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Módulo 1_Processo de Normalização

Prof. Izaque Ferraz


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NORMALIZAÇÃO

PARTE 1 _ NORMALIZAÇÃO

Sabemos que a busca da qualidade sempre acompanhou a evolução do


homem, visto que queremos cada vez mais aprimoramento em nossas
vidas, no nosso trabalho e nos produtos e serviços que consumimos.

A globalização atual aliada ao aumento da competitividade e as


mudanças constantes nos mercados (seja pela tecnologia, cultura ou
inovações em geral), levam as atuais organizações a uma busca
constante pela qualidade no intuito de aprimorar suas atividades e
satisfazer os seus clientes.

Qualidade pode ser traduzida como uma série de ações que levam as
empresas a trabalhar em conformidade com os requisitos dos clientes,
satisfazendo suas necessidades e atendendo (ou mesmo excedendo)
suas expectativas.

Nos dias atuais, as empresas devem ter qualidade, porém também


necessitam comprová-la. Para isso, a normalização é passo essencial
nesse processo.

“Normalização é a atividade que estabelece, em relação a


problemas existentes ou potenciais, prescrições destinadas à
utilização comum e repetitiva com vistas à obtenção do grau ótimo
de ordem em um dado contexto”.

Portanto, o administrador atual deve ter conhecimento desta atividade


para alcançar níveis de qualidade em sua empresa e atender requisitos
gerais que são estabelecidos em diversas áreas.

Normalização, portanto, é a maneira de organizar atividades pela criação


e utilização de regras e normas, elaboração, publicação e promoção do
emprego destas Normas e Regras, visando contribuir para o
desenvolvimento econômico e social de uma Nação.

Na prática, a Normalização está presente na fabricação dos produtos, na


transferência de tecnologia, na melhoria da qualidade de vida através de
normas relativas à saúde, à segurança e à preservação do meio
ambiente. Também é chave de acesso a novos mercados, quebrando
barreiras não tarifárias e, com isso, trazendo vantagem competitiva para
as empresas, gerando inovações e ampliando conhecimentos
tecnológicos, entre outros objetivos.

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No Site da ABNT podemos verificar os principias objetivos da


Normalização:
Economia Proporcionar a redução da crescente
variedade de produtos e procedimentos
(simplificação)
Comunicação Proporcionar meios mais eficientes na troca
de informação entre o fabricante e o cliente,
melhorando a confiabilidade das relações
comerciais e de serviços
Segurança Proteger a vida humana e a saúde
Proteção do Prover a sociedade de meios eficazes para
Consumidor aferir a qualidade dos produtos
Eliminação de Evitar a existência de regulamentos
Barreiras Técnicas e conflitantes sobre produtos e serviços em
Comerciais diferentes países, facilitando assim, o
intercâmbio comercial

É evidente que como todo processo novo em uma organização, a


normalização terá um custo para sua implantação, efetivação e
manutenção. Porém, este custo deve ser considerado como um
investimento, visto que a normalização traz benefícios qualitativos e
quantitativos para a empresa.

Os benefícios qualitativos permitem que as empresas:


 Utilizem adequadamente os recursos (equipamentos, materiais e
mão-de-obra)
 Uniformizem a produção
 Efetuem o treinamento da mão-de-obra, melhorando seu nível
técnico
 Registrem o conhecimento tecnológico e
 Facilitem a contratação ou venda de tecnologia

Os benefícios quantitativos permitem que as empresas:


 Reduzam o consumo de materiais, a variedade de produtos e o
despedício;
 Padronizem componentes e equipamentos
 Aumentem a produtividade
 Melhorem a qualidade e
 Controlem os processos

Classificação das normas

As normas podem ser classificadas de diversas maneiras, dependendo


do enfoque que se deseja dar. Duas das principais classificações, sob as
quais se encontram as normas, são: quanto ao Tipo e quanto ao Nível.

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TIPOS DE NORMAS
Procedimento Classificação

Especificação Terminologia

Padronização Simbologia

Ensaio Regulamentadoras

NORMAS Compulsórias ou voluntarias:

As Normas podem ser Compulsórias, que há obrigatoriedade legal


( Governo ) quanto a sua execução ou voluntárias, livres para
relação de mercado ( Normas de padronização).

1.2. Normalização Internacional e Nacional

A Normalização estabelece prescrições destinadas à utilização em busca


de melhoria dos processos da empresa.

Estas prescrições são documentos formais que são criados através do


consenso e da aprovação de organismos que atuam com essa função.
Existem diversos organismos em, praticamente, todos os países e,
também, organismos internacionais que efetuam normas técnicas
internacionais.

Portanto, podemos perceber que a normalização possui níveos. Os níveis


de normalização são:

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 Internacional - normas destinadas ao uso internacional, resultantes


da ativa participação das nações com interesses comuns.
Exemplos: ISO (International Organization for Standardization) e IEC
(International Eletrotechnical Comission).
 Regional - normas destinadas ao uso regional, elaboradas por um
limitado grupo de países de um continente.
Exemplos: CEN (Comitê Europeu de Normalização) e AMN (Associação
Mercosul de Normalização).
 Nacional - normas destinadas ao uso nacional, elaboradas por
consenso entre os interessados em uma organização nacional
reconhecida como autoridade no respectivo país.
Exemplos: ABNT (Brasil); ANSI (Estados Unidos); DIN (Alemanha); JISC
(Japão) e BSI (Reino Unido).
 Empresarial - normas destinadas ao uso interno nas empresas.

Normalização Internacional
O organismo internacional mais conhecido no âmbito administrativo é a
ISO. Este órgão internacional elabora uma série de normas que são
aplicadas em empresas de todos os países do mundo.

A ISO é uma organização internacional, não governamental, que foi


estabelecida em 1947 e possui a sua sede em Genebra (Suíça).

UNICEF UNESCO OMC OMT ISO ( ...)

International Organization for Standardization

A ISO elabora normas internacionais de qualidade, sendo reconhecida e


aceita internacionalmente, estando presente em 161 países. ISO quer
dizer “International Organization for Standardization”, porém não é uma
sigla. Seu nome vem do grego “ISO” que significa “igual”.

O objetivo da ISO é promover no mundo o desenvolvimento de normas


que representam o consenso dos diferentes países, por meio da
cooperação no âmbito intelectual, científico, tecnológico e de atividade
econômica, com a intenção de facilitar o intercâmbio internacional de
produtos e serviços.

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As normas ISO são definidas por TCs - Comitês Técnicos. Estes


comitês técnicos realizam diversas reuniões anuais em diversos países
com o intuito de alinhar os objetivos e definir os padrões das normas. Os
comitês técnicos da ISO têm ligações formais com cerca de 580
organizações internacionais.

O TC 1 (primeiro Comitê Técnico) foi criado em 1947 para padronizar


parafusos utilizados pela indústria automobilística. Depois disso, vieram
diversos comitês, como por exemplo, o TC 176 (comitê responsável pelo
desenvolvimento das normas da família ISO 9000 e de normas genéricas
do campo da gestão e da garantia da qualidade).

A ISO ficou popularizada pela série 9000 que tratam de Sistemas para
Gestão da Qualidade nas empresas. As normas da série ISO 9000 são,
portanto, documentos normativos internacionais relacionados com gestão
de qualidade e de uso voluntário pelas empresas.

Normalização Nacional

Órgãos Acreditadores

CONMETRO
Colegiado interministerial, presidido pelo MDIC, responsável pela
formulação da Política Nacional de Metrologia, Normalização e Avaliação
da Qualidade de Produtos Industriais
INMETRO
Autarquia federal, vinculada ao MDIC, responsável pela execução da
Política Nacional de Metrologia, Normalização e Avaliação da Qualidade
de Produtos Industriais

Todos os países possuem um representante dos organismos


internacionais de normalização. No Brasil, a representante desses órgãos
(como a ISO, por exemplo) é a ABNT – Associação Brasileira de
Normas Técnicas.

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Fundada em 1940, a ABNT é o órgão responsável pela normalização


técnica no país, fornecendo a base necessária ao desenvolvimento
tecnológico brasileiro. É uma entidade privada, sem fins lucrativos e
reconhecida pelo Governo Brasileiro como o único Foro Nacional de
Normalização.

É membro fundador da ISO (International Organization for


Standardization), da COPANT (Comissão Panamericana de Normas
Técnicas) e da AMN (Associação Mercosul de Normalização).

A ABNT é a única e exclusiva representante no Brasil das seguintes


entidades internacionais: ISO – International Organization for
Standardization e IEC – International Electrotechnical Comission e das
entidades de normalização regional: COPANT – Comissão Panamericana
de Normas Técnicas e AMN – Associação Mercosul de Normalização.

A ABNT também possui diversos comitês técnicos para as mais


diferentes áreas de trabalho. Como exemplo, podemos citar o comitê
técnico ABNT/CB-25 – QUALIDADE, responsável pela normalização no
campo de gestão da qualidade, compreendendo sistemas da qualidade,
garantia da qualidade e tecnologias de suporte.

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Comitês Técnicos

Como dito anteriormente, as normas ISO são definidas por TCs -


Comitês Técnicos, que tratam de diferentes assuntos.

O TC 1, primeiro Comitê Técnico, foi criado em 1947 para padronizar


parafusos utilizados pela indústria automobilística, permitindo o
intercâmbio deste produto.

O TC 176, por exemplo, foi o comitê responsável pelo desenvolvimento


das normas da família ISO 9000 e de normas genéricas do campo da
gestão e da garantia da qualidade, e tem papel consultivo perante outros
comitês técnicos da ISO com respeito a sistemas de gestão e princípios
da qualidade. O TC 207, outro exemplo, foi instituído em março de 1993
para definir as normas internacionais na temática ambiental e assim por
diante.
No Brasil, a criação de um Comitê Brasileiro (ABNT-CB) é
efetuada através de proposta encaminhada pela entidade solicitante à
ABNT através da Gerência do Processo de Normalização incluindo:

1. Justificativa retratando a necessidade e interesse do setor no


desenvolvimento de Normas Brasileiras

2. Histórico de participação da entidade solicitante na normalização e


sua representatividade no setor

3. Informações sobre: denominação do Comitê, campo de atuação,


estrutura, suporte técnico, administrativo e financeiro, localização,
recursos físicos, humanos e financeiros, Programa de
Normalização Setorial (PNS)

Por sua vez, para o credenciamento de um Organismo de Normalização


Setorial (ABNT/ONS), a entidade interessada deve solicitar informações à
ABNT através da Gerência do Processo de Normalização.

Processo de Criação de Norma - Processo de elaboração de


Normas Brasileiras

1. A sociedade brasileira manifesta a necessidade de se ter uma norma;


2. O Comitê Brasileiro (ABNT-CB) ou Organismo de Normalização Setorial (ABNT/ONS)
analisa o tema e inclui no seu Programa de Normalização Setorial (PNS)
3. É criada uma Comissão de Estudo (CE), com a participação voluntária de diversos
segmentos da Sociedade, ou incorporada esta demanda no plano de trabalho da Comissão
de Estudos já existente e compatível com o escopo do tema solicitado
4. A Comissão de Estudo (CE) elabora um Projeto de Norma, com base no consenso de seus
participantes
5. O Projeto de Norma é submetido à Consulta Pública
6. As sugestões obtidas na Consulta Pública são analisadas pela Comissão de Estudo (CE) e
o Projeto de Norma é aprovado e encaminhado à Gerência do Processo de Normalização
da ABNT para homologação e publicação como Norma Brasileira

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ABNT-CB-25

É o representante oficial da ABNT perante o ISO/TC 176 e ISO/CASCO e


participa dos respectivos Grupos de Trabalho, produzindo as normas e
outros documentos normativos brasileiros, relativos à qualidade e à
avaliação da conformidade, equivalentes aos emitidos pela ISO. Foi
criado no último trimestre de 1991, e começou a operar em fevereiro de
1992, com o objetivo de criar uma infra-estrutura de normalização de
sistemas de gestão da qualidade para o Brasil

1.3. Visão Geral das Principais Normas

Uma vez que já sabemos o que é normalização e a sua importância no


contexto administrativo, precisamos conhecer as principais normas
utilizadas nas empresas.

 Podemos separar as normas em dois grandes grupos:


 Normas de Produtos ou serviços  normas de fabricação de
produtos e de execução de serviços;
 Normas de Sistemas de Gestão  normas que definem os
processos administrativos da empresa e complementam as
normas de produção.
 Em nosso curso de Administração, vamos nos concentrar nas
normas de gestão, pois estão diretamente ligadas ao trabalho do
administrador em uma empresa.

Dentre as normas de sistemas de gestão, vale destacar:

- Sistema da segurança e saúde ocupacional – OHSAS 18001


- Sistema de gestão de responsabilidade social – SA 8000
- Sistema de gestão ambiental – ISO 140001
- Sistema de gestão da qualidade – ISO 9001

1.4. Outros Tipos de Associações

Além das normas nacionais, regionais e internacionais, existem ainda


outros tipos de normas. Muitas empresas têm o seu sistema interno de
normalização e usam-no para estabelecer os requisitos das suas
aquisições entre os seus fornecedores.

Algumas entidades associativas ou técnicas também estabelecem


normas, seja para uso dos seus associados, seja para uso generalizado.

Algumas dessas normas têm uso bastante difundido. Alguns exemplos


são as normas da ASTM, API e ANSI.
CIE - International Commission on Illumination
DIN - Deutsches Institut für Normung

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1.5. Assuntos/Órgãos
Abaixo encontram-se os links com diversos órgãos regulamentadores ou
que dispõem de informações sobre regulamentos técnicos ou produtos,
processos ou serviços regulamentados. A lista não é exaustiva.
 Saúde:
MS - www.saude.gov.br
ANVS - www.anvisa.gov.br
 Agricultura:
MA - www.agricultura.gov.br
 Aeroespacial:
MCT - www.mct.gov.br
INPE - www.inpe.br
 Aeronáutica:
MD - www.defesa.gov.br
CTA - www.cta.br
 Material de emprego militar:
MD - www.defesa.gov.br
CTEx - www.ctex.eb.mil.br
 Marinha:
MD - www.defesa.gov.br
DPC - www.dpc.mar.mil.br
 Transportes:
MT - www.transportes.gov.br
DENATRAN - www.mj.gov.br/denatran
INMETRO - www.inmetro.gov.br
MTE - www.mte.gov.br
 Segurança no trabalho, materiais de segurança, EPI:
MTE - www.mte.gov.br
FUNDACENTRO - www.fundacentro.gov.br
 Telecomunicações:
Minicom - www.mc.gov.br
ANATEL - www.anatel.gov.br
 Energia elétrica:
MME - www.mme.gov.br
ANEEL - www.aneel.gov.br
INMETRO - www.inmetro.gov.br
 Indústria do petróleo e combustíveis:
MME - www.mme.gov.br
ANP - www.anp.gov.br
 Meio Ambiente:
MMA - www.mma.gov.br
CONAMA - www.mma.gov.br/port/conama
ANA - www.ana.gov.br
 Energia Nuclear:
CNEN - www.cnen.gov.br
IRD - www.ird.gov.br
MCT - www.mct.gov.br
http://www.iso.org
http://www.tc176.org
http://www.iso.org/tc176/sc2

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