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Intervenção fisioterapêutica através da terapia manual na disfunção

temporomandibular

Andréia Aparecida de Carvalho1, Geovane Elias Guidini Lima2.

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Acadêmica do 9º período do curso de Fisioterapia da FUPAC – Fundação Presidente Antônio Carlos –
Faculdade de Ubá. 2Orientador – Fisioterapeuta, Pós-graduado e Fisioterapia Ortopédica e Traumatológica –
Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP)/USP – Ribeirão Preto; Especialista
em Atividade Física e Reabilitação Cardíaca UFJF.

Resumo:

Introdução: A disfunção temporomandibular (DTM), é uma das principais causas de dor orofacial. Acomete
grande parte da população tornando essencial o desenvolvimento de técnicas terapêuticas para o seu tratamento.
Objetivo: O objetivo deste estudo será verificar o efeito da intervenção fisioterapêutica na DTM e seus
benefícios após-intervenção. Materiais e Métodos: É um estudo do tipo experimental, longitudinal, prospectivo
de caráter quantitativo. Sua amostra será composta por dez voluntárias, com idade entre 20 à 45 anos, com
diagnóstico positivo para DTM. Para o tratamento fisioterapêutico serão realizadas manobras de massagem
facial, técnicas de desativação de pontos-gatilhos, tração mandibular e alongamentos cervicais.

Palavras-chave: Fisioterapia; intervenção; disfunção temporomandibular.

1Endereço para correspondência: Andréia Aparecida de Carvalho, Av. Senhor Drummond, 363 – Bairro Antônio
Gonçalves, Visconde do Rio Branco – MG; CEP: 36520-000, Tel: (32) 3551-2498. E-mai:
carvalhovrb@hotmail.com.br
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Introdução

A articulação temporomandibular (ATM) é uma estrutura articular sinovial do tipo


gínglimo modificada. Ela está constantemente em atividade, realizando aproximadamente
2.000 movimentos ao dia, sendo a articulação mais usada do corpo humano e com maior
possibilidade de sofrer disfunções. Sua estabilidade dinâmica é composta pelos músculos
temporal, masseter, pterigóide medial e lateral e pelo grupo de músculos hióideos. 1 sendo que
a mastigação, deglutição, fonação e a postura dependem muito da saúde e da estabilidade
desta articulação.2
A ATM é caracterizada pela união da mandíbula com os ossos temporais em ambos
os lados e realiza os movimentos de protusão, retrusão, lateralização da mandíbula, abertura e
fechamento de boca.3 Ela faz parte do sistema estomatognático, que é uma unidade funcional
do organismo agindo harmoniosamente na realização de diversas tarefas funcionais. Fazem
parte deste sistema os componentes esqueléticos (maxila e mandíbula), arcadas dentárias,
tecidos moles (glândulas salivares, suprimento nervoso e vascular) e os músculos como
esternocleidomastóideo, posteriores de pescoço e músculo trapézio, que tem como função
estabilizar e permitir o movimento mandibular.1,2,3
Entre as doenças que acometem esse sistema, encontramos a disfunção
temporomandibular (DTM), que engloba várias condições envolvendo desordens dos
músculos mastigadores da ATM, alterações funcionais e suas estruturas associadas, desde
alterações articulares, miofaciais até mesmo sensoriais.1,4,5,6 Portanto, a DTM é um
grupamento de condições dolorosas orofaciais envolvendo fatores de predisposição, início e
perpetuação dos sintomas.7 Sendo mais comuns em mulheres com idade entre 20 e 45 anos.8
A etiologia da DTM é dada como multifatorial, sendo sua gênese e permanência
condicionadas à interação de fatores como trauma, hábitos parafuncionais, alterações
sistêmicas, componentes fisiopatológicos, sociais, culturais, discrepâncias oclusais e
hipermobilidade.4,5,9
A principal queixa da DTM quando se refere ao músculo é a dor, mas pode ser
acompanhada de fadiga muscular, cefaléia tensional e limitação de abertura mandibular 6.
Estes geralmente são causados por hiperatividade muscular, tendo portanto, como principal
causa a prática de hábitos parafuncionais, sendo agravados e influenciados pelo estresse
emocional.2
Sendo assim, os principais sinais e sintomas da DTM, além da dor na ATM, são a
dor cervical, cansaço, estalos, dor durante a mastigação, tinnido e dor de ouvido, dores nos
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músculos da face e articulação, ruídos articulares, travamentos, desvios da trajetória


mandibular, dores na nuca e pescoço.1,2,4,10
Entre as terapêuticas existentes, a fisioterapia é uma área da saúde, que faz parte da
equipe multidisciplinar, visando restabelecer o movimento funcional da articulação. 2 Sendo
assim, destina-se ao alívio da dor musculoesquelética, reduzir a inflamação e restaurar a
função motora normal.5 Tendo ação no tratamento reversível, com objetivo de devolver a
função da articulação comprometida. Para isso, será necessário uma avaliação precisa
focalizando-se nos sinais e sintomas apresentados na DTM. 3Dentre as intervenções adotadas
pela fisioterapia estão os exercícios e técnicas de terapia manual.5

A DTM vem aumentando durante os últimos anos devido a vida estressante que as
pessoas vem adotando. No entanto, por ser uma desordem que causa principalmente dor na
ATM seguida de outros sinais e sintomas atrapalhando a sua funcionalidade, a fisioterapia
vem atuar e contribuir na melhora da dor e funcionalidade da articulação através da aplicação
da terapia manual.
O presente estudo torna-se relevante, sendo que seus resultados poderão ser
utilizados como apoio para a equipe de profissionais do serviço de saúde, pois a fisioterapia
vem desenvolvendo um papel importante no tratamento desta disfunção, com a proposta de
aliviar a dor e sintomas que envolvem a ATM.
Diante do exposto acima, o objetivo deste estudo é avaliar o efeito da fisioterapia na
dor e amplitude de movimento de abertura de boca, protusão e lateralização em pacientes com
disfunção temporomandibular.

Metodologia

Trata-se de um estudo do tipo experimental, longitudinal, prospectivo de caráter


quantitativo com amostragem não probabilística e por conveniência. A amostra será composta
por dez pacientes do sexo feminino entre 20 e 45 anos que serão avaliadas e submetidas à
intervenção fisioterapêutica.
O estudo será realizado na Otoclínica Ltda, na cidade de Visconde do Rio Branco-
MG, no período de Agosto a Setembro de 2015. As pacientes a serem incluídas no presente
estudo deverão ter diagnóstico positivo para DTM, realizado por um cirurgião/dentista
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especialista na articulação. Não fazerem uso de medicamentos para dor e relaxamento


muscular, não terem doenças associadas e já estarem fazendo uso de placas. Serão excluídas
aquelas pacientes que apresentarem diagnóstico de fratura mandibular, pós-cirúrgico na região
orofacial e estarem fazendo tratamento fisioterapêutico para DTM.
No primeiro momento, receberão uma explicação de como será realizado o estudo e
após concordarem em participar, assinarão um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
de acordo com a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Após concordarem com a
pesquisa, serão encaminhadas à Otoclínica, onde serão avaliadas e receberão a intervenção
fisioterapêutica conforme planejamento.
As pacientes serão investigadas através de uma ficha de anamnese e outra ficha de
avaliação e acompanhamento, sendo as mesmas elaborada pela própria autora.
Para mensurar a intensidade da dor, será utilizada a Escala Visual Analógica (EVA),
por ser considerada de fácil entendimento. Consiste em uma régua de dez centímetros de
comprimento que, em uma extremidade é composta pelas palavras “sem dor”, e na outra “a
pior dor”. A paciente irá indicar o local que considera estar a sua pior dor no momento.
Para mensurar ativamente as amplitudes de movimento da articulação
temporomandibular, foi utilizado um paquímetro de aço inox, marca FORTG, modelo
analógico 150mm, que consiste em uma régua graduada, com encosto fixo, sobre a qual
desliza um cursor.
As pacientes serão avaliadas em três momentos: antes da 1ª, após a 5ª e após a 10ª
sessão que serão realizadas duas vezes por semana, segunda e quarta, com duração de 30
minutos ao longo de seis semanas, sendo realizada somente pela pesquisadora para que a
mensuração seja idêntica em todas as avaliações. A intervenção fisioterapêutica será realizada
através da liberação do músculo frontal com deslizamento descendente utilizando os dedos
indicador e médio; músculo temporal com movimentos circulares utilizando os dedos
indicador e médio; músculo corrugador do supercílio com elevação do mesmo, realizando
deslizamento superior e inferior com dedos indicador e polegar; músculos masseter e
bucinador com movimentos circulares e de deslizamento sempre no sentido descendente com
os dedos indicador e médio, com duração de 30 segundos para cada manobra. Liberação do
músculo masseter, com dedos indicador e médio realizando movimentos de deslizamento e
rolamento para cima com duração de 1 minuto.
Para relaxamento muscular serão utilizados movimentos circulares e descendentes
com dedos indicador e médio iniciando da ATM em direção ao músculo orbicular do lábio
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superior; ATM em direção à comissura labial; ATM em direção ao mento, com duração de 30
segundos cada.
Para ganho de ADM, será realizado uma decoaptação. Paciente em decúbito dorsal,
terapeuta apóia os polegares nos últimos molares que delicadamente é mordido pela paciente
para dar mais sustentação, sendo realizado um alongamento a nível caudal no tempo de vinte
segundos. Após esta técnica recebeu orientação para manter a boca fechada e elevar a língua
até o palato, mantendo por trinta segundos.
Com o polegar intra-oral, será realizado um alongamento da musculatura
mastigatória em direção a boca, com duração de um minuto.
Será realizado um traço conjuntivo do músculo esternocleidemastóideo: paciente em
decúbito dorsal, com a cabeça rodada lateralmente permitindo maior visualização do músculo,
com o polegar, aplica-se uma pressão descendente sobre o músculo por oito vezes repetindo a
mesma manobra do lado oposto.
Para finalizar será realizado um alongamento da coluna cervical

Análise de Dados

Os dados serão analisados através de técnicas descritivas e inferencial, adotando-se


um intervalo de confiança de 95%, com o auxílio de software SPSS (Statistical Packege for
Social Science) versão 13.0.

Cronograma

ETAPAS MESES
Ano:2015 JA FE MA AB MAI JU JU AG SE OU NO DE
N V R R O N L O T T V Z
Planejamento X X X
Levantament X X X X
o
Bibliográfico
Relação X X X
Textual
Montagem X X
apresentação
oral
Entrega do X
5

projeto
Apresentação X
oral

Referências Bibliográficas

1. Freitas DG, Pinheiro ICO, Vantin K, Meinrath NCM, Carvalho NAA. Os efeitos da
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estabilização cervical em uma paciente com disfunção temporomandibular: Um estudo
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2. Kinote APBM, Monteiro LT, Vieira AAC, Ferreira NMN, Abdon APV. Perfil
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3. Maurão NLA, Mesquita VT. A Importância da Fisioterapia no Tratamento das


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Influência do tratamento das desordens temporomandibulares na dor e na postura
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7. Basso D, Corrêia E, Silva AM. Efeito da reeducação postural global no alinhamento


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