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Curso: Engenharia Elétrica

Aluno: Daniel Antonio de Oliveira Filho Matrícula: 2015002505

Resumo – Linha de Transmissão CC

Os atuais desafios na transmissão de energia requerem soluções técnicas


flexíveis e eficazes. A transmissão em corrente contínua em alta tensão (HVDC) é a
solução ideal para a transmissão de energia em longas distâncias, e também uma
forma confiável de conectar redes elétricas assíncronas ou de frequências
diferentes, com redução de custos, sendo uma opção viável à transmissão CA.
Em relação à transmissão CA, em alta tensão, a transmissão CC possui
uma série de vantagens de ordem técnica, ambiental e econômica.
1. Têm-se as seguintes vantagens técnicas (GRAHAM; BILEDT;
JOHANSSON, 2004):
a. Permite interligação de sistemas, utilizando características de
ajustes de potência/frequência não compatíveis com conexão
síncrona.
b. Impede fluxos indesejáveis em linhas de transmissão CA
paralelas.
c. Controla o fluxo de energia e evita a sobrecarga, prevenindo
disparos em cascata, restringindo assim falhas do sistema em
condições de contingência múltipla.
d. Restringe a potência de curto-circuito.
e. Permite a conexão de sistemas elétricos que operam em
frequências diferentes, podendo-se citar as conversoras de
Rivera (BrasilUruguai) e Garabi (Brasil-Argentina).
2. As vantagens econômicas são, segundo DOS SANTOS et. al, 2014:
a. A redução nos custos das linhas de transmissão.
b. A redução nos custos capitalizados das perdas na transmissão.
c. A redução nos custos das subestações;
3. As vantagens ambientais são, segundo SATO, 2013:
a. Redução no ruído audível;
b. Redução no impacto visual;
c. Redução nos efeitos de campo elétrico e magnético;
d. Uso do retorno de terra ou mar para operação monopolar.

Em relação à transmissão CA, em alta tensão, a transmissão CC possui


desvantagens:
 O uso de tiristores de alta potência encarece a transmissão.
 Apesar de o sistema ser em corrente contínua, existe uma absorção de
potência reativa de ambas as conversoras, devido à ação dos tiristores,
necessitando de filtros para solucionar o problema.
 O aterramento também deve ser cuidadosamente projetado: em caso de
operação monopolar da linha, o aterramento injetará altas correntes no solo,
podendo culminar em uma aridez no solo e um aumento irreversível
da resistividade, inutilizando todo o sistema.
Existem diversas configurações de elos, sendo os mais utilizados os
circuitos monopolares, circuitos bipolares, circuito homopolares e o back-to-back:
1. Circuito monopolar
a. O circuito monopolar faz o uso de apenas um condutor C.C.,
geralmente com polaridade negativa, por resultar em menor
efeito corona (comparado ao caso de ser de polaridade positiva)
(Kundur, 1994)
2. Conversor “back-to-back” ◦ “Back-to-back”:
a. Uma estação chamada back to back é uma instalação HVDC na
quais duas estações são coladas uma a outra, construídas no
mesmo local, sendo assim tornando o comprimento da linha
desprezível. Estas estações são utilizadas principalmente para
conectar redes assíncronas Transmissões monopolares a
grandes distâncias ◦ Caminho de retorno com eletrodos
3. Circuito Bipolar
a. A configuração Bipolar é composta por dois condutores, um
positivo e outro negativo. Cada terminal possui dois conversores
conectados em série, com as junções aterradas ou ligadas por
condutores, como em uma fonte simétrica. Normalmente, as
correntes nos dois polos são iguais, não havendo circulação de
corrente de retorno pelo terra ou ligadas por condutores
4. Circuito Homopolar
a. O Elo Homopolar utiliza dois ou mais condutores, todos com a
mesma polaridade. Usualmente a polaridade negativa é
preferida em virtude de causar menor radio interferência em
decorrência de menor efeito corona (Kundur, 1994). O retorno é,
também, normalmente feito pela terra.

Para se transmitir a potência desejada em tensão continua é necessária à


conversão de tensão CA para tensão CC, assim, na subestação de transmissão a
tensão alternada passa por retificadores e filtros de sinais, no caso o conjunto
retificador/filtro é denominado conversor CA/CC, apresentando uma saída CC. Ao
chegar à subestação de recepção o sinal CC passa por um conjunto de chaves,
compostas por tiristores, de modo a transformar o continuo em alternado de acordo
com a amplitude e frequência que se projete.

Há diversas linhas de transmissão CC ao redor do mundo, em operação.


Assim pode-se exemplificar com:

1. Sistema de Corrente Contínua – Furnas


O Elo de Corrente Contínua tornou-se necessário porque a energia
produzida no setor de 50 Hz de Itaipu não pode se integrar diretamente ao sistema
brasileiro, onde a frequência é 60 Hz. A energia produzida em 50 Hz em corrente
alternada é convertida para corrente contínua e escoada até Ibiúna (SP), onde é
convertida novamente para corrente alternada, mas agora em 60 Hz.
O sistema de transmissão é formado por duas linhas de ±600 kV, com
extensão de aproximadamente 810 km, entre as subestações de Foz do Iguaçu (PR)
e Ibiuna (SP). A conversão CA/CC é feita através de oito conversores em cada
subestação, cada dois formando um polo, que compõem os dois bipolos em ±600
kV, sendo transmissão realizada através de quatro linhas, uma em cada polo

2. Yunnan-Guangdong HVDC

O Yunnan-Guangdong HVDC é um sistema de transmissão de corrente


contínua de alta tensão conectando Chuxiong no Yunnan a Suidong, Zengcheng em
Guangdong, China. É o primeiro link HVDC no mundo operando com uma tensão de
transmissão de 800 kV. A linha de transmissão é operada pela China Southern
Power Grid. Em 2007, o pedido para fornecer o sistema foi concedido à Siemens
Energy. O primeiro polo entrou em operação em dezembro de 2009, com a segunda
pole a ser realizada em junho de 2010.
O sistema de transmissão tem uma capacidade de transmissão de 5.000
MW e uma corrente DC nominal de 3.125 A. Ele tem um comprimento total de 1.418
quilômetros (881 mi). [4] Ela transmite eletricidade das usinas hidrelétricas de
Yunnan para Guangdong, incluindo as cidades de Guangzhou e Shenzhen

3. Trans Bay Cable

O Trans Bay Cable é uma interconexão de cabos subaquáticos de corrente


contínua de alta voltagem entre São Francisco e Pittsburg, na Califórnia. O cabo de
85 km passa sob a baía de São Francisco e através do Estreito de Carquinez, o
cabo pode transmitir 400 megawatts de potência com uma tensão CC de ± 200 kV,
o suficiente para fornecer 40% das necessidades de pico de energia de São
Francisco.
O projeto Trans Bay Cable foi o primeiro sistema HVDC a usar o sistema
Modular Multi-Level Converter (MMC)