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Texto Sequencial

1 ANOTAÇÕES PARA FACILITAR A COMPREENSÃO a DOS EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS


QUE SE SEGUEM, E PARA AJUDAR TANTO QUEM OS DÁ COMO QUEM OS RECEBE

1ª Anotação. I Por esta expressão, Exercícios Espirituais, entende-se qualquer modo de examinar a
consciência, meditar, contemplar, orar vocal ou mentalmente, e outras atividades espirituais, de que adiante
falaremos. II Porque, assim como passear, caminhar e correr são exercícios corporais, também se chamam
exercícios espirituais os diferentes modos de a pessoa se preparar e dispor para tirar de si todas as afeições
desordenadas, III e, tendo-as afastado, procurar e encontrar a vontade de Deus, na disposição da sua vida para
o bem IV da mesma pessoa. b

2 2ª Anotação. A pessoa que propõe a outra o assunto e o método c para meditar ou contemplar deve
narrar fielmente a história de tal contemplação ou meditação, V apresentando apenas os pontos com um
comentário breve ou sumário. Porque aquele que faz a contemplação acha nela mais gosto e fruto espiritual
quando, partindo do fundamento verdadeiro da história, refletindo e raciocinando por si mesmo, encontra
como explicar ou sentir um pouco melhor o assunto, seja por sua própria reflexão, seja pela graça divina que
lhe ilumina o entendimento; mais do que se, quem dá os exercícios tivesse explicado e desenvolvido com
pormenores o sentido da história. Porque não é o muito saber que sacia e satisfaz a alma, mas o sentir e
saborear as coisas internamente. VI

3 3ª Anotação. Em todos os exercícios espirituais seguintes, usamos dos atos do entendimento, quando
raciocinamos e dos atos da vontade, quando despertamos os afetos. VII Note-se que, nos atos da vontade, em
que falamos vocal ou mentalmente com Deus Nosso Senhor, ou com os seus santos, se requer da nossa parte
maior respeito do que quando usamos simplesmente o entendimento refletindo. VIII

4 4ª Anotação. Os exercícios seguintes dividem-se em quatro partes, a que correspondem quatro


semanas: a primeira destina-se à consideração e contemplação dos pecados; a segunda, à contemplação da
vida de Nosso Senhor Jesus Cristo até o dia de Ramos inclusive; a terceira, à contemplação da sua Paixão; a
quarta, à contemplação da sua Ressurreição e Ascensão, com os três modos de orar. IX

Não se julgue, porém, que cada semana deva necessariamente compor-se de sete ou oito dias. De fato
acontece que na primeira semana uns são mais lentos que outros em achar aquilo que procuram, isto é,
contrição, dor e lágrimas pelos seus pecados; outros são mais diligentes, ou mais agitados e provados pelos
diversos espíritos, e, por isso, algumas vezes torna-se necessário abreviar, outras, prolongar esta semana. O
mesmo se diga das semanas seguintes, procurando sempre tirar o fruto conforme a matéria que se propõe. X
Mas os exercícios acabarão todos mais ou menos em trinta dias.

5 5ª Anotação. Muito aproveita ao exercitante entrar neles com grande ânimo e liberalidade para com
seu Criador e Senhor, oferecendo-lhe todo o seu querer e liberdade, para que sua divina Majestade se sirva de
sua pessoa e de tudo quanto possui, conforme a sua santíssima Vontade. XI

6 6ª Anotação. Quando o que dá os Exercícios percebe que ao exercitante que lhe vêm à alma algumas
noções espirituais quer de consolação, quer de desolação, XII nem é agitado pelos diversos espíritos, XIII
deve interrogá-lo com cuidado sobre os Exercícios, se os faz nos tempos marcados e como. Assim também a
respeito das adições, se as faz com diligência. Indagará sobre cada um destes pontos em particular. Fala-se de
consolação e desolação nos números 316 317 318 319 320 321 322 323 324 ; e das adições nos números
73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 .

7 7ª Anotação. Se o que dá os Exercícios nota que o exercitante está desolado e tentado, não se mostre
duro e severo com ele, mas bondoso e suave. Dê-lhe coragem e forças para ir adiante; descubra-lhe as astúcias
do inimigo da natureza humana, e leve-o a preparar-se e a dispor-se para a consolação que há de vir.

8 8ª Anotação. O que dá os Exercícios poderá explicar ao que os recebe as regras da primeira e


segunda semanas acerca do discernimento dos vários espíritos (313 314 315 316 317 318 319 320 321
322 323 324 325 326 327 e 328 329 330 331 332 333 334 335 336 ), conforme sentir nele a
necessidade de ser instruído sobre as desolações e astúcias do inimigo, ou sobre as consolações.

9 9ª Anotação. É de notar que quando o que faz os Exercícios está na primeira semana, se se trata de
pessoa pouco versada em coisas espirituais, e é tentada grosseira e abertamente, por exemplo, vendo nos
trabalhos, na vergonha, no respeito humano etc. outros tantos obstáculos que a impedirão de avançar no
serviço de Deus Nosso Senhor, aquele que os dá não lhe fale das regras da segunda semana sobre o
discernimento dos espíritos (328 329 330 331 332 333 334 335 336); porque tão úteis lhe serão as da
primeira semana (316 317 318 319 320 321 322 323 324 325 326 327) como prejudiciais as da
segunda, visto estas tratarem de matéria sutil e elevada demais para que possa compreendê-la. XIV

10 10ª Anotação. Quando quem dá os Exercícios nota que o exercitante é tentado d sob a aparência de
bem, é então o momento de lhe explicar as regras da segunda semana. Porque ordinariamente o inimigo da
natureza humana tenta mais sob a aparência de bem quando alguém se exercita na via iluminativa, que
corresponde aos exercícios da segunda semana. Na via purgativa, que corresponde aos exercícios da primeira
semana, não costuma tentar tanto. XV

11 11ª Anotação. É bom para o que faz os exercícios da primeira semana não saber cousa alguma do que
fará na segunda. XVI Mas trabalhe na primeira para alcançar aquilo que pretende, como se nada de bom
esperasse encontrar na segunda.

12 12ª Anotação. Quem dá os Exercícios há de advertir muito o exercitante de que deve empregar uma
hora em cada um dos cinco exercícios ou contemplações que faz por dia. E assim procure sempre que o
espírito fique satisfeito com o pensamento de que esteve uma hora inteira no exercício, e antes mais do que
menos. Porque o inimigo costuma sempre fazer com que se abrevie o tempo da contemplação, meditação ou
oração. XVII

13 13ª Anotação. É preciso notar ainda que, se no tempo da consolação é coisa fácil e leve estar na
contemplação uma hora inteira, no tempo da desolação, pelo contrário, é muito difícil completá-la. Portanto o
exercitante, a fim de reagir contra a desolação e vencer as tentações, deve prolongar sempre um pouco a hora
marcada, para que se habitue não só a resistir ao adversário, mas ainda a derrotá-lo.

14 14ª Anotação. Se o que dá os Exercícios vê que o exercitante está consolado e com grande fervor,
previna-o para não fazer promessa nem voto algum inconsiderado e precipitado. E quanto mais reconhecer
nele um temperamento instável e tanto mais o deve prevenir e acautelar. Porque, embora tenhamos direito a
animar alguém a entrar na vida religiosa, na qual se fazem os votos de obediência, pobreza e castidade, e
embora uma boa ação feita em virtude de um voto seja mais meritória do que a que se faz sem voto, contudo
deve-se considerar atentamente o caráter e a capacidade da pessoa, f a facilidade ou os inconvenientes que
poderá encontrar no cumprimento daquilo que deseja prometer.

15 15ª Anotação. O que dá os Exercícios não deve mover quem os recebe a escolher o estado de pobreza
ou a fazer alguma promessa, de preferência a outra, nem a escolher um estado ou gênero de vida em lugar de
outro. Porque, ainda que, fora do tempo dos Exercícios, podemos, lícita e meritoriamente, mover todas as
pessoas, que mostrem com probabilidade as disposições necessárias g a escolher a continência, a virgindade,
o estado religioso e qualquer outra forma de perfeição evangélica, contudo, durante os Exercícios, quando o
exercitante busca a vontade divina, é mais conveniente e muito melhor que o Criador e Senhor se comunique
por si mesmo a quem lhe é todo dedicado, h atraindo-o i ao seu amor e louvor, e dispondo-o a seguir pelo
caminho em que O poderá servir melhor no futuro. Assim, aquele que dá os Exercícios não se volte nem
incline a uma parte ou a outra, mas se mantenha no meio, como o fiel duma balança, deixando agir
diretamente o Criador com a criatura, e a criatura com o seu Criador e Senhor. XVIII

16 16ª Anotação. Para este fim, isto é, para que o Criador e Senhor atue mais certamente na sua criatura,
se a pessoa estiver afeiçoada ou inclinada a uma cousa desordenadamente, convém muito mover-se,
empregando todas as suas forças em chegar ao contrário daquilo a que se vê afeiçoada. Se se inclina, por
exemplo, a procurar obter um ofício ou benefício, não pela honra e glória de Deus Nosso Senhor, nem pelo
bem espiritual das almas, mas por seu próprio interesse e vantagens temporais, deve procurar afeiçoar-se à
resolução contrária. Insista em orações e outros exercícios espirituais, e peça o contrário a Deus Nosso
Senhor, a saber, que não quer tal ofício, nem benefício, nem qualquer outra coisa, a não ser que sua divina
Majestade, ordenando-lhe os seus desejos, mude-lhe as primeiras afeições. De forma que a causa de desejar e
conservar uma coisa ou outra, seja unicamente o serviço, honra e glória da divina Majestade. XIX

17 17ª Anotação. É muito proveitoso que aquele que orienta os Exercícios, sem querer perguntar nem
saber os pensamentos ou os pecados do exercitante, XX seja informado fielmente das moções j e pensamentos
que os diferentes espíritos despertam nele. Porque, conforme julgar mais ou menos proveitoso, pode dar-lhe
exercícios espirituais mais apropriados e adaptados às suas necessidades subjetivas.

18 18ª Anotação. É necessário adaptar XXI os Exercícios espirituais às disposições das pessoas que os
querem fazer, tendo em conta a idade, a ciência, o talento, e não dar ao que é ignorante, ou mediocremente
dotado, coisas que não possa facilmente entender, e de que não possa tirar proveito. Do mesmo modo se deve
dar a cada um aquilo que melhor o poderá ajudar e mais aproveitará, conforme as suas disposições interiores.
Portanto, àquele que está disposto a instruir-se sobre os seus deveres e a atingir certo grau de paz interior,
pode-se propor o exame particular (24 25 26 27 28 29 30 31 ), depois o exame geral (32 33 34 35 36
37 38 39 40 41 42 43 ) e ao mesmo tempo o método de orar sobre os mandamentos, pecados mortais etc.
(238 239 240 241 242 243 244 245 246 247 248 ), para meia hora de meditação matutina. Recomenda-
se também a confissão de oito em oito dias, e a comunhão eucarística, a cada quinze dias, se lhe for possível,
ou melhor ainda, se a devoção a isso o levar, de oito em oito dias. Esta maneira de proceder convém mais aos
simples e iletrados. Expliquem-se os mandamentos da lei de Deus, os pecados mortais, os mandamentos da
Igreja, os cinco sentidos (238 239 240 241 242 243 244 245 246 247 248), e as obras de misericórdia.
Do mesmo modo, se quem orienta os Exercícios vê que o exercitante é de pouca disposição ou capacidade, e é
pessoa de quem não se pode esperar muito fruto, é mais conveniente dar-lhe alguns destes exercícios fáceis,
até fazer a confissão dos seus pecados. Em seguida, indique-se ao exercitante algum método de exame de
consciência, e algumas regras a seguir para se confessar mais vezes do que costumava, a fim de conservar o
fruto que alcançou. Não se trate das matérias da eleição (169 170 171 172 173 174 175 176 177 178
179 180 181 182 183 184 185 186 187 188 ) nem dos outros exercícios que não são da primeira semana,
sobretudo quando de outras pessoas se pode obter maior fruto, e o tempo não chega para todas.

19 19ª Anotação. Quem estiver ocupado em cargos públicos ou negócios importantes, sendo pessoa
culta e inteligente, reserve hora e meia cada dia para fazer os exercícios. Explique-se-lhe primeiro para que
fim o homem foi criado. Pode-se-lhe explicar também durante meia hora o exame particular (24 25 26 27
28
29 30 31), depois o exame geral (32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43), e o modo de se confessar e
receber o sacramento da Eucaristia (44 ). Durante três dias, fará, todas as manhãs, durante uma hora, a
meditação sobre o primeiro, o segundo e o terceiro pecados (45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 ); depois,
nos três dias seguintes, e à mesma hora, a meditação sobre o processo dos pecados (55 56 57 58 59 60
61 ); e enfim, por outros três dias, à mesma hora, a meditação sobre as penas que correspondem aos pecados
(65 - 71). Em cada uma destas três meditações dêem-se lhe as dez adições (73 74 75 76 77 78 79 80 81
82 83 84 85 86 87 88 89 ). Para a contemplação dos mistérios de Cristo Nosso Senhor, siga-se o mesmo
método que adiante se explica longamente nestes Exercícios (101 102 103 104 105 106
107 108 109 ).

20 20ª Anotação. Se alguém tem o tempo mais livre e deseja aproveitar o mais possível, dêem-se a esse
exercitante todos os Exercícios espirituais, guardando com exatidão a ordem aqui seguida. Neles, de
ordinário, tanto mais se aproveitará, quanto mais o exercitante se separar de todos os amigos e conhecidos, e
de todas as ocupações temporais. Mudando-se, por exemplo, da casa onde mora e escolhendo outra, ou outro
quarto, para nele viver o mais retirado possível, de maneira que possa ir todos os dias à missa e às vésperas,
sem temor de que os conhecidos o impeçam. XXII

Esta separação oferecer-lhe-á, entre muitas outras, três vantagens principais:


A primeira: ao afastar-se uma pessoa de muitos amigos e conhecidos e de ocupações não bem ordenadas, para
servir e louvar a Deus Nosso Senhor, tem grande merecimento diante da sua divina Majestade.
A segunda: achando-se assim separado e não tendo o espírito dividido por muitas coisas, o exercitante põe
toda a atenção numa só, a saber, no serviço de seu Criador e no proveito da sua alma, e usa mais livremente
das faculdades naturais para procurar com diligência o que tanto deseja.

A terceira: quanto mais o exercitante se acha só e retirado, tanto mais apto se torna para se aproximar de seu
Criador, e de se unir a Ele. E quanto mais assim se aproxima dele, tanto melhor se dispõe para receber graças
e dons de sua divina e suma Bondade.

21 EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS

para o homem se vencer a si mesmo e ordenar a própria vida, XXIII


sem se determinar por nenhuma afeição desordenada.

PRESSUPOSTO

22 Para que, tanto o que dá os Exercícios como o que os recebe, se ajudem mutuamente e tirem maior
proveito, deve-se pressupor que todo bom cristão está mais pronto a justificar uma proposição do próximo do
que a condená-la. Se não pode justificá-la, pergunte como é que ele a entende; se a entende mal, corrija-o com
amor; se isso não basta, procure todos os meios convenientes para que a entenda bem e assim se salve. XXIV

23 PRINCÍPIO E FUNDAMENTO

O homem é criado para louvar, reverenciar e servir a Deus Nosso Senhor, e assim salvar a sua alma. E as
outras coisas sobre a face da terra são criadas para o homem, para que o ajudem a alcançar o fim para que é
criado. Donde se segue que há de usar delas tanto quanto o ajudem a atingir o seu fim, e há de privar-se delas
tanto quanto dele o afastem. Pelo que é necessário tornar-nos indiferentes XXV a respeito de todas as coisas
criadas em tudo aquilo que depende da escolha do nosso livre-arbítrio, e não lhe é proibido. De tal maneira
que, de nossa parte, não queiramos mais saúde que doença, riqueza que pobreza, honra que desonra, vida
longa que breve, e assim por diante em tudo o mais, desejando e escolhendo apenas o que mais XXVI nos
conduz ao fim para que somos criados XXVII

24 EXAME PARTICULAR E COTIDIANO


compreende três tempos e dois exames XXVIII

1º tempo. Pela manhã, logo ao levantar, deve-se propor evitar com diligência aquele pecado particular ou
defeito que se quer corrigir e emendar.

25 2º tempo. Depois da refeição do meio-dia, pedir a Deus nosso Senhor o que se quer, a saber, graça
para se recordar quantas vezes se caiu naquele pecado particular ou defeito e para se emendar para o futuro.
Em seguida, faça-se o primeiro exame, pedindo conta a si mesmo daquele ponto particular previsto de que se
quer corrigir e emendar, ou cada espaço de tempo, começando desde o momento de levantar até a hora e
instante do exame atual. E, marque na primeira linha da letra g = tantos pontos quantas forem as vezes que
incorreu naquele pecado particular ou defeito. Depois, proponha de novo emendar-se até fazer o segundo
exame.

26 3º tempo. Depois da refeição da noite, far-se-á o segundo exame, percorrendo-se também hora por
hora, começando desde o primeiro exame até este segundo. E se marcará na segunda linha da letra g = tantos
pontos quantas forem as vezes que incorreu naquele pecado particular ou defeito.

27 SEGUEM-SE QUATRO ADIÇÕES PARA CORRIGIR MAIS DEPRESSA O PECADO OU DEFEITO


PARTICULAR

1ª adição. Consiste em levar a mão ao peito cada vez que se cai no pecado ou defeito particular,
arrependendo-se de ter caído. Isto pode fazer-se mesmo na presença de muita gente sem se notar.
28 2ª adição. Como a primeira linha da letra g indica o primeiro exame e a outra o segundo, observar, à
noite, se houve emenda da primeira linha para a segunda, isto é, do primeiro para o segundo exame.

29 3ª adição. Comparar o segundo dia com o primeiro, isto é, os dois exames do dia presente com os
dois do dia precedente, e ver se houve emenda de um dia para o outro.

30 4ª adição. Comparar igualmente uma semana com a outra e ver se se emendou na semana presente,
em comparação com a semana anterior.

31 Note-se no quadro que se segue, a primeira letra maiúscula G indica o domingo; a segunda
minúscula g marca a segunda-feira, a terceira, a terça-feira, e assim por diante. XXIX

G --------------------------------
g ------------------------------
g ---------------------------
g --------------------------
g -----------------------
g ---------------------
g ------------------

32 EXAME GERAL DE CONSCIÊNCIA

PARA SE PURIFICAR E SE CONFESSAR MELHOR

Pressuponho haver em mim três espécies de pensamentos, a saber: um é propriamente meu, e procede da
minha liberdade e querer; e outros dois que vêm de fora, um do bom espírito e o outro do mau. XXX

33 PENSAMENTOS

Há duas maneiras de merecer num mau pensamento que vem de fora. XXXI

1ª Vem, por exemplo, o pensamento de cometer um pecado mortal. Resisto prontamente a esse pensamento, e
ele fica vencido.

34 2ª Quando me vem aquele mesmo mau pensamento e eu lhe resisto, e torna a vir, uma e outra vez, e
eu resisto sempre, até que o pensamento fica vencido. Esta segunda maneira é de mais merecimento do que a
primeira.

35 Peca-se venialmente, quando vem o mesmo pensamento de pecar mortalmente, e a pessoa lhe dá
atenção, demorando-se algum tempo nele ou recebendo alguma deleitação sensível, ou havendo alguma
negligência em rejeitar esse pensamento.

36 Peca-se mortalmente de dois modos. Primeiro, quando se consente num mau pensamento, com a
intenção de agir em seguida conforme consentiu, ou de o realizar se fosse possível.

37 Segundo, quando se executa, de fato, esse pensamento. Isto é mais grave por três motivos: primeiro,
por causa de sua maior duração; segundo, pela sua maior intensidade; terceiro, pelo maior dano para as duas
pessoas.

38 PALAVRAS

Não se deve jurar nem pelo Criador, nem pela criatura, a não ser com verdade, por necessidade e com
reverência. "Por necessidade" entendo, não quando se afirma com juramento uma verdade qualquer, mas
quando essa verdade é de certa importância para o proveito da alma, ou do corpo ou dos bens temporais.
"Com reverência" entendo, quando o proferir o nome de seu Criador e Senhor se considera e se rende a honra
e o respeito que lhe são devidos.

39 Note-se que, embora o juramento em vão seja mais grave quando se jura pelo Criador do que pela
criatura, contudo, é mais difícil jurar pela criatura, com verdade, necessidade e reverência, do que pelo
Criador, pelas razões seguintes:

1ª Quando queremos jurar por alguma criatura, o fato de querer tomá-la por testemunha não nos faz estar tão
atentos e advertidos para dizer a verdade ou para afirmá-la com necessidade, como ao querermos ter por
testemunha o Criador e Senhor de todas as coisas.
2ª Ao jurar pela criatura, não é tão fácil mostrar reverência e acatamento ao Criador, como quando se jura
pelo mesmo Criador e Senhor e se profere o seu nome; porque o querer proferir o nome de Deus nosso Senhor
leva a maior acatamento e reverência do que tomar por testemunha uma simples criatura.

Por isso, aos perfeitos mais facilmente se concede jurar pela criatura do que aos imperfeitos. Porque os
perfeitos, pela contemplação assídua e pela iluminação do entendimento são mais levados a considerar,
meditar e contemplar como Deus nosso Senhor está em todas as criaturas, por sua própria essência, presença e
poder; e assim, quando juram pela criatura estão mais aptos e melhor preparados que os imperfeitos, para
render a seu Criador e Senhor acatamento e reverência.

3ª No juramento frequente pelas criaturas há de temer-se mais a idolatria nos imperfeitos do que nos perfeitos.
XXXII

40 Não devemos dizer nenhuma palavra ociosa. Por palavra ociosa entendo aquela que não tem
utilidade nem para mim, nem para outrem, nem se ordena a tal fim. De forma que não pe palavra ociosa falar
daquilo que aproveita, ou se diz com intenção de aproveitar à própria alma, ou à de outro, ao corpo ou aos
bens temporais, mesmo que se fale de assuntos estranhos a própria profissão, como um religioso a tratar de
guerras ou de comércio. Em resumo, podemos dizer que há mérito quando as palavras são inspiradas por uma
boa intenção, e pecado quando por uma intenção repreensível ou se se falar em vão.

41 Nada se deve dizer para difamar ou murmurar, porque se se revela um pecado mortal que não seja
público, peca-se mortalmente; e venialmente, se se revela um pecado venial; e se se descobre um defeito,
mostra-se um defeito próprio.

Se é reta a intenção, em dois casos se pode falar do pecado ou falta de outrem:


1º quando o pecado é público, por exemplo, tratando-se de uma pessoa de má vida e conhecida por tal, ou de
uma sentença dada em juízo; ou de um erro público que corrompe as almas daqueles com quem se trata.

2º quando se revela a alguém um pecado oculto, para que ele ajude o pecador a levantar-se, desde que haja
esperança ou razões fundadas de que ele possa ser útil.

42 OBRAS

Tomando por objeto de exame os dez mandamentos, os preceitos da Igreja e as ordens dos superiores, tudo o
que se faz contra qualquer destas três matérias é pecado mais ou menos grave, conforme for maior ou menor a
sua importância.
Por "Ordens dos superiores" entendo, por exemplo, as Bulas da Cruzada e outros indultos, XXXIII como as
indulgências pela paz, concedidas aos fiéis que se confessam e recebem o Santíssimo Sacramento. Pois não
pode ser falta pequena ir contra ou induzir outros a irem contra estas exortações e disposições tão santas dos
nossos Superiores. XXXIV

43 MODO DE FAZER O EXAME GERAL

consta de cinco pontos XXXV

1º ponto: dar graças a Deus nosso Senhor pelos benefícios recebidos.


2º ponto: pedir graças para conhecer os pecados e rejeitá-los.
3º ponto: pedir conta a si mesmo desde a hora em que se levantou até o exame presente, hora por hora ou
tempo por tempo, primeiro dos pensamentos, depois das palavras e em seguida das obras, pela mesma ordem
que se disse no exame particular.

4º ponto: pedir perdão a Deus nosso Senhor das faltas.


5º ponto: propor emendar-se com a sua graça. Pai-nosso

44 CONFISSÃO GERAL E COMUNHÃO

Quem quiser voluntariamente fazer uma confissão geral, encontrará, entre outras, estas três vantagens:
1ª É certo que aquele que se confessa todos os anos não é obrigado a fazer uma confissão geral; contudo, se o
fizer, colherá dela maior proveito e mérito, pela maior dor atual de todos os pecados e malícias de toda sua
vida.

2ª No tempo dos Exercícios espirituais, o exercitante adquire um conhecimento mais íntimo dos pecados e da
sua malícia, do que em qualquer outro tempo, em que não se dava assim à vida interior. Conseguindo agora
mais conhecimento e dor deles, obterá maior proveito e mérito do que antes.
3ª Estando o exercitante melhor confessado e disposto acha-se consequentemente mais apto e mais preparado
para receber o Santíssimo Sacramento, cuja recepção ajuda não somente a não recair em pecado, mas ainda a
conservar-se no aumento de graça.

A ocasião mais conveniente para se fazer a confissão geral é logo após os exercícios da primeira semana.

Primeira Semana

45 PRIMEIRO EXERCÍCIO

MEDITAÇÃO COM AS TRÊS POTÊNCIAS XXXVI SOBRE O PRIMEIRO, O SEGUNDO E O


TERCEIRO PECADO
compreende, depois da oração preparatória e dois preâmbulos, três pontos principais e um colóquio

46 A oração preparatória consiste um pedir graça a Deus nosso Senhor para que todas as minhas
intenções, ações e operações sejam dirigidas unicamente ao serviço e louvor de sua divina Majestade.
XXXVII

47 O 1º preâmbulo é a composição do lugar. É de notar aqui que, se o assunto da contemplação ou da


meditação for uma coisa visível, como na contemplação de Cristo nosso Senhor, que é visível, esta
"composição" consistirá em representar, com o auxílio da imaginação, o lugar material onde se encontra o
objeto que quero contemplar. XXXVIII Lugar material, digo, como o templo, ou o monte onde se encontram
Jesus Cristo ou Nossa Senhora, conforme o mistério que escolhi para a contemplação.

Se o assunto da meditação for coisa invisível, como são nesta os pecados, a composição do lugar consistirá
em ver com os olhos da imaginação, e em considerar a minha alma encarcerada neste corpo corruptível, e a
mim mesmo, isto é, o meu corpo e a minha alma, ah neste vale (de lágrimas), como desterrado entre brutos
animais.

48 O 2º preâmbulo, consiste em pedir a Deus nosso Senhor o que quero e desejo. XXXIX Esta petição
deve ser conforme o assunto da meditação. Na contemplação da Ressurreição, por exemplo, pedirei alegria
com o Cristo inundado de alegria; na da Paixão pedirei dor, lágrimas, sofrimentos com Cristo torturado.

Na meditação presente pedirei vergonha e confusão XXXX de mim mesmo, vendo quantos têm sido
condenados por um só pecado mortal e quantas vezes eu mereceria ser condenado para sempre por meus
pecados tão numerosos.
49 Nota. Antes de cada contemplação ou meditação, deve-se fazer a oração preparatória, que será
sempre a mesma, e os dois preâmbulos que variam conforme o assunto.

50 1º ponto. XXXXI O primeiro ponto será aplicar a memória ao primeiro pecado, que foi o dos anjos, e
a seguir o entendimento, que refletirá sobre o mesmo, e finalmente, a vontade. Procurarei recordar e entender
tudo isto, para mais me envergonhar e confundir: comparando com um só pecado dos anjos, tantos pecados
meus. E considerando como eles, por um só pecado, foram para o inferno, e quantas vezes eu o mereci por
tantos pecados.

Trarei, pois, à memória o pecado dos anjos como, tendo sido criados em estado de graça, recusaram ajudar-se
da sua liberdade para render a seu Criador e Senhor a homenagem e a obediência que lhe eram devidas;
encheram-se de soberba, e, por isso, passaram do estado de graça ao de malícia e do Céu foram precipitados
no Inferno.
E assim, em seguida, descorrerei sobre tudo mais em particular com o entendimento, e finalmente moverei
mais os afetos com a vontade.

51 2º ponto. Seguir o mesmo processo, isto é, aplicar as três potências ao pecado de Adão e Eva. Trarei
à memória como por este pecado fizeram tão longa penitência e quanta corrupção veio ao gênero humano,
indo tanta gente para o inferno.

Hei de, pois, avivar na memória o segundo pecado: o de nossos primeiros pais. A saber, como Adão foi criado
no campo Damasceno XXXXII e posto no Paraíso terrestre, e como Eva foi formada de uma das suas
costelas, e como, apesar de lhes ser proibido comer da árvore da ciência, contudo comeram e por isso
pecaram. Depois vestidos de túnicas de peles e expulsos do paraíso, viveram toda a vida em muitos trabalhos
e muita penitência, sem a justiça original, que tinham perdido. A seguir refletirei com o entendimento mais
em particular e exercitarei a vontade, como se explicou no primeiro ponto.

52 3º ponto. Proceder do mesmo modo sobre o terceiro pecado, isto é, o pecado particular de qualquer
pessoa, que por uma só culpa mortal foi para o inferno e de muitas outras, sem conta, que lá estão por menos
pecados dos que eu tenho cometido.

Procederei do mesmo modo sobre o terceiro pecado particular: isto é, trarei à memória a gravidade e malícia
do pecado contra o seu Criador e Senhor. Refletirei com o entendimento, como por pecar e agir contra a
bondade infinita, este homem foi justamente condenado para sempre. Concluirei pelos atos da vontade, como
foi dito.

53 Colóquio. XXXXIII Imaginando, diante de mim, Cristo nosso Senhor, crucificado, farei um
colóquio, ponderando como Ele sendo Criador veio a fazer-se homem, e como da vida eterna chegou à morte
temporal, e desta forma veio a morrer por meus pecados. Olhando depois para mim mesmo, perguntar-me-ei:
o que fiz por Cristo
o que faço por Cristo
e o que devo fazer por Cristo.

E vendo-o assim pregado na cruz, refletirei XXXXIV sobre o que me ocorrer.

54 O colóquio, propriamente dito, se faz falando, como um amigo fala com outro, ou um servo com o
seu senhor. Ora pedindo alguma graça, ora acusando-se por alguma má ação, ora comunicando as suas coisas
e querendo conselho nelas. E rezar um pai-nosso.

55 SEGUNDO EXERCÍCIO

MEDITAÇÃO DOS PECADOS XXXXV

compreende, depois da oração preparatória e dois preâmbulos, cinco pontos e um colóquio

A oração preparatória seja a mesma.


O 1º preâmbulo será a mesma composição de lugar.
O 2º preâmbulo consiste em pedir o que quero. Nesta meditação será pedir grande e intensa dor e lágrimas
dos meus pecados. XXXXVI

56 1º ponto. É o processo dos pecados, a saber, trarei à memória todos os pecados da vida, considerando
ano por ano, ou período por período. Para isto será útil recordar três coisas: 1º) ver o lugar e a casa onde vivi,
2º) as relações que tive com outras pessoas, 3º) a profissão que exerci.

57 2º ponto. Ponderarei os pecados, considerando a fealdade e a malícia que cada pecado mortal
cometido tem em si, ainda que não fosse proibido. XXXXVII

58 3º ponto. Olharei quem sou eu, diminuindo-me por meio de comparações. 1º) Que sou eu em
comparação com todos os homens? 2º) Que são os homens em comparação com todos os anjos e santos do
Paraíso? 3º) Que são todas as criaturas em comparação com Deus? E eu só, que posso ser? 4º) Considerarei
toda a minha corrupção e miséria do meu corpo. 5º) Ver-me-ei como uma chaga e tumor de onde saíram
tantos pecados e tantas maldades e veneno tão hediondo.

59 4º ponto. Considerarei quem é Deus contra quem pequei, segundo os seus atributos, comparando-os
aos seus contrários em mim: a sua Sabedoria a minha ignorância, a sua Onipotência a minha fraqueza, a sua
Justiça a minha iniquidade, a sua Bondade a minha maldade.

60 5º ponto. Exclamação de admiração com intenso afeto, discorrendo por todas as criaturas. Como me
têm deixado com vida e conservado nela! Os anjos que são a espada da justiça divina, como me têm
suportado, guardado e rezado por mim! Os santos, como têm intercedido e rogado por mim! E os céus, o sol,
a lua, as estrelas, e os elementos, os frutos, as aves, os peixes e os animais! E a terra como não se abriu para
me tragar, criando novos infernos para neles penar para sempre!

61 Colóquio. Terminarei com um colóquio de misericórdia, ponderando bem e dando graças a Deus
nosso Senhor, porque me deu vida até agora, XXXXVIII e proporei emenda para o futuro com a sua graça.
Pai-nosso

62 TERCEIRO EXERCÍCIO
REPETIÇÃO DO PRIMEIRO E SEGUNDO EXERCÍCIO, com três colóquios

Depois da oração preparatória e dos dois preâmbulos, repetir o 1º e o 2º exercícios, dando especial atenção e
detendo-se nos pontos em que tenha sentido maior consolação ou desolação ou maior sentimento espiritual.
XXXXIX

Farei, em seguida, três colóquios da seguinte maneira:

63 1º colóquio. A Nossa Senhora, L para que me alcance estas três graças de seu Filho e Senhor:
1ª) que sinta interno conhecimento de meus pecados e aborrecimentos deles;
2ª) que sinta a desordem das minhas ações, a fim de que, aborrecendo-a, emende-me e me ordene;
3ª) pedir conhecimento do mundo, para que, aborrecendo-o, aparte de mim as coisas mundanas e vãs. Depois
disto rezar uma ave-maria.

2º colóquio. Pedirei o mesmo ao Filho para que me alcance do Pai as mesmas três graças. Depois disto rezar
“Alma de Cristo”.

3º colóquio. Pedirei o mesmo ao Pai LI para que o Senhor eterno me conceda. Terminar com um Pai-nosso.

64 QUARTO EXERCÍCIO
RESUMO DO TERCEIRO

Este exercício é um resumo do terceiro, para que a inteligência, sem se afastar do assunto, reflita atentamente,
recordando as verdades contempladas nos exercícios precedentes. LII Fazer os mesmos três colóquios.
65 QUINTO EXERCÍCIO
MEDITAÇÃO DO INFERNO LIII
compreende. Depois da oração preparatória

e dois preâmbulos, cinco pontos


e um colóquio

A oração preparatória seja a costumeira.

O 1º preâmbulo é a composição de lugar. Consiste nesta meditação em ver com os olhos da imaginação o
comprimento, a largura e a profundidade do inferno.

O 2º preâmbulo será pedir a graça que quero. Pedirei sentimento interno da pena que padecem os condenados,
para que, se me esquecer, por minhas faltas, do amor do Senhor eterno, ao menos, o temor das penas me ajude
para que não venha a cair em pecado.

66 1º Ponto. Verei, com os olhos da imaginação, os grandes fogos e as almas como que em corpos
incandescentes.

67 2º Ponto. Escutarei com os ouvidos, prantos, alaridos, gritos, blasfêmias contra Cristo e contra todos
os seus santos.

68 3º Ponto. Sentirei com o olfato, o cheiro de fumo, enxofre, imundície e podridão

69 4º Ponto. Procurarei com o gosto saborear coisas amargas, assim como lágrimas, tristezas e o
remorso m da consciência.

70 5º Ponto. Tocarei com o sentido do tato essas chamas, sentindo como elas envolvem e abrasam as
almas.

71 Colóquio. Farei um colóquio a Cristo nosso Senhor, trazendo à memória as almas que estão no
inferno; umas porque não creram na sua vinda, outras, porque crendo, não procederam segundo os seus
mandamentos, dividindo-as em três grupos: LIV 1º grupo, antes da vinda de Cristo; 2º grupo, durante sua
vida e 3º grupo, depois da sua vida neste mundo.

Dar-lhe-ei graças porque não me deixou cair em nenhum destes grupos, pondo fim a minha vida, e também
porque até agora sempre tem tido tanta piedade e misericórdia para comigo. Concluirei com um Pai-nosso.
LV

72 Nota. O 1º exercício far-se-á à meia-noite. O 2º , logo ao levantar pela manhã. O 3º , antes ou depois
da Missa, mas que seja, em qualquer caso, antes do almoço. O 4º , à hora de vésperas. O 5º , uma hora antes
do jantar. Este horário permanece sempre o mesmo durante as quatro semanas, com mais ou menos rigor,
conforme a idade, as disposições e o temperamento aconselharem os cinco ou menos exercícios.

73 ADIÇÕES
PARA MELHOR FAZER OS EXERCÍCIOS
E PARA MELHOR O EXERCITANTE ENCONTRAR
O QUE DESEJA

1ª Adição. LVI Depois de deitado e antes de adormecer, pensarei pelo espaço de uma Ave-Maria, a que horas
tenho de me levantar e para quê, e resumirei o exercício que tenho de fazer. LVII

74 2ª Adição. Quando acordar, sem me deter em pensamentos distrativos, pensarei logo no assunto de
contemplação do exercício da meia-noite, excitando-me à confusão por meus pecados tão numerosos. Propor-
me-ei algumas comparações, como, por exemplo, a de um cavaleiro que se encontrasse diante do seu rei, e de
toda a corte, envergonhado e confundido, por haver ofendido enormemente aquele de quem antes recebera
numerosos benefícios e favores.

Do mesmo modo, no segundo exercício, considerar-me-ei como um grande pecador, carregado de grilhões,
prestes a comparecer diante do Supremo e Eterno Juiz, tal como os encarcerados e já condenados à morte
comparecem diante do seu juiz temporal.

Com estes pensamentos me irei vestindo, ou com outros semelhantes, conforme a matéria a meditar.

75 3ª Adição. A um ou dois passos do lugar onde farei a contemplação ou meditação, ficarei de pé, por
espaço de um Pai-nosso, e levantando ao alto o pensamento, considerarei como Deus nosso Senhor me vê
etc., e farei um ato de reverência ou de humildade. LVIII

76 4ª Adição. Começarei a contemplação, ora de joelhos, ora prostrado em terra, ora deitado, ora
sentado, ora de pé, procurando sempre encontrar aquilo que quero.

Observarei duas coisas: a 1ª é que se acho o que quero, de joelhos, não mudarei de posição, e, do
mesmo modo, se prostrado etc. A 2ª, no ponto da meditação em que achar o que quero, aí pararei, sem ter
ânsia de passar adiante, até que me satisfaça. LIX

77 5ª Adição. Acabada a contemplação ou meditação, examinarei por espaço de um quarto de hora,


sentado ou passeando, como é que nelas me saí. Se mal, indagarei a causa, e depois de a descobrir, me
arrependerei, para me corrigir no futuro. E se bem, darei graças a Deus nosso Senhor e continuarei a proceder
do mesmo modo.

78 6ª Adição. Não me deterei em nenhum pensamento capaz de me causar prazer ou alegria, como a
lembrança do céu ou da Ressurreição, porque toda consideração de gozo e alegria me impediria de sentir pena
e dor e de derramar lágrimas pelos meus pecados. Pelo contrário, procurarei alimentar o desejo de sentir dor e
arrependimento, tendo presente na memória a lembrança da morte e do juízo.

79 7ª Adição. Para o mesmo efeito, privar-me-ei inteiramente da luz, fechando janelas e portas, quando
estiver no quarto, a não ser para rezar (o ofício divino), ler ou tomar a refeição.

80 8ª Adição. Abster-me-ei de rir ou de proferir qualquer palavra que provoque riso.

81 9ª Adição. Refrearei os olhos, não os levantando senão para receber ou despedir as pessoas com
quem falar.

82 10ª Adição. Penitência. Ela pode ser interior e exterior. A penitência interior consiste na dor dos
próprios pecados, com o firme propósito de nunca mais cometer esses, nem quaisquer outros.

A penitência exterior, fruto da primeira, consiste em se castigar pelos pecados cometidos. Pratica-se
principalmente de três modos:

83 1º) Com respeito à alimentação. Subtrair o supérfluo não é penitência, mas temperança. Há
penitência quando nos privamos do conveniente. E tanto melhor e maior será a penitência, quanto mais nos
privarmos, contanto que não se prejudique a pessoa, nem se siga nenhuma enfermidade notável.

84 2º) Com respeito ao modo de dormir. Ainda aqui, não é penitência subtrair do supérfluo em coisas
delicadas e moles. Mas há penitência quando, no modo de dormir, tira-se alguma coisa do que convém. E
quanto mais tirarmos tanto melhor é a penitência, contanto que não se prejudique a pessoa, nem se siga
nenhuma doença notável.
Do sono conveniente, porém, não se deve tirar nada, a não ser que se tenha o mau hábito de dormir
demasiado, para assim se chegar a uma justa medida.

85 3º) Castigando a carne, isto é, causando-lhe dor sensível, por meio de cilícios ou cadeias de ferro
sobre a pele, flagelando-se, ferindo-se ou praticando outros gêneros de austeridades.

86 Notas. O que parece mais conveniente e prudente é que a dor seja sensível na carne, mas não penetre
nos ossos, de forma que a penitência cause dor, mas não enfermidade. E assim, parece preferível flagelar-se
com cordas finas que magoem superficialmente, a fazê-lo de outro modo, que possa produzir lesões internas
notáveis.

87 1ª nota. As penitências exteriores praticam-se por três motivos principais:


O primeiro, para satisfazer pelos pecados passados. O segundo, para vencer-se a si mesmo, isto é,
para obrigar a sensualidade a obedecer à razão, e as tendências inferiores estarem mais sujeitas às superiores.
O terceiro, para solicitar e obter de Deus alguma graça ou dom que a pessoa quer e deseja, por
exemplo, a de sentir contrição íntima de seus pecados, de os chorar amargamente, de derramar lágrimas pelas
penas e dores que Cristo nosso Senhor padeceu na sua paixão, ou enfim, para achar a solução de alguma
dúvida em que se encontra.

88 2ª nota. A primeira e a segunda adições só dizem respeito aos exercícios da meia-noite e da manhã, e
não aos que se fazem em outros tempos. E a quarta adição não se fará nunca na igreja, em presença de outras
pessoas, mas unicamente quando se está só, por exemplo, na própria casa etc.

89 3ª nota. Quando o exercitante ainda não obteve o que deseja, como lágrimas, consolações etc., é
muitas vezes vantajosos introduzir alguma mudança na alimentação, no sono, e em outras espécies de
penitências. Varie, pois, fazendo penitência dois ou três dias, e outros dois ou três, não. Porque a alguns
convém fazer mais penitência, e a outros, menos. Muitas vezes, também, omitimos as práticas de penitência,
por causa do nosso comodismo ou por um juízo errôneo que nos faz crer que não poderemos suportá-las sem
dano notável para a saúde.

Outras vezes, pelo contrário, fazemos demasiada penitência, persuadindo-nos de que a podemos suportar. E
como Deus nosso Senhor conhece infinitamente melhor a nossa natureza, muitas vezes, nas tais mudanças,
dá-nos a sentir o que nos convém. LX

90 4ª nota. O exame particular faça-se para corrigir defeitos e negligências nos exercícios e adições. E
do mesmo modo na 2ª, 3ª e 4ª semanas.

91 O CHAMAMENTO DO REI TEMPORAL

AJUDA A CONTEMPLAR A VIDA DO REI ETERNO LXI

A oração preparatória como de costume.


O 1º preâmbulo é a composição do lugar.
Consistirá, aqui, em ver, com os olhos da imaginação, as sinagogas, cidades e aldeias que Cristo nosso Senhor
percorreu a pregar.

O 2º preâmbulo consiste em pedir a graça que quero. Será, aqui, pedir a Nosso Senhor a graça de não ser
surdo ao seu chamamento, mas pronto e diligente em cumprir a sua santíssima vontade. LXII

Primeira Parte LXIII

92 1º ponto. Representar-me-ei um rei humano, escolhido pela mão de Deus nosso Senhor, a quem
prestam reverência e obedecem todos os príncipes e todos os homens cristãos.

93 2º ponto. Verei como este rei fala a todos os seus, dizendo: “É minha vontade conquistar toda a terra
de infiéis. Portanto, quem quiser vir comigo, há de contentar-se de comer como eu, e também com beber e
vestir como eu etc., do mesmo modo há de trabalhar comigo durante o dia, e vigiar durante a noite etc., para
que depois tenha parte comigo na vitória, assim como a teve nos trabalhos”.

94 3º ponto. Considerarei o que devem responder os bons súditos a rei tão generoso e tão humano. E,
por conseguinte, se algum não aceitasse a proposta de um tal rei, quão digno seria de ser desprezado por todo
mundo e tido por perverso cavaleiro.

95 Segunda parte LXIV

A segunda parte deste exercício consiste em aplicar a Cristo nosso Senhor os três pontos da parábola
precedente.

1º ponto. Se consideramos o chamamento do rei temporal a seus súditos, quanto mais digno de
consideração é contemplar Cristo nosso Senhor, Rei eterno, e diante dEle o universo inteiro e cada homem em
particular, a quem chama com este convite: “A minha vontade é conquistar todo o mundo e todos os inimigos,
e assim entrar na glória de meu Pai. Portanto, quem quiser vir comigo deve trabalhar comigo, a fim de que,
seguindo-me nos trabalhos, acompanhe-me também na glória”.

96 2º ponto. Considerarei que todos os homens dotados de razão LXV e de bom senso se oferecerão
totalmente ao trabalho.

97 3º ponto. Os que quiserem aspirar a mais e assinalar-se em todo o serviço do seu Rei eterno e Senhor
universal, não somente oferecerão as suas pessoas ao trabalho, mas ainda, agindo contra a sua própria
sensualidade e contra o seu amor carnal e mundano, LXVI farão oblações de maior estima e valor dizendo:

98 “Eterno Senhor de todas as coisas, LXVII eu faço a minha oblação com o vosso favor e ajuda, diante
da vossa infinita bondade, e diante da vossa Mãe gloriosa e de todos os santos santas da corte celestial. Eu
quero e desejo LXVIII e é minha determinação deliberada, contanto que seja vosso maior serviço e louvor,
imitar-Vos em passar por todas as injúrias e todas as humilhações e toda a pobreza, assim atual como
espiritual, LXIX se Vossa Santíssima Majestade me quiser escolher e receber em tal vida e estado”.

99 1ª nota. Este exercício far-se-á duas vezes neste dia: de manhã depois do levantar, e uma hora antes
do almoço ou do jantar. LXX

100 2ª nota. Durante a segunda semana e as seguintes, será muito útil ler, por alguns momentos,
passagens da Imitação de Cristo, ou dos evangelhos e vidas de santos.

101 PRIMEIRO DIA


PRIMEIRA CONTEMPLAÇÃO LXXI

A ENCARNAÇÃO

compreende a oração preparatória,

três preâmbulos, três pontos e um colóquio

A oração preparatória costumeira.

102 O 1º preâmbulo consiste em recordar a história do mistério que se deve contemplar.


Aqui recordarei como as Três Pessoas divinas, lançando os olhos sobre toda a redondeza da terra
cheia de homens, e vendo como todos se precipitavam no inferno, decretaram em sua eternidade que a
segunda Pessoa da SS. Trindade se fizesse homem para salvar o gênero humano, e assim, chegada a plenitude
dos tempos, o Arcanjo S. Gabriel foi enviado a N. Senhora (262 ).

103 O 2º preâmbulo é a composição do lugar.


Aqui será ver a imensa extensão e redondeza da terra, povoada de tantas e tão diversas gentes.
Depois, em particular a casa e os aposentos de N. Senhora, na cidade de Nazaré, na província da Galiléia.

104 O 3º preâmbulo é pedir o que quero.


Nesta contemplação pedirei o conhecimento interno do Senhor que por mim se fez homem, para que
mais o ame e o siga.

105 Nota. Nesta semana e nas seguintes, deve-se fazer a mesma oração preparatória como foi dito no
princípio (46 ). O mesmo se diga dos três preâmbulos, modificando-os, porém, conforme o assunto que se
medita.

106 1º ponto. Verei sucessivamente as pessoas. Primeiramente os homens que vivem na face da terra, tão
diversos nos trajes e nas atitudes: uns brancos, outros negros; uns em paz, outros em guerra; uns chorando,
outros rindo; uns com saúde, outros sem ela; uns nascendo, outros morrendo etc.
Em segundo lugar, verei e considerarei como as Pessoas divinas, assentadas no trono de sua divina
Majestade, contemplam na vasta superfície da terra todos os povos mergulhados e tão profunda cegueira,
como morrem e descem ao inferno.

Em terceiro lugar, verei N. Senhora e o Anjo que a saúda.


Depois refletirei, para tirar desta cena algum proveito.

107 2º ponto. Escutarei as palavras. Primeiro as dos homens na face da terra, o que dizem uns aos outros,
como juram, blasfemam etc. Depois o que dizem as Pessoas divinas, a saber: “Façamos a redenção do gênero
humano” etc.
Finalmente as palavras do Anjo e de N. Senhora.
E refletirei para tirar proveito de tudo quanto ouvi.

108 3º ponto. Considerarei o que fazem os homens na face da terra, ferindo, matando e caindo no inferno
etc.
Depois o que fazem as Pessoas divinas, a saber, como realizam a Santíssima Encarnação etc.
Enfim o que fazem o Anjo e N. Senhora, a saber, como o Anjo se desempenha da sua missão de
embaixador, e N. Senhora se humilha e dá graças à divina Majestade. Em seguida refletirei para tirar de cada
um destes fatos algum proveito.

109 Colóquio. Por fim farei um colóquio, pensando no que devo dizer às três Pessoas divinas, ou ao
Verbo Encarnado, ou à Sua Mãe e Senhora nossa, pedindo, conforme o que sinto em mim, a graça de seguir e
imitar melhor Nosso Senhor recém-encarnado. Pai-nosso.

110 SEGUNDA CONTEMPLAÇÃO


A NATIVIDADE

A oração preparatória habitual.

111 O 1º preâmbulo é a história do mistério.


Será aqui como N. Senhora, grávida de quase nove meses, partiu de Nazaré, sentada (como se pode
piedosamente meditar) numa burrinha, acompanhada de José e de uma criada, levando um boi, para ir a
Belém pagar o tributo que César lançou por toda aquela região (264 ).

112 O 2º preâmbulo é a composição do lugar.


Nesta contemplação verei com os olhos da imaginação o caminho de Nazaré a Belém, considerando
a sua extensão e largura, se é plano, se segue por vales ou por encostas. Do mesmo modo verei o lugar ou a
gruta onde nasce o Salvador: se é grande ou pequena, se é alta ou baixa, e como está preparada.

113 O 3º preâmbulo será o mesmo, e na mesma forma que na contemplação precedente.


114 1º ponto. Verei as pessoas: N. Senhora, S.José, a criada e o Menino Jesus, quando tiver nascido.
Fazendo-me semelhante a um pobrezinho e escravozinho indigno, ficarei em sua presença - como se ali
estivesse presente n - olhando-os, contemplando-os e servindo-os em suas necessidades, com todo o
acatamento e reverência possível. LXXII
Refletirei, em seguida, para tirar algum proveito.

115 2º ponto. Hei de olhar, advertir e contemplar o que dizem. E refletirei para tirar algum proveito.

116 3º ponto. Olharei e considerarei o que fazem, por exemplo, como viajam, como trabalham para que o
Senhor venha a nascer em extrema pobreza, e depois de tantos trabalhos, depois de ter padecido fome, sede,
calor, frio, injúrias e afrontas, venha finalmente a morrer na cruz, LXXIII e tudo isto por mim!
Em seguida refletirei para tirar algum proveito espiritual.

117 Colóquio. Terminarei com um colóquio, como na contemplação precedente, e recitarei um Pai-nosso.

118 TERCEIRA CONTEMPLAÇÃO


REPETIÇÃO DO 1º E DO 2º EXERCÍCIO

Depois da oração preparatória e dos três preâmbulos, far-se-á a repetição do primeiro e do segundo exercício,
insistindo sempre nas passagens principais, em cuja meditação o exercitante encontrou algum conhecimento,
consolação ou desolação. E terminará do mesmo modo por um colóquio e pela recitação do Pai-nosso.

119 Nesta repetição e em todas as seguintes, guardar-se-á o mesmo método que se observa nas repetições
da primeira semana, mudando a matéria e conservando a forma.

120 QUARTA CONTEMPLAÇÃO


REPETIÇÃO DO 1º E DO 2º EXERCÍCIO
como se fez na repetição precedente

121 QUINTA
APLICAÇÃO DOS CINCO SENTIDOS LXXIV
SOBRE A 1ª E A 2ª CONTEMPLAÇÃO

Depois da oração preparatória e dos três preâmbulos, será útil exercitar os cinco sentidos da imaginação sobre
a 1ª e a 2ª contemplação, da maneira seguinte:

122 1º ponto. Verei com os olhos da imaginação, as pessoas, considerando a contemplando em particular
as circunstâncias em que se encontram, procurando tirar algum proveito.

123 2º ponto. Pelo sentido da audição escutarei o que dizem ou podem dizer, e refletindo comigo mesmo,
procurarei tirar algum proveito.

124 3º ponto. Pelo sentido do olfato e do gosto, hei de sentir e saborear a suavidade e doçura infinitas da
divindade, da alma, de suas virtudes e de tudo o mais, conforme for a pessoa que se contempla. E refletindo
comigo mesmo, procurarei tirar algum proveito.

125 4º ponto. LXXV Exercitarei o sentido do tato, abraçando, por exemplo, e beijando os lugares que
estas pessoas tocaram com os pés, ou onde se detiveram, procurando sempre tirar algum proveito.

126 Colóquio. Terminarei com um colóquio como na 1ª e na 2ª contemplação, rezando por fim um Pai-
nosso.

127 1ª nota. Durante esta semana e as seguintes, devo ler só o mistério que corresponde à contemplação
que no momento tenho de fazer. Não devo ler nenhum outro de que não tenha de me ocupar neste dia ou nesta
hora, para que a consideração de um não venha prejudicar a de outro.
128 2ª nota. O primeiro exercício da Encarnação se fará à meia-noite. O segundo, ao amanhecer. O
terceiro, à hora da missa. O quarto, à hora de vésperas. E o quinto, antes da refeição da noite. Cada um destes
cinco exercícios durará uma hora. Esta é a ordem que se seguirá daqui por diante.

129 3ª nota. Se o exercitante for idoso ou fraco de saúde, ou embora robusto, tenha-se debilitado de
qualquer forma pelos exercícios da primeira semana, é melhor que, nesta segunda semana, não se levante, ao
menos algumas vezes, à meia-noite. Faça então uma contemplação pela manhã, outra à hora da missa, outra
antes do almoço, uma repetição destes três exercícios à hora de vésperas e a aplicação dos sentidos antes da
ceia. LXXVI

130 4ª nota. Nesta segunda semana, entre as dez adições indicadas na primeira semana, devem modificar-
se a 2ª , a 6ª , a 7ª e em parte a 10ª .
Quanto à segunda: assim que despertar, porei diante dos olhos a contemplação que vou fazer,
desejando conhecer melhor o Verbo eterno encarnado, para mais fielmente o servir e seguir.
Quanto à sexta: repassarei frequentemente pela memória a vida e os mistérios de Jesus Cristo nosso
Senhor, desde a Encarnação até o mistério que presentemente contemplo.

Quanto à sétima: escolherei a luz ou a escuridão, aproveitar-me-ei do bom ou do mau tempo, conforme sentir
que isso me aproveitará e ajudará a encontrar o que desejo.
Quanto à décima: o exercitante deve conformar-se com a natureza dos mistérios que contempla.
Porque uns pedem penitência e outros não.
As dez adições serão, pois, observadas com muito cuidado.

131 5ª nota. Em todos os exercícios, exceto no da meia-noite e no da manhã, far-se-á o equivalente da


segunda adição (74 ) desta maneira: chegada a hora do exercício que tenho de fazer, antes de o começar,
considerarei onde vou e diante de quem vou comparecer, e recordarei brevemente o exercício. Em seguida,
depois de cumprida a terceira adição (75 ), começarei o exercício.

132 SEGUNDO DIA


TOMAR PARA 1ª E 2ª CONTEMPLAÇÃO
A APRESENTAÇÃO NO TEMPLO (268 )
E A FUGA PARA O EGITO, COMO PARA
O EXÍLIO (269 )

Sobre estas duas contemplações far-se-ão duas repetições, e a aplicação dos sentidos, como no dia precedente.

133 Nota. Embora o exercitante se sinta forte e bem-disposto, ser-lhe-á útil algumas vezes, para mais
eficazmente encontrar o que deseja, modificar o seu horário, desde o segundo dia até o quarto inclusive.
Poderá fazer só uma contemplação ao amanhecer, e outra à hora da missa. Repeti-las-á à hora de vésperas, e
antes do jantar fará uma aplicação dos sentidos.

134 TERCEIRO DIA


COMO O MENINO JESUS ERA OBEDIENTE

A SEUS PAIS EM NAZARÉ (271 )


E COMO DEPOIS O ACHARAM NO TEMPLO (272 )

Far-se-ão do mesmo modo as duas repetições e a aplicação dos cinco sentidos.

135 PREÂMBULO
PARA CONSIDERAR OS ESTADOS DE VIDA
Acabamos de considerar o exemplo que Cristo nosso Senhor nos deu para o primeiro estado, que
consiste na observância dos mandamentos, quando vivia na obediência a seus pais. Do mesmo modo, o
exemplo para o segundo estado, o da perfeição evangélica, quando ficou no Templo, deixando seu pai adotivo
e sua mãe para se ocupar no serviço de seu eterno Pai. Começaremos agora, ao mesmo tempo que
contemplamos a sua vida, a procurar e a perguntar-lhe em que estado ou gênero de vida quer sua divina
Majestade servir-se de nós.

Como introdução, veremos no primeiro dos exercícios seguintes, de um lado, a intenção de Cristo nosso
Senhor, e do outro, a do inimigo da natureza humana, LXXVII e como nos devemos dispor para chegar à
perfeição em qualquer estado ou gênero de vida que Deus nosso Senhor oferecer à nossa escolha.

136 QUARTO DIA


MEDITAÇÃO DAS DUAS BANDEIRAS LXXVIII
UMA DE CRISTO, CHEFE SUPREMO E
SENHOR DE TODOS NÓS, A OUTRA

DE LÚCIFER, INIMIGO MORTAL DE


NOSSA NATUREZA HUMANA

A oração preparatória habitual.

137 O 1º preâmbulo é recordar a história. Será aqui como Cristo chama e quer a todos os homens sob a
sua bandeira. E Lúcifer, ao contrário, debaixo da sua.

138 O 2º preâmbulo é a composição do lugar.


Será aqui ver um grande campo em toda aquela região de Jerusalém, onde o supremo chefe dos bons
é Cristo, nosso Senhor. Outro campo, na região de Babilônia, onde o caudilho dos inimigos é Lúcifer. LXXIX

139 O 3º preâmbulo consiste em pedir o que quero.


Neste exercício, será pedir conhecimento dos enganos do mau caudilho e auxílio para deles me
defender; e conhecimento da verdadeira vida que revela o Supremo e verdadeiro chefe, com a graça de o
imitar. LXXX

Primeira parte

140 1º ponto. Imaginarei o caudilho de todos os inimigos nesse vasto campo de Babilônia, como que
sentado num grande trono de fogo e de fumo, com aspecto hediondo e terrível.

141 2º ponto. Considerarei como convoca inumeráveis demônios e os dispersa, uns por uma cidade,
outros por outra, e assim por todo o mundo, sem esquecer províncias, nem lugar algum, nem estado de vida,
nem pessoa alguma em particular.

142 3º ponto. Considerarei o discurso que lhes faz. Como os admoesta a lançar redes e correntes.
Primeiro, hão de tentar com cobiça de riquezas, como costuma fazer ordinariamente, para que cheguem à
honra vã do mundo, e depois à grande soberba. De maneira que o 1º grau de tentação seja de riquezas, o 2º de
honra, o 3º de soberba, e destes três graus induz a todos os outros vícios.

Segunda parte

143 Do mesmo modo, em contraposição se há de imaginar a respeito do supremo e verdadeiro chefe que
é Cristo nosso Senhor.

144 1º ponto. Considerarei como Cristo nosso Senhor se apresenta numa grande planície dessa região de
Jerusalém, num lugar humilde, belo e gracioso.
145 2º ponto. Considerarei como o Senhor do mundo inteiro escolhe tantas pessoas, apóstolos, discípulos
etc., e como os envia por todo o universo a espalhar a sua sagrada doutrina entre os homens de todos os
estados e condições.

146 3º ponto. Escutarei o discurso que Cristo nosso Senhor dirige a todos os seus servos e amigos, que
envia a esta empresa. Recomenda-lhes que queiram ajudar a todos os homens, trazendo-os primeiro à suma
pobreza espiritual, e não menos à pobreza atual, se sua divina Majestade aprouver elegê-los para esse estado.
Segundo, ao desejo de opróbrios e desprezos, porque destas duas coisas nasce a humildade. Há pois três
graus: 1º) a pobreza oposta às riquezas, 2º) os opróbrios ou desprezos opostos à honra mundana, 3º) a
humildade oposta à soberba. Por estes três graus induzirão os homens a todas as outras virtudes.

147 1º Colóquio. Um colóquio com N. Senhora para me alcançar graça de seu Filho e Senhor, para que
eu seja recebido sob a sua bandeira: 1º) em suma pobreza espiritual, e, se sua divina Majestade for servida e
me quiser escolher, LXXXI também em pobreza atual; 2º) em passar opróbios e injúrias para nelas mais o
imitar, contanto que as possa levar, sem pecado de nenhuma pessoa nem desprazer de sua divina Majestade.
A seguir, uma Ave-maria.

148 Nota. Este exercício se fará à meia-noite, e depois, outra vez, pela manhã. E se farão duas repetições
deste mesmo exercício, à hora da missa e à hora de vésperas, acabando sempre com os três colóquios, a Nossa
Senhora, ao Filho e ao Pai.
O exercício seguinte das “três classes” se fará antes do jantar.

149 NO MESMO QUARTO DIA


MEDITAÇÃO DAS TRÊS CLASSES DE HOMENS LXXXII
PARA ABRAÇAR O QUE É MELHOR

A oração preparatória habitual.

150 O 1º preâmbulo é a história de três classes de homens. Cada uma delas adquiriu dez mil ducados não
pura e devidamente por amor de Deus. Querem todos eles salvar-se e achar em paz a Deus nosso Senhor,
tirando de si o peso e impedimento que têm para isso na afeição à quantia adquirida.

151 O 2º preâmbulo é a composição vendo o lugar.


Será aqui ver-me a mim mesmo, como estou na presença de Deus nosso Senhor, e de todos os seus
Santos, para desejar e conhecer o que for mais agradável à sua divina Bondade.

152 O 3º preâmbulo consiste em pedir o que quero.


Aqui suplicarei a graça para escolher o que mais contribuir para a glória de sua divina Majestade e
salvação de minha alma.

153 A primeira classe quereria deixar o afeto que tem pela cousa adquirida, para achar em paz a Deus,
nosso Senhor, e poder assim se salvar. Mas não emprega meio algum até a hora da morte.

154 A segunda classe quer acabar com este apego, mas com a condição de conservar consigo a cousa
adquirida de modo que Deus se conforme com o que ela quer. E não se resolve a abandonar o que possui para
ir a Deus, embora este fosse para ela o melhor estado.

155 A terceira classe quer também libertar-se deste apego. E de tal modo o quer que não se importa com
conservar ou não a quantia adquirida. Deseja unicamente guardá-la ou não, conforme o querer que Deus
nosso Senhor lhe der, e conforme o que lhe parecer preferível para o serviço e louvor de sua divina Majestade.
Entretanto determina fazer conta de que tudo abandona de coração, esforçando-se por não desejar nem uma
coisa nem outra se não a mover unicamente o serviço de Deus nosso Senhor. Assim somente o desejo de
melhor poder servir a Deus nosso Senhor a poderá decidir a reter este dinheiro ou a despojar-se dele.

156 Três colóquios. Fazer os mesmos três colóquios, que se fizeram na contemplação precedente das
duas bandeiras.
157 Nota. É de notar que, quando nós sentimos afeição ou repugnância contra a pobreza atual, quando
não estamos indiferentes à pobreza ou à riqueza, muito ajuda, para extinguir essa afeição desordenada, pedir
nos colóquios, apesar da repugnância da natureza, que o Senhor nos escolha para a pobreza atual. Que nós
assim queremos, pedimos e suplicamos, contanto que isso seja serviço e louvor de sua divina Bondade.
LXXXIII

158 QUINTO DIA


CONTEMPLAÇÃO
A PARTIDA DE CRISTO NOSSO SENHOR
DE NAZARÉ PARA O RIO JORDÃO,
E O SEU BATISMO ( 273 )

159 1ª nota. Esta contemplação se fará a primeira vez à meia-noite, a segunda pela manhã. Far-se-ão
depois duas repetições, uma à hora da missa, outra à hora de vésperas. E por fim a aplicação dos sentidos
antes do jantar.
Antes de cada um destes exercícios se há de fazer a oração preparatória habitual, e os três
preâmbulos, conforme se explicou na contemplação da Encarnação (102 ) e do Nascimento (105 ) . E terminar
com os três colóquios como nas três classes (156 ), observando-se a nota que segue aquele exercício (157 ) .

160 2ª nota. O exame particular, depois do almoço e depois do jantar, se fará sobre as faltas e
negligências nos exercícios e adições deste dia, e assim também nos dias seguintes.

161 SEXTO DIA


CONTEMPLAÇÃO
NOSSO SENHOR INDO DO RIO JORDÃO
ATÉ O DESERTO, INCLUSIVE
(274 )

Seguir em tudo a mesma forma do quinto dia.

SÉTIMO DIA

SANTO ANDRÉ E OUTROS


SEGUIRAM A CRISTO NOSSO SENHOR
(275 )

OITAVO DIA
O SERMÃO DA MONTANHA
AS OITO BEM-AVENTURANÇAS
(278 )

NONO DIA
A APARIÇÃO DE CRISTO NOSSO SENHOR
A SEUS DISCÍPULOS SOBRE AS ONDAS DO MAR
(280 )

DÉCIMO DIA
PREGAÇÃO DO SENHOR NO TEMPLO

(288 )
UNDÉCIMO DIA
A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO
(285 )

DUODÉCIMO DIA
O DIA DE RAMOS
(287 )

162 1ª nota. Nesta segunda semana, conforme o tempo que cada um quiser empregar nas contemplações
ou conforme o proveito que tirar, pode-se prolongar ou abreviar (a semana).
Se prolongar, tome os mistérios da Visitação de N. Senhora a Sta. Isabel, os pastores, a circuncisão
do Menino Jesus e os três reis, e ainda outros.

E se abreviar, poderá ainda omitir dos que estão assinalados. Porque isto foi só para dar uma introdução e
método, para depois contemplar melhor e mais completamente. LXXXIV

163 2ª nota. A matéria das eleições começará a tratar-se desde a contemplação de Nazaré ao Jordão, isto
é, desde o quinto dia, inclusive, conforme se diz a seguir. LXXXV

164 3ª nota. Antes de entrar nas eleições, LXXXVI para o exercitante se afeiçoar bem à doutrina de
Cristo nosso Senhor, será muito útil considerar atentamente os seguintes “três graus de humildade”, refletindo
sobre eles, de tempos em tempos, por todo o dia, e fazendo os colóquios, como a seguir se dirá.

TRÊS GRAUS DE HUMILDADE

165 O primeiro grau de humildade é necessário para a salvação eterna.


Consiste em me abater e humilhar o mais possível para obedecer em tudo à lei de Deus nosso
Senhor. Ainda que me fizessem senhor de todas as coisas criadas neste mundo, ou tivesse de perder a vida
temporal, eu não pensaria em transgredir um mandamento divino ou humano que me obrigasse sob pecado
mortal.

166 O segundo grau de humildade é mais perfeito que o primeiro.

Consiste num grau de indiferença tal da minha vontade, que não quero nem me inclino mais às riquezas do
que à pobreza, às honras do que à desonra, a desejar uma vida longa do que uma vida breve, supondo que
tudo isto seja de igual glória para Deus nosso Senhor e de igual vantagem para a salvação da minha alma. E
que assim, nem para ganhar todo o mundo, nem para salvar a própria vida, eu venha a deliberar se cometerei
ou não um pecado venial. LXXXVII

167 O terceiro grau de humildade é o mais perfeito.

Inclui os dois primeiros e consiste no seguinte: sendo igual o louvor e glória da divina Majestade, para imitar
e parecer-me mais atualmente com Cristo nosso Senhor, eu quero e escolho mais pobreza com Cristo pobre
que riqueza; injúrias com Cristo cheio delas que honras; e desejo mais ser estimado por ignorante e louco por
Cristo, que primeiro foi tratado assim, do que por sábio ou prudente neste mundo, LXXXVIII

168 Nota. Para quem deseja alcançar o terceiro grau de humildade será muito útil fazer os três colóquios
da meditação das duas bandeiras (147 ), pedindo a Nosso Senhor queira chamá-lo a esta terceira humildade,
maior e melhor, para mais fielmente o imitar e servir, se isso for igual ou maior serviço e louvor de sua divina
Majestade. LXXXIX

169 PARA FAZER ELEIÇÃO


PREÂMBULO
Em toda boa eleição, quanto de nós dependa, a nossa intenção deve ser simples, olhando somente o fim para
que fui criado, a saber, o louvor de Deus nosso Senhor e a salvação da minha alma. XC Portanto, qualquer
que seja o objeto da minha eleição, deve ser tal que me ajude a obter este fim, não subordinando ou
ordenando o fim ao meio, mas o meio ao fim.

Acontece que muitos elegem primeiro casar-se, o que é um meio, e depois servir nesse estado a Deus nosso
Senhor, o que é o fim. Assim também há outros que primeiro querem ter benefícios eclesiásticos e depois
servir a Deus neles. Tais pessoas não vão diretamente a Deus, mas querem que Ele venha diretamente às suas
afeições desordenadas. E por conseguinte fazem do fim meio, e daquilo que é o meio fim. Põem em último
lugar aquilo que primeiramente deveriam ter em vista. Porque o primeiro objetivo das nossas intenções deve
ser servir a Deus, que é o nosso fim, e só depois aceitar um benefício ou casar-se, se mais nos convém, como
meios para o fim.

Nenhum motivo deve portanto determinar-me a escolher ou rejeitar tais meios, senão o serviço e louvor de
Deus nosso Senhor e a salvação eterna da minha alma.

170 ESCLARECIMENTOS SOBRE AS

MATÉRIAS DE QUE SE DEVE FAZER A ELEIÇÃO

compreende quatro pontos e uma nota.

1º ponto. Todas as coisas, sobre as quais pretendemos fazer uma eleição, devem ser indiferentes ou boas em si
mesmas e conformes à santa Madre Igreja hierárquica o e não más nem contrárias a ela.

171 2º ponto. Há certas coisas que caem sob o âmbito de uma eleição imutável, como o são o sacerdócio
ou o casamento, etc. E há outras que podem ser objeto de uma eleição mutável, como aceitar ou renunciar a
benefícios eclesiásticos ou a bens temporais.

172 3º ponto. Quando se fez uma eleição de natureza imutável como exemplo para o sacerdócio ou
matrimônio, etc., não há mais que escolher, porque é irrevogável.

Note-se apenas que se alguém não fez uma eleição como devia, por motivos retos, sem se mover por motivos
desordenados, deve, arrependido, procurar viver bem a sua eleição. Esta eleição não foi ao que parece uma
vocação divina, porque foi desordenada e oblíqua. Há muitas pessoas que se enganam tomando como vocação
divina uma eleição oblíqua e defeituosa. A vocação divina é sempre pura e limpa, sem mistura de motivos
naturais nem de afeição desordenada alguma.

173 4º ponto. Se alguém, devida e ordenadamente, fez eleição de coisas que são objeto de eleição
mutável, sem ceder à carne e ao mundo, não tem motivo para fazer nova eleição, mas deve aperfeiçoar-se
quanto puder na que escolheu.

174 Nota. Se a eleição mutável não se fez com intenção reta e de maneira bem-ordenada, será de proveito
fazê-la agora devidamente, se o exercitante deseja produzir frutos insignes e agradáveis a Deus nosso Senhor.

175 TRÊS TEMPOS XCI

EM QUE SE PODE FAZER UMA

BOA E SÃ ELEIÇÃO

O 1º tempo é aquele em que Deus nosso Senhor move e atrai de tal modo a vontade, que, sem duvidar, nem
poder duvidar, a alma fiel segue o caminho que Ele lhe mostra. Assim fizeram a S. Paulo e S. Mateus ao
seguirem a Cristo nosso Senhor.
176 O 2º tempo é aquele em que se adquire bastante clareza e conhecimento através da experiência de
consolações e desolações, bem como experiência do discernimento dos vários espíritos (313 314 315 316
317 318 319 320 321 322 323 324 325 326 327 328 329 330 331 332 333 334 335 336 ).

177 O 3º tempo é um tempo tranqüilo.

O homem considerando, primeiro, para que é que nasceu, isto é, para louvar a Deus nosso Senhor e salvar a
sua alma, e desejando isto, escolhe, como meio, um estado ou gênero de vida entre os aprovados pela Igreja a
fim de ser ajudado no serviço a seu Senhor e na salvação de sua alma.
Chamo tempo tranqüilo àquele em que a alma não é agitada por diversos espíritos, e usa das suas potências
naturais livre e tranqüilamente.(092 )

178 Se no 1º ou 2º tempo não se fez eleição, seguem-se dois modos para fazê-la, conforme este 3º tempo.

PRIMEIRO MODO

PARA FAZER UMA BOA E SÃ ELEIÇÃO

compreende seis pontos

1º ponto. Consiste em pôr diante de mim o objeto da eleição que pretendo fazer, por exemplo, um emprego ou
benefício que posso aceitar ou recusar, ou qualquer outra coisa que caia sob o âmbito de uma eleição mutável.

179 2º ponto. Devo ter bem presente o fim para que fui criado, a saber: louvar a Deus nosso Senhor e
salvar a minha alma. Devo além disso permanecer numa inteira indiferença, sem nenhuma afeição
desordenada, de forma que não esteja mais inclinado ou afeiçoado a escolher o objeto proposto do que a
deixá-lo, ou mais a deixá-lo do que a escolhê-lo, achando-me em equilíbrio, como o fiel de uma balança, a
fim de seguir aquilo que sentir ser para maior glória e louvor de Deus nosso Senhor e a salvação da minha
alma.

XCII Veja o quadro A unidade dos três tempos

180 3º ponto. Pedirei a Deus nosso Senhor se digne mover-me a vontade e pôr na minha alma o que devo
fazer quanto ao objeto proposto para sua maior glória e louvor, discorrendo bem e fielmente com o meu
entendimento e escolhendo conforme à sua santíssima vontade e beneplácito.

181 4º ponto. Considerarei, refletindo, por uma parte, quantas vantagens ou utilidades devem resultar
para mim da aceitação deste emprego ou deste benefício, com relação unicamente ao louvor de Deus nosso
Senhor e à salvação da minha alma. Por outra, os inconvenientes e riscos a que me exporei com essa mesma
aceitação.

Procederei do mesmo modo quanto à hipótese contrária, examinando as vantagens e utilidades, bem como os
inconvenientes em não os aceitar.

182 5º ponto. Depois de ter assim refletido e considerado o objeto proposto, sob todos os seus aspectos,
examinarei para que lado mais se inclina a razão.XCIII E assim, guiado pela moção da razão e não por
qualquer moção da sensibilidade, farei a escolha sobre o objeto proposto.

183 6º ponto. Terminada assim a eleição ou deliberação, deve o que a fez colocar-se com toda a
diligência em oração diante de Deus nosso Senhor, e oferecer-lhe a decisão tomada, para que sua divina
Majestade se digne aceitá-la e confirmá-la, se ela for para seu maior serviço e louvor.

184 SEGUNDO MODO


PARA FAZER UMA BOA E SÃ ELEIÇÃO XCIV
compreende quatro regras e uma nota

1ª regra. O amor que me leva e determina a escolher tal coisa deve vir do alto, do amor do mesmo Deus. Devo
portanto, antes da eleição, verificar se o amor maior ou menor que sinto por ela tem por único motivo o meu
Criador e Senhor.

185 2ª regra. Imaginarei diante de mim um homem a quem nunca vi, nem conheci e a quem desejo toda a
perfeição. E pensarei que conselho lhe daria que fizesse ou escolhesse para maior glória de Deus nosso
Senhor e maior perfeição de sua alma. E procedendo do mesmo modo no meu caso, tomarei para mim a regra
que fixei para o outro.

186 3ª regra. Considerarei, como se estivesse no momento da morte, de que maneira e com que cuidado
eu desejaria ter então feito esta eleição. E fá-la-ei agora, regulando-me pelo que naquela hora quereria ter
feito.

187 4ª regra. Considerarei atentamente como estarei no dia do juízo. E pensarei o que é que eu desejaria
então ter deliberado acerca deste assunto. Que eu siga agora a regra que desejaria então ter seguido, para que
naquele dia possa inundar-me de gozo e contentamento.

188 Nota. Observadas as mencionadas regras para minha salvação e tranqüilidade eterna, farei a minha
eleição e oblação a Deus nosso Senhor, conforme ao 6º ponto do primeiro modo de eleição.

189 PARA CORRIGIR E REFORMAR

A PRÓPRIA VIDA E ESTADO XCV

Com referência aos que ocupam cargo eclesiástico ou estão casados (quer possuam muitos bens temporais,
quer não), deve-se notar o seguinte: quando não houver oportunidade ou vontade bem firme para eleger as
coisas possíveis de eleição mutável, aproveita muito, em lugar de fazer eleição, indicar a maneira e o método
para corrigir e reformar a própria vida e estado, a saber, ordenando o seu ser, vida e estado, para glória e
louvor de Deus nosso Senhor e salvação de sua alma.

Para chegar a este fim, deve-se, com o auxílio dos exercícios e modos de eleição, expostos acima, considerar
diligentemente que tipo de casa e número de empregados p deve ter, como a deve reger e governar, como os
deve ensinar com a palavra e exemplo. Do mesmo modo, de seus bens, quanto deve tomar para sua casa e
familiares e quanto para distribuir aos pobres e outras obras pias, não querendo nem buscando outra coisa,
senão em tudo e por tudo, o maior louvor e glória de Deus nosso Senhor. Porque cada um deve persuadir-se
que na vida espiritual tanto mais aproveitará quanto mais sair do seu próprio amor, querer e interesse.

Terceira Semana

190 PRIMEIRO DIA

PRIMEIRA CONTEMPLAÇÃO

à meia-noite

CRISTO NOSSO SENHOR VAI DE BETÂNIA


A JERUSALÉM PARA A ÚLTIMA CEIA,

INCLUSIVE ( 289 )

compreende a oração preparatória,


três preâmbulos, seis pontos e um colóquio.
A oração preparatória habitual.

191 O 1º preâmbulo consiste em recordar a história.

Aqui hei de lembrar como Cristo nosso Senhor enviou de Betânia a Jerusalém dois dos seus discípulos a
preparar a ceia. Como para lá se dirigiu Ele mesmo, depois, com os outros discípulos. Como, depois de
comerem o cordeiro pascal e terminada a ceia, lhes lavou os pés e lhes deu o seu Santíssimo Corpo e Precioso
Sangue. E como finalmente lhes falou, depois de Judas sair para vender o seu Senhor. XCVI

192 O 2º preâmbulo é a composição de lugar.

Aqui consistirá em considerar o caminho de Betânia a Jerusalém. É largo ou estreito? Plano? etc. Do mesmo
modo ver o lugar da ceia. Amplo ou pequeno? Disposto desta ou daquela maneira?

193 O 3º preâmbulo é a petição do que quero.

Aqui pedirei dor, sentimento e confusão, XCVII porque por meus pecados é que o Senhor vai à Paixão.

194 1º ponto. Verei as pessoas da ceia. Depois refletindo comigo mesmo procurarei tirar algum proveito.

2º ponto. Ouvirei o que elas dizem e procurarei igualmente tirar algum proveito disso.

3º ponto. Olharei para o que fazem a fim de tirar disso algum proveito.

195 4º ponto. XCVIII Considerarei o que Cristo nosso Senhor sofre ou quer sofrer em sua humanidade,
conforme a cena da Paixão que contemplo. E aqui começarei a esforçar-me com muito empenho por chegar à
dor, à tristeza e às lágrimas. Trabalharei assim nos outros pontos que se seguem.

196 5º ponto. Considerarei como a Divindade se esconde, a saber, como ela poderia aniquilar os seus
inimigos e não o faz. E como deixa a sacratíssima humanidade sofrer tão cruelmente.

197 6º ponto. Considerarei que padece tudo isto por meus pecados, etc. E o que devo eu fazer e padecer
por Ele.

198 Colóquio. Terminarei com um colóquio a Cristo nosso Senhor e um Pai-nosso.

199 Nota. É de notar, como já em parte ficou dito, que nos colóquios devemos ponderar e pedir segundo
a matéria proposta. A saber, conforme me acho tentado ou consolado, e conforme desejo adquirir uma virtude
ou outra, conforme quero tomar uma resolução ou outra, conforme quero sentir dor ou gozo da coisa que
contemplo, pedindo aquilo que mais eficazmente desejo acerca de alguns pontos particulares.

Desta maneira, pode-se fazer um só colóquio a Cristo nosso Senhor, ou se, a matéria o convida ou a devoção
o move, pode-se fazer três colóquios: um à Mãe, outro ao Filho, outro ao Pai, pelo mesmo método indicado na
segunda semana, na meditação das duas bandeiras com a nota que se segue às três classes. (
147 148 149 150 151 152 153 154 155 156 157 ).

200 SEGUNDA CONTEMPLAÇÃO

pela manhã

DA CEIA AO HORTO, INCLUSIVE

A oração preparatória habitual.

201 O 1º preâmbulo é a história.


Aqui recordarei como Cristo nosso Senhor desceu com os doze discípulos do monte Sião, onde acabara de
celebrar a ceia, ao vale de Josafá. Deixou lá oito deles e os outros três ficaram numa parte do jardim. E
pondo-se em oração, começou a transpirar um suor como gotas de sangue. Depois de ter, por três vezes, orado
ao Pai, desperta os três discípulos. Os seus inimigos caem por terra ao som da sua voz. Judas dá-lhe o beijo da
paz. São Pedro corta uma orelha a Malco e Cristo repõe-lha curada no seu lugar. É preso como um malfeitor,
arrastam-no descendo o vale, e depois subindo a encosta, até a casa de Anás.

202 O 2º preâmbulo. Ver o lugar.

Aqui considerarei o caminho desde o monte Sião até o vale de Josafá, e o jardim, a sua extensão, a sua
largura, e a sua configuração.

203 - O 3º preâmbulo é pedir o que quero.

Na Paixão trata-se de pedir dor com Cristo doloroso, angústia com Cristo angustiado, r lágrimas, pena interna
de tanto sofrimento que Cristo passou por mim.

204 1ª nota. Nesta segunda contemplação, depois da oração preparatória e dos três preâmbulos já ditos,
conserva-se nos pontos e colóquio a mesma forma de proceder que se teve na primeira contemplação da ceia.

E à hora da Missa e vésperas se farão duas repetições sobre a 1ª e a 2ª contemplação. E antes do jantar se
aplicarão os sentidos sobre essas contemplações, começando sempre pela oração preparatória e os três
preâmbulos, conforme o assunto da contemplação, como se disse e explicou na segunda semana (
128 ).

205 2ª nota. Conforme a idade, as disposições e o temperamento, o exercitante fará cada dia cinco
exercícios ou menos.

206 3ª nota. Nesta terceira semana modificar-se-ão, em parte, a segunda (74 ) e a sexta adição (78 ).

Segunda adição: logo ao despertar, pensarei onde vou e para que, e resumirei brevemente o assunto da
contemplação conforme o mistério que me propus. Ao levantar-me e vestir-me, esforçar-me-ei por me
entristecer e doer diante das dores e sofrimentos tão grandes de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A sexta adição mudar-se-á deste modo: procurarei não me ocupar em pensamentos de alegria, embora santos
e bons, como seriam os da Ressurreição e da Glória. Procurarei antes a dor, a tristeza, a aflição, recordando
muitas vezes as penas, as fadigas e dores que Nosso Senhor Jesus Cristo padeceu, desde o seu nascimento até
o mistério da Paixão, em que agora me encontro.

207 4ª nota. O exame particular deve ser feito, como na semana passada, sobre os exercícios e sobre as
presentes adições (90 ).

208 SEGUNDO DIA

à meia-noite
CONTEMPLAÇÃO
DO HORTO

À CASA DE ANÁS, INCLUSIVE (291 )

pela manhã
DA CASA DE ANÁS

ATÉ A DE CAIFÁS, INCLUSIVE (292 )

Em seguida, as duas repetições e a aplicação dos sentidos, como se disse (204 ).


TERCEIRO DIA
à meia-noite

DA CASA DE CAIFÁS

ATÉ O PRETÓRIO DE PILATOS, INCLUSIVE (293 )

pela manhã

DE PILATOS A HERODES, INCLUSIVE (294 )

Depois, as repetições e a aplicação dos sentidos, do mesmo modo.

QUARTO DIA
à meia-noite

DE HERODES A PILATOS (295 )

CONTEMPLANDO A METADE DOS MISTÉRIOS

QUE SE PASSARAM NO PRETÓRIO

pela manhã

OS OUTROS MISTÉRIOS QUE ALI

SE REALIZARAM

E do mesmo modo, as repetições e a aplicação dos sentidos.

QUINTO DIA
à meia-noite

DA CASA DE PILATOS ATÉ A CRUCIFIXÃO (296 )

pela manhã

DA ELEVAÇÃO SOBRE A CRUZ


ATÉ QUE EXPIROU (297 )

Depois as duas repetições e a aplicação dos sentidos.

SEXTO DIA
à meia-noite

DO DESCENDIMENTO DA CRUZ
ATÉ A SEPULTURA, EXCLUSIVE (298 )

pela manhã

DA SEPULTURA, INCLUSIVE ATÉ A CASA

PARA ONDE FOI NOSSA SENHORA

DEPOIS DO ENTERRO DE SEU FILHO


SÉTIMO DIA

à meia-noite e pela manhã

CONTEMPLAÇÃO DE TODA A PAIXÃO

Em vez das duas repetições e da aplicação dos sentidos, considerar-se-á por todo o dia, o mais freqüentemente
possível, como o sagrado corpo de Cristo nosso Senhor ficou separado da alma, e onde e como foi sepultado.
Considerar-se-á também a soledade de Nossa Senhora, XCIX em tão grande dor e aflição. E finalmente
também a dos discípulos.

209 Nota. Se alguém quiser demorar-se mais na contemplação da Paixão, tomará menos mistérios para
cada exercício. Por exemplo, para a primeira contemplação somente a ceia. Para a segunda, o lava-pés. Para a
terceira, o dom do Santíssimo Sacramento. Para a quarta, o discurso que Cristo fez aos seus discípulos. E
assim das outras contemplações e mistérios.

Do mesmo modo, terminada a meditação da Paixão, poderá o exercitante gastar um dia inteiro a repassar a
primeira parte dela, e mais outro para a segunda parte, e um terceiro para toda a Paixão.
Quem, pelo contrário, quiser abreviar, poderá tomar para o exercício da meia-noite os mistérios da ceia. Para
os da manhã, os do jardim das Oliveiras. À hora da Missa, os da casa de Anás. À hora de vésperas, os da casa
de Caifás. Antes do jantar, os do pretório de Pilatos. Assim, omitindo as repetições e as aplicações dos
sentidos fará cada dia cinco exercícios distintos, tomando de cada vez um novo mistério de Nosso Senhor
Jesus Cristo.

Meditada assim toda a Paixão, poder-se-á ter uma contemplação de conjunto em um só dia, num exercício ou
em vários, como parecer de maior proveito.

210 REGRAS

PARA ORDENAR-SE DORAVANTE

NA ALIMENTAÇÃO C100

1ª regra. De pão não há tanta conveniência de abster-nos, porque não é alimento para o qual o apetite se
costuma inclinar tão desordenadamente como para outros manjares, nem é ocasião das mesmas tentações.

211 2ª regra. Parece mais conveniente a abstinência na bebida do que no pão. Deve, portanto, cada um
considerar cuidadosamente o que lhe é útil para tomar, e o que lhe é prejudicial para se abster dele.

212 3ª regra. A respeito de outros alimentos, deve-se guardar a maior e mais inteira abstinência, porque
neste ponto o apetite é mais fácil em se desordenar, como a tentação mais pronta em instigar. E assim a
abstinência nos outros alimentos pode, para evitar a desordem, ser praticada de duas maneiras: primeiro,
habituando-se a tomar alimentos triviais; em seguida, se eles forem delicados, em pequena quantidade.

213 4ª regra. Contanto que não se prejudique a saúde, quanto mais o homem se abstiver do conveniente,
tanto mais depressa virá a achar o meio-termo que se deve guardar na comida e na bebida. E isto por dois
motivos: primeiro, porque ajudando-se e dispondo-se assim, sentirá muitas vezes mais luzes interiores,
consolações e inspirações divinas que lhe mostrarão o meio-termo. Segundo, porque se em tal regime de
abstinência não sentir forças corporais nem disposição para se dar aos exercícios espirituais, facilmente virá a
encontrar a medida da alimentação que mais convém ao sustento do corpo. CI

214 5ª regra. Enquanto a pessoa come, veja a Cristo nosso Senhor comendo com os seus apóstolos, e
considere como bebe, como olha, como fala; e procure imitá-lo. De maneira que a parte principal do
entendimento se ocupe na consideração de nosso Senhor e a secundária, na sustentação corporal; e assim
alcance mais dignidade e ordem sobre a maneira de se comportar no comer.
215 6ª regra. Poderemos também durante a refeição ocupar-nos em alguma outra consideração, como da
vida dos santos ou de alguma piedosa contemplação, ou de algum assunto espiritual que temos em vista.
Porque estando ocupados nestes pensamentos, teremos menos prazer e satisfação sensível na alimentação do
corpo.

216 7ª regra. Importa, sobretudo, que o espírito não se ocupe totalmente no que comemos e que se evite a
sofreguidão do apetite, mas seja senhor de si, tanto na maneira de comer como na quantidade que se toma.

217 8ª regra. Para corrigir qualquer desordem, muito aproveita, depois do almoço ou depois do jantar ou
em outra hora em que não sinta apetite, determinar consigo para o almoço ou para o jantar seguintes, e assim
sucessivamente cada dia, a quantidade que convirá comer. E esta não se exceda por nenhum apetite ou
tentação. Ao contrário, para melhor vencer qualquer apetite desordenado e tentação do inimigo, se é tentado a
comer mais, como menos

Quarta Semana

218 PRIMEIRA CONTEMPLAÇÃO

COMO CRISTO NOSSO SENHOR

APARECEU A NOSSA SENHORA (299 )

A oração preparatória habitual.

219 O 1º preâmbulo é a história.

Recordarei aqui como, tendo Cristo expirado na cruz, seu corpo ficou separado de sua alma, mas sempre
unido à Divindade, e como sua alma bem-aventurada desceu à mansão dos mortos igualmente unida à
Divindade. E como, tendo libertado as almas dos justos, voltado ao sepulcro e ressuscitado, apareceu em
corpo e alma à sua bendita Mãe.

220 O 2º preâmbulo é a composição de lugar.

Nesta contemplação representar-me-ei a disposição do santo sepulcro e o lugar ou a casa onde se encontra
Nossa Senhora, considerando em particular as suas diversas partes, o seu quarto, oratório, etc.

221 O 3º preâmbulo: pedir o que quero.

Aqui pedirei graça para me alegrar e gozar intensamente por tanta glória e gozo de Cristo nosso Senhor.CII

222 1º, 2º e 3º pontos. Serão os mesmos que os da contemplação da ceia de Cristo nosso Senhor (194 ).

223 4º ponto. Considerarei como a Divindade, que parecia ocultar-se na Paixão, aparece agora e se
manifesta em sua Santíssima Ressurreição, de uma maneira tão miraculosa, por seus próprios e santíssimos
efeitos.

224 5º ponto. Considerarei como Nosso Senhor Jesus Cristo exerce o ofício de consolador, CIII à
maneira como os amigos costumam consolar-se uns aos outros.

225 Colóquio. Terminarei por um ou vários colóquios conformes com o assunto da meditação e recitarei
um Pai-nosso.

226 1ª nota. Nas contemplações seguintes, da Ressurreição até a Ascensão inclusive (299 300 301 302
303 304 305 306 307 308 309 310 311 312 ), CIV proceda-se em todos os mistérios da maneira indicada
abaixo, seguindo o observando em toda a semana da Ressurreição a mesma forma e método que em toda a
semana da Paixão.

Nesta primeira contemplação sobre a Ressurreição, o exercitante procederá, quanto aos preâmbulos, conforme
o assunto proposto. Quanto aos cinco pontos, que sejam os mesmos (222 223 224 ).
As adições que a seguir se indicam sejam também as mesmas (227 228 229 ).
E assim para todo o resto, como para as repetições, aplicação dos sentidos, contemplação mais breve ou
prolongada dos mistérios, etc., proceda-se como na semana da Paixão.

227 2ª nota. Como regra geral, nesta semana, mais que nas três precedentes, é mais conveniente
contentar-se o exercitante com quatro exercícios em vez de cinco. O primeiro, pela manhã, imediatamente
depois de levantar. O segundo, à hora da Missa ou antes do almoço, em vez da primeira repetição. O terceiro,
à hora de vésperas, em lugar da segunda repetição. O quarto, que será uma aplicação dos sentidos sobre os
três exercícios do mesmo dia, antes do jantar, notando e fazendo pausa nos pontos mais importantes e onde
tenha sentido maiores moções e gostos espirituais.

228 3ª nota. Embora em todas as contemplações se tenha proposto um determinado número de pontos,
três, cinco, etc., o exercitante poderá tomar mais ou menos conforme se sentir melhor. Para isso, ser-lhe-á
muito útil, antes de começar a contemplação, prever e fixar o número preciso de pontos que percorrerá.

229 4ª nota. Nesta quarta semana modificar-se-ão a segunda (74 ), a sexta (78 ), a sétima (79 ) e a décima
das dez adições (82 83 84 85 86 ).

Segunda adição: logo ao despertar porei diante de mim a contemplação que irei fazer, querendo comover-me
e alegrar-me com tanto gozo e alegria de Cristo nosso Senhor.
Sexta adição: entreter-me-ei com pensamentos de prazer, alegria e gozo espiritual, como, por exemplo, da
glória do céu.
Sétima adição: aproveitar-me-ei da claridade ou do agradável da estação, como da sombra no verão, do calor
do sol ou do fogo no inverno, conforme julgar ou me parecer ser de ajuda para me regozijar em meu Criador e
Senhor.

Décima adição: em vez de me dar à penitência, procurarei observar a temperança e a justa medida em todas as
coisas, a não ser que ocorram dias de jejum ou abstinência de preceito impostos pela Igreja, porque estes só
por legítimo impedimento podem deixar de ser guardados.

230 CONTEMPLAÇÃO CV

PARA ALCANÇAR O AMOR CVI

Nota: Convém, em primeiro lugar, notar duas coisas:


A primeira, que o amor deve consistir mais em obras do que em palavras.

231 A segunda, que o amor consiste na comunhão mútua, a saber, a pessoa que ama dá e comunica à
pessoa amada aquilo que tem ou parte do que tem, e o que pode. E esta procede do mesmo modo com relação
àquela que a ama. Deste modo, se uma possui ciência, comunica-a àquela que não a tem; e se dispõe de
honras e riquezas, do mesmo modo. E assim reciprocamente uma para com a outra.

A oração preparatória habitual.

232 O 1º preâmbulo é a composição do lugar.

Considerar-me diante de Deus nosso Senhor, dos Anjos e dos Santos que intercedem por mim.

233 O 2º preâmbulo: pedir a graça que quero.


Aqui pedirei um conhecimento interno de tantos benefícios que recebi de Deus a fim de que, reconhecendo-os
inteiramente, possa amar e servir em tudo a sua divina Majestade.

234 1º ponto. CVII Passarei pela memória os benefícios recebidos como a Criação, a Redenção e os dons
particulares, ponderando com muito afeto quanto Deus nosso Senhor fez por mim, quanto me deu daquilo que
tem, e conseqüentemente como este mesmo Senhor deseja dar-se a si mesmo, quanto dele depender, conforme
os seus divinos desígnios.

E em seguida, refletindo comigo mesmo, considerarei como é de toda a razão e justiça que eu ofereça a dê à
sua divina Majestade todos os meus bens e a mim mesmo com eles, como quem oferece um presente, com
toda a afeição:
"Tomai, Senhor, e recebei toda a minha liberdade, a minha memória, a minha inteligência e toda a minha
vontade, tudo que tenho e tudo o que possuo. Vós mo destes; a Vós, Senhor, o restituo. Tudo é vosso; de tudo
disponde segundo a vossa vontade. Dai-me o vosso amor e a vossa graça, que isso me basta".

235 2º ponto. Considerarei como Deus está presente s nas criaturas. Nos elementos, dando-lhes o ser. Nas
plantas, dando-lhes a vida vegetativa. Nos animais, a vida sensitiva. Nos homens, a vida intelectual. Em mim,
dando-me a existência, a vida, a sensibilidade e a inteligência: e tendo-me criado à imagem e semelhança de
sua divina Majestade, fez de mim um templo seu.

E aqui refletirei de novo comigo mesmo, como se disse no primeiro ponto, ou de qualquer outro modo que me
parecer preferível.
O mesmo se se fará em cada um dos pontos seguintes.

236 3º ponto. Considerarei como Deus age e trabalha t por mim em todas as coisas criadas sobre a terra,
isto é, procede à semelhança de quem trabalha.u E isso nos céus, nos elementos, nas plantas, nos frutos, nos
animais etc., dando-lhes e conservando-lhes o ser vegetativo, sensitivo etc.

Depois refletirei comigo mesmo.

237 4º ponto. Considerarei como todos os bens e todos os dons vêm do alto: a minha potência limitada,
por exemplo, da potência soberana e infinita do alto. E do mesmo modo a justiça, a bondade, a piedade, a
misericórdia etc., assim como os raios derivam do sol e as águas, de sua fonte etc. CVIII

Terminarei depois refletindo comigo mesmo, como se disse.


Colóquio. Por fim o colóquio e um Pai-nosso.

238 TRÊS MODOS DE ORAR

PRIMEIRO MODO

O primeiro modo de orar CIX consiste em refletir sobre os dez mandamentos, os sete pecados capitais, as três
potências da alma e os cinco sentidos corporais. Esta maneira de orar não constitui tanto um modelo ou
método de oração, mas apenas oferece uma fórmula, método e exercícios com os quais o exercitante se
disponha e aproveite e a sua oração seja aceita.

239 Em primeiro lugar, far-se-á o equivalente à segunda adição da segunda semana (131 ), a saber: antes
de começar a orar, repousar um pouco o espírito, sentado ou passeando como melhor lhe parecer,
considerando aonde se vai e a quê.

Esta mesma adição se fará em todos os modos de orar.

240 Em seguida, uma oração preparatória.


Pedirei, por exemplo, a Deus nosso Senhor a graça de conhecer em que é que faltei aos dez mandamentos.
Suplicarei também a graça e o Socorro necessários para me corrigir no futuro, e o conhecimento perfeito dos
seus preceitos para os guardar mais fielmente, para maior glória e louvor de sua divina Majestade.

241 1. SOBRE OS MANDAMENTOS

Quanto ao primeiro mandamento, hei de considerar e examinar como é que o observei e em que o transgredi.
Este exame durará, como regra geral, por espaço de três Pais-nossos e três Ave-marias.
Se neste tempo descubro faltas, pedirei perdão por elas e recitarei a oração dominical.
O mesmo farei em cada um dos dez mandamentos.

242 1ª nota. Quando me examino sobre um mandamento em que não costuma cair, não é necessário
deter-me nele por tanto tempo. Mas em geral gastarei mais ou menos tempo na consideração e exame das
culpas sobre um mandamento, conforme me encontrar mais ou menos culpado.

O mesmo se diga dos pecados capitais.

243 2ª nota. Depois de acabar a consideração de todos os mandamentos e de me ter acusado a mim
mesmo, pedirei a graça e o auxílio necessários para me corrigir para o futuro.

E terminarei com um colóquio a Deus nosso Senhor, conforme o exercício que acabo de fazer.

244 2. SOBRE OS PECADOS CAPITAIS

Depois da adição, far-se-á a oração preparatória, como acaba de se explicar.


A única diferença é que aqui se trata de pecados que se devem evitar e antes se tratava de mandamentos que
se devem observar.
De resto, serguir-se-ão a ordem e as regras já indicadas.
Terminar com um colóquio.

245 Nota. Para obter um conhecimento mais claro das culpas cometidas, considerem-se as virtudes
opostas aos pecados capitais. E para melhor os evitar proponha e procure o exercitante, com santos exercícios,
alcançar e possuir as sete virtudes a eles contrárias.

246 3. SOBRE AS FACULDADES DA ALMA

Para as três faculdades da alma, seguir-se-ão a mesma ordem e as mesmas regras que para os mandamentos:
fazendo a adição, a oração preparatória e o colóquio.

247 4. SOBRE OS CINCO SENTIDOS

Para os cinco sentidos corporais, o método é sempre o mesmo. Só muda a matéria.

248 Nota. Aquele que no uso dos seus sentidos quer imitar a Jesus Cristo nosso Senhor, encomendar-se-á
na oração preparatória à sua divina Majestade. Depois de se ter examinado sobre cada um dos cinco sentidos
dirá uma Ave-Maria ou um Pai-nosso.

E o que no uso dos seus sentidos deseja imitar a Nossa Senhora, pedir-lhe-á na oração preparatória que lhe
obtenha esta graça de seu divino Filho e Senhor. E depois do exame de cada sentido recitará uma Ave-Maria.

249 SEGUNDO MODO DE ORAR

CONTEMPLAR O SENTIDO CX DE CADA PALAVRA


DE UMA ORAÇÃO

250 Adição. Neste segundo modo de orar, a adição será a mesma que no primeiro modo.

251 A oração preparatória será conforme a pessoa a quem se dirige a oração.

252 De joelhos ou sentado, conforme a disposição do corpo ou a devoção do espírito, com os olhos
fechados ou fixos no mesmo lugar, sem os deixar vagar um lado para o outro, direi a primeira palavra do Pai-
nosso e deter-me-ei nela por todo o tempo em que achar pensamentos, comparações, gosto e consolação
interior na consideração do título de Pai.

O mesmo farei para cada palavra da oração dominical ou de qualquer outra fórmula que tiver escolhido para
orar deste modo.

253 1ª regra. Empregarei uma hora em meditar assim todo o Pai-nosso. Terminando esse, recitarei vocal
ou mentalmente, da maneira ordinária, a Ave-Maria, o Credo, a Alma de Cristo e a Salve-Rainha.

254 2ª regra. Se ao contemplar o Pai-nosso eu achar, numa só ou em duas palavras, suficiente matéria
para refletir e gosto e consolações, não tenho que preocupar-me de passar adiante, ainda que fique nelas toda
a hora. Terminado o tempo, recitarei da maneira habitual o resto do Pai-nosso.

255 3ª regra. Se me detive a hora inteira numa ou duas palavras do Pai-nosso, no dia seguinte, quando
quiser retomar a mesma oração, direi da maneira ordinária a palavra ou as duas palavras já meditadas e
começarei a contemplar sobre a palavra que segue imediatamente, como se disse na segunda regra.

256 1ª nota. Acabado o Pai-nosso em um ou em muitos dias, farei o mesmo com a Ave-Maria. E depois
com as outras orações, de modo que por algum tempo sempre me exercite numa delas.

257 2ª nota. No fim da oração, dirigir-me-ei à pessoa a quem orei e pedir-lhe-ei, em poucas palavras, as
virtudes ou graças de que mais necessitado me sinta.

258 TERCEIRO MODO DE ORAR

POR COMPASSO

A adição será a mesma que no primeiro e no segundo modo de orar.

A oração preparatória como no segundo.

O terceiro modo consiste em orar mentalmente dizendo a cada respiração aa uma palavra do Pai-nosso ou de
qualquer outra oração, de forma a pronunciar uma só palavra entre uma respiração e outra. CXI E durante o
tempo decorrido entre duas respirações atenda-se especialmente à significação desta palavra ou à pessoa a
quem a oração se dirige, ou à própria indignidade, ou à diferença entre tanta grandeza de um lado e tanta
baixeza do outro. Pronunciar-se-ão, do mesmo modo e conforme as mesmas regras, todas as palavras do Pai-
nosso. E depois hão de recitar-se, na forma ordinária de orar, as outras orações, isto é, a Ave-maria, a Alma de
Cristo, o Credo e a Salve-Rainha.

259 1ª regra. No dia seguinte ou em outra hora em que se queira orar deste modo, recitar-se-á a Ave-
maria compassadamente, e as outras orações como de costume. Do mesmo modo se procederá depois com
elas.

260 2ª regra. Se alguém quisesse orar mais longamente por este terceiro modo, poderia recitar em seguida
várias das orações indicadas ou todas elas, seguindo o mesmo modo de respiração compassada, como foi
explicado.

261 OS MISTÉRIOS
DA VIDA

DE CRISTO NOSSO SENHOR CXII

Nota. Nos mistérios seguintes, só as palavras entre aspas são do próprio Evangelho. A maior parte dos
mistérios terão três pontos para com maior facilidade se poder meditar e contemplá-los.

262 A ANUNCIAÇÃO DE NOSSA SENHORA

Lc 1,26-38

1º ponto. O anjo S. Gabriel, saudando Nossa Senhora, anunciou-lhe que havia de conceber a Cristo Nosso
Senhor: - "E entrando o Anjo onde ela estava, saudou-a, dizendo: - Deus te salve, cheia de graça; eis que
conceberás em teu seio e darás à luz um filho".
2º ponto. O Anjo confirma o que tinha dito, anunciando-lhe a conceição de S. João Batista, dizendo: - "Eis
que também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice".
3º ponto. Nossa Senhora respondeu ao Anjo: - "Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua
palavra".

263 VISITAÇÃO DE NOSSA SENHORA À

SUA PRIMA SANTA ISABEL

Lc 1,39-56

1º. Quando Nossa Senhora visitou Isabel, sentiu-lhe a presença S. João Batista, ainda no ventre de sua mãe: -
"E aconteceu que apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou no seu ventre e Isabel ficou
cheia do Espírito Santo; e exclamou em alta voz, dizendo: - "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o
fruto do teu ventre".
2º. Nossa Senhora entoa um cântico, dizendo: - "A minha alma glorifica ao Senhor".
3º. -"Ficou Maria com Isabel cerca de três meses e depois voltou, para sua casa".

264 NASCIMENTO DE CRISTO

SENHOR NOSSO

Lc 2,1-14

1º. Nossa Senhora e José, seu esposo, vão de Nazaré a Belém. "E José subiu da Galiléia para prestar sujeição
a César juntamente com Maria, sua esposa, que estava grávida".
2º. "E deu à luz seu filho primogênito e enfaixou-o e reclinou-o numa manjedoura".
3º. "Apareceu uma multidão da milícia celeste que dizia: - "Glória a Deus no mais alto dos céus".

265 A ADORAÇÃO DOS PASTORES

Lc 2,8-20

1º. O Anjo anuncia aos pastores o nascimento de Cristo Nosso Senhor: - "Dou-vos uma grande nova, porque
nasceu hoje o Salvador do mundo".
2º. Os pastores foram a Belém: - "E foram com grande pressa e encontraram Maria, José e o menino deitado
numa manjedoura".
3º. "Os pastores voltaram glorificando e louvando a Deus".

266 A CIRCUNCISÃO DO SENHOR


Lc 2,21

1º. Circuncidaram o Menino Jesus.


2º. "Foi-lhe posto o nome de Jesus, como o tinha chamado o Anjo, antes que fosse concebido no ventre
materno".
3º. Restituem o Menino a sua Mãe, compadecida do sangue que seu Filho derramava.

267 OS TRÊS REIS MAGOS

Mt 2,1-12

1º. Os três Reis Magos, guiados pela estrela, vieram adorar Jesus, dizendo: - "Vimos a sua estrela no Oriente e
viemos adorá-lo".
2º. Adoraram-no e ofereceram-lhe presentes: - "Prostrados por terra adoraram-no e ofereceram-lhe presentes,
ouro, incenso e mirra".
3º. "Tendo sido avisados em sonhos para não voltarem a Herodes, regressaram por outro caminho para o seu
país".

268 PURIFICAÇÃO DE NOSSA SENHORA E

APRESENTAÇÃO DO MENINO JESUS

Lc 2,22-39

1º. Trazem o Menino Jesus ao Templo, para ser apresentado ao Senhor como primogênito, e oferecem por ele
"um par de rolas ou dois pombinhos".
2º. Simeão tendo vindo ao templo "tomou-o em seus braços", dizendo: "Agora, Senhor, deixa partir o teu
servo em paz".
3º. Ana "sobrevindo em seguida, louvava ao Senhor e falava dele a todos os que esperavam a Redenção de
Israel".

269 FUGA PARA O EGITO.

Mt 2,13-18

1º. Herodes que queria matar o Menino Jesus mandou matar os inocentes; porém, antes da morte deles, um
Anjo avisou a S. José, que fugisse para o Egito: - "Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito".
2º. Partiu para o Egito: - "E ele levantando-se de noite partiu para o Egito".
3º. "E esteve lá até a morte de Herodes".

270 CRISTO NOSSO SENHOR VOLTA

DO EGITO
Mt 2,19-23

1º. O Anjo avisa a S. José que volte a Israel: - "Levanta-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de
Israel".
2º. "Levantando-se, veio para a terra de Israel".
3º. Retirou-se para Nazaré, porque reinava Arquelau, filho de Herodes, na Judéia.

271 VIDA DE CRISTO NOSSO SENHOR

DESDE OS 12 AOS 30 ANOS

Lc 2,51-52
1º. Era obediente a seus pais: - "Crescia em sabedoria, em idade e graça".
2º. Parece que exercia a arte de carpinteiro, como o dá a entender S. Marcos no cap. 6, 3:"Porventura não é
este o carpinteiro?"

272 IDA DE CRISTO AO TEMPLO, QUANDO

TINHA 12 ANOS

Lc 2,41-50

1º. Cristo Nosso Senhor, na idade de 12 anos, subiu de Nazaré a Jerusalém.


2º. Cristo Senhor nosso ficou em Jerusalém sem que seus pais o soubessem.
3º. Passados três dias, encontraram-no no Templo, sentado no meio dos doutores da Lei, discutindo com eles,
e perguntando-lhe seus pais onde tinha estado, respondeu: - "Não sabeis que me devo ocupar das coisas que
são do meu Pai?"

273 BATISMO DE CRISTO

Mt 3,13-17

1º. Cristo Nosso Senhor, tendo-se despedido de sua bendita Mãe, foi de Nazaré para o rio Jordão, onde estava
S. João Batista.
2º. S. João batizou Cristo Nosso Senhor, mas tendo-se antes escusado, por se considerar indigno de o batizar,
respondeu-lhe Cristo: - "Deixa por agora, porque é necessário que cumpramos assim toda a justiça".
3º. O Espírito Santo desceu sobre Ele e do Céu ouviu-se a voz do Pai que dizia: - "Este é o meu Filho muito
amado em quem pus as minhas complacências".

274 TENTAÇÃO DE CRISTO

Lc 4,1-13; Mt 4,1-11

1º. Depois de batizado foi Jesus para o deserto, onde esteve jejuando quarenta dias e quarenta noites.
2º. Ali foi tentado por três vezes pelo inimigo: - "Chegando-se a Ele o tentador, disse-lhe: - Se és o Filho de
Deus manda que estas pedras se transformem em pão: lança-te daqui para baixo; tudo o que vês te darei, se,
prostrado em terra, me adorares".
3º. "Vieram os Anjos e serviram-no".

275 CHAMAMENTO DOS APÓSTOLOS

1º. Três vezes parecem ter sido chamados S. Pedro e Santo André: - a primeira a um certo conhecimento de
Jesus (Jo 1,35-42); a segunda a seguir de alguma forma a Cristo com intenção de voltar ao que tinham
deixado (Lc 5, 1-11.27-32); a terceira, enfim, para seguirem a Cristo Nosso Senhor (Mt 4,18-20; Mc 1,16-18).
2º. Chamou os outros apóstolos de cuja vocação especial não faz menção o Evangelho. Considerar também
estas três coisas: primeira, a condição rude e humilde dos apóstolos; segunda, a dignidade a que foram tão
suavemente chamados; terceira, os dons e graças pelos quais foram elevados acima de todos os Padres do
Novo e Velho Testamentos.

276 PRIMEIRO MILAGRE DE JESUS NAS

BODAS DE CANÁ, DA GALILÉIA

Jo 2,1-11

1º. Cristo Nosso Senhor foi convidado com os seus discípulos para as bodas.
2º. A Mãe de Jesus avisou-o da falta de vinho, dizendo-lhe: - "Não tem vinho", e mandou aos criados: - "Fazei
tudo o que Ele vos disser".
3º. "Converteu Jesus a água em vinho manifestando assim a sua glória, e os seus creram nEle".

277 CRISTO EXPULSA OS VENDILHÕES

DO TEMPLO
Jo 2,13-22

1º. Com um chicote de cordas Jesus expulsou do Templo todos os vendilhões.


2º. Lançou por terra as mesas e o dinheiro dos banqueiros que estavam no Templo.
3º. Aos pobres que vendiam pombas disse mansamente: - "Tirai daqui isto e não façais da minha casa uma
casa de comércio".

278 SERMÃO DA MONTANHA

Mt 5

1º. Falou à parte com os seus discípulos prediletos acerca das bem-aventuranças: "Bem-aventurados os pobres
de espírito, os mansos, os misericordiosos, os que choram, os que têm fome e sede de justiça, os limpos de
coração, os pacíficos e os que sofrem perseguição".
2º. Exortou-os a que usassem bem os seus talentos: - "Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que
vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus".
3º. Cristo mostrou que não transgredia a Lei, mas que a completava, declarando os preceitos de não matar,
guardar castidade, não levantar falsos testemunhos e de amar os inimigos: - "Eu vos digo que ameis os vossos
inimigos e façais bem aos que vos odeiam".

279 CRISTO NOSSO SENHOR SERENA

A TEMPESTADE NO MAR

Mt 8,23-27

1º. Estando Cristo Nosso Senhor dormindo no mar, levantou-se uma grande tempestade.
2º. Os seus discípulos, aterrorizados, despertaram-no e Ele repreendeu-os pela falta de fé, dizendo-lhes: -
"Porque temeis, homens de pouca fé?"
3º. Mandou aos ventos e ao mar que se acalmassem e cessou o vento, e o mar tornou-se calmo; pelo que, os
homens ficaram maravilhados e diziam: - "Quem é este a quem os ventos e o mar obedecem?"

280 CRISTO ANDA SOBRE AS ÁGUAS

Mt 14,22-33

1º. Estando Cristo Nosso Senhor no monte fez embarcar os seus discípulos, e, tendo despedido a multidão,
começou a orar sozinho.
2º. A barca era batida pelas ondas, e Jesus Cristo dirigiu-se a ela caminhando sobre o mar; e os discípulos
pensaram que fosse um fantasma.
3º. E Jesus disse-lhes: - "Sou eu, não temais". Então S. Pedro, por sua ordem, foi ter com Ele, andando sobre
as águas e, porque duvidou, começou a afundar-se; mas Cristo Nosso Senhor salvou-o e repreendeu-o pela
sua pouca fé. Depois entrando ambos na barca, cessou o vento.

281 OS APÓSTOLOS FORAM ENVIADOS A PREGAR

Mt 10,1-16
1º. Cristo chama os seus amados discípulos e dá-lhes poder para expulsar os demônios dos corpos humanos e
curar todas as enfermidades.
2º. Ensina-lhes a prudência e a paciência: - "Eis que vos mando como ovelhas para o meio de lobos. Sede,
pois, prudentes como serpentes e simples como pombas".
3º. Ensina-lhes o modo como devem ir: - "Não queirais possuir ouro nem prata. Dai de graça o que de graça
recebestes". E deu-lhes o assunto da pregação: - "E pregai dizendo: Já está próximo o Reino dos Céus".

282 CONVERSÃO DE MADALENA

Lc 7,36-50

1º. Estando Cristo Nosso Senhor sentado à mesa em casa do fariseu, entra Madalena trazendo um vaso de
alabastro, cheio de perfume.
2º. Pondo-se atrás do Senhor, a seus pés, começou a banhá-los com lágrimas, a enxugá-los com os cabelos, a
beijá-los e a ungi-los com perfumes.
3º. Como o fariseu acusasse Madalena, Jesus saiu em sua defesa, dizendo: - "Muitos pecados lhe são
perdoados, porque amou muito. E disse à mulher: - a tua fé te salvou, vai em paz".

283 COMO CRISTO NOSSO SENHOR DEU

DE COMER A CINCO MIL HOMENS

Mt 14,13-21

1º. Os discípulos, vendo que se fazia tarde, pedem a Jesus que despeça a multidão que com Ele estava.
2º. Cristo Nosso Senhor mandou que lhe trouxessem os pães, abençoou-os, partiu-os, e ordenando à multidão
que se sentasse, deu-os a seus discípulos para os distribuírem a todos.
3º. Comeram, até a saciedade, e sobraram ainda doze cestos de pães.

284 TRANSFIGURAÇÃO DE CRISTO

Mt 17,1-9

1º. Cristo Nosso Senhor, tendo tomado consigo os seus queridos discípulos Pedro, Tiago e João, transfigurou-
se, ficando o seu rosto resplandecente como o sol, e as suas vestes brancas como a neve.
2º. Falava com Moisés e Elias.
3º. Dizendo S. Pedro que se fizessem três tendas, ouviu-se uma voz do Céu que dizia: - "Este é o meu filho
muito amado, ouvi-o ". Ao ouvirem esta voz, os discípulos caíram de bruços com medo, porém Cristo Nosso
Senhor tocou-os e disse: - "Levantai-vos e não temais. Não digais a ninguém o que vistes, até o Filho do
Homem ressuscitar dos mortos".

285 A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO

Jo 11,1-45

1º. Marta e Maria mandam dizer a Cristo Nosso Senhor que Lázaro está enfermo. Sabendo isto, Jesus ficou
ainda dois dias no mesmo lugar, para que o milagre fosse mais evidente.
2º. Antes de o ressuscitar pede a uma e a outra que tenham fé, dizendo: - "Eu sou a Ressurreição e a Vida. O
que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá".
3º. Depois de ter chorado e orado, ressuscitou-o, ordenando-lhe: "Lázaro, vem para fora".

286 CEIA EM BETÂNIA

Mt 26,6-10

1º. O Senhor ceia em casa de Simão, o leproso, juntamente com Lázaro.


2º. Maria derrama perfumes sobre a cabeça de Jesus.
3º. Judas murmura, dizendo: - "Para que este desperdício de perfumes?" Mas Jesus defende-a de novo,
dizendo: - "Por que molestais esta mulher? Ela faz-me verdadeiramente uma boa obra".

287 DOMINGO DE RAMOS

Mt 21,1-17

1º. O Senhor manda buscar a burra e o jumento, dizendo: - "Desatai-os e trazei-mos, e se alguém vos disser
alguma coisa respondei que o Senhor precisa deles e logo os devolverá".
2º. Montou sobre a jumenta, coberta com as vestes dos apóstolos.
3º. As multidões saem para recebê-lo, estendendo sobre o caminho os seus mantos e ramos de árvores,
clamando: - "Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor. Hosana no mais alto dos
Céus!"

288 PREGAÇÃO NO TEMPLO

Lc 19,47-48

1º. E todos os dias ensinava no Templo.


2º. Acabada a pregação, voltava a Betânia, por não haver quem o recebesse em Jerusalém.

289 ÚLTIMA CEIA

Mt 26,20-30; Jo 13,1-30

1º. Comeu o cordeiro pascal com os doze apóstolos aos quais predisse a sua morte: - "Em verdade vos digo
que um de vós me há de vender".
2º. Lavou os pés aos discípulos, mesmo a Judas, começando por S. Pedro; este, considerando a majestade do
Senhor e a sua própria baixeza, não o podendo consentir, dizia: - "Tu Senhor, lavares-me os pés a mim?" E
como S. Pedro não visse naquela ação um exemplo de humildade, disse-lhe Jesus: - "Dei-vos o exemplo para
que façais como eu fiz".

3º. Instituiu o Santíssimo Sacrifício da Eucaristia numa prova suprema do seu amor, dizendo: - "Tomai e
comei". Acabada a Ceia, Judas sai para vender Cristo Nosso Senhor.

290 MISTÉRIOS REALIZADOS DESDE

A CEIA AO HORTO, INCLUSIVE


Mt 26,30-46; Mc 14,26-42

1º. Acabada a ceia e cantado o hino, foi o Senhor com os seus discípulos, cheios de medo, para o monte das
Oliveiras. Deixou oito no Getsêmani, dizendo-lhes: - "Sentai-vos aqui enquanto vou orar".
2º. Acompanhado de S. Pedro, S. Tiago e S. João, orou três vezes ao Senhor, desta maneira: - "Pai, se é
possível, que passe de mim este cálice; porém não se faça a minha vontade, mas sim a tua". E estando em
agonia, orava ainda com mais instância.
3º. Foi invadido de tão grande temor que dizia: - "A minha alma está triste até à morte". E suou sangue tão
copiosamente, que diz S. Lucas: - "O seu suor era como gotas de sangue que corre até à terra. Fato este que já
supõe estarem as suas vestes ensopadas em sangue.

291 MISTÉRIOS REALIZADOS DESDE O

HORTO ATÉ À CASA DE ANÁS, INCLUSIVE.


Mt. 26,47-58.69-70; Lc 22,47-57; Mc 14,43-68
1º. Nosso Senhor deixa-se beijar por Judas e prender, como se fosse um ladrão, pelos soldados, a quem disse:
- "Viestes com armas e varapaus para me prender como se fosse um ladrão. Todos os dias estava no meio de
vós, ensinando no Templo, e não me prendestes". E perguntando "a quem buscais" os inimigos caíram por
terra.
2º. S. Pedro feriu um servo do Pontífice, mas Jesus disse-lhe com mansidão: - "Mete a espada na bainha", e
curou a ferida do criado.
3º. Abandonado pelos discípulos, Cristo foi levado a Anás, onde S. Pedro, que o tinha seguido de longe,
negou-o uma vez. (Um criado) deu uma bofetada em Jesus, dizendo: - "Assim respondes ao Pontífice?"

292 MISTÉRIOS REALIZADOS DESDE A

CASA DE ANÁS À DE CAIFÁS, INCLUSIVE

Mt 26; Mc 14; Lc 22; Jo 18

1º. Levam-no atado da casa de Anás à de Caifás, onde S. Pedro o negou duas vezes. Mas, tendo-lhe o Senhor
lançado um olhar, o apóstolo saiu e chorou amargamente.
2º. Jesus esteve atado durante toda aquela noite.
3º. Além disso, os que o tinham prendido, zombavam dEle, feriam-no e, vendando-lhe o rosto, davam-lhe
bofetadas, dizendo: - "Profetiza quem te bateu, e proferiam contra Ele blasfêmias semelhantes".

293 MISTÉRIOS REALIZADOS DESDE A

CASA DE CAIFÁS À DE PILATOS, INCLUSIVE

Mt 27,1-2.11-26; Lc 23,1-5.13-25; Mc 15,1-15

1º. Foi levado por toda a multidão dos judeus a Pilatos, diante do qual o acusavam, dizendo: - "Encontramos
este homem deitando a perder a nação e proibindo pagar o tributo a César".
2º. Pilatos depois de o ter examinado uma e outra vez, disse: - "Não encontro (neste homem) crime algum".
3º. A Cristo foi preferido Barrabás, um ladrão: - "Todo o povo gritava: 'Não soltes a este, mas a Barrabás'".

294 MISTÉRIOS REALIZADOS DESDE A

CASA DE PILATOS ATÉ À DE HERODES

Lc 23,6-11

1º. Pilatos enviou Jesus Galileu a Herodes, Tetrarca da Galiléia.


2º. Herodes, por curiosidade, interrogou-o largamente, porém Ele nada respondia, apesar de os escribas e
sacerdotes continuamente o acusarem.
3º. Herodes, com a sua guarda, desprezou-o, mandando-lhe vestirem uma túnica branca.

295 MISTÉRIOS REALIZADOS DESDE A

CASA DE HERODES À DE PILATOS

Mt 27, 26-30; Lc 23, 11-26; Mc 15, 15-20; Jo 19, 1-6

1º. Herodes reenviou Jesus a Pilatos e desde esse momento ambos ficaram amigos, de inimigos que eram
antes.
2º. Pilatos tomou Jesus e mandou-o açoitar. Os soldados fazendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na
cabeça, vestiram-no de púrpura e chegavam-se a Ele e diziam: "Deus te salve, Rei dos Judeus. E davam-lhe
bofetadas".
3º. Trouxe-o fora diante de todo o povo: - "Saiu pois Jesus coroado de espinhos e vestido de púrpura. Disse-
lhes Pilatos: - Eis aqui o Homem. E ao vê-lo os Pontífices vociferavam: - Crucifica-o, crucifica-o".

296 MISTÉRIOS SUCEDIDOS DESDE A

CASA DE PILATOS ATÉ A CRUCIFIXÃO, INCLUSIVE

Jo 19,13-22

1º. Pilatos, sentado como juiz no tribunal, entregou Jesus aos judeus para o crucificarem, depois de eles o
terem negado por seu rei, dizendo: - "Não temos outro rei senão César".
2º. Caminhava com a cruz às costas; e não a podendo levar, obrigaram Simão Cirineu a levá-la após Jesus.
3º. Crucificaram-no em meio a dois ladrões, com esta inscrição (sobre a cruz): - "Jesus de Nazaré, Rei dos
Judeus".

297 MISTÉRIOS SUCEDIDOS NA CRUZ

Jo 19,23-37

1º. As sete palavras que Jesus disse na Cruz: - Rogou pelos que o crucificaram. Perdoou o ladrão.
Encomendou S. João a sua Mãe e sua Mãe a S. João. Bradou em alta voz: - "Tenho sede". E deram-lhe fel e
vinagre. Disse que estava desamparado. "Tudo está consumado". "Pai, em tuas mãos encomendo o meu
espírito".
2º. O sol escureceu-se, as rochas fenderam-se, as sepulturas abriram-se e o véu do Templo rasgou-se de alto a
baixo em duas partes.
3º. Blasfemavam, dizendo: - "Tu que destróis o Templo de Deus desce da cruz". Dividiram as suas vestes.
Aberto o lado com a lança, dele brotou água e sangue.

298 MISTÉRIOS REALIZADOS DESDE A

CRUZ ATÉ O SEPULCRO, INCLUSIVE

Jo 19,38-42

1º. Foi descido da cruz por José e Nicodemos em presença de sua Mãe, amargurada de dor.
2º. O seu corpo foi levado ao sepulcro, ungido e sepultado.
3º. Puseram guardas (junto ao sepulcro).

299 RESSURREIÇÃO DE CRISTO SENHOR

NOSSO E PRIMEIRA APARIÇÃO

1º. Apareceu primeiro à Virgem Maria, o que embora não esteja expresso na Sagrada Escritura, se subentende
quando diz que apareceu a muitos outros. Porque a Escritura supõe que somos inteligentes, como está escrito:
- "Também vós não tendes ainda entendimento?"

300 SEGUNDA APARIÇÃO

Mc 16,1-11

1º. Maria Madalena, Maria mãe de Tiago, e Salomé vão bem de madrugada ao túmulo, dizendo: - "Quem
removerá a pedra da boca do sepulcro?"
2º. Vêem a pedra removida e um Anjo que lhes diz: - "Buscais a Jesus de Nazaré? Ressuscitou, não está
aqui".
3º. Apareceu a Maria que ficara perto do sepulcro, depois das outras se terem ido.
301 TERCEIRA APARIÇÃO

Mt 28,8-10

1º. Retiram-se as Marias do sepulcro com medo e grande alegria, desejosas de anunciar aos discípulos a
Ressurreição do Senhor.
2º. Cristo Senhor Nosso apareceu-lhes no caminho, dizendo: - "Deus vos salve". Elas, aproximando-se,
prostraram-se a seus pés e adoraram-no.
3º. Disse-lhes Jesus: - "Não temais. Ide, avisai meus irmãos para que vão à Galiléia. É lá que me verão".

302 QUARTA APARIÇÃO

Lc 24,9-12.33-34

1º. Tendo São Pedro sabido pelas mulheres que Cristo ressuscitara, correu apressadamente ao sepulcro.
2º. Entrando nele, viu somente os panos com que tinha sido coberto o corpo de Cristo Nosso Senhor e mais
nada.
3º. Estando S. Pedro a refletir nestas coisas, apareceu-lhe Cristo, e por isso os Apóstolos diziam: -
"Verdadeiramente o Senhor ressuscitou, e apareceu a Simão".

303 QUINTA APARIÇÃO

Lc 24,13-35

1º. Apareceu aos discípulos que iam a Emaús falando dele.


2º. Repreendeu-os, mostrando pelas Escrituras que Cristo tinha de morrer e ressuscitar: - "Ó estultos e tardos
de coração para crer tudo o que anunciaram os profetas! Porventura não era necessário que Cristo sofresse e
assim entrasse na sua glória?"
3º. A seu pedido ficou com eles até lhes dar a comunhão, e em seguida desapareceu. E eles, regressando (a
Jerusalém), contaram aos discípulos como o tinham reconhecido na comunhão.

304 SEXTA APARIÇÃO

Jo 20,19-23

1º. Os discípulos estavam todos reunidos "por medo dos judeus", menos S. Tomé.
2º. Apareceu-lhes Jesus apesar das portas estarem fechadas, e pondo-se no meio deles, disse-lhes: - "A paz
esteja convosco!"
3º. Comunicou-lhe o Espírito Santo, dizendo-lhes: "Recebei o Espírito Santo; àqueles a quem perdoares os
pecados, ser-lhes-ão perdoados".

305 SÉTIMA APARIÇÃO

Jo 20,24-29

1º. S. Tomé, que não acreditava, por ter estado ausente na aparição anterior, disse: - "Se não o vir, não
acreditarei".
2º. Daí a oito dias, apareceu-lhes Jesus, estando as portas fechadas, e disse a S. Tomé: - "Mete aqui o dedo, vê
a verdade, e não sejas incrédulo, mas fiel".
3º. S. Tomé acreditou e disse: - "Meu Senhor e meu Deus!" Ao que Cristo respondeu: - "Bem-aventurados os
que não viram e creram".

306 OITAVA APARIÇÃO

Jo 21,1-17
1º. Apareceu Jesus a sete dos seus discípulos que estavam a pescar e não tinham apanhado nada durante toda
a noite. Lançando a rede por ordem de Jesus, "não podiam tirá-la por causa da grande abundância de peixes".
2º. Por este milagre, S. João reconheceu Jesus e disse a S. Pedro: - "É o Senhor". Pedro lançou-se ao mar e
veio ter com Cristo.
3º. Cristo deu-lhes a comer uma posta de peixe assado e um favo de mel, e encomendou as suas ovelhas a S.
Pedro, tendo-lhe antes perguntado por três vezes se o amava, dizendo: - "Apascenta as minhas ovelhas".

307 NONA APARIÇÃO

Mt 28,16-20

1º. Os discípulos vão ao monte Tabor por ordem do Senhor.


2º. Cristo aparece-lhes e diz: - "Foi-me dado todo o poder no céu e na terra".
3º. Enviou-os a pregar por toda a terra, dizendo: - "Ide, e ensinai todas as gentes, batizando-as em nome do
Pai, e do Filho, e do Espírito Santo".

308 DÉCIMA APARIÇÃO

1 Cor 15,6

"Depois foi visto por mais de quinhentos irmãos juntos".

309 DÉCIMA PRIMEIRA APARIÇÃO.

1 Cor 15,7

"Depois apareceu a S. Tiago".

310 DÉCIMA SEGUNDA APARIÇÃO

"Apareceu a José de Arimatéia como piamente se medita e se lê na vida dos santos."

311 DÉCIMA TERCEIRA APARIÇÃO

1 Cor 15,8

Apareceu a S. Paulo, depois da Ascensão. "Finalmente apareceu-me a mim como a um aborto." Apareceu
também na sua alma aos Santos Padres do Limbo e, depois de os ter tirado de lá, voltando a revestir-se do seu
corpo, apareceu muitas vezes aos discípulos e conversava com eles.

312 ASCENSÃO DE CRISTO NOSSO SENHOR.

At 1,1-12

1º. Depois de ter aparecido aos apóstolos durante quarenta dias, dando-lhes muitas provas e sinais, e falando-
lhes do Reino de Deus, mandou-lhes que esperassem em Jerusalém o Espírito Santo que lhes tinha prometido.
2º. Levou-os ao monte das Oliveiras e "elevou-se nos ares à vista deles e uma nuvem o ocultou aos seus
olhos".
3º. E estando eles a olhar para o céu, dizem-lhes os Anjos: - "Homens da Galiléia, por que estais a olhar para
o céu? Este Jesus, que do meio de vós foi arrebatado ao céu, virá um dia, do mesmo modo que agora o vistes
subir".

REGRAS

313 REGRAS PARA DE ALGUM MODO SENTIR


E CONHECER AS VÁRIAS MOÇÕES QUE SE
PRODUZEM NA ALMA:
AS BOAS PARA AS ACEITAR E
AS MÁS PARA AS REJEITAR CXIII

são mais próprias para a primeira semana.

314 1ª regra. Às pessoas que vão de pecado mortal em pecado mortal, costuma normalmente o inimigo
propor-lhes prazeres aparentes, fazendo com que imaginem deleites e prazeres sensuais para que mais se
conservem e cresçam nos seus vícios e pecados.

Com tais pessoas o bom espírito usa de um método oposto: punge-lhes e remorde-lhes a consciência pela
sindérese ab da razão.

315 2ª regra. Nas pessoas que se vão purificando intensamente dos seus pecados e caminham no serviço
de Deus nosso Senhor de bem a melhor, o bom e o mau espírito operam em sentido inverso ao da regra
precedente. Porque neste caso é próprio do mau espírito causar tristeza e remorsos de consciência, levantar
obstáculos e perturbá-las com falsas razões para as deter no seu progresso.

E é próprio do bom espírito dar-lhes coragem, forças, consolações e lágrimas, inspirações e paz, facilitando-
lhes o caminho e desembaraçando-o de todos os obstáculos, para as fazer avançar na prática do bem.

316 3ª regra. A consolação espiritual. CXIV Chamo consolação quando na alma se produz alguma moção
interior, pela qual ela vem a se inflamar no amor do seu Criador e Senhor e, conseqüentemente, quando a
nenhuma cousa criada sobre a face da terra, pode amar em si, senão no Criador de todas elas.

Do mesmo modo, quando derrama lágrimas que a movem ao amor do seu Senhor, seja pela dor dos seus
pecados ou por causa da Paixão de Cristo nosso Senhor ou por outras coisas diretamente ordenadas ao serviço
e louvor dEle.
Finalmente, chamo consolação a todo aumento de esperança, fé e caridade e a toda alegria interior que eleva e
atrai a alma para as coisas celestiais e para sua salvação, tranqüilizando-a e pacificando-a em seu Criador e
Senhor CXV

317 4ª regra. A desolação espiritual. CXVI Chamo desolação todo o contrário da terceira regra: como
escuridão da alma, perturbação, incitação a coisas baixas e terrenas, inquietação proveniente de várias
agitações e tentações que levam à falta de fé, de esperança e de amor; achando-se a alma toda preguiçosa,
tíbia, triste e como se separada do seu Criador e Senhor.

Porque, assim como a consolação é contrária à desolação, assim os pensamentos provenientes da consolação
são opostos aos provenientes da desolação.

318 5ª regra. No tempo da desolação não se deve fazer mudança alguma, mas permanecer firme e
constante nos propósitos e determinações em que se estava no dia anterior a esta desolação, ou nas resoluções
tomadas antes, no tempo da consolação.

Porque, assim como na consolação é o bom espírito que nos guia e aconselha mais eficazmente, assim na
desolação nos procura conduzir o mau espírito, sob cuja inspiração é impossível achar o caminho que nos leve
a acertar.

319 6ª regra. Uma vez que na desolação não devemos mudar os primeiros propósitos, muito aproveita
reagir intensamente contra a mesma desolação, por exemplo, insistindo mais na oração, na meditação, em
examinar-se muito e em aplicar-se nalgum modo conveniente de fazer penitência CXVII .

320 7ª regra. O que está em desolação considere como o Senhor, para o provar, o deixou entregue às suas
potências naturais, a fim de resistir aos diversos impulsos e tentações do inimigo.
Porque pode resistir-lhes com o auxílio divino, que nunca lhe falta, embora não o sinta distintamente, por lhe
ter tirado o Senhor o seu muito fervor, o grande amor CXVIII e a graça intensa, restando-lhe contudo a graça
suficiente CXIX para a salvação eterna.

321 8ª regra. O que está em desolação esforce-se por se manter na paciência, virtude oposta às aflições
que lhe sobrevêm. E pense que bem depressa será consolado, empregando contra tal desolação as diligências
explicadas na sexta regra CXX

322 9ª regra. Três são as causas principais da desolação:

Primeiramente, a nossa tibieza, preguiça e negligência nos exercícios de piedade afastam de nós, por culpa
própria, a consolação espiritual.
Em segundo lugar, para mostrar-nos quanto valemos e até que ponto somos capazes de avançar no serviço e
louvor de Deus, sem tanta recompensa de consolações e maiores graças.
Em terceiro lugar, para nos ensinar e fazer conhecer em verdade, sentindo-o interiormente, que não depende
de nós conseguir ou conservar uma grande devoção, um intenso amor, lágrimas, nem qualquer outra
consolação espiritual, mas que tudo isso é um dom e uma graça de Deus nosso Senhor. E também para que
não façamos ninho em casa alheia, permitindo que o nosso espírito se exalte com qualquer movimento de
orgulho ou vanglória, atribuindo-nos a nós os sentimentos da devoção ou os outros efeitos da consolação
espiritual.

323 10ª regra. Quem está em consolação preveja como se há de portar no tempo de desolação, que depois
virá, tomando novas forças para esse tempo.

324 11ª regra. Quem está em consolação procure humilhar-se e abater-se tanto quanto possível,
lembrando-se de quão pouco é capaz no tempo da desolação, quando privado dessa graça ou consolação.
Pelo contrário, quem está desolado lembre-se que muito pode com a graça que lhe basta para resistir a todos
os seus inimigos, procurando forças em seu Criador e Senhor CXXI .

325 12ª regra. CXXII O inimigo procede como uma mulher, sendo fraco quando lhe resistimos, e forte no
caso contrário.

Pois é próprio da mulher, quando disputa com algum homem, perder a coragem e pôr-se em fuga, quando este
lhe resiste francamente. Pelo Contrário, se o homem começa a temer e a recuar, crescem sem medida a cólera,
a vingança e a ferocidade dela.
Do mesmo modo, é próprio do inimigo enfraquecer-se e perder o ânimo, retirando suas tentações, quando a
pessoa que se exercita nas coisas espirituais enfrenta sem medo as suas tentações, fazendo diametralmente o
oposto.
Ao invés, se a pessoa que se exercita começa a ter medo e a perder o ânimo ao sofrer tentações, não há animal
tão feroz ac sobre a face da terra como o inimigo da natureza humana, na prossecução de sua perversa
intenção com tão grande malícia.

326 13ª regra. Também age como um sedutor, ad em querer ficar oculto e não ser descoberto.

Pois o homem corrupto, ae quando solicita por palavras para um fim mau a filha de um pai honrado ou a
mulher de um bom marido, quer que suas palavras e insinuações fiquem em segredo. Ao contrário muito se
descontenta, quando a filha revela ao pai ou a mulher ao marido suas palavras sedutoras e intenção depravada,
pois facilmente conclui que não poderá levar a termo o empreendimento começado.
Da mesma forma, quando o inimigo da natureza humana apresenta suas astúcias e insinuações à alma justa,
quer e deseja que sejam recebidas e guardadas em segredo. Mas, quando a pessoa tentada as descobre a seu
bom confessor ou a outra pessoa espiritual, que conheça seus enganos e malícias, isso lhe causa grande pesar,
porque conclui que não poderá realizar o mal que começara, uma vez que foram descobertos seus enganos
evidentes.

327 14ª regra. Procede também como um caudilho, para vencer e roubar o que deseja.
Pois assim como um capitão ou comandante de uma tropa, acampando e examinando as forças ou disposição
de um castelo, ataca-o pelo lado mais fraco, da mesma maneira, o inimigo da natureza humana, rondando à
volta de nós, observa de todos os lados nossas virtudes teologais, cardeais e morais. Onde nos encontra mais
fracos e mais necessitados quanto à nossa salvação eterna, por ali nos combate e procura tomar-nos.

328 REGRAS PARA O MESMO FIM COM MAIOR

DISCERNIMENTO DE ESPIRITOS

são mais próprias para a segunda semana CXXIII .

329 1ª regra. É próprio de Deus e de seus anjos, em suas moções, dar verdadeira alegria e gozo espiritual,
tirando toda tristeza e perturbação que o inimigo costuma causar. Deste é próprio combater esta alegria e
consolação espiritual com razões aparentes, sutilezas e freqüentes ilusões.

330 2ª regra. Somente Deus pode dar consolação à alma sem causa precedente CXXIV . Porque é
próprio do Criador entrar, sair, causar nela moções, levando-a toda ao amor de sua divina Majestade. Digo
"sem causa", isto é, sem nenhum prévio sentimento ou conhecimento de algum objeto pelo qual venha tal
consolação, mediante seus atos de entendimento e vontade.

331 3ª regra. "Com causa", podem consolar a alma tanto o bom espírito como o mau, mas para fins
contrários. O bom espírito af para proveito da alma, para que cresça e suba de bem a melhor. O mau, para o
contrário, e posteriormente para arrastá-la à sua perversa intenção e malícia.

332 4ª regra. É próprio do espírito mau, que se disfarça em anjo de luz, introduzir-se em conformidade
com a alma devota e sair com proveito dele, isto é, suscitar pensamentos bons e santos, conforme com a tal
alma justa, e depois procurar pouco a pouco atingir seus objetivos, atraindo a alma a seus enganos secretos e
perversas intenções.

333 5ª regra. Devemos atender muito ao curso dos pensamentos CXXV . Se o princípio, o meio e o fim
são todos bons, inclinados inteiramente para o bem, é sinal do bom espírito. Mas se a seqüência dos
pensamentos sugeridos termina em alguma coisa má ou que distrai ou que é menos boa do que a que a pessoa
se propusera anteriormente fazer, ou a enfraquece ou inquieta e conturba tirando-lhe a paz, tranqüilidade e
quietude que antes possuía, então é sinal claro de que provém de mau espírito, inimigo do nosso proveito e
salvação eterna.

334 6ª regra. Quando o inimigo da natureza humana for sentido e reconhecido por sua cauda de serpente
e pelo mau fim a que induz, é útil para a pessoa que foi por ele tentada observar logo a sucessão dos
pensamentos bons que lhe trouxe e o princípio deles. E como, pouco a pouco, procurou fazê-la descer da
suavidade e gozo espiritual em que se encontrava, até levá-la à sua intenção depravada, para que, com essa
experiência conhecida e notada, a pessoa se guarde para o futuro de seus costumeiros enganos.

335 7ª regra. Nos que progridem de bem para melhor, o bom espírito toca a alma doce, leve e
suavemente, como a gota de água que penetra numa esponja. O mau toca-a com dureza, ruído e inquietação,
como a gota de água que cai na pedra.
Aos que procedem de mal a pior, os mesmos espíritos os tocam de maneira inversa. A causa disso está em ser
a disposição da alma contrária ou semelhante a estes espíritos. Pois, quando é contrária, entram com estrépito,
sendo bem notados e sentidos. E quando é semelhante, entram em silêncio, como em sua própria casa de porta
aberta.

336 8ª regra. Quando a consolação é "sem causa", embora não exista nela engano, por proceder
unicamente de Deus nosso Senhor, como se disse, contudo a pessoa espiritual, a quem Deus dá tal consolação,
deve com muita vigilância e atenção considerar e distinguir o tempo propriamente dito da atual consolação,
do tempo seguinte, em que a pessoa continua ardente e favorecida com o benefício da consolação anterior.
Pois muitas vezes, neste segundo tempo, a pessoa, por efeito dos próprios hábitos e em conseqüência das suas
idéias e seus juízos, ou sob a inspiração do bom ou do mau espírito, é levada a diversas resoluções e opiniões,
que não são dadas imediatamente por Deus nosso Senhor. Por isso, é necessário que sejam muito bem
examinados, antes de se lhes dar inteiro crédito ou de serem postos em prática CXXVI .

337 REGRAS

NO MINISTÉRIO

DE DISTRIBUIR ESMOLAS CXXVII

338 1ª regra. Se distribuo esmolas a parentes, amigos ou pessoas às quais me sinto afeiçoado, tenho de
observar quatro coisas, já mencionadas na matéria da eleição (184 185 186 187 ).

A primeira é que o amor que me leva a dar esmolas a essas pessoas desça do alto, do amor de Deus nosso
Senhor, de forma que eu sinta antes em mim que o amor mais ou menos vivo que lhes tenho é por Deus, e que
Deus resplandeça no motivo que me leva a amá-las mais.

339 2ª regra. Imaginarei um homem que nunca vi nem conheci e a quem desejo toda a perfeição no seu
ministério e no seu estado. Farei, nem mais nem menos, aquilo que desejaria que ele fizesse na distribuição
das esmolas, tomando para mim a regra e a medida que desejaria que ele adotasse e que considero meio mais
conforme à maior glória de Deus e à maior perfeição de sua alma.

340 3ª regra. Examinarei, como se estivesse na hora da morte, que maneira de proceder e que medida
desejaria ter adotado no exercício da minha administração. E em conformidade com isto, guardarei a mesma
medida na distribuição das minhas esmolas.

341 4ª regra. Considerando como me acharei no dia do juízo, examinarei bem como desejaria então ter
usado deste ofício e ter desempenhado este ministério. E seguirei agora a mesma regra que quereria ter
seguido, no dia do juízo.

342 5ª regra. Quando alguém se sente inclinado ou afeiçoado a algumas pessoas às quais quer distribuir
esmolas, detenha-se e reflita bem as quatro regras precedentes, examinando e verificando, à luz delas, a sua
afeição. E não dê a esmola até que tenha totalmente tirado de si, conforme a estas regras, a sua afeição
desordenada.

343 6ª regra. Ainda que não haja culpa em aceitar os bens de Deus nosso Senhor para os distribuir,
quando a pessoa é chamada para este ministério, contudo no determinar a proporção e a quantidade do que
deve tomar e reservar para si mesmo ou dar a outros pode haver dúvida de falta ou de excesso. Por isso, pode-
se reformar em sua vida e estado pelas regras precedentes.

344 7ª regra. Pelas razões acima expostas, e por muitas outras, no que concerne à própria pessoa e ao
regime da casa procedermos sempre de uma maneira, tanto melhor e mais segura, quanto mais restringirmos e
reduzirmos os gastos e quanto mais nos parecermos com o pontífice supremo, nossa regra e nosso modelo que
é Cristo nosso Senhor.

Foi em conformidade com esta regra que o 3º concílio de Catargo, CXXVIII ao qual assistiu Santo Agostinho,
determinou e ordenou que a mobília do bispo fosse comum e pobre. Isto deve aplicar-se a todos os estados,
guardadas as proporções e tendo em conta a condição e nível das pessoas. Assim no estado matrimonial temos
o exemplo de S. Joaquim e Sta. Ana que dividiam os bens em três partes: uma, davam-na aos pobres; outra,
ao culto e ao serviço do Templo; e a terceira reservavam-na para a manutenção de si mesmos e de sua família.

345 NOTAS

PARA ENTENDER E SE ORIENTAR


A RESPEITO DE ESCRÚPULOS
E INSINUAÇÕES DO INIMIGO
346 1ª nota. Chamam vulgarmente escrúpulo o que procede do nosso próprio juízo e liberdade, a saber:
quando eu livremente julgo que é pecado o que não é pecado. Assim, por exemplo, acontece que alguém,
depois de ter pisado casualmente uma cruz de palha, julga que pecou. Isto propriamente é juízo errôneo e não
verdadeiro escrúpulo.

347 2ª nota. Depois de eu ter pisado aquela cruz, ou depois de ter pensado ou dito ou feito alguma outra
coisa, vem-me de fora o pensamento de que pequei. E, por outra parte, parece-me não ter pecado. No entanto
sinto com isso perturbação, a saber, enquanto duvido e não duvido. Isto é propriamente escrúpulo e tentação
do inimigo. CXXIX

348 3ª nota. A primeira espécie de escrúpulo mencionada na primeira nota deve ser detestada, porque ela
é falsidade.

Quanto ao outro escrúpulo, indicado na segunda nota, durante algum tempo não é de pequena utilidade para a
pessoa que se dá a exercícios espirituais. Ajuda-a até mesmo muito a limpar-se e a purificar-se, separando-a
inteiramente de toda a aparência de pecado, conforme esta palavra de S. Gregório: "É próprio das almas boas
ver faltas onde as não há" (Bonarum mentium est ibi culpam agnoscere ubi culpa nulla est) CXXX .

349 4ª nota. O inimigo observa muito se a pessoa é relaxada ou delicada. Se é delicada procura torná-la
ainda mais delicada para mais a perturbar e prejudicar. Por exemplo, se vê que uma pessoa não consente em
pecado mortal nem venial nem aparência alguma de pecado deliberado, então o inimigo, que não pode fazê-la
cair em coisa que pareça pecado, procura fazê-la imaginar pecado onde não há, por exemplo, numa palavra ou
num pensamento sem importância.

Se a pessoa é relaxada, o inimigo procura relaxá-la mais. E assim, se antes não fazia caso de pecados veniais,
procurará que dos mortais faça pouco caso. E se antes fazia algum caso, procurará que agora faça muito
menos ou nenhum.

350 5ª nota. A pessoa que deseja aproveitar na vida espiritual, sempre deve proceder de modo contrário
ao do inimigo. Se o inimigo quer relaxar a consciência, procure torná-la delicada. Do mesmo modo, se o
inimigo procura torná-la delicada até ao excesso, a pessoa procure firmar-se solidamente no meio-termo para
tranqüilizar-se totalmente.

351 6ª nota. Quando uma pessoa boa quer dizer ou fazer alguma coisa dentro das normas da Igreja e das
tradições dos nossos maiores, para a glória de Deus nosso Senhor, se lhe vem um pensamento ou tentação de
fora, para que não diga nem faça essa coisa, trazendo-lhe razões aparentes de vanglória ou de outra coisa,
então deve levantar o pensamento a seu Criador e Senhor. E se vê ser um serviço que lhe é devido, ou ao
menos, não lhe é contrário, deve agir de maneira diametralmente oposta contra essa tentação, respondendo-lhe
como S. Bernardo: "Nem por ti comecei, nem por ti acabarei" (Nec propter te incepi, nec propter te finiam).

352 REGRAS

PARA SENTIR ag VERDADEIRAMENTE


COMO SE DEVE NA IGREJA MILITANTE CXXXI

353 1ª regra. CXXXII Renunciando a todo juízo próprio, devemos estar dispostos e prontos a obedecer
em tudo á verdadeira esposa de Cristo Nosso Senhor, isto é, à santa Igreja hierárquica, nossa mãe CXXXIII .

354 2ª regra. Louvar a confissão sacramental e a recepção do Santíssimo Sacramento pelo menos uma
vez por ano, muito mais todos os meses, melhor ainda cada semana, com as disposições devidas que se
requerem (18 ).

355 3ª regra. Louvar a assistência freqüente à missa, como também os cantos, salmos e longas orações
dentro e fora da igreja. Da mesma forma, as horas ordenadas no tempo designado para todo o ofício divino e
para todas as orações e todas as horas canônicas.
356 4ª regra. Louvar muito as ordens religiosas, a virgindade e a continência. E não tanto o matrimônio,
como qualquer destas.

357 5ª regra. Louvar os votos religiosos de obediência, pobreza e castidade e os outros votos de perfeição
voluntária.

É de notar que o voto, tendo por matéria coisas que conduzem à perfeição evangélica, não se pode fazer de
coisas que afastam dela, como de ser comerciante ou de abraçar o estado matrimonial, etc.

358 6ª regra. Louvar relíquias dos Santos, venerando aquelas e rezando a estes, louvar as estações, as
peregrinações, as indulgências, os jubileus, as bulas da cruzada, o costume de acender velas nos templos.

359 7ª regra. Louvar as leis a respeito dos jejuns e abstinências da quaresma, das quatro têmporas, das
vigílias, da sexta-feira e do sábado, assim como as penitências, não só interiores, mas mesmo exteriores.

360 8ª regra. Louvar o zelo pela construção e ornamentação das igrejas. Louvar o uso das imagens, e
venerá-las conforme o que representam.

361 9ª regra. Louvar finalmente todos os preceitos da santa Igreja, e estar disposto para procurar razões
em sua defesa, e nunca para os criticar.

362 10ª regra. Devemos ser mais prontos para aprovar e louvar as diretrizes, recomendações e
comportamento dos nossos superiores (do que para os criticar). Porque, supondo que algumas das suas
disposições não sejam, ou não tenham sido tais (que mereçam elogio), falar contra elas, quer em sermões ao
público, quer em conversas com os simples fiéis, originaria mais críticas e escândalo do que proveito: o povo
viria a irritar-se contra os seus superiores, quer temporais quer espirituais. Todavia, assim como é prejudicial
falar mal dos superiores na sua ausência diante do povo humilde, assim pode ser útil falar dos maus costumes
às pessoas que podem remediá-los.

363 11ª regra. Louvar a teologia positiva e a teologia escolástica. Porque, como é mais próprio dos
doutores positivos, tais como S. Jerônimo, Sto. Agostinho, S. Gregório e outros mover os afetos e levar os
homens a amar e a servir em tudo a Deus nosso Senhor, assim é mais próprio dos escolásticos como Sto.
Tomás, S. Boaventura, o Mestre das Sentenças e outros definir e explicar, conforme as necessidades dos
tempos modernos as coisas necessárias à salvação eterna, e refutar e explicar melhor todos os erros e todas as
falácias. Com efeito, os doutores escolásticos, mais recentes que os primeiros, não somente se servem do
conhecimento da Sagrada Escritura e dos escritos dos santos doutores positivos, mas, esclarecidos e ensinados
pela virtude divina, ajudam-se também dos concílios, dos cânones e constituições da nossa santa Mãe Igreja.

364 12ª regra. Evitemos fazer comparações entre pessoas ainda vivas e os santos que estão no céu.
Porque há muito perigo de nos enganarmos neste ponto; quando dizemos, por exemplo, que este homem é
mais sábio do que Sto. Agostinho, que é um outro S. Francisco ou maior ainda, que é um outro S. Paulo na
bondade, na santidade, etc.

365 13ª regra. Para em tudo acertar, devemos estar sempre dispostos a crer que o que nos parece branco é
negro, se assim o determina a Igreja hierárquica; CXXXIV persuadidos de que entre Cristo Nosso Senhor - o
Esposo - e a Igreja - sua Esposa - não há senão um mesmo Espírito, que nos governa e dirige para a salvação
das nossas almas. Porque é pelo mesmo Espírito e mesmo Senhor, autor dos dez mandamentos, que se dirige e
governa a santa Igreja, nossa Mãe.

366 14ª regra. Embora seja muito verdade que ninguém se pode salvar sem estar predestinado e sem ter a
fé e a graça, contudo precisamos ter muito cuidado na maneira de falar e discorrer sobre este assunto.

367 15ª regra. Habitualmente não devemos falar muito de predestinação. Mas se em alguma ocasião se
falar disso, faça-se de maneira que os simples fiéis não caiam em algum erro. Algumas vezes isso acontece,
quando concluem: "Se já está determinado que me vou condenar ou salvar, não são as minhas ações boas ou
más que hão de mudar esta determinação". E com este raciocínio tornam-se negligentes e descuidam as obras
que conduzem à salvação e ao proveito espiritual das suas almas.

368 16ª regra. Da mesma forma é de advertir que, por falar muito de fé e com muita insistência, sem
nenhuma distinção e explicação, não se dê ocasião ao povo de vir a ser negligente e preguiçoso do obrar, e
isso... quer antes de a fé estar informada pela caridade, quer depois.

369 17ª regra. Igualmente não devemos insistir tanto na graça a ponto de se produzir o veneno que nega a
liberdade. Pode-se com certeza falar da fé e da graça, mediante o auxílio divino, para maior louvor de sua
divina Majestade, mas não de tal forma nem por tais modos, mormente em nossos tempos tão perigosos, que
as obras e o livre-arbítrio sejam prejudicados ou mesmo negados.

370 18ª regra. Embora devamos estimar acima de tudo o serviço de Deus nosso Senhor por puro amor,
devemos contudo louvar muito o temor da divina Majestade. Porque não somente é piedoso e santíssimo o
temor filial, mas até o mesmo temor servil, o qual ajuda muito a sair do pecado mortal, quando o homem não
alcança coisa melhor ou mais útil. E quando sai dele, facilmente o ajuda a alcançar o temor filial, que é
totalmente querido e agradável a Deus, por ser inseparável do divino amor.

APÊNDICE 1

APÊNDICE 2

APÊNDICE 3

ÍNDICE DAS MATÉRIAS

APÊNDICE 1

ORAÇÕES VOCAIS

No nº 253 , Santo Inácio propõe cinco orações vocais para a meditação do exercitante segundo diversos
"modos de orar". São colocadas aqui na ordem em que são enumeradas. Três delas, a Ave-maria, a Anima
Christi e o Pai-nosso são freqüentemente utilizadas nos colóquios dos Exercícios.

PAI-NOSSO

Pai nosso,
que estais no céu,
santificado seja o vosso nome,
venha a nós o vosso reino,
seja feita a vossa vontade
assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje,
perdoai-nos as nossas ofensas
assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.
Não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do mal. Amém.

AVE-MARIA

Ave, Maria,
cheia de graça,
o Senhor é convosco;
bendita sois vós entre as mulheres

e bendito é o fruto do vosso ventre,


Jesus.
Santa Maria.
Mãe de Deus,
rogai por nós pecadores,
agora
e na hora de nossa morte.
Amém.

CREDO

Creio
em Deus,
Pai todo-poderoso,
Criador do céu
e da terra.
E em Jesus Cristo, seu único Filho,
nosso Senhor,
que foi concebido pelo poder do Espírito Santo,
nasceu da Virgem Maria,
padeceu sob Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado;
desceu à mansão dos mortos;
ressuscitou ao terceiro dia,

subiu aos céus,


está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso,
donde há de vir
a julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo,
na Santa Igreja católica,
na comunhão dos santos,
na remissão dos pecados,
na ressurreição da carne,
na vida eterna.
Amém.

ALMA DE CRISTO (ANIMA CHRISTI)

Alma de Cristo, santificai-me.


Corpo de Cristo, salvai-me.
Sangue de Cristo, inebriai-me.
Água do lado de Cristo, lavai-me.
Paixão de Cristo, confortai-me.

Ó bom Jesus, ouvi-me.


Nas vossas chagas, escondei-me.
Não permitais que me separe de vós.
Do inimigo maligno, defendei-me.
Na hora da minha morte, chamai-me.
E mandai-me ir para vós.
Para que vos louve com os vossos santos
Pelos séculos dos séculos.
Amém.

SALVE-RAINHA
Salve, Rainha,
Mãe de Misericórdia,
vida, doçura e esperança nossa, salve!
A vós bradamos, os degredados filhos de Eva.
A vós suspiramos, gemendo e chorando
neste vale de lágrimas.

Eia, pois, advogada nossa,


esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei,
e depois deste desterro,
mostrai-nos Jesus,
bendito fruto de vosso ventre.
Ó clemente,
ó piedosa,
ó doce sempre Virgem
Maria.

APÊNDICE 2

OUTRAS REFERÊNCIAS

Em diversos lugares dos "Exercícios" se faz referência aos mandamentos (238 -243 ), às obras de misericórdia
(351 ), aos pecados capitais (244 -245 ), às faculdades da alma (246 ), aos sentidos do corpo (247 -248 ),
como objeto da meditação do exercitante, segundo os diversos "modos de orar". São colocados aqui, como
ajuda para a memória do exercitante.

OS MANDAMENTOS

Os dez mandamentos da lei de Deus:

1º - Amar a Deus sobre todas as coisas.


2º - Não tomar o seu santo nome em vão.
3º - Guardar domingos e festas.
4º - Honrar pai e mãe.
5º - Não matar.
6º - Não pecar contra a castidade.
7º - Não furtar.
8º - Não levantar falso testemunho.
9º - Não desejar a mulher do próximo.
10º - Não cobiçar as coisas alheias.

Os cinco mandamentos da Igreja:

1º - Ouvir missa inteira nos domingos e festas de guarda.

2º - Confessar-se ao menos uma vez cada ano.


3º - Comungar pela Páscoa da Ressurreição.
4º - Jejuar e abster-se de carne, quando manda a santa Mãe Igreja.
5º - Pagar o dízimo, segundo o costume.

AS OBRAS DE MISERICÓRDIA

As obras de misericórdia espirituais:

1ª - Dar bom conselho.


2ª - Ensinar os ignorantes.
3ª - Corrigir os que erram.
4ª - Consolar os aflitos.
5ª - Perdoar as injúrias.
6ª - Sofrer com paciência as fraquezas do próximo.

7ª - Rogar a Deus pelos vivos e defuntos.

As obras de misericórdia corporais:

1ª - Dar de comer a quem tem fome.


2ª - Dar de beber a quem tem sede.
3ª - Vestir os nus.
4ª - Dar pousada aos peregrinos.
5ª - Visitar os encarcerados.
6ª - Remir os cativos.
7ª - Enterrar os mortos.

OS SETE PECADOS CAPITAIS E AS VIRTUDES OPOSTAS

Os sete pecados capitais:

1º - Orgulho.
2º - Inveja.
3º - Ira.
4º - Avareza.
5º - Luxúria.

6º - Gula.
7º - Preguiça.

As sete virtudes opostas:

1ª - Humildade.
2ª - Caridade para com o próximo.
3ª - Mansidão.
4ª - Generosidade.
5ª - Castidade.
6ª - Temperança.
7ª - Zelo.

AS VIRTUDES

As virtudes teologais:

Fé.
Esperança.
Caridade.

As virtudes cardeais:

Prudência.
Justiça.
Fortaleza.
Temperança.

AS FACULDADES DA ALMA
Memória.
Inteligência.
Vontade.

OS CINCO SENTIDOS DO CORPO

Visão.
Audição.
Olfato.
Paladar.
Tato.

APÊNDICE 3

CONCORDÂNCIA DOS EXERCÍCIOS COM A IMITAÇÃO DE CRISTO, DE KEMPIS*

(*)Números romanos significam livro; números arábicos, capítulo.

(**)Tomado do Manuel des Exercices de Saint Ignace, publicado pelo P. Mercier, Poitiers, 1984.

(***)Maurício Meschler, S.J., Explanación de las meditaciones del libro de los Ejercicios de San Ignacio de
Loyola, Manresa, 1917.

PRIMEIRO MODELO**

Véspera do retiro I, 20; III, 2.


Título dos exercícios I, 6.
Anotações I, 4, 8, 9, 10, 11, 19; III, 3, 26.
Preâmbulo I, 14, 16.
Fim do homem III, 9, 10, 15, 17, 21, 31, 33, 42.
Exame particular II, 5; III, 11, 25, IV, 7.
Exame geral I, 13; II, 6; III, 20, 23, 28, 35, 36, 45.
Comunhão IV, 1-4, 6, 9-17.
O pecado I, 22; III, 40.
O inferno I, 24.
A morte I, 23.
O juízo III, 14.
O filho pródigo I, 25.
O reino de Cristo I, 1; II, 1.
Leitura espiritual I, 5.
Encarnação II, 7, 8.

Nascimento III, 1, 13, 18.


Vida oculta III, 44, 53.
Vida pública I, 15; III, IV.
Duas bandeiras III, 12.
Três classes II, 27, 43.
Três modos de humildade I, 12; II, 2, 3, 11; III, 6, 7, 8, 19, 40, 41, 46, 51.
Eleição II, 4; III, 39.
Correção da vida III, 32, 37, 38, 54.
Terceira semana II, 12; III, 56; 4, 8.
Quarta semana III, 47, 48, 49.
Contemplação para alcançar o amor II, 10; III, 5, 6, 22, 34.
Discernimento de espíritos II, 9; III, 29, 30, 50, 52, 55, 57, 59.

Regras para sentir com a Igreja I, 17, 18; III, 16, 24, 58; IV, 5, 18.

SEGUNDO MODELO***

1ª Semana:

Serviço de Deus III, 9, 10, 22.


Salvação da alma III, 47.
Criaturas II, 4; III, 26, 27, 38, 15, 16, 17.
Pecados III, 4, 8, 52.
Juízo particular I, 21, 20.
Morte I, 23.
Juízo universal e inferno I, 24.
Conversão I, 18, 22, 25.
Misericórdia de Deus III, 8.

2ª Semana:

Reino de Cristo I, 1; II, 1.


Encarnação III, 18.
Nascimento de Cristo III, 23, 24.
Pastores I, 2, 7; II, 4.
Circuncisão I, 6; III, 12.
Apresentação no templo II, 9; III, 16; IV, 8.

Os reis I, 3.
Fuga para o Egito I, 12; III, 15, 17, 25, 30, 39.
Herodes I, 6; II, 3, 6.
Jesus aos doze anos no templo II, 9.
Vida oculta: obediência I, 9; III, 13.
Vida oculta: humildade I, 2, 7; II, 2.
Vida oculta: trabalho I, 15; III, 47.
Vida oculta: progresso I, 3, 11; III, 39.
Despedida de sua Mãe III, 31, 37.
Batismo de Jesus III, 51.
Jejum e tentações I, 13, 20; II, 5; III, 6, 23, 25.
Vocação dos apóstolos III, 22.
Bodas de Caná III, 17, 16.
Purificação do templo III, 36, 46.

Pregação do Salvador I, 3; III, 1, 2, 3, 43.


Submissão a Deus III, 17.
Oração III, 1, 2, 3, 31, 41; IV, 15.
Zelo da glória de Deus III, 36.
Multiplicação dos pães: beneficência I, 15.
Paciência I, 16; III, 12, 19.
Missão dos apóstolos III, 35.
Abnegação I, 8, 11; III, 27, 31, 32, 37, 39, 42, 56.
Conversão de Madalena III, 5, 8, 52.
Milagres no mar: confiança I, 4; III, 57, 59.
Ressurreição de Lázaro II, 7.
Perseguição: últimos ensinamentos III, 46.
Transfiguração II, 10; III, 7, 10.
Entrada triunfal em Jerusalém II, 1; III, 43, 45.
Duas bandeiras III, 23, 53, 54, 55.
Três classes I, 11, 18, 25.
Três modos de humildade III, 18, 41, 42.

3ª Semana:

Tristeza mortal no horto III, 29, 50.


Prisão III, 19.
Perante Caifás II, 2; III, 28.
Negação de S. Pedro III, 7, 57.
Perante Herodes III, 28.
Perante Pilatos III, 36, 46.
Flagelação III, 52.
Coroação de espinhos III, 19.
A cruz às costas II, 12; III, 56.
Amor à cruz II, 11.

4ª Semana:

Ressurreição II, 1; III, 7, 26.


A Virgem III, 1.
As santas mulheres III, 34.
João e Pedro III, 30.
Os discípulos de Emaús I, 10; II, 6.
Madalena II, 8; III, 21, 31.
Tomé II, 10; III, 33.
No mar de Tiberíades III, 24, 30, 34, 58.
Aparição no monte III, 35.
Ascensão III, 48, 49.
Amor a Deus III, 5, 34.

ÍNDICE DAS MATÉRIAS

Indicam-se os números marginais

Abstinência, deve-se louvar, 211 , 359 ; dispõe para receber as inspirações e consolações divinas, 213 ; de
suas maneiras no comer, 212 .

Adições, para a 1ª semana. 73 -90 ; para a 2ª, 130 ; para a 3ª, 206 , 207 ; para a 4ª, 229 ; observem-se com
diligência, 6 , 90 , 130 , 207 ; o equivalente da 2ª adição, 131 ; deve-se interrogar-se o exercitante sobre o seu
cumprimento, 6 ; do exame particular, 27 28 29 30 .

Afeições, examinem-se, 342 ; como vencer as desordenadas, 16 , 155 , 157 ; quais se devem exercitar cada
semana, 74 , 130 , 206 , 207 , 229 .

Alegria, espiritual, origem, 329 , consolação e alegria, 316 , na 4ª semana, 221 , 229 .

Alma (pessoa), como deve proceder contra o demônio, 350 ; mais a satisfaz o que encontra por si, 2 ;
inclinada desordenadamente a uma coisa procure vir ao contrário, 16 .

Amor, em que consiste e como se mostra, 230 -231 ; o amor de Deus move o que faz eleição, 184 ; e ao que
dá esmolas, 338 ; amor e temor filial, 370 ; o espírito de amor nos exercícios, 53 , 61 , 65 , 71 , 97 , 104
, 113 , 114 , 155 , 167 , 184 , 221 , 230 231 232 233 234 235 236 237 .

Anjos (espíritos), tanto os bons como os maus podem consolar a alma, 331 ; o bom inquieta o pecador, 314 e
consola o arrependido, 315 ; trazem verdadeiro gozo espiritual, 329 ; são espada da justiça divina, 60
; celebram o nascimento de Cristo, 264 ; servem-no no deserto, 274 ; um anjo no sepulcro de Jesus, 300 ; o
pecado dos anjos, 50 ; o mau reveste-se de anjo de luz, 332 .

Aplicação, das potências, 45 , 50 ; - de sentidos, 65 66 67 68 69 70 ; 121 122 123 124 125 126 .

Bandeiras, meditação, 136 137 138 139 140 141 142 143 144 145 146 147 ; fim, 135 ; faça-se quatro
vezes, 148 .

Benefícios de Deus, nascem do amor e acendem em nós o amor, 233 .

Benignidade em julgar a opinião do próximo, 22 .

Cânticos, salmos, etc, devem louvar-se, 355 .

Colóquios na oração, como se fazem, 199 ; requerem maior respeito, 3 ; terminam a oração, 63 , 147 , 156 ,
199 ; alguns colóquios especiais, 53 , 61 , 71 , 234 .

Comer e beber, meio-termo, 213 , 217 ; como fazê-lo, 214 , 215 , 216 .

Comodidades do corpo, com que espírito se podem tomar algumas, 229 .

Composição de lugar, como se faz, 47 ; algumas em especial, 47, 91 , 103 , 138 , 151 , 192 , 202 , 220 , 232 .

Comunhão, pertence à 1ª semana, 44 ; freqüente, 44, 354 .

Confissão, pertence à 1ª semana, 44; anual, obrigatória, ib.; deve-se louvar, 354; a geral é útil, mas não
necessária, 44; no fim da 1ª semana, 44; freqüente, 44, 354.

Consolação, em que consiste, 316 ; facilita a contemplação, 13 ; podem dá-la Deus e os seus anjos, 329 330
331 ; a que vem de Deus deve distinguir-se pelos sinais que deixa na alma, 336 ; por ela se pode conhecer a
vontade de Deus, 175 , 176 ; em tempo de consolação guia-nos e aconselha-nos mais o bom espírito, e em
tempo de desolação, o mau, 318 .

Contemplação, faz ter presente, o que estamos contemplando, 114 .

Criaturas, são meio, não fim, 23 ; vingadoras das ofensas feitas ao criador, 60 .

Defeitos particulares, como combatê-los, 24 25 26 27 28 29 30 31 .

Demônio, como age com os que vão de pecado mortal em pecado mortal, 314 ; com os justos, 315 ; forte com
os covardes e débil com os fortes, 325 ; procede como um sedutor, 326 ; e como caudilho que quer vencer e
roubar, 327 ; entra com a alma devota e sai com o seu intento, 332 , 334 ; como procede com a pessoa
relaxada e delicada, 349 ; cada homem tem o seu, 141 .

Desolação, em que consiste, 317 ; dificulta a contemplação, 13 ; causas e remédios, 318 319 320 321 322 .
Desordens próprias, conhecê-las, odiá-las e emendar-se é graça de Deus, 63 .

Deus, comunica-se à alma, 15 ; é solícito da salvação dos homens, 106 , 107 ; está presente nas criaturas, 39 ,
235 ; trabalha nelas, 236 ; é a fonte de todos os bens, 237 ; Deus e seus anjos com a alma justa, 329 ; só Ele
pode consolar sem causa precedente, 330 ; deve-se louvar muito e servi-lo por amor, 370 .

Diretor dos Exercícios, como proceder com o exercitante, 6 ; de que coisas deve informar-se, 17 ; em
particular de consolações e desolações, 6; como tratar o desolado e tentado, 7 ; não induza a uma ou outra
atitude o que faz eleição, 15 .

Exercícios espirituais, que são e para quê, 1 ; devem acomodar-se às diversas classes de homens, 18 19 20 ;
distribuição dos mesmos, 72 , 128 ; número, 129 , 133 ; duração, 4 ; fim dos exercícios na 1ª semana, 4, 48 ,
55 , 63 , 74 , 78 ; ordem e número dos exercícios na 2ª semana, 128 , 159 ; na 3ª semana, 204 ; na 226 -227 .

Exercitante, comece com grande ânimo, 5 ; separe-se de amigos, conhecidos e de todos os cuidados, 20
; não saiba na 1ª semana o que tem de fazer na 2ª, 11 .

Eleição, nos Exercícios. A do fim preceda a dos meios, 169 ; matéria, 170 , 171 ; prepara-se com as
meditaçães da vida de Cristo, 135 , 163 ; mutável e imutável, 171 ; corrija-se a malfeita, 172 . Quem pode
fazer eleição, 174 . Quando começar as meditações para a eleição, 163 ; prelúdio, 169 ; primeiro tempo, 175 ;
por experiência de consolações, 176 ; como fazê-la no 3º tempo, 177 178 179 180 181 182 183 184 185
186 187 188 ; como concluir-se com a oração, 183 ; intenção pura, 169 .

Esmolas: como se devem distribuir, 337 338 339 340 341 342 343 344 ; em particular a parentes e
amigos, 338; em proveito próprio, 343.

Espírito bom, como procede com os que pecam e com os que expiam seus pecados, 314 , 315 ; consola os que
aproveitam, 329 ; o Mau disfarça-se em anjo de luz, 332 ; estilo de um e outro espírito segundo a disposição
da alma, 335 .

Exame geral, matéria e modo, 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 ; da oração, 77 ; particular, 24 25


26 27 28 29 30 31 ; seu fim e matéria em tempo de exercícios, 90 , 160 , 207 .

Graça de Deus, fale-se dela de maneira que não pareça diminuir a liberdade, 369 ; maior e mais meritória
quando é maior a dor atual dos pecados, 44 ; só ela basta, 234 .

História ou prelúdios especiais, 2 , 102 , 137 , 150 , 191 , 201 , 219 .

Hora inteira (uma) dê-se a cada exercício, 12 ; quantas horas diárias de meditação, 72 , 129 , 133 , 205 , 227 .

Humildade, por ela se sujeita o homem a Deus e aos outros, 165 ; nasce do amor à pobreza e aos opróbrios,
146 ; leva a todas as virtudes, ib., é o melhor meio de alcançar devoção 322 ; três graus que preparam a alma
para a eleição, 164 165 166 ; o 3º funda-se no desejo de se parecer com Cristo, 167 ; alcança-se com a
meditação e oração, 168 .

Igreja, rege-a o Espírito Santo, 365 ; devem-se guardar os seus mandamentos, 229 até ao fim, e louvá-los, 361
; é necessário submeter-lhe o próprio juízo, 365.
Indiferença no uso livre das criaturas, 23 ; necessária para a eleição, 179 .

Jesus Cristo. Alguns dos seus ofícios: consolador, 224 ; cumpridor da lei, 278 ; chefe dos bons, 136 137 138
139 140 141 142 143 ; mediador, 63 , 147 ; rei, 91 92 93 94 95 96 97 98 ; a todos convida a imitá-lo,
91 92 93 94 95 96 97 98. Tem de se imitar em qualquer estado de vida, 135 , 146 ; no comer, 214 ; no uso
dos sentidos e faculdades, 248 ; no amor à pobreza e opróbrios, 167 ; nas quatro semanas; nos colóquios, da
1ª, 53 ; na 2ª, o seu reino, 91 92 93 94 95 96 97 98; na doutrina, 146 ; como se acha em paz, 150 151
152 153 154 155 156 157 ; como se deve contemplar a paixão de Cristo, 190 191 192 193 194 195 196
197 198 199 ; a divindade oculta, 196; contemplação de Cristo ressuscitado, 218
219 220 221 222 223 224 225 .

Lágrimas pelos pecados, 55 , 87 ; pela paixão de Cristo, 195 .

Livros úteis para o tempo de Exercícios, 100 .

Lúcifer: seu pecado e castigo, 50 ; caudilho dos inimigos, 136 137 138 . Ver demônio.

Maria, Virgem, Mãe de Deus: anunciação, 102 ; 108 ; 262 ; visita a Santa Isabel, 263 ; vai a Belém, 111 -
112 , 264 ; na circuncisão, 266 ; purificação, 268 ; Egito, 269 ; despede-se de seu Filho, 273 ; Caná, 276 ; Mãe
de S. João no Calvário, 297 ; dores ao pé da cruz, 298 ; soledade, 208 ; 1ª aparição de Cristo ressuscitado, 219
, 299 .

Sua humildade e gratidão, 108 ; é preciso imitá-la no uso dos sentidos, 248 ;
Medianeira, 63 , 147 .

Matéria de contemplação nos Exercícios, 4 .

Meditação (contemplação), deve fundamentar-se na verdade histórica, 2 ; de cada palavra, 252 253 254 255
256 257 . Cf. oração, petição, pontos.

Natividade do Senhor, como contemplá-la, 110 111 112 113 114 115 116 117 .

Noite, as meditações desta hora podem omitir-se às vezes, 129 , 205 , 227 .

Obediência, deve-se à Igreja.

Oblação de si mesmo, 5 , 98 , 234 .

Ocupados, como se lhes podem dar os Exercícios, 19 .

Oração, é exercício espiritual, 1 ; gosto e frutos dela, 2 , 4 ; reverência na mesma, 3 ; perseverança, 12 , 13


; odiada pelo demônio, 12 ; evitar a ansiedade, 26 ; perseverança, 213 ; evitar precipitação, 76 , 255 ; três
modos, 238 -260 ; ver Adições.

P
Pai Eterno, colóquios ao, 63 , 147 ; dá testemunho de Cristo, 273 , 284 .

Pecado mortal e venial, 35 ; posto por obra mais grave que só interno, 37 , 42 ; malícia e gravidade, 57 ; nem
para salvar a vida se deve cometer, 165 ; donde procede sua gravidade e malícia, 56 57 58 59 ; um só
pecado mortal merece castigo eterno, 52 ; o aborrecimento do pecado é graça de Deus, 63 ; modo de orar
sobre pecados capitais, 244 ; evitam-se com as virtudes contrárias, 245 ; como são tantos os que pecam
mortalmente, 314 .

Penitência, de quantas maneiras e como se pratica, 82 83 84 85 86 ; motivos, 87 .

Pensamentos, dois 33 34 35 36 37 ; mérito nos que vêm de fora, ib.; fomentem-se os acomodados aos
diversos exercícios, 78 , 130 , 206 , 229 ; como examinar os próprios, 333 , 334 .

Perfeição em qualquer estado de vida, 135 ; regra de perfeição própria, 185 ; caminho e medida dela, 189 .

Petição antes da oração, na 1ª semana, 48 , 55 , 65 ; na 2ª, 91 , 104 , 139 , 152 ; na 3ª, 193 , 203 ; na 4ª, 221 ;
na contemplação para alcançar o amor, 233 .

Presença de Deus, renovada ao começar a oração, 75 .

Pontos de meditação, dêem-se, 228 ; na vida de Cristo, 261 -312 ; sejam breves, 2 .

Reforma de vida, 189 .

Regras de discernimento de espíritos, quando se devem explicar, 9 , 10 .

Semana, o que se entende por ela nos Exercícios, 4 ; pode encurtar-se, ib., a 1ª pertence à via purgativa, 10 ;
meios, fim e frutos da mesma, 4 ; a 2ª pertence à via iluminativa, 10; como pode encurtar-se ou alongar-se,
162 ; do mesmo modo a 3ª, 209 .

Sentidos corporais, matéria de meditação, 247 .

Sentir internamente, farta e satisfaz mais o que muito saber, 2 .

Tentações - claras, a quem costumam vir, 9 ; sob aspecto de bem, 10 .

Vida ordenada, é o fim dos Exercícios, 1 ; duplo gênero de vida, 135 .

Vésperas, pode assistir a elas com proveito o que faz os Exercícios, 20 .

Vocação ou chamamento de Deus é puro, 172 ; ao estado religioso é de Deus, 15 . - Dos apóstolos, 275 .

Vontade de Deus, deve buscar-se, 1 , 135 . - Do homem ao meditar, 50 , 52 ; às vezes Deus move-a sem que
se possa duvidar, 175 .

Votos de religião, louvá-los, 357 ; o voto é de uma coisa melhor, ib.; não se façam inconsideradamente, 14 ;
aumentam o mérito, ib.