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Publicação Trimestral • Ano 4 • No.

O Sol e a Lua na Vida Espiritual


O sol do conhecimento e a lua da devoção

O Alívio do Estresse
O que provoca estresse e como acabar com ele

A Prática da Gratidão
Um caminho para a expansão da consciência
www.vedanta.org.br
O Valor Espiritual da Verdade

C
erta vez, o jovem Satyakama perguntou à
sua mãe, Jabala: “Mãe, desejo viver a vida de
um estudante dedicado à busca do Conhe-
cimento Supremo. Qual é o meu nome de família?
Quem é o meu pai?”
“Meu filho,” respondeu a mãe, “Eu não sei. Em mi-
nha juventude, quando passava por muitas dificul-
dades como uma serva, você foi concebido. Eu não
sei quem é o seu pai. Eu sou Jabala e você é Satyaka-
ma. Portanto, chame a si mesmo de Satyakama Jaba-
la.” O jovem foi então até Gautama – o maior sábio
daquela época e reverenciado por todos – e pediu
para ser aceito como seu discípulo. Imediatamente,
Gautama perguntou: “De qual família você veio,
meu filho? Eu só aceito como discípulo um brâmane
verdadeiro, com uma tradição familiar.”
Satyakama então respondeu: “Eu perguntei à minha
mãe qual era o meu nome familiar, ao que ela res-
pondeu: ‘Eu não sei. Em minha juventude, quando
passava por muitas dificuldades como uma serva,
você foi concebido. Eu não sei quem é o seu pai. Eu
sou Jabala e você é Satyakama. Portanto, chame a si
mesmo de Satyakama Jabala.’ Senhor, eu sou por-
tanto Satyakama Jabala.” O sábio sorriu e lhe disse:
“Ninguém, a não ser um verdadeiro aspirante à Ver-
dade Suprema, poderia ter falado dessa forma. Meu
filho, você está preparado para conhecer a Verdade,
pois você nunca se desviou da verdade. Ensinarei a
você agora o Conhecimento Supremo.”

Chandogya Upanishad
ÍNDICE

4 Flores no Altar (Orações Universais)


A revista Vedanta é uma publicação trimestral do
movimento Ramakrishna Vivekananda Vedanta no
Brasil. Todo o trabalho editorial da revista é provi-
do sob base voluntária. Esta publicação é dedicada a

5 O Sol e a Lua na Vida Espiritual


difundir os sublimes ideais incorporados na filosofia
Vedanta e a harmonia das religiões, por meio de tó-
Swami Shraddhananda picos de interesse global pertencentes à espirituali-
dade, filosofia, psicologia, educação e valores.
DIRETOR EDITORIAL

8 Um Grande Sacrifício
Swami Nirmalatmananda
CONSELHO EDITORIAL
Equipe Editorial Ivan Pontual Costa e Silva, Swami Jitananda, Anete
Maria Alves Onça.
Jornalista Responsável: Adriano Quadrado
(Mtb 25519)
9 Questões Vitais Respondidas COLABORADORES
Neusa Watanabe, Dario Djouki.
Swami Madhavananda
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Vila Clementino - São Paulo - SP - CEP 04021-070
Fones: (11) 5908-1970 & (11) 5572-0428

Vedanta, Edição #15 (ISSN 2317-2568)


11 O Alívio do Estresse ©2016 Editora Vedanta. Todos os direitos são reser-
vados. A reprodução da revista Vedanta sem a auto-
Swami Bhaskarananda rização prévia dos autores e/ou editores é proibida. A
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15 A Prática da Gratidão
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• presenteando seus amigos e familiares com uma

18 Notícias da Vedanta
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19 Sobre os Autores Exemplar avulso - R$ 11,00.
Assinatura 1 ano - R$ 40,00 (quatro exemplares).
2 anos - R$ 75,00 (oito exemplares).

Foto da Capa: Flor Dente de Leão (Taraxacum offi-


cinale).

Pintura a óleo “Krishna profere


o Bhagavad Gita”,por Domini-
que Amendola, (Nov/2012)
Vedanta Jul - Set 2016 3
flores no altar
Orações Universais de Elevação Espiritual

Mantras Védicos de Paz

OM yashchandasam rishabo vishwarupah Om apyayantu mamangani vak pranashcakshuh


Chandobhyoadhyamritat sambabhuva shrotramatho balamindriyani cha sarvani
Sa mendro medhaya sprinotu sarvam brahmaupanishadam maham brahma nirakuryam
Amritasya devadharano bhuyasam ma ma brahma nirakaroda-nirakara-namastu
Shariram me vicharshanam anirakaranam me astu
Jiva me madhumattama tadatmani nirate ya upanishatsu
Karnabhyam bhuri vishruvam dharmaste mayi santu te mayi santu
Brahmanah koshosi medhaya pihitah OM shanti shanti shanti
Shrutam me gopaya
OM shanti shanti shanti

Possa o mantra Om – a sílaba mais exaltada nos Vedas, Om, possam os meus órgãos vitais, minha fala, meus
que permeia todas as palavras e que surgiu como a olhos, meus ouvidos, assim como a energia em todos
quintessência dos Vedas – possa esse Om, o Supremo os órgãos, tornarem-se bem desenvolvidos. Tudo é o
Senhor, conceder-me inteligência. Ó Senhor, que eu Brahman revelado nos Upanishads. Que eu não negue
seja o receptáculo da imortalidade. Que o meu corpo Brahman. Que Brahman não me negue. Possam todas
esteja preparado. Que a minha fala seja extremamente as virtudes mencionadas nos Upanishads repousar so-
doce. Tu és a espada de Brahman, e estás coberto de bre mim, que estou engajado na busca do Ser. Possam
sabedoria. Proteje tudo aquilo que eu ouvi. todas elas repousar sobre mim!
Om Paz, Paz, Paz Om Paz, Paz, Paz

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O Sol e a Lua na Vida Espiritual
O Sol do Conhecimento e a Lua da Devoção — Swami Shraddhananda

N
as escrituras hindus, vários objetos da natureza Sem esse conhecimento vivemos na escuridão.
têm sido usados como símbolos para nos auxi- Enquanto somos ignorantes, não compreendemos quem
liar na compreensão dos fatos mais profundos somos; não compreendemos nosso verdadeiro objetivo; não
da vida espiritual. compreendemos de onde viemos; não compreendemos este
O vasto oceano é um símbolo de Deus, pois parece sem mundo em eterna mutação nem o constante fluxo da vida.
fim. Ondas estão constantemente surgindo e desaparecen- Nem compreendemos Deus. Temos ouvido que Deus criou
do no oceano; da mesma forma, na infinita Realidade que é o mundo e que Ele é a fonte de tudo o que existe – mas essas
Deus, tudo neste universo aparece e desaparece. Assim como são apenas palavras. No entanto, tanto as escrituras como
o oceano é a causa e o substrato das ondas, Deus é a causa aqueles que alcançaram o conhecimento de Deus nos dizem
e o substrato de tudo. Tudo retorna para aquela Realidade que é possível dissipar as perplexidades da vida. Quando
fundamental. O oceano é, por- chega a sabedoria divina, ex-
tanto, um símbolo adequado perimentamos uma transfor-
para Deus. mação interior e nossa atitude
De forma similar, o rio é um com respeito à vida muda;
símbolo para a humanidade. nossas emoções, pensamentos
Assim como um rio passa por e padrões de comportamento
muitas colinas, vales e florestas, mudam.
e finalmente desagua no ocea- Os Upanishads dizem que
no, nós temos nossa origem em podemos escapar de tudo,
Deus e nos movemos para Ele. mas não podemos escapar de
Nossas vidas fluem – algumas Deus. Quando conhecemos a
vezes através de alegrias, outras real natureza de Deus, vemos
vezes por sofrimentos; algu- que Ele está em toda parte,
mas vezes com facilidade, ou- a todo momento – em cada
tras, de maneira difícil – mas respiração e em nossa própria
nosso destino final é Deus. existência. Ele é a verdadeira
Outros símbolos são a ár- Realidade, mais fundamental
vore, o céu, o pássaro. Esses e que o tempo e o espaço. Essa
outros objetos da natureza são Realidade é Consciência; sem
utilizados nas escrituras hindus para nos ajudar a entender Consciência não pode haver espaço, pois quando pensamos
Deus, a nós próprios e a este mundo. Um tal símbolo é a flo- em espaço e tempo, a base dessa compreensão tem de ser a
resta. Em uma floresta densa onde não há trilhas, confun- Consciência. Precisa haver percepção de espaço, bem como
dimo-nos. Como podemos encontrar o caminho? Quando percepção de tempo, e essa percepção vem de Deus. Assim
não entendemos o verdadeiro propósito de nossas vidas, es- como o sol ilumina todas as coisas, Deus como a luz de to-
tamos de fato como que perdidos em uma mata sem trilhas. das as luzes ilumina tudo – as estrelas, os céus distantes, este
A floresta simboliza a vida imersa em ignorância. mundo, bem como nossos corpos, mentes e sentidos.
De maneira semelhante, o sol veio a simbolizar o conheci- Superficialmente, pareceria que cada um de nós é um pe-
mento espiritual, enquanto a lua simboliza a devoção. O sol queno indivíduo consistindo de um corpo, força vital, uma
nos dá tanto o calor, que às vezes queima, como também a mente, e um ego, mas os sábios iluminados nos dizem que
luz que ilumina todas as coisas. Com o nascer do sol somem essa não é toda a história. De acordo com as escrituras da Ve-
as sombras da noite, permitindo-nos ver e agir. Com a aurora danta, o Atman é a nossa realidade fundamental. O Atman
da sabedoria espiritual – isto é, o conhecimento de Deus, a não existe nem no tempo, nem no espaço; partilha da verda-
consciência de nossa verdadeira natureza, e uma compreen- de de Deus.
são espiritual deste universo – nossa confusão desaparece. Essa compreensão não chega por meio de mera leitura ou

Vedanta Jul - Set 2016 5


A essência da teoria do karma é que nós construímos nosso
próprio futuro. O karma é a corrente que nos prende à vida
diária e nos força a viajar de uma vida a outra. Mas nosso ob-
jetivo espiritual é parar essa transmigração incessante e sem
sentido. Precisamos transcender o karma. Isso pode ocorrer
somente quando realizamos nosso verdadeiro Ser, que é sem-
pre puro e livre. O Atman jamais está preso ao karma; o sol
do Autoconhecimento queima todo o karma.
Na antiga Índia, as crianças eram iniciadas na cerimônia
do cordão sagrado. Requeria-se do iniciado que ele repetisse
uma prece védica todas as manhãs. Essa antiga prece, dirigida
ao sol como símbolo de Deus, é conhecida como o mantra
Gayatri. A substância desse mantra é:
Deus é a luz que ilumina todos os mundos.
Ele é a luz da Consciência.
Ele a tudo ilumina.
Possa essa Luz das luzes
raciocínio, mas pela investigação profunda, disciplina e me- Penetrar em meu coração e iluminar meu entendimento.
ditação. Tal conhecimento preenche nossas vidas. Quando
a sabedoria espiritual chega, a vida torna-se profundamente A prece Gayatri invoca a luz de Deus a iluminar nossas
significativa. Cada um de nós passa a ver a face de Deus em vidas, a mente, os sentidos, o ego, e até mesmo o mundo
toda parte; descobrimos que há uma centelha de Deus den- exterior. A luz do sol é física, mas a luz de Deus é espiritu-
tro de nós mesmos. Em todos os seres humanos, Deus reside al. Quando a luz espiritual chega, tudo passa a ser visto de
no coração como Luz Divina. Sabendo disso, qual deveria ser modo diferente. Todas as coisas, inclusive nós mesmos, pas-
nossa atitude para com nossos semelhantes? Podemos odiar sam a ser vistos de uma perspectiva espiritual. E o que se ga-
os outros? Podemos matar os outros? Podemos ser injustos nha com essa visão? Ela erradica nossa ignorância e nossos
e explorar outrem? Deus existe em cada um de nós como o medos. Traz-nos força e felicidade.
poder central – o poder em nossas vidas, em nossas mentes, Em contraste com o sol do conhecimento, a lua é símbolo
e em nossos sentidos. Todo poder, toda luz, toda sabedoria e da devoção, do amor a Deus. O calor e a luz do sol são essen-
toda alegria vêm de Deus. O mesmo Deus está em toda parte ciais à vida e à ação, mas também precisamos da lua. O que a
– em todos os seres humanos, plantas e animais. lua faz por nós? Traz uma atmosfera de paz, doçura e beleza;
Além de dar luz, o sol também emite calor. Assim como o essas coisas também são necessárias à vida. A devoção traz a
intenso calor do sol abrasa tudo, o conhecimento espiritual luz da lua às nossas vidas – isto é, gentileza e amor.
tem o poder de queimar. O que ele queima? Esse conheci- O amor de Deus traz mil vezes mais doçura e paz que o
mento imola nossos maus desejos, paixões e apegos – coisas amor mundano, que opera sob muitas limitações. O amor
que obstruem nosso progresso espiritual. Um verso do Mun- mundano é dirigido exclusivamente a nossos familiares e
daka Upanishad diz: “Quando o conhecimento de Deus che- amigos, mas o amor de Deus irradia-se para muito além dis-
ga, ele queima todo nosso karma.” Cada um de nós carrega so. Assim como a luz da lua incide sobre a África, a Índia, a
um fardo de karma e desejos passados, de uma vida a outra. América e demais países, quando o amor de Deus entra em
O karma consiste de nossas boas e más ações; cada ação nossos corações, nosso amor estende-se a todos. O mundo
deixa um efeito, e esse efeito eventualmente dá frutos. Bom inteiro torna-se nosso. Compreendemos haver encontrado
karma nos traz felicidade, e mau karma nos traz sofrimentos. o mais Bem-Amado – a verdadeira fonte de todo amor, e
Não podemos escapar dele. O karma explica alguns proble- o eterno companheiro de nossas vidas. O universo inteiro
mas da vida e também poupa Deus de nossas reprovações. afigura-se então como Seu playground.
Senão, reclamamos: “Como isto pôde acontecer?”, “Como Por um longo período em nossas vidas espirituais, conhe-
Deus pôde levar meu filho?”, “Rezei para Deus; sou Seu de- cimento espiritual e devoção não são a mesma coisa. Mas os
voto. Como Deus pôde fazer estas coisas comigo?” grandes sábios dizem que eles eventualmente coincidem.
Fazemos confusão sobre a misericórdia e a justiça de Deus, Quando o amor atinge o ápice, não há mais diferença entre
mas a teoria do karma nos diz que nossa felicidade e dor são conhecimento e devoção. Mas até chegar esse momento, as-
nossas próprias criações. Se formos cuidadosos com nossas sim como o sol e a lua têm funções distintas e nossas reações a
atitudes e ações, a vida então tornar-se-á mais fácil para nós. essas são diferentes, assim também os papéis desempenhados

6 Vedanta Jul - Set 2016


pelo Autoconhecimento e pelo amor a Deus em nossa vida lentamente a convicção de que todas as dualidades são uma
espiritual variam. O Conhecimento livra-nos da ignorân- só coisa – a dualidade do mundo, a dualidade deste corpo,
cia e nos possibilita encontrar a unidade espiritual de todas e mesmo a dualidade de Deus. Ao final, todas essas dualida-
as coisas. Por outro lado, quando um aspirante desenvolve des se dissolvem, restando apenas o Uno, o Indescritível. As
amor a Deus, o mundo converte-se em um paraíso. O devoto escrituras vedânticas dizem que a mais elevada verdade de
não se perturba mais com o tumulto da vida e fica em paz Deus é de fato inexpressável, além da mente e da fala. Para
com o mundo. aqueles que desejam experimentar a suprema unidade do Es-
Ninguém pode viver sem amor. Todos precisam de alguém pírito a fim de erguer-se acima de suas pequenas individuali-
ou algo para amar. Quando os devotos amam suas famílias, dades, o caminho do conhecimento é o mais atraente.
compreendem que esse amor de fato vem de Deus. Quando Para outros, a ideia de amar a Deus atrai mais. Pensam: “Eu
amam as árvores, a luz da lua, o oceano, a neve, eles veem não busco a unidade final. Quero manter Deus separado de
tudo isso como expressões do infinito amor, que é Deus. mim. Ele é meu mestre amado, ou pai, ou mãe, ou amigo, ou
Ainda que os devotos sintam cada vez mais a presença de companheiro.” No caminho da devoção, a mente não teme a
Deus em seus corações, seu amor por Deus de modo algum dualidade. O devoto sabe que este é o mundo de Deus. Ele
obstrui seus amores neste mundo. Sabendo que Deus é a to- pondera: “Por que este mundo não haveria de existir? Meu
talidade de todo amor, os devotos amam seus filhos mais in- corpo é o templo de Deus; por que este corpo não haveria
tensamente do que nunca, ao perceber que amam Deus em de existir?” A dualidade, sob a luz da lua da devoção, tor-
cada filho. De maneira similar, quando os devotos amam as na-se doce. O mundo torna-se doce, bem como as ações e o
flores, sabem que é a beleza de Deus que se reflete nas flores. comportamento do devoto. O caminho da devoção retém
Amam a canção dos pássaros porque são reflexos da Música a dualidade, uma vez que retém a diferença entre Deus e o
Divina. Assim, o amor a Deus permeia, enriquece e purifica devoto. Vendo a multiplicidade deste mundo, ele vê que é
Deus quem realiza este drama cósmico. Criação, preservação
nossas vidas.
e dissolução são o jogo de Deus. O caminho da devoção tor-
na nossa mente capaz de olhar este mundo com uma atitude
“As escrituras vedânticas dizem que a de amor e paz.
mais elevada verdade de Deus é de fato Algumas pessoas praticam tanto o caminho do conheci-
mento como o da devoção e conseguem harmonizá-los. Al-
inexpressível, além da mente e da fala.” gumas vezes, a mente de um aspirante espiritual sobe ao nível
da Unidade suprema, na qual o corpo, o ego, as árvores e as
montanhas não existem como tais, pois são todos um único
A devoção a Deus vence o egoísmo e as limitações do Espírito. Nesse estado, o meditante não consegue falar. Essa
amor terreno, transformando-o em amor divino. Quando é a indescritível experiência advaita, ou da não-dualidade.
isso ocorre, o mundo parece estar cheio de amor, alegria e Ao emergir dessa meditação, o aspirante não é mais pertur-
paz. Essa experiência pode muito bem ser comparada à luz bado por maya; o Absoluto converteu-se no Deus de amor,
da lua. Assim como a luz da lua nos faz sentir calma, sua- e aquele que segue o caminho do conhecimento funciona
vidade e doçura quando desce sobre nós, também o amor então como devoto de Deus, vendo o mundo em toda sua
de Deus transmite tranquilidade e compaixão a todos que multiplicidade, mas permanecendo imperturbado. Agora,
nos rodeiam. Ademais, quando um devoto sente a presença há também a luz da lua em sua vida. Como resultado, o devo-
tangível de Deus, ele ou ela espontaneamente pensa: “Sou to diz: “Tudo é Deus, o meu Amado. Aquela mesma infinita
tão rico quando se pode ser, pois tenho Deus. Meu amado Unidade manifesta-se como este universo variado.” Em ati-
Senhor é eterno e atemporal; também eu sou atemporal. De tude devocional, ele ou ela pode cantar canções devocionais
uma vida a outra Ele estará comigo. Este amor divino é um para Deus. De fato, é inteiramente possível para um mesmo
relacionamento eterno.” A todo momento, devemos levar a devoto experimentar tanto o Autoconhecimento como a
presença de Deus em nossos corações por meio da prática devoção a Deus. Pode haver uma bela mistura e harmonia.
regular da contemplação, prece e repetição do nome sagrado. Ao final, chega o tempo em que o amor do devoto une-se ao
E, embora não devamos ser impacientes, devemos ser deter- conhecimento.
minados. Uma vez que nossa meta esteja fixada, precisamos Conta uma estória sufi que, certa vez, em uma noite chu-
obter a realização espiritual. vosa, uma jovem sentava-se tranquila em sua morada. Seu
Se seguimos o caminho do conhecimento, tentamos pen- amado bateu na porta, mas esta não se abriu. Uma vez mais
sar em nós mesmos como Espírito – em união com o Infini- ouviram-se batidas, e a voz da moça perguntou, “Quem está
to. Deus é a unidade última por trás de nossas pequenas in- aí?”. O visitante disse seu nome, mas a porta permaneceu fe-
dividualidades. Quando seguimos esse caminho, chega-nos chada. Então o jovem implorou: “Sou teu amigo, teu amor.
Vedanta Jul - Set 2016 7
Por favor, destranca a porta!” Mesmo assim ele não pôde A vida espiritual traz satisfação à vida humana. Por meio do
entrar. Por fim, exigiu: “Abre a porta! Eu sou tu!” E a porta intelecto, dos negócios, da atividade física, podemos satisfazer
finalmente se abriu. Seu amor atingira um tal nível de identi- várias potencialidades, mas a vida espiritual é a mais significa-
ficação que ele pensara: “Não há diferença entre tu e eu.” Da tiva das conquistas. Devemos fazer pleno uso de quaisquer
mesma maneira, o aspirante espiritual chega a sentir, “Deus dons que Deus nos tenha dado. Mas também devemos nos
é meu Amado, Deus e eu agora somos um.” Através do co- lembrar que um dom espiritual é o mais precioso presente de
nhecimento, o devoto adquire a experiência da unidade; e o Deus. Conhecer Deus, amá-Lo, erguer-se acima da ignorân-
mesmo sentimento de unidade com Deus pode vir por meio cia, sentir a unidade com todos os seres e conquistar a morte
da devoção. Assim, amor e conhecimento tornam-se uma só são desejos espirituais profundamente enraizados na mente
coisa; e isso se vê na vida de muitos santos. Em última análi- humana. Deus concedeu a todos nós esses desejos, em forma
se, não há diferença entre conhecimento e devoção. sutil. Cabe somente a nós desenvolver esse potencial. ◆

Um Grande Sacrifício
Equipe Editorial

D
urante o período após o colapso do Império Ro- ará um importante evento: o rei Rix terá uma morte repenti-
mano, a Europa dividiu-se em dois reinos, coman- na. Não fique fora da capital; de outra forma alguém tomará
dados por duas tribos germânicas. Em uma região posse do reinado em seu lugar.” Surpreso com tal predição
controlada pelos Vândalos, um bispo cristão chamado Pauli- importante, o príncipe não sabia se acreditava ou não, mas
nus era tão compassivo que tinha vendido todas as suas pos- como era um favorito do rei, foi até ele imediatamente e rela-
ses para resgatar prisioneiros mantidos pelos Vândalos. Ao tou o que tinha ouvido do jardineiro. “Eu mesmo quero ver
final, quando não tinha mais dinheiro algum, nem roupas esse homem”, disse o rei, “Dê-lhe ordens para trazer à minha
as quais pudesse vender, veio até ele uma pobre viúva im- mesa ervas e frutas.”
plorando-lhe ajuda para resgatar seu único filho. Paulinus Tão logo Paulinus entrou no palácio, Rix tremeu e, con-
procurou por toda a casa e, não encontrando uma única trolando as emoções, chamou seu sobrinho e lhe disse: “Suas
moeda, disse à mãe que soluçava em prantos: “Não tenho palavras são verdade: ontem de noite vi, em um sonho, meus
nada exceto eu mesmo; leve-me com você e venda-me como barões sentados em um conselho, e este homem estava acima
um escravo para libertar seu filho.” A pobre viúva já ia em- de todos eles. Conversando entre si, eles repentinamente
bora, pensando que o bispo estava brincando, mas Paulinus passaram uma resolução para tirar de mim o reinado. Per-
a impediu e insistiu que estava dizendo a verdade e pediu gunte a ele quem ele é. De onde ele veio? Não acho que seja
para ser vendido em troca do seu filho. um homem comum.” O sobrinho pressionou então Paulinus
Paulinus e a viúva deixaram a cidade e foram para os Vân- para que contasse toda a verdade sobre si mesmo. Paulinus
dalos. Ela ajoelhou-se aos pés do príncipe Vândalo, que era declarou a verdade de que era um bispo cristão.
o sobrinho de Rix, o rei dos Vândalos. Ela implorou para O rei Rix e seu sobrinho ficaram horrorizados. “Perdoe-me,
que um escravo fosse trocado pelo seu filho. A princípio, o ó homem de Deus,” disse o príncipe, “por fazê-lo realizar tra-
príncipe não queria aceitar, mas ao ouvir que Paulinus era balho escravo. Não sabia quem você realmente era.” “Peça de
um excelente jardineiro, aceitou-o em troca do jovem. A mim o que desejar”, disse o rei, “e volte à sua terra com grandes
viúva e seu filho retornaram ao vilarejo, enquanto Paulinus dádivas.” “Peço de você apenas isto”, respondeu Paulinus com
começou a labutar no palácio do rei e foi ordenado a trazer humildade, “Liberte os prisioneiros de todas as partes da
diariamente à mesa do príncipe várias ervas e frutas. Como minha terra; essa é a maior dávida que podes me conceder.”
o príncipe gostava de jardins, visitava frequentemente As ordens do rei foram dadas em todos os lugares. Todos os
Paulinus, falava com ele e, vindo a saber de sua sabedoria, prisioneiros foram reunidos em um único lugar e entregues à
afeiçoou-se tanto dele que começou a formar o hábito de Paulinos. Finalmente, ele retornou ao seu país e entregou os
falar com ele todos os dias. prisioneiros libertados aos seus pais e mães, esposas e filhos.
Certa manhã, em uma dessas conversas, Paulinus sobria- O próprio Senhor proteje a vida e dá liberdade àquele que se
mente mencionou-lhe o seguinte: “Em breve você presenci- sacrifica para salvar a vida e dar liberdade aos demais. ◆

8 Vedanta Jul - Set 2016


Questões Vitais Respondidas
Swami Madhavananda, nono Presidente da Ordem Ramakrishna
(de 1962 a 1965), responde às dúvidas dos aspirantes espirituais

p: Como podemos superar as forças que nos distraem duran- daquela alegria divina. Se nos lembrarmos bem desse fato, a
te a meditação? mente gradualmente tentará se acalmar por si mesma.
R: Tais forças surgem porque temos mais apego às coisas que Nós podemos também observar a mente e perceber como
distraem do que àquelas sobre as quais estamos meditando. ela entra em todos esses rodopios e gravita para o exterior.
Teoricamente, deveríamos ter mais amor a Deus, pois essa Deixe que a mente, uma parte da mente, observe como a
é a busca mais elevada da vida humana. Mas, em realidade, outra parte corre para cá e para lá. Se a parte “corredora” da
muitas outras coisas tomam por completo nossa atenção mente souber que “eu estou sendo observada”, então, gradu-
quando estamos vivendo no mundo, quando estamos apenas almente, esses movimentos e distrações ficarão cada vez me-
vivendo uma vida comum e nem nores e mais lentos. Esse deve ser
sequer tentamos meditar. Muitas um esforço constante. Antes de
outras coisas já se alojaram em tudo, fazer com que a mente se
nosso cérebro e desenvolvemos estabeleça nas glórias do Atman,
certo apego a elas. Assim, como nas glórias do Ideal Escolhido,
sempre acontece, tudo aquilo que essa é a primeira parte da práti-
amamos e desejamos tem algum ca. A segunda é observar como a
poder sobre nós, e portanto nos mente se comporta, como ela se
distraem no momento em que movimenta. Se mantivermos a se-
tentamos meditar. Contudo, elas guinte vigilância: “Sim, deixe que
não poderão nos distrair se esti- essa mente desobediente vá para
vermos sempre pensando e medi- onde quiser, eu vou observá-la;
tando sobre a glória do Ideal Es- vou observar onde ela está indo”,
colhido (Ishta)*, sobre a glória da ela ficará com “vergonha” de pe-
busca espiritual, que é sem dúvida rambular, de se distrair durante a
a maior busca da vida humana. meditação.
Em sua maioria, as outras coi- A pessoa também pode dizer à
sas que nos distraem estão rela- mente, como diria a uma criança:
cionadas a algum tipo de alegria. “Não, agora não.” Nós não esta-
Pode ser alegria de tipo inferior mos meditando 24 horas por dia;
que se obtém pelos sentidos, ou somente uma hora, ou meia hora
alegria intelectual, ou alguma ale- no máximo, tentamos meditar. Se
gria que experimentamos na vida. dissermos para os pensamentos
Swami Madhavananda (1888-1965)
Aquilo que é doloroso raramente de distração: “Espere um pouco,
nos atrai. Portanto, se tentarmos deixe-me terminar isso aqui e en-
nos lembrar de que Deus é a maior fonte de atração para nós, tão vou me entregar a você”. Dessa forma também eles ficarão
que além d'Ele não há nada que seja mais atrativo, esse tipo um pouco menos agressivos.
de pensamento diminuirá as distrações. Todas as outras ale- Esses pensamentos nos causam problemas no momento
grias que encontramos no mundo são apenas pequenas partí- em que se dão conta de que estão sendo extintos. A verdade
culas daquela suprema alegria, da suprema bem-aventurança metafísica por trás das distrações é a seguinte: ninguém quer
que é Deus. Deus é a encarnação de tudo isso. Todas as ou- morrer, nenhum princípio, nenhum ser, nenhuma existência
tras alegrias que encontramos através dos sentidos, através da quer ser extinta. Quando a mente pensa que está sendo mor-
mente, através de qualquer outra coisa, são como pequenas ta: “Ele está me obstruindo, ele está me controlando! Eu não
bolhas, como algo emprestado. O sol esquenta a areia da terei liberdade, eu morrerei!”, ela tenta ao máximo se desven-
praia, e aquela areia queima os nossos pés, mas esse calor é cilhar. O processo ocorre exatamente dessa maneira. Mas se
algo emprestado do sol; assim também, essas pequenas ale- formos bem sucedidos em dizer para a mente: “Veja bem, se
grias que obtemos são pequenas partículas “emprestadas” você ficar quieta, ganhará muito mais do que poderia obter
Vedanta Jul - Set 2016 9
do mundo exterior”, então ela se acalma- rá sobre nós. Se formos conscientes de nosso desenvolvimento espiritual?
rá gradualmente. que, se amarmos a Deus, todas as outras R: Esse é realmente um grande proble-
coisas nos serão adicionadas; se essa ati- ma no mundo. A pessoa deve viver no
P: De que maneira podemos aumentar tude for estampada na mente pelo po- mundo, sem dúvida, e ao mesmo tempo
nossa devoção a Deus? der da discriminação, a graça descerá. não pode antagonizar amigos e paren-
R: Isso pode ser feito do mesmo modo tes. Porém, na medida em que se associa
que os nossos desejos pelas coisas tri- P: Mas a mente é inquieta. Como po-
com eles, atendendo os deveres sociais,
viais da vida são aumentados. Nós pen- demos controlá-la?
deve estar bem alerta para que a chama
samos: “Se eu tiver essa ou aquela coisa, R: Pense em apenas uma coisa: Deus. da espiritualidade – os ideais mais eleva-
quanta alegria terei, que maravilhosos Essa pergunta é melhor respondida dos que tem muito mais valor à pessoa
serão os seus frutos!” Se tivermos essa quando falamos sobre o assunto medi- – seja mantida acesa. Aqui um pouco
mesma atitude para com Deus, aumen- tação. Pois tudo o que se aplica à medi- mais de esforço é necessário. Se alguém
tando o desejo de conhecê-Lo e de co- tação, à firmeza na meditação, aplica-se pratica sinceramente, certamente a aju-
mungar com Ele, então naturalmente também à capacidade de tornar a men- da virá e ela será bem-sucedida. ◆
nossa devoção aumentará. Se pudermos te cada vez mais calma. Como mencio-
dizer à mente, convencê-la de que nada namos anteriormente, observar a men- * Ishta é o aspecto de Deus adorado pelo
há superior a Deus que se possa obter, te e pensar cada vez mais na glória do devoto em particular. Pode ser uma con-
pois Deus é a maior coisa que alguém Ideal Escolhido são meios eficazes de se cepção de Deus com forma ou sem forma:
pode ter, e que todas as outras atrações acalmar a mente. uma Encarnação Divina, qualquer ou-
são apenas partículas, pequenos refle- tra forma divina, ou o Ser Absoluto sem
xos da imensa alegria e felicidade que é P: Como podemos interagir intima- forma. Cada aspirante busca a realiza-
Deus, e nos aplicarmos resolutamente a mente com amigos e parentes que são ção espiritual adorando o seu Ishta par-
lutar para conhecer Deus, a graça desce- cínicos e descrentes, sem prejudicar ticular, seguindo a sua tendência inata.

A Sabedoria do Gita
O s conhecedores do Ser Supremo, que pos-
suem plena iluminação, veem com olhos
iguais um brâhmane dotado de erudição e hu-
mildade, uma vaca, um elefante, um cachorro, e
um pariah (que pertence à casta mais inferior).

A existência relativa foi conquistada, mesmo


neste mundo, por aqueles cujas mentes re-
pousam em equanimidade, pois Brahman é
equânime e sem imperfeição alguma: portanto,
eles repousam em Brahman.

Absortos em Brahman, com o intelecto firme


e sem ilusões, os conhecedores de Brahman não
se alegram quando recebem o que é agradável,
sem se perturbam quando recebem o que é des-
agradável.

BHAGAVAD-GITA (V, 18-20)

10 Vedanta Jul - Set 2016


O Alívio do Estresse
Swami Bhaskarananda

O
que é o estresse? Numa casa um bebê recém-nascido, planejar O desejo provoca estresse
linguagem simples, ele uma viagem de férias ou um casamen- O hinduísmo, assim como o budis-
pode ser descrito como to. Seja como for, não se pode negar mo, ensina que as emoções estressan-
ausência de bem-estar que o estresse ainda é um dos proble- tes são resultado dos desejos e anseios
físico e mental causada por situações mas mais opressivos deste complicado que acalentamos. Quando os desejos
ou estímulos desagradáveis, que fogem mundo de hoje. não são satisfeitos, transformam-se em
do nosso controle. A mente reage às O estresse pode ser causado por es- raiva, ciúmes, ódio, e outros maus sen-
circunstâncias diárias com sentimen- tímulos psicológicos, biológicos e so- timentos. Há dois versos no Bhagavad
tos de ciúmes, inveja, ódio, ira, Gita que expressam essa ideia de
ansiedade, tristeza, depressão, forma primorosa:
medo e pânico. Como a mente “Uma pessoa que pensa nos
e o corpo estão intimamente co- objetos dos sentidos desenvolve
nectados, essas emoções afetam um forte apego em relação a eles.
nossa saúde mental de forma ad- A partir dessa intensa ligação,
versa. Se não conseguirmos lidar surge um anseio tão grande por
com essas emoções, impedindo esses objetos que o desejo logo se
que elas nos invadam, começa- transforma em fúria. Em conse-
remos a sofrer grande estresse fí- quência da fúria vem o engano e,
sico e mental. A não ser que haja em seguida, a perda da memória.
algum tipo de alívio, esse tipo de O esquecimento faz com que se
tensão pode produzir sérias en- perca a habilidade de discernir
fermidades, inclusive derrames entre o que é bom e o que é ruim.
cerebrais e ataques cardíacos. Com a perda do discernimento,
Muitos consideram o estresse a pessoa perece.” (Cap.2, 62, 63)
como uma doença típica do Apego é sentir atração por al-
mundo moderno, o qual se tor- guém ou por alguma coisa com
nou altamente competitivo. Es- motivo egoísta. Imaginem um
quecem-se de que o estresse exis- jovem que se sentiu atraído por
te desde a pré-história. Nossos uma linda moça. Quanto mais
ancestrais, habitantes das caver- ele pensa nela, mais forte se torna
nas, viviam num único dia um sua atração. Essa atração é o ape-
nível de estresse físico e mental go. Esse apego provoca nele um
que não chegamos a experimen- forte desejo de possuir a moça
tar sequer em um ano. Hoje em dia, o ciais. Dentre os dois tipos de estresse, para seu próprio prazer e ele resolve
sistema nervoso de um corpo huma- o mental é muito pior do que o físico. casar-se com ela. A moça, porém, deci-
no sob estresse reage da mesma forma Para nossa sobrevivência física e psico- de desposar outra pessoa. Sua rejeição
como fazia no caso de nossos ancestrais lógica, devemos tratar desse problema torna-se um empecilho à satisfação dos
primitivos. As preocupações que senti- e aprender a resolvê-lo de maneira efe- intensos desejos do rapaz. Ele fica en-
mos com relação ao dinheiro e o medo tiva. Uma combinação de bom senso, furecido e com isso seus pensamentos
de perder nossos empregos podem ser pensamento racional e Yoga pode ser de tornam-se confusos. Desconcertado,
tão potentes quanto o temor de nossos grande auxílio. Para aliviar o estresse fí- sua memória falha e ele esquece to-
primitivos ancestrais diante dos tigres sico, as posturas da Hatha-Yoga podem das as lições morais e éticas que havia
pré-históricos. O estresse também pode ser úteis, enquanto as técnicas de medi- aprendido; não consegue discernir en-
ser causado por situações agradáveis ou tação ensinadas pela Raja-Yoga servem tre o certo e o errado, entre o que pode
previsíveis como, por exemplo, ter em para atenuar o estresse mental. e o que não pode fazer. Movido por um
Vedanta Jul - Set 2016 11
pescoço. Permaneça nessa posição de relaxamento
por no mínimo quinze minutos. Se conseguir fa-
zer isso, seu corpo ficará confortável e solto sobre
o chão. Na Hatha-Yoga, essa técnica é denominada
shavasana. Com frequência, esse exercício conduz
a um sono reparador.
Mesmo quando estiver sentado numa poltrona
de espaldar reto, um relaxamento similar das arti-
culações do corpo pode ser praticado. Para come-
çar, apóie os dois antebraços nos braços da poltro-
na. Você deve manter as costas eretas e apoiadas
sobre o encosto da cadeira. Primeiramente, relaxe
as articulações dos pés, depois dos joelhos, dos
braços e, finalmente, do pescoço. Ao relaxar o pes-
coço, não será possível manter-se ereto e você irá
encostar o queixo no tórax. Essa técnica não deve
impulso cego, seu único pensamento agora está focado em ser praticada por mais do que dez minutos. Quem tem pro-
como prejudicar aquele que obstruiu seu desejo. blemas nas vértebras do pescoço não deve usar essa técnica
Em um outro exemplo, uma moça muito bonita vai a uma e sim a shavasana.
festa. Chegando lá, depara-se com outra jovem, muito mais
bonita do que ela. A presença dessa jovem provoca nela uma Técnicas para reduzir o estresse mental
crise de ciúmes, pois é um obstáculo ao seu desejo de ser a Para eliminar o estresse mental, devemos primeiro tentar
pessoa mais linda daquela festa. impedir que emoções estressantes invadam nossas mentes.
O hinduísmo ensina que as emoções que produzem estres- Se no entanto elas aparecerem, devem ser cuidadosamente
se negativo, como a ira, o ódio, a inveja e o medo, não são manejadas. Preocupações, ansiedades e medos são estados
essencialmente diferentes e, com facilidade, transformam-se de apreensão mental e causam estresse. O desastre ainda
umas nas outras. Todas são causadas pelo apego e pelo desejo. não aconteceu; mesmo assim, a apreensão em relação a ele
Todas as pessoas querem ser livres e ficam contrariadas já provoca estresse. Quando o desastre acontece, já não es-
quando esse desejo é frustrado. Funcionários em posições tamos mais temerosos, ansiosos ou preocupados; todas as
subalternas ressentem-se da falta de liberdade para tomar sensações causadas pela antecipação do desastre desapare-
decisões, o que cabe somente a seus chefes. Esse ressentimen- ceram. Nesse momento, estamos ocupados apenas em so-
to provoca estresse. breviver. Apesar da situação ter mudado, novos medos po-
Para os executivos encarregados da chefia de grandes com- dem surgir. Enquanto nos identificarmos com o complexo
panhias, o estresse pode ser causado por sua inabilidade de corpo-mente, jamais poderemos suplantar completamente o
corresponder às expectativas dos acionistas. Se o seu desem- medo. O temor de um possível dano ao corpo e o medo da
penho não for satisfatório, se não conseguirem apresentar morte continuam ali e causam estresse. O medo só desapa-
lucros, serão dispensados. Consideram que seu desejo de rece por completo quando se alcança a iluminação espiritual
trabalhar livremente é impedido pela interferência dos acio- chamada asamprajnata samadhi. Ao experimentar esse tipo
nistas. Para eles, reconhecer que não têm liberdade alguma de samadhi, adquirimos o conhecimento de que não somos
e que vivem à mercê dos acionistas desperta ressentimentos o complexo corpo-mente, mas sim o Espírito Divino e Eter-
que causam estresse. no, que jamais nasceu e jamais morrerá. Enquanto isso não
acontece, o alívio para alguns tipos de estresse pode ser con-
Técnica da Yoga para aliviar o estresse físico seguido por meio dos métodos citados a seguir.
Um dos métodos para aliviar o estresse é aprender a rela-
xar o corpo. Deite-se de costas sobre o piso acarpetado de Livre-se dos apegos
seu quarto. Não use almofada sob a cabeça. Você pode até Segundo a psicologia hindu, as emoções que produzem
mesmo deitar sobre sua cama se o colchão for bem firme a estresse são provocadas pelo apego. Como já mencionamos
ponto de impedir que sua coluna vertebral se curve. Observe anteriormente, apego é um relacionamento que envolve ego-
o ritmo da respiracão durante cinco minutos. Em seguida, ísmo. O envolvimento egoísta desperta o medo, a preocu-
relaxe todo o corpo, imaginando que todas as articulações pação e a ansiedade. Vamos supor que uma pessoa em Nova
se soltaram. Inicialmente, faça isso com os pés, depois com York caminha, à meia noite, por uma viela perigosa carre-
os joelhos, com as articulações dos braços e, por fim, com o gando uma maleta com cem mil dólares. Nessa situação,

12 Vedanta Jul - Set 2016


há grande possibilidade de que a pessoa seja assaltada. Será não houvesse egoísmo poderia ser considerado perfeito. O
que ela sente medo de perder o dinheiro? A resposta a essa egoísmo é a causa do apego, e enquanto esse sentimento ha-
pergunta pode ser, simultaneamente, “sim” e “não”. Se a pes- bitar os corações humanos, o mundo ideal e perfeito do “de-
soa que carrega o dinheiro for sua proprietária e tiver muito veria ser assim” jamais poderá existir.
apego a ele, provavelmente sentirá medo de perdê-lo. Se, ao No mundo imperfeito do “assim é”, precisamos aprender
contrário, a pessoa não tiver qualquer apego ao dinheiro e a lidar com a imperfeição, para nossa própria sobrevivência
não se importar de perdê-lo, não haverá qualquer sensação psicológica. Além do mais, o conceito de perfeição varia de
de medo. pessoa para pessoa. Não é possível para cada um de nós mu-
O Vairagya Shatakam, um antigo livro escrito pelo gran- dar o mundo a fim de adequá-lo melhor a nossos ideais de
de yogi Bhartrihari, expressa essa ideia primorosamente. Diz perfeição. Temos de aceitá-lo como ele é. Uma vez que não
Bhartrihari: exercemos total controle sobre ninguém além de nós mes-
“Se uma pessoa sentir apego pelo prazer físico, ela te- mos, a única coisa a fazer é tentar melhorar, ser menos ego-
merá a doença. Se sentir apego pelo status social, sentirá ístas e menos apegados. Só assim poderemos criar para nós
medo de perdê-lo. Se sentir apego por sua riqueza, temerá uma vida mais pacífica, menos estressante, e transformar o
os reis hostis que podem confiscá-la. Se sentir apego por mundo em um lugar melhor para viver.
sua honra, sentirá medo da humilhação. Se sentir apego
Controlar o estresse por meio do
pelo poder, temerá os inimigos que podem usurpá-lo. Se
pensamento racional
sentir apego por sua beleza, terá medo da velhice. Se sentir
Certa vez, um membro relativamente novo de nossa con-
apego por sua erudição, temerá todos os que possam desa-
gregação veio me visitar. Essa pessoa tinha tendência a se
fiá-la. Se sentir apego por sua boa reputação, sentirá medo
ofender facilmente. Ao perceber que ela estava bastante agi-
daqueles que podem difamá-la. Se sentir apego por seu
tada, perguntei: “O que aconteceu? Você está bem?” Ao que
corpo, temerá a morte. Todas as coisas do mundo que per-
ela retrucou, “Não, não estou. É por isso que vim falar com o
tencem ao homem estão envolvidas pelo medo. Renunciar
senhor. Vim para dizer que nunca mais voltarei a este lugar.
ao apego é a única forma de não sentir medo.”
Quando chego aqui ninguém me cumprimenta. Que tipo
Com a eliminação desses apegos, muitos tipos de medo de organização religiosa é esta na qual os membros não pare-
podem ser suplantados, mas o medo da morte, provocado cem amar nem um pouco uns aos outros?”
pelo apego ao corpo, é difícil de superar. Analisando pro- Eu perguntei a ela, “Você cumprimenta os outros quando
fundamente essa questão, podemos concluir que o medo da chega?”“Por que deveria fazer isso?” respondeu ela. “Não
morte está fortemente ligado aos prazeres dos sentidos. Por são eles que devem fazer isso primeiro para que eu me sin-
intermédio do corpo desfrutamos das sensações proporcio- ta acolhida?” “Os outros podem estar esperando o mesmo
nadas pelos sentidos, como as belas paisagens, as comidas sa- que você,” disse eu. “Podem achar que você deve saudá-los
borosas, as sensações táteis agradáveis e a doçura da música. primeiro.” Minha argumentação só fez com que ela ficasse
Para usufruir de tudo isso precisamos do corpo e, enquanto ainda mais agitada. Acusou-me de ser preconceituoso, injus-
continuarmos a desejar esses prazeres, permaneceremos for- to, insensível, e deixou meu escritório irada sem dizer sequer
temente ligados a ele. Essa é a razão pela qual a simples ideia “até logo”. Ficou bastante claro para mim que ela estava abor-
de perder o corpo nos causa medo. recida e sofria os efeitos do estresse. O simples uso da razão
Considerem alguém que perdeu a capacidade de ver, ou- teria poupado aquela mulher de uma situação tão desagradá-
vir, cheirar, saborear e tocar. Essa pessoa deixou de usufruir vel. Permitam-me citar mais alguns casos para comprovar
todos os prazeres relacionados a esses sentidos. Para ela, o meu ponto de vista.
corpo tornou-se algo completamente inútil. Numa situação Certa vez, uma senhora, membro de nossa congregação,
como essa, o apego ao corpo será quase nulo e a pessoa pode veio até meu escritório muito agitada e declarou, “Hoje eu
chegar até mesmo a rezar para que uma morte rápida ponha disse a meu marido que ele já não me ama mais.” “Por que
fim a essa existência sem prazer. você fez uma coisa dessas?” perguntei. “É bem possível que
Uma atitude útil para livrar-nos do apego é desenvolver ele ainda a ame. Nesse caso, não acha que suas palavras irão
uma visão realista do mundo. Existem dois tipos de mundo: aborrecê-lo? Por outro lado, se ele realmente não mais a ama,
o mundo do “deveria ser assim” e o mundo do “assim é”. O será que precisa que alguém lhe diga isso? Não seria ele o
primeiro deles é o mundo de nossas expectativas, uma utopia primeiro a saber? Você não pode forçar alguém a amá-la
de nossa imaginação, um mundo perfeito que jamais exis- simplesmente exigindo amor. Um método mais adequado
tirá. O segundo, o mundo do “assim é”, é o menos perfeito teria sido dar-lhe mais afeto e carinho de uma forma que ele
deles; é o mundo no qual realmente vivemos. Se julgarmos compreendesse e apreciasse. Se até mesmo os animais res-
a partir das condições sociais, somente um mundo no qual pondem ao amor, por que um ser humano não faria isso?”

Vedanta Jul - Set 2016 13


Há pessoas que se ofendem prontamente à menor provoca- como voluntário naquele hospital, ajudando os enfermeiros
ção. Por razões tolas, terminam seus relacionamentos com a tratar dos pacientes. Esse serviço desprovido de egoísmo
amigos e familiares e continuam a alimentar sentimentos proporcionou-lhe grande alegria e satisfação. O conceito de
de ódio e raiva contra eles durante anos a fio. Como brasas apoio de grupo, usado por organizações como os Alcoólicos
encobertas, esses sentimentos negativos permanecem laten- Anônimos, baseia-se nesse tipo de comparação positiva.
tes dentro delas, provocando estresse. Ao afastar-se de quem
não gostam, o mundo diminui de tamanho e transforma-se Manejando o estresse por meio da meditação
numa pequena concha, uma prisão construída por elas mes- Se for praticada de maneira adequada, a meditação pode
mas. A consequência é uma terrível solidão e depressão. Nes- ser uma forma efetiva de aliviar o estresse físico e mental. To-
se caso, o uso da razão pode vir em dos os que praticam meditação seria-
seu auxílio. Elas precisam entender mente – de forma metódica e diária –
que não é realista achar que os outros atestam para a veracidade de que ela
devem sempre satisfazer seus desejos é uma prática de libertação nos três
de atenção ilimitada, amor, elogios e níveis do ser humano: físico, mental
apreciação. e espiritual. Embora a meta suprema
Os relacionamentos são uma via de da meditação seja a iluminação e o
duas mãos. As pessoas esperam reci- samadhi, a sua prática, mesmo nos
procidade. Para conseguir a atenção estágios iniciais, é um antídoto eficaz
dos outros, também precisamos dar- para o estresse e a ansiedade.
lhes atenção. Comportar-se como um Aqueles que não possuem um mes-
buraco negro e esperar que a atenção, tre qualificado com quem aprender a
o amor, os elogios e a apreciação dos meditar, devem procurar através dos
outros sejam vertidos nele continu- livros aprender as técnicas milena-
amente, sem dar nada em troca, é uma atitude totalmente res dessa ciência. Tanto no oriente quanto no ocidente, há
irrealista. Esse tipo de pensamento é um convite ao estresse, inúmeras fontes confiáveis que ensinam a meditação e seus
que surgirá sob muitas formas de sofrimentos, sejam eles fí- requisitos básicos, sendo o principal desses requisitos uma
sicos ou psicológicos. vida moral e ética.

Livrar-se do estresse por meio Preparar-se para o pior, impedindo


de comparações positivas que ele aconteça
As comparações podem ser motivo de felicidade ou infe- Muito do estresse mental é causado pela antecipação de
licidade. A comparação que causa infelicidade é negativa, e a eventos desagradáveis. Para lidar com esse tipo de estres-
que traz felicidade é positiva. Comparações positivas podem se, é útil tentar imaginar o pior e preparar-se para impedir
ajudar na eliminação do estresse psicológico. que aconteça. Na verdade, muitos dos eventos antecipados
Um senhor havia desenvolvido o hábito de se sentir como por nós jamais acontecem. Ainda assim, ter conhecimen-
um sofredor durante a maior parte do tempo. Em grande to do pior que pode acontecer e estar preparado para isso
parte, esse sentimento era causado por comparações negati- pode reduzir bastante o estresse. Durante a Segunda Guer-
vas, tais como: “Meu irmão alcançou muito sucesso na vida ra Mundial, os habitantes de Londres temiam que a cidade
e eu não”; “Todos os meus vizinhos possuem casas lindas fosse bombardeada. Muitas pessoas foram dominadas pelo
e espaçosas; a minha casa é a menor de todas.” “Os filhos pânico. Enquanto isso, várias medidas preventivas foram to-
dos meus amigos são extremamente inteligentes e cheios de madas. Construíram-se abrigos antiaéreos, as pessoas foram
iniciativa, já os meus não são nada disso”. Ele se sentia tão treinadas para reagir ao som das sirenes, e os cidadãos foram
mal e deprimido que frequentemente falava sobre a morte. informados sobre os prejuízos que as bombas podiam cau-
Certa vez, precisou visitar uma pessoa doente no hospital. sar. Em resumo, os londrinos foram totalmente preparados
Ao chegar lá, deparou-se com um grande número de pa- psicologicamente para aquela eventualidade; como resulta-
cientes paralisados por terem sofrido acidentes praticando do, o estresse relacionado à situação foi bastante diminuído.
esporte. Alguns estavam quadriplégicos, incapazes de mover Assim como ocorre com qualquer mal psicológico, não há
braços e pernas, com a expectativa de viver por muitos anos como generalizar uma cura definitiva para o estresse, pois os
naquelas condições. Essa experiência abriu os olhos daquele seus níveis e consequências são muito subjetivos. Contudo,
homem. Ao comparar sua situação com a daqueles pacien- é perfeitamente possível eliminá-lo por meio de técnicas in-
tes paralisados, deu-se conta da sorte que tinha. Livrou-se teligentes, comprovadas por autoridades no âmbito da psi-
dos sentimentos de infelicidade e começou a trabalhar cologia e da espiritualidade. ◆

14 Vedanta Jul - Set 2016


A prática da Gratidão
Pravrajika Vrajaprana

N
a América (EUA) temos o Dia
de Ação de Graças, quando se
espera que sintamos gratidão
por tudo. Em nosso convento,
havia uma monja que se dizia moralmen-
te contra esse dia, pois achava-o artificial.
Para ela, deveríamos ser gratos o tempo
todo. Venho pensando cada vez mais sobre
o valor da gratidão. É triste que na América
tenhamos de separar um dia para celebrar a
gratidão, mas acho que as pessoas são iguais
em todos os lugares, pois, na vida cotidiana,
temos a tendência de não dar atenção à be-
leza da vida, às pessoas e às virtudes espon-
tâneas. É verdade que não deveríamos ter
um dia especial para a gratidão, mas acho
importante ter a prática da gratidão, pois é
uma prática espiritual.
A prática da gratidão é uma oportunidade
espiritual, e se não a levarmos a sério sere-
mos espiritualmente pobres. Nós sempre te-
remos a oportunidade de sentir gratidão se nos lembrarmos Procuramos estar com nossas famílias, nossos amigos, pesso-
dela. Em nossas vidas, fomos nutridos por tantas pessoas! as desconhecidas, simplesmente por amor. Então pensamos:
Há muitas coisas boas que nos aconteceram que precisamos o que é realmente o amor?
apreciar, e muitas coisas ruins e terríveis que nos tornaram Quando somos jovens pensamos que o amor é o dese-
mais sábios e mais fortes. Quando olhamos para trás, temos jo, que é um rosto perfeito, nariz perfeito, corpo perfeito.
uma visão mais ampla da vida. Quando envelhecemos, percebemos que é algo mais pro-
Cada um de nós já fez boas coisas e também já cometeu fundo. O amor é o reconhecimento da unidade da vida. No
muitos erros, e temos de ser gratos por ter feito os dois, pois Brihadanaryaka Upanishad, o sábio Yajñavalkya diz à sua
em geral aprendemos mais com os erros do que com os acer- esposa Maitreyi: “O marido ama sua esposa não por causa
tos. Mesmo que tenhamos arrependimento de ter magoado da esposa, mas pelo Atman (espírito divino) que existe na
as pessoas, ainda assim devemos ser gratos, pois com isso pu- esposa. Todos aqueles a quem amamos, o pai, a mãe, o fi-
demos aprender mais. lho, o marido, a esposa, não é pelo seu aspecto externo, mas
Na América, o Dia de Ação de Graças é lembrado como um pelo Atman que está em tudo. Tudo que amamos é apenas
dia para comer. Eles cozinham um grande peru, fazem tortas, o reconhecimento do divino, e o reconhecimento da nossa
muitas frutas...Todos se juntam às suas famílias. Quando des- unidade com essa realidade una e divina.”
cobrem que alguém não tem família, ou está longe de casa, É por isso que a gratidão é tão importante. Com ela, nosso
ou perdeu sua família, dizem: venha conosco, vamos cele- Eu superior aparece mais. Quando sentimos gratidão, nos-
brar este dia. Junte-se à nossa família. Muitas pessoas saem e sa vida se torna doce e nos traz contentamento, ou santosha
servem os moradores de rua. Vão até os abrigos, cozinham o (palavra sânscrita que significa contentamento). Santosha é
peru, levam bolos e tortas. Sentam-se todos juntos e dizem: um dos Yamas. Os Yamas e Niyamas são as práticas éticas
vamos comer juntos, pois hoje somos uma família. centrais na tradição hindu. Sem essas práticas não pode-
Há apenas uma razão para isso: amor! É a única razão. mos ter vida espiritual. Seria como construir uma casa sem

Vedanta Jul - Set 2016 15


nas reuniões dominicais.
A quarta dívida é para com a própria humanidade.
Os seres humanos são nossos companheiros de viagem
neste plano. Pagamos com amor e serviço, especial-
mente para com aqueles que têm menos inteligência,
forças e habilidades. Os pobres, os deficientes, os men-
talmente doentes, aqueles que têm menos condições
para seguir, os destituídos na sociedade. Servindo a to-
dos, pagamos nossa dívida.
E, finalmente, nossa última dívida é para com os ani-
mais. Não podemos viver sem os animais. Eles nos dão
o leite e outros benefícios. Temos a alegria de vê-los
voar, de vê-los andar na terra; eles também são nossos
companheiros de viagem. Merecem nosso cuidado e
respeito. A menos que façamos tudo isso, não podere-
mos pagar nossas dívidas. Temos de estar agradecidos
por todos esses elementos em nossas vidas.
cimento ou argamassa. Precisamos ter essas fundações para Na vida, muitas vezes temos a impressão de estar em um
levarmos uma genuína vida espiritual. O contentamento é grande teatro. Eu existo, e qualquer outra pessoa é um ator
um aspecto chave desses Niyamas. Quando estamos conten- menos importante, eu sou a pessoa mais importante neste
tes, não temos tantos desejos, eu quero, eu quero, eu quero... teatro da vida. Com a gratidão, percebemos que a nossa vida
Quando sentimos gratidão, achamos que o que temos está é um grande épico, pois são tantos os papéis interpretados,
perfeito, ficamos contentes com o que a vida nos traz. Fica- temos um elenco de milhares nesse filme. Temos débitos
mos contentes tanto com as boas coisas quanto com as coi- para com milhares e milhares de pessoas. Podemos começar
sas ruins que nos acontecem. com nossos pais, nossos avós, nossos irmãos e irmãs, tias e
Certa escritura hindu afirma que todos os pecados po- tios; há também nossos professores, todos os professores que
dem ser perdoados, exceto a ingratidão. É surpreendente! tivemos em toda nossa vida. Temos uma dívida de gratidão
Há muitas maneiras de fazer coisas ruins, mas a ingratidão para com eles. Pensamos em outras pessoas que têm papel
é considerada o pior dos pecados. Nem o assassinato, nem importante em nossas vidas: os jardineiros, os fazendeiros, as
outro tipo de maldade, mas a ingratidão. Por quê? Porque pessoas no banco, os técnicos que consertam os computado-
a tradição hindu diz que todo ser humano nasce com cinco res (graças a Deus!), nossas crianças, as pessoas que limpam
dívidas (de gratidão). os banheiros; quão gratos ficamos quando tudo está limpo
A primeira é nossa dívida para com os deuses, e pagamos e arrumado. As pessoas que limpam as casas, os médicos, as
essa dívida com orações, adoração e serviço inegoísta para enfermeiras... sempre achamos que têm de estar à disposição,
com todas as criaturas de Deus. Nossa segunda dívida é para e nos irritamos quando não estão. Como são importantes!
com os sábios e santos. Eles nos deram as escrituras sagradas, Quando começamos a pensar em todas essas pessoas que
e por seu exemplo de vida nos mostraram como devemos tanto fazem por nós, ficamos muito gratos, porque percebe-
viver. Nossos mestres espirituais nos disseram qual é a prá- mos que a nossa vida está entrelaçada com a vida de milhares
tica espiritual que devemos seguir. Pagamos essa dívida pelo de outras pessoas. Quando cheguei ao aeroporto de São Pau-
estudo das escrituras e fazendo aquilo que eles nos disseram lo, alguns amigos vieram me receber. Fiquei tão feliz!
para fazer. Então, quando um mestre nos diz que devemos Vejam, nossa vida pode ser muito doce quando percebe-
fazer algo, nós fazemos. Não devemos improvisar. Não pen- mos que as pessoas se esforçam muito para torná-la melhor.
samos que talvez pudéssemos fazer algo melhor do que aqui- Por natureza, os seres humanos têm a tendência de ser ego-
lo que ele mandou. Devemos fazer o que eles nos dizem. ístas, e facilmente nos tornamos egocêntricos, mas quando
A terceira dívida é para com os nossos pais e ancestrais. praticamos a gratidão, nosso egoísmo se desfaz. É como uma
Eles nos deram o nosso DNA, nossa aparência física, nos- pedra na praia. As ondas e as outras pedras fazem-na macia.
so idioma, nossas tradições. Ninguém consegue viver sem O ego se torna cada vez menor e mais suave quando percebe-
família, linguagem ou tradições. Isso forma nossa cultura. mos o quanto as outras pessoas nos ajudaram e nos ajudam.
Temos de ser gratos por isso. Pagamos essa dívida quando Quanto recebemos de nossos mestres espirituais! O que se-
temos filhos e os criamos adequadamente, ensinando-lhes as ria de nossas vidas sem eles? Nosso mestre espiritual nos deu
coisas certas; as pessoas como eu (monges e monjas) não têm uma nova vida. Não posso imaginar o que seria da minha vida
filhos, mas temos amigos, e também cuidamos das crianças se não tivesse encontrado meu guru, Swami Prabhavananda.

16 Vedanta Jul - Set 2016


Só Deus sabe o que poderia ter acontecido! Não posso imagi- uma cultura sofisticada, deitados na rua sob a chuva, sem co-
nar minha vida sem Sri Ramakrishna, sem a Santa Mãe e sem mida, sem nada, tentando salvar seus bebês de serem mortos.
Swami Vivekananda. Quando olho para trás, vejo como eles Choramos. É de cortar o coração!
interviram em minha vida, quão frequentemente me pro- Temos tanto na América, e aqui também há fartura em
tegeram sem que eu percebesse. Depois de trinta, quarenta muitos lugares. Temos de ser gratos pelo que temos e ajudar
anos, percebi – ó! Meu Deus! Você entrou em minha vida. aqueles que não têm. Temos de criar uma prática de sentir
Seu tremendo amor nos salvou muitas vezes. gratidão em vez de levantar de manhã e dizer: “Ah! Tenho
Temos de ser gratos por estarmos aqui. Sri Ramakrishna e que trabalhar!” Podemos pensar naqueles que não podem
Sri Sarada Devi vieram ao mundo para nos ajudar em nossa andar. Tenho uma irmã monástica, Monya, que não pode
vida espiritual. O sacrifício que estes Swamis (do Brasil) fize- andar, pois sofre de esclerose múltipla. Ela é tão feliz! Ela
ram, deixando seu país e sua cultura para servir os outros. É um não pode mais fazer a adoração no templo, mas a faz mental-
tremendo sacrifício! E que grande alegria eles nos dão! Sem mente. Fica muito agradecida quando as pessoas vão vê-la.
esses seres nossa vida seria muito pequena. Sri Ramakrishna e Lembra-se mentalmente das peregrinações que fez à Índia,
Sri Sarada Devi deram um profundo significado às nossas vi- vai mentalmente a Benares, a Belur Math, aos Himalaias. Ela
das porque nos lembraram do que realmente somos. Eles nos está sempre feliz! Nós costumávamos correr juntas. Quando
lembraram de que nossa verdadeira natureza é pura, perfeita me lembro dela eu procuro ser grata, pois às vezes eu me ir-
e eterna. Temos de estar muito gratos por estarmos aqui. Nós rito bastante, por exemplo, quando o computador quebra.
temos uns aos outros. É muito aborrecedor estar ao lado de Pronto! A mente se irrita e vai para baixo. Isso é muito em-
pessoas cujo único interesse é televisão e esportes. Isso torna baraçoso para mim, uma monja há trinta e oito anos.
a vida muito pequena, mas com Sri Ramakrishna e a Santa Assim, temos de aprender a praticar a gratidão e procurar
Mãe nós temos uma meta na vida, e nos dão uma razão para seguir algumas práticas simples todos os dias.
nos esforçarmos. Podemos realizar todo nosso potencial. Eles Em primeiro lugar, não veja nada de forma superficial. Te-
nos lembram de que a nossa natureza é nobre, grande. Essa mos de apreciar cada pequena coisa. Swami Swahananda, che-
é a maior alegria de nossas vidas. Eles nos “pegaram” e nos fe de um centro americano da Ordem por muitos anos, dizia
colocaram aqui. Só podemos dizer: “obrigado”. que devemos fazer duas coisas de que não gostamos todos os
O problema é que esquecemos de agradecer. Por natureza dias. Isso desenvolve nossa força. Os mestres dizem: “Não faça
somos preguiçosos. Gostamos quando as pessoas nos dizem: só o que você gosta, mas aprenda a gostar do que você faz.”
“Você está bem assim. O que quer que faça, é espiritual. Con- Em segundo lugar, devemos ver tudo o que existe com gra-
tinue fazendo o que já faz.” Muitas pessoas vão falar assim tidão. A beleza das árvores lá fora, o fato de a grama poder
com você. Elas querem apenas seu dinheiro. Nós queremos crescer. Podemos ver o céu. Tudo isso são dádivas. Muitas
que se esforcem, pois temos de aprender como treinar nos- pessoas não podem ver o céu. Outras são tão tristes que não
sas mentes, treiná-las a se lembrarem de ser gratas. Cada conseguem apreciar a grandeza de uma árvore, ou são tão
trabalho é uma oportunidade de sentir gratidão em vez de duras que não podem apreciar a tenacidade da grama. A bela
impaciência. O maravilhoso milagre da mente humana é que teimosia da grama! É admirável!
podemos transformá-la, pois temos plasticidade neural. Po- No meio do cimento surge uma pequena folha de grama.
demos criar novos caminhos, podemos deixar de ser peque- Viva a grama! Temos de ser assim. Tão fortes como essa gra-
nos e aprender a expandir nossos corações, porque a grande ma nós subimos em direção à luz. Linda lição! A vida nos
prática da gratidão expande nossos corações. Quanto mais ensina todo o tempo. Temos de aprender com humildade e
expandimos o coração, melhor compreendemos qual é a nos- graça. Muitas coisas são graças escondidas. Ficamos chatea-
sa verdadeira natureza e a real natureza dos outros também. dos quando o carro não funciona, mas talvez sofrêssemos um
Assim, temos sempre de tentar praticar a gratidão, tornar isso acidente se o carro andasse. Às vezes ficamos feridos quando
um hábito tão frequente quanto os hábitos cotidianos de es- alguém nos abandona, e pode ser que muitos anos se passem
covar os dentes, tomar banho, etc. até que percebamos que foi uma bênção. Do mesmo modo
Temos de ser gratos por termos água. Há muitos lugares com um emprego que não conseguimos ou por sermos des-
que não têm água e onde é muito difícil viver. Gratos pelo pedidos de um emprego de que gostamos muito. Mais tarde,
alimento. Há muitas pessoas que não têm alimento. Mui- damo-nos conta de que foi uma bênção.
tos de nós viemos de famílias onde havia afeição e amor. Em Percebemos, então, que tudo foi bom. Estivemos protegi-
muitas famílias não há afeição e amor. Quanta gratidão te- dos todo o tempo. Seja qual for o nosso caminho, estamos
mos de sentir pela afeição que nos foi dada. Gratidão pelo ficando cada vez mais próximos de Deus. Que bênção!
teto que nos abriga, pois muitas pessoas não têm onde re- Master Eckhart, um grande místico cristão, disse: “Se você
pousar a cabeça. Estive na Turquia no ano passado e vi mi- tiver apenas uma oração em toda sua vida, essa única oração
lhares de refugiados da Síria, jovens, educados, bonitos, de deveria ser : obrigado! Isso já é suficiente.” ◆

Vedanta Jul - Set 2016 17


Notícias da Vedanta

No dia 3 de junho, Swami Jitananda


realizou no Centro Cultural da Índia
(ICC) uma palestra com o tema “As Es-
crituras Hindus e Sua Importância no
Contexto Mundial”. Neste ano, diversas
Entre os dias 8 e 24 de abril, recebemos Entre os dias 4 e 14 de maio, recebe-
atividades aconteceram no ICC entre
Pravrajika Vrajaprana, monja senior mos a visita especial de Swami Paresha-
os meses de maio e abril, relacionadas ao
norte-americana do Convento em San- nanda, presidente do Ramakrishna
Dia Mundial de Yoga
ta Bárbara, ligado à Vedanta Society of Ashrama da Argentina. Durante sua
Southern California, ocasião em que vi- estadia, ele realizou satsangas, palestras
sitou alguns Centros da Ordem no Bra- e encontros informais com os devotos. IN MEMORIAM
sil. No dia 9 de abril, a Editora Vedanta
realizou o lançamento de dois livros:
Vedanta: Uma Simples Introdução (de
Pravrajika Vrajaprana) e Pensamentos
Inspirados (Swami Vivekananda). Na
ocasião, fomos honrados com a presen-
ça da Prof. Lia Diskin, presidente e fun-
dadora da Palas Athena.

No dia 17 de abril, foi realizado no


Ashrama, das 9 às 16:00, mais um cur-
so de Reiki "Iniciação em Reiki III".
A instrutora foi Maria Pereira (Lia).
Além das aulas teóricas com slides,
hoive também as sessões práticas com Cleusa Barone à esquerda
demonstrações das técnicas fundamen-
tais do Reiki. Cleusa Barone foi uma das pioneiras
no movimento Vedanta no Brasil. Co-
Foi organizado na Cidade Universitária nheceu seu guru, Swami Vijoyananda,
(USP) um evento em celebração ao Dia na década de 60, e teve várias oportu-
Internacional da Yoga (oficialmente 21 nidades de servi-lo quando ele estava
de junho). Mais de 250 participantes no Brasil. Por natureza muito alegre e
assistiram a palestras sobre Yoga, medi- sempre disposta a servir, Cleusa foi um
tação e Vedanta, nos dias 7 e 8 de junho. exemplo de dedicação à família e ao
Entre os palestrantes estavam Prof. Mar- ideal espiritual. Ela deixou o corpo em
cos Rojo, Monja Cohen, Swami Nirma- 7 de maio, e saudades nos corações de
latmananda, Prof. Lia Diskin e outros. todos os que a conheceram.

18 Vedanta Jul - Set 2016


Swami Shraddhananda (1907-1996) foi o líder espiritual da Vedan- centros da vedanta no brasil
ta Society of Sacramento, nos E.U.A. Ele escreveu nove livros sobre
educação, religião e filosofia, além de contribuir com muitos artigos Ramakrishna Vedanta Ashrama
sobre temas filosóficos. Seu último livro, Seeing God Everywhere: A Largo Senador Raul Cardoso, 146 & 204
Practical Guide to Spiritual Living (1996) foi publicado depois de 04021-070 - Vila Clementino
seu falecimento. São Paulo - SP Tel: (11) 5572-0428
www.vedanta.org.br
Swami Bhaskarananda é o presidente da Vedanta Society of Wes- Centro de Retiros do Embu-Guaçu
tern Washington, nos EUA, desde 1974. Sob a sua liderança o Estrada Mathias Schmidt, 502
centro desfrutou de considerável expansão. Ele é autor de vários 06900-000 - Lagoa Grande
livros, entre eles: Meditation, Mind and Yoga of Patanjali; The Es- Embú-Guaçu - SP Tel: (11) 4661-3041
sentials of Hinduism; Journey from Many to One e Life in Indian Centro Ramakrishna Vedanta RJ
Monasteries. Rua Paula Matos, 162 20251-550
Santa Teresa - Rio de Janeiro - RJ
Pravrajika Vrajaprana é monja do Sarada Convent, Santa Barba- Tel: (21) 2224-3295 www.vedantarj.org.br
ra, ligado à Vedanta Society Southern California (EUA). A monja Centro Ramakrishna Vedanta Curitiba
Vrajaprana é autora de vários livros sobre hinduísmo e Vedanta. O Rua Professor Hostílio de Araújo, 120
livro “Vedanta: Uma Simples Introdução", de sua autoria, foi lança- 82110-130 - Pilarzinho
do pela Editora Vedanta em março de 2016. Curitiba - PR Tel: (41) 3027-2102
www.vedantacuritiba.org.br
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Caro leitor, 31555-050 - Bairro Santa Amélia
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das religiões. A sua opinião é muito importante para nós. Brasília - DF Tel: (61) 99984-5688
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Vedanta Jul - Set 2016 19


O
principal efeito do trabalho realizado para os
outros é nossa própria purificação. Por meio
do constante esforço pelo bem dos demais,
estamos tentando esquecer de nós mesmos; esse esque-
cimento de si é a maior lição que temos de aprender na
vida. O homem tolamente pensa que pode fazer-se feliz,
e após anos de esforço descobre enfim que a verdadeira
felicidade consiste em matar seu egoísmo e que ninguém
pode fazê-lo feliz a não ser ele mesmo. Cada ação carido-
sa, cada pensamento de simpatia, cada ação de auxílio,
cada boa ação retira muito da importância que damos aos
nossos pequenos ‘eus’.
SWAMI VIVEKANANDA

VEDANTA