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Federalismo e Sistema Constitucional Tributário

Conceito e características de um Estado Federado (ou


Federal)
• Conceito de Estado Federado – Modelo de organização de um Estado (Federal), que pode
surgir de duas formas:
◦ Por agregação – União de diversos Estados (Membros) livres, que abrem mão de sua
soberania para se fundirem em um único Estado, mantendo apenas a autonomia ;
◦ Por desagregação – Subdivisão interna de um Estado soberano em partes autônomas.
• Trata-se, portanto, de uma Forma de Estado.
• Origem: Formação dos Estados Unidos da América, a partir da união das antigas treze
colônias britânicas, em 1787, na célebre Convenção da Filadélfia
• Particularidades do modelo Brasileiro:
◦ Municípios e Distrito Federal.
◦ Municípios encontram-se fragilizados (Receitas < Despesas)
• Principais características:
◦ Descentralização do poder político (várias esferas/níveis de governo).
▪ Central/Federal– União (âmbito nacional);
▪ Regional – Estados (Estados-membros/Províncias/Cantões/etc.);
▪ Local – Municípios;
▪ O Distrito Federal é uma figura anômala do Federalismo Brasileiro. Possui
competências Estaduais e Municipais;
◦ Personalidade jurídica dos Estados-membros;
▪ Só a Federação possui personalidade jurídica internacional;
▪ Estados-membros possuem personalidade jurídica de direito público interno,
podendo adquirir direitos e contrair obrigações, nos limites constitucionais.
◦ Repartição constitucional de competências;
◦ Soberania do Estado Federal;
▪ Uma Federação não se confunde com uma Confederação, onde tanto a entidade
nacional quanto as entidades confederadas gozam de soberania.
◦ Pacto federativo ;
▪ Entes autônomos, mas não soberanos (Não se admite secessão. Cláusula pétrea na
CF)
◦ Autonomia não se confunde com soberania (plano internacional).
◦ União (Repartição interna de âmbito nacional) ≠ Federação (Estado soberano)
◦ Autonomia Política e Administrativa dos Estados-membros
▪ Não se admite o cerceamento à autonomia dos Entes *.
▪ Limites a essas autonomias.
• Não direito à secessão (principal);
• Repartição constitucional das Competências;
▪ Existência de Suprema Corte para resolver conflitos e dirimir dúvidas quanto às
competências;
▪ Das autonomias:
• Política;
◦ Capacidade de autogoverno – Capacidade (do povo de cada ente) de escolher
seus próprios dirigentes, realizando suas próprias eleições. Os entes,
representados por seus dirigentes, possuem a capacidade de definir seus
próprios programas de governo.
◦ Capacidade de se autoadministrar – Capacidade de exercer por si mesma suas
competências;
◦ Capacidade de se auto-organizar – Capacidade (relativa, pois submete-se à
repartição de competências estabelecidas na CF) de definir sua própria
estrutura organizacional e de editar suas próprias normas regedoras:
Constituições, Leis orgânicas e leis;
▪ Capacidade de legislar é, portanto, intimamente relacionada à capacidade
de auto-organização, fruto da autonomia política;
▪ Essas normas regedoras não podem restringir as garantias previstas na
CF, mas podem ampliá-las;
◦ Os Entes participam da gestão Federal; (princípio da participação,
concretizado pela composição do Senado, que pode legislar e até propor EC);
◦ Não admite-se ingerência política.
▪ *Intervenção Federal e Estadual limitada às circunstâncias excepcionais
(previstas na CF);
• Administrativa;
◦ Não se submete à vinculação hierárquica ao ente instituidor;
◦ Não admite-se ingerência administrativa.
▪ *Intervenção Federal e Estadual limitada às circunstâncias excepcionais
(previstas na CF);
▪ Os Estados-membros possuem:
• Poder de Estado (capacidade de impor obrigações);
• Competência legislativa;
◦ Equidade representativa dos Estados membros no Legislativo federal
(Senado. Os municípios não possuem representantes no congresso nacional)
◦ Harmonização dos dispositivos normativos do Entes com o do Estado
Federado;
◦ Não há hierarquia entre os entes, mas sim competências distintas,
concorrentes e/ou complementares;
• Orçamento próprio;
• Capacidade Financeira.
◦ Decorre do Poder de Estado, que pode impor, ao particular, obrigações
tributárias (competência tributária), constituídas por meio de Leis, que
decorrem de competência legislativa;
◦ Capacidade de auferir renda, através do poder de tributar (derivado da
competência legislativa);
◦ Sustenta a execução das demandas administrativas;
◦ Necessidade de equilíbrio entre receitas e despesas (LRF – Lei de
responsabilidade fiscal)
◦ Necessidade de equilíbrio na repartição das Rendas (auferidas conforme
competências tributárias) entre os Entes.
▪ As desigualdades são sanadas através do Sistema Tributário
Constitucional, que tem o papel de redistribuir as rendas
• Participação dos Entes na arrecadação (fonte de 2015):
◦ União: 68,26%
◦ Estados: 25,37%
◦ Municípios: 6,37%
• Após as redistribuições:
◦ União: 58%;
◦ Estados: 24%;
◦ Municípios: 18%.
▪ Federalismo cooperativo.
▪ Adoção de convênios e consórcios
• Consórcio – Parceria entre dois entes para a realização de objetivos
de interesse comum;
◦ instrumento comumente utilizado por municípios;
◦ devem ser disciplinados por leis dos entes que entre si cooperam;
◦ Podem autorizar a gestão associada de serviços;
◦ Lei 11.107/2005
◦ Pessoa jurídica que integra a Administração Pública Indireta dos
entes consorciados;
▪ Associação Pública, quando PJ de direito público (espécie de
autarquia interfederativa);
▪ Associação Civil, quando PJ de direito privado, sem fins
econômicos;
• Convênios -

Federalismo
• Definição: Forma de organização político-territorial. Baseia-se no compartilhamento da
soberania territorial. Busca-se compatibilizar a autonomia dos entes com a interdependência
entre as partes;
• Princípios básicos:
◦ Princípio da Soberania;
▪ concretiza-se em mecanismos de manutenção da unidade e integridade do Estado
Federal;
• vedação ao direito de secessão;
• possibilidade de intervenção Federal e Estadual;
◦ Princípio da Autonomia;
▪ concretiza-se em mecanismos como:
• atribuição de renda própria;
• competência legislativa;
• competência administrativa;
• autonomia para organizar-se internamente;
◦ Princípio da Participação (na vida política do Estado)
▪ concretiza-se em mecanismos como:
• representação equitativa dos Estados no Congresso Nacional;
• competência para assembleias legislativas proporem Emendas Constitucionais;
◦ Princípio da subsidiariedade (oriundo do Direito Alemão)
▪ Pressupõe:
• autonomia dos Estados membros;
• solidariedade dos entes superiores (de maior âmbito, já que não há hierarquia
entre os entes), em caso de incapacidade dos entes inferiores em atender ao
interesse de seus cidadãos;
Conclusão aula 01 parte 01: 22/03/2018
Fontes:
http://www.conteudojuridico.com.br/artigo,autonomia-dos-entes-federados,46887.html
Luciano Oliveira, 2009, Questões discursivas comentadas – Direito Administrativo