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Apostila de Literatura Brasileira

Quinhentismo

“O Descobrimento” (1500)
 Grandes navegações: busca por novas colônias de exploração que oferecessem
matéria-prima (Recursos minerais, vegetais, especiarias), mão de obra e novo
mercado consumidor para enriquecer a Coroa Portuguesa. Por isso também se
chama ao período de Colonização.
 Expansão da fé católica.

 Controvérsias sobre sua classificação enquanto período literário: a produção era


esparsa, voltada para um público muito restrito (o rei e o secretário) e,
principalmente, sem grande valor estético.
 Literatura de informação e literatura de catequese.

Literatura de informação
 Textos predominantemente descritivos (natureza exótica, força dos nativos,
nudez deles, riqueza mineral)
 Textos eurocêntricos: não levam em consideração a estrutura social já existente
no momento de sua chegada, relatando confrontos culturais.
 Nativismo: exaltação das belezas naturais, o que será fundamental para o
nascimento do romantismo (nacionalismo)
 Principais obras quinhentistas

 Epístola a El Rey Dom Manuel - A certidão de nascimento do Brasil ou A carta


de achamento: informava ao rei de Portugal sobre as descobertas feitas durante
os primeiros dez dias de chegada à nova terra.
De ponta a ponta, é tudo praia-palma, muito chã e
muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar,
muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos
ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito
longa. Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro,
nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho
vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares [...].
Porém o melhor fruto que dela se pode tirar me parece
que será salvar esta gente.
Carta de Pero Vaz de Caminha. In: MARQUES, A.; BERUTTI, F.; FARIA, R.
História moderna através de textos. São Paulo: Contexto, 2001.
A carta de Pero Vaz de Caminha permite entender o
projeto colonizador para a nova terra. Nesse trecho, o
relato enfatiza o seguinte objetivo:
A Valorizar a catequese a ser realizada sobre os
povos nativos.
B Descrever a cultura local para enaltecer a
prosperidade portuguesa.
C Transmitir o conhecimento dos indígenas sobre o
potencial econômico existente.
D Realçar a pobreza dos habitantes nativos para
demarcar a superioridade europeia.
E Criticar o modo de vida dos povos autóctones para
 evidenciar a ausência de trabalho.

10) Assinale V para alternativas verdadeiras e F para falsas sobre o Quinhentismo:

( ) A produção durante o período literário do Quinhentismo foi vasta e regular,


utilizando técnicas sofisticadas na construção dos textos.

( ) O Quinhentismo abrange duas formas de literatura: a de informação e a de


catequese.

( ) A natureza é descrita como exuberante e vasta, possuidora de terras férteis e


águas abundantes e cristalinas.

( ) A Carta de achamento do Brasil tem valor unicamente literário, devido aos


recursos estilísticos utilizados por Pero Vaz de Caminha em sua elaboração.

( ) A cultura indígena é retratada na Epístola a El Rey D. Manuel de forma


análoga à cultura europeia. Seus costumes e hábitos são descritos com familiaridade,
levando-se em consideração as diferenças de organização social daqueles povos.

( ) A Colonização do Brasil também foi impulsionada pela necessidade de


expansão da fé católica, ameaçada pelas mudanças ocasionadas pela ascensão do
Protestantismo.

20) A famosa “Carta de achamento do Brasil”, mais conhecida como “A carta de Pero
Vaz de Caminha”, foi o primeiro manuscrito que teve como objeto a terra recém-
descoberta. Nela encontramos o primeiro registro de nosso país, feito pelo escrivão do
rei de Portugal, Pero Vaz de Caminha. Podemos inferir, então, a seguinte intenção dos
portugueses:

(a) objetivavam o resgate de valores e conceitos sociais brasileiros.

(b) buscavam descobrir, através da arte, a história da terra recém-descoberta.

(c) estavam empenhados em conhecer um pouco mais sobre a arte brasileira.


(d) firmar um pacto de cordialidade com os nativos da terra descoberta .
(e) explorar a tão promissora nova terra.

30) Leia o texto “Erro de português”, de Oswald de Andrade, para responder à questão.

Erro de português

Quando o português chegou


Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena! Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.

(Oswald de Andrade)

Podemos observar que há uma crítica do autor em relação aos povos colonizadores,
sobretudo uma crítica sobre as intenções europeus, amplamente expressas na literatura
produzida durante o Quinhentismo. A crítica de Oswald de Andrade está presente no
verso:

(a) “Quando o português chegou (...)”;

(b) “(...) Debaixo de uma bruta chuva (...)”;

(c) “(...) O índio tinha despido (...)”;

(d) “(...) Que pena! Fosse uma manhã de sol (...)”.

40) Leia o poema abaixo, em seguida assinale a alternativa correta:

Estilo colonial

Um dia
Os europeus subiram o rio
Trazendo na canoa
Um canhão

Os índios
Que viviam nesta região
Descobriram que a flecha
Não era nada diante do canhão

Os europeus
Cobriram os índios de bala
De canhão

E celebraram uma missa


Em comemoração.

(Eliakin Rufino)
 O título não é coerente com o restante do poema, pois refere-se exclusivamente à
uma forma de arquitetura resultante do encontro das culturas europeia e
ameríndia.
 O poema faz alusão ao processo de colonização do Brasil pelos portugueses e
aos confrontos entre eles e os povos nativos, decorrentes da necessidade de
exploração dos recursos minerais, naturais e da mão de obra indígena.
 O poema traz a igualdade de forças entre europeus e indígenas, que se pode
perceber nos versos “Os índios/ Que viviam nesta região/ Descobriram que a
flecha/ Não era nada diante do canhão”.
 Os versos “Os europeus/ Cobriram os índios de bala/ De canhão” referem-se
apenas à troca de objetos entre portugueses e nativos, dentre os quais
vestimentas que eram usadas pelos indígenas.
 Os versos “E celebraram uma missa/ Em comemoração” indicam o caráter
pacífico da catequização dos indígenas, que tinha como objetivo apenas a
salvação espiritual deles, que quando alcançada era motivo de comemoração.

 – LITERATURA JESUÍTICA

 Contexto histórico

 Em 1549, chegaram os primeiros jesuítas incumbidos de catequizar os
índios e de instalar o ensino público no país. Fundaram os primeiros
colégios, que foram, durante bastante tempo, a única atividade
intelectual existente na Colônia. Os missionários preocupavam-se em
catequizar apenas os índios; os negros, que começaram a chegar, eram
ignorados. As obras escritas pelos jesuítas podem ser assim
classificadas:
• Poemas e peças teatrais com o objetivo de catequizar e moralizar;
• Textos informativos, que abordam principalmente questões relativas à
catequese;
• Poemas sem finalidade catequética ou informativa.

Do ponto de vista estético, os jesuítas foram responsáveis pela melhor
produção literária do Quinhentismo brasileiro. O instrumento mais
utilizado para atingir os objetivos pretendidos pelos jesuítas – moralizar
os costumes dos brancos colonos e catequizar o índio – foi o teatro.
Catequizar e moralizar significava: combater a antropofagia, o
politeísmo, a mancebia (união sem o casamento legal) e divulgar o
cristianismo. Para tanto, os jesuítas chegaram a aprender a língua tupi,
que era então conhecida como “língua geral”, e utilizaram-na como
veículo de expressão. Os índios não eram apenas espectadores desse
teatro, mas também atores, dançarinos e cantores.

Entre as peças de teatro da época, destaca-se o Auto de São Lourenço,


escrita pelo padre José de Anchieta. Nela, o autor conta em três línguas
(tupi, português e espanhol) o martírio de São Lourenço, que preferiu
morrer queimado a renunciar à fé cristã.

Na poesia, também merece destaque a obra do padre Anchieta, que


escreveu poemas didáticos, com finalidade catequética e poemas não
relacionados à catequese, que revelam sua necessidade de expressão.

Seus poemas mais conhecidos são: do Santíssimo Sacramento e A


Santa Inês.

EXPOENTE: José de Anchieta (1534-1597)
 José de Anchieta foi historiador, gramático, poeta, teatrólogo, e um
padre jesuíta espanhol que teve a função de catequizar os índios que
estavam aqui no Brasil. Foi considerado um defensor dos índios contra
os abusos dos colonizadores portugueses. Dessa maneira, ele aprendeu
a língua tupi e desenvolveu a primeira gramática da língua indígena,
chamada de "Língua Geral". Suas principais obras são: "Arte de
gramática da língua mais usada na costa do Brasil" (1595) e "Poema à
virgem".
 Os autos anchietanos contribuem para deculturar os índios, que assim
perdem a sua identidade. Desajustados ante a nova ordem social e
psicológica, irão se ver, como disse José Guilherme Merquior,
"dolorosamente arrancados à cultura materna e dolorosamente
desarmados ante a bruta realidade da experiência colonial."

 EXERCÍCIOS

 10) Cronológica e estilisticamente, a obra do Padre José de Anchieta


encontra-se dentro do

 a) Quinhentismo.

 b) Barroco.

 c) Classicismo.

 d) Trovadorismo.

 e) Simbolismo.

 20) São características da poesia do Padre José de Anchieta:

 a) Tinha como principal objetivo orientar os jovens jesuítas que


desembarcavam no Brasil com a missão de catequizar os índios.

 b) No teatro de José de Anchieta estão presentes a paródia, cujo


objetivo é fazer rir dos tipos sociais estereotipados, e a preocupação
didático-religiosa, cuja intenção era transmitir a doutrina da Igreja
Católica.

 c) função pedagógica; temática religiosa; expressão em redondilhas, o


que permitia que fossem cantadas ou recitadas facilmente.

 d) Em sua obra não é possível notar a predominância de uma temática,


porém, pode-se afirmar que essa não apresenta qualquer função
pedagógica ou catequética.

 e) Seu talento dramático para criar personagens e situações permitiu-lhe


criar formas teatrais diversas através da observação da sociedade.

 30) (UFV) Leia a estrofe abaixo e faça o que se pede:

Dos vícios já desligados


nos pajés não crendo mais,
nem suas danças rituais,
nem seus mágicos cuidados.

(ANCHIETA, José de. O auto de São Lourenço [tradução e adaptação


de Walmir Ayala] Rio de Janeiro: Ediouro[s.d.]p. 110)

 Assinale a afirmativa verdadeira, considerando a estrofe acima,


pronunciada pelos meninos índios em procissão:

a) Os meninos índios representam o processo de aculturação em sua


concretude mais visível, como produto final de todo um empreendimento
do qual participaram com igual empenho a Coroa
Portuguesa e a Companhia de Jesus.

b) A presença dos meninos índios representa uma síntese perfeita e


acabada daquilo que se convencionou chamar de literatura informativa.

c) Os meninos índios estão afirmando os valores de sua própria cultura,


ao mencionar as danças rituais e as magias praticadas pelos pajés.

d) Os meninos índios são figuras alegóricas cuja construção como


personagens atende a todos os requintes da dramaturgia renascentista.

e) Os meninos índios representam a revolta dos nativos contra a


catequese trazida pelos jesuítas, de quem querem libertar-se tão logo
seja possível.
 40) Anchieta só não escreveu:

 a) um dicionário ou gramática da língua tupi;


b) sonetos clássicos, à maneira de Camões, seu contemporâneo;
c) poesias em latim, portugueses, espanhol e tupi;
d) autos religiosos, à maneira do teatro medieval;
e) cartas, sermões, fragmentos históricos e informações.

 50) Poemas são escritos em versos. Verso é cada linha de um poema.


Estrofe é cada grupo de versos de um poema. O trecho lido tem seis
estrofes. Identifique as palavras que rimam em cada estrofe.

 Poema a Santa Inês (trecho)

 I
 Cordeirinha linda,
como folga o povo
porque vossa vinda
lhe dá lume novo!
 Cordeirinha santa,
de Iesu querida,
vossa santa vinda
o diabo espanta.
 Por isso vos canta,
com prazer, o povo,
porque vossa vinda
lhe dá lume novo.
 Nossa culpa escura
fugirá depressa,
pois vossa cabeça
vem com luz tão pura
 Vossa formosura
honra é do povo,
porque vossa vinda
lhe dá lume novo.
 Virginal cabeça
pola fé cortada,
com vossa chegada,
já ninguém pereça.

 Leia as afirmações sobre o poema e marque V para verdadeiro e F para
falso.
 ( ) A palavra “cordeirinha” é uma metáfora que faz alusão aos escritos
bíblicos, nos quais, segundo o Velho Testamento, fazia-se o sacrifício
dos melhores animais de uma criação para que se perdoasse pecados.
 ( ) Os versos da primeira estrofe emparelham-se no esquema AABB.
 ( ) As rimas da primeira estrofe (linda/vinda, povo/novo), por seu valor,
são consideradas ricas, pois as palavras são de categorias gramaticais
diferentes.
 ( ) A rima entre as palavras da quarta estrofe depressa/cabeça, com
relação a sua sonoridade, é considerada perfeita.
 ( ) Com relação à posição nos versos, as rimas são
predominantemente externas.
 ( ) O poema apresenta grande complexidade técnica expressa, de
rimas infrequentes, o que dificultava sua memorização por parte dos
indígenas.
 ( ) O poema trata da luta entre o bem, a crença cristã representada
pela figura de Santa Inês, e o mal, o diabo e a culpa advinda do pecado,
conclamando o povo à conversão religiosa, pois dela adviria a mudança
de vida.
 60) (UFV-MG)
 “Meu bem, meu amor,
 meu esposo, meu senhor,

 meu amigo, meu irmão,
 centro do meu coração,
 Deus e pai!
 Pois com entranhas de mãe
 Quereis de mim ser comigo
 Roubais todo o meu sentido,
 Para vós!”
 José de Anchieta

 Assinale a alternativa que corresponde
 ao texto:
 a) trata-se de um poema barroco, por
 causa do jogo de antíteses.
 b) pertence à fase do Romantismo, como
 revela o intenso sentimento religioso.
 c) percebe-se, pelo desejo de exaltação,
 que é um poema épico do período
 quinhentista.
 d) expressa a religiosidade nos padrões
 simbolistas.
 e) trata-se de um poema lírico do Quinhentismo.

Meu ódio é de ter sido gente

Meu ódio é de ter sido gente, quando poderia [ter sido animal,

de ter sido homem, em tempos de animal.

Meu ódio é de ter amado pouco,

quando poderia ter amado mais,

de ter sido tão careta, em tempos de amores [carnais.

Meu ódio é de ter sido pasto,

quando poderia ter sido flor,

de ter sido merda,

quando poderia desabrochar,

de ter sido água que não corre pro mar,

que morre logo ali, em lago minguado.

Meu ódio é de ter sido eu,

quando poderia ter sido mil,

de ter sido mil outros menos covardes nessa [vida sem sal,

de não ter sido sal que salga,

de não ter sido sal do mar,

mas sal sem graça de lágrimas de dor,

de ter falado aos homens,

como quem acaricia uma flor.

Meu ódio é de ser eu,


quando na madrugada ainda não canta o [sabiá.

Deveria morrer antes, todos os dias,

pois é humilhante ter um cantar tão fraco,

meu Deus, em tempos de tanto desamor.

(Devair Fiorotti)

Atividade

1º) Após a Leitura da poesia de Devair Fiorotti, relacionando com o sermão de Santo
Antônio aos peixes, de Padre Antonio Vieira, classifique como verdadeiras ou falsas as
proposições a seguir:

( ) Ao diálogo estabelecido entre dois textos podemos chamar de intertextualidade.


Assim, os dois textos apresentam uma relação intertextual.

( ) Não há qualquer relação entre os dois textos, visto que foram publicados em
períodos literários diferentes.

( ) Nos dois textos há uma relação entre homens e animais, em que os dois alternam-
se ora a partir de seus defeitos, ora suas virtudes.

( ) Nos versos “De não ter sido sal que salga/ de não ter sido sal do mar”, podemos
interpretar que o eu-poemático arrepende-se de não ter colaborado para com a
diminuição da corrupção e maldade humanas.

( ) Tal como Padre Antonio Vieira no Sermão de Antonio aos peixes, Devair Fiorotti
louva os homens de seu tempo, elogiando suas condutas irrepreensíveis de amor ao
próximo.
2º) Gregório de Matos Guerra foi um autor expoente do movimento Barroco e utilizava
em suas poesias o cultismo. A seguir leia o poema de Roberto Mibielli e classifique as
proposições em verdadeiras ou falsas:

vejo epifanias onde pifam os carros

vejo as dragas e os dragões na lama

dos rios mortos que cortam a cidade

vejo maldade nos olhos abandonados

das crianças cosidas nas calçadas

e um maldar contínuo nos corpos

benevolentes e frios das sacerdotisas

da noite carnívora que abandona

os fracos abraçados à solidão

e faz sorrir árvores de natal

vejo descalças as calçadas da fama

criatividade e lama na raiz do mundo

por isso me escondo nas fendas

e sonho com as partes de mim

que sacrifiquei em busca de paz

Roberto Mibielli

( ) Pode-se perceber a presença de cultismo no poema de Roberto Mibielli quando há


o jogo de palavras tais como: epifanias/ pifam, dragas/ dragões, maldade/maldar,
descalças/ calçadas.

( ) Assim como nas poesias de crítica social de Gregório de Matos Guerra, há na


poesia de Mibielli a denúncia a desigualdades sociais de sua época.
( ) Há proximidade entre Gregório de Matos Guerra e Roberto Mibielli pela presença
do erotismo-pornográfico, evidente nos versos “vejo maldade nos olhos abandonados/
das crianças cosidas nas calçadas/ e um maldar contínuo/ nos corpos/ benevolentes e
frios das sacerdotisas/ da noite carnívora que/ abandona/ os fracos abraçados à
solidão”.

( ) A palavra “paz” ao final do poema, tal como nos poemas de Gregório de Matos
Guerra, é utilizada para indicar o arrependimento dos pecados e a busca pela salvação
da alma através da religião.

(ENEM – 2012) QUESTÃO 04


Em um engenho sois imitadores de Cristo crucificado
porque padeceis em um modo muito semelhante o que
o mesmo Senhor padeceu na sua cruz e em toda a
sua paixão. A sua cruz foi composta de dois madeiros,
e a vossa em um engenho é de três. Também ali não
faltaram as canas, porque duas vezes entraram na
Paixão: uma vez servindo para o cetro de escárnio,
e outra vez para a esponja em que lhe deram o fel. A
Paixão de Cristo parte foi de noite sem dormir, parte foi
de dia sem descansar, e tais são as vossas noites e os
vossos dias. Cristo despido, e vós despidos; Cristo sem
comer, e vós famintos; Cristo em tudo maltratado, e vós
maltratados em tudo. Os ferros, as prisões, os açoites, as
chagas, os nomes afrontosos, de tudo isto se compõe a
vossa imitação, que, se for acompanhada de paciência,
também terá merecimento de martírio.
VIEIRA, A. Sermões. Tomo XI. Porto: Lello & Irmão, 1951 (adaptado).
O trecho do sermão do Padre Antônio Vieira estabelece
uma relação entre a Paixão de Cristo e
A a atividade dos comerciantes de açúcar nos portos
brasileiros.
B a função dos mestres de açúcar durante a safra de cana.
C o sofrimento dos jesuítas na conversão dos ameríndios.
D o papel dos senhores na administração dos engenhos.
E o trabalho dos escravos na produção de açúcar.

ARCADISMO

1º) (UFRR – 2016) Sobre o Arcadismo, é correto afirmar que:


A) expressa a sociedade medieval, teocêntrica, de caráter
servil e fortemente religioso. Ao mesmo tempo, é marcado
pelo surgimento de formas de expressões artísticas de
caráter popular, vinculadas a classes sociais
consideradas “inferiores” à época;
B) é marcado pelo rebuscamento das formas, pela
riqueza de detalhes e pelos contrastes. Influenciado pela
Contrarreforma, foi concebido como uma reação ao
Renascimento;
C) é também chamado de Neoclassicismo, surge como
uma releitura do Renascimento (ou Classicismo),
preconizando uma arte pautada pela observância das
formas clássicas e dos ideais humanistas. O bucolismo e
o pastoralismo podem ser citados como características
do Estilo no Brasil;

2º) (UFRR – 2018)Leia o poema de Tomás Antônio Gonzaga, transcrito a


seguir, e marque a alternativa que aponta três características do Arcadismo brasileiro que nele
podem
ser observadas.

Lira I
Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
Que viva de guardar alheio gado;
De tosco trato, d’expressões grosseiro,
Dos frios gelos, e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal, e nele assisto;
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
E mais as finas lãs, de que me visto.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!
A) Temas urbanos; linguagem simples; medievalismo.
B) Egocentrismo; pastoralismo; denúncia social.
C) Exaltação da vida no campo; linguagem simples;
pastoralismo.
D) Vulgarização da figura da mulher; medievalismo;
egocentrismo.
E) Denúncia social; exaltação da vida no campo; temas
urbanos.
ROMANTISMO
(ENEM – 2010)
Texto I
.________________ _ ____>_ _________!
Meu Deus! não seja já;
Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
Cantar o sabiá!
Meu Deus, eu sinto e bem vês que eu morro
Respirando esse ar;
Faz que eu viva, Senhor! dá-me de novo
Os gozos do meu lar!
Dá-me os sítios gentis onde eu brincava
Lá na quadra infantil;
Dá que eu veja uma vez o céu da pátria,
O céu de meu Brasil!
.________________ _ ____>_ _________!
Meu Deus! Não seja já!
Eu quero ouvir cantar na laranjeira, à tarde,
Cantar o sabiá!
ABREU, C. Poetas românticos brasileiros. São Paulo: Scipione, 1993.
Texto II
A ideologia romântica, argamassada ao longo do século
XVIII e primeira metade do século XIX, introduziuse
em 1836. Durante quatro decênios, imperaram o
“eu”, a anarquia, o liberalismo, o sentimentalismo, o
nacionalismo, através da poesia, do romance, do teatro
e do jornalismo (que fazia sua aparição nessa época).
MOISÉS, M. A literatura brasileira através dos textos. São Paulo: Cultrix, 1971 (fragmento).
De acordo com as considerações de Massaud Moisés
no Texto II, o Texto I centra-se
A no imperativo do “eu”, reforçando a ideia de que
estar longe do Brasil é uma forma de estar bem, já
que o país sufoca o eu lírico.
B no nacionalismo, reforçado pela distância da pátria e
pelo saudosismo em relação à paisagem agradável
onde o eu lírico vivera a infância.
C na liberdade formal, que se manifesta na opção por
versos sem métrica rigorosa e temática voltada para
o nacionalismo.
D no fazer anárquico, entendida a poesia como
negação do passado e da vida, seja pelas opções
formais, seja pelos temas.
E no sentimentalismo, por meio do qual se reforça a
alegria presente em oposição à infância, marcada
pela tristeza.

SIMBOLISMO

PARNASIANISMO

REALISMO

(ENEM – 2010) Quincas Borba mal podia encobrir a satisfação do triunfo.


Tinha uma asa de frango no prato, e trincava-a com
____]______ _________.___@____________________+Z__.__!_
mas tão frouxas, que ele não gastou muito tempo em
destruí-las.
— Para entender bem o meu sistema, concluiu ele,
importa não esquecer nunca o princípio universal,
repartido e resumido em cada homem. Olha: a
guerra, que parece uma calamidade, é uma operação
conveniente, como se disséssemos o estalar dos dedos
___}________.________._____________________________
asa do frango), a fome é uma prova a que Humanitas
submete a própria víscera. Mas eu não quero outro
documento da sublimidade do meu sistema, senão este
mesmo frango. Nutriu-se de milho, que foi plantado por
um africano, suponhamos, importado de Angola. Nasceu
esse africano, cresceu, foi vendido; um navio o trouxe,
um navio construído de madeira cortada no mato por
dez ou doze homens, levado por velas, que oito ou
dez homens teceram, sem contar a cordoalha e outras
partes do aparelho náutico. Assim, este frango, que eu
almocei agora mesmo, é o resultado de uma multidão
__________________!__________________._____________ _
mate ao meu apetite.
ASSIS, M. Memórias póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Civilização Brasiliense, 1975.
`____________._______?_ +__.___}_________._____#__
princípios que, conforme a explanação do personagem,
consideram a cooperação entre as pessoas uma forma de
A lutar pelo bem da coletividade.
B atender a interesses pessoais.
C erradicar a desigualdade social.
D minimizar as diferenças individuais.
E estabelecer vínculos sociais profundos.

PRÉ-MODERNISMO

MODERNISMO

Açúcar
O branco açúcar que adoçará meu café
Nesta manhã de Ipanema
Não foi produzido por mim
Nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.
[...]
Em lugares distantes,
Onde não há hospital,
Nem escola, homens que não sabem ler e morrem de fome
Aos 27 anos
Plantaram e colheram a cana
Que viraria açúcar.
Em usinas escuras, homens de vida amarga
E dura
Produziram este açúcar
Branco e puro
Com que adoço meu café esta manhã
Em Ipanema.
GULLAR, F. Toda Poesia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,1980 (fragmento).

A Literatura Brasileira desempenha papel importante


___ _______ _ _>__F__ __+ __ ______________ _________ .__
_ _______!______ _>__F_____ ___ \_________K ____
A descreve as propriedades do açúcar.
B se revela mero consumidor de açúcar.
C destaca o modo de produção do açúcar.
D exalta o trabalho dos cortadores de cana.
E explicita a exploração dos trabalhadores.

LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORANEA

(ENEM – 2010) As doze cores do vermelho


Você volta para casa depois de ter ido jantar com sua
amiga dos olhos verdes. Verdes. Às vezes quando você
sai do escritório você quer se distrair um pouco. Você
não suporta mais tem seu trabalho de desenhista. Cópias
plantas réguas milímetros nanquim compasso 360º.
de cercado cerco. Antes de dormir você quer estudar
para a prova de história da arte mas sua menina menor
tem febre e chama você. A mão dela na sua mão é um
peixe sem sol em irradiações noturnas. Quentes ondas.
Seu marido se aproxima os pés calçados de meias nos
chinelos folgados. Ele olha as horas nos dois relógios
___ ______ .___ ______ ___._ ___ __ _ ______ __ __ ___ _____ __
dia todo até tarde da noite enquanto a menina ardia em
febre. Ponto e ponta. Dor perfume crescente...
CUNHA, H. P. As doze cores do vermelho. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2009.
A literatura brasileira contemporânea tem abordado,
sob diferentes perspectivas, questões relacionadas
ao universo feminino. No fragmento, entre os recursos
expressivos utilizados na construção da narrativa,
destaca-se a
A repetição de “você”, que se refere ao interlocutor da
personagem.
B ausência de vírgulas, que marca o discurso irritado
da personagem.
C descrição minuciosa do espaço do trabalho, que se
opõe ao da casa.
D autoironia, que ameniza o sentimento de opressão
da personagem.
E ausência de metáforas, que é responsável pela
objetividade do texto.

LITERATURA EM RORAIMA