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Universidade Federal de Campina Grande

Centro de Ciências e Tecnologia - CCT


Unidade Acadêmica de Física – UAF
Laboratório de Óptica, Eletricidade e Magnetismo

CAMPO EM DOIS FIOS PARALELOS E


LONGOS

Aluna: Gabriele de Souza Batista


Matrícula: 116110449
Professor: Laerson Duarte
Turma: 04

CAMPINA GRANDE, 27 DE FEVEREIRO DE 2018

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 3

1.1 Objetivos .......................................................................................................... 5

1.2 Material Utilizado ............................................................................................. 6

1.3 Procedimento Experimental ............................................................................ 6

1.3.1 Montagem com um Fio Longo ................................................................. 6

1.3.2 Montagem com dois Fios Paralelos e Longos ......................................... 7

2. DESENVOLVIMENTO ........................................................................................... 8

3. CONCLUSÃO ...................................................................................................... 11

4. ANEXOS .............................................................................................................. 12

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1. INTRODUÇÃO

É notório que, é possível calcular o campo magnético total associado a


qualquer distribuição de corrente escrevendo o campo elementar dB produzido por
um elemento de corrente i ds e somando as contribuições de todos os elementos de
⃗ em cada ponto é tangente às
corrente. Logo, pode-se dizer que a direção de 𝐵
linhas de campo e, desse modo, seu sentido pode ser determinado pela regra da
mão direita, assim como verifica-se na figura 1 abaixo.

Figura 1 - Representação da curva de Ampére para um fio longo.

Sendo assim, pela Lei de Ampere, o capo produzido por um fio longo é dado
pela equação 1 a seguir apresentada.

⃗ ∙ 𝑑 𝑙 = 𝐵 ∮ 𝑑𝑙 = 𝐵2𝜋𝑅 = 𝜇0 𝐼
∮ 𝐵
𝐶

𝜇0 𝐼
[𝟏] 𝐵 =
2𝜋𝑅

Dessa maneira, para determinar o campo magnético total ao redor de dois


condutores basta somar vetorialmente os campos correspondentes às correntes.
Logo, em uma configuração de dois fios, em cada região definida, existe um campo
resultante de dois vetores. Como o campo magnético é uma grandeza vetorial, para
fios longos a soma vetorial sempre poderá ser tomada como uma soma algébrica,
pois os vetores são sempre colineares, isto é, de mesma direção, podendo mudar de
sentido.

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Considerando o esquema da figura 2 a seguir, pode-se perceber que em cada
região existirá a superposição de dois campos, cada um advindo de um dos fios.

Figura 2 - Campo sobre dois fios paralelos longos

⃗ de cada fio
Portanto, sendo o campo magnético uma grandeza vetorial e os 𝐵
colinear, pode-se realizar a soma algébrica entre eles. Sob esse viés, para cada
região tem-se que:

1) Região I
0 𝜇 𝐼 0 𝜇 𝐼
Pela Lei de Ampere: 𝐵1 = 2𝜋𝑟 e 𝐵2 = 2𝜋(𝑑+𝑟)

Geometricamente: 𝐵 = 𝐵1 − 𝐵2

Então,

𝜇0 𝐼 1 1
[𝟐] 𝐵 = ( − )
2𝜋 𝑟 𝑟 + 𝑑

2) Região II
Geometricamente: 𝐵 = 𝐵1 + 𝐵2

Então,

𝜇0 𝐼 1 1
[𝟑] 𝐵 = ( + )
2𝜋 𝑟 𝑑 − 𝑟

3) Região III
Geometricamente: 𝐵 = 𝐵2 − 𝐵1

Então,
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𝜇0 𝐼 1 1
[𝟒] 𝐵 = ( − )
2𝜋 𝑟 − 𝑑 𝑟

É verificável que na prática, é difícil medir um campo magnético estacionário.


Para verificar os campos acima mostrados, deve-se basear no princípio da indução
magnética (Lei de Faraday) em uma bobina retangular (de comprimento a e
espessura b) colocada o ponto onde se quer medir o campo. Desse modo, o campo
magnético gerado por uma corrente alternada pode ser calculado pela equação 5
abaixo.

𝜇0 𝐼
[𝟓] 𝐵 = cos 𝜔𝑡
2𝜋𝑟

O fluxo magnético sobre a bobina onde B é constante (com a espessura da


bobina desprezível para variação do campo) e paralelo ao vetor normal à superfície
pode ser dado pela equação 6 a seguir representada.

⃗ ∙ 𝑛̂𝑑𝐴 = 𝑁𝐵 ∫ 𝑑𝐴 = 𝑁𝐵𝐴
𝜙𝑚 = 𝑁 ∫ 𝐵
𝑆 𝑆

[𝟔] 𝜙𝑚 = 𝑁𝐵(𝑎𝑏)

Assim, o produto NA é denominado de área efetiva. Pela Lei de Faraday, se o


campo magnético varia no tempo, e, consequentemente, também seu fluxo em uma
área, há uma força eletromotriz induzida nos terminais da bobina, como percebe-se
na equação 7.

𝑑𝜙𝑚 𝑑𝐵 𝑑𝐵 𝜇0 𝐼
𝜀= − = −𝑁𝐴 = −𝑁𝐴 = 𝑁𝐴 𝜔 𝑠𝑒𝑛 𝜔𝑡 = 𝑁𝐴𝜔𝐵0 𝑠𝑒𝑛 𝜔𝑡
𝑑𝑡 𝑑𝑡 𝑑𝑡 2𝜋𝑟

𝑁𝑆𝜇0 𝐼
[𝟕] 𝜀 = ∗ 𝜔𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑡)
2𝜋

Finalmente, como os multímetros e amperímetros para corrente e tensão


alternadas indicam valores RMS, pode-se analisar esses valores em multímetros,
assim como sugere a equação 8 abaixo.

𝜇0
[𝟖] 𝜀𝑅𝑀𝑆 = 𝑁𝐴𝜔𝐵𝑅𝑀𝑆 = 𝑁𝐴𝜔 𝐼
2𝜋𝑟 𝑅𝑀𝑆

1.1 Objetivos

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Sob esse viés, com este experimento pretende-se verificar a Lei de Ámpere
em se tratando do campo magnético produzido por um fio longo; comprovar o
princípio da superposição de campos magnéticos para os campos produzidos por
dois fios paralelos e muito longos; e, aplicar o princípio da indução (Lei de Faraday)
na medição de campos magnéticos.

1.2 Material Utilizado

Utilizou-se os seguintes materiais para a realização do proposto experimento:


 Dois fios longos;
 Fonte da tensão alternada;
 Amperímetro;
 Multímetro;
 Reostato;
 Bobina de detecção.

1.3 Procedimento Experimental

1.3.1 Montagem com um Fio Longo

Primeiramente, montou-se o circuito composto por um fio longo conforme


ilustra a figura 3, abaixo, tendo o cuidado de manter o cabo de retorno bastante
afastado da bobina. Logo, ligou-se a fonte estabelecendo cuidadosamente uma
corrente de 2,0 A no circuito, manipulando a fonte e o reostato. Assim, a bobina
deve ficar sempre paralela ao fio. Anotou-se então os parâmetros da bobina e o
número de espiras.

Figura 3 - Montagem com um fio longo

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Dessa forma, quando foi obtido uma deflexão no voltímetro, girou-se a bobina
em torno do próprio eixo longitudinal e observou-se o comportamento da f.e.m
induzida. Portanto, fez-se medidas da tensão induzida na bobina E RMS em função da
distância r até o fio a intervalos de 1,0 cm. Dessa maneira, mantendo a bobina a
uma distância de 2,5 cm do fio, mediu-se a tensão induzida ERMS em função da
corrente IRMS no circuito.

1.3.1 Montagem com dois Fios Paralelos e Longos

Primeiramente, montou-se o circuito composto por dois fios paralelos e longos


conforme ilustra a figura 4, abaixo. Logo, ligou-se a fonte estabelecendo
cuidadosamente uma corrente de 2,0 A no circuito, manipulando a fonte regulável e
o reostato.

Figura 4 - Montagem com dois fios paralelos e longos.

Assim, mediu-se a tensão induzida ERMS em função da distância r até o fio 1,


na região externa (região I). Dessa maneira, variou-se r a intervalos de 1,0 cm.
Portanto, fez-se o mesmo para toda a região entre os dois fios.

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2. DESENVOLVIMENTO

A partir da realização dos procedimentos experimentais, coletou-se dados


importantes referentes ao experimento. Assim, para a montagem com um fio longo,
deixando a bobina sempre paralela ao fio, foram realizadas medidas da tensão
induzida na bobina em função da distância r, para um valor de corrente igual a 2,0 A.
Sob esse contexto, a tabela 1, a seguir, apresenta os resultados obtidos nesta etapa
do experimento.

Tabela 1 – Variação da ERMS em função das variações da distância r, para um valor


de corrente constante

r(cm) 2,5 3,5 4,5 5,5 6,5 7,5 8,5 9,5 10,5 11,5 12,5 13,5 14,5 15,5
ERMS(mV) 15,8 11,4 8,8 7,0 5,7 4,8 4,0 3,5 3,1 2,7 2,4 2,1 1,9 1,7
(Fonte: Autor, 2017)

Em seguida foram medidas da tensão induzida na bobina em função da corrente


no circuito, para um valor de r constante igual a 2,5 cm. Logo, os dados obtidos
encontram-se contidos na tabela 2 abaixo.

Tabela 2 – Variação da ERMS em função das variações da corrente I, para uma


distância r constante.

I(A) 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 1,8 2,0
ERMS(mV) 2,9 4,6 6,5 8,1 9,8 11,2 12,8 14,4 16,3

(Fonte: Autor, 2017)

Portanto, para as tabelas 1 e 2, construiu-se, respectivamente, o gráfico da


tensão induzida versus o inverso da distância e o gráfico da tensão induzida versus
a corrente. Logo, a partir da inclinação de cada gráfico foi possível encontrar a área
efetiva da bobina experimentalmente. Assim, sabendo que ω é a frequência 120π da
corrente e μ0 a constante magnética no vácuo, pode-se obter que,

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 Gráfico da tensão induzida versus o inverso da distância (Gráfico 1)
𝑁𝐴𝜔𝜇0 𝐼𝑅𝑀𝑆 𝐶2𝜋
𝐶= ⇒ 𝑁𝐴𝐶 =
2𝜋 𝜔𝜇0 𝐼𝑅𝑀𝑆
39,55. 10−5 2𝜋
𝑁𝐴𝐶 = = 2,623 𝑚2
120𝜋4𝜋10−7 2,0

 Gráfico da tensão induzida versus a corrente (Gráfico 2)


𝑁𝐴𝜔𝜇0 𝐷2𝜋𝑟
𝐷= => 𝑁𝐴𝐷 =
2𝜋𝑟 𝜔𝜇0
7,29. 10−3 2𝜋0,025
𝑁𝐴𝐷 = = 2,418 𝑚2
120𝜋4𝜋10−7

Entretanto, o valor teórico da área efetiva da bobina é dado por:


𝑁𝐴 = (1100)(0,3550)(0,0084) = 3,2802 𝑚2

Obtêm-se então um erro de 20,0% em relação ao valor obtido a partir do


gráfico 1 e um erro de 37,8% em relação ao valor obtido a partir do gráfico 2.

Calculando, em seguida, o valor da força eletromotriz a 4 cm do fio 1 e


comparando com o valor experimental obtido no ponto (1/4 cm-1; 9,89 mV) do
gráfico, tem-se:

𝜇0 (3,2802)(120𝜋)𝜇0 (2,0)
𝜀𝑅𝑀𝑆 = 𝑁𝐴𝜔 𝐼𝑅𝑀𝑆 = = 12,37 𝑚𝑉 → 𝛿% = 20,05%
2𝜋𝑟 2𝜋(0,04)

Dessa maneira, com a segunda montagem, ou seja, com os dois fios


paralelos e longos, determinou-se o campo magnético em duas regiões. Sendo
assim, os dados para a Região 1 estão na Tabela 3 e os dados para a Região 2
estão na Tabela 4, representadas, respectivamente, a seguir.

Tabela 3 – Valores da tensão ERMS em função da distância r para o Fio 1, para um


valor de corrente constante, na região I.
r(cm) 2,5 3,5 4,5 5,5 6,5 7,5 8,5 9,5 10,5 11,5 12,5 13,5 14,5 15,5 16,5

ERMS(mV) 11,3 9,3 7,5 6,1 5,1 4,4 3,7 3,3 2,8 2,5 2,2 2,0 1,8 1,7 1,5
(Fonte: Autor, 2017)

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Tabela 4 – Valores da tensão ERMS em função da distância r para o Fio 1, para um
valor de corrente constante, na região II.
r(cm) 2,5 3,5 4,5 5,5 6,5 7,5 8,5 9,5 10,5 11,5 12,5 13,5 14,5 15,5 16,5 17,5

ERMS(mV) 15,4 13,4 12,0 10,9 10,1 9,4 9,0 8,8 8,7 8,8 9,0 9,4 10,1 10,9 12,0 13,9
(Fonte: Autor, 2017)

Sendo assim, para dois fios paralelos e longos, temos a força eletromotriz
induzida em função da soma algébrica do campo em cada fio. Assim,

𝜇0 𝐼 1 1
𝜀 = 𝑁𝐴𝜔𝐵 = 𝑁𝐴𝜔𝐵 = 𝑁𝐴𝜔 ( + )
2𝜋 𝑟 𝑑 − 𝑟

Derivando a força eletromotriz no tempo com o intuito de descobrir o ponto


mínimo da parábola, temos:

𝑑𝜀 𝜇0 𝐼 1 1 𝑑
= 𝑁𝐴𝜔 (− 2 + ) = 0 → 𝑟 = 𝑑 − 𝑟 → 𝑟 =
𝑑𝑡 2𝜋 𝑟 (𝑑 − 𝑟)2 2

Pelo gráfico obtido com base na tabela 4 (vide anexo, gráfico 4), tem-se que a
força eletromotriz mínima é em r=10,5 cm, ou seja, 8,7mV. Pela expressão, a tensão
mínima é

𝜇0 𝐼 1 1 𝜇0 𝐼 1 1 𝜇0 𝐼 1
𝜀 = 𝑁𝐴𝜔 ( + ) = 𝑁𝐴𝜔 ( + ) = 𝑁𝐴𝜔 ( )
2𝜋 𝑟 𝑑 − 𝑟 2𝜋 𝑟 2𝑟 − 𝑟 𝜋 𝑟
3,2802.120𝜋4𝜋. 10−7 . 2
= = 9,42 𝑚𝑉
𝜋0,105

Finalmente, o desvio, portanto, é de 7,64%.

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3. CONCLUSÃO

Destarte, a partir do proposto experimento, é possível verificar que o erro


percentual verificado nestes experimentos advém da perda de parte da energia pelo
circuito em forma de calor, pelas falhas de conexão da bancada ou pelo mal-uso,
pelos integrantes do grupo, dos equipamentos ou das técnicas de desenho de
gráficos. Em geral, os desvios não foram pequenos, e os resultados, não
satisfatórios.

Ademais, durante a experiência trabalhou-se com valores de tensão muito


pequenos, ou seja, no limite de precisão do multímetro. Sabe-se ainda que o
multímetro não é ideal, logo acaba interferindo no circuito montado. Por esses
motivos, não é possível ter tanta precisão na inclinação das retas traçadas nos
gráficos. Justificando assim o resultado obtido para o valor experimental de NS, que
não pode ser considerado um bom valor, pois se verificou-se erros de 20,0% e
37,8%.

Portanto, é de se esperar que o valor do campo na própria posição do fio


percorrido pela corrente equivalha apenas ao campo do outro fio sobre ele, visto que
a distância de um ponto P no fio até o mesmo é 0. Além disso, é notável que caso
fossem utilizadas duas correntes de sentidos contrários, pela regra da mão direita,
um dos vetores de campo estaria saindo do plano da bancada enquanto o do outro
fio estaria entrando. O gráfico do campo da soma vetorial de ambos, dessa forma,
resultaria uma reta que em r = d/2 cortaria y = 0.

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4. ANEXOS

 Gráfico da tensão induzida versus o inverso da distância

𝑃1 = (0,05; 1,0)
𝑃2 = (0,404; 15,0)

∆𝐸𝑅𝑀𝑆 𝐸𝑅𝑀𝑆 2 − 𝐸𝑅𝑀𝑆 1 (15,0 − 1,0)


𝐴= = = = 39,55
∆1/𝑟 1/𝑟2 − 1/𝑟1 (0,404 − 0,05)

1
𝐸𝑅𝑀𝑆 = 𝐴.
𝑟
1
𝐸𝑅𝑀𝑆 = 39,55.
𝑟

 Gráfico da tensão induzida versus a corrente

𝑃1 = (0,23; 1,5)
𝑃2 = (2,15; 15,5)

∆𝐸𝑅𝑀𝑆 𝐸𝑅𝑀𝑆 2 − 𝐸𝑅𝑀𝑆1 (15,5 − 1,5)


𝐴= = = = 7,29
∆𝐼 𝐼2 − 𝐼1 (2,15 − 0,23)

𝐸𝑅𝑀𝑆 = 𝐴𝐼
𝐸𝑅𝑀𝑆 = 7,29. 𝐼

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