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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTITUTO DE CIÊNCIAS EXATAS E NATURAIS FACULDADE DE MATEMÁTICA CURSO DE

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTITUTO DE CIÊNCIAS EXATAS E NATURAIS FACULDADE DE MATEMÁTICA CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM MATEMÁTICA

CAIRO DIAS BARBOSA

GEOMETRIA FRACTAL: CONTEXTUALIZAÇÃO E APLICAÇÃO NO ENSINO DE SEQUÊNCIAS E PROGRESSÕES GEOMÉTRICAS

MARABÁ

2014

CAIRO DIAS BARBOSA

GEOMETRIA FRACTAL: CONTEXTUALIZAÇÃO E APLICAÇÃO NO ENSINO DE SEQUÊNCIAS E PROGRESSÕES GEOMÉTRICAS

Trabalho de Conclusão de Curso submetido à Universidade Federal do Pará, Faculdade de Matemática, como parte dos requisitos necessários para obtenção do grau de Licenciado Pleno em Matemática.

Orientador: Profº. Dr. Ducival Carvalho Pereira.

MARABÁ

2014

CAIRO DIAS BARBOSA

GEOMETRIA FRACTAL: CONTEXTUALIZAÇÃO E APLICAÇÃO NO ENSINO DE SEQUÊNCIAS E PROGRESSÕES GEOMÉTRICAS

Trabalho de conclusão de curso submetida a avaliação da banca examinadora aprovada pela

Faculdade de Matemática da Universidade Federal do Pará e julgada adequada para a

obtenção do grau de Licenciatura Plena em Matemática.

APROVADO EM 26/ 06 / 2014

CONCEITO: EXCELENTE

BANCA EXAMINADORA:

de Licenciatura Plena em Matemática. APROVADO EM 26/ 06 / 2014 CONCEITO: EXCELENTE BANCA EXAMINADORA: Marabá

Marabá - PA

2014

Dedico a Deus pelo seu imenso amor; a minha mãe, Anezita Maria Dias, por ser uma mulher guerreira que sempre lutou para me garantir educação e a minha esposa, Ana Paula Jardim Silva, por ter estado ao meu lado em grandes desafios e conquistas.

AGRADECIMENTOS

A Deus por todas as vitórias que tenho conquistado e que irei conquistar mediante

a fé que tenho nele.

A minha mãe, Anezita Maria Dias, pelo carinho, cuidados e por estar sempre ao

meu lado nas situações boas e ruins, acreditando na minha capacidade e me dando forças para

lutar contra os desafios da vida.

A minha esposa, Ana Paula Jardim Silva, por sempre orientar e apoiar minhas

decisões, torcendo para que eu alcance meus objetivos. Ao professor Edivan Alves Pereira, ex-coordenador do polo da Universidade

Aberta do Brasil (UAB) em marabá-Pa, que faleceu em março de 2013, nós deixando muitas saudades e boas recordações.

A atual coordenadora, professora Sayonara Dias Vieira, que assim como o seu

antecessor, professor Edvan, desempenha um ótimo papel na coordenação do polo da UAB

em Marabá.

A todos os meus professores, tutores e colegas de curso pelos conhecimentos compartilhados e pelas contribuições em minha formação acadêmica.

A professora Drª. Fernanda Carla Lima Ferreira que me ajudou na elaboração e

publicação de alguns trabalhos acadêmicos como artigos, estimulando dessa forma minha

produção científica. Agradeço também ao meu orientador, professor Dr. Ducival Carvalho Pereira, pelo apoio e orientação na elaboração deste trabalho.

"A Geometria dos Fractais não é apenas um capítulo da Matemática, mas também uma forma de ajudar os Homens a verem o mesmo velho Mundo diferentemente."

Benoit Mandelbrot

RESUMO

Neste trabalho realizamos um estudo acerca da Geometria Fractal, um campo da Matemática que a cada dia vem se desenvolvendo devido sua ampla aplicabilidade no desenvolvimento de novas tecnologias e a possibilidade de descrever formas e fenômenos com comportamentos "aleatórios", que não são possíveis de serem explicados pela Geometria Euclidiana. Os fractais estão presentes por todo o universo natural, dessa forma a Geometria Fractal se apresenta como uma nova maneira de ver e conceber a natureza. Com isso este estudo procura mostrar que não existe apenas a Geometria Euclidiana, mas que há outras como a dos fractais onde é possível perceber a beleza e o valor da Matemática em situações do cotidiano, proporcionando assim um ensino mais prazeroso e instigante nas aulas de Matemática. Na elaboração desta monografia foi realizado um levantamento bibliográfico sobre o assunto, sendo que através do estudo de alguns trabalhos já realizados na área, procurou-se apresentar de forma clara: origem, definições, características, classificações e aplicações dos fractais em diversas áreas. Já para a sua abordagem na Matemática foram realizadas sugestões de atividades para serem desenvolvidas em sala de aula como a construção de alguns dos fractais mais famosos, por meio da manipulação de matérias concretos e aplicação destes no ensino de Sequências e Progressão Geométrica (PG) no ensino médio. Sendo assim mediante este estudo e as propostas de atividades aqui apresentadas, buscou-se: uma metodologia que pudesse abordar de forma menos abstrata os conceitos de Sequências e PG; uma maior interdisciplinaridade da Matemática com outras áreas e a promoção de aulas mais motivadoras, estimuladas principalmente pelas curiosas e belas estruturas dos fractais.

Palavras-chave: Geometria Fractal, Sequências e Progressões Geométricas.

ABSTRACT

In this work we conducted a study on the Fractal Geometry , a field of mathematics that every day are developing due to its wide applicability in the development of new technologies and the possibility of describing forms and phenomena with " random " behaviors , which are not possible to be explained by Euclidean geometry. The fractals are present throughout the natural world , so that the fractal geometry is presented as a new way of seeing and conceiving nature. Thus this study aims to show that there is not just Euclidean geometry ,but there are other more like fractals where you can see the beauty and value of mathematics in everyday situations, thus providing a more pleasurable and exciting teaching in mathematics classrooms . in the preparation of this monograph, a study on the subject was performed considering the origin, definitions , characteristics, classifications and applications of fractals in several areas: , and through the study of some previous work in the area , we tried clearly to demonstrate it. For its approach in Mathematics, suggestions of activities were held to be developed in the classroom as the construction of some of the most famous fractals , through the manipulation of concrete materials and the application of these teaching sequences and Geometric Progression (GP ) in high school . Sit well upon this study and proposed activities presented here , we sought : a methodology that would address less abstractly the concepts of sequences and GP ; greater mathematics interdisciplinarity with other areas and promoting more motivating lessons , mainly stimulated by the curious and beautiful structures of fractals

Keywords: Fractal Geometry, Sequences and Geometric Progressions.

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO

10

2 SEQUÊNCIAS: PROGRESSÕES GEOMÉTRICAS

13

2.1 SEQUÊNCIAS OU SUCESSÃO

13

2.2 SEQUÊNCIAS FINITAS E INFINITAS

13

2.3 LEI DE FORMAÇÃO DE UMA SEQUÊNCIA

14

2.4 PROGRESSÕES GEOMÉTRICAS

14

2.4.1 Classificação das Progressões Geométricas

14

2.4.2 Fórmula do Termo Geral

16

2.4.3 Fórmula da Soma dos Termos de Uma PG Finita

17

2.4.4 Soma dos Termos de uma PG Infinita

18

3

O ESTUDO DOS FRACTAIS

19

3.1 GEOMETRIA EUCLIDIANA

19

3.2 GEOMETRIA FRACTAL

20

3.2.1 Origem da Geometria Fractal

20

3.2.2 Definição de Um Fractal

21

3.2.3 Classificação dos Fractais

22

3.2.3.1 Fractais definidos por sistemas de funções interadas

22

3.2.3.2 Fractais gerados por computador

30

3.2.3.3 Fractais aleatórios

33

 

3.2.4

Dimensão Fractal

35

3.2.4.1

Calculando a dimensão fractal de fractais gerados por função interadas

36

3.2.4.2 Calculando a dimensão fractal de qualquer fractal - método "contagem de caixas"

38

 

3.2.5

Características Fundamentais de um Fractal

40

4

BENOÎT MANDELBROT O "PAI" DOS FRACTAIS

41

6 SUGESTÕES DE ATIVIDADES SOBRE CONSTRUÇÃO E APLICAÇÃO DE

FRACTAIS

NO ENSINO DE SEQUÊNCIAS E PROGRESSÕES

GEOMETRICAS

49

6.1 ATIVIDADE 01 - "JOGO DO CAOS"

49

6.2 ATIVIDADE 02 - FRACTAL TRIÂNGULO DE SIERPINSKI

51

6.3 ATIVIDADE 03 - FRACTAL CARPETE DE SIERPINSKI (TAPETE DE

SIERPINSKI)

55

6.4

ATIVIDADE 04 - FRACTAL CONJUNTO DE CANTOR (POEIRA DE

CANTOR)

58

6.5 ATIVIDADE 05 - FRACTAL CURVA DE KOCK

61

6.6 ATIVIDADE 06 - FRACTAL TRIMINÓ

64

6.7 ATIVIDADE 07 - FRACTAL POR DOBRADURAS E CORTES - FORMA DE

PARALELEPÍPEDO

66

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

71

REFERÊNCIAS

73

10

1 INTRODUÇÃO

No cotidiano é possível visualizar algumas formas que apresentam regularidade e que assim podem ser explicadas pela Geometria Euclidiana como: quadrados, triângulos, círculos, esferas, cubos entre outras que são utilizadas pelos homens em suas construções, como pode ser visto nas ruas, nos prédios, nas praças, nos monumentos, etc. No entanto, olhando ao redor, pode-se perceber que a natureza principalmente se apresenta com formas irregulares e em sua maioria complexas, não sendo possível serem compreendidas pela Geometria de Euclides. No entanto, é possível definir e estudar o formato de uma nuvem, de um relâmpago, de uma folha de árvore, de um vírus, de um câncer ou até mesmo os batimentos do coração quando se utiliza a Geometria Fractal, também conhecida como Geometria da Natureza (TEIXEIRA, 2010). A Geometria dos Fractais, que recebeu esse nome pelo seu iniciador o matemático Benoit Mandelbrot (1924 - 2010) é uma geometria Não Euclidiana que se encarrega do estudo dos fractais que podem ser identificados como objetos, imagens elaboradas por programas computacionais e fenômenos (da natureza, sociais e econômicos) que possuem formas que parecem ser aleatórias, mas se vistos a diferentes escalas não perdem sua definição inicial. Essa característica especial, onde cada uma de suas partes se assemelha ao todo, permite encontrar padrões regulares e organizados dentro de uma aparente irregularidade (MACEDO; FRANCO, 2008). Tal propriedade leva a Geometria Fractal a encontrar-se correlacionada com uma ciência denominada Caos, que procura achar padrões de organização em comportamentos aparentemente aleatórios como, um dos exemplos, a previsão do tempo de uma região (OLIVEIRA, 2008). A ampla aplicabilidade da Geometria Fractal possibilita a conexão com diversas áreas do conhecimento humano e principalmente com outros conteúdos de Matemática como Álgebra, Números Complexos, Geometria Plana, Geometria Espacial, Series, Limites, etc. Todavia segundo Fernandes (2007), mesmo diante dos muitos fatores positivos, a Geometria Fractal ainda é um assunto pouco aproveitado como metodologia de ensino da Matemática. Observa-se que essa geometria não aparece nos livros didáticos e quando aparece é apenas de forma ilustrativa. Um outro fator negativo se deve ao fato de muitos professores nem mesmo terem tido contado com o estudo dos fractais durante sua formação, devido ser um tema recente, em muitos cursos de matemática não consta na grade curricular

11

(NASCIMENTO; SILVA; MACIEL, 2012). Todos estes fatores têm contribuído para que muitos educadores tenham uma certa resistência na abordagem da Geometria Fractal em suas aulas, devido em parte a insegurança. Outro ponto importante a se destacar se deve ao fato do estudo dos fractais estar se tornando cada vez mais relevante nas últimas décadas, sendo utilizada nas mais diferentes áreas como Mineralogia (prospecção de petróleo); Metalurgia (melhoramento de ligas); Fisiologia (estudo de órgão do corpo humano); Geografia (estudo dos litorais); Hidrologia (percurso dos rios); Artes (pinturas); Cinema (construção de cenários artificiais); Música (composição de peças eruditas), entre outras (CARVALHO et al.,1986). Dessa forma, verifica-se a necessidade de que os alunos, ainda no ensino médio, entrem em contato com a Geometria Fractal, que já é estudada e aplicada em diversas ciências. Com o desenvolvimento das tecnologias o ensino também evoluiu, a Matemática como as demais disciplinas deve se adequar a tais mudanças, a atenção do discente deve ser estimulada através de aulas lúdicas, que lhe proporcionem algo de novo e que assim lhe desperte o interesse e a motivação para aprender. Para este fim, deve-se investir na procura de novas metodologias que auxiliem na prática pedagógica do educando pois o conhecimento a ser trabalhado deve ser significativo, aplicável e interdisciplinar (MACEDO; FRANCO,

2008).

Ministrar uma aula com situações novas e conteúdos atuais e reais, onde o aluno possa relacionar aquilo que visualiza com o que estuda, de forma a perceber a beleza e o valor da Matemática no seu dia a dia, torna o ambiente favorável à aprendizagem (VEJAN; FRANCO 2009). Com isso procura-se mostrar que a Matemática não se resume apenas na resolução de cálculos e desenvolvimento de fórmulas, mas que também pode ser uma maneira de compreender a natureza além de levar o aluno também a perceber que na Matemática ainda há muito a ser descoberto e que para tal depende o desenvolvimento dos mais diversos campos do conhecimento humano (TEIXEIRA, 2010). Pensando nisso, este trabalho apresenta um estudo sobre os fractais abordando conceitos básicos, características, processos de construção e maneiras de aplicá-los nos conteúdos de Sequências e Progressões Geométricas no Ensino Médio. A escolha destes conteúdos se deve ao fato de possibilitarem o estudo e a compreensão dos efeitos de cada interação dos fractais matemáticos que serão descritos no Capítulo 6. Objetiva-se assim contribuir para uma melhoria no ensino de Matemática do ensino médio, possibilitando ao aluno perceber através da Geometria Fractal, a beleza e o valor da Matemática em situações cotidianas. Propondo uma aula com situações novas, onde

12

o educando possa fazer relações entre o que visualiza e o que estuda (Sequências e Progressões Geométricas), tornando o acontecimento em sala de aula favorável a aprendizagem ao estabelecer relações entre a Matemática dos fractais com a natureza e diferentes áreas do conhecimento. Com o intuito de alcançar tais objetivos este trabalho de aplicação teórica apresenta seus capítulos organizados da seguinte maneira:

No capítulo 2 é realizado uma breve explanação dos conteúdos de Sequências e Progressões Geométricas, áreas que serão trabalhadas em paralelo com a Geometria Fractal.

O capítulo 3 detalha as diferenças entre a Geometria Euclidiana e a Geometria

Fractal, mencionando seus iniciadores e o campo de estudo de cada uma. Ainda nesse capítulo são apresentados os fractais clássicos, suas características, definições gerais, categorias de fractais e a ideia de Dimensão Fractal.

No capítulo 4 é apresentado uma biografia de Benoit Mandelbrot, matemático que nomeou e divulgou a Geometria Fractal. No capitulo é relatado sua trajetória desde a infância como fugitivo da perseguição nazismo ao estudo e desenvolvimento da Geometria Fractal. No capítulo 5, é apresentado alguns exemplos do emprego dos fractais em diferentes áreas como na medicina, no desenvolvimento de novas tecnologias na Teoria do Caos, entre outras.

O capítulo 6, trata de sugestões de aplicações da Geometria Fractal nos assuntos

de Sequências e Progressões geométricas, por meio de atividades lúdicas, que visam a obtenção de alguns fractais determinísticos construídos através da manipulação de materiais concretos.

No capitulo 7, são realizadas as considerações finais, onde são apresentadas novas propostas de aplicação da Geometria Fractal em conjunto com outros conteúdos de matemática, afim de promover sua inserção nas aulas de matemática do ensino médio.

13

2 SEQUÊNCIAS: PROGRESSÕES GEOMÉTRICAS

a

Geométricas, são baseados nas obras de Iezzi e Hazzan (2006) e Dante (1999).

Os

conceitos

descritos

seguir

referente

a

Sequências

2.1 SEQUÊNCIAS OU SUCESSÃO

e

Progressões

Todo

conjunto

de

elementos,

numéricos

ou

não,

determinada é chamado de sequência ou sucessão.

Em uma sequência, o primeiro elemento é indicado por

enésimo elemento por

a

n

a

1

= 1º termo (posição 1)

a

2

=

2º termo (posição 2)

a

3

=

3º termo (posição 3)

a

n

=

nº termo (posição n)

a

1

,

a

2

,

a

3

,,

a

n

,

e assim sucessivamente:

2.2 SEQUÊNCIAS FINITAS E INFINITAS

colocados

numa

a 1 , o segundo por

ordem

a

2

, o

De acordo com o número de elementos de uma sequência, ela pode ser finita ou

infinita.

Exemplos:

1º) 1, 2, 3, 4, 5, 6,12é a sequência (finita) dos divisores inteiros positivos de 12 dispostos

em ordem crescente.

2º) 2, 4, 6, 8,, 2i,é a sequência (infinita) dos múltiplos inteiros positivos de 2.

3º) 2, 3, 5, 7,11,é a sequência (infinita) dos números primos positivos.

14

2.3 LEI DE FORMAÇÃO DE UMA SEQUÊNCIA

Interessam à Matemática as sequência em que os termos se sucedem obedecendo a certa regra, isto é, aquelas que têm uma lei de formação, que possibilitam explicitar todos os seus termos. Exemplos:

A sequência a 2 n 1, n

n

para

para

para

para

n

n

a 2 2 .1 . 2   1 1   1;

  a

1

2

1

2

3;

n

3

a

3

2 . 3

 

1

5;

n

4

  a

4

2 . 4

 

1

7,

, é dada por:

etc.

Portanto, a sequência é 1, 3, 5, 7,, ou seja, a dos números naturais ímpares.

2.4 PROGRESSÕES GEOMÉTRICAS

Chama-se progressão geométrica uma sequência dada pela seguinte fórmula de

recorrência:

  a

1

a

n

a

a

n

1

.

q

,

 

n

IN n

,

2

Em que a e q são números reais dados.

Assim, uma PG é uma sequência em que cada termo, a partir do segundo, é o produto do anterior por uma constante q dada.

2.4.1 Classificação das Progressões Geométricas

As progressões geométricas podem ser classificadas em cinco categorias:

1ª) crescentes - São as PG em que cada termo é maior que o anterior. Ocorre de duas formas:

a) PG com termos positivos

a

n

a

n 1

a

a

n

n

1

1

 

1

Exemplo:

15

b) PG com termos negativos

a

n

a

n 1

0

 

a

n

a

n

1

Exemplo:

  

1

0

q

1

81, 27, 9, 3,em que a  81

1

e

q

1

3

2ª) constantes - São as PG em que cada termo é igual ao anterior. Ocorre de duas formas:

a) PG com os termos todos nulos

a

1

0

e

q qualquer

b) PG com os termos iguais e não nulos

a

n

a

n 1

a

n

a

n 1

1

 

q

Exemplo:

9, 9, 9, 9,em que a 9

1

1

e q 1

3ª) decrescente - São as PG em que cada termo é menor que o anterior. Pode corre de duas maneiras:

a) PG com termos positivos

a

n

2,

a

n 1

0

 

a

n

a

n 1

  

1

0

q

Exemplo:

2

2

2

3

,

9

,

27

,

em que

a

1

2

e

1

q

1

3

b) PG com termos negativos

a

n

a

n 1

a

n

a

n

1

1

 

q

1

Exemplo:

1, 3, 9, 27,em que a  1

1

e q 3

4ª) alternantes são as P.G em que cada termo tem sinal contrário ao do termo anterior. Ocorre quando q 0 .

Exemplo:

5, 50, 500, 50000,em que a 5

1

5ª) estacionárias são as PG em que

a

1

0

e q 10

e

a

1

a a

3

4

0

. Isso ocorre quando q 0 .

16

Exemplo:

7, 0, 0, 0,em que a 7

1

e q 0

2.4.2 Fórmula do Termo Geral

Utilizando a fórmula de recorrência pela qual se define uma PG e admitindo

dados o primeiro termo

a

1

0

, a razão q 0e o índice nde um termo desejado, temos:

a 2

a 3

a 4

a n

. q

a

1

  a a

2

3

. . q q

.

a

n 1

q

Multiplicando essas n 1 igualdade, temos:

a  . a . a

2

3

4

a

n

a

1

.

a  . a . a a

2

3

4

n

1

.

q

n 1

cancelam-se

Desse modo encontramos o termo de ordem n , denominado termo geral de uma PG, que é dado por:

Nessa fórmula:

a

a

n

1

termo geral

1º termo

n número de termos (até

q razão

a

n

a

n

)

a

1

.

q

n 1

17

2.4.3 Fórmula da Soma dos Termos de Uma PG Finita

Quando

q 1, todos os termos da PG são iguais a

a

1

; então

S n . a

1

.

Por

exemplo, na PG 4, 4, 4, 4, 4, 4, 4a soma de seus termos é:

S 7 . 4 28

Vejamos agora a soma dos termos de uma PG finita quando q 1.

Consideremos a PG finita

termos:

S a

1

a

2

a

3

a

n

1

a

n

(I)

(

a

1

,

a

2

,

a

3

,

,

a

n

1

,

a

n

)

e seja

S

n

a soma

de

seus

Vamos multiplicar os dois membros dessa igualdade pela razão q , obtendo:

q

.

S

S

n

ou

q

q

.

n

. S

S

n

n

(

q

a q

1

.

a

2

a

2

a

3

a  q a  q

2

.

3

.

a

3

a

4

a

4

a

n

a

n

.

a  q

n

1

.

a

n

a

q

(II)

n

Fazendo (II) - (I), temos:

S

n

1)

a

2

a

n

.

a

q

3

a

n

a

1

a

n

.

q

a

1

a

2

.

q

a

3

a

n

q

.

S

n

S

n

a

n

.

q

a

1

Fórmula que nos permite calcular a soma dos termos de uma PG finita quando

q 1.

S

n

a

n

.

q

a

1

q 1

, para q 1

Podemos chegar a outra fórmula para o mesmo cálculo da soma dos termos de uma PG finita de razão q 1

Vimos que

S

n

a

n

. q

a

1

q 1

. Como

a

n

a

1

. q

n 1

, temos:

18

S

n

 

n

1

n

1



1

n

q

n

1

a

1

.

q

.

q

a

1

a

1

.

q

a

1

a

1

.

q

a

1

a

1

 

q

1

 

q

1

 

q

1

 

q

1

 

q

n

 
 

S

 

a

1

 

1

, para q 1

 

 

n

1

 
 

q

 

2.4.4 Soma dos Termos de uma PG Infinita

Dada a PG infinita

a

1

,

a

2

,

a

3

,

de razão q , q 0 , para determinar a soma S

dos seus infinitos termos, temos:

a) se q 1 ou q 1 | q |1, S tende a  ou  (o que significa que é impossível determinar S); b) 1q 1(| q |1), S converge para um valor finito.

A partir da fórmula da soma dos n primeiro termos de uma PG,

S

n

n

q

1

a

1

1

q

,

temos que, quando n tende a

a

1

S

0

e| q |1, é:

a 1

0

1

a

1

a

1

q

1

 

q

1

1 q

, q

n tende a zero, portanto, a fórmula para calcular S , com

S

a

1

1 q

19

3 O ESTUDO DOS FRACTAIS

3.1 GEOMETRIA EUCLIDIANA

A geometria é uma área da Matemática preocupada com o estudo relacionado a forma, tamanho e posição relativas de figuras no espaço. Estudiosos da área acreditam que este ramo da Matemática surgiu no antigo Egito, no vale do rio Nilo, devido suas cheias. Como todo o ano o rio alagava as áreas de terras que ficavam as suas margens, eram enriquecidas com nutrientes da lama levada pelas águas, isso tornava as terras de cultivo as mais férteis e cobiçadas da época, porém o fator negativo se dava ao fato do rio destruir as demarcações físicas que dividiam as propriedades o que gerava conflitos pela posse da terra (BRAZ, 2009). Com o intuito de estabelecer fronteiras entre as propriedades existentes atingidas pelas inundações, os faraós nomeavam funcionários agrimensores para estabelecer tais limites. Dessa forma surgiu a palavra geometria derivada do grego geo = terra + metria = medida, ou seja, “medir terra”. Os egípcios além de usar a geometria na agricultura, também a usava na construção de pirâmides e casas (na engenharia) entre outras, com isso a geometria originou-se de mensuração, ou seja, da necessidade de algo ser medido (NIEDERMEYER; KOEFENDER; ROOS, 2009). Os postulados de Euclides na geometria impulsionaram o estudo dos planos e das três dimensões e deram origem a Geometria Euclidiana, em homenagem a esse estudioso que organizou a matéria de um modo sistemático a partir de princípios e definições, desenvolvendo os procedimentos por meio de deduções, associando à primeira concepção da geometria como conjunto sistematizado e lógico de propriedades (TEIXEIRA, 2010). Os cincos postulados de Euclides registrados na sua obra mais influente "Os Elementos" escrita a aproximadamente 300 a.C. diz o seguinte:

I. Pode-se traçar uma (única) reta ligando dois pontos;

II. Pode-se prolongar (de uma única maneira) uma reta finita continuamente em uma linha reta;

III. Pode-se traçar um circulo com centro qualquer e raio qualquer;

IV. Todos os ângulos retos são iguais;

V. Se uma reta, interceptando duas outras, forma ângulos internos de um mesmo

lado cuja soma é menor que dois retos, então estas duas retas, se prolongadas indefinidamente, se encontram naquele lado cuja soma dos ângulos internos é menor que dois retos (BRAZ,2009, p 12).

20

Dentre os postulados de Euclides o quinto postulado tornou-se alvo de críticas na época e durante 2000 anos muitos matemáticos tentaram demonstrá-lo. Das tentativas frustradas de mostrar através dos quatros primeiros postulados que o quinto era na verdade um teorema foi fator preponderante para o surgimento das geometrias Não Euclidianas (BARRETO; TAVARES, 2005). No presente verifica-se que são as geometrias Não Euclidianas (geometrias que não satisfazem um ou mais dos postulados de Euclides) que resolvem os muitos problemas do dia a dia e do campo da Ciência e não a Geometria Euclidiana. Como exemplo destas geometrias podem ser citadas: a Geometria Hiperbólica; a Geometria Elíptica; a Geometria Projetiva; a Topologia e a Geometria dos Fractais (VEJAN; FRANCO, 2009).

3.2 GEOMETRIA FRACTAL

3.2.1 Origem da Geometria Fractal

A Geometria Fractal fará com que você veja as coisas diferentes. É perigoso ler mais. Você arrisca perder a visão infantil de nuvens, florestas, flores, galáxias, folhas, penas, rochas, montanhas, torrentes de água, tapetes, tijolos e muito mais. Nunca mais você interpretará estes objetos da mesma forma (BARNSLEY apud JANOS, 2008, p. IX).

A Geometria Fractal como observado faz parte das geometrias Não Euclidianas e

estuda as entidades geométricas, denominadas fractais, que são conjuntos cujas formas são

extremamente irregulares ou fragmentadas e que têm essencialmente a mesma estrutura em todas as escalas, ou seja, cada uma de suas partes representa cópias reduzidas do todo (MACEDO; FRANCO, 2008). Os Fractais são gerados pela repetição de um mesmo processo periódico, apresentando autossemelhança e complexidade infinita (OLIVEIRA, 2008).

O nome fractal foi utilizado pela primeira vez em 1975, por Bernoit Mandelbrot,

considerado o pai dos fractais. Quando preparou seu primeiro trabalho para ser publicado, este

precisava de um nome para rotular suas formas, suas dimensões e geometrias. Ao folhear um dicionário em latim do seu filho, se deparou com o adjetivo fractus, do verbo, frangere,

quebrar, fraturar. "A associação com os principais cognatos ingleses - fracture e fraction - parecia adequada. Mandelbrot criou a palavra (substantivo e adjetivo, inglês e francês) fractal" (GLEICK, 1989, p. 93).

A importância da contribuição de Benoit Mandelbrot deve-se ao fato deste

estudar os fractais com base nas suas habilidades em geometria e assim, aperfeiçoar técnicas

21

de estudo, definir estruturas, propriedades e aplicações (NOVAKI; BARANKIEVICZ; SILVA, 2012). Uma observação a se fazer é que o matemático polonês não descobriu os fractais, mas apenas difundiu e nomeou os estudos em que se dedicou e que veio a proporcionar maiores conhecimento na área da geometria. Inclusive este se apoiou nas pesquisas de cientistas que já haviam realizados estudos acerca destes objetos geométricos, porém sem dar muita importância ou chegar a nenhuma conclusão exata, como os matemáticos Georg Cantor (1845-1918) e David Hilbert. Até mesmo na Grécia Homérica, Índia e China estes já eram conhecidos como “monstros matemáticos” por volta do século XX (NIEDERMEYER; KOEFENDER; ROOS, 2009). Conforme observam de Vejan e Franco (2009):

Embora não aparentem, os fractais podem ser encontrados em todo o universo natural e em quase toda ciência, desde os aspectos das nuvens, montanhas, árvores, brócolis, couve-flor, relâmpagos, até a distribuição das galáxias, como na arte e na Matemática."

No entanto, somente há poucos anos, com o desenvolvimento e aprimoramento dos computadores, a Geometria Fractal vem se confirmando (NIEDERMEYER; KOEFENDER; ROOS, 2009). Estas formas facilmente visíveis na natureza não tinham valor científico até que Mandelbrot, fazendo uso de computadores, desenvolvesse e apurasse técnicas para o estudo e aproveitamento dos fractais, que se tornaram de importância inquestionável para o estudo de outras disciplinas (FERNANDES, 2007).

3.2.2 Definição de Um Fractal

Desde o surgimento dessa nova geometria, diversos estudiosos no assunto se propuseram a elaborar uma definição adequada aos fractais, no entanto, o conceito de fractal ainda têm muito a ser discutido dado as suas peculiaridades e abrangência de exemplos. Conforme Barbosa, (2005, p. 19) alguns autores renomados em suas obras conceituarão os fractais da seguinte forma:

Mandelbrot e seu primeiro conceito de fractal - "Um fractal é por definição, um conjunto para o qual a dimensão Hausdorff-Besicovitch excede estritamente a dimensão topológica." J. Feder - "Um fractal é uma forma cujas partes se assemelham ao seu todo sob alguns aspectos". K.J.Falconer - "Um conjunto F é fractal se, por exemplo: (1) F possui alguma forma de "autossimilaridade" ainda que aproximada ou estatística; (2) a dimensão fractal, definida de alguma forma, é maior que dimensão topológica; (3) o conjunto F pode ser expresso através de um procedimento recursivo ou interativo."

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Com base nas definições supracitadas, percebe-se a dificuldade em se conceituar de maneira formal o que chega a ser fractais, no entanto, levando em consideração a sua utilização na educação, pode-se apresentar conceitos mais simples, de forma a uma fácil compreensão e entendimento, para isso, basta levar em consideração a característica mais marcante dos fractais, a autossimilaridade (BARBOSA, 2005). Dessa forma, visando uma abordagem mais didática pode-se dizer que:

“Os fractais são formas geométricas que repetem sua estrutura em escalas cada vez menores” (STEWART, 1996, p. 12).

"Quando variamos a 'escala de observação', dentro de certos limites e continuamos a encontrar o mesmo tipo de geometria dizemos estar diante de uma estrutura fractal" (RICINERI, 1990, p. 84).

3.2.3 Classificação dos Fractais

Para fins didáticos, a fim de facilitar o reconhecimento das características e propriedades dos fractais, segundo Rabay (2013), levando em consideração a forma como o fractal é gerado e o grau de autossimilaridade que nele se observa, estes objetos geométricos podem ser classificados em três categorias principais: fractais definidos por sistemas de funções interadas, fractais definidos por uma relação de recorrência (por computador) e fractais aleatórios.

3.2.3.1 Fractais definidos por sistemas de funções interadas

São fractais gerados por processos matemáticos interativos (construídos a partir da interação de figuras geométricas), dessa forma a principal característica destes fractais é a autossemelhança exata, onde o conjunto total é formado por pequenas réplicas fiéis delas mesmas. Estes fractais são conhecidos como geométricos, matemáticos ou determinísticos (FERNANDES, 2007). Segundo Barbosa (2005) os fractais determinísticos ainda podem ser divididos em subcategorias de acordo com a forma de construção, como: (I) Fractal pela fronteira; (II) Fractal por remoção; (III) Fractal tipo Dürer e (IV) Fractal tipo árvore. (I) Fractal pela fronteira - São construídos a partir da substituição de uma determinada parte pelo seu gerador, tendo como resultado o aumento do comprimento ou da

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área destes fractais que aumentam a cada nova interação, como exemplo, temos a Curva de Koch (RABAY, 2013).

A Curva de Koch é um dos primeiros fractais a serem descritos, sendo

mencionado pela primeira vez em uma artigo publicado em 1906 pelo matemático sueco

Helge Von Kock (NOVAKI; BARANKIEVICZ; SILVA, 2012). Esta curva geométrica que não tem tangente em nenhum ponto causou uma crise no cálculo, ao mostrar que uma curva embora contínua, não é diferenciável em qualquer um de seus pontos (JANOS, 2008). A Figura 3.2.3.1.1, mostra a Curva de Koch.

Na construção da Curva de Koch segue-se as seguintes etapas:

Desenhe um segmento de reta com comprimento unitário;

Divida o segmento em três partes de mesmo tamanho e retire a parte central;

Na parte central retirada, construa um triangulo equilátero e retire sua base;

Como esse procedimento pode ser realizado indefinidamente, repita o procedimento quantas vezes for necessário.

Nível 0

Nível 1

Nível 2

Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4 Nível 5

Nível 3

Nível 4

Nível 5

Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4 Nível 5

Figura 3.2.3.1.1 - Curva de Koch com 5 iterações. Fonte: Rabay (2013).

A Curva de Koch mostra a principal característica dos fractais definidos por

sistemas de funções iteradas, como visto na sua construção qualquer parcela, por menor que seja, segue o processo de construção das parcelas maiores, dessa forma o fractal se torna

invariante à escala na qual o mesmo é observado, a autossemelhança de suas partes é tanta que mesmo utilizando um microscópio para visualizar as ranhuras progressivamente menores da curva de Koch não seria possível descobrir o grau de ampliação usado no microscópio (SANTOS; NETO; SILVA, 2007). Como mais exemplos de fractais definidos pela fronteira tem-se: O Floco de Neve de Koch, A Curva de Peano e a Curva de Hilbert. Estes fractais podem ser visualizados respectivamente nas Figuras 3.2.3.1.2, 3.2.3.1.3, 3.2.3.1.3 e 3.2.3.1.4

24

O Floco de Neve de Koch (FIGURA 3.2.3.1.2), também conhecido como Ilhas de Kock, tem processo de construção semelhante a Curva de Kock, porém em vez de começar com um segmento de reta inicia-se com um triângulo equilátero, onde em cada um dos seus lados é construído sua Curva de Kock.

Nível 0

Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4 Nível 5

Nível 1

Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4 Nível 5

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Nível 5

Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4 Nível 5

Figura 3.2.3.1.2 - Floco de Neve de Koch com 5 interações. Fonte: Santos, Neto e Silva (2007).

Na construção da Curva de Peano (FIGURA 3.2.3.1.3) inicia-se com um segmento de reta. Deve-se substituir esse segmento por uma curva de 9 segmentos de medida igual a 1/3 do comprimento do segmento inicial, esse é o primeiro nível do fractal. O método é realizado sucessivamente, sempre substituindo cada segmento anterior pela curva de 9 segmentos.

Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4
Nível 0
Nível 1
Nível 2
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Nível 4

Figura 3.2.3.1.3 - Curva de Peano com 4 interações. Fonte: Zavala (2007).

Na Curva de Hilbert a figura primitiva é um quadrado unitário dividido em quadro quadrados; o nível 1 da curva é composta de 3 segmentos consecutivos com extremos nos seus pontos centrais, para o nível seguinte deve-se substituir cada quadrado por novos 4 quadrados com a mesma construção da curva iniciadora, conectando cada curva parcial com um segmento na mesma ordem dos anteriores, e proceder assim sucessivamente conforme mostrado na figura 3.2.3.1.4.

Nível 0

Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4 Nível 5

Nível 1

Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4 Nível 5

Nível 2

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Nível 4

Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4 Nível 5

Nível 5

Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4 Nível 5

Figura 3.2.3.1.4 - Curva de Hilbert com 5 interações. Fonte: Teixeira (2010).

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(II) Fractal por remoção - São fractais construídos a partir da remoção de partes do mesmo de forma interativa, sendo que tais interações são matematicamente ditas infinitas. Como exemplo de fractal por remoção temos o Triângulo de Sierpinski também conhecido como Cesta de Sierpinski (BARBOSA, 2005). O Triângulo de Sierpinski foi criado em 1916, pelo matemático polonês Waclav Sierpinski (1882-1969). Trata-se de um fractal formado a partir de um triângulo equilátero em que, através dos pontos médios de seus lados, inscreve-se um outro triângulo equilátero invertido, gerando assim, quatro triângulos congruentes em seu interior de lados iguais a metade do triângulo anterior. Remove-se a área do triângulo central e, em cada um dos triângulos não eliminados, repete-se as mesmas construções anteriores. Este procedimento continua infinitamente, originando o Triângulo de Sierpinski (FIGURA 3.2.3.1.5), cuja área vai ficando cada vez menor (TEIXEIRA, 2010).

Nível 0

Nível 1

Nível 2

Nível 3

Nível 4

Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4
Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4
Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4
Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4
Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4

Figura 3.2.3.1.5 - Triângulo de Sierpinski com 4 interações. Fonte: Niedermeyer, Koefender e Roos (2009).

Como mais exemplos de fractais definidos por remoção, tem-se: Tapete de Sierpinski, Pirâmide de Sierpinski, Esponja de Menger e o Conjunto de Cantor. Estes fractais podem ser visualizados respectivamente nas Figuras 3.2.3.1.6, 3.2.3.1.7, 3.2.3.1.8 e 3.2.3.1.9. Para a construção do Tapete de Sierpinski (FIGURA 3.2.3.1.6), deve-se partir de um quadrado, dividi-lo em nove pequenos quadrados congruentes e eliminar o central. Em seguida, aplicar esse mesmo processo em cada um dos 8 quadrados restantes de maneira sucessiva e interativa.

Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4
Nível 0
Nível 1
Nível 2
Nível 3
Nível 4

Figura 3.2.3.1.6 - Tapete de Sierpinski com 4 interações. Fonte: Rabay (2013).

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A Pirâmide de Sierpinski (FIGURA 3.2.3.1.7), é gerado a partir de um tetraedro,

onde são removidos os volumes centrais de cada face do tetraedro constituídos por tetraedros

semelhantes e com aresta medindo 1/2 da aresta do tetraedro inicial.

Nível 0

Nível 1

Nível 2

Nível 3

Nível 4

Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4

Figura 3.2.3.1.7 - Pirâmide de Sierpinski com 4 interações. Fonte: Rabay (2013).

Na construção da Esponja de Menger (FIGURA 3.2.3.1.8), considere um cubo e divida-o em 27 cubos usando planos secantes ortogonais às faces. Esses cubos devem ter arestas de 1/3 da aresta do cubo que está sendo dividido. Retire o cubo do centro e os cubos centrais da face, esse é o primeiro nível de interação. O procedimento deve ser repetido sucessivamente nos cubos que restam a cada nova interação.

Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3
Nível 0
Nível 1
Nível 2
Nível 3

Figura 3.2.3.1.8 - Esponja de Menger com 3 interações. Fonte: Teixeira (2010).

O Conjunto de Cantor (FIGURA 3.2.3.1.9), é uma poeira de pontos obtida a partir

de um segmento inicial, onde retira-se o terço médio; depois, retira-se o terço médio dos

segmentos restantes continuando o processo indefinidamente.

segmentos restantes continuando o processo indefinidamente. Figura 3.2.3.1.9 - Conjunto de Cantor com 5 interações.

Figura 3.2.3.1.9 - Conjunto de Cantor com 5 interações. Fonte: Rabay (2013).

27

(III) Fractal tipo Dürer - são fractais construídos a partir de interações feitas em

polígonos regulares com a inscrição de novos polígonos semelhantes ao inicial e que devem

ficar igualmente espaçados. O fractal tipo Dürer, tem esse nome em homenagem ao pintor

alemão Albrecht Dürer (1471-1528), que empregava a ideia de proporção e geometria em sua

arte, sendo assim, um dos primeiros artistas que elaborou objetos fractais, utilizando

polígonos regulares (PEREIRA, 2013). Como exemplo dessa variedade de fractal, têm-se o

fractal hexagonal tipo Dürer.

O Fractal hexagonal tipo Dürer é um fractal onde seu iniciador é um hexágono

regular que irá sofrer interações matemáticas através da inscrição de novos hexágonos que

seguem um padrão regular de construção.

Conforme Barbosa (2005), na construção do Fractal hexagonal tipo Dürer

(FIGURA 3.2.3.1.10), segue-se as seguintes etapas:

Constrói-se seu iniciador, que no caso será um hexágono regular grande;

Seja AB um de seus lados. Ponha hexágonos regulares menores I e II em cada um

dos extremos A e B, de tal maneira dispostos que um de seus ângulos coincida

com o ângulo do hexágono inicial, sendo que I e II tenham um vértice em comum;

Nos demais lados deve-se repetir o mesmo procedimento, com isso forma-se 6

(seis) hexágonos regulares e ao centro surge consequentemente um polígono

regular estrelado;

Remove-se os triângulos intermediários e o polígono estrelado central, obtendo-se

assim o nível 1 do fractal.

Repetindo a operação em cada hexágono do nível anterior sucessivamente, obtém-

se o fractal Hexagonal Tipo Dürer.

Nível 0

Nível 1

Nível 2

Nível 3

Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3
Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3
Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3
Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3

Figura 3.2.3.1.10 - Fractal hexagonal tipo Dürer com 3 interações. Fonte: Gomes (2007).

Como mais exemplos de fractais tipo Dürer, temos: Fractal pentagonal tipo Dürer

e Fractal octogonal. Estes fractais podem ser visualizados respectivamente nas Figuras

28

Na construção do Fractal pentagonal tipo Durer (FIGURA 3.2.3.1.11) , considera- se um pentágono regular, em cada um dos seus vértices, construa um pentágono de forma que

o ângulo deste coincida com o ângulo do pentágono regular inicial e ainda com a condição de

que os pentágonos que estão sobre a mesma aresta do pentágono inicial tenham um vértice em

comum. Deve-se remover o pentágono central da figura e os triângulos que se formam entre os pentágonos. O procedimento deve ser repetido interativamente e sucessivamente.

Nível 0

Nível 1

Nível 2

Nível 3

Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3

Figura 3.2.3.1.11 - Fractal pentagonal tipo Dürer com 3 interações. Fonte: Rabay (2013).

Na construção do Fractal octogonal tipo Durer (FIGURA 3.2.3.1.12) , considera- se um octógono regular, em cada um dos seus vértices, construa um octógono de forma que o ângulo deste coincida com o ângulo do octógono regular inicial e ainda com a condição de que os octógonos que estão sobre a mesma aresta do octógono inicial tenham um lado em comum. Deve-se remover a figura estrelada central e os triângulos que se formam entre os octógonos. O procedimento deve ser repetido interativamente e sucessivamente.

Nível 0

Nível 1

Nível 2

Nível 3

Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3

Figura 3.2.3.1.12 - Fractal octogonal tipo Dürer com 3 interações. Fonte: Rabay (2013).

(IV) Fractal tipo árvore - Possui como característica principal seu processo interativo, constituído por ramificações que fazem lembrar as ramificações que ocorrem nas polpas das árvores. A Árvore Bifurcada e a Árvore Pitagórica são exemplos destes fractais.

A Árvore Bifurcada pode ser apresentada de vários modelos, pois esta pode ser construída com diferentes ângulos de bifurcação e fator de redução, no entanto, será utilizado um modelo de acordo com Barbosa (2005), onde o ângulo de bifurcação do fractal é de 120º e

o fator de redução é 1/2 (meio).

29

Na construção segue-se os seguintes procedimentos:

Considere um segmento de reta AB (tronco principal) de tamanho qualquer;

Na extremidade, desenhe dois segmentos com fator de redução de 1/2 de AB formando o ângulo de bifurcação entre eles e simétrico em relação ao segmento anterior;

Em cada novo segmento deve-se repetir o processo sucessivamente, conforme a Figura 3.2.3.1.13.

Nível 0

Nível 1

Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4

Nível 2

Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4

Nível 3

Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4

Nível 4

Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4

Figura 3.2.3.1.13 - Árvore Bifurcada com 4 interações. Fonte: Zavala (2007).

Para a construção da Árvore Pitágoras (FIGURA 3.2.3.1.14), considere um triângulo retângulo com a sua hipotenusa (base maior) na horizontal, construa um quadrado em cada lado do triângulo e com a mesma medida desse lado, o triângulo retângulo juntamente com os quadrados dos catetos constituem o iniciador-gerador. O tronco principal será o quadrado construído na hipotenusa. Para construir o nível 1 do fractal construir sobre o lado de cada quadrado oposto ao respectivo cateto novo triângulo retângulo tendo como hipotenusa justamente esse lado. Para se obter a autossimilaridade, os novos triângulos retângulos de cada interação devem ser semelhante ao inicial.

de cada interação devem ser semelhante ao inicial. Figura 3.2.3.1.14 - Árvore de Pitágoras com 6

Figura 3.2.3.1.14 - Árvore de Pitágoras com 6 interações. Fonte: Furuya (2014).

30

3.2.3.2 Fractais gerados por computador

São fractais de prevalência construção realizadas por computadores devido ao seu auto grau de complexidade principalmente (FIGURA 3.2.3.2.1).

auto grau de complexidade principalmente (FIGURA 3.2.3.2.1). Figura 3.2.3.2.1 - Fractais Gerados por programas de
auto grau de complexidade principalmente (FIGURA 3.2.3.2.1). Figura 3.2.3.2.1 - Fractais Gerados por programas de

Figura 3.2.3.2.1 - Fractais Gerados por programas de computador. Fonte: Nascimento; Silva e Maciel (2012).

Entre estes fractais o Conjunto de Julia e o Conjunto de Mandelbrot, são os mais famosos e estudados, sendo que ambos são construídos utilizando funções que operam com números complexos. Segundo Rabay (RABAY, 2013, p. 27), fractais definidos por uma relação de recorrência têm a seguinte característica:

Esses fractais são também denominados de fractais de fuga de tempo, possuem uma forma mais livre de similaridade, definida como quase autossimilaridade, o fractal apresenta pequenas cópias do fractal inteiro de maneira distorcida ou degenerada por isso não são autossimilares exatamente.

Conjunto de Julia - O Conjunto de Julia foi criado no século XX pelos matemáticos Pierre Fatou (1878 - 1929) e Gaston Julia (1893 - 1978), tal conjunto representa

2

a imagem no plano complexo obtida quando se aplica interadamente a função Z Z C ,

n

1

n

onde C é um complexo fixo para toda a imagem, que pode ser ajustado arbitrariamente e Z é um complexo inicial. Este conjunto foi idealizado numa época que ainda não existiam computadores, somente tempos depois com o surgimento destes é que foi possível verificar a complexidade e beleza do mesmo (CARVALHO et al., 1986). Na Figura 3.2.3.2.2, são apresentadas algumas figuras do Conjunto de Julia, para dados valores de c.

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c = φ − 2 onde φ é a razão áurea c = (φ−2) +
c = φ − 2 onde φ é a razão áurea c = (φ−2) +
c = φ − 2 onde φ é a razão áurea c = (φ−2) +

c = φ − 2 onde φ é a razão áurea

c = (φ−2) + (φ−1)i = -0.4+0.6i

 

c = -0.70176 - 0.3842i

+ (φ−1)i = -0.4+0.6i   c = -0.70176 - 0.3842i c = 0.285 + 0.01i c
+ (φ−1)i = -0.4+0.6i   c = -0.70176 - 0.3842i c = 0.285 + 0.01i c
+ (φ−1)i = -0.4+0.6i   c = -0.70176 - 0.3842i c = 0.285 + 0.01i c
+ (φ−1)i = -0.4+0.6i   c = -0.70176 - 0.3842i c = 0.285 + 0.01i c

c = 0.285 + 0.01i

c = 0.285 + 0i

c = 0.45 + 0.1428i

c = -0.835 - 0.2321i

Figura 3.2.3.2.2- Imagens obtidas do Conjunto de Julia variando os valores de c. Fonte: Conjunto de Júlia (2014).

Conjunto de Mandelbrot - O fractal Conjunto de Mandelbrot que virou praticamente um símbolo dos fractais, é considerada uma expansão do Conjunto de Julia, este foi criado em 1979 por Mandelbrot que tentando encontrar uma forma de generalizar o conjunto de Julia, percebeu a possibilidade de criar uma imagem que continha todos estes conjuntos agrupados (NUNES, 2006). Os pontos que pertencem ao conjunto de Mandelbrot correspondem precisamente aos conjuntos de Julia conexos (FIGURA 3.2.3.2.2), e os pontos fora do conjunto de Mandelbrot correspondem aos conjuntos de Julia desconexos (MIRANDA, 2012).

aos conjuntos de Julia desconexos (MIRANDA, 2012). Figura 3.2.3.2.2 - Conjunto de Mandelbrot como um

Figura 3.2.3.2.2 - Conjunto de Mandelbrot como um repertório de imagens do Conjunto de Julia. Fonte: Elert (2002).

32

O conjunto de Mandelbrot tem uma forma muito particular de autossemelhança aproximada se o ampliarmos o suficiente, o observador perceberá que existe uma repetição infinita do conjunto (FIGURA 3.2.3.2.3), mas também uma infinita variedade de formas rodeando esse conjunto. Este conjunto, talvez seja o mais complexo objeto conhecido pelos matemáticos, em seu interior infinitas regiões podem ser observadas e é também um dos objeto mais intricados que se conhece. (JANOS, 2008).

um dos objeto mais intricados que se conhece. (JANOS, 2008). Figura 3.2.3.2.3 - Ampliações do Conjunto

Figura 3.2.3.2.3 - Ampliações do Conjunto de Mandelbrot com infinitas réplicas em seu interior. Fonte: Conjunto de Mandelbrot (2014).

Uma eternidade não seria tempo suficiente para conseguirmos observar todo este Fractal, com os seus discos enfeitados com extremidades espinhosas, as suas espirais e filamentos enrolando-se em todas as direções, exibindo volumosas moléculas infinitamente variadas (RESENDE; NEVES; CASTANHEIRA, 2004, p. 33).

2

A geração deste fractal é realizada através da função Z Z C , onde

n

1

n

e C são números complexos e . A cada iteração da função, o número resposta fica a uma determinada posição de seu predecessor. Alguns desses novos valores ficam a uma distância finita enquanto outros tendem para o infinito e é nessa fronteira entre finito e infinito que é delimitado o conjunto de Mandelbrot. É importante ressaltar que o valor de C no Conjunto de Mandelbrot é atualizado a cada interação, diferente do que acontece no conjunto de Julia onde C é fixo para cada figura gerada (CARVALHO et al., 1986). Uma outra observação a se fazer é que matematicamente, as imagens dos conjuntos de Mandelbrot e de Julia são em "branco e preto", no sentido de que um ponto está dentro ou fora do conjunto em questão. Entretanto atualmente, com o uso do computador as imagens destes fractais são plotadas relacionando cores para os diferentes valores de Z (Conjunto de Julia) ou C (Conjunto de Mandelbrot) indicados geralmente por uma única cor, quando os pontos são aprisionados no conjunto e por um padrão de cores e tons que descrevem a quantidade de interações que outros pontos levam para escapar para o infinito (RABAY, 2013).

33

3.2.3.3 Fractais aleatórios

"Nuvens não são esferas, montanhas não são cones, continentes não são círculos, o som do latido não é contínuo e nem o raio viaja em linha reta" (MANDELBROT apud ADAMI, 2013, p. 10). Também conhecidos como fractais naturais, nestes as partes em escalas menores são apenas parecidas, ou seja, é a forma menos evidente de autossemelhança em um fractal. Pois diferente dos fractais gerados por programas ou por interação de figuras geométricas, nos fractais naturais a autossemelhança só atinge um certo grau de redução devido a lógica de que estes em determinados instantes se decompõem em estruturas moleculares que não são autossimilares ao todo (JANOS, 2008). Na natureza são muitos os exemplos de fractais que são estatisticamente autossimilares. Em algumas plantas como a Samambaia Renda Portuguesa (FIGURA 3.2.3.3.1), por exemplo, observa-se que suas estruturas se repetem dentro de si própria, como se estruturas estatisticamente semelhantes e menores constituíssem as estruturas maiores (CARVALHO et al., 1986).

as estruturas maiores (CARVALHO et al., 1986). Figura 3.2.3.3.1 - Samambaia Renda Portuguesa. Fonte:

Figura 3.2.3.3.1 - Samambaia Renda Portuguesa. Fonte: Instituto (2014).

Na Figura 3.2.3.3.2 pode-se observar vários outros exemplos de fractais encontrados na natureza, como nuvens, raios, conchas, plantas, cordilheiras, floco de neve entre outros.

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brócolis romanesco náutilo flocos de neve raios cordilheiras galhos de samambaia leito dos rios no
brócolis romanesco náutilo flocos de neve raios cordilheiras galhos de samambaia leito dos rios no
brócolis romanesco náutilo flocos de neve raios cordilheiras galhos de samambaia leito dos rios no
brócolis romanesco náutilo flocos de neve raios cordilheiras galhos de samambaia leito dos rios no

brócolis romanesco

náutilo

raios

brócolis romanesco náutilo flocos de neve raios cordilheiras galhos de samambaia leito dos rios no
brócolis romanesco náutilo flocos de neve raios cordilheiras galhos de samambaia leito dos rios no
brócolis romanesco náutilo flocos de neve raios cordilheiras galhos de samambaia leito dos rios no
brócolis romanesco náutilo flocos de neve raios cordilheiras galhos de samambaia leito dos rios no

cordilheiras

galhos de samambaia

leito dos rios no deserto

flor da árvore de macaco

f l o r d a á r v o r e d e macaco estalactites
f l o r d a á r v o r e d e macaco estalactites
f l o r d a á r v o r e d e macaco estalactites
f l o r d a á r v o r e d e macaco estalactites

estalactites

cristais de bismuto

babosa

estalactites cristais de bismuto babosa nuvens casca dos caracóis cristais de cobre neurônios r
estalactites cristais de bismuto babosa nuvens casca dos caracóis cristais de cobre neurônios r
estalactites cristais de bismuto babosa nuvens casca dos caracóis cristais de cobre neurônios r
estalactites cristais de bismuto babosa nuvens casca dos caracóis cristais de cobre neurônios r

casca dos caracóis

cristais de cobre

neurônios

repolho

cristais de cobre neurônios r e p o l h o penas do pavão árvore sangue
cristais de cobre neurônios r e p o l h o penas do pavão árvore sangue
cristais de cobre neurônios r e p o l h o penas do pavão árvore sangue

penas do pavão

asas de uma libélula

do pavão árvore sangue do dragão asas de uma libélula árvores concha marinha Egito visto do
do pavão árvore sangue do dragão asas de uma libélula árvores concha marinha Egito visto do
do pavão árvore sangue do dragão asas de uma libélula árvores concha marinha Egito visto do

árvores

concha marinha

Egito visto do espaço

Figura 3.2.3.3.2- Fractais na Natureza. Fonte: Padrões (2014).

35

3.2.4 Dimensão Fractal

Por vivermos num ambiente cuja descrição geométrica, é viável no máximo, em três dimensões, ficamos perplexos diante às limitações em encontrar referências para atender uma quarta ou quinta dimensão. Mas confusos, ainda, ficamos perante a ideia de dimensões que não precisam ser expressas através de um número inteiro, algo existente, por exemplo, entre as dimensões um e dois (CARVALHO et al., 1986, p. 19).

Para especificar a localização de um ponto segundo a geometria euclidiana precisamos de três números, latitude, longitude e altitude, ou seja, o espaço é concebido em três dimensões onde os sólidos possuem três, as superfícies têm duas dimensões, as linhas possuem uma dimensão e o ponto têm dimensão zero. No entanto essa maneira de descrever o espaço não leva em consideração nem a forma nem o tamanho da figura, uma linha unidimensional, por exemplo, pode se apresentar como uma reta ou uma curva, já uma superfície é considerada bidimensional independente de ser plana ou esférica. Esta forma de caracterização da dimensão de um objeto somente em números inteiros é denominada de Dimensão Topológica (SERRA; CARA, 1997). Mandelbrot porém voltou-se para uma compreensão diferente da ideia das dimensão 0, 1, 2 e 3, devido as medidas euclidianas (comprimento, largura e altura) não serem satisfatórias no estudo das formas irregulares, desta forma este desenvolveu o conceito de dimensão fracionada também conhecida como dimensão fractal (FIGURA 3.2.4.1), que é uma forma de mensurar propriedades como o grau de aspereza, ou fragmentação, ou irregularidade de um fractal, possibilitando assim calcular o espaço que um objeto ocupa por mais irregular que ele seja como a casca ou a folha de uma árvore, por exemplo (GLEICK,

1989).

Dimensão Euclidina Dimensão Fractal
Dimensão Euclidina
Dimensão Fractal

Figura 3.2.4.1 - Comparação entre a dimensão Euclidiana e a dimensão Fractal. Fonte: Siqueira (2005).

36

3.2.4.1 Calculando a Dimensão Fractal de fractais gerados por funções interadas

Com base nos procedimentos descritos em Barbosa (2005), pode-se compreender como calcular a dimensão fracionada de um objeto fractal com autossimilaridade estrita, seguindo o raciocínio a seguir. Considera-se as seguintes figuras geométricas euclidianas, um segmento de reta (dimensão 1), um quadrado (dimensão 2) ou um cubo (dimensão 3) repartidas em objetos autossimilares (FIGURA 3.2.4.1.2).

3) repartidas em objetos autossimilares (FIGURA 3.2.4.1.2). Figura 3.2.4.1.2 - Figuras geométricas euclidianas. Fonte:

Figura 3.2.4.1.2 - Figuras geométricas euclidianas. Fonte: Nunes (2006).

Observando as figuras acima verifica-se que cada uma é constituída por cópias congruentes e reduzidas de si própria e para que cada peça pequena fique igual ao todo, esta deve ser ampliada por um fator de aumento (coeficiente de proporcionalidade) igual a 4. O

número de peças em cada interação é então calculado pela função,

o

número de peças, m é o fator de aumento e D a dimensão. Dessa forma, conforme a Tabela 3.2.4.1.1, temos as seguintes dimensões fractais para as figuras supracitadas:

n m

D

, onde

n

e

Tabela 3.2.4.1.1 - Dimensão fractal das figuras euclidianas: reta, quadrado e cubo.

Figura

 

Reta

 

Quadrado

 

Cubo

 

Número de peças (n)

 

4

 

16

 

64

Fator de aumento (m)

 

4

 

4

 

4

   

16 4

D

64

4

D

4

1

4

D

   

Cálculo da dimensão

 

4

2

4

D

4

3

4

D

 

D 1

     
   

D 2

   

D 3

 

Dimensão

 

1

 

2

 

3

Com base nesta mesma função será mostrado que também é possível calcular a dimensão fractal de figuras consideradas monstros matemáticos como, por exemplo, a curva

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de Koch, obtida na Seção 3.2.3.1, onde é tomado um segmento de reta de comprimento C , unitário, dividido em três partes iguais e substituído o terço médio por dois outros segmentos de comprimento igual aos que restaram (FIGURA 3.2.3.1.1). Analisando o processo de construção da curva de Koch, calcula-se sua dimensão da seguinte forma:

Como:

D

n m

, onde n 4 e m 3 segue-se que,

4 3

D

.

Aplicando o logaritmo em cada membro da igualdade obtemos,

D

log4 log3 log4 Dlog3D

log4

log3

D

0,60206

0,47712

D 1,262

Como mostrado a Curva de Kock, apresenta uma dimensão espacial , entre 1 e 2, a dimensão fracionada significa que devido o detalhamento infinito que a mesma apresenta, esta ocupa mais espaço do que uma curva convencional, porém menos espaço do que o plano que a contém. E foi assim, usando métodos criados pelos matemáticos no começo do século e quase esquecidos, que Mandelbrot encontrou uma maneira de caracterizar as Dimensões Fractais (GLEICK, 1989). Para se calcular a dimensão fracionada de fractais com autossimilaridade estrita

D em função de n e m ,

pode-se então organizar a função como mostrado a seguir:

n m

D de modo a apresentar

Para que não fique dúvidas em relação a dimensão fractal deve-se atentar para algumas observações:

O conceito de dimensão fractal (espacial ou fracionada) se relaciona com a quantidade de espaço que o objeto ocupa entre Dimensões Euclidianas;

Independente do número de interações a dimensão permanece a mesma, dessa forma, geralmente no cálculo da dimensão espacial, se trabalha com os dados da primeira interação por ser menos trabalhoso;

Nas figuras perfeitas da Geometria Euclidiana a dimensão espacial coincide com a dimensão topológica, por isso são representadas por números inteiros, nos fractais

38

isso não acontece necessariamente. A Curva de Koch, por exemplo, têm dimensão topológica 1 e dimensão espacial aproximadamente 1,262.

3.2.4.2 Calculando a dimensão fractal de qualquer fractal - método "contagem de caixas"

Se um folha de caderno for amassada de maneira a formar uma bola de papel, esta bola terá dimensão entre dois e três devido aos espaços vazios irregulares que surgiram, ou seja, quanto menos espaços vazios tiver, mais próxima de três será sua dimensão, do contrário será mais próxima de dois. Da mesma forma as dimensões de um floco de neve, do sistema circulatório humano, ou da casca de uma árvore, também possuem dimensão fracionada. Devido estes fractais terem autossimilaridade estatística, ou seja, serem constituídos por cópias reduzidas distorcidas do todo, suas dimensões são medidas com valores aproximados diferentes dos fractais matemáticos onde a dimensão é exata (JANOS, 2008). Desta forma o método mais geral que pode ser aplicado para se determinar a dimensão fractal de qualquer tipo de figura é a "contagem de caixas" que em se tratando de figuras planas é denominada de "contagem de quadrados". O método apresenta um valor aproximado. Para se calcular, por exemplo, a dimensão fractal de Fernando de Noronha deve-

se inserir o mapa da ilha em uma malha de quadrículos de lado depois deve-se hachurar e

contar quantos quadrículos nforam necessário para cobrir todo o objeto. Quanto mais se

reduzir o lado dos quadrículos, mais estreita será a malha e maior será a precisão no cálculo da dimensão (SERRA; KARAS, 1997). Para o cálculo da dimensão fractal pelo método contagem de caixas ou quadrados utiliza-se a seguinte função:

Onde:

D

log n

log

D = dimensão fractal n = número de quadrados ou caixas que contém alguma parte do objeto = medida de redução Como observado para figuras planas se utiliza a contagem dos quadrados (FIGURA 3.2.4.2.1), já para o cálculo da dimensão fractal de objetos de dimensão topológica 3 como uma planta por exemplo é usado a contagem de caixas (FIGURA 3.2.4.2.2).

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39 Figura 3.2.4.2.1 - Método Contagem de Caixas - Mapa de Fernando de Noronha. Fonte: Rabay
39 Figura 3.2.4.2.1 - Método Contagem de Caixas - Mapa de Fernando de Noronha. Fonte: Rabay
39 Figura 3.2.4.2.1 - Método Contagem de Caixas - Mapa de Fernando de Noronha. Fonte: Rabay
39 Figura 3.2.4.2.1 - Método Contagem de Caixas - Mapa de Fernando de Noronha. Fonte: Rabay
39 Figura 3.2.4.2.1 - Método Contagem de Caixas - Mapa de Fernando de Noronha. Fonte: Rabay

Figura 3.2.4.2.1 - Método Contagem de Caixas - Mapa de Fernando de Noronha. Fonte: Rabay (2013).

Caixas - Mapa de Fernando de Noronha. Fonte: Rabay (2013). Figura 3.2.4.2.2 - Método Contagem de

Figura 3.2.4.2.2 - Método Contagem de Cubos - Planta. Fonte: Silva; Boudon (2007).

Para que seja possível verificar a eficiência do método contagem de quadrados no cálculo da dimensão espacial, a seguir na Figura 3.2.4.2.3 é demonstrado a sua aplicação em um fractal matemático (curva de Koch) que como visto na Seção 3.2.4.1, possui dimensão 1,262.

que como visto na Seção 3.2.4.1, possui dimensão 1,262. Escala 1:16 Figura 3.2.4.2.3 - Método da

Escala 1:16

Figura 3.2.4.2.3 - Método da contagem de quadrados aplicado a Curva de Kock. Fonte: Rabay (2013).

D

log log n

,

Sabendo que:

n

33

e 16

Calcula-se a dimensão resolvendo a equação:

D

log33 log16

D

1,204 1,519

D 1,261

40

Como pôde ser observado através do método das caixas chegou-se a um valor bem próximo da dimensão fractal da Curva de Kock encontrada na Seção 3.2.4.1, através do método empregado para fractais determinísticos.

3.2.5 Características Fundamentais de um Fractal

Com base nos conceitos e peculiaridades das diferentes categorias de fractais abordados anteriormente neste trabalho é possível agora enumerar algumas de suas propriedades. Conforme Nussenzveig (1999 apud RABAY, 2013) os fractais possuem as seguintes características:

Autossemelhança - É a similaridade que uma parte possui com o todo, sendo que esta semelhança pode ser exata, aproximada ou estatística, porém em qualquer um desses casos ocorre uma semelhança onde tomada uma porção menor do fractal esta pode ser vista como uma réplica de todo o fractal numa escala inferior.

Complexidade infinita - Por mais que se tente ampliar um objeto fractal nunca será possível ter uma "imagem finalizada", pois mais detalhes vão se mostrando devido o fractal ter um número infinito de interações, dessa forma, não é possível representar a imagem completamente.

Irregularidade - Com o sentido de rugosidade, aspereza (não suavidade) ou fragmentação;

Dimensão não inteira - A maioria dos objetos fractais exibem dimensão fracionária. Este tipo de dimensão representa o grau de ocupação deste no espaço, que está relacionado com o seu grau de aspereza (irregularidade). É importante destacar que autossimilaridade e a complexidade infinita são duas características entre as citadas anteriormente que caracterizam qualquer fractal, ou seja, são as características fundamentais que todo fractal atende (ALMEIDA, 2006).

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4 BENOÎT MANDELBROT O "PAI" DOS FRACTAIS

O matemático Benoit Mandelbrot de família judia nasceu em 1924 em Varsóvia, na Polônia, sua mãe era médica e seu pai vendedor de roupas. Em 1936 a sua família se mudou para a França, onde Mandelbrot passou a ser educado em casa pelo seu tio, Szolem Mandelbrot, um renomado matemático e professor do Collège de France. Seu tio optou que Mandelbrot aprendesse a jogar xadrez antes de conhecer as primeiras letras e de saber a tabuada. Aos 13 anos, dois anos acima do normal, entrou para a escola oficial. Com o começo da Segunda Guerra Mundial a família mudou-se para Tulle, no centro da França, onde bons professores também refugiados da guerra contribuíram para um bom desempenho escolar de Benoit Mandelbrot. Quando a França foi libertada dos nazistas ao fim da guerra, Mandelbrot realizou exames de admissão na Escola Normal e na Escola Politécnica, obtendo ótimos resultados. Além dos bons professores que teve em Tulle, o principal motivo do sucesso de Mandelbrot, se deve ao dom que o mesmo tinha de ser capaz de dar uma visão geométrica a maioria dos problemas, geometrizando assim as mais diversas matérias. Ao resolver questões de cálculo integral chegava as soluções sem muito esforço utilizando desenhos geométricos, com tamanha originalidade que muitas das vezes conduziam às raízes históricas das próprias questões (SANTOS; NETO; SILVA, 2007). Tendo sido aprovado nas escolas a que se candidatou, Mandelbrot escolheu em primeiro momento a Escola Normal, mas permaneceu por pouco tempo, mudando para Escola Politécnica onde estudou até concluir seu doutorado. Na época existia o movimento do grupo Bourbaki fundado pelo seu tio Szolem Mandelbrot. O grupo tinha como membros um número fixo de jovens matemáticos que buscavam a reconstrução da Matemática Francesa, visando uma Matemática pura, formal e austera, sem influências de imagens que poderiam levar ao engano pelo aspecto visual, ou seja, a geometria passou a ser desvalorizada pois não gerava confiança. A Matemática tornou-se assim mais rigorosa, pautando-se pelo método axiomático. Mesmo perante as ideias do seu tio, Mandelbrot avesso a abandonar sua intuição geométrica não suportou o predomínio da abstração imposta por Bourbaki. Mudou-se da França para os Estados Unidos em 1948, a fim estudar Ciência Aeroespacial, no entanto, conseguiu posteriormente um cargo na IBM - Centro de Pesquisas Thomas Watson, que na época recrutava jovens talentos com bons projetos de pesquisa (BARBOSA 2005).

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Foi na IBM com a ajuda dos seus potentes computadores, que Mandelbrot criou a Geometria Fractal. Ao trabalhar com problemas de economia, analisou o comportamento gráfico de preços de algodão, os registros analisadas eram precisos, completos e antigos, referente a um século ou mais. Quando Mandelbrot processou os dados nos computadores, percebeu padrões existentes onde misteriosamente, as variações diárias nos preços coincidiam com as mensais, ou seja, as sequências de variações eram independentes da escala e o mais surpreendente é que esses dados analisados remontavam a um período conturbado que vivenciou; duas guerras mundiais e uma depressão (GLEICK, 1989).

Na IBM deparou-se com questões de ruídos nas linhas telefônicas utilizadas em rede entre os computadores. Mandelbrot soube dos engenheiros que algum ruído não podia ser eliminado e interferia nos sinais; a aleatoriedade e a irregularidade dos ruídos afastavam os engenheiros da busca de soluções. Resolveu o problema empregando um trabalho de Georg Cantor chamado Poeira de Cantor (BARBOSA,2005, p.12).

Os engenheiros sabiam que a informação era transmitida por pacotes separados através de corrente elétrica e quanto maior fosse a intensidade da corrente, mais se afastavam os ruídos, porém perceberam que não era possível eliminá-los por completo. De vez em quando surgia um erro causado por algum ruído que apagava um sinal. A natureza dos ruídos de transmissão eram aleatórios, porém sabia-se que ocorria em grupos, onde períodos de transmissões sem erro eram seguidos de intervalos com erros. Mandelbrot então mostrou uma maneira de descrever a distribuição dos erros que previa precisamente os padrões vistos, realizou para isso uma descrição abstrata baseada no fractal Conjunto de Cantor (FIGURA 3.2.3.1.9). No modelo proposto, separações cada vez mais apuradas entre os grupos supracitados foram realizadas, com isso, Mandelbrot exemplificou para os engenheiros que dentro de qualquer sequência de erros, por menor que seja, sempre existirá um período de transmissão ausente de erros, também mostrou que em escalas de uma hora ou um segundo, a proporção de períodos livres de erro para os períodos cheios de erros permanece constante. Os engenheiros aprenderam com Mandelbrot que os erros eram inevitáveis e que a melhor maneira de combatê-los seria usar uma estratégia de redundância para descobri-los e corrigi- los em vez de aumentar a intensidade da corrente elétrica (GLEICK, 1989). Mandelbrot desenvolveu ainda a construção e a aplicação de alguns tipos de Fractais, elaborou teorias matemáticas para métodos de autossemelhanças em probabilidades, estudou a distribuição das galáxias e com ferramentas dessas nova geometria caracterizou os movimentos brownianos. Mesmo diante de tantas contribuições importantes, Mandelbrot encontrou muitas dificuldades para conseguir que outros cientistas aceitassem seu trabalho

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devido a moda da Matemática da época (FIGURA 4.1), inclusive muitos destes o acusavam de estar obcecado para conseguir um lugar na história, outros por ter um exagerado sentimento de superioridade e grandeza. No entanto apesar dos entraves, sua obra publicada foi de grande impacto e relevância pois mostrou uma nova maneira de ver o mundo (RESENDE; NEVES; CASTANHEIRA, 2004).

maneira de ver o mundo (RESENDE; NEVES; CASTANHEIRA, 2004). Figura 4.1 - Matéria sobre a Geometria

Figura 4.1 - Matéria sobre a Geometria Fractal de Mandelbrot. Fonte: RESENDE; NEVES; CASTANHEIRA (2004).

Mandelbrot chegou à fama tendo recebido vários prêmios, medalhas e honrarias pelas suas descobertas e feitos, sendo convidado a ocupar vários cargos acadêmicos, dentre os quais: o de professor de Matemática e Economia em Harvard, professor de Engenharia em Yale e professor de Fisiologia na Faculdade Einstein de Medicina. Entre os vários trabalhos publicados merecem destaque a sua primeira obra (Os Objetos Fractais: Forma, Acaso e Dimensão) lançada em 1975 e sua obra reformulada e a mais famosa (A Geometria Fractal da Natureza) publicada em 1977 (RICIERI, 1990).

Objetos naturais muito diversos, alguns dos quais, como a Terra, o céu e o oceano, nos são bastante familiares, são estudados com a ajuda de uma grande família de objetos geométricos, até agora considerados esotéricos e perfeitamente inúteis. Pretendo mostrar, pelo contrário, que estes objetos, pela sua simplicidade, diversidade e extraordinária extensão das suas novas aplicações, merecem ser rapidamente integrados na geometria elementar. Apesar de o seu estudo fazer parte dos campos científicos diferentes, entre os quais a geomorfologia, a astronomia e a teoria de turbulências, os objetos naturais em questão têm em comum uma forma extremamente irregular ou interrompida. Para os estudar, concebi, aperfeiçoei e utilizei extensivamente uma nova geometria da natureza. (MANDELBROT apud RESENDE; NEVES; CASTANHEIRA, 2004, p. 19).

Benoît Mandelbrot, faleceu aos 85 anos, vítima de um câncer no pâncreas no dia 14 de outubro de 2010, em Cambridge, nos Estados Unidos, onde vivia com a família (ROTHMAN, 2010).

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5 APLICAÇÃO DOS FRACTAIS NAS CIÊNCIAS E TECNOLOGIAS

No presente com o desenvolvimento das tecnologias, principalmente a informática, tornou-se possível o estudo e a aplicação cada vez mais frequente da Geometria Fractal no desenvolvimento de várias tecnologias e no estudo dos mais diversos fenômenos das mais diferentes áreas do conhecimento como a Física, Medicina, Economia, Geografia, Biologia, etc. Na Medicina a Geometria Fractal ajuda no estudo da anatomia do corpo humano assim como também de muitos animais. A rede de vasos do sistema sanguíneo, por exemplo, possui natureza fractal; da artéria aorta aos capilares, ocorrem tantas ramificações que nestes os glóbulos sanguíneos são obrigados a se mover em fila indiana, devido o caminho ficar cada vez mais estreito, com isso o sistema circulatório procura apertar em um volume limitado, uma enorme área de superfície, permitindo assim que nos tecidos cada célula não esteja mais de três ou quatro células de distância de um vaso sanguíneo, Figura 5.1. No aparelho digestor, se observa ondulações dentro de ondulações o que garante uma maior absorção dos nutrientes, Figura 5.2. Os pulmões humanos também têm a capacidade de acomodar uma espantosa área de superfície, sendo superior a uma quadra de tênis, garantindo uma maior absorção de oxigênio, Figura 5.3. Como outros exemplos de estruturas do corpo humano que possuem comportamento fractal, pode-se citar ainda o sistema coletor urinário, sistema linfático, o cérebro e o canal biliar do fígado (GLEICK, 1989).

o cérebro e o canal biliar do fígado (GLEICK, 1989). Figura 5.1 - Vasos sanguíneos do

Figura 5.1 - Vasos sanguíneos do corpo humano. Fonte: SUAREZ (2013)

- Vasos sanguíneos do corpo humano. Fonte: SUAREZ (2013) Figura 5.2 - Ondulações do Intestino humano.

Figura 5.2 - Ondulações do Intestino humano. Fonte: SANTOS; NETO; SILVA

(2007).

do Intestino humano. Fonte: SANTOS; NETO; SILVA (2007). Figura 5.3 - Pulmão humano. Fonte: Oliveira (2008).

Figura 5.3 - Pulmão humano. Fonte: Oliveira (2008).

Com base no comportamento dos objetos fractais onde a partir de regras simples é possível construir estruturas complexas, ao analisar estruturas fractais identificadas nos seres

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vivos, Santos; Neto e Silva (2007) dão a seguinte explicação para que a natureza tenha esse comportamento:

Mostra-nos uma forma de como a natureza pode sustentar a evolução de seres vivos complexos sem haver necessidade de guardar demasiada informação. Os «planos de construção» podem, deste modo, ser codificados em menor quantidade de informação (basta armazenar no DNA as sementes iniciais e as regras de interação) e esses planos seriam desenvolvidos iterando as respectivas regras.

Ainda na Medicina, a Geometria Fractal possui aplicações no diagnóstico de muitas doenças, por exemplo, insuficiência cardíaca e alguns tipos de cânceres. Conforme estudos já realizados é comprovado que um coração saudável bate em um ritmo fractal, e que batimentos quase periódico, é um sintoma de insuficiência cardíaca. Já o diagnóstico de alguns tumores cancerosos é possível devido estes possuírem dimensão fractal superior à dos tecidos normais (FIGURA 5.4), ou seja, quanto mais agressivo for câncer, mais tortuosa e infiltrada será as bordas do tumor.(NOVAKI; BARANKIEVICZ; SILVA, 2012).

Tecido normal

Tecido canceroso

BARANKIEVICZ; SILVA, 2012). Tecido normal Tecido canceroso Figura 5.4 - Prognóstico de neoplasias da mucosa oral.

Figura 5.4 - Prognóstico de neoplasias da mucosa oral. Fonte: Zavala (2007).

Na Pintura tem-se como exemplos as obras de alto valor do artista plástico Jason Pollock (1912-1956) que se apresentam como um emaranhado caótico de pingos de tintas, (FIGURA 5.5). Para descobrir se uma obra é falsa, especialistas analisam se esta possui comportamento fractal característico das obras de Pollock que os falsários não conseguem reproduzir, onde cada parte da pintura ampliada se assemelha ao todo original (SANTOS; NETO; SILVA, 2007).

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46 Figura 5.5 - Pintura do artista Pollock. Fonte: Santos; Neto e Silva (2007). Na Computação

Figura 5.5 - Pintura do artista Pollock. Fonte: Santos; Neto e Silva (2007).

Na Computação Gráfica a aplicação da Geometria Fractal é um dos campos mais promissores devido ser bastante útil ao cinema, em Hollywood, por exemplo, utiliza-se para se obter efeitos especiais como explosões e na criação de paisagens artificiais mais realistas, como rios, conjunto montanhosos e plantas (GLEICK, 1989). Na Figura 5.6 é possível visualizar algumas dessas paisagens.

Figura 5.6 é possível visualizar algumas dessas paisagens. Figura 5.6 - Paisagens falsas geradas por computação
Figura 5.6 é possível visualizar algumas dessas paisagens. Figura 5.6 - Paisagens falsas geradas por computação

Figura 5.6 - Paisagens falsas geradas por computação gráfica. Fonte: RESENDE; NEVES; CASTANHEIRA (2004).

Outra vantagem das imagens fractais geradas por algoritmos se deve ao fato de economizarem a memória do computador, que é a parte mais cara, isso ocorre porque os pontos que geram tais paisagens são calculados um a um através de transformações matemáticas, dessa forma são consumidos apenas, poucos kilobytes referente ao armazenamento da fórmula em vez de consumir megabytes de memória para guardar uma imagem completa (JANOS, 2008). "Dizem que uma imagem pode substituir mil palavras. No caso, um único fractal pode ocupar o espaço de 100 000 palavras na memória do computador" (OLIVEIRA, 2008). Na Música, a partir de alguns fractais, trabalhos em programas computacionais pode-se criar as músicas fractais, o processo das melodias ocorre de diferentes maneiras, as notas musicais podem se guiar, por exemplo, pela ordem de construção do fractal, ou pelas

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cores do fractal criando assim a canção. O Conjunto de Mandelbrot é um dos fractais mais utilizados na construção de música Fractal. Como exemplo de algumas bandas tem-se a "New World Chaos", uma banda de música Fractal e a "Omar´s Basement", uma banda de jazz que utilizou em 1985 em um show na Austrália, um piano tocado por um computador, baseado em um programa fractal. No entanto merece destaque nesse estilo de música o compositor Phil Thompson, o mais conceituado autor de música Fractal na atualidade (RESENDE; NEVES; CASTANHEIRA, 2004). Nas Tecnologias a Geometria Fractal tem várias aplicações como antenas fractais

e fibras ópticas fractais. As antenas fractais, por exemplo, passaram a ser utilizadas pela

Motorola em seus aparelhos portáteis (celulares), pois segundo a empresa estas são até 25%

mais eficiente do que as convencionais, com a vantagem de aumentar a capacidade de transmissão e de funcionar em várias frequências, (FIGURA 5.7). Quanto a aplicação nas fibras ópticas, foi comprovado que a melhor forma de empacotamento destas fibras são aqueles que têm bordas fractais, o que proporciona um melhor contraste de imagem,

(FIGURA 5.8). Está tecnologia foi adquirida pela Incom em 1994. (INSTITUTO

, 2014).

foi adquirida pela Incom em 1994. (INSTITUTO , 2014). Figura 5.7 - Antenas fractais. Fonte: INSTITUTO
foi adquirida pela Incom em 1994. (INSTITUTO , 2014). Figura 5.7 - Antenas fractais. Fonte: INSTITUTO

Figura 5.7 - Antenas fractais. Fonte: INSTITUTO (2014).

Figura 5.7 - Antenas fractais. Fonte: INSTITUTO (2014). Figura 5.8 - Empacotamento de fibras ópticas. Fonte:

Figura 5.8 - Empacotamento de fibras ópticas. Fonte: INSTITUTO (2014).

Em fotografias a ampliação de uma imagem ocorre a custa da “clonagem” de pixels, que procuram preencher as áreas vazias de informação, no entanto esse artifício usado nas câmeras nem sempre garantem uma imagem de qualidade, tornando a imagem difusa a medida em que esta é aumentada. No entanto se em vez de pixels forem usados Fractais cria-

se imagens que independem da resolução. Imagens geradas através de Geometria Fractal

podem ser ampliadas em dimensões impensáveis sem perda evidente de qualidade (RESENDE; NEVES; CASTANHEIRA, 2004). Aplicação da Geometria Fractal na Teoria do Caos. A Teoria do Caos teve início com os estudos do matemático e meteorologista norte americano Edward Norton Lorenz (1917) em 1960, que percebeu que fenômenos complexos e aparentemente aleatórios, como a

48

previsão do tempo poderiam ser traduzidos por equações matemáticas simples. Dessa forma Lorenz construiu modelos computacionais baseados em doze equações que modelavam os fatores que influenciavam o tempo (UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE, 2014). Lorenz percebeu também que num sistema dinâmico, pequenas alterações no seu início podem provocar alterações desproporcionais, fenômeno este conhecido como "Efeito Borboleta", uma metáfora que diz que o pequeno deslocamento de ar originado pelo bater das asas de uma borboleta deste lado do mundo pode promover uma imensa tempestade do outro lado do planeta (ADAMI, 2013). As observações de Lorenz desse modo deram o pontapé inicial a Teoria do Caos, pois ele percebeu que em meio a situações consideradas imprevisíveis e caóticas existe uma certa ordem. O Caos portanto é um estado muito complexo, que se caracteriza pela aparente imprevisibilidade de comportamento e também pela grande sensibilidade a mínima mudanças na variação do sistema ou nas condições iniciais. Dessa forma, a Teoria do Caos procura encontrar padrões de organização dentro de todos os comportamentos aparentemente casuais. Estas características levam a teoria do Caos a estar intimamente ligado com a Geometria Fractal, onde suas estruturas fragmentadas, extremamente belas e complexas, fornecem certa ordem ao sistemas caóticos, sendo muita das vezes até considerada como a linguagem do Caos, que busca a ordem em meio a aparente desordem (OLIVEIRA, 2008). Dessa forma vários fenômenos, antes ditos aleatórios, através da Geometria Fractal tornou-se possível compreendê-los encontrando padrões em diferentes escalas que levam ao entendimento de como o sistema se comportará como um todo ao longo do tempo, como por exemplo, as variações da economia, turbulência nos fluidos, aglomerações estelares, variação populacional de espécies e produção agrícola (RABAY, 2013). Pode-se assim dizer que a ciência Caos no presente, devido ao desenvolvimento principalmente da informática, tem aplicação nas mais diversas áreas. Como exemplo, em 1997, dois norte americanos ganharam o Prêmio Nobel de Economia, por desenvolverem uma fórmula capaz de prever aplicações financeiras (RESENDE; NEVES; CASTANHEIRA, 2004).

Os mais ardentes defensores da nova ciência chegam ao ponto de dizer que a ciência do século xx será lembrada apenas por três coisas: a Relatividade, a Mecânica Quântica e o Caos. O Caos, dizem eles, tornou-se a terceira grande revolução do século nas ciências físicas (GLEICK, 1989, p. 5).

49

6 SUGESTÕES DE ATIVIDADES SOBRE CONSTRUÇÃO E APLICAÇÃO DE FRACTAIS NO ENSINO DE SEQUÊNCIAS E PROGRESSÕES GEOMÉTRICAS

Com o intuito de despertar a curiosidade e entusiasmo do aluno para o assunto de Geometria Fractal, serão apresentados algumas sugestões de atividades neste capítulo para serem desenvolvidas em sala de aula. A atividade 1, tem o intuito de exemplificar de forma concreta a relação existente entre a Geometria Fractal e Teoria do Caos. As demais atividades baseadas na construção de alguns fractais matemáticos com materiais concretos aborda a aplicação desta geometria interligada com os conteúdos da Matemática como Sequências e Progressões Geométricas, além de abordar conceitos relativos às características dos fractais, como: autossemelhança, interações infinitas, etc. Segundo Nunes (2010 apud BEMFICA; ALVES, 2011)

A exploração da Geometria Fractal, em contexto de sala de aula, proporciona o desenvolvimento das atitudes, dos valores e das competências dos alunos, na medida em que promove a curiosidade e o gosto de aprender, de pesquisar e de investigar; impulsiona a utilização da Matemática na interpretação do real, reconhecendo

formas e processos que envolvem conceitos matemáticos; [

de padrões e regularidades formulando em seguida generalizações em situações

diversas, nomeadamente em contextos numéricos e geométricos.

promove a pesquisa

]

A atividade 1 foi adaptada do livro Geometria Fractal de Janos (2008), as atividades 2, 3, 4, 5 e 6 foram adaptadas do livro, Descobrindo a Geometria Fractal de Barbosa (2005) e a atividade 7 foi adaptada do Trabalho de Conclusão de Curso de Teixeira

(2010).

6.1 ATIVIDADE 01 - "JOGO DO CAOS"

A fim de mostrar de forma mais dinâmica conceitos da Geometria Fractal e a relação que esta tem com a teoria do Caos, o professor poderá utilizar como abordagem inicial do assunto uma atividade bastante lúdica, conhecida como o "Jogo do Caos". Esta atividade mostra de forma interativa a criação de um fractal, a partir de interações matemáticas e também permite ao aluno verificar que é possível encontrar ordem em sistemas aparentemente aleatórios, levando assim a uma melhor compreensão dos conceitos de fractais, caos e autossimilaridade.

50

Conforme Janos (2008), a construção da atividade ocorre da seguinte forma:

Em uma folha de papel construa um triângulo equilátero ABC e marque um ponto inicial Z 0 fora do triângulo (FIGURA 6.1.1).

De posse de um dado faça as seguintes convenções: Se ao ser lançado der 1 ou 2 seleciona-se o ponto A; se der 3 ou 4 seleciona-se o ponto B e, se sair 5 ou 6 deve- se selecionar o ponto C. Suponha-se que o dado foi lançado e que saiu o número 2 que corresponde ao ponto A.

Ligue Z 0 com A e marque Z 1 na metade da distância Z 0 A.

Jogando o dado novamente, suponha que deu 5, que equivale a C; ligue Z 1 com C e marque Z 2 na metade de Z 1 C.

Deve-se repetir o procedimento diversas vezes, sempre marcando os pontos Z n , quanto maior o número de interações mais evidente ficará a imagem do fractal.

o número de interações mais evidente ficará a imagem do fractal. Figura 6.1.1 - Jogo do

Figura 6.1.1 - Jogo do Caos. Fonte: Nunes (2006).

51

Através desta atividade pretende-se chamar a atenção dos alunos para o assunto, mediante a estrutura extremamente ordenada que se forma a partir do conjunto de infinitos pontos aleatórios obtidos através dos sorteios realizados e que assim se sintam entusiasmados e curiosos em conhecer mais sobre esta geometria que põe ordem ao caos, ou em outras palavras, que procura padrões "escondidos" dentro de fenômenos vistos como aleatórios . A Figura 6.1.2 a seguir mostra os resultados visuais obtidas mediantes algumas interações realizadas.

500 interações

5000 interações

50000 interações

500 interações 5000 interações 50000 interações
500 interações 5000 interações 50000 interações
500 interações 5000 interações 50000 interações

Figura 6.1.2 - Algumas interação do Jogo do Caos. Fonte: Nunes (2006).

6.2 ATIVIDADE 02 - FRACTAL TRIÂNGULO DE SIERPINSKI

Materiais para construção: Malha triangulada e lápis de cor (ou pincel). Etapas de construção:

1. Deve-se considerar um triângulo equilátero (NÍVEL 0);

2. Marcar os segmentos dos pontos médios originando quatro triângulos equiláteros;

3. Eliminar (remover) o triângulo central o que pode ser codificado, por exemplo, através de uma cor diferente da cor do triângulo inicial, (NÍVEL 1);

4. Repetir em cada um dos triângulos que permaneceram as construções 2 e 3;

5. Repetir o passo 4 sucessivamente, como pode ser visto na Figura 6.2.1.

Nível 0

Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4

Nível 1

Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4

Nível 2

Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4

Nível 3

Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4

Nível 4

Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4

Figura 6.2.1 - Interação do Triângulo de Sierpinski até o nível 4.

52

Sendo

L

0

o comprimento do segmento inicial e

A

0

a área inicial temos:

Tabela 6.2.1 - Análise das interações do Triângulo de Sierpinski.

Nível

0

1

2

 

3

n-ésima

Número de

triângulos

1

3

1

3

3

2

9

 

3

3

27

 

3

n

 

Comprimento

L

1

L

1

L

 

1

L

 

L

 

do lado

2

1

. L

2

2

. L

2 4

 

2

3

. L

8

2

n

Área de cada triângulo

A

0

1

4

1

. A

0

A

0

4

1 . A

4

2

0

A

0

16

 

1

4

3

. A

0

A

0

64

 

A

4

0

n

 

Soma das

Áreas

A

0

3   . A

4

1

0

3 A

0

4

3

4  

2

. A

0

9 A

0

16

  3 4    . A

3

0

 

27 A

0

64

3

4

n

. A

0

Exemplos de aplicações

1ª) Verifique se cada sequência dada é uma progressão geométrica. Em caso positivo, diga se

é crescente ou decrescente e dê o valor da razão q :

a) (1, 2, 3, 9, 27

)

b)   

L

, L

2

L

, 4

L

, 8 ,

  

Respostas:

a)

(1, 2, 3, 9, 27

q

3

n

3 n

1

 

q

)

3 n

n

3 .3

1

b)

 

L

, L

2

L

, 4

L

, 8 ,

  

 

q

1

1

3

q

3

c) A

0

,

A

0

4

,

A

0

16

,

A

0

64

,

d) A

4

0

,

9

0

16

  A

3 A

27 A

0

0

,

, 64 ,

(PG crescente)

  

53

q

L

2

L

n L

 

2 n

1

q

2

.

n L

2 n 1

 

q

  A

A

0

A

0

A

0

  

1

c)

0

, 4

, 16

A

0

4

A

0

4 n 1

  A

3 A

0

q

, 64 ,

0

4 n

n A

 

q

9

4

A

0

n

.

A

0

27 A

0

 

q

  

d)

0

, 4

,

16 ,

64 ,

n

2 . 2

1

2

n

n

4 . 4

1

4

n

q

3  

4

 

n

A

0

3

 

4

n

1

A

0

q

3

 

4

n

3    3

 

4

n

.

4

1

q

1

2

1

4

1

4

3

 

q

 

q

q

 

q

2

1

 

q

4

1

1

3

 

4

1

(PG decrescente)

(PG decrescente)

q

3 (PG decrescente)
4

2ª) No Triângulo de Sierpinski matematicamente sempre será possível fazer novas interações,

ou seja o processo é infinito. Dessa forma a área total removida se aproxima de qual valor?

Resposta:

A área total removida é igual a soma de todas as áreas relativas aos novos

triângulos removidos nas n interação. Sendo assim analisando as interações pode-se

encontrar os seguinte dados:

A

Área removida na 1ª interação = 4

0

Área removida na 2ª interação =

Área removida na 3ª interação =

A área removida por interação

decrescente: