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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

INSTITUTO DE TECNOLOGIA
FACILDADE DE ENGENHARIA MECÂNICA
DISCIPLINA: MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO MECÂNICA

RELATÓRIO SOBRE NÍQUEL

CRISTIANO LUZ 0818800XX01


DIEGO FERREIRA 0818800XX01
LUIZ LOPES 0818800XX01
MARCELO CARDOSO 0818800XX01
RODRIGO CAVALCANTI 0818800XX01

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Sumario:

Introdução _____________________________________________________2

1. Histórico ____________________________________________________3
2. Ligas de Níquel ______________________________________________ 4
 Exemplo de ligas___________________________________________4
3. Ocorrências no Brasil e no Mundo_______________________________5
 No Brasil _________________________________________________5
 No Mundo ________________________________________________5
 Produção Mineral _________________________________________ 6
4. Principais Sistemas de Classificação e Designação__________________8
5. Processos de Obtenção_________________________________________9
 Histórico de Processos _____________________________________ 9
 Principais Processos_______________________________________10
 Outros Processos__________________________________________11
6. Mercado Mundial de Níquel ___________________________________13
 Consumo ________________________________________________13
 Preço ___________________________________________________ 14
 Mercado brasileiro ________________________________________15
 Investimentos no Brasil____________________________________ 15

Conclusões_____________________________________________________17

Referencias ____________________________________________________18

Anexos ________________________________________________________19

Introdução

O níquel é um metal branco-prateado, dúctil, maleável, peso específico 8,5


g/cm3, dureza escala de Mohs 3,5; tem seu ponto de fusão em aproximadamente 1.453º
C, calor de fusão 68 cal/g, peso atômico 58,68, possuindo grande resistência mecânica à
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corrosão e à oxidação; o sistema de cristalização é isométrico; número atômico 28. Os
minerais de níquel são: os sulfetos (milerita e pentlandita (FeNi9S8), que se apresentam
associados a outros sulfetos metálicos em rochas básicas, freqüentemente
acompanhados de cobre e cobalto. O sulfeto é o principal mineral utilizado,
contribuindo com mais de 90% do níquel extraído. O outro mineral é a garnierita ou
silicato hidratado de níquel e magnésio, que se encontra associado às rochas básicas
(peridotitos), concentrando-se por processos de intemperismo nas partes alteradas, onde
forma veias e bolsas de cor verde maçã).
O metal níquel é obtido através da exploração dos minérios sulfetados e
lateríticos, ambos com reservas e depósitos conhecidos, suficientes a nível mundial,
para a exploração por mais de 100 anos. Este metal possui larga utilização na produção
de aços inoxidáveis, juntamente com o cromo e o molibdênio, e na produção de ligas
especiais, dentre outras aplicações.
Assim analisaremos neste relatório os principais usos do níquel, reservas e
depósitos, produção mineral, processos de produção, custos operacionais, bem como os
potenciais projetos, no cenário mundial. Neste contexto, são apresentados também a
evolução da produção e do consumo de níquel refinado e o comportamento dos preços.

1. Histórico

O nome níquel deriva de “kupfernickel”, referência dada a nicolita pelos


mineiros alemães quando a identificaram no século XVII. Antes da era cristã, o metal já
era utilizado. Moedas japonesas de 800 anos A.C. e gregas de 300 anos A.C. continham

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níquel, acredita-se que seja uma liga natural com o cobre. Nos anos 300 ou 400 A.C.
fabricavam-se armas que possuíam ferro meteorítico, com conteúdo de níquel variando
de 5 a 15%. Em 1751, Axel Frederich Cronstedt descreveu que havia detectado níquel
metálico e, em 1755, o químico sueco Torbern Bergman confirmou seu trabalho. O
minério teve pouca importância real na economia industrial até 1820, quando Michael
Faraday, com a colaboração de seu associado Stodard, foram bem sucedidos fazendo
uma liga sintética de ferro-níquel, sendo o início da liga níquel-aço que tem uma grande
contribuição para o desenvolvimento industrial do mundo.
Em 1838, a Alemanha produziu o primeiro níquel metálico refinado, tendo
iniciado o refinamento com umas poucas centenas de toneladas de minério importado e,
em 1902, foi formada a International Nickel Co. of Canadá Ltd., a principal produtora
de níquel do distrito de Sudbury.
O metal é muito usado sob a forma pura, para fazer a proteção de peças
metálicas, pois oferece grande resistência à oxidação. Suas principais aplicações são em
ligas ferrosas e não-ferrosas para consumo no setor industrial, em material militar, em
moedas, em transporte/aeronaves, em aplicações voltadas para a construção civil e em
diversos tipos de aços especiais, altamente resistentes à oxidação, como os aços
inoxidáveis, bem como em ligas para o fabrico de imãs (metal Alnico), em ligas
elétricas, magnéticas e de expansão, ligas de alta permeabilidade, ligas de cobre-níquel,
tipo níquel-45, e em outras ligas não-ferrosas. A niquelagem de peças é feita por
galvanoplastia, usando banhos de sais de níquel.

2. Ligas de Níquel

As características físico-químicas do níquel permitem que ele ceda


características muito importantes para ligas em variadas aplicações, sendo utilizado
principalmente como elemento de ligas de aço em composição de 13%.

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Dentre as varias características possíveis do níquel destacamos as seguintes:
resistência a quente, devido ao seu alto ponto de fusão; resistência a corrosão, devido
a sua alta dureza e tenacidade; reduzida variação dimensional, dada por seu modulo
de elasticidade de 204GPa e elevada resistência elétrica eletronegatividade baixa, que
garante um grande aquecimento durante a condução elétrica.
 Exemplo de Ligas
– Níquel 200 e níquel 201, 99.5% Ni – resistência a corrosão;
– Duraniquel 301, 94% Ni – 4%Al e ate 1% Ti (e outros) – endurecimento
por precipitação de Ni3(AlTi) → maior resistência mecânica.
– Ni-Cu (Al, Fe, Ti) [Monel] – Endurecimento por envelhecimento → maior
resistência e dureza; Maior resistência a corrosão.
– Ni-Mo [Hastelloy B2] – resistência a corrosão.
– Ni-Cr-Fe [Inconel 600, Incoloy 800] → resistencia a temperaturas elevadas.
– Ni-Cr-Mo [Hastelloy C-276, Hastelloy C-22, Inconel 625] → resistentes a
corrosão alveolar. Aplicação em meios aquosos.
Há também uma variedade de ligas de níquel chamadas super ligas de níquel.
Elas são desenvolvidas para aplicações especiais onde se exige grande resistência
mecânica a temperaturas elevadas, ou seja, elevado resistência a fluência, sendo
amplamente utilizada na industria aeronáutica e aeroespacial, que exigem muito dos
matérias utilizados em seus processos.
Para adquirir tais propriedades a liga passa primeiramente em um processo de
endurecimento por solução sólida de Cr, Co, Fe, Mo, W e Ni que lhe dará resistência
mecânica e depois por um endurecimento por precipitação, formando um compostos
intermetálico de Ni3( Al, Ti) com teores de 5% de alumínio e 1% de titânio, conferindo
assim, resistência a quente para o material.

3. Ocorrências no Brasil e no Mundo


 No Brasil
Os jazimentos de níquel descobertos no Brasil são representados por minérios
silicatados, que provêm da alteração de rochas muito básicas como peridotitos. O
intemperismo mobiliza o níquel sob a forma de silicato hidratado, e o concentra em

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fissuras da rocha em processo de alteração, trazendo-o para a superfície. Nas jazidas
deste tipo encontra-se na parte superior uma camada de laterita niquelífera e mais
abaixo, geralmente, há uma zona enriquecida à custa da rocha subjacente que vai depois
empobrecendo à medida que o níquel se desloca para a superfície. Nas jazidas são
encontradas calcedônias que indicam ações hidrotermais provavelmente relacionadas
com os pegmatitos também freqüentes. O processo de alteração dos peridotitos pode ser
atribuído a ações hidrotermais além do intemperismo.
Analisando, pelo total de reservas nacionais de níquel, o percentual de
participação dos Estados em relação à soma de suas reservas medida, indicada e
inferida, são discriminadas, em primeiro lugar, pelo Estado do Goiás, cujas reservas de
níquel representam 74,78 % do total do País, localizadas nos municípios de
Niquelândia, Americano do Brasil, Barro Alto, Diorama, Goianésia, Iporá, Jussara,
Montes Claros de Goiás; em segundo lugar, o Estado do Pará, que atinge 16,84 %,
distribuídas entre os municípios de Marabá e São Félix; em terceiro, o Estado de Minas
Gerais (4,20%) onde as reservas de níquel estão situadas no município de Fortaleza de
Minas, Ipanema, Liberdade e Pratápolis; em quarta classificação está o Estado do Piauí
(4,18%), em São João do Piauí. Ainda existem reservas de minério de níquel laterítico
em pedido de sobrestamento autorizado pelo Departamento Nacional de Produção
Mineral em áreas de pesquisa no Estado de Mato Grosso que totalizam 14.306.000 t.
com teor médio de 1,75% de Ni, incluindo as classes medida e indicada que foi o objeto
do Relatório Final de Pesquisa protocolizado em 1999.

 No Mundo

No mundo, já foram identificadas reservas de minério de níquel em


aproximadamente 20 países espalhados por todos os continentes, resultando em um teor
global médio acima de 1%. As reservas de maior teor de níquel, a nível mundial, são
estimadas em mais de 47 milhões de t, suficientes por 45 anos, considerando a demanda
atual de níquel da ordem de 980 mil t/ano. Se forem considerados todos os depósitos
com reservas medidas e indicadas, este montante atinge cerca de 130,6 milhões de ton.
Cuba detém o 1º lugar no que se refere às reservas mundiais de níquel, com
17,6% do total, seguida por Nova Caledônia com 12%, Canadá com 11% e Indonésia
com 10%. O Brasil, com 4,5%, encontra-se em 10º lugar no contexto mundial. Estima-
se que, segundo os teores médios praticados, a necessidade brasileira do metal, a

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demanda atual e as atuais reservas medidas e indicadas de níquel contido, dispõem-se de
mais de 100 anos para exploração.
A região do pacífico asiático dispõe de extensos depósitos de minério Laterítico
(denominação de um dos tipos de minério de níquel, posteriormente explicado), com
teores de médio a alto. Nesta região, aproximadamente 70% da produção de níquel
refinado é oriunda de minérios lateríticos, sendo os 30% restantes originados de
minérios sulfetados. Com base nas expansões previstas e nos projetos em
desenvolvimento nesta região, estima-se o crescimento da produção a partir de minério
laterítico, passando de 210 mil t para 296 mil t no período 1998/2000.
 Produção Mineral
A Rússia detém o primeiro lugar como produtor de minério de níquel concentrado
com representativos 19%, através das empresas Norilsk Nickel com 86% da produção
do país e Ural Nickel respondendo pelo restante. Em segundo lugar vem o Canadá com
15% seguido pela Austrália com 11%, posição esta que poderá ser mudada com o novo
processo PAL ( Pressure Acid Leach ) de tratamento do minério laterítico e que vem
sendo desenvolvido principalmente na Austrália. O Brasil ocupa a 7º colocação como
produtor mundial de concentrado de níquel, puxado porPrincipais empresas produtoras
no Brasil: Companhia Níquel Tocantins (Votorantim) - 42,6%, Anglo American
Brasil - 40,7%, e Mineração Serra da Fortaleza (Votorantim) - 16,6%..
Acompanhando um pouco da evolução dos processos produtivos de extração de
minério de níquel nos últimos anos, no período de 1988/ 93 a produção de minério de
níquel no mundo foi crescente, atingindo 32.154 t de níquel contido no minério.
A partir daí houve uma redução verificada na produção durante os anos de 1994,
1995 e 1996 resultante da falta de estímulo no mercado em função da constante queda
nos preços do metal na Bolsa de Metais de Londres (LME – London Metal Exchange)
observada desde 1990, originada da diminuição da demanda industrial e do crescimento
dos embarques russos de níquel para os depósitos da LME. Isso foi um desastre para
alguns produtores marginais do metal para os quais o limite mínimo permitido de
comercialização era de US$ 3,00 por libra-peso e que, no ano de 1994, atingiu US$ 2,88
por libra-peso.
Entretanto, o partir de 1997 começou a ocorrer um aumento gradual na
produção de níquel eletrolítico, em função do aumento no consumo de níquel pela
indústria de aço inoxidável nos países asiáticos, e a conseqüente elevação dos preços no

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mercado internacional em 1998. Esses fatores influenciaram o crescimento da produção
de concentrado de níquel no Brasil, com expansão da lavra da Cia Níquel Tocantins,
obtendo-se acréscimos de 15%, 19% e 35% na produção nacional de níquel contido até
2000.

4. Principais Sistemas de Classificação e Designação

No meio industrial o níquel possuem classificação por classes que são definidas
de acordo com as ligas de níquel utilizadas para cada processo e também de acordo com
o uso dessa liga na indústria. Na classe I, classificam-se os derivados de alta pureza,
com no mínimo 99% de níquel contido (níquel eletrolítico 99,9% e carbonyl pellets

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99,7%) tendo assim larga utilização em qualquer aplicação metalúrgica. A classe II é
composta pelos seus derivados com conteúdo entre 20% e 96% de níquel (ferro-níquel,
matte, óxidos e sinter de níquel), com grande utilização na fabricação de aço inoxidável
e ligas de aço.
Pela composição, o níquel recebe outra classificação, porem, diferentemente da
divisão por classes, estas denominações estão mais ligadas à extração e processamento
do minério de níquel, eles são denominados sulfetados e leteríticos.
Os minérios sulfetados possuem em sua composição, além do níquel, sulfetos
de cobre, cobalto e ferro, assim como alguns metais valiosos (platina, prata e ouro) e
enxôfre, utilizado para a produção de ácido sulfúrico. Originados em camadas
subterrâneas abaixo da região saprolítica, os depósitos de minério sulfetado
correspondem atualmente a cerca de 20% das reservas de níquel do ocidente, sendo
principalmente encontrados na Austrália e CIS, seguidos por Canadá, China, África do
Sul e Zimbábue. Cerca de 55% da produção total de níquel é oriunda dos minérios
sulfetados. Recentemente foi descoberto um importante novo depósito de minério
sulfetado em Voisey Bay, no estado de Labrador, Canadá.
Quanto ao minério laterítico, sua ocorrência se dá numa região mais superficial,
mais especificamente a saprolítica. Seus depósitos, situados principalmente no Brasil,
Cuba, Austrália, Indonésia, Nova Caledônia e Filipinas, possuem teores médios de
níquel em torno de 1,95% e teores de óxido de ferro acima de 24%, além da presença de
cobalto e magnésio.
Vários especialistas têm apontado a necessidade de desenvolver as
possibilidades de exploração das reservas de minério laterítico, visando o atendimento à
demanda futura e a redução dos custos de produção do metal.

5. Processos de Obtenção
 Histórico dos Processos

Segundo estatísticas fornecidas em 1995, o minério sulfetado era o mais


utilizado para a produção de níquel, numa relação de 65% do sulfetado contra 35% do
minério laterítico. A crescente preocupação com a oferta de minério e a redução dos

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custos de extração têm motivado, entretanto, uma tendência de maior utilização do
minério de níquel de origem laterítica.
O minério sulfetado apresenta uma vantagem em termos de custo energético,
pois este representa 15% do custo total da produção, enquanto no laterítico esta
participação atinge 45%, segundo informações fornecidas em relatório do Banco
Mundial, em 1995. Entretanto, dois pontos reforçam a utilização do minério laterítico:
 As reservas de níquel sulfetado têm elevado custo de extração, dado sua
localização profunda;
 Rendimento superior dos minérios lateríticos. Numa amostragem, referente a
28% da produção mundial de níquel primário, realizada pela Preston Resources
Ltda. E apresentada no 2nd Nickel & It’s Markets Seminar, em setembro de
1999 em Bruxelas, Bélgica, foi concluído pela empresa que os teores de níquel
do minério de origem laterítica são superiores aos dos sulfetados, os quais
apresentam, portanto, rendimento inferior.
Atualmente, os minérios lateríticos são mais utilizados para a produção de ferro–
níquel e níquel eletrolítico, sendo os sulfetados direcionados principalmente ao
processamento de níquel eletrolítico. Cerca de 45% da produção mundial de níquel
contido é proveniente de minérios lateríticos.
Na metade desta década, os elevados preços do níquel e do cobalto levaram a
indústria do níquel a buscar alternativas de processos que pudessem reduzir os custos
operacionais, para manter a rentabilidade do negócio em níveis de preços mais baixos
para o níquel e o cobalto. A queda brusca no preço do metal durante 97/98 não reduziu o
interesse no desenvolvimento de novos projetos de níquel.
O desenvolvimento do PAL ( Pressure Acid Leach) , da tecnologia de extração
do níquel por solvente (SX), aliado ao declínio do preço do enxofre –agente
neutralizador-, propiciou a alguns produtores a oportunidade de reconsiderar o maior
desenvolvimento da exploração do minério laterítico, possibilitando inclusive o
aproveitamento de minérios lateríticos com outras características, os quais não eram
utilizados para a produção através dos processos tradicionais.

 Os Principais Processos

Historicamente, as inovações do processo de produção do níquel são fruto


principalmente do aproveitamento da tecnologia inicialmente empregada no
beneficiamento do urânio, e que mais tarde foi também aplicada à indústria do cobre.
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Um bom exemplo disso é o processo de extração por solvente (SX). Utilizando-se das
tecnologias pirometalúrgica e hidrometalúrgica, existem hoje quatro processos que são
avaliados e utilizados pela indústria do níquel. As atuais tecnologias de processo
diferenciam-se basicamente pela etapa inicial. Após a obtenção do sulfeto, todas elas
são bastante semelhantes.
O processo mais utilizado para o beneficiamento de minérios sulfetados consiste
em duas principais etapas. Na primeira, o minério é submetido a uma concentração (via
flotação, no caso de Serra de Fortaleza) que eleva o teor do minério alimentado na
planta em até 10 vezes. Em seguida, ocorre a oxidação do enxofre em fornos flash ou
fornos retangulares, proporcionando a obtenção do matte (composto metálico de
sulfetos em geral). A escória resultante segue para tratamento separado em forno
elétrico para deposição de sulfetos. O matte produzido pode ser então comercializado ou
seguir para o refino (segunda etapa do processo). O refino consiste no ataque com ácido
sulfúrico para obtenção dos sulfatos solúveis, seguido da extração por solventes (SX) e
finalmente a eletrólise para obtenção dos catodos de níquel e cobalto. Os metais
valiosos são precipitados para tratamento em separado.
O processo pirometalúrgico ( FerroNickel Smelting), que é utilizado pela
Codemin e destina-se à produção do ferro–níquel, utiliza-se de minérios da classe 3,
4 ou 5, que após britados, sofrem fusão em fornos elétricos e em seguida passam
por um processo de refino e eliminação das impurezas como o enxôfre e o fósforo.
O processo hidrometalúrgico (Caron de Lixiviação Amoniacal), usado
tradicionalmente pela Cia Níquel Tocantins, é destinado à produção de níquel
eletrolítico. O processo de beneficiamento inicial é desenvolvido pela empresa em
Niquelândia - GO, onde o minério homogeneizado sofre uma britagem através de
britador de rolo duplo, depois é britado e seco ao mesmo tempo num britador de
martelos, e na seqüência é moído em moinho de bolas em circuito fechado com
ciclones. O minério moído e seco vai para os fornos de redução, onde são adicionados
gases redutores (Ni e Co metalizado); em seguida, é resfriado e encaminhado aos
tanques de temperagem onde se adiciona solução amoniacal. A polpa sofre ação do ar,
oxidando o níquel e o cobalto metálico e estes passam para solução através do processo
de lixiviação. Após esta etapa, Ni e Co são extraídos por decantação, a solução rica em
níquel, cobalto e cobre é purificada e na seqüência é encaminhada para torres de
precipitação e secagem, obtendo-se o carbonato básico de níquel e cobalto. O carbonato

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de Ni e Co é transportado da unidade em Niquelândia – GO para outra unidade em São
Miguel Paulista – SP onde é feita a eletrólise para obtenção do níquel e cobalto
metálico.
O processo PAL inicia-se com a preparação do minério que é levado a um funil
de carga, passando em seguida por um lavador e finalmente conduzido para a britagem.
Após esta fase, o minério britado e molhado é levado para a seção de lixiviação, onde é
condensado e lixiviado a uma temperatura de 250o C, para em seguida passar por sete
estágios de decantação onde se obtém o licor clarificado, sendo o refugo levado para
locais adequados como depósito. Em seqüência, o licor clarificado entra em contato
com solventes para a recuperação do cobalto. Uma vez feito isso, o licor recebe uma
nova dose de novos solventes para, finalmente, recuperar o níquel. Este níquel
recuperado passa por um novo processo de eletrólise que gera os produtos finais níquel
eletrolítico e o catodo de níquel.
A flexibilidade, baixo custo de capital, alta recuperação de metais e um baixo
regime de custo operacional, além da geração de energia traduzem-se na logística que
poderá indicar que o processo tecnológico PAL possa ser o escolhido no
desenvolvimento de depósitos lateríticos, à médio e longo prazos.
Muitos analistas acreditam que, com base na tecnologia PAL, os custos de
operação poderão sofrer uma redução entre 15/25% em relação aos atuais custos
praticados no mercado pelos principais grupos produtores. Espera-se ainda
investimentos (custo de capital/ano) menores.

 Outros Processos

A região do pacífico asiático possui os depósitos lateríticos na forma mais


úmida, distribuídos através da Nova Caledônia , Indonésia, Filipinas e Papua Nova
Guiné. Esta região, mais o oeste australiano, onde se tem depósitos lateritícos secos,
deverão concentrar os maiores investimentos na exploração de níquel nos próximos
cinco anos, gerando um potencial adicional de cerca de 300 mil t/ano de nova
capacidade pelo processo PAL, de acordo com os programas atuais em
desenvolvimento. Os três primeiros projetos com processo PAL -Murrin Murrin, Cawse
e Bulong- encontram-se em desenvolvimento, sendo que o primeiro, localizado no oeste
da Austrália, iniciou sua produção em 99, pela empresa Anaconda Nickel Ltd. Este
projeto de extração de níquel em Murrin Murrin, avaliado em US$ 636 milhões, tem

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capacidade para produzir anualmente 44mil ton de níquel e 3 mil t de cobalto. Em
recente relatório de produção de dezembro passado, atingiu 600 t de níquel e 53 t de
cobalto, sinalizando que o empreendimento ainda não está no rítmo ideal programado.
Os dois outros projetos concorrentes, o Cawse e o Bulong, situados em reservas
geológicassemelhantes de níquel, também estão sendo desenvolvidos, com boas
expectativas de sucesso.

6. Mercado Mundial de Níquel


 Consumo

O consumo de níquel tem apresentado oscilações. Ressalta-se queda


significativa entre 1988/91, devido à redução da produção de aço inoxidável. Entretanto,
a partir de 1993 iniciou-se uma retomada que se estendeu até 1995. Após este ano
seguiu-se queda de 4,7% em 1996, voltando a crescer aproximadamente 3,5% em 1997

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e 0,8% em 1998. A taxa média anual para o crescimento do consumo mundial de níquel
atingiu 4,0% no período 1993/98.
Observa-se que, neste período, a taxa média de crescimento da produção foi 1,3%
superior à evolução do consumo, propiciando o aumento dos estoques mundiais.
Em 1998 registrou-se crescimento de 2,7% dos estoques em relação ao ano
anterior. O consumo mundial de níquel primário atingiu 1,07 milhões de t em 1999,
representando aumento de 6,5% em relação a 1998, e um incremento de volume de 65
mil t. A Ásia, que encontra-se em fase de recuperação de suas economias, é responsável
por 37 mil t deste acréscimo, com aumento de 9,7% em comparação a 1998. O consumo
de níquel primário no Japão atingiu 175 mil t com crescimento de 3,5%. Coréia,
Taiwan, Malásia e Indonésia estão dividindo esforços para promover sua recuperação,
atingindo assim, um crescimento acima do japonês.
Europa e Estados Unidos apresentam crescimento de cerca de 5,3% e
1,3%,respectivamente. A tendência de crescimento mantém-se com estimativa da
ordemde 4% ao ano para o período de 2000/05. Saliente-se entretanto, que Japão, EUA
e Alemanha são os maiores produtores de inox, sendo estes juntamente com França e
Itália detentores de 60%da produção mundial. Deste modo, estes países são também
responsáveis por grande parcela da demanda de níquel, com cerca de 526 mil t
correspondente a56% da demanda global deste metal.
Cerca de 70% do níquel refinado mundial é consumido no setor siderúrgico
sendo 80% deste consumo direcionado à produção de aços inoxidáveis. Deste modo
56% do níquel refinado mundial é utilizado na fabricação de aço inoxidável austenítico,
que contém níquel, assim este bloco de países produtores de inox, serão responsáveis
pela maior parte do níquel produzido no mundo, isso sem contar os outros ramos da
indústria.
À nível nacional o níquel é consumido internamente na forma de ferro–níquel
com teor oscilando entre 20% e 40% e na forma de níquel eletrolítico com teor de
pureza de 99,9% de níquel. O grande demandante de níquel é o setor siderúrgico com
57% do consumo aparente, representando, em 1998 um volume de 8.660 t composto
principalmente por FeNi. Do consumo do setor siderúrgico aproximadamente 80%
destina-se à produção de aço inox sendo o restante direcionado a outras espécies deaço
que usam níquel em percentuais variando entre 0,2% e 2,0%.

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A única fabricante brasileira de níquel eletrolítico, a Cia. Níquel Tocantins,
destina 40% de sua produção ao mercado interno e 60% para as exportações. A
utilização interna de sua produção tem sido muito diversificada, abrangendo as áreas de
fundição, galvanoplastia, siderurgia e ligas de níquel.
 Preços
O preço do níquel era determinado na década de 50, após a Guerra da Coréia,
pelos Estados Unidos que passaram a controlar os estoques e a distribuição do níquel.
Na década de 70, mais precisamente em 1979, os preços do níquel começaram a ser
cotados na London Metal Exchange (LME). Na década de 80, a demanda de níquel nos
países desenvolvidos caiu devido à recessão, influenciando o declínio até 1986 do preço
cotado na LME a uma taxa média anual negativa de 8,3%.
Com o preço situando-se em US$ 13.312/t o cenário indicava queda, confirmada
na década de 90, com o preço chegando a US$ 4.617/t no ano de 1998. Nota-se uma
forte influência da crise asiática nos preços do metal em 1997/98, considerando que até
1997 o Japão era o maior consumidor mundial de níquel, para a produção de aço
inoxidável. Observa-se, portanto no período 1990/98 queda dos preços à taxa média
anual de 7,9%.
Em 1999 registrou-se tendência de elevação da média dos preços do níquel
devido ao aumento da demanda global, impulsionada pelas siderúrgicas asiáticas, e
queda dos estoques. Portanto, é esperado que a média de 1999 atinja US$ 6.850/t,
projetando-se para 2000 uma média superior, alcançando US$ 9.200/t. Fazendo uma
menção ao ferro–níquel, seus preços são obtidos através de um balizamento feito pela
LME sobre o preço do níquel contido. Desta forma, como o ferro níquel apresenta
teores médios de 25% de níquel.
No dia em que este estava sendo confeccionado o níquel avançava US$ 296,00
na cotação LME, a US$ 13.746,00 por tonelada, depois de atingir uma máxima de sete
meses a US$ 13.900,00 por tonelada, porem segundo o analista, Leon Westgate, do
Standard Bank, essa cotação pode baixar para a casa dos U$12.000 pressionado por
realização de lucro.

 Mercado Brasileiro

A produção das empresas tem sido, em grande parte, destinado às exportações,


cabendo uma pequena parcela ao mercado interno, o que vem elevando o nível das

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importações brasileiras de níquel. Desta forma, analisa-se a seguir a evolução do
mercado brasileiro de 1996 até 1999.
No ano de 1998 verifica-se, em relação ao ano anterior, que as importações
decresceram cerca de 11,6%, as exportações tiveram comportamento negativo
em22,0%, tendo como destino a Europa, América do Norte, Finlândia, América do Sul e
Ásia e o consumo aparente apresentou um aumento de 3,92%. Este também foi o ano
em que a produção brasileira teve o seu grande salto para se tornar uma das potencias
mundiais do setor. Na época o Brasil chegou a crescer 15% na sua produção de níquel,
graças a criação da Mineração Serra Fortaleza, que entrou no mercado coma produção
de matte de níquel.
A tendência da balança comercial do Níquel para os próximos anos é favorável.
A diferença entre volume exportado e volume importado vem aumentando desde 2003.
O Brasil importa os produtos Cátodos de Níquel não ligado e outras formas brutas de
Níquel não ligado. O Brasil Exporta os produtos de mattes de Níquel e Cátodos de
Níquel não ligado.
 Investimentos no Brasil
Vale - Os investimentos previstos para este ano no projeto Onça Puma, em
Ourilândia do Norte, totalizam US$ 597 milhões. A mina deverá entrar em operação em
2009, com capacidade de produção de 58 mil toneladas anuais de Níquel na forma de
Ferro-Níquel. O investimento total no projeto é estimado em US$ 2,3 bilhões.
A Anglo American instala o seu projeto para produção de Ferro-Níquel em
Barro Alto (GO). O investimento previsto é de US$ 1,5 bilhão. A capacidade de
produção de Barro Alto será de 36 mil t/ano de Níquel contido em liga de Ferro-Níquel.
A produção atingirá o auge em 2001, envolvendo 3,5 mil trabalhadores no processo.
A Mirabela Mineração vai iniciar a extração de Níquel na BA (Ipiaí e Itagibá)
em 2009. Os investimentos serão de US$ 225 milhões. A produção será de 160 mil
ton/ano de concentrado. A exportação será feita pelo porto de Ilhéus.
A Votorantim Metais anunciou a expansão da planta de Niquelândia, que
aumentará a produção de 27 mil para 37 mil ton./ano.
A Anglo American deverá iniciar até 2011 o projeto de exploração de uma
reserva de Níquel localizada no município paraense de São Félix do Xingu, com um
investimento entre US$ 2,5 bilhões e US$ 3 bilhões.

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Com esses novos projetos, a produção de Níquel no Brasil deve triplicar até
2011, com um acréscimo de 200 mil ton./ano.

Conclusões
Assim podemos afirmar que o níquel é um dos metais industriais de grande
importância, pois se mostra evidente a sua necessidade em termos econômicos e
tecnológicos. Como meio econômico, sua produção e transformação em catodos de
níquel é responsável por grande parte da produção mineral brasileiro, que reafirmamos

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que é o 7° maior produtor desse mineral no mundo, mas também é importante frisar, que
se fosse empregado valor agregado ao produto final exportado pelo país, nossas
condições de concorrência no mercado internacional seriam ampliadas.
À nível mundial, com a sua utilização industrial em forma de ligas,
principalmente associado ao ferro, para a produção de inox. Material que possui uma
grande alta em consumo no mundo, especialmente em eletrodomésticos e em maquinas
com grande exposição a mudanças climáticas.

Referências

 Maria Lúcia Amarante de Andrade – Gerente Setorial; Luiz Maurício da Silva


Cunha – Economista; Guilherme Tavares Gandra – Engenheiro; Caio Cesar
Ribeiro – Estagiário. Níquel – Novos Parâmetros de Desenvolvimento.
Arquivo de internet, disponível em: http://www.bndes.gov.br;
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 Cristina Socorro da Silva – Técnica em Recursos Minerais 6° Distrito do DNPM.
Níquel. Arquivo de internet, disponível em http://www.dnpm.gov.br;
 Arquivo de internet, disponível em pt.wikipedia.org/wiki/Níquel;
 Arquivo de internet, disponível em noticiasmineracao.mining.com/tag/níquel.

Anexos:

Cientistas comprimem cristais e fazem ligas metálicas mais duras

Redação do Site Inovação Tecnológica


23/02/2006

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Pesquisadores do MIT, Estados Unidos,
descobriram uma forma de comprimir o
tamanho de cristais, produzindo ligas metálicas
melhores e mais seguras. Os novos materiais
resultantes dessa compressão dos cristais
poderão vir a substituir revestimentos metálicos
como a cromação, que apresenta riscos para a saúde de quem trabalha no seu processo
produtivo.

O novo método, desenvolvido pelos cientistas Christopher Schuh e Andrew Detor,


consiste na compressão dos cristais no interior de uma liga metálica. Ao serem
comprimidos, os cristais tornam-se mais duros.

Para a substituição do cromo, os pesquisadores comprimiram cristais de níquel e


tungstênio de tal forma que a liga metálica resultante é tão dura quanto o cromo.

A descoberta consiste em uma alteração feita durante o processo de galvanização,


envolvendo a manipulação em escala nanométrica do material. Nessa manipulação, os
átomos de níquel e tungstênio mudam seu arranjo normal à medida em que são
laminados sobre outro metal.

"A capacidade para controlar a estrutura de um metal tão próximo da escala atômica é
uma novidade e nos permite tornar a liga muito dura," disse Schuh.

No novo revestimento metálico, cada aglomerado microscópio de níquel é circundado


por porções cada vez menores de tungstênio. Os pesquisadores conseguiram controlar
como o tunsgtênio preenche os espaços entre os cristais de níquel, criando uma estrutura
cristalina mais apertada do que nos metais e nas ligas tradicionais.

Segundos os cientistas, além de criar uma alternativa de revestimento, o novo método


permite a manipulação dos metais para melhorar sua resistência à fratura, à corrosão e
outros desgastes. Nos testes de avaliação, peças de aço revestidas com a nova liga
resistiram melhor à corrosão do que peças revestidas com cromo.

Para comercializar a nova liga metálica, os pesquisadores fundaram a empresa Xtalic


Corp.

Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?
artigo=010170060223

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Tabela2 Descrição dos Processos de Produção

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Tabela 3: Seleção de Processos para Obtenção de Níquel

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gráfico 1: cotaçõa dos preços médios anuais de nìquel

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gráfico 2: produção mundial do século XXI

gráfico 3: importações e importações brasileiras de níquel

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