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UNIÃO DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO DO ESTADO DE SÃO PAULO

METODOLOGIA DA
PESQUISA CIENTÍFICA
A HISTÓRIA E A EVOLUÇÃO DA CIÊNCIA

São Paulo
2010
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Vamos iniciar hoje as aulas sobre Metodologia da Pesquisa Científica, quando iremos
aprender a distinguir ciência de pseudociência ou falsa ciência. Também faremos os primeiros
contatos com a metodologia da pesquisa científica, ou seja, como é que podemos fazer ciência
e nos tornarmos pesquisadores sobre determinadas áreas do conhecimento.

Este componente curricular deve estimular você a buscar respostas para as suas
dúvidas através do rigor científico e da determinação de uma metodologia de pesquisa.
Basicamente, algum tema ou assunto só poderá ser considerado científico se puder ser
refutado (falseado) ou testado. É assim que funciona a ciência: um conhecimento nunca é
pronto, ele pode sempre ser refutado ou aprimorado. A determinação de uma metodologia
rigorosa contribui para isso já que determinado experimento ou relatório poderá ser
atualizado ou repetido. Se o resultado do experimento não se repetir, precisaremos encontrar
outro método para esclarecer se o erro estava no primeiro resultado ou no segundo. Muitas
vezes, precisamos até utilizar uma metodologia diferente para resolver a dúvida, ou
aprofundar a discussão. Dessa forma, a ciência está evoluindo!

O objetivo básico da ciência não é o de descobrir verdades ou constituir uma


compreensão plena da realidade, mas fornecer um conhecimento que, ao menos
provisoriamente, facilite a interação com o mundo, permitindo previsões confiáveis sobre
eventos futuros e indicando mecanismos de controle para que se possa intervir
favoravelmente sobre eles.

A evolução do homem é correspondente ao desenvolvimento de sua inteligência. Os


homens pré-históricos não conseguiam entender os fenômenos naturais que ocorriam à sua
volta e por isso tinham MEDO. Em um segundo momento, tudo era explicado através do
MISTICISMO, surgindo as crenças, as religiões e os pensamentos mágicos.

Com o passar do tempo, essas explicações não foram suficientes para responder de
forma convincente às perguntas formuladas. Foi então que nasceu a ciência metódica que
procurava sempre uma explicação lógica e se baseava em caminhos que pudessem ser
comprovados. E essa forma científica de demonstrar resultados refutáveis permanece até os
dias atuais.

Nosso conhecimento está intimamente ligado à nossa capacidade de viver em grupos,


em que o conhecimento é constantemente transmitido aos outros e pode sempre ser
melhorado. Partindo de conhecimentos prévios, o homem pode adaptar suas perguntas em
busca das respostas que procura.
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A evolução da ciência pode ser observada desde os egípcios até os dias atuais, quando
conseguiu credibilidade devido à capacidade de ser testada e aprimorada constantemente.

CONTEÚDO
Para distinguirmos a ciência da pseudociência, recomendo o trecho do texto “Como
distinguir ciência de Pseudociência?” de Rory Coker, PhD da Universidade do Texas em Austin.
Disponível em: http://geocities.com/quackwatch/pseudo.html?200519.

Como distinguir Ciência de Pseudociência? “Rory Coker, PhD.

Tradutor: Francisco S. Wechsler, Ph.D.

“A palavra `pseudo´ significa `falso´. O modo mais seguro de identificar algo falso é
saber tanto quanto possível sobre o fato real - neste caso, a própria ciência. Ter conhecimento
científico não se restringe a saber fatos científicos (como a distância da Terra ao Sol, a idade da
Terra, as diferenças entre mamíferos e répteis, etc.). Significa entender a natureza da ciência –
os critérios para obter evidência, como projetar experimentos relevantes, a avaliação de
possibilidades, os testes de hipóteses, o estabelecimento de teorias, os múltiplos aspectos dos
métodos científicos que tornam possível estabelecer conclusões confiáveis acerca do universo
físico.

Já que os meios de comunicação bombardeiam-nos com absurdos, torna-se útil ter em


conta as características da pseudociência. A presença de apenas uma delas já deve despertar
grande suspeita. Por outro lado, um material que não mostre nenhum desses vícios poderá ser
pseudociência não obstante, pois seus adeptos inventam diariamente novas maneiras de se
tapear. A maioria dos exemplos deste artigo relacionam-se à física, minha área de
conhecimento, porém crenças e comportamentos semelhantes estão associados à astrologia
médica, iridologia, quiropraxia baseada em subluxação, reflexologia, terapia dos meridianos,
toque terapêutico e outras pseudociências da saúde.
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A tabela seguinte contrasta algumas caraterísticas da ciência e da pseudociência.

CIÊNCIA PSEUDOCIENCIA
Suas descobertas são comunicadas
A literatura visa ao público em geral. Não há
principalmente por meio de periódicos
revisão, padrões, verificação que preceda a
científicos, que são revisados por colegas e
publicação, nem exigência de precisão e
mantêm padrões rigorosos de honestidade e
acurácia.
acurácia.

Não se consegue reproduzir ou verificar os


Exigem-se resultados reproduzíveis; os
resultados.Os estudos, quando existem, são
experimentos devem ser descritos de forma
descritos de modo tão vago, que se torna
precisa, para que se possa repeti-los à
impossível descobrir o que foi feito ou como
exatidão ou melhorá-los.
foi feito.

Buscam-se e estudam-se as falhas As falhas são desprezadas, desculpadas,


atentamente, pois teorias incorretas amiúde escondidas, falsificadas, amenizadas,
levam a conclusões corretas, mas nenhuma racionalizadas, esquecidas, evitadas a todo
teoria correta leva a predições incorretas. custo.

Nunca nenhum fenômeno ou processo físico


Com o passar do tempo, mais e mais se
é descoberto ou estudado. Nenhum
aprende sobre os processos físicos em
progresso é feito; nada de concreto é
estudo.
aprendido.

Convence apelando à fé e à crença. A


Convence pelo apelo à evidência, por
pseudociência tem um forte componente
argumentos fundados em raciocínio lógico
quase-religioso: tenta converter, não
e/ou matemático, procurando extrair a
convencer. Você deve acreditar apesar dos
melhor informação que os dados permitam.
fatos, não por causa deles. Nunca se
Quando evidência mais recente contradiz
abandona a ideia original, qualquer que seja
ideias antigas, estas são descartadas.
a evidência.

Parte ou a totalidade de sua renda provém da


venda de produtos duvidosos (tais como
Não defende ou comercializa práticas ou livros, cursos, suplementos dietários), e/ou
produtos não comprovados. serviços pseudocientíficos (tais como
horóscopos, leituras de personalidade,
mensagens de espíritos e previsões).

CIÊNCIA PSEUDOCIÊNCIA

Poder-se-ia expandir grandemente essa tabela, pois a ciência e pseudociência são


modos diametralmente opostos de enxergar a natureza. A ciência confia – e insiste – no
autoquestionamento, na testagem e no pensamento analítico, o que torna difícil enganar-se
ou esquivar-se de enfrentar os fatos. A pseudociência, por outro lado, preserva as formas de
pensar antigas, naturais, irracionais e não objetivas – que são centenas de milhares de anos
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mais velhas que a ciência – processos mentais que deram origem a superstições e outras ideias
fantasiosas e errôneas sobre o homem e a natureza – que vão desde o vudu até o racismo;
deste a Terra plana até o Universo em forma de casa com Deus no sótão, Satã no porão e o
homem no térreo; desde as danças da chuva até torturar e brutalizar os mentalmente
enfermos para expulsar os demônios que os possuem. A pseudociência encoraja as pessoas a
acreditar naquilo que quiserem. Fornece “argumentos” plausíveis para enganar-se a si mesmo
até achar que toda e qualquer crença é igualmente válida. A ciência começa dizendo: vamos
esquecer o que achamos que seja, e tentar, mediante investigação, descobrir o que realmente
é. Esses caminhos não se cruzam e conduzem a direções totalmente opostas.

Alguma confusão sobre este ponto origina-se daquilo que chamamos de


`encruzilhada´. `Ciência´ não é um distintivo honorário para se ostentar, é uma atividade que
se exerce. Ao cessar tal atividade, deixa-se de ser cientista. Uma desoladora quantidade de
pseudociência é gerada por cientistas bem treinados num certo campo, que se aventuram
noutro em que são ignorantes. O físico que alega ter descoberto um novo princípio biológico –
ou o biólogo que alega ter descoberto um novo princípio da física – quase invariavelmente
estão praticando pseudociência. Também a praticam aqueles que falsificam dados, ou
suprimem dados que conflitam com suas preconcepções, ou recusam-se a permitir que outros
vejam seus dados para avaliação independente. A ciência é como um alto cume de integridade
intelectual, imparcialidade e racionalidade. O cume é escorregadio, e é preciso um esforço
tremendo para manter-se próximo a ele. O relaxamento carrega-nos embora, em direção à
pseudociência.

Algumas pseudociências são produzidas por indivíduos com pequeno grau de


treinamento científico ou técnico, que não são cientistas profissionais, nem compreendem a
natureza do empreendimento científico – porém consideramse “cientistas”.

Poder-se-ia perguntar se não há exemplos de “encruzilhadas” na direção oposta, isto


é, pessoas que os cientistas consideravam como praticantes de pseudociência, mas acabaram
sendo aceitos como praticantes de ciência válida, com ideias que acabaram sendo aceitas
pelos cientistas. Pelo que acabamos de expor, seria de esperar que isto ocorresse
raríssimamente, ou mesmo nunca. De fato, nem eu nem nenhum colega abalizado por mim
questionado sobre o assunto conhecemos um único caso em que isso haja ocorrido durante as
centenas de anos em que o método científico pleno passou a ser conhecido e empregado
pelos cientistas. Há muitos casos em que um cientista é visto como equivocado por seus
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colegas, mas posteriormente – quando surgem novas informações – mostra-se que estava
certo.

Como todo mundo, os cientistas também têm palpites de que algo é possível, sem
dispor de evidência suficiente para convencer seus colegas de que estão certos. Essas pessoas
não são pseudocientistas, a menos que continuem a defender suas ideias mesmo quando as
evidências em contrário se acumulem. Errar ou enganar-se é inevitável, pois somos todos
humanos, e todos cometemos erros e falhas. Os verdadeiros cientistas mantêm-se alertas
quanto à possibilidade de falhas e são rápidos em corrigir seus erros. Os pseudocientistas não

o são. De fato, uma definição abreviada de pseudociência é: “um método para


desculpar, defender e preservar erros.”

A pseudociência frequentemente parece a pessoas educadas e racionais por demais


desprovidas de sentido e absurda para ser perigosa, e uma fonte de divertimento mais que de
medo. Infelizmente, esta não é uma atitude sensata. A pseudociência pode ser extremamente
perigosa.

Ao penetrar em sistemas políticos, justifica atrocidades em nome da pureza racial. Ao


penetrar no sistema educacional, pode expulsar a ciência e o bom-senso. No campo da saúde,
ela condena milhares à morte ou sofrimento desnecessários. Ao penetrar na religião, gera
fanatismo, intolerância e guerra santa. Ao penetrar nos meios de comunicação, pode dificultar
o acesso dos eleitores a informações concretas sobre questões públicas importantes.”

COKER, R. Como distinguir Ciência de Pseudociência? Disponível em


:http://geocities.com/quackwatch/pseudo. html?200519 Acesso em: 10 jul. 2009.

A base de uma ciência é a curiosidade, já que foi dessa forma, ou seja, partindo dos
questionamentos do homem e sua capacidade de compartilhar o que aprendeu que a ciência
foi sendo construída desde os primórdios da humanidade, primeiramente de forma empírica,
e, depois com o desenvolvimento dos métodos, de forma organizada e lógica, originando
assim a pesquisa científica.

O conhecimento empírico é obtido ao acaso, após inúmeras tentativas através de


ações não planejadas. É, por exemplo, aquele jeitinho de abrir a janela que depois de tentar
algumas vezes conseguimos...
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Começamos a pensar sobre os limites da ciência e vamos entender como ela funciona
na prática. Os tipos de pesquisa podem ser definidos de acordo com o objeto de estudo do
pesquisador. Tais divisões são meramente didáticas, uma vez que a ciência corresponde ao
todo, à interligação entre os saberes de diferentes áreas. A pesquisa pode ser classificada de
acordo com a sua natureza (básica ou aplicada) e quanto aos seus objetivos (exploratória,
descritiva ou explicativa).

A pesquisa de natureza básica é a que servirá de fonte referencial para a realização da


pesquisa aplicada. As teorias sobre os números e equações matemáticas são exemplos de
pesquisa de natureza básica. Já a pesquisa aplicada utiliza a pesquisa básica para gerar
produtos ou processos com finalidade imediata, por exemplo: geração de tecnologia. Antes de
o computador chegar à sua casa, cada componente teve de ser desenvolvido e, no entanto,
muitos desses componentes com certeza não chegaram ainda a ser utilizados na prática.

Quanto aos seus objetivos, a pesquisa poderá ser exploratória, que busca constatar
algo num organismo ou um fenômeno, por exemplo: a análise de um comportamento animal;
descritiva, que descreve características de um determinado fenômeno ou de um grupo através
de coleta de dados, questionários e / ou observação. Por exemplo: levantamento comercial
sobre o consumo de determinado produto; ou então explicativa, a qual busca a identificação
dos fatores que determinam um fenômeno ou problema, por exemplo: determinação da causa
de uma doença. Muitas vezes, a pesquisa pode atender a mais de uma classificação, de acordo
com o autor considerado.

No texto “A evolução da ciência”, de José Luis de Paiva Bello,


www.pedagogiaemfoco.pro.br/met03.htm (Acesso em: 24 jan. 06), temos um resumo de
como tudo aconteceu:

Do medo à Ciência

A evolução humana corresponde ao desenvolvimento de sua inteligência. Sendo assim,


podemos definir três níveis de desenvolvimento da inteligência dos seres humanos desde o
surgimento dos primeiros hominídeos: o medo, o misticismo e a ciência.

a) O medo:
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Os seres humanos pré-históricos não conseguiam entender os fenômenos da natureza.


Por esse motivo, suas reações eram sempre de medo: tinham medo das tempestades e do
desconhecido. Como não conseguiam compreender o que se passava diante deles, não lhes
restava outra alternativa senão o medo e o espanto daquilo que presenciavam.

b) O misticismo:

Num segundo momento, a inteligência humana evoluiu do medo para a tentativa de


explicação dos fenômenos através do pensamento mágico, das crenças e das superstições. Era,
sem dúvida, uma evolução já que tentavam explicar o que viam. Assim, as tempestades
podiam ser fruto de uma ira divina, a boa colheita da benevolência dos mitos, as desgraças ou
as fortunas do casamento do humano com o mágico.

c) A ciência:

Como as explicações mágicas não bastavam para compreender os fenômenos, os seres


humanos finalmente evoluíram para a busca de respostas através de caminhos que pudessem
ser comprovados. Dessa forma, nasceu a ciência metódica, que procura sempre uma
aproximação com a lógica.

O ser humano é o único animal na natureza com capacidade de pensar. Essa


característica permite que os seres humanos sejam capazes de refletir sobre o significado de
suas próprias experiências. Assim sendo, é capaz de novas descobertas e de transmiti-las a
seus descendentes.

O desenvolvimento do conhecimento humano está intrinsecamente ligado à sua


característica de viver em grupo, ou seja, o saber de um indivíduo é transmitido a outro, que,
por sua vez, aproveita-se desse saber para somar outro. Assim evolui a ciência.

A evolução da Ciência

Os egípcios já tinham desenvolvido um saber técnico evoluído, principalmente nas


áreas de matemática, geometria e na medicina, mas os gregos foram provavelmente os
primeiros a buscar o saber que não tivesse, necessariamente, uma relação com atividade de
utilização prática. A preocupação dos precursores da filosofia (filo= amigo + sofia sóphos =
9

saber e quer dizer amigo do saber) era buscar conhecer o porquê e o para que de tudo o que
se pudesse pensar.

O conhecimento histórico dos seres humanos sempre teve uma forte influência de
crenças e dogmas religiosos. Mas, na Idade Média, a Igreja Católica serviu de marco referencial
para praticamente todas as ideias discutidas na época. A população não participava do saber,
já que os documentos para consulta estavam presos nos mosteiros das ordens religiosas.

Foi no período do Renascimento, aproximadamente entre o séculos XV e XVI (anos


1400 e 1500) que, segundo alguns historiadores, os seres humanos retomaram o prazer de
pensar e produzir o conhecimento através das ideias.

Nesse período as artes, de uma forma geral, tomaram um impulso significativo.


Michelangelo Buonarrote esculpiu a estátua de David e pintou o teto da Capela Sistina, na
Itália; Thomas Morus escreveu A Utopia (utopia é um termo que deriva do grego, u = não +
topos = lugar e quer dizer em nenhum lugar); Tomaso Campanella escreveu A Cidade do Sol;
Francis Bacon, A Nova Atlântica; Voltaire, Micrômegas, caracterizando um pensamento não
descritivo da realidade, mas criador de uma realidade ideal, do dever ser.

Nos séculos XVII e XVIII (anos 1600 e 1700), a burguesia assumiu uma característica
própria de pensamento, tendendo para um processo que tivesse imediata utilização prática.
Com isso, surgiu o Iluminismo, corrente filosófica que propôs “a luz da razão sobre as trevas
dos dogmas religiosos”. O pensador René Descartes mostrou ser a razão a essência dos seres
humanos, surgindo a frase “penso, logo existo”. No aspecto político, o movimento Iluminista
expressou-se pela necessidade do povo de escolher seus governantes através de livre escolha
da vontade popular.

Lembremo-nos de que foi nesse período que ocorreu a Revolução Francesa em 1789.
O Método Científico surgiu como uma tentativa de organizar o pensamento para se chegar ao
meio mais adequado de conhecer e controlar a natureza. Já no fim do período do
Renascimento, Francis Bacon pregava o método indutivo como meio de se produzir o
conhecimento. Esse método entendia o conhecimento como resultado de experimentações
contínuas e do aprofundamento do conhecimento empírico. Por outro lado, através de seu
1

Discurso sobre o método, René Descartes defendeu o método dedutivo como aquele
que possibilitaria a aquisição do conhecimento através da elaboração lógica de hipóteses e a
busca de sua confirmação ou negação.

A Igreja e o pensamento mágico cederam lugar a um processo denominado, por certos


historiadores, de “laicização da sociedade”. Se a Igreja trazia até o fim da Idade Média a
hegemonia dos estudos e da explicação dos fenômenos relacionados à vida, a ciência tomou a
frente deste processo, fazendo da Igreja e do pensamento religioso razão de ser dos estudos
científicos.

No século XIX (anos 1800), a ciência passou a ter uma importância fundamental.
Parecia que tudo só tinha explicação através da ciência. Como se o que não fosse científico não
correspondesse à verdade. Se Nicolau Copérnico, Galileu Galilei, Giordano Bruno, entre outros,
foram perseguidos pela Igreja, em função de suas idéias sobre as coisas do mundo, o século
XIX serviu como referência de desenvolvimento do conhecimento científico em todas as áreas.
Na sociologia, Augusto Comte desenvolveu sua explicação de sociedade, criando o Positivismo,
vindo logo após outros pensadores; na Economia, Karl Marx procurou explicar a relações
sociais através das questões econômicas, resultando no Materialismo-Dialético; Charles
Darwin revolucionou a Antropologia, ferindo os dogmas sacralizados pela religião, com a
Teoria da Hereditariedade das Espécies ou Teoria da Evolução. A ciência passou a assumir uma
posição quase que religiosa diante das explicações dos fenômenos sociais, biológicos,
antropológicos, físicos e naturais.

A neutralidade científica

É sabido que, para se fazer uma análise desapaixonada de qualquer tema, é necessário

que o pesquisador mantenha uma certa distância emocional do assunto abordado.


Mas será isso possível? Seria possível um padre, ao analisar a evolução histórica da Igreja,
manter-se afastado de sua própria história de vida? Ou ao contrário, um pesquisador ateu
abordar um tema religioso sem um conseqüente envolvimento ideológico nos caminhos de
sua pesquisa?
1

Provavelmente, a resposta seria não. Mas, ao mesmo tempo, a consciência desta


realidade pode nos preparar para trabalhar esta variável de forma que os resultados da
pesquisa não sofram interferências além das esperadas.

É preciso que o pesquisador tenha consciência da possibilidade de interferência de sua


formação moral, religiosa, cultural e de sua carga de valores para que os resultados da
pesquisa não sejam influenciados por eles além do aceitável.”

BELLO, J. L. P. A evolução da ciência. Disponível em: www.pedagogiaemfoco.pro.br/met03.htm Acesso


em: 24 jan. 06.

No site Scientia, História da Ciência : http://scientia.artenumerica.org/histsci.html,


você encontrará muitos artigos disponíveis sobre a história das ciências exatas: matemática,
física e astronomia.

No site Grupo de História e Teoria da Ciência http://www.ifi.unicamp.br/~ghtc/, você


encontrará todas as atividades de pesquisa do Grupo de História e Teoria da Ciência, que
incluem: fundamentos, metodologia e história das ciências – especialmente nas áreas de
ciências físicas e biológicas e também a história das ciências, medicina e técnica em Portugal e
no Brasil.

ATIVIDADES

Fórum: Que tal utilizarmos o fórum para discutirmos um pouco a importância da


pesquisa na História e na Matemática (respectivamente para os alunos de Licenciatura em
História e Licenciatura em Matemática)? Por que é importante pesquisar sempre?
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BIBLIOTECA VIRTUAL

Leitura Básica

1. CHALMERS, A. F. A ciência como conhecimento derivado dos fatos da


experiência. Disponível em: http://www.criticanarede.com/cienciaefactos.html

Leitura Complementar

1. A seguir, vamos visitar o site


http://www.ceticismoaberto.com/ceticismo/index.html para entender melhor e verificar, na
prática, as diferenças entre os conceitos. Nesse site, vamos encontrar diversos textos curtos,
de uma página cada, sobre os mais variados temas pseudocientíficos. Vale a pena conferir!

2. http://www.new-science-theory.com/science-homepage-portuguese.html.

3. http://www.youtube.com/watch?v=fGxrFw9RBQk.

Sugestões de leitura para aprofundamento do conteúdo da


UNIDADE

KOCHE, Jose Carlos Fundamentos da metodologia científica, teoria da ciência e


iniciação à pesquisa. 20.ed. Petrópolis: Vozes, 2002.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia


científica. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2005.

REFERÊNCIAS

CHALMERS, A. F. A ciência como conhecimento derivado dos fatos da experiência.


Disponível em: http://www. criticanarede.com/cienciaefactos.html Acesso em: 09 jul. 2009.
1

COKER, R. Como distinguir ciência de pseudociência? Disponível em:


http://geocities.com/quackwatch/pseudo. html?200519 Acesso em: 10 jul. 2009.