Você está na página 1de 8

Universidade Estadual de Maringá

Centro de Tecnologia e Ciência


Departamento de Engenharia Civil
Laboratório de Mecânica dos Solos- 2570
Professor: Dr. Antônio Belincanta

Relatório 01
Determinação do Teor de
Umidade de Solos

Henrique Desie Fonzar, RA 79985


Lucas Maia Marques G. Cardoso, RA 76809
Tatiana Ueno, RA 76817
Turma: 06

Maringá, 13 de março de 2014


1. Objetivos

O objetivo deste experimento é realizar a determinação do teor de umidade de


solos de acordo com os métodos da estufa, expedito speedy e do fogareiro conforme as
instruções da NBR 6457/1986 e DNER – ME 52-64.

2. Fundamentação teórica

A umidade do solo influencia diretamente o volume de água nele armazenado,


bem como a sua resistência e a compactação, entre outros fatores. Logo, é de grande
importância o conhecimento da umidade do solo para estudos de movimento da água no
solo, bem como a adoção de determinadas práticas de manejo culturais e irrigação.
O método da estufa (padrão) é o mais utilizado na determinação do conteúdo de
água do solo. As amostras são retiradas seguindo os procedimentos da NBR 6457/1986
– Amostra de solo - Preparação para ensaios de compactação e ensaios de
caracterização, em vários locais e profundidades, no campo, podendo constituir-se de
amostras simples ou compostas.
Essas amostras podem ser deformadas, utilizando-se trados comuns, ou não
deformadas, de volume conhecido, usando trados especiais (EMBRAPA, 1997). Seu
principal inconveniente é a demora no tempo de resposta (24 horas), além da
necessidade de utilizar estufa e balança de precisão.
O método padrão da estufa proporcionou o surgimento de uma série de outros
métodos alternativos, que variam entre si em função da fonte de calor utilizada para a
eliminação do conteúdo de água da amostra de solo. Dentre eles destacam-se: o Speedy
e o método da frigideira.
A determinação do teor de umidade de solos e agregados miúdos com utilização
do aparelho “Speedy” é realizada de acordo com a DNER – ME 52-64 – Determinação
da umidade pelo método expedito “Speedy” – Método de ensaio, e tem base na reação
química da água existente em uma amostra com o carbureto de cálcio, realizada em
ambiente confinado.

CaC2 + 2 H2O  C2H2 + Ca(OH)2


(carbureto de cálcio + água  acetileno e hidróxido de cálcio)

O gás acetileno ao expandir-se gera pressão proporcional à quantidade de água


existente no ambiente. A leitura dessa pressão em um manômetro permite a avaliação
do teor de umidade de amostras.
Já o método da Frigideira é bastante empregado e consiste em “fritar” o solo. Uma
pequena porção de solo úmido é colocada em uma frigideira, que por sua vez é colocada
sobre uma fonte de calor. Revolve-se a amostra suavemente até que a água evapore.
Para certificar-se de que a água evaporou, coloca-se uma placa de vidro sobre a
frigideira e observa-se se existe vapor formando na placa, caso contrário, a amostra esta
seca.

3. Materiais e Procedimentos

3.1 Método da estufa

Aparelhagem:
 Balanças que permitam pesar nominalmente 200g, 1,5kg e 5kg, respectivamente
com resoluções de 0,01g, 0,1g e 0,5g, e sensibilidades compatíveis;
 Estufa capaz de manter a temperatura de 60 a 650ºC e também de 105 a 100ºC;
 Dessecador contendo sílica gel;
 Recipientes adequados, confeccionados com material não corrosível;
 Pinças metálicas de aproximadamente 30 cm de comprimento.

Procedimento:
 Tomar uma quantidade de material de acordo com tabela fornecida;
 Destorroá-lo, colocá-lo no estado fofo em cápsulas metálicas adequadas;
 Pesar o conjunto e anotar como M1;
 Colocar a cápsula em estufa à temperatura de 105ºC a 110ºC, onde deve
permanecer até constância de massa (normalmente de 16 a 24 horas, podendo ser
necessário intervalos maiores em alguns casos);
Nota: Solos orgânicos, turfosos ou contendo gipsita devem ser secados em estufa,
à temperatura de 60ºC a 65ºC, requerendo intervalos maiores de secagem.
 Transferir a cápsula da estufa para o dessecador, onde deve permanecer até atingir
a temperatura ambiente;
 Pesar o conjunto e anotar como M2;
 Efetuar no mínimo 3 determinações do teor de umidade.

3.2 Método expedito “Speedy”

Aparelhagem:
 Aparelho “Speedy”, de acordo com Figura 1.

Figura 1 – Aparelho “Speedy”

Procedimento:
 Colocar no aparelho a amostra de 5, 10 ou 20 gramas (de acordo com a umidade
avaliada, vide tabelas abaixo), as duas esferas de aço e a cápsula de carbureto.
 Fechar o aparelho e agitá-lo violentamente para e cima e para baixo por cinco
segundos quebrando a cápsula de carbureto. Por o aparelho em posição horizontal
e dar um movimento rotativo para facilitar a mistura carbureto-amostra. Em
seguida agitar novamente e rolar o aparelho até esfriar o gás. As operações dever
sem repetidas pelo mínimo durante três minutos.
 A leitura em percentagem de água é feita pela tabela. (Os pesos nela citados não
incluem o peso da areia seca eventualmente adicionada).
 Abrir vagarosamente o aparelho de um só lado para descarregar o gás e em
seguida abri-lo completamente e limpá-lo a seco.
 Se o relógio atingir, no início, o valor máximo da escala, abrir logo o aparelho e
repetir o ensaio com metade do material.
 Se o relógio indicar menos de 0,5 kg/cm², repetir o ensaio com material em dobro.
 Para determinar a umidade de solos plásticos, aconselha-se fazer inicialmente uma
aferição, em laboratório, com amostra representativa do solo.

3.3 Método do fogareiro

Aparelhagem:
 Espátula;
 Fogareiro;
 Frigideira (recipiente);
 Placa de vidro;
 Tela de amianto.

Procedimento:
 Pesar somente a frigideira e anotar como “massa da cápsula”;
 Colocar a areia úmida na frigideira e pesar o conjunto “massa do solo úmido +
cápsula”;
 Colocar a frigideira cuidadosamente sobre o fogareiro;
 Mexer a areia por um determinado período até evaporar toda a umidade;
 Verificar, de tempos em tempos, se a areia está realmente seca colocando uma
placa de vidro sobre a frigideira.
 Se a placa de vidro ficar úmida, retornar a frigideira no fogo até secar.
 Pesar a frigideira com a areia seca e anotar como “massa do solo seco + cápsula”.
A diferença entre a massa do solo úmido e a massa do solo seco será a quantidade
de água evaporada.

4. Resultados

A Tabela 1 ilustra os dados obtidos para cada método.

Tabela 1 – Dados coletados

TEOR DE UMIDADE
UEM / DEC
Lab. Mec. Solos
NBR 6457 / 86

LOCAL: Campus Sede da UEM


INTERESSADO:Lab. Mec. Solos (2570) / Turma 6 e 8 (2014)
AMOSTRA: 01
PROFUNDIDADE: 1,7m DATA: 25/02/14

CÁPSULA N° 18 35 113
MASSA DA CÁPSULA (g) 29,07 24,79 22,78
E
S MASSA DO SOLO ÚMIDO + CÁPSULA (g) 96,27 87,03 87,95
T MASSA DO SOLO SECO + CÁPSULA (g) 84,60 76,21 76,67
U MASSA DE ÁGUA (g)
F
A MASSA DE SÓLIDOS (g)
UMIDADE (%)
UMIDADE MÉDIA (%)

CÁPSULA N° 116 117 118


F
MASSA DA CÁPSULA (g) 56,22 55,96 55,01
O
G MASSA DO SOLO ÚMIDO + CÁPSULA (g) 130,73 132,02 131,25
A
MASSA DO SOLO SECO + CÁPSULA (g) 117,21 118,56 117,81
R
E MASSA DE ÁGUA (g)
I
MASSA DE SÓLIDOS (g)
R
O UMIDADE (%)
UMIDADE MÉDIA (%)

S SPEEDY N° 36150 36150 36150


P MASSA DE SOLO ÚMIDO (g) 10 10 10
E
E LEITURA NO MANÔMETRO (kgf / cm2) 1,75 1,80 1,80
D UMIDADE (%)
Y
UMIDADE MÉDIA (%)

No método da estufa e no método do fogareiro, devemos seguir as seguintes etapas:


Para se calcular a massa de água, basta fazermos:

(𝑀𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑠𝑜𝑙𝑜 ú𝑚𝑖𝑑𝑜 + 𝑐á𝑝) − (𝑀𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑠𝑜𝑙𝑜 𝑠𝑒𝑐𝑜 + 𝑐á𝑝) = 𝑀. 𝑑𝑎 á𝑔𝑢𝑎 (Eq. 1)

Já para a massa dos sólidos, fazemos:

(𝑀𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑠𝑜𝑙𝑜 𝑠𝑒𝑐𝑜 + 𝑐á𝑝𝑠𝑢𝑙𝑎) − (𝑀𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑐á𝑝𝑠𝑢𝑙𝑎) = 𝑀. 𝑑𝑜 𝑠ó𝑙𝑖𝑑𝑜 (Eq.


2)
Dessa maneira, encontrada a massa de água e massa do solo, para calcular-se a
umidade, basta usarmos a equação:

𝑀𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 á𝑔𝑢𝑎
𝑥 100 = 𝑈𝑚𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 (%) (Eq. 3)
𝑀𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝑠ó𝑙𝑖𝑑𝑜𝑠

Por fim, basta calcularmos a média aritmética das três umidades encontradas para
acharmos a umidade média.

Por sua vez, o Método do speedy requer o auxílio e leitura da Tabela 2 para a
determinação da umidade.

Tabela 2 – Uso do umidímetro “Tipo Speedy”

Uma vez fazendo uso da tabela, podemos então preencher o campo da umidade referente
ao umidímetro. Dessa forma, uma vez efetuados as contas e análises, chegamos aos seguintes
resultados, conforme Tabela 3.
Tabela 3 – Resultados finais

5. Análise e discussão dos resultados

O método de secagem em estufa se mostrou eficiente, obtendo-se praticamente os


mesmos valores de teor de umidade, que, como se tratavam da mesma amostra, era o
resultado esperado. Através do método do fogareiro, obtiveram-se valores ligeiramente
maiores para a umidade das amostras, entretanto, também com baixo desvio padrão,
tornando os dados válidos. Já no método “Speedy”, os valores encontrados foram
ligeiramente maiores, porém, por possuir um baixo desvio padrão, também são
considerados resultados válidos.
Por isso, podemos concluir que os três métodos realizados, podem ser
considerados viáveis e confiáveis, baseado nos resultados próximos encontrados.
A umidade é um importante parâmetro para a determinação de outros índices
físicos, portanto a análise desta em laboratório torna-se crucial para o bom
entendimento das características do solo.

6. Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICA (ABNT). NBR 6457:


Amostras de solo – Preparação para ensaios de compactação e ensaios de
caracterização - Método de ensaio. ABNT, Rio de Janeiro, 1984.

_________NBR 6457 – Amostra de solo - Preparação para ensaios de compactação


e ensaios de caracterização. ABNT, Rio de Janeiro, 1986.

BELINCANTA, A. Aula prática 2: Determinação da massa específica dos grãos do


solo. UEM, Maringá, 2014.

D.N.E.R ME 52/64: Determinação da Umidade pelo Método Expedito “Speedy”

PINTO, C. S. Curso básico de mecânica dos solos em 16 aulas. 3ª edição. São Paulo:
Oficina de Textos, 2006.