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Pós-graduação Palavra-Chave:
SUICÍDIO INVOLUNTÁRIO OU NÃO PREMEDITADO -
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o ônus da prova de premeditação
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Em recente decisão da 28ª Câmara do Tribunal de Justiça de
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São Paulo, obtivemos uma importante vitória que condenou a
Links Unibanco Seguros S.A., por unanimidade, ao pagamento de
Inscrições indenização referente a apólice de seguro de vida. A seguradora
Boletim EPD negava-se a pagar o prêmio aos beneficiados, esposa e filhos do
Loja Virtual de cujus, pois este havia posto fim a própria vida, suicidando-se
Boletim EPD ao inalar gás de cozinha, após ter feito artefato com mangueira e
máscara. Baseava sua negativa no fato do suicídio não estar
Preencha os dados abaixo
para receber o Boletim EPD
coberto pela apólice, agravado pelo fato que houve
com notícias, artigos e premeditação do segurado ao fazer o artefato, além do segurado
calendário de cursos. não ter efetuado o pagamento da mensalidade do seguro
Nome: justamente no mês em que foi a óbito. O juiz a quo, em sua
sentença, decidiu pela improcedência da ação simplesmente por
E-mail: não haver "previsão contratual para suicídio".

O Contrato
OK
O contrato-apólice trazia a garantia ao segurado, como muitos
outros da mesma espécie, obrigando a seguradora com relação
à morte acidental e como risco excluído o suicídio premeditado.

A forma de excludente acima, do suicidio premeditado, vai contra


a previsão legal do Código Civil e do Código de Defesa do
Consumidor, fato que, por se tratar de matéria de ordem pública,
poderia fazer com que a cláusula fosse declarada nula, ex
ofício, pelo Juiz de 1º instância. Em primeiro lugar, o modelo, no
caso e em geral, é de contrato de adesão. Este, em particular e
por sí só, já afronta o direito do segurado consumidor pois, por
previsão principiológica do CDC, combinada com os arts. 51 e 54
do mesmo codex, a cláusula supracitada é totalmente abusiva,
nula de pleno direito, pois: implica renúncia a direito (art.51 I);
está em desacordo com o sistema de proteção ao consumidor
(art. 51 XV); ofende os princípios fundamentais do sistema
jurídico, restringe direitos ou obrigações fundamentais inerentes
à natureza do contrato e se mostra excessivamente onerosa ao
consumidor-segurado; não está redigida em destaque, ao limitar
o direito do consumidor (art.54 §4º).

Não se pode admitir a exclusão deste risco do contrato de


seguro por se tratar de contrato de adesão e, além disto, a
distinção entre o suicídio premeditado e o suicídio não
premeditado, equiparado à morte acidental, é de complexa
análise. Conforme vemos na Revista do STJ 44/93: "o suicídio
não premeditado é causado normalmente por uma soma de
fatores, não apenas internos mas também externos,
assemelháveis a acidentes. E, em contrato de adesão, não se há
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de admitir a exclusão do risco, que é da essência do contrato de
seguro".

De fato, o Novo Código Civil trouxe a seguinte previsão em


relação ao assunto, mais precisamente no art. 798: "O
beneficiário não tem direito ao capital estipulado quando o
segurado se suicida nos primeiros dois anos de vigência inicial
do contrato, ou de sua recondução depois de suspenso,
observado o disposto no parágrafo único do artigo antecedente.
Parágrafo único: Ressalvada a hipótese prevista neste artigo, é
nula a cláusula contratual que exclui o pagamento do capital por
suicídio do segurado"

Carência de 2 anos

O art. 798 fala do prazo de carência de dois anos. O que o


legislador queria tutelar com o respectivo tipo legal? A questão
da premeditação imposta por Lei. Esta determinação foi criticada
pois desconsiderou o pensamento dominante dos Tribunais
Superiores, com toda a discussão jurisprudencial de anos que
conduziu ao desfecho da edição de duas súmulas: STF -
Súmula 105 - "Salvo se tiver havido premeditação, o suicídio do
segurado no período contratual de carência não exime o
segurador do pagamento do seguro"; STJ - Súmula 61 - "O
seguro de vida cobre o suicídio não premeditado."

O conceito de suicídio é separado em dois: suicídio voluntário ou


premeditado e suicídio involuntário. A previsão do Novo Código
Civil sobre o prazo de carência de dois anos é presunção de
que, neste período o suicídio seria voluntário. Entretanto,
trata-se de presunção juris tantum. Ocorrendo o suicídio de
forma involuntária dentro do período de carência, há direito à
indenização.

Suicídio Involuntário

O suicidio involuntário, mesmo que dentro da carência, portanto,


não pode ser excluido da cobertura do contrato de seguro de
vida, principalmente em contrato de adesão. Resta-nos
determinar o que seria suicídio involuntário, já que, à primeira
vista o ato de ceifar a própria vida parece sempre ser voluntário.
O primeiro fundamento ou corrente, diz que suicídio involuntário
é aquele em que o agente não está em perfeito gozo de seu
juízo - embora ainda possa parecer que "perfeito gozo de juízo"
para quem se mata é um conceito de difícil aplicação - apesar
de haver a manifestação de vontade. O Ministro Barros Monteiro,
quando do julgamento do REsp 194-PR, determinou o que seria
suicídio involuntário, ainda sob a vigência do Código Civil de
1916: "Segundo se infere do preceituado no art. 1440, parágrafo
único, do Código Civil, o suicídio involuntário ou não premeditado
dá-se quando o agente não se acha no gozo de seu juízo perfeito.
Opõe-se ao suicídio voluntário ou premeditado, que se
caracteriza pela consciente e racional intenção da vítima de
matar-se". Como diz Manoel Justino Bezzera Filho (in "Aspectos
Controvertidos do Novo Código Civil", Coordenação Arruda Alvim
e outros, Ed. Revista dos Tribunais, pág. 460): "Caso clássico de
suicídio voluntário estaria na morte de Getúlio Vargas, que, de
forma consciente e com preciso cálculo das consequências
políticas que daí adviriam, preferiu suicidar-se a renunciar ao
cargo". Segundo Clovis Beviláqua: "A lei não admite seguro
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contra a morte voluntária, e considera tal a recebida em duelo,
bem como o suicídio premeditado por pessoa em seu juízo (...) O
suicídio, para anular o seguro deve ser consideradamente
deliberado, porque será um modo de procurar o risco,
desnaturando o contrato. Se, porém, o suicídio resultar de grave,
ainda que subtânea, perturbação da inteligência, não anulará o
seguro. A morte, neste caso, não se pode considerar voluntária;
será uma fatalidade; o indivíduo não a quis, obedeceu a fatores
irresistíveis."

Suicídio premeditado é, portanto, a intenção deliberada de se


matar, o que exclui aqueles casos em que o segurado estava
mentalmente afetado, por ruína financeira ou outros fatos que
acarretem o mesmo efeito. Como visto, o STJ e o STF
consideram o suicídio involuntário como equiparado a acidente.
Não pode ser excluído contratualmente, principalmente em
contratos de adesão. É posicionamento pacificado.

A Superintendência de Seguros Privados - SUSEP


manifestou-se em duas Instruções, de 1999, sobre a exclusão
de suicídio não premeditado ou involuntário: Nº18 - É vedada a
inclusão de cláusula excluindo o suicídio não premeditado em
contrato de seguro de vida e de previdência privada aberta; Nº19
- A mera alegação de excludente de cobertura não é suficiente
para desobrigar a seguradora. Impondo-se, para a isenção de
responsabilidade, a demonstração do nexo de causalidade entre
a excludente alegada e o sinistro ocorrido.

Novo entendimento sobre o momento da premeditação do


suicídio e o ônus da prova.

Este ponto levantado pela Instrução nº 19 da SUSEP, sobre a


imposição à seguradora da demostração do nexo de causalidade
entre a excludente alegada e o sinistro ocorrido, como
determinante para excludente de cobertura, já demonstrava a
inversão do ônus da prova, como princípio, e, de fato, a
premeditação é também aquela existente no momento da
contratação do seguro - e não apenas a da concretização do ato
mortal contra si próprio, e cabe à seguradora prová-la. Este é
entendimento recente da 3ª Turma do STJ, observando que, em
casos como esse, o suicídio deve se considerar como acidente,
sendo devida a indenização. A decisão do tribunal superior
confirma julgado do TJRS. No caso, A relatora, ministra Nancy
Andrighi, manifestou-se de forma que o julgado deu uma nova
definição para suicídio premeditado: "a premeditação a que se
refere a súmula, contudo, é a existente no momento em que se
contratou o seguro". É ônus da seguradora provar que o
segurado já tivesse, no momento da contratação, a intenção de
se suicidar depois. (Resp nº 472236)

O STJ, após definir que "o suicídio não premeditado é de


considerar-se abrangido pelo conceito de acidente para fins de
seguro", prossegue no sentido que o ônus da prova de tratar-se
de suicídio voluntário é da seguradora. Segundo o Ministro
Barros Monteiro, relator do REsp 194-PR: "Não evidenciam os
autos cuidar-se, in casu, de suicídio voluntário. Competia às
seguradoras o ônus de comprovar a sua ocorrência, conforme
entendem sem discrepância a jurisprudência (cf além dos arestos
já citados, o inserto na RTJ 110/419-423) e a doutrina, valendo
ressaltar-se as lições de Carvalho Santos e de João Luiz Alves.
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Para o primeiro, 'o suicídio, todavia, presume-se sempre como
ato de inconsciência, cabendo a quem tiver interesse provar o
contrário, de modo a destruir tal presunção".

Este é o mesmo entendimento do Tribunal de Justiça de São


Paulo (RT 575/150), entendendo que a prova de o suicídio ter
sido voluntário sempre é da seguradora, que recusa o
pagamento. O princípio da boa-fé, da mesma forma, deve estar
presente em todos os contratos, não escapando, claramente, os
de seguro. O Código Civil dispõe que a boa-fé é essencial aos
contratos, como o de seguro. Esta previsão está expressa no art.
765 do CC, que estabelece que tanto segurador como segurado
são obrigados, da conclusão à execução dos contratos de
seguro, a guardar a mais extrita boa-fé. As informações
prestadas quando da formalização do contrato, desta forma, são
tidas como verdadeiras, até prova em contrário. A presunção é
da existência da boa-fé e a quem interessar destruir esta
presunção é que cabe à prova, no caso a seguradora. Esta
determinação ainda é ratificada pelo inciso II do art. 333 do CPC
e pelo princípio da facilitação da defesa do consumidor,
segundo o inciso VII do art. 6º do CDC, invertando o ônus de
prova.

Quanto ao atraso no pagamento da parcela de seguro, a


jurisprudência pacificou a questão. O segurado, mesmo
inadimplente, ainda continua coberto pelo seguro até esgotado
os meios de cobrança e até comunicação formal da seguradora.
A quitação da parcela do seguro, mesmo que feita após o
vencimento, produz os devidos efeitos legais para os casos de
pagamento da indenização pela empresa seguradora. Já em
relação ao suicídio como voluntário, o ônus de sua prova cabe à
seguradora. No momento em que o segurado contrato o seguro,
e no ato final de por fim à própria vida. Como fazê-lo? Este é um
desafio que não compete ao consumidor.

EDUARDO WEISS MARTINS DE LIMA


- Mestre em Direito das Relações Econômicas Internacionais pela PUC/SP;
- MBA em Gestão Estratégica de Negócios pelo ITA-SJC/ESPM;
- Especialista em Direito do Consumidor pela PUC/SP; em Comércio Exterior pela FGV/SP e
em Marketing pela ESPM;
- Advogado e consultor Empresarial/Internacional;
- Membro de diversas entidades, como CENP, CONAR, entre outras;
- Autor do anteprojeto de Lei "Empresa Estratégica Brasileira em Sistema de Defesa";
- Autor do livro:"Proteção do Consumidor Brasileiro no Comércio Eletrônico Internacional".

(22/09/2009)

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