de Deus em toda essa situação for pois aquilo que fazemos para o Reino de
transformar algo em nós? Deus tem um valor eterno. Líderes tam-

94 JOVENS
bém precisam de amigos e apoiadores,
SUBSÍDIO
pois ninguém consegue fazer a obra de
Deus sozinho. “As Petições e Bênçãos de Paulo
3. Em lágrimas de gratidão por tudo (5.25-28)
aquilo que você tornou-se. Que os nossos
Não é incomum para Paulo pedir ora-
sentimentos, sejam semelhantes aos de
ção por si ou por seus companheiros
Paulo: haja gratidão e alegria (Rm 16.6,12;
(Rm 15.30-32; 2 Co 1.11; Ef 6.19,20; 2
1 Co 16.10; Fp 4.3). Para tanto reconheça-
Ts3.1). Esse não é um pedido super-
mos que nosso trabalho nunca é inútil ou
ficial; o apóstolo conhece o poder
insignificante quando o fazemos para a
da oração e o valor de mencionar os
glória do Senhor (1 Co 15.58). A verdadeira
companheiros cristãos no aspecto de
alegria de um líder, não é pelas coisas que
uma parceria ministerial. É uma honra
faz, mas pelo legado que deixa na vida das
alguém lhe pedir oração, porque esta
pessoas. O testemunho de acompanhar
atitude demonstra confiança em sua
pessoas feridas na alma e desacreditadas
pessoa. Paulo orou muito por esses
da fé, e vê-las restauradas e louvando
crentes e continuava a fazê-lo; porém
a Deus é algo fantástico. Quanto vale o
admitia a necessidade de ter outros
preço de uma vida restaurada pelo poder
crentes que o apoiassem. Paulo era
de Deus? Quanto se pode pagar por um
sempre grato pelo apoio recebido,
sonho ministerial que se torna realidade?
quer se tratasse de oração, ajuda
O que se pode dar em troca da vida de
financeira, ou voluntária. O pedido
um jovem alicerçada na presença do
de oração ‘formou um vínculo de
Criador? Em todos os casos a resposta
intercessão mútua’ com os cristãos
é a mesma; NADA! Cristo seja sempre
tessalonicenses. O pedido de Paulo
tudo em nós.
faz parte de sua intenção de promover
a solidariedade e a união entre os
Pense! crentes: ‘saudai a todos os irmãos
O trabalho na igreja local é muito
árduo, e na maioria das vezes sem com ósculo santo’ (v. 26; cf. Rm 16.16;
nenhum tipo de reconhecimento. 1 Co 16.20; 2 Co 13-12). A cultura dita
Não sejamos do grupo dos que os costumes nessas práticas casu-
criticam e nada fazem. Coloque- ais; portanto seriamos negligentes
mo-nos como aqueles que estão
se acusássemos uma igreja de ser
dispostos, sempre, a fazer o melhor
para o Reino dos Céus. Trabalhe- antibíblica por não ter o costume do
mos não para os homens, mas para ‘ósculo santo’ (ARRINGTON, French.
o Deus que nos vocacionou. L. e STRONSTAD, Roger (Ed.). Co-
mentário Bíblico Pentecostal: Novo
Ponto Importante Testamento. 2.ed. Rio de Janeiro:
Que sejamos abençoadores do CPAD, 2004. p. 1407).
Reino de Deus; ativos servos,
conscientes de nossa vocação para
o serviço do Mestre. Abandone-
mos a imaturidade cristã e que o
nosso coração seja alinhado com o
coração do Pai.

JOVENS 95
ESTANTE DO PROFESSOR
ELDREDGE, John. A Santidade que
Liberta: Aprendendo com Jesus a viver em
integridade. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD

ANOTAÇÕES

CONCLUSÃO
O melhor jeito de despedir-se de um grupo é deixando muita vontade de não
ir embora. Líderes e liderados precisam reconhecer seus papéis no Reino dos
Céus e trabalhar, cotidianamente, para que cada um cumpra suas responsa-
bilidades e acreditemos que o Senhor é que fará por nós aquilo que somos
incapazes de realizar. Que nossas despedidas sejam sempre alegres, e cheias
de boas recordações. Façamos algo pelo Reino.

HORA DA REVISÃO
1. A partir de seus conhecimentos adquiridos durante todo este trimestre, comente
um pouco a respeito do relacionamento de Paulo com a igreja em Tessalônica.
Resposta pessoal.
2. O que significa ter o corpo, alma e espírito santificados?
É viver inteiramente para a glória de Deus, em todo o âmbito da vida.
3. O que nós, enquanto igreja local, podemos fazer para tornar nossa vida em co-
munidade melhor?
Resposta pessoal.
4. De que modo você, hoje, pode ajudar as lideranças de sua igreja local?
Resposta pessoal.
5. No que você se imagina trabalhando na obra de Deus, a curto, médio e longo prazo?
Resposta pessoal.
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